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CNBB – REGIONAL SUL 2 – BOLETIM ON LINE – JANEIRO DE 2011

Estimados irmãos em Cristo Coordenadores e Assessores da Pastoral Familiar do Regional Sul 2 Irmãos no episcopado, saudações! No rastro da Estrela de Belém – Escrevo estas linhas exatamente na Festa da Sagrada Família, mas olhando já para o Ano Novo que o Senhor nos dá, como uma tela em branco, para que a Pastoral Familiar possa ali desenhar como que uma obra de arte. A beleza do que desenhamos nesta tela depende de nossas mãos em conjunto. E estaremos juntos nas atividades, iniciativas, prioridades e programas para fortalecer as famílias que estão nas nossas dioceses, acolher as que estão debilitadas, incentivar as ações que coloquem a Família no centro das atenções na Igreja, questionar a sociedade com campanhas e conscientizações sobre a vida e a Família. Claro que não é bem verdade que esta tela (de 2011) está tão em branco assim. Não começamos o ano a partir do nada. Muitos, antes de nós, construíram esse edifício da Pastoral Familiar que habitamos. Damos graças a Deus por tudo o que foi realizado até aqui. Não estamos sozinhos – Também não é certo dizer que a nossa obra de arte – a Pastoral Familiar – dependa só de nossas mãos. E nem deve ser assim. Se entendemos o significado do Natal, e a encarnação do Verbo de Deus, devemos perceber que o verbo não se encarnou só no passado, no menino do presépio. Se encarnou na história, na nossa história. O que vamos desenhar na tela de 2011 é o re-

sultado dessa parceria. Porque quando estamos abertos ao Verbo de Deus ele se encarna. Agir sem ele é a definição mais curta de pecado. O Senhor veio habitar numa família, a de José e Maria e, desde então, sabemos que uma família habitada por ele está no caminho da santidade, essa é a mais bela obra de arte que podemos realizar em 2011, com as mãos dele. Também não podemos dizer que estamos sozinhos porque, sempre mais, a Pastoral Familiar deve dar as mãos a todos os que estão nas outras atividades, formando uma grande rede. Sem isso, somos como o pião que gira ao redor de si próprio... e cai. Vamos ser, antes, como o fermento que faz crescer a massa.. Nosso boletim está aberto – Mais uma vez agradecemos e valorizamos as matérias que nos foram enviadas, com fotos e realizações das dioceses. Agradecemos desta vez o pessoal de Cascavel e também de Guarapuava pela partilha de suas atividades. Queremos incentivar também as outras dioceses, mesmo que venham tantas matérias que algumas tenham que esperar na fila (ainda estamos longe disso). Sobretudo aquelas que podem sugerir a outras dioceses iniciativas, ideias e propostas semelhantes. Nosso trabalho cresce quando aprendemos nos manuais, mas cresce o dobro quando ouvimos testemunhos. Que o Natal deixe na alma de todos nós uma marca forte de identificação com Cristo, que se estenda pelo ano novo de 2011, com entusiasmo e alegria, por trabalharmos pelo Reino! Dom João Bosco, O.F.M. Bispo de União da Vitória


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Morre lentamente... Pablo Neruda

lho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante... Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar, morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu traba-

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade.

Boletim ON LINE da Pastoral Familiar do Regional Sul II - CNBB Rua Saldanha Marinho, 1266 – 80430-160 Curitiba – PR – Tel.:(41) 3224-7512 Dom João Bosco Barbosa de Sousa Bispo de União da Vitória-PR Representante Episcopal E-mail: dombosco@dioceseunivitoria.org.br Diác. Juares Celso Krum Assessor Regional E-mail: jckrum@yahoo.com.br


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Maioria dos brasileiros não aceita o aborto

Pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pelo portal IG e divulgada no dia 5 de dezembro de 2010, mostra que a grande maioria dos brasileiros continua sendo contrária à legalização do aborto. A pesquisa aponta que 82% dos entrevistados são contra mudanças nas normas jurídicas que regulamentam o tema. Um total de 2.200 pessoas foram entrevistadas. Destas, 1.760 acreditam que a legislação deve continuar da forma atual. Outros 14% dos entrevistados (308) são favoráveis à descriminalização da prática e 4% (88) não tem opinião formada sobre o assunto ou não responderam. Para o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, o resultado corresponde aos sentimentos dos brasileiros, não somente por causa da influência religiosa no

país, mas por suas convicções éticas e morais a respeito da vida. “Este é um dado muito positivo. Mostra que muitas pessoas, mesmos as não religiosas, são sensíveis a este tema e acreditam que o ser humano não é um objeto que se possa expor”, salienta o cardeal. Dom Odilo também destaca que a luta contra o aborto não é apenas uma questão religiosa, mas diz respeito a preservação dos direitos humanos, e a Igreja tem cumprido bem seu papel nesta luta. “Esse resultado nos anima a continuar nossos esforços para influenciar a cultura dos brasileiros em favor da vida e da ética”.

Mais que uma questão religiosa A maior taxa de pessoas que defendem a manutenção da prática na lista de crimes do Código Penal brasileiro – 89% do total está nas regiões Norte e Centro-Oeste. Enquanto o Sudeste apresenta o menor índice – ainda assim elevado – com 77% das pessoas contra a interrupção da gravidez. Outra questão que a pesquisa salientou foi a defesa da descriminalização do aborto que é mais perceptível na opinião de moradores de grandes cidades (19%) do que na de habitantes de pequenos municípios (9%).


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O índice de rejeição à prática do aborto é maior entre aqueles com nível superior e alcança seu cume entre os que se dizem religiosos (86% dos evangélicos são contrários). No entanto, não há mudanças substanciais nos quesitos gênero, idade ou renda.

União homossexual e uso de drogas A pesquisa do Instituto Vox Populi indica que a união civil entre homossexuais não deveria ser permitida no País na opinião de 60% da população, contra 35% que defende esse direito. A rejeição não afeta exclusivamente entrevistados que se declaram religiosos. Entre os que afirmam não ter religião 56% também se dizem contra a união civil entre gays, apesar de o maior índice ser constatado entre evangélicos com 78%.

Os altos patamares de rejeição à prática do aborto são os mesmos entre aqueles que votaram em Dilma e Serra (82%) e são constatados tanto entre eleitores religiosos quanto Outro dado que a pesquisa apresentou entre os que dizem não ter religião (78%), mostrando que o tema não está necessaria- foi que praticamente nove em cada dez brasileiros (87%) são contra a descriminalizamente vinculado a sentimentos religiosos. ção do uso de drogas. A posição é compartilhada por pessoas pertencentes a diferentes religiões, idades, escolaridade e preferências políticas.

Para 72% das pessoas, o futuro governo da presidente Dilma Rousseff não deveria sequer propor alguma lei que descriminalize o aborto. Esta posição é compartilhada por católicos (73%), evangélicos (75%) e membros de outras religiões (69%).


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Prevenção, mitos e erros mais comuns sobre a DENGUE Para tomar medidas preventivas e impedir que a dengue chegue até a sua cidade ou município, a melhor atitude é combater os focos de acúmulo de água. Esses locais são propícios para a criação e reprodução do mosquito transmissor da dengue.

lagens usadas, potes, latas, copos, garrafas vazias.

Ajude o Brasil a combater a dengue. Para prevenir a chegada da doença veja alguns cuidados importantes: Não deixe a água da chuva acumulada sobre a laje.

Se você tiver vasos de plantas aquáticas, trocar a água e lavar o vaso principalmente por dentro com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana.

Se você não colocou areia e acumulou água no pratinho da planta, lavá-lo com escova, água e sabão. Fazer isso uma vez por semana. Manter o saco de lixo bem fechado e fora do alcance de animais até o recolhimento pelo serviço de limpeza urbana. Remover folhas, galhos e tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas. Manter a caixa d’agua completamente fechada para impedir que vire criadouro de mosquito. Jogar no lixo todo objeto que possa acumular água, como emba-

Manter bem tampados tonéis e barris d’água.

