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ISSN 16776968

Edição 34

Belém-Pará-Brasil

www.paramais.com.br


PARABÉNS

BELÉM 389 ANOS definitivamente o título de Metrópole da Amazônia. A metrópole da cultura, da economia, da arquitetura, dos atrativos turísticos, da preservação do patrimônio, da qualidade de vida, do bem-estar de cada cidadão. Antes de ser uma disputa regional, esta é uma vocação histórica da capital paraense - ser a capital da Amazônia, um desejo que só se realizará com a vontade, a participação e a união de todos. O objetivo é grandioso, e depende de cada pequeno gesto de amor, de carinho, de proteção das coisas da nossa cidade. Espero que cada um que estenda a sua mão, não para jogar o lixo no chão, mas para recolher; não para pichar paredes, mas para limpar; não para machucar as mangueiras, mas para proteger; se sinta representado e premiado neste aniversário de Belém. Vamos assim, cada um à sua maneira, dar passos decisivos na direção do nosso ideal.

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esse momento particularmente feliz, em que a nossa querida Belém chega aos 389 anos, desejo primeiro agradecer ao povo da nossa cidade, que tão bem me acolheu na minha infância, pela confiança agora em mim depositada. Reconheço que administrar Belém por quatro anos e contornar todos os seus problemas é um grande desafio, mas acredito que será possível vencê-lo com o apoio da população e com trabalho, e é com esse trabalho que eu e minha equipe, em uma caminhada conjunta com o Governo do Estado, queremos presentear a nossa Belém que tanto precisa de saúde, educação, emprego e renda, e ainda de cuidados com a sua beleza ímpar. Esse é também um momento que reflete a retomada, por parte da Prefeitura, de um ideal que certamente habita o imaginário de cada morador de Belém: consolidar, para a nossa cidade,

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Duciomar Costa Prefeito Municipal de Belém

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SÉRGIO PANDOLFO

HÉLIO TITAN

O Governo do Estado, por meio da Companhia Paraense de Turismo (Paratur) investe na valorização e fortalecimento do ecoturismo nas regiões das ilhas de Belém, onde é possível encontrar pelo menos dez roteiros ainda pouco explorados...

BENIGNA SOARES

Há exatamente 389 anos, em 12 de janeiro de 1616, era fundada pelo português Francisco Caldeira Castelo Branco, o atual portão de entrada da Amazônia, Belém, a capital do estado do Pará, que a cada ano vai ficando mais bonita graças as mais variadas obras que vem sendo realizadas na cidade e seus arredores. A Cidade das Mangueiras como a capital é conhecida, devido ao grande número dessas árvores frutíferas, atrai cada vez mais turistas...

Remontando a nossa memória, traremos à de nossos pensamentos, a satisfação e alegria, pelo aniversário de nossa querida Castanhal, elevada que foi, em 28/01/1932 à categoria de município pelo Interventor , na época, Joaquim de Magalhães Cardoso Barata.

HÉLIO TITAN

Revista

nestaediçã

CAROLINA KZAN

Pará+

Ano 02

Edição 34

janeiro de 2005 Pág. 03

Duciomar Costa

Pág. 20 Acyr Castro

ALVERLINE KOUDELA/ALCIONE GATO

Pág. 24 Claudia Nascimento

Pág. 38 Paulo Rocha

Pág. 44

Pág. 45 Eládio Reis

Editora Círios S/C Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil

www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Í N D I C E

PUBLICAÇÃO

Camillo Vianna

Pág. 46

DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, Augusto Ribeiro, João Modesto Vianna, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Celso Freire, Ronaldo G. Hühn; REVISÃO: Paulo Coimbra da Silva; COLABORADORES: Acyr Castro, Alverline Koudela, Alcione Gato, Benigna Soares, Camillo Martins Vianna, Carolina Kzan, Claudia Nascimento, Duciomar Costa, Eládio Reis, Hélio Rodrigues Titan, Paulo Rocha, Sérgio Martins Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Arquivo Célio Lobato, Arquivo Paratur, Carlos Sodré, Heitor e Silvia Reali, João Vianna, Ray Nonato, Sérgio Pandolfo; DESKTOPING: Mequias Pinheiro; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios

*Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores


O MANGAL DAS GARÇAS

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ocalizado às margens do rio Guamá, no entorno do centro histórico, revitaliza uma área de cerca de 34,7 mil metros quadrados, contígua ao Arsenal da Marinha, configurando uma síntese do ambiente amazônico no coração da capital paraense, é um projeto digno de deixar qualquer um O farol de Belém “orgulhoso de ser paraense”. O mangal é extremamente importante não só como atração turística para a cidade de Belém mas como espaço de resgate do ambiente natural e de convivência entre a natureza e a cidade.

Ao fundo a torres da Catedral e Colégio do Carmo

PARCERIAS Mais que um espaço alternativo que vai mudar a configuração de Belém, o Mangal chega para fortalecer parcerias nas áreas da cultura, turismo, produção e comércio paraense. As parcerias serão fundamentais para concretizar esse novo momento. É o que acredita Joacyr Rocha, presidente do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Pará (Sindetur). “Vamos programar, em parceria com as agências de viagens, roteiros para o Mangal e trazer, cada vez mais, turistas para conhecer o complexo, pois será preciso um dia inteiro para que o turista possa visitar e descobrir todas as belezas do Mangal das Garças e aproveitar, entre outras coisas, a comida paraense que será oferecida no restaurante, a bela vista do pôr do sol, seja na torre ou na plataforma de pontes que leva até o rio Guamá, em confluência com o rio Pará, passando por cima do aningal que, segundo biólogos, geológicos e engenheiros do projeto, em 20 Edição 34

Armazém do Tempo


Aplausos para Belém e Paulo Chaves

navios que chegam ao porto de Belém e passam pelo entorno do Mangal. A torre também abriga equipamentos de pára-raios, caixa d'água e serve como engenheiros do projeto, em 20 anos mirante, de onde se voltará a ter as características tem uma visão Duciomar e Jatene originais de um mangal” completa do Mangal e arredores do complexo. DIFERENTE DE TUDO Paulo Chaves prefere dizer que o Farol “é um forte O secretário executivo de Paulo Chaves em seu discurso elemento simbólico, um cultura, Paulo Chaves, que marco que aponta a direção assina o projeto do Mangal da dos caminhos que podem ser Garças, descreve o complexo seguidos pelo Pará, e aponta como uma proposta diferente de para o desenvolvimento”, tudo o que tem sido feito por ele. afirma. “Em lugar do cimento, do Os lagos artificiais estão concreto e aço, valorizamos o embelezados com a presença meio ambiente, ao associar, de aves pernaltas, marrecos e desde 300 árvores de floresta quelônios, como tartarugas e como mogno, maçaranduba, muçuãs. pau-d'arco, aos campos O visitante poderá, ainda, lacustres e viveiros de pássaros sem cativeiro, viveiro percorrer as áreas internas de borboletas e beija-flores, aves pernaltas, marrecos e dos viveiros de pássaros, socós”. beija-flores e borboletas. Logo na entrada do parque foi remontado e reciclado Uma curiosidade é que todo o um espaço para abrigar a exposição e venda de plantas ciclo de vida das borboletas e artesanato, um antigo galpão de ferro, pertencente à poderá ser acompanhado Enasa e doado a Secult, com detalhes no piso em pelos visitantes dentro dos madeira de lei. borboletários. Também foram construídos quiosques para lanches e Além disso, o pavilhão uma torre-mirante, o Farol de Belém, que orientará os

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A fauna representada por pássaros e borboletas um atrativo a mais do Mangal

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Bela vista da Baia do Guajará

central que abrigará o Museu da Marinha e um restaurante -, em dois pavimentos, ficará um promontório que avança sobre o aningal e permite o acesso a uma passarela sobre a várzea. O local oferece uma bela vista para as torres da Catedral Metropolitana e o Forte do Presépio. A construção do restaurante, todo em madeira e em materiais amazônicos, foi feita por mestres carpinteiros do município de Abaetetuba. Obras de grandes artistas paraenses estão espalhadas em todo o complexo, a exemplo dos “lemes” de Emanuel Franco, embarcações de Klinger Carvalho, e trabalhos de Acácio Sobral e Geraldo Teixeira.

O projeto de arquitetura e fiscalização é assinado pelos arquitetos Paulo Chaves Fernandes, Rosário Lima, Aurélio Meira, Mariângela Mello, Sérgio Neves, Leila Barbosa, Gustavo Leão e Karla Costa. O projeto paisagístico é de Rosa Grená,o de iluminação, de Nilson Amaral e Paulo Chaves Fernandes. Atnágoras Castro assina o projeto de ar condicionado e Rosângela Brito, diretora do sistema de integrado de Museus da Secult, coordena o projeto de Museologia e Museografia do Museu da Marinha. A construção é da Engeplan. O novo complexo de turismo, lazer e cultura da nossa cidade, já está mudando a história de Belém!

Lago do Covername

Serviço: O acesso ao Mangal das Garças é pela passagem Carneiro da Rocha, em frente ao comando do IV Distrito Naval, na Cidade Velha. A visitação será de terça-feira a domingo, de 10 às 18 horas; para o Restaurante Manjar das Garças de 12 às 00 horas. Para o acesso a alguns ambientes, como o borboletário e o mirante que fica na torre do Farol, será cobrado ingresso de R$ 4,00 com meia entrada para estudantes.

Soluções Abrangentes em Informática

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Gostosa Penosa

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ossa querida Santa Maria de Belém do Grão-Pará está, neste janeiro, a completar 389 anos de uma trajetória urbanística marcante, que se iniciou no já longínquo ano de 1616, no local batizado de Feliz Lusitânia, onde foi assentada, a 12 de janeiro, uma fortaleza denominada Forte do Presépio, núcleo primordial de sua fundação pelo intrépido capitão-mor das

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tropas portuguesas, Francisco Caldeira de Castelo Branco. A partir daí se foi desenvolvendo de forma irradiada, centrífuga, pelos terrenos mais elevados e secos, conformando o bairro da Cidade. E tal foi o bom trato e tantos os bons ofícios que a ela dispensou Caldeira, que em três anos (tempo que aqui restou) surpreende aos que a visitam. Mais tarde, transpondo o “alagado do Piri” e avançando

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Efeitos: Mequias Pinheiro

Belém DoutroraBelém Dagora

*Sérgio Martins Pandolfo

mata adentro, deu início à expansão de seu núcleo urbano primitivo com a formação do bairro da Campina, o segundo a ser constituído. Seu crescimento processou-se de forma lenta, mas contínua e bem planejada por todo o século XVII e primeira metade do XVIII, quando, com a chegada de Antônio Giuseppe Landi (1753), notável arquiteto bolonhês que para cá veio compondo a

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Comissão Demarcadora dos limites amazônicos dos reinos de Portugal e Espanha e a extraordinária visão de estadista do Marquês de Pombal, ministro plenipotenciário de D. José I, a então Cidade do Pará passou a apresentar um dos mais soberbos picos de crescimento e urbanização, ganhando, da superior cerebração do Mestre italiano, inigualáveis conjuntos arquiteturais, assim na

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Trêcho da Avenida Tito Franco (atual Almirante Barroso)

