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investigação e apontou as “relações pertinentes que se revela(ra)m através da música, da religiosidade e do estigma da malandragem; (que foram) as três marcas identificadoras que nos envolvem como brasileiros [...]” (BRUHNS, 2000, p. 13) Apesar de ser em uma proposta “ambiciosa”, pois trata de fenômenos complexos do ponto de vista da dinâmica social, a autora apresentou resultados extremamente importantes para o conhecimento dessas manifestações, partindo do olhar de uma estudiosa da área de Educação Física/Estudos do Lazer. Alguns de seus apontamentos discutem temas relevantes que envolvem a Capoeira e sua relação com a Educação Física, como a participação feminina em sua prática, a ludicidade expressa na sua fruição, o estigma da malandragem, entre outros. Logo quando inicia os estudos referentes à Capoeira, a autora nos mostra a importância da história desta manifestação para os seus praticantes. Vejamos que interessantes suas observações: Na capoeira, o espaço da história e para histórias sempre surge, quer na própria ‘roda’ em que o jogo ocorre, quer nas rodas dos bares, ou simplesmente naquelas informalmente compostas nas ruas, nas praças ou outro espaço público onde se manifestam demonstrações e espetáculos. Contar a história da capoeira está no “sangue” do bom capoeirista, o qual parece sempre pronto para iniciar uma conversa remetendo a episódios passados. (BRUHNS, 2000, p. 23)

Este contar histórias revela uma das maneiras de (re)criação constante da manifestação cultural Capoeira. É desta maneira que se criam os personagens, mitos e a identidade entre seus praticantes, mas também se reforçam as hierarquias de poder e mantém-se a estrutura de dominação em seu universo. A contação de histórias no meio capoeirístico constitui uma atividade ambígua, pela qual se perpetuam suas tradições, recriando estruturas de poder por vezes caducas, ao mesmo tempo em que renova sua prática e cria condições para o emergir do novo em seu universo. O percurso histórico da Capoeira abordado pela autora é dividido em três momentos e pautado nas colocações de Letícia V. S. Reis (apud BRUHNS, 2000). O primeiro, “sua criminalização”, é subdividido em “período de contravenção penal” (do começo do século XIX até 1890) e “período de criminalização” (até a década de 1930); o segundo é sua “legalização” e o terceiro é a sua “institucionalização como esporte oficial” (1970). Podemos dizer que a autora realizou uma breve análise do que foi a Capoeira a partir do início do século XIX, no ambiente urbano da cidade do Rio de Janeiro. Valendo220

A Educação Física Na Roda De Capoeira... Entre A Tradição E A Globalização - Paula Cristina D  

ENTRE A TRADIÇÃO E A GLOBALIZAÇÃO Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Educação Física Campinas/SP Outubro/2002 Paula Cristina da...

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