Encher de areia até a borda os pratinhos dos vasos de plantas. Colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira bem fechada. Não jogue lixo em terrenos baldios. Lavar semanalmente por dentro com escova e sabão os tanques utilizados para armazenar água. Lavar principalmente por dentro com escova e sabão os utensílios usados para guardar água em casa, como jarras, garrafas, potes, baldes etc. Dengue assintomática “Entre 40 e 50% das pessoas com a doença apresentam o que chamamos de infecção subclínica”, afirma o infectologista Arthur Timerman, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São


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Paulo. Isso significa que ela pode passar facilmente despercebida, como um leve mal-estar. Dengue clássica Corresponde à maioria dos casos. Ocorrem febre, dor de cabeça e atrás dos olhos, dores musculares, enjoo, vômitos, manchas na pele e dor abdominal Dengue hemorrágica O começo é semelhante ao da versão clássica. Mas aqui o quadro clínico se agrava rapidamente, com risco de hemorragias em graus diversos de intensidade. É que os vasos ficam mais permeáveis, o que derruba a pressão e desidrata o paciente. Síndrome de choque da dengue Forma mais grave de dengue hemorrágica, capaz de prejudicar o suprimento de oxigênio para os tecidos. O risco é maior quando houve alguma falha no tratamento. “Este medicamento é contraindicado em caso de suspeita de dengue” O aviso, repetido ao final de propagandas de medicamentos, merece atenção. Quem foi contaminado pela dengue deve passar longe de analgésicos à base de ácido acetilsalicílico, substância que diminui o número de plaquetas no sangue e aumenta o risco de hemorragias. “E a infecção, por si só, já predispõe o indivíduo a distúrbios de coagulação”. Segundo as últimas diretrizes para controle da dengue da OMS, que acabam de ser publicadas, outras substâncias entram na lista de contraindicados. O ibuprofeno, um tipo de anti-inflamatório é um deles. A seguir alguns mitos e erros sobre a DENGUE:

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Leitura Orante da

BÍBLIA A Palavra de Deus, que encontramos nas Sagradas Escrituras, é uma das fontes da fé e da missão: sustenta a caminhada, inspira o encontro com Jesus Cristo, orienta e anima a prática da justiça e da solidariedade. “Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada, à qual somos todos convidados: a Lectio Divina (exercício da leitura orante da Bíblia), com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração e contemplação) favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo” (DAp, nº. 249). As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora – DGAE-2008/2010, da CNBB, conforme orientação do Concílio Vaticano II, incentivam a prática da Leitura Orante da Bíblia e dos círculos bíblicos, de modo que a Palavra de Deus ilumine a realidade da vida, animando para o compromisso evangélico a serviço do Reino de Deus. A Leitura Orante vem de longa tradição. Os monges a introduziram na prática cristã das comunidades. Quer ajudar os cristãos e as cristãs a se tornarem um com a Trindade, assim como Jesus e o Pai são Um em plena comunhão. A Lectio Divina está relacionada intimamente a uma prática – ao trabalho. Como os monges, a leitura orante quer unir uma vida orante com trabalho cotidiano pela promoção da vida em abundância para todos. Em preparação aos encontros e aos momentos de leitura orante, é preciso escolher previamente um texto. Pode ser o da liturgia do dia ou um texto adequado ao momento vivido pela comunidade ou pela pessoa. Ao iniciar a lei-

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tura, é importante procurar aquietar-se, fazer silêncio e buscar a interioridade. Pode-se fazer isso recitando ou cantando um refrão meditativo ou pausadamente fazer a oração que Jesus ensinou – o Pai nosso.

“Desça como a chuva, a tua Palavra. Que se espalhe como orvalho, como chuvisco na relva. Como aguaceiro na grama. Amém!” (Dt 32, 2) Assim é nosso encontro com a Palavra de Deus. Quando a escutamos atentamente, a vida se transforma. Mudamos de idéias e perspectivas. Nossos olhos se abrem e todo o nosso corpo se torna ação em favor da vida. A Leitura Orante é uma experiência pessoal e comunitária de escuta e de obediência à Palavra de Deus. Ela aquece o coração como aos discípulos de Emaús pelo caminho (Lc 24, 13-35) em direção da novidade que deve ser enxergada pela prática da hospitalidade e da partilha. É uma experiên-


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cia litúrgica. É mistagógica, quer dizer, ajuda a entrar no mistério de Cristo e encontrálo. “A Palavra de Deus é dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo, caminho de autêntica conversão e renovada comunhão e solidariedade” (DAp. nº 248). Nos documentos que prepararam e acompanharam o Sínodo, falou-se dos vários métodos para se abeirar, com fruto e na fé, das Sagradas Escrituras. Todavia prestou-se maior atenção à lectio divina, que «é verdadeiramente capaz não só de desvendar ao fiel o tesouro da Palavra de Deus, mas também de criar o encontro com Cristo, Palavra divina viva».

