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JORNAL DA ASSOCIAÇÃO PACHAMAMA - ANO VII - NÚMERO 24 – JANEIRO E FEVEREIRO/19

EDITORIAL PRÁTICA DOS 21 DIAS liberar das carências e do que te aprisiona, propiciar experimentarte mais feliz. Para cada praticante traz um presente, brinda novas compreensões. E quem sabe tu te permites voar, além dos conhecidos céus. Em março de 2019, estaremos te esperando com carinho e asas de andorinha para que com coragem e alegria voemos juntos! SUSANA RENÉE SANDOVAL ALANA DÉDALOS

Passe, a porta está aberta! Duas vezes por ano escuta-se um chamado trazido pelos ventos dos Andes: uma prática físico-energética, uma medicina espiritual que nos conduz a uma jornada de autoconhecimento, contribuindo para liberar-nos de erros, crenças e sombras. Traz a clareza e um despertar à Vida e a compreensão da Consciência Pachamama. É ancestral, mas ao mesmo tempo atual, pois, ainda que realizada nestes dias apressados e talvez confusos, guarda a simplicidade e a preciosidade de ensinamentos essenciais, vindos dos povos originários. De 1º a 21 de março e de 1º a 21 de setembro, onde estiveres, podes fazer este caminho para dentro e desfrutar dessa jornada que é grupal, contando com centenas de praticantes, o que te impulsiona a praticar e a aprofundar, mas que realizas individualmente, pois só tu podes abrir à porta que te leva ao sentir e ao teu coração, a polir teu caráter e a viver com mais inteireza, sabedor de que és uma gota que faz parte de um imenso oceano. Recebemos um manual físico ou virtual que nos conduz por 21 dias, pleno de inspiração e ensinamentos para nos tornamos mais leves, a redescobrir-nos como seres capazes de amar muito mais. Este manual é escrito por Mestre Lucidor Flores, e contém na primeira parte lições sobre as diversas atividades que realizaremos nesse período e na segunda parte uma guia para cada dia, visando a que andemos aprofundando com fé poética. Acompanha-nos uma seleção de músicas variadas, incluindo mantras e uma meditação conduzida e ainda um acompanhamento virtual semanal, e reuniões presenciais, dependendo de onde estejas. Com cada prática, como a meditação, a kriya, o trabalho com os egos, caminhada, respiração, alimentação mais natural, entre outras, vamos refinando a energia, surge um novo olhar, alcançamos outros patamares de compreensão. E assim vibra esta maravilhosa oportunidade de, em consonância com os equinócios, NESTA EDIÇÃOpara dançarmos com o que chega, fluindo e deixando-nos encantar pelas estrelas, pela terra úmida de fertilidade, pelo canto do coração que ama e desfruta, um encontro íntimo com o ser no Jardim da Deusa. E passo a passo caminhamos a florescer. Cada nova edição, com uma metáfora que inspira, vem como um agitador de consciência, pode tirar-te da mesmice, te sacudir, alertar ao ativismo, ou ser um bálsamo para a alma, para mostrar a teu espírito que podes mudar e viver com mais intensidade, te

Com essa vida cheia de desafios, pode nos ser difícil viver dessa maneira na maioria dos dias, por isso, aqui está a inspiração certa pra você! O E-book “O Gozo Supremo da Gratidão” são 21 afirmações de gratidão inspiradas na Prática dos 21 dias, para você ler, desfrutar e seguir o passo a passo. Baixe o E-book aqui: bit.ly/Ebook-Supremo Assim começamos 2019 com esse lindo presente pra você!


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A SERVIÇO DA VIDA! Nascemos pela iniciativa de um grupo de amigos movidos pelo sonho de acordar consciências em relação à forma como nos relacionamos com a vida, entre nós e com o Planeta Terra, Mãe Terra, Pachamama. Lutamos para que deixemos de considerar Pachamama como um fornecedor de recursos para as necessidades humanas e passemos a reconhecêla e cuidá-la como nossa amorosa e sábia mãe. Acreditamos no potencial que cada ser tem de transformar a si e ao mundo a sua volta, despertando seus dons e coletivamente promovendo as mudanças que se necessita agora para que a Vida em todas as suas formas possa se manifestar, vibrante, plena e abundante. Acreditamos que a vida real acontece no contato com a terra, na via simples campesina, no retorno às relações humanas de carinho e apoio mútuo. A isso chamamos Consciência Pachamama, esse amadurecimento da humanidade, de forma a sair de uma cosmovisão centrada no indivíduo, rumo a uma cosmovisão grupal e integrada com toda a Vida. Nossa fundação se deu em 2006, na cidade de Pelotas/RS, e ao longo dos anos Implementamos diversas iniciativas simples e carinhosas de cunho social, cultural e de cuidados com Pachamama em várias cidades do Brasil, até crescer para atuações mais relevantes no país e internacionalmente. Entre nossas iniciativas destes últimos anos, destacamos: • Realizamos desde 2012 festivais anuais sob a temática da Consciência Pachamama, cosmovisão que abarca o equilíbrio com a natureza, a aceitação das diferenças, a reincorporação da agricultura familiar e a proteção das sementes entre outros temas, ampliando as compreensões através da conversa e da arte, e estreitando e fortalecendo as relações entre diversos artistas e movimentos, representantes de povos originários, minorias e demais participantes da sociedade. • Desde 2013 desenvolvemos projetos internacionais de assistência, aproximação e preservação de culturas ancestrais, como no Peru com a Nação Queros, remota comunidade originária, últimos descendentes incas, que ainda vivem em amorosa comunhão com a vida, com Pachamama. Em cotidiano mágico nas altas montanhas nevadas do coração peruano, levam suas vidas como crianças silvestres, em devoção, junto às estrelas, à toda a vida que brota selvagem a cada instante. Honramos a este povo que tanto nos ensina, e em gratidão por tanta beleza, a cada ano os visitamos e em humilde reverência buscamos retribuir com nosso carinho e algum apoio físico, para que possam manter suas tradições, manter viva a cosmovisão andina, sua saúde e integridade, e não estejam tão vulneráveis aos ataques do progresso que insiste em matar sonhos. • Na África, com a comunidade Rabelados em Cabo Verde e a comunidade Madinatu Munawara no Senegal, tão ricas em suas culturas e alegria de viver, realizamos diversos projetos de aproximação e assistência. • Em parceria desde 2014 com o Estado do Rio Grande do Sul, a Associação Pachamama é um dos Pontos de Cultura do Estado, tendo realizado diversas oficinas. • Em 5 de novembro de 2017, realizamos pela primeira vez o movimento cultural Pororoca, para conscientização popular e defesa dos rios do Brasil, em articulação com vários movimentos e coletivos de forma simultânea em mais de 30 cidades no país. O movimento culminou com o ingresso de ação judicial pedindo a proteção e o reconhecimento do Rio Doce como um sujeito de direito, nessa data onde se havia completado 2 anos do desastre com o rompimento da barragem de uma mineradora que assolou a cidade de Mariana/MG e tirou a vida de pessoas e do Rio. Essa ação inédita foi impetrada através de nossa ONG, com o próprio Rio se apresentando e clamando por seus direitos. Recentemente recebemos a notícia que a ação foi indeferida, assim avaliaremos outras formas de apoiar e incentivar os direitos da natureza, como já ocorre em países como Bolívia, Equador, Colômbia e Nova Zelândia. • Apoiamos e participamos ativamente de encontros e congressos nacionais e internacionais que tratam dos Direitos da Natureza, motivo pelo qual fomos aceitospara atuar junto à iniciativa “Harmony with Nature” (Harmonia com a Natureza) da Organização das Nações Unidas (ONU), tanto na rede de conhecimento entre especialistas na área do Direito como em apresentações como panelistas ou sendo presença como “stakeholder” (parte interessada) da sociedade civil.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire, incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven que aquí llegó a vivir con sus incendios, y sin embargo el pulso que subía y bajaba a su abismo, el frío del azul que crepitaba, el desmoronamiento de la estrella, el tierno desplegarse de la ola despilfarrando nieve con la espuma, el poder quieto, allí, determinado como un trono de piedra en lo profundo, substituyó el recinto en que crecían tristeza terca, amontonando olvido, y cambió bruscamente mi existencia: di mi adhesión al puro movimiento. PABLO NERUDA

DIVULGAÇÃO

ONG PACHAMAMA

NECESITO del mar porque me enseña: no sé si aprendo música o conciencia: no sé si es ola sola o ser profundo o sólo ronca voz o deslumbrante suposición de peces y navios. El hecho es que hasta cuando estoy dormido de algún modo magnético circulo en la universidad del oleaje. No son sólo las conchas trituradas como si algún planeta tembloroso participara paulatina muerte, no, del fragmento reconstruyo el día, de una racha de sal la estalactita y de una cucharada el dios inmenso.

• Neste ano, passamos a integrar o grupo do Projeto Pontos de Encontro, apoiado pelo Papa Francisco. Com mais de 25 grupos latino americanos, ajudaremos a criar projetos de desenvolvimento para jovens de comunidades, por meio da arteeducação e da ludo-educação. Se nossos sonhos também inspiram seu coração, apoie-nos! Associe-se através de nosso site ou doe pontualmente. Qualquer valor é bem-vindo para seguimos juntos nessa missão de amor. Para doar através de depósito: Banco do Brasil agência 2942-4, conta 34.971-2 CNPJ 08.080.387/0001-45 Em nome de Associação Pachamama Por favor, enviar comprovante para: pachamamanossaong@gmail.com Para doar através de cartão de crédito: Solicitar link de pagamento através do email pachamamanossaong@gmail.com, informando nome completo, email e valor. Aguardamos sua visita em nosso site: ongpachamama.org DORACI GUIMARÃES PRESIDENTE 2016/2018


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TOLERÂNCIA: APRENDER COM PACHAMAMA

Alguém consegue imaginar Pachamama intolerante com seus filhos? Jamais. Ela não conhece a palavra intolerância. O sol mantém aquecida a vida em todas as formas e reinos. Indistintamente. Sem julgamentos. O que cada um pensa, faz ou deixa de fazer, não faz a menor diferença para a Grande Mãe. Filhos são filhos, ora bolas! Só resta AMAR. E é essa palavra mágica, AMOR, soprada a todo momento, por Pachamama, que abre portas, penetra profundo em camadas as mais escondidas para dissolver o que precisa ser dissolvido, para perdoar, nos tornar crianças divinas e simplesmente Ser. Tolerar, faz parte do aprendizado do amor, é uma antessala importante que precisamos atravessar, atentamente, procurando se colocar no lugar do outro, entendendo o outro com seu presente, passado (muitas vezes marcados com dores cravadas literalmente a ferro e fogo, como acontecia na escravidão de seres humanos) e possibilidade de futuro. A compreensão e aceitação do outro diferente percorrem atalhos de paisagem luxuriosa e bela se regidas pelo coração: ABRE TE CORAZÓN! Palavras mágicas, que lembram a historinha que vimos quando criança: “abre te sésamo” e aquele comando abria a porta para o tesouro. Não importava se não sabíamos - até hoje não sei o que quer dizer sésamo - o significado da palavra. O não saber dava até uma aura de poderoso mistério. Os caminhos do amor e da tolerância, são também misteriosos e excitantes. Há uma dança aí que exige sutileza, escuta, silêncio, humildade. De acreditar que podemos sim transformar algumas crenças impedidoras de vermos a realidade como ela é e a partir daí escolher

