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OUTUBRO 2009

AGRICULTURA EM PRIMEIRO LUGAR

Entidades lançam o programa mundial Farming First WORKSHOP INTERNACIONAL

IUPAC debate o avanço das pesquisas em proteção vegetal

Caderno Especial para celebrar o aniversário Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz: inovações e a Revolução Verde

Segurança Alimentar

Novos desafios para a Revolução Verde Em 2050, o mundo terá 2,3 bilhões a mais de pessoas para alimentar: eis a dimensão do papel decisivo da agricultura para a sustentabilidade


iniciativa:


I Fórum

inovação agricultura e alimentos para o futuro sustentável

Inovar. Produzir mais e melhor. Entre 12 e 16 de outubro, comemora-se em todo o mundo a Semana Mundial da Alimentação. Para marcar a data, no dia 15, em São Paulo, acontece 0 I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável. Representantes da FAO, Organização Mundial para Agricultura e Alimentação, de órgãos governamentais e de instituições de pesquisa, da agricultura e indústria de alimentos debatem sobre o papel da ciência e das inovações tecnológicas, cada dia mais crucial, para o desenvolvimento sustentável brasileiro e da própria humanidade. Participe. Vagas limitadas.

15 de outubro Das 8h15 às 13h.

APOIO:

Informações e inscrições: www.forumagriculturaealimentos.org.br E-mail: meccanica@meccanica.com.br Telefone: (11)

3256-4312


Sumário DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO Crescimento no campo com sustentabilidade

Segundo a FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, a atividade agrícola tem o desafio de aumentar a produtividade em 70% para alimentar toda a população em 2050.

Chave do desenvolvimento

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A tarefa de produzir alimentos em larga escala frente ao aumento demográfico e a limitação dos recursos naturais. 12

Alimento nas mesas de todos Proposta sugere inclusão da alimentação como um dos nove direitos do brasileiro descritos na Constituição Federal. 17

Investimentos estratégicos

ONU apela aos governantes: prioridade é investir na agricultura. 18

ANDEF 35 ANOS

Caderno especial de aniversário A história das inovações científicas que mudaram o perfil do campo.

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FARMING FIRST

Plano para o crescimento sustentável Entidades internacionais, com o apoio da Andef, lançam iniciativa que coloca a agricultura em primeiro lugar.

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HOMENAGEM

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ENTREVISTA

Norman Borlaug, maior incentivador da ciência na agricultura, deixou um grande legado ao mundo.

José Tubino, representante da FAO no Brasil, analisa impactos da crise e o papel da agricultura em medidas de combate à fome.

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MEIO AMBIENTE Sociedade Rural Brasileira (SRB) organiza debate sobre legislação ambiental em 19/10.

WOKSHOP INTERNACIONAL IUPAC reúne especialistas em Proteção Química de Culturas na América Latina em novembro.

SEÇÕES 44 Agenda Vegetal 4

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48 ANDEF EM FOCO

49 Opinião

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Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz em 1970

Responsáveis pela Revolução Verde no Brasil. Defensores, com o mesmo espírito que moveu Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz, da sustentabilidade não como mera aspiração. Para um mundo de fato melhor, a agricultura e a produção de alimentos somente são sustentáveis com os recursos da ciência e de modernas tecnologias. A todos eles, o reconhecimento e as homenagens da ANDEF e suas empresas associadas.

12 de Outubro Dia do Agrônomo.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA VEGETAL

www.andef.com.br


EDITORIAL

Desafios para 2050:

o futuro começa agora A Organização para Agricultura e Alimentação, FAO, vinculada à ONU, advertiu, em seu mais recente relatório, que até o ano de 2050 a população mundial terá um aumento de 2,3 bilhões de pessoas. Isto significa a necessidade de produzir alimentos para mais um terço da população – com muito menos recursos naturais do que hoje o planeta dispõe. No Brasil, ainda há um generoso espaço agricultável: apenas 9,8% das terras potencialmente produtivas são, hoje, cultivadas. Mas apenas disponibilidade de terra não basta: o fator decisivo que permitiu o país conquistar sua competitividade chama-se inovação tecnológica. Por essa razão, quando o mundo comemora, neste 16 de outubro, o Dia Mundial da Alimentação, ganha destaque o I Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável. O evento ocorre neste dia 15 de outubro, em São Paulo, por iniciativa de entidades, entre elas a ANDEF, e empresas do agronegócio, com apoio da própria FAO – o que confere um caráter internacional à realização. Especialistas e líderes de instituições de pesquisa, da agricultura e indústria de alimentos debatem sobre o papel da ciência e das inovações tecnológicas para o desenvolvimento sustentável. Trata-se, portanto, de enfatizar que sustentabilidade não apenas é uma aspiração: para um mundo de fato melhor, a produção de alimentos somente é sustentável com modernas tecnologias. Ainda neste mês de outubro, a ANDEF recebe novas homenagens de instituições parceiras – como a Esalq/USP – pela passagem dos 35 anos. A data é lembrada nesta edição, com o Caderno Especial reunido em 22 páginas. Uma história com expressiva contribuição ao agronegócio brasileiro.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA VEGETA L

Associação Nacional de Defesa Vegetal ANDEF CONSELHO DIRETOR Peter Ahlgrimm (Bayer Cropscience) Presidente do Conselho João Lammel (DuPont) Vice-Presidente Laércio Giampani (Syngenta) Vice-Presidente DEMAIS COMPONENTES Aníbal Bertolla Jr. – Sipcam Isagro Brasil Antônio Zem – FMC Bruno Folchi – Chemtura Christiano Burmeister – Ihara Eduardo Leduc – BASF Flávio Prezzi – Arysta Lifescience Jefferson Nunes – Rhom and Haas Massaki Hassuike – Ishihara Brasil José de Paulo Fabretti – Sumitomo Luiz Abramides do Val – Monsanto Mario Von Zuben - Dow Agrosciences Marcos Scarellis – Isagro Brasil Massashi Mizoguchi – Nisso Brasileira José Otavio Menten – Diretor Executivo

Publicação da Associação Nacional de Defesa Vegetal ANDEF Editor: Antonio Carlos Moreira – MTb 14825 Textos: Gisele Federicce, Ricardo Maia e Theo Saad Colaboraram nesta edição: Franthiesco Ballerini, Guilherme Guimarães, José Annes, Luís Carlos Ribeiro, Luis Carlos Ferreira Lima, Mariana Pereira Fotos: Adair Sobczak, AgriLife Research, Alf Ribeiro, Arthur Calasans, CropLife International, Elza Fiuza/Abr, FAO/Giulio Napolitano, João Correia Filho, Micheline Pelletier (capa), Otavio Valle, Romualdo Venâncio e Valter Campanato/Abr Arte e Editoração: www.blueboxdesign.com.br Impressão: Neoband

José Otavio Menten, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF.

ANDEF - Associação Nacional de Defesa Vegetal Rua Capitão Antonio Rosa, 376 – 13º andar São Paulo – SP CEP 01443-010 E-mail: comunicacao@andef.com.br www.andef.com.br

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HOMENAGEM

Da Revolução Verde

à agricultura sustentável

Texas AgriLife Research

Norman Borlaug foi um grande defensor da agricultura ao longo de toda a vida; em 1970, conquistou o Prêmio Nobel da Paz por trabalhar a produtividade do milho

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morte do engenheiro agrônomo Norman Ernest Borlaug, no último dia 12 de setembro, foi a perda de um grande profissional. Seu maior comprometimento foi empenhar esforços contra a fome e a pobreza, melhorando assim a vida de milhões de pessoas e mostrando exemplos do que pode ser alcançado através da ciência. O trabalho pioneiro no desenvolvimento de alta produtividade agrícola e variedades de trigo resisMicheline Pelletier

O agrônomo americano Norman Borlaug trabalhou com a produtividade e variedades de milho resistentes a doenças

Borlaug: “A batalha contra a fome mudou para melhor, mas podemos melhorar ainda mais”

tentes a doenças, desenvolvidos por Borlaug e seus colegas entre 1940 e 1950, foi um marco e abriu o caminho para a Revolução Verde na Ásia nos anos 60. Ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 1970, Norman Borlaug advertiu: “É verdade que a longa batalha contra a fome mudou para melhor, mas podemos juntos melhorar ainda mais”. Como o número de pessoas que sofre com a fome chega, atualmente, a 1 bilhão ao ano, essa mensagem é mais importante do que nunca. Norman Borlaug visitou o Brasil em várias ocasiões, desde a década de 1940, quando se dedicava ao melhoramento de variedades de trigo e procurava plantas diversificadas por todo o mundo. Retornou ao país no início de 2004, pois queria ver o que havia acontecido no cerrado, segundo o engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, presidente da Agrisus. Após presenciar a colheita de soja em Sapezal (MT), seguida de plantio de milho, ele confidenciou: “Este foi um dos dias mais gratificantes de minha vida”. Ao grande defensor da agricultura como a atividade vital para o futuro da humanidade, Norman Borlaug, as homenagens da CropLife International, CropLife Latin America, Associação Nacional de Defesa Vegetal, ANDEF, e suas empresas associadas no Brasil.

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ENTREVISTA: JOSÉ TUBINO

A AGRICULTURA NO CAMINHO CERTO

Por Theo Saad

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osé Tubino, representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, vinculada à ONU, analisa, em entrevista exclusiva à Defesa Vegetal, os impactos da crise financeira internacional no Brasil e no mundo e aprova as medidas de combate à fome e à pobreza adotadas pelo governo brasileiro para amenizar a situação. Tubino, no entanto, não acredita que o Bolsa Família deveria ser aplicado em todos os países que enfrentam o problema da fome. “O Bolsa Família é uma solução para o Brasil e para países com condições similares, mas não é uma medida que pode ser aplicada com a mesma fórmula em todos os países. Tem de haver uma adaptação”, argumenta. O Brasil ainda não está livre do problema da fome, apesar da superprodução de alimentos. Somos o maior produtor mundial, mas exportamos boa parte do que produzimos (o país é, de longe, o primeiro da lista dos exportadores de carnes) e as desigualdades sociais garantem a péssima distribuição dos alimentos. Sem contar o desperdício: o Ministério da Agricultura estima que cerca de 30% dos alimentos in natura são perdidos na produção, transporte, armazenamento e consumo. Por tudo isso, 8% dos brasileiros passam fome ao menos um dia no ano. Dessa forma, ele apoia a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que insere o direito à alimentação entre os direitos básicos do brasileiro. Já apreciada pelo Senado e pela Cãmara dos Deputados, a PEC precisa agora ser aprovada no plenário. “É uma excelente iniciativa”, resume Tubino, que tem participado das discussões para a aprovação da Proposta.