Quero aqui lembrar, brevemente, os seus passos fundamentais: começa com a leitura (llectio) do texto, que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si? Sem este momento, corre-se o risco que o texto se torne somente um pretexto para nunca ultrapassar os nossos pensamentos. Segue-se depois a meditação (m meditatio), durante a qual nos perguntamos: que nos diz o texto bíblico? Aqui cada um, pessoalmente, mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente. Sucessivamente chega-se ao momento da oração (o oratio), que supõe a per-

gunta: que dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra? A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor é o primeiro modo como a Palavra nos transforma. Finalmente, a lectio divina conclui-se com a contemplação (ccontemplatio), durante a qual assumimos como dom de Deus o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interrogamo-nos: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede? São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma: «Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito » (12, 2). De fato, a contemplação tende a criar em nós uma visão sapiencial da realidade segundo Deus e a formar em nós «o pensamento de Cristo» (1Cor 2, 16). Aqui a Palavra de Deus aparece como critério de discernimento: ela é «viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes; penetra até dividir a alma e o corpo, as junturas e as medulas e discerne os pensamentos e intenções do coração» (Hb 4, 12). Há que recordar ainda que a lectio divina não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (a actio), que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade (Verbum Domini, nº 87).


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Uma experiência de adoção (*)

Para nós a decisão de adotar nasceu da exigência, poderíamos até definir como necessidade, de viver plenamente, até às últimas conseqüências, a nossa relação conjugal, a nossa condição de adultos. Adotar foi a forma de responder à exigência de ser pai e mãe, ou seja, de gerar filhos, ainda que não biologicamente.

Confrontamos este desejo com algumas pessoas que foram cruciais na tomada da decisão, dentre elas: Pe. João Carlos Petrini, Pe. Stefano e Ana Micheline. O ato de adotar colocou para nós de forma radical e inequívoca o problema do acolhimento, aspecto enfatizado por Pe. João Carlos no Batizado de Ana Luiza, quando chamava a atenção para a capacidade de acolher o diferente como um sinal do reconhecimento de que somos acolhidos por Deus incondicionalmente. De fato, reconhecer que somos amados e abraçados por Cristo (“até a medula”), através de uma companhia humana concreta, é a condição para nos tornarmos capazes de amar o outro, de acompanhá-lo, passo a passo, na aventura do conhecimento rumo ao destino bom. Num primeiro momento, quando adotamos Ana Luiza, agora com quase quatro

anos, percebemos como é difícil abraçar o outro, o filho gerado biologicamente por outra pessoa, mas a presença dela se impôs e, hoje, somos gratos a Deus por ter posto alguém tão especial em nossas vidas. Na chegada de João Paulo, que completou cinco meses recentemente, ficamos comovidos com o olhar puro de Ana Luiza que o acolheu imediatamente, sem os preconceitos da aparência, numa adesão total à realidade. Olhar para João Paulo nos primeiros dias era vislumbrar a imagem da fragilidade. No entanto, da sua fragilidade (ficou quinze dias internado por causa de uma infecção respiratória) emanava uma força, uma vontade de viver tamanha que tocou o coração de muitas pessoas. Nossa amiga Isabela, por exemplo, nos escreveu sobre ele: “Depois da caritativa passamos na casa de vocês para vê-lo e quando olhei para ele vi aquele olhar que pedia para viver. Fiquei realmente tocada porque pensava: eu também sou este pedido de ser, se eu fosse simples poderia ter o olhar de João Paulo, aquele olhar virginal. Amar uma pessoa porque ela existe e não porque a possuo é o máximo da caridade. É dramático, mas, ao mesmo tempo, fascinante. Obrigada por terem aceitado e amado João Paulo”.

Cristo nos ama, e quis nos dar estes dois filhos d’Ele para que nós colaborassemos com a sua criação, com a tarefa de revelar a eles a grandeza do amor do Pai. É confortador saber que não estamos sozinhos nesta caminhada. Somos gratos a todos os amigos que, mesmo distantes, zelam por nossas vidas. Gilberto e Arlete – Salvador/Bahia (*) Disponível no site: http://www.humanaaventura.com.br


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Nota da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o livro "Luz do Mundo" QUI, 23 DE DEZEMBRO DE 2010 - CNBB

Depois da polêmica pelas interpretações de alguns setores da imprensa sobre um extrato do livro-entrevista do Papa Bento XVI “Luz do Mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou terça-feira, 21 de dezembro de 2010, uma Nota na qual afirma que o Santo Padre não mudou a doutrina da Igreja sobre o preservativo. Na nota publicada com o título “Sobre a banalização da sexualidade. A propósito de algumas leituras de Luz do mundo”, a Congregação para a Doutrina da Fé denuncia que as palavras do Papa sofreram “diversas interpretações não corretas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual”. Não raro, - destaca a nota - o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se forem lidos inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do

projeto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização da mesma, hoje generalizada. Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns viram como uma mudança positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a ação eclesial na luta contra o HIV-AIDS. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. “Luce del mondo”, 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da práxis pastoral da Igreja. Como resulta da leitura da página em questão, - continua a nota da Congregação para a Doutrina da Fé - o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que “se exclui qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”. A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contrário, - afirma a Congregação para a Doutrina da Fé - a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer “mais e melhor” (“Luce del mondo”, p.


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206), ou seja, os caminhos que respeitam integralmente o vínculo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada ato conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável. Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativa à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: “Fugi da imoralidade” (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição deve ser combatida, e as entidades assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas. A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da atual difusão do vírus HIV-AIDS, em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento, comete também um pecado contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública. A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem “a solução autêntica e moral” do problema do HIV-AIDS e afirma também que “se concentrar só no preservativo significa banalizar a sexualidade”, porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso, é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, “com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode, entretanto, representar um primeiro passo na estrada

que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana”. Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: “Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV”. Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado “mal menor”. Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nº 75-77). Toda a ação que pelo seu objeto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente desejada. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforçase por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado. Na conclusão a nota afirma: na luta contra o HIV-AIDS, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimônio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. “Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade” (“Luce del mondo”, p. 170).


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CONFRATERNIZAÇÃO EM CASCAVEL DORACI LUIZ E SOELI REICHERT

Nós somos coordenadores da Pastoral Familiar da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do bairro Cancelli em Cascavel Pr. e temos como pároco o Pe. Adimir Antonio Mazali.

Tomamos a liberdade de lhes comunicar sobre a nossa confraternização de encerramento das atividades de 2010, no dia 27 de novembro. Podemos dizer que foi um ano muito pródigo em bons frutos mediante as diversas atividades e eventos em que a Pastoral Familiar esteve envolvida.

E para fecharmos muito bem o ano, fizemos o nosso baile do Havaí, num ambiente maravilhoso, com o congraçamento entre as famílias, numa alegria muito grande por parte dos quase 100 participantes na festa, onde pudemos contar com a presença do Pe. Adimir, nosso pároco, Pe. Vitor que ajuda o Pe. Adimir em nossa comunidade, e também o Pe. Geremias da Diocese de Francisco Beltrão/Palmas, além de dois seminaristas.

Foi uma noite abençoada, e muito bonita como pode ser comprovado em algumas fotos.


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PASTORAL FAMILIAR E CATEQUESE DECANATO CENTRO DIOCESE DE GUARAPUAVA

Aconteceu nos dias 27 e 28 de novembro no campo do Seminário Diocesano Nossa Senhora de Belém, a 1ª Gincana jovem para adolescentes da crisma Decanato Centro.

Uma Gincana organizada pela Pastoral Familiar envolvendo adolescentes e jovens super animados do grupo Crisma com aproximadamente 400 jovens que realizaram tarefas como: doação de sangue, arrecadação de materiais de higiene e limpeza, remédios, pescaria bíblica, apresentação de uma paródia com o tema “O jovem de hoje”, desafio da mentira, gol em três pés, sendo que o mais importante foi a participação animada das equipes e o encer-

ramento deste maravilhoso encontro com o Show da Banda jovem e católica “New Glory” que veio de Ponta Grossa para este evento. Todas as equipes foram merecidamente premiadas pois: trabalhar com os jovens é acreditar que é possível sua transformação como agente participativo, criativo, curioso, comprometido e responsável por sua qualidade de vida e pelo mundo. Parabéns às três primeiras colocadas, equipe da Dom Bosco 1º lugar, equipe da Santos Anjos 2º lugar e equipe da São Pedro 3º lugar.

