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TEREZA SALGUEIRO NICOLAS VAULDELET DUB ECHOES NAGAKIN CAPSULE TOWER REVISTA GRATUITA DE MODA E CULTURA URBANA. PARQ. NÚMERO 13. JUNHO/JULHO 2009. www.parqmag.com


Director Francisco Vaz Fernandes francisco@parqmag.com

editora Carla Isidoro carla@parqmag.com

Direcção de arte Valdemar Lamego valdemar@parqmag.com

Trendscout Mário Nascimento mario@parqmag.com

tradução Roger Winstanley roger@parqmag.com

publicidade Francisco Vaz Fernandes francisco@parqmag.com Cláudia Santos claudia@parqmag.com

PARQ Número 13 Junho/Julho 2009

PARQ. NÚMERO 13. JUNHO/JULHO 2009. REVISTA GRATUITA DE MODA E CULTURA URBANA.

periocidade

textos

Mensal

ana seabra antónio falcão de campos antónio varela blair mcbride bruno pires Carla Carbone catarina korma Cláudia Matos Silva eliana silva mami pereira miguel joão ferreira miguel pedreira miss jones ray monde Roger Winstanley Rui Miguel Abreu Sofia Saunders

Depósito legal 272758/08 Registo ERC 125392

Edição 13

TEREZA SALGUEIRO NICOLAS VAULDELET DUB ECHOES NAGAKIN CAPSULE TOWER

Conforto Moderno Uni, Lda. número de contribuinte: 508 399 289

REVISTA GRATUITA DE MODA E CULTURA URBANA. PARQ. NÚMERO 13. JUNHO/JULHO 2009. www.parqmag.com

PARQ Rua Quirino da Fonseca, 25 – 2ºesq. 1000-251 Lisboa 00351.218 473 379

Impressão BeProfit / SOGAPAL Rua Mário Castelhano · Queluz de Baixo 2730-120 Barcarena 20.000 exemplares

distribuição Conforto Moderno Uni, Lda.

A reprodução de todo o material é expressamente proibida sem a permissão da Parq.Todos os direitos reservados. Copyright © 2008 Parq.

fotos alexander koch ferran casanova francisco de almeida javier domenech pedro janeiro

Assinatura anual 15€.

styling

www.parqmag.com

angel cabezuelo Conforto Moderno

capa andrea fotografada por ferran casanova veste Tocado de manuel albarran, e Vestido de tara jarmon realização: blue studio styling: angel cabezuelo hair&make-up: De Marial.

ilustração vanessa teodoro


LISBOA

18 DE JULHO

PATROCINADORES:

PATROCINADOR PRINCIPAL:

ESTÁDIO DO RESTELO

PETER BJORN AND JOHN MOTOR SOAPBOX | SBSR PRELOAD

THE KILLERS DUFFY

MANDO DIAO BRANDI CARLILE THE WALKMEN BETTERSHELL | SBSR PRELOAD ORGANIZAÇÃO:

ESTÁDIO DO BESSA XXI

NOUVELLE VAGUE

APOIOS:

11 DE JULHO

DEPECHE MODE

MEDIA PARTNERS:

PORTO

BILHETES À VENDA: Ticketline (www.ticketline.pt), CTT (www.ctt.pt), Lojas Fnac, Lojas Worten, Lojas Bliss, Livraria Bulhosa, Agências Abreu, Megarede, ABEP, Agência Alvalade, C.C. Dolce Vita (Coimbra, Ovar, Vila Real e Porto), El Corte Inglés, Casino de Lisboa, Breakpoint (www.breakpoint.es, www.ticketmaster.es), Movijovem.

superbocksuperrock.net

2 CIDADES. 2 ESTÁDIOS. UM GRANDE FESTIVAL.


Real People 06

fabrizio pazzaglia por Carla Isidoro

08

nicolas vauldelet por Francisco Vaz Fernandes

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fred butler por Eliana Silva

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Mona di Orio

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por Francisco Vaz Fernandes

viewpoint

Alex&Cocco

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antónio maçanita

parq here 69

Montes Alentejanos turismo

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Trekking nos andes

soundstation 32

dub echoes

por Rui Miguel Abreu

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turismo

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viagem

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the hood places

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bikeiberia + pimenta rosa places

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lord's bistrô

miss jones & ray monde

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absolut 100 + fauchon tea + enki water gourmet

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Fontana park hotel party

patrizia laquidara por Miguel João Ferreira

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Chicks on speed por Nuno Sousa

english version 78

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Viewpoint Alex&cocco

patrizia laquidara by Miguel João Ferreira (english version by Roger Winstanley)

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chicks on speed

by Nuno Sousa (english version by Roger Winstanley)

central parq

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Nagakin Capsule tower

by Blair McBride (english version by Roger Winstanley)

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tereza salgueiro por Carla Isidoro

dia positivo mudam-se os tempos

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Crónica de Cláudia Matos Silva ilustrado por Vanessa Teodoro

por Ana Seabra

Antoine et manuel por Carla Carbone

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Nagakin Capsule tower por Blaire McBride

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Luís Miguel Raposo por Miguel Pedreira

Na edição passada não creditámos correctamente o artigo sobre Jorge Colombo. Foi escrito por Carla Isidoro e o retrato é de Daniel Blaufuks. Pedimos desculpa pelo lapso.

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Blog de moda

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por Francisco Vaz Fernandes

errata

por Alexander Koch

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You must news Férias e Mudança de Perspectiva

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ride my bike

palácio de estói

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Vamos de férias e voltamos em Setembro com energia e um ânimo renovado como sempre acontece depois de uma pausa. Contudo, recorrendo mais à nossa imaginação para que possamos cumprir os nossos ideais prometidos de uma sociedade de lazer em expansão. No meio deste panorama - como muitos portugueses - recorremos à imaginação para termos o máximo de dias pelo mínimo dinheiro possível, se não quisermos ficar em casa. Este será um exercício a que teremos que nos habituar, apesar da miragem das propostas do mercado de luxo a aumentarem de dia para dia. Talvez porque, depois da Europa, sejamos agora um Portugal a duas velocidades. Mais alternativas ou mais clássicas, o certo é que aconselhamos umas férias ligadas à natureza e alguns de nós interpretam com um certo grau de cinismo num estilo anos 70 quando muitos dos nossos antepassados pegaram em tendas e descobriram pela primeira vez os prazeres do turismo em parques de campismo. Longe de aconselhar a Nazaré ou a Manta Rota, experimentem com os mais próximos o murmúrio de um ribeiro cristalino no interior de Portugal. Para os mais duvidosos, repetimos: sim, existem muitos regatos, ribeiros e rios em Portugal com água cristalina. È questão de descobrir de bicicleta o Portugal ao seu lado. Procure um bom local à sombra de uma árvore centenária, instale a sua tenda e beba champanhe em homenagem aos novos bons tempos. A PARQ também é assim, adaptável e inconformista.

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Pastic Joy

por Ferran Casanova

por Carla Isidoro

You must shopping

editorial

Moda

menos as vontades!


Seja responsável. Beba com moderação.

a vida é feita de bons encontros e também de opostos: realidades diferentes que nos completam, como o melhor da cidade e o melhor da natureza. a vida é feita de coisas que marcam esses encontros, como um bom vinho. como vinha da defesa, tinto, branco ou rosé .

as luzes da cidade

as estrelas do céu

Há sempre mais por descobrir.


REal PEople

fabrizio pazzaglia texto: carla isidoro  foto: daniel picado

Fabrizio Pazzaglia é um performer italiano radicado em Paris há 22 anos que mantém uma relação com a cena artística lisboeta há mais de uma década. Apresentou um solo em Lisboa onde a sua resistência física contrastava com a fragilidade do personagem do texto que elegeu, «L’Aprentissage» de Jean-Luc Lagarce. Saído de um coma, o personagem descrevia momentos de reaprendizagem do sentido do corpo, enquanto Pazzaglia o representava pendurado em argolas de ginástica artística. Apresentaste, na Culturgest, um solo encenado por ti. A peça revelou‑se um sucesso e já foi vendida para salas europeias. Que expectativas tinhas desta apresentação? Fiquei muito feliz. A minha vontade é de fazer um espectáculo europeu. Sou italiano, nasci em Perugia, vivo em Paris, trabalhei em Lisboa e passo muito tempo na cidade branca. Então queria reunir estas três partes de mim numa só para chegar a um desenho único. A expectativa maior era a de mostrar que também o português faz parte da aprendizagem da minha vida. O espectáculo já foi apresentado em Paris, agora em Lisboa, e só falta Perugia. Acho que gosto de ir em busca de mim mesmo. Tinhas feito esta mesma peça há alguns anos, mas não encenada por ti. Porquê Lagarce outra vez? Outra vez o texto de Jean-Luc Lagarce! Sou um homem que gosta de deixar as coisas bem acabadas. Quando fiz pela primeira vez «L'Apprentissage» percebi que o texto tinha uma dimensão moderna na escrita, que ia além de uma imagem em miniatura (a do doente no hospital). Tem uma dimensão larga e profunda, uma estranha familiaridade em mim.

Tens uma relação longa com Portugal. Há 15 anos que vens cá apresentar espectáculos. Como vês a qualidade do nosso meio artístico, já que tens a vantagem de estar ligado a ele mas também manténs uma distância segura de observador? Acho que para um artista a ideia de nacionalidade deve ser ultrapassada. Eu já não me considero só italiano. Fiz um espectáculo sobre a frase de Pier Paolo Pasolini “Queria recusar a minha cidadania italiana”. No início era mais uma vontade política. Hoje diria que também me sinto italiano, mas não só. Quando penso nos artistas “portugueses” sinto uma vontade de partilhar a experiência artística talvez porque Portugal é um país pequeno e a sua história é ainda muito presente e pesada. Mas o questionamento pessoal é o que torna um artista interessante e acho que Portugal tem bons artistas mas talvez o grande público ainda não os conhece. Vives há vários anos em Paris. Como é que Paris responde aos desafios da globalização artística? O espectáculo contemporâneo em Paris tem um público fiel, mas acho que a qualidade e a originalidade dos artistas é o que ganha no final. É importante ser um projecto artístico e não um produto artístico.

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Tiveste de adaptar ou repensar a tua forma de trabalho mediante esses desafios? Eu repenso o meu trabalho todos os dias. Os desafios, as perguntas, as dúvidas são parte de mim e do meu trabalho diário. Por isso escolhi uma estética tão minimalista. Um pouco como na “arte povera”, o que não impede de usar materiais como o ouro. Que projectos tens na manga? Gostava de ensaiar uma peça de teatro de Maurice Maeterlinck, autor franco-belga que viveu em Portugal em 1935.Acho que não está traduzido. A peça chama-se «Os Cegos» e trata desta coisa que é a fragilidade do sagrado na vida. Mas também «Primavera Sombria» de Unica Zurn, que é mais literatura, sobre as dificuldades do amor vistas por uma menina.


REal PEople

nicolas vauldelet texto: francisco vaz fernandes

Com a aquisição de um sotaque andaluz, Nicolas Vaudelet não deixa dúvidas sobre a paixão que nutre pelo flamenco que o levou, como um destino, à direcção criativa da marca sevilhana El Cavallo depois de um percurso 12 anos em Paris ao lado de Christian Lacroix, John Galliano, Marc Jacobs, Alexander McQueen e Jean-Paul Gualtier. Vindo da Bretanha, sem tradição familiar, como nasceu esse interesse pelo design de moda? Vim para Paris com 17 anos para estudar artes gráficas numa escola tradicional, Penninghen. Estávamos no início dos anos 90, numa época em que os desfiles dos criadores se tornavam muito mediáticos. Era influenciado por Mugler, Montana Gualtier e Lacroix. Especialmente por este último porque no meu entender é um grande artista gráfico. Consegui entrar no seu atelier de alta costura para fazer um pouco de tudo. Desse contacto o importante para mim foi o seu método de pesquisa. Com ele podese falar da moda depois da arte. As formas e as cores provêm de um processo complexo de pesquisa iconográfica através do campo da arte. É um homem incrivelmente culto. Engraçado, agora que mencionas Lacroix, consigo vislumbrar um fio de luz entre aquele universo exótico e o que pretendes desenvolver em El Caballo. Devo-lhe muito. O meu conhecimento sobre a cultura andaluza nasce com ele, do processo de pesquisa em que me envolvia a fundo. Ele vem do sul de França, de Arles, que de uma certa forma é uma espécie de Andaluzia francesa. Monta-se o cavalo de igual forma, há uma valorização dos touros, etnias ciganas e muito flamenco. Descobri esse mundo andaluz nessa época e a partir daí fui cimentando essa paixão a partir de Paris, procurando o pouco que a cidade me oferecia desse mundo. Frequentava as minhas aulas de flamenco e coleccionava discos antigos de música espanhola. No entanto, Espanha continuava longe e tinha que esperar … O meu trabalho continuava a estar em Paris. A Espanha era só para as férias. Antes de chegar a Sevilha tive um processo de formação enriquecedor que passou pelo contacto com muitos criadores e métodos de trabalho diferentes. Com John Galliano, na

Dior, tudo era muito divertido, mas quem sabe a sua investigação fosse mais histórica. Com Marc Jacobs na Louis Vuitton talvez demasiado americano, mas possibilitou a minha primeira experiência com roupa casual. Voltei a encontrar uma visão mais global da criação com Jean‑Paul Gualtier, que é pessoa muito divertida e dinâmica. Todos os elementos do seu atelier fazem parte de uma grande família. Foi aí que encontrei os meus principais amigos de Paris. E com uma carreira promissora em Paris, como foi possível um dia mudares-te para Sevilha? Quando Jean-Paul (Gualtier) fez a roupa de Joaquin Cortez conheci uma espanhola que trabalhava na direcção do gabinete de comunicação de El Cavallo em Madrid. Ficámos amigos e ia sabendo de como em Paris andava sempre como um louco à procura de um pouco de “flamanquito”. Foi ela que me falou desta marca sevilhana e da hipótese de trabalhar na sua direcção criativa. O primeiro encontro com a direcção foi no dia dos meus anos, a dia 21 de Novembro de 2006, e passado um ano estava com os meus móveis em Sevilha. Em todo o processo fui-me aconselhando sempre com o Jean-Paul, que foi a pessoa que mais me apoiou na minha decisão. Sabia que eu dançava flamenco e que procurava esse mundo que estava dentro de mim. E para ti o que era El Caballo? Aqui em Lisboa temos uma imagem muito conservadora da marca. Eu conhecia, no essencial, a loja de Sevilha. Não conhecia a empresa. Sabia que era uma empresa com história e gostava de toda a mística da marca e de todo o trabalho de pele feito à mão. Quando vês a loja em Sevilha é como se fizesse parte da paisagem da cidade, é um dos seus monumentos. Faz parte da sua história e tradição.

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E como achas que um português ou alguém de outra cultura possa entender essa marca? Vendemos para todos os lados, do México ao Japão. O meu trabalho é realizar um produto com sabor a Sevilha. Não que me tenha sido pedido directamente, mas lidando com uma empresa fundada em 1892 parece-me que seria uma pena não trabalhar o que tem de mais único, a sua história e as suas tradições locais. Na verdade um cheiro de flamenco na sua justa medida e do seu exotismo é o que faz com que um japonês compreenda a marca e a deseje para que possa sonhar e viajar com ela. Se compras Yves Saint-Laurent ou Dior estás a comprar um pouco da Rue Montaigne. Temos uma técnica e maneira únicas de trabalhar a pele, próprias da tradição secular sevilhana. Por isso esse sabor da Andaluzia só nós o podemos dar e seria uma pena esquecê-lo ou deixá-lo de parte. E para além de todo o fascínio de estrangeiro, foi fácil a adaptação em Sevilha? Como te disse, já estava preparado. Eu procurava esse mundo, através de leituras, música, paladares. Quando podia, num fim‑de‑semana ou nas férias dava um salto a Sevilha ou Madrid. No entanto, a integração em Sevilha é complicada porque é uma cidade muito particular. Tudo funciona em termos de clãs. Para quem procura a integração talvez o mais fácil seja entrar numa confraria, que foi o meu caso. Isso permite ter um grupo de amigos sevilhanos, comentar os passos de uma virgem se necessário, sem que te olhem como um estrangeiro. Se não entras num clã ficas um pouco de fora e para mim era importante entender a cidade por dentro e poder exprimi-la no meu trabalho com todos os seus detalhes e riqueza.