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Elza Fiuza/Abr

Para o representante da FAO no Brasil, José Tubino, investir na agricultura intensifica a sustentabilidade da produção, por meio da aplicação de boas práticas que considerem aspectos econômicos, sociais e ambientais

O representante da FAO no Brasil analisa, ainda, a necessidade de conciliar o aumento da produção de alimentos com a preservação do meio ambiente, num modelo sustentável. A seguir, a entrevista concedida em Brasília, momentos antes da realização do Encontro Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional:


Defesa Vegetal - Qual será o cenário pós-crise? José Tubino - Posteriormente a crises, o que vem afetar de forma mais decisiva a segurança alimentar é o desemprego, a desaceleração das economias e a falta de oportunidade de trabalho. Há uma queda dos preços das commodities nos mercados internacionais, mas que não é traduzida na mesma proporção ao preço que o consumidor encontra. Na América Latina, por exemplo, os preços dos alimentos ao consumidor não têm diminuído da mesma forma que os preços das commodities. Por outro lado, se gera uma instabilidade muito grande no sistema financeiro, temos bolhas aparecendo em diversas bolsas de valores ao redor do mundo, temos a queda do dólar que afeta também os preços dos alimentos, que gera uma grande instabilidade e muita incerteza para os agricultores que, afinal, são os produtores de alimentos. Os preços são indicadores pouco confiáveis quando os produtores têm que tomar decisões de plantio. Defesa Vegetal - O que é possível os governantes e as empresas fazerem para melhorar a segurança alimentar ao redor do mundo? José Tubino - Aqui, no Brasil, existe o programa Mais Alimentos, que aumenta a oferta de crédito por meio de programas de agricultura familiar, mas isso não tem grande efeito no agronegócio, uma vez que o crédito oferecido pelas instituições financeiras tem diminuído. Sabemos que o Banco do Brasil está fazendo grandes esforços para aumentar o crédito

destinado ao agronegócio. Mas existe também uma retração da demanda, por um lado causada pela falta de acesso dos pobres à compra de alimentos e, por outro lado, a população dos países está enfrentando uma crise de capacidade de gastos, tendo de pagar dívidas acumuladas. Por isso há uma retração também na demanda. Otavio Valle

Defesa Vegetal - Como a crise econômica, iniciada no ano passado, afetou a segurança alimentar mundial? José Tubino - A crise gerou uma alta do preço dos alimentos, que foi inicialmente gerada por uma alta dos preços da energia, dos fertilizantes e das commodities agrícolas. Isso contraiu a demanda, particularmente das camadas mais vulneráveis da população. Antes da crise, a insegurança alimentar contava cerca de 963 milhões de pessoas mundialmente e 115 milhões começaram a passar fome nos últimos três anos, por causa da alta dos preços dos alimentos e a crise econômica. Hoje, está se considerando que essa marca de pessoas que não têm acesso a uma alimentação plena e saudável e que estão sofrendo de desnutrição crônica no mundo superou 1 bilhão.

Defesa Vegetal - O senhor mencionou a retração na oferta dos alimentos: quando voltaremos aos níveis pré-crise? José Tubino - Houve um aumento na produção de alimentos do ano de 2007 para o de 2008, principalmente devido ao aumento dos preços internacionais. No entanto, essa alta da produção, essa rápida resposta a uma alta dos preços, foi dada somente em países desenvolvidos e também na China e no Brasil. No resto do mundo, os países não tiveram condições de gerar rapidamente esse mesmo aumento na produção devido a problemas mais estruturantes, como questões de produtividade, falta de crédito, de assistência técnica, de canais adequados de comercialização e também por problemas de mudanças climáticas. Hoje, temos mais de 30 países em situação de emergência alimentar.

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Defesa Vegetal - O que o senhor pensa do Bolsa Família? José Tubino - O aumento do Bolsa Família foi uma medida acertada do governo, já que o programa eleva a disponibilidade de renda das camadas mais pobres da população. Teve também um aumento do salário mínimo, mas ele pode ser um incentivo para que os empregadores deixem de contratar. Defesa Vegetal - O Bolsa Família poderia ser adotado em outros países no mundo? José Tubino - Depende muito da disponibilidade financeira dos governos. A economia brasileira é grande, com um sistema de arrecadação de impostos bem organizado. Muitos países não têm essas condições. O que se tem feito em outros países é o incentivo ao aumento do emprego na construção de rodovias, de obras de infraestrutura. Aqui no Brasil também se tem feito isso. Eu diria que o Bolsa Família é uma solução para o Brasil e para países com condições similares, mas não é uma medida que pode ser aplicada com a mesma fórmula em todos os países.

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Valter Campanato/Abr

Defesa Vegetal - O Brasil é um celeiro mundial, produz muitos alimentos e tem o problema de distribuição desses alimentos. Como o senhor encara essa situação? José Tubino - Mais de 19 milhões saíram da classe E, deixaram a linha da miséria no Brasil. Isso é um bom sinal. Temos de entender que a disponibilidade de terras, a situação climática, a capacidade técnica e os incentivos para a produção não são iguais em todas as partes do mundo. Uma série de variáveis cria condições excepcionais para o Brasil. O país tem uma grande disponibilidade de terras, um clima bastante favorável, apesar dos problemas que já têm acontecido, tem políticas públicas que estão apoiando a produção de alimentos, focadas na agricultura familiar e também no agronegócio, gerando uma maior produção. Mas o Brasil também não está isento aos efeitos externos. A crise financeira e econômica está afetando o Brasil, talvez menos do que os países desenvolvidos, mas que tem causado efeitos dramáticos, como o desemprego, que só agora está sendo revertido com uma retomada da economia. O que tem também criado um efeito amortecedor são os programas sociais.

Defesa Vegetal - Como o senhor vê a Proposta de Emenda Constitucional, PEC, 047/2003, que garantiria, no Brasil, o direito à alimentação adequada e saudável? José Tubino – Trata-se de uma excelente iniciativa, uma vez que coloca o direito à alimentação no mesmo nível do direito à saúde, à educação, ao trabalho. Sem o direito à alimentação, os outros direitos não poderiam ser alcançados. A iniciativa, que aguarda aprovação no plenário, está em linha com a aprovação, em 2007, da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. Defesa Vegetal - Até o ano de 2050, seremos 9 bilhões de pessoas no planeta. Do que vamos precisar para garantir a segurança alimentar de toda a população mundial? José Tubino - É fundamental dar maior apoio ao investimento na agricultura, particularmente ao pequeno agricultor, e ter sustentabilidade ambiental. É o que chamamos de intensificação sustentável da produção por meio da aplicação de boas práticas, que considerem aspectos econômicos, sociais e ambientais. O Brasil está no caminho certo, mas ainda tem um grande desafio com respeito à adaptação dos seus sistemas produtivos de acordo com objetivos sócio-ambientais.


Giulio Napolitano

ESPECIAL – DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

Do campo vem o futuro sustentável Às vésperas de 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a Organização para Agricultura e Alimentação, FAO, divulga os números que dão a dimensão do papel da agricultura: em 2050, a população mundial alcançará 9,1 bilhões de habitantes, um terço de pessoas a mais para serem alimentadas do que atualmente – com muito menor disponibilidade de recursos naturais OUTUBRO 2009

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A chave do desenvolvimento

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Arthur Calazans

ntre os dias 16 e 18 de novembro próximo, especialistas em alimentação de todo o mundo se reúnem em Roma, na Itália, com uma missão. Durante o fórum World Summit sobre Segurança Alimentar, convocado pela ONU, Organização das Nações Unidas, eles precisarão apontar e convencer os líderes e governos dos principais países sobre as estratégias de Como alimentar o mundo em 2050, conforme propõe o tema do encontro internacional. O World Sumitt reunirá cerca de 300 especialistas de instituições acadêmicas, governamentais e do setor privado dos países em desenvolvimento e países desenvolvidos. Eles levarão a Roma suas propostas para superar o desafio apontado no mais recente relatório publicado pela FAO, Organização para

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Agricultura e Alimentação, da ONU. Segundo essas projeções, até 2050, a população mundial terá aumentado um terço; isto significa produzir alimentos para mais 2,3 bilhões de pessoas. “O mundo precisará ampliar os investimentos para fortalecer a agricultura nos países pobres e em desenvolvimento, o que pode evitar que, em 2050, cerca de 370 milhões de pessoas – 5% da população desses países – ainda sejam atingidas pela fome”, adverte Hafez Ghanem, diretor-assistente da FAO, em Roma.

Crescimento populacional O relatório da ONU detalha os números preocupantes. A população mundial crescerá dos 6,8 bilhões de pessoas, hoje, para cerca de 9,1 bilhões de habitantes, em 2050 - um terço a mais de pessoas para serem alimentadas. Quase todo o crescimento populacional ocorrerá nos países em desenvolvimento. A população da África subsaariana deverá crescer mais rapidamente – mais 910 milhões de pessoas, aumento em torno de 108%; o Leste e Sudeste da Ásia crescerão mais lentamente, cerca de 11%, 228 milhões de pessoas. Em 2050, perto de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas – o que representa quase 50% acima da população que, hoje, se acotovela nas grandes cidades. Se a tarefa de produzir alimentos em larga escala frente ao aumento demográfico já seria imenso, pode-se avaliar o desafio, para todos os países, de tornar esta missão exitosa diante da limitação dos recursos naturais. De acordo com a FAO, também concorrem com a produção de alimentos os biocombustíveis, em função da demanda por essa energia e das políticas governamentais de países desenvolvidos, como os Estados Unidos. O relatório do órgão aponta ainda a necessidade de adaptação dos cultivos às mudanças climáticas.


O impulso das inovações A demanda por alimentos deverá continuar a crescer em consequência não apenas do crescimento populacional, mas também do aumento da renda, segundo as projeções da ONU. “Estimamos, para 2050, a demanda por cereais, para alimentação humana e animal, de cerca de 3 bilhões de toneladas”, afirma o diretor da FAO, Hafez Ghanem. Ou seja, a produção anual de cereais deverá crescer quase um bilhão de toneladas, em relação aos 2,1 bilhões de toneladas, hoje. A produção de carne precisará aumentar, das atuais 200 milhões de toneladas, para um total de 470 milhões de toneladas, 72% dos quais serão consumidos nos países em desenvolvimento, um crescimento de até 58%.

Giulio Napolitano

“Somente seremos sustentáveis com inovação” De acordo com Peter Ahlgrimm, engenheiro agrônomo e presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, o desafio crucial é assegurar que o agricultor tenha as ferramentas tecnológicas. “Somente investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para que inovações sejam levadas ao produtor rural, asseguram que o campo produza mais alimentos em menor área utilizada”, afirma Peter Ahlgrimm (leia depoimento na pág. 19). A produção de alimentos necessária para abastecer a população mundial dependerá, entre os principais fatores, do aumento da produtividade nos cultivos. Segundo a FAO, cerca de 90% do aumento da produção será proporcionado pelo rendimento das lavouras, intensificado pelas inovações tecnológicas incorporadas à atividade rural. “Ainda assim, a área das terras cultiváveis terá que ser ampliada em cerca de 120 milhões de hectares nos países em desenvolvimento, principalmente na África subsaariana e na América Latina”, afirma Hafez Ghanem. “Nos países desenvolvidos, embora a redução de plantio possa ser revertida em função da procura de biocombustíveis, a tendência é de as terras aráveis diminuírem em cerca de 50 milhões de hectares.”

João de Almeida Sampaio, secretário da Agricultura do estado de São Paulo “A contribuição da tecnologia para o setor de alimentos é enorme. No campo, a maior inovação se deu na área de grãos, além dos setores de carnes e lácteos. Na parte de carnes, por exemplo, houve muito desenvolvimento para se chegar à maciez da carne. No café tivemos, também, inúmeros investimentos para se obter uma bebida melhor, com mais qualidade e melhor sabor. O trigo foi outra cultura beneficiada com o desenvolvimento de tecnologias, no qual os grãos já estão sendo desenvolvidos para determinadas atividades, ou seja, trigo para a fabricação específica de pão ou biscoito, ou mesmo para a fabricação de farinha. Vejo um futuro muito promissor, principalmente com a participação da nanotecnologia na agricultura. Outro fator positivo de nossa agricultura é a sustentabilidade, que está diretamente ligada à inovação. Só vamos ser sustentáveis se continuarmos inovando.”