ser tolerante não importa a realidade do outro (nossa aceitação, acolhida, implica também em nos aceitarmos e nos acolhermos). Perceber que o outro, independente da discriminação, violência física e simbólica que sofre, não é melhor nem pior do que nós. Não cabe, no aprendizado da tolerância e do amor, esse automatismo de nos compararmos e ser portador de julgamentos hierarquizantes cheios de valores do tipo superior, inferior, melhor, pior, merecedor, não merecedor. No aprendizado da Tolerância Pachamama, nós INTERSOMOS. Fazemos parte de um INTERSER, que traz células de seus antepassados mais longínquos, que aprendeu habilidades com outras pessoas. Temos, por exemplo, nós seres humanos, antepassados comuns que surgiram em Mama África. E há quem defende que somos pó de estrelas. Enfim, não existimos individualmente. Fazemos parte de uma teia cósmica. Pachamama está aí, 24 por 24, em conexões, mostrando que a vida só é possível em redes. E compreender que não estou separado do outro, facilita muito o exercício da tolerância e o aprendizado do amor incondicional. Entender que “eu sou porque somos”, tão bem sintetizado pela filosofia do ubuntu dos povos originários do sul da África. No mais, procurar compreender que o aprendizado da tolerância não é jamais algo passivo. Ao contrário. É ativo, presente, e pode ser muito revolucionário quando dizemos não a atos de intolerância e queremos deixar claro que precisamos de mais tolerância num mundo que anda esquecendo desse valor básico para a boa convivência humana. Como fazer isso? O desafio está aí. Em saber como influenciar numa perspectiva de um mundo mais tolerante, pacífico, inclusivo, de uma forma amorosa, poética, que ganhe corações e mentes pela linguagem da arte e da beleza, pela escuta da voz de Pachamama. E confiar que as sementes distribuídas vão em algum momento florescer e se multiplicar numa corrente incontrolável. Confiar que o Bem sempre Prevalece! ZULEMA MENDIZABAL COMUNIDADE AONIKEN

“A Mãe Terra está sempre fazendo o melhor possível o mais original possível, aceitando e perdoando como ela sabe fazer. A Mãe Terra está fazendo a vontade de Deus. E nós que somos filhos da Terra, podemos aprender com ela. Podemos aprender a ser pacientes e tolerantes como ela. Podemos viver de maneira a cultivar e preservar nossa originalidade, beleza e compaixão” (Thich Nhat Hanh, monge budista e escritor)

A veces por supuesto usted sonríe y no importa lo linda o lo fea lo vieja o lo joven lo mucho o lo poco que usted realmente sea sonríe cual si fuese una revelación y su sonrisa anula todas las anteriores caducan al instante sus rostros como máscaras sus ojos duros frágiles como espejos en óvalo su boca de morder su mentón de capricho sus pómulos fragantes sus párpados su miedo

sonríe y usted nace asume el mundo mira sin mirar indefensa desnuda transparente y a lo mejor si la sonrisa viene de muy de muy adentro usted puede llorar sencillamente sin desgarrarse sin desesperarse sin convocar la muerte ni sentirse vacía llorar sólo llorar entonces su sonrisa si todavia existe se vuelve un arco iris.

MARIO BENEDETTI


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FECHAR A PORTA QUE CONDUZ AO MAL Esta palavra, mal, é talvez muito pesada porque nos ensinaram que não há mal, ou pior, que é um jogo retórico. Em realidade, vivemos em um combate, de Kay Pacha e Ujuch Pacha, nos dois níveis primários de atenção e percepção, entre duas forças opostas. E a Comunidade de Mestres trabalha, luta, sua, vive e morre para que o amor, a luz e o poder do bem se estabeleçam na Terra. Os Grandes seres não são abstêmios de postura. Têm atitude, postura e servem ao Impulso Evolutivo de Pachamama. E os discípulos acordados e que não foram comprados em sua mente pela Matrix também têm. E qual foi e será a postura da Comunidade de Mestres, dirigida por Cristo Maitreya? Promover a paz, com justiça para todos os reinos, o amor em liberdade, a igualdade e fraternidade entre todos os seres viventes e conscientes, e o respeito inegociável pelas minorias étnicas, sociais, sexuais e de gênero. A Comunidade de Mestres tem estado detrás de todas as revoluções que promoveram uma mudança no sentido de mais justiça social e bem-estar grupal e as de derrubar os sistemas opressores e fascistas desde que a humanidade tem uma história escrita. No Egito com Akenathon, na defesa da Antiga Religião dos Druidas com Avalon, em todos os tempos tentando que a humanidade acorde a um estado de consciência de fraternidade, igualdade e uma prosperidade que não termine com as espécies, nem com os biossistemas. Na Revolução Francesa, através da franco-maçonaria, na Independência dos Estados Unidos através dos maçons, e em todo o continente, liberando a todos nós do jugo da Espanha, Portugal e outros estados colonialistas e cruéis que diferenciavam índios, negros e mestiços das raças puras européias. Em todos os tempos, a Comunidade de Mestres não escondeu qual era sua posição e sua atitude militante, socialista e fraterna entre todos os reinos e variedades de seres. Lembro que na 1ª e 2ª Guerra Mundial o chamado de Maitreya a todos os discípulos foi de que tomassem as armas e fossem ao combate contra o fascismo de Mussolini e Hitler. Muitos discípulos ofereceram sua vida e marcaram com seu sangue uma postura de lutar até morrer por defender os direitos humanos e de Pachamama. Assim, nasceu a ONU para tentar que nunca mais o fascismo crescesse ou tomasse corpo no planeta. Mas as forças do sono seduzem com a busca de segurança e as mentes humanas não têm luz, e seu caráter é débil, e vivemos hoje a última onda de fascismo mundial crescente nos Estados Unidos, na Europa e, lamentavelmente, também na América Latina. Como foram antes os judeus, agora são os imigrantes, ou a delinquência que surge da falta de oportunidades dos governos com as classes não abastadas. O fascismo novamente se impôs na Argentina, por exemplo, que tem a pior queda econômica desde que se foram os militares. E esse governo que responde e sintoniza com o fascismo e mata os índios na Patagônia, que não querem ceder suas terras às empresas multinacionais de petróleo, e os pobres campesinos que não querem ver envenenados seus rios com as mineradoras, ou as causas contra o envenenamento dos campos com agrotóxicos. Esta realidade chega a todos nós, nada está fora, e não é uma questão política, é ESPIRITUAL. É uma escolha de atitude. Lembro do dilema de Arjurna quando diz a Krishna que não quer lutar, e Krishna lhe diz: “vai e cumpre com teu dharma – e se tens que morrer, morre, porque a Alma não morrerá e brilhará por haver cumprido com sua postura socialista e fraternal”. É este um tempo final. No qual o fascismo, a unilateralidade de pensamento, o conceito separatista se impõe e milhares de mexicanos são expulsos, milhões de mulçumanos são perseguidos, milhões de mulheres ganham menos do que os homens. E isso sem falar dos rios, bosques, água, etc. Neste tempo, a Comunidade de Mestres não está omissa nem caiu na passividade, está ativa e militando junto aos Anjos e seres espirituais. Lutando para que o fascismo não avance e a democratização se expanda e as pessoas possam decidir sua sexualidade em liberdade, que não sejam excluídos porque seus avós ou tataravós foram trazidos como escravos de Angola para servir nas grandes fazendas, para que as minorias de todo tipo sejam representadas e para mudar este sistema que não é representativo nem democrático. E a corrupção que, como uma enfermidade social, ataca aos débeis de caráter e cobram milhões por ajuda, moradia, quando têm casas e são 30, 40 anos deputados. Caramba! Há tanta gente sem casa. E o Museu do Rio queimado e nos inteiramos que os deputados gastam mais em lavar seus carros do que o Estado destinava à manutenção do Museu. E nem falar de Marielle, que ainda seus assassinos seguem impunes. A Comunidade de Mestres tem postura política, social e econômica. E vai triunfar, e gradualmente triunfamos e o Plano de Deus se irá plasmando. Na Argentina foram julgados todos os militares genocidas, e há mais de 5.000 presos e julgados por torturas, apropriação de nenês, etc., e com eles os empresários que se beneficiaram com esse governo militar. Isto não aconteceu no Brasil, não foi feita esta revisão histórica, então as pessoas não sabem o que aconteceu, o que sucedeu na ditadura e se elevam vozes pedindo

