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distritos? Eu não sei. Isso não faz sentido. Eu me viro na cama até que não posso mais suportar. Eu tenho de sair daqui. Pelo menos por algumas horas. Minhas mãos vasculham meu armário até que eu encontro uma roupa de inverno que Cinna fez para mim para uso recreativo no Tour da Vitória. Botas a prova d’{gua, um casaco de neve que me cobre dos pés a cabeça, luvas térmicas. Eu amo minhas antigas roupas de caça, mas a caminhada que eu tenho em mente hoje é mais adequada para roupas de alta tecnologia. Eu desço as escadas nas pontas dos dedos, enchendo minha bolsa com comida, e saio da casa. Seguindo por ruas e becos, eu caminho até o ponto fraco da cerca próximo ao açougue do Robba. Visto que muitos trabalhadores passam por ali para chegar às minas, a neve está marcada por pegadas. As minhas não serão notadas. Com todas as suas instalações de segurança, Thread não prestou atenção à cerca, talvez sentindo que o tempo duro e os animais selvagens fossem suficientes para manter todos do lado de dentro. Mesmo assim, uma vez que estou debaixo das correntes, apago meus traços até que as árvores as ocultem para mim. Está amanhecendo quando retomo meu arco e minhas flechas e começo a forçar caminho pela neve na floresta. Estou determinada, por alguma razão, a ir ao lago. Talvez para dizer adeus ao lugar, para meu pai e o tempo feliz que passamos ali, porque sei que provavelmente nunca voltarei. Talvez só assim eu possa respirar direito novamente. Parte de mim não se importa realmente se eles me pegarem, se eu posso vê-lo mais uma vez. A viagem leva o dobro do tempo usual. As roupas de Cinna estão todas quentes agora, e chego encharcada de suor debaixo do casaco de neve enquanto meu rosto está dormente pelo frio. A visão do sol no inverno sobre a neve está brincando com meus olhos, e estou tão exausta e ocupada com meus pensamentos perdidos que não percebo os sinais. O filete de fumaça de uma fogueira, as marcas de pegadas recentes, o cheiro de agulhas de pinheiro fumegantes. Estou literalmente a poucos metros da porta da casa de cimento quando paro de supetão. E não é por causa da fumaça ou das marcas ou do cheiro. É por causa do clique inconfundível de uma arma atrás de mim. Segunda natureza. Instinto. Eu me viro, puxando uma flecha, embora eu já saiba que as chances não estão ao meu favor. Eu vejo o uniforme branco dos Pacificadores, o queixo pontudo, as íris castanho-claros para onde minha flecha está apontada. Mas a arma está caindo no chão e uma mulher desarmada está estendendo algo para mim com sua mão enluvada. ‚Pare!‛ ela grita.

JOGOS VORAZES 2  
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