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Escritas descentradas

O ensaio dos escritores na AmĂŠrica Latina (1970-2010)


Ana Cecilia Olmos

Escritas descentradas

O ensaio dos escritores na AmĂŠrica Latina (1970-2010)


© Ana Cecilia Olmos, 2019 © Papéis Selvagens, 2019

Coordenação Coleção Marginalia Rafael Gutiérrez e Antonio Marcos Pereira Diagramação Martín Rodríguez Imagem de Capa Daniel García

Revisão María Carolina de Araujo e Brena O´Dwyer.

Conselho Editorial Alberto Giordano (UNR-Argentina) | Ana Cecilia Olmos (USP) Elena Palmero González (UFRJ) | Gustavo Silveira Ribeiro (UFMG) Jaime Arocha (UNAL-Colômbia) | Jeffrey Cedeño (PUJ-Bogotá) Juan Pablo Villalobos (Escritor-México) | Luiz Fernando Dias Duarte (MN/UFRJ) Maria Filomena Gregori (Unicamp) | Mônica Menezes (UFBA) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG)

Olmos, Ana Cecilia, 1962-. O51e Escritas descentradas: o ensaio dos escritores na América Latina (1970-2010) / Ana Cecilia Olmos. - Rio de Janeiro, RJ: Papéis Selvagens, 2019. 180p. : 16 x 23 cm - (Marginália; v. 3) Bibliografia: p. 169-177 ISBN 978-85-85349-15-8 1. Literatura latino-americana - História e crítica. 2. Literatura latino-americana - Ensaios. I. Título. II. Série CDD A860.9 [2019] Papéis Selvagens papeisselvagens@gmail.com papeisselvagens.com


Sumário

Apresentação Parte 1. Escritas descentradas Os limites do legível. Ensaio e ficção na literatura latino-americana Leitores lunáticos e textos ilegíveis. Sobre as políticas de leitura na literatura argentina Ensaio em revista. A escritura de Luis Gusmán em Literal e Sitio Escrituras ilegíveis e comunidade literária

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Parte 2. Trânsitos literários (Des)ordenar a biblioteca. O ensaio de leitura dos escritores de ficção 85 Literatura latino-americana e novas cartografias (a perspectiva dos escritores) 99 Leituras errantes e cartografias críticas 117 Literaturas em trânsito. Sobre a narrativa de Sergio Chejfec 135 Parte 3. Escritas oblíquas Literatura latino-americana e representatividade cultural. Uma leitura dos ensaios de Héctor Libertella e Jorge Volpi Referências bibliográficas

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Apresentação Este livro reúne um conjunto de artigos que indagam sobre o ensaio de escritores de ficção na América Latina, de 1970 até a atualidade. O tema, que acompanhei com interesse nos últimos anos, delimita uma questão específica: pensar sobre a instância discursiva em que o escritor se desvencilha das mediações da ficção – o narrador, a personagem – e assume uma enunciação subjetiva ligada ao nome próprio e em consonância com uma experiência íntima. Não é raro que os escritores realizem esse deslocamento da ficção para o ensaio em busca de uma tomada de palavra que favoreça a indagação de suas práticas literárias, do desejo que as impulsiona, das singularidades poéticas que as definem, das tradições nas quais se reconhecem e das intervenções na cena pública que assumem. A literatura latinoamericana, que possui importante tradição ensaística, tem sido pródiga nesses casos, especialmente, a partir dos anos 1960, quando o romance se tornou um gênero paradigmático e a cena cultural dos países do subcontinente, com todas as vicissitudes que teve ao longo das décadas, estimulou a intervenção pública dos escritores de ficção em debates de ordem estética, social e política. De Alejo Carpentier a Roberto Bolaño, os exemplos sobram. Por certo, retornar ao ensaio, nos dias de hoje, em que a literatura se oferece como espaço de exploração das mais variadas formas de registro autobiográfico, a ponto de invalidar a distinção entre o vivido e o imaginado, não significa restituir um debate sobre as especificidades dos gêneros literários; especificidades, aliás, que a literatura, na sua linhagem moderna, se empenha em dissolver. Ao contrário, supõe voltar às reflexões acerca de uma forma de escrita que, desde suas origens, fez da liberdade seu princípio constitutivo, aproximando a palavra literária da experiência subjetiva em um movimento de identificação com a vida. Georg Lukács, ao se referir à forma do ensaio, convoca essa relação; para ele, o ensaio é vida que trata da Vida. A feliz expressão lukacsiana sinaliza não apenas a vastidão temática à qual se abre a escrita ensaística, de fato, a diversidade de experiências de mundo é seu domínio; ela destaca, sobretudo, a delimitação de uma posição enunciativa da qual o sujeito interroga a Vida. É isso que o escritor de ficções busca ao se deslocar para o ensaio: o lugar de uma voz, onde se enlacem