que voltem os militares. A Comunidade de Mestres e o Plano de Deus sonha e vai plasmar um planeta livre de armas... livre de polícia e de militares e nacionalismos. Amar ao pago onde nascemos é natural. É como a mãe, mas o nacionalismo é um estendido que luta com os outros egos em uma carreira armamentista ridícula em países pobres como os nossos, e mais ridículas em países ricos que deveriam dar o exemplo de conversar e não bombardear inocentes, como faz Israel contra Palestina. Há um acordar do feminino hoje, vocês pensam que isto é casualidade? Não, é parte de uma pulsão de Pachamama, para que a Deusa derrube os deuses falsos masculinos que bendizem as armas e tiram o dinheiro dos pobres para enriquecer as pessoas que só negociam política, sem ter a sensibilidade de compreender a amplitude espiritual da vida. No futuro não haverá religiões que duvidam, senão a futura religião será a de Pachamama, com seus ciclos e com sua realidade de devoção à Natureza espontânea de todos os seres. Sinto que este momento é difícil, como todo momento antes de parir. Mas sou irremediavelmente otimista, porque sei que a Comunidade de Mestres, que Jesus, Amma, Sai Baba. Krishna, Allah, Saint Germain-Babaji, Morya, Ramana Maharshi e todos os Mestres que não são homens nem mulheres, mas sim sóis de lucidez, estão unidos no Amor fraterno e libertário... Nos espera uma verdadeira revolução, onde todos deveremos ser muito mais austeros e sóbrios, onde não se gastará só porque tens poder econômico, e nesta sobriedade fraternal, a Terra voltará a sua harmonia saudável. Nos espera um tempo de muitas bicicletas e cavalos, de retornar à medicina natural preventiva e de sonhar, onde a arte seja essencial e não os especialistas profissionais... onde não se poderá ser médico sem ser curandeiro, nem arquiteto sem ser permacultor, nem agrônomo sem ser jardineiro. Nos espera uma vida genial... Chamo a todos os discípulos à atividade social, ao serviço ativo nas comunidades, a militar poeticamente em favor dos oprimidos e dos que não têm opção. E saibam que não estamos sozinhos, Eles caminham entre nós, e entre Eles aqueles que deram sua vida pelos pobres, os injustiçados, os índios, os negros e as irmãs que foram maltratadas ao longo de milhares de anos. Terminou um ciclo, vem outro, estamos ainda a tempo de entrar no bairro dos humildes poetas da Pachamama... não somos poucos, somos a humanidade que se abraça às árvores, aos nenês e ao que não faz política desde os interesses pessoais e das corporações bancárias. E os bancos serão creches para os nenês sem pais... e os quartéis, grandes jardins, onde todos os jovens aprenderão a amar a Terra... E então, a política será uma triste recordação, uma lembrança como dos faraós, e riremos disso e seguiremos suando, plantando e lavrando com amor e junto à Pachamama um glorioso destino... Com o coração em Cristo, LUCIDOR FLORES

EXPEDIENTE O PEREGRINO é um informativo da Associação Pachamama, expressão do Movimento Mística Andina e de la Nación Pachamama. Circula em mais de 20 cidades brasileiras, permite que o vento o leve, sem constituir sociedade, seita, nem instituição. É organizado por voluntários. Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. CONSELHO EDITORIAL: Isolda Ma Flores (Marissol Iglesias Bastos), Melusina Iriarte (Rosângela Maria da Silva), Kristiano Aguilar (Paulo Belim), Paloma Aguilar (Julia Flores Mizoguchi), Osíris Obelar (Volnei Branco Silva) e Zulema Mendizabal (Marília Rabelo de Castro) EDITORA-CHEFE: Melusina Iriarte COLABORADORES: Antakarana, Escola Espiritual, Lorena Iriarte (Doraci Guimarães), Holon Poétiko, Lucidor Flores (Gerardo Bastos), Melusina Iriarte, Susana Renée Sandoval (Sonia Motoyama) e Zulema Mendizabal (Marília Rabelo de Castro) FOTOGRAFIAS: Francisca Aguilar (Roberta Medeiros), Paloma Aguilar (Julia Flores Mizoguchi), Alana Dédalos (Olívia Zago) JORNALISTA RESPONSÁVEL: Zulema Mendizabal (Marília Rabelo de Castro) DRT/CE :259 EDITORAÇÃO ELETRÔNICA: Paloma Aguilar (Julia Flores Mizoguchi) FOTOLITOS E IMPRESSÃO: Grupo Sinos ENDEREÇO ELETRÔNICO: iriartemelusina@gmail.com TIRAGEM: 3.000 exemplares


E SE, DE REPENTE, VOCÊ CAÍSSE DE AMORES POR UMA COMUNIDADE?