A Província do Pará - Projecto do Engenheiro Filinto Santoro

Praça Batista Campos

esfera eclesiástica (Sé, Igrejas de Santana, Mercês, Carmo, São João, capelas Pombo, Ordem Terceira de São Francisco e N.Sra. da Conceição, esta no Engenho do Murucutu, hoje em ruínas) como na militar (Quartel dos Soldados, não mais existentes) e na civil (Real Hospital Militar, hoje Casa das Onze Janelas; Casa Rosada; o imóvel ainda hoje existente no ponto esquinado pela Rua João Alfredo com a Trav. Frutuoso Guimarães e residências para várias personalidades de então; a Casa da Ópera, que se erguia no exato local onde hoje está o imponente Palácio “Antonio Lemos”, erigido sobre seus alicerces). Nos finais da 18ª centúria e primórdios da 19ª, um extraordinário serviço de macrodrenagem e terraplenagem levado a cabo sob a lúcida administração do Governador do Grão-Pará, o Conde dos Arcos, pôs fim à imensa zona pantanosa e insane do “alagado do Piri”, aumentando a área útil e dando excelentes condições de salubridade ao bairro da Cidade, agora, então, ampla e livremente ligado ao da Campina. Belém crescia, desenvolvia-se, alindava-se, sendo, já naquele então, a mais importante e próspera de todo o Estado do Grão-Pará e Maranhão (correspondente, hoje, aproximadamente, à Amazônia geográfica brasileira). Esse processo de crescimento e desenvolvimento consolidou-se e agrandou-se notavelmente no período de 1895 a 1915, correspondente ao da administração do “velho” Lemos, sem ponta de dúvida o mais

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realizador e fecundo intendente (prefeito) de todos quantos já exerceram, em Belém, tão importantes funções. Antônio Lemos foi um revolucionário, um visionário, criando serviços inexistentes; modernizando outros; intervindo na educação com a criação de Grupos Escolares e Internatos que são, até nossos dias, exemplos de qualidade arquitetônica (Barão do Rio Branco, o prédio da atual Faculdade de Medicina, na Praça Camilo Salgado, antes Largo da Sta. Luzia, o Educandário que hoje leva seu nome, no desmembrado município de Santa Isabel); abrindo ruas e avenidas de largueza e boniteza que a todos encantava; criando e arruando bairros inteiros (o do Marco da Légua); construindo abrigos para a velhice desamparada (o Asilo de Mendicidade “D.Macedo Costa”); urbanizando e alindando praças (República, Batista Campos); instalando serviços de transporte público avançados (bondes elétricos); providenciando o fim adequado do lixo urbano, com a construção do Forno Crematório; promovendo a adequada e precisa arborização da cidade com mangueiras (que Landi, mais de um século antes,

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Não menos encomiásticos e auspiciosos os conceitos expendidos por Osório Duque Estrada, intelectual multifário e inspirado poeta, autor dos primorosos versos de nosso Hino Nacional, membro da Academia Brasileira de Letras, no livro “O Norte (Impressões de Viagem), de 1909, com anotações e apontamentos recolhidos de longa jornada empreendida ao setentrião brasileiro: “Por todos os títulos, Belém é hoje a terceira cidade da República: pela sua beleza natural, pelas grandes avenidas que a cortam em todas as direções, pela amplitude de suas praças, pelos seus ataviados jardins, pelo conforto da vida que ali se passa, nenhuma outra pode competir com ela, com exceção apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo”. E remata: “Belém é, igualmente, uma cidade limpa, arejada, com defesa higiênica, bem policiada, com hábitos de elegância e conforto, habitada por uma população inteligente e laboriosa, que sabe resistir, desassombradamente, às inclemências do clima e aos contratempo da fortuna;” Não era menor o fascínio que Belém exercia nos campos das Artes, das Letras e da Música. Vivia-se o glamour da Belle Époque, hoje de nostálgica memória e tudo se fazia mercê do fastígio da borracha e da precedente abertura dos portos da Amazônia à navegação internacional. O rush gomífero era o fundamento e o sustentáculo do bem-estar material e das finanças prósperas do Estado. Com o declínio da produção e comercialização da hevea amazônica iniciou-se também, pari passu, a queda de importância, desenvolvimento e de prestígio de nossa metrópole, conquanto ainda apresentasse, por muitos anos, o viço, a beleza e a “gostosura” daqueles bons tempos, obtendo certas conquistas que a elegeriam Metrópole da Amazônia, continuando a

O Legislativo da Communa (sessão Solene do Conselho Municipal de Belém)

trouxera para o Grão-Pará), que lhe dá característica e apelativo próprio, “Cidade das Mangueiras”; urbanizando a inexpressiva doca que é hoje o principal cartão-postal da cidade, o Ver-o-Peso, com a instalação, inclusive, do Mercado de Ferro; instalando postos de saúde por toda a urbe e criando o primeiro Serviço de Verificação de Óbitos e Necrotério (no Vero-Peso); instalando serviços de Vigilância Sanitária e Epidemiológica que foram, no País, modelares; qualificando e elevando ao primeiro plano seu jornal, a Província do Pará, para o qual ele ergueu moderníssimo e equipado prédio, que o povo chamava “Palácio da Imprensa”. Por tudo que apresentava, então, Belém destacava-se como uma das mais importantes e belas capitais do País, o que se pode atestar pelas palavras do jornalista e escritor Euclides da Cunha, autor do célebre “Os Sertões” seu opus magnum, em carta que escreveu a seu pai, em 1904, de passagem por Belém rumo ao Acre, em missão do Itamaraty, tomado de arroubos pelas belezas deste burgo: “Nunca esquecerei a surpresa que me causou aquela cidade. Palácio dos Governadores, Nunca São Paulo e Rio, terão as suas obra magna civil de Landi avenidas monumentais, largas de 40 metros e sombreadas de filas sucessivas de árvores enormes. Não se imagina no resto do Brasil o que é a cidade de Belém, com os seus edifícios desmesurados, as suas praças incomparáveis e com a sua gente de hábitos europeus, cavalheira e generosa. Foi a maior surpresa de toda a viagem”.

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Ver-o-Peso, obra de Lemos, vendo-se ao fundo as torres da Sé, obra de Landi

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Rua do Centro tomada por lixo, carros de ambulantes, faixas e cartazes Está assim o outrora belo “Palácio da Imprensa”

exibir ares de cidade civilizada, com suas ruas conservadas, praças bem cuidadas, arborização cuidadosamente tratada, com podagens periódicas e remoção de parasitas. O trânsito fluía ordenadamente e sem pontos de grandes conflitos. Havia segurança nas ruas e nelas se podia transitar tranqüilamente a qualquer hora do dia ou da noite. Pode-se afirmar que a violência cingia-se aos “ladrões de galinha” e a um que outro distúrbio provocado por excesso alcoólico nas tascas da periferia. O povo era feliz e divertia-se a valer nos “arraiais” e “quadrilhas” da quadra junina, com os grupos de pastorinhas, os “pássaros” e “bumbás” e o carnaval de rua era autêntico e espontâneo, sobressaindo os blocos de “sujos”, os mascarados solitários, as escolas de samba com suas “sambistas” que empolgavam os assistentes das “batalhas de confete”. Hoje o que se vê, malgrado a cidade se haja expandido desmesurada e desordenadamente, é o mau trato das ruas, com enormes crateras à Bagdá, a deterioração progressiva de suas belas e imponentes mangueiras, que a ensombreciam e refrescavam, até mesmo por parte dos que deveriam delas cuidar; ausência, insuficiência ou inadePichações como esta estão por toda a cidade quação de arborização nas ruas Bela residência, gradeada abertas após o para segurança e ofuscada plantio manpor faixas e cartazes dado proceder por Lemos, o que as torna, a certas horas, quase insuportáveis, pela in-

clemência do sol equatorial. As novas árvores que são plantadas não conseguem crescer porque ao atingirem a altura dos fios de transmissão de energia elétrica logo são “podadas” de forma devastadora, descriteriosa, ficando nanicas ou to- Série de mangueiras em Y para “defesa” da fiação mando a forma de forquilha, para Camelôs ocupam calçadas não interferirem e o leito das ruas com a (mal)dita fiação. E as nossas centenárias mangueiras são patrimônio da cidade e do povo. As calçadas, quando existentes, apresentam-se dispostas de maneira totalmente irregular, com inclinações e alturas anarquicamente estabelecidas, a porem em risco a integridade física e mesmo a vida dos pedestres que por elas teimam em transitar. As praças estão todas mal cuidadas, bancos quebrados, desfloridas, tomadas por desocupados, “descuidistas” e “artesãos”, quando não o são por grupos de “travestis”, pivetes e malfeitores, a afastar as pessoas de bem e as crianças que antes as freqüentavam. A poluição visual é outra afronta aos brios e orgulho dos belenenses e emporcalha nossa bela capital, hoje, sem ponta de dúvida, a mais pichada e garatujada de todas quantas já tivemos oportunidade de visitar, no Brasil e mesmo no exterior. E nada se faz para combater esse descalabro! A já denominada “mídia brega” é outro cancro poluidor, representada por infinidade de faixas de propaganda espúria, que vão

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de eventos sociais e de subúrbios, então, a lazer (bailes, festivais) coleta quase nunca é a anúncios de feita, obrigando os cartomantes, motéis, moradores a queimá“técnicos”, “arraiais” lo para dele se e outros que tais; livrarem. Móveis, placas luminosas que utensílios domésticos avançam da calçada e trastes vários são para o leito da rua, atirados às valas e ameaçando o fluir dos Forte do Presépio, núcleo primordial de Belém canais, à falta de um veículos mais altos; serviço público que cartazes afixados em mangueiras e postes e até nas os recolham. Animais mortos apodrecem nas vias fachadas de prédios públicos, que se eternizam e só públicas por inação oficial. são removidos pela ação da chuva e do tempo. E que Finalmente, no que toca à segurança pública, chegoudizer ou fazer sobre a camelotagem que avassalou se a um estado de “salve-se quem puder”. Os assaltos e ruas e praças, quase obstando o sagrado direito de ir e roubos são uma constante à luz do dia nas vias públicas vir? e à noite, então, ninguém se atreve mais a sair, pois sabe O trânsito é hoje caótico em todos os seus aspectos, que será importunado ou ameaçado. Ninguém coíbe a dado o volume crescente de veículos, a não-abertura ação dos marginais. de novas vias de tráfego e a má conservação das Esse é hoje, desafortunadamente, o retrato em preto e antigas; a sinalização inexistente, inadequada ou branco, dessa amorável cidade, que a incúria ineficiente; “guardas” que se escondem atrás das administrativa e a falta de cuidado e zelo infelicitaram, mangueiras para somente multar eventuais em que pese a diligência, o labor e o estoicismo de seu transgressores, em vez de orientá-los. povo bom e ordeiro. Acúmulo de lixo pelas ruas e esquinas devido à nãorecolha do mesmo por dias ou até semanas, formando*Médico e escritor (SOBRAMES) se, em alguns pontos, consideráveis monturos. Nos Email: serpan@amazon.com.br

AIR PORTUGAL

Brasil

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Texto e Fotos de Carolina Kzan

Belém do Tacacá, da Maniçoba e do Açaí. Da dormida na rede após o almoço e do compromisso que fica para “antes ou depois da chuva”. Belém do vento que faz “chover” manga. Belém Negra, Amarela, Branca, Cabocla e Índia... Belém dos que vêm do sul. Belém do gringo. Belém das “nazarés” e daquela que passeia no segundo domingo de todos os Outubros. Belém da Catedral, das Praças e do suor do Ver- o- Peso. Belém em quase quatro séculos, traduz- se nisso e muito, muito mais ...

