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A Região e o Mundo... O terramoto de Lisboa de 1755 | http://moimenta-da-serra.blogspot.com | http://www.cm-covilha.pt

Lisboa acordou a 1 de Novembro de 1755 calmamente e preparou-se para celebrar o Dia de Todos os Santos. Muitos dirigiam-se para as igrejas e outros celebravam já nelas esta festa católica. A cidade era então muito diferente do que é hoje e muito mais pequena, no entanto grande para aquele tempo: teria mais de 200 000 habitantes. Ninguém imaginava o que iria acontecer, apesar de se terem sentido pequenos sismos pouco antes e ainda existir a memória de um grande sismo em 1531. Cerca das 09:20, acontece o terramoto: de acordo com os relatos de alguns sobreviventes, primeiro ouviu-se um barulho descrito como o de um trovão e a terra pareceu atravessada por uma onda. Os edifícios começam a balançar de um lado para o outro e alguns desmoronam-se. Os abalos sucederam-se por alguns “longos minutos”. Durante este período, um intenso rumor subterrâneo fez-se ouvir. Segundo estudos realizados, pensa-se que a magnitude terá sido cerca de 9 na escala de Richter e que este foi o maior sismo de sempre. Enquanto os edifícios abanavam violentamente e começavam a desmoronar-se, enormes fissuras abriam-se no solo. Com os vários desmoronamentos, os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao abaixamento das águas. Dezenas de minutos depois, um enorme tsunami com ondas gigantes fez submergir o porto e o centro da cidade. Toda a parte baixa da cidade de Lisboa foi inundada e só não houve mais danos, porque o relevo acidentado da cidade o impediu. Mas Lisboa não foi a única cidade portuguesa afectada pela catástrofe. Todo o sul de Portugal, nomeadamente o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada. A cidade da Covilhã, por exemplo, sentiu também o impacto, desmoronando-se grande parte das suas muralhas e torres. As ondas do terramoto e do maremoto foram sentidas em muitos países da Europa e norte da África. Ainda em Lisboa, o terramoto (seguido de maremoto e incêndios) terá provocado entre 60 000 a 100 000 mortos. 85% das construções de Lisboa (a maior parte delas muito instáveis ou degradadas) foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, igrejas, hospitais e todas as estruturas. As ruínas do Convento do Carmo ainda hoje podem ser visitadas no centro da cidade. Depois do Terramoto… Quase por milagre, a família real escapou ilesa à catástrofe. O rei D. José I e a corte tinham deixado a cidade depois de assistir a uma missa ao amanhecer. Depois do sismo, D. José I ganhou uma fobia a recintos fechados e viveu o resto da sua vida num complexo luxuoso de tendas no Alto da Ajuda em Lisboa. Tal como o rei, o Marquês do Pombal, primeiro-ministro de D. José, sobreviveu ao terramoto. Com o pragmatismo que caracterizou a sua governação, iniciou imediatamente a reconstrução de Lisboa. Segundo ele próprio referiu, “era hora de enterrar os mortos e de cuidar dos vivos” O ministro e o rei, contrataram arquitectos e engenheiros, e em menos de um ano depois do terramoto, já os trabalhos de reconstrução iam adiantados. O rei desejava uma cidade nova e ordenada. Grandes praças e avenidas largas e rectilíneas marcaram a planta da nova cidade, a baixa pombalina, com os primeiros edifícios mundiais a serem construídos com protecções anti-sismo, testados em modelos de madeira.. Na altura, à acusação de que as ruas eram excessivamente largas, o Marquês de Pombal respondeu que “um dias elas serão pequenas...”. Esta preocupação do marquês, em finais do século XVIII deveria servir de exemplo hoje: um dos requisitos para a construção dos edifícios deveria ser a utilização de estruturas resistentes a estas catástrofes que evitassem grandes danos humanos e materiais. O nascimento da sismologia com o Marquês de Pombal A competência do ministro não se limitou à acção de reconstrução da cidade. O Marquês do Pombal ordenou um inquérito, enviado a todas as paróquias do país para apurar a ocorrência e efeitos do terramoto. O questionário incluía entre outras questões: - quanto tempo durou o terramoto? - quantas réplicas se sentiram? - que tipo de danos causou o terramoto? - os animais tiveram comportamentos estranhos? - que aconteceu nos poços? As respostas estão ainda arquivadas na Torre do Tombo. Através das respostas ao inquérito foi possível aos cientistas actuais terem acesso a dados importantes e reconstituírem o fenómeno de uma perspectiva científica. O inquérito do Marquês do Pombal foi a primeira iniciativa de descrição objectiva no campo da sismologia, razão pela qual o Marquês do Pombal é considerado um precursor da ciência da sismologia.

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