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de maneira indissolúvel escrita e vida, naquilo que elas têm de provisório, contingente e inacabado (Lukács, 1974). Dessa aproximação com o vital derivam os traços que caracterizam o ensaio; tal como sugerem os sentidos etimológicos da palavra, ele é tentativa, experimentação e improvisação. Uma escrita em movimento que acompanha o próprio processo do pensar, como se assistíssemos, sugere Beatriz Sarlo, à cena de um pensamento no momento em que ele está se fazendo (Sarlo, 2001). A célebre frase de Montaigne, “falo inquirindo e ignorando”, figura de maneira acabada essa encenação de um pensamento que se mostra no seu próprio processo de indagação. Gesto reflexivo da escrita ensaística que Theodor Adorno reivindicou para a expressão de um pensar que não se submete a regimes de saber que exigem a infalibilidade de um discurso assertivo, seguro de si. Pelo contrário, sustenta Adorno, o ensaio avança em função de um proceder assistemático que recupera a felicidade e o jogo para uma experiência intelectual que rejeita qualquer tipo de condicionamento e menospreza a comodidade dos sentidos já dados, tornando-se crítica de toda ideologia (Adorno, 2003). Essa absoluta disponibilidade do ensaio habilita um espaço propício para que os escritores de ficção levem adiante indagações de seu fazer literário. Indagações que realizam, sobretudo, com base na leitura, isto é, no diálogo crítico com uma biblioteca ante a qual se posicionam, em um jogo de afinidades e divergências que os remete as suas próprias práticas. Trata-se de um modo peculiar do exercício da crítica literária que se afirma, não nas pautas normativas da crítica institucionalizada, e sim na tentativa de desdobrar a própria escrita, do seu âmago, em direção ao espaço da criação literária. Nesse sentido, os ensaios dos escritores não são simples explicações das obras literárias, eles supõem uma instância de transformação da leitura em consciência de sua experiência de escrita. Como sugere Eduardo Grüner, esses textos podem ser pensados como uma “autobiografia de leituras” que dá conta, não apenas dos livros que o autor leu, senão daqueles que o levaram a escrever (Grüner, 1985). Os escritores, portanto, debruçam-se sobre a letra dos textos, não para submetê-los ao rigor conceitual e à objetividade dos estudos filológicos, mas para atravessá-los em um movimento de leitura aleatório, fragmentário e provisório que não abandona o desejo de linguagem que os impulsiona para a literatura. Roland Barthes