João Vianna

J. Ramid J. Ramid

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Uma Breve História cidade de Belém foi fundada em 12 de Janeiro de 1616 pelo Capitão Mor Francisco Caldeira Castelo Branco, o qual era encarregado pela coroa portuguesa de proteger a foz do Rio Amazonas dos corsários Holandeses e Ingleses. O marco inicial da cidade é o Forte do Presépio, cuja localização foi estrategicamente escolhida uma vez que se tratava de uma península situada à margem direita da foz do Rio Guamá, o qual deságua na Baia do Guajará. O Forte, posteriormente, o Colégio e a Igreja dos Jesuítas formaram o núcleo original da cidade que, mais tarde, seria chamada de Santa Maria de Belém do Grão Pará. Hoje, pode-se ver esses marcos na história da cidade, uma vez que os mesmo são pontos turísticos obrigatórios para quem quer conhecer um pouco mais da capital paraense.

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Primeira Rua de Belém

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Belém x Belém Situada às margens da Baía do Guajará, Belém é considerada a maior cidade na linha do Equador, sendo além disso, o principal portão de ingresso na região. A capital paraense mescla sua infra estrutura - que

Belém (vista de cima)

em nada deixa a desejar aos grandes centros urbanos - à paisagem quase bucólica das margens dos rios, bem como às ruas antigas de bairros como a Cidade Velha onde sempre se tem a nítida impressão de que, pelo menos ali, o tempo nunca passou. Cidade Velha

Belém x Mistura

A c a p i t a l paraense é, notadamente, marcada pela mistura de raízes, culturas e raças. A cidade acaba dividindo se em muitas “Beléns”. E, acreditem, há, certamente, uma Belém para cada gosto. Do rústico ao Neoclássico Francês, Belém possui. Uma rica amostra da influência européia em nossa região, toma forma num dos maiores e mais importantes pontos turísticos de Belém, o Teatro da Paz; resultado, assim como o Mercado Municipal, hospitais, quartéis, dentre outros, da fértil época do Ciclo da Borracha (virada do século XIX). Pode-se ver em Belém do Pará, a arquitetura verticalizada dos grandes prédios em contraste com as palafitas às margens dos rios, formando e contrastando assim a capital paraense. A culinária é também marcada pelo contraste de traços europeus e indígenas, bem como o calor da comida e do próprio clima. Comidas conhecidas pelo tempero apimentado e forte, regado a muitas ervas e plantas regionais, como é o caso do Tacacá, feito a partir da mandioca e da Maniçoba, da maniva. Uma outra iguaria tipicamente paraense, vem ganhando cada vez mais espaço no cardápio “de fora”. Trata-se do Açaí, que para muitos é considerado como bebida energética, sendo, inclusive, vendido em academias de ginástica Brasil a fora. Tampouco se pode esquecer das frutas de 16

sabores únicos como o Cupuaçu, a Manga, a Pupunha, o Açaí, entre tantas mais. Belém pode ser consideraTeatro da Paz da um verdadeiro embrião das mais variadas manifestações culturais. Vertentes que transitam do clássico ao popular, seja através da música, das artes plásticas, da fotografia, do cinema e que podem ser apreciados por Coreto Praça Batista Campos quem mora ou mesmo está de passagem pela cidade. Para quem busca puro entretenimento e lazer, Belém também está pronta a atender. A noite belenense é recheada de opções entre Bares, Restaurantes e Boates para todos os gostos e estilos. No mais, é conferir e provar o que a Cidade das Mangueiras tem a mostrar...

Manga

Açaí

Cupuaçu

Locais + Que Interessantes: Museus Museu do Estado do Pará: Palácio Lauro Sodré. Praça D. Pedro II, s/nº. Fone: (091) 225-3854; Museu do Círio: Al do Quartel, s/nº. Fone: (091) 224-9614; Museu de Arte de Belém (MABE): Palácio Antônio Lemos. Praça D. Pedro II, s/nº. Fone: (091) 242-3344; Museu Paraense Emílio Goeldi: Av. Magalhães Barata, 376. Fones: (091) 2490163/249-0234

Cinemas Cinema Olímpia: Av. Presidente Vargas, 918. Fone: (091) 223-1882 Cine Líbero Luxardo (CENTUR): Av. Gentil Bittencourt, 650. Fone: (091) 241-2333; Cinema Nazaré 1 e 2 : Av. Nazaré, 1175 e 1187. Fone: (091) 241-4089; Cinema Ópera: Av. Nazaré, 1183. Fone: (091) 242-5604; Cinema I, II e III : Trav. São Pedro, 498. Fone: (091) 250-5145; Cine Castanheira I e II: Rod. BR-316, 1001. 3º Andar. Fone: (091) 250-4105

Teatros Teatro da Paz: Rua da Paz, s/nº. Fone: (091) 224-7355; Teatro Experimental Waldemar Henrique: Av. Presidente Vargas, 645; Fone: (091) 222-4762; Teatro Líbero Luxardo (CENTUR): Av. Gentil Bittencourt, 650. Fone: (091) 241-2333; Teatro Margarida Sckiwazzapa (CENTUR): Av. Gentil Bittencourt, 650. Fone: (091) 2412333

Bibliotecas Biblioteca Pública (CENTUR): Av. Gentil Bittencourt, 650. Fone: (091) 241-2333; Biblioteca do Museu Paraense Emílio Goeldi: Av. Perimetral, s/nº. Fone: (091) 246-9777; Biblioteca Pública: Tv. Campos Sales, 273. Fone: (091) 241-7000

a ão r Ri a bemirinh aa i s . c o m . b r Poppulaç

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O Urbanista

Antonio Lemos

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*Hélio Rodrigues Titan

oi o intendente Antonio Lemos, um maranhense que veio trabalhar na marinha como taifeiro, o maior responsável pela modernização de Belém, ao colocar em prática um ambicioso plano, nos primórdios da República, projetando-a integralmente dentro do amplo espaço da 1ª Légua Patrimonial, criando novas áreas e definindo um desenho para a cidade que permanece atual um século depois. No final de 2003, o engenheiro civil Célio Cláudio de Queiroz Lobato, do Departamento de Desenho, Centro Tecnológico da UFPA, professor da UFPA há 32 anos, declarou que na sua avaliação, a maior contribuição de Lemos a Belém foi, sem dúvida, a formatação do espaço físico, a planta da cidade, de 1905. O maranhense Antonio José de Lemos, gostava de ler e sabia escrever bem, qualidades que o levaram à redação do jornal A Província do Pará, pelas mãos do proprietário, Dr. Assis. Trabalhou na equipe de revisores, fez carreira dentro do jornal, conquistou a confiança e a amizade da direção. Com a morte do Dr. Assis, Antonio Lemos, à

época ocupando o cargo de redator-chefe, adquiriu o periódico por um valor irrisório e o transformou num dos maiores jornais do Brasil, adquirindo modernos equipamentos de impressão na Inglaterra e instalando-o em imponente prédio, hoje abrigando o Instituto de Educação do Pará. Líder do antigo Partido Republicano no Pará, foi eleito para a intendência de Belém em 1897. A República acabara de se instalar. O ambiente político era de ruptura com qualquer resquício do regime anterior. Antonio Lemos tornou-se um idealista da época, segundo ele, as cidades, seus subúrbios, e também os centros, Kiosque Urbano padeciam dos resquícios da Monarquia, e clamavam por higiene e modernidade. "A República prometia desenvolver grandiosos planos de obras públicas e de embelezamento das cidades brasileiras", conta Célio Lobato. No caso de Belém, de fato, isso se concretizou, graças à fase áurea da borracha que ofereceu condições técnicas e financeiras para tal e à vontade política de Antonio Lemos em aplicar os rendimentos auferidos da e x p o r t a ç ã o n o

CASA

DISNEY


Inauguração do Serviço de Bonds Elétricos

embelezamento da cidade. Antonio Lemos foi buscar inspiração para o remodelamento urbanístico e arquitetônico de Belém no famoso urbanista parisiense Haussmann, que modernizou Paris, no plano urbanístico, como também na rede viária e rede de esgotos da capital francesa. É este o padrão de urbanismo que Antonio Lemos traz para Belém. E o coloca em prática com a ajuda de um grupo de competentes engenheiros e arquitetos, formado por Nina Ribeiro, Francisco Bolonha, Palma Muniz, João Coelho, Lúcio Freitas do Amaral, Frederico Martin, Domingos Acatauassu Nunes e Miguel Ribeiro Lisboa, entre outros. Alguns tinham inclusive cursos de urbanização, engenharia e arquitetura na Europa. Com base em planta de Nina Ribeiro de 1886, o grupo desenvolveu um plano para Belém, organizando o espaço da cidade e definindo

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Antonio Lemos, embelezou a cidade, fazendo-a mais bonita e atraente. Além disso, transformou Belém no maior centro comercial da Amazônia. objetivos, que culminou com a planta de 1905. Essa planta projetou avenidas, ruas e bairros inteiros onde só havia várzeas alagadas. Comparada à planta atual, no que concerne a 1ª Légua Patrimonial, o plano de Lemos continua inalterado. Antonio Lemos, dividiu a cidade, em bairros comerciais, residenciais, e industriais. Em

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por tração animal foi substituída por bondes elétricos. Lemos conduziu Belém à modernidade, definida pela República, como nenhuma outra cidade brasileira até então havia experimentado. Só depois é que Pereira Passos faria a grande reforma no Rio de Janeiro. Antonio Lemos impôs também um código de posturas moderno, trazendo à nossa cidade um avanço considerável na época. Nosso intendente governou Belém por 14 anos, sendo considerado o maior benfeitor da “Metrópole da Amazônia”, saindo do cenário político e público, através de uma das maiores injustiças, inclusive de humilhação, impostas por seus inimigos políticos. *Médico Escritor Cosmologo Praça Independência

Planta da Cidade de Belém

suma, Antonio Lemos, embelezou a cidade, fazendo-a mais bonita e atraente. Além disso, transformou Belém no maior centro comercial da Amazônia. Os calçamentos de madeira foram substituídos pelo granito. Foram construídos o mercado de ferro, o quartel dos bombeiros, e o necrotério público. Foi iniciada a rede de esgotos, os largos foram transformados em praças ajardinadas, ruas largas, com 30 e 40 metros, foram abertas no bairro do Marco e promoveu-se o melhoramento do perímetro urbano. A iluminação pública passou a ser elétrica e a viação

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Cláudio Barradas

aos 75 anos

*Acyr Castro

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láudio Barradas chega, neste janeiro de 2005, aos 75 anos de idade. Padre e ator. Personalidade singular da cultura de que nós podemos orgulhar, nós Brasil, em Belém, no Pará, na Amazônia. Ainda por cima um escritor de mão cheia, alma e coração de poeta. Homem basicamente de teatro e da Igreja, seus textos, jamais publicados em livro, foram três vezes premiados pela Academia Paraense de Letras por entre o conto e a peça propriamente teatral. “Houve um tempo”, explicou ele ao jornalista e historiador Oswaldo Coimbra, “em que eu gostava de inventar palavras”. No palco, reiventou inúmeras, e com maestria, encenando de William Shakespeare a Ariano Suassuna, de Anton Tchecov a Jorge de Andrade, de Eurípides a Joaquim Cardoso, de Gil Vicente a Maria Clara Machado, Sófocles e Fernando Arrabal, de Yeats a João Cabral de Melo Neto. Palavras em fogo, carregadas de paixão; de Bertolt Brecht a Cecília Meireles e de Dias Gomes a Nazareno Tourinho... Ator, diretor, a teatralidade de Cláudio impressionou o paulista Líbero Luxardo que viera “fazer o Norte” e o acabou usando em todos os filmes de longametragem que aqui realizou: “Um Dia Qualquer” (1962) , “Marajó Barreira do Mar” (1964), “Um Diamante e Cinco Balas” (1966) e, em 1974 “Brutos Inocentes”. Luxardo foi o pioneiro, também em Mato Grosso, mas era mau roteirista, mau diretor de elencos cinegrafista com escassa noções de iluminação e emprego da câmera; com a sorte de encontrar colaboradores mais eficazes do que ele, em Mato Grosso Alexandre Wulffes, no Pará Fernando Melo. Esclarece Barradas: “meus papéis nos filmes de Luxardo eram umas porcarias”, salientando que toda a sua cultura de ator “era, na verdade, cinematográfica”. Fala Cláudio Barradas que o secretário de redação e editor do suplemento literário da “Folha do Norte”, jornalista e escritor, o poeta Eliston Altman, vivia pedindo textos e fotos para ele. Uma informação que me escapara: o Eliston, segundo o ator e escritor, “era parente do diretor do cinema norteamericano Robert Altman”. Repleto de prêmios, 1957, 1964, 1968, 1971, 1973, 1974, Cláudio Barradas só não foi diretor do Teatro da Paz quando estive Secretário de Estado de Cultura, Desportos e Turismo, 1983/1987, por que não quis; teria feito par com um amigo comum, o igualmente