Enviada por: Gerson e Dalva coordenadores da Pastoral Familiar da Diocese de Guarapuava


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Bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus Os mistérios cristãos evocados durante o terço, saem da Bíblia. Nele convivemos com a história da salvação. Nele entramos em contato com o natal, com os pastores, com Zacarias, com Isabel, com José, com Jesus crescendo, com Jesus adulto, tudo distribuído numa didática bastante interessante. Enquanto rezamos o terço, acompanhamos todo o peregrinar terreno de Jesus, o Cristo, o Filho. O Filho enviado do Pai na encarnação, Cristo sofrendo na carne, suando sangue na agonia do horto. Cristo flagelado no pretório, Cristo carregando a cruz, Cristo pregado na cruz em nosso lugar, Cristo ressuscitando, Cristo voltando ao Pai, Cristo enviando o Espírito Santo para acompanhar a Igreja. Todos estes são mistérios de Cristo e do terço, os mesmos mistérios cristológicos da Bíblia e do Evangelho. Portanto, o terço é uma oração que nos transporta para dentro da Bíblia, para dentro do Evangelho, fazendo-nos voltar à vida impregnados do espírito bíblico, embebidos do espírito evangélico. A Virgem Maria aparece ao lado de Cristo, seu filho Jesus; com o Cristo nos braços, com o Cristo no Templo, acompanhando o Cristo no Calvário, participando da glorificação de Cristo no cenáculo. Portanto, é o próprio mistério de Jesus Cristo que ocupa o centro do terço. Por isso nós não podemos rezá-lo em profundidade se desconhecemos um mínimo de Jesus Cristo, um mínimo do Evangelho. À medida que rezamos o terço, penetramos mais no mistério de Cristo, ganhamos mais intimidade com Cristo. E à medida que nos tornamos mais íntimos de Cristo, crescemos mais na fé, crescemos cada vez mais no

amor. Se “Jesus Cristo é tudo que Deus oferece ao homem”, Deus não quis fazer esse ofertório dispensando Maria. Maria é a patena do divino ofertório. Fechar-se a este fato é recusar um detalhe relevante no mistério de Cristo. Porque, como escreve são Paulo, “Cristo nasceu de uma mulher” (Gl 4,4), e essa mulher não é, por isso, uma Maria qualquer. Essa mulher é saudada por vozes humanas e angélicas, que a Igreja primitiva soube guardar no Evangelho, para orientar todas as igrejas até o dia do Apocalipse, quando a Mulher aparecer vestida de sol, com a lua debaixo dos pés, coroada de estrelas (Ap 12,1). Por que apedrejar o coração desejoso de se associar a tais louvores? Não apenas as pedras louvariam a mãe de Cristo. O próprio evangelho continuaria louvando. O terço é uma pedagogia de transformação cristã, por meio do espírito evangélico cordialmente assimilado. Embora, tenha aparecido apenas treze séculos depois do nascimento do cristianismo, o terço possibilita uma vida mística “primitiva”, fazendo-nos participar de um Cristo que não é desligado de suas raízes eternas, nem desvinculado de seus ramos humanos. De um Cristo que não é amputado do Pai celeste, nem do Espírito Santo, nem daqueles que na terra são criados à imagem de Deus. Rezando-o, saímos da calçada da Fé e ingressamos no santuário da Fé, o amor de Deus, amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo comunicado pela intimidade com Jesus Cristo, intimidade que o terço alimenta de modo admirável. Essa cristologia do terço, nutre-se, e muito, daquele versículo evangélico: “bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus ”.


