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A forma como estes materiais são colocados juntos em camadas faz com que a sua separação seja muito difícil, devido à força de adesão criada entre elas. Inclusive a separação entre as de alumínio e polietileno é a mais difícil devido à maior adesão que existe entre as camadas destes dois materiais. “Esta dificuldade faz com que alguns métodos de reaproveitamento das camadas de alumínio e polietileno, não separadas, apenas adiem o problema da reciclagem pois, em algum momento, esses materiais terão de ser descartados definitivamente. Um exemplo disso são os tapumes e telhas produzidos a partir deste tipo de embalagem, os quais sofrem um processo de descamação devido à exposição a intempé-

ries”, diz o pesquisador. Os componentes destas embalagens de leite ou suco não são tóxicos, nem são extremamente tóxicos os reagentes utilizados na reciclagem. O grande passivo ambiental causado pelo descarte deste tipo de embalagem é sua persistência no meio ambiente. O papel é degradado relativamente rápido, mas o alumínio e o polietileno somente após um longo período, por isso o descarte das embalagens “longa-vida” é prejudicial para o tempo de vida dos aterros sanitários. O processo necessita de uma tecnologia extremamente simples que pode ser realizada de forma rápida e barata, já que são utilizados reagentes comuns e de baixo custo.

APROVEITAMENTO EM NÚMEROS Considerando a composição das embalagens longa-vida de 75% em massa de papel, 20% em massa de alumínio e 5% em massa de polietileno, a reciclagem de 300 toneladas por mês (massa estimada de

embalagens descartadas que estaria disponível no mercado para ser processada), resultaria em um total de 60 toneladas de alumínio e 15 toneladas de polietileno por mês.

COMPOSIÇÃO PERCENTUAL PAPEL ALUMÍNIO PEBD Fonte: Grupo de pesquisa do Departamento de Química da UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa

20%

75%

5%

UTILIZAÇÃO INDUSTRIAL Os materiais reciclados podem ser inseridos em inúmeras cadeias produtivas com alto grau de aproveitamento, pois tanto o alumínio quanto o polietileno mantêm as suas características físicoquímicas. Hoje o índice de reciclagem

de embalagens longa-vida no Brasil não passa de 27%. A propriedade intelectual do processo desenvolvido na UEPG foi protegida por meio de um depósito de pedido de patente no INPI.

VIABILIDADE FINANCEIRA Banco de Imagens

IMPACTO AMBIENTAL

A Zero Resíduos S.A. de Ponta Grossa, empresa voltada ao desenvolvimento de soluções na área de resíduos, demonstrou interesse em efetivar uma parceria com o grupo de pesquisa. Isso culminou num acordo de cooperação, realizado no ano passado e que resultou no desenvolvimento de um protótipo de reator para o teste do processo em escalapiloto. As atividades previstas no acordo foram finalizadas no início deste ano e resultaram em um aprimoramento do processo e na percepção de sua viabilidade financeira. “O foco do nosso negócio é a valorização do resíduo reciclado, inserindo-o de novo na cadeia produtiva como matéria-prima limpa, por isso apostamos no projeto. Estamos muito animados com os resultados e agora estamos fazendo estudos detalhados de viabilidade econômica. O próximo passo é a implantação de uma unidade industrial”, conta Vicente Nadal Neto, diretor da Zero Resíduos.

PARANÁ FAZ CIÊNCIA

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Revista Parana Faz Ciência - Edição 1