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Cais maré. marés. cais. Daqui vejo até onde vai esse meu não voo.

2013.


Caio de sono. Caio de cansaço. Caio na estrada. Caio da cama. Caio fora. Caio dentro. Caio de maduro. Caio no mar. Caio do céu. Caio no inferno. Caio de amores. Caio. Será que nunca fico de pé nesta porra?

Sinto-me partido, espalhado pelas possibilidades que pertenceram a uma esperança até bonita, apesar de tola. Mas permaneço no mesmo lugar, mesmo sem estar em lugar algum. É difícil de explicar como cabeças decapitadas aos olhos da rainha e do palhaço levam a multidão ao delírio. E sinto muito, querendo voltar pra tudo que seja apenas você. Eu não preciso de chances, desculpas ou da caridade do acaso, só preciso fazer você sorrir e esquecer-se dos confins e das terras que nos prendem em distância. Mas estou superficial, estou feito quem não está.

Mil palavras em uma: foto.

Do outro lado há o mesmo oposto. E há quanto tempo o por acaso e o só desta vez não se encontram em nosso nome? Quero dormir em seus olhos, escapar dos seus seios e escorregar para os vãos dos dedos dos seus pés, das suas mãos.

Não é muito, mas na aparente calmaria do meu coração, você pode fazer cama. Há tanto para sonhar. Vem dormir que a vida é um sonho curto demais.

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Subindo pelas paredes eu sou taruira. Subindo pelas paredes você é lagartixa. Nossos gritos são sussurros que arrepiam até os pés da cama. Vamos usar as línguas, o criado é mudo.

A gente sempre sente mais do que diz que sente. Você sentiu alguma diferença?

O trânsito parado e a vida que segue.

Um segredo para ser feliz? Valorize as pequenas coisas da sua vida ao invés de ficar cobiçando as grandes coisas da vida dos outros.

A felicidade é uma coisa tão simples que nem todo mundo consegue alcançar.

Uma das piores coisas das pessoas é não saber ouvir e saber falar daquilo que não sabe.

Brincar de ser feliz não é brincadeira.

A água passa por entre os dedos e não afoga a sede. Abrir a mão é quase perder o coração acostumado a sentir com regalias.

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A mente humana é uma prisão em paredes da liberdade.

Não fazer nada faz bem ao meio ambiente. Não faça a besteira de jogar lixo na rua.

A natureza não precisa de Photoshop, apenas de proteção e respeito.

A única palavra é a palavra.

Meus versos, Suas entrelinhas. Nossa coisa só minha. Só, apenas em outro outra vez comum.

Fósforos apagados guardados na caixa Sonhos imaculados jogados sem asas. Nos ferimos ao respirar e morrermos sem ar. A vida é tão estranha que é apenas uma. Nada mais. Ter saudade é desperdício de coração, Mas acho até ser inevitável em dias assim De chuva, frio e luzes amareladas. A campanha segue, o cabelo cresce, a barba esconde E da vida a dúvida é a única certeza.

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Posso chegar e não devo ficar por muito tempo.

Porque a minha saudade é de lembranças. Lembrança do seu cheiro de manhã, da nossa volta para casa no entardecer e da minha fantasia que a oportunidade me permitiu, mas tive de deixar ir, seguir... Os caminhos nos levam, Sentimentos nos escravizam na liberdade do sentir. Há um tempo certo para voltar e olhar o mar que se afoga em profundeza. Meu reflexo é uma sombra que se esgueira pelas paredes, que rasteja pelo chão e se mistura à escuridão dos vãos. Me desculpe pela imperdoável ausência. Mas ainda estarei passeando quase que de vez em quando pelo seu coração.

Caem as estrelas e apalpam o chão como leves fagulhas que encantam. Nada mais. | Haja oração pra esse barco ir em frente | Haja talento para sofrer em alegria. | Bom dia, ontem! Sempre sentiremos a sua falta nesse amanhã fujão | Boa noite, meu bem! Peça a Deus por nós. Amém!

Eu queria tentar mais uma vez, Mas mais uma vez não é mais o bastante. Talvez até nunca mais.

Eu só quero a liberdade de ser feliz.

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Sinto muito. Já não sinto mais nada.

A chuva escorre pelos vidros, sua voz chega apressada aos meus ouvidos, tudo é tão nós, exceto minha realidade noturna / me diz onde é que dói / me diz onde é que foi / me diz coisas de amor mesmo sem chorar / apenas fale de amor / para termos um pouco de paz até o fim de nossas vidas.

Minha liberdade começa onde o nosso amor terminou.

Se existe uma coisa que é minha neste mundo é essa saudade cigana e sem porquê. Nas somos sempre assim: inconstantes.

E mesmo com o coração parado pela morte, há o encanto acolhedor da poesia no corpo frio e inanimado do poeta.

Voamos alto, chegamos longe, passamos do limite, mas nunca estamos satisfeitos com tudo.