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Cláudio Barradas, Teatro com maestria

encenador e ator Agostinho Conduru, que botei para dirigir o Teatro Waldemar Henrique. No livro em que Oswaldo Coimbra o biografa, “Cláudio Barradas O Lado Invisível da Cultura Amazônica”, CMPq/Universidade Federal, Cláudio escreveu a seguinte dedicatória a mim: “Acyr, sem você nossa luta pela arte não teria sido o que foi”. Que o diga, além de Belém, São Paulo ao tempo em que, ali, estive exilado (nas páginas do “Jornal do Brasil”) afora o Rio de Janeiro, em razão da “gloriosa redentora” de 1964. Em fins dos anos 1950 Cláudio nos reuniu além de mim o Carlos Miranda (pura saudade) que andou mais tarde pelo Serviço Nacional de Teatro, e Manuel Wilson dos Santos Penna, o “S” do Grupo ARTS, eu, o Rafael Costa, o Amílcar Tupiassu e ele o Penna numa peça de Renata Palotini, “Brinquedos Sabidos”, na sede da Sociedade Artística onde hoje está a Academia de Letras. Uma experiência, iniciada com Agostinho Conduru na produção para a grande Henriette Risner Morineau a que me recusei levar adiante. Literatura, teatro, cinema, rádio com Edgar Proença, ei-lo padre; pároco em Santa Isabel do Pará, 1990, rezou as exéquias (no Instituto de Educação do Pará) e, em Santo Alexandre, a missa de 7º dia de Francisco Paulo Mendes, mestre de todos nós, na ocasião lendo belíssimo poema de Ruy Barata. Mas antes de ser padre, Barradas foi professor (latim e português) de uma figura rara, Guilherme de La Penha, que chegou a ser titular da extinta Secdet e terminou por se suicidar; por quê? Por quê? Padre Cláudio Barradas é, agora, cura da Igreja Cristo Ressuscitado no Conjunto Médici no Bairro da Marambaia. Desejo a ele e todos um 2005 realmente novo e fecundo com as bênçãos de Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. “Eu me domo” (Vladimir Maiacóvski) “o pé sobre a garganta da minha própria canção”.

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*Jornalista e Escritor Edição 34


O ecoturismo na região das ilhas de Belém

*Benigna Soares

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Governo do Estado, por meio da Companhia Paraense de Turismo (Paratur) investe na valorização e fortalecimento do ecoturismo nas regiões das ilhas de Belém, onde é possível encontrar pelo menos dez roteiros ainda pouco explorados. Entretanto, se potencializados, podem oferecer a turistas e visitantes boas opções de passeios a custos baixos. Garçais em Mosqueiro, trilhas em Cotijuba e na região da Pirelli (Marituba) e casas de engenho próximas ao Acará são algumas dessas opções. Na Ilha dos Papagaios, por exemplo, a Paratur, em parceria com a ONG Sociedade Civil Natureza Urbana Estudos Ambientais (Naturea), está desenvolvendo um projeto que vem mudando a rotina de estudantes da rede pública de ensino e de representantes da Associação Brasileira de Clubes da Melhor Idade (ABCMI/PA). O projeto, iniciado em setembro de 2004, é coordenado pela pesquisadora Maria Luisa da Silva, do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal do

Pará, e integra o "Estudo científico do comportamento de botos e papagaios para subsidiar atividades de ecoturismo na região de Belém". O trabalho foi idealizado pela Naturea, com objetivo de articular estratégias de valorização do ecoturismo, educação ambiental, terceiro setor, ciência e tecnologia, entre outros. Mais de 300 pessoas, a maioria estudantes do ensino médio de escolas estaduais paraenses, já participaram do projeto, que consiste em um passeio à ilhadormitório dos papagaios-do-mangue, localizada a 15 minutos de barco do porto da Praça Princesa Isabel, em Belém. Na ilha, os estudantes e idosos, que também são atendidos pela iniciativa, ajudam a contar os espécimes e têm a oportunidade de assistir a revoada dos bandos. Em cada viagem são contados no mínimo 1.800 aves, que pertencem ao gênero Amazona amazônica. Rita de Cássia Moreira, técnica em planejamento turístico da Paratur, explica que os passeios de barco acontecem pelo menos duas vezes por semana e também Papagaios do mangue envolvem professores

Ilha dos Papagaios

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e diretores de escolas públicas. Segundo ela, há cerca de oito famílias de ribeirinhos residindo na ilha e a meta é envolvê-los diretamente na pesquisa. "O objetivo da Paratur ao financiar o projeto é permitir a participação efetiva de alunos do ensino médio em uma pesquisa científica e, ao mesmo tempo, incrementar e consolidar os roteiros turísticos em ilhas do entorno de Belém", afirma a técnica, que acompanha todas as visitas.

A pesquisadora Maria Luisa da Silva fala aos alunos sobre preucupação ambiental e respeito ao modo de vida dos papagaios

Pesquisas despertam a consciência ecológica e estimulam o turismo nas Ilhas A pesquisadora Maria Luisa da Silva diz que a observação do comportamento de deslocamento do Papagaio-do-mangue, que costuma sair em busca de alimentos por volta das 4h e só retorna no início da noite para a ilha dormitório, já soma mais de 70 visitas da equipe de pesquisa e já resultou até em trabalhos de conclusão de cursos dos estudantes que participam do projeto. "Os resultados preliminares foram apresentados à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em junho deste ano, na cidade de Cuiabá (MT)", conta. Durante a viagem, a pesquisadora, que também é professora na Universidade Federal do Pará (UFPA), justifica o projeto como fonte de "subsídios informativos seguros para a atividade turística em uma região que tem seu potencial praticamente inexplorado", no caso a região das ilhas de Belém. Para Maria Luisa, que sugere transformar a ilha num santuário ecológico, a iniciativa "vem ao encontro dos anseios dos mais diversos setores da sociedade paraense: cientistas, estudantes, profissionais da pesca e do turismo, além da comunidade que habita as regiões contempladas com o projeto, como Marapanim, onde é feita a observação de botos, e a Orla de Belém, onde está a Ilha dos Papagaios". Em Marapanim o projeto está em fase inicial. A observação de botos tucuxis no município, onde a equipe do projeto acredita ter

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descoberto uma nova espécie de coloração cinza, ainda é restrita aos pesquisadores. Segundo Graça Vilhena, coordenadora pedagógica da Diretoria da Área Metropolitana da Seduc, a conscientização dos alunos para a preservação ambiental é um dos principais objetivos do projeto. A participação da Seduc começou no dia 12 de outubro e só termina no final de dezembro, quando 44 escolas do ensino medido já terão enviado 20 estudantes em cada passeio.! Até o início deste mês, 220 pessoas, entre alunos e professores, conheceram a ilha. Durante o passeio, biólogos e técnicos da Paratur aproveitam para repassar aos estudantes informações sobre ecoturismo e o modo de vida dos papagaios. São

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Botos Tucuxi

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aves que costumam voar em pequenos grupos, de no máximo três indivíduos, geralmente da mesma família, e que se alimentam de flores e frutos. Vivem cerca de 60 anos na natureza e até 80, em cativeiro.

SERVIÇO: As visitas à Ilha dos Papagaios são feitas por uma

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Observação sempre atenta dos alunos

embarcação da empresa de turismo Panfletur, nas quartasfeiras, às 16 horas, e nas sextas-feiras, às 4h. O embarque acontece no porto da Praça Princesa Isabel, na rodovia Bernardo Sayão, bairro do Guamá. Informações pelos fones (91) 229.5458 / 8815.0650 (Maria Luisa); (91) 222.4242 (Naturea) e 219.0669 (r-215) (Paratur).

A técnica da Paratur Rita de Cassia orienta os estudantes sobre o ecoturismo

Estudantes e professores se juntam na pesquisa dos biólogos na contagem e observação dos papagaios do mangue

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preciar arte em Mosqueiro não é, sem dúvida, uma tarefa difícil. É preciso apenas sensibilidade para ver tudo de belo que transpira de suas pedras, matas, praias, gente. Mas, apesar de tanta fonte de inspiração, a vida do mosqueirense é de eterna luta: falta de boas ofertas de emprego e estudo na ilha, que, em conseqüência geram horas de deslocamentos diários para Belém, especialmente, em busca de uma perspectiva de vida melhor. É quase cômico, se não fosse trágico, o fato do mosqueirense, cercado de tantas belas paisagens e horizontes ter que buscar perspectiva na cidade de pedra e concreto, onde a vista alcança tão pouco... Talvez por conta deste paradoxo, a necessidade de tentar traduzir a vida em metáforas é que venha surgindo com tanta força a expressão poética no Mosqueiro. Reunindo-se há pouco mais de dois meses, jovens do Mosqueiro vem discutindo a arte, a cultura e produzindo frutos maduros (como muitos que provém da ilha, fartos e gostosos),

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Claudia Nascimento expondo todo sábado à noite na Praça da Matriz. São poesias sob as mais variadas formas: palavra, desenho, música, teatro... E talvez por isto os versos tenham se tornado o ponto forte do GIA Grupo Independente de Artistas do Mosqueiro. O GIA, analogamente a um sapo, se propõe a um pulo. Apresentar a cultura do Mosqueiro, que tantos reduzem aos aspectos típicos, como a praia e a tapioca. Caetano Veloso, na letra de “Gênesis” foi o primeiro a traduzir a proposta destes jovens, muito antes de sua existência, como profeta que é: “Primeiro não havia nada Nem gente nem parafuso O céu era então confuso E não havia nada Mas o espírito de tudo Quando ainda não havia Tomou forma de uma jia Espírito de tudo E dando o primeiro pulo

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Rogério Portela

Tornou-se o verso e o reverso De tudo o que é universo Dando o primeiro pulo Assim que passou a haver Tudo quanto não havia Tempo, pedra, gente, dia Assim passou a haver...”

Oh! Que ilha am ada e maravilh osa, É um paraíso a tua Ilha d'água doce for mosura; , clara e pura; Uma ilha límpid a e esplendoros a. Oh! Que ilha tão be De luar tão claro la, de alma tão próspera, e De céu tão estre vento tão brando, lad Uma ilha venusta o e ar purificado; e tanta cultura. Oh! Que ilha fér til, de um sol tão Ilha cristalina e poente, tanta riqueza; Uma ilha arden te de tanta gente . És a ilha dos so nhos, és mui qu eri Só não te goza quem não te co da nhece E entre tantas,és a preferida!

