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agosto 2009

Belém - Pará - Brasil

www.paramais.com.br

ISSN 16776968

Edição 93

6,00 3

E mais:

>>> Revitalizaçaõ da

CATEDRAL DA SÉ

>>> FESTRIBAL DE JURUTI >>> EXPERIÊNCIAS SUSTENTÁVEIS NO VALE DO JARI

>>> BELÉM DOUTRORA


Governadora visita obras

06 da Catedral Metropolitana

Editora Círios SS Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 3223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

10 Festribal 2009 em Juruti 16

Eletronorte é uma das Empresas mais Inovadoras do Brasil

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Pará divulga potencial turísticos em salão nacional

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Kits de viveiros reforçam reflorestamento no Pará

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Ronaldo G. Hühn; COLABORADORES: Acyr Castro, Camillo Martins Vianna, Flávia Ribeiro, Pro. Ms. Josinaldo Reis do Nascimento, Ms. Denis Domingues, Sérgio Martins Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Arquivo Eletronorte, Arquivo Paratur, David Alves, Elcimar Neves e Tamara Saré/Ag Pa, C.Trevisan/Época NEGÓCIOS, Carlos Lessa, Fabiano Menezes, Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr, Francisco Araujo, Gustavo Tílio, Jefferson Rudy/MMA, Jeziel Rodrigues, Maria S. Fresy, Mário Oliveira/Agecom, Melina Marcelino, Oséas Santos/Alepa, Salviano Machado e Zuleide Santos; DESKTOP: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios OS ARTIGOS ASSINADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES

Experiências extrativistas

30 sustentáveis no Vale do Jari

ANATEC ASSOCIAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

PA-538

O manguezal e o caranguejo

34 -uçá no Estado do Pará 39

Municípios paraenses ganham telefonia móvel

44

Amazônia. Recordação de Águas Encrespadas

A gostosa Belém doutrora 46 na visão euclidiana

Foto de

David

Alves/A

g Pa


Pais modernos

C

uidar dos filhos, mudar a rotina para passar mais tempo na presença deles e pedir a guarda das crianças depois do divórcio não são condutas exclusivas das mulheres. Os homens estão cada vez mais interessados em participar do dia-a-dia dos filhos e acompanhar o desenvolvimento deles. "Durante muito tempo cuidar dos filhos era visto como coisa de mulher. Existia a crença de que homem que é homem não interessava por isso. Hoje, temos um novo cenário: homens pleiteando a guarda dos filhos, arrumando a vida para ficar mais tempo com os rebentos e se interessando em saber como é possível melhorar a relação com a família", enfatiza Sócrates A. Nolasco, doutor em Psicologia Clinica e professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Autor dos livros: O mito da masculinidade (Rocco, 1992), A desconstrução do masculino (Rocco, 1995), De Tarzan a Homer Simpson - banalização e violência masculina (Rocco, 2002) e O primeiro sexo (Editora Best Seller, 2006), Nolasco

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Na sociedade atual, o modelo tradicional de pai foi substituído por outro muito diferente. Os homens de hoje querem ter o prazer de cuidar e de conviver com seus filhos. No Brasil, um em cada quatro casamentos termina em divorcio

é um dos um dos principais estudiosos do universo masculino no Brasil. Para ele, essa mudança no perfil dos pais só traz resultados positivos. "Os filhos e as filhas só irão se beneficiar de ter um pai próximo e amoroso ao lado", diz. Alexandre Dantas, 38 anos, sempre foi, como se costuma dizer, um paizão. Quando seu filho Thiago, 11 anos, nasceu, o analista de sistemas trocava fraldas, dava banho e participava das outras atividades para estar sempre cuidando do seu pimpolho. Há dois anos, Dantas se divorciou da mãe de Thiago e ficou com a guarda do filho. Seu trabalho, o carinho e a

atenção dedicados ao menino aumentaram bastante. "Vou às reuniões da escola, cuido da alimentação dele, levo ao médico e ao dentista e ajudo nos trabalhos da escola. Além disso, procuro conversar bastante com ele sobre todos os assuntos, namoro, sexo e a importância do estudo. É

Cuidar dos filhos, mudar a rotina para passar mais tempo na presença deles

na minha figura que ele se espelha. Tenho uma responsabilidade muito grande, mas é bastante prazeroso. Ele está se tornando um grande homem. Sei que o Thiago terá um excelente futuro", afirma. Para Nolasco, as mudanças proporcionadas por esse novo perfil de pai vão além da experiência familiar, "O mundo mudará quando existirem lares calorosos e generosos e for ampliada a capacidade dos indivíduos de amarem uns aos outros. E isso começa em casa. O cuidado e o envolvimento com a vida dos filhos, a presença compreensiva e o apoio constante, geram um contexto favorável para se formar um adulto sem P sofrimento", conclui.

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Governadora visita obras da Catedral Metropolitana de Belém

Belém terá de volta sua Catedral em setembro

A

governadora Ana Júlia Carepa garante que Belém receberá de volta a sua Catedral no início de setembro. Desde que retomou as obras há dois anos, interrompidas desde 2006, o Governo Popular investiu R$ 14 milhões em recursos próprios para entregar de volta à cidade um dos mais importantes prédios da arquitetura do século XVIII na Amazônia, que teve a

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Fotos: David Alves e Lucivaldo Sena /Ag Pa

participação do arquiteto bolonhês Antonio José Landi. O resgate do patrimônio histórico, segundo ressaltou a governadora Ana Júlia Carepa – que é arquiteta –, dá as mãos à fé do povo paraense, pois marca o retorno de um dos símbolos da devoção popular à Virgem de Nazaré, cujo Círio tem seu início justamente às portas do nosso principal monumento. O restauro foi minucioso. Do teto ao piso tudo foi cuidadosamente retrabalhado,

artesania que envolveu desde as telas dos altares laterais, as imagens e até a iluminação – substituída para destacar detalhes do valioso patrimônio arquitetônico e religioso do povo paraense. A governadora Ana Júlia define o processo de reconstrução e reforma da Catedral como um momento de inclusão social, pois absorveu e qualificou mão-deobra paraense. A Catedral está no coração da Cidade paramais.com.br


Padre Ronaldo Menezes faz sua observação à governadora

Uma jóia de Antonio José Landi

A governadora Ana Júlia diz que reconstrução da Catedral é um momento de inclusão social, pois absorve e qualifica mão-de-obra paraense

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Admirando uma fase do restauro da tela principal – a do altar mór

Velha, onde a cidade de Belém nasceu e de onde se expandiu primeiro como bastião da conquista lusitana na região e depois como símbolo da unidade e da autoestima do povo paraense. O projeto arquitetônico da Catedral de Belém teve a participação decisiva do renomado arquiteto bolonhês Antonio Landi, que terminou a fachada e acrescentou as duas torres e o frontão, intervenções que transformaram o prédio em referência internacional do neoclássico na Amazônia. Uma igreja diretamente ligada à história da conquista da região, como lembrou o secretário de P Cultura, Edilson Moura.

Do teto ao piso da Catedral tudo foi cuidadosamente restaurado, destacando detalhes deste valioso patrimônio arquitetônico e religioso dos paraenses

Governadora Ana Júlia Carepa e o secretário de Estado de Cultura, Edílson Moura, visitam as obras de reforma total da Catedral Metropolitana de Belém


A arquiteta olha de perto...

Altar mór da Catedral da Sé em Belém

Ana Júlia Carepa e Edílson Moura, com parte dos restauradores paraenses

A primeira pedra da Catedral Metropolitana de Belém foi lançada pelo bispo D. Frei Guilherme de São José a 3 de maio de 1748. O plano de construção foi do arquiteto Antônio José Landi, em estilo barroco-colonial e neoclássico. A 23 de dezembro de 1755, D. Miguel de Bulhões inaugurou o presbitério da Catedral. Houve interrupção nos trabalhos e por este motivo, somente no ano de 1771 ela foi inaugurada. Governava a Diocese o Arcediago Manoel das Neves. Foram 23 anos de trabalhos. O primitivo altar-mor era de madeira com obras em talha de Pedro Alexandrino de Carvalho. D. Antônio de Macedo Costa restaurou-a, tornando-a bela. O altar principal foi confeccionado em Roma por Luca Carimini. SS. o Papa Pio IX e o Imperador D. Pedro II colaboraram na compra do referido altar. A pintura interna do Templo e 3 telas dos altares laterais foram trabalhadas por De Angelis. As demais telas são cópias de pintores renascentistas.


Festribal 2009

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na Júlia Carepa foi a primeira governante a prestigiar o evento, a governadora assistiu à disputa das tribos e declarou às torcidas dos Mundurukus e Muirapinimas que, além do patrocínio repassado desde 2007, o governo atuará em parceria com a Prefeitura, para captar recursos a fim de ampliar os investimentos no festival. Reforçou, em Juruti, oeste do Pará, o compromisso do governo do Estado em apoiar o Festribal, maior evento cultural do município, transformado em Patrimônio Cultural do

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A tribo Muirapinima mostrou seus encantos na arena do tribódromo, em mais um Festribal que movimentou a cidade de Juruti Fotos: Tamara Saré / Ag. Pará

Estado por meio de lei proposta pelo Executivo. "Mantivemos um recorde de apoio ao Festival das Tribos nos últimos dois anos, e agora esse espetáculo poderá ser mostrado para o Pará, o Brasil e o mundo, por meio da TV Cultura que inauguramos aqui em Juruti.Temos investido no festival desde o início do nosso governo, mas vamos, junto com a Prefeitura, captar recursos para que os investimentos na cultura no Pará sejam ainda maiores. E este festival é cultura", declarou a governadora. Ao lado do prefeito de Juruti, Henrique Costa, da prefeita de Santarém, Maria do

Carmo Martins, e de secretários de Estado, Ana Júlia Carepa prestigiou as apresentações das duas tribos. Mais cedo, durante um encontro com a imprensa local e nacional, a governadora recebeu os agradecimentos dos representantes dos Mundurukus e Muirapinimas pelo apoio ao festival. "Temos um custo grande para apresentar esse espetáculo e o apoio da governadora foi fundamental para nós. Queríamos explicar isso e pedir que o governo do Estado apoie cada vez mais o festival", disse uma das diretoras da tribo Mundurukus, Lenita Souza. paramais.com.br


em Juruti

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Os integrantes da tribo Munduruku mostraram ao públlico a importância de preservar a natureza e a cultura da região

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Assistentes do Festribal 2009 em Juruti

Apresentação da tribo mirim Munduruku

Tradição A governadora destacou da importância do Festribal para a preservação das tradições culturais e fez questão de ressaltar a educação ambiental envolvida nas apresentações. "Cultura é inclusão social, é geração de renda, e é fundamental que a gente mantenha as nossas tradições. É papel do governo preservar as tradições culturais. Por isso, nosso governo entendeu a importância de apoiar o Festribal, ainda mais porque os temas levados pelas tribos sempre envolvem a questão do respeito

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ambiental, um objetivo que nosso governo tem buscado, como temos feito com o programa Um Bilhão de Árvores", disse ela. Ana Júlia Carepa também destacou que, além do repasse direto à organização do evento, o governo do Estado está capacitando artesãos, por intermédio da Fundação Curro Velho, com oficinas cujo foco é a arte indígena e que vão beneficiar cerca de 500 pessoas. "É papel do governo dar condições para manter nossas tradições culturais. Por isso estamos investindo também na formação dos artesãos, em parceria com aAlcoa e a Prefeitura", informou.

O Festival das Tribos existe há 15 anos e segundo uma das coordenadoras do evento, Sônia Barros, o festival reúne um público de cerca de 30 mil pessoas nos três dias de apresentações. "E o festival está crescendo cada vez mais. Além dos moradores da cidade, atrai visitantes de Santarém, Óbidos, Oriximiná e Parintins. O investimento do poder público, tanto da Prefeitura quanto do governo do Estado, tem sido fundamental para esse crescimento, porque não há criatividade que resista sem apoio", frisou ela. Para o prefeito Henrique Costa, o investimento em infraestrutura retorna paramais.com.br


Apresentação da tribo mirim Munduruku

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Da tribo Muirapinima

Apresentação da tribo mirim Muirapinima

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Em Juruti a governadora Ana Júlia Carepa e a presidente da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), Regina Lima, inauguraram a torre de transmissão que levará o sinal da emissora ao município. Juruti é a 48ª cidade paraense a receber o Ana Júlia Carepa inaugurou em Juruti a 48ªretransmissora da TV Cultura no interior do Pará, garantindo a todas as sinal da emissora, dentro do regiões o acesso à televisão pública processo. "É uma TV educativa, que está levando para todos os municípios conhecimento, cultura, apoio às manifestações locais, que ajuda a integrar a economia do Estado. Investir para permitir o acesso democrático à informação é um instrumento de cidadania", disse ela, tendo ao lado os secretários estaduais de Comunicação, Paulo Roberto Ferreira, de Cultura, Edilson Moura, e de Governo, Edilson Rodrigues.