Guia de Sevilha de Nicolas Vaudelet Dormir Casa del Rey de Baeza Comer El Baco (Calle Francos) Mata (Plaza Mata) La Albaceria de San Lorenzo (Calle Teod贸sio) Copos El Garlochi (Calle Boteros) Barrio Triana (do outro lado do rio) Flamenco: Casa de la Memoria (Calle Ximenez Enciso) Museo del Flamenco (Calle Estrella)

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REal PEople

fred butler texto: Eliana Silva [em Londres]

www.fredbutlerstyle.com

Fr ed Butler é alta, magra e loira. Nascida no Este de Inglaterra, podia ter sido modelo. mas não, é uma designer de acessórios licenciada pela Universidade de Brighton com um acolhedor ateliê em Angels. Aos 29 anos é um dos vinte nomes que participaram no London Fashion Week como sangue novo. Falámos com ela no rescaldo do evento. Como é que chegou até ao London Fashion Week? Depois de criar a minha linha oficial comecei a colaborar com revistas; era responsável por várias sessões fotográficas. As pessoas foram conhecendo o meu trabalho e foi seleccionada para esta edição. Olhando para trás , que benefícios tirou ou está a tirar da experiência? Muito cansaço (risos) e muitos contactos. O bom de ter feito a London Fashion Week é que ela é uma montra do meu trabalho. Neste momento estou a ter várias reuniões com pessoas que viram o meu desfile e gostaram do meu trabalho. Onde é que procura inspiração para desenhar os seus acessórios? Apenas no desejo de criar acessórios que sejam apelativos para as pessoas usarem e desfrutarem durante o seu dia.

Como é que mudou de um curso em Design de têxteis para a criação de acessórios? Eu comecei a conceber acessórios directamente no corpo para completar as roupas seleccionadas por uma stylist; acumulei um arquivo dessas peças e mostrei-as através de uma companhia de RP. Decidi aproveitar a oportunidade a fazer peças completamente novas e lançar uma linha oficial. Quais é que são as grandes diferenças entre uma colecção de acessórios e uma colecção de roupa? Há uma maior liberdade com os acessórios. Eles podem ser qualquer coisa para adornar o corpo sem ter necessariamente que servir nesse corpo. Vejo os acessórios como pequenas esculturas ou objectos multimedia. Assim há sempre oportunidade para criar tudo o que se imagina. qual seria a sua peça de sonho? Adorava fazer um chapéu para a Grace Jones.

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Do que é que mais gosta no seu trabalho? Gosto do processo de fazer novas peças e descobrir algo que nunca tenha visto. Isso é muito satisfatório. Também gosto muito de conhecer novas pessoas de forma a conciliar as capacidades delas com as minhas. Tem algum brinquedo favorito? Tenho vários brinquedos favoritos. Provavelmente o mais fácil de escolher é o “Fabulous Fred” um jogo de computador de 1980 que incorporei no design do meu site. E cor? A minha cor preferida é o espectro óptico, que é normalmente uma gama de cores. Reflecte todas as cores como um holograma de arco-íris. Esse é o meu look de sonho —ter um espectro de gamas na minha roupa, de tom a tom. Se descrevesse o seu trabalho em três palavras , quais seriam? Revigorante, engraçado e intensivo.


REal PEople

mona di orio texto: francisco vaz fernandes

www.monadiorio.com

Mona di Or io lembrase de em criança ter recebido um conjunto de frascos de essências e de ter passado horas a misturá-las para criar os seus próprios perfumes, um hábito que perdurou até hoje. Actualmente propõe uma linha própria de alta perfumaria preservada como champanhe.

Sei que não tem o percurso de um perfumista habitual e tem dito que a sua carreira se deve à paixão pelas essências naturais. Para quem vem da área de humanísticas sem qualquer formação em química e sem qualquer ligação familiar aos produtores tradicionais de perfumes, as minhas aspirações nessa área estavam à partida vedadas. De facto não podia entrar numa escola superior e foi a minha paixão pela produção tradicional do perfume, o saber trabalhar com essências naturais de primeira qualidade que me fizeram encetar por uma formação mais tradicional através de um mestre. Eu conhecia os livros de Edmond Roudnitska (criador de clássicos como «Eau Sauvage» e «Diorissimo») e escrevilhe insistentemente que me aceitasse como sua assistente, o que veio a acontecer algum tempo depois. Com ele aprendi essa arte, foi-me dada por transmissão de conhecimentos, de mestre para aprendiz, naturalmente ao longo dos anos. Porque não preferiu integrar equipa de um dos grandes produtores de perfume e preferiu criar a sua própria marca? A minha empresa tem cinco anos e começou com um contacto com Jeroen Oude Sogtoen que me tinha pedido para criar uma linha de perfumes para os seus hotéis. Com o entusiasmo do resultado, decidimos juntos criar uma linha própria de perfumes de qualidade superior. Penso que por uma questão de liberdade seria impossível enquadrar-me dentro da indústria de perfumes, que na maior parte do tempo é utilizada na concretização de cheiros químicos apelativos e baratos que inundam o mercado aplicados indistintamente em ambientadores e detergentes para louça. De todas as formas o conhecimento assenta em matérias puras de grande qualidade, não é muito útil para a indústria. A criação de um perfume necessita de um longo processo de maturação, de um tempo de solidão que não podia encontrar na indústria.

O perfume tornou-se um produto massificado e banalizado, perdendo o carácter sagrado que teve para muitas civilizações? Para mim o perfume é uma história de emoções. Recordo-me sempre da emoção com que a minha mãe punha umas gotinhas de Guerlain num ritual que apenas se repetia aos domingos. Os perfumes dos antigos mestres tinham uma complexidade maior porque havia pessoas que se entregavam à experiência dos sentidos de uma forma que hoje é pouco tolerável. Há todo um público consumidor que não foi educado para reconhecer a qualidade de um perfume porque nunca teve um padrão de equiparação. Grande parte do investimento actual nos perfumes está nas operações de marketing e muito pouco na qualidade das matérias de produção. Dos perfumes que criou até agora, qual deles gosta mais? Essa é uma pergunta injusta porque é como se me perguntassem qual dos meus filhos preferia. Mas claro, tenho uma ternura especial pelo «Lux» porque foi o primeiro e é uma homenagem a Roudnitska e à sua tradição. Também gosto de «Oiro», adoro o cheiro a Jasmim que para mim é o ouro dos perfumistas. Foi uma criação que deu muito trabalho até conseguir o ponto ideal que tinha em mente. E quais são as essências que prefere trabalhar? Vetiver porque é uma essência muito espiritual e sensual ao mesmo tempo. Jasmim que dependendo da qualidade é para mim o oiro de todos os criadores de perfume. Também gosto de lavanda, um odor hoje considerado “demodé” mas que está na base da minha última criação, «Chamarré». Numa conferência de imprensa quando apresentou este seu último perfume referiu-se que se sentia motivada e inspirada por criar um perfume alusivo a Lisboa. Já sabe quais seriam as essências predominantes? Ainda não. Falta-me ir a um mercado, que para mim é onde reside a alma de uma cultura.

À venda no Epicurista • Loja do Banho Spa • Rua do Instituto Industrial nº 7 H, Lisboa • w w w.lojadobanho.pt

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Os teus pais não podem proibir o que eles nem sonham que existe.

skins

Não os deixes saber desta série.

A 2ª temporada estreia a 15/07. 22h. Na MTV.

www.mtv.pt


REal PEople

antónio maCanita texto + foto: carla isidoro

É um dos mais jovens enólogos portugueses. António Maçanita tem 29 anos, é um dos sócios da consultora Wine-ID e os seus vinhos têm acatado prémios nacionais e internacionais. Deixa‑nos aqui algumas impressões sobre a sua paixão, os vinhos.

www.Fitapreta.com www.Wineid.pt

Há tendências no mercado dos vinhos? Sim, sem dúvida. Por exemplo, há 5 ou 6 anos a tendência era ter vinhos com mais álcool e mais madeira. Neste momento a tendência é no sentido inverso. Quem determina as tendências e com base em que valores? É importante antes de mais entender que os vinhos não são muito diferentes da arte. Existem os clássicos, de várias regiões, que representam estilos de vinhos como os grandes Bordéus, os grandes Borgonhas ou mesmos os grandes Portos. As tendências ao longo dos anos dependem de diversos factores, como o consumidor, a entrada de novos países produtores, a entrada de novos países consumidores, a crítica, o clima e o aumento de conhecimento. Mas muitas vezes são apenas produtores brilhantes e carismáticos que marcam as novas tendências. Que princípios e motivações regem, a título de exemplo, a sua marca Fita Preta? As nossas marcas Sexy, Fita Preta, Preta e Palpite comunicam de forma simples o seu conceito ao consumidor. Este, sem o beber pode entender o que vai provar, e depois de o beber pode facilmente passar a outros a sua experiência. Por exemplo, os vinhos Sexy são mais “appealing”, com um perfil moderno e fácil de gostar, e o nome transmite isso. A série Palpite é mesmo isso, são palpites, intuições e ensaios do ano.

Disse-nos há dias, ao telefone, que estava no Alentejo a engarrafar o seu melhor vinho. Que vinho é este? O Preta 2007! É o topo da Fita Preta, que só sai em anos de excelência. Saltámos o 2006, mas este 2007 é capaz de ser o melhor de sempre. Desmistifique a ideia de que os vinhos bons são caros e os medianos são baratos. Há realmente bons vinhos a 3 ou 4 euros? Não consigo, é um facto! Vinhos de 3 e 4 euros são, por regra, medianos, vinhos simpáticos e sem pretensões. Há muito raras excepções e não me lembro de nenhuma de momento. Não quer dizer que não se possa ter prazer com eles. Antigamente havia a ideia de que o vinho branco era de qualidade inferior face ao tinto, mas hoje vemos que os brancos estão a ganhar terreno. O que mudou? A qualidade geral dos brancos melhorou muito e as mentalidades evoluem. Mas penso que em termos de números o segmento branco variou muito pouco nos últimos anos e o que tem vindo a crescer dentro dos brancos são os vinhos da região dos vinhos verdes. Dê-nos um ou dois truques para compramos bem, barato e nacional. Não há truques, mas o mais importante e engraçado, mesmo para mim, é arriscar e ir experimentando. Pensem quanto querem gastar e vão ensaiando. Essa é que é a viagem dos vinhos! Sugira-nos um tinto e um branco de 2008. Um branco, que mesmo sendo meu resultou muito bem este ano, é o Sexy branco. Um tinto do Algarve que tem dado que falar é o João Clara 2008.

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you must

miguel palma galeria baginski texto: francisco vaz fernandes

A inaugurar o novo espaço da Galeria Baginski, expõe Miguel Palma, um dos artistas portugueses mais relevantes saídos do contexto artístico nacional dos anos 90. O que podemos encontrar é uma instalação constituída pela carroçaria de um Fórmula1 suspenso, um painel solar e quatro estruturas com holofotes como podemos ver nas boxes dos Grandes Prémios. Este projecto consolida uma estratégia idiossincrática que passa por incorporar no processo artístico todo o universo de interesses do artista. Muito destes interesses tem passado pelo automobilismo ou pela biotécnica, mas partem para considerações mais amplas sobre questões do objecto artístico e também sobre o estatuto do artista na sociedade. Esta própria instalação remete para uma certa tradição fenomenológica da arte, onde um painel solar põe em movimento as rodas do Fórmula 1, mas podia remeter para um comentário rápido sobre questões relativas às energias alternativas. Podia igualmente ser um comentário rápido à falência de certos padrões da nossa sociedade capitalista na qual a Fórmula 1 é um dos seus pontos mais altos. No entanto, tendo em conta outros projectos do artista, o que prevalece é a própria experiência e processo sendo qualquer comentário um ponto extra. A viagem, condução e produção de protótipos estiveram desde sempre no seu universo como uma linguagem artística. O que importa a Miguel Palma é inscrever todo o processo artístico dentro de um quadro social, conduzindo-o para um plano do real mesmo que mantendo-se numa esfera utópica.

  galeria baginski   Rua capitão leitão, 51 — beato — lisboa    até 31 de julho 

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you must

bienal de veneza próximo "criar futuro 2.

1.

mundos" gulbenkian texto: francisco vaz fernandes

texto: carla isidoro

www.labiennale.org/

www.proximofuturo.gulbenkian.pt

“Criar Mundos” é o mote proposto para a 53ª edição da Bienal de Veneza conduzida pelo sueco Daniel Birnbaum. O fundador da Bienal de Berlim é actualmente uns dos curadores mais unanimemente aclamados com uma carreira baseada no eixo alemão. A sua proposta para Veneza é uma grande revisão dos alicerces da arte contemporânea, e, paradoxalmente, sendo relativamente jovem traz à bienal o maior número de artistas mortos de sempre. Num ano de crise, os especulados jovens valores estão praticamente arredados deste projecto. Como todos os anos, uma das grandes atracções da Bienal são as representações nacionais que se estendem pelo giardini no pavilhão de cada país. Os artistas que criam mais expectativa este ano são sem dúvida Bruce Nauman no pavilhão dos EUA, que é dado com vencedor, Jan Fabre no Belga e Krzysztof Wodiczko no Polaco. Portugal será representado por dois jovens artistas, João Maria Gusmão, de 29 anos, e Pedro Paiva, de 31, uma dupla que já foi prémio EDP e representou recentemente Portugal na Bienal de S. Paulo.

Na senda dos programas «O Estado do Mundo» e «Distância e Proximidade», a Gulbenkian lança agora um novo programa com duração até 2011. «Próximo Futuro» prevê uma vasta série de iniciativas no âmbito da arte e investigação em África, Europa, América Latina e Caraíbas. Portugal, e Lisboa em particular, não fogem aos fluxos e movimentações migratórios (e seu consequente impacto na respiração da sociedade), à multiculturalidade entre gentes de Norte e Sul, Este e Oeste, à produção criativa que bebe nas raízes daqueles continentes e se expressa de forma contemporânea. Hoje é mais simples comunicar com o outro lado do Mundo e conhecer de perto características culturais diferentes das nossas, mas ao mesmo tempo a proliferação de criatividade e de trabalhos académicos ou de investigação revelam a sua complexidade cultural e deixam a sensação que ainda há muito por descobrir e fazer em prol do conhecimento do Outro. O cruzamento de saberes e a procura pelo reconhecimento da identidade cultural dos povos passa por acções culturais que dão oportunidade a que os preconceitos se dissipem e, ao invés, ajudem a construir um futuro mais igualitário e mestiçado.

O programa para o Verão de 2009 deixa antever uma linha de orientação curatorial que vem neste sentido: o da procura pelo Outro e o conhecimento das suas especificidades enquadradas no aqui e agora, no Mundo globalizado e tecnológico.

«Próximo Futuro» mostra trabalhos da editora de

recolha musical Sublime Frequencies, dos portugueses Gala Drop, de Paulin Soumanou Vieyra, Pedro Costa, Walter Salles, Paul Virilio, Lawrence Lemaoana, Senghor, entre outros. Cinema, concertos, arte, conferências, e poesias soltas pelo jardim são propostas que enchem os dias de Junho e Julho na Gulbenkian.

Se há bons argumentos para ficar em Lisboa, este é um deles.

➊ Jan Fabre “From the Brain to the feet”, vista parcial da instalação ➋ «El Baño del Papa» de Enrique Fernandez e César Charlone

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you must

Salone Del Mobili texto: francisco vaz fernandes

A última edição do Salone Del Mobili, em Milão no final de Abril, veio mais uma vez recordar que esta mostra há muito tempo ultrapassou o estatuto de expositor de novidades na área do design. Na verdade discutem-se novos conceitos e tendências no lifestyle onde cabem automóveis, hotéis, restaurantes, moda, electrodomésticos, arte, etc. Tornou-se um ponto obrigatório porque num mundo globalizado a ideia de centro faz cada vez mais sentido como ponto de convergência de oportunidades, negócios e parcerias. Nem os sinais de crise chegaram para esmorecer o clima optimista que se viveu nas centenas de apresentações e inaugurações que se realizam diariamente. O sol também fez a sua parte, levou a chuva e todo o pessimismo que pairava no ar. A primeira noite com Veuve Clicquot, que celebrava a arte do champanhe num pavilhão com propostas próprias de design, acabaria por proporcionar um clima de euforia que contagiou os restantes dias. Este tipo de participações híbridas que acontecem em Milão acabam por dominar todo o evento. Por exemplo, este ano as empresas de moda investiram sem a timidez habitual na área do design, especialmente a Maison Martin Margiela e a Diesel que agora se juntam aos investimentos já significativos nesta área da parte da Hermès, Armani e Versace. Para além dos grandes grupos de produção de design, esta feira ainda dá grande relevo aos criativos. Como é habitual a Bizassa convida um artista e este ano calhou a vez a Tord Boontje, um valor seguro que antecipadamente garantia a máxima atenção mediática. A inglesa Established&Sons trouxe como trunfo o ascendente Richard Woods que foi provavelmente o criador que mais capas e páginas terá ganho com o evento. Fantasia não faltou na feira, até porque a acreditar nos criadores é o melhor remédio contra a crise.

➊ Sofá de Richard Wood para a Established&Sons ➋ Colecção textil da Diesel com Zucchi ➌ Sideboard de Richard Wood para a Establised&Sons ➍ Apresentação multimédia da Canon ➎ Candeeeiros de Piet Hein Eek ➏ Cadeira Tudos de Jaime Hayon para a a Established&Sons ➐ Comoda de Tord Boontje para a Bisazza ➑ Mesa de Ana Mestre para a Corque

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férias diesel cool u music madeira texto: catarina korma

texto: catarina korma

www.dieselumusic.com

www.greenfreshweek.com

O concurso Diesel U Music volta com novidades e ferramentas que dão novo input à indústria musical de novos talentos. Desde 2001 que a Diesel promove talentos desconhecidos através de uma competição que dá oportunidade a artistas do mundo inteiro.

