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A sociedade civil coreana, unida, aumentou radical e rapidamente o impacto da educação em qualidade e quantidade. O dispêndio coreano em P&D per capita é atualmente de US$ 1.088/ano, enquanto este mesmo investimento no Brasil chega ao tímido valor de US$ 134. Como consequências econômicas trivialmente compreensíveis, a Coreia do Sul efetuou em 2012 cerca de 30 mil solicitações de patentes no escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos, enquanto o Brasil depositou apenas 679 pedidos, ou seja, quarenta e cinco vezes menos. Ao observar, finalmente, que o Brasil é responsável

atualmente por volta de 2,7% da ciência produzida mundialmente (medida pelas publicações em periódicos científicos indexados pela Thomson/ISI), e é o sexto país com maior crescimento de artigos publicados entre 2001 e 2009 (sendo que a Coreia do Sul ocupa o 3º lugar), chegamos à natural conclusão de que a inovação, que acelera o crescimento econômico de uma nação e se reverte sistematicamente em bem-estar para a população, é bem mais que a produção de pesquisas e formação de mestres e doutores. Inovação é a conversão do conhecimento em empreendimentos privados, que transformam a ciência em produtos, processos ou serviços, e sustenta negócios produtivos, competitivos e lucrativos que se revertem em crescimento econômico, geração de renda e aumento da qualidade de vida do cidadão.

Banco de Imagens

Onde está o grande segredo desta impressionante ascensão da Coreia do Sul? É surpreendente constatar que se tratou de “apenas” uma constante e inabalável determinação da sociedade civil coreana, unida em (1) aumentar radical e rapidamente o impacto da educação em qualidade e quantidade, (2) descomplicar e incentivar o relacionamento universidade-empresa e o empreendedorismo tecnológico de alto impacto e (3) escolher de forma clara e focada um posicionamento estratégico global unívoco em termos de economia baseada em conhecimento. Em números, enquanto a Coreia do Sul investe anualmente 3,3% do seu PIB em atividades de P&D, 2,45% provenientes do setor privado, o Brasil investe 1,2% nestas mesmas atividades, sendo apenas 0,55% do setor privado. Enquanto na Coreia do Sul 78% dos pesquisadores trabalham nas empresas, no Brasil apenas 26% dos mestres e doutores estão inseridos nas atividades do setor privado.

A Lei de Inovação do Paraná, sancionada em setembro de 2012, demorou muito para chegar, infelizmente. O Paraná era um dos últimos estados brasileiros em que tal legislação, que regulariza o relacionamento entre universidades e empresas, inexistia. Da mesma forma, sem a lei, o Paraná não tinha possibilidade de converter recursos públicos arrecadados pelo Governo do Estado em mecanismos de fomento à atividade de inovação na

empresa, por meio de subvenções econômicas ou incentivos fiscais. Necessitamos neste momento ter muito foco para compensar o tempo perdido. É neste sentido que os dinâmicos e estratégicos movimentos da nossa Fundação de Apoio à Pesquisa, a Fundação Araucária, têm sido, na nossa avaliação, muito valiosos para a sociedade paranaense.

O TECNOVA-PR deverá criar condições favoráveis para o crescimento rápido de empresas inovadoras nascentes. Como exemplo, o lançamento próximo do TECNOVA-PR, um instrumento de subvenção econômica para micro e pequenas empresas inovadoras, liderado pela Fundação, cujo recurso disponível será de R$ 30 milhões. O TECNOVA-PR deverá criar condições favoráveis para o crescimento rápido de empresas inovadoras nascentes. Outro exemplo deste posicionamento focado da Fundação Araucária, em termos de inovação, é o programa de Pós-Doutorado em Empresas. Entrando agora na sua segunda edição, o programa permitirá o financiamento de 15 bolsas de pós-doutorado por três anos, visando a inserção de pesquisadores em empresas, para estimular o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica. Com uma vontade renovada de promover um diálogo respeitoso, ético, e ao mesmo tempo, corajoso entre o setor público - em particular, universidades - e o setor privado, temos em nossas mãos os artefatos processuais necessários para mudar a realidade social do mundo em que vivemos. Se desejarmos, portanto, conhecer o nosso futuro, basta neste momento desenhá-lo juntos.

PARANÁ FAZ CIÊNCIA

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Revista Parana Faz Ciência - Edição 1