Ainda a tribo mirim Munduruku

em benefícios para a população. "Não fizemos esse levantamento, mas estimo que o Festribal movimente hoje cerca de R$ 5 milhões. É um festival que não nos deixa esquecer nossas raízes, nossos ancestrais índios. Somos um povo amazônida e temos que nos orgulhar. E o festival traduz tudo isso", disse o prefeito. P

Da tribo Munduruku

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Eletronorte é uma das Empresas mais Inovadoras do Brasil Na categoria Processo de Inovação

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Fotos Cleiby Trevisan / Época NEGÓCIOS

Da esquerda para direita: Álvaro Raineri de Lima, Gerente de Coordenação dos Programas de Pesquisas e Desenvolvimento-CPTC; Isabel Cristina Moraes Ferreira – Coordenação de Comunicação Empresarial-PCR; Fernando José Martins Rennó-Escritório de Representações de São Paulo-GRP; Wady Charone Júnior, Diretor de Produção e Comercialização; Neusa Maria Lobato Rodrigues,Superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico-CPT e Frade

oi no Teatro Raul Cortez, na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo – Fecomércio, a noite de premiação das 25 companhias que mais inovam no Brasil, reunindo mais de 200 convidados para prestigiar o talento, a criatividade e determinação de uma cultura que não apenas afeta o modelo de negócio das empresas, como é apontada como o caminho para o crescimento. O prêmio é fruto da parceria entre a revista Época Negócios, o Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp) e o Great Place to Work (GPTW), com apoio técnico da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ). Os critérios de avaliação do prêmio são elaborados com base nos sete anos

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de estudos do Fórum de Inovação e nos 16 anos de experiência do Prêmio Nacional da Qualidade, da FNQ. “Este prêmio é um estímulo à criação”, afirmou Celso Lafer, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP: “A inovação é o horizonte e o futuro do empreendedorismo no Brasil”. "Ao inovar, as empresas mostram que são capazes de transformar uma ideia em algo concreto que movimenta a economia de uma forma diferente e pode mudar paradigamas", afirma Glauco Arbix, coordenador-geral do Observatório de Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP). “Uma das coisas mais importantes para uma organização é manter a equipe motivada e um dos fatores que leva a isso é o reconhecimento. Este prêmio é um reconhecimento à Eletronorte, a única Empresa do governo e do Setor Elétrico a ser premiada, o que aumenta o nosso desafio para construir, para inovar, para crescer, para buscar agregar valor e mostrar que podemos fomentar a inovação”, declarou após o evento o

diretor de Produção e Comercialização, Wady Charone, que representou o diretorpresidente, Jorge Palmeira. “O papel da liderança como propulsora de práticas inovadoras, o ambiente propício e receptivo à criatividade dos empregados, as pessoas como agentes de inovação, o fornecimento de ferramentas para que os profissionais exercitem seu lado empreendedor, entre outros aspectos, foram identificados como fatores que conferem a determinadas companhias diferenciais importantes em um mercado cada vez mais padronizado”, declarou ao final do evento o diretor-geral da Editora Globo, Frederic Zoghaib. A lista anual das empresas mais inovadoras do país em 2009 tem a Chemtech no topo do ranking, Integram a relação das mais inovadoras as seguintes companhias: Chemtech, Rio de Janeiro (RJ); Ticket, São Paulo (SP); GVT, Curitiba (PR); Cristália, Itapira (SP) C.E.S.A.R, Recife (PE); Bradesco, Osasco (SP); Brasilata, São Paulo (SP); Eletronorte, Brasília (DF); Whirlpool, São Paulo (SP); IBM, São Paulo (SP); CI&T, Campinas (SP); Daichi Sankyo, São Paulo (SP); Ampla; Avaya; Brasilprev; Engeset; Even; JFL; Laboratórios Sabin; Lanxess; Leucotron ; Prati-Donaduzzi; Predicta; Serasa e XP Investimentos.

Wady Charone Junior, diretor da Eletronorte, com o troféu categoria Processo de Inovação paramais.com.br


O espantalho-gavião já instalado

Fomentando novas ideias Sete funcionários públicos eram uma exceção em meio à esmagadora maioria de executivos da iniciativa privada que compareceram para receber o prêmio das As Empresas Mais Inovadoras do Brasil, realizado por Época NEGÓCIOS, no Teatro Raul Cortez, na sede da Fecomércio. Era o grupo da Eletronorte. A empresa, encarregada pela distribuição de energia para as regiões Norte e Nordeste do Brasil. “As empresas públicas deveriam dar o exemplo quando se trata de inovação. E não ser uma exceção neste cenário”, disse na oportunidade Wady Charone, diretor de produção e comercialização da Eletronorte. Num campo marcado pelo marasmo de novidades como o de energia elétrica, a empresa se destacou por fomentar a geração de ideias entre seus funcionários.

Auditório da Fecomércio, onde foi realizado o evento “As Empresas Mais Inovadoras do Brasil”, promovido por Época NEGÓCIOS

Charone explica que as pessoas se sentem mais motivadas quando são direcionadas por um prêmio. “As pesquisas mostram que de cada dez pessoas numa empresa, três gostam de novidades, outra três são contra e quatro são indiferentes. Queremos ser mais eficazes com esses indiferentes”, diz.

“Gaviões” em subestações A Eletronorte acaba de instalar quatro “gaviões” na Subestação Guamá/Utinga em Belém (PA). O objetivo é afastar os

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bandos de andorinhas, pássaros cujas fezes são responsáveis por prejuízos e danos nos sistemas de transmissão da Empresa. O “espantalho-gavião” é uma das bem sucedidas experiências desenvolvidas pelo programa de P&D da Eletronorte, invento do técnico em manutenção civil da Subestação Tartarugalzinho (AP), Edson Ferreira de Barros. O problema é que as fezes das andorinhas contêm alta acidez e quando depositadas nos equipamentos das subestações, principalmente no período de chuvas, prejudicam a cadeia de isoladores, chegando a causar curtos-circuitos. Equipamentos já chegaram a ficar indisponíveis por mais de seis horas devido às andorinhas. O trabalho para espantar as andorinhas teve início com o uso de rojões, mas passados alguns dias elas retornavam. Edson, que é químico por formação, reparou que os gaviões espantavam as andorinhas e começou a pensar no projeto. Quando houve um desligamento programado para manutenção de equipamentos, o projeto do “espantalhogavião” foi implantado. A idéia é simples – um boneco de isopor, com estrutura metálica –, mas tem funcionado muito bem em diversas instalações da Eletronorte. O pedido de registro de

patente do invento já foi feito junto ao INPI e o resultado tem sido uma economia com manutenção da ordem de R$ 276 mil/ano, sem falar no ganho ambiental, pois as andorinhas são aves migratórias que contam com proteção internacional. P

Os técnicos Djalma Alves e Lourival Torres foram os responsáveis por instalar os “gaviões” na Subestação Guamá/Utinga

As andorinhas deixam, além dos ninhos, uma grande quantidade de resíduos e de três em três meses era realizado o serviço de limpeza nas linhas, o que representava um custo muito elevado. A equipe da Eletronorte no Pará acredita que até o final do mês de agosto sejam instalados gaviões em todas as subestações. Serão instalados dois protótipos em Santa Maria e mais três no Guamá.

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Ótima apresentação: a melhor dos últimos anos, disparado...

Pará divulga potencial tur

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Fotos: Tamara Saré / Ag. Pará

O artesanato paraense é um dos atrativos do estande montado no Salão Nacional do Turismo, em São Paulo

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4ª Edição do Salão Nacional do Turismo Roteiros do Brasil, realizado no período de 1º a 5 de julho no Anhembi em São Paulo, proporcionou ao Pará, uma oportunidade ímpar para divulgar todo o potencial turístico que o estado tem a oferecer junto ao trade. A Companhia Paraense de Turismo (Paratur) festeja o sucesso do estande, que compõe a Macroregião Norte e divide a atenção do público com outros seis estados do Brasil. Este ano, a Paratur levou uma grande equipe com número de pessoas ainda maior, se comparado com as edições anteriores do evento. Os destaques foram os grupos folclóricos: Novo Zimba, do município de Marapanim, e o grupo Bailado de Carimbó, da cidade de Santarém, que chamaram a atenção do público presente e da imprensa local. Além do incentivo à divulgação da cultura paraense, a Companhia também realizou a

Vai uma garrafada...

Este ano, a Paratur levou uma grande equipe

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Olha o Veroca aí, gente...

Stand da Paratur sempre muito visitado

ísticos em salão nacional distribuição de material promocional e DVD sobre os principais atrativos do estado, assim como mapas turísticos e kits para imprensa. Os roteiros turísticos também foram destaques no Salão, nesse sentido o Pará indicou oito roteiros sendo que três foram escolhidos pelo Ministério do Turismo para divulgação internacional: "Marajó Total", da agência Iara Turismo; "Belém

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de Encantos", da Travel In e o roteiro "Belém: Cultura, Fé e Natureza", da Valeverde Turismo. Com ênfase na promoção e comercialização dos produtos turísticos brasileiros, a Rodada de Negócios, que ocorreu nos dias 2 e 3 de junho no Salão, foi vista pelo trade turístico paraense como uma oportunidade de aproximação entre os fornecedores locais (agente de turismo

receptivo e meios de hospedagem) e as operadoras nacionais. As singularidades do Pará, tais como o artesanato, produtos da agricultura familiar, manifestações artísticas e a gastronomia estão presentes no espaço Vitrine Brasil, em uma estratégia de promoção que visa à exposição dos P produtos associados ao turismo.

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Sabor Selvagem no Parque dos Igarapés

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ia 16 de julho foi um dia importante na história de um dos empreendimentos mais peculiares de Belém. Um jantar a luz de velas e ao som de música instrumental paraense celebrava o primeiro trabalho da parceria que o Parque dos Igarapés realizou juntamente com a Sabor Selvagem, organização não governamental de culinária e cultura da Amazônia (leia tópicos seguintes). Por esta parceria, realizara-se naquela semana de trabalho um ciclo de qualificação inédito no restaurante do complexo ecológico, hoteleiro e de diversão. Quinze chefes de cozinha estiveram ali para introduzir práticas de qualidade e aperfeiçoar o funcionamento do restaurante que chega a servir, em dias de pico de movimento, mais de 1.500 refeições. O jantar era o coroamento deste trabalho em conjunto. A visita dos chefes faz parte de um novo direcionamento dado não só à cozinha, mas ao complexo do Parque dos Igarapés como um todo. Com uma imensa área de floresta urbana preservada em seu interior, chalés, alojamentos, centro de convenções, espaço para shows e uma infraestrutura que o coloca em uma posição privilegiada no mercado turístico e de entretenimento em Belém, o Parque iniciava ali a reestruturação de seu restaurante pelo elemento mais sensível: o material humano. Neste primeiro passo, foram três dias de qualificação. Os chefes de cozinha são originários de todas as partes do Brasil, tendo se graduado na Universidade Vale do Itajaí, em Balneário Camboriú/SC, Um jantar a luz de velas e ao som de música instrumental paraense

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Fotos: Atini Pinheiro

uma das mais renomadas no país e sua experiência acadêmica e técnicas puderam justapor-se à experiência dos Bejus

Peixe à capitoa

Caça falsa

Frango agridoce

profissionais que já trabalham na cozinha do estabelecimento. As três palestras e demonstrações técnicas objetivaram a adequação e a padronização dos processos do restaurante, ministrando as disciplinas Higiene e Segurança e Habilidades Básicas. Em seguida, ainda sob coordenação da Sabor Selvagem, eles dirigiram-se ao interior do estado – Marajó e Bragança – para excursão gastronômica de pesquisa. No cardápio da noite, a Sabor Selvagem demonstrou algumas leituras da nova culinária amazônica derivadas deste encontro entre experiência e conhecimento acadêmico. Nada do que foi servido foi usual. Ingredientes característicos da culinária amazônica já conhecidos pela equipe do Parque ganharam contornos e formas inusitadas. A coordenação gastronômica do evento ficou na mão dos chefes Felipe Gemaque, da nova geração de chefes, e de Ofir Oliveira, em cujo currículo já constava, em 1988, a apresentação da maniçoba e de outros pratos amazônicosemParis. O cardápio foi dado pelo chefe Ofir, mas a execução e montagem veio da equipe comandada por Felipe. A mostra foi organizada pelo sistema de empratados, em que um circuito de pratos é percorrido pelo cliente, um após o outro, para que os sabores possamserapreciadoscommaisatenção.

Slow Food e Sabor Selvagem

Sabor Selvagem inicia também uma nova fase de atuação

O banquete durou cerca de quatro horas, ao longo das quais Parque e Sabor Selvagem puderam trazer à tona uma das temáticas que vai nortear o novo direcionamento das atividades do Parque dos Igarapés: a filosofia Slow Food. Nascida na Itália, essa filosofia valoriza a culinária e os chefes de cozinha tradicionais como forma de resistência à velocidade do mundo moderno que, segundo os simpatizantes da filosofia, prejudica nossa qualidade de vida e, devido à pressão da produção industrial de alimentos, arruína o meio ambiente. A própria Sabor Selvagem administra um convivium (grupo de trabalho que expressa em nível local a filosofia Slow Food). Nesta apresentação do convivium paramais.com.br


No Dom Giuseppe, Uirá Pinheiro, Fábio Sicília, Ofir Oliveira e os chefes da Universidade Vale do Itajaí

Sabor Selvagem, a organização iniciou a execução de ações articuladas em que, a partir da base física privilegiadíssima do Parque dos Igarapés, pretende disseminar os temas relacionados ao slow food e à culinária e cultura daAmazônia. O alinhamento com o Slow Food é recente para a Sabor Selvagem, mas, ao longo dos últimos vinte anos, ela tem desenvolvido projetos e apresentações de culinária amazônica, abordando-a à luz da preservação e desenvolvimento das técnicas, processos e ingredientes desta gastronomia.

Chefes Ofir Oliveira, Felipe Gemaque e a nova geração de chefes

Neste ciclo de eventos organizado junto com o Parque, a Sabor Selvagem inicia também uma nova fase de atuação, em que passa a desenvolver ações em um nicho essencial para seus objetivos institucionais: qualificar profissionais do

setor de bares e restaurantes nas técnicas e processos da culinária amazônica. ara a Sabor Selvagem, não se pode pleitear uma Belém forte turisticamente se, justamente em um dos elos da cadeia turística mais fundamentais – a culinária – não existirem profissionais em quantidade e qualidade suficientes para a prática da culinária amazônica em alto nível. Com Copa do Mundo ou sem ela, a organização defende que os estabelecimentos turísticos da cidade trabalhem para se modernizar e profissionalizar cada vez mais. Nesta empreitada, o Parque dos Igarapés é o parceiro perfeito. Não só pela própria natureza ecológica do complexo, mas principalmente pela convergência de visões sobre o setor entre a Sabor Selvagem e a direção do Parque, que pretendem, ao longo do trabalho que se iniciou, desenvolver novos módulos do curso e também ofertá-lo à sociedade, adaptando a matriz culinária do Parque não só à filosofia Slow Food, mas também ao que um empreendimento com o perfil do complexo exige. P

Caça falsa: carne bovina que simula o sabor de carne de anta. Peixe a capitoa: filé de filhote servido ao molho de arubé, um concentrado de tucupi utilizado pelos indígenas originariamente para conservação da caça, com aplicação culinária dada pelo chefe Ofir Oliveira. Frango ao molho de bacuri: frango agridoce que utiliza a fruta amazônica.