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Otavio Valle

“Estamos alinhados às exigências mundiais” Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão do Adubo, Anda “O setor de insumos ainda recebe menos investimento em tecnologia, principalmente na área de química fina. Os fertilizantes, por exemplo, têm poucos investimentos em produtos. No entanto, tivemos crescimento e a indústria de fertilizantes está absolutamente orgulhosa de participar desse processo. Pesquisas realizadas há dois anos mostraram que 95% dos agricultores citaram que utilizam os fertilizantes. Por descuido do produtor rural, o nosso solo está ficando mais ácido, pois não se trabalhou em tecnologia nesse segmento. O Plantio Dire-

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to também ajudou a acobertar um pouco isso. Hoje, os consumidores de países mais exigentes querem a garantia de produtos de qualidade, em que todos devem estar rastreados. A nossa legislação sanitária, principalmente na fiscalização de metais pesados em nossos produtos, é mais rigorosa do que a canadense e a americana. De uma forma geral, estamos totalmente adequados às legislações mundiais. Quando o nosso produtor compra os nossos fertilizantes, ele já sabe que está levando um produto de qualidade. ”


O limite de áreas agricultáveis A FAO acredita que, globalmente, ainda há terra suficiente para a exploração agrícola. O órgão lembra, no entanto, que grande parte do potencial da terra é adequada para o cultivo de apenas algumas culturas, não necessariamente aquelas com maior demanda de alimentos. O cultivo potencial de alimentos no futuro está concentrado em poucos países, destaca o relatório da FAO. Grande parte das áreas, hoje não cultivadas, ainda apresenta limitações físicas e químicas e doenças fitossanitárias endêmicas. A estes, somam-se os problemas de infraestrutura difíceis de serem sanados. “Investimentos significativos, portanto, terão que ser feitos para que essas novas áreas se tornem, de fato,

“Faltam tecnologias para atender as minor crops”

Adair Sobczak

Anita Gutierrez, chefe do Centro de Qualidade em Horticultura, do Ceagesp, SP

produtivas”, salienta o diretor da FAO, Hafez Ghanem. Muitas dessas áreas são cobertas por florestas ou sujeitas à expansão de assentamentos urbanos – fatores que descartam a exploração agrícola para produzir alimentos. Um significativo número de países, particularmente no Médio Oriente, no norte da África e Sul da Ásia, já atingiu ou está prestes a atingir o limite das terras disponíveis para a agricultura.

“O aumento da produtividade se deu por meio da competência do produtor ao aplicar corretamente os insumos. Toda essa tecnologia deve ser bem utilizada, ou seja, saber se a aplicação de um defensivo, por exemplo, deve ser realmente aplicada. Por que eu vou adubar se o solo já tem um nível suficiente de nutrientes? A tecnologia de amostragem de solo já foi um grande avanço neste quesito. Culturas menores, como a fruticultura e a horticultura, ainda estão defasadas no setor da alta tecnologia, como na utilização de maquinários sofisticados, por exemplo. Além disso, temos urgência no registro de defensivos voltados para as pequenas culturas, como já existe nos EUA, Europa, entre outros. Os produtores de flores, frutas e hortaliças, com áreas menores, têm que agir na ilegalidade, porque não existe alternativa de produtos registrados.”

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Otavio Valle

“É preciso incentivar as boas práticas no campo” Leonardo Miyao, diretor comercial do Grupo Pão de Açúcar “Muitos agricultores têm dificuldades em atender à legislação sobre o uso correto de defensivos agrícolas. Começamos a fazer um controle de resíduos, em Recife, PE. Com a adoção de um sistema de conduta, no qual tiveram um apoio do Ministério Público, e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, levamos o programa para outros estados. Também começamos a fazer um trabalho de rastreabilidade dos produtos adquiridos, com avaliação da performance de cada fornecedor-parceiro. Com o ganho de pontos que o agricultor recebe, ele pode aumentar a sua participação no nosso negócio. Não estamos falando em preços, mas em volume de negócios, pois, cerca de 70% dos nossos fornecedores são produtores. Um dos aspectos que foi percebido em todo esse processo foi a adoção das boas práticas de produção e até de gerenciamento de suas propriedades.”

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Escassez de água Os recursos de água doce, globalmente, são suficientes – porém desigualmente distribuídos. A escassez deverá atingir níveis alarmantes em países ou determinadas regiões em todos os países, particularmente no Oriente Médio, norte da África e sul da Ásia. As alterações climáticas, que podem alterar o padrão pluvial, tendem a tornar ainda mais grave a escassez de água. “Usar menos água e, ao mesmo tempo, produzir mais alimentos, serão os segredos para resolver os problemas de escassez desse essencial recurso da natureza”, sugerem os especialistas no relatório da FAO. Dessa forma, a água utilizada na agricultura irrigada deverá crescer em um ritmo mais lento, devido também à conscientização dos agricultores e à eficiência do uso da tecnologia. Ainda assim, até 2050, haverá a necessidade de aumentar a utilização desse recurso na produção de alimentos em cerca de 11%. Apesar das dificuldades, o documento da FAO conclui que as perspectivas globais para o aumento das colheitas para alimentar as populações são positivas. Mas alerta para o que chama de lacunas na produção agrícola. Cita como exemplo as diferenças entre os rendimentos nos chamados cultivos agroecológicos – muito baixos para contribuir de forma significativa com a segurança alimentar – e os sistemas de produção integrados aos recursos tecnológicos.


ESPECIAL – DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

direito de todos

Proposta pretende tornar alimentação um direito constitucional

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mbora seja essencial para a sobrevivência, a alimentação ainda não faz parte dos direitos dos brasileiros, entre os nove descritos no artigo 6º da Constituição Federal. A introdução deste item está prestes a ser concretizada: no dia 22 de setembro, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que sugere esta inclusão, foi aprovada em comissão especial da Câmara dos Deputados. A proposta, de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), segue agora para votação em plenário, em data a ser definida pela Mesa Diretora da Casa. A fim de mobilizar a população para a aprovação da Emenda, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Consea, criou a campanha Alimentação: Direito de Todos. O Consea tem caráter consultivo e assessora o Presidente da República na formulação de políticas e na definição de orientações para a garantia de alimentação à população. “O poder público deve adotar políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população”, diz o senador Antônio Carlos Valadares. Com ele concorda o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), presidente da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar e Nutricional: “Vamos consolidar este desafio até 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, para que o Brasil dê um exemplo ao mundo”.

“Construir o consenso com base na ciência” Kátia Abreu, senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA “O homem não vive sem equilíbrio ambiental; tampouco vive sem alimento. Este é um dos três pontos que a CNA vê como fundamentais ao se discutir mudanças na legislação ambiental. Os outros dois aspectos que compõem a discussão são a história do desenvolvimento brasileiro, com a utilização de áreas para garantir o abastecimento da população, e a importância da agropecuária para a economia do país. Como as preocupações sobre a preservação original são recentes no Brasil, novas regras devem ser elaboradas com base na ciência. Precisamos comprovar até que ponto é necessário preservar e até onde é possível produzir sem prejudicar o equilíbrio entre meio ambiente e agricultura. Queremos construir um consenso, mas com base na ciência e na pesquisa.” João Correia Filho

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Crop Life Latin America

METAS prioritáriAs

“um papel relevante” Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, ABIA

“É crucial que o consumo de alimentos atenda aos parâmetros de dietas saudáveis, capazes de garantir a saúde de crianças, adultos e idosos. No âmbito das políticas públicas, é necessário, em primeiro lugar, garantir ao Brasil a capacidade de produzir alimentos em quantidade suficiente para atender à demanda interna, pois não podemos vislumbrar um futuro imediato em que haja brasileiros sem acesso à dieta nutricional mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessa imprescindível lição de casa, a indústria alimentícia tem papel relevante, considerando ser responsável hoje pelo abastecimento de 85% de toda a comida consumida no Brasil.”

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urante o World Summit sobre Segurança Alimentar, em novembro, a ONU apelará aos governantes e lideranças políticas para a necessidade de investimentos prioritários na agricultura, com o intuito de reduzir e, finalmente, eliminar o número de pessoas atingidas pela pobreza absoluta. De acordo com o órgão, o aumento desses investimentos deve ser da ordem de 60%. A necessidade desse montante se justifica pelo fato de a agricultura não apenas produzir alimentos: a atividade tem o forte potencial também de geração de empregos e renda nas regiões rurais. Eliseu Roberto de Andrade Alves, pesquisador da Embrapa, a qual presidiu entre 1979 e 1985, afirma que o agronegócio brasileiro vive uma fase madura devido à capacidade histórica de a ciência apoiar o setor produtivo e vice-versa. “Por isso, meio ambiente e agricultura podem e devem caminhar juntos.”


Adair Sobczak

A visão de que não há conflito entre meio ambiente e desenvolvimento agrícola é compartilhada com Alysson Paulinelli. Ex-ministro da Agricultura, Paulinelli pontua que o equilíbrio só pode existir se houver políticas públicas bem dosadas e racionais que estimulem o produtor. “Não vamos fazer melhoria de sustentabilidade na base de fiscalismo”, afirma. A revolução verde, a partir da década de 1970, foi decisiva para o aumento na oferta de alimentos, de acordo com Airton Vialta, diretor do Instituto de Tecnologia da Alimentação, ITAL, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio, APTA, da Secretaria de Agricultura do Estado. “Foram tecnologias diversas, como de fomento à saúde animal, novos métodos de irrigação e investimentos em pesquisas de fertilizantes e defensivos agrícolas”, diz Vialta.

“Nossos compromissos com o agricultor” Peter Ahlgrimm, presidente do Conselho Diretor da Andef Paulo Cruvitel, coordenador da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio, RIPA, vinculada à Universidade de São Paulo, USP, aponta gargalos a serem superados. Um deles seria a logística, que deve ser focada na estrutura e no sistema. O relatório da FAO aponta que a maior competitividade agrícola exige investimentos na melhoria da infraestrutura rural – estradas, portos, energia, armazenamento e sistemas de irrigação. Também na área de capacitação de agricultores, a FAO sugere que instituições de pesquisa ampliem os programas de extensão rural, controle de segurança alimentar e veterinária e cursos de gestão de riscos nos negócios. Segundo Paulo Cruvitel, outros desafios, principalmente depois que os produtos saem do campo, são os agroindustriais. “É preciso incorporar novas técnicas nos alimentos in natura, novos sistemas de manejo e capacitação de produtores.” Para Jacques Marcovitch, professor na USP e presidente da Fundação Bunge, é preciso olhar para a agricultura do presente. “O aumento da produção de alimentos não deve nos preocupar somente em 2030 ou 2050. Os estoques de alimentos de 2009, por exemplo, já estão 70% abaixo da média dos últimos dez anos, o que mostra que o tema é extremamente atual.”

“À medida em que cresce a população mundial, estimada em mais 1,7 bilhão de pessoas, em 2030, o aumento da demanda por alimentos e a redução, em torno de 55%, da área agricultável por habitante, somados ao impacto do aquecimento global, torna-se cada vez mais clara a necessidade de alcançar a segurança alimentar. Somente elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, como a indústria de defensivos agrícolas tem feito, poderão assegurar que se produzam mais alimentos em menor espaço de área. Isto somente será possível com um trabalho conjunto entre todos os elos desta cadeia, principalmente junto ao agricultor. A indústria está comprometida para que estes objetivos sejam atingidos. Temos investido em pesquisa para trazer novos produtos com um maior e melhor valor agregado, menor impacto ao homem e ao meio ambiente. Agricultura é a ferramenta primordial para a segurança alimentar. É também a base para a qual nossa indústria destina elevados investimentos em pesquisa, treinamento e educação dos agricultores, novas técnicas de manejo, entre elas o Plantio Direto, controle integrado de pragas e o correto destino final de embalagens dos produtos. Em todos esses programas, a decisão fundamental é cada vez mais trabalhar junto ao agricultor.”

OUTUBRO 2009

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Otavio Valle

LEGISLAÇÃO

Para compreender as propostas ambientais A Sociedade Rural Brasileira debate, em São Paulo, as leis ambientais aplicadas no agronegócio brasileiro

A

Sociedade Rural Brasileira (SRB) discute no dia 19 de outubro, em São Paulo, mais um dos principais temas do agronegócio brasileiro. A série de debates marca as atividades comemorativas dos 90 anos da entidade. Sempre defendendo pensamentos progressistas, a SRB organiza um debate sobre a legislação ambiental em vigor e a proposta do novo Código. Os temas terão a interpretação pelo Ministério Público e pelos tribunais, bem como as perspectivas de sua alteração, em especial à Reserva Legal. Embora a discussão tenha ganhado os meios políticos e de comunicação, há muito desconhecimento

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da sociedade, e inclusive do setor rural, com relação às obrigações legais que se impõem ao exercício do Direito de Propriedade. “Por isso, a SRB pretende abrir o canal de comunicação qualificado da Sociedade Rural, para um debate franco, aberto, construtivo e didático sobre a legislação ambiental”, afirma Cesário Ramalho, presidente da entidade. O evento tem início previsto para as 18 horas, com coquetel. Às 18h30, iniciam-se as exposições dos convidados. Depois, haverá espaço para perguntas e debates entre os palestrantes e o público. Mais informações no site: www.srb.org.br.


Ciência que protege a

Agricultura

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO HISTÓRIA MERCADO SUSTENTABILIDADE EDUCAÇÃO E TREINAMENTO

ASSOCIAÇÃO O U T U B R ONACIONAL 2009 DE DEFESA VEGETAL

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ARYSTA 22

D E F E S A V E G E TA L


Apresentação

Papel estratégico no

agronegócio brasileiro

P

esquisadores, lideranças rurais, empresários, economistas, professores, agrônomos e cientistas contribuíram para a produção deste caderno especial, que marca os 35 anos da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef. Todos eles servem como avalistas da importância da entidade para a construção de uma agricultura sustentável no Brasil. Este é o tema central deste caderno especial de Agroanalysis, que traz o balanço dos 35 anos da Andef. O setor de defensivos agrícolas no País é liderado pelas 16 empresas associadas à Andef; seus laboratórios, nas últimas décadas, têm desenvolvido os produtos fitossanitários que, há 35 anos, agregam marca expressiva na competitividade exibida pelo agronegócio. São elas: Arysta LifeScience, Basf, Bayer CropScience, Chemtura, Dow Agrosciences, DuPont, FMC do Brasil, Iharabras, Isagro Brasil, Ishihara Brasil, Monsanto, Nisso Brasileira, Rohm and Haas, Sipcam Isagro Brasil, Sumitomo Chemical e Syngenta . Cerca de 10 mil funcionários – sendo em torno de 800 cientistas e técnicos – estão envolvidos em pesquisas, desenvolvimento, produção e comercialização de defensivos agrícolas. Os elevados investimentos em novos ingredientes ativos se materializam em tecnologias fundamentais para a defesa das lavouras e, assim, desempenham papel estratégico para o desenvolvimento brasileiro.

Peter Ahlgrimm Presidente do Conselho Diretor da Andef

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PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

Caminho-chave para o futuro sustentável A inovação científica, materializada em vários anos de pesquisa e desenvolvimento, garantiu, no período de apenas três décadas, o salto competitivo do agronegócio brasileiro

M

eses atrás, o Banco Mundial apresentou uma nova previsão do número de pessoas em estado de pobreza absoluta. De acordo com o órgão, em 2009, passará de 1 bilhão, equivalente a 15% da população mundial. O quadro se agrava mesmo diante da queda de preços das commodities agrícolas; ainda de acordo com a instituição, podem morrer de desnutrição, neste ano, mais de 400 mil crianças. A dimensão do desafio tecnológico pode ser melhor avaliada por meio de um estudo do Banco Mundial: em 1960, a produção de apenas 1 hectare de terra cultivável era suficiente para alimentar duas pessoas; em 2025, sem áreas disponíveis mas com a população mundial crescente, o mesmo hectare precisará garantir alimentos para cinco pessoas. Portanto, o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem maior produtividade e, ao mesmo tempo, reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta. Sob essa perspectiva, tem papel estratégico o conhecimento científico dos institutos e das indústrias que pesquisam e desenvolvem tecnologias inovadoras para o campo. Entre elas, se destacam os novos ingredientes ativos de defensivos agrícolas. Nas últimas décadas, o agronegócio brasileiro tem exibido uma competitividade notável. De fato, basta comparar os resultados de hoje aos de 1974, ano que marca a criação da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, entidade representante das indústrias que pesquisam e desenvolvem defensivos agrícolas. Pois bem, na safra de grãos daquele ano, em praticamente mesma área cultivada, o Brasil, com 143 milhões de toneladas, colhe o triplo desses alimentos e fibras. “As empresas associadas da Andef contribuem de maneira expressiva com tal desempe-

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Peter Ahlgrimm, presidente do Conselho Diretor da Andef nho” afirma Peter Ahlgrimm, presidente do Conselho Diretor da Andef. A agricultura de clima tropical e subtropical, como no Brasil, enfrenta uma série de adversidades que não ocorrem nos países de climas temperados, como na Europa e os Estados Unidos, cujas características favorecem menor incidência de pragas e doenças, e com muito menor severidade. Cite-se, como exemplo, a ferrugem asiática nos Estados Unidos, onde o uso de fungicidas para a doença é esporádico; já no Brasil, seu controle eficiente exige, normalmente, três aplicações de fungicidas por ciclo. Semelhante é o caso da lagarta-do-cartucho na cultura do milho, em que a importância da


Assessoria de Propaganda Bayer

ANDEF,

parabéns por seus 35 anos de contribuição à agricultura brasileira.

Como uma das fundadoras da ANDEF, a Bayer CropScience

impulsionando a educação e treinamento dos produtores e,

parabeniza esta importante associação que contribui cada

principalmente, trazendo inovações para o agricultor

dia mais para adequar as empresas do setor de defensivos

brasileiro. Parabéns!

agrícolas às normas internacionais e legislação de interesse,

www.bayercropscience.com.br

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utilização de inseticidas é muito maior no Brasil que em regiões de clima mais ameno. A praga representa um potencial de perda de 37% na planta atacada, e de até 60% de perda na produção de grãos da lavoura. “Ou seja, a pesquisa e o desenvolvimento garantiram um salto tecnológico decisivo para a agropecuária do País ter alcançado mundialmente o status de um dos principais fornecedores de alimentos, fibras e energia”, analisa Peter Ahlgrimm. A visão é compartilhada por Láercio Giampani, vice-presidente da Andef e presidente do Sindicato Nacional de Produtos para a Defesa Agrícola, Sindag. “A Andef tem sido decisiva para o avanço do agronegócio brasileiro e para a sustentabilidade da indústria de defensivos.” De acordo com Giampani, as iniciativas de caráter socioambiental da entidade também merecem destaque, pelos expressivos resultados que transferem aos agricultores e aos empresários rurais brasileiros. O mundo inteiro conta com moderno agronegócio brasileiro para que, dentro de poucos anos, seja o grande responsável pelo suprimento de alimentos, fibras e energia renovável do planeta, conforme avalia Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp e professor de economia rural da Unesp/ Jaboticabal. “Nesta perspectiva, tem papel estratégico o conhecimento científico dos institutos e das indústrias que pesquisam e desenvolvem tecnologias inovadoras para o campo. Entre elas, destacam-se os novos ingredientes ativos de defensivos agrícolas”, afirma Rodrigues. Pragas e doenças grassam com maior virulência em lavouras tropicais. Essas culturas necessitam ser protegidas das inúmeras pragas insetos, ácaros, fungos, bactérias, vírus, plantas daninhas e diversos outros patógenos e animais que competem com as plantações. “Sem o controle eficiente de pragas e doenças a agricultura não seria um dos esteios da economia do País, muito menos ocuparia a posição destacada que detém no cenário mundial”, afirma José Otavio Menten, diretor executivo da Andef. Ao estimular investimentos em pesquisa de suas associadas, a Andef acelera a descoberta de tecnologias mais eficientes e acessíveis para o setor

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João Lammel, diretor da DuPont e vice-presidente da Andef produtivo, reconhece Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira, SRB. “São inovações também seguras para o alimento e à saúde do consumidor, do trabalhador da lavoura e do produtor rural.” Ou seja, é notório o trabalho da entidade para fortalecer o conceito de segurança alimentar, completa Cesário Ramalho. “Nós, da Andef, sentimo-nos orgulhosos por contribuir de forma significativa para os resultados obtidos pela agropecuária brasileira”, afirma João Lammel, vice-presidente da entidade. “Os laboratórios das nossas indústrias pesquisam e desenvolvem os novos ingredientes ativos que vêm resultando em defensivos agrícolas inovadores, mais eficientes, com mínimo impacto ambiental e incorporados ao manejo integrado de pragas, doenças e ervas daninhas, impulsionando a produtividade das lavouras. São numerosos esforços com agentes multiplicadores, agricultores e trabalhadores rurais e suas famílias para disseminar ações de educação e treinamento sobre o uso correto dos defensivos agrícolas, a devolução de embalagens vazias e a adoção de boas práticas agrícolas.”


s ola. o n a gríc 5 3 s tor a o l e p Parabéns Andef ra o se de contribuição pa

Nos últimos 35 anos a Andef e suas associadas investiram em pesquisa e desenvolvimento de defensivos agrícolas com características inovadoras, na educação de agricultores e na conscientização socioambiental. O inpEV sente orgulho por ter nascido de uma organização com tamanha seriedade, na certeza de que os objetivos do sistema de destinação final de embalagens vazias de produtos fitossanitários são comuns aos da Andef: contribuir para o desenvolvimento sustentável da agricultura.

inpev.org.br

INSTITUTO NACIONAL DE PROCESSAMENTO DE EMBALAGENS VAZIAS 27 OUTUBRO 2009


HISTÓRIA

As raízes da agricultura sustentável A trajetória das tecnologias que inseriram o agronegócio brasileiro no cenário internacional

O

Brasil é hoje líder na agricultura tropical e, graças aos frutos do agronegócio, tem conseguido superar crises como a que ora o mundo enfrenta, destaca José Roberto Postali Parra, professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/ USP. “A Andef, nesses 35 anos de existência, teve papel relevante no processo, seja por meio do incentivo às novas tecnologias de aplicação de agroquímicos, principalmente o MIP, Manejo Integrado de Pragas, seja pelo treinamento de agricultores no âmbito nacional.” “A agricultura brasileira nos últimos 35 anos experimentou mudanças fabulosas”, observa Antonio Roque Dechen, engenheiro agrônomo e diretor da Esalq/USP.

Cristiano Walter Simon, presidente da Câmara setorial de insumos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)

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Em 1974, lembra Dechen, o Brasil iniciava, segundo Norman Borlaug – Prêmio Nobel da Paz em 1970 –, a segunda grande revolução da agricultura, que foi a do uso de tecnologia nas condições do Cerrado. Segundo o diretor da Esalq, o sucesso foi tão grande que inseriu o agronegócio brasileiro no cenário internacional. “Este sucesso é fruto do trabalho dos profissionais de ciências agrárias, das universidades, de associações e de entidades, destacando-se entre elas a Andef, que, ao lado de suas empresas, desenvolve um intenso programa de pesquisa com entidades de ensino e de ciência, proporcionando a introdução da alta tecnologia no mercado nacional.” Láercio Giampani, vice-presidente da Andef e presidente do Sindag, atribui os méritos à atual direção, mas também a todos os dirigentes e colaboradores que a conduziram em quase quatro décadas. “Esse grupo de pessoas deu excepcionais contribuições ao gigantismo conquistado pelo agronegócio brasileiro, sobretudo por seu empenho em promover a defesa vegetal e a segurança no campo”, elogia o dirigente. “As indústrias conseguiram feitos notáveis nesses 35 anos”, lembra Cristiano Walter Simon, que trabalhou na entidade por 22 anos, 18 deles como presidente. Atualmente, ele é vice-presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) e presidente da Câmara Setorial de Insumos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “Logo que ingressei na Andef, deparei com uma legislação de 1934. As exigências dessa lei eram muito modestas. Os produtos eram extremamente persistentes e tóxicos, como o BHC e o DDT”, diz Simon. Os herbicidas estavam surgindo, só havia produtos antigos no mercado. Não havia exigências ambientais, nem


