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+LAZER +INFORMÇÃO +CULTURA +TURISMO 06 Belém do meu coração 15 A Belém 34 Nas ruas de Castanhal

16 Minha Belém

23 Belém da memória

38 Hotelaria Uma sucinta história de sua origem

28 Dom Vicente Zico o bom pastor

45 Amazon Paper Um papel + que inovador

20 Belém velha de guerra

30 Castanhal 71 anos no caminho do progresso 07 Governador homenageia Belém

35 Castanhal, obrigada

10 O Presépio de Belém


Revista

+ARTE +SAÚDE +ENTRETENIMENTO +PARÁ Edição 08

Belém - Pará - Brasil

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08

Belém

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Belém , o po rtal da

PUBLICAÇÃO Editora Círios S/C LTDA www.cirios.com.br/paramais CNPJ: 03.890.275/0001-36 Inscrição (Estadual) : 15.220.848-8 Rua Timbiras, 1572A Batista Campos CEP 66033-800 Fone: (91) 3083-0973 Fax: (91) 223-0799 Belém Pará Brasil ISSN: 1677-6968 DIRETOR e PRODUTOR Rodrigo Hühn EDITOR Ronaldo Gilberto Hühn COMERCIAL Alberto Rocha João Modesto C. da Silva Márcia Chalu Pacheco Rodrigo Silva Rodrigo Hühn DISTRIBUIÇÃO Mala Direta Bancas de Revista REDAÇÃO Landio França Vivianne Viann Roberto P. Bibas Fialho Ronaldo Gilberto Hühn REVISÃO Paulo Coimbra da Silva COLABORADORES Camilo Martins Viana Celeste Proença Denise Lima Eladio Reis Elias Gorayeb Lucy G. Mourão Helio Titan Regane jatene Sérgio Martins Pandolfo FOTOGRAFIAS D.J.S. Cesar Maciel Cláudio Santos Josemar Coelho Luis Claudio Moacir Silva Ray Nonato Studio Oliveira Wanderley Souza EDITORAÇÃO GRÁFICA Editora Círios

36 A origem do nome de Castanhal

71 an os de

Amaz ônia

Casta nhal Do o bom m Zico, pasto r

40 Inovação cientifica é meta prioritária da UFPA

26 Arquidiocese parabeniza seu pastor

08 Belém das Mangueiras

48 Agenda Cultural 14 A Belemtur e os 387 anos de Belém

32 Parabéns, Castanhal


BELÉM DO MEU CORAÇÃO * Celeste Proença

Eu te amo, Belém, pela tua ternura pelo teu rostinho atrevido lavado de chuva da terra, risonho, feliz! Eu te amo, terra cabocla onde todo mundo é “mano”, sem maldade, sem rancor. Eu te amo, Belém do Pará pela brisa que recolhe azougada as mais lindas canções e as atira, sorrindo, na baía do Guajará para ninar o sono da noite que dorme encantada nas mãos das estrelas ... Eu te amo, cidade garota mulata dengosa, de olhar bem matreiro recendendo à baunilha e a patchuli tinindo de pavulagem na ilharga do companheiro ... Como eu te gosto, cidade morena de tantos amores. Das redes dançando em câmara lenta ao vento gostoso da preamar ... Daquele minuto sagrado, à hora da Ave Maria quando terra e mar se abraçam e o Ver-O-Peso ajoelha pra o grande Sinal da Cruz! Eu te amo, Belém, do Círio da Virgem das grandes promessas, da “corda” sagrada onde um simples toque de mãos nos santifica ... Minha Belém de todas as mangueiras que conversam baixinho ao cair da tarde, num farfalhar de sons, embrulhando saudades. Que jamais te arrebatem esse ar de garota de beleza tão simples, de falar pausada sem pressa, sem medo no seu caminhar. Eu te quero sorrindo, tapuia, mulata caboclo valente do meu Marajó que escreve teu nome num céu cor de anil e abraça ditoso a fatal pororoca que toda se enrola em seu corpo viril. Saudando esta terra eu rezo meu canto que é feito de luz, de saudade, de paz jogando beleza no meu coração. Saudando o meu berço eu me torno criança e criança é ternura de um tempo feliz que embala de amor na saudade que traz! +


Governador homenageia

Belém

V

árias foram as homenagens prestadas pelo governador à cidade das mangueiras. O governador começou a sua visita pelo Espaço São José Liberto, onde chegou por volta das 11h30. No local, Simão Jatene, acompanhado por sua família, cantou o Parabéns para Belém em ritmo de carimbó, e assistiu a várias apresentações do Grupo Parafolclórico “Tribo dos Carajás” . De lá, o governador Simão Jatene seguiu para o Núcleo Feliz Lusitânia, onde foi recebido pelo secretário Executivo de Cultura, Paulo Chaves. Bastante cumprimentado por pessoas que estavam no local assistindo à programação, Jatene visitou o Forte do Presépio e a Casa das Onze Janelas. Em seguida, assistiu a uma parte do show do cantor Nilson Chaves, que o chamou para cantar o Parabéns para Belém. A programação do Governo do Estado em homenagem ao aniversário da capital contou com a participação de muitas pessoas que foram prestigiar as apresentações de artistas locais. Fernando Costa, que estava com a esposa e o filho, disse que Belém merece todas as homenagens. Ele afirmou ainda que a cidade melhorou muito nos últimos anos com obras que chamam a atenção de turistas. “Esse espaço criado recentemente é maravilhoso, muito bonito, não parece que um dia foi um presídio”, afirmou, referindo-se ao Espaço São José Liberto, que oferece à população a oportunidade de conhecer jóias que são produzidas no Estado e ainda o artesanato paraense. No Núcleo Feliz Lusitânia vários pais levaram seus filhos para brincar na grande área de lazer em que se transformou o local. A comerciante Ana Lúcia levou seus dois filhos para conhecer o Forte

do Presépio. “Além de ser um novo espaço para eles, é bom que, como estudantes, saibam que Belém começou aqui”, explicou, lembrando que todos devem cuidar da cidade com carinho. “Não basta o governo entregar um espaço bonito desse. É importante preservar”, ressaltou a comerciante. A população comemorou também o aniversário de Belém conhecendo o Teatro da Paz, que ficou aberto ao público de 9 às 14 horas, com visitas monitoradas. A programação da Estação das Docas teve início às 17 horas com teatro, grupos folclóricos e show de cantores. Houve ainda programação n a E s t a ç ã o Gasômetro e na Igreja de Santo Alexandre. Durante um dos eventos, disse o governador, “A união deve fazer de Belém a cidade de todos”. O bem-estar da população está acima de qualquer partido político. “No que depender do Governo do Estado todos estarão unidos em torno de Belém”, afirmou, ressaltando que o governo de Almir Gabriel entregou nos últimos anos importantes obras que resgatam a história da cidade e oferecem à população mais oportunidade de lazer. “Belém é uma cidade de encantos naturais com suas mangueiras, a chuva e o rio que a cerca. Aliado a tudo isso temos agora uma cidade com o Feliz Lusitânia, a Estação das Docas, o novo Aeroporto, o Museu de Arte Sacra, obras que são uma homenagem a Belém e a seu povo”, ressaltou. Ele lembrou ainda que a união por Belém deve ser maior que as diferenças partidárias. +


Belém das Mangueiras * Hélio Rodrigues Titan

P

or que Belém é assim? Morena, no nome e no sobrenome? Tão diferente? Por que seu ar cheiroso dos túneis de mangueiras, nós envolve dia e noite, na aurora e no crepúsculo, no inverno e no melhor calor do mundo? Por que Belém é cor de Jambo? Do cheiro da manga? Por que Belém tem pato no tucupí, tamuatá, bacaba, tucupí, bacurí- pari? Camillo Vianna, Jacques Flores, Bruno de Menezes, Gaspar Viana, Verequete, o carimbó, o siriá, a marujada, a pororoca, a ilha de Marajó, o Círio de Nazaré, a Basílica, o Mercedário,o bosque Rodrigues Alves,, o museu Emilio Goeldi o açaí, tacacá, maniçoba, a farinha de mandioca, a matinta pereira,

o curupira e outros tesouros? Além das visagens? Por que Belém tem um Forte do Castelo, já restaurado, se é pacifico de coração, tão belo? Porque o rio Guamá, arrastando teu barro para o mar? Porque tuas ilhas em frente, com teus morcêgos, teus sabiás, tuas pipiras rubras e caipiras? Por que Belém chove uma chuva tão pura de fantasia e amor? Molhando os troncos de tuas matas com tua àgua cristalina e cabôcla! Por que o Ver-O-Peso, a Cidade Velha, as praças com suas garças? Sim, Por que? Porque os prédios monumentais? Porque és realmente uma cidade Criança, e ao mesmo tempo uma veneranda na saudade dos tempos idos que não voltam mais.


Porque apesar da cidade moderna, ainda temos Belém antiga no coração! Ainda amamos a 22 de junho, a Maria Fumaça, os bondes, o circular interno e externo, o viação Pérola ( zepellin ), o peixe fresco na nossa porta, e o quintal com pé de cutite, cupuaçu e piquiá. Porque temos Belém com seus túneis seculares,verdes, dos nossos mangueirais, a nos dar frutos generosos,nesta terra batizada por Cristo e abençoada pela Virgem de Nazaré, padroeira de todos os paraenses! + * Médico e Escritor paraense


O PRESÉPIO “O Forte desempenhou o papel de protagonista da gênese urbana da Feliz Lusitânia”.

Paulo Chaves Fernandes, Secretário de Cultura.

