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ISSN 16776968

Edição 27


Estenda o braço.

Doe sangue nessas férias. Julho é sinal de vida, de alegria e descontração. E o HEMOPA realiza novamente a sua campanha pela doação de sangue no verão.uma iniciativa que ajuda a sensibilidade sobre a responsabilidade de cada um com a sua própria vida e com a do outro.

Informações para o doador Pré-requisitos do doador: ! Gozar de boa saúde; ! Ter idade entre 18 e 65 anos; ! Pesar a partir de 50kg; ! Apresentar documento de identidade (Original com foto e assinatura); ! Não estar em jejum.

Cuidados pós-doação: ! Não dirigir por pelo menos 30 minutos; ! Ingerir bastante líquido no dia da doação; ! Não fazer exercícios; ! Não fazer esforços com o braço utilizado para doar sangue; ! Não fumar por duas horas.

Dicas de Trânsito para um verão seguro e na paz

Segurança:

Antes de viajar:

! Todo o material utilizado na coleta de sangue é descartável. No ato da doação você será acompanhado por profissionais de saúde experientes. Obs. Doar sangue não afina nem engrossa o sangue, não engorda, não emagrece e não vicia.

! Verifique se a sua documentação e a do seu veículo estão em dia; ! Faça revisão no seu veículo: motor, sistema de freios, pneus (inclusive o step), amortecedores, extintores de incêndio, luzes e

Como seu sangue será utilizado: ! Em pessoas que necessitam de transfusões; ! Pessoas queimadas ou acidentadas; ! Pessoas submetidas a cirurgias.

Segurança: ! Dirija sempre de acordo com a velocidade permitida na via; ! Jamais faça ultrapassagens em curvas, lombadas, acostamentos ou locais proibidos; ! Sempre utilize o cinto de segurança, tanto nos bancos da freente quanto nos de trás; ! Nunca dirija alcoolizado; ! Não fale ao celular enquanto estiver dirigindo; ! Não transporte crianças menores de 10 anos no banco da frente. Elas devem ir no banco de trás e utilizando o cinto de segurança; ! Não transportes crianças menores de 7 anos na garupa de motocicletas.

Juntos a gente faz.

NÃO ESQUEÇA - O HEMOPA TAMBÉM FUNCIONA AOS SÁBADOS, DAS 7hs30 ÀS 13hs


nestaedição

Férias no PARÁiso

O Pará expõe opções para o Verão Amazônico

O período de férias é um momento lúdico que as pessoas esperam chegar, e quando termina já estão sonhando com as férias que virão. Adenauer Góes

Pág. 10 Pág. 18

Pág. 06

O Zoneamento Ecológico Econômico

Governo do Pará deverá apresentar até agosto a proposta de Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Estado ao Governo Federal. Celso Freire/Douglas Dinelli Pág. 22

A importância histórica da “casa de Camilo Salgado”

A Griffo Comunicação

A Griffo foi fundada oficialmente em 7 de abril de 1981, essencialmente como uma agência de prestação de serviços jornalísticos assessoria de imprensa, edição de house organs e boletins, entre outros. Celso Freire Pág. 28

Paulo Rocha

Pág. 34

Cuidados com a pele no verão Debora Aben-Athar

Pág. 15

Alcione Oliveira & Salão Pêlo Cabelo

Pág. 16

Vivo e Motorola apresetam novas tecnologias

Pág. 26

Neste Julho de Férias Acyr Castro

Pág. 33

Chutado de volta Hélio Titan

Pág. 36

Cultura democratizada

I Jogos Tradicionais Indigenas Seus cabelos no verão

Sérgio Pandolfo

Bombeiros

Civilizações perdidas na Amazônia Camillo Vianna

Pág. 39 Pág. 46

O município de Tucuruí, no sudeste do Pará, viveu uma semana de fortes e intensas emoções por conta da realização dos I Jogos Tradicionais Indígenas do Pará... Aurea Gomes

Pág. 41

Editora Círios S/C Ltda CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual): 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A - Batista Campos Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 223-0799 ISSN: 1677-6968 CEP: 66033-800 Belém-Pará-Brasil www.paramais.com.br revista@paramais.com.br

Í N D I C E

PUBLICAÇÃO

+CULTURA +INFORMAÇÃO +ENTRETENIMENTO +SAÚDE +LAZER +ARTE +ESPORTE +ECOLOGIA DIRETOR e PRODUTOR: Rodrigo Hühn; EDITOR: Ronaldo Gilberto Hühn; COMERCIAL: Alberto Rocha, João Modesto Vianna, Márcia Chalu Pacheco, Rodrigo Silva, Rodrigo Hühn; DISTRIBUIÇÃO: Dirigida, Bancas de Revista; REDAÇÃO: Celso Freire, Ronaldo G. Hühn; ESTAGIARIA: Luana de Oliveira; REVISÃO: Paulo Coimbra da Silva; COLABORADORES: Acyr Castro, Adenauer Goes, Aurea Gomes, Camillo Martins Vianna, Debora Aben-Athar Unger, Hélio Rodrigues Titan, Paulo Rocha, Sérgio Martins Pandolfo; FOTOGRAFIAS: Arquivo Paratur, Arquivo Griffo, Geraldo Ramos, Heitor Reali, Jarbas Souza, João Ramid, João Vianna, Ray Nonato, Paula Sampaio, Sérgio M. Pandolfo ; EDITORAÇÃO GRÁFICA: Editora Círios

*Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores


período d *Adenaue e r que as pe férias é um mom Góes ssoas esp e n eram cheg to lúdico termina já ar, que virão estão sonhando c e quando que isto é . Um julgamento om as férias apressado manifesta do trabalh ção dir o Entretanto , enfim um mau da preguiça e da fu ia , trata-se e x e m p lo aos o ga todos m do justo utros. erec mo trabalhara em e pelo qua mento do ócio qu l muitos e m até que as po lutara França no s anos 30 líticas públicas, a p m e do século artir da mundo passa in assalariad stituissem férias do, em todo o pagas ao Vendo-se s e trabalhadores. s algo que assim, o paraíso n p ã o re é c is g a rá se cultura do ti s nossos ín r conquistado. C s, mas om dios, a bu sca de um o, na a « terra


Lago da princesa. Foto: J. Ramid

sem male s morte, lug » onde não havia tr a muita luta r de eterna juventu abalhos, doenças e d e ; que pre e sa c rifícios. A pedacinho cisava de ssim bem ente trabalho, do paraíso conqu , as férias são um n is pe passamos der. Então, por todos se a lo estudo ou a sim tado, seja ele pelo que não a maior p nimem em ples espe fa para isto m art ra em que Ouro. busca da im otivação re e dos nossos dias zê-lo onde it a ç d ã ? Nem fa izendo « v o da Idade ligiosa, qu De todo lt de m Penso qu enha a nós o vosso ando oramos aos c a espírito em odo, férias é sobre reino »... e Belém éus tu q u d e o se h n u a ã m estado preparam bitantes, o é mu ares ». Un viag de s do centro principlamente os ito conhecida a se ficar por vão para longe, ou ens e mudança de « . que mora us E n perto. Po fim, se m conhecida rém valeri tros se contentam morador d por aquele rá que esta cida mais longe de a pergunta e Belém n de é me arquitetôn s que mora r se para ão haverá cidade em lh ic o co q arborizaç as e naturais, com m perto das suas jó or nós ? Pen ue habitamos e que mo « viajar » numa ã o o a q s u so que si e é p ra d lh e ç e sc as e a fam ias das mang dá o título onhe m Belém p osa ueiras » se m ara belen , um programa d cida para rival ? lugares tu e fé en Porque ca rísticos, c Será que já curtir de « cidade da um po ses pode ser in rias em a Forte do omo o S de fazer o te ão José L m os novos C seu « para ressante. Museu de astelo, o Museu iberto, o íso » ond d A o e Estado e de Belém rte Sacra ? Os arr edores são um especial, c o nvite p ilha do C asseios pela ombu, Ico a C o ti ju b a , M o s q u raci, e ir o .. .


08 Pará+

J. Ramid

Nhamundá... Meu Deus ! Quanta terra e beleza, quem duvidaria de que o paraíso é aqui no Pará A Obra Prima da Amazônia? O turismo é, sem dúvida, padrinho de casamento do ócio com a tecnologia, donde nasceu a nova economia de que o sociólogo Domenico de Masi se fez apóstolo. Muitos ainda não prestaram atenção para essa revolução social em curso. Ainda não acostumamos a procurar uma agência de turismo e comprar um ''pacote de produto turístico genuinamente paraense''. Portanto, a economia de serviços de turismo, cultura, educação, esportes e lazer oferece a chance não mais para recuperar a velha economia, nos moldes ordinários de exploração de matéria-prima e mão-de-obra. Mas,

J. Ramid

Alter do Chão

Geraldo Ramos

Não falo da Ilha das Onças, uma jóia ecoturística bem diante da cidade, que tem tudo para ser roteiro da Cabanagem. Para quem se dispuser a ir mais longe, é indispensável pensar na ilha do Marajó este lugar de férias, por excelência. Com o nosso turismo rural indo a toda pressa, temos diversas fazendas prontas para os visitantes passarem as melhores férias de suas vidas, tanto em Soure como Salvaterra e já Ponta de Pedras se apresentando com um bom produto, perto da Alça Viária, com acesso de lancha através de Vila do Conde. Quem fala em Vila do Conde está dizendo Barcarena, com Caripi e tudo ; está pensando na praia de Beja, Abaetetuba e mais além. Por que não em Muaná, no outro lado ? Mas, o veraneio mesmo é a cara de Salinas, princesa da Amazônia Atlântica. Algodoal não será esquecida, como também Marudá, Crispim e adjacências são sinônimos de férias e preguiça de bom tamanho. Começar a falar aqui e ali é sempre correr o risco de esquecer, injustamente, algum desses lugares maravilhosos que às vezes até se escondem, porque paraísos não se oferecem a toda hora. Mas, assim mesmo, dá para esquecer o Tocantins com seus encantos tamanhos ? Desde Breu Branco, que agora tem até praia, Tucuruí, Cametá, Baião, Mocajuba, Marabá. Nesta marcha, o Xingu chama atenção em toda a sua extensão. E logo quem se prepara para férias há de sonhar em esticar a viagem até o Tapajós, Trombetas,

Mosqueiro

Rio Araguaia

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Geraldo Ramos

J. Ramid

Salinas (Atalaia)

Praia Grande (Salvaterra)

serve para inovação tecnológica no uso sustentável da biodiversidade e na pesquisa científica. Que melhor lugar do mundo há do que a Amazônia para isto, e as férias locais para pensar sobre o assunto vivendo-se concretamente esta experiência? Há estatísticas que nos dão uma idéia geral da economia do veraneio, que podemos chamar da indústria do ócio. Mas, a verdade é que escapam detalhes importantes para se ter a visão completa deste fenômeno, quando se pensa sobre as viagens familiares para o interior nas localidades as mais afastadas e nas condições mais modestas, que certamente mobilizam toda uma economia não monetária e não contabilizada, porém importântíssima no seu alcance sócio-econômico em torno do lazer. O desafio do novo paradigma leva-nos a todos, nos países e regiões ricas ou pobres; em direção à melhoria das condições de vida nos lugares onde, em realidade, vivem as pessoas: nas cidades e no meio rural. O problema é a miopia de certa “mundialização” hegemônica e unilateral, que finge desconhecer a máxima: “o vento que sopra aqui também sopra lá”... Pensar que o povo das favelas, das periferias das cidades ou que os povos da floresta e habitantes ribeirinhos da Amazônia podem viver atrasados e isolados enquanto o mundo desenvolvido se enfarta em consumo é uma ilusão. Os economistas do desenvolvimento sustentável, empresários do turismo e gestores de fomento sabem que o turismo é um negócio, mas não é um

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negócio qualquer. Ele é o elo catalisador entre a proteção ambiental e a responsabilidade social. Porém, a maioria da sociedade ainda não despertou para este fato, que as férias como um todo mete bem debaixo do nosso nariz. O grande público acredita em planos mirabolantes para agradar o povo, com promessa de milhões de empregos conforme o velho receituário. Quando a mágica não funciona todos gritam. Mas, de desengano em desengano o tempo passa, aumenta o crime, a droga, a violência, a pobreza e a solidão das multidões. O turismo é uma grande estratégia que exige cultura de segurança e paz social pela própria sociedade e não pode ficar apenas sob a responsabilidade dos dirigentes públicos ou privados. Numa palavra, o que faz a diferença nos dias de hoje é o mercado solidário, onde o turismo é um dos componentes dos mais importantes de fomento geral da nova economia e o veraneio é a sua prática mais efetiva. Tenhamos todos ótimas férias e ao votar ao batente, mais do que nunca, estejamos convencidos de que somos capazes de construir o nosso próprio paraiso, agradecendo as riquezas que a Providência nos concedeu para uso e não para abuso. Pois está visto que a natureza pode atender a todas as necessidades do homem, só não pode atender à sua ambição. *Presidente da PARATUR e do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo.

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e õ p x e á r a OP

Verão Am

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Brasil tem como metas para o turismo até 2007, criar condições para gerar um milhão e duzentos mil empregos; aumentar para 9 milhões o número de turistas estrangeiros no país; gerar 8 bilhões de dólares em divisas; aumentar para 65 milhões a chegada de passageiros nos vôos domésticos e ampliar a oferta turística, desenvolvendo produtos de cada estado da Federação. O Estado do Pará, através da PARATUR, fez o seu dever de casa, estruturou o seu Plano Estadual de Turismo, com consultoria da empresa espanhola, THR, uma das mais conceituadas no mundo, criou o Fórum Estadual de Turismo e dividiu o vasto território estadual de 1.248.042 km², que representa 16,66% do território brasileiro, 26% da Amazônia e 49,9% dos atrativos naturais da Amazônia Legal, em seis pólos

turísticos (Belém, Amazônia Atlântica, Marajó, Tapajós, Araguaia-Tocantins e Xingu). Julho é o mês de veraneio amazônico, com uma ampla diversidade de opções para os seus habitantes e turistas, com inúmeras praias oceânicas e de rio, igarapés, além de variados eventos culturais, esportivos e de lazer. O Governo do Estado do Pará vem nos últimos nove anos dotando os municípios de infra-estrutura necessária e determinante para o desenvolvimento do turismo. Obras como a macrodrenagem de Belém, energia firme em todos os municípios paraenses, construção e recuperação de estradas, a Alça Viária ligando Belém ao centro-sul e nordeste paraense, Estádio Olímpico do Pará, Estação das Docas, Projeto Feliz Lusitânia, Pólo Joalheiro, restauração do Forte Ray Nonato

Salvaterra

10 Pará+

Crispim

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Forte de Óbidos

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o a r a p s e õ opç

azônic

atrativos e as praias de Salinópolis João Ramid (Atalaia, Corvina, Maçarico, Farol Velho, Cocal, Marieta , Pilão, entre outras), de Marapanim (Marudá e Crispim) e Maracanã, com Algodoal são os destaques do pólo, mas uma ida aos municípios de Vigia, Bragança, São Caetano de Odivelas, Augusto Corrêa e Viseu são boas opções para este verão. O s í n d i o s tupinambás apontavam o El Dourado, a terra divina, na direção do Arquipélago do Marajó, encantado pela passagem dos índios caruanas e encantador pelas belezas naturais das praias, manguezais, Paula Sampaio aconchegantes pousadas, hotéisfazenda com criações de búfalos, arborismo, cavalgadas e passeios de canoa. Há ainda a revoada de guarás, os sítios arqueológicos, a cerâmica marajoara e o

de Óbidos, construção da Orla do Maçarico e do acesso à praia do Atalaia, em Salinópolis e tantas outras iniciativas públicas. Neste verão, o Governador Simão Jatene inaugura a orla do balneário de Marudá, no município de Marapanim, resultado de um investimento de R$1,5 milhão. O novo cartão-postal do Pólo Amazônia Atlântica terá uma praça de cerca de quatro mil metros quadrados, com brinquedos, aparelhos de ginástica, bancos e arborização, além de outros melhoramentos como muro de arrimo, abrigos, estacionamento para 100 veículos, banheiros, chuveiros e palco para apresentação de shows. Com o objetivo de facilitar o acesso ao balneário, o Governo do Estado, através da Secretaria Especial de Integração Regional, está pavimentando a PA 318, que parte do entroncamento da PA 136 e termina na orla de Marapanim. Também serão asfaltados os oito quilômetros de estrada de acesso à praia do Crispim e quem vai para Algodoal já conta, desde o final de abril, com o novo Terminal Fluvial de Passageiros.

Pólos Turísticos Belém é o portão de entrada da Amazônia, centro cultural e gastronômico da região, conta com importante patrimônio arquitetônico, em fase progressiva de revitalização, como o Forte do Presépio, Museu de Arte Sacra, Pólo Joalheiro, Theatro da Paz e Igreja de Santo Alexandre. Outros destaques são o Mercado Ver-o-Peso, Estação das Docas, Parque da Residência e em setembro será inaugurado o Mangal das Garças, um símbolo de conservação ambiental no coração da capital paraense, com borboletário, farol e outras novidades para encantar paraenses e visitantes. O Mosqueiro, com suas praias de rio, com ondas, é um recanto bucólico e obrigatório para vivenciar o verão amazônico. A Amazônia Atlântica une as belas praias oceânicas a cenários verdejantes, oferecendo aos visitantes um espetáculo único de sol, sal e equilíbrio ambiental. As praias, manguezais e ilhas selvagens são os principais Edição 27

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Heitor Reali

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Ray Nonato J. Ramid J. Ramid

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Ray Nonato

Gruta em Viseu

Ray Nonato

Manguezal em Marapanim

Rio Xingu Salvaterra

artesanato em couro de boi e de búfalo, além de manifestações folclóricas originais. O Pólo Tapajós é um importante referencial para os praticantes do ecoturismo, pois encontrarão na região representações únicas da Floresta Amazônica, aliada à exuberância de paisagens inesquecíveis. Alter do Chão, em Santarém é considerado o Caribe de água doce. Praias próximas a Santarém e Belterra formam um vasto painel de opções para o verão. O pólo, que abriga inúmeras atrações nos municípios de Alenquer, Monte Alegre, Oriximiná, Óbidos e outros, com áreas com águas cristalinas, florestas, grutas, com gravações rupestres, monumentos naturais e arquitetônicos. A aventura, turismo ecológico, torneios de pesca esportiva e balneários são encontrados no Pólo Araguaia-Tocantins, com belas praias fluviais, sendo que algumas somente aparecem no verão amazônico. A riqueza mineral, as serras, os vales e campos de pastagens são encantos naturais para visitantes e

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Jarbas Souza

nativos. Os municípios de Marabá, Barcarena, Tucuruí e Conceição do Araguaia são os destaques deste pólo. O maior município em extensão territorial do mundo, Altamira, é o principal representante do Pólo Xingu, com refúgios para a prática da pesca esportiva e ecoturismo. Florestas virgens e reservas indígenas compõem o cenário da região, que possui também inúmeras corredeiras, ao longo do rio Xingu e a reserva pesqueira do rio São Benedito, em Jacareacanga. O mês de julho tem ainda eventos importantes em todo o estado, com destaque para o IX TOPAM Torneio de Pesca Esportiva da Amazônia, em Tucuruí, entre os dias 1º e 4 de julho; o Tranzamazônica Expedição, em Porto de Moz, entre os dias 1º e 4 de julho; o XXII Festival do Caranguejo, em Quatipuru, entre 8 e 11 de julho; o X Maraluar, no dia 17 de julho, em Marabá; o II Festival de Carimbo, em Marudá, em Marapanim, nos dias 16 e 17 de julho; o XXII Festival do camarão, em Afuá; no Marajó, o Festival Folclórico de Alenquer de 28 a 30 de julho; XI Festival do Peixe, de 30 de julho a 1º de agosto, em Barcarena e o surpreendente XIX Festival das Tribos de Juruti, de 29 a 31 de julho. Segundo o presidente da PARATUR, Adenauer Góes, o empresariado paraense em consonância com as ações das prefeituras municipais e Governo do Estado oferecem pacotes econômicos de viagens a diversos pontos do Estado do Pará a preços convidativos, profissionalizando o segmento e oferecendo aos

Alter do Chão

J. Ramid

Cotijuba

paraenses que viajam internamente e aos turistas, novos produtos turísticos, com a busca na melhoria da qualidade dos serviços ofertados. Os 1084 atrativos, catalogados no estado, credenciam o Pará, como a obra-prima da Amazônia, opção consistente para o paraense e turistas usufruírem o melhor do verão amazônico. Cidade dos Deuses (Monte Alegre)

*Assessoria de Comunicação Social da Paratur

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O efeito cumulativo do sol na pele é o responsável pelo aparecimento de sardas, manchas claras, escuras, rugas e o espessamento da pele; que caracterizam o fotoenvelhecimento, além do surgimento do efeito mais grave que é o câncer de pele. Algumas patologias pioram ou são desencadeadas pela exposição solar como acne, herpes, lupus, rosácea dentre outros. O uso de perfumes cosméticos e bronzeadores são inadequados durante a exposição. Eventualmente alguns medicamentos sistêmicos e/ou tópicos devem ser evitados ou usados com cautela como os ácidos por exemplo para o tratamento de manchas ou rugas. Após o sol utilizar loções hidratantes para evite a descamação. Uma dica para quem quer ter aparência bronzeada sem os riscos da exposição é a utilização de autobronzeadores.