de saúde, o registro era feito apenas pelo Ministério da Agricultura. Pouco se conhecia sobre as preocupações ambientais. “Elas começaram a surgir na década de 1960 com a publicação do livro da Raquel Carson, A Primavera Silenciosa, em que ela faz um grande alerta ao mundo sobre os riscos dos pesticidas. A indústria começou a se preocupar em nível mundial. Aqui, nós começamos a pensar seriamente na mudança da legislação.” De acordo com Cristiano Walter Simon, na época o sentimento ambientalista na sociedade começava a surgir e era necessário fazer algo condizente não só com as preocupações agronômicas, mas também atender às exigências ambientais e de saúde. “Foi aí que conseguimos desenvolver uma legislação, depois de várias audiências públicas. Em 1989, foi promulgada a Lei 7.802, que é Lei dos Agrotóxicos.” O problema não era apenas o uso com pouco critério dos defensivos pelo agricultor, mas também o fato de a fiscalização ser muito menos eficiente do que é hoje. Por isso, na verdade, foi a indústria que se antecipou às exigências e aprimorou o uso dos produtos. Na parte, por exemplo, do monitoramento de resíduos, a Andef fez vários trabalhos para verificar se o que era publicado na imprensa era real. “Em alguns casos, sim. Em outros, o problema era inexistente. Se há problema de resíduo, é porque o produto está sendo mal aplicado. Também havia casos de intoxicação, mas a toxicidade dos produtos diminuiu muito nos últimos anos. Ou seja, enfrentamos a fase em que tudo estava por ser feito.” Hoje se fala muito em sustentabilidade, mas vinte anos atrás o tema era assunto de pouquíssimos círculos de especialistas em todo o mundo. Mas, em 1990, a Andef e suas entidades parceiras criavam o Curso Simpas, Sistema Integrado de Manejo da Produção Sustentável. “Na época, na área de defesa vegetal, as coisas não eram tão claras, mas os técnicos foram se especializando, os toxicologistas estudando o tema, médicos escreveram livros sobre tratamentos a pessoas intoxicadas”, diz o ex-presidente da Andef. “Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) não eram utilizados na prática, e a lei obrigou a sua utilização. Vale lembrar que os primeiros EPIs não eram muito práticos para um ambiente tropical. Os equipamentos feitos de lona e borracha não permitiam a transpiração, as máscaras embaçavam. As indústrias desenvolveram EPIs de tecidos mais leves, que transpassam o ar, mas não o líquido.” O receituário agronômico foi outro grande marco,

Laércio Giampani, diretor-geral Brasil da Syngenta, vice-presidente da Andef e presidente do Sindag, Sindicato Nacional de Produtos para a Defesa Agrícola pois disciplinou as vendas e distribuiu as responsabilidades. A Andef criou um departamento de treinamento para os engenheiros agrônomos, liderado por Marçal Zuppi, e começou os cursos com agrônomos no Brasil inteiro. Outro fato marcante foi a realização, juntamente com a Embrapa, do 12º Congresso Internacional de Proteção de Plantas, no Rio de Janeiro. “O tema foi o manejo integrado. Foi um momento marcante, uma grande aliança entre a Andef e os grandes cientistas e pesquisadores do Brasil”, conta Simon. O registro hoje é um dos grandes gargalos que a indústria encontra para poder acelerar sua evolução tecnológica, segundo o ex-presidente da Andef. “A legislação vigente determina que os órgãos oficiais têm 120 dias para deferir ou indeferir um processo, e a verdade é que não se consegue um registro com menos de dois a quatro anos – quando se consegue.” Nesses 35 anos, outro legado da pesquisa e desenvolvimento das empresas associadas da Andef foi gerar produtos modernos, usados em quantidades muito menores por hectare. “Em gramas, quando antigamente eram quilos por hectare. Em 1965, falava-se em 20 a 30 quilos por hectare de pó seco, depois de 2 a 4 litros por hectare, e hoje se aplicam 15 a 50 gramas por hectare”, compara Cristiano Simon. Ele acrescenta que o manejo integrado da produção é uma prática largamente utilizada nas principais lavouras. Não há como fazer uma agricultura segura e saudável sem o MIP.

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35 anos de ANDEF. Respeito e dedicação ao trabalhador, ao meio ambiente e ao empresário do campo.

2009, DuPont do Brasil S.A. - Todos os direitos reservados. 30 © Copyright D E F E S A V E G E TA L

Se 35 anos de ANDEF pudessem ser resumidos em uma frase, o título ao lado seria perfeito. A DuPont presta homenagem à associação pelos 35 anos de contribuição à terra, ao agricultor e ao empreendedor do agronegócio brasileiro. Parabéns!


MERCADO

Brasil: demanda e perspectivas O aprimoramento do manejo fitossanitário, incluindo a utilização correta de defensivos agrícolas, é fundamental para o avanço do agronegócio brasileiro e a consolidação do país como o principal produtor agrícola do mundo

E

m lavouras nos países de clima tropical, como o Brasil, a quantidade e população de pragas são maiores do que em regiões com predominância de clima temperado. Essas regiões, como os Estados Unidos e países europeus, apresentam, entre outras características, um período do ano muito frio, praticamente sem plantas hospedeiras vegetando no campo, criando interrupção natural no ciclo das pragas. Para ilustrar, o “vazio fitossanitário”, recomendado e exigido por legislação em diversos estados do Brasil como eficiente medida de manejo da ferrugem asiática da soja, cumpre o mesmo efeito biológico que o exercido pelo frio, com a ausência de plantas hospedeiras por um período de três a quatro meses. Além disso, em geral, quanto mais baixa a temperatura, maior é o ciclo de vida das pragas. Assim, em países tropicais, uma praga pode se reproduzir a cada 15 dias, enquanto em regiões temperadas este ciclo se repete a cada 25 dias. Isto, juntamente com o número de indivíduos produzidos em cada geração, faz com que o aumento populacional da praga seja muito mais lento. Para que as pragas causem dano na produção agrícola, há a necessidade de que atinjam o chamado “nível de dano econômico”. E isto ocorre, com muito mais frequência, em regiões tropicais. Dessa forma, pragas que são importantes para a agricultura brasileira, como a ferrugem asiática da soja,

a lagarta do cartucho do milho, o bicudo do algodão e a mosca-das-frutas, entre outros, causam muito mais danos no Brasil do que em regiões agrícolas de clima mais ameno. Essas pragas exigem manejo mais intenso no País, onerando os custos de controle, com o uso mais frequente de defensivos agrícolas. Tais fatores, portanto, explicam o fato de, em 2008, o Brasil ter se tornado o país com o maior uso mundial da tecnologia de defensivos agrícolas (Agrow, nº 560, 30/1/2009, pág.17). Por sua vez, a aplicação de defensivos agrícolas em regiões tropicais gera, normalmente, ganhos em rendimento (produtividade) mais significativos quando comparados a lavouras sem uso do procedimento. Essa tecnologia é uma das principais responsáveis pelos expressivos aumentos em produtividade das lavouras no Brasil (cerca de 3,5% ao ano, nos últimos 20 anos), contribuindo para que o crescimento da produção não tenha exigido aumento expressivo na área cultivada – apenas 0,8% ao ano, nos últimos 20 anos. Eis uma importante contribuição da inovação e do emprego de técnicas modernas para a sustentabilidade socioambiental. Não há necessidade de derrubar florestas para produzir mais, basta investir em tecnologia, no aumento de produtividade e num manejo adequado e sustentável. E o Brasil pode aumentar muito mais a produtividade.

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Panorama mundial Culturas estratégicas para a segurança alimentar – como milho, feijão, arroz e trigo, entre outras – têm potencial de, pelo menos, dobrar o rendimento. As pragas são responsáveis por cerca de 40% da redução de produtividade no Brasil. O aprimoramento do manejo, incluindo a utilização correta e segura de defensivos, é fundamental para o avanço, essencial para a consolidação do País como o principal produtor agrícola do mundo, de acordo com dados da FAO e da consultoria Amis Global. Observou-se, em 2007, que o consumo de defensivos por unidade de área cultivada no Brasil é cerca de dez vezes inferior à do Japão e metade à da França. Denota-se, ainda, que o consumo de defensivos por unidade de produção é inferior ao de países como os Estados Unidos e a Argentina. A França utiliza cerca de três vezes mais e o Japão dez vezes mais que o Brasil, por tonelada produzida. Embora com um consumo menor por unidade de produção e por área, a demanda por defensivos agrícolas no Brasil, em toneladas de ingrediente ativo, vem se elevando para as principais culturas. Um dos motivos é o econômico: preços compensadores para os agricultores induzem a busca de maior produtividade e maiores produções, elevando o uso, por área, de tecnologias em insumos agrícolas, a chamada demanda derivada.

Tal crescimento na demanda por defensivos agrícolas (mensurada pelo consumo em tonelada de ingrediente ativo) pode ser observado no gráfico ao lado. Numericamente pode se observar o aumento quando se determina a taxa média anual de crescimento, ajustada por regressão linear. Para o horizonte temporal de dez anos (1999, início da desvalorização do real, até 2008) obteve-se uma taxa média anual de crescimento (considerando-se todas as classes de defensivos) de 11,06%. As taxas de crescimento mais expressivas foram para o conjunto “Outros” (antibrotante, reguladores de crescimento, espalhante adesivo, óleo mineral) com 12,83% de crescimento ao ano, acompanhada, com boa aproximação, pela de inseticidas (12,38% a.a.), herbicidas (12,17% a.a.) e com menos intensidade relativa de crescimento pelos fungicidas (6,29% a.a.) e acaricidas, com crescimento anual médio de 4,29%.

Como o crescimento na demanda se distribui entre as principais culturas? Atualmente, as três principais culturas em termos de área plantada são: soja (21,5 milhões de hectares), milho (safra e safrinha, 14,5 milhões de hectares) e cana-de-açúcar (9,5 milhões de hectares em 2008), que, em termos absolutos, abocanharam a maior fatia relativa do total demandado por defensivos agrícolas, medido em termos físicos (tonelada de ingrediente ativo).

Demanda por culturas As culturas que apresentaram taxas médias de crescimento mais sensíveis, para área plantada, no horizonte temporal de 1999-2008, foram: cana-de-açúcar (7,44% a.a.), em função do aquecimento na demanda

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www.fmcagricola.com.br

É no campo que se vê a importância desta data

35 anos Sustentabilidade, respeito ao homem e ao meio ambiente, uso adequado e responsável de produtos fitossanitários. Valores e práticas que a ANDEF ajudou a disseminar e hoje fazem parte da realidade do campo brasileiro.

Parabéns, ANDEF, pelo brilhante trabalho.