S

omente mais de um século transcorrido desde a descoberta (ou achamento?) do Brasil, pelos portugueses, é que o rei Felipe II de Espanha, que detinha a coroa da União Ibérica (Portugal e Espanha), ordenou a Conquista do Norte, que visava a desalojar os franceses que se haviam assentado solidamente no Maranhão, onde estabeleceram a França Equinocial, com sede em São Luís, e ocupar as terras do Grão-Pará. Depois de derrotar as tropas francesas, sob as ordens de Daniel de la Touche, em 2 de dezembro de 1615, Alexandre de Moura, GovernadorGeral da Armada e Conquista, encarregou Francisco Roso Caldeira de Castelo Branco de conquistar o Pará. A expedição saiu de São Luís a 25 de dezembro de 1615, com pouco mais de 150 homens, a bordo d e t r ê s embarcações, e 10 peças de artilharia e, após 18 dias, ou seja, a

12 de janeiro de 1616, aportou na Baía do Guajará (Paraná-guaçu, para os nativos). Recebidos amistosamente pelos tupinambás, liderados pelo cacique Guaimiaba (Cabelo-develha), os lusos logo trataram de se estabelecer em local seguro e defendido de invasores (ingleses, franceses e principalmente holandeses, que por aqui havia muito tinham assentado feitorias e baluartes), uma elevação que dominava a baía, na exata confluência dos rios Pará e Guamá, que contornam em parte Belém. Essa locação era estratégica e a que melhor convinha para os ditames defensivos da época. Nesse minúsculo altiplano que se projetava para o rio, trataram de erigir um fortim de madeira e palha, a que apelaram de F o r t e d o Presépio, por ter sido o dia de Natal a data do início daquela j o r n a d a conduzida pelo intrépido capitão-mor português. A Feliz Lusitânia, cidade que Castelo Branco fundou sob a proteção de Nossa Senhora das Graças e denominou de Nossa Senhora de Belém, teve seu ponto fulcral assestado, portanto, no F o r t e d o P r e s é p i o posteriormente Forte do Castelo a partir do qual se foi

Canhão com brasão de Portugal


DE BELÉM * Sérgio Martins Pandolfo

O Forte do Presépio restaurado

aglutinando, às proximidades, avançando como projeções digitiformes por entre os charcos e pântanos que configuravam o “alagado do Piri” e ocupavam as primitivas áreas que o circundavam, não fosse essa zona, toda ela,

pertencente à orla que margeia nossa Baía do Guajará, no estuário do maior e mais portentoso rio do mundo, o Amazonas, na região a que os silvícolas tupinambás, na sua ingênua,


mas acurada percepção das coisas da Natureza chamavam, num misto de admiração e convicção, de gran-pará. E tal foi o bom trato e tantos os bons ofícios que a ela dispensou Caldeira, que em três anos (tempo que aqui restou) surpreende aos que a visitam. A primitiva capela construída sob o orago da Senhora das Graças, no interior da fortaleza foi, um ano mais tarde, transferida para o local que ainda hoje ocupa, passando, tempos depois, à condição dignitária de catedral (Sé) belenense. Com a fundação de Belém iniciou-se, de fato, a conquista da Amazônia para a Coroa Portuguesa, eis que até então somente a cobiçavam, exploravam e saqueavam, flibusteiros e corsários a soldo das cortes européias concorrentes, inconformadas com a acordada propriedade luso-espanhola das terras daquele novo Éden. A inauguração a 25 de dezembro de 2002 da terceira etapa do projeto Feliz Lusitânia, levado a cabo pelo governo do Estado, sob supervisão da Secretaria

Executiva de Cultura, fez reentregar à cidade e ao povo paraense, essa que é, sem ponta de dúvida, sua mais importante edificação histórica, monumento-símbolo de Belém, totalmente restaurada, devolvendo-lhe as feições arquitetônicas e funcionais (defesa e segurança) originais e, inclusive, restituindo sua primeva e evocativa denominação: Forte do Presépio. A conclusão das obras possibilitou, ademais, a fruição de uma das mais belas e panorâmicas visões de nossa majestosa baía, até então indesfrutável pelo citadino belenense. No interior da fortificação o Museu do Encontro oferece aos visitantes, tanto daqui como forâneos, um extraordinário cabedal de peças colhidas durante as obras de restauro, que incluíram demolições de acréscimos arquitetônicos espúrios e escavações arqueológicas e redundaram no Antes achado mais dode restauro de 70 mil objetos ou fragmentos representativos dos usos e costumes das principais etnias européias, africanas e autóctones que, ao longo desses 387 anos de existência do Forte, conviveram, mesclaram-se e conformaram a gente que hoje somos: o valoroso, altaneiro e diligente povo paraense. + *Presidente da SOBRAMES-PA. Da Academia de Imprensa de Belém.


A Belemtur e os 387 anos de Belém

A

Companhia de Turismo de Belém (Belemtur) promoveu no domingo, 12 de janeiro, uma vasta programação pelo aniversário de Belém, que completou 387 anos de fundação. A festa de aniversário da cidade começou com um banho de cheiro-do-pará, no complexo Ver-o-Rio, na presença do prefeito Edmilson Rodrigues, que fez um discurso em homenagem à cidade. Em seguida, foi cantado o parabéns-právocê, com queima de fogos de artifício. Na ocasião, o bolo foi cortado e distribuído à população. A programação cultural contou com a apresentação dos Grupos Folclóricos da Melhor Idade/Ipamb, Sabor Marajoara, do Sesc, Oficina de Pagode e ainda da Escola Circo e Sementes do Amanhã/Funpapa, Grupo Rei Zumbi de Capoeira e grupo infantil do Sesi. Como parte do projeto “Conhecendo Belém”, a Belemtur promoveu um passeio turístico de ônibus gratuito para a população, pelo Centro Histórico da cidade; e outro de barco, ao longo da orla. Os ônibus saíram do Ver-o-Rio, passaram pelo Ver-o-Peso, Arsenal de Marinha, Praça da República e

retornaram ao local de partida. O passeio de barco fez o mesmo caminho ao longo da orla, com saída do flutuante da praça do Pescador, retornando para o Ver-o-Rio. A programação de aniversário de Belém começou na véspera, no sábado, 11, às 15 horas, quando foi feita a lavagem do complexo Ver-oRio com banho-de-cheiro, em parceria com a Fundação Parques e Áreas Verdes de Belém (Funverde) e a perfumaria Orion. Às 19 horas, foi aberta a Feira do Artesanato, com o objetivo de valorizar a produção do artesanato local e gerar renda aos artesãos, com o apoio da Associação dos Artesãos da Praça da República (AFA), Artesanato Espaço Lilás e da Sociedade de Artesãos e Amigos de Icoaraci (Soami), além da exposição de fotografias de Luiz Braga, com textos de autores nacionais em homenagem a Belém. A presidente da Belemtur, Leila Jinkings, disse que vem fazendo um trabalho de qualificação dos funcionários do complexo do Ver-o-Rio voltado para o atendimento ao turista e que ainda neste semente outro curso será oferecido. “Nós já fizemos um curso, no Ver-oRio, e vamos continuar, nos mesmos moldes, com o ensino de línguas e noções de higiene e atendimento”, ressaltou. Em seguida, houve a apresentação do Grupo de Música Regional Pai d'Égua e do Projeto Ananindeuense de Dança. +


A BELÉM * Leila Jinkings

O

encanto das praças de Belém, de modo especial a Praça Batista Campos, moldaram os meus sonhos de menina e ainda hoje acalentam os sonhos de minha maturidade. É este encanto o mais representativo instrumento pelo qual manifesto meu sentimento de amor a Belém. Pois suas praças constituem um grande espaço mágico, que parece imune às turbulências e aos agitos da grande cidade. Os túneis de suas centenárias mangueiras parecem afugentar, canalizando para bem longe, o burburinho da ensandecida turba de motores, freios e buzinas. Escondem a feiura dos grandes edifícios e deixam à vista o remanescente casario da belle époque belenense, como uma moldura a ressaltar uma obra-de-arte de inigualável beleza. Ali, pode-se voltar a sonhar o sonho do futuro. Pois foi ali que tantos sonhadores visitaram os sonhos dos sonhadores mais antigos. Os sonhos dos tupinambás, dos Angelins, dos Vinagres. Os sonhos de Batista Campos. Ali, ainda resplandecem, ao compasso de eternos atabaques, os sonhos de Eneida de Moraes, de Waldemar Henrique, de David Miguel. Os mesmos sonhos meus. A Belém que eu amo é esta cidade toda transformada em uma imensa praça. Na qual seus belos monumentos e a cultura do seu povo se sobrepõem à desordem de uma insana

modernidade coisificada que oprime o homem e desvirtua a natureza. A Belém que eu amo é aquela em que os sonhos do seu povo são escancarados e socializados para serem coletivamente construídos. Amo a Belém que foi conquistada pelo seu povo para que seja palco de suas mais belas realizações e de suas mais autênticas manifestações culturais. Uma Belém exuberante em sabores, repleta de cheiros e abundante em musicalidade. Que nos dá orgulho de mostrar aos outros povos do mundo, e com eles dividir, nosso sorriso, nossas cores, nossa beleza natural consonante com a felicidade do seu povo. O tucupi, o carimbó, o açaí. O rio-mar, nossa rua, nossa comunicação com o mundo. Agrada-me constatar que meu sonho de amor a Belém já não é mais um sonho de poucos. O povo de Belém começa a se contagiar com o sonho da grande maioria do povo brasileiro, que já se manifesta, altivo e pujante, pelo revigoramento de sua auto-estima, consciente de sua força e vontade, indispensáveis à defesa desta grande praça de liberdade e de cidadania. Com as bênçãos da virgem de Nazaré. Esta praça é a Belém que eu amo. A Belém que está se tornando muito mais feliz, com seu povo conquistando o direito de morar e se alimentar bem. As crianças nas escolas. A dignidade do trabalho de todos produzindo bemestar, qualidade de vida digna e liberdade. Para viver e para continuar sonhando. + * Presidente da Belemtur


Minha Belém *Lucy Gorayeb Mourão

A

bela Belém, cantada em prosa e verso, faz aniversário neste 12 de janeiro. São 387 anos da Cidade das Mangueiras, famosa por seus túneis de árvores frondosas, por sua chuva sempre no meio da tarde, por suas esquinas onde o tacacá fumega e a pimenta-decheiro e o tucupi fazem o tran-seunte, boca cheia d´água, parar para de-gustar a iguaria, mesmo que o calor da tarde convide mais a um sorvete refrescante, principalmente se ele for de bacuri, cupuaçu ou açaí. Belém quase quatrocentona é uma

cidade jovem. Suas antigas igrejas, algumas delas barrocas, seus casarios antigos, sobrados azulejados que lem-bram uma época áu-rea do de-senvolvi mento da metrópole, convivem com pré-dios modernos, arranhacéus onde o concreto armado e o vidro fumê se destacam. Nas ruas da C i d a d e Ve l h a , palco da nossa história e das nossas tradições mais remotas, m o d e r n o s automóveis cruzam as ruas estreitas, construídas apenas para a passagem de pedestres e de carros de bois, sem a preocupação com o futuro e a modernidade. Um pouco mais longe, largas avenidas, também arborizadas, nem sempre com as tradicionais


mangueiras, tornam a nossa Belém uma cidade do mundo, já sem aquele cheirinho de coisa só nossa, coisa que não se encontra em qualquer outro lugar se não em Belém do Pará. Cosmopolita, mas nem tanto, porque as bandeiras vermelhas das vendas de açaí proliferam no antigo e no moderno da cidade, as tacacazeiras ainda surgem nas amplas calçadas no meio da tarde, os carrinhos carregados de frutas regionais colorem as manhãs e trazem às nossas ruas um perfume bem paraense do taperebá, do muruci, do cupuaçu, do bacuri.