Não se contentam em apenas mostrar a sua arte. Vem promovendo oficinas e palestras para a comunidade, em parceria com o Pão de Santo Antônio, que cede espaço em sua sede social n o b a i r ro d a Vi l a , c o m colaboradores do grupo, como professores da UFPA, técnicos da FUMBEL e tantos outros que

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venham. O próprio grupo faz suas apresentações na praça, faz atividades de cunho ecológico com a coleta de lixo e conscientização, promove gincanas com crianças da comunidade, além de articularem com outras portas que possam se abrir para o aprimoramento e difusão do trabalho destes jovens que gostariam de continuar apreciando o mundo com a perspectiva das praias de sua terra uma perspectiva infinita.

A Ilha....

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Ivo Amaral Publicidade já surgiu no cenário da propaganda paraense em setembro de 1977. A primeira sede foi no segundo pavimento do Edifício Bechara Mattar, no Largo do Palácio. Depois a agência alcançou rápido crescimento e mudou-se para o Edifício Banlavoura, ao lado de A Província do Pará, na travessa Campos Salles. Logo em seguida ocuparia grande parte do nono andar do Edifício Rotary que, um ano depois tornou-se pequeno diante da expansão dos seus negócios. Ainda no Edifício Rotary a agência passou a ocupar todo o oitavo andar do prédio, ali 26

permanecendo até a mudança para sua sede própria, na Padre Eutíquio, no início de 1990. O seu fundador, Ivo Amaral, profissional experiente de TV e Rádio, tinha uma vasta experiência no ramo. Além disso, Ivo havia trabalhado na Mendes Publicidade e na Mercúrio, duas das maiores agências na época, em ambas exercendo a função de atendimento. Ele lidava diretamente com os clientes e procurando traduzir as suas necessidades através de mensagens criativas e bem elaboradas. Ivo tinha atuação criando e apresentando os mais diversos tipos de mensagens comerciais, a maioria delas realizadas

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Rita Lima (Secretária)

Luís Cláudio (Diretor

de Arte)

oordenadora de Ev

Ivanna Carneiro (C

"ao vivo", o que exigia o máximo de atenção e profissionalismo para evitar qualquer tipo de erro que prejudicasse a mensagem do cliente. Com toda essa experiência na área de varejo, surgiu a Ivo Amaral Publicidade, que logo partiu para a sua vocação de varejo, conquistando contas importantes. Entre os clientes estão os Supermercados São João, líder em seu segmento, Casas Grisólia, A Iluminadora, Importadora do Conforto Ltda. A.F. Coelho e Cia. O Rei das Tintas e Lojas Mundial, entre outros. A esses clientes, pouco depois, viriam a se juntar muitos outros, inclusive das mais diversificadas atividades, caso, por exemplo da CATA Companhia Amazônia Têxtil de Aniagem, AFCON A.F. Coelho Construções, Hospital Adventista de Belém, Fábrica Santa Maria (Sabão Regência) e Invencível Pneus e Peças. Estão entre os clientes da Ivo Amaral nomes dos mais importantes e expressivos dos meios empresariais, muitos deles com um relacionamento de muitos anos com a empresa. Uma parceria feita com a Salles Inter-Americana, Edição 34

Carlos Vascon

celos (Diret

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entos)

or de Mídia

)

(Diretor de Sérgio Maia

Ar te)


afirma Ivo, que mesmo assim ainda crê que o Pará faz uma propaganda diferenciada. "Até se a gente levar em consideração outros estados vizinhos do nordeste, até mais p o d e r o s o s economicamente que nós, eu acho que a nossa propaganda ganha em criatividade, qualidade, sem dúvida alguma". Ivo Amaral sabe que o país sente as dificuldades econômicas cada Da esquerda para a direita: Roni Valle, Fuad Hanna, Rita Lima, Acir Macambira, Alexandre Amaral, Carlos Vasconcelos, Luís Cláudio, Sérgio Maia, Jorge Paiva, Joanson Silva e Ivanna Carneiro. vez maiores, e claro que tudo, explica, reflete no consumo, uma das três maiores agências do país, em 1983, nas empresas. Mesmo assim, o publicitário espera possibilitou a Ivo Amaral um intercâmbio que seja um ano maravilhoso, de muitas extremamente proveitoso, ligando a agência, conquistas. "Economicamente ainda praticamente, a todos os estados do Brasil, onde a continuaremos tendo problemas, mas a Rede Salles atua com grande desenvoltura. Graças criatividade pode superar em muitos aspectos este a essas parceria, os profissionais da agência puderam estagiar na própria Salles, em São Paulo, ganhando uma Alexandre Amaral (Diretor) grande experiência. "Hoje, a Ivo Amaral Publicidade tem uma posição inteiramente consolidada no mercado regional e, já há algum tempo, u l t r a p a s s o u n o s s a s f ro n t e i r a s atendendo clientes que atuam nos mercados do Maranhão e do Ceará, caso das Drogarias Big Ben e RR Pneus", diz Ivo Amaral. "Dispondo de uma carteira de clientes fortes e respeitados, a Ivo Amaral Publicidade está sempre aberta a novos negócios", ressaltou. Recentemente, uma parceria feita com a Name Comunicação possibilitou a agência atuar na organização de eventos, prestando assessoria aos clientes que necessitam desse tipo de ação. Sobre a propaganda no Pará, Ivo considera que a lado", ressaltou. qualidade é conhecida nacionalmente. "Apesar de Quanto à propaganda brasileira, Ivo acredita que sermos um Estado pobre, de certo modo em vai continuar mais forte, inclusive a nível recursos, com um parque industrial muito internacional, onde o Brasil é reconhecido como pequeno, quase diminuto e a concentração maior um dos países que tem maior qualidade de seja praticamente em propaganda de varejo", propaganda do mundo. "Não somos um país como 28

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os EUA, que exporta propaganda. Os grandes conglomerados, as grandes agências de criação estão no Brasil. São empresas poderosas que muitas vezes se aliam ou compram grandes empresas brasileiras de propaganda e isso permite que o nosso nome seja facilmente divulgado no mercado todo", acredita ele. Ivo Amaral afirma ainda que o Brasil tem exportado e conquistado a",

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muitos prêmios como os do Festival de NY e Cannes. Mas, o publicitário diz que a propaganda brasileira não é independente. "Os donos podem ser estrangeiros economicamente, nós estamos atrelados a eles, mas a criatividade, a parte da criação é toda nossa, genuinamente brasileira", finaliza.

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á exatamente 389 anos, em 12 de janeiro de 1616, era fundada pelo português Francisco Caldeira Castelo Branco, o atual portão de entrada da Amazônia, Belém, a capital do estado do Pará, que a cada ano vai ficando mais bonita graças as mais variadas obras que vem sendo realizadas na cidade e seus arredores. A Cidade das Mangueiras como a capital é conhecida, devido ao grande número dessas árvores frutíferas, atrai cada vez mais turistas, que chegam a Belém de diversos lugares do país ou do mundo, possui muitas belezas naturais e riquezas culturais, por este motivo veio a idéia da elaboração desse roteiro turístico para que os turistas ou mesmo seus moradores possam descobrir e aproveitar melhor o que Belém tem a oferecer.

1° Dia:

edificar. Para começar a viagem pela cultura amazônica você pode visitar o Complexo Feliz Lusitânia, que engloba o Forte do Presépio, a Casa das Onze Janelas (e a Corveta Solimões), o Museu de Arte Sacra (Igreja de Santo Alexandre) e o Museu do Círio. Dentro do Forte, além de uma belíssima vista da baía do Guajará, você poderá apreciar também o Museu do Encontro, que conta a história da colonização portuguesa no Estado. Ao lado, a Casa das Onze Janelas, um lindo prédio do século XVIII, que abriga o Museu de Arte Contemporânea, além do Boteco das Onze, um bar-restaurante que oferece um dos melhores paladares de Belém. Nesse espaço, está ancorada a Corveta Solimões (conhecida como Pantera da Amazônia) que depois de servir como navio de guerra, foi transformada em navio-museu. Ao visitá-la podemos ter a noção de como era a vida sobre as águas, com salas que contam um pouco das muitas histórias vividas pelas

O ponto de partida para conhecer a Cidade é o seu centro histórico, localizado no bairro da Cidade Velha, que foi onde a Capital começou a se

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Lusitânia, caminhando um pouco pelas ruas históricas da Cidade Velha podemos encontrar a Igreja do Carmo, fundada no século XVII pela ordem Carmelita, e que funcionou como ponto estratégico para as tropas imperiais durante a revolta da Cabanagem, único movimento popular que assumiu o poder no Brasil. Um pouco mais adiante do Complexo Feliz Lusitânia, está o Museu do Estado do Pará (MEP), sediado no Palácio Lauro Sodré, uma construção do século XVIII. O museu tem em seu acervo mobílias, pinturas, esculturas, e objetos utilitários do período “Art Noveau”. O prédio ainda conta com serviço do Café Landi e de restaurante. Ao lado, encontra-se o Palácio Antonio Lemos, também conhecido como Palacete Azul. O prédio também abriga um museu, o MABE (Museu de Arte de Belém), além da sede da prefeitura da cidade. Seu acervo é eclético, composto por mais de 200 peças entre mobiliário e adornos do século XIX e começo do século XX. Após esta viagem histórica e cultural pelo berço de Belém, a pedida é saborear uma das iguarias típicas da região, como uma boa maniçoba ou um delicioso pato no tucupi. Opções não vão faltar. Após o almoço, a sobremesa fica por conta de um delicioso sorvete de açaí ou tapioca de uma das inúmeras

inúmeras tripulações que por lá passaram. Continuando o passeio pelo Complexo, visite a Igreja de Santo Alexandre do século XVII, que abriga o Museu de Arte Sacra de Belém, onde existem mais de 500 peças sacras, adquiridas em sua grande parte do espólio jesuítico, e que valem a pena serem apreciadas. Ao lado da Igreja de Santo Alexandre, no Casario da Rua Padre Champagnat, está instalado o Museu do Círio. Seu acervo conta com mais de 500 peças, entre elas: livros, revistas, fotografias, brinquedos de miriti, objetos de cera, estandartes, entre outros. É um espaço muito bonito que conta um pouco da história da maior manifestação religiosa do mundo, que só acontece aqui no Pará. Continuando o passeio pela parte antiga da cidade, visite a Catedral Metropolitana de Belém, que fica em frente ao Feliz Lusitânia. A Catedral, mais conhecida como Igreja da Sé destaca-se por seus painéis pintados e ricamente emoldurados nos seus altares. É dela que se dá o início da procissão do Círio de Nazaré. Próximo ao Complexo Feliz

Alverline Koudela / Alcione Gato

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Corveta Solimões, ancorada na Casa das Onze Janelas

livraria, feira de artesanato e produtos regionais, espaço para eventos, teatro, museu, palco móvel para apresentações artísticas, terminal fluvial e até uma mini-fábrica de cerveja. São 32 mil metros quadrados com 500 metros de orla e sem dúvida nenhuma o lugar perfeito para você apreciar o pôr-do-sol e anoitecer batendo um papo gostoso ao som de música da melhor qualidade na cidade das mangueiras.

