Issuu on Google+

repovoamento com novas espécies). “Os estudos deverão fornecer subsídios a futuros programas e ações ambientais de conservação da diversidade, preservação e recuperação de áreas pesqueiras dessa e outras bacias hidrográficas.” “Este projeto criará ferramentas eficazes para a conservação ambiental e manutenção dos estoques pesqueiros e da biodiversidade da bacia hidrográfica do rio Paranapanema, com reflexos ecológico, ambiental e socioeconômico”, acentua a coordenadora Fernanda Simões. A identificação das áreas de desova e recrutamento é importante para implementar medidas de orientação e proteção dessas áreas, envolvendo a população ribeirinha nos projetos de conservação e manutenção, além dos órgãos de fiscalização.

Banco de Imagens Departamento Biologia UEL

O grupo de estudos de ecologia e genética de peixes da UEL estuda a bacia do rio Paranapanema há mais de 15 anos. Os resultados mostram uma diminuição da diversidade de espécies e da variação genética. “Esse declínio deve-se principalmente ao represamento em cascata do rio Paranapanema, introdução de espécies de peixes não nativas e desmatamento das margens”, explica o biólogo Mário Luis Orsi, professor de Ecologia da UEL. Orsi, que é responsável pela parte de campo e biológica do projeto, revela que estudos procuram levantar quais as espécies de peixes que estão efetivamente conseguindo permanecer neste ambiente durante todo o ciclo reprodutivo. Também é feita a análise conjunta de ecologia e genética de peixes, bem como o diagnóstico de recrutamento (criadouros para

Banco de Imagens Departamento Biologia UEL

O DECLÍNIO DAS ESPÉCIES

Coleta de espécies de peixes para pesquisa

AS ESPÉCIES AMEAÇADAS São mais de 20 as espécies ameaçadas de extinção, segundo o livro vermelho do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Algumas delas são o dourado, a piracanjuba, a pirapitinga, a piapara, o surubim do Paranapanema, o pintado, o barbado e o cascudo preto. “Há risco de desaparecimento destas espécies, caso não consigam efetivar seu recrutamento e pôr fim à pesca predatória e impactos com espécies não nativas”, alerta a professora Ana Cláudia Swarça, da área da Citogenética da UEL.

Pesquisadores trabalhando no laboratório do departamento de biologia da UEL

PRESERVAR PARA NÃO FALTAR Os afluentes dos grandes rios, que frequentemente servem como rotas alternativas à reprodução de peixes, levam grande número de ovos e larvas à bacia do Paranapanema, especialmente quando os trechos do rio principal estão represados. As informações obtidas neste trabalho, como os dados de biologia e ecologia de ovos, larvas, alevinos e de genética, servirão como subsídios a futuros programas ambientais. “Visamos basicamente à preservação das espécies”, acrescenta

a professora Fernanda. Outras metas são a recuperação da ictiofauna (conjunto das espécies de peixes da bacia) com a otimização dos programas de recuperação e melhoria do estoque pesqueiro, auxílio na produção de peixes e determinação das espécies propícias e necessárias à bacia hidrográfica do Paranapanema. “Tratase de um levantamento inédito, já que nunca foi feito um estudo deste nível em reservatórios”, garante a coordenadora do projeto da UEL.

AVALIAÇÃO GENÉTICA A pesquisa é denominada “Avaliação genética molecular e biológica das principais áreas de recrutamento nas porções média e baixa do rio Paranapanema, com mecanismo de otimização dos programas de conservação e recuperação do estoque pesqueiro”. Iniciada em 2012, vai durar 36 meses e tem a parceria da Duke Energy, Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina- FAUEL.

PARANÁ FAZ CIÊNCIA

39


Revista Parana Faz Ciência - Edição 1