A pupunha, a manga madura, a jaca, remetem cores de vida às nossas avenidas, vida que vem do mato, que o caboclo descobre e traz de canoa pelos nossos rios até o Ver-o-Peso, para daí se espalhar pela cidade. Ah, Belém que Manuel Bandeira imortalizou em versos singelos. Belém da nossa feira mais famosa, com suas mandingas sempre para o bem, que trazem amores, unem corações, curam feridas do corpo e da alma.


Belém do Forte do Castelo, nosso berço, hoje palco de tantas transformações. Hoje Feliz Lusitânia, a mostrar a quem aqui chega, que temos história, temos tradições e que elas são preservadas com carinho. Belém que cresce, que se torna famosa por seus recantos, como a Estação das Docas, tão admirada pelos que a visitam. Por seus museus o do Estado e o de Belém -, pelas janelas que se abriram para o rio

e trouxeram o ar puro da natureza para mais perto de nós. Cidade das praças de mangueiras, como a Batista Campos e a República, com pulmões a lhe pulsar no centro, como o Museu Emílio Goeldi e o Jardim Botânico Rodrigues Alves. Belém do Parque Residência, com seu encanto tranqüilo. Belém que cresce mas com as raízes fincadas num passado glorioso e sem par. Belém, Belém, parabéns jovem cidade!... +


Belém velha N

ão ficou por menos, chegando mesmo desavisado cidadão, naqueles dias dos anos trinta, a alardear aos quatro cantos da cidade, que alguma coisa muito séria estava acontecendo. Aliás, os ventos do Apocalipse começavam a soprar pelas bandas do Velho Mundo e havia carradas de razões para que o cidadão em apreço acreditasse que algum tipo de arma

Na realidade, cardume de passarões de bico avantajado, em vôos razantes, vindos do outro lado da baía de Guajará riscava os céus, entrando pelas casas, encontroando-se em árvores, muros, paredes e fios elétricos, caindo de cansaço ou simplesmente pousando, em processo que até hoje os especialistas não souberam explicar, e os kamikases emplumados tiveram um único destino, a panela dos que apreciavam esse verdadeiro

Hélio Rodrigues Titan

Belém no tempo da invasão dos tucanos

secreta estava sendo usada para bombardear Belém, em espécie de treinamento bélico.

maná caído do céu. Este tipo de fenômeno não consta na maravilhosa A MONOGRAFH OF THE


de guerra * Camillo Martins Vianna

Belém atual

R A M P H A S T I D A E O R FA M I LY O F TOUCANS, publicada em Londres em 1854, de autoria de Jonh Gould e republicada em Belém em 1992 e nem mesmo no precioso e alentado B R A S I L 5 0 0 Av e s d i s t r i b u í d o e m comemoração ao descobrimento do também denominado país dos papagaios, muito menos no primoroso - Aves da Grande Belém, de Fernando Novais e Maria Cunha Lima do Museu Paraense Emílio Goeldi, publicado em 1998. O tempo foi indo, foi indo e novo alvoroço, dessa vez em plena efervescência da 2ª Grande Confrontação de povos ditos civilizados, em apenas um século, dando motivo a que os belenenses acreditassem que os boches estavam ocupando a cidade, para transformá-la em verdadeira cabeça de praia. E haja correria dos cavalerianos da Polícia Militar do Estado, procurando cumprir seu dever em defesa da capital e da própria nação brasileira, caso fosse necessário. Na realidade, tudo não passou do desembarque maciço e pacífico de mariners norte-americanos chegados em navio de transporte de tropas, depois de longo e demorado percurso, que embarafustaram-se por todos os cantos da cidade com o objetivo único e exclusivo de satisfazer o princípio mais elementar da procriação, e que na falta de Guia

Turístico, se enfiava onde julgava encontrar mulheres de vida airada, causando um Deus nos acuda às f a m í l i a s d e b e m . Por essas alturas, treinava-se por aqui, comportamento diante de ataque noturno com o chamado blackout, precedido por sirene da FOLHA DO NORTE, que ouvida em grandes lonjuras, marcava o início e o fim do adestramento, diferindo de outros escurecimento que ocorreram mais tarde, como resultante do desgaste das máquinas da antiga Parah Eletric Co, de origem inglesa, e apelidada de Paralítica, quando o racionamento de energia era uma constante, programado para alternância em bairros e lados opostos de ruas e avenidas o que causava sérios embaraços à vida da comunidade. Com a aproximação do rufar dos tambores de guerra, o Exército Brasileiro instalou Bateria de Costa na Praia do Chapéu Virado - Ilha de Mosqueiro, hoje área metropolitana de Belém, e grandes canhões foram assentados na praia do chapéu virado,


nas cercanias do Hotel do Russo, para, se necessário, afundar os submarinos germânicos que andavam fazendo estragos em nosso litoral. Dentro dessa atmosfera marcial, Belém passou a contar com base aérea norteamericana, para servir de apoio logístico às tropas que se engalfinhavam no outro lado do Atlântico. A partir daí, houve estreito relacionamento dos recémchegados com a população e, por via das dúvidas, às proximidades de área razoavelmente conflagrada - a do meretrício - os militares do Norte assentaram posto avançado de sua MP (Military Police), com a finalidade de coibir qualquer possível estremecimento, entre eles mesmos e o pessoal da região usando como instrumento de persuasão, um grande porrete de madeira ou big stick, que era o símbolo, igualmente, da Doutrina Monroe. Na busca de consolidar a confraternização, passou a funcionar, no extinto e saudoso Grande Hotel, espécie de boate, sob responsabilidade da United S t a t e O rg a n i z a t i o n ( U S O ) p a r a entretenimento dos militares estadunidenses, onde a entrada da nossa rapaziada era dificultada, o mesmo não ocorrendo com as morenas paraoaras. Como reforço militar, foi erguida uma torre de atracação para Blimps - pequenos dirigíveis - em Igarapé-Açu, na zona bragantina, a pouco mais de 60 Km de Belém, sendo comum, nas atividades de patrulhamento da Costa Atlântica amazônica, por essas aeronaves, o

lançamento de bombas, por da cá aquela palha, causando grandes estragos à fauna aquática. Quando navios de nossa bandeira foram torpedeados, ondas de saques ocorreram em Belém, e a turbamulta, descontrolada, invadiu, agrediu e saqueou residências, comércios e escritórios de originários ou descendentes, de alemães, italianos e japoneses, praticamente todos já adaptados a nossa nacionalidade, compondo com os nativos, saudável miscigenação brasílica. As embarcações que abasteciam a cidade e que conseguiam furar o bloqueio marítimo, eram recebidas festivamente, apesar do atropelo que causava a venda de alimentos, principalmente de açúcar, no Mercado de Ferro do Ver-O-Peso, em conseqüência do relacionamento imposto à população. Nessa época foi estimulada a formação das denominadas Hortas da Vitória nos quintais, objetivando compensar a falta de produtos que vinham do sul do país. Fato curioso é que os nossos pracinhas que fizeram parte da Força Expedicionária Brasileira foram embarcados na calada da noite, para o Rio de Janeiro e daí para a Itália, como se as forças do Eixo estivessem em seus calcanhares. Fizeram parte do contexto, os campos de concentração construídos em Tomé-Açu, no Estado do Pará e em Parintins, no Estado do Amazonas, para abrigar originários dos países inimigos, com predominância para os do Sol Nascente. Nessa história toda, entre mortos e feridos, escaparam todos, tal qual o desfecho da Batalha Fluvial de Itacoatiara, no rio Amazonas, que segundo consta, nem chegou a acontecer.+ * Sobrames/ Pará/ Brasil


Belém da Memória A Cidade e o Olhar da Literatura

E

ste projeto foi implantado pelo Núcleo Cultural da Universidade da Amazônia, através da Casa da Memória, a partir da idealização e pesquisa efetuada pelos professores Paulo Nunes e Josse Fares. Para celebrar o patrimônio cultural e arquitetônico da cidade, através do olhar da literatura, o projeto apropria-se das metáforas de alguns escritores brasileiros essenciais, que se debruçaram sobre a capital do Pará e fizeram dela musa inspiradora. É curioso, o que pouca gente sabe, é que Belém constitui referência cultural efetiva entre os escritores brasileiros, sobretudo a partir do Modernismo de 22. Nossa cidade foi elevada à categoria de uma das capitais literárias dos modernistas. Não fosse assim, como explicar a referência temático-afetiva de Belém na produção de Mário e Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Raul Bopp, Inglês de Sousa, Ignácio de Loyola Brandão, Márcio Sousa, para citar alguns nomes?

O Belém da Memória apoderou-se dos discursos de nossos escritores e fixou, no centro histórico da cidade, placas padronizadas de 50 por 70 cm, que reproduzem esses textos, em par com imagens ilustrando ícones do patrimônio arquitetônico da cidade. Assim, por intermédio deste projeto, a Universidade da Amazônia, em parceria com o poder público municipal e com o apoio de empresas e pessoas físicas patrocinadoras, deseja reforçar o amor dos cidadãos pela cidade que lhes serve de berço e/ou morada e daqueles que a visitam, falando às suas consciências através da literatura produzida sobre Santa Maria de Belém do Grão-Pará. Sugerimos que como um roteiro turístico e literário, faça o leitor, a descoberta das placas e delicie-se com o que vai deparar.

Marco Visual nº 2 Praça do Carmo

Para aguçar aida mais sua vontade/curiosidade,mostramos o conteúdo dos marcos nº 5 e nº 7. Deleite-se!


