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[MOSTRA DE ARTE: ABELARDO DA HORA] Autoria: Josilda Função: Supervisora Instituição: Escola Municipal Judith Figueirôa Município: Jaboatão dos Guararapes - PE “Faço a minha arte respondendo a uma necessidade vital. Como quem ama ou sofre, se alegra ou se revolta, aprova ou denuncia e verbera. Fruto das coisas que a vida ensina... A marca mais forte do meu trabalho tem sido, entretanto, o sofrimento e a solidariedade. A tônica é o amor: o amor pela vida, que se manifesta também pela repulsa violenta contra a fome e a miséria, contra todos os tipos de brutalidade, contra a opressão e a exploração.” Homenagem especial À nossa querida Josilda, supervisora no processo do desenvolvimento da mostra, agradecemos por todo empenho e dedicação em seu trabalho, sempre disposta a fazer o seu melhor para o sucesso e o progresso da nossa escola. Nós que fazemos parte da Judith Figuerôa sentimo-nos gratos por tudo Mostra de arte A arte no contexto escolar, uma experiência de grande importância para o desenvolvimento da capacidade de observação e crítica das crianças. Desenvolvendo o eixo Assim se faz arte do projeto Paralapracá, percebeu-se a importância de uma mostra das artes produzidas pelas próprias crianças, baseando-se em artistas renomados. A princípio, falou-se sobre vários artistas na reunião entre as supervisoras das escolas, porém Josilda, que era supervisora da escola naquele período, deixou a escolha a critério das professoras. A decisão foi tomada em uma das reuniões que o próprio projeto exige que se faça nas escolas. Na reunião, vários artistas foram citados, mas, segundo Josilda, já tinham sido escolhidos em outra oportunidade. A professora Adriana propôs o nome de Abelardo da Hora, e disse que já tinha um conhecimento prévio do trabalho dele. Acordou-se, então, que este seria o artista escolhido. Partiu-se então para o levantamento de informações sobre o Abelardo. Primeiro, pesquisou-se sua história e biografia. Suas obras seriam necessárias para o desenvolvimento do trabalho.


Em uma das reuniões em que Cida e Luciana participaram foi mencionado o artista Abelardo da Hora e a ideia foi bem aceita. Conhecendo Abelardo da Hora Escultor, desenhista, gravador e ceramista, Abelardo da Hora nasceu em 1924, na Usina Tiuma, em São Lourenço da Mata, Pernambuco. Fez curso de artes decorativas no Colégio Industrial Professor Agamenon Magalhães, curso livre de escultura na Escola de Belas Artes de Pernambuco e curso de bacharelado em direito na Faculdade de Direito de Olinda. Em 1942, à frente do Diretório Acadêmico de Belas Artes, comandava um grupo de alunos que pintava e desenhava paisagens nas matas do bairro da Várzea, quando seu trabalho chamou a atenção do industrial Ricardo Brennand, que o contratou. Trabalhou para o industrial de 1943 até 1945, realizando várias obras em cerâmica, como jarros florais e pratos com motivos regionais em relevo e em terracota. Nessa época, Francisco Brennand, filho de Ricardo Brennand, vendo-o trabalhar, interessou-se em fazer as primeiras tentativas de pintar cerâmica e desenhar. Em 1945, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou num atelier improvisado na garagem da casa de Abelardo Rodrigues. Em 1946, volta ao Recife e passa todo o ano de 1947 preparando sua primeira exposição de esculturas, realizada em abril de 1948, na Associação dos Empregados do Comércio de Pernambuco, sob o patrocínio do Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife. A exposição teve grande repercussão pelo conteúdo e forma, mas também porque foi a primeira mostra de esculturas realizada no Recife. Ganhou o Primeiro Prêmio de Escultura nos III e IV Salões de Arte Moderna, em 1940 e 1950, respectivamente. Idealizou e criou, com Hélio Feijó e outros, a Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR) e, em 1952, fundou o Atelier Coletivo da SAMR, na rua da Soledade, nº 57, do qual foi professor e diretor. Elaborou, entre 1955 e 1956, a pedido da Prefeitura do Recife, esculturas de tipos populares inspirados na cerâmica popular que estão em praças da cidade: Os cantadores e o vendedor de caldo de cana, no Parque 13 de Maio, O sertanejo, na praça Euclides da Cunha, em frente ao Clube Internacional, e o


Vendedor de pirulitos, no horto florestal de Dois Irmãos. Foi eleito delegado de Pernambuco na Seção Brasileira da Associação Internacional de Artes Plásticas, da Unesco, em 1956. Durante os anos de 1957 e 1958 expôs em vários países da Europa, na Mongólia, na Argentina, em Israel, na antiga União Soviética, na China e nos Estados Unidos. Lançou, em 1962, o álbum de desenhos Meninos do Recife e, em 1967, a coleção de desenhos Danças brasileiras de carnaval, na Galeria Mirante das Artes, em São Paulo. Foi também um dos idealizadores do Movimento de Cultura Popular (MCP), na gestão do então prefeito do Recife, Miguel Arraes. Como um dos diretores do MCP, construiu e dirigiu a Galeria de Arte, às margens do Capibaribe, o Centro de Artes Plásticas e Artesanato e as Praças de Cultura, no Recife. A sua obra é muito extensa e muitas de suas peças podem ser vistas em vários locais públicos e prédios do Recife, como Joaquim Nabuco e a Abolição da Escravatura, painel de azulejo no Edifício Joaquim Nabuco, na praça Joaquim Nabuco; Monumento à Restauração Pernambucana, na praça Sérgio Loreto; O Pescador, no banco Itaú do Parnamirim; Monumento à Convenção de Beberibe, na praça da Convenção; Monumento à juventude na Universidade Católica de Pernambuco; Mulher deitada, no parque de esculturas do Shopping Center Recife; Mulher sereia, no Mar Hotel, além de várias outras colocadas em diversos prédios residenciais. Em seguida foi planejada uma visita à exposição que estava sendo realizada na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu. Proporcionar este momento às nossas crianças e suas famílias foi uma grande ideia que possibilitou a todos uma visão de mundo muito mais ampla do que estão acostumados. O mundo das artes é sem duvida uma viagem no imaginário de qualquer ser. Foi um momento muito legal, quando todos se divertiram muito. As mães que foram com seus filhos acharam maravilhoso! Os comentários eram os mais diversos: “Achei muito bom poder conhecer um lugar como esse" (Michele, mãe de Mirelle); “Que bom poder ver Thaís convivendo com tudo isso” (Ana, mãe de Thaís, criança com necessidades especiais); “Tia, como esse lugar é grande e bonito" ; “E a mulher nua" (Tarciana). Na sala de aula, as professoras reproduziram as imagens da obra de Abelardo.


Nas rodas de conversa, as crianças falaram o que viram e o que acharam da visita, das obras e o que iriam reproduzir baseado nas telas do artista. Cada criança reproduziu o que mais lhe chamou atenção. E assim encerramos nossas memórias, onde os artistas foram as nossas crianças. Obrigado.


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