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A Região e o Mundo... Serra da Estrela Geologia A Serra da Estrela é dominada pela ocorrência de rochas graníticas, com idade compreendida entre os 340 - 280 milhões de anos, que se encaixam nos metassedimentos de idade Precâmbrica-Câmbrica, entre os 500 - 650 milhões de anos, relativos ao Complexo Xistograuváquico. Em épocas mais recentes, os agentes de erosão levaram à formação de depósitos sedimentares, alguns dos quais com características muito particulares, como os provocados pela acção dos glaciares, há cerca de 20.000 anos.

Geomorfologia

A Serra da Estrela é constituída por planaltos alongados na direcção Sudoeste-Nordeste. As altitudes mais elevadas encontram-se do lado Sudoeste, no chamado Planalto da Torre, onde se atinge a maior altitude de Portugal continental, a 1993 metros. As altitudes vão diminuindo gradualmente para Nordeste, até que, por alturas da Guarda, a montanha quase se confunde com os planaltos da Beira Transmontana. Isto significa que a Serra da Estrela é sobretudo imponente do lado Sudoeste, levantando-se dos planaltos e depressões circunstantes por vertentes de várias centenas de metros de altura.

Hidrologia

Nascentes e fios de água, bem como inúmeras linhas de água de carácter torrencial, abundantemente alimentados pelos ventos húmidos de Oeste, multiplicando-se pelo interior do maciço, fazendo do mesmo, o grande castelo de água das Beiras. Três importantes rios portugueses - o Mondego, o Zêzere e o Alva - nascem na Serra da Estrela.

Vegetação

A vegetação da Serra da Estrela encontra-se diferenciada em três andares, cujos limites podem oscilar, sensivelmente, de acordo com o local considerado: andar basal (até 800-900 metros), andar intermédio (de 800 a 1600 metros) e andar superior (acima dos 1600 metros). O andar basal, de acentuada influência mediterrânica, está sujeito a um aproveitamento cultural intenso por parte das populações, pelo que a vegetação natural é praticamente inexistente. O andar intermédio corresponde ao domínio climático do carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Os principais tipos de vegetação natural e seminatural que se encontram neste andar são os carvalhais, os castinçais e matos de vários tipos. O andar superior corresponde, na actualidade, ao domínio do zimbro (Juniperus communis ssp. alpina). É admitido que, no passado, o pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris), o vidoeiro (Betula pubescens) e o teixo (Taxus baccata) tenham ocupado a parte superior da Serra, após o recuo dos glaciares wurmianos.

Fauna

A Serra da Estrela alberga cerca de 40 espécies de mamíferos, 100 espécies de aves, 30 espécies de répteis e anfíbios, 8 tipos de peixes e numerosas espécies de invertebrados. Já lá vão os tempos em que o lobo (Canis lupus) era frequente. Actualmente é mais comum o javali (Sus scrofa), encontrando-se esta espécie em expansão. A lagartixa-de-montanha (Lacerta monticola monticola) encontra aqui o seu único habitat no continente português. São de salientar ainda a geneta (Genetta genetta) e o coelhobravo-europeu (Oryctolagus cuniculus). Associados às linhas de água, encontram-se vários mamíferos como a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e a lontra (Lutra lutra) e da herpetofauna o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) – esta última com estatuto de conservação de “ameaçado”.Na avifauna destacam-se o pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica cyanecula), a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), a cegonha-preta (Ciconia nigra), a águia-deasa-redonda (Buteo buteo), o milhafre-preto (Milvus migrans), o tartaranhão-caçador (Circus pygargus) e o falcão-peregrino (Falcus peregrinus), entre muitas outras espécies.

Clima

O clima mediterrânico marca a Serra pelas suas irregularidades: Invernos frios e húmidos e Verões secos e amenos (mas com forte insolação). No Inverno, a neve contribui fundamentalmente para manter o solo a temperaturas mais baixas do que o ar, ao contrário do que se passa em montanhas muito mais altas ou latitudes elevadas, ambas atingindo temperaturas muito mais baixas em que a neve serve de barreira contra as perdas energéticas do solo para o ar. Isto faz com que, na Serra da Estrela, a amplitude térmica no solo seja muito maior do que no ar. No Verão, a forte insolação e a fraca precipitação levam à rápida dissecação do solo e a aumentos bruscos da temperatura. Este fenómeno é mais acentuado nas partes mais elevadas da Serra, onde a radiação solar incide directamente, o que resulta num maior aquecimento do solo. As superfícies rochosas, à semelhança do que acontece com os solos, apresentam muitas vezes grandes oscilações de temperatura e humidade, uma vez que aquecem e arrefecem rapidamente, simulando condições de continentalidade climática. Deste modo, podem ocorrer, num curto período de tempo, episódios de grande stress sobre a vegetação. A topografia influência muito a temperatura do ar sendo os maiores factores reguladores da precipitação a orientação e a altitudeOs nevoeiros frequentes funcionam como uma forma de precipitação disfarçada, uma vez que conduzem à condensação de água nas folhas das plantas.

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http://www.uc.pt/ciuc/grasses/geologia_e_vegetacao/clima http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-SerraEstrela | http://www.prof2000.pt/users/geologia/geologia.htm

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