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SUSTENTABILIDADE

LIXO VIRA SOLUÇÃO Um processo desenvolvido pela UEPG faz embalagens longa-vida se transformarem em matéria-prima limpa

Marilson de Paula - Assessoria de Comunicação da UEPG

É

notória a eficiência das embalagens longa-vida para a conservação de alimentos e bebidas. Mas o que fazer com elas depois de vazias? Estudos mostram que apenas uma em cada quatro embalagens cartonadas longa-vida é reciclada de alguma forma no Brasil. Aterros sanitários estão saturados com estas embalagens, que ocupam muito espaço e demoram para se degradar. Movido por essa preocupação com o meio ambiente, o grupo de pesquisa do Departamento de Química da UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa – criou um processo de separação das diferentes camadas que compõem as embalagens de papel cartonado ou embalagens “Longa-Vida” (ECLV) e assim fazer o total aproveitamento destes resíduos. Os materiais que formam a embalagem cartonada são basicamente o papel; o polietileno de baixa densidade, que é o filme plástico que protege o

Equipamento de separação das camadas componentes do alumínio

papel na parte externa; e o filme plástico, que evita que o alimento entre em contato com a camada de alumínio. O alumínio forma a camada protetora que evita a entrada de luz, de ar (oxigênio) e de micro-organismos que poderiam degradar o alimento. A equipe desenvolveu uma solução

aquosa formada por ácidos inorgânicos e orgânicos que, em contato com as lâminas compostas de alumínio e polietileno, fazem com que as camadas componentes soltem-se umas das outras. Na sequência do processo, são separadas pela decantação do alumínio e pela suspensão do polietileno de baixa densidade.

O QUE MOTIVOU? A ideia deste projeto surgiu em 2003, de uma demanda dos próprios alunos do curso de Bacharelado em Química Tecnológica da UEPG, que tem uma ênfase de aplicação em química ambiental. “Os professores do curso tentam voltar as suas linhas de pesquisa para temas que contemplem a resolução de problemas ambientais, e a reciclagem de

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PARANÁ FAZ CIÊNCIA

embalagens longa-vida era um problema em evidência e continua sendo até hoje”, destaca o professor Jarem R. Garcia, doutor em Fisioquímica, professor do departamento desta área na UEPG e coordenador da pesquisa. O estudo foi implementado no ano de 2011 com a participação do aluno do Curso de Bacharelado

em Química Tecnológica da UEPG Rodolfo Thiago Ferreira e do aluno de doutorado Fábio Santana dos Santos. “Foi o apoio financeiro da Fundação Araucária em outros projetos de pesquisa desenvolvidos por mim e o apoio em infraestrutura da UEPG que possibilitaram o desenvolvimento deste processo”, explica Garcia.

Revista Parana Faz Ciência - Edição 1  

Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Fundação Araucária - Ano 1 - Nº 01 - Outubro 2013 - Distribuição Gratuita

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