Finalmente existe, na ilha da Madeira, um pacote de férias pensado para uma população descontraída e urbana que tem preocupações ambientais e de economia de custos. O programa GreenFreshWeek Madeira acontece no início de Julho e inclui viagem, estadia, actividades ao ar livre, programa cultural e clubbing a um preço acessível. Todos os que sempre quiseram conhecer as paisagens, as praias, as levadas e a cultura da ilha e não o fizeram porque o preço da viagem era proibitivo, encontram aqui a oportunidade para conhecer o lado cool da ilha durante 8 dias num pacote alternativo.

Para a edição de 2009 a marca criou uma estação de rádio online, uma digressão mundial para as duas bandas vencedoras que passa por mais de 10 cidades, calendário de actuações, videoclips, etc. Uma série de incentivos que garantem aos vencedores a devida projecção a nível internacional. As bandas partilham as suas músicas no site, que funciona como plataforma de informação e promoção. As músicas dos projectos inscritos está a passar na rádio Diesel e nas 400 lojas Diesel a toda a hora.

Foi concebido para uma população que prefere o turismo alternativo ao turismo sénior ou massificado, podendo tirar proveito de passeios, desporto em ambiente natural, noites para dançar (com o Dj alemão The Timewriter), visitas a pontos culturais relevantes e estadia confortável num dos locais mais bonitos, a Ponta do Sol, longe das confusões.

Os vencedores são anunciados este mês.

O Green Package fica em 470 euros com viagem e estadia em quarto duplo na Estalagem Ponta do Sol com pequeno-almoço, enquanto o Blue Package custa 410 com estadia no Hotel Baía do Sol. A organização tem preocupações ambientais e activou uma série de medidas ecológicas como o uso de bio-diesel nos autocarros, reciclagem dos materiais do evento, criação de merchadising com matérias recicláveis e estruturas feitas de reciclado como o mobiliário Fresh Home. As reservas são feitas pelo website. São férias à nossa medida.

Piscina da Estalagem Ponta do Sol

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mude já! texto: ana seabra  foto: Javier Domenech

www.mude.pt

Aguardámos durante muito tempo a abertura do MUDE, em especial porque Francisco Capelo imaginou o museu pela primeira vez há quase vinte anos. Depois de uma tentativa falhada de o instalar no Palácio de Santa Catarina, o Museu do Design e da Moda abriu dia 21 de Maio, numa versão inacabada, na antiga sede do Banco Nacional Ultramarino em plena baixa pombalina, numa Rua Augusta mais próxima do rio. Digamos que este novo lar acrescentou à colecção uma graça, ainda que austera, da década de 60. Quando entramos vislumbramos na recepção um imponente balcão de mármore preto e verde que nos lembra que o edifício tem, também ele, uma história. Mais uns passos e damo-nos conta de paredes e tecto descarnados, um ambiente meio industrial que contrasta com a delicadeza das peças expostas. A exposição “Ante-Estreia” apresenta um conjunto de 170 peças que protagonizaram alterações profundas no design e na moda do séc. XX, sendo que o espólio do museu conta com quase 2500. Para daqui a um ano estão previstas obras nos restantes três pisos para dar lugar a salas de exposição, um auditório de cinema, e mais MUDE. Mas de momento uma visita merece ser feita —e a entrada é livre até 1 de Julho— para ver bem de perto (sem vidros nem redomas) a mini-saia André Courrèges, o futurismo de Pacco Rabanne, o new look de Christian Dior, as silhuetas inesperadas dos criadores japoneses, bem como criações de Vivienne Westwood, Alexander McQueen, Jean Paul Gaultier e Azzedine Alaia. No que toca ao design, a não perder as peças de Russel Wright, Le Corbusier, Jean Prouvé, Charles & Ray Eames e Verner Panton. Com um horário “visitor friendly”, aberto de 3ª a Domingo até às 20h, sextas e sábados a encerrar às 22h, não há como deixar passar ao lado a colecção Francisco Capelo. Até porque, se as propostas de design foram já expostas no CCB, a colecção de moda é totalmente inédita em Portugal. Portanto vá.

 MUDE   Rua. Augusta, 24, Lisboa   De 3ª a Dom das 10.00 às 20.00    encerra às 22.00 sextas e sábados 

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house story party tailors texto: sofia saunders

texto: sofia saunders

www.adidas.com

www.storytailors.pt

O concurso Diesel U Music volta com novidades e ferramentas que dão novo input à indústria musical de novos talentos. Desde 2001 que a Diesel promove talentos desconhecidos através de uma competição que dá oportunidade a artistas do mundo inteiro.

Numa das pontas do Chiado, na Calçada do Ferragial, a loja dos Storytailors continua a ser um dos segredos mais bem guardados. Nela podemos encontrar todo o universo mágico da dupla de criadores João Branco e Luís Sanchez que nos fazem sentir como a Alice no País da Maravilhas. A loja é composta por um andar térreo onde se vende a colecção Narkë e um primeiro andar reservado a peças de atelier. A colecção que se pode encontrar actualmente no piso térreo —S.O.S Damsel in Distress— é inspirada na aceleração do tempo, no Ícarus, no universo onírico e nas metamorfoses das borboletas. Os cortes lembram as linhas do corpo, as cores remetem para a noite e para a luminosidade do amanhecer, sendo os tecidos fazendas frescas. A colecção Narkë foi pensada para o dia-a‑dia e tem sido defendida pelos criadores como street couture. Olhando para o detalhe de cada uma das peças não é difícil de imaginar porquê. Combina bem com o espírito do Chiado, moda e distinção.

Para a edição de 2009 a marca criou uma estação de rádio online, uma digressão mundial para as duas bandas vencedoras que passa por mais de 10 cidades, calendário de actuações, videoclips, etc. Uma série de incentivos que garantem aos vencedores a devida projecção a nível internacional. As bandas partilham as suas músicas no site, que funciona como plataforma de informação e promoção. As músicas dos projectos inscritos está a passar na rádio Diesel e nas 400 lojas Diesel a toda a hora. Os vencedores são anunciados este mês.

 Storytailors   Calçada do Ferragial, 8 Lisboa   Telf 213 432 306 

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el botón Zaha fashion Hadid awards texto: francisco vaz fernandes

texto: sofia saunders

www.lacoste.com

www.mango.com

Uma parceria entre a Lacoste e Zaha Hadid não seria de facto a mais esperada. A verdade é que a arquitecta Zaha Hadid desenhou uma colecção de sapatos que vai ser lançada em Setembro. Tal como os edifícios que desenha partem da aplicação de tecnologias de ponta associadas a ideias de volumes em movimento, também estes sapatos têm um carácter ergonómico e tecnológico. É um sapato unisexo, que tem uma versão de cano alto e a característica de ter uma malha metálica revestida por uma pele que ao ser aquecida pelo movimento do pé adquire uma perfeita adaptação anatómica. A malha metálica cria sulcos na pele, a característica mais visível deste sapato aludindo directamente ao crocodilo e ao logótipo da Lacoste. De resto, o logo da marca francesa foi o ponto partida do todo o processo criativo do atelier de Zaha Hadid.

São 300.000 euros, a maior quantia oferecida até agora num concurso de design de moda. O valor foi arrecadado por Lee Jean Youn, vencedor da segunda edição do El Botón Fashion Awards, prémio instituído pela Mango. Este prémio —que procura promover jovens designers em início de carreira contribuindo para o desenvolvimento de uma carreira promissora— leva a concurso público 10 candidatos seleccionados que na maior parte das vezes já são nomes sonantes na área da moda. Por isso foi com surpresa que o jovem coreano Lee Jean Youn tivesse sido premiado quando competia com nomes como Jean Pierre Braganza, Peter Pilotto e Christopher de Vos. Os oito coordenados de cada criador são expostos com grande visibilidade pública em caixas acrílicas ao longo do Passeio de Gracia, a principal artéria da cidade de Barcelona.

➊ Expositor de Lee Jean Youn com as suas criações no Passeio de Gracia. Barcelona ➋+ ➌ Criações de Lee Jean Youn vencedor del Boton

➊ ➌

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richard avedon

International Center of Photography texto: bruno pires

www.icp.org

O International Center of Photography de Nova Iorque inaugurou no dia 15 de Maio uma exposição que presta uma justa homenagem ao lendário fotógrafo de moda Richard Avedon e ao seu trabalho. Avedon, que morreu em 2004 com 81 anos, começou a fotografar aos 21 e deixou-nos autênticas obras-de-arte. Foi o primeiro a fotografar modelos a saltar e a sorrir e é conhecida a estima que Avedon nutria pelas suas modelos favoritas e a forma como elas respondiam com empenho. Jean Shrimpton, Lauren Hutton, Twiggy, Penelope Tree e Veruschka, todas elas foram alvo da objectiva e da visão única de Avedon. A exposição está aberta até 22 de Setembro, e, para quem passar por Nova Iorque este verão, é de não perder. É a maior retrospectiva até hoje realizada deste autor. Será objecto de estudo para todos os profissionais ou simplesmente apaixonados da fotografia. ➌ ➍

➊ Dorian Leigh, hat by Paulette, Paris, August 1949 ➋ Suzy Parker with Robin Tattersall, dress by Dior, Place de la Concorde, Paris, August 1956 ➌ Veruschka, dress by Kimberly, New York, January 1967 ➍ Jade Parfitt and Esther De Jong, ensembles by Galliano, New York, March 1998

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jovens durex criadores para elas 2009 texto: sofia saunders

texto: Catarina Korma

www.artesideias.com www.juventude.gov.pt

www.durex.com.pt

A Durex tem demonstrado, nos anos mais recentes, uma contínua preocupação em desenvolver produtos específicos para elas, depois de tornar-se uma marca reconhecida mundialmente em termos de prevenção doenças sexualmente transmissíveis e gravidez através dos preservativos masculinos.

Para muitos finalistas o concurso Jovens Criadores que se realiza todos os anos é uma referência para quem quer iniciar uma carreira profissional nas áreas criativas. Organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias com o apoio do Instituto da Juventude, esta 13ª edição aceita candidaturas até 30 de Junho. Podem concorrer todos os artistas até os 30 anos, de nacionalidade portuguesa ou residentes no país, nas áreas Artes Digitais, Artes Plásticas, Banda Desenhada, Dança, Design de Equipamento, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração, Joalharia, Literatura, Moda, Música e Vídeo. Como habitualmente os projectos seleccionados serão apresentados na Mostra Jovens Criadores’09 estando ainda alguns deles seleccionados para a Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo ou Mostra de Jovens Criadores da CPLP.

Percebeu que o público feminino está mais à vontade para falar sobre sexualidade e o corpo que o masculino e sendo isto uma vantagem comercial direccionou a sua produção e promoção para ambos os géneros, disponibilizando produtos específicos para cada um. Aos poucos a Durex foi introduzindo no mercado anéis vibratórios e pequenos vibradores que tornam a vida sexual mais colorida, destinados a mulheres que querem divertir-se quando estão sozinhas ou ao lado do seu parceiro ou parceira. Sozinha ou a dois, os produtos Durex femininos existem para que tire mais proveito do seu corpo. Destacamos o recente Play O, um frasquinho elegante que contém um gel que rapidamente vai transformar-se no melhor amigo das mulheres. Foi concebido para potenciar os orgasmos femininos: aplica-se localmente em pequena quantidade e damos largas à imaginação para que o seu impacto aconteça.

Projecto seleccionado na área de Design de Equipamento Jovens Criadores'08

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Morph & Chocolate e voyage amendoím texto: sofia saunders

texto: sofia saunders

www.merrell.com www.youtube.com/watch?v=2xr6eiZjm5Y

www.lecoqsportif.com

A cada estação, a Merrell —a marca que criou um blusão com 18 formas de vestir— apresenta uma peça emblemática que simboliza a sua filosofia. “Morph” é o blusão estrela desta estação com múltiplas configurações e estilos podendo mesmo transformar-se num bolero graças a uma conjugação de fechos. Este ex-libris da funcionalidade e da inovação usa tecidos tecnológicos como Aeroblock, uma malha densa resistente ao vento e respirável; a CopperTec, composto por cobre que capta menos micróbios e mantém-se naturalmente seco e higiénico e o Opti-Wick, uma tecnologia que acelera o processo de evaporação nos dias de actividade mais intensa. Estes mesmos componentes podem ser encontrados nos acessórios, com destaque para o modelo Voyage com troller e uma configuração pouco usual para se tornar mais ágil.

Bastante apetecível mas não comestível, é o que muitos dirão com pena desta edição da Le Coq Sportif em colaboração com a M&M’s. Para o efeito, a marca de desporto francesa lança o clássico ténis de corrida de 1982, o Eclat revestido com as cores das embalagens de chocolate e amendoím da M&Ms. Alguns detalhes adicionais levam a fundo esta colaboração. Na etiqueta que se encontra na língua do par de ténis aparece uma imagem dos ícones que durante anos apareceram nos anúncios da M&Ms e a própria caixa é igualzinha às embalagens de 50 unidades da M&M’s. Enfim, uns ténis tórridos com sabor a chocolate para o Verão.

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100 última anos viagem texto: sofia saunders

texto: sofia saunders

www.fredperry.com

www.eastpak.com

O ano de 2009 marca o centenário do nascimento de Frederick John Perry (18 de Maio de 1909 – 2 de Fevereiro de 1995), provavelmente o maior herói do desporto inglês e indiscutivelmente o melhor tenista da nação e fundador visionário de uma marca de moda desportiva icónica. Para celebrar os 100 anos do seu fundador a Fred Perry lança um conjunto de iniciativas que passam pela criação de uma colecção de pólos com a coroa de louros antiga do tempo da vitória do tenista, assim como uma interpretação moderna de Raf Simons de um fato clássico de Fred Perry usado originalmente por Fred em 1947. A colecção incluirá um casaco estilo blazer, camisa branca, calças de flanela cinzentas, gravata às riscas estilo militar, colete de lã com decote em v e camisola de malha com decote em v. Porque a consagração do pólo de ténis de Fred se deve muito ao movimento Mood que o adaptou como elemento identitário, vão ser igualmente produzidas uma edição limitada de 100 Vespas GTV criadas entre os designers da Fred Perry e da Piaggio. As scooters estarão disponíveis no Reino Unido, França, Japão e EUA.

Propondo uma linha mais arrojada e surpreendente que as colecções anteriores, assim se despede Raf Simons da parceria com a Eastpak que vai na terceira edição. Se nas primeiras Raf Simons respondia à ideia de um saco urbano leve, confortável e fácil de transportar muito inspirado em detalhes de sacos de desporto, nesta colecção o espírito torna-se mais híbrido. No essencial, esta colecção é inspirada em sacos de viagem antigos, perde o banalizado lado high tech que muitas empresas almejam pondo em destaque um certo carácter caseiro e folk pelos acabamentos de pele crua. A combinação desses materiais naturais com cores mais techno é magistral. São 19 peças com sete estilos distintos em três materiais e seis cores diferentes: preto, branco, azul, cinzento, denim e prateado. Provavelmente a sua melhor colecção de sempre para a Eastpak. Já foi anunciado que Rick Owen é o senhor que se segue. Aguardamos uma mudança de estilo.

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Rocky Mountain Wood essence lavanda texto: sofia saunders

texto: sofia saunders

www.dsquared.com

www.narcisorodriguez.com

texto: sofia saunders

Para quem achou He Wood da Dsquared muito amadeirado e sinónimo de demasiado clássico sem nada de novo, vai ficar surpreendido com esta versão de Verão, a Rocky Mountain Wood, que mantém o mesmo do frasco com moldura de madeira concebido pela Porshe design. Esta edição, dirigida à estação quente, as notas de violeta —que já existiam no He Wood— ganham mais evidência e combinam melhor com o amadeirado que perde a sua dominância, tornando-se num perfume mais complexo e subtil. Sem ser demasiado ácido, a essência de violeta usada é bastante relaxante. Apetece dizer que é um desses raros perfumes em que o cheiro floral combina bem com masculinidade. A persistência do perfume é razoável. Depois de oito horas no meu pulso o cheiro mantinha-se.

www.gap.com

As fragrâncias da Gap voltam outra vez ao mercado português depois de terem estado durante alguns anos sem distribuição nacional. A linha que apresenta não traz propriamente grandes novidades, pois algumas já estiveram no mercado português. Por isso, o destaque vai para três fragrâncias femininas produzidas em pequenas casas artesanais que resultam da combinação de dois toques aromáticos. A delicadeza da lavanda e do chá verde, é entre eles o meu favorito, até porque é um hino à essência da Gap, leve, descontraído, quotidiano e sem grandes pretensões.