O tipiti e a macaxeira paramais.com.br

A piscina do Parque

Imensa área de floresta urbana preservada em seu interior

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por Flávia Ribeiro No Horto Municipal em Dom Eliseu, estudantes plantaram muitas mudas, marcando o início dos trabalhos do mutirão Arco Verde Terra Legal

Kits de viveiros reforçam reflorestamento no Pará

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Fotos: Elcimar Neves, Rodolfo Oliveira/Ag Pa e Ascom/Ideflor

s ações de reflorestamento Ministério da Agricultura, Pesca e receberam reforço em Abastecimento (Mapa). O Instituto de municípios do Estado com Desenvolvimento Florestal do Estado do a entrega de oito kits de Pará (Ideflor) e a Secretaria de Estado de viveiros de mudas e Meio Ambiente (Sema) apoiaram o sementes. Ao todo, os kits representam o transporte, montagem e apoio técnico, plantio de até 400 mil novas espécimes. além de também discutir arranjos Os municípios ainda receberão kits de institucionais e produtivos", explica escalada para a coleta de sementes de E t i a n e S i l v a , c o o r d e n a d o r a d e qualidade. A primeira entrega foi feita em capacitações do Ideflor. Rondon do Pará. Material (kit), para montagem de viveiro Foram também beneficiados os municípios de Altamira, Brasil Novo, Novo Progresso, Novo Repartimento, Itupiranga, Dom Eliseu e Paragominas. "Essa entrega representa uma união de esforços. Os kits foram adquiridos por meio do convênio entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o

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A entrega complementa o Programa de Capacitações em Coleta de Sementes e Produção de Mudas Florestais Nativas, realizado pelo Ideflor. "O objetivo do programa é fomentar a coleta de sementes com a qualidade exigida pelo mercado. Todas as cidades que receberam os kits já participaram do programa", destaca a coordenadora. Mais de 500 pessoas já passaram pelos cursos e estão capacitados para desenvolver técnicas de identificação, seleção e mapeamento de matrizes, coleta e beneficiamento de sementes, e produção de mudas de espécies florestais nativas. "O trabalho de capacitação na colheita de sementes e produção de mudas florestais, junto às comunidades do Estado, é um dos mais importantes coordenados hoje paramais.com.br


Reflorestamento

pelo Laboratório de Sementes Florestais da Embrapa Amazônia Oriental", destaca Noemi Leão, pesquisadora da Embrapa e coordenadora geral do programa de capacitação. "Através dos recursos do Mapa e da mobilização do Ideflor, conseguimos chegar a quem de fato precisa do cursos". Uma nova etapa dos cursos deve ser iniciada no segundo semestre deste ano, focando os 16 municípios que fazem parte da operação Arco Verde. Além de aulas teóricas e práticas, em laboratórios, parques ambientais e viveiros, os participantes dos cursos ainda aprendem técnicas de rapel e montanhismo para a coleta de sementes ainda nas árvores, garantindo melhores resultados aos agricultores. Todo o trabalho é feito de acordo com os padrões exigidos pelo Mapa.

Plantio de mudas e inauguração de viveiro iniciam ações do mutirão Arco Verde Ainauguração de um viveiro e o plantio de 50 mudas do Programa Um Bilhão de Árvores para a Amazônia, no espaço do

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Horto Municipal em Dom Eliseu, Rio Capim, marcaram o início dos trabalhos do mutirão Arco Verde Terra Legal no município. O Horto Municipal possui 2,2 hectares, área cedida pelo governo do Estado. O projeto inicial do viveiro, segundo Adário J úni or, secret ári o m uni ci pal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prevê a produção anual de 100 mil mudas

de urucum, açaí e essências florestais, que potencializarão a agricultura familiar do município. Ele explica que, além do viveiro de mudas, no espaço será feita a seleção e a classificação da goiaba (Pachouse), bem como a clonagem do fruto, que tem grande impacto na economia do município. Dom Eliseu é o maior produtor de goiaba da região amazônica, cuja agricultura

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Os alunos plantaram mudas de paricá, cupuaçu e açaí, indicadas para recuperar áreas degradadas

Claúdio Cunha, diretor de planejamento da Sema representando a Governadora, plantando muda de açaizeiro

familiar registra produção anual de cerca de 500 toneladas. Um empresa privada do município, a Senor, produz anualmente 800 toneladas do fruto.

Reflorestamento Dom Eliseu foi um dos municípios que mais sofreu com a extração madeireira e de carvão mineral, atividades que mais desmataram nas últimas décadas.

Claúdio Cunha, diretor de Planejamento da Sema representando a Governadora; Coordenador Nacional do Mutirão Arco Verde Rogerio Guedes; Prefeito de Dom Eliseu Joaquim Nogueira Neto falando e a Coordenadora Estadual do Mutirão Arco Verde Nelita Paes - SEMA

Coleta de sementes nas árvores

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Ao todo, 16 municípios receberão o mutirão Arco Verde Terra Legal. As caravanas oferecem desde a emissão de documentos até atendimentos médicos, serviços que pretendem facilitar a vida do homem do campo. O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável, através da conscientização ambiental e da regularização fundiária, agilizando os processos e orientando produtores rurais a obterem a titulação, orientação e apoio técnico e financeiro.

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Atendimento Odontológico

Durante Legalização de terra

Participaram da atividade o diretor de Planejamento da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Cláudio Cunha; o prefeito de Dom Eliseu, Joaquim Neto; os coordenadores estadual e federal do Arco Verde, Nelita Paes e Rogério Guedes; e representantes da Empresa Brasileira de PesquisaAgropecuária (Embrapa). Cláudio Cunha entregou uma camisa do programa para o prefeito, destacando que ele já faz parte do "exército" contra o desmatamento. "A população vai entender a mensagem que dá para produzir sem agredir o meio ambiente. Só assim poderemos trilhar um caminho bem diferente do que foi trilhado até agora", frisou Cláudio Cunha, acrescentando a importância do seguinte tripé: qualidade de vida, futuro ecológico e desenvolvimento econômico. P

Atendimento médico

Triagem para atedimentos nas Unidades Móveis

Ideflor

Entrega da Carteira Profissional

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O Vale Cultura Cultura paraense, Pinduca anima a festa de lançamento do Vale Cultura com Carimbó

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m grande espetáculo serviu como plataforma para o lançamento do Vale Cultura no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, na presença do presidente Lula, que assinou o documento que oficializa o envio do projeto de lei ao Congresso Nacional. O benefício, no valor de R$ 50, vai funcionar nos mesmos moldes dos vales-transporte e refeição e conta com apoio maciço da classe artística: Fafá de Belém, a coreógrafa Deborah Colker, Bruna Lombardi, ClaudiaAbreu, o cineasta Cacá Diegues e o clã Barreto – Luiz Carlos, Lucy e o filho, o diretor Bruno Barreto – foram apenas alguns dos presentes na cerimônia. Tanto entusiasmo se deve ao possível impacto econômico que a medida terá no setor. A previsão do Ministério da Cultura (MinC) é que a adoção do vale injete na indústria cultural cerca de R$ 600 milhões por mês, o equivalente a estrondosos R$ 7,2 bilhões por ano, utilizados na compra de livros, CDs, DVDs, ingressos de cinema, teatro, museus e shows. Conforme o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o benefício não só deve trazer um incremento à renda dos artistas, como vai gerar um aumento nos postos de trabalho na área cultural. “Onde houver trabalhadores demandando cultura,

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Fotos: Ricardo Stuckert/PR

haverá uma ampliação da oferta de emprego, gerando microeconomias nessas regiões”, apontou. O Vale Cultura poderá incluir 14 milhões de pessoas no mercado de consumo cultural, estima o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Estiveram presentes à solenidade o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da

Presidente Lula e o ator mirim do filme “Lula O Filho do Brasil”, Felipe Falanga

República, Franklin Martins; os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PTB-SP) e Ideli Salvatti (PT-SC); o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; dentre outras autoridades, e esforçando-se para ser plural, a cerimônia reuniu também artistas de diversas etnias e regiões do Brasil. Chico César, Roberta Sá, Tetê Espíndola, Vitor Ramil e Pinduca se apresentaram acompanhados e sozinhos, além de ter a companhia de um coral indígena, dançarinos e um grupo folclórico do Espírito Santo. Isso sem contar a participação do cineasta Eryk Rocha (filho de Gláuber), no palco para filmar ao vivo as apresentações. No encerramento, todos cantaram juntos a música “Comida”, dos Titãs – os versos “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” têm sido usados à exaustão para ilustrar como a cultura é um “bem fundamental na cesta básica do brasileiro”, como diz Ferreira. O Vale Cultura será concedido através de um cartão magnético, em um mecanismo similar aos outros vales, e será aceito apenas em redes credenciadas, cadastradas junto ao MinC. Se não utilizar todo o crédito de uma vez, o trabalhador pode usar o saldo restante no mês seguinte. O foco do programa são funcionários que ganham até cinco salários mínimos. O empregado contribui paramais.com.br


Presidente Lula durante cerimônia que envia ao Congresso projeto de lei que cria o Vale-Cultura

com 10% do valor do vale, o equivalente a R$ 5 por mês. Os 90% restantes ficam por conta da empresa, que terá o benefício fiscal de abater com este gasto até 1% do imposto de renda. Emocionado, Ferreira destacou o lançamento do programa como um “momento histórico”, uma “revolução” para colocar a cultura no centro do desenvolvimento do País. O ministro fez questão de reconhecer os pioneiros do projeto – o diplomata Sérgio Paulo Rouanet e o ex-ministro Gilberto Gil –, que primeiro pensaram nas vantagens da novidade. “Investir no consumo doméstico da família significa que serão gestados novos agentes culturais, novos artistas, criadores e poetas. Em pouco tempo, veremos que o espaço doméstico, até então conectado quase que exclusivamente à televisão, passará a ter também em seu interior outros atrativos.” Acompanhado de perto pela ministrachefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula até fez graça com o fato da mestre-decerimônias, a atriz Zezé Motta, citar mais de uma vez no protocolo a presença da possível candidata à presidência em 2010. “Eu não vou ler a nominata porque a Zezé Motta leu tantas vezes o nome da Dilma Rousseff que se tivesse um juiz eleitoral

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aqui, a Dilma já estava prejudicada”, brincou. Se referindo ao Vale Cultura como uma “briga antiga”, Lula afirmou que o projeto é o primeiro passo para que “o povo brasileiro tenha acesso à cultura”. O presidente, no entanto, defendeu outras iniciativas para que o impacto seja mais efetivo. Como exemplo, elegeu a falta de salas de cinema e de teatro nas periferias como opção de entretenimento. “Cada vez fica mais difícil ir para o cinema por causa do transporte, segurança. O cidadão prefere sentar na frente da televisão e ver o que nós vemos, um misto de coisas boas com uma maioria de coisas ruins.” A solução, na opinião de Lula, não seria estatizar os cinemas ou construir salas públicas, mas iniciar o debate em busca de uma política que inclua definitivamente os habitantes das áreas mais pobres e afastadas, onde está a maioria da população, através de uma combinação dos poderes das prefeituras, governo federal e estadual. “Imaginar que um cidadão vai levantar lá nos confins do Judas, pegar um ônibus e

levar duas horas para ir até o centro de São Paulo ver um filme é no mínimo não saber o conforto que é ficar na frente da televisão sem fazer nada.” E fez questão de citar “Lula, o Filho do Brasil”, filme biográfico de Fábio Barreto sobre anos de sua vida antes da presidência. “Um cineminha, Barreto, pelo menos para quando você terminar meu filme a gente ter esse prazer.” O carro-chefe do Vale Cultura são as estatísticas do IBGE, datadas de 2006, de que apenas 14% da população brasileira vão mensalmente aos cinemas, 96% não frequentam museus, 93% nunca foram a uma exposição de arte e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança. Por isso, a ideia é que o projeto de lei chegue à Câmara dos Deputados em caráter de “urgência urgentíssima”, seja votado daqui a 45 dias e depois siga para o Senado em busca de uma aprovação em tempo recorde. “Espero que a gente consiga começar o ano com isso aprovado, porque depois também tem o processo cultural, que vai ter que ser trabalhado com os empresários, com os sindicalistas, na divulgação”, afirmou Lula. “É um trabalho que não é só do governo, mas dos artistas, da sociedade como um todo, para que as coisas possam P acontecer”.

Presidente Lula e o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, durante cerimônia em São Paulo

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Edital oferta tanques-rede na barragem de Tucurui

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produção brasileira de pescados poderá crescer até 222 mil toneladas por ano, com a oferta de novos lotes para que pequenos produtores instalem tanques-rede nos reservatórios de Tucuruí, no Pará, Três Marias e Furnas, em Minas Gerais. O ministro da Pesca eAquicultura,Altermir Gregolin, anunciou que os editais com as regras para a cessão gratuita de águas da União nas três hidrelétricas estão publicados desde 24 de julho. Poderão participar do processo famílias que morem nas imediações dessas áreas há pelo menos três anos, tenham renda mensal até cinco salários mínimos e não sejam funcionários públicos. Serão ofertados 4.260 lotes de 1000 metros quadrados – sendo 17 de 10 metros cúbicos para cada pretendente em Tucuruí e 40 desses tanques para os piscicultores de Furnas e Três Marias, que poderão se candidatar cada um a espaços até 1.500 metros quadrados para a atividade.

