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NA CARDIOLOGIA

Tiago Walter Vera

“Não conseguia respirar nem em pé, sentado ou deitado.” É essa situação angustiante que relata o operário aposentado de 57 anos José das Graças Miranda, morador de Goioerê (PR). Ele foi diagnosticado com miocardiopatia dilatada, aumento do tamanho do coração que resulta na perda progressiva da função de bombear sangue. O aposentado foi considerado apto e aceitou participar de um estudo inédito que utiliza a terapia com células-tronco em pacientes com graves problemas cardíacos, cuja indicação seria um transplante. As células são retiradas da medula óssea do próprio paciente, do ilíaco, o osso do quadril, e implantadas no coração através de um cateter. “Este procedimento é minimamente invasivo, o que reduz os riscos de infecção e o tempo de recuperação do paciente”, explica o médico cardiologista Ricardo Westphal, do Hospital de Clínicas vinculado à UFPR responsável pela aplicação da técnica da equipe do CTC – PUCPR. Segundo ele, a intenção da pesquisa é criar uma alternativa para dar mais tempo ao paciente, já que não há órgãos suficientes para todos os que necessitam de transplante e o marca-passo especial custa em torno de R$ 48 mil. O procedimento foi usado em 30 pacientes e, destes, 1/3 já apresentaram melhora significativa da função cardíaca. “Não tenho mais falta de ar, só não posso fazer grandes esforços, mas levo uma vida quase normal”, comenta o aposentado, que passou pelo procedimento em 2008 e continua fazendo o acompanhamento médico a cada 90 dias.

Este procedimento é minimamente invasivo, o que reduz os riscos de infecção e o tempo de recuperação do paciente.

TIPOS DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

ADULTAS

São derivadas da massa celular interna de um blastocisto, formado entre o 4º e 10º dia da fecundação. O número pode variar de 40 a 120 células que, após serem obtidas, devem ser expandidas em laboratório. Por serem células primitivas, elas podem diferenciar-se em todos os tipos de tecidos, órgãos e células do nosso corpo, menos os anexos (placenta).

São derivadas de diferentes órgãos e tecidos do nosso corpo e podem diferenciar-se em alguns tipos de tecidos. São células já testadas em inúmeros ensaios clínicos e, em todos, mostraram ser seguras e eficiente para o seu uso em terapia celular. Na maioria das vezes, são obtidas do próprio paciente.

PARANÁ FAZ CIÊNCIA

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Revista Parana Faz Ciência - Edição 1  

Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Fundação Araucária - Ano 1 - Nº 01 - Outubro 2013 - Distribuição Gratuita

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