COMUNIDADE MAMA GAIA

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COMUNIDADE VALE SAGRADO ARCO-ÍRIS

Amanhecidos pelas cigarras vibrantes fazendo música com os algarrobos, pinheiros e araucárias, te convidamos a estar mais perto e a experimentar uma vida de inspiração em amor junto a sagrada terra, a inventar uma realidade bela em que somos jardineiros de corações e voltamos a escutar a canção das sementes, a sentir o chamado de Pachamama pulsando pelos teus pés e mãos metidos na terra. Sim, te convidamos... Todos os dias, despertamos com o Sol e silenciamos juntos para escutar o sonho vivo que nos trouxe até aqui, renovar os votos de serviço à vida, sentir a gratidão se manifestando pelos sorrisos e uivos das crianças selvagens. Sentimos cada vez mais forte o chamado a resplandecer em Comunidade, de sermos muito mais que cuidadores da terra, de sermos criadores de beleza de mãos dadas com todos os seres. Resplande conosco? Sonhamos com as Comunidades cheias de casinhas coloridas, vivendas de sonhadores, operários de uma usina de criação, artesãos de vida em abundância, harmonia e audaciosa liberdade. Sim, se junte a nós, a plasmar! Acreditamos que viver em comunidade é uma possibilidade real de tocar o Divino, vestido de terra, grávido de sementes, parindo comida para o corpo e para a alma. Tocar o Divino soprando o ar puro que nos invade sem pedir permissão, cantando com os grilos enquanto dormem os gritos das crianças, brilhando com os vagalumes sem a pretensão de roubar os mistérios do dia escurecido, bordando com as estrelas o manto da noite. Tocar o Divino nos abraços de amantes clandestinos, nos beijos molhados pela água fresca que jorra do poço, completamente entregada a ser prazer em dia quente. Tocar o Divino em nossa própria existência, a cada instante desse cotidiano mágico que tecemos juntos. Tocamos, juntos? Precisamos de ti para ecoar esse sonho, para que todas as comunidades possam resplandecer em oásis de inspiração e virilidade, em abrigo para os amorosos, para artistas do jardim da vida inteira, para guerrilheiros poetas de rua, para maestros abuelos que ensinam que “não existe o tempo, existe vida”. Precisamos de ti para calar o grito dos executivos, dos parlamentares, do agronegócio, que todos os dias matam milhões de sonhos obreiros, por não conseguirem tocar o Divino. Vem! Se estás lendo isto, é porque de alguma forma o teu coração já sentiu este chamado, já estás junto desse louco Ayllu que sonha e vibra a melodia de Pachamama. Nos perguntamos então: por que ainda muitos de nós não decidimos nos lançar a essa aventura de sonho lúcido? o que nos falta para residir na terra? quais os medos de necessitar nos amarram e nos impedem de dar esse salto a tocar o Divino com o corpo inteiro em ofício de amor? o que a tua mente inventa para te convencer a seguir intoxicando-se de falta de luxúria pela vida? Sem esperar respostas, acreditamos que decisões como essa não são construídas pela cabeça, mas por um sentir inexplicável, que nos faz confiar na Vida e ir.

COMUNIDADE AONIKEN

Sem pausa e sem pressa, vamos avançando até um amor à terra planetária: uma só comunidade hortelã e poética.

BRASIL Vale Sagrado: Cascata, Pelotas, RS - Cristal 51 993031083 Aoniken: Mato Fino, Gravataí, RS - Melusina 51 9981776780 Mama Gaia: Nova Petrópolis, RS - Mikaela 54 999431117 Nhanderu: Campina Grande do Sul, PR - Soraya 41 995644504 Shangrilah: Itacima, Guaiúba, CE - Esmeralda 61 998140667 ARGENTINA Casamama: San Marcos Sierras, Córdoba, Argentina Paloma +54 9 3549 444412 Las casas donde brillan nuestros sueños están empapadas, como un jardín de nubes y de soles florecidos… Las camitas donde descansan los guerreros después de tanta tierra e imaginación… Unas camas chiquitas donde duermen las joyas de las comunidades… Tienen suspiros, palomas que se escapan de sus pechos… Están llenas de seres imaginarios, hay lugares donde escriben versos enamorados, hay altares, muchos altares, sin tiempo… A veces, siento que cada cosa es un pájaro en las comunas, hay ollas, olores a comida, a pan calentito… Están llenas de cariño, las casitas de las comunidades… Y un sueño arcoiris, danzando en el medio de todas ellas, antiguo pero libre... Lucidor Flores

COMUNIDADE CASAMAMA ARCOIRIS

Geografia da Nación Pachamama:


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HOLON POÉTIKO Queridos amigos escritores e leitores, o Holon Poétiko está de festa com a chuva de autores e escritos que participaram do primeiro concurso de poesia e narrativa breve. Nosso ayllu inteiro ganha muita inspiração! Publicamos aqui os resultados e esperamos que mais autores se inscrevam em próximos eventos! ‘NIÑOS ESCRITORES Os poemistas por Ilah Schmitt - Luchin POESIA: Tangerina Recheada por Clarice Iriarte NARRATIVA BREVE: O triste fim da mulher que quebrava janelas por Evita Molina Parabéns para todos! Viva a literatura!   Com amor, HOLÓN POETIKO NACIÓN PACHAMAMA holonpoetico@gmail.com