A produção de pescado nos reservatórios de Tucurui será em lotes de 1000 metros quadrados – sendo 17 de 10 metros cúbicos para cada pretendente

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Fotos: Roosewelt Pinheiro/Abr

Em Tucurui a Eletronorte já promove o desenvolvimento sustentável da pesca por meio da preservação de espécies e do estoque pesqueiro, além da qualificação dos pescadores artesanais

O ministério vai enviar equipes para essas áreas, a fim de inscrever os candidatos, cuja classificação, não eliminatória, deverá priorizar agricultores vinculados a programas sociais do governo, como o Bolsa Família, registrados como agricultores ou pescadores. Quem tiver conhecimento da atividade, for assentado da reforma agrária, estiver sido atingido pela construção de barragens e pertencer a associações de classe rurais ganhará pontos no processo. Gregolin informou que o ministério está estudando a oferta de outras áreas em mais 14 barragens, número que deverá chegar a 40 até 2.011. Ele prevê que vão poder ser gerados com a exploração da produção de peixes em tanques-rede três empregos na produção direta e um na cadeia produtiva. Será oferecido crédito e assistência técnica e os financiamentos dos tanques, que podem custar entre R$ 700 e R$ 1.000, poderão ser pagos em até 10 anos. A produção de pescados no Brasil, hoje, é

de 290 mil toneladas por ano, devendo chegar a 700 mil toneladas/ano até 2011, em decorrência das políticas que o governo está adotando para estimular a atividade pesqueira, segundo Gregolin. O Brasil, avalia ele, tem tudo para tornar a carne de peixe tão competitiva quanto a suina, a bovina ou a de frangos. O consumo de peixes pelos brasileiros está abaixo da média mundial, de 17 quilos/ano por pessoa. Atualmente, o consumo no Brasil é de 7 quilos/ano por habitante, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 12 quilos/ano. O ministro da Pesca e Aquicultura disse que o país tem potencial para produzir até 20 mil toneladas por ano de peixes. Por isso, o governo tenta estimular o setor para que o pescado seja um produto mais barato, e o país concorra também nesse segmento com o mercado internacional. P

O ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, lançou os editais de concessão pública para produção de pescado nos reservatórios de Tucurui, no Pará, Furnas e Três Marias, em Minas Gerais

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Exemplo de consórcio de eucalipto jaca e curuá, na comunidade Guete

Experiências extrativistas s

A

governadora Ana Júlia Carepa quer ampliar para todo o município de Almeirim, no noroeste do pará, o sistema de manejo florestal comunitário já desenvolvido em 38 comunidades que vivem na área do Grupo Orsa no Vale do Jari. A empresa detém na região um grande projeto de produção de celulose e plano de manejo florestal sustentável, certificados, e oferece incentivos para 30 comunidades, das 98 que se estabeleceram na área. Aideia surgiu durante visita à comunidade Guete, que recebeu ajuda financeira da Fundação Orsa, braço social do grupo, para produção de eucalipto na forma de integrados. O cultivo homogêneo é consorciado com outras culturas, como pimenta do reino, espécies frutíferas, mandioca, banana, feijão, milho e curauá, uma bromélia da Amazônia da qual é extraída uma fibra utilizada pela indústria automobilística, na fabricação de componentes internos de veículos. Ao constatar a geração de renda conquistada pelas famílias beneficiadas, a governadora propôs ao presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso, o desenvolvimento de um projeto que possa ser ampliado para outras famílias de agricultores do município, que estão fora da área da Orsa e que atualmente vivem

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Fotos: Lucivaldo Sena / Ag. Pará

sem perspectivas econômicas. A governadora acredita que, com incentivo e assistência técnica, essas famílias poderiam diversificar suas atividades e melhorar a qualidade de vida. Hoje, boa parte tem dificuldade de acesso ao crédito por inadimplência na rede bancária. Segundo Ana Júlia Carepa, é preciso regularizar a situação desses produtores nos bancos, para que possam ter novamente o acesso ao crédito para investir em suas atividades. A parceria com o Grupo Orsa é importante porque a empresa tem condições de comprar tanto o curauá quanto o eucalipto, frisou a governadora. Acompanhada do secretário de Meio Ambiente, Aníbal Picanço, da diretora geral do Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor), Raimunda Monteiro, do procurador geral do Estado, Ibrahim Rocha, do assessor do Instituto de Terras (Iterpa), Girolamo Treccani e de outros integrantes do governo.

Exemplo Na comunidade Guete, onde vivem 20 famílias, a comitiva conheceu Manoel Santos Oliveira, conhecido por "Seu Mereco", beneficiado pelo Grupo Orsa. Com uma área cultivada de 4,3 hectares, ele tem um plantio de eucalipto consorciado com curauá, e desenvolve

Outras culturas, como tangerina, limão, graviola, cupuaçu, pimenta do reino, cacau, mandioca e banana, que lhe garantem o sustento da família e da comunidade

outras culturas, como tangerina, limão, graviola, cupuaçu, pimenta do reino, cacau, mandioca e banana, que lhe garantem o sustento da família. Em uma área degradada, Manoel plantou açaí consorciado com cacau e cupuaçu, e mostrou satisfeito a recuperação de um pequeno manancial de água, que agora é perene. O filho do agricultor faz o curso de técnico agrícola no Amapá e já traz conhecimentos para a propriedade. A família toda trabalha na área, evitando a contratação de mão de obra externa. Na paramais.com.br


O eucalipto, usado na produção de celulose, é cultivado em uma área de 60 mil hectares

Exemplo de consórcio de pimenta do reino, eucalipto e curuá, na comunidade Guete

ustentáveis no Vale do Jari área de Manoel há uma significativa reserva de floresta nativa, que ele garante conservar para contribuir com a qualidade do clima do planeta. O custeio das despesas da família é retirado da comercialização das culturas de ciclo curto, depois do primeiro ano de plantio. A cada seis meses o curauá é colhido, e bem manejado pode render até R$ 12 mil por ano em cada hectare. O eucalipto, que começa a ser cortado aos setes anos, é uma poupança, explicou SérgioAmoroso.

Manejo sustentável Antes de visitar a comunidade, a governadora e a comitiva conheceram

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uma parte da área de manejo florestal sustentável da Orsa Florestal. São 545 mil hectares de floresta nativa, certificada pelo FSC (Forest Stwardship Council). Para Euclides Reckziegel, coordenador de produtos florestais da empresa, o manejo evita a clandestinidade, ajuda a combater o desmatamento e o uso indevido do solo. Segundo Reckziegel, a certificação florestal garante ao comprador de madeira nativa que as práticas de exploração desse recurso natural respeitam critérios reconhecidos internacionalmente, pois são socialmente justas, economicamente viáveis e ambientalmente adequadas. A área do Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) da Orsa Florestal é subdividida em blocos, onde é feito um

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A governadora Ana Júlia Carepa conhece projetos fomentados pelo Grupo Orsa na comunidade Guete

levantamento prévio até a derrubada da árvore, como o mapeamento das espécies e a implantação de infraestrutura. De cada hectare podem ser retirados até 30 m3 de madeira de espécies comerciais, que tenham um diâmetro mínimo de 50 cm. Em cada área devem ser respeitadas restrições, como a preservação de espécies raras e árvores matrizes, e mantidos em pé pelo menos 10% do número de árvores por espécie. Após a colheita, explicou Reckziegel, "a área manejada fica em estado de pouso por 30 anos. Só então pode ser feita a segunda colheita". Todas as áreas são auditadas pela certificadora antes e depois do manejo. Em 2008, o principal destino da madeira da Orsa Florestal foi a Holanda (57,04%), país cuja legislação estabelece que toda madeira utilizada em obras públicas deve ser certificada. O segundo principal mercado é o Brasil (28,37%). Segundo Amoroso, o mercado interno não quer pagar pela certificação devido à oferta de madeira ilegal.

Holding

Ana Júlia Carepa conhece o curauá produzido na comunidade Guete, em Almeirim, beneficiada com recursos da Fundação Orsa

Fundado em 1981 o Grupo Orsa é formado pela Orsa Celulose e Embalagens S/A, Fundação Orsa, Jari Celulose S/A e Orsa Florestal. É uma empresa de capital fechado e 100% brasileira. Gera 8.600 empregos e teve um faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2008. O Vale do Jari é formado pelos municípios de Laranjal do Jari e Vitória do Jari, no Amapá, e Almeirim, no Pará, onde se destaca o distrito de Monte Dourado. Nessa área vivem cerca de 120 mil pessoas. O grupo possui a maior área certificada com cadeia de custódia do mundo, com 965 mil hectares, sendo 545 mil de floresta nativa. O grupo repassa 1% do seu faturamento bruto para a Fundação Orsa, que atua nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, geração de trabalho e renda. O manejo comunitário é fomentado pela Fundação, assim como outros projetos, como o Agulhas Versáteis, uma cooperativa de costureiras que produz uniformes profissionais, e ainda a Associação de Mães Artesãs do Vale do Jari (Amarte), produtora de biojóias; a Cooperativa de Artefatos Naturais do Rio das Castanhas (Coopnharin) e a Cooperativa de Moveleiros do Jari (Coopmóveis).

Não madeireiros A empresa está direcionando parte de seus esforços para a produção não madeireira. Conhecendo a rotina diária

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Conhecendo a área de manejo sustentável da Orsa Florestal, com mais de 540 mil hectares

No final de 2008, o Grupo Orsa comprou a empresa Ouro Verde, com sede em Alta Floresta (MT), que processa 250 toneladas de castanha/ano e atua com as comunidades extrativistas, visando fortalecer a cadeia produtiva da castanha e o desenvolvimento de produtos como azeite extra virgem, pasta e castanha in natura. Atendendo ao pedido da governadora, a Ouro Verde antecipou o início de suas atividades no Vale do Jari em um ano, ao liberar R$ 500 mil para a compra da castanha que corria o risco de se perder devido à retração do mercado, causando prejuízo aos extrativistas. Durante a visita, Ana Júlia Carepa, Sérgio Amoroso e dirigentes de várias entidades que organizam a coleta de castanha assinaram um protocolo de intenções, que visa incentivar a formação de novos grupos produtores, a prática do comércio justo com as comunidades, o aumento da renda das famílias extrativistas e a

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Celulose

eliminação gradual da figura do atravessador. A Ouro Verde pretende trabalhar com outros produtos, como o açaí e cacau.

A governadora visitou ainda a fábrica da Jari Celulose, que tem capacidade para produzir 410 mil toneladas/ano de celulose branqueada de eucalipto. A empresa é 100% certificada FSC. A Jari Celulose possui uma área de 60 mil hectares de floresta plantada e potencial para chegar a 120 mil hectares. O plano de investimentos do Grupo Orsa para os próximos sete anos no Vale do Jari, apresentado por Sérgio Amoroso, prevê a aplicação de US$ 3,4 bilhões em diversas áreas, como celulose, manejo certificado, curauá, energia limpa, pecuária e produtos não madeireiros, com previsão de gerar 10 mil novos empregos. Antes de deixar Monte Dourado, Ana Júlia Carepa conheceu o viveiro de mudas da Orsa Florestal e plantou uma muda de pequiá (Caryocar villosum), em um bosque que abriga diversas essências da Amazônia, plantado pelos visitantes do Vale do Jari. P A resistência da fibra do curauá, uma bromélia da Amazônia, levou ao aproveitamento pela indústria automobilística

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por

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Prof. Ms. Josinaldo Reis do Nascimento Ms. Denis Domingues

O manguezal e o caranguejo-uçá no estado do Pará

O

Fotos: Arquivos SEBRAE 2006; MADAM 2005 e Leonardo Miranda

manguezal é um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes marinho e o terrestre, encontrado nas regiões costeiras de zonas tropicais e subtropicais do planeta. Poucas são as espécies de plantas e animais que conseguem viver neste ambiente, devido a grande variação da quantidade de sais na água trazidos pelo vai e vem das marés e o solo lamacento com pouca quantidade de oxigênio são fatores considerados limitantes para adaptação das espécies neste sistema. Ao longo do litoral brasileiro, encontra-se uma faixa contínua de manguezal, com aproximadamente 1,38 milhões de hectares, cuja vegetação apresenta maior exuberância próximo à linha do equador, a chamada Costa Norte Brasileira, que vai do Estado do Amapá até baía de São Marcos no Maranhão. No Estado do Pará, os manguezais ocupam cerca de 4.500 km2 da ilha Marajó até a baía do Gurupi, isso corresponde aproximadamente 1/5 do total deste ecossistema no Brasil. Os emaranhados das raízes das plantas, os canais de maré e a grande quantidade de matéria orgânica proporcionam um ambiente ideal para reprodução e abrigo para várias espécies de peixes, camarão e de outros recursos pesqueiros de importância econômica. Muitas comunidades pesqueiras no estado do Pará que estão localizadas nas proximidades do manguezal, utilizam seus de recursos como: madeira, mexilhão, ostra, peixe e caranguejo para sua sobrevivência. A coleta do crustáceo, caranguejo-uçá cientificamente denominado Ucides cordatus (Figura 02), constitui-se como um dos mais

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O caranguejo-uçá cientificamente denominado Ucides cordatus

O tirador de caranguejo no mangue

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Distribuição do ecossistema manguezal ao longo do mundo

importantes componentes da economia dos municípios da região Nordeste do Pará. Os “tiradores de caranguejo”, como gostam de serem chamados, vão ao manguezal quase todos os dias da semana e coletam em média cerca de 200 caranguejos por dia. Muitos se deslocam até o local de trabalho de bicicleta, de barco motorizado ou de canoa. Normalmente uma embarcação motorizada transporta cerca de 10-15 destes pescadores. O resultado do trabalho dos tiradores foi bem evidenciado no ano de 2006, onde os dados oficiais do Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Norte (CEPNOR/ICMBio) registrou um

total de 3.677,5 toneladas de caranguejouçá desembarcada nos portos do Pará. Os municípios produtores de caranguejouçá do litoral paraense são: Soure, Salvaterra, Colares, Vigia de Nazaré, São Caetano de Odivelas, São João da Ponta, Curuçá, Marapanim, Maracanã, Magalhães Barata, Santarém Novo, Salinopolis, São João de Pirabas, Quatipuru, Primavera, Tracuateua, Bragança, Augusto Correa e Viseu, com um destaque maior para Bragança, Quatipuru e São Caetano de Odivelas, onde são registrados os maiores volumes de produção anual. Em Bragança, nordeste do Estado, das comunidades rurais que se encontram próximo às áreas de

mangue, cerca de 83% da população retira o seu sustento do manguezal. Isso significa que para mais dê metade da população destas comunidades (64%), a extração de caranguejo-uça, aparece como a principal atividade econômica e de subsistência para as famílias da região, sendo este o principal recurso oriundo do ecossistema manguezal. Neste cenário, a captura desse crustáceo no Estado, intensificou-se de maneira notória nos últimos anos. Estimulada por diversos fatores, sendo estes de natureza

Embarcação motorizada que transporta os tiradores até os mangues mais distantes

organizacional do processo de comercialização e de oportunidades de trabalho em outras atividades extrativistas. Ocorrendo assim uma evolução de uma atividade meramente de subsistência, com comercialização esporádica e pulverizada, para uma atividade mais voltada para o mercado, aumentando a complexidade da cadeia produtiva do caranguejo-uça no estado.

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Dentre os processos de mudança ocorridos na cadeia produtiva do caranguejo-uça, o beneficiamento da carne do caranguejo, a chamada “catação”, tornou-se elemento chave para agregação de valor ao produto, bem como a inserção das mulheres no processo produtivo, criando a categoria das catadeiras de caranguejo. O beneficiamento da carne do caranguejouçá vêm se configurando como uma das principais atividades ocupacionais e geradora de renda para algumas comunidades, dando uma nova dinâmica a economia local. Apenas na comunidade do Treme, distante cerca de 18 km da sede do município de Bragança, aproximadamente 80% das residências estão envolvidas na cadeia produtiva deste crustáceo. Este fato pode ser evidenciado devido à alta demanda do produto. Conseqüentemente, o aumento na pressão de captura dessa espécie é evidenciado, mesmo que alguns pesquisadores não destaquem a sobre-exploração deste recurso. Conflitos entre grupos de tiradores de caranguejo-uçá por “melhores mangais” têm demonstrado que as atuais formas de utilização do recurso apresentam sinais de limitação e necessitam de uma atenção especial sobre as formas de gestão aplicadas atualmente. Atualmente, o Estado do Pará possui um vasto arcabouço legal disciplinando a exploração do caranguejo–uçá. Porém, nos últimos anos acirraram-se as discussões em torno do manejo deste crustáceo e o principal instrumento normativo é a portaria no 034/2003 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Renováveis Naturais (IBAMA), que determinava o a interrupção da coleta durante o período de reprodução (andança), estabelecendo o período de defeso dessa espécie. É importante salientar que de acordo com a

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Constituição Brasileira, cada estado da federação tem competência para estabelecer normas segundo as peculiaridades regionais e locais, promover a suspensão da captura da espécie Ucides cordatus, exclusivamente, durante os dias de andada e outras medidas de ordenamento nos limites do Estado. Esse instrumento de ordenamento que vem sendo aplicado atualmente, porém, apesar de sua efetividade não ter sido ainda devidamente investigada do ponto de vista científico, há fortes sinais que essa estratégia de ordenamento, na forma que vem sedo executado, não vem apresentando aprovação por parte dos usuários. Possivelmente esse fato decorra da incipiente comunicação entre gestores, tomadores de decisão e acadêmicos com os pescadores artesanais tiradores de caranguejo, resultando em uma prática de gestão centralizada, que muitas das vezes não representa os interesses e a realidade em que estes trabalhadores estão inseridos. Como conseqüência dessa prática, há redução ou inexistência dos incentivos para o cumprimento das normatizações estabelecidas pelas agências reguladoras. Desta forma, futuramente podem ser acirradas as disputas pelo acesso às áreas de captura (os melhores mangais), bem como pelo (des)cumprimento das leis entre grupos de coletores de caranguejo, o que deverá se intensificar se não houver instituições locais (ou comunitárias) fortes, que possam discutir de forma participativa alternativas de sustentabilidade no manejo da atividade de exploração do caranguejo-uçá no Estado do Pará.

Catadeiras de caranguejo em sua atividade diária

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Sugestão de leitura: A partir destes pressupostos, reuniram-se nos dias 19 e 20 de junho de 2009, na cidade de Bragança, Nordeste do Pará, 497 pessoas,(Figura 06) entre pescadores artesanais de caranguejo-uça, pesquisadores, estudantes, representantes do poder publico e lideranças comunitárias e demais membros da sociedade civil organizada envolvidos direta ou indiretamente na cadeia produtiva do caranguejo-uçá do Estado, no FORUM PARAENSE SOBRE O CARANGUEJO-UÇA, organizado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (SEPAq) e Prefeitura Municipal de Bragança. No evento uma ampla discussão a cerca da sustentabilidade, gestão e ordenamento dos estoques deste recurso foram amplamente debatidos. Temas como as contribuições das pesquisas básicas e aplicadas para definição do período de proteção envolvendo as fases do ciclo de vida (crescimento e reprodução), visando o ordenamento da exploração sustentável do caranguejo-uçá, alternativas para Participação expressiva dos atores sócias envolvidos na cadeia produtiva do caranguejo-uçá

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organização social e o reconhecimento da categoria com relação ao seguro defeso, e uma proposta foi apresentada para revisão da legislação atual e procedimentos existentes sobre o ordenamento da captura, transporte e comercialização do caranguejo, alem de discutir a necessidade de uma norma especifica para o beneficiamento de produtos e sub produtos do caranguejo-uçá forma temas abordados pelos participantes do I Fórum Paraense sobre o caranguejo-uça que gerou um documento denominado CARTA DE BRAGANÇA, onde contem as principais propostas sugeridas pelos participantes do evento. (Carta em anexo) Dentre os participantes do evento, 343 foram entrevistados, sendo: 144 foram tiradores de caranguejo-uçá, o que representou 43% da amostragem. Entre pesquisadores, estudantes universitários e professores, o total de abordados foi de 66 participantes, o que representou 19% da amostra. Para os participantes das Organizações Não-Governamentais (ONGs), este total chegou a 17% e por fim as lideranças comunitárias e outros participantes representaram 10% da amostragem. P

±DOMINGUES, D. Análise do conhecimento ecológico local e do sistema produtivo como subsídio para gerar instrumentos de gestão da atividade de exploração do caranguejo-uçá (Ucides cordatus linneaus, 1763) nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha CaetéTaperaçu, Bragança-PA. Dissertação de Mestrado em Biologia Ambiental. Universidade Federal do Pará, Campus de Bragança, Pará, p.50, 2008

±FERNANDES, M. E. B. Os manguezais da costa norte brasileira. Vol. I e II. Fundação Rio Bacanga (Maranhão)

1

Biólogo, Professor de Extensão Pesqueira e Economia e Comercialização de recursos pesqueiros do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus Bragança

2

Oceanógrafo, Agente de Desenvolvimento Local do Programa Para Rural

Os secretários de estado falam aos participantes do FÓRUM PARAENSE SOBRE O CARANGUEHO-UÇÁ

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Dilma Roussef no Pará

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ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Roussef, anunciou recentemente em Brasília, que virá ao Pará no segundo semestre, para fazer um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado e assinar o protocolo da obra da siderúrgica que a empresa Vale construirá em Marabá. Na oportunidade Ana Júlia Carepa convidou a ministra para participar da procissão do Círio de Nazaré, em outubro. A ministra aceitou de imediato o convite da governadora Ana Júlia Carepa, feito durante audiência no Centro Cultural Banco do Brasil. "Dilma se mostrou receptiva e declarou seu carinho pelo nosso Estado. A expectativa é que a data da viagem seja marcada para, no máximo, daqui a três meses", informou a governadora. A governadora tratou com a ministra sobre diversos assuntos relacionados ao Pará.

Convidada para participar da procissão do Círio de Nazaré, a ministra aceitou, se mostrou receptiva e declarou seu carinho pelo nosso Estado

Durante a reunião, a ministra destacou a importância do Pará para a Amazônia e para o restante do País, e comprometeu-se a buscar os recursos solicitados pela governadora. Dilma disse, ainda, que sua receptividade ao convite da governadora devia-se ao "enorme desejo" que tem de visitar novamente o Pará.

Desenvolvimento social Outra audiência da governadora, que obteve excelente resultado, foi com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Ana Júlia Carepa solicitou mais recursos para projetos que

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Fotos: Adriano Machado

Da audiência com a ministra participaram ainda secretários de Estado e parlamentares das bancadas federal e estadual do Pará

beneficiam a população mais carente do Estado e recebeu do ministro a garantia de que o Estado terá prioridade. Segundo ela, além das enchentes que atingiram mais de 200 mil pessoas, a economia do Pará sofreu sérios abalos em decorrência da crise econômica internacional. A governadora também observou que, apesar dos esforços do Estado, ainda é necessário que o governo federal suplemente recursos, a fim de dar suporte às famílias de trabalhadores que ficaram desempregados após as ações de combate ao desmatamento ilegal. Ana Júlia Carepa pediu ao ministro a liberação de recursos referentes ao pacto pelo Desenvolvimento Social, da Secretaria Nacional de Inclusão Produtiva, ao qual o governo do Pará aderiu no ano passado. Patrus Ananias garantiu que, por sua importância estratégica, o Pará tem prioridade. Ele sugeriu uma reunião entre as equipes técnicas do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e do governo paraense, para definir, nos próximos dias, um cronograma de trabalho e as principais ações para o Estado. O ministro acrescentou que a madeira apreendida no Pará será doada pelo Ibama ao MDS, para que este faça um leilão destinado às ações de inclusão social, que

beneficiarão a população dos municípios brasileiros, especialmente os paraenses. "Não podemos esquecer que a maior parte das ações da Operação Arco Verde estão no Pará. Assim, é natural que o Estado seja um dos que mais receberão os recursos", disse PatrusAnanias.

Assuntos estratégicos Pela manhã, Ana Júlia Carepa reuniu-se com o ministro Extraordinário da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Daniel Vargas. Convidada pelo ministro – que substituiu Mangabeira Unger -, ela ouviu os planos da Secretaria e que são de interesse do Pará. Vargas garantiu à governadora que, durante sua gestão, está preservada a defesa dos interesses do Pará e da Amazônia na SAE. Ela agradeceu e destacou a importância da Secretaria para a solução de graves e históricos problemas que atingem aAmazônia. P A governadora Ana Julia Carepa, durante reunião com secretários de Estado e Deputados da bancada paraense na Câmara dos Deputados, na representação do governo do Estado em Brasília

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Municípios paraenses ganham telefonia móvel

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Fotos: Claudio Santos/Ag Pa e Portal Buré

u n i c í p i o s e localidades de difícil acesso, que no passado sofriam pela falta de serviços de telecomunicação, agora já podem contar com a telefonia móvel. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o governo Ana Júlia assinaram convênios com operadoras para garantir Telefonia móvel uma bandeira de luta de Airton que a população possa fazer ligações por Faleiro, deputado estadual , líder do governo meio de aparelhos celulares para qualquer lugar do país e do mundo. É o que informa o líder do governo, Ao todo, a previsão é que 47 municípios paraenses que ainda não dispõem do deputado estadualAirton Faleiro. Gurupá, Prainha, Anapu, Pacajá, serviço de telefonia móvel serão Jacareacanga e Rurópolis são os contemplados pelas operadoras Claro municípios que já contam com o (13 municípios), Oi (6), Vivo (16) e TIM funcionamento da tecnologia, uma (12). Estes representam 33% do total de bandeira de luta do deputado Aírton 143 cidades do Pará. Faleiro. “Atendemos aos apelos de A Oi foi a responsável pela implantação várias comunidades. Diante disso, da telefonia celular em outubro de 2008 apresentamos requerimentos na nos municípios de Baião, Acará e Viseu, Assembléia Legislativa, assim como segundo informações da Secretaria de convocamos reuniões com as empresas, Estado de Integração Regional (Seir), o governo do estado e prefeituras repassadas pela diretoria da operadora. municipais para que este grande desejo se tornasse realidade”, afirma Faleiro. Em outros municípios paraenses o De acordo com a Anatel, até 2010, todas processo está em fase de instalação. “A as capitais dos estados, o Distrito chegada da telefonia móvel nestas áreas Federal e as cidades com mais de 500 é mais um passo que o governo Ana mil habitantes terão cobertura total de J ú l i a d á n o s e n t i d o d e l e v a r telefonia móvel 3G (3G é a evolução da d e s e n v o l v i m e n t o e i n o v a ç ã o telefonia celular, trazendo velocidade mais rápida na transmissão tecnológica para todo o estado”, complementa o Antena da Vivo de dados e no acesso à parlamentar. em Jacareacanga Internet pelo celular, notebooks ou nos Em recentes contatos computadores domésticos) com as empresas de para serviços de banda telefonia móvel, Airton larga móvel. No final de Faleiro assegura que 2012, todos os municípios existe um esforço com mais de 200 mil conjunto entre o governo habitantes deverão estar federal, por meio da cobertos pela banda larga Anatel, governo do sem fio. Em 2013, 50% dos estado, prefeituras e municípios com população operadoras para entre 30 mil e 100 mil viabilizar esse habitantes. Ao fim de 2016, funcionamento em outras localidades. Até no máximo o pelo menos 60% dos municípios com primeiro semestre de 2010 o serviço de menos de 30 mil habitantes terão a c e l u l a r e s t a r á i m p l a n t a d o e m tecnologia disponível. municípios do Pará como Aveiro, Confira a lista dos municípios do Pará (Fonte: Anatel) que receberão a Trairão, Placas e Porto de Moz. tecnologia 3G:

Prazo

Tecnologia 3G

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Abel Figueiredo Aurora do Pará Bagre Baião Bannach Belterra Bom Jesus do Tocantins Bonito Brasil Novo Brejo Grande do Araguaia Bujaru Cachoeira do Arari Cachoeira do Piriá Canaã dos Carajás Concórdia do Pará Curionópolis Curralinho Curuá Faro Garrafão do Norte Inhangapi Limoeiro do Ajuru Mãe do Rio Maracanã Marapanim Medicilândia Melgaço Mocajuba Muaná Nova Esperança do Piriá Nova Ipixuna Nova Timboteua Oeiras do Pará Ourém Ourilândia do Norte Palestina do Pará Peixe-Boi Piçarra Ponta de Pedras Primavera Quatipuru Rio Maria Rurópolis Salvaterra Santa Bárbara do Pará Santa Luzia do Pará Santa Maria do Pará Santo Antônio do Tauá São Caetano de Odivelas São Domingos do Araguaia São Francisco do Pará São Geraldo do Araguaia São João de Pirabas São Sebastião da Boa Vista Sapucaia Senador José Porfírio

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TV Cultura chega a 48 municípios e localidades

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Fotos: Fernanda Monteiro; Tamara Sare/Agência Pará

TV Cultura do Pará inicia o mês de agosto com retransmissoras em 48 municípios e localidades paraenses, um resultado da política de expansão do sinal da TV pública paraense proporcionada pelo Governo do Estado, por meio da

Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa). A mais recente inauguração aconteceu no município de Juruti, a 840 quilômetros de Belém, em uma solenidade que contou com a presença da governadora Ana Júlia Carepa e da presidente da Funtelpa, Regina Lima. A expansão da TV Cultura faz parte de

Em Juruti, a inauguração contou com a presença da governadora Ana Júlia Carepa e da presidente da Funtelpa, Regina Lima, entre outras autoridades Assistindo o início das transmissões...