2° Dia Museu de Arte Sacra

sorveterias Cairu, que estão espalhadas por toda parte da cidade. Logo ali ao lado do Museu do Círio tem uma... Após a chuva das 3h da tarde, você pode ir conhecer o Mercado do Ver-o-Peso, a maior feira livre do Brasil. O Complexo é formado por feiras livres, praças e dois mercados, o de peixe e o de ferro, além do Solar da Beira, que é um espaço destinado a projetos artísticos, educacionais, venda de artesanato e espaço cultural. No Ver-o-Peso você poderá encontrar os mais diversos tipos de mercadorias, produtos exóticos e regionais, e ainda apreciar umas das melhores vistas da baía do Guajará. Logo ali, ao lado do Ver-o-Peso, você poderá conhecer um dos mais importantes e modernos complexos turísticos da Amazônia. Trata-se da Estação das Docas, que foi construída a partir da restauração de três galpões do Porto de Belém e hoje se transformou em um lugar maravilhoso de lazer, cultura e gastronomia da Amazônia. O local é estruturado com os melhores restaurantes da cidade, bares, lanchonetes, serviço de café, lojas, bancos 24h, agência de turismo,

A bela Belém, de muitos cantos e encantos, ainda nos reserva muitas atrações. Há muito o que se apreciar na cidade que sempre está de braços abertos, com sua peculiar hospitalidade, para acolher quem a visita. O dia começa com a ida ao Museu Emílio Goeldi, considerado o mais importante instituto de pesquisa científica da Amazônia, possui aproximadamente 800 árvores típicas da região, uma enorme gama de exemplares da fauna e flora amazônica como peixeboi, arara-azul, pirarucu e a onça pintada. Ainda no local, pode-se encontrar um aquário e exposições de animais empalhados. Tudo o que há de mais belo na Amazônia, pode-se encontrar no Museu. Saindo do Goeldi, vamos desfrutar de um sossegado passeio no Parque da Residência, que no início do séc. XX serviu de moradia para os Governadores do Estado, e hoje é considerada umas das melhores áreas de lazer da cidade. Lá podemos encontrar um orquidário, o Teatro

O Mercado do Ver-O-Peso, a maior feira livre do Brasil

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Museu Paraense Emílio Goeldi

Estação Gasômetro que serve de palco para peças e shows, além de poder provar de deliciosos sabores no restaurante Restô do Parque, que tem seu biffe assinado pelo La Vien Rose, uma das melhores cozinhas da cidade. E não se pode esquecer da parada obrigatória na Sorveteria Cairu, que tem como instalações um velho vagão de trem que circulava na antiga Estrada de Ferro de Bragança, e tomar um delicioso sorvete de frutas regionais. Seguindo nosso percurso, pela surpreendente e singular cidade das mangueiras, nossa próxima parada caracteriza-se como um dos principais elementos de Fé do povo paraense: a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, que abriga a imagem da padroeira da cidade, encontrada pelo caboclo Plácido, e que todo ano é palco da maior explosão de religiosidade do mundo: o Círio de Nazaré. A arquitetura dessa construção é em estilo romano, seu interior é todo em mármore e a harmonia e clima agradável do ambiente, ficam por conta da existência de peças barrocas, clássicas e renascentistas. Dando continuidade ao passeio, seguimos para o Palacete Bolonha (em reforma), um dos marcos da arquitetura “Art Noveu” da cidade. Sua arquitetura é marcada pela existência exagerada de cristais, metais e motivos florais e detalhes em ouro. Foi projetado e construído pelo engenheiro Francisco Bolonha, dizem alguns

Parque da Residência

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como presente para sua esposa, no inicio do século XX. É um exemplo da riqueza e suntuosidade da época. Ao lado do Palacete localiza-se o Memorial dos Povos, um espaço que consegue unir requinte, bom gosto e um ar de simplicidade. O espaço possui um anfiteatro, uma sala para exposições, sorveteria, um restaurante, além de ser a sede da Coordenadoria Municipal de Turismo. E, como dica para almoço, depois de uma manhã dedicada às descobertas do que Belém tem de melhor, sugerimos o Restaurante Lá em Casa, que fica ao lado do Memorial dos Povos, conhecido por sua fama de servir a melhor comida típica paraense de Belém. Seguindo o circuito, vamos para a belíssima Praça da República que se destaca por sua beleza bucólica e seus monumentos, além de possuir um atrativo natural que dá um toque paisagístico especial ao lugar: a presença de muitas mangueiras que acabam formando túneis de uma natureza espetacular. No domingo, acontece a já tradicionalíssima Feira da Praça, onde belemenses e turistas se misturam à procura de melhores preços nas barraquinhas de peças artesanais, artigos hippies, comidas, além de inúmeros shows que lá acontecem. E, é também na praça, que está construída uma das Teatro da Paz

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maiores relíquias da cultura paraense: o Teatro da Paz, símbolo e herança dos tempos áureos do ciclo da borracha e do desenvolvimento da cidade. Tombado pelo Patrimônio Turístico Nacional, é todo em estilo neoclássico, data de 1868 e é considerado um dos mais bonitos do país! Após relembrar um pouco do passado, vamos seguir para a Praça Batista Campos, um dos lugares mais bonitos de Belém, no estilo “belle époque” cheia de coretos de ferro, lagos, árvores que, no fim da tarde, deixam desfalecer suas folhas, e que levadas pelo vento, são responsáveis por um lindo espetáculo. A praça é parada obrigatória para tomar aquela água de coco, seja no inicio da manha, á tarde quando o calor é mais intenso ou no prenúncio da noite. Seguimos em direção à Fundação São José Liberto, local que antes funcionou como convento da Ordem dos Franciscanos, posteriormente como presídio público, hoje sendo uma atração turística. À fundação é formada, pelo Pólo Joalheiro, a Casa do Artesão e o Museu da Gema, que abriga cinco salas, cada uma explorando assuntos relacionados a pedras preciosas e ao homem amazônida. No local podemos encontrar também, a Praça da Liberdade, além de poder conhecer um pouco mais do cotidiano dos enclausurados no Museu da Cela, o espaço conta também com um amplo anfiteatro onde ficam expostas obras de artesanato e cerâmica típicos da região. É imperdível a visitação desta construção

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Murucutu guardam a memória de um passado próspero. O velho engenho de açúcar movido a vapor desde o século XVIII era o orgulho do fazendeiro João Antônio Rodrigues Martins. A capela, de 1711, é a construção mais conservada. A caminhada pelas ruínas é uma ótima opção para quem gosta de sentir a emoção de estar em um lugar que foi habitado há muitos anos e, sobretudo, para quem é fã da natureza. Por falar em natureza, seguiremos agora ao Bosque Rodrigues Alves Jardim Botânico da Amazônia. O Bosque é um daqueles espaços obrigatórios para visitação. Quem tem a oportunidade de conhecer o lugar, fascina-se com o enorme leque de atrações oferecidas pelo local, que recentemente foi elevado ao título de Jardim Botânico. Após uma manhã ecológica seguiremos em direção ao Planetário, o primeiro construído no norte, além de ser um dos mais modernos do Bosque Rodrigues Alves país. Ele faz parte de um complexo que engloba o Estádio Olímpico do Pará, mais conhecido como Mangueirão. O estádio é cenário

Estádio Olimpico “Mangueirão”

oitocentista , onde você poderá conhecer um pouco mais sobre a história do lugar e ainda comprar objetos do artesanato regional e/ou jóias de uma beleza única e exclusiva, inspiradas na cultura paraense. Depois de mais um dia de descobertas fascinantes sobre Belém, é hora de relaxar num dos melhores Happy Hours da cidade, o Cosanostra, ponto de encontro de pessoas bonitas e de bom gosto da cidade.

3° Dia: Para finalizar este roteiro pelo Portão de Entrada da Amazônia, que tal começar o dia com uma aventura, fazendo uma caminhada pelas Ruínas do Murutucu? Escondidas pelo mato, as ruínas do Engenho do

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Icoarací a “Vila Sorríso”

constante dos clássicos Remo e Paysandu, as duas maiores paixões do paraense depois do Círio de Nazaré. Se você estiver na cidade em um dia de clássico, vale a pena apreciar esse espetáculo. Agora, vamos fazer uma “viagem” a Icoaraci, distrito de Belém que fica localizado a 18km do centro da cidade, também conhecida como “Vila Sorriso”. A orla recém revitalizada é um dos melhores locais da cidade para se refrescar com uma doce água de coco geladinha e uma deliciosa brisa no rosto ao som do barulho das ondas fluviais, que banham o local onde também localiza-se a Praia do Cruzeiro. Ao redor da orla você ainda poderá encontrar os melhores restaurantes do local sempre oferecendo o melhor dos mariscos e pescados da região, além da já tradicional comida regional, entre outros pratos mais comuns. Escolha um destes ótimos restaurantes da Orla da Vila

Sorriso para seu almoço, neste terceiro dia de encantos e descobertas pela linda Belém, você irá pedir bis. E, finalizando com chave de ouro, nosso passeio por Belém, vamos apreciar o por do sol, num dos lugares mais belos e aconchegantes da cidade, o Complexo do Ver-o-Rio, que fica á beira da Baia do Guajará, nos proporcionando um maior contato com o que temos de melhor: o rio. Lá existem barraquinhas que vendem comida típica regional, sorvete, além da famosa tapioquinha, hoje, de todos os sabores: pizza, jambú... O complexo dispõe de um parquinho para as crianças, um palco para apresentações de médio porte e exposições de fotografia, além de um requintado restaurante, o Píer 47, que tem como instalações um navio ancorado no porto. Chegamos ao fim de nossa prazerosa jornada pelos encantos de Belém, que tem o sutil poder de nos enfeitiçar com sua beleza amazônida, seu estilo ribeirinho de se desenvolver e crescer, tudo a seu tempo, sem pressa, sem atropelos, sua tradicional e marcante hospitalidade que conquista de forma arrebatadora quem a visita. È a cidade das mangueiras, do banho de cheiro, do Ver-o-Peso, do tacacá esfumaçante ás 3h da tarde, do bombom de cupuaçu, do carimbo, do siriá, da cerâmica marajoara,etc. Quem visita Belém, entra em contato com um mundo único e fascinante e leva consigo a simplicidade de um povo, a riqueza de uma cultura, gostos e cheiros singulares, a força e altives de nossos ancestrais indígenas, a paixão de viver a vida... Por isso, sempre que puder volte, pois sempre haverá descobertas a serem feitas, afinal estamos falando de Belém do Pará, a obra prima da Amazônia.

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este mês de janeiro estamos comemorando o aniversário de fundação de duas das mais importantes cidades do Pará: Belém, a nossa Metrópole da Amazônia, portão de entrada para a região mais cobiçada do mundo, com a maior floresta tropical da terra, que está completando 389, e Castanhal, a nossa Cidade Modelo, a quarta maior cidade e o mais importante município pólo de desenvolvimento da região nordeste do Estado do Pará que comemora 73 anos. Em homenagem a eles quero lembrar um pouco da história desses dois importantes municípios do Estado. De Belém, vamos falar mais especificamente do forte do Castelo. Marco da história de Belém, o Forte do Presépio, foi construído em 1616, pelo capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco que aqui desembarcou no dia 12 de janeiro daquele ano, comandando cerca de 200 homens numa expedição constituída por três embarcações: a "Santa Maria da Candelária", "Santa Maria da Graça" e "Assunção". Localizado às margens do rio Pará, na confluência do rio Guamá com a Baia de Guajará, de onde era possível ter uma visão geral de toda a movimentação de entrada e saída de barcos, o Forte Presépio, hoje conhecido como Forte do Castelo, foi construído com o objetivo de defender a região da invasão de estrangeiros. Funcionou como quartel general onde foram arquitetados todos os planos para expulsar os ingleses, franceses e holandeses da região. O Forte do Castelo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN em 1962 e se tornou um ponto turístico da cidade. A denominação de Forte do Castelo surgiu em 1833, quando o forte passou a ser chamado de Castelo de São Jorge. Primeiramente construído em madeira com 38

cobertura de palha, o forte foi reconstruído em 1622, “com forma quadrada, tornando-se assim uma construção mais sólida em taipa de pilão” (http://www.iphan.gov.br/bancodados/benstombados /mostrabenstombados.asp?CodBem=1467). Segundo informação do arquivo do IPHAN, forte passou por várias obras, a primeira reforma ocorreu em 1632 e depois em 1712, 1721, 1759, 1773. Em 1832 o forte foi desativado por estar em ruínas. Em 1835, durante a revolução da Cabanagem, o forte foi semi-destruído pela esquadra imperial, sendo reconstruído em 1850. As obras acabaram em 1868, o forte passou então a contar com quartéis, casa, uma ponte sobre o fosso, um portão e uma muralha de pedras pelo lado do mar. O Arsenal de Guerra se instalou em 1876. Em 1978, houve uma tentativa de tirar o restaurante e o Círculo Militar do forte para uma intensa restauração. Em 1980, após suas muradas terem sido parcialmente destruídas, a edificação passa por obras de emergência para garantir a estabilidade do remanescente. Em 1983, a SPHAN/pro Memória, através da primeira Diretoria Regional, sediada em Belém, realiza obras de conservação e restauração de diversos monumentos do patrimônio inclusive do Forte do Castelo. Sob a responsabilidade do Exército, passou por várias modificações para abrigar a sede social do Círculo Militar de Belém. Suas linhas, totalmente alteradas, foram restauradas com a mais recente reforma, em 2002, quando o forte voltou ao domínio civil do Estado do Pará, apesar de ter perdido parte de sua murada, numa intervenção que foi muito questionada na época e que ainda se encontra em questionamento na Justiça.

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Castanhal

a história do Pará

*Paulo Rocha

município, através da Lei Nº 600 reconhecendo-se como seu primeiro Prefeito o Comandante Francisco Rodrigues de Assis. Em 1934, dois anos após a Constituição do Município, foi criada a Comarca de Castanhal. Em 1936 e 1937, com reordenação territorial do Estado, e com o anexo ao Decreto-Lei Estadual Nº 2.972, de 31 de março de 1938, é reconhecida a existência do Município tendo como patrimônio, além das áreas da sua sede, as áreas de Apeú, Anhanga e Inhangapi. Esses dois últimos povoados acabaram se transformando nos municípios de São Francisco do Pará e Inhangapi, em 1943, através do Decreto-Lei Estadual Nº 4.505, que começou a vigorar a partir do ano de 1944. Congratulo-me, então, com a população belenense e castanhalense pelo aniversário desses dois municípios neste mês de janeiro, Belém, no dia 12, e Castanhal no dia 28. Parabéns a todos.

Castanhal, a cidade modelo de desenvolvimento da região Nordeste do Estado, surgiu a partir da colonização de imigrantes nordestinos. Mesmo sem nunca ter tido em seu território, de fato, um castanhal, o seu nome se deve a essa famosa espécie da floresta amazônica, segundo a tradição oral, porque quando da construção da estrada de ferro que ligava Belém a Bragança, uma das suas estações, ficou localizada sob a sombra de uma frondosa castanheira e, a partir daí, o local foi batizado como Castanhal, constituindo-se em núcleo urbano. “No dia 6 de junho de 1899, o povoado original foi elevado à categoria de Vila, mediante a promulgação da Lei Nº 646, quando ainda era parte integrante do Município de Belém, acontecendo sua instalação, como tal, em 15 de agosto de 1901”. (http://www.governodopara.pa.gov.br/conhecaopara/ castanhal.asp). Quatro anos mais tarde, o território da Vila foi reincorporado ao Município de Belém, dandose cumprimento à disposição contida na Lei Nº 957 de 1º de novembro de 1905. Finalmente, no 28 de janeiro de 1932, Castanhal é elevada à categoria de

*Deputado Federal

suas encomendas com segurança

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*Hélio Rodrigues Titan

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emontando a nossa memória, traremos à de nossos pensamentos, a satisfação e alegria, pelo aniversário de nossa querida Castanhal, elevada que foi, em 28/01/1932 à categoria de município pelo Interventor , na época, Joaquim de Magalhães Cardoso Barata. São 73 anos de evolução, tradição, espraiamento urbano, desenvolvimento comercial, agropecuário, industrial e populacional, moldando nestes anos, uma cidade robusta e que enche de orgulho o povo desta terra. Com mais de 150 mil habitantes, incluindo a população rural, Castanhal desenvolveu uma característica toda especial, quer em comportamento humano, religioso e cultural, como em seus múltiplos aspectos de uma cidade moderna, arejada, luminosa, tropical o que a tornou conhecida em todo Pará e além, como “Município Modelo”. A cidade aniversariante, me faz lembrar a filosofia de desenvolvimento da “Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão” uma empresa organizada pelo Marquês de Pombal em 1755, que estimulava inclusive com infraestrutura necessária, o desenvolvimento do comércio e agricultura. Foi extinta em 1777 por D. Maria I. Rainha de Portugal, por motivos vários, inclusive a expiração do prazo legal, concedido pela coroa do Reino de Além-Mar. A comparação retoativa nos alicerça, no trabalho desenvolvido pelos nossos alcaides e licurgos, cuja maioria se dedicou a esta terra, com suor e lágrimas, no desenvolvimento deste torrão abençoado. O famoso Magistrado francês de Brosses (1709-1777)

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já dizia que o crescimento cultural, comercial político de uma comunidade está no aprimoramento de sua identidade. Assim é Castanhal, amigos! Esta nossa cidade encravada nos rincões nordestinos do Pará, evoluiu com o passar do tempo, sua própria face citadina! Temos hoje um povo humilde na maioria, mas relativamente alegre em ume terra onde a hospitalidade floresce e se exterioriza à “olhos vistos”; onde o sol tem um brilho peculiar; onde o vento acaricia o nosso rosto com mais ternura, onde o orvalho da manhã é mais puro; onde crepúsculo é como uma aurora boreal em nossos corações; onde a chuva lava a cidade com capricho e zelo! Castanhal tem um murmúrio todo especial de seu povo, na labuta do cotidiano, nas feiras livres, no comércio, no trânsito, na parafernália dos ciclistas afoitos; nas bancas do jogo do bicho, nos terminais rodoviários, nos dançarás noturnos varando a madrugada desta terra pródiga de comportamento humano alegre e descontraído. Castanhal tem o seu Cristo Redentor, tem sua transrodovia, tem ainda como lembrança algumas castanheiras lá de Santa Helena , como se fossem sentinelas de um berçário intocável. Castanhal tem a plena liberdade religiosa, onde os cultos mais variados se enlaçam num ecumenismo fraterno. Personalizando, Castanhal, tem o Titan, (o prefeito),

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os Jatenes, o Ernani Souza, o jornal “O Independente” do meu amigo Dr. Emídio, o Leite, o Cristo Redentor, a “Maria Fumaça”, os botecos da Jaderlandia, o campo do “Japiim”, o Círio de Macapazinho, os moto táxis, os cantores de brega , a carne de sol, o pão de queijo, a matriz São José, além dos mais de 150 mil anônimos felizes desta cidade iluminada. Falar nas duas administrações de Paulo Titan, é tarefa bastante difícil, pelo simples fato, das grandiosas realizações, quer na parte urbanística, como por exemplo a pavimentação de 70% da área viária citadina, como aberturas de novas estradas vicinais, interligando as inúmeras Agro vilas, como melhoramento da ponte que liga Castanhal ao distrito de Macapazinho. Desenvolveu um trabalho árduo, no combate à poluição do rio Apeú, em parceria inclusive com o Dr.

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ros da cidade, contratando inclusive novos médicos para o “Programa Família”. Construiu a bela avenida pavimentada no bairro “TITANLANDIA”. Outras realizações que me fogem ao censo, foram realizadas por um dos melhores prefeitos que a Cidade Modelo já teve em sua História! Temos a certeza que o nosso querido Hélio Leite, não fugirá à regra, em sua gestão, de promover o mesmo dinamismo administrativo à esta cidade merecedora, que é Castanhal! Finalmente, para terminar nossa homenagem, temos a chave de ouro em forma da eleição, deste filho ilustre, que Apeú viu secar o seu umbigo! Hélio Leite, tenho certeza, não trará arrependimento na imensa maioria que o escolheu para gerar os destinos de Castanhal nos próximos 4 anos. Camillo Martins Vianna, o qual contribuiu com milhares de sementes de macacaúba, pau d'arco, espalhadas ao longo do médio Apeú para baixo. Promoveu o funcionamento do primeiro hospital municipal, que atualmente atende todo o pólo nordestino do Pará com cerca de 15 municípios. Dinamizou a Secretaria de Ação Social, em forma de palestras, doações de cadeiras de rodas para inválidos, orientação profissional de competentes Assistentes Sociais na população de terceira idade, e por aí vai. Modernizou o trânsito, construiu terminais rodoviários, conseguiu do governo federal a transformaçã o da Br 316, no seu trecho urbano, em avenida, inclusive com instalações de Semáforos! Dinamizou a Secretaria de Saúde, construindo postos médicos em todos os bair-

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Hélio Leite, continuará com o mesmo estofo administrativo e capacidade dinâmica,que seu antecessor, sem perder naturalmente sua identidade própria de governar, trazendo à esta terra, o desenvolvimento em todos os segmentos da atividade humana que uma comunidade como de Castanhal merece! *Médico, Escritor e Cosmologo, Titular da Sociedade Brasileira de Médicos (SOBRAMES)

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28 de janeiro festa para a cidade modelo

Castanhal

Hélio, Dom Carlos e Miltom Campos com vereadores e vice impossados

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astanhal amanhece em festa neste dia 28 de janeiro. A festa de 73 anos de emancipação político/administrativa de Castanhal já está desenhada. A idéia, segundo o prefeito Hélio Leite O discurso de Hélio Leite (PMDB), é garantir a na sua posse participação da população e a recriação da história do município modelo do Pará. Durante a programação que acontece nos dias 27 e 28 de janeiro, haverá exposição de artes plásticas, exibição de um vídeo documentário sobre Castanhal, missa em ação de graças na igreja Matriz de São José (padroeiro da cidade), ato solene com entrega de certificados na Câmara, show gospel na Praça da Estrela, decisão do campeonato municipal e show com atrações nacionais e regionais, que deverá acontecer na avenida Barão do Rio Branco, entre outras atrações. Castanhal, cidade pólo na região nordeste do Pará, beira a casa dos 200 mil habitantes com um dos comércios mais fortes do Estado, uma agricultura Hélio e Jatene na inauguração f a m i l i a r d e s t a q u e e do Rouxinol promissora, uma pecuária e piscicultura das mais respeitadas e belos cenários naturais, como os balneários das agrovilas Macapazinho, Castelo Branco, e o rio Apeú. Esse

desenvolvimento, segundo o prefeito Hélio Leite, se dá pelo processo de união na administração pública. Ele destaca o trabalho realizado pelo ex-prefeito Paulo Titan (PMDB), a parceria com a Câmara de Vereadores, com a bancada paraense em Brasília, a competência e a juventude de seu vice-prefeito Milton Campos (PSDB), e o irrestrito apoio do governador Simão Jatene (PSDB), que é castanhalense. Após 22 anos de vida pública e já tendo sido secretário municipal, vereador, vice-prefeito e deputado por dois mandatos, o castanhalense Hélio Leite pela primeira vez sente o gosto de administrar a cidade durante os festejos de 28 de janeiro. Mas No Círio, um rio de fé, da Matriz ao garante: “temos a santuário de Nossa Senhora, em Apeú grata certeza de que temos muito a comemorar, afinal de contas Castanhal cresceu graças, sobretudo, à participação de um povo ordeiro e hospitaleiro, que sabe melhor do que ninguém que sem participação não há desenvolvimento”.

