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ARTIGO

ALTO IMPACTO E INOVAÇÃO NO DIÁLOGO UNIVERSIDADE-EMPRESA Para a população usufruir plenamente dos benefícios da ciência gerada nas universidades, é vital acelerar o desenvolvimento de instrumentos que insiram o conhecimento e a pesquisa nas empresas Filipe M. Cassapo - Centro Internacional de Inovação - Senai PR

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studar de forma comparativa as trajetórias da Coreia do Sul e do Brasil nos últimos trinta anos tem sido um exercício muito valioso para compreendermos a importância do diálogo universidadeempresa para a geração de bem-estar social. Há trinta anos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Coreia do Sul era de 0,72, um valor comparável com o patamar atual de países como Bolívia, Vietnã ou Guiné Equatorial. Nesta mesma época, em 1980, o Brasil tinha um IDH de 0,68, que poderia ser comparado com os números atuais do Tadjiquistão ou da Namíbia. Trinta anos depois, em 2012, a Coreia do Sul chegou a um IDH de 0,90, erguendo-se ao 12º lugar da classificação mundial deste indicador, ao lado de países como Canadá e Dinamarca, e ultrapassando Israel, França e Finlândia. Portanto, enquanto a Coreia do Sul concretizou em apenas uma geração um crescimento espetacular de 30% no seu IDH, o Brasil viveu um

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PARANÁ FAZ CIÊNCIA

crescimento de apenas 19% no mesmo período, encontrando-se atualmente na 85ª posição, atingindo 0,73, o que o posiciona ao lado de países como a Jamaica e Azerbaijão.

Enquanto a Coreia do Sul concretizou em apenas uma geração um crescimento espetacular de 30% no seu IDH, o Brasil viveu um crescimento de apenas 19%. Como o Brasil, sexta maior economia mundial, com um PIB de US$ 2,4 trilhões; quinto país mais populoso e mais extenso do mundo, com 194 milhões de habitantes e uma área total de 8,5 milhões de metros quadrados, pode ter um PIB per capita de apenas US$ 11.875, três vezes in-

ferior ao da Coreia do Sul, que culmina a US$ 31.753? Uma breve análise da atividade econômica e da pauta de exportação dos dois países é suficiente para responder a esta pergunta. Enquanto a pauta de exportação brasileira continua dominada por produtos de baixa intensidade tecnológica, ou seja, commodities como minério de ferro, soja ou carne, a Coreia do Sul operou uma verdadeira revolução através do conhecimento e da inovação, sendo hoje uma potência econômica global líder na produção e exportação de dispositivos semicondutores. Ao basear sua economia no desenvolvimento industrial e exportação de bens como circuitos integrados, cujo valor “por tonelada” é de cerca de US$ 850 mil, a Coreia do Sul terá, necessariamente, um PIB per capita e, consequentemente, um IDH superiores aos de qualquer país cujo posicionamento econômico global consiste na exportação de minério de ferro (US$ 115 por tonelada) ou o de soja (US$ 560 por tonelada).

Revista Parana Faz Ciência - Edição 1  

Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Fundação Araucária - Ano 1 - Nº 01 - Outubro 2013 - Distribuição Gratuita

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