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uma ação estratégica do Governo Popular para levar mais opções de entretenimento e fonte de informação para a população paraense. “É uma TV educativa, que está levando para todos os municípios conhecimento, cultura, apoio às manifestações locais, que ajuda a integrar a economia do Estado. Investir para permitir o acesso democrático à informação é um instrumento de cidadania", afirma a governadora Ana Júlia. O sinal da TV Cultura já alcança mais de 3,3 milhões de pessoas, em 44 municípios e quatro localidades: Alacilândia (Conceição do Araguaia), Curuá-Una (Santarém), Vila de Porto Alegre e Vila Mainardi (ambas em Breves). Trata-se de um momento histórico nos 22 anos de existência da emissora pública paraense, como destaca Regina Lima: “Antes disso, o sinal da TV Cultura só chegava à Região Metropolitana de Belém”. Em julho, o ritmo de inaugurações foi intenso. Nos dias 4 e 8, ganharam retransmissoras, respectivamente, os municípios de Parauapebas e Anajás (ambas canal 5). No dia 17, a inauguração foi em Aveiro (canal 9). E no dia 18, em Bagre (canal 8). Até 2010, a TV pública do Antena Capitão Poço. A TV Cultura já instalou suas retransmissoras em 44 municípios e quatro localidades paraenses


Pará reunirá 80 retransmissoras em todos os cantos do estado, exibindo uma programação de qualidade, com foco na cultura e na identidade do paraense. Feita por e para os paraenses, a TV Cultura do Pará destaca-se em âmbito nacional como uma das emissoras públicas que mais produzem conteúdo. Atualmente, estão no ar 16 programas, como o Jornal Cultura (1ª e 2ª Edições), Direto da Redação (com três edições diárias),

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Esporte Cultura, Sem Censura Pará, Cultura Paidégua, Sementes, Brasil da Amazônia, 7 Set Independente, Invasão, Cinerama, Moviola, Cena Musical e Catalendas, além das interprogramações. A grade também traz programas nacionais, transmitidos pela TV Brasil, como o Cocoricó, Repórter Brasil, Observatório da Imprensa, Conversa Afinada, Sem Censura e o Roda Viva, P entre outros.

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Acyr CASTRO

AGOSTO DE 2009

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poeta Thomas Stearn Eliot dizia, e muito acertadamente, que agosto era, e é, um mês cruel. Em agosto, por exemplo, deu-se uma série de acontecimentos funestos. No Brasil, o ditador Getúlio Vargas era deposto pelos militares mas, infelizmente, suicidou-se para ficar na mente e no coração das massas empobrecidas e virar " o Pai dos Pobres" e nome de avenida no centro desta mui sofrida cidade de Santa Maria das Graças de Belém do Grão - Pará. Porém Magalhães Barata se preparava para um fim melancólico e Thomas Stearn Eliot entrava em definitivo na história de todos nós. Uma conclusão fundamentalmente irônica. Os fatos históricos falam por si e são Isentos quer em termos políticos, humanos e sociais. As ditaduras parece que não deixam de existir, renovando-se no dia - adia, uma praga a se eternizar, Getúlio, Barata, Augusto Pinochet, Oliveira Salazar, e ainda vivo Hugo Chavez, e por aí vai. Quisera que Eliot estivesse equivocado, todavia, para tristeza geral, não está e seus vaticínios (ser poeta não e vaticinar ? ) são do tamanho de sua poesia. A crueldade dos regimes ditatoriais reside, basicamente, em não ser um mal apenas em si: parece o vírus do HIV que se abre em leque para todas as doenças. O absolutismo, que nas repúblicas, dá idéia de ser a outra face das monarquias, somatisa e totaliza, resumindo, os males da exploração do homem pelo homem, à direita, à esquerda, ao centro, desde Adolf Hitier, Benito Albert Camus Mussolini e Josef Stalin. Contudo, descendemos dos cabanos e temos na alma o sentimento da liberdade e o compromisso de sangue por um mundo melhor, infinitamente mais fraterno e igualitário e democrático a partir das nossas esperanças paraenses. Eis a ironia de tudo, os ditadores se apóiam no nacionalismo, de Francisco Franco a quantos proliferam ao redor do sol. Cléo Bernardo de Macambira Braga sabia tudo sobre o que estou tentando refletir. "Quando Albert Camus afirma que não existe liberdade sem inteligência, a esta está conferindo o sentido dialético da responsabilidade, pois sem ela a liberdade não chega a resultar em libertação intrínseca e conseqüente, como luta e conquista, redenção e continuidade. A ignorãncia é o ventre pandeiro das escravidões. E a pior ignorãncia é a dos tais doutores que não sabem conversar com as estrelas e os ventos que, passando, vão fecundando o chão para semente.

Porque a liberdade não se dá a conta-gota vinda das águas da fonte.Não é flor artificial mas lírio no campo amanhecendo". Não conheço na realidade nada mais atual do que as verdades puras e simples. Relembro o profeta Bertolt Brecht, cujo teatro dá idéia de acompanhar às vezes o de William Shespeare: a verdade é filha do tempo e não da autoridade. "Parir é ato da criatura mas nascer se torna obra do mundo". Desejava Cléo que a fronte da Mãe Comum se erga de vez dos fundos internacionais e dos atoleiros nacionais permanecendo erguida e sempre como a Pátria solidária dos mortos e dos vivos. Ao se escrever, seja lá quando for, a real História Universal, isso ficará mais nítido e mais claro que o sol. Somos um povo que adora brigar repartindo divididos, enquanto nos subtraem, cantam Francis Hime e Chico Buarque de Holanda, de um tudo, Giácomo Leopardi em tenebrosas transações, distraídos que às vezes ficamos. Até quando meu Deus, até quando? Pensar que a democracia é só dos ricos é trair a noção em si da própria democracia que é individual e Padre Antônio Vieira coletiva. Mortos e vivos, repito, e recordo o padre Antônio Vieira: "Deu o vento, eis o pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: estes são os mortos". "Assim, nesta imensidão" (Giácomo Leopardi) "se afoga o pensamento e doce é naufragarme nesses mares". E até setembro, querendo Jesus e Nossa Senhora, espero que com a permissão dos diletos amigos Ronaldo e Rodrigo Hühn, editores desta bela revista. (*) Poeta, jornalista e escritor

Bertolt Brecht

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Pandemia de gripe H1N1 pode atrasar retomada econômica mundial

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a Europa, a preocupação com as consequências da gripe A H1N1, também conhecida como gripe suína, sobre a economia é cada vez maior. Um estudo do instituto britânico Oxford Economics, ligado à universidade e publicado recentemente, simula um cenário catastrófico, levando em consideração a rápida propagação da pandemia. Se 30% da população mundial for contaminada pelo vírus H1N1, a retomada do crescimento econômico mundial ficará comprometida. O medo da doença poderá m o t i v a r, s e g u n d o o s a n a l i s t a s , comportamentos preventivos. A população vai evitar lugares públicos, como shopping centers e cinemas, e cancelar viagens, causando prejuízos à indústria do turismo. As pessoas também devem gastar menos: em tempos de incerteza, reduzir as despesas se torna uma prioridade. A queda no consumo afetará em cheio o mercado financeiro e a confiança dos investidores, gerando um círculo vicioso de crise. Os analistas lembram que em 2003 a pneumonia asiática causou uma queda de 60% do turismo em Hong Kong. O estudo britânico analisa particularmente o caso da Inglaterra. No país, o custo da pandemia pode representar até quase 5% do PIB, em caso de “catástrofe severa”. O ministério da Saúde inglês anunciou que já neste mês de agosto pode haver 100 mil contaminações por dia. O país não está preparado para enfrentar essa situação. Os 132 milhões de doses de vacina

Todo cuidado é pouco, pouquíssimo... paramais.com.br

Fotos: Valter Campanato/ABr

encomendados pelo governo não tem ainda uma data de entrega definida. Na Europa, onde mais de 10 mil pessoas já foram contaminadas pela gripe A, alguns países já adotaram programas de vacinação. Na França, onde a pandemia é por enquanto mais branda, o governo anunciou a compra de 94 milhões de doses. A Alemanha comprou 50 milhões e a Espanha, que prevê pelo menos 8 mil mortes ligadas direta ou indiretamente à pandemia de gripe A no próximo inverno europeu, adquiriu um lote de37milhõesdedoses. No Brasil, os casos se avolumam...Todo cuidado é pouco, pouquíssimo... Temos avaliado continuamente as dúvidas e procurado responder a todas as dúvidas que têm surgido. Cada vez mais, de acordo com a evolução da doença fora e dentro do país, o que muda é o conteúdo da informação”, resumiu o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério

da Saúde, Eduardo Hage. “A partir do momento em que se tem o estabelecimento da pandemia, o conteúdo da mensagem passa a ser no sentido de priorizar aqueles grupos de maior risco para evitar a ocorrência de casos graves e óbitos.» Pesquisa realizada entre os dias 4 e 6 de julho revelaram que 75% dos 802 entrevistados já viram alguma propaganda sobre a doença, mas 15% têm dúvidas quanto às formas de contágio, 15% quanto aos sintomas e 13%, com relação a medidas de prevenção. A campanha, chamada “Tire suas dúvidas sobre a influenza A (H1N1)”, responderá às seguintes perguntas: como se pega a nova gripe, como se faz para não pegar a nova gripe, quando se deve procurar atendimento médico, quais são os sintomas da doença, se a gripe é perigosa e

Eduardo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde

se tem tratamento. Também orientará a população a não se automedicar e a procurar um posto de saúde ou médico de confiança se estiver com febre, tosse, dor de garganta e dificuldade para respirar. Hage informou que são inócuas medidas como a suspensão de aulas, como vem sendo feito por alguns municípios do Rio Grande do Sul. “As medidas de contenção devem ser avaliadas caso a caso. O que se preconiza é que essas medidas têm, cada vez mais, menos efeito na medida em que a disseminação já ocorre não somente no Rio Grande do Sul como em outras áreas do país”, afirmou. Alertou, no entanto, que não há motivo para pânico e lembrou ainda que a transmissão sustentada da nova gripe é igual a da gripe sazonal de inverno: de pessoa para pessoa, de forma disseminada, em especial em grandes centros. “O quadro clínico apresentado, a gravidade e a ocorrência de óbitos têm sido muito semelhantes a da gripe comum”, informou. Segundo ele, todos os anos são registradas cerca de 900 mil internações e 77 mil mortes por gripes ou causas associadas, como pneumonias e bronquites.”Todos os anos vamos ter ocorrências de casos, internações e, infelizmente, sempre vamos ter óbitos por gripe, o que tem modificado são os vírus responsáveis, os agentes responsáveis por essa doença. Hoje é o H1N1, o novo vírus, no ano passado eram outros vírus que estavam circulando”, ressaltou. P

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Camillo VIANNA

Amazônia. Recordação de Águas Encrespadas E m naveganças por recantos da também chamada Hégira Liquida, que a aceitação popular local chama de setores do Império de Netuno (como rios, lagos e igarapés) onde acreditam existir por interferência de semi-deuses silvestres, como afiançam alguns mestres. Vamos aos fatos. Em relação a Ilha do Marajó, temos de saída o Cabo do Maguarí, que parar nós, eu e primos adolescentes, era uma experiência que começava bem antes do dia da viagem, mesmo que a preferência fosse dada aos barcos de nosso tio Antônio Martins Junior, e tudo fazíamos para que houvesse coincidência da saída do famoso barco São Gregório na rota Belém-Caiena. O Cabo era muito conhecido e os usuários, invariavelmente transmitiam noticias não muito tranquilizadoras que deixavam de orelha em pé o marinheiro de primeira viagem que com muita frequência era obrigado a usar esse tipo de embarcação. Na dobrança do Cabo, cada qual procurava lugar mais seguro na embarcação, pois o panteiro estava prestes a cair, fazendo o barco parecer uma casca de noz no aguaceiro e todos se sentiam como bode de embarque pois a viatura jogavam até não mais poder e os viajores baldeavam o tanto que tinham no estambo (estomago). Chegavam as vezes a lavar o convéns obrigando as pessoas a se agazalharem em camarotes, caso existissem. Não era difícil identificar alguém, de preferência, mulheres que se punham a rezar para seus santos protetores. Lógico, nem sempre a dobração acontece nesse feitio, chegando mesmo a ter parecença com um espelho, e tudo seguia na Santa Paz de Deus. Jogar, no bom e no mau sentido significa balançar, sacudir e se o cidadão pensava que ficava nisso, estava redondamente enganado. Bastava aguardar com tranqüilidade quando o vento começasse a zunir e a chuva engrossar e a chuva engrossava cada vez mais. Sendo dessas bem bagudas que meu amigo João Cabeça, um dos primeiros moradores de Taciateua, chamava chuva de cabeceira. No Marajó, os moradores tradicionais identificam no meio do chuvoeiro período de estiagem, que