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interna com os incentivos para a produção de etanol e possibilidades crescentes de exportações; a soja (5,54% a.a.), puxada pela maior demanda internacional e crescimento da produção de carnes (farelo de soja); o trigo (4,80%) devido a forte dependência externa dos preços internacionais e demanda insatisfeita pela reduzida oferta doméstica; o algodão (3,02% a.a.) e o milho (1,58% a.a.), pela atratividade recente dos preços internacionais e redução da oferta nos EUA em função do deslocamento da área de produção de etanol, e aumento na área cultivada com milho safrinha no Brasil. Por sua vez, apresentaram taxas decrescentes o arroz (-1,98% a.a.) e o feijão (-1,03% a.a.). O decréscimo observado na taxa média de crescimento para área com arroz, em parte se deve a competitividade internacional das culturas da soja e, mais recentemente, do milho em regiões em que as culturas competem por área de plantio. O crescimento na área plantada com cana-de-açúcar, soja, trigo, algodão e milho, bem como o emprego de tecnologia “capital intensivo” e a maior incidência de pragas e moléstias levaram a um aumento

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no uso de defensivos agrícolas visando o manejo e controle dos mesmos. De modo geral, taxas positivas de crescimento obtidas para a área, evidenciando aumentos gradativos temporalmente, são acompanhadas, em termos absolutos, pelo crescimento no consumo de defensivos agrícolas vis-à-vis a evolução na área cultivada. Para a cultura da soja, evidencia-se o crescimento com fungicidas que, no período, apresentou taxa anual média de crescimento de 26,59% devido, principalmente, à maior incidência da ferrugem da soja a partir de 2003. Observa-se também intensa evolução média no consumo para a classe dos acaricidas, amplamente utilizados para o controle de ácaros (vermelho, rajado e branco) que atingem diversas culturas. Na cana-de-açúcar observa-se o crescimento anual médio de 20,76% para a classe de inseticidas, evidenciado, principalmente, pela expansão de 7,44% a.a. na área cultivada e o intenso controle das cigarrinhas e lagartas. O cultivo de milho registrou o crescimento de 49,22% a.a. em fungicidas, devido à grande incidência das doenças, principalmente as ferrugens e manchas foliares. Outro fator foi o aumento do cultivo de milho safrinha, no período de inverno. Nesse período exige-se incremento hídrico, propiciado por práticas de irrigação. Com isso cria-se um microclima favorável à esporulação e ao ataque de fungos. Além disso, a


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intensificação no cultivo favorece a manutenção e expansão de populações causadoras de doenças, bem como as pragas que atacam a cultura e reduzem, consideravelmente, a população de inimigos naturais, fazendo com que posteriores ataques sejam mais severos. A cotonicultura, intensamente atacada por pragas e doenças, teve a classe de “Outros”, compreendida pelas categorias dos antibrotantes, espalhantes adesivos, óleo mineral e reguladores de crescimento, com o maior crescimento médio, registrando uma taxa anual de 24,60%. Esses produtos são aplicados conjuntamente a inseticidas, fungicidas, acaricidas com a finalidade de otimizar a eficiência do ingrediente ativo. Em segundo lugar, a classe dos fungicidas apresentou crescimento médio de 20,80%, enfatizado pela necessidade de controle deproblemas como as doenças foliares. Para as culturas de arroz e trigo, a classe dos inseticidas apresentou o maior crescimento médio anual, com 12,11% e 26,37% respectivamente. No caso do arroz, o crescimento deveu-se, principalmente, à elevada incidência de pragas. Em relação à triticultura, a expansão média de 4,80% ao ano na área foi puxada por inseticidas, responsáveis pelo controle das pragas.

Perspectivas Para o futuro, o Brasil está sendo considerado como o grande supridor mundial de grãos, cereais, fibras e biocombustível. Para a Embrapa (Liderança na Agricultura Tropical, Agroanalysis, vol. 28, nº 9, setembro 2008, pág. 22), “a liderança do Brasil na chamada agricultura tropical, atribuída e reconhecida mundialmente pela capacidade de inovação tecnológica demonstrada pelo País, não é de fato, obra do acaso. Ainda que o Brasil seja privilegiado por suas condições naturais favoráveis, essa liderança foi construída especialmente

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nos últimos quarenta anos, com profundas transformações na sua agricultura: incremento acelerado da produtividade, produtos agrícolas com preços reduzidos e de melhor qualidade, e, agregação de valor à produção. Esses benefícios econômicos e sociais, embora restritos a determinadas regiões tropicais, baseiam-se em iniciativas voltadas ao manejo dos recursos naturais em sistemas de produção sustentáveis; a pesquisas multidisciplinares conduzidas em diferentes instituições, à disseminação de novas tecnologias e à promoção de desenvolvimento rural”. Por sua vez, a agricultura tropical está sendo caracterizada como a grande fronteira do biocombustível competitivo e sustentável ambientalmente. E, num mundo em mudança que requer sustentabilidade socioeconômica e ambiental, e a geração de produtos da agricultura em conformidade com as melhores práticas consideradas limpas, a hegemonia brasileira como o grande supridor do agronegócio mundial exigirá novas tecnologias ambientalmente sustentáveis. Nese cenário, a expectativa dos setores supridores de insumos para a agricultura, entre eles, o de defensivos, descortinam crescimentos na demanda futura por seus produtos certificados. Diante desse quadro, espera-se, para anos à frente, evolução positiva nas taxas de crescimento das diferentes classes de defensivos agrícolas (químicos e biológicos). Evaristo Marzabal Neves, engenheiro agrônomo e professor titular da USP/Esalq; José Otavio M. Menten, engenheiro agrônomo, Diretor executivo da Andef e professor licenciado da USP/Esalq; Marcella M. Menten e Natalia de Campos Trombeta, estudantes e estagiárias da USP/Esalq.


MERCADO

levantamento e análise de preços Em abril de 2003 eram necessárias 91,5 sacas de soja para adquirir uma cesta de defensivos agrícolas, tendo aumentado para 121,6 sacas em abril de 2006, decrescendo para 49,3 sacas em abril de 2009

O

s defensivos agrícolas representam parcela significativa do custo de produção das principais culturas da agricultura paulista. Diante da necessidade de estabelecer um levantamento sistemático de preços, organizado de forma a possibilitar o seu melhor conhecimento, surgiu o Projeto de Levantamento de Preços de Defensivo Agrícolas no Estado de São Paulo. O trabalho, que engloba os principais produtos sob patente, bem como os genéricos, se constitui em uma ferramenta crível para analistas do mercado e importante subsídio para agricultores, órgãos de pesquisa, empresas e outros. A pesquisa teve início em 2000, em todas as firmas que comercializam defensivos nos principais polos de produção agrícola. Inicialmente, foram selecionados 18 municípios; em 2007, foi realizado amplo estudo sobre novos polos que vinham ganhando importância na produção agrícola e, então, 16 novos municípios foram incorporados e a amostra passou a ser composta de

34 municípios. Com o objetivo de orientar os agentes de mercado, passou-se, também, a estudar relações de troca entre defensivos agrícolas e as principais culturas. São efetuados quatro levantamentos por ano: janeiro, abril, agosto e outubro. Colaboram 130 estabelecimentos, entre revendas e cooperativas, que disponibilizam os preços cobrados no balcão para 136 defensivos agrícolas, sendo 44 inseticidas, 30 fungicidas, 48 herbicidas, nove acaricidas e cinco reguladores de crescimento. O projeto envolve profissionais do Instituto de Economia Agrícola, IEA, com amplo conhecimento do mercado de defensivos e produtos agrícolas e estatísticas de preços.

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As culturas analisadas nesse estudo são algodão, café, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho e soja – conjunto que respondeu, em 2008, por 85,0% do valor das vendas de defensivos no Brasil. Para cada uma dessas culturas é calculado o preço de uma cesta de defensivos mais frequentemente usados pelos agricultores paulistas, com base nas quantidades médias (dose e número de aplicações) utilizadas de cada produto por hectare, em uma safra. Também é calculada a relação de troca, que indica o poder de compra do produtor para aquisição da cesta de produtos.

Trajetória No período de abril de 2003 a abril de 2009, o estudo do comportamento dos índices de preços de defensivos agrícolas no estado mostra um leve crescimento em abril de 2004, quando alcança o pico do período. Em seguida, verifica-se a queda contínua e acentuada de abril de 2005 a abril de 2008, quando atinge o menor patamar do período. Em abril de 2009, a média dos índices de preços apresenta um pequeno acréscimo (6,6%) em relação ao mesmo mês do ano precedente. Contudo, se comparado com o início do período (abril de 2003), os preços ficaram, em média, 40,0% menores. A variação da taxa cambial tem grande influência na formação dos preços dos defensivos agrícolas, tendo em vista a forte dependência do setor de

importação de ingredientes ativos. Em abril de 2003, início do estudo, a taxa média mensal de câmbio (real/dólar) era de 3,119. A partir dessa data, apresenta flutuações, atingindo em junho de 2004, o pico (3,129) do período analisado (abril de 2003 – 2009). Em seguida mostra novamente flutuações, porém com tendência decrescente, atingindo em julho de 2008, o menor valor do período (1,591). Em agosto de 2008, ocorre uma inversão, apresentando uma tendência crescente até março de 2009, quando chega a 2,314. Porém, em abril de 2009 ocorre uma queda, indo para 2,206. No período de abril de 2008 a abril de 2009, a taxa cambial mensal cresceu 30,6% – de 1,689 para 2,206. Assim, quando se comparam os preços dos defensivos agrícolas no estado de São Paulo, observa-se que dos 130 produtos pesquisados, em valores correntes, 110 produtos (84,6%) registraram acréscimo nos preços e 20 tiveram decréscimo. Por sua vez, em valores corrigidos pelo IGP-DI, observou-se que 92 produtos variaram positivamente, entre 0,4% e 49,4% (sendo que 66 produtos não ultrapassaram a marca de 15,0%), enquanto 38 produtos apresentaram queda entre o mínimo de 0,2% e o máximo de 21,3%. Célia Regina R. P.Tavares Ferreira, engenheira agrônoma, pesquisadora do IEA e Coordenadora dos Projetos; Maria de Lourdes Barros Camargo, engenheira agrônoma e pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola, IEA. Leia mais: www.iea.sp.gov.br/out/banco/menu.php

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EDUCAÇÃO E TREINAMENTO

Boas práticas para uma agricultura sustentável Somente por meio de profissionais sérios seria possível erradicar problemas toxicológicos, ambientais e de resíduos em alimentos

O

curso Sistemas Integrados de Manejo na Produção Agrícola Sustentável surgiu com a promulgação da Lei 7.802, de 1989. Conhecida como Lei dos Agrotóxicos, tornou extremamente rígido o controle dos produtos fitossanitários no Brasil, desde a pesquisa, registro e produção até a aplicação no campo. Os defensivos agrícolas passaram a ser comercializados obrigatoriamente mediante a exigência da apresentação, pelo usuário, de receita agronômica prescrita por profissional legalmente habilitado. As pragas reduzem a produção de alimentos e outros bens indispensáveis à sobrevivência e bem-estar das populações. A tecnologia tem propiciado aos técnicos meios cada vez mais eficazes para superar tais problemas. Dentre eles destaca-se o emprego de defensivo agrícola ou agrotóxico. O controle das pragas por meio dos defensivos agrícolas, apesar de ser rápido, econômico e eficiente, deve ser associado a outros métodos de controle. A instituição da receita agronômica trouxe numerosas responsabilidades ao profissional. A sua capacitação técnica, frequentando cursos de reciclagem, foi e continua sendo imprescindível para que ele possa executar bem suas tarefas e ter confiança e certeza naquilo que está indicando na receita agronômica. A Andef criou uma série de programas na área de educação e treinamento, entre eles o Simpas. Somente por meio de profissionais sérios, competentes e bem treinados, envolvidos em constantes programas de educação e treinamento do homem do campo, é que será possível reduzir e até erradicar problemas toxicológicos, ambientais e de resíduos tóxicos nos alimentos. Estabeleceu-se a missão da Andef para a formação de agentes multiplicadores e no planejamento de programas de educação e treinamento, em convênio com entidades públicas e privadas. O Simpas foi desenvolvido para ter como públicoalvo profissionais e formandos em ciências agrárias. O conteúdo programático do curso é de 20 horas, com os seguintes temas: defensivos agrícolas,

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fertilizantes, sementes e mudas, máquinas e equipamentos, avaliação de risco toxicológico e ambiental, manejo integrado de pragas, produção integrada e segurança alimentar e agronegócio. Para tanto, foi importante os convênios assinados com as outras associações coirmãs de insumos agrícolas: Abrasem, Anda, Abimaq e IPNI e com a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). Os objetivos estabelecidos para o Simpas foram os de levar aos profissionais de ciências agrárias, como multiplicadores, conhecimentos técnicos em sistemas integrados de manejo de culturas, isto é, a produção econômica de culturas de alta qualidade, com prioridade para métodos de cultivo ecologicamente seguros e utilizando insumos agrícolas que garantam a salvaguarda da saúde humana e a preservação ambiental. Sabemos que tudo isso só é possível com a boa prática agrícola como sendo um conjunto de medidas adotadas pelo nosso homem do campo, com o objetivo de produzir economicamente alimentos saudáveis, com qualidade e de forma a preservar a saúde das pessoas e o meio ambiente. A boa prática agrícola nos garante uma agricultura sustentável, preservando os recursos naturais para gerações futuras. Marçal Zuppi é engenheiro agrônomo e consultor da Andef


SUSTENTABILIDADE

Do pioneirismo à liderança mundial

N

A receita para o sucesso do inpEV é a união de forças de todos os elos da cadeia produtiva de defensivos agrícolas

o início da década de 90, a indústria se engajou na busca por uma solução definitiva para as embalagens vazias de defensivos agrícolas. Com o pioneirismo e o suporte da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef, os fabricantes deram os primeiros passos, com o levantamento do fluxo das embalagens vazias e a implantação de uma unidade piloto de recebimento no Brasil, em 1994. Ali tinha início o sistema que hoje faz do país o líder entre as nações que possuem um programa de descarte destas embalagens. Os estudos de viabilidade continuaram e a Andef detectou a necessidade de formar uma equipe de profissionais para o processo de destinação, dando sua valiosa contribuição para alavancar a criação de uma entidade para o setor. Em 14 de dezembro de 2001, foi fundado o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – inpEV –, entidade sem fins lucrativos responsável por esta atividade. O instituto entrou em funcionamento em março de 2002, com 22 empresas associadas, e encerrou aquele ano com 3.700 toneladas de embalagens vazias devolvidas. Naquela época, nosso grande desafio era receber e organizar toda a logística de forma integrada e eficiente. Hoje, a infraestrutura comporta cerca de 400 unidades de recebimento. Em 2008, foram destinadas 24,4 mil toneladas de embalagens, sendo que, de 2002 até junho de 2009, aproximadamente 140 mil toneladas de embalagens foram retiradas do meio ambiente.