*Drª Deborah Aben-Athar Unger verão chegou, e com ele as inúmeras oportunidades de viajar ou mesmo curtir as férias na cidade; porém é importante ter alguns cuidados para que o aproveitamento seja completo. Seu dermatologista poderá esclarecer todas as suas dúvidas. É sabido que o sol tem efeito cumulativo na pele, portanto os cuidados precisam ser iniciados desde a infância e devem ser diários já que o sol é parte integrante da nossa vida, seja no lazer, no esporte ou mesmo na profissão. A exposição no horário das 10 ás 15 hs é mais prejudicial já que os raios solares alcançam a superfície terrestre com mais intensidade. O protetor solar pode ser utilizado a partir dos 6 meses de idade e geralmente produtos com fator de proteção (FPS) igual ou maior que 15 são recomendados, de acordo com a cor da pele. Devemos optar por um filtro que tenha proteção contra os raios ultravioleta A e B; que seja resistente a água e que cosmeticamente melhor se adeque a pele de cada um. A indústria farmacêutica põe a disposição produtos a base de creme, loção, gel, spray, oil free e stick labial cujos FPS variam de 15 a 60. Deve-se aplicar uma camada uniforme em toda pele exposta ao sol (inclusive orelhas, nuca, pés e couro cabeludo nos calvos) 30 minutos antes de se expor e reaplicar a cada duas horas. Guarda sol, chapéu, barraca, óculos escuros ajudam na proteção. É preciso estarmos atentos também nos dias nublados, já que os raios solares atravessam as nuvens. Na sombra recebemos cerca de 50% das radiações ultravioletas; e a água e a areia refletem as radiações solares.

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MICOSES Freqüentes no verão , causadas por fungos que se adaptam bem em ambientes úmidos e climas quentes e tem preferência por locais de dobras (virilha, espaços entre os dedos), por isso é importante: Evitar uso de tênis, botas e meias de tecido sintético que aumentam a transpiração; Trocar as meias diariamente; Usar sandálias em ambientes comunitários como piscina e vestiários; Secar bem a pele após o banho. *Médica especialista em dermatologia pela SBD, Profª de Dermatologia da UFPa

Kit básico de verão

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Seus cabelos no

verão

o verão (e em qualquer época do ano) exposição demasiada aos raios solares, à água do mar e à piscina, deixa os fios dos cabelos secos e quebradiços, como conseqüência da perda de seus nutrientes. O mesmo ocorre com os cabelos que passam por processos químicos como colorações, alisamentos e descolorações, que fazem com que os fios apresentem porosidade intensa, perda da elasticidade, maleabilidade e umidade natural. Os cabelos ficam cheios de pontas, primeiro sinal de que a estrutura capilar foi danificada e não consegue mais reter seus nutrientes essenciais. Utilize sempre produtos que contenham hidratante e filtro solar. Eles protegem os cabelos do Sol e não da água e precisam ser combinados com algum creme de tratamento que forme uma película protetora. Esses produtos devem ser aplicados e reaplicados a cada mergulho, sempre nos cabelos úmidos, facilitando assim, a aderência dos protetores e melhorando e o poder penetração

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Alcione Oliveira Salão Pêlo Cabelo

dos hidratantes. Jamais use nos cabelos filtros solares para o corpo e nem protetores artesanais. Além de não funcionar como protetor capilar, o produto poderá ressecar ou deixar os cabelos mais oleosos. É imprescindível o uso semanal de um shampoo antiresídual. Ele limpa profundamente os fios e remove resíduos de protetor solar, creme de tratamento, sal e cloro. Outra medida que não deve ser esquecida é a hidratação. Os processos de hidratação, normalmente são muito utilizados em cabelos ressecados, ou seja, aqueles que possuem uma sensação áspera ao toque, não possuem brilho, são elétricos, tendendo a um aspecto “arrepiado” e freqüentemente são de difícil manuseio ao pentear e desembaraçar. Mas há casos em que os cabelos não mais respondem ao tratamento de hidratação. Está na hora de recorrer a técnicas mais modernas e eficazes. Tratamentos de reconstrução à base de queratina, devolvem aos cabelos suas propriedades naturais, reestruturando o fio danificado. Reconstrução é um processo que consiste na reposição de agentes reconstrutores como a própria queratina no córtex , a camada interna da fibra capilar. Também o própolis e o girassol que penetram de forma intensa nos fios agindo como tais agentes. Nos dias de hoje, a beleza dos cabelos, está ao alcance de todos. Procure um profissional de sua confiança (cabelo é coisa séria) e recorra ao que têm de mais moderno no momento, a Retexturização: Cabelos lisos através de íons negativos. Essa nova técnica alinha queratina dos cabelos trans-formando os fios disformes em uniformes. Os Edição 27


cabelos crespos ou anelados ganham um aspecto mais liso através da energia dos íons negativos, 22 minerais são inseridos com secadores e escovas de cerdas especiais e ionizada, reconstituindo a estrutura interna e externa do fio. A Reestruturação restaura e rejuvenesce os cabelos através de minerais naturais de água ionizados: hidrata a camada mais profunda dos fios, alisa, amacia e restaura a elasticidade, suaviza os mesmos, proporcionando um brilho intenso. Salientamos, que todas as pessoas que recorrem a estes serviços não devem deixar de enfatizar a manutenção, utilizando produtos que dêem continuidade ao serviço realizado nos salões. Hoje, o Pará é considerado o estado que mais cresce no segmento da beleza, pois além da necessidade natural de cada um, os paraenses têm se mostrado cada vez mais preocupados com a aparência. Mantenha os devidos cuidados com seus cabelos e se for viajar passe antes em um bom salão, faça um tratamento capilar e não esqueça de retornar após a viagem para fazer uma avaliação e manter-se sempre linda. Boas férias!

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BOMBEI Luana de Oliveira

Heróis em Nova Casa comemoram data magna. Nas praias cuidam dos veranistas A nova sede

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econhecidos por seus préstimos na salvação em incêndios, o bombeiro militar também é peça fundamental em outros tipos de atendimentos como resgates, salvamentos em altura, desmoronamentos, guarda-vidas em praias e balneários, combate a incêndios florestais, administração para redução de desastres, ou ainda na vistoria de prédios, que são acompanhados desde o projeto de sua construção até a freqüente fiscalização sobre equipamentos de segurança. Vale lembrar que o Comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar também responde pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Distingue-se então do restante do corpo mili-

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RS tar por não ter função punitiva ou treinamentos de defesa e ataque, exceto em situações extraordinárias, por estar submetido à tutela dos governos estaduais, pode eventualmente exercer uma função acessória. Seu papel é inerente à valorização da vida, luta-se por ela com a sua própria, como repetem em seu juramento. O cunho socorrista lhe faz um profissional carismático e inspirador de confiança, um amigo. Sobre o foco que a novela “Celebridades” direcionou aos bombeiros, o cap. BM Reis, tomou por negativo, pois a mesma mostra o bombeiro Vladimir enfrentando situações com total imprudência. O

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personagem é tomado por heroísmo, chegando a ser inconseqüente ao pular de prédios, descer morros ou entrar em poços para o resgate, desprovido de equipamentos de segurança, o que infringe as normas de proteção pessoal aliada ao raciocínio lógico e rápido para possibilitar a salvação da vítima. A crítica vem do fato de não só desse espírito heróico viver um bombeiro. O Coronel BM Raimundo Nonato explica os meios de ingressar na Corporação e os cursos de especialização que o acompanham