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chamam de veranico, na quadra envernosa de invernico. Deve ser dito que a tripulação estava preparada para o que desse e viesse, pois a Capitania dos Portos vem obrigando os proprietários a cumprir as leis de náutica, tais como o colete salva-vidas, treinamento de embarcação em socorro e outros. A Baia do Quebra Pote, na extrema com o Maranhão era conhecida e respeitada pelo Cabo do Maguarí na Ilha do Marajó afundamento relativamente frequente como o que aconteceu com a família do médico Amynthor Cavalcante, professor da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. Ressalto que em viagem onde atravessamos essa Baia, que não foi concluída por recomendação do tarimbado Comandante. Foi grande alívio para todos que se dirigiam para Abaetetuba e outros municípios do Baixo-Tocantins paraense aproveitando o porto que ficava localizado próximo à imagem de Nossa Senhora do Tempo e para isso era obrigatório a travessia do Furo da Bahia do Arrozal, em Barcarena. Suas águas eram temidas bem como os pedrais ali existentes. Fazendo parte do arquipélago marajoara, como é conhecida a região da qual faz parte a maior Ilha fluvio oceânica do Brasil, das Ilhas Caviana e Mexiana, entre outras menores e que dão nome à Baia do Marajó, das mais movimentadas em toda a Amazônia brasileira, no que diz respeito ao seu encrespamento, não é sempre que suas águas estão alvoroçadas. Pedro Teixeira foi o primeiro navegador lusitano a explorar o Rio Tapajós como sempre faziam os navegadores de outrora na cata de ouro e prata, entre outras coisas. É fato publico e notório que as trombas d'águas são muito chegadas a esse rio, em que pese que o autor jamais conseguiu enxergar uma delas apesar dos enormes chuvoeiros acompanhados de raios, coriscos e trovões que faziam agitar suas águas. Muito embora possa haver algum questionamento, a presença do navegador expanhol Vincente Ianez Pinzon, deu com os costados nestas lonjuras em fevereiro de 1500, antes, por tanto, do achamento oficial do nosso Brasil por Pedro Alvares Cabral. De um jeito ou de outro, deu-se a ele as primeiras informações sobre a pororoca, em rio do Amapá e de quebra levou os primeiro escravos ameríndios para a Europa, que infelizmente teve prosseguimento com a ativa participação de pirata, flibusteiros, bucaneiros e negreiros, tornando-se um excelente negocio daí pra frente. Fato curioso esta acontecendo no Rio Capim, no Estado do Pará, que foi considerado, recentemente, o mais importante centro do recém criado surf fluvial, seguindo-se o Rio Araguarí, no Estado do Amapá. O primeiro chegou a reunir atletas do nosso país e do exterior, dentro da programação oficial do Estado do Pará. No ano passado a competição foi verdadeiro fracasso por estarem as

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ondas muito enfraquecidas, o que foi justificado por ribeirinho morador, pela falta de um dos 3 pretinhos que empurram a onda grande na realização do fenômeno. No ano em curso, o fracasso foi geral e a competição esmoreceu de vez, já que nenhum dos pretinhos compareceu e a justificativa dada pelos moradores é que eles teriam sido eliminados por alguma Cobra Grande, moradora do local. Por conhecer o rio, quando lá estive, acompanhado pelo Dr. Rubens da Silveira Britto, na busca de informações sobre este importante curso d'água, fico imaginando que o que aconteceu não tem nada com a Grande Cobra nem com os 3 crioulos, mas com fatores novos que estão ocorrendo entre nós, com a devastação da mata ciliar, como conseqüência dos criadores de gado centro-sulistas e pela retirada abusiva do seixo rolado do leito do rio, pelos construtores das rodovias. Está ocorrendo mesmo em relação de olarias pela retirada do barro das margens e a diminuição do combustível pela retirada da lenha para abastecer as caldeiras. Muito recentemente, tenho na memória ter observado tromba d'água em frente a Belém, na direção das ilhas que circundam a cidade. Espero não estar falhando em demasia (Alam Poe), p o i s q u a n d o escarafunchava por estas bandas, o Pe. Antonio Vieira faz citação sobre este fenômeno. Pororoca, Surf fluvial no Rio Vale a pena referir que Araguarí, Estado do Amapá

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quando a natureza esta agitada, pequenos e médios cursos d'água podem entrar na relação das águas alvoroçadas, mesmo que sejam de curta duração. O resultante do chuvoeiro que desaba acompanhado do zunir da ventania braba e da força da lua cheia. Caso seja verdadeiro o que vem sendo afiançado aos 4 cantos do planeta, o El Niño e sua parceira La Niña que ainda não mostraram suas qualidades, teremos, com certeza, alternância de enchentes e vazantes, como a seca de 2005 em parte do Rio Amazonas e está acontecendo neste inverno no Tocantins, no Tapajós, no Negro, no Trombetas e outros mais. Outras e outras águas encrespadas existem por essa Majestosa Amostra Verde, por esse motivo, registro as que conheci quando atuei em missões da Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (SOPREN) do Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária ( CRUTAC) do projeto Rondon e outros. *SOPREN/SOBRAMES

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Sérgio PANDOLFO

A gostosa Belém doutrora na visão euclidiana

Vivia-se o glamour da Belle Époque, hoje de nostálgica memória

omemorar-se-á no dia 15 de agosto deste o “alagado do Piri” e avançando mata adentro, deu início à ano o primeiro Centenário da morte de expansão de seu núcleo urbano primitivo com a formação Euclides da Cunha, na opinião do redator do bairro da Campina, o segundo a ser constituído. Seu destas notas o mais elegante, esmerado crescimento processou-se de forma lenta, mas contínua e e, à exação literária, o mais correto palavrador de bem planejada por todo o século XVII e primeira metade do nossas letras. Euclides teve profunda atuação na XVIII, quando, com a chegada de Antônio Giuseppe Landi Amazônia e estreita ligação com nossa capital como já (1753), notável arquiteto bolonhês que para cá veio se verá. compondo a Comissão Demarcadora dos limites Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em amazônicos dos reinos de Portugal e Espanha e a Cantagalo (RJ), no dia 20 de janeiro de 1866. Foi extraordinária visão de estadista do Marquês de Pombal, escritor, professor, sociólogo, repórter jornalístico e ministro plenipotenciário de D. José I, a então Cidade do engenheiro, tendo se tornado famoso Pará passou a apresentar um dos mais soberbos picos de internacionalmente por sua obra-prima, “Os Sertões”, crescimento e urbanização, ganhando, da superior O escritor Euclides da que retrata a Guerra dos Canudos. cerebração do Mestre italiano, inigualáveis conjuntos Cunha em magnífico Nossa brejeira Santa Maria de Belém do Grão-Pará tracejado a crayon arquiteturais, assim na esfera eclesiástica (Sé, Igrejas de nesse janeiro veio de completar 393 anos de uma Santana, Mercês, Carmo, São João, capelas Pombo, trajetória urbanística marcante, iniciada no já longínquo ano de 1616, no Ordem Terceira de São Francisco e N. Sra. da Conceição, esta no Engenho do local batizado de Feliz Lusitânia, onde foi assentada, a 12 de janeiro, uma Murucutu, hoje em ruínas) como na militar (Quartel dos Soldados, não mais fortaleza denominada Forte do Presépio, núcleo primordial de sua existentes) e na civil (Palácio dos Governadores, Real Hospital Militar, hoje fundação pelo intrépido capitão-mor das tropas portuguesas, Francisco Casa das Onze Janelas; Casa Rosada; o imóvel ainda hoje existente no Caldeira de Castelo Branco. A partir daí ponto esquinado pela Rua João Alfredo se foi desenvolvendo de forma irradiada, com a Trav. Frutuoso Guimarães e centrífuga, pelos terrenos mais elevados residências para várias personalidades e secos, conformando o bairro da Cidade. de então; a Casa da Ópera, que se erguia E tal foi o bom trato e tantos os bons ofícios no exato local onde hoje está o imponente que a ela dispensou Caldeira, que em três Palácio “Antonio Lemos”, erigido sobre anos (tempo que aqui jazera) surpreende seus alicerces). aos que a visitam. Mais tarde, transpondo Nos finais da 18ª centúria e primórdios SerPan

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“Belém, a Metrópole das Águas no estuário do rio-mar plantada”

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da 19ª, um extraordinário serviço formas diversas, suas de macrodrenagem e impressões sobre a cidade, tais terraplenagem levado a cabo sob os encomiásticos e auspiciosos a lúcida administração do conceitos expendidos por Osório Governador do Grão-Pará, o Duque Estrada, intelectual Conde dos Arcos, pôs fim à multifário e inspirado poeta, imensa zona pantanosa e insane autor dos primorosos versos de do “alagado do Piri”, nosso Hino Nacional, membro da aumentando a área útil e dando Academia Brasileira de Letras, no excelentes condições de livro “O Norte (Impressões de salubridade ao bairro da Cidade, Viagem), de 1909, com agora, então, ampla e livremente anotações e apontamentos ligado ao da Campina. Belém recolhidos de longa jornada crescia, desenvolvia- se, empreendida ao setentrião Prédio original da Faculdade de Medicina alindava-se, sendo, já naquele brasileiro: “Por todos os títulos, da UFPA, hoje bastante alterado então, a mais importante e Belém é hoje a terceira cidade da próspera de todo o Estado do Grão-Pará e Maranhão (correspondente, República: pela sua beleza natural, pelas grandes avenidas que a cortam hoje, aproximadamente, à Amazônia geográfica brasileira). em todas as direções, pela amplitude de suas praças, pelos seus Esse processo de crescimento e desenvolvimento consolidou-se e ataviados jardins, pelo conforto da vida que ali se passa, nenhuma outra agrandou-se notavelmente no período de 1895 a 1915, correspondente pode competir com ela, com exceção apenas do Rio de Janeiro e de São ao da administração do “velho” Lemos, sem ponta de dúvida o mais Paulo”. E remata: “Belém é, igualmente, uma cidade limpa, arejada, com realizador e fecundo intendente (prefeito) de todos quantos já exerceram, defesa higiênica, bem policiada, com hábitos de elegância e conforto, em Belém, tão importantes funções. Antônio Lemos foi um habitada por uma população inteligente e laboriosa, que sabe resistir, revolucionário, um visionário, criando serviços inexistentes; desassombradamente, às inclemências do clima e aos contratempos da modernizando outros; intervindo na educação com a criação de Grupos fortuna”. Escolares e Internatos que são, até nossos dias, exemplos de qualidade Pertinentemente cabe, ainda, aludir às sentimentais considerações que arquitetônica (Barão do Rio Branco, o prédio da atual Faculdade de faz Mário de Andrade, ao seu amigo, poeta Manoel Bandeira, em carta Medicina, na Praça Camilo Salgado, antes Largo de Santa Luzia, o escrita na 3ª década do século recém-findo: “Manu, não sei que mais Educandário que hoje leva seu nome, no coisas bonitas enxergarei por esse mundo desmembrado município de Santa de águas. Porém me conquistar mesmo, a Isabel); abrindo ruas e avenidas de ponto de ficar doendo no desejo, só Belém largueza e boniteza que a todos me conquistou assim. Meu único ideal, de encantava; criando e arruando bairros agora em diante, é passar uns meses inteiros (o do Marco da Légua); morando no Grande Hotel de Belém. O construindo abrigos para a velhice direito de sentar naquele terrace em desamparada (o Asilo de Mendicidade frente das mangueiras tapando o Teatro “D.Macedo Costa”); urbanizando e da Paz, sentar sem mais nada, alindando praças (República, Batista chupitando um sorvete de cupuaçu, de Campos); instalando serviços de açaí. Você que conhece o mundo, conhece transporte público avançados (bondes coisa melhor do que isso? Me parece elétricos); providenciando o fim adequado impossível. Olha que tenho visto coisas do lixo urbano, com a construção do Forno bem estupendas. (....). Porém, Belém eu Crematório; promovendo a adequada e desejo com dor, desejo como se deseja O interior do Paris n'América precisa arborização da cidade com sexualmente, palavra! Quero Belém como mangueiras (que Landi, mais de um século antes, trouxera para o Grãose quer um amor”. Pará), que lhe dá característica e apelativo próprio: “Cidade das Contudo, e sem ponta de dúvida, é o insuspeito depoimento do jornalista Mangueiras”; urbanizando a inexpressiva doca que é hoje o principal e escritor Euclides da Cunha que nos dá a exata medida do cenário que cartão-postal da cidade, o Ver-o-Peso, eleito uma das Sete Maravilhas ele vislumbrou em sua passagem por este burgo tropical no albor da do Brasil, com a instalação, inclusive, do Mercado de Ferro; instalando centúria passada. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e postos de saúde por toda a urbe e criando o primeiro Serviço de da Academia Brasileira de Letras, autor do célebre “Os Sertões” seu opus Verificação de Óbitos e Necrotério (no Ver-o-Peso); instalando serviços magnum, em carta que escreveu a seu pai, em 1904, de passagem por de Vigilância Sanitária e Epidemiológica que foram, no País, modelares; Belém, rumo ao Acre, em missão do Itamaraty, tomado de arroubos pelas qualificando e elevando ao primeiro plano seu jornal, a Província do Pará, belezas deste burgo, assinala: “No Pará tive uma lancha especial à época o terceiro mais importante da imprensa nacional, para o qual ele oferecida pelo senador Lemos e alguns rapazes de talento. Passei ali ergueu moderníssimo e equipado prédio, que o povo chamava “Palácio algumas horas inolvidáveis – e nunca esquecerei a surpresa que me da Imprensa”. Tal padrão lemista de modernidade urbanística recebeu causou aquela cidade. Nunca São Paulo e Rio terão as suas avenidas mesmo o reconhecimento de Pereira Passos, reformador prefeito carioca, monumentais, largas de 40 metros e sombreadas de filas sucessivas de em 1904: “Começo a fazer na minha cidade o que Vossa Excelência já fez árvores enormes. Não se imagina no resto do Brasil o que é a cidade de na sua”. Belém, com os seus edifícios desmesurados, as suas praças Por tudo que apresentava, então, Belém destacava-se como uma das incomparáveis e com a sua gente de hábitos europeus, cavalheira e mais importantes e belas capitais do País, a tal ponto que muitos generosa. Foi a maior surpresa de toda a viagem. Na volta hei de viajantes ilustres que por cá passaram deixaram assinaladas, sob demorar-me ali alguns dias”. paramais.com.br