TANGERINA RECHEADA Corpo ínfimo É este o meu quarto de tangerina recheada Redonda, Quadrada que rompe as bordas Transborda uma seiva de leite materno, azedo, desconhecido Recolho hoje pela manhã o leite derramado, des-alma Em copo de leite na janela: vida por um fio Mãe chega em casa 12h e eu quero 14h da tarde pra mim, na mina secreta Como, então, a recheada tangerina de recheio doce azedo, cristalino Há cristais em cada gomo Cada gomo, uma mina corpulenta Penetro no minério e descubro seu valor Calórica é a noite, Pois quero, então, às 2 da tarde Livre de ácidos graxos Mas sonho com eles Tangerina feita de ácidos graxos Meio dia! Ela chegou! Que doce é o azedo! Tenho uma rasa inclinação à memória de minha bisavó De Tucumã (Argentina) para São Paulo (Brasil) Crio memórias dela e de seus gomos de maçã do rosto queimados pelo sol do meio-dia Ela chegou da Itália ao meio-dia aqui no Brasil Em sua penteadeira de faz de conta Espalha suave o Nívea creme nos gomos ardidos Enquanto eu os como Em memória inventada Legítimo ritual feminino Ao meio-dia Corpo-dela, Corpo-meu, Corpo ínfimo. CLARICE IRIARTE CATEGORIA POESIA Um dia muito lindo é uma folha de pêssego ILAH SCHMITT, LUCHIN CATEGORÍA NINOS ESCRITORES

O TRISTE FIM DA MULHER QUE QUEBRAVA JANELAS (Trecho do conto) Na soledade um mate madrugador, marco encontro com as palavras não ditas. Na fantasia de um frente-a-frente, onde a voz e a coragem não fujam, realizo o desejo de dizer tudo aquilo que eu nem sei o que é. Mas o dia nascendo não permite falar, menos ainda brigar. O dia nascendo me enche de vazio, o menor intento de justificar minha ausência desaparece como a água que sorvo, esvaziando também a cuia que insiste em lembrar um coração. Na verdade, não lembra, não tem nada de parecido. É só meu desejo de criar a metáfora desse momento que é suficiente para mim. Essa história começa nesse período em que o dia está nasc endo, o cheiro do pão assando começa a tomar conta da casa, os ônibus já cumprem sua função social de ir e vir, a vela está acesa no altar junto com um incenso para bendizer o dia e pedir que o pão cresça, eu já estou no meu quinto chimarrão, agora com um pouco do cidró que colhi na horta. Coloco cidró ou qualquer outra erva calmante para contrastar com a agitação que a erva-mate provoca, na minha cabeça funciona tão bem como uma soma de número negativo com positivo, onde eles se anulam e viram zero e no meu corpo fica só o gosto amargo que eu amo tanto, sem todos esses malefícios que esse vício maldito tem. Isso, a história começou aí. Quando tomo muito chimarrão acontecem coisas que me deixam nervosa. Por exemplo, acabo de falar desse instante de soledade, o qual me enche o coração de enamoramento pelo quente do mate, pelo cheiro do pão, pelo vento fresco que bate na sacada. Em cinco minutos já não aguento mais estar aqui, tenho vontade de lavar os vidros mas está chovendo, ouvir música mas são as 6h da manhã e as paredes são finas, de cuidar da horta mas está chovendo, de lavar as paredes também e morro de tédio porque não vou fazer nada disso, porque sou a única acordada nesse horário. Nem sair e correr para direcionar toda essa energia eu posso. Vocês já viram os índices de estupro de manhã cedo? São os piores, é mais seguro para uma mulher andar na rua sozinha a meia -noite do que as 6 da manhã. Sim. Cansa ser mulher e ter que avaliar tantas variáveis antes de sair de casa. Acontece que eu não quero mais avaliar tantas coisas, e é aí que chega o ponto de giro da história do que aconteceu nessa manhã que acordei bem cedo, fiz pão, o mate e tirei a roupa do varal antes que começasse a chover. Não pense que eu sou uma daquelas donas de casa clichês que sempre serviram a sua família e a sociedade cristã, são belas, recatadas e do lar e num belo dia surtam e saem por aí quebrando janelas com pedras de cristal que foram trazidas de diversos lugares do mundo. Corta a primeira parte. Sou dessas que saem por aí quebrando janelas com pedras de cristal que foram trazidas de diversos lugares do mundo. Sou surtada mesmo. Isso não acontece as vezes. Não sou dona de casa também. Mas é uma merda que a cidade não funcione quando eu acordo, que é quando tenho mais energia e disposição e não tem absolutamente nada para fazer nessa porra de cidade barulhenta que não deixa dormir mas não oferece nada em troca às 6h da manhã, que é a hora que os malditos ônibus começam a fazer as curvas na esquina de casa. Comecei a quebrar janelas há um ano e meio. Seis meses depois que mudei para cá. Vim de uma ruazinha onde os carros não passavam porque não sabiam que existia, parei na porra da esquina onde esses malditos ônibus fazem a curva, embaixo de uma sinaleira que para pessoas estressadas que não sabem esperar e 3 segundos antes do sinal abrir já começam a tocar a buzina para que o primeiro carro avance. Apertar as próprias bolas ninguém quer, mas a maldita buzina... Enfim, a primeira janela que quebrei foi de um ônibus. Tinha saído para correr ao amanhecer, o que seria lindo se não fosse eu. Tênis bom, jogging, jaquetinha da hora, cabelo preso: uma lady. Vou atravessar a rua e um desses insuportáveis motoristas de ônibus mete a mão na buzina durante 15 segundos para me avisar que ia fazer a curva. Malditas buzinas. Juntei uma pedra e taquei no ônibus que vinha atrás dele, coitado, não tinha nada a ver com isso, mas a vida é assim: lugar errado na hora errada dá nessas coisas imprevisíveis. O motorista olhou para todos os lados e eu continuava na esquina dando pulinhos até ele passar para então cruzar a rua. Me perguntou se eu tinha visto quem tinha jogado e falei que sim, obviamente. Apontei para a esquina que era contramão e gritei que era aquele cara de capuz vermelho. A vantagem de ser mulher branca de classe média correndo às seis da manhã com uma roupinha da hora, cabelo arrumado e cara blasè é que ninguém acreditaria que você representa um risco. Ninguém. Nem mesmo você. Fiz isso durante os 3 primeiros meses, em locais diferentes do trajeto de corrida, nos mais diversos ônibus que passavam. As vezes em caminhões também, mas era mais difícil de acertar então neles só atirava quando tinha algum motivo muito forte, como terem buzinado para outro caminhão que passava como cumprimento. [...] EVITA MOLINA CATEGORÍA NARRATIVA BREVE