BELÉM DA MEMÓRIA

Grande Hotel Belém

Carta escrita por Mário de Andrade a Manuel Bandeira durante a histórica viagem à Amazônia, em 1927 Por esse mundo de águas, junho, 27 Manu, Estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois dos nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. 0 direito de sentar naquela terrace em frente das mangueiras tapando o teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí. Você que conhece mundo, conhece coisa milhor do que isso, Manu?(...) Belém eu desejo com dor, desejo como se deseja sexualmente, palavra. Não tenho medo de parecer anormal pra você, por isso que conto esta confissão esquisita mas verdadeira que faço de vida sexual e vida em Belém. Quero Belém como se quer um amor. É inconcebível o amor que Belém despertou em mim...

Marco Visual nº 5

Um abraço do Mário


BELÉM DA MEMÓRIA

Largo de Nazaré

Banho de Cheiro, III Eneida ... No meu tempo de menina, com a borracha alta, as elegantes de Belém mandavam buscar na Europa vestidos especiais para as noites da festa de Nazaré. E desfilavam no Largo, como em passarelas. S. Jerônimo, Dr. Moraes, só em Belém Deodoro é generalíssimo (o exagero amazônico); ruas de minha intimidade; as casas coloniais altas, com azulejos tão belos, pesadas, cheias de janelas, sacadas de ferro trabalhadas, todas falando da Belém colonial. E as mangueiras encarregando-se de dar sombra, faceiras sempre, tão faceiras que adoram a chegada de outubro, momento em que a Prefeitura manda pintar de branco seus troncos. Sempre desejaram ser bailarinas as nossas mangueiras(...) Tudo nesta cidade onde nasci é parte poderosa, eloqüente na minha vida. Paisagens, personagens, ocorrências (...) Que importam os limites do Estado do Pará se para mim, ao norte, sul, leste, oeste, ele é todo limitado pelo meu grande amor? +

Marco Visual nº 7


Arquidiocese parabeniza

seu pastor O

* Roberto Paulo Bibas Fialho

Naquela ocasião, permanecia incógnita a continuidade ou não de sua presença à frente da Igreja de Belém. Mineiro da cidade de Luz (MG), Vicente Joaquim Zico, provou mais uma vez estar preparado para assumir o plano de Deus, vivenciando o amor ensinado por São Vicente de Paulo, padroeiro da Congregação da Missão (padres lazaristas), a qual pertence. Ingressou nesta ordem missionária no dia 2 de fevereiro de 1943, tendo feito sua profissão religiosa dois anos depois. Após concluir seus estudos nos seminários do Caraça (MG) e Petrópolis (RJ), foi ordenado sacerdote em 22 de outubro de 1950. Formou-se em psicologia e filosofia e cursou o Instituto Superior de Pastoral Catequética, em Paris, França. Padre Vicente trabalhou durante anos como formador nos seminários de sua congregação, em Fortaleza (CE) e São Luis (MA). Em Petrópolis, serviu como assistente provincial e secretário nacional da sua congregação. Atuava como conselheiro geral da Congregação da Missão, quando o Papa João Paulo II o designou arcebispo coadjutor de Belém, em 5 e dezembro de 1980. O próprio Santo Padre o sagrou bispo, na Basílica de São Pedro, em Roma, dia 6 de janeiro de 1981. Tomou posse em Belém, na Catedral Metropolitana, no dia 8 de março do mesmo ano. Já são 22 anos de caminhada Climeniè Pontes manifestou votos de felicidade ao arcebispo episcopal e dom Zico continua

arcebispo metropolitano de Belém, dom Vicente Zico, completou 76 anos em plena atividade, no último dia 27 de janeiro. Ele dá mostra de estar gozando de boa saúde e excelente disposição, ao acatar o pedido de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, para que continue à frente do imenso rebanho pertencente à sua arquidiocese. O arcebispo poderia estar gozando aposentadoria compulsória, ao completar 75 anos, mas a sua caminhada pastoral assinala o compromisso de servir. “Feliz daquele que ouve e atende a palavra do Senhor, como revelam as Sagradas Escrituras, por isso, firmamos nosso propósito de continuar servindo Jesus Cristo na pessoa do irmão, e se este for o desejo de Deus, prosseguiremos nossa caminhada”, afirmou dom Zico a n o passado, por ocasião do seu aniversário.

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Dom Zico recebeu calorosas homenagens pelo seu aniversário

manifestando sua tradicional mansidão, perseverança, firmeza e propósito de fé à frente da arquidiocese. Fundou novas paróquias, dinamizou a caminhada pastoral de religiosos e leigos, criou o Centro de Cultura e Formação da Arquidiocese, a Fundação Nazaré de Comunicação, juntamente com a Família Nazaré, assim como inúmeros serviços na área social prestados pela Igreja. Seu trabalho também rendeu muitos frutos no Regional Norte II, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atuou por muitos anos como presidente e vice-presidente do regional, e como bispo responsável pela dimensão missionária, também em âmbito regional. Foi ainda conselheiro da Pontifícia Comissão para a América Latina. Muitos grupos de evangelização, ordens religiosas, movimentos e

pastorais receberam incentivo e também o aval de Dom Vicente Zico para desenvolver suas atividades, tanto na capital como no interior do Estado do Pará. São milhares de pessoas, que na sua simplicidade e no seu fervor, dão a sua colaboração para o engrandecimento da ação pastoral da arquidiocese e se unem para homenagear o arcebispo. Os cultos, encontros e celebrações do dia 27 de janeiro não deixaram de fazer alusão ao aniversário do arcebispo, por mais breves, longas, simples ou pomposas que sejam, com ou sem a sua presença. O importante é orar, para manifestar da melhor forma possível o carinho e o apreço pelo pastor da Igreja de Belém. Unida, toda sociedade paraense presta homenagem ao seu pastor maior. São instituições de ensino, órgãos públicos, clubes e associações, enfim, todos fazem questão de levar seu carinho e dar-lhe seu abraço. Neste intuito, a presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJE), Climeniè Pontes, fez questão de cumprimentar e parabenizar o arcebispo, a exemplo de muitos sacerdotes e amigos. Parabéns dom Vicente! + * Arquiteto e professor universitário.

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cargo é maior do que eu”. A partir daí começou a "lua de mel" entre o pastor e seus súditos. O povo "adora" D. Vicente. Escuta-o embevecido. Não cansa de aplaudi-lo e reverenciá-lo. É campeão de audiência em seus programas na rádio e TV. É sincero e espirituoso. Suas palestras são recheadas de "causos" que desanuviam o ambiente deixando a platéia atenta pelo tempo que for necessário. Trata a todos com igualdade e consideração. É impressionante a sedução que desperta nas camadas simples da população. Na Romaria Rodoviária no deslocamento para Icoaraci, a multidão postada ao lado da avenida vai às lágrimas quando abençoada pelo Bom Pastor. E ele não se cansa de distribuir as bênçãos durante todo o trajeto deixando aquelas pessoas felizes e recompensadas. Possui um grande poder de conciliação e consegue que autoridades divergentes caminhem a seu lado por ocasião das festividades do Círio distribuindo a todos equânime atenção. Há um ano aproximadamente comemorou o seu jubileu de ouro de ordenação presbiteral quando toda a comunidade católica se regozijou com o evento,

D. Vicente Zico O Bom Pastor

*Elias Gorayeb

Q

uando fui convidado para escrever s o b r e D . Vi c e n t e , f i q u e i preocupado por ter que sintetizar em um espaço limitado as qualidades inigualáveis desta figura excepcional. Lembro-me bem quando aqui chegou para assessorar D. Alberto Ramos. O povo logo se afeiçoou a ele pela sua simplicidade, pelos seus gestos gentis, pelo seu carisma. Jamais pretendeu sobrepujar ao bispo de quem era auxiliar. Testemunhou sua lealdade até os últimos momentos de vida de D. Alberto. Quando foi efetivado como Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém, declarou em seu discurso “Que o 28


agradecendo a Deus pela extraordinária riqueza de graças com que cumulou nosso Arcebispo nesses 50 anos de vida pastoral. Com seu Bispo auxiliar testemunha uma relação fraterna e produtiva. Um completa o outro. A espiritualidade e a Ação; A fé e as Obras. Por inúmeras vezes estive com D. Vicente e sempre fui alvo de grande consideração. Na sua residência, no arcebispado, nos encontros, nas celebrações, etc. e me ficou a convicção de que se elegeria ao cargo que se candidatasse, de Vereador a Governador tal a fascinação que exerce no povo, mas nós o queremos mesmo é que continue por muitos anos sendo o nosso Bom Pastor. Obrigado Igreja da Luz, em Minas Gerais por ter enviado à Igreja da Casa do Pão um Pastor como D. Vicente Joaquim Zico! +

Parabens D. Zico! 29


Castanhal 71 anos no caminho

C

astanhal, a “Cidade Modelo do Pará” acorda ainda mais bela neste dia 28 de Janeiro, quando festeja seus 71 anos de emancipação político-administrativa. Mas para que o município continuasse trilhando o caminho do progresso e do crescimento ordenado, foi preciso a atuação de alguém que fizesse do município um canteiro de obras. E nada melhor do que um engenheiro para fazer tudo isso o prefeito Paulo Sérgio Rodrigues Titan, o principal responsável pelo desafio de arquitetar e construir o presente pensando no futuro. E em Castanhal, o futuro já faz parte do presente. Do centro à periferia, os investimentos são constantes. A macrodrenagem do Igarapé Castanhal, por exemplo, é uma das muitas provas disso. Como ela, que recebeu asfalto, iluminação e sistema de esgoto, a canalização do antigo canal da Caixa D'água é outra realidade, melhorando a qualidade de vida de centenas de famílias, que antes tinham que conviver com os alagamentos e doenças. Asfalto, construção de novos postos de saúde, setor agrícola fortalecido, mais escolas e novas salas de aula, nova Casa de Cultura, feiras construídas e outras reconstruídas, nova roupagem para a Assistência Social e um montão de benefícios que o castanhalense conhece muito bem. Ressalte-se ainda a transformação da cidade no mais novo polo industrial do Pará, gerando emprego e renda para a população. Além disso, a PMC construiu e inaugurou, no final de dezembro passado, o Pronto Socorro Municipal de Castanhal, ampliando ainda 30

mais os atendimentos e dando novos rumos para as questões de saúde pública no município, que já contava com um Laboratório Municipal, emitindo exames laboratoriais gratuitos. Após 61 anos de sua construção: o Palácio Municipal Maximino Porpino da Silva foi totalmente revitalizado e modernizado. Tendo administrado Castanhal pela primeira vez há 21 anos atrás, Titan completou, no primeiro dia de janeiro, 6 anos à frente da Prefeitura, após festejada reeleição. E é com todas essas vantagens que Titan vai levando seu terceiro mandato como prefeito, já tendo sido, aliás, duas vezes deputado federal. Hoje, o brilho de Castanhal está por toda parte, fruto de um trabalho sério, numa administração que vem chamando a atenção pela popularidade e credibilidade, como tantos outros administradores sérios que passaram pela prefeitura local e também deixaram sua marca. Entre os quais, o ex-prefeito Almir Lima, que construiu o que hoje é o principal cartão postal da cidade o monumento do Cristo Redentor, que, assim como o povo hospitaleiro da cidade modelo, recebe a todos com os braços bem abertos. Para comemorar os 71 anos de Castanhal, a prefeitura