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Palácio dos Governadores, atual Museu do Estado do Pará

Euclides da Cunha desembarcou em Belém em 26 de dezembro de 1904 e em sua curta estada aqui visitaria o Museu Paraense e o jornal A Província do Pará, que dessa passagem fez registro na edição de 27 de dezembro de 1904. Trazia uma carta do amigo José Veríssimo para Emílio Goeldi, diretor do Museu. Ali o escritor passaria horas de deslumbrantes descobertas ao lado de Goeldi e do botânico Jacques Huber. “Saltei em Belém. E a breve trecho achei-me naquele Museu do Pará, onde se sumariam as maravilhas amazônicas. Lá encontrei dois homens: Emílio Goeldi, que é um neto espiritual de Humboldt, e o Dr. Jacques Huber, menos conhecido, botânico notabilíssimo, bem que nada nos recorde dessas figuras oleográficas de sábio saxônio, de faces engelhadas e ralas farripas melancólicas. (...). Atravessei a seu lado duas horas inolvidáveis e ao tornar para bordo levei uma monografia onde ele estuda a região que me parecera tão desnuda e monótona. Deletreei-me a noite toda e na antemanhã do outro dia uma daqueles glorious days de que nos fala Bates, subi para o convés, de onde, com os olhos ardidos de insônia, vi, pela primeira vez, o Amazonas... Cunha, E.: “Contrastes e Confrontos” (1907). Mais tarde, em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, ocorrida em 18 de dezembro de 1906, Euclides punha em belas traças alguns acontecimentos desse encontro com a capital parauara: “Há dois anos entrei pela primeira vez naquele estuário do Pará, 'que já é rio e ainda é oceano', tão inseridos estes fácies geográficos se mostram à entrada da Amazônia. Mas contra o que esperava não me surpreendi... (...). Afinal, o que prefigurava grande era um diminutivo: o diminutivo do mar, sem o pitoresco da onda e sem mistérios da profundura...”. Mais à frente, impressionado pelo que vira no Museu Paraense, referir-se-ia ainda às “maravilhas de um dos mais notáveis arquivos do mundo. Mais

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tarde, e talvez pela imprensa, direi a minha impressão integral”. São apontamentos irretorquíveis externados currente calamo do próprio punho do atilado e preclaro autor acadêmico. Não era menor o fascínio que Belém exercia nos campos das Artes, das Letras e da Música. Vivia-se o glamour da Belle Époque, hoje de nostálgica memória e tudo se fazia mercê do fastígio da borracha e da precedente abertura dos portos da Amazônia à navegação internacional. O rush gomífero era o fundamento e o sustentáculo do bem-estar material e das finanças prósperas do Estado. Com o declínio da produção e comercialização da hevea amazônica iniciou-se também, pari passu, a queda de importância, desenvolvimento e de prestígio de nossa metrópole, conquanto ainda apresentasse, por muitos anos, o viço, a beleza e a “gostosura” daqueles bons tempos, obtendo certas conquistas que a elegeriam Metrópole da Amazônia, continuando a exibir ares de cidade civilizada, com suas ruas conservadas, praças bem cuidadas, arborização cuidadosamente tratada, com podagens periódicas e remoção de parasitas. O trânsito fluía ordenadamente e sem pontos de grandes conflitos. Havia segurança nas ruas e nelas se podia transitar tranquilamente a qualquer hora do dia ou da noite. Pode-se afirmar que a violência cingia-se aos “ladrões de galinha” e “descuidistas” ou a um que outro distúrbio provocado por excesso alcoólico nas tascas da periferia. O povo era feliz e divertia-se a valer nos “arraiais” e “quadrilhas” da quadra junina, com os grupos de pastorinhas, os “pássaros” e “bumbás” e o carnaval de rua era autêntico e espontâneo, sobressaindo os blocos de “sujos”, os mascarados solitários, as escolas de samba com suas “sambistas” que empolgavam os assistentes das “batalhas de confete”.

O Museu Paraense Emílio Goeldi em 1895

(*) Médico e escritor. SOBRAMES/ABRAMES

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Estranhos iguais

inema. Palavra simples, mas que traz em si uma série de significados e representações que por vezes podem encantar e até mesmo assustar: encantar pelo fascínio que tal arte exerce em muitas pessoas; assustar devido aos altos custos que a produção de um “simples” curtametragem sempre está associada. Entre o encanto e o receio e, graças à disposição e coragem de pessoas interessadas e ligadas ao cinema, surgem no Pará boas produções e obras – sim! obras! – cinematográficas de grande valor artístico e mesmo acadêmico, no que diz respeito às pesquisas realizadas em torno de tais filmes. Essas produções, no entanto, não se referem a longasmetragens – infelizmente, o “cinema paraense” em relação à produção de longas-metragens é ínfimo, praticamente inexistente. Mesmo com todas as dificuldades – e são muitas, fique certo –, a produção de curtas-metragem na cidade vem crescendo e, mais que isso, o reconhecimento e a premiação também acompanham este desenvolvimento, sendo vários filmes já premiados e reconhecidos não só pela crítica e público paraenses, mas nacionais e até mesmo internacionais. Exemplo disso são os curtas Mulheres Choradeiras (Jorane Castro, 2000), Açaí com jabá (Alan Rodrigues, Walerio Duarte, Marcos Daibes, 2001) e Dias (Fernando Segtowick, 2000). Além da quantidade, a qualidade de tais filmes vem aumentando, a estética fílmica amadurece e torna-se mais abrangente, utilizando interconexões com outras artes, ciências – como a Psicologia – e elementos do cotidiano, que sempre possibilita novas análises e interpretações.

O curta “Estranhos iguais” É justamente tendo este contexto em mente que a produtora Mekaron Filmes, de Eduardo Souza, prepara o curta “Estranhos Iguais”, com roteiro de Rodrigo Cal e direção do próprio Eduardo Souza, responsável pelo Instituto Cultural Amazônia Brasil - ICAB e idealizador da “Mostra de Cinema da Amazônia”, evento que ocorreu em 2005 e 2006, na Europa, e paramais.com.br

que é o maior expoente da divulgação do cinema paraense e amazônico no mundo. O curta, que tem forte cunho psicológico em seu enredo, apresenta como personagens principais um casal de namorados, Amanda e Pedro que, até então viviam um relacionamento estável, mas que, devido a rotina maçante da relação, encontram nos sonhos o caminho para a satisfação de seus desejos mais íntimos. Ambos vivem então, por meio da “imaginação”, tudo aquilo que desejam viver na realidade, mas que, devido a convenções e recalques, terminam por impedir a si próprios. O conteúdo do sonho de ambos, além de surpreender o público pela semelhança – por vezes tanto Amanda quanto Pedro encontram-se dividindo o mesmo sonho –, é repleto de sequências em que se observa a transgressão de regras impostas

pela sociedade. Mais que isso, o filme termina por (re)apresentar de certa forma também as pulsões primárias de que Freud já falava em suas teorias psicanalíticas: de destruição (violência), e principalmente, do prazer e do sexo. Com um roteiro inteligente, ousado e autêntico, “Estranhos Iguais” será produzido em Belém, tendo como principais locações externas o Teatro da Paz, o Bar do Parque, Av. Nazaré, o Largo das Mercês e a Praça da República, afirmando assim a marca “local” e global de tal produção, sem cair em clichês, modismos ou mesmo estereótipos e inovações desconexas. Além disso, o curta não irá oferecer uma história “tão simples”: o espectador precisará estar atento a detalhes que poderão passar despercebidos para, a partir daí sim

O curta tem forte cunho psicológico em seu enredo

depreender um “sentido” para a história, uma interconexão entre as sequências, atitudes e problemas vividos pelos personagens, que poderão ser reais ou mesmo sonhados. “Estranhos Iguais” contará com a presença de pessoas experientes e ligadas ao cinema paraense e com grande participação em outras produções cinematográficas, além de novas pessoas interessadas em produzir cinema de qualidade na região e mesmo fortalecê-lo, mantendo assim a identidade regional sem “regionalices”, mas sim como produto da contemporaneidade, com seus conflitos e nuances, que não são poucos, e possibilitam várias atitudes e situações inusitadas, como a existência de pessoas que de tão estranhas acabam se tornando iguais.

Mostra de Cinema da Amazônia A “Mostra de Cinema da Amazônia” é um festival de cinema itinerante, de filmes produzidos na Amazônia brasileira que já passou em 2005 por Paris e em 2006 por Berlim, Munique, Hannover, Colônia, Frankfurt. Indo este ano para sua terceira edição, a Mostra volta a Paris e Berlim e vai também a Tóquio. Será uma grande oportunidade que os europeus e japoneses terão para ver as melhores produções audiovisuais do norte do Brasil. Promovida pelo Instituto Cultural Amazônia Brasil - ICAB, de Belém do Pará, a Mostra acontecerá em dois turnos, com entrada gratuita, apresentando filmes, em sua maioria inéditos, durante os dias 04, 05 e 06 de setembro de 2009, no Cine Babylon em Berlim. Nesta terceira edição serão exibidos filmes que dão um panorama da produção audiovisual amazônica a partir da segunda metade do século XX. As projeções serão seguidas de encontros entre realizadores e produtores que discutirão o fazer cinema naAmazônia e sua identidade estética. A Mostra, que a cada ano, se fortalece e chega agora a mais um continente, o asiático, existe para dar espaço e visibilidade internacional para o Cinema independente produzido na Amazônia, estabelecer o intercâmbio cultural entre os países envolvidos e também fomentar relações comerciais de co-produção entre produtoras/instituições nacionais e internacionais. P

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Por nossos filhos, cuide de seu “lixo”

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odemos diminuir a quantidade de lixo produzida no nosso dia-adia, sim, com criatividade, economia e, no fim, quem lucra somos nós mesmos. Reduzir o consumo, reciclar e reaproveitar produtos e materiais de consumo precisa ser uma atitude natural, mesmo que, para alguns, toda esta história de ambientalistas seja inútil.

A indústria da reciclagem dos materiais passa por um crescimento considerável

As embalagens dos produtos, hoje em dia, são reaproveitáveis. Podem, com criatividade, ser reutilizadas, na cozinha, no escritório, no quarto das crianças, por exemplo. Latinhas, caixas, papéis, garrafas e uma infinidade de produtos que entram diariamente em nossa casa, devem

O LIXO É HOJE UM DOS MAIORES PROBLEMAS DA HUMANIDADE. O QUE FAZER COM UMA IMENSA QUANTIDADE DE DETRITOS QUE PRODUZIMOS TODOS OS DIAS? ONDE DEPOSITAR TAMANHA SUJEIRA? EM MÉDIA, CADA BRASILEIRO PRODUZ 1 KG DE LIXO POR DIA, ENQUANTO AMERICANOS E EUROPEUS CHEGAM A PRODUZIR 3 OU 4 VEZES MAIS. SOMANDO TUDO ISSO, A QUANTIDADE DE LIXO É GIGANTE, E A TERRA NÃO TEM CONDIÇÕES DE SUPORTAR TAMANHA AGRESSÃO ter um destino diferente, que não a lata de lixo. Para algumas pessoas, no entanto, talvez seja necessário que se tomem medidas enérgicas para alterar significativamente seu comportamento em relação à questão ambiental. Talvez

É necessário insistirmos na informação e no exemplo

assim, não deixariam seu lixo pelas ruas, terrenos baldios, lixões. Infelizmente, tal mudança, muitas vezes, não acontece naturalmente, e torna-se necessário insistirmos na informação e no exemplo. Na verdade, se por um lado é preciso explicar seriamente às pessoas que estamos prestes a uma tragédia ambiental nos próximos anos, por outro lado, informar apenas não é suficiente para alterar o comportamento de muitas delas. Talvez seja necessária a adoção de medidas que tenha um caráter obrigatório em relação ao problema ambiental. Como cidadãos temos o direito de exigir de todas as pessoas que se responsabilizem por suas ações e também de exigir de nossos governantes mudanças nas leis que possam, de alguma forma, conter práticas consumistas da população, como a que já é adotada em países, por exemplo, que cobram pela sacola nos supermercados, obrigando a população, de certa forma, à redução do consumo de tais embalagens. “Certamente não vamos, sozinhos, resolver os problemas do nosso planeta, mas podemos contribuir para que as próximas gerações, as dos nossos filhos e netos, encontrem uma Terra melhor. Nos próximos 50 anos, muitos de nós terão descendentes próximos ainda vivos, pois muitas das pessoas que nasceram hoje, ainda estarão vivas. Portanto, que cada um faça a sua parte e da melhor forma possível. Pelos nossos filhos e pelos filhos de nossos filhos.” P

Cuidado: dentro da sua lixeira pode ter muito dinheiro jogado fora. Cada garrafa plástica, copo descartável, lata de cerveja ou folha de papel que vão para o lixo comum significam, em grande escala, um prejuízo bilionário - luxo considerável para um País que está longe de oferecer aos seus habitantes educação, saúde, saneamento, habitação e emprego em níveis razoáveis. O Brasil é reconhecido, inclusive, como o país que mais recicla lixo no mundo. Isso se deve principalmente às pequenas iniciativas isoladas que partem das comunidades e acabam ganhando grandes proporções. Se há algum tempo a profissão de catador de lixo era exclusividade de pessoas marginalizadas, hoje a indústria da reciclagem dos materiais passa por um crescimento considerável. Sinal de que, embora ainda engatinhe no assunto, o brasileiro começa a perceber que não adianta jogar o lixo embaixo do tapete. Ou melhor, percebe que nem tudo o que vai para a lixeira é lixo, de fato.

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