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Narciso Rodriguez é um designer de moda de Nova Iorque de origem cubana que nos últimos anos soube interpretar o rigor minimalista e o estilo casual combinado com tecidos de luxo que as elites americanas apreciam. Essence, o seu novo perfume é, depois do sucesso do primeiro, um elogio à discrição e feminilidade das suas criações. O perfume, foi criado por Alberto Morrillas que mais uma vez salientou a sua predilecção por notas de musk conjugadas com notas florais. Mesmo quem não se goste de perfumes onde domine o cheiro de rosas, deve experimentar este porque vai ter uma surpresa. Dado a sua delicadeza aconselha-se que não seja testado em papel mas directamente sobre a pele. De certo, um perfume quase clássico e místico valorizado por um frasco de vidro espelhado criado pelo designer Ross Lovegrave, que salienta uma ideia de eternidade.


soundstation

É possível argumentar que o dub é a mais importante linguagem musical popular surgida depois dos anos 70 tal a disseminação dos seus ensinamentos e postulados. O filme «Dub Echoes», do brasileiro Bruno Natal, explora precisamente essa premissa, descobrindo ecos firmes dessa invenção jamaicana no panorama internacional do presente. O filme foi agora lançado em DVD pela britânica Soul Jazz e surge acompanhado de um duplo CD que serve como uma espécie de enquadramento musical para documentário que nos leva de Kingston até às ruas de Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e São Paulo. A partir do Brasil, Bruno Natal explica-nos como surgiu a ideia para a realização deste filme: “Muito por acaso. O pesquisador Chico Dub e eu pensávamos como seria legal fazer um filme só sobre dub e abordando essa influência quase invisível que ele tem sobre outros ritmos, mas era mais um sonho. Então pintou uma viagem para a Jamaica, para fazer o making of de um catálogo de moda fotografado na ilha e tudo começou. Com o apoio da American Airlines viajámos para os EUA e Inglaterra, entrevistámos quase todo mundo que queríamos”. Esse é precisamente um dos pontos fortes deste filme que conta com a participação de várias gerações de pesquisadores sónicos —Kode9, Lee Perry, Congo Natty, King Jammy, Adrian Sherwood, U Roy, 2Many DJs, Bunny Lee, Roots Manuva, Don Letts, Mad Professor, Peter Kruder, Aba Shanti, Howie B, Adam Freeland ou Sly & Robbie oferecem-nos algo mais do que meras cabeças falantes pela riqueza das suas declarações que muito contribuem para que «Dub Echoes» seja uma peça essencial para todos os que tenham algum interesse nesta cultura.

“Muito mais do que uma sonoridade, o dub é uma abordagem, uma filosofia, uma maneira de enxergar o estúdio. Por isso foi e é tão influente. Comecei a ouvir dub há uns 10 anos”, esclarece Bruno Natal, dando conta da forma como vê o dub. Nascido na Jamaica como forma de alimentar os sound systems com versões diferentes dos hits gerados na ilha, o dub rapidamente se transformou numa imaginativa forma de gestão do tempo e espaço de uma composição, com mestres como King Tubby (falecido há 20 anos!) e Lee Perry a usarem as possibilidades abertas pela introdução da tecnologia multi-pistas e de efeitos como o eco ou o reverb para transformarem dramaticamente as canções que tinham à sua disposição. “A falta de verba”, explica Bruno, foi a principal dificuldade que surgiu na feitura de «Dub Echoes»: “O filme foi feito de maneira totalmente independente, o que atrasou todo o processo, pois era tudo sempre feito no tempo livre das pessoas, que nunca é o suficiente”. Ainda assim, os aplausos têm chegado de todo o mundo – “os emails que chegam pelo site desde que o trailer foi colocado no YouTube vêm de todo o mundo: Suriname, Sibéria, Nova Zelândia, toda Europa e diversos lugares dos EUA... Impressionante como a notícia se espalhou sozinha e a felicidade das pessoas ao saber do filme. Muita gente escreveu e ainda escreve simplesmente para dizer obrigado. Isso é muito legal”.

Como sempre acontece nestas aventuras, há sempre muito material que fica de fora. Bruno recorda uma história que não chegou a ser incluída no filme: “O produtor Mário Caldato Jr, dos Beastie Boys, contou a história de uma sessão de gravação com Lee Perry (para o disco «Hello Nasty») no estúdio na casa do Sean Lennon, em NY, em que Perry acabou utilizando uma flauta do John Lennon como baqueta e a quebrou. A história é muito boa, mas longa demais e não se encaixava no resto do filme. Depois do DVD pronto que me lembrei que deveria ter colocado como extra. Pensando bem, vou colocar no site qualquer hora dessas”. Passados cerca de 40 anos sobre a invenção do dub e duas décadas após o desaparecimento de King Tubby, este é um momento perfeito para contar a história de uma revolução sonora surgida numa pequena ilha, mas que teve um enorme impacto no mundo —dos dubs disco sound da Prelude à produção deep house e nu-disco dos Faze action, do drum n’ bass e dubstep até ao pós rock dos Tortoise, do hip hop transfigurado dos Massive Attack até ao techno da Basic Channel, a influência do dub é profunda e mais presente do que nunca.

dub echoes Ecos de uma revolução

➊ Bruno Natal com Gussie Clarke ➋ Bruno Natal filma U-Roy

texto: rui miguel abreu

Da Jamaica, em finais dos anos 60, emanou uma nova forma de olhar o estúdio e de ouvir a música que agora inspirou o brasileiro Bruno Natal para a realização de um filme. Este surge em Dvd com a chancela de qualidade da Soul Jazz.

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dub echoes

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soundstation

A 7 de Agosto de 1974, o francês Philippe Petit, com apenas 24 anos, obrigou Manhattan a olhar para o céu. Sobre uma corda de arame (lat. Funis, is) andou (lat. ambulare) de uma a outra das Torres Gémeas do World Trade Center (hoje extintas) sem qualquer tipo de protecção ou segurança. O feito revolucionário deste funambolo, considerado o crime artístico do século XX, deu origem, 35 anos depois, a «Funambola», segundo álbum de originais da siciliana Patrizia Laquidara: «Eu estava a ler um livro sobre o Philipe Petit e dei por mim a escrever muitas coisas que falavam do céu, que falavam do espaço, da vertigem, de uma pesquisa de equilíbrio. Senti essa vertigem na minha vida». «Funambola» teve produção de Arto Lindsay (ex‑DNA, produtor de Caetano Veloso, Gal Costa, Marisa Monte, etc.) e de Patrick Dillet (Milton Nascimento, Mary J.Blige, David Byrne, etc.). Conta com o reincidente guitarrista italiano Tony Canto, músicos norte-americanos da vanguarda do jazz e ainda com a colaboração de Joe Barbieri, Giulio Casale, Kaballà e de Mauro Refosco (percussionista que trabalhou com Caetano). “O importante para mim era trabalhar com o Arto Lindsay”, explica Laquidara. “Ele conhece muito bem a música brasileira e por isso consegue não fazer música brasileira. Eu queria fazer algo mais internacional”. A tour de «Funambola» começa em 2008 mas foi precisamente 10 anos antes, em 1998, que Laquidara começou o seu percurso. Nascida a 29 de Outubro de 1972, em Catania, Sicilia, ganhou nesse ano de 98 uma bolsa de estudo do Centro Europeo di Toscolano para o curso de autores e interpretes de música popular: “Comecei a cantar cedo com um grupo de música popular. Larguei o meu trabalho e metemo-nos à estrada durante dois meses. Foi um tempo esplêndido, a sensação de caminhar, parar e começar a cantar. Depois desta viagem trouxe uma canção para um

amigo, ele arranjou-a e levámo-la a um festival muito importante em Recanati. Venci e logo a seguir veio o Festival de San Remo. Foi tudo muito rápido. Eu ainda não estava pronta para encontrar tanta gente. San Remo é uma grande máquina que pode amolgar tudo. O sucesso foi muito grande e eu precisava de tempo para encontrar a música que queria fazer. Passou bastante tempo até fazer o 1º disco”. Este, chegou em 2001, “Para Você Querido Cae”, como uma sentida homenagem a Caetano Veloso, em que dá nova cor a temas como «Você É Linda», «Carolina», «Eu Sei Que Vou Te Amar» e «Coração Vagabundo». Em 2003 sai «Indirizzo Portoghese» que tem como ponto de partida um português que conheceu... no Brasil. Deste álbum, o tema «Agisce» (Age) foi escolhido pela Rai Uno como genérico do canal. Participa ainda em duas colectâneas de música do Mundo e na banda sonora de «Manuale d'Amore» de Giovanni Veronese (2005) com «Noite e Luar». Canta-o em português, língua que aprendeu, diz, a ouvir música brasileira. O tema foi em 2007 integrado no álbum «Funambola» de onde também se extrai «Personaggio», bandeira da última edição da Festa do Cinema Italiano, em Lisboa. Actuou em Lisboa e no Porto, mantendo com Portugal uma forte relação. Pelo caminho, uma série de festivais plenos de ovações e prémios da crítica para melhor interpretação. «Funambola», à imagem dos seus trabalhos anteriores, é um álbum leve, que nos deixa num ambiente de suspensão, mas o percurso, de acordo com a artista, sofre uma evolução natural: “Em «Indirizzo Portiguese» joguei mais com a minha voz. É um disco mais variado do que «Funambola». Este pode parecer mais frio ou inacessível, mas tem uma coerência no texto, na música e nos arranjos que o anterior não tinha. Isto acontece também porque houve uma maturação natural em mim.” Essa maturação passa também por

uma auto-reflexão que «Funambola» explana em vários registos: intimista em «Pioggia Senza Zucchero» (Chuva Sem Açucar), erótico  na canção «Addosso» (Por Cima) , material em «Le Cose» (As Coisas), profissional no tema «Oppure No» (Talvez Não) onde nos versos “Forse canterò jazz avanguardistico/ Cooltribale-etnico sezione pop-romantica/ Oppure sì”, (Talvez venha a cantar jazz de vanguarda/ Música cool‑tribal‑étnica secção pop-romântica/ Ou talvez sim) de algum modo situa estilisticamente a sua música; Ou, simplesmente, sobre o Mundo que a rodeia: «Nuove Confusioni» (Novas Confusões), «L'Equiliibrio è un Miracolo» (O Equilíbrio é Um Milagre). No seu teatro particular em que também ela é «Personaggio» (Personagem), musica notas biográficas, pequenos fragmentos metaforizados de vida. “Sopra un filo che è sospeso/Di vertigine in vertigine/ Dove è più leggero esistere/ Dolce è vivere nell'aria/ L'equilibrio è un miracolo” (Sobre um fio que está suspenso/ De vertigem em vertigem/ Onde é mais leve existir/ Doce é viver no ar/ O equilíbrio é um milagre).Um “funambolismo” do Eu consigo e com o resto do mundo e ainda dos sons multiculturais que a sua música abarca numa viciante fusão. Estimulante, mas frágil, já que como ela mesma reconhece, “para falar de uma cultura é preciso conhece-la muito bem”. E a seguir? “Agora estou a ouvir muitas melodias dos anos 50 de Itália. Quero fazer a seguir um disco muito italiano. Inspiro-me em cantores como Bruno Rosetanni ou Nilla Pizzi, não muito seguidos pelos jovens italianos». Também já estabeleceu, apesar da boa experiência, que Arto Lindsay não irá produzir o próximo disco. “Quero fazer muita da produção desta vez. Agora é o momento para ser eu a escolher os músicos, as pessoas que vão fazer os arranjos.” Desse trabalho por vir, esperamos o que nos deu até aqui: o milagre do equilíbrio.

PATRIZIA LAQUIDARA O MILAGRE DO EQUILIBRIO texto: Miguel João Ferreira foto: francisco gomes

Em apenas dez anos saiu vencedora de um concurso regional, homenageou Caetano Veloso, ganhou prémios, trabalhou com um dos maiores produtores mundiais, Arto Lindsay, e descobriu o equilíbrio. Considerada uma das mais cativantes vozes do momento em Itália, Laquidara apresenta um novo álbum vertiginoso. www.patrizialaquidara.it www.myspace.com/patrizialaquidara

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patrizia laquidara

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soundstation

Não se trata propriamente de um regresso, uma vez que não estiveram, de facto, ausentes. Entre mostras de vídeo e moda, gravação e produção do álbum, as performances Art Rules e o lançamento da colecção de roupa de surf feminina, o colectivo não pára. “O nosso último álbum foi lançado há 3 anos. Muitas pessoas pensam que estivemos de férias, mas temos estado mais envolvidas na cena artística com uma performance chamada Art Rules”, conta Melissa. As Chicks on Speed (COS), que contam já com 11 anos de existência, começaram por ser um colectivo de arte multidisciplinar em Munique, mas cedo trocaram o espaço aprisionante das galerias pelos clubs. “Estávamos a trabalhar em instalações, peças performativas e mostras colectivas, sentimo‑nos claustrofóbicas com o espaço da galeria e começámos a trabalhar mais em clubs. Em 1997 lançámos «Warm Leatherette» com um remix feito pelo DJ Hell”, conta Melissa. “Tornámo‑nos numa banda com uma progressão natural. (...) Eu trabalhava no Ultraschall em Munique de 96 a 99 —o melhor club de tecno nas redondezas na altura— conhecia uma série de djs como o DJ Hell, Miss Kittin, Christopher Just e Tobi Neumann. O dono, Peter Wacha aka Upstart, tinha também uma editora e tornou possível todos os lançamentos de álbuns no início da nossa carreira. Sentimo‑nos forçadas a fazer música porque as batidas nos finais dos anos 90 soavam monótonas e tinham falta de uma voz feminina. Tínhamos que mudar isso (...) e com um rasgo feminista influenciar toda a cena masculina da música techno.”, acrescenta Alex. Após a saída de Kiki, há dois anos, Melissa e Alex (actualmente em Hamburgo e Barcelona, respectivamente) começaram a colaborar com um maior número de artistas, entre os quais o célebre Douglas Gordon, A.L. Steiner, Kathi Glas ou Anat Ben-David. “As Chicks on Speed vão de 2 a 8 membros e se fizermos performances do género Art Rules em museus, alguns dos membros viajam de Nova Iorque”, refere Alex.

Actualmente, além das performances e da promoção da colecção de roupa de surf e do álbum, preparam ainda a segunda compilação de Girl Monster. Alex lança assim o desafio: “Se houver artistas portuguesas ou artistas relacionadas com questões de género [cross‑gender, gender bender] que queiram contribuir, enviem material para info@chicksonspeed.com.

Quanto a datas de promoção, Melissa confessa que está ansiosa por tocar novamente em Portugal. As Chicks apresentam-se ao vivo com Fau Fau, o baterista da banda Koko von Napoo, e têm na manga uma série de surpresas. Lá mais para o final do Verão, elas voltarão.

O single “Super Surfer Girl”, que antecedeu o álbum, surgiu na sequência de um convite para a criação de uma colecção feminina da marca de roupa de surf Insight, tornando-se numa espécie de banda sonora para esse projecto. O vídeo, criado por Mariah Garnet, mostra algumas imagens retro fazendo a ligação entre as criações das COS com as referências musicais que influenciaram música e vídeo. “«Super Surfer Girl» é literalmente inspirado pela música de surf dos Beach Boys dos anos 60 e pelo desejo de torná-la numa experiência feminina, que nunca o foi. As mulheres só foram permitidas no surf em meados e finais dos anos 70! Nunca tiveram a sua própria música para surfar na altura. Tiveram que lutar por isso.”, diz Alex. O duplo álbum «Cutting the Edge» foi gravado em 10 países, online e offline. “Esta ideia de criar um estúdio portátil online e offline, influenciou bastante o estilo corta e cola do álbum”, continua Alex. Gravaram em locais diversos: “Em Viena, numa quinta em Oxford, no estúdio de Oli em Londres, num quarto de hotel em Nova Iorque, num avião para Riga (Letónia), no estúdio de Astrud em Barcelona onde também dançámos nuas no telhado e filmámos um videoclip enquanto estávamos a gravar a canção em simultâneo!! Depois trabalhámos no estúdio Planningtorocks em Berlim com o microfone incorporado de um portátil, e através do Skype com Fred Schneider para a gravação da faixa «Vibrator». O Skype é uma grande ferramenta. Usamo-lo para ensaiar e fazer arte. Torna o grupo mais unido, fora de brincadeira!”, finaliza Alex.

chicks on speed cutting the edge texto: nuno sousa

Photography: Emre Unal / w w w.emreunal.net Art Director: Mustafa Tunc / w w w.cultofmu.com

Após o single «Super Surfer Girl» chega agora às lojas o novo trabalho das Chicks on Speed, que é na verdade um duplo álbum. «Cutting the Edge» marca o regresso da banda três anos depois do último lançamento. www.chicksonspeed.com www.myspace.com/chicksonspeed

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© Copyright 2009 Alex & Cocco

alex &coco TAXI www.distilennui.com

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© Copyright 2009 Alex & Cocco

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© Copyright 2009 Alex & Cocco

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© Copyright 2009 Alex & Cocco

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grande entrevista

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Tereza Salgueiro texto: carla isidoro Fotografia: isabel pinto

É o primeiro disco de Tereza Salgueiro a solo sendo produtora de si mesma. «Matriz» inicia uma nova fase: a cantora toma as rédeas do caminho e marca esta viragem mudando a forma como escreve o seu nome. Agora, Tereza escreve-se com Z. www.teresasalgueiro.pt

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grande entrevista

Tereza, este novo trabalho chama-se «Matriz» porque pega no cancioneiro tradicional e popular português ou é a matriz de uma nova fase da sua vida? É tudo isso. Faz sentido enquanto primeiro disco que produzo e portanto é a matriz de muitos outros trabalhos que se seguirão. Mas tem a ver também com a própria ideia do disco e do reportório, é matriz como início das coisas, mas também como aquilo que se mantém e se transforma através dos tempos, mas que se vai mantendo. No cancioneiro português e na música étnica isso vê-se muito bem, é muito interessante - e está documentado nas recolhas do Lopes Graça e do Michel Giacometti que foram o ponto de partida para esta ideia há uns anos – ver-se canções cantadas no norte do País de certa forma e vamos encontrá-las no Algarve com outra música, com outra cadência. Mas matriz também enquanto procura do que nos unifica enquanto cultura, sendo que são muitas coisas diferentes. Portugal é um território pequenino mas cheio de pequenas culturas cá dentro, cada região é isolada em si mesma e mantém características muito próprias, é bastante diverso.