Castanhal é todo progresso


do progresso elaborou uma programação com atos solenes, inaugurações e festas populares. Á noite, governo e povo se encontram na praça Ignácio Gabriel (Praça Prefeito da Estrela) para, enfim, Paulo Titan brindar a certeza de que com a participação de todos, Castanhal vai continuar sendo o município modelo do Pará. + +

Melhorando a qualidade de vida

Sede Municipal

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Parabens, Castanhal (28/01/1932) *Hélio Rodrigues Titan

R

Remontando a nossa memória, traremos à de nossos pensamentos, a satisfação e alegria, pelo aniversário de nossa querida Castanhal, elevada que foi, em 28/01/1932 à categoria de município pelo Interventor , na época, Joaquim de Magalhães Cardoso Barata. São 71 anos de evolução, tradição, espraiamento urbano, desenvolvimento comercial, agropecuário, industrial e populacional, moldando nestes anos, uma cidade robusta e que enche de orgulho o povo desta terra. Com mais de 150 mil habitantes, incluindo a população rural, Castanhal desenvolveu uma característica toda especial, quer em comportamento humano, religioso e cultural, como em seus múltiplos aspectos de uma cidade moderna, arejada, luminosa, tropical o que a tornou conhecida em todo Pará e além, como "Município Modelo” A cidade aniversariante, me faz lembrar a filosofia de desenvolvimento da "Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão" uma empresa organizada pelo Marquês de Pombal em 1755, que estimulava inclusive com infra-estrutura necessária, o de-senvolvimento do comér-cio e agricultura. Foi extin-ta em 1777 por D. Maria I. Rainha de Portugal, por motivos vários, inclusive a expiração do prazo legal, concedido pela coroa do R e i n o d e A l é m - M a r. A comparação retroesposada nos alicerça, no trabalho desenvolvido

Cristo Redentor

pelos nossos alcaides e licurgos, cuja maioria se dedicou a esta terra, com suor e lágrimas, no desenvolvimento deste torrão abençoado. O famoso Magistrado francês De Brosses (17091777) já dizia que o crescimento cultural, comercial político de uma comunidade está no aprimoramento de sua identidade. Assim é Castanhal, amigos! Esta nossa cidade encravada nos rincões nordestinos do Pará, evoluiu com o passar do tempo, sua própria face citadina!

O aprasivel Balneário Cai N’água


humilde na maioria, mas relativamente alegre em ume terra onde a hospitalidade floresce e se exterioriza à "olhos vistos"; onde o sol tem um brilho peculiar; onde o vento acaricia o nosso rosto com mais ternura, onde o orvalho da manhã é mais puro; onde crepúsculo é como uma aurora boreal em nossos corações; onde a chuva lava a cidade com capricho e zelo! Castanhal tem um murmúrio todo especial de seu povo, na labuta do cotidiano, nas feiras livres, no comércio, no trânsito, na parafernália dos ciclistas afoitos; nas bancas do jogo do bicho, nos terminais rodoviários, nos dançarás noturnos varando a madrugada desta terra pródiga de comportamento humano alegre e descontraído. Castanhal tem o seu Cristo Redentor, tem sua transrodovia, tem ainda como lembrança algumas castanheiras lá de Santa Helena , como se fossem sentinelas de um berçário intocável. Castanhal tem a plena liberdade religiosa, onde os cultos mais variados se enlaçam num ecumenismo fraterno. Personalizando, Castanhal, tem o Titan, o Leite, o Cristo Redentor, os cantores de brega , a carne de sol, o pão de queijo, a matriz São José, além dos mais de 150 mil anônimos felizes desta cidade iluminada.

Em frente à prefeitura, desfile dos idosos. (Projeto Vida Ativa) Finalmente , obrigado Castanhal, por te conhecer e parabéns pelo teu aniversário e teu constante renascer no dia a dia da prosperidade! + *Médico e scritor Vista panorâmica de Catanhal


“Nas ruas de Castanhal” *Eládio Reis

Nas ruas de minha cidade, Vejo gente de todas as partes, Nas ruas de minha cidade, Ainda ouço o apito do trem, Nas ruas de minha cidade, O passado dá lugar ao moderno, Pois nas ruas de minha cidade, Há um modelo pro meu Pará. Nas ruas de meu lugar, O verde voltou a sorrir, Ah! Essas ruas! Ruas minhas, Ruas tuas! Ruas que eram nuas, E hoje, Se vestem em traje de asfalto Ruas que cortam praças, prédios, indústrias, Palácios e jardins. Ruas em trevo, E ruas transversais, Ruas vicinais, E até algumas marginais...

Ruas travessas, Becos, anexas... E ruas ancestrais, Ruas floridas, E Avenidas paridas, Com o selo de um solo mãe. Ruas com passarelas, (Com ou sem elas!) com olhos de gato, lombadas e meio-fio! E elas têm sarjetas... Têm plaquetas... Têm canais. E têm ramais! S ruas de minha cidade têm tudo isso, E tudo aquilo que não pude ver. Têm Castanheira, Têm parteira, E fazem fronteira, Com um passado que eu não vi. No Castanhal de minha história, O futuro conduz o presente. Naquela, Na viela, E nas belas ruas de meu lugar! + *Poeta castanhalense

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CASTANHAL, OBRIGADA *Rejane Jatene

C

ASTANHAL, “Cidade Modelo” do Nordeste Paraense, tem como símbolo máximo à imagem do “Cristo Redentor”, na entrada da cidade, abençoando a cidade e seus visitantes. Essa imagem me faz recordar que um dia esta cidade, recebeu de braços abertos, meu Pai, um imigrante libanês, que veio “tentar a sorte”; e por ter sido tão bem recebido e abençoado, ficou e criou raízes, as quais ensinou a AMAR Castanhal. Foi em Castanhal que vivi minha infância, estudando no Colégio São José, ao qual agradeço a formação religiosa que muito me ajudou no decorrer da vida. È em Castanhal que até hoje busco “colo” quando necessário. Por isso, no seu aniversário, não poderia deixar de declarar o meu Amor por esta cidade, dizendo: “CASTANHAL, Parabéns + e muito OBRIGADA”.

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Castanhal em exposição na praça Ignácio Gabriel

A origem do nome de Castanhal

* Por Moacir Silva

A

lguns livros já foram escritos e publicados sobre Castanhal. Com escritores, historiadores e ou memorialistas. Todos tentaram explicar a origem do nome da cidade, mas sobre isso não há unanimidade.

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A versão mais corrente é a que a denominação teria se originado do fato de terem sido encontradas várias castanheiras (árvores frondosas que dão o fruto Castanha-do-Pará, enclausurado no ouriço), pelos desbravadores, os nordestinos que aqui chegaram e achavam


que ali havia uma grande concentração daquelas árvores, daí pensarem se tratar de um grande castanhal, o que realmente não existia. Há quem afirme que quem encontrou essas árvores teriam sido os que v i n h a m abrindo a Estrada de Ferro de Bragança, quando os trilhos chegava m aqui. Uma outra variação da mesma versão é a de que as árvores vistas seriam apenas três, mas os que se encarregaram de espalhar a notícia, imaginaram que a partir dessa quantidade deveria existir muito mais, formando-se assim um verdadeiro castanhal, daí ter-se incrementado rapidamente a idéia, gerando assim a denominação do lugar como “Castanhal”. À medida em que se foram abrindo as vias com que se formou a vila, foi se verificando que na realidade não existia ali uma grande concentração de castanheiras, porém não havia mais jeito, o nome do lugar já estava consumado como Castanhal, que redundou até na escolha desse nome para uma das máquinas

locomotivas dos trens da Estrada de Ferro de Bragança. Por sinal essa máquina, a “Castanhal”, hoje recuperada, se encontra como símbolo da época, em exposição na praça Ignácio Gabriel, em nossa cidade. Por falar nisso, consta ainda da história que, como a estrada de ferro teve grande influência em toda a vida dos lugares, vilas e vilarejos por onde passava, a denominaç A locomotiva “Castanhal”, mais conhecida como Maria Fumaça. ã o d e Castanhal foi consolidada pelas paradas que os trens faziam, com os passageiros informando que iam ficar “em Castanhal” e os poucos “comércios” que existiam recebiam suas caixas com mercadorias marcadas com o nome do dono ou da firma destinatária. E o destino era Castanhal. Ainda há muito o que pesquisar, mas tem que se correr, pois o melhor documento são as testemunhas vivas da história, mas estas já são poucas. Mas, o importante mesmo, é que hoje o nome de Castanhal, que completa neste ano seus 71 anos de emancipação, tem seu nome inscrito nos anais do progresso e do desenvolvimento. + * Editor do jornal A TRIBUNA DE CASTANHAL

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HOTELARIA

*Denise Lima

Uma sucinta história de sua origem

A

arte da hospedagem nasceu no mundo antigo. Há 500 anos A.C., na bacia do Mar Mediterrâneo, apareceram as primeiras hospedarias, justamente em função da expansão do Império Romano. Depois na Grécia, Roma, Persia... Já na Era Cristã, com a decadência desse mesmo Império, houve uma queda na hotelaria, por conta da descentralização da ordem e do enorme perigo que esse fato causava para os viajantes. Na Idade Média, as cruzadas fazem ressurgir a figura do hóspede que, com o objetivo de negocios ou lazer, busca alimentação e abrigo. Os séculos XVIII, XIX, a Revolução Industrial, as grandes invenções e descobertas, trouxeram enorme estímulo para a Indústria Hoteleira e contribuíram diretamente na estrutura dos hotéis e dos seus serviços nos dias de hoje. Grandes redes hoteleiras internacionais foram criadas, e, muitas delas encontram-se