O Prefeito Hélio Leite e seu Hélio Leite recebe de seu amigo vice Milton Campos,já estão Paulo Titan uma pujante Castanhal se dedicando integralmente para fazer bela e proficua administração da prefeitura de Castanhal


Mensagem do Prefeito Meus irmãos, minhas irmãs castanhalenses. O dia 28 de janeiro nos convida a amar cada vez mais este lugar que carinhosamente chamamos de Castanhal! E devemos amar porque ela independe da nossa vontade, das nossas ideologias; enfim, ela é muito maior do que todos nós. E é grande graças à sua, a nossa vontade de vê-la no caminho certo: nos trilhos do desenvolvimento participativo, onde todos são responsáveis pelo seu sucesso. Quero dizer a cada castanhalense que, como prefeito da terra em que nasci, assumo junto com você o compromisso de zelar dia após dia pela melhoria da qualidade de vida, pela inclusão social, por mais educação, saúde, pelo incentivo à nossa produção, às nossas vocações culturais e naturais, à geração de emprego e renda, e principalmente no cidadão de Castanhal, que será sempre a nossa principal bandeira. Não só em 28 de janeiro, mas a cada dia destes 4 anos que temos pela frente, que possamos firmar uma parceria que faça Castanhal brilhar cada vez mais, com participação e desenvolvimento. Assim teremos, sem dúvida, muitos bons motivos para comemorar os 73 anos de Castanhal com a certeza de que estamos no caminho certo. Parabéns Castanhal, o teu povo te abraça, hoje e sempre. Hélio Leite Prefeito de Castanhal

O rio que sou Eu corto um chão bento pelas mãos do redentor. Eu rego os quintais da Vila e banho os filhos da terra Mas não posso ficar.

*Eládio Reis

Há 77 anos Macapazinho realiza e comemora o Círio de Nossa Senhora de Nazaré nas águas do Rio Apeú

Trago saudade de outras águas. Mas tenho que ir. Vou pra muito longe E como lembrança, arrasto os peixinhos coloridos e até as folhas que caem sobre mim. Pra onde eu vou só as águas podem ir. E vou forte, vou fundo! E do fundo do coração sei que não devo chorar sei que não posso voltar.

Vou ligeiro, e canteiro, rumo ao terreiro do Guamá. Nele, eu deságuo com ternura. E ele, sábio e imponente, não faz uma pergunta sequer Sabe muito bem que o rio que acabara de chegar Um povo altaneiro acabara de banhar. E que a cor do meu sorriso é a maior de todas as provas De que o rio que sou se chama: Apeú! Edição 34

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esmo a remo e à vara, a coisa parece que está indo, ou mais exatamente, está ocorrendo, uma espécie de reação em nossos arraiais culturais e a nossa tradição popular está procurando recuperar o espaço perdido e, caso não funcione nosso espírito de imitação e paparicação das coisas vindas de fora, é quase certo que estaremos dando um passo a frente, na busca da identidade, moldura que está faltando não só para a Amazônia, como para o próprio amazônida. O curioso nessa história toda, é valorizar a necessária participação dos nordestinos nessa tomada de posição, contra a maciça impregnação da nossa música popular, chegando a desbancar o próprio rock, que reinou absoluto durante três décadas e que agora está sendo substituído com maiores evidências, pelo forró, entre outros, trazido pelos afilhados do Padre Cícero Romão Batista. Aliás, igual fenômeno já havia ocorrido em relação ao merengue centro-americano, já devidamente tropicalizado para bate-estaca ou lambada, também com a participação dos chamados cearenses, aqui pelas bandas do Inferno Verde. Mesmo considerando a carência de informações sobre o Ciclo dos Acangapeuas, é possível aceitar que depois de mais de um século, a influência dos cearenses como são denominados os nordestinos, uns pelos outros esteja substituída pelos chamados sulista e, depoimento datado do início do século, que já chegou ao seu final, é no mínimo bastante interessante, merecendo portanto ser levado em

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fico, bens na

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consideração, pelos interessados: “quando nasce uma criança, os outros seringueiros se dirigem à barraca do companheiro que é pai, para beber o mijo da criança e há os forrós, que é um baile ou dança ao som do realejo de mão, harmônica, e com o gramophone muito espalhado em toda a região, e chamado com muita propriedade de música em conserva”, o que ocorre ciclicamente em toda a vasta Região Verde dos Trópicos, mudando apenas alguns aspectos do evento, com salvas de tiros que variavam conforme o sexo do nascituro. Com o avanço desordenado dos meios de comunicação de massa, particularmente, o rádio, a televisão e mais recentemente a internet, nossos hábitos, usos e costumes vêm sendo brutal e continuadamente bombardeados através de programas de imitação chamados de enlatados, variante atualizada da tal música em conserva do pessoal de antigamente. Como se isso não bastasse, severas restrições de fundo religioso contribuíram para a descaracterização do amazonário popular, muito embora já seja possível detectar indícios de liberalidade de algumas representatividades relacionadas à religiosidade. Submetida à violenta e abrangente agressão

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facilidade, a invasão de coisas trazidas de outras paragens, em constrangedora macaqueação cultural. Como dizem por aqui, o que dá pra rir dá pra chorar, alguma coisa aproveitável está vindo à tona nessa barafunda toda da integração da região, a ferro e fogo. O homem amazônida está se dando conta que já chega de aceitar passivamente a condição subalterna a que foi empurrado, desde a viagem do Conquistador Orellana e está começando a sacudir a cangalha desse vergonhoso colonialismo interno e querendo dar um basta na condição da região ser mera fornecedora de matéria-prima e até mesmo de energia para outras lonjuras. A hora e a vez da Amazônia chegou! Possuindo espaço geográfico, bens naturais, acesso à tecnologia e crescimento populacional, o terceiro milênio caberá a Amazônia, necessitando apenas, de conquistas políticas, sociais e, principalmente, culturais.

ambiental, que vem servindo de cortina de fumaça a mais violenta a i n d a , a g re s s ã o cultural, o homem da região começa a reagir, como vem ocorrendo em relação aos festejos juninos, que até bem recentemente, acabaram por ficar isolados em salas de aulas e nas promessas de reduzido número de devotos. É inegável que estamos assistindo, e até participando, de entusiasmado processo de reativação cultural, superando todos os bloqueios que estrangularam no passado recente, qualquer tipo de manifestação o que permitiu, com muita

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sociais e, pri

*SOBRAMES/SOPREN

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Divulgue seu

Evento

223-0799

Janeiro PARAUAPEBAS 08 a 20

BELÉM 12

revista@paramais.com.br

CAPANEMA 13 a 20

Festejo do Padroeiro da cidade Praça Mahatma Gandi Fone: (94) 346-3434 Fax: (94) 346-3434

BELÉM Permanente

Marujada de São Sebastião Barracão São Sebastião Fone: (91) 462-1690/1740 Fax: (91) 462-1690

Exposição de Longa Duração do Acervo Museológico Exposições Temporárias Locais e Nacionais Museu de Arte de Belém Fone: (91) 219-8243/ 219-8252/219-8243

CASTANHAL 26

BELÉM 24 a 28

CURSOS SEBRAE Departamento de Pessoal na Prática, Aprender a Empreender SEBRAE - R. Municipalidade, 1461 Fone: (91) 3181-9000

CASTANHAL 28

6° GP Cidade de Castanhal de Bicicross Camping Ibirapuera Fone: (91) 9964-3001

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389 º Aniversário de Belém Complexo Turístico Ver-O-Rio Fone: (91) 242-0900 / 0033

Aniversário do Município Centro de Castanhal Fone: (91) 3721-1445 / 7309

ORIXIMINÁ 29 a 31

XI Festival de Música Ginásio Poliesportivo Popular Fone: (93) 544-2027 Fax: (93) 544-2908

p a r a m a i s . c o m . b r

SANTARÉM NOVO 24 a 25

5ª Folia do Soatá Vila de Pedrinhas Fone: (91) 484-1198 Fax: (91) 484-1198

BELÉM 30

Seresta do Carmo Praça do Carmo Fone: (91) 242-1302 Fax: (91) 242-5742

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Fe ve re i ro

BELÉM 01

BELÉM 01 Rainha das Rainhas Jornal “O Liberal” Fone: (91) 213-1000 Fax: (91) 224-3661

CASTANHAL 01

CAPANEMA 04 Coquetel de Lançamento “Rainha das Rainhas do Carnaval” Oásis Dance Club Fone: (91) 462-1690 Fax: (91) 462-1690

Pré-carnaval de Icoaraci Fone: (91) 227-0214 Fax: (91) 227-0014

VIII Folia do Aleixo Camping Ibirapuera Fone: (91) 3721-1338 9977-3338 Fax: (91) 3721-1447

BELÉM 05 a 07 BRAGANÇA 05 a 08

CAMETÁ 05 a 08

Abertura do Carnaval de Bel Aldeia Cabana de Cultura ém Amazônica Mestre David Miguel Fone: (91) 242-5742 / 242 -0213

Carnaval Av. Nazeazeno Ferreira e Praça dos Eventos Fone: (91) 425-4287

ÓBIDOS 05 a 08

MARABÁ 05 a 08

a Carnaval Corredor da Foli ônio Maia Praças da cidade, Av. Ant Fone: (94) 321-2243 Fax: (94) 333-1829

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Carnaval Cametaense Praça da Cultura Fone: (91) 3781-1240 / 1323 Fax: (91) 3781-1323 / 1296

PARAUAPEBAS 05 a 08

Expedição e passeio na Floresta Nacional dos Carajás Serra dos Carajás Floresta Nacional de Carajás Fone: (91) 242-1397

CARNAPAUXIS 2005 Estádio Gen. Rêgo Barros Fone: (93) 547-1766 Fax: (93) 547-1766

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Fe v e r e i r o SANTARÉM 05 a 08

Carnaval 2005 Orla do Maçarico e Praia do Atalaia Fone: (91) 423-1794/ 423-3964

Cristoval Estádio Jader Barbalho Fone: (93) 523-7493 Fax: (93) 523-7493

SALVATERRA 08

Carnaval Rua Carlos Carneiro dos Santos Fone: (91) 9114-9695 Fax: (91) 3765-1115

BELÉM 14 a 18

CURSOS SEBRAE: Análise e Planejamento Financeiro SEBRAE, R. Municipalidade, nº 1461 Fone: (91) 3181-9000

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SALINÓPOLIS 05 a 08

BELÉM 09

Cinzas Arrastão do Pirarucu nas e principais Orla do Chapéu Virado triz ruas até a Praça da Ma Distrito de Mosqueiro Fone: (91) 3771-1174

BELÉM 14 a 25

PORTEL 13 a 15

Festival de Frutas Regionais Praça dos Visitantes Fone: (91) 3784-1163

BELÉM 21 a 25

SANTARÉM NOVO 06

Carnaval 20 Ginásio Roge04 Fone: (91) 48rão Fax: (91) 48 4-1197 4-1198

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CASTANHAL fevereiro a mar

Peladão Municipal Porpino” Estádio Municipal “Maximino Fone: (91) 3721-2012

PORTO DE MOZ 22

II Enduro Porto de Moz a Souzel mação CURSOS SEBRAE: Contabilidade Trilha CURSOS SEBRAE: For Avançado de Aventura da PA 167, s Didática de Instrutore idade, 1461 para não Contadores II trecho Porto de Moz a SEBRAE, R. Municipalidade, 1461 Senador José Porfírio SEBRAE, R. Municipal Fone: (91) 3181-9000 Fone: (91) 3181-9000 Fone: (93) 3793-1705 www.pa.sebrae.com.br Fax: (93) 3793-1191

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