Quando fiz a escuta do «Matriz», ao fim do terceiro ou quarto tema concluí que ele era para gente com ouvido erudito. Aos poucos o disco foi-se abrindo, passando pelo fado, pela música popular, por Fausto, e torna‑se mais fácil de escutar. Achei-o um pouco hermético. Esta lenta abertura do início para o fim foi propositada? O estilo de música do início do disco é realmente mais hermético. Trabalhei com alguém que vem da música erudita, o Jorge Varrecoso Gonçalves, director musical e autor dos arranjos do disco e director musical do Lusitânia Ensemble, que tem experiência não exactamente na música antiga mas é um erudito. Para ele também foi um desafio fazer arranjos para todos estes estilos diferentes. Era isso que eu queria, uma exaltação da nossa cultura. Ela existe mesmo que não seja levada aos espaços dos melhores teatros, por exemplo, mas há música portuguesa e sobre ela podem-se fazer trabalhos muito interessantes. Quis traçar um percurso que fosse geográfico e histórico e que contasse uma história.

Este disco revela, de alguma forma, que a Tereza queria conhecer estes pormenores culturais mas só agora teve tempo de estudá-los e pesquisá-los? Ainda não tive, isto foi uma recolha primeira. Foi exaustiva porque já conhecia bem as recolhas do Michel Giacometti e do Lopes Graça e voltei a ouvi-las todas. Mas o disco não se cinge às recolhas, elas são aquilo que nos traz uma intemporalidade —é uma tradição oral que está preservada ali, o que permite que elas cheguem até nós, hoje— mas essa intemporalidade é importante no disco porque faz a ligação entre as épocas e os temas. A ideia era construir um espectáculo e um disco que celebrasse a riqueza, a variedade e antiguidade da cultura tradicional musical portuguesa.

Então não houve a preocupação de ir abrindo o disco? Não, houve uma preocupação mais cronológica. Vai do mais antigo ao mais recente.

Neste disco assina Tereza com z, o que só por si é sinal de uma mudança. É como se fosse uma nova entidade, mas não é, continuo a ser eu. Que carga psicológica tem esta mudança? É uma coisa simbólica. E é também uma forma de marcar essa mudança. É a primeira vez que eu faço um disco, nunca tinha produzido um disco. Abri uma empresa no ano passado e assinei a produção com o Rui Lobato, percussionista no disco, e com ele produzi o disco que tinha pensado do princípio ao fim. É uma coisa nova para mim. Fiz um percurso de 21 anos com um grupo incrível que me levou a diversos palcos do mundo, mas esse percurso terminou. Tornei-me independente. É a primeira vez que me lanço sozinha, enquanto eu. Por outro lado o nome é uma homenagem ao meu avô paterno que escrevia Tereza com z, como se escrevia há anos atrás. Era muito ligada a ele, quando se reformou foi viver para a ilha da Madeira mas costumava mandar cartas e sempre achei muito bonito escrever o meu nome com z. Foi uma decisão que se prende com coisas muito pessoais. Reconheço que algumas pessoas podem perguntar-se “mas porque é que agora assina com Z”… Até parece uma coisa que não interessa nada, mas para mim interessa. Por isso quis saber qual a carga psicológica da mudança para si. Não sei até que ponto estas coisas são óbvias para as pessoas. Para mim faziam sentido.

Neste disco temos a sensação de que finalmente a Tereza chega a casa. Ou seja, no disco «Obrigado» parece estar a despedir-se de Madredeus, no «Você e Eu» tem um atrevimento e entra na música brasileira, o «La Serena» parece ser o seu primeiro disco mais pessoal … Hmmm, não… No sentido em que é o mais diverso, onde se revela muito versátil de uma forma que até então não conhecíamos … Sim, nesse sentido pessoal. Gosto de diversidade, de elasticidade e de me pôr objectivos diferentes. Mas a direcção destes três discos não foi minha, quando os gravei ainda estava nos Madredeus. Não eram competitivos com o principal, eram espectáculos que fui fazendo em paralelo. O «La Serena» pôs-me em contacto com realidades musicais muito distintas e vocalmente era muito interessante, com línguas diferentes. Mas tudo isto ainda na óptica da existência do grupo. Digo que chegou a casa no sentido de finalmente virar-se para as coisas de que gosta, para a pesquisa, para a raiz, e de ter tempo para fazê-lo. Finalmente desfez as malas, coisa que ainda não tinha feito, no sentido metafórico naturalmente. De certa forma cheguei a casa mas construí a minha nave. A ideia era chegar a casa e partir. É um primeiro passo que dou sozinha. Muitas das canções ando a cantá-las nos ensaios de som há anos, são coisas às quais estou ligada. Tive uma vida um pouco fora do comum, a minha vida foi dedicada a cantar em Português e umas certas ideias sobre a cultura portuguesa e o nosso país. Agora, olhando para Portugal, apetece-me fazer de novo um espectáculo que mostre a riqueza e a nossa diversidade. Houve uma preparação especial da sua voz para alguns dos temas? Houve, mas são estilos que para mim são próximos. E fisicamente, enquanto voz, são músicas naturais. Mas é a minha aproximação ao tema. Que fascínio tem pela música antiga? Tenho fascínio por música. Acho incrível que se possa cantar música feita no séc. XIII e haja forma de voltar a pegar nela.

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O que foi buscar às pesquisas de Giacometti e Lopes Graça que já conhecia? As canções que gostava mais e que achei mais interessantes para serem arranjadas e poder cantá-las. Até que ponto foi exigente ser produtora do seu próprio disco? Exigiu-me uma dedicação a todos os níveis. Não somente aprender as canções e cantá-las, mas tudo o que era preciso fazer. Mas não o fiz sozinha, por isso abri a empresa porque temos de tomar conta do processo todo. Aprendi imenso e percebi que há certas coisas se fazem de uma forma e não de outra. Teve medos e receios por lançar-se a solo? É uma grande mudança e uma grande responsabilidade mas tenho fé no meu trabalho e nas pessoas com quem trabalho. Estou muito bem acompanhada por pessoas especiais. E sinto-me acarinhada pelo público. Durante estes anos que estive a fazer aqueles espectáculos tão diferentes fui muito bem recebida, foi um incentivo para continuar. Faz parte dos seus objectivos conquistar novos públicos e pessoas que não ouviam Madredeus? Nem é por aí, mas novas pessoas claro, sempre. Quanto mais diversificado for o género das pessoas que gostam do que faço, melhor. Mas o «Matriz» é um disco muito exigente. Os anteriores são mais fáceis. Não tenho essa ideia. As emoções e a ligação que tenho a cada um destes temas é tão imediata e genuína…Os arranjos do Jorge não são simples, mas o resultado acaba por ser interessante. E depois há um dinamismo, uma versatilidade no Lusitânia Ensemble, ou seja, há temas só tocados com cordas, outros só instrumentais, um outro só com percussão…e enquanto espectáculo é muito interessante por isso mesmo. Valorizo muito o facto de ser portuguesa e queria mesmo cantar as nossas coisas como o «Vira» e o «Malhão», coisas de que gosto e que são portuguesas. O disco tem muito a ver com os meus gostos, é uma escolha muito pessoal. A imagem da capa do «Matriz» remete para a figura dos Madredeus, uma figura circunspecta, bastante estilizada … É só a capa do disco. Mas é possível que haja essa associação. Essa imagem de Madredeus, enquanto figura, foi construída por mim. Sou eu, era eu o foco da atenção. A Tereza é esta figura que lemos das imagens, ou seja, uma pessoa lacónica? Eu? Não, não! (risos) Não sou só aquela imagem. Mesmo enquanto artista tenho outras facetas. É uma pessoa ligada aos pormenores e perfeccionista? Sim, tenho tendência para ser. Percebe-se isso na direcção de imagem, na escolha das fotos. Tudo é cuidado ao milímetro, desde há anos. No caso do «Matriz» tem muito a ver com aquilo que sempre fui e com aquilo que sempre me entusiasmou a estar nos Madredeus, que também se liga àquilo que me entusiasmou a fazer este disco. É o mesmo tipo de amor pela música e pelas palavras portuguesas. É uma figura que tem a ver, mas não é exactamente a mesma. Que música ouve em casa? Todo o estilo de música.


tereza salgueiro

Compra? Também compro. Não tenho comprado muito ultimamente, mas estou a precisar de ouvir música nova. O disco já está feito, tenho de ouvir outras coisas. E música nova portuguesa? Hmmmm…não muito. Não estou muito em cima do que se passa, confesso. Ainda não cheguei tão a casa como parece. Que música dá a conhecer à sua filha? De todo o género. Como lhe disse oiço de tudo um pouco em casa, desde música clássica…gosto muito de Marisa Monte, é das minhas artistas favoritas. A última banda que descobri foram os Muse, acho que fazem um trabalho incrível, e a última novidade que ouvi foi o último trabalho dos U2, que adoro. Sou curiosa por ouvir todo o género de música. Voltando um pouco atrás ao Lopes‑Graça, ele tinha uma frase que me parece ser um statement, até controverso considerando a época em que se enquadra: “Vejo a música como a única religião do futuro, a única religião de uma Humanidade livre, justa e sábia”. Vê a música desta forma? Que papel tem a música na sua vida pessoal? É um pouco difícil separar as duas áreas, mas tem um papel importantíssimo. Não a vejo como a única religião, mas acho interessante o que ele disse enquanto ideia de que a música é uma linguagem sem fronteiras que pode ser vivida de uma forma inteiramente livre, tanto por quem a toca como por quem a ouve. Toda a gente sente a música de uma forma diferente mas consegue unir-se por uma coisa que não se agarra, que não é material. A música tem um poder enorme sobre mim, sempre teve. Desperta em mim muitas emoções, é muito catártico. Oiço música e vejo coisas, é pura alquimia…apesar de não se ver ela é uma coisa física, afinal de conta são frequências. Acho-a uma linguagem fantástica com capacidade de unir pessoas e criar uma atmosfera tranquila…pode ser uma lição de civilidade. Precisa de cantar? Preciso, seguramente. Preciso de música, de ouvir ou de fazer, mas sobretudo de fazer. Sempre cantei desde miúda. E já reparei que o som da água põe-me imediatamente a cantar. Se estou a fazer qualquer coisa em casa e abro uma torneira começo a cantar.

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[Se faz parte do grupo de pessoas convencidas de que a blogosfera está sobre-explorada, de que há mais blogs do que leitores e de que não há nada que não tenha já sido dito, desengane-se.] Há uma nova geração de bloggers a tomar de assalto a rede, ao ponto de se tornarem verdadeiras ciber celebrities. Eles, mas com especial incidência elas, são os modelos, os stylists e, muitas vezes, até os fotógrafos do seu próprio mundo repleto de estilo. Desenfadado e real. Todos os dias nascem novos blogs de moda em todo o mundo. Há musas da blogosfera por cujos blogs já passaram milhões de visitantes. A moda é cada vez mais um fenómeno de massas e não há tendência vedada a absolutamente ninguém. Na verdade, a moda parte cada vez mais da rua para a passerelle. E dos blogs também. Não conhece a Rumi? A Gala Gonzalez? A Karla? Está, então, oficialmente out. Num mundo frenético, em que as tendências mudam a cada segundo, há a fast fashion para apaziguar toda e qualquer fashion victim. Para quem não está familiarizado com a expressão fast fashion —e só mesmo a expressão, porque o conceito é bem conhecido de todos— trata-se de produção rápida e contínua de peças de forma a responder prontamente às tendências, à medida que estas emergem. Os preços são normalmente baixos e a qualidade proporcionalmente directa. É a fast-food versão têxtil. Pois é exactamente a fast fashion (e o vintage e o DIY- do it yourself ) que permite que uma rapariga algures na Índia se vista qual modelo de passerelle da Balmain. E mais além. Digamos que a generalização de máquinas fotográficas digitais e de suportes internáuticos como facebook e blogspot também ajudam. Há centenas de fashionistas pelo mundo inteiro a tirarem fotografias dos seus outfits, em jeito de diário de estilo. E os leitores são mais que muitos, fazendo destes espaços dos mais visitados da rede. Muitos

destes bloggers são já considerados trend setters —e alguns verdadeiras ciber celebrities— pelas próprias marcas, inclusive, que compram espaço de publicidade nos blogs ou que enviam peças grátis para que as experimentem e divulguem. E —não, não, não— não é o fim das revistas de moda em papel. Não se trata de concorrência. Trata-se de complementaridade. Os bloggers citam vezes sem conta as maiores revistas, e são, de forma crescente, citados por estas. Trata-se de humanizar mais ainda a moda. É a consequência directa da fast fashion. Zaras, H&Ms e Primarks (tendo a última aberto recentemente a primeira loja em Portugal), são exemplos de moda super actualizada e cada vez mais próxima da passerelle —por vezes demasiado próxima— a preços reduzidos, acessíveis a todos. Não estranhe, portanto, se a qualquer momento uma adolescente do Alentejo profundo, por exemplo, se converter numa ciber musa inspiradora de muitos. Bem ao estilo Cinderela, mas envergando sapatos de plataforma vertiginosos. A relação entre fast fashion e blogs é de amor. Resultado? Cada vez que tem dúvidas acerca de como usar uns sapatos amarelo-limão ou o que levar numa saída à noite, faça um search pelos seus blogs favoritos e encontrará com certeza uma série de soluções mais que originais. Porque estes bloggers arriscam. E compelem o resto dos comuns mortais a fazer o mesmo. Para que o estilo abençoe todos. BLOGOSFERA www.am-lul.blogspot.com www.aperfectguide.se/fashionsquad www.blushingambition.blogspot.com www.childhoodflames.blogspot.com www.emmanygren.se www.fast-fashion.blogspot.com www.fashiontoast.com www.helloloverr.blogspot.com www.kanal5.se/web/stylebykling www.karlascloset.blogspot.com www.lisaplace.devote.se www.songofstyle.blogspot.com www.misspandorapandora.blogspot.com www.thatschic.net www.vanillascented.com www.whatisrealityanyway.blogspot.com www.bryanboy.com www.leblogdebetty.com www.mydailystyle.es

blog de moda texto: ana seabra responsável pelo blog chiclisboa.blogspot.com

Quando os fashionistas, envergando calças de €15 e t-shirts de €5 com tanto estilo como se fossem griffadas, se encontram com a blogosfera, o resultado só pode ser amor. Amor à primeira vista. 46


blog de moda

Mireia www.mydailystyle.es


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Quem se lembra do optimismo do filme “Tout va bien” de Jean-Luc Godard e dos míticos actores Jane Fonda e Yves Montand? Também para Antoine Audiau e Manuel Warosz, dois designers gráficos que transbordam criatividade para muitas outras aéreas, tudo parece correr sobre rodas. Um side board a que deram o nome de “Tout va bien é bem representativo da abordagem destes criadores.