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Fevereiro Março Mês

Data

FEV

19 e 20

Evento Reunião – Coordenação da CRPF Encontro – Multiplicadores de Defesa da Vida

MAR

18 a 20

1º Encontro Nacional dos Representantes Regionais do INAPAF

19 e 20

Encontro – Multiplicadores de Defesa da Vida

20 a 22

Encontro Nacional – Reflexão e Espiritualidade para Coordenadores Regionais e Diocesanos – Casos Especiais – 2ª união

Local / Responsabilidade Curitiba/ PR Província de Curitiba/ PR Brasília/ DF Província de Maringá/ PR São Paulo/ SP

A oração: Banho de Deus Certa vez, uma criança perguntou a seu pai: “Papai, por que a gente precisa tomar banho todo dia?” O homem ficou surpreso. Tantas vezes na vida fazia isso naturalmente, sem pensar, e agora necessitava explicar o porquê. Chamou o menino e lhe disse: “Meu filho, o banho limpa a pele, ajuda-nos a manter a saúde, a relaxar o corpo e a descansar a mente. Nada melhor que um banho depois de um dia pesado de trabalho. Quando a gente se banha, parece que as coisas ruins saem pelo ralo, junto com a água e o sabão. Ficamos mais alegres. Tem gente que canta no banheiro e outros têm momentos de inspiração, na qual nascem poesias, idéias e projetos. Além disso, o cheiro bom do sabonete e do xampu ajuda a convivência a ficar mais agradável e atraente. Há até banhos medicinais, com ervas, para curar doenças. Você vê quanta coisa boa vem com o banho: limpeza, descanso, energia, cura, criatividade e cheiro bom”. A oração é como um bom banho. Embora já estejamos encharcados pela presença de Deus em nós, suas criaturas, na história e em cada um de nós, necessitamos, de forma livre e consciente, entrar nessa água viva e deixar ela circular em nós. A oração nos purifica dos pecados e do mal, faz a gente descansar em Deus, renova nosso coração, contribui para a cura interior, e nos faz ser sinais do “bom odor de Deus” no mundo. Mergulhamos em Deus e nos abrimos para que a água viva de sua graça penetre em nossos poros, no corpo e na alma. A oração cristã é como um banho temperado que mistura, na dose certa, água quente e água fria. A água quente é o consolo, a paz, o repouso, a cura, a sintonia que o Senhor nos dá. A água fria é vida que pulsa em nós, nos desperta e chama para a missão. Percebemos, como os profetas, que o mun-

do não é como Deus quer, e nos comprometemos a servir ao Senhor e ao seu Reino. Que pena, quando a oração pessoal e comunitária deixa de ser uma necessidade que a gente busca, porque sabe que faz bem, e se transforma numa obrigação ou em algo social, de aparência. São banhos mal tomados, que não limpam nem descansam. Acontece como aquele que rapidamente joga água na cabeça e lava o rosto, dando a impressão que tomou banho. Cedo ou tarde, os outros vão sentir o cheiro ruim. Os profetas da Bíblia nos alertam que a oração a Deus, para ser verdadeira, deve vir do coração. Ninguém pode comprar a Deus com sacrifícios e práticas religiosas de aparência. É perigoso e mentiroso o culto a Deus, se não estiver acompanhado da justiça e da luta pelo bem (cf. Is 1, 10-20). Seria como lavar-se na água suja. Ou mergulhar no mar com uma roupa de plástico impermeável. A água não penetra. A oração verdadeira traz consigo o desejo de conversão e o compromisso de realizar a vontade de Deus neste mundo. Nós rezamos sozinhos e também junto com os outros. A comunidade cristã descobriu, desde o começo, que a oração comunitária tem um valor imenso e incomparável. É como se a gente saísse do chuveiro da nossa casa e fosse para um grande lago, alimentado por um rio com pequenas cascatas. Quando estamos juntos, na beira do rio, comemos, bebemos e nos alegramos, brincamos e recebemos a energia e o calor do sol. Rezar, sozinho ou em grupo, é mergulhar em Deus. Sintonizar com o Senhor, ouvir sua Palavra e reconhecer sua presença na nossa vida. Há muitas maneiras de rezar e diversas direções na oração, como o louvor, a ação de graças, a súplica, o pedido de perdão, o oferecimento. Mas o fundamental é permanecer em Deus. A oração é somente uma parte da nossa relação com Deus, por meio de Jesus. Ninguém fica dentro da banheira ou debaixo do chuveiro o dia todo, tomando banho. O exagero faz mal. Como recebemos água não somente no banho, mas também nas bebidas e nos alimentos, sentimos a presença de Deus em muitas coisas da vida. Para a fé cristã, a oração e prática, contemplação e luta, confiança em Deus e compromisso social vão juntos. Deus está igualmente presente nelas.


