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AGOSTO 2013 | EDIÇÃO Nº 63

“TEMOS HOJE UM NÍVEL DE QUALIDADE QUE CUMPRE TODAS AS NORMAS NACIONAIS E COMUNITÁRIAS, COM ÍNDICES DE QUALIDADE DA ÁGUA ACIMA DOS 99, 99 POR CENTO EM TODOS OS DIAS DO ANO” José Sardinha, Presidente da EPAL Companhia de Pescarias do Algarve, em destaque nesta edição.


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Dinamização da Economia do Mar deve passar por uma aposta integrada nas suas múltiplas componentes ENTREVISTA A FERNANDO RIBEIRO E CASTRO, SECRETÁRIO - GERAL DO FÓRUM EMPRESARIAL DA ECONOMIA DO MAR

Q Fernando Ribeiro e Castro, Secretário-Geral do Fórum Empresarial da Economia do Mar

Tornar o Mar num desígnio nacional

uais têm sido as principias áreas em que o Fórum Empresarial da Economia do Mar tem desenvolvido a sua atividade e em que áreas em se perspetiva uma aposta? O FEEM foi criado para pôr em prática o previsto no estudo do Hypercluster da Economia do Mar em Portugal, elaborado pela SaeR sob a coordenação do Prof. Ernâni Lopes. Nesse estudo, são identificados 13 componentes da economia do mar: • Portos, logística e transportes marítimos; • Náutica de recreio e turismo náutico; