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O fato de o Fórum Mundial de Ciência ser realizado pela primeira vez fora da Europa, tendo o Brasil como país escolhido para sediálo, nos coloca em destaque?

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É um privilégio e uma oportunidade ímpar para colocar nosso país no centro da ciência internacional. O Fórum Mundial de Ciência ocorrerá em novembro no Rio de Janeiro. Com o intuito de reverberá-lo pelo país, foram realizadas sete reuniões preparatórias – em São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília, nas quais se discutiu o papel da ciência, da divulgação e integridade científicas e educação, além de tópicos específicos em cada reunião.

Do que tratará o Fórum Mundial de Ciência 2013 “Ciência para o desenvolvimento global sustentável”? Os temas são atuais e fundamentais para a gestão da CT&I no país na era da globalização e da economia do conhecimento. Como uma das agendas no encontro, o Brasil pretende recuperar o debate em torno dos vínculos entre ética e ciência já realizado no Fórum de 2005. A ideia é concentrar o debate em torno dos imperativos éticos que devem nortear a produção do conhecimento. Todas as ciências – da natureza, exatas e da terra, biomédicas e humanidades – têm uma tarefa distinta a cumprir, não havendo hierarquia entre elas, assim como todos os países devem ter direito a usufruir plenamente dos benefícios do conhecimento e o dever de contribuir para o avanço da ciência, para o desenvolvimento e o progresso da humanidade.

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PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Quais são os objetivos deste encontro? O objetivo do evento é discutir e enfrentar os desafios que se impõem à humanidade em nossos tempos e a reafirmação do princípio da mobilização do conhecimento científico para essa tarefa. O encontro também vem para enfatizar a importância da pesquisa básica como fonte de conhecimento e alicerce fundamental de uma sociedade inovadora. O brasileiro, em geral, consegue ver alguma relação entre ciência e os impactos nas várias áreas do seu dia a dia e na sua qualidade de vida? O brasileiro, como a maior parte dos povos, não vê com clareza a ciência no seu dia a dia. Tanto que em todas as sociedades está se estudando como aperfeiçoar o diálogo do cientista com a população. E nós na SBPC, estamos buscando fazer isso de algumas formas, por exemplo, ampliando o diálogo com o estudante no ensino básico, ensino fundamental e com o professor. Nas nossas reuniões anuais ou regionais há um diálogo com a sociedade que está participando dos eventos, mas ainda estamos aquém do que seria importante e necessário. Em que estágio da formação educacional deve começar o estímulo à ciência? O estímulo à ciência deve ser dado desde a primeira infância, o quanto antes melhor. Hoje as crianças estão cada vez mais precocemente introduzidas às tecnologias, vemos crianças de 2 anos brincando com iPads e telefones celulares. Esse acesso precoce às tecnologias gera um descompasso entre aquelas crianças brasileiras que conseguem ter em um ambiente familiar e escolar o acesso e aquelas que não têm. Isso cria um desnível que se acentua ao longo dos anos. O MEC preconiza a implantação de uma pré-escola verdadeira, incluindo as creches, voltada para brincar e educar.

Para estimular o interesse pela ciência em seus alunos, as escolas precisam ter muitos recursos? Se pudéssemos ter laboratórios equipados seria o ideal, mas infelizmente a realidade brasileira não é essa. As escolas mais afastadas são as que deveriam ter laboratórios mais bem equipados. Durante uma reunião especial de ensino e atualização para crianças, adolescentes e professores, em Alcântara (MA), vimos que nem os professores tinham tido a oportunidade de conhecer um instrumento que é básico no dia a dia para quem ensina biologia, que é o microscópio - a emoção deles quando viram um foi enorme! Mas se não dá para ter um microscópio, podemos fazer alguns experimentos e tentar suprir essa deficiência. É difícil, mas dá. O que o Brasil mais precisa, no momento, em termos de ciência? Para um país que é a sétima economia do mundo e que pretende entrar no rol de países desenvolvidos, o nosso desafio ainda é enorme no que se refere à educação. Para enfrentar este desafio é fundamental aumentar o montante de recursos por meio de uma política de financiamento. As nações mais desenvolvidas investem em ciência e tecnologia para ampliar sua base de conhecimento e aumentar seu potencial de inovação, de modo a gerar mais emprego e melhorar a distribuição de renda. O que move um pesquisador científico a seguir em frente? A busca pelo saber, pelo desvendar, acreditar que vale a pena. Olhar para trás e ver tudo o que você já conseguiu e olhar para frente, para o futuro e ver que ainda há muito por fazer. Nós cientistas somos privilegiados, pois estamos sempre em contato com o novo: a vida não se repete, ela simplesmente se renova.


Revista Parana Faz Ciência - Edição 1