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para a formação de um bom profissional. Como praça ou oficial, o soldado pode seguir carreira dedicando 3 anos para a formação de aspirante oficial, 6 meses para 2º tenente, 2 anos para 1º tenente, 3 anos para capitão, 6 anos até tornar-se major, 4 anos para tenente coronel, concluindo com o “mestrado” militar No centro, o Cel. BM Raimundo Nonato, o comandante dos Bombeiros que é a patente de Coronel. com o funcionalismo público não permite a O major Menezes fala sobre os conhecimentos que manutenção de um maior pessoal. Os salários também um bombeiro deve ter, sobre química, biologia, não são muito compensatórios, um soldado iniciante física, engenharia e tudo o que envolva o seu trabalho ganha por volta de R$500,00 e o coronel tem o salário com o local em questão e a vítima. Para isso, bruto de R$2.000,00, fica claro então que apesar da acontecem constantemente cursos de capacitação estabilidade militar o que conta mesmo é a vontade de como os de guarda-vidas, mergulhador, combate a servir, alias nem todo mundo se aventuraria na rotina incêndio florestal e socorristas, entre outros, de bombeiro. inclusive com a extensão dos mesmos em Com as férias de julho metade do forma de palestras em efetivo irá atender 30 municípios colégios e prédios, do Pará, os mais visitados devido alertando para as as praias e balneários. Nos medidas de seguinteriores onde não há infrarança. estrutura militar, os bombeiros Além dos critérios de contam com a parceria das formação, os bomprefeituras, o importante é não beiros têm uma espédeixar de estar presente, apesar cie de código de ética, do número insuficiente. O uma legislação que exemplo de Salinas retrata essa rege sua vida dentro e realidade, onde temos 7Km de fora da farda. Entre elas praia numa proporção de 1 estão o estatuto, a lei de homem para monitorar cada promoção e a lei disci100m. Acrescenta-se também o plinar, a qual avalia os trabalho auxiliar que executarão comportamentos. Atinas estradas do estado junto à tudes permitidas a Polícia Rodoviária. civis podem ser motivos de O histórico da corporação no problemas para o BM no Pará é incerto devido a falta de registro, no entanto, quartel, visto que a “indisciplina” pode levar desde pressupõe-se que já no início do século XIX havia um uma suspensão até a exclusão do Corpo de Corpo organizado se comparado com os antigos Bombeiros. aguadeiros ou o Arsenal de Marinha que prestavam O atual aparato humano do Corpo de Bombeiros é de socorro aos incêndios ocorridos em Belém, nos 2.200 homens, sendo que o ideal para atender a Casarões ou centros comerciais, geralmente feitos de demanda social seria 3.139. Empecilhos políticos madeira ou tabique. O local onde se encontrava, até o como a lei Camata, a qual rege a contenção de gastos

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Mas a comemoração não parou por aí, desde o dia 25 , ocorrereu a Semana de Prevenção Contra Incêndio, constando de missas, entrega de prêmios, almoços de confraternização, passeios ciclísticos e mostra de Arte Contemporânea, muitas das quais produzidas por bombeiros pintores. No dia 02 de julho, dia nacional dos bombeiros, foi inaugurado o novo quartel do Comando Geral, e aconteceu o fato pelo qual os BMs, esperavam ansiosos - a entrega do navio Grão Pará, que possibilitará a assistência à população ribeirinha, levando assistência social (médicos, dentistas, etc.) bem como o combate a incêndios na orla. A entrega solene pelo governo do Estado deu-se às 10h da manhã e o evento da Semana culminou com o baile alusivo ao dia nacional do Corpo de Bombeiros no Clube de Oficiais da Aeronáutica/T1.

dia 27 de junho, a sede administrativa e quartel da 5ª Seção do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, na Rua João Diogo, próximo ao Colégio Paes de Carvalho, foi construída a 100 anos, na era Antônio Lemos. Ainda no dia 27 de junho, a 5ª Seção foi transferida para o novo prédio na Avenida Júlio César, o qual foi simbolicamente marcada por uma marcha do efetivo, que saiu da antiga “casa”, na Rua João Diogo, até a Av. Júlio César, bem como ocorreu há 100 anos na ocupação do antigo prédio.

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O Zoneamento Eco das potencialidad Celso Freire/Douglas Dinelli

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Governo do Pará deverá apresentar até agosto a proposta de Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Estado ao Governo Federal. Depois do diálogo com os técnicos da União, o ZEE será enviado para apreciação da Assembléia Legislativa do Estado. Até lá, a idéia é discutir a metodologia do projeto com os diversos segmentos da sociedade. Ele já foi apresentado a Fiepa; a 53 prefeitos do Pará, além de vices, assessores e lideranças comunitárias e de associações; deputados estaduais e federais; Tribunal de Justiça do Estado e do Ministério Público Estadual; as instituições de ensino superior, além de centros de pesquisa, como o Museu Emílio Goeldi e a Embrapa, e também para 10 Organizações Não-Governamentais (Ong's) que atuam na área ambiental. O governador pretende formar um conselho consultivo para acompanhar o projeto do Zoneamento. O objetivo é fazer os ajustes necessários durante as fases de planejamento e de execução. Além disso, o Governo também estimula a participação efetiva das universidades e de institutos de pesquisa científica, na formatação final do projeto. O Instituto de Ensino Superior (Iesam), por exemplo, deve capacitar os técnicos que vão O secretário Gabriel Guerreiro trabalhar no projeto.

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O governador Simão Jatene, segundo Guerreiro, teve importante participação na elaboração do ZEE em função de sua formação técnica/ universitária e profundo conhecedor do Estado do Pará O ZEE foi elaborado pela secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam), que tem como secretário Gabriel Guerreiro. É uma das bandeiras prioritárias estabelecidas na Agenda Mínima do Governo com uma previsão de recursos na ordem de R$ 9,2 milhões. O ZEE despertou o interesse do Banco Mundial em financiar o projeto. O custo está estimado entre R$30 milhões e R$ 40 milhões. O principal executivo do Banco Mundial no Brasil, e em Washington, Virnold Thomas, avaliou positivamente o projeto. Ele disse que a carta-consulta para financiamento do ZEE, como um dos componentes do programa Pará Rural, que tem valor total US$ 207 milhões, permanece sob análise da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), do Ministério do Planejamento, para concessão de aval do governo brasileiro. A Cofiex deverá autorizar brevemente a remessa de US$ 700 mil, doados pelo governo japonês, para o Governo do Estado avançar em ações previstas na fase inicial do projeto.

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lógico Econômico es do Pará Como tudo começou

MAPA DE SUBSÍDIOS A GESTÃO TERRITORIAL

O Zoneamento começou a ser elaborado há cerca de um ano com o objetivo de ordenar as atividades econômicas no Pará e definir as áreas que deverão ter proteção integral. Foi produzido um verdadeiro banco de dados sobre a ocupação e as vocações do território paraense, que tem 1.250 milhão de quilômetros quadrados. Este acervo é formado por mapas, análises e dados estatísticos disponíveis nos meios acadêmicos e na Sectam. Nele há informações como os tipos de solos, potencialidade mineral, de energia hidráulica, tipo de clima, ocupação populacional, biodiversidade. Atualmente o Pará possui 1,32% de seu território com proteção integral e 8,63% destinado para uso sustentado. As terras indígenas ocupam 22,08% do solo paraense e quilombolas outros 0,4%, totalizando 32,45% do território. Pela proposta do governo, seri-

CONVEÇÕES CARTOGRÁFICAS Sede Municipal Hidrografia Limite Municipal Estrada Vicinal Rodovia Limite de Bacias

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am incorporadas novas áreas de proteção integral (9,08%) e de uso susten-tável (19, 93%), totalizando 29,01%. O resultado final propõe que 61,46% do Estado do Pará passe a ser considerado área protegida. Apenas as áreas já alteradas, que somam cerca de 400 mil quilômetros quadrados, serão utilizadas no desenvolvimento de atividades produtivas. O governador Simão Jatene revelou a Revista Pará+, que a idéia do Zoneamento vai alterar substancialmente o modelo do uso do solo paraense, privilegiando a preservação ambiental sem privar o homem dos benefícios socioeconômicos que podem ser proporcionados pela natureza. "Com o ZEE, cada palmo de terra do Pará terá seu potencial e limitação do uso sustentável identificado. Com a formatação do Zoneamento, continuará havendo espaço para a agroindústria e agropecuária", destacou Jatene. Porém, destaca o governador, o Governo defende que é necessário conhecê-lo melhor para usar de forma adequada, pois se trata de um patrimônio que abrange recursos da produção agrícola e pecuária, dos sistemas agroflorestais, das florestas, do extrativismo, da exploração madeireira, das áreas protegidas e dos rios.

A palavra de Guerreiro Pará+ O que o caboclo, o camponês, o ribeirinho podem esperar de um projeto dessa envergadura em termos de ganhos sociais e econômicos futuramente? GG Em primeiro lugar, o mapeamento detalhado, que precisamos fazer, como fizemos no Mojú, no mínimo na escala 1:100.000, ele vai atingir todas as comunidades, uma por uma, dos nossos municípios, isso é uma coisa fundamental, porque vai nos permitir o conhecimento das comunidades, o modo de viver, o modo de fazer, dessas comunidades. Vai nos permitir projetar alterações nessas áreas, modificando os sistemas produtivos, aproveitando a cultura...vai nos ensinar a cultura, realmente, do caboclo, vai nos permitir planejar, por exemplo, onde se planta mandioca, como fazer com que essa mandioca seja mais produtiva, potencializar o que os caboclos fazem, para que se torne mais econômico, eficiente, mais adequado enfim. Esse é um projeto que vai atingir

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EIXO DE DESENVOLVIMENTO

realmente o cidadão e atinge a empresa, também, porque nós poderemos fazem grandes consórcios de empresas com esses caboclos, pra que eles produzam o que as empresas precisam. Nós já estamos fazendo isso, por exemplo, com a Agropalma, na questão do dendê, é incentivando que famílias se organizem pra produzir dendê para a empresa comprar. Então, isso são exercícios, que podem ser feitos com outros setores, com outras cadeias produtivas, e isso vai ao encontro do enriquecimento da população, das melhorias das condições de vida, que o grande objetivo do desenvolvimento, que é ser economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto. Esse é o grande objetivo do trabalho do Zoneamento Ecolóligo-Econômico e é o grande objetivo das políticas públicas do Estado do Pará. Pará+ Por que o Mojú foi o município escolhido para o projeto-piloto? GG Sobretudo porque já havia uma quantidade de informações sociais, econômicas e ambientais

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interessantes levantadas por outros instituições, o que facilitou o trabalho de campo e fechamento de novas informações, junto à comunidade, pelos técnicos da SECTAM. A questão de o município ser uma fronteira em expansão, e é fundamental a ação dos municípios que são atingidos por essas fronteiras, por exemplo, São Félix do Xingú, algumas áreas da Calha Norte, Monte Alegre, Santarém, e uma série de locais onde a fronteira de avanço sobre a floresta está acontecendo. Nós precisamos tomar conta e mapear isso, trabalhar projetos imediatos sobre essas áreas.

governador do Estado está integrado no zoneamento, interferindo no zoneamento, de forma positiva, conver sando, discutindo, com a equipe técnica da SECTAM, discutindo com as outras instituições, Gabriel Guerreiro explicando universidades, seo ZEE à Pará+ tores produtivos, poderes constituídos, ele faz questão de em todas as apresentações estar presente, e fazer o exercício da divulgação e da argumentação, ele participa como técnico, não como governador, isso nos facilita enormemente todas as decisões políticas, porque é um homem que aderiu ao projeto, compreendendo que não é um projeto do governo, é um projeto do Estado do Pará. Isso coloca o projeto do zoneamento acima das questões, digamos assim, de decisão política, é intermediária, é uma decisão política do governador, diretamente, que entende que esse é um projeto, crítico para o avanço do desenvolvimento sustentado do Estado do Pará, como todos nós queremos.