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SANTO DO MÊS O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja qu e mer ece uma data à parte: 25 de janeiro. Neste dia, no ano 1554, deu-se ta mbém a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homena gem a tão importante acontecimento. Saulo, seu nome original, nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um pólo de desenvolvimento financeir o e comer cial, um populoso centro de cultura e diversões munda nas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benja mim, e, também, u m homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto. Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de C idadão Roma no, que por tradição era legado aos filhos. Sua mã e uma dona de casa muito ocupada com a for mação e educação do filho. Portanto, Saulo era um cidadão r oma no, fariseu de linhagem nobr e, bem situado financeira mente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinz e anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, gr ego e hebraico, na conhecida Escola de Ga ma liel, onde r ecebia séria educação religiosa funda mentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queria m um grande Rabi, no futuro. Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, ma gro, de nariz aquilino, feições mor enas de olhos negr os, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativa nte marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel. Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o fer ozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estêvão travou acirrado debate no templo judeu, cha ma do Sinédrio. Ele tanto cla mou contra Estêvão que este acabou apedr ejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio.

“Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulo s do Senhor. Apre-

sentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediulhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os ho mens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?'. Saulo então diz: 'Quem és, Senhor?'. Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão'. Trêmulo e atônito, disse Saulo: 'Senhor, que queres que eu faça?' respondeu-lhe o Senhor: 'Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer'” (At 9, 1-6). Depois Saulo teve uma visão com Ana nias, um velho e r espeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobr e sua cabeça fez Saulo voltar a enxer gar, curando-o. A conversão se deu no mesmo instante pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Da masco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo. Sua conversão cha mou a atenção de vários círculos de cidadã os importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festeja da no dia de sua consagração em 18 de novembro. O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. As cartas que escr eveu, expondo a mensagem de Jesus, transformaram-se numa verda deira "Teologia do Novo Testa mento". Também é o patrono das Congr egações Paulinas que continua m a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.


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CNBB repudia campanha espanhola que relaciona o preservativo e a Eucaristia Corpo de Cristo (cf. Mc 14,12-16.2226), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, fiel à sua missão, considera-se no dever de se manifestar junto às Autoridades espanholas para expressar-lhes perplexidade e repúdio a esse grande desrespeito à Eucaristia que é o centro e o ápice da vida da Igreja católica”.

Imagem da campanha denunciada pela CNBB que diz: "Bendita a camisinha que tira a AIDS do mundo".

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na terça-feira, 21 de dezembro de 2010, uma nota de repúdio à campanha de incentivo ao uso de preservativos lançada na Espanha, que teve repercussões no Brasil, relacionando a camisinha à Hóstia Consagrada. Segundo os bispos brasileiros, a atitude é um "desrespeito à Eucaristia", e "fere profundamente os sentimentos religiosos dos católicos". A nota dos prelados da CNBB, esclarece também que “a preocupação em evitar a propagação da Aids (SIDA) não justifica iniciativas dessa natureza”. “Em face à campanha lançada pelas Juventudes Socialistas de Andalucía (JSA), na Espanha, incentivando o uso de preservativos e, ao mesmo tempo, relacionando a camisinha à hóstia consagrada que, de acordo com a fé católica, é verdadeiramente o

“Não podemos silenciar diante dessa grande ofensa que fere profundamente os sentimentos religiosos dos católicos”, assevera nota da CNBB assinada pelo seu presidente, Dom Geraldo Lyrio Rocha e também pelos bispos Dom Luiz Soares Vieira e Dom Dimas Lara Barbosa, respectivamente, vice-presidente e secretário geral da entidade. “A preocupação em evitar a propagação da Aids (SIDA) não justifica iniciativas dessa natureza. Essa Campanha, que repercutiu também aqui no Brasil, manifesta uma atitude preconceituosa, inadequada e ofensiva à nossa fé”, destacam os bispos brasileiros. “No âmbito de suas atribuições e responsabilidades, a CNBB deseja contribuir para que o homem e a mulher cresçam no diálogo, no respeito à liberdade, na defesa da vida, na promoção dos direitos humanos e na conquista dos verdadeiros valores que os tornem felizes conforme os planos de Deus”, conclui a nota da Conferência Episcopal brasileira.


Informativo Pastoral Familiar