Educação na base A receita para o sucesso vem da união de forças de todos os elos da cadeia produtiva: agricultores, Poder Público, 76 empresas associadas ao inpEV e os mais de 2.900 distribuidores e cooperativas que participam do programa, em 25 estados, que cumprem suas responsabilidades de acordo com a Lei Federal 9974/00. A educação também é um fator de sucesso e a base de todo o trabalho de conscientização desenvolvido com os produtores rurais. E além dos comprovados benefícios ambientais, o programa emprega quase 2.500 pessoas nas unidades de recebimento, recicladoras ou em oportunidades para terceiros. No lado econômico, buscamos a autossustentabilidade do sistema e, como primeiro passo, inauguramos, no ano passado, a Campo Limpo Reciclagem e Transformação, em Taubaté, SP, com investimentos de R$ 12 milhões, por 31 fabricantes de defensivos agrícolas. Esse trabalho tem seu ponto alto em todo dia 18 de agosto, quando é celebrado o Dia Nacional do Campo Limpo. Nesta data, é difundido e comemorado os bons resultados do sistema de destinação final. Comemorada desde 2005, a data passou a integrar o calendário oficial brasileiro em 2008. Este dia se consagra como um momento especial que mostra o lado positivo de um trabalho sério desenvolvido a cada dia pelo inpEV, com o importante apoio da indústria. João Cesar Rando, engenheiro agrônomo e diretor-presidente do inpEV.

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f3 agro

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WORKSHOP INTERNACIONAL

Entre 9 e 13 de novembro, evento procura harmonizar problemas relacionados ao meio ambiente, saúde humana e regulação

Foto: Otavio Valle

Métodos científicos O 3º Workshop Internacional da IUPAC reunirá pesquisadores e cientistas envolvidos com a proteção de culturas e a biotecnologia

A

capital do Rio de Janeiro abriga, em novembro, importantes debates que envolvem a ciência na agricultura. Trata-se da 3ª edição do Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina promovido pela IUPAC (na sigla em inglês: International Union of Pure and Applied Chemistry). O evento acontece entre os dias 9 e 13 e tem como objetivo harmonizar problemas antigos e emergentes relacionados ao meio ambiente, saúde humana e regulamentação. O formato do IUPAC visa facilitar a troca de informações e ideias que envolvem métodos científicos de avaliação e para a regulamentação da defesa agrícola. Pesquisadores e cientistas envolvidos com a proteção de culturas e a biotecnologia terão oportunidade de se atualizarem sobre os desenvolvimentos da ciência agrí-

cola. Os participantes irão se relacionar com um grupo internacional, multidisciplinar e com objetivos e interesses similares. Todos os presentes receberão apoio para apresentar um pôster de seus trabalhos para exposição ao longo do Workshop. Nesta seção, serão incluídos cinco tópicos: Química Inovativa e Tecnologia para Proteção Química; Regulamentação da Avaliação de Risco e Harmonização Global; Química Ambiental e Gerenciamento de Risco; Resíduos de Defensivos Agrícolas em Alimentos; Educação e Gerenciamento da Informação em Proteção Química. O evento recebe apoio da CropLife International, representante das associações e empresas de defesa vegetal no mundo. Inscrições e mais informações: www.iupacrio2009.org.

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AGENDA VEGETAL controle de pragas em soja O I Workshop sobre Nível de Controle de Pragas na Cultura da Soja será realizado nos dias 14 e 15 de outubro, na Embrapa Soja, em Londrina, PR. O objetivo é discutir sobre a validade dos níveis de controle das principais pragas da soja (lagartas e percevejos) em diferentes situações. Os interessados devem confirmar presença pelo e-mail eventos@cnpso.embrapa.br ou pelo telefone (43) 3371-6068.

XXVI Congresso Brasileiro de Agronomia A Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil, CONFAEAB, em parceria com a Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul, SARGS, organiza em outubro o XXVI Congresso Brasileiro de Agronomia. A Andef apoia o evento, que tem como tema Agricultura Forte: Alimento, Energia e Meio Ambiente. O Congresso acontece entre os dias 20 e 23 de outubro, em Gramado, RS. No dia 23, a Conferência nº3 abrange O Rural e o Urbano no Desenvolvimento Sustentável e envolve o avanço da ciência na agricultura e a independência tecnológica. Contatos: CONFAEAB (61) 3349-5009 / SARGS (51) 3226-6931.

CONFIRA OS PRÓXIMOS EVENTOS 4 a 10/10 2º Congresso Internacional de Nematologia Tropical, em Maceió, AL 7 a 9/10 II Simpósio Internacional Amazônico Sobre Plantas Daninhas, em São Luís, MA 21 e 22/10 Encontro com professores universitários, em São Mateus, ES 27 a 30/10 35º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, em Araxá, MG 9 a 12/11 3º Workshop Internacional em Proteção Química de Culturas na América Latina, no Rio de Janeiro, RJ 26 a 28/11 III Congresso Brasileiro de Tomate Industrial, em Goiânia, GO

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Como alimentar o mundo em 2050 Três atos importantes serão realizados em Roma, na Itália, pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – a fim de preparar o terreno para o Dia Mundial da Alimentação. Nos dias 12 e 13 de outubro, ocorre um Fórum de Especialistas que debatem Como Alimentar o Mundo em 2050. Os participantes analisarão as medidas que devem ser tomadas pelo governo para que se promova a segurança alimentar no mundo. O Comitê de Segurança Alimentar está programado para se reunir entre os dias 14 e 17, para discutir reformas governamentais. De 16 a 18 de novembro, é a vez do World Summit on Food Security, uma reunião de cúpula que se reúne a fim de criar um consenso de ações-chave para lidar com a crise alimentar no mundo. Mais informações: www.fao.org.br/dma.asp.

Responsabilidade durante os processos A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) organiza a 2ª Conferência Latino-Americana de Segurança de Processos e o 13º Congresso de Atuação Responsável, de 21 a 23 de outubro, em São Paulo. Os principais temas abordados serão os avanços práticos e tecnológicos na área de segurança de processos; os resultados obtidos pela indústria química com a aplicação do Programa Atuação Responsável e os desafios do setor nas áreas de meio ambiente, segurança, saúde, proteção e responsabilidade social. Em paralelo aos eventos, haverá uma exposição de equipamentos e serviços. Mais informações pelo site www.abiquim.org.


Agricultura em primeiro lugar

CropLife

FARMING FIRST

Farming First, programa criado por entidades internacionais do agronegócio – no Brasil, com apoio da Andef –, propõe ações globais para aumentar a produção agrícola de forma sustentável

O

s agricultores estão no coração desta solução: são eles que cultivam, gerem a terra e protegem a biodiversidade. Para alimentar a população, que se espera em 2050 ter 2,3 bilhões de habitantes a mais, os agricultores do mundo todo deverão duplicar, ou mesmo triplicar, sua produção de alimentos. No entanto, políticas agrícolas negligenciaram o papel relevante que os agricultores, principalmente os pequenos produtores e as mulheres, devem desempenhar para realizar este desenvolvimento sustentável.

• Melhorar a gestão das bacias hidrográficas e o uso da água. • Proteção do habitat, da fauna selvagem e da biodiversidade através de uma aproximação integrada com os ecossistemas. • Proporcionar incentivos para melhorar a preservação dos ecossistemas. • Promover uma gestão sadia de substâncias químicas, incluindo a melhoria da saúde e a segurança dos trabalhadores rurais.

Apelo para entrar em ação

2. Partilhar conhecimentos. Embora já exista muito conhecimento necessário para melhorar a agricultura global, até mesmo dentro de comunidades indígenas remotas, muitas vezes ele não chega até os agricultores que poderiam ser beneficiados. • Aumentar o nível de educação sobre a gestão de culturas e recursos naturais para agricultores e trabalhadores rurais, incluindo mulheres. • Tomar medidas importantes para erradicar o trabalho infantil e certificar-se de que as crianças tenham acesso à instrução. • Promover o desenvolvimento de centros de conhecimento baseados em aldeias. • Proporcionar acesso a tecnologias de informação de grande escala para que os agricultores possam receber alertas sobre as condições meteorológicas, de

O Farming First apela para a ação dos responsáveis políticos, para que estes desenvolvam para a agricultura global uma cadeia de valores locais e sustentável. Ela realça a necessidade de formar redes de conhecimento e políticas orientadas a ajudar pequenos agricultores a se tornarem pequenos empresários. O quadro salienta seis princípios, interligados, para o desenvolvimento sustentável.

Os princípios

1. Salvaguardar os recursos naturais. A gestão da terra deve ser melhorada através da ampla adoção de práticas sustentáveis em seu uso. • Pode-se aplicar a agricultura de conservação para evitar a erosão do solo e a degradação da terra.

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culturas e do mercado, bem como outros sistemas de alerta para que eles possam tomar as decisões certas em matéria de sustentabilidade e produtividade. • Estabelecer discussões bilaterais abertas e transparentes, que permitam ouvir a “voz do agricultor”, no processo de formular e implementar uma política a eles adequada.

CropLife

3. Criar acesso local e capacidade. Recursos fundamentais devem ser disponibilizados aos agricultores, incluindo mulheres e jovens, para ajudá-los a gerir o seu processo de produção de forma viável e mais barata. • Assegurar o acesso aos recursos, como terra e água. • Proporcionar acesso rural a serviços de micro financiamento, principalmente o micro crédito. • Construir infra-estrutura – principalmente estradas e portos – para que insumos e equipamentos possam ser disponibilizados aos agricultores. • Estabelecer programas de capacitação na gestão de infra-instrutura, operações e manutenção num quadro local e regional. • Melhorar o acesso a insumos e serviços agrícolas, incluindo ferramentas mecânicas, sementes, adubos e materiais para proteger as culturas. • Encorajar e coordenar múltiplos atores locais para garantir que informações e provisões cheguem até os agricultores. • Investir em bioenergia para obter segurança energética e desenvolvimento rural através de produção local sustentável.