Pará+ E a sua visão sobre os Pólos de Desenvolvimento estabelecidos no zoneamento?

GG Nós não podemos descurar dos Pólos de Desenvolvimento, porque se nós transformamos esses pólos em atrativos para geração de empregos e renda, ele trabalhar no sentido de inverter o vetor da migração. Porque invés do cidadão chegar ao Pará e ir pra floresta ele vai para os pólos de desenvolvimento. E, justamente, os mapeamentos que o zoneamento vai fazer nos demais municípios permite que você flexibilize a legislação ( não a legislação ambiental, mas a legislação de Reserva Legal etc.), que possa nos ajudar a desenvolver e atrair capital, pra esses pólos e com isso fazer o exercício do desenvolvimento sustentado, atraindo gente para esses pólos, ao invés de deixar esse pessoal atrás do "eldorado" da floresta, que na realidade acaba destruindo a floresta e não gerando nenhuma riqueza, já que essa maneira de fazer as coisas não vem dando certo, tanto que nossa população está a 50% abaixo da linha de pobreza, e nós precisamos mudar isso.

Pará+ O governador Simão Jatene como um técnico que é, como o senhor destacaria a participação do dele, na discussão, elaboração, sugestões, análises e encaminhamentos dessa primeira proposta para a discussão com os vários segmentos da sociedade paraense? GG Isso pra mim é uma coisa que me agrada, sobremaneira, o governador do E stado está participando do zoneamento como mero chefe que aprecia, ou que olha se o projeto está bem feito. O

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Vivo e Motorola apresentam novas tecnologias. m um Road Show oferecido aos seus parceiros/revendedores, a Vivo e a Motorola apresentaram semana passada no Hilton, a mais nova tecnologia da maior operadora de telefonia celular do Hemisfério Sul - o portifólio de aparelhos CDMA. A partir já desta 2ª quinzena de Julho, a nova tecnologia em CDMA estará sendo implantada. Para João Truram, o diretor regional da Vivo no Pará e Amapá “com o CDMA atenderemos uma das grandes necessidades dos nossos clientes, que é a transmissão de dados em alta velocidade”. O Road Show foi um sucesso, antecipando o lançamento, motivando e preparando ainda mais os parceiros/revendedores da Vivo e da Motorola. Para Ed Lameira, gerente regional de vendas da Motorola. “a parceria com a Vivo significa sucesso absoluto nas vendas”.

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Novidades da Motorola que estarão brevemente no mercado através da parceria com a Vivo.

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V710 De última geração, com reprodução de músicas MP3; câmara de vídeo (1.2 Mpixels) com controle de zoom; acesso rápido a internet WAP 2.0; Centro de Mensagem: SMS, MMS e e-mail POP3 / IMAP4; amplo display TFT com 260 mil cores, 176 x 220 pixels e display externo de 4 mil cores, Download e tons, imagens e jogos. E muito mais...

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Para atender e estar sempre em Ronaldo Hühn, João Truran, diretor da VIVO (Pará e Amapá) sintonia com você! Ed Lameira gerente regional da Motorola e Rodrigo Hühn da Pará+


Arena da VIVO/ORM na estrada do Atalaia, próximo à ponte é o grande barato - a novidade maior do veraneio em Salinas. A área é arborizada, com coqueiros, às margens do rio Mandaratura, é ideal para a prática de esportes radicais, e abrigará palco para shows, tenda para música eletrônica, além de quiosques com alimentos e bebidas. “O local é maravilhoso, um verdadeiro oásis” disse Lílian Salgado, do marketing da VIVO Em todas as praias a VIVO esta e estará ao longo de todo o verão distribuindo camisas, bonés e outros produtos com sua marca. A VIVO está aproveitando para apresentar em primeira mão o novo sistema CDMA, 1xRTT que está sendo lançado neste 14 de julho. Segundo o diretor regional da VIVO, João Truran “ é um sistema top de linha em velocidade de transmissão de dados por telefone, muito mais avançado que o GMS, tecnologia já estagnada. Pelo novo sistema é possível enviar fotos, vídeo e conectar-se à Internet muito mais rápido”. “O veraneio, com nossas programações, ficará muito mais saudável e gostoso, vamos arrebentar”, concluiu Truran.

PROGRAMAÇÃO VIVO DO VERÃO 2004


A COMUNICAÇÃO

Antônio Natsuo

Orly Bezerra

O time da Griffo

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A partir desta edição estamos homenageando as principais Agências de Publicidade do Pará e oferecendo aos nossos leitores um pouco um pouco de suas histórias. Deleitem-se.

“A Griffo fica na Tv. Perebebuí, a menos de 100 metros do “pulmão”de Belém, o Bosque Rodrigues Alves. Muito perto dos principais veículos de comunicação do Pará. Nada distante de algumas produtoras de comerciais e outros fornecedores. O local é estratégico e a rua calma, muito calma. É nesse local, que queremos agradável e produtivo, que a gente vai continuar aprofundando nosso trabalho e ampliando nossos horizontes de atendimento”. Edição 27

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Griffo foi fundada oficialmente em 7 de abril de 1981, essencialmente como uma agência de prestação de serviços jornalísticos assessoria de imprensa, edição de house organs e boletins, entre outros. Seus fundadores, Orly Bezerra e Antonio Natsuo, tinham acabado de sair do jornal O Estado do Pará, que fechou no último dia do ano de 1980. Orly era o diretor de redação e Natsuo, secretário de redação, os dois cargos mais altos da redação de um jornal. Nélio Palheta, que se uniu aos dois logo depois e mais tarde se retiraria da

sociedade, também tinha uma formação jornalística, mas, na época, trabalhava numa empresa (Telepará), na área de Relações Públicas. "Com a experiência dos três, o caminho natural foi a criação de uma empresa voltada para a área", destacou Orly. A publicidade, porém, já estava na origem da Griffo, com uma pequena conta, a do Cearense PréVestibular. Com o tempo, as contas de publicidade começaram a aumentar e a Griffo reforçou o atendimento nessa área, transformando-se na primeira a assumir o conceito de agência de comunicação global - publicidade, relações

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De cima para baixo: antigo casarão cituado na Assis deVasconcelos, edifício Mercúrio na 28 de setembro, edifíco Carajás na Travessa São Pedro, Gaspar Vianna e Perebebuí onde se encontra atualmente

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públicas, assessoria de imprensa. Isto, ainda nos anos 80. Antônio Natsuo lembra que aconquista da primeira conta do Governo do Estado, na administração Hélio Gueiros, ajudou a mudar o perfil da agência, que passou a atuar, na década de 90, fortemente no marketing político, participando de eleições e administrando contas públicas como as do Governo e da Prefeitura de Belém. "A Griffo, contudo, nunca deixou de atender a contas privadas", afirmou. O primeiro endereço da Griffo foi um casarão antigo na Assis de Vasconcelos, cedido pelo então diretor do Cearense Antonio Rocha. Do casarão, a agência ocupava não mais que duas salas, com suas duas mesas e uma máquina de escrever de segunda mão. Com o crescimento, lento, porém gradual, a agência foi se mudando para locais melhores - edifício Mercúrio (na 28 de Setembro), uma casa na Campos Sales, edifício Carajás (Trav. São Pedro), Gaspar Vianna e, por último, Trav. Perebebuí, onde se encontra atualmente. A partir do edifício Carajás, a sede sempre foi própria. Mas somente esta última foi projetada e construída para ser uma agência d e propaganda. A mudança aconteceu em outubro de 2003, coroando uma história de 22 anos e m e i o , recheada de momentos de dificuldad es e também de vitórias. " N o início, os sócios eram obrigados a manter um emprego f i x o , paralelo, para ter de onde tirar um salário mensal. Ou seja, tinham jornada dupla. Tudo que rendia na agência era p a r a m a i s . c o m . b r

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Alguns dos cases que fazem parte da hist贸ria da Griffo


reinvestido, depois de pagar as despesas", conta Orly. "Todos os investimentos eram feitos com muito cuidado e critério, como acontece até hoje", completa. Não é à toa que esse último e maior investimento - a construção da agência - tenha demorado mais de duas décadas. Mas a mudança não foi apenas de endereço. Com um lugar maior, mais bem equipado, a Griffo iniciou uma nova fase, que começa pelo aumento da equipe e a conquista de novas contas. Uma das primeiras foi a da Cerpa, cujo comercial "Supermercado", criado pela Griffo, ainda está no ar.

Agora, em 2004, o lançamento do primeiro portfólio, com capa dura, fechou o "ano da mudança".