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implantadas no Brasil que aos poucos vai substituindo o seu perfil de hoteleira familiar e de certa forma amadora, por uma outra bem mais profissional. No entanto, se compararmos a história de outros países muito a frente do nosso, podemos até imaginar que ainda estamos “engatinhando”, principalmente quando fazemos um paralelo com aqueles muito menores em tamanho e com muito menos atrativos naturais. Mas o Brasil está caminhando sim para aparelhar cada vez mais sua Indústria Hoteleira, munindo-a de todos os avanços e modernidades que o mercado necessita. Temos é bem verdade dificuldades de toda ordem, principalmente no que diz respeito a falta de mão de obra qualificada. O número das Escolas de Hotelaria tanto cursos técnicos profissionalizantes como faculdades ainda está muito aquém de nossas reais necessidades e


concentradas, em sua grande maioria, em pólos mais desenvolvidos. Entretanto, possuímos diferenciais extraordinários e relação a outros países: os nossos recursos naturais, com atrativos para todos os gastos, onde encontramos desde neve, passando por campos, florestas exuberantes, rios caudalosos e praias, com enorme capacidade para pesca esportiva, esportes radicais, turismo religioso, enfim. E o maior de todos os diferenciais e sem o qual nenhum outro

teria importância, que são os nossos recursos humanos. Possuimos pessoas com verdadeiro sentido de hospitalidade e simpatia, difícil de se encontrar em outros lugares e, esse simples fato, nos deixa muito à frente dos outros, pois construir parques temáticos e grandes obras turísticas torna-se muito mais fácil do que criar cultura. E, essa nossa característica é cultural e é a grande arma que temos em mãos, já que nos falta ainda tanto. Esse deveria ser o ponto forte da hotelaria que trabalha especificamente com serviços e precisa diretamente de pessoas para executá-los. Precisamos sim, é acreditar nos nossos recursos humanos e investir nele, criando mais escolas, cursos e treinamentos, dando cada vez mais condições para que esse recurso possa mostrar sua real capacidade de bem receber e de bem tratar todos aqueles que escolherem como destino o Brasil. +

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Inovação científica é

A

Universidade Federal do Pará (UFPA), maior e mais antiga universidade paraense, “está promovendo a ampliação de suas atividades de pesquisa e capacitação científica, para estar na vanguarda da inovação científica na Amazônia”, afirma o reitor da instituição, professor Alex Fiúza de Mello. Para ele, “a Universidade tem uma enorme capacidade de inovação científica e tecnológica que não está sendo devidamente aproveitada por todos que fazem parte dela”. Em sua administração iniciada em 2001 e que se estenderá até 2005, ele garantiu que haverá plena preocupação em aperfeiçoar os trabalhos e pesquisas que vem sendo realizados há anos pela instituição. Atuando desde 1978 no Departamento de Ciência Política da UFPA, Alex Fiúza tem 47 anos e é graduado em ciências sociais pela UFPA, em 1977. Depois, fez mestrado em Ciência Política (UFMG), doutorado em Ciências Sociais (UNICAMP) e pós-doutorado na Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, de Paris. Já trabalhou com pesquisas ligadas às relações de trabalho, modernização produtiva, criminalidade urbana, entre outros assuntos. Sua área de pesquisa atual é globalização do capitalismo, assunto sobre o qual já proferiu palestras e conferências no Brasil e no exterior. A reportagem da revista Pará + fez uma entrevista exclusiva com o reitor, abordando a inovação científica promovida pela instituição. Pará + Como está a situação da pesquisa na UFPA? Alex - A pesquisa é uma das mais importantes atividades da Universidade Federal e também uma das que mais crescem, porque ao utilizar recursos científicos, aplica recursos humanos especializados. A universidade hoje está ampliando a utilização de recursos humanos, pois já ultrapassou a casa de 400 professores doutores e caminha a passos largos para ter 500, o que significa que aproximadamente 1/3 da instituição tem capacitação científica nas mais diversas áreas. Somente este ano, nós contratamos 100 doutores e PhDs. Mas, estamos hoje, numa fase de estruturação na obtenção de laboratórios de ponta, como o de genética, que está trabalhando na cadeia da produção de genoma nacional, e na área de energia, que tem pesquisas sobre biomassa, energia solar, energia elétrica e energia eólica, sendo construídos laboratórios, que receberão equipamentos de ponta nesta área. Então, a UFPA procura cumprir seu destino, ampliando a produção de programas de pós-graduação e associados a eles, programas de pesquisa de ponta, como é o caso do Programa de Recursos Hídricos, cuja implantação está sendo negociada junto a Capes, por

conta do problema da água e a sua importância para a nossa região. Queremos ser uma referência não só nacional, mas também mundial na pesquisa sobre os recursos hídricos. Pará + O que é o Poema e qual a sua relevância? Alex - O Poema é um projeto interdisciplinar que ganhou tal dimensão e tal fôlego, que trabalha como sistema próprio dentro da Universidade. Inclusive, é um programa de repercussão internacional, a ponto da Organização das Nações Unidas (ONU), estar financiando a transferência de tecnologia do Poema para a África do Sul, para ensinar a trabalhar o resgate da pobreza juntamente com a preservação ambiental, dentro de uma cadeia produtiva estabelecida, envolvendo pequenos produtores rurais, inicialmente sem emprego e ocupação, que passam a fazer parte de uma cadeia de produção de recursos naturais, que vai desde as fibras, até outras formas de produto que fazem parte da cadeia industrial. Esta cadeia de produção hoje ganha dimensões internacionais, pois temos trabalhos com o Equador e agora com a África do Sul, recebendo todo apoio da ONU, tendo sido premiados na Alemanha, em novembro de 2001, por realizar o projeto mais importante no mundo sobre pobreza e meio ambiente. Pará + Como as pesquisas do Poema e de outros programas estão inseridas no sistema produtivo? Alex - Normalmente, estas pesquisas combinam uma série de contribuições, como por exemplo, o Poema, que tem apoio da Daimler-Chrisler, uma empresa automobilística alemã-americana que apóia o programa, tirando vantagem com relação ao produto, mas vende a sua imagem social, aproveitando para realizar programas de resgate da cidadania na região. Também se tem apoio do Governo do Estado, que contribui bastante. A própria Universidade colabora para esta inserção, na medida em que sede carga


meta prioritária da UFPA * Roberto Paulo Bibas Fialho horária de pessoal, emprega tecnologia e assim por diante. Outros programas de pesquisa também se mantém assim. Para se levar à frente um programa de pesquisa desta envergadura, é preciso unir recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Educação, do Finep, recursos do Estado e recursos das empresas. Por exemplo, um grupo de pesquisas deste porte pega as vezes parte dos recursos dos convênios que faz com a Eletronorte, recebendo energia; outra parte vem da Capes; às vezes também dos fundos setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia. Enfim, com cada parte destes recursos que vão entrando, é possível re-estruturar os laboratórios, gerar bolsas para poder desenvolver programas de pós-graduação, entre outros benefícios possíveis. É uma soma de esforços que vão constituindo o know-how da Universidade. Pará + Como são materializados os esforços para a geração de tecnologia às empresas locais? Alex - Nós temos a incubadora de empresas, que é uma experiência de sucesso. Várias empresas foram incubadas com sucesso, como é o caso da Brasmazon e da Chamma, que trabalham na área de química fina,

e hoje têm produtos nascidos na Universidade, que são exportados para o mundo inteiro. Hoje, conseguimos o apoio da ADA, para criar um anexo à incubadora de empresas e estamos negociando a ampliação desse trabalho, para a criação de um pequeno parque tecnológico dentro da universidade, para estabelecer maior relação com o setor produtivo. Assim, vai-se abrindo a universidade, vai-se engajando-a nos processos de desenvolvimento econômico do Estado.

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Pará + Como isso funciona? O empresário trás a sua necessidade ou a Universidade já oferece algum produto ou alguma tecnologia? Alex - Podem ser as duas coisas, pois o trabalho permite a interlocução. Algumas vezes o empresário trás a idéia e desenvolve ainda mais, às vezes, ele chega aqui só com o capital e não sabe em que vai aplicar, então, a Universidade sugere, aplicando conhecimento em áreas estratégicas. Por exemplo, hoje estamos avançando na área de software, que é uma área importante. Temos também a área de design industrial, que é muito importante. Trabalha-se também com cosméticos, com industrialização de sucos, bombons, enfim, uma série de produtos plenamente viáveis. Fizemos agora, o açaí light, que é uma patente nossa e resultou de uma série de estudos. Em geral, a patente depende do tipo de contrato que existe entre a empresa e a UFPA. Como tem capital da empresa, normalmente a patente fica dividida e a Universidade reverte o faturamento obtido, investindo em infra-estrutura. Pará + Que resultados têm sido obtidos no tocante a difusão de novos produtos de exportação? Alex - Um dos desafios que temos com relação à Amazônia, é transformar o nosso potencial de recursos naturais em riquezas, o que significa aplicar conhecimento para ter um valor agregado, pois queremos exportar o produto acabado e não matériaprima. E não tem como fazer isso, se não aplicar a ciência. Ou você vai buscar esta tecnologia fora ou investe aqui. Se você aproveita os recursos humanos que nós temos aqui, o que vai acontecer? As patentes ficam aqui e revertem para melhorar a nossa capacidade científica. Então, entra-se num círculo virtuoso. Pará + Como funciona a incubadora de empresas? Alex - Ela tem um prédio específico, onde há uma infra-estrutura de pessoal de secretaria e apoio logístico. Também envolve os laboratórios de pesquisa da UFPA, que se associam em função do tipo e natureza do produto. A incubadora faz a costura com os laboratórios da Universidade. Quando a empresa vai ganhando densidade, quando ela se destaca, vai para outro lugar, com apoio logístico da Universidade, até que ela ganha autonomia e se destaca. Pará + O que é a pesquisa referente ao Art Paper? Alex - O Art Paper é um subproduto do Poema, sob o nome específico de Amazon Paper. Fizemos investimento trazendo técnicos do exterior e formamos pessoal aqui. Inclusive, temos sempre a preocupação de deixar know-how aqui. E nós estamos fazendo o primeiro tipo de papel no mundo que é feito desta forma, agregando produtos