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Peregrino – Jornal da Associação Pachamama | jan fev 2019 7

Caminhar pelos Andes, te preenche de uma sensação de nostalgia por algo que não cabe no peito. Aqui me lembro a primeira vez que subi Machu Picchu. Trouxe-me a bravura, a sutileza, o misticismo, amor, magia, beleza... algo profundo toca. Ser uma sacerdotisa andina não é uma expressão, nem uma viagem, senão um estado de consciência. Este curso não vem alimentar uma ilusão, mas ajudar a que mais mulheres despertem seu poder em relação a vida. O poder de rebelar-se dos protocolos, padrões sociais e morais. Chamamos isso: liberdade. Os saberes andinos vêm se abrindo desde os anos 70 à humanidade como um jeito real de despertar uma nova mulher e um novo homem, para este momento de crise global. Estamos atraindo o Jaguar aos nossos úteros e aliando a espiritualidade ao ativismo sagrado. Somos parte de uma escola hermética chamada Místika Andina, que vem nutrindo as sendas brasileiras com esta semente antiga, como uma onda de influência ao nosso país. Hermética, como toda Escola de Mistérios. Este curso desenvolve habilidades para que nós mulheres saiamos de um circuito que nos mantém vítimas das situações, ou seja, aqui aprenderemos a nos tornar filhas solares e a encontrar as chaves que a nossa natureza lunar nos traz. A Sacerdotisa Andina é aquela que atua socialmente e cura enfermidades e também relações, uma mulher que já não está presa a padrões como a carência e volta a utilizar seu útero para ler situações e criar espaços de genialidade. Quando deixamos de ser vítimas de padrões sociais, egóicos e do próprio karma, nos tornamos livres. Não é uma metáfora, senão uma experiência real que só chega com um trabalho espiritual sincero, para que as camadas profundas do ser possam abrirse. O curso está formado por quatro jornadas de aprofundamento. Na primeira, descobriremos sobre as Ñustas, as filhas lunares e solares, e saberes que, após a queda do Tahuantinsuyo, mantiveram-se em silêncio. São lições sobre a Lua, o Sol, a Cosmovisão Andina e o Poder Único: Pachamama e Tayta Inti. Na Segunda Jornada, adentraremos no Mito da Mulher Jaguar e nos mistérios menores acerca dos 4 elementos e dos bloqueios energéticos. Algumas medicinas andinas serão compartilhadas, como a Cura do Susto. Na Terceira Jornada, voaremos como condores e falaremos sobre as forças do Karma, desvendando o poder intuitivo da Mulher. Na Quarta e última Jornada, abençoada pelas folhas de Coca, compreenderemos a elegância de uma Sacerdotisa, o Poder Sanador e sobre elevar a sonoridade do nosso corpo e aprenderemos a fazer a mesa andina. Cada jornada possui uma vídeo-aula, três e-books, músicas latino americanas, poesias e materiais complementares compostos de meditações para cada fase da Lua, trabalho com a Seda, com Animais de poder e uma entrevista exclusiva com Curandeiros da Comunidade Q’eros no Peru. É uma busca madura para soltar tua voz e voltar a estar alinhada com as antigas linguagens da terra. Pachamama nos presenteia um Jardim, aqui chamamos de Jardim da Deusa. O sofrimento é uma escolha e a expediência no Jardim também. A Sacerdotisa Andina desenvolve essa habilidade de escolher estar no Jardim, mesmo em meio ao caos. Isso não se adquire senão se experimenta. Vem viver essa experiência profunda e misteriosa com a gente! Mais informações: http://bit.ly/SacerdotisaAndina escolaespiritual.ma@gmail.com

PALOMA AGUILAR

ESCOLA ESPIRITUAL

ESCOLA ESPIRITUAL

SACERDOTISA ANDINA

Peregrino do Coração


8 Peregrino – Jornal da Associação Pachamama | jan fev 2019

MEDITE COM A GENTE

E de seu próprio pranto de alegria brotaram as primeiras cores, em amarelo, verde e violeta. O aromo foi plantado obstinadamente no meio do pátio por Soledad e Hernán. Soledad toda jovem, militante, bela, feroz e frágil mãe, e Hernán liderando a utopia de matar a fome do mundo e de derrubar os privilegiados de sempre, em seus olhos uma feroz alegria, despida de toda malícia, acariciava tudo. Em um canto plantaram um tinticaco, de madeira dura, pesada, vermelha de vida. Em suas sombras foi crescendo, em reuniões, a poesia revolucionária dos 70. Os caminhos do pátio foram regados de ores e planejamentos de marcha e cantos combativos. E entre tanto perfume nasceram os primeiros pássaros, e junto à vida do pátio a rapaziada esperançosa cantava e sonhava. — Devolveremos a voz inocente ao povo, dizia Hernán, dando de comer ao Velho Matias, que chegava pontualmente ao meio-dia para passar os “duros tempos” junto aos desocupados do bairro, que comiam grátis com a rapaziada. O Velho não esquecia as feridas da greve anarquista do princípio do século, tempo de medo, e lhe brotavam torrentes de murmúrios enquanto comia. — Cuidado, Hernán, cuidado com os horríveis. — Esta vez vamos vencer Velho, e todos os pobres cantaremos, esqueceremos as feridas e o poder voltará a seu verdadeiro dono. A Hernán não lhe bastava a vida para sonhar e ao Velho para recordar sua torrente de fracassos e perdas. No fundo do pátio há um forno de pão onde andou Soledad, amassando a vida com as companheiras e fazendo a antiga magia da farinha. E este pátio teve a paz dos domingos alimentando ao bairro e fazendo política, a sagrada visão de um futuro digno e trabalhador. No lado Sul, como defendendo de policiais e de ventos de inverno, uma linha de tristes sauces. Aí, algum companheiro roubou beijos em tarde de sesta a uma companheira entre as ramas musicadas pelo vento. No fundo oeste, pode-se ver os restos da horta, orgulho de Hernán e da tropa de militantes, que enquanto digeriam o churrasco reviviam a paz do trabalho compartilhado. E está ali, caída e quebrada, a mesa onde se comia o churrasco coletivo. No ar, ainda persistem os trinos dos primeiros joõesde-barro, dos pintarroxos, dos queridos pardais e um bando de pintassilgos, uma revolução de pássaros ainda canta na solidão do pátio. Há um moinho velho para tirar água, que algum vizinho gaúcho desamarrou e ainda dá voltas grunhindo devagar. Há um silêncio arisco. As folhas envelhecidas de outono guardam as últimas melodias do bairro. — Aqui houve uma família peronista e combativa. O bairro se guardou ante a chegada dos carros com armas surgindo pelas janelas. Era como duas da tarde — conta o Velho. — Me lembro porque a

essa hora vou dormir a sesta e quase me atropelam os carros com esses gorilas dentro —. E seu olhar se enche de tristeza e bronca. Na parede do fundo estão as marcas da carnicina. Ocorreu em um 24 de março. Era um dia sem sol. Tinham tomado o mate e comido o pão que as companheiras haviam assado pela última vez sem o saber. Os freios alertaram a todos. Em seguida, o de sempre. Tiros, cheiro de pólvora e gritos. Muitos gritos e explosões. A resistência foi heroica. O grupo resistiu a tarde inteira. Hernán, atrás de uma árvore, lhes metia tiros gritando enlouquecido, arriscando a pele. Pouco a pouco, foram caindo e, ao final, ficaram sozinhos, ele com Soledad se olharam sorrindo felizes, morrer combatendo era o melhor consolo, a violência justa da miséria. No pátio ocorreu a última resistência. E as árvores presenciaram, no silêncio de sempre, a matança. Já sem balas, foram arrematados como se fossem nada. O pátio está em um bairro da Grande Buenos Aires. Já ninguém entra aí. O bairro continua sua vida. Quando cai uma bola dentro, nós, as crianças, entramos como na ponta dos pés e saímos rápido. Diz Matias, o velho louco da praça, que aí vivem os anjos pequenos que jogam entre as pandorgas nas tardes. Neste bairro se vive de levantar pipas com uma foto do Che. E é o Velho quem as faz e presenteia. Também, a cada 24 de março, leva margaridas junto aos outros do bairro, para plantar no pátio, e tudo ca bonito por um tempo. Nós, as crianças, vamos todos em silêncio, e o velho canta com voz rouca alguma zamba e todos cantam em honra aos antigos plantadores de árvores. — É comunista — diz o meu velho. O miro, sei que é pobre e rico, e a vó diz que está acompanhado de almas companheiras. Não sei o que quer dizer, mas é como outra árvore cheia de pássaros e ores. O pátio está no fundo de uma antiga casa que pegou fogo, dizem que pelo ano de 76. Nos piores dias, quando os horríveis vinham queimar tudo. Ainda com sua frente derrubada, e utilizado por desocupados e bêbados para passar a noite, mantém uma presença antiga e digna. No pátio, todavia, se conservam as marcas das balas. E, às vezes, pelas noites, parece escutar-se cantos e alegrias revolucionárias. A casa, o pátio ainda distribui sorrisos, esperanças e histórias vivas de trinos e heroísmo. O odor, os gritos, o tempo os levou. As árvores, os descendentes dos pássaros e a dignidade estão aí, intactos. CONTO DE GERARDO BASTOS NO LIVRO LETRAS QUE LUTAM

MEDITAÇÃO EM GRUPO: UMA BOA IDEIA, UMA PRÁTICA POSSÍVEL E COM ENDEREÇO CERTO! MELUSINA IRIARTE Desde 2003 fomentamos a criação de grupos de meditação pelas cidades do Brasil como uma forma de congregar as pessoas e, sobretudo, contribuir para que cada um possa experienciar a meditação como uma prática salutar em seu cotidiano. As meditações são semanais e se dão em grupos pequenos proporcionando um ambiente saudável e harmônico para aprofundar na essência do ser! Confira a lista de locais semanais de encontro: BRASIL Fortaleza (CE) > Quintas-feiras às 19h30 Casa da Luz Rua Barão de Aracati, 1925 Contato: 988247472 Kris Distrito Federal > Quinzenalmente às quintas-feiras às 20h Casa Ipê Ceilandia/DF Todas as Luas Cheias Casa Jasmim SHCGN 705, bloco O, casa 30 Brasília/DF Campina Grande do Sul (PR) > Comunidade Nhanderu’ete Meditação todos os dias 6h da manhã 18h da tarde Estrada do Taquari, 800 Bairro Taquari Contato: 41 99138 9923 41 99532 5519 Porto Alegre (RS) > Sábados das 10h às 12h Espaço Portal das Bênçãos. Rua Tomaz Flores 312/02 Contato: 51995927059 51 981736707 Florianópolis (SC) > Quartas-feiras às 20h Rua Ângelo Laporta 130 Centro Contato: 41 999925023

Pelotas (RS) > Terças-feiras às 19h30 Coletivvo Om Rua Anchieta,1362 Contato: 53 999816529 53 999823011 > Ocupação Canto de Conexão Meditação quinzenal Rua Benjamin Constant, 1327 Contato: 51 993031083 Rio Grande (RS) > Rua República, 336 Bairro Cidade Nova Contato: 53 999367579 Nova Petrópolis (RS) > Mama Gaia Comunidade Meditação Diária Amanhecer às 5h30 e entardecer às 19h Br 116 km 186 nr 20 Contato: 54.9 99431117 ARGENTINA San Marcos Sierras (Córdoba) > Viernes a las 19h Hostel Giramundo Calle los Horneros y los Quebrachos > Sábados a las 18h Los morteros del Río de San Marcos Contacto: +54 9 3549 444412 +54 9 3549 467599

FRANCISCA AGUILAR

O PÁTIO

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Peregrino Janeiro e Fevereiro/2019  

Informativo da ONG Pachamama

Peregrino Janeiro e Fevereiro/2019  

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