Propaganda Orly e Natusuo acham que a propaganda paraense vive mais um momento de agitação, com o surgimento de novas e a consolidação de agências que nasceram nos últimos anos, e que trouxeram um sopro de renovação para o mercado. "É interessante o


Neste Julho de Férias *Acyr Castro

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Paraense de Letras / Imprensa Oficial do Estado 2002, tão bem impresso pelo Altino Pinheiro, velho amigo de priscas eras. O concurso Samuel Wallace MacDowell, um dos mais importantes do País, foi ganho, no gênero ensaio, pelo admirável Oswaldo Coimbra de “A Saga dos Primeiros Construtores de Belém”. O livro é documentação impressionante, e Oswaldo, nascido “numa das primeiras vias de Belém, a antiga Rua da Alfama, (hoje, Rodrigo dos Santos) em pleno Centro Histórico”, evoca a memória e reergue pela arte de escrever, essa área tão linda da nossa amada capital. Professor de Jornalismo, Oswaldo Coimbra tem buscado resgatar a nossa história e o nosso passado com sabedoria e rigor literário e jornalístico. Um homem que sabe, esse mestre, tão sensível e humano que é esse estudioso das nossas coisas, sabedor dos quase 40 anos vividos por Landi no Pará. Como o professor Coimbra estuda bastante e conhece as misérias do Estado e da Cidade, inclusive 1964, procuram sabotá-lo os donos da vida, do mundo e das editoras. Não é coisa de irritar o Senhor da justiça e nosso Pai Eterno, que tudo vê e ouve? Cinema? Já foram aos “Diários da Motocicletas” de Walter Salles? Já? Quem não foi, tente ir. Falaram que estar chegando ao DVS e ao VHS. Um belíssimo na pele do ator mexicano Cael Garcia Bernal como o jovem médico argentino, Ernesto “Che” Guevara da fase préRevolução Cubana no filme, com base em texto diários do grande mito, Ernesto Guevara sem o “Che”, viaja com um colega bioquímico, pela América do Sul até o Peru, até a Venezuela. O roteiro, do argentino José Rivera, a cinegrafia e a direção de Walter Moreira Salles Jr valorizam o ator que já é praticamente, um grande ator. Aproveitem julho e as férias. Até agosto se Deus quiser.

este julho, 2004 correndo, passar minhas férias nesta Santa Maria da Graça de Belém do Grão Pará, lendo ou vendo filmes e ouvindo canções. Existe algo tão melhor? O Pará é lindo. Tem praias por toda parte e festivais de verão para dar e vender. Os irmãos (filho e pai) Rodrigo e Ronaldo Hühn já falaram disso demais. Viseu, Cametá, Chaves, Marapanim, Breves, IgarapéAçu, Ourém, Afuá, Bragança, Tracateua, Limoeiro do Ajuru, Barcarena, Santarém, Alenquer, Juruti, Capanema, Castanhal, Itupiranga, Salvaterra, Augusto Corrêa, Salinas, Maracanã, Altamira, Palestina do Pará, Marabá, Nova Timbotêua, Curralinho, Muaná, Acará, Quatipuru, Soure... E Belém, com seu fascínio próprio, seus encantos de mulher dona ou virgem cabocla da cidade, moça como só ela, e dengosa. Uma denguice de mulher faceira, noiva a correr atrás do noivo, todas as formas de amar e de amor à disposição do candidato e da candidata. Belém, morena, Princesa do Norte, Rainha da Amazônia, olho de feitiço e de mandinga, a pele da cor do desejo, esse fogoso objeto da paixão. E que livros a se oferecem! São tantos e muitos. Ildefonso Guimarães, contista maior de “Senda Bruta” e de “Histórias Sobre o Vulgar”, o romancista forte e raro de “ Os Dias Recurvos”, o romance de Óbidos apoiando a Revolução constitucionalista de São Paulo pela democra-tização do Brasil, acaba de lançar “Sombras do Entardecer!”, uma cole-tânea linda de crônicas. Este, sim, um grande cronista, o Ildefonso, autor de “Coisas de Maçonaria, Ensaios e Discursos”. Vale a pena ler/ reler. Ildefonso Pereira Guimarães, que chegou a ser, até, repórter de polícia, jornalista de primeira ordem. E há o romance forte, delicioso do Roberto Carvalho de Faro, nascido Roberto Monteiro de Carvalho e artista dos bons, dos legítimos, da palavra escrita: “Depois da Tempestade” obteve menção honrosa no concurso Samuel Wallace MacDowell” da Academia

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*Escritor, jornalista e o mais antigo crítico de cinema de todo o Norte do Brasil

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DEMO A

s pessoas de baixa renda ou da periferia não podem ser simplesmente excluídas do processo cultural, quer seja como criadoras quer seja como apreciadoras. Por isso as manifestações culturais não podem ser inteiramente privatizadas. Não se pode admitir que a cultura seja apenas um acessório. A cultura tem que ser entendida como espaço de realização da cidadania, da superação da exclusão social e como fator econômico, capaz de atrair divisas para o país e, internamente, gerar emprego e renda. Neste sentido, a cultura depende de um decisivo e continuado apoio governamental. Esta é também a regra no resto do mundo, ou, pelo menos, nos países em que a cultura é considerada como um valor a ser preservado e promovido. Assim, no nosso caso, em particular, o financiamento do Estado tem outra importante função, qual seja a de equalizar o acesso e democratizar os benefícios dos

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TURA

CRATIZADA *Paulo Rocha

destinará 25 % aos Estados e ao Distrito Federal, e 25 % aos Municípios. Os critérios de rateio dos recursos destinados aos Estados, ao Distrito Federal, e aos Municípios serão definidos em lei complementar. Estamos pensando em garantir, com essa emenda constitucional, recursos para a cultura como estão garantidos recursos para a educação e a saúde, através de repasses constitucionais a serem obrigatoriamente investidos nesse setor. Apesar das imensas dificuldades principalmente em áreas críticas como saúde e educação, não podemos relegar a cultura a um segundo plano. Um povo que não zela pela sua cultura perde sua identidade, o seu caráter de Nação. Nossas conquistas nesse segmento têm que ser preservadas senão podemos correr o risco de, futuramente, termos um povo saudável mas totalmente aculturado e escravizado do ponto de vista cultural. Precisamos, portanto, de recursos para preservar nosso imenso patrimônio histórico e cultural, nossas danças e músicas típicas, nossa culinária, nosso teatro, dança, música, cinema, balé, literatura, artes plásticas, nossa cultura afro-religiosa, nossa cultura indígena, nossa cultura popular, enfim, toda a imensa conquista que nossos antepassados nos deixaram e graças às quais somos hoje o que somos, um povo peculiar, alegre e porque não dizer, feliz, porque nenhum outro povo no mundo tem o que nós temos que é a nossa riqueza cultural. *Deputado Federal

produtos culturais, disseminando-os entre os segmentos excluídos da sociedade. Foi pensando numa maneira de democratizar a cultura que, junto com os deputados Gilmar Machado, Zezeu Ribeiro, Fátima Bezerra e outros, apresentei uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a destinação constitucional de recursos da União, dos Estados e dos Municípios para, a exemplo do que já ocorre nas áreas de educação e saúde, a valorização da cultura nacional. A proposta acrescenta o art. 216-A à Constituição Federal, com a seguinte redação: "Art. 216-ª A União aplicará anualmente nunca menos de 2%, os Estados e o Distrito Federal, 1,5%, e os Municípios, 1%, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na preservação do patrimônio cultural brasileiro e na produção e difusão da cultura nacional”. A proposta prevê ainda que, desses recursos, a União

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“Todos os dias a criatura humana, mesmo que nem o perceba, está a

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“Casa de Placa afixada na lateral da fachada frontal do prédio da Faculdade de Medicina, nomeando a Praça Camilo Salgado (antigo Largo de Sta Luzia)

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atual Curso de Medicina da UFPA que registrou, a 1º de maio p.p., 85 anos de instalado, sendo o primeiro da Região Norte e o 7º do País, funcionou, desde 1923, tradicionalmente, no prédio locado na Praça Camilo Salgado, nº 1 (Largo de Santa Luzia), defronte do vetusto Hospital da Santa Casa , núcleo de aprendizado e formação dos seus estudantes. Consta ser intenção da Direção do Centro de Ciências da Saúde transferir de lá para o Campus do Guamá, todas as atividades do Curso, o que se nos afigura medida de todo desacertada e temerária. O prédio tem duplo valor histórico: arquitetônico, por suas privilegiadas linhas de construção (algo descaracterizadas, ao longo do tempo, por

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malconduzidas reformas) e temporal, pelo ter sido erigido na fase áurea da economia gomífera do GrãoPará (1880-1912), na profícua administração de Montenegro & Lemos, que dotaram nossa capital de inigualáveis monumentos arquitetônicos, que devem

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escrever um fragmento de sua própria história e das razões de seu viver.” Luiz Alberto F.Soares, médico e escritor

ncia Histórica da

Camilo Salgado” *Sérgio Martins PANDOLFO ser a todo custo preservados, recompostos, revalorizados. Construído na mesma época, com o mesmo esmero arquitetural e destinação do atual Grupo Escolar Barão do Rio Branco, funcionou, a princípio, como 6º Grupo Escolar do Estado, até ser adquirido, em 1923, por Camilo Salgado, para sediar a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. Suas instalações internas são exuberantes, a destacar o Salão Nobre, e precisam ficar resguardadas das mutilações mediante tombamento pelos Institutos que cuidam do patrimônio histórico. Preservar a memória e a identidade desse imóvel é tarefa inalienável da classe médica de nosso Estado e fazer convergir para lá, novamente, as atividades do curso de formação acadêmica, até mesmo pela proximidade do velho Hospital da Caridade, parece não só de bom senso como é fazer reflorir a perfeita e benéfica simbiose que as duas entidades sempre entretiveram, assistencial e de ensino. Não se trata de saudosismo ou pieguice ufanística, mas da imperiosidade de manter incólume essa edificação que a memória histórica da cidade exige, evitando que siga o triste destino de tantos outros edifícios, igualmente importantes, que se foram. E quem o fará melhor que os médicos? Estivemos em novembro passado em Salvador, participando do VIII Congresso Brasileiro de História da Medicina, no primitivo e histórico prédio da Escola de Medicina baiana e pudemos constatar o esforço estóico e hercúleo de abnegados médicos, lentes

O vetusto e imponente prédio da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará em seus traços arquitetônicos originais do início do século passado, quando ainda abrigava o 6º Grupo Escolar da Capital.