regionais. É uma coisa fantástica, porque é um produto biodegradável. Temos um local próprio, uma pequena fábrica localizada na Cidade Ve l h a , o n d e é confeccionado o Amazon P a p e r. O u t r o d i a , entregamos um diploma impresso neste tipo de papel. Ficou belíssimo. Foi um diploma de doutor honoris causa que demos a um grande benemérito deste projeto, um alemão que nos apoiou desde o início da pesquisa. Pará + Como a Universidade tem colaborado para a melhoria do setor produtivo regional, nacional e internacional, especialmente no tocante à industrialização? Alex - Não é papel da universidade criar fábricas, mas se associar ao setor produtivo para transferir conhecimento e tecnologia, desenvolvendo a inovação tecnológica. O nosso grande desafio é estar acoplados ao setor produtivo, dando contribuição, como forma de devolver para a sociedade o investimento feito na universidade pública, que é mantida com o imposto público. Temos que colocar o conhecimento à disposição do desenvolvimento regional. Queremos ampliar este diálogo com a sociedade, inclusive para fazer conhecer o potencial que a Universidade hoje tem e que ainda não é bem conhecido; estabelecer estes canais de comunicação permanentes com o setor produtivo, que é também pouco conhecido; queremos também dialogar para o crescimento deste setor, pois estamos abertos e disponíveis a contribuir no seu desenvolvimento. Podemos criar mecanismos de fazer com que se criem outras atividades industriais no Estado. Certamente a Universidade tem muito a colaborar. Pará + Quais são as propostas que tem a Universidade no tocante a novos produtos a serem desenvolvidos no Pará? Alex - Temos clareza que em algumas áreas, que são estratégicas para o desenvolvimento do Estado, nós temos que acumular experiência, conhecimento e tecnologia dentro da Universidade, para poder apoiar. Por exemplo, temos a área mineral, onde estamos em negociação com a empresa Vale do Rio Doce, para a implantação de um convênio. Vamos implantar o curso de Engenharia de Minas, com a participação de paraenses, não mais apenas com o

pessoal que vêm de Minas Gerais. Teremos agora, pessoas se formando em Engenharia de Minas no Pará e futuramente, Engenharia de Materiais, para verticalizar a produção mineral no sul do Pará, onde o curso irá funcionar. É uma articulação feita pelo Centro de Geociências e a Vale do Rio Doce. Precisamos investir nas áreas que são estratégicas para o desenvolvimento do Estado, além da área mineral, como as áreas de recursos hídricos, biotecnologia, agronegócios, energia e outras áreas relacionadas com o setor produtivo. Há outras, que não são estratégicas, mas se tratando do impacto econômico, estamos procurando nos expandir. A química de produtos naturais é também uma área fundamental. Estamos investindo muito nessas áreas, para que a Universidade possa de fato ser uma parceira substantiva nos desafios que estão colocados quanto a verticalização da economia do Estado do Pará nos próximos anos. Pará+ Como são detectadas as necessidades dos municípios paraenses, para que a Universidade possa colaborar no seu desenvolvimento? Isso acontece via Secretaria Executiva de Produção do Estado? Alex - Às vezes, as empresas de alguns setores já conhecem os grupos de pesquisa que trabalham no seu ramo. Por exemplo, a Eletronorte trabalha na área de energia e já tem contato com o pessoal que trabalha na área. Isso acontece uma vez ou outra nas outras áreas, mas de maneira geral, ainda é um contato muito diluído, muito pulverizado. Às vezes acontece este contato através da Secretaria de Tecnologia e Maio Ambiente (Sectam), que sempre tem contato conosco. Ela nos informa sobre uma certa necessidade e fazemos a ponte. Isso tem acontecido. Às vezes, vem através de uma demanda do Fundo de Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia do Estado do Pará (Funtec), a qual nos associamos. Estou convencido que independentemente de todas estas pontes diretas ou indiretas, a Universidade precisa, e isso é um esforço que iremos fazer em 2003, criar um setor próprio de articulação com o setor produtivo, que costure todas as competências em rede, mas que facilite ao setor produtivo esse contato. Pará+ Falta um mecanismo que aponte de forma mais eficiente onde se localizam estas necessidades no interior do Estado?


Alex - Temos no interior vários campi, que servem como referencial de conhecimento e pesquisa. Obviamente, os campi que tem poucos cursos instalados não tem uma massa crítica estabelecida, como tem em Belém, a exceção de alguns casos, por exemplo, tanto a parte de agropecuária ou de agricultura está no interior do Estado, na Universidade. As competências estão lá. Não estão em Belém, mas em Altamira ou em Marabá. A UFPA assessora hoje 6 mil produtores rurais, dando assistência diretamente. Temos um programa forte, em biologia marinha, que funciona em Bragança, inclusive com mestrado. Lá estamos treinando até alemães. É uma das referências mundiais na área de biologia marinha. Estive em novembro do ano passado, em Bonn, na Alemanha, no Daad, que é setor do governo alemão, do Ministério de Ciência e Tecnologia, que cuida dos programas de cooperação científica, e lá me foi apresentado um mapa do Brasil, em termos de referenciais científicos. A biologia marinha, de Bragança, apareceu neste mapa. Nós temos um convênio com o governo alemão, que funciona há cinco anos. Pará+ Vale a pena visitar Bragança? Alex - Lá, temos um laboratório de primeiro mundo. Você vai ficar impressionado com o que nós temos em Bragança. O pessoal hoje está fazendo não só experiências em cativeiro, como está estudando o tempo de vida e de reprodução de algumas espécies de crustáceos, bem como para preservar o mangue e ampliar a sua produtividade. Isso é algo fantástico também pela contribuição social que está resultando. O campi localiza-se dentro de Bragança. Agora estamos negociando a construção de uma estação experimental em Ajuruteua, próximo a Bragança. Pará+ Com relação a isso, temos como exemplo a Espanha, que tem no mexilhão um dos seus maiores produtos de exportação. Podemos pensar em algo semelhante? Alex - Aqui, temos que pensar primeiramente como explorar com controle ambiental, para que a pesca ou

extração predatória não cause problemas de reprodução nas espécies coletadas. Esse é o desafio científico deste trabalho, que envolve estudos sobre o caranguejo, o mexilhão, peixes e camarão. Temos em Castanhal, um centro de reprodução animal, que faz experimentos genéticos de aperfeiçoamento de bubalinos. Outra informação de destaque, é que recentemente criamos o Portal da Amazônia, que é um programa on line, via internet, que faz a divulgação do conhecimento científico produzido na Amazônia, em todas as áreas. Estamos veiculando neste portal, tudo que é produzido aqui, disponibilizando a informação em três línguas: português, espanhol e inglês. Acessando o Portal da Amazônia, você sabe o que está sendo produzido na região. Isso serve para escolas, para pesquisadores, bem como para divulgar a região no mundo inteiro. Pará+ Como é feito este portal? Alex - O próprio pessoal de Engenharia de Computação está fazendo programas novos aqui, inclusive utilizando o programa Linux, que não depende da Microsoft. Estamos investindo muito nisso... Pará+ Mas há pouca divulgação!!??? Alex - A sociedade não sabe disso. Inclusive, trabalhos de divulgação como este, feito pela Revista Pará+, servem para aumentar o alcance da informação produzida pela Universidade. +


Amazon Paper

Um papel + que inovador

O

Sistema Pobreza e Meio Ambiente da Amazônia (Poema) desenvolveu um papel que utiliza fibras e corantes naturais na sua composição, como curuá, coco, açaí e urucum. Trata-se do Amazon Paper, um papel artesanal que tem como característica a não utilização de produtos químicos, gerando um produto que não agride a natureza. “O papel nasceu com identidade própria, agregando valores culturais bem nossos, para obter um produto natural, tipicamente amazônico, que procura harmonizar o homem e a floresta”, segundo afirma a professora Nazaré Imbiriba Mitschein, coordenadora da unidade de desenvolvimento de produtos da Bolsa Amazônia, investimento fruto do Poema, que é uma iniciativa da Universidade Federal do Pará (UFPA). Muito embora seja uma inovação, a técnica usada na produção do papel é bastante antiga e surgiu no oriente. Nazaré descobriu a técnica do artesanal paper ou art paper há 2 anos, em visita ao Japão. “Resolvi dar uma identidade amazônica à milenar técnica de produção de papeis artísticos, já que a Amazônia é uma rica fonte de matéria-prima e a sua aplicação é a mais diversificada possível”, afirma a professora. Há experimentações feitas em painéis, luminárias, quadros, porta-retratos e suportes artísticos que utilizam o artesanal paper como material básico e que estão em exposição na unidade de desenvolvimento do projeto. Outras instituições públicas, privadas e não governamentais, também participam do projeto, através de programas de parceria. Produção A produção do artesanal paper é feita na sede da unidade do Poema, que fica localizada no

A polpa de fibras naturais recebe tratamento final para confecção do papel. (Vicky Schreiber, Técnica do Poema)

bairro da Cidade Velha. A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento de Produção de Fibras Naturais, é Daniela Fernandes, que acompanha de perto todos os passos do processo de fabricação do papel, desde a obtenção da matéria-prima até o produto acabado. “Como o nosso produto tem identidade cultural própria e única no Brasil, e é feito 100% de fibras naturais da Amazônia, não tendo conservantes, cola ou qualquer outro tipo de aglutinante, vamos buscar as fibras, sementes e outros materiais diretamente nos locais de produção”, afirma Daniela. Entre estes locais de produção, estão os municípios de Santo Antônio do Tauá, Capitão Poço, IgarapéMiri, Moju, Abaetetuba e Castanhal. Nestes locais, “a equipe do Poema tenta mostrar aos produtores a importância de consorciar espécies e


Os produtos feitos com o Amazon Paper chamam atenção pela beleza e prtaicidade.

de não trabalhar em terras virgens, com responsabilidade ecológica”, garantindo a produção da polpa das fibras, que é comprada dos produtores. “Com isso, promovemos um benefício social, que é a participação de centenas de produtores rurais na produção do Amazon Paper”, afirma Daniela. Segundo ela, uma pequana unidade de produção em Igarapé-Miri articula a participação de 15 comunidades e associações rurais e ribeirinhas. O processo de fabricação do papel artesanal segue os mesmos passos do tradicional, no entanto, muda a sua composição, que agora requer o emprego de materiais naturais. Segundo Daniela, “o novo papel proporciona beleza, requinte, durabilidade e resistência, além da vantagem de não poluir o meio ambiente”. A razão disso, é que a base da composição do papel é a fibra de curauá, planta rica em celulose, as fibras de coco, casca de palmito, vassoura de açaí, fibra de miriti e bagaço de canade-açúcar. As cores resultam de uma combinação de

corantes, como urucum, muruci, mangarataia, cenoura, cumatê (usado para tingir cuias) e açaí. Para Vicky Schreiber, técnica envolvida na produção do papel, “o corante que mais fixa e permanece mais tempo é a casca do muruci, que ao final apresenta uma cor próxima ao ocre”. Segundo Vicky, a maior editora de artes do Brasil, a Cossac & Naif, encomendou ao Poema a produção de 3 mil folhas de papel artesanal, a serem usadas na confecção de álbuns artísticos. O preço do papel varia de U$1,2 a U$3,5, dependendo do seu tipo e da sua dimensão. “A unidade de produção poderá atender tranqüilamente uma grande demanda, pois produz atualmente 3 mil folhas de papel por mês”, explica a técnica. No entanto, a meta do Poema é duplicar este número até o final de 2003. Trabalham na unidade do projeto cerca de 10 pessoas, envolvidas em todas as etapas do processo de produção, que vão do tratamento do produto; da confecção das folhas de papel; da separação e prensagem das folhas e secagem em máquina apropriada. “O Amazon Paper representa a união entre a cultura, a natureza e o saber da Amazônia, já que são utilizadas fibras, sementes, cascas, folhas, raízes e frutos regionais, que passam por um processo de elaboração conhecido internacionalmente e que tem como base um saber milenar”, afirma Vicky. História - O Artesanal Paper nasceu de uma longa tradição oriental. Mas as suas origens remontam ao antecessor mais próximo do papel, o papiro egípcio, que surgiu há mais de 4 mil anos. No


entanto, o papel como conhecemos hoje, foi inventado em 105 d.C., na China. Tratava-se de uma mistura de casca de amoreiras, canabis e trapos de tecidos, obtendo o papel, então usado nas artes e na literatura chinesas. No ano 610 d.C., alguns monges budistas levaram a técnica de produção artesanal do papel para o Japão, onde foi absorvido pela cultura popular, nas artes, na arquitetura e nos rituais. No entanto, foram os árabes quem trouxeram o papel para o ocidente, no ano de 751 d.C. A partir dai, a técnica de produção do papel expandiu-se pelo mundo árabe, mas foram necessários 400 anos, para que ela chegasse até a Europa. Os árabes passaram a produzir papel em Xativa, na Espanha, a partir do ano 1009 d.C., quando foi levado para outras partes da Europa. Em 1453, Johann Gutemberg inventou na Alemanha a imprensa escrita, feita com tipos móveis. Inicialmente restrito às cortes e ao clero, o papel representou a revolução nos meios de comunicação, sendo usado na confecção de livros, folhetos, jornais e outras aplicações. O papel chegou à América trazido pelos espanhóis em 1680, estabelecendo a primeira fábrica de

p a p é i s próximo à cidade do México, usando como m a t é r i a - Nazaré Imbiriba recebe Rodrigo Hühn, prima trapos Diretor da Pará+, durante o lançamento do Amazon paper de roupas e fibras. Em 1719, surgem propostas de produção a . partir da madeira, que popularizaram o papel, mas somente durante o século XIX foi inventada e aperfeiçoada a máquina de fazer papel, que intensificou a sua produção também no século seguinte. A industrialização não impediu que a técnica do papel morresse, continuando a ser confeccionado por artesãos de diversas comunidades no mundo inteiro. + Conheça o Amazon Paper www.bolsaamazonia.com E-mail: amazonpaper@bolsaamazonia.com Rua Capitão Pedro Albuquerque, 286 Bairro da Cidade Velha. CEP 66020-010 Belém /PA. Tel. (5591) 212-2982 / FAX (5591) 241-5249. * Arquiteto e professor universitário.


AGENDA CULTURAL

JANEIRO

26 MARAPANIM Festival do Café Local: Comunidade de Jarandeua Tel: 0(xx) 91 3723-1170

20 ALTAMIRA Corrida Rústica de São Sebastião Local: Principais ruas da cidade Tel: 0(xx) 93 515-2225

16 à 19 BELÉM Forúm Social Pan - Amazônico Tel: 0(xx) 91 219-8212 / 3086 / 0612 / 3084-0729

12 BELÉM Aniversário do Município Local: Complexo Turístico Ver-O-Rio Tel: 0(xx) 91 242-0900 / 0033

12 BELÉM Canto Cabano Local: Complexo Turístico Ver-o-Rio Tel: 0(xx) 91 3082-0491

19 AFUÁ Festa de São Sebastião Local: Praça Matriz l Tel: 0(xx) 96 689-1210

12 VIGIA DE NAZARÉ Festival da Música Vigiense Tel: 0(xx) 91 3731-1247

14 à 20 BELÉM Festa de São Sebastião Local: Ilha do Mosqueiro - Baia do Sol Tel: 0(xx) 91 3771-1259

20 CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA Festejo de São Sebastião Local: Bairro Nova Araguaia Tel: 0(xx) 94 421-1340

8 à 20 BELÉM Festa de São Sebastião Local: Ilha do Mosqueiro - Praia Grande Tel: 0(xx) 91 3771-1259

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10 à 21 CHAVES Festejos de São Sebastião de Arapixi Tel: 0(xx) 96 697-1133 06 MARAPANIM Folia de Santo Reis Tel: 0(xx) 91 3723-1170

Todo Mês Pousada do Boto Local: Salvaterra Tel: 0(xx) 91 3723-1170

06 CAMETÁ Folia de Reis Local: Ruas da cidade Tel: 0(xx) 91 3781-129+6

23 à 25 ORIXIMINÁ X Festival de Música Popular de Oriximiná Local: Ginásio Poliesportivo Tel: 0(xx) 93 544-2027

13 Igarapé-Açú Festividade de São Sebastião Local: Praça São Sebastião Tel: 0(xx) 91 441-1237

13 MARAPANIM Festividade do Menino Deus Local: Comunidade de Vila - Maú Tel: 0(xx) 91 3723-1170


16 a 25 - Anajás Festividade do Menino Deus Local: Sede do Município Fone: (91)3783-1002/1039 23 PARAGOMINAS Aniversário da cidade Tel: 0(xx) 91 3729-5194

Janeiro à dezembro SANTARÉM Arte Mocoronga Local: Espaço Arte SESC Tel: 0(xx) 93 522-1423 / 6481

06 - MARAPANIM Folia de Santo Reis Local: Sede do NV Fone: 0(xx) 91 3723-1170

18 à 20 SANTARÉM NOVO Festa de São Sebastião Local: Coreto de São Sebastião Tel: 0(xx) 91 484-1197 - Ramal 26

10 à 20 SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA Festividade de São Sebastião - Padroeiro Local: Centro Comunitário Tel: 0(xx) 91 3764-1286 19 INHANGAPI Festa de São Sebastião Local: Agrovila Mata Boa Tel: 0(xx) 91 3809-1159

11 à 19 GARAPÉ-MIRI Festividade de São Sebastião da Boa União Local: Boa União Tel: 0(xx) 91 3755-1495 / 9627 - 8635

28 CASTANHAL Aniversário do Município Local: Centro de Castanhal Tel: 0(xx) 91 3721-1445 / 3721-7309

20 Oeiras do Pará Aniversário da Cidade Local: Praça Miranda Tenório Tel: 0(xx) 91 661-1228

15 a 17 - Curralinho Festival do Açaí Local: Praça do Açaí Fone: (91)22-8082/224-5152

23 à 25-ORIXIMINÁ X Festival de Música Popular de Oriximiná Local: Ginásio Poliesportivo Tel: 0(xx) 93 544-2027

24 PORTEL Aniversário da cidade Tel: 0(xx) 91 3784-1163 15 a 17 - Santarém Fest Art Local: Casa da Cultura Fone: (93) 523-2968

12 COLARES Círio de São Sebastião Local: Igreja de São Sebastião e principais ruas da localidade de Juçarateua Tel: 0(xx) 91 461-7329 / 9989-6601

AGENDA CULTURAL

24 à 02 de Fevereiro PORTEL Festa de Nossa Senhora da Luz Local: Igreja Matriz Tel.: 0(xx) 91 3784-1226

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AGENDA CULTURAL

FEVEREIRO

09 BELÉM Canto Cabano Local: Complexo Turístico Ver-O-Rio Tel: 0(xx) 91 3082-0491

21 à 22 ABAETETUBA Beja Folia Local: Praia de Beja Promotor: Prefeitura Municipal e Fundação Cultural Abaetetubense Tel: 0(xx) 91 3751-1659

28 à 04 de Março ALTAMIRA Carnaval Local: Avenida Perimetral Tel: 0(xx) 93 515-3929 / 2158

Último final de semana ANANINDEUA Carnanindeua Local: Conjunto cidade nova, arterial 18 Tel: 0(xx) 91 255-3140

28 à 04 de Março BAIÃO Baião Folia Local: Praça de Santo Antônio Tel: 0(xx) 91 3795-1184

28 à 04 de Março BANNACH Carnabannach Local: Praça Municipal Tel: 0(xx) 94 3305-1202 / 1204 / 1137

21 BELÉM Finais de semana e na terça-feira de carnaval BRAGANÇA Rainha das Rainhas do Carnaval Local: Praça dos Eventos Local: Sede Campestre da Assembléia Paraense Tel: 0(xx) 91 425-1108 Tel: 0(xx) 91 216-1135 / 1192

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23I NHANGAPI III Inhangapi Folia Local: Espaço Cultural Tel: 0(xx) 91 3809-1159

28 à 04 de Março ITAITUBA Carnaval de rua Tel: 0(xx) 93 518-1229 / 1851

22 DOM ELISEU Festa do Havay Local: Lions Club Tel: 0(xx) 94 335-1409

Fevereiro à Março CASTANHAL Peladão Municipal Local: Estádio Municipal "Maximino Porpino" Tel: 0(xx) 91 3721-2012 Fevereiro à Março ITAITUBA Renovai Tel: 0(xx) 93 518-1107 / 1851

28 CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA Carnaval Local: Complexo Beiradeiro Tel: 0(xx) 94 421-1807

15 SALINÓPOLIS Festa do Soatá (Caranguejo) Local: Porto dos Canudos Tel: 0(xx) 91 423-3964

Final da 2ª quinzena PARAUAPEBAS Carnaval de Rua Local: Praça de Eventos Tel: 0(xx) 94 346-1633



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