Tudo vai bem Antoine

Audiau & Manuel Warosz texto: Carla Carbone www.antoineetmanuel.com

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antoine et manuel

Em «Tout va bien», uma pequena cómoda branca com embutidos de diversas formas, desde hologramas a figuras geométricas, podemos observar a gulosa e rica forma dos relevos de ícones gráficos normalmente associados à cultura gráfica. A sustentá-la, observamos variados pés, nenhum deles igual ao anterior, muito menos posicionados de forma convencional e simétrica. Antoine e Manuel procuram ser criativos. Desde pirâmides invertidas a formas que aludem a longínquos imaginários infantis. Não podemos deixar de fazer pequenas analogias, como por exemplo, ao trabalho do designer Hayek. Alguns autores ficam perplexos com a produção de móveis desta dupla. Sendo que a maior parte da produção deles provém de trabalhos realizados em comunicação e design gráfico. Mas talvez quem se admire não conheça o conceito tão antigo de arte total, que encontrou em William Morris o seu principal cultor, e em Ruskin o seu fervoroso defensor. Sem esquecer que antes mesmo do Renascimento a arte estava subordinada à arquitectura e que as artes ditas menores foram um conceito algo tardio. Tudo estava ao serviço do monumento construído para servir a Deus. A separação das artes foi-se acentuando com a industrialização, com a divisão de tarefas, que tanto irritava Ruskin e o preocupava. Tratava-se de defender a natureza, e os homens que pertenciam a ela. Aos poucos, o que era gráfico só aos designers gráficos dizia respeito; o produto só aos designers industriais dizia respeito, e foram assim perdendo-se aquelas contaminações tão salutares, tão saudáveis que fazem com que qualquer modalidade artística se desenvolva e cresça .

Não podemos esquecer que a própria Bauhaus fomentava as oficinas e o cruzamento transversal dos saberes. Sabendo eles que a indústria espartilhava a criatividade, no entanto não perdiam a noção do atelier e da experimentação interdisciplinar. Mas Manuel Warosz tem “defeitos” de formação. Sempre foi designer de produto. Para ele a perplexidade de outros (é um gráfico que desenha móveis) não lhe parece dizer muito, ou pelo menos preocupá-lo no seu dia-a-dia. É uma falsa questão. Segundo Antoine Audiau, Manuel Warosz desde cedo se interessou pelo mobiliário e é comum vê-lo gatafunhar no caderno novas ideias para peças e móveis. Por vezes pensa-se que é dos designers gráficos que parecem surgir, neste momento, as ideias mais originais e criativas no domínio dos objectos e mobiliário. Estarão neste momento os designers gráficos a injectar sangue novo e novas ideias decorativas na criação do design de produto? Para Antoine Audiau não se trata de um problema de decoração, mas antes de observar o design sob uma outra perspectiva. Antoine e Manuel esquecem um pouco os problemas funcionais e entusiasmam-se em traduzir o design gráfico para soluções em 3D. «Revolutions» parece não distinguir entre a segunda e a terceira dimensão. É uma instalação de estrutura moldada, cor branca e rosa pálido.

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Os dois designers esgrimam à vontade nas profissões que requerem um tratamento 3D: Antoine no Design de Moda, e Manuel no Design de Produto. O que acontece é que, para ambos, a criação no domínio bidimensional apresenta-se mais livre e fluida. Não envolve grandes investimentos, como é o caso das soluções em 3D, que envolvem tempo, dinheiro e mão-de-obra. “Quando desenhamos em formato bidimensional, podemos desenhar sem pensar muito em problemas como o material, a economia, o comercial e o ambiental.” Outras peças, como «Racing Track», surgiram de um pedido que foi feito aos designers para realizar um padrão para uma colecção de carpetes. Os designers responderam com um padrão de linhas curvas e linhas rectas. “Quando combinamos os dois obtemos múltiplas composições”. A edição BD foi realizada quase na totalidade por molde de injecção em poliuretano. Houve duas versões da edição, em que uma teria um acabamento em poliuretano leve e outro em poliuretano rígido, para além de poderem ser produzidas em cores diversas. Os criativos conheceram-se numa escola de arte em Paris e desde cedo constituem a dupla Antoine + Manuel. Combinam, sem preconceitos, o desenho tradicional com o desenho e a ilustração assistidos por computador, depois misturam tudo com o design tipográfico e com a fotografia. O que resulta é significativamente impressionante. Já sem falar na peça «Tous va bien», que é o culminar de tudo isso. O importante Museu de Artes Decorativas de Paris, este ano, dedicou-lhes uma retrospectiva.


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Um exercício de arquitectura Metabolista Nakagin Capsule Tower texto: Blair McBride Artigo publicado em Pingmag em Dezembro de 2008 www.pingmag.jp

www.kisho.co.jp

Quando entramos em Shimbashi, a zona comercial mais movimentada de Tóquio, ao lado da estação de comboios, podemos encontrar um dos edifícios mais enigmáticos da cidade: a futurística Nakagin Capsule Tower. Frente ao maior complexo de viadutos da cidade, proporcionou durante anos o decór perfeito para um filme de ficção científica, mas o estado avançado de degradação põe em risco a sua demolição. 52


nakagin capsule tower

Concebido em 1972 pelo arquitecto japonês Kurokawa Kisho, recentemente falecido, Nakagin Capsule Tower é um edifício de 14 andares composto por 140 cápsulas que funcionam como apartamentos e escritórios. O projecto teve um grande efeito no imaginário de Tóquio, estando na base do conceito do Capsule Hotel, um dos grandes símbolos da vida moderna do Japão. No entanto, dado o estado de degradação do edifício, o futuro da torre é actualmente incerto. Por vários motivos, incluindo a manutenção e a falta de vontade de conservar, o prédio pode ser demolido no espaço de dois anos a não ser que seja executado um plano de preservação bem formulado aceite pelos moradores, proprietários e autoridades locais. Se o plano de demolição avançar será uma grande perda para a arquitectura japonesa já que existem poucos exemplos do trabalho de Kurokawa Kisho no Japão. A torre é vista como um dos grandes exemplos da arquitectura do movimento metabolista prescrito por Kurokawa Kisho, que propôs um projecto com estruturas habitacionais que podiam ser modificadas e adaptadas conforme as necessidades dos seus habitantes. Ou seja, possibilitava o aumento do espaço caso fossem acrescidas novas células, o que permitia um crescimento do edifício e mutações do seu aspecto geral. Os ideais metabolistas que sugerem a possibilidade de uma actividade orgânica que reage ao ambiente, estiveram presentes no processo de edificação da torre. Todas as cápsulas pensadas como unidades habitacionais foram construídas numa fábrica em Shiga e transportadas por camiões para Tóquio. A fixação dessas unidades fazia-se em torno de uma coluna central elevada que servia de suporte. Foram igualmente concebidas para que também pudessem ser retiradas da coluna a qualquer momento conforme as necessidades. Até o pequeno espaço de cada cápsula podia ser alterado e inclusivamente aumentado através de ligações entre diversas cápsulas. Todo o design do edifício era intencionalmente simples e minimalista. A organicidade do projecto e a beleza estrutural do aço e do cimento chegavam como elementos decorativos segundo Kurokawa Kisho. A motivação de Kurokawa Kisho para o desenvolvimento de edifícios-cápsula que permitissem mutações resulta de uma análise da história do Japão que segundo ele era marcada por um edificado pouco durável, dado os materiais naturais usados na construção e os desastres naturais e guerras frequentes no Japão. A sua ideia era manter essa tradição temporal e construir um edifício moderno que pudesse ser modificado na sua configuração. Esses ideais, longe de serem únicos, entravam em concordância com alguma da ideologia da época expressa na “World Design Conference” de Tóquio que define muitos dos princípios Metabolistas em voga nos anos 60 e 70. Os edifícios que obedecem a esses princípios foram construídos em geral entre essas duas décadas, o que faz com que Nakagin não seja propriamente um edifício inaugural mas sim um edifício de maturidade e um dos seus melhores exemplares das teorias do metabolismo. Muitos outros edifícios de Kurokawa Kisho usaram o princípio das cápsulas, nomeadamente o Karuizawa Capsule House em Nagano ou a Torre Sony em Osaka (infelizmente demolida em 2006), mas nenhum deles seria tão puro em termos de princípios.

O Metabolismo está longe de ser uma corrente de ideias passadas que estiveram em moda. Nos últimos anos estas teorias têm despertado muito interesse nomeadamente na obra recente do arquitecto japonês Jin Hidaka, muito influenciada pela de Kurokawa Kisho. Ele está a preparar uma palestra intitulada “Reconsideration of the Metabolism Model” para o congresso Design 2050 da União Internacional de Arquitectos (UIA) que se realiza no próximo ano em Tóquio. Este arquitecto sustenta que as ideias metabolistas dos anos 60 “foram muito inovadoras e olharam para as cidades como organismos vivos e dinâmicos sempre em transformação. As ideias ainda são relevantes devido às noções de cidade dinâmica e transcultural.” Os arquitectos metabolistas procuravam uma pluridisciplinaridade e transculturalidade diligenciando colaborações com engenheiros, cientistas, designers. Um trabalho de cooperação ideal que hoje se deseja efectivo. Infelizmente os edifícios metabolistas são menos resistentes do que as suas ideias. O desejo do Metabolismo criar um sistema novo de arquitectura em que era possível trocar alguns elementos mesmo depois da obra estar concluída, na prática encontrou algumas limitações. Esses limites são visíveis na problemática em que a Nakagin Tower está hoje envolvida. No final de contas as cápsulas que foram projectadas para poderem ser retiradas não podem ser movidas com a facilidade com que fora prevista. Só podem ser retiradas as que se encontram no topo. Seria impensável mexer nas cápsulas da base. De acordo com Jin Hidaka a “Nakagin Tower é um edifício em estado avançado de degradação com uma situação muito complicada e apesar da relevância histórica houve muitas falhas na sua concretização”. Segundo este arquitecto “a torre tinha um período de concepção de apenas 4 meses, o que é mais curto do que o normal. A própria construção foi muito apressada. Já se tinha iniciado antes da aprovação da projecção final”. O caso da prevista demolição da Nakagin Tower tem corrido o mundo e criado diferentes acções na defesa da sua preservação. O atelier Kurokawa Kisho que ainda se mantém em actividade, tem permanecido à frente deste movimento propondo um plano de restauro. Contudo, o projecto em termos financeiros tem-se mostrado pouco viável pelo que as autoridades de Tóquio têm previsto a sua demolição enquanto não forem encontradas soluções alternativas. Por outro lado o apoio internacional tem sido enorme e bastante articulado. Um inquérito realizado pela revista World Architecture News no sentido de alertar para este problema, mostrava a opinião relativa à preservação da torre de 10 mil arquitectos de 100 países. Destes, 75% foram a favor de uma reposição das cápsulas, 20% gostariam de deixar o edifício como está e 5% manifestou-se a favor da demolição. Caso o prognóstico fatídico se venha a concretizar, sobrevive o interesse por esse edifício emblemático. De acordo com Hidaka está prevista uma exposição no Centre Georges Pompidou sobre arquitectura japonesa e os curadores já manifestaram o interesse em ter uma das cápsulas na mostra.

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Há outras opções para o futuro da torre. Uma delas seria a compra das cápsulas aos seus actuais donos. Hidaka acha que esta opção seria muito cara mas a ser considerada caso permita a preservação do edifício. Outra é abrir um concurso para um projecto de novas cápsulas que pudessem substituir as velhas. Se elas puderem ser substituídas haveria então oportunidade de se fazer um hotel, uma proposta que já tinha sido explorada por Kurokawa no final da sua vida, mas que nunca deu em nada. Por agora ninguém sabe o que poderá acontecer. O edifício e as ideias que o formaram são relevantes para a história da arquitectura e segundo Hidaka o metabolismo ainda tem algo a dizer para a arquitectura contemporânea.


central parq—livro

Não é fácil escrever sobre uma paixão. Sobretudo quando essa paixão é o nosso refúgio, um escape à vida formatada e empacotada da sociedade em que vivemos. O surf é uma paixão para quem o pratica há longos anos e o encara como forma de estar na vida. Luís Miguel Raposo é consultor e formador, mas também um apaixonado pelo surf e pelo mar, há 23 anos. Estreou-se na escrita, escrevendo sobre a sua paixão. E bem. Ou melhor, escreveu sobre amizade tendo como pano de fundo o surf. “Marés de Inverno” é o primeiro romance deste autor recente, nascido em Almada e criado nas ondas da Costa de Caparica. O livro, escrito entre uma sandes e um sumo, nas horas de almoço de Luís Miguel, com o portátil ao colo num banco de jardim, surpreende os mais incautos, atingindo-nos como um murro no estômago logo nos primeiros capítulos. Com um estilo muito próprio, entre o descritivo e o poético, a leitura de “Marés de Inverno” torna-se compulsiva e obriga-nos a parar de vez em quando, para recuperar o fôlego, como numa surfada épica entre dois tubos profundos. Raposo mexe com as emoções (as nossas e as dele) e desperta assim para uma faceta até agora desconhecida. “Nem sequer um diário alguma vez escrevi!” confessa-nos, embora revele que lê bastante. Com a sua vida profissional mais ligada aos números, o início da escrita só podia ter sido um impulso. Partiu de uma ideia simples, que fervilhava na sua cabeça, e acabou por dar origem ao que hoje é o capítulo 6. A partir daí, conta-nos, “a história escreveu-se a si própria, embora cada frase fosse cuidadosamente observada, analisada e corrigida dezenas de vezes, se fosse necessário.” Até a forma como chegou à publicação é curiosa. Sem contactos de qualquer espécie no mundo literário, Luís Miguel fez o que qualquer pessoa diria ser lirismo —enviou cópias da sua história para 11 editoras, depois de ter feito uma busca e selecção das que achou mais interessantes. Das onze, três responderam, e uma, a Pergaminho, “fechou” com ele.

Por questões de ordenamento interno da editora, o livro acabou por sair com a chancela O Quinto Selo, que assim tem Luís Miguel Raposo como seu único autor nacional. A escolha do título, sugerido pela editora, foi uma feliz coincidência: “o que eu tinha escolhido primeiro era muito piroso…feliz porque assim posso ter mais três estações para utilizar, se me apetecer.” E apetece? “Bem, pelo menos uma sequela já estou a escrever, depois logo se verá,” afirma o autor, sabendo que a vida (e o surf ) é regida por ciclos. Uma coisa é certa, a história do Vasco e do seu grupo de amigos do surf é um retrato geracional fortíssimo e preciso. A história de uma geração urbana com vontade de se manter ligada à natureza. Podia ser a tua ou a minha. E é isso que a torna tão interessante!

emergências Luís Miguel Raposo texto: Miguel Pedreira foto: Francisco de Almeida

mares-de-inverno.blogspot.com

Autor-revelação, estreia-se com um livro sobre a vida, a amizade e o surf. Com uma história simples mas actual, cheia de pormenores do dia-a-dia, que podia ser a de qualquer pessoa, Luís Miguel Raposo inicia um estilo até aqui pouco usado em Portugal. O personagem Vasco e seus amigos vão obrigar-nos a pensar sobre a vida e sonhos eternamente adiados. 54


luĂ­s miguel raposo

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ferran casanova

realização: blue studio styling: angel cabezuelo make-up&Hair: de maria

modelo: andrea, traffic models

sapatos just cavalli, e no boneco sapatos pepe jeans


blusa sita murt, calçþes raf simons, meias calzedonia, sapatos pepe jeans


Macaco de cetim RARE, blazer DSQUARED, capa CUSTO BARCELONA, pulseiras MANUEL ALBARRÁN


T-shirt com tachas BABY PHARD, blusa de alças ION FIZ, calças ARMAND BASI, sapatos MOSCHINO, chapéu MANUEL ALBARRÁN


Camisa ANDRÉS SARDÁ, saia FRED PERRY, sapatos BEVERLY FELDMAN, pulseira YSL


casaco zegna sport


ride my bike alexander koch

styling: Conforto moderno & Gabriela Santos make-up&hair: vera pimentão

modelo: rodrigo santos, Central models

Casaco tommy hilfiger, camisa lacoste, calças diesel, ténis d&G, na Loja das Meias, cinto pepe jeans, fio ao pescoço pedra dura, bicicleta specialized na Mega Aventura


calças w e colar no tronco lidija kolovrat, tÊnis nike (Cortez), bicicleta specialized na Mega Aventura


blazer e gravata gant, briefs scotsh, tĂŠnis zegna sport, bicicleta nomad santa cruz na Bikeiberia


sweet sem mangas levis engineered, 贸culos ray-ban


polo lacoste, casaco mango/he, sapatos fly london, cinto malboro, anel pedra dura, bicicleta nevada – yeye, da Bikeiberia


parq here—turismo

montes alentejanos texto: Mami Pereira  fotos: monte da vilarinha

www.montedavilarinha.com www.wonderfulland.com/montevelho

Longe vão os tempos em que andávamos o ano todo à espera de ir de férias para o Algarve. Hoje fogemse das cidades turísticas afogadas em prédios, lojas de souvenirs e restaurantes para turista comer, e descobrem-se os segredos da Costa Vicentina. Entre a calma e verdejante paisagem alentejana e inesquecíveis praias, encontramos refúgios que dão um novo look à típica arquitectura rural e o conforto para nos dedicarmos à importante actividade do “dolce far niente”. Destacamos dois locais óptimos para ir a dois ou levar a família. O Monte da Vilarinha, idealizado por João Pedro Cunha: oferece três casas de sonho em três áreas distintas, onde se podem descobrir praias fantásticas (a menos de 20 kms), nadar na piscina, desfrutar dos trilhos BTT, relaxar com massagens, yoga ou meditação e até aprender danças orientais para noites mais exóticas. Para saciar o apetite depois de tanto “esforço” nada melhor que uma refeição gourmet com peixe e marisco apanhados pelo próprio João Pedro. Já o Monte Velho é um resort rústico-cool, completamente longe da caótica e barulhenta civilização e bem perto da Praia do Amado, Meca de surfistas de todo o Mundo e amantes da natureza que ali podem entrar em estado de equilíbrio com a mesma. A ideia deste resort é mesmo o descanso e contemplação total, oportunidade para começar a escrever as suas memórias ou acabar de ler os eternos livros de cabeceira, enquanto anoitece ao som dos voos dos insectos e outras asas. Vai voltar a sentirse de férias como antigamente!