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4. Proteger colheitas. Em muitos dos países mais pobres, perdem-se de 20 a 40% dos rendimentos da colheita, por falta de medidas adequadas. Ao mesmo tempo, grandes quantidades de alimentos são desperdiçados durante as fases de produção e consumo na cadeia alimentar. • Construir locais de armazenagem e mecanismos de transporte, incluindo o armazenamento em cadeia de frio para a preservação de alimentos. • Prover a aplicação de conhecimentos agronômicos, identificação de pragas e informações meteorológicas. • Educar a população sobre as necessidades e os comportamentos de consumo e da produção sustentável, incluindo a necessidade de reduzir o desperdício de alimentos. • Proporcionar ferramentas de gestão de risco para apoiar agricultores nas questões de variações climáticas e do mercado. 5. Facilitar acesso ao mercado. Agricultores devem ter a possibilidade de levar os seus produtos até o mercado e receber por eles um preço justo. • Proporcionar acesso remoto a informações atualizadas sobre os preços do mercado. • Desenvolver mercados eficientes através de informações transparentes, preços justos, infra-estrutura saudável e especulação reduzida. • Encorajar aproximações cooperativas ao marketing, para pequenos agricultores. • Melhorar o marketing dos pequenos agricultores


6. Estabelecer prioridade para a pesquisa. Para realizar uma agricultura sustentável, é necessário pesquisar de forma intensiva e contínua, dando prioridade às culturas localmente relevantes, técnicas de supervisão sustentável (stewardship) e adaptação às mudanças de clima. • Conduzir pesquisas agronômicas sobre a disponibilidade de água, fertilidade do solo e perdas após a colheita, bem como monitorar as mudanças climáticas. • Conduzir pesquisas sobre as variedades de culturas necessárias nas regiões mais pobres e vulneráveis. • Promover a pesquisa orientada para os agricultores de acordo com as suas necessidades. • Melhorar a produtividade através do uso responsável da ciência e da tecnologia. • Estabelecer uma colaboração público-privada de pesquisa sobre soluções integradas. • Aumentar os investimentos de governos e empresas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) . • Pesquisar usos alternativos, ao longo da cadeia de valores, para subprodutos derivados da agricultura.

Investir para desenvolver Governos, empresas, cientistas e grupos da sociedade civil devem centrar a sua atenção para a fonte da nossa segurança alimentar. Todos estes grupos trabalham em conjunto para que vários milhões de famílias de agricultores, principalmente os pequenos, possam produzir mais lavouras de forma sustentável, através de mercados mais ativos, mais pesquisa colaborativa e partilha engajada de novos conhecimentos. A aproximação começa com ênfase nos agricultores e nas ferramentas e informações de que estes precisam para administrar a terra, cultivar, fazer a colheita e levála para o mercado. Embora as tecnologias agrícolas modernas e as abordagens de gestão tenham duplicado a produção das calorias alimentares nos últimos cinquenta anos, muitos pequenos agricultores têm dificuldade em alcançar mesmo o nível mais básico de subsistência. São precisos novos investimentos, incentivos e inovações para haver mais sustentabilidade social e ambiental, enquanto a produção agrícola também deve aumentar. Estes benefícios devem ser disponibilizados a todos os agricultores e trabalhadores rurais, reco-

Monsanto

através da aplicação de técnicas de empreendedorismo. • Reduzir distorções do mercado para melhorar as oportunidades dos setores agrícolas em todo o mundo.

nhecendo o seu papel de guardiões do ambiente, da biodiversidade e dos ecossistemas que são de todos nós. É preciso uma mudança radical de pensamento, colocando o agricultor no centro de práticas agrícolas saudáveis e sustentáveis. Esta abordagem – fornecendo produtividade e sustentabilidade – também deve resultar num sistema de produção e distribuição mais equitativo e eficaz. Em combinação com mercados eficientes e uma infra-estrutura local e regional sustentável, um sistema agrícola melhorado contribuirá para um desenvolvimento econômico melhorado, providenciando segurança alimentar, trabalho aceitável, preços justos e melhor gestão da terra. Para ter êxito, qualquer nova abordagem deve se basear num ambiente político estável, dentro do qual os agricultores possam trabalhar e investir. Para tal, devemos estabelecer este ambiente, a longo prazo, e um quadro de regulamentação para o desenvolvimento da agricultura; melhorar as alocações financeiras nacionais; orientar a ajuda internacional ao desenvolvimento para o setor agrícola nos países em desenvolvimento e consultar de forma global as partes interessadas no projeto e na implementação de programas agrícolas.

Entidades apoiadoras: CropLife International International Federation of Agricultural Producers (IFAP) International Council for Science (ICSU) International Fertilizer Industry Association (IFA) Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) Visite o site www.farmingfirst.org

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ANDEF EM FOCO Seminário de Agrotóxicos em MT Mato Grosso sedia o 1º Encontro de Fiscais e Seminário Matogrossense de Agrotóxicos, de 5 a 8 de outubro, em Cuiabá. No dia 7, Luis Carlos Ribeiro, Gerente de Regulamentação Estadual da Andef, apresenta o perfil do setor de defensivos agrícolas no Brasil. Além de palestrante, a Associação é uma das colaboradoras na organização do evento. Fiscais do MAPA, INDEA, IBAMA, SEMA, CREA e da Secretaria da Saúde Estadual participarão do Workshop. No Seminário, estarão presentes produtores rurais, engenheiros agrônomos e técnicos da área. Os eventos serão realizados na Superintendência Federal de Agricultura (SFA/MT).

Andef será homenageada pela Esalq Entre os dias 5 e 10 de outubro, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Esalq, e sua Associação de Ex-alunos, Adealq, organizam a 52ª Semana Luiz de Queiroz. Este ano, a Andef receberá uma homenagem da instituição pelos 35 anos que completa em 2009, durante a Sessão Solene de encerramento do evento, no dia 10, às 9h30. Na mesma data, acontece a reunião de confraternização dos ex-alunos e a comemoração do Dia Nacional do Engenheiro Agrônomo, celebrada anualmente no dia 12 de outubro.

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Prêmio ANDEF de Mérito Fitossanitário O XIII Prêmio ANDEF de Mérito Fitossanitário já tem data marcada para 2010. Em 24 de maio, a Associação Nacional de Defesa Vegetal homenageia os responsáveis pelos melhores projetos de responsabilidade socioambiental no campo e uso correto de defensivos agrícolas. O evento será realizado no Esporte Clube Sírio, na capital paulista. As empresas associadas à Andef, canais de distribuição e centrais de recebimento de embalagens vazias de produtos podem inscrever suas atividades até 31 de março. A apresentação de cada participante à Comissão Julgadora será realizada em 27 de abril, e a avaliação dos trabalhos, dia 28. Promovido pela Andef há 13 anos, o Prêmio é uma ação de incentivo e reconhecimento aos profissionais e organizações que se destacam com suas atividades realizadas no ano anterior. Na última edição, as sete indústrias inscritas levaram ao campo mais de 700 técnicos, que desenvolveram mais de sete mil atividades e alcançaram quase 10 milhões de pessoas por meio de palestras, dias de campo e treinamentos. Leia o regulamento do Prêmio em www.andef.com.br/2008/trein03.asp.


OPINIÃO

ALIMENTOS SAUDÁVEIS E QUALIDADE DE VIDA As mudanças climáticas exigirão uma nova agricultura, na qual a pesquisa terá papel decisivo

A

expectativa e a qualidade de vida dos homens e mulheres vem melhorando nos últimos anos, no mundo e no Brasil. Em 30 anos, a vida média aumentou cerca de 15% e existem cada vez mais pessoas acima de 50 anos com excelente saúde e aspecto. Antigamente, essas pessoas eram consideradas “velhas”. Em 1950 havia 24.000 pessoas com mais de 100 anos no mundo. Atualmente são 269.000 e, em 2050, deverão ser 3.800.000. Dentre os diversos fatores responsáveis por esta situação que deve ser comemorada, estão: redução da taxa de mortalidade infantil no início da vida e aumento do índice de sobrevivência a doenças. Isto vem sendo conseguido graças à melhoria no saneamento básico, programas de vacinações, antibióticos/medicamentos, tecnologia médica e, em especial, aprimoramento da nutrição. Embora ainda existam obesos e subnutridos no mundo e no Brasil, em regiões ou sociedades com condições aceitáveis de desenvolvimento, as pessoas se alimentam cada vez melhor. Para que isto ocorra, há necessidade de maior disponibilidade e diversidade de alimentos de boa qualidade. Se compararmos a dieta básica dos brasileiros nas décadas de 50/60 e atualmente, serão encontradas diversas diferenças claras: mais consumo e diversidade de frutas, hortaliças, cereais e grãos. Isto significa mais proteínas/aminoácidos, sais minerais e vitaminas. A maior disponibilidade de alimentos depende, basicamente, da agricultura. São os agricultores, em suas hortas, pomares, sítios, chácaras e fazendas quem produzem os alimentos, essenciais para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Há 50 anos, a produção de frutas de clima temperado (uva, maçã, pêssego etc.) era insignificante em São Paulo e no Brasil. Alface era uma das poucas verduras consumidas.

Poucos conheciam rúcula, agrião, cenoura, beterraba etc. No café da manhã não se pensava em consumir suco de laranja, cereais e frutas. A utilização da gordura animal era muito maior que dos óleos vegetais. Diversos destes vegetais não eram cultivados por apresentarem muitas pragas, não tornando a produção sustentável. Dentre os diversos fatores que influem na produção está o manejo de pragas. E, entre as alternativas de manejo, destaca-se o uso racional de defensivos agrícolas. Embora haja a hipótese de relação entre envelhecimento e exposição a defensivos agrícolas, os homens antes de 1930 – época em que os defensivos começaram a ser utilizados comercialmente –, envelheciam e morriam antes que nos dias atuais. Todos esses alimentos, quer sejam produzidos por técnicas convencionais (uso de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas) ou por técnicas alternativas (orgânicos, biodinâmicos etc.) têm que ser saudáveis. Seguindo os procedimentos desenvolvidos em universidades e centros de pesquisa, produzir em quantidade, qualidade e diversidade é possível. O Brasil é o país com melhor tecnologia agrícola tropical em todo o mundo. Uma alimentação sadia e balanceada é fator essencial para a melhoria da qualidade de vida. E estes alimentos vêm do campo, da zona rural, de agricultores que assimilam o que existe de mais moderno em tecnologia agrícola. Com seu trabalho em fins de semana e feriados, com frio ou calor, chuva ou sol, estes profissionais contribuem para que os homens vivam mais e melhor. *José Otavio Menten é mestre em Fitopatologia, doutor em Agronomia e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef.

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A Revista de quem planta e cria Há 35 anos, a Andef mostra que proteger as lavouras é tão importante quanto semeá-las. E é preciso que o consumidor final entenda e desfrute desta segurança, o que só acontece com o envolvimento de toda a cadeia produtiva. Como não poderia deixar de ser, a Revista Terraviva apoia tal integração.

Desenvolvida pela parceria entre a Editora Lua e o Grupo Bandeirantes de Comunicação, a Revista Terraviva tem levado ao homem do campo informações seguras sobre todas as cadeias produtivas do agronegócio, previsões, análises de tendências e projeções que servem de base sólida para definição de estratégias e direcionamento de projetos de sucesso. Além do setor rural, a Editora Lua também produz publicações consolidadas nos segmentos de culinária, saúde e educação. Conheça os outros títulos no www.editoralua.com.br.


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ParabĂŠns, Andef! Que venham mais 35 anos de sucesso.

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Café é Saúde.

Ele tem o poder de melhorar o desempenho. Tá explicado por que o Brasil bate recordes de produção a cada ano. Conte com o herói que ajuda você a ajudar o Brasil. Beba café. O Brasil conta com um super-herói. Ele exportou 29,5 milhões de sacas, com faturamento de US$ 4,7 bilhões no ano passado e gera nada menos que 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos. E quer saber mais o que ele faz? Pode prevenir doenças, como asma e depressão, dá mais disposição, melhora a concentração e até o desempenho dos atletas. Com uma ajuda dessas, quem não constrói um grande país? Pois é, Brasil, continue contando com ele. Beba café.

Para um consumo saudável, beba até 4 xícaras de café por dia.

Revista Defesa Vegetal Outubro  

Revista brasileira da Associação Nacional de Defesa Vegetal

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