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Feição atual do prédio da Faculdade de Medicina da UFPA, bastante alterado na sua fachada externa.

tempo, como templo maior da Medicina em nosso Estado. No momento em que a prefeitura e o IPHAN elaboram projeto visando à inclusão de nossa capital como Patrimônio Paisagístico da Humanidade, pela UNESCO, mais do que nunca urge conservar e restaurar seus bens imóveis, como é este da “Casa de Camilo Salgado”, fazendo-o voltar ao viço e ao esplendor de suas linhas arquitetônicas primitivas, que são preciosas, devolvendo à cidade um

aposentados da escola primaz do Brasil, amparados pelo atual reitor da UFBA, que é médico, para a recuperação e reativação desse pomposo e multissecular edifício, patrimônio de todo o Brasil e, hoje, também da Humanidade, eis que instalado em área tombada do Terreiro de Jesus, no Pelourinho. Para lá se pretende fazer voltar algumas práticas do ensino de graduação O centenário mas sempre eficiente e prestimoso Hospital médica. da Santa Casa tem sido, desde seus primórdios, o A conservação e revivificação do imóvel belenense se verdadeiro campo de aprendizado e adestramento dos faz imperiosa, pois “Desfalcar uma cidade de seus alunos de Medicina em nosso Estado monumentos históricos, de seus prédios, de seu patrimônio cultural, é como ir desgastando, mutilando, edifício majestoso que foi, ao longo dos anos e por extirpando as partes da alma de uma pessoa”, a redizer desmandos sucessivos, sendo despossuído de seus J.J. Paes Loureiro, poeta paraense. Imóvelsímbolo da atavios originais. identidade médica parauara e amazônica, há que restaurar seus ambientes internos nobres e sua fachada * Da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. original, para que possa retornar e continuar, por muito Da Academia de Imprensa de Belém

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*Hélio Rodrigues Titan

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á faz décadas (em torno de 1968) que, como médico pediatra, fui nomeado para trabalhar em regime de plantão, juntamente com um colega clínico geral, no recém-inaugurado SPA (Serviço de Pronto-Atendimento) do antigo INPS (Previdência Social). Era, na época, Ministro, o ilustre conterrâneo Jarbas Passarinho. O serviço, na realidade era uma espécie de atendimento de urgência, em regime diuturno, com 2 médicos: Um pediatra e um clínico geral. Funcionava na Pres. Vargas c/ Osvaldo Cruz, 1° andar. A equipe consistia, além dos médicos, de 1 motorista, 1 enfermeiro e 1 atendente burocrático. Existem fatos e acontecimentos nas nossas atividades profissionais, que em certos casos, beira à um humornegro. Certa noite, de plantão, lá pela madrugada, quando o galo já consertava a garganta para anunciar o novo dia, eis que rompe em nosso serviço, 4 “parrudos” cidadãos de quase 2 metros de altura, carregando um doente desmaiado nas mesmas configurações físicas. Nesta altura, eu estava na sala de espera, matutando sobre a vida,sobre o meu micro salário (como a vida vale tão pouco!) e o meu colega fazendo um breve “cochilo” na sala de repouso. “Doutor”, berrou um dos que carregavam o doente. “Nosso irmãozinho desmaiou, e para confirmar estamos aqui para o senhor dá um jeito”.

Chamei urgente, o meu colega, pois se tratando de um caso clínico, só ele poderia atender o paciente. “Marcelo! (o enferme-iro), coloca o doente no Box 4, que eu já vou examiná-lo”,berrou o meu colega, um médico conceituado, mas de “pavio-curto”! Ao ausculta-lo, o referido Galeno, cobriu o paciente com o lençol e disse aos irmãos: “Infelizmente, o cidadão aqui já passou desta para a melhor, ou pior! Vou dar o atestado de óbito; vocês devem apanhar o formulário de obituário numa funerária para eu assinar. Isto deve ser feito já, pois isto aqui não é necrotério. Depois levem o corpo do seu “ irmãozinho e enterrem onde vocês quiserem. Façam isto rápido que eu e o meu colega não queremos deixar nenhum defunto para o outro plantão! Cerca de 1 hora depois, os “irmãozinhos” chegaram: “Pronto, doutor, aqui está o documento”. Meu colega dirigiu-se para o Box 4. Surpresa! O “morto” estava sentado, enrolando um “baseado” dos bons, na maior descontração possível; numa “Nice”! Meu amigo e colega, quase desmaiou num misto de raiva e espanto. “Que negócio é este? O homem à pouco estava morto!”. “Sabe o que é doutor? Nós esquecemos de dizer que o maninho de vez em quando tem isto! Morre e depois vive!” (era portador de Catalepsia, um mal do sistema nervoso central em que as funções vitais, os movimentos voluntários e a sensibilidade chegam quase à zero!). “Mas isto não é possível! Peguem o seu defunto e sumam daqui!”. Foi quando eu entrei em cena, e cutuquei no ouvido do meu colega “Vamos com calma, companheiro! O defunto é viciado e forte, e se não agirmos com cautela, quem vai amarelar, com esta história, aqui e já, somos nós”. Juro que foi verdade! Ano do episódio: 1970

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I Jogos Tradicionais Indigenas do Pará

município de Tucuruí, no sudeste do Pará, viveu uma semana de fortes e intensas emoções por conta da realização dos I Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, que foram promovidos no período de 15 a 20 de juParticiparam do nho pelo Governo evento 500 índios das tribos Xicrin do do Estado, por Catete, Kaiapó do meio das secreGorotire, Gavião Parkatejê e Gavião tarias Especial de Kykatejê, Wai-Wai, Promoção Social Parakanã Apytew, Parakanã do (Sepros) e ExecuTocantins, tiva de Esporte e Aikewara, Assurini do Lazer (Seel). Tocantins, *Áurea Gomes Fotos: Ray Nonato

Guarani, Munduruku, Tembé, Xipaya, Karajá e Bororo.


Eles receberam da Secretaria Executiva de Esporte e Lazer (Seel) toda a infra-estrutura necessária durante o período em que ficaram em Tucuruí, desde alimentação com supervisão nutricional, vestuário, artigos de higiene, medicamentos, atendimento médico, segurança, transporte e diárias, entre outros benefícios. O Governo do Pará investiu R$ 540 mil nos jogos que mobilizaram a cidade e movimentaram a economia local, gerando dezenas de empregos diretos e indiretos. Patrocinaram os I Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, além do Governo do Estado, as empresas Camargo Correia Metais S/A, Eletronorte, Odebrecht Engenharia e Construção, e Construções e Comércio Camargo Correia S/A. Afora a participação nas competições desportivas, os índios tiveram oportunidade de assistir a oficinas culturais, coordenadas pelos antropólogos Antonio Carlos Magalhães e Maria Helena Barata, do Museu Paraense Emílio Goeldi, abordando temas voltados à questão indígena e vídeos temáticos sobre as comunidades. As oficinas tiveram como palco o Parque Ecológico da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, local onde também os índios realizaram as quatro refeições diárias oferecidas pelo Governo do Estado. Os temas abordados pelos palestrantes versaram sobre 'O Fortalecimento da Identidade Indígena através do Esporte Tradicional', ministrada pelo índio Marcos Terena, da etnia Terena, do Pantanal Matogrossense; 'Formação de Professores Indígenas', ministrada por Fausto da Silva Mandulão, da etnia Macuxi, do Estado de Roraima; e "O Papel das Organizações Políticas Indígenas", por Lúcio Flores, índio da etnia Terena, membro da Comissão das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Arena

- Na arena onde foram apresentadas as manifestações culturais indígenas, através de danças e rituais das tribos, e disputadas as competições de arco e flecha, arremesso de lança, corrida de fundo, cabo de guerra, atletismo, corrida de tora e lutas corporais, ficou localizado o chamado complexo indígena. A obra, localizada na orla da cidade, com área de seis mil metros quadrados, teve como um dos grandes atrativos o portal de entrada, sinalizando um gigantesco cocar, pintado em verde, amarelo, terra e suas variações, 42 Pará+

cores oficiais do evento. Dentro da arena, além do espaço destinado para as competições e para a imprensa nacional e internacional que realizou a cobertura dos jogos, foram instaladas arquibancadas para três mil pessoas e palanque com capacidade para 100 autoridades. Também foram montadas outras duas malocas, onde funcionaram o posto de saúde e o acesso dos índios. Ao centro, a pira olímpica, acessa na noite de abertura dos jogos, durante um espetáculo pirotécnico que levou a platéia ao delírio, além de várias tochas perfiladas ao longo da arena, completavam o belo visual às margens do rio Tocantins. No entorno da arena, a feira de artesanato, onde foram vendidos pelos índios inúmeros produtos originários da herança cultural de cada etnia; a exposição fotográfica do fotógrafo francês Sérge Guiraud sobre os índios Zoé e a cinemateca, montadas em uma maloca medindo 70 metros quadrados, também foram bastante visitadas e prestigiadas pelas milhares de pessoas que assistiram aos jogos. Segundo o secretário Executivo de Esporte e Lazer, José Angelo Miranda, todos que foram a Tucuruí viveram dias de muita emoção ao terem a oportunidade de ficar frente a frente com os

representantes das etnias paraenses. "Este é um grande momento que o Governo do Pará está proporcionando ao público que veio prestigiar os I Jogos Tradicionais Indígenas. Todos puderam presenciar a cultura e as tradições dos nossos indígenas, num verdadeiro espetáculo étnico-cultural. Durante esses dias, milhares de pessoas tiveram acesso a competições seculares que se restringiam apenas aos ambientes de cada tribo. Esta é mais uma forma que se encontrou para preservar a identidade dos nossos precursores", explicou o secretário.

Pira

- A pira olímpica foi confeccionada pelo artesão Wanderley Machado, que há 30 anos reside

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em Tucuruí. A peça foi entalhada na madeira timborana, pesando 900 quilos, com 2m20 de circunferência e 3,70m de altura. A obra foi totalmente esculpida à mão, num trabalho que durou dois meses. Para confeccionar a pira, o escultor, que trabalhou sozinho, envelheceu a madeira em betume e talhou todos os detalhes seguindo desenhos do artesanato Parakanã, uma das etnias participantes dos jogos. Além da pira, colocada na arena, 20 tochas entalhadas em angelim pedra também ficaram acesas durante o período de realização do evento. Wanderley, que é presidente da Associação dos Artistas e Artesãos de Tucuruí, considera o fato de ter sido convidado para confeccionar as peças como o reconhecimento e a valorização de anos de trabalho. "Agradeço ao

Governo do Pará e a Seel pelo espaço que me ofereceram de mostrar ao mundo meu potencial artístico.”