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parq here—turismo

Pousada do Palácio de Estói texto: sofia saunders

www.pousadas.pt

O palácio de Estói, uma pequena jóia do Rococó nacional a alguns minutos de distância da Praia de Faro e do aeroporto internacional da cidade, é o ultimo edifício a integrar a rede de pousadas históricas da Enatur. Classificado como Monumento Nacional, teve profundas obras de restauro da responsabilidade do arquitecto Gonçalo Byrne. Este teve como preocupação restaurar o edifício antigo e manter uma certa discrição adjacente no edificado moderno que foi necessário construir para abrigar os 63 quartos, sendo 3 deles suites, mais uma piscina e spa. Relativamente à proposta, a parte moderna é amplamente conseguida porque não rivaliza com o edifício antigo e estabelece uma relação com a serra que nos permite um deslumbre da beleza original do Algarve. No que se refere à decoração de interiores, o esplendor dourado do palácio nem sempre convive bem com o mobiliário moderno, o que é um pena, já que é a parte que naturalmente poderia ter mais impacto. Não obstante, uma das partes relevantes é o facto deste projecto dar consistência a um novo conceito de Pousada com Spa e piscina interior, onde é possível desfrutar de banho turco, sauna, duche tropical e piscina interior aquecida com hidromassagem, que se tornou quase obrigatório nas modernas unidades hoteleiras.

 Pousada Palácio de Estói   Rua São Jos, Estói - Faro   Telf. 289 990 150 

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parq here—viagem

TREKKING NOS ANDES texto: António Falcão de Campos + antónio varela

Desde sempre tínhamos ouvido falar de Machu Picchu, mas tal como muitos outros sítios turísticos, temíamos que este se revelasse mais um daqueles destinos massificados, cheios de vendedores ambulantes, operadores turísticos gananciosos, guias falsos a fazerem de verdadeiros (e verdadeiros a parecerem falsos, tal é a cassete que põem), com excursões a cercarem-nos por todo o lado. E de facto não estou a dizer mentira nenhuma. Quando vivemos numa aldeia turística global cada vez são mais raros os sítios que se mantém genuínos e verdadeiros, mas aí já chegaremos. Aterrámos em Lima quatro dias antes de começarmos o trekking, para que chegássemos a Cuzco com tempo para nos ambientarmos à altitude (3400 m), pois o trekking iria começar logo por altitudes elevadas, especialmente nos dois primeiros dias, começando a diminuir a partir daí. Apanhámos a paisagem típica de alta montanha, sem qualquer tipo de vegetação, acabando em verdadeira selva tropical, cercados de orquídeas, maracujás e bromélias. O nosso medo chamava-se Soroche, que é como se chama localmente ao mal da montanha, e se bem que estávamos preparados e tomámos as devidas precauções tais como repouso, refeições ligeiras com pouca proteína, muita água e acima de tudo muito mate de coca, foi-nos inevitável sentir o peso de toda aquela montanha no organismo, com dor de cabeça permanente, tonturas e acima de tudo uma dificuldade enorme em fazer as coisas mais simples tais como andar, comer ou dormir. Convém, por outro lado, para ter êxito nesta caminhada, estar provido de equipamento adequado: roupa leve e confortável, pois não só o espaço disponível é exíguo, como o peso parece aumentar com o decorrer dos dias. Um bom calçado é, também, fundamental para o sucesso desta missão, pois há momentos em que cada passo dado parece uma pequena vitória.

Havia um trekking mundialmente famoso chamado Inca Trail, que consistia na estrada que ligava a capital do Império Inca, Cuzco (por isso mesmo conhecida pelo umbigo do mundo), através do vale sagrado do Urubamba até à cidade sagrada que era Machu Picchú, onde só alguns tinham acesso. Extremamente interessante. Passa-se por todas as ruínas e templos que serviam de apoio logístico e espiritual às comitivas, e é necessário marcar com uma companhia local com alguns meses de antecedência pelo que optámos pelo trekking do Salcantay, que também acaba em Machu Picchu mas onde a sensação de que somos só nós a subir a montanha é real. São 64 km de caminhada, com a particularidade de no primeiro dia fazerem-se 16 km e no segundo 21 km, o que para dois comuns mortais, amadores na montanha, é só por si um feito, enchendo toda uma nação de orgulho imaginandonos com honras de estado à chegada ao aeroporto. Este é um dos pensamentos, entre os milhares que temos durante o trekking. E se há coisa que existe neste tipo de epopeias é o tempo para pensar, reflectir e mesmo meditar. Bem raro nestes dias que correm. No culminar de toda esta odisseia chega-se então a Machu Picchu, que em Quechua significa Montanha velha, emergindo do coração de uma paisagem de cumes imponentes cobertos por exuberante flora selvática. Resta dizer, para que não seja mais do que uma daquelas experiências turísticas que por vezes nos apetece pôr o carimbo de visto, deve-se visitá-lo ao raiar da aurora. E quando as hordas de turistas começarem a subir a montanha é fugir para o Huayna Picchu, o que significa, Montanha Jovem.

 A equipa foi vestida e calçada pela Merrell 

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parq here—places

The Hood texto: sofia saunders

Quando há cerca de um ano a Hood abria as suas portas no Bairro Alto com as edições da Nike Sportswear, nascia igualmente a ideia de transformar o espaço numa galeria de arte urbana que fosse uma extensão da própria rua. A renovação da sua imagem vem neste sentido cumprir os objectivos, tendo como protagonista o modelo de ténis Cortez, o ícone mais antigo da Nike, desenvolvido para a prática do atletismo. Para comemorar este ícone foram criados dois toys afavelmente conhecidos por Cortez Brothers que vão estar na loja para nos receber, sendo que um é o velho Cortez e o outro o novo. Ou seja, o novo é obviamente a recriação do velho mas cheio de inovações técnicas. Nesse sentido toda a decoração mudou e as paredes ganharam uma ambiência inspirada na tecnologia, no design e na arte digital, tendo os ténis Nike Cortez como mote.

 THE HOOD   Rua do Norte, 65, Lisboa   Tel: 213 473 255   De 2ª a Sáb. das 12h às 21h 

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parq here—places

pimenta bikeiberia rosa texto: mami pereira

texto: sofia saunders

www.bikeiberia.com

www.pimentarosa.pt

Visitar Sintra ou as dunas da Caparica pedalando a partir de Lisboa é uma das propostas que a Bikeiberia propõe como oferta turística. Há mesmo quem já venha de fora com o propósito para conhecer o nosso país em bicicleta participando em programas específicos para grupos no interior do país. A oferta de tipos de bicicletas é bastante grande havendo modelos adequados a cada tipo de programa ou ao gosto de quem as quer utilizar. Aos que querem apenas uma visita cheia de estilo ao longo do rio recomenda-se as antigas pasteleiras portuguesas, a famoso modelo YeYe, que ainda continua em produção.

Para viver cada dia como se fosse o último nada melhor que oferecer os originais cabazes da Pimenta Rosa. São 100% portugueses e feitos a pensar nas mais variadas ocasiões, desde o cor-de-rosa encontro de namorados ao pôr-do-sol, com champanhe e bombons, à apaixonante noite de conversas na tertúlia lá de casa, com bom vinho, queijo e enchidos passando pelo cabaz Lusitano com produtos alentejanos, sem esquecer a bela ginjinha em copos de chocolate, de “Óbidos com amor”, entre muitos outros. Nesta mercearia gourmet em pleno bairro de Campo de Ourique, num ambiente sofisticado mas acolhedor, vai ainda encontrar, a par da selecta garrafeira, peças de faiança do Bordalo Pinheiro, produtos de conservas Tricana, sabonetes Confiança e muitos outros tesouros cá da terra e suas ilhas. Não deixe de visitar e delicie-se com a qualidade dos produtos.

  pimenta rosa   Rua Almeida e Sousa, 48B   Telf. 213 889 430 

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parq here—gourmet

ABSOLUT 100

o requinte e a exclusividade de um true masculine style texto: sofia saunders

www.absolut.com

ABSOLUT 100 é a nova edição da vodka Absolut agora disponível em Portugal. Uma edição limitada produzida com um método 100% selectivo e ingredientes 100% suecos que posicionam a experiência de beber vodka ao nível da excelência. Novo sabor, uma tradição de mais de 400 anos e um processo de produção selectivo, tornam ABSOLUT 100 numa experiência absolutamente distinta. Um pequeno trago revela a experiência completa de ABSOLUT 100, uma vodka distinta para os apreciadores com um gosto requintado. Com um paladar enaltecido com notas de limão fresco, tangerina golden e um toque de ervas aromáticas, ela surpreende pelo equilíbrio entre a frescura destes ingredientes e o aroma redondo a especiarias e caramelo. Para o homem com uma vida social agitada, com estilo, inteligente e que aprecia os pequenos luxos da vida, ABSOLUT 100 apresenta-se como uma proposta simultaneamente inovadora e criativa. Produzido através de uma destilação 100% selectiva, que permite o controlo rigoroso de todas as fases de produção, a vodka ABSOLUT 100 é preparada com uma menor quantidade de água, vinda do poço antiquíssimo de Absolut em Ahus, e com cereais de primeira categoria amadurecidos durante o rigoroso Inverno sueco, o que os torna suaves e ricos em amido. Já disponível, em exclusivo, no Lux e Bica do Sapato (durante 6 meses) , ABSOLUT 100 surpreenderá pelo sabor, pela experiência, pelo requinte e pela sua apresentação única e conceptual.

Fauchon Beauté

Enki Waters

www.fauchon.com

www.enkiwaters.com

E se o elixir da beleza estivesse no fundo de uma chávena de…chá?

A ENKI WATERS é um empresa de origem francesa que exalta a água através da originalidade e qualidade estética das suas garrafas premium. Para além das suas garrafas standard, o lado festivo está muito presente nas suas propostas, especialmente no que se refere ao efeito impressionável da golden water e da silver water. Com uma adição de ouro 24 quilates ou de pó de prata, totalmente bebíveis, estas garrafas de água contém partículas que quando basculadas flutuam criando reflexos brilhantes que nos fazem pensar nas bolas mágicas da nossa infância. Ainda a pensar nos grandes grupos, a Enki propõe a KING SIZE WATER, uma garrafa que pode conter 6 litros. Para quem deseje algo mais personalizado, comemorações dentro de grupos empresariais, por exemplo, a Enki assegura um serviço que permite garrafas e logos personalizados.

texto: mami pereira

A Fauchon, marca de referência de gourmet de luxo em França, tem à disposição três chás especiais de beleza. O primeiro tem o dom de emagrecer, com chá chinês verde aromatizado com frutos exóticos e pedacinhos de ananás. O segundo promete tornar a pele mais bonita, hidratada e purificada, com chá verde chinês aromatizado com laranja doces e pedaços de citrinos, amêndoas, lavanda e camomila. E o terceiro combate o envelhecimento da pele, com chá verde chinês aromatizado com menta, manga e pétalas de rosa. Ser bonita nunca soube tão bem. À venda em lojas gourmet, mas também online, em caixas de 21 saquetas.

texto: sofia saunders

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parq here—as boas línguas

Lord’s bistrô

as boas línguas de miss jones & ray monde

Àqueles que consideram que para lá da Av. dos Estados Unidos começa o far west, selvagem e sem lei, cheio de índios e de juízes corruptos; aos que acreditam que a seguir à Av. de Madrid se inicia a Meseta, esta apenas lembrada para cenários de cenas pastoris; a esses que continuam a confundir o norte da Av. de Paris com o Árctico, na mira da foca e do pinguim; a todos os que queiram, a abertura do Lord’s Bistrô pode vir a abalar certezas e alargar horizontes, até ao Areeiro… Num prédio novo, atrás da praça com o mesmo nome, Ray Monde voltou a encontrar Miss Jones, recentemente regressada de uma villeggiatura a Itália. Sem perder tempo no bar situado na entrada, subiram para o primeiro andar onde fica a sala de jantar, vasta, arejada e dominada por tons claros. Sentados a uma mesa ao lado do mezanino, Miss Jones pediu um Martini dry, lembranças romanas?, e Ray Monde atacou uma água das Pedras… Vários garçons trouxeram cestos de pães variados e pequenos acepipes, um com fatias de queijo brie em azeite e limão e outro de cenoura confitada com sésamo preto. E então, apareceu o chef Paulo Sérgio a recomendar as suas especialidades. Confiámos piamente! Enquanto se servia um vinho branco 2 Quintas do ido 2008, chegaram as entradas, ou seja, um prato de vieras salteadas com palmitos, frutos do bosque e limões sicilianos. Os gostos e as texturas diferenciados e a apresentação com muita elevação agradaram. Bom começo! Enquanto decantavam o vinho tinto 2 Quintas, este um pouco mais velho, de 2007, seguiram-se os pratos. Um de peixe conduzido para Miss Jones, pedaços de robalo grelhado com crosta de parmesão e molho de ostras. E um carré de borrego grelhado com molho déglacé e couscous para Ray Monde. Nada a dizer… A sobremesa foi performada pelo chef, que no meio de uma grande instalação “à l’ancienne”, concretizou à nossa frente um flambé de morangos em trilogia de gelados (nata, café, chocolate com menta), a sua grande especialidade. Uma actuação espectacular, cujo resultado deu para saborear um molho xaroposo vermelhíssimo sobre os morangos cozidos. Depois do café, um cocktail digestivo, branco e doce, finalizou o repasto. À saída, sob uma brisa primaveril quase agradável, caminhámos a desejar a este sítio ainda jovem todas as felicidades, pois o Mundo está cheio de boas intenções…  Lord’s bistrô   Av. Padre Manuel da Nóbrega, 6 A — Lisboa   Tel.: 211 508 456   Todos os dias, almoços do meio-dia às 15h30   De 2a a Sábado, jantares das 20 à meia-noite 

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were where you?

fontana hotel

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English version chicks on speed: cutting the edge p. 36

to the laptop, and via Skype with Fred Schneider to record the track “Vibrator”. (…) Skype is a great tool for us. In fact, we use it to rehearse and to create, and it unites the group,” says Alex, adding “this album is like a collage of different musical periods, depending on where and with whom we have been working, [and this] determines the sound and stylistic period of the music.” As regards dates for the promotion of the album in Portugal, nothing is certain, though Alex tells us “we´ll be touring in October, and we’ll be performing with the drummer Fau Fau of Koko Von Napoo. We love Portugal and are looking forward to playing again soon. Keep your ears to the ground; we’ll be back!”

