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Tiago Walter Vera

U

Centro de Tecnologia Celular PUCPR

ma revolução na medicina e uma grande esperança de cura para muitas doenças. Assim pode ser definida a terapia com o uso de células-tronco. Cientistas do mundo inteiro estão, há décadas, tentando decifrar como funcionam e qual é o potencial destas células capazes de dividir-se e transformar-se em outros tipos específicos de células, regenerando ou reparando órgãos que perderam sua função. Ainda há muito a descobrir, mas as células- tronco já salvam muitas vidas, como no transplante de medula óssea. No Brasil, onde se desenvolvem importantes pesquisas na área de Biologia Celular, o Paraná destaca-se pela complexidade dos estudos, a infraestrutura dos laboratórios e os resultados já obtidos. O Centro de Tecnologia Celular (CTC) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, inaugurado em 2010, é referência na área, mantém parcerias com outras instituições de pesquisa e

Pesquisadores trabalhando no CTC - PUCPR

abastece projetos que integram a Rede Nacional de Terapia Celular. O Laboratório de Biologia Celular do Instituto Carlos Chagas/Fiocruz - PR, também desenvolve estudos reconhecidos em todo o país e no exterior. O trabalho do CTC é voltado para a pesquisa com células-tronco mesenquimais (obtidas da medula óssea, da parede do tecido adiposo e da parede do cordão umbilical) e progenitoras endoteliais (oriundas do sangue do cordão umbilical), entre outros. Os estudos mostram que estas células podem se diferenciar dando origem a tecidos específicos como: muscular, ósseo, adiposo, cartilaginoso ou regenerar vasos sanguíneos. Algumas destas pesquisas já deixaram o estágio laboratorial e passaram para os testes clínicos. Entre as que se mostram muito promissoras e eficientes estão: a terapia com células-tronco para tratamentos de doenças do coração, para problemas circulatórios e artrose de joelho. “No Brasil ocorrem 85 mil amputa-

ções ao ano, boa parte devido a problemas circulatórios originados pelo diabetes. Já os casos de insuficiência cardíaca chegam a 240 mil/ano, causando graves consequências, como a perda da função contrátil do músculo cardíaco. Com o tratamento com células-tronco, muitas destas situações poderiam ser evitadas”, exemplifica o coordenador do CTC PUCPR, Paulo Brofman. Segundo ele, a terapia celular pode representar mais qualidade de vida para o paciente, longevidade e menos gastos para sistema de saúde. Estas células estão sendo usadas em diversas pesquisas, para tratamento de doenças de origem neurológica, pulmonar, autoimune e cardíaca, entre outras. Mas o pesquisador ressalta: “No Brasil, por enquanto, qualquer estudo ou tratamento com base em células-tronco é considerado experimental e precisa de autorização do Comitê de Ética e Pesquisa e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, com exceção do transplante de medula óssea”.

A terapia celular pode representar mais qualidade de vida para o paciente, longevidade e menos gastos para o sistema de saúde. Paulo Brofman, coordenador do CTC-PUCPR. Esquerda: fotomicrografia de contraste de fase da cultura primária de células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea humana. Direita: localização in vivo das células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo humano injetadas em ratos Wistar com lesão de medula espinhal. Detecção no Sistema de Imagem IVIS Lumina II.

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Revista Parana Faz Ciência - Edição 1