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refere-se a esse movimento quando explica que ler é desejar a obra, no sentido de recusar a ideia de duplicá-la fora de qualquer outra fala que não seja a própria fala da obra; porém, passar da leitura à crítica significa mudar de desejo e já não desejar a obra, senão a própria linguagem. E pergunta: “Quantos escritores só escreveram por ter lido? Quantos críticos só leram para escrever?” (Barthes, 2003, p. 31). Nessa relação intrínseca que se estabelece entre leitura e escrita, isto é, nesse diálogo crítico do escritor com a biblioteca, o ensaio evidencia sua disposição social, sua condição cultural e sua inserção histórica. Com efeito, a escrita ensaística não diz respeito apenas à expressão espontânea do irredutível do sujeito, antes, ela configura-se em um estado de interferência discursiva que exibe a sociabilidade que lhe é constitutiva. É possível assinalar, portanto, que a maior parte dos ensaios dos escritores deriva da vontade de participar nos debates que se instauram no âmbito cultural de sua época. É comum que sua origem sejam as páginas fugazes das revistas ou a performance das conferências e que, portanto, levem em si as marcas das contingências de sua formulação. Não obstante, em muitos casos, esses textos superam seu caráter provisório e ganham o estatuto de ensaios ao serem incorporados a um livro. Desse modo, abre-se um espaço suplementar da obra literária que não a completa, mais precisamente, dinamiza-a, ao interferir nela com uma tomada de palavra ligada ao nome do autor, que indaga a sua própria prática, sem se desvincular da singularidade expressiva que a define. Esse breve comentário acerca do ensaio de escritor – questão desenvolvida em cada um dos artigos – pretende mostrar o interesse que essa forma textual pode ter na hora de pensar sobre a literatura na América Latina nos dias de hoje. Os artigos que apresento neste livro abordam essas textualidades no intuito de explorar temas e aspectos da literatura que encontram nelas modos peculiares de tratamento e manifestação. Em um corpus de ensaios que traça um arco temporal amplo, dos anos 1970 até hoje, e que permite pensar linhas de continuidade e rupturas teóricas e estéticas que incidiram na configuração da cena literária das últimas décadas, focalizei as seguintes questões: a relação que o ensaio estabelece com a ficção em práticas literárias que desestabilizam as instâncias de enunciação e questionam os limites de formas discursivas; a configuração de tradições literárias e suas relações com os paradigmas canônicos;


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e a problematização da noção de literatura latino-americana no contexto dos circuitos transnacionais da globalização. Os artigos reunidos na primeira parte do livro, sob o título “Escritas descentradas”, tiveram como ponto de partida a pergunta acerca do modo que assume o ensaio de escritores a partir dos anos 1970, quando o ideário do pós-estruturalismo francês, que comportava os nomes de Barthes, Blanchot, Derrida, Lacan, entre outros, chegou à América Latina e ativou uma reformulação das práticas literárias, tanto no que diz respeito a novas configurações poéticas, como à irrupção de núcleos de debate estético-ideológicos inéditos na cena cultural. Sem pretender reduzir a questão, apenas quero lembrar que a ideia de uma escritura que exibe seus procedimentos de significação e abre as possibilidades do sentido ao jogo de diferenças do significante, sobre a qual se firmava a perspectiva epistemológica do pós-estruturalismo, postulava a leitura como uma instância de produção de sentidos e, portanto, de reescrita do texto literário. Ao estabelecer uma relação de reversibilidade entre os atos de ler e de escrever, a noção de escritura desmantelava os pressupostos essencialistas que sustentavam as categorias discursivas tradicionais, dentre outras, as noções de gênero literário que separavam o ensaio da ficção. As escrituras de Luis Gusmán (1944), Osman Lins (19241978), Héctor Libertella (1945-2006) e Diamela Eltit (1949), abordadas nessa primeira parte, exploram esses trânsitos discursivos entre o ensaio e a ficção que dissolvem as distinções de gênero, desestabilizando a enunciação subjetiva inerente ao ensaio. Essas escrituras radicalizam a descentralização da enunciação em um movimento que tende a fazer desaparecer a voz do autor na matéria textual de uma ficção crítica. Para dizer isso com uma expressão de Sarlo, quando esses autores se deslocam para o ensaio nem sempre cruzam a “linha de proteção” que resguarda o escritor de ficções (Sarlo, 2001). Esse desaparecimento da voz do autor em favor da escritura incide na configuração do ensaio ao aproximálo de uma fala neutra que, em alguma medida, desestabiliza as condições de possibilidade do gênero, sobretudo em sua dimensão ética, isto é, como exercício de julgamento e discurso portador de valores. Nesse sentido, algumas dessas escrituras, mesmo que tendam para o neutro, não deixam de evidenciar certas tensões discursivas quando é a forma do ensaio a única que pode legitimar