«Cutting the Edge», The most recent album by Chicks on Speed marks the return of the band three years after their last album was released. It isn’t exactly what you might call a return, as they were never actually absent. There have been video and fashion shows, recording, producing the album, “Art Rules” performances and the launch of a feminine surfwear collection. You could say the band just haven’t stopped… “A lot of people thought we were on holiday, but we’ve been involved in the arts scene with a performance of «Art Rules»”, says Melissa. Chicks on Speed have been together for eleven years, and began as a multidisciplinary arts group in Munich, but soon swapped the restrictive gallery circuit for clubs. “We felt claustrophobic in the gallery space and began working more in clubs. In 1997 we released «Warm Leatherette» remixed by DJ Hell” Melissa said, “and becoming a band just seemed like a natural step. (…) I worked at Ultraschall in Munich between 1996 and 1999 (…) [and ended up meeting] DJs such as DJ Hell, Miss Kittin, Christopher Just, Tobi Neumann, and the owner of the club Peter Wacha aka Upstart. I also had a record label and so it was possible for me to release our early albums (…) We felt forced to make music because by the late 90s, drumbeats were so monotonous and music was crying out for a female voice (…) We had to change things and, with a dash of femininity, stamp our influence on the male domain of techno music,” says Alex. After Kiki left, two years ago – which was when she decided to embark on a solo career - Melissa and Alex (currently in Hamburg and Barcelona, respectively) began collaborating with a number of artists, including artists as distinguished as Douglas Gordon, A.L. Steiner, Kathi Glas, Anat Ben-David, and others. “Chicks on Speed consist of between 2 and 8 members and, if we do performances like “Art Rules” in museums, some members come from New York,” Alex explains. Currently, apart from the promotion of “Art Rules,” the surfwear line and the album, they are preparing the second compilation of Girl Monster with the following challenge from Alex; “If there are any Portuguese artists, or artists whose work relates to themes such as Cross gender/ gender bender, who would like to contribute, please send material to info@chicksonspeed.com. The single «Super Surfer Girl», which preceded the album, came out of an invitation to create a women’s line in surf wear called Insight, and it became a kind of soundtrack to the project. The video by Mariah Garnet, shows retro images, making a connection between the creations by COS alongside musical references which had influenced them and their videos. “«Super Surfer Girl» is, quite literally, inspired by the 1960s surf music of the Beach Boys, and by the desire to make it a female experience, which it never was. Women were only allowed onto the surf scene in the mid-70s. In fact, they never had their own music to surf to. They weren’t even properly accepted in the water. We had to fight for this!” says Alex. The double album «Cutting the Edge» was recorded in 10 differ ent countries. “This idea of creating portable studios online and offline, very much influenced the cut and paste ethos of the album,” Alex explains. Among the various recording locations were “Vienna, a house in Oxford, Oli’s studios in London, a hotel room in New York, a plane to Riga, Astrud’s studio in Barcelona, where we danced naked on the roof and simultaneously filmed the video clip while we were recording the song. Afterwards, we worked at Planningtorocks studio in Berlin, with the microphone rigged up

tereza salgueiro p. 42

Matriz is the first solo CD by Tereza Salgueiro, and the first time she has produced her own work. The word Matriz in Portuguese can refer to the original from which copies are taken. With a firm grip on the reins, this album is the beginning of a new process, and it starts with the way she spells her name. Now it’s Tereza with a Z. Tereza, is Matriz so called because of its use of traditional Portuguese song or because it marks the beginning of a new phase in your life? t’s both these things, to be honest. It makes sense in the context that this is the first album I have produced and thus it is the original for what is yet to come. However, it is also connected to the idea behind the album and the repertoire, the “matriz” as the beginning of things, but also that which is maintained yet at the same time is transformed as time passes. In Portuguese song and ethnic music you can see this, it is very interesting to see, and you can see it documented in the work of Lopes Graça and Michel Giacometti who developed this idea some years ago; songs which were sung in the north of the country and which were then found in the Algarve set to different music, with different cadences, but also – in a sense – still a matriz because they are what unifies us, while at the same time what makes us different. Portugal is a small country, but full of different cultures. Each region is quite isolated and retains its own distinct and diverse characteristics This album seems to show how you wanted to get to grips with these cultural differences and details, yet it was only now that you had time to study and research them? I’ve still not finished. This was merely the first harvest! It was extensive as I was already familiar with the findings of Michel Giacometti and Lopes Graça and had listened to them all again. The album is not limited to these, but it is these which bring an element of timelessness. There is an oral tradition which they preserve, and which has meant that they have survived until today, but this timelessness is important on the album because it connects periods and themes. The idea was to bring together a show and album which would celebrate the riches, variety and sheer age of traditional Portuguese music On this album, you sign yourself Tereza with a Z, which in itself is a sign of change. It is as if it were a new entity, but it isn’t. It’s still me. How far is this change psychological? It is symbolic. It is also a way of making a point of change. It is the first time I have produced an album. I set up a business last year and signed production with Rui Lobato, who is the percussionist on the album, and it was with him that I produced it from beginning to end. This is something new for me. I enjoyed 21 years with an incredible group which took me all over the place, but that has all ended now. I have now become independent. This is the first time that

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it’s just me and no-one else. The name is also a reference to my grandfather on my father’s side who always used to write Tereza with a z, like they used to years ago. I was very close to him and when he retired he went to live in Madeira and wrote me letters in which he always wrote my name with a z. It was a decision connected to something very personal, but I understand that some people are going to think “why is she writing it with a z now?” Seems like something of no great interest, but it is of interest to me… Psychologically, how has this change been? I don’t know whether these things are always obvious or not… For me they made sense After the third or fourth track, I came to the conclusion that Matriz was for those with a more classical ear. However, little by little, the album opened up, went from fado to traditional music to Fausto and became easier on the ear. It felt a little hermetic. Was it deliberate, this prolonged opening up from beginning to end? The style of music at the beginning of the album really is quite hermetic. I was working together with Jorge Varrecoso Gonçalves who is from the world of classical music, musical director of the Lusitânia Ensemble and it was he who was behind the arrangements. He has experience, not exactly in early music, but classical music. Working on the arrangements on all these different styles was a challenge for him also, but I really wanted a celebration of Portuguese culture. It is very much present even if it isn’t being put on at the best theatres, but there is a type of Portuguese music which can form the basis of really interesting work. I wanted to show the course of music which was geographical, historical and which told a story. There was a deliberate concern for chronology. The album starts with the oldest and ends with the most recent. With this album we get the feeling that you have finally found yourself. On “Obrigado”, it felt like farewell to Madredeus, on “Voçe e Eu” you ventured into Brazilian music, “La Serena” seems like your most personal album. Hmmm, no… In the sense that it is the most diverse, and the album in which you revealed yourself as more versatile, in a way that we hadn’t previously been familiar with… Yes, personal in that sense. I like diversity, elasticity and giving myself different goals. The direction of these three albums was not mine; when I recorded them, I was still in Madredeus. They weren’t in competition with the main project, they were projects I was doing simultaneously. “La Serena” put me in contact with distinct musical realities which were vocally interesting, even in different languages, but all still as part of the group. It seems that you have really found yourself in the sense that you have finally turned to things you genuinely like, to research, to the very roots and to make time to do these things. At last you have – metaphorically, as it were – no only come home, but also unpacked your bags. I definitely feel that I have returned home. The idea was to go home and then go off again. It is the first step and I have done it alone. A lot of the songs I’ve been singing in sound checks for years, they are songs I feel a strong connection with. I have had quite an unusual life so far, singing in Portuguese and dedicating myself to certain ideas regarding Portuguese culture and our country. Now, looking at Portugal, I feel like creating a new show which shows our riches and diversity. Did you have any worries or fears about releasing a solo album? It is a big shift, but I believe in what I do and the people with whom I work. There are a lot of very special people involved and I feel the affection of my public. Over the last few years when I was doing shows which were a little bit different, they were always very well received by the public which, in itself, was all the encouragement I needed to carry on. Is part of your goal appealing to a new public and those who have never heard the music of Madredeus? Not really, though it is always good to reach new listeners. The more diverse my public, the better.


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English version Matriz demands a lot of the listener. Your previous albums were easier to get into. I don’t get that impression. The emotions and bond I feel for each track is immediate and authentic. Jorge’s arrangements aren’t easy, but the result ends up being interesting. Plus there is the dynamism and versatility of the Lusitânia Ensemble. Some songs are mere cords, others are purely instrumental, others with percussion…and as a show, it is fascinating for these reasons. I love being Portuguese and really wanted to sing songs like “Vira” and “Malhão”, which I like and which are Portuguese. The album is very much an expression of the things I love, a very personal choice of music. The image on the cover reminds me of Madredeus, stylised and circumspect. That’s just the cover. It is possible that there is that association. The image of Madredeus was constructed by me. It’s me, and I was the centre of attention. Tereza is this figure which we see, a laconic person… Me? No, no (laughs), I am not that image. Even as an artist I have other aspects. Are you somone who pays attention to detail, a perfectionist? Yes, I can be a bit like that… You can see this in the image direction, the choice of photos. Real attention to detail. I think it has been like that for years. In the case of Madredeus, it is very much connected to who I am and what excited me to work on this album. The same love for music and for Portuguese words. It is an image connected to this, but not exactly the same.

Nakagin Capsule Tower: Architecture of the Future p. 52

Once you arrive in Tokyo’s busy commercial district of Shimbashi, a short walk from the station brings you to a noisy highway overpass, and beside that the futuristic Nakagin Capsule Tower. The tower’s stunning design may strike passersby as something straight out of a science-fiction movie, but it stands as a unique architectural beacon amongst the common apartment high-rises and office buildings of Ginza. Designed by the late Japanese architect Kurokawa Kisho , the 14-story tower is composed of 140 individual capsules that function as apartments and business offices. The tower has also served as a prototype of sorts for uniquely Japanese urban accommodations, such as business and capsule hotels. But the future of the tower is uncertain. For various reasons, including maintenance concerns and a lack of local support for preservation, the building will be demolished in less than two years unless a substantial preservation plan can be formed and accepted. The possible demolition would be a disappointing loss for Japanese architecture, as few of Kurokawa’s Metabolist buildings remain in Japan.

What do you listen to at home? .All types of music Do you buy stuff? I do. I haven’t bought much recently, but I really need to hear new music. The album is done, I need to hear new things. What about contemporary Portuguese music? Hmmmm… not much. I’m not really up to date with what is happening, I have to confess. What do you give your daughter to listen to? All types of music. Like I said, I listen to everything when I’m at home, classical music… and I really like Marisa Monte, she’s one of my favourite artists. The last band I came across was Muse. I think they do some amazing stuff. I also enjoyed the most recent album by U2, who I love. I like listening to all types of music.

Nakagin Capsule Tower and Metabolism Constructed in 1972, the tower is a prime example of Kisho’s Metabolism architecture movement that focused on adaptable, growing, and interchangeable building designs. Metabolism — the word suggesting organic growth that responds to its environment — influenced every step of the tower’s construction. The capsules were manufactured in a factory in Shiga Prefecture and transported to Tokyo by truck. They were then attached to the tower’s central beam. The capsules were designed to be removable and replaceable from the central beam. Even the seemingly small space inside the capsules can be modified — it can be increased by connecting capsules to other capsules. The tower’s simple, minimalist design was deliberate. As a Metabolist building, Kurokawa believed that the inherent beauty of materials like concrete and steel meant that they didn’t need any special modifications or decorations.But why construct a capsule building in the first place? Kurokawa observed that throughout Japanese history, frequent natural disasters — and also the destruction caused by World War 2 — meant that Japanese cities built from natural materials had temporary, even unpredictable lifespans. Kurokawa therefore wanted to continue that tradition of temporality in building design by constructing modern but changeable buildings. The Metabolist ideas found in the Nakagin Capsule Tower were born in 1960 at the “World Design Conference” held in Tokyo. Most Metabolist buildings were constructed in the 1960s and 70s. Other than Nakagin, some notable Metabolist works of Kurokawa that use capsules include The Karuizawa Capsule House in Nagano and the Sony Tower in Osaka. Unfortunately, the Sony Tower was demolished in 2006. Also noteworthy is the gently curving, cellular-inspired Yamagata Hawaii Dreamland Resort in Yamagata Prefecture. An important Western building influenced by the Metabolist Movement is Habitat 67 in Montreal, Canada, designed by Moshe Safdie. The work of Kamakura-based architect Jin Hidaka is heavily influenced by Metabolism. Hidaka operates the Slowmedia Japanese architecture forum. He will present a talk entitled. “Reconsideration of the ‘Metabolism Model” at the upcoming Design 2050 Union of International Architects (UIA) congress, to be held in Tokyo in 2011. As Hidaka states, the Metabolist ideas of the 1960s “were very new, they saw cities as ‘moving’ and dynamic, that concept is real. Metabolism wanted to collaborate with engineers, they invited scientists, designers, and industrial designers. They wanted trans-cultural collaborations. It’s still relevant because of the ‘dynamic city’ and trans-cultural aspects. I want these collaborations to continue.” But Metabolist buildings such as Nakagin and the Sony Tower haven’t proven as resilient as their ideas. “Metabolism wanted to create a new system of

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architecture,” Hidaka explains. “For example, product design where you can change different parts of it after finishing. [But] Metabolism has limits.” Those limits are seen in the Nakagin Tower. Hidaka says that Nakagin “is a complicated building and a complicated situation.” Despite the tower’s importance as a major Metabolist project, Hidaka admits that there were faults in design. “The tower had a design period of only four months — shorter than usual, and it was rushed. The designing went on even after construction had already started.” The capsules around the central beam were intended to be replaceable, in line with the Metabolist philosophy of interchangeability. But the capsules haven’t been replaced, and Hidaka points to the design to explain why. “The capsules can be taken apart from the center beam, but only from the top, not the bottom — a simple design problem because taking them apart from the bottom would be easier.” Way forward The complicated nature of the tower is evident in the mixed levels of support seen for the preservation of the building. As Mr. Tanaka of Kurokawa Kisho Architects explains, there is support for repairing the building, “but then due to budgetary concerns from a small group of people, it was decided after the votes [were collected] from the residents that it is to be demolished,” making way for a new building. On the other hand, international support for preserving the building is enormous and articulate. In a survey by London-based World Architecture News, over 10,000 architects in 100 countries were polled on their thoughts on preserving the tower. The survey results were as follows: 75% for replacing the capsules, 20% for leaving it as is, and 5% for demolition. Even if the tower is demolished, international interest remains high. According to Hidaka, “the 2010 Pompidou exhibition will showcase Japanese architecture, and they want a capsule to exhibit if it is demolished.” Despite the unfortunate possibility of demolition, there are other options for the future of the tower. One is to buy the capsules from the owners one-by-one. That could be an expensive option, but for Hidaka, “it’s worth the cost of buying the capsules if the building can be preserved.” Other possibilities include opening a competition for new interior designs and replacing the current capsules with new ones. If the capsules are replaced, another option is to use the tower as a hotel. But according to Hidaka, Kurokawa tried to do just that and found the situation “difficult.” No one can be sure as to what will happen to Nakagin. But the building and the ideas behind it have represented unique and appreciated contributions to architecture. Jin Hidaka is optimistic that Metabolism can still contribute to architecture and culture. Metabolism can’t be done “the same way anymore, but if we can change the direction we can do it. Because now we have the technology that they didn’t have back then.”The Nakagin Capsule Tower certainly faces a troubled future, so if you’d like to check it out for yourself, do it as soon as possible!


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PARQUE DAS NAÇÕES


diapositivo

Mudam‑se os Tempos Menos as Vontades!

Crónica de Cláudia Matos Silva Ilustração: Vanessa teodoro thevillustrations.blogspot.com

Finais dos anos 80. Mónica e Sandra juntavam-se para comprar as revistas predilectas. Ao mesmo tempo circulava uma petição assinada pelos pais para que o quiosque mudasse de localização evitando que os miúdos deixassem de almoçar na escola, gastando as semanadas na tal Bravo do poster gigante dos New Kids On The Block (NKOTB), a primeira boys band de rapazes brancos. Mónica, à conta de muita fomeca, nem hesitou em comprar a revista, consciente de que não iria perceber uma linha de alemão. Sandra não tinha um tostão e por mais que pedisse aos pais para dispensarem alguns escudos, “se era papel para forrar gavetas ou embrulhar o peixe, as páginas do Correio da Manhã serviam perfeitamente”. Não voltaram a partilhar a mesma carteira nas aulas, a apanhar o autocarro juntas ou a ir à pastelaria do costume comer o tão concorrido pão com chouriço. Pela mesma década, Susana e Catarina firmavam uma amizade para sempre, diziam. Passaram a infância e adolescência juntas, o corredor de uma casa para a outra acolhia triciclos, uma Bota Botilde raspada e algumas Barbies desgrenhadas. Juntas apaixonaram-se pela primeira vez, colaram os corações partidos, limparam mutuamente as lágrimas e decidiram que as mães jamais lhes comprariam roupa sem as consultar previamente. Ouviram lado a lado pela primeira vez os New Kids On The Block e assim se assumiam fãs. Poucos anos mais tarde arrancaram em jeito de rebeldia, própria da idade, os posters dos miúdos copos de leite para dar lugar à recém descoberta e paixão, os Nirvana. Em Janeiro de 2009 e sem qualquer explicação lógica Susana e Catarina, já mulheres feitas, marcam uma pensão baratuxa em Londres, dormem numa cama cheia de chatos, num quarto que cheira a esgoto e tomam banho com água fria. Como se de uma seita religiosa se tratasse, milhares de trintonas em fila no Hammersmith Apollo - com grandes pulmões e algum tecido adiposo extra (que antes não fazia parte do pacote), recuperam velhas t-shirts e as coreografias vistas e revistas até à exaustão em cassetes de vídeo. O motivo da histeria: a reunião excepcional da boys band que marcou uma geração de adolescentes de lés-a-lés, NKOTB. Longa ia a noite e a plateia estaria longe de imaginar a surpresa que os cinco de Boston preparam! Vagueiam pelo meio da multidão, mesmo que precedidos por corpulentos seguranças, espalham o charme enquanto o mulherio “flasha” para que ninguém duvide daquele momento único. Jordan, o elemento favorito das duas amigas portuguesas, parou mesmo à frente delas. E se uma conseguiu um sorriso Colgate, a outra sem inibições lançou-se aos braços do ídolo arrebatando-o com um beijinho repenicado na face. Desde essa altura evitam encontrarse nos cafés, no mercado ou no centro comercial. Trocam mails versão forward e enviam um sms seco pelo Natal. Brandon Flower dos The Killer disse um dia que o Grunge acabou com o divertimento no Rock e eu acrescento que as Boys Band terminam com muitas amizades por esse mundo!

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parq issue june/july