Calendário

- A partir deste ano, os Jogos Tradicionais Indígenas do Pará irão fazer parte da agenda de compromisso do Governo do Estado. O anúncio foi feito pelo governador Simão Jatene durante a visita realizada a Tucuruí. No município onde se realizou o evento, o governador acompanhou as exibições de corrida de toras e arco e flecha, praticadas pelas guerreiras da tribo Gavião. Jatene também recebeu uma homenagem do povo Assurini, que lhe entregou várias lembranças - arco e flechas, cocar e artesanatos indígenas -

Carimbó

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confeccionadas por essa etnia. A pedido dos próprios índios, o governador carregou uma tora pesando cem quilos, a mesma que os guerreiros Gavião utilizaram nas competições. O gesto arrancou calorosas palmas do público presente que lotava as arquibancadas. Ainda na arena, o governador recebeu das mãos do índio Marcos Terena, idealizador do Jogos, uma carta das nações indígenas, onde as lideranças que participaram dos I Jogos Indígenas do Pará pedem a criação de um fundo especial para realização dos jogos e ações físico-desportivas dentro das aldeias e comunidades indígenas. Segundo Terena, a carta entregue ao governador, é a palavra dos povos presentes em Tucuruí. A carta solicita que o governador Simão Jatene interceda junto ao ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, no sentido de que seja criado um fundo específico para realização dos jogos e programas de fortalecimento físicodesportivo dentro das aldeias e comunidades. Sugere ainda o documento que, ao realizar os jogos indígenas, os Governos Estaduais e Prefeituras procurem respeitar as tradições das etnias, evitando transformar a riqueza cultural dos povos em meras competições esportivas, desagregando os valores dos índios, ao invés de consolidar a união e o respeito mútuo. A leitura da carta foi acompanhada pelo governador, lideranças indígenas e jornalistas, no centro da arena dos jogos.

Respeito e Valorização - O governador do Pará, agradecendo o apoio e o empenho de todos os que colaboraram para a realização do evento, disse que os Jogos Indígenas estão sendo vistos pelo mundo inteiro como um ato de respeito e valorização da

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cultura, da história e da memória dos primeiros habitantes do Brasil. "O Brasil é um país maravilhoso com uma diversidade enorme. Nós só temos que saber utilizar esta diversidade para reduzir a pobreza e as desigualdades sociais", destacou. Jatene enfatizou que os Jogos marcaram a história do Pará e estão servindo de modelo para o Brasil, u m país que, na visão do governador, precisa cada vez mais respeitar as suas tradições. A realização de outras edições dos jogos tradicionais indígenas foram garantidas pelo governador em virtude do sucesso alcançado pelo evento e pela marca que o mesmo trouxe para história paraense. "Os jogos indígenas não são apenas competições, são momentos de resgate da nossa história e nossa memória. Por isso, já estão em nosso calendário de compromisso de Governo", anunciou.

Campeões - O povo Gavião liderou as provas de atletismo, futebol e cabo de guerra durante os Jogos Indígenas. O índio Zeca Gavião, líder Gavião Kykatejê, explicou que o resultado positivo se deu graças aos constantes treinamentos, dedicação e esforço dos guerreiros. A programação envolveu ainda a apresentação dos guerreiros Karajá, povo convidado da ilha do Bananal, que fez demonstração de lutas corporais. O líder Uraro Karajá falou à platéia que seu povo vive em 14 aldeias e por lá são comuns os guerreiros treinarem as lutas para se apresentarem em tempo de festa e competir nos Jogos Indígenas Brasileiros. Após a luta, iniciaram as competições de cabo de

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guerra, nas modalidades feminino e masculino, onde entre os homens, a disputa foi bastante acirrada. Os Xikrin e os Tembé foram para a final. Os Xikrin venceram a prova. As provas de canoagem e natação, feminina e masculina, foram realizadas no rio Tocantins, em frente à arena. Na canoagem os índios Tembé, de Paragominas, ficaram em primeiro lugar; em segundo foram os Munduruku e em terceiro os Gavião Parkatejê. O índio Komartinô Xipaya venceu a prova de natação. Em segundo lugar ficou o índio Rodrigo Gavião Kyikatejê e em terceiro o índio Edvaldo Munduruku. Na natação feminina, a primeira colocada foi a índia Pará Gavião Parkatejê, seguida da índia Gilda Munduruku que ficou em segundo lugar e da índia Aikrepan Gavião Parkatejê, que chegou em terceiro.Os índios cumpriram um percurso de cinco metros no rio Tocantins, num tempo médio de vinte minutos. Os índios Kayapó fizeram demonstração do Ronkrã, uma espécie de golfe adaptado para cultura indígena, onde se utiliza uma borduna, fabricada em madeira, e uma bola, feita de coco de babaçu. Os representantes da tribo Aikewara foram os campeões do futebol. Eles derrotaram a equipe dos Gavião Kyikatejê, que eram os favoritos da competição. A decisão da partida foi nos pênaltis e os

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Aikewara venceram por 5x4. No futebol feminino, a decisão também foi nos pênaltis: 6x4 para equipe dos Gavião Kyikatejê contra as Gavião Parkatejê. Uma corrida de cinco mil metros pelas ruas de Tucuruí encerrou as competições de atletismo. Os vencedores da prova foram os índios Nildo Assurini, Komartine Xipaya e Edvaldo Mundurucu, classificados em 1º, 2º e 3º lugares respectivamente. O vencedor da prova teve direito a volta olímpica na arena e muita comemoração liderada pelo pajé da tribo. Na opinião da grande maioria dos índios, os I Jogos Tradicionais Indígenas do Pará foi uma excelente oportunidade para as etnias paraenses demonstrarem as modalidades que praticam em suas aldeias.

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estre João Barbosa Rodrigues, sem dúvida, foi um dos maiores estudiosos e, por via disso, um grande conhecedor dos segredos e curiosidades da Amazônia brasileira, deixando legado de informações as mais valiosas. Foi ele quem identificou, no início do século passado, em uma ilha, no rio Amazonas, perto do município de Itacoatiara, restos cerâmicos da cultura Muiracanguera, que pelas suas características vêm sendo motivo de polêmica e de estudos por toda sorte de pesquisadores nacionais e alienígenas. Até agora não foi possível caracterizar a origem das peças arqueológicas encontradas pelo mestre Barbosa Rodrigues. O achado foi alvo de pirataria, pois peças coletadas pelo naturalista brasileiro foram levadas pelos norteamericanos que andavam procurando preciosidades no Paraíso Perdido e não foram devolvidas até hoje para seus legítimos donos. Vale a pena lembrar que em Congresso de Arqueologia realizado no Rio de Janeiro em 1978, o fato foi denunciado ao governo brasileiro que não tomou nenhuma providência para resgatá-las. Ao longo dos tempos, teorias, idéias e suposições, dão conta que povos de origens as mais diversas e de distâncias as mais remotas, teriam não só percorrido como sentado acampamento definitivo por estas paragens. Como é o caso das civilizações perdidas de Atlântida e Lemúria. Mais recentemente afiança-se que a Amazônia foi berço de uma civilização sofisticada, cuja população teria alcançado três milhões de pessoas, distribuídas em grandes 46 Pará+

cidades na selva, de acordo com dados apresentados na Exposição Amazônia Desconhecida, realizada no Museu Britânico, em 2002. Não parece haver dúvida, de acordo com tais teorias de que, ao contrário do que se acreditava, não foram os ameríndios andinos que migraram para a Amazônia, mas, na realidade, os primitivos hileanos que percorreram o caminho inverso. É bem possível que dentro do chamado processo histórico de integração da Amazônia e pela extraordinária importância da região, estejamos abrindo novos caminhos para compor o precioso acervo da até agora Menos Conhecida Região do Planeta, de acordo com doutos pareceres. Para mero efeito de comparação, em pleno bojo do processo integracionista, no chamado Arco da Devastação, na Terra do Meio, apesar de todo dispositivo eletrônico disponível, recentemente, o povo brasileiro tomou conhecimento de um núcleo populacional com aproximadamente 20.000 colonos recém-chegados do restante do Brasil. Tudo leva a crer que a Hiléia Frondosa de Humboldt e Griezeback continua a ser uma verdadeira caixa de surpresas ou de Pandora, não só em relação a seu passado remoto, como também, na ocupação definitiva do território amazônico, depois de longos séculos de distanciamento do restante do Brasil. O lançamento recente, no

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caracteriza novo rumo na ciência arqueológica, pela profundidade da pesquisa realizada. Outra faceta relacionada à Arqueologia amazônica diz respeito à pirataria que gira em torno do nosso passado, pois Efeito: MEK PINHEIRO o saque ao patrimônio amazônico, vem sendo consante, como é o caso das pedras verdes, os muiraquitãs, que praticamente desapareceram. A destruição para a formação de pastagens ou roçados, vem arrasando com os camutins (cemitérios) na ilha de Marajó, agravado pelo contrabando ostensivo de peças dos antigos marajoaras. Nossa pré-história está sendo reduzida a cacos e ficará apenas na lembrança. Durante a construção das superrodovias um sem número de sítios arqueológicos simplesmente desapareceu para sempre, com referência aos vales de Xingu e do Tapajós, parecendo ser impossível por fim a esta atividade altamente predatória, tal qual vem acontecendo com a própria floresta. *SOBRAMES/SOPREN

*Camillo Martins Vianna Museu Paraense Emílio Goeldi, de primoroso trabalho sobre 111 sítios arqueológicos de autoria da pesquisadora Edith Pereira, com certeza se caracteriza como espécie de diretriz para o conhecimento da nossa pré-história. No passado recente tivemos naturalistas que se enfronharam no setor de Arqueologia, mas os trabalhos apresentados por Frickel e Curt Nimuendaju, entre outros, apesar de precioso acervo coletado, possivelmente não caracterizam uma normativa básica para o conhecimento da Arqueologia, pela extraordinária importância que representa a formação do homem amazônico, ao contrário do documento da pesquisadora do MPEG, que sem sombra de dúvida

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