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a intervenção do autor na cena pública. Além desses aspectos, esses artigos também indagam de que maneira o radicalismo dessas práticas literárias se projeta nas bibliotecas que desenham seus ensaios, nos seus modos de ler a tradição e de interpelar a autoridade do cânone. Em linhas gerais, pode-se dizer que o posicionamento crítico que essas escrituras assumem põe em jogo operações de leitura que buscam desmantelar os discursos ideologizados sobre a literatura, intensificando a valorização da experimentação formal, a densidade estética e a singularidade expressiva como traços discursivos que liberam a literatura de qualquer função de representatividade, seja ela de ordem política, social ou cultural. Nesse sentido, é importante assinalar que a intransitividade dessas escrituras, que expandem uma textualidade desvinculada de referentes fixos, libera a literatura de qualquer ancoragem territorial e, portanto, de uma função de representação da nação ou do subcontinente. Considerando que essas escrituras coexistem com os modelos narrativos que se consagraram com o boom latino-americano como representativos de uma alteridade cultural, o gesto crítico que suas operações de leitura comportam não é menor. Os artigos reunidos na segunda parte, sob o título “Trânsitos literários”, abordam ensaios de Juan Villoro (1956), Sergio Chejfec (1956) e Jorge Volpi (1968). Escritores que se incorporaram à cena literária da América Latina por volta dos anos 1990, fundamentalmente como ficcionistas, mas que também se deslocam para o ensaio como modo de exercer a crítica literária, em um momento em que a literatura ressignifica seus domínios, em resposta, dentre outros fatores, ao avanço da lógica do mercado editorial, à interferência das novas linguagens derivadas dos recursos tecnológicos e ao traçado de outras redes de intercâmbios culturais estimulados pela globalização. Para além dos motivos que explicam essa ressignificação dos domínios da literatura – que alguns interpretam como final de sua autonomia e perda de sua especificidade –, o caso é que esses escritores recorrem às pautas clássicas do ensaio para o exercício da crítica literária, apelando a uma configuração discursiva que, embora não se distancie completamente da ficção, marca uma diferença com relação a ela. Dessa maneira, os ensaios desses escritores parecem acompanhar as tendências em direção ao autobiográfico da literatura


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contemporânea, as quais sinalizariam uma perda do protagonismo da linguagem em favor da valorização da experiência do sujeito. Não é difícil reconhecer essa mudança na forma que assume o ensaio nas últimas décadas do século XX, tanto dos escritores que iniciam as suas trajetórias por esses anos, como no caso daqueles que, depois de terem explorado a noção de escritura e experimentado com os limites discursivos, retornam às pautas clássicas do gênero para o exercício da crítica literária. A leitura dos ensaios de Villoro, Chejfec e Volpi centrou-se em uma questão em particular: as cartografias literárias que eles desenham como forma de indagar sobre o lugar da literatura latinoamericana no mapa mundial e de problematizar os sentidos que lhe atribuem tanto os interesses do mercado como as perspectivas teóricas e críticas dos discursos acadêmicos. O tema não é novo, porém, ele recobra vitalidade nesses escritores que, ao ingressarem na cena literária, ainda se sentiram obrigados a se diferenciar, incluso de maneira provocativa, dos modelos narrativos do boom. Penso, por exemplo, no Manifesto Crack que, em 1996, subscreveu Volpi. Convém lembrar que o boom evidenciou, mais uma vez, a estreita relação que o discurso literário estabeleceu, historicamente, com os processos de formulação e questionamento da identidade cultural da América Latina na cartografia ocidental. No final do século XX, o tema retorna ao problematizar a própria ideia de literatura latino-americana no contexto da globalização que, com a intensificação dos circuitos econômicos, sociais e culturais em nível mundial, deu lugar a novas propostas estéticas e demandou outras perspectivas teóricas e críticas para abordá-las. Nesse sentido, os ensaios desses escritores intervêm em um debate que diz respeito à necessidade de legitimar suas práticas literárias não apenas no mercado internacional, que insistia nas fórmulas do realismo mágico, mas também perante perspectivas teóricas culturalistas e póscoloniais que, formuladas nos centros acadêmicos metropolitanos, pautavam a reconfiguração do mapa mundial. Atentos aos processos desterritorializadores da globalização, os ensaios desses escritores traçam cartografias literárias que resistem a uma ideia de literatura latino-americana enclausurada no exotismo da diferença. Entretanto, esses ensaístas também não se deixam seduzir tão facilmente por modelos teóricos globalizados que, no seu movimento generalizador, ameaçam apagar a singularidade


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de uma literatura que não quer renunciar às origens modernas que a inserem de modo particular na cultura ocidental. Com base em uma enunciação localizada, seus ensaios desenham cartografias que privilegiam os trânsitos por fronteiras linguísticas, nacionais e culturais, não para decretar a sua dissolução, mas para explorar suas tensões e imaginar um ordenamento outro da literatura mundial, sempre crítico das relações de poder em função das quais se constroem as identidades. Além de apresentar a questão geral que norteia a reflexão crítica deste trabalho, estas páginas sinalizam os critérios que levaram a organizar os artigos em dois grupos. Esses critérios dizem respeito a horizontes estético-ideológicos que permeiam os ensaios abordados e que, de diferentes maneiras, incidem na configuração discursiva do gênero e nas posições que os escritores assumem com relação à literatura latino-americana. No entanto, é importante esclarecer que essa distribuição não traça uma delimitação estanque que instale a produção ensaística desses escritores em um determinado período. Ao contrário, é preciso ler essa produção em simultaneidade, por um lado, porque esses autores são contemporâneos, ainda que de gerações diferentes e, por outro, porque as questões literárias e teóricas que permeiam seus ensaios podem apresentar mudanças, ganhar modulações diferentes ou ter uma maior ou menor presença nos debates culturais, mas não foram completamente esgotadas. É o caso da pergunta sobre os sentidos emblemáticos da literatura latino-americana e as posições literárias que os problematizam, formulada no último artigo, no qual abordo ensaios de Libertella e Volpi, não com o propósito de compará-los, mas de aventurar uma resposta às inquietações que nortearam o conjunto de textos que compõem este livro. Sob o título “Escritas oblíquas”, essas últimas páginas indagam os modos que assume o ensaio dos escritores como estratégia discursiva que, dos anos 1970 até hoje, operou criticamente na desarticulação de uma noção ideologizada da literatura latino-americana que a sujeitava a funções de representatividade cultural. É importante esclarecer que não levei adiante uma reflexão crítica sobre esses ensaios de escritores segundo uma sistematicidade que aprofunde o estudo da obra de um autor ou de um livro de ensaios em particular. Os artigos reúnem ensaios de diferentes autores em função de sua pertinência com as questões que instigavam meu interesse, buscando, de algum modo,


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preservar as próprias condições dessas textualidades fragmentárias, híbridas e inacabadas que circulam por espaços discursivos diversos e que, embora em alguns casos se apresentem organizadas em livro, não perdem seu caráter de intervenção na cena pública. É nesse sentido também que a minha leitura crítica procura apenas sinalizar o horizonte teórico com o qual esses ensaios dialogam, apresentando-o de forma tal que não torne opaca a textualidade em que esse diálogo acontece. Talvez nesse aspecto, esses artigos também aspirem a uma expressão ensaística. Agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelos subsídios concedidos, os quais possibilitaram o desenvolvimento desses estudos e a realização de atividades acadêmicas relativas ao tema. Reitero aqui meu agradecimento a Adriana Rodríguez Pérsico, que supervisionou o estágio de pesquisa que realizei na Universidade de Buenos Aires, em 2011, com subsídio de FAPESP. Em razão dessas atividades, esses textos publicaram-se previamente como capítulos de livros ou artigos em revistas acadêmicas nacionais e internacionais. Essa informação bibliográfica especifica-se em cada caso. Por último, gostaria de agradecer especialmente aos docentes e pesquisadores que integraram a banca examinadora do concurso de livre-docência em Literatura Hispano-Americana que realizei na Universidade de São Paulo. A Elena Palmero González (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Jorge Schwartz (Universidade de São Paulo), Júlio Pimentel Pinto (Universidade de São Paulo), Miriam Gárate (Universidade Estadual de Caminas) e Wander Mello Miranda (Universidade Federal de Minas Gerais), meu reconhecimento e minha mais sincera gratidão pela inteligência, sensibilidade e generosidade com que leram a versão original deste livro. Ana Cecilia Olmos Dezembro, 2018

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