Quantas possibilidades de vidas poderiam ser minhas. Pensar nisso me mata aos poucos, como numa ironia viciante de futucar a ferida já cicatrizada. E assim seguimos tropeçando em corações, desculpas e ideias descartados pelo caminho.

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Sabe aqueles momentos em que nos sentimos menores do que o chão? Penso em você para me tirar desse desespero. Espero pela mão que sei que nunca virá p'ra me levar p'ra passear por uma vida d’um sentir tão lindo que os anjos não entenderão.

A vida é curta demais pra se ter razão.

Eu sou meu próprio universo.

T.

Felicidade é uma desculpa à tristeza.

Que da infância brote a fantasia.

Um coração forte é aquele que se derrete por um sorriso.

Em um planeta transbordando vida, ainda somos capazes de nos sentir sós.

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Nos dividimos, saímos do mar, rastejamos, nos erguemos, construímos, fomos rápidos, fomos destruidores, rompemos o som, ultrapassamos o céu, olhamos a nossa insignificância no universo e nos calamos numa oração sem sinal resposta inteligente.

São meus outonos, por favor, não os esqueça. É o meu coração batendo. ecoando pelo silêncio d’uma esperança pronta p’ra gritar essa alegria contida.

Eu poderia ser feliz, mas decidi ser só seu!

Eu só preciso acreditar. Por que é tão difícil?

O amor é um descanso. E tenho me sentido tão sossegado esses dias…

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Você me trouxe tantas boas ilusões que já não quero me desfazer. De longe vejo todos aqueles sonhos que não quero mais e até tomo coragem de encarar aqueles que a vida não quis me devolver. Junto meus pertences numa caixa e percebo, olhando o céu, que não pertenço a lugar algum. Sou meu próprio estado. Estado solitário, mas livre.

Meu maior defeito é ter esperança demais. Enquanto espero pela resposta, minha cabeça cria outras perguntas. Mas como assim?

Nesta minha vida com cobertura de doces momentos, destruí algumas estrelas longe do fim. Acho que estou com aquelas coisas que deixam a gente feliz num por acaso. E fui pelos cantos me revelando em fotografias amareladas, Sou uma estrela ascendente, quero descobrir até onde a altura pode alcançar. Gosto de sonhar, mas quero dormir sem perder um terço da vida em ilusões descontroladas. Tomara que hoje você venha só para me esquecer em um lugar diferente seu. Eu estava brilhante na noite passada, e você destruiu algumas estrelas, Agora estou em pedaços. Desigual como de costume.

Esteja certa, você será infeliz. Você teve o meu amor, mas não quis, negou. Agora, os caminhos são outros e o tempo só volta na saudade.

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Talvez eu já não seja a minha própria história. Há universos paralelos, sim.

A melhor vitória é aquela que perdemos.

E mesmo com a festa e a comemoração, o clima é de uma alegria triste. Mas como assim? Uns partem para até logo, outros para o nunca mais. E apesar do coração sentir uma dor violenta e, por vezes, até covarde, a vida segue tanto por pistas quanto por caminhos. A vida é uma luta contra a morte, e sofrer, apesar da dor, é continuar vivo. É tirar forças de onde não tem, de onde não vem, e fazer o impensável: levantar-se, olhar a derrota e mirar na vitória que virá. Talvez não a mesma que o sonho desenhou, mas ela virá, por exemplo, num amor tão puro e infantil, que consegue nos fazer chorar na simplicidade do não saber soltar palavras. Uma alegria triste, reparando bem, nunca deixou de ser um motivo para sorrir e continuar. Galileu Galilei disse: “E pur si muove”.

Posso ir para longe sem precisar me afastar. Posso acordar e continuar em sonhos. Posso? Posso brincar à beira poço, eu posso. Posso pular a poça para chamar a atenção da moça. Posso ser feliz. Posso? Posso passar despercebido. Posso carregar o mundo desde que você esteja nele. Posso acreditar. Posso? E assim, meio sorrateiro, surgindo como quem quer tudo, percebo que não quero mais você.

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Um estouro ecoa! Meu rebanho de palavras foge, se mistura e me falta à boca. Cabe, então, ao silêncio ser a resposta.

Colocamos o infinito em nossas poesias, canções e juras de amor, mas sequer temos noção de seu tamanho.

Não solte os cachorros, a avenida de logo ali amanheceu movimentada. Tome um café enquanto recolho velhas desculpas que você não aceitou. Por enquanto, estamos aqui esperando algum outro quem sabe aparecer. Quem sabe? Tomo um vinho, abro a gaiola e os pássaros retornam num bater de asas com som de cartas amassadas. Tome vergonha, você machucou meu coração.

Se eu for para além do sol, venha me buscar de pés descalços e coração solto. Se eu voltar de além do luar, venha me buscar de cabelos soltos.

Pode chegar e se aconchegar. Assume este lugar não teu e este amor cansado, mas suficiente. E perdoa por eu não ter chegado antes, novo, outro, primeiro.

Saio do mar e me afogo neste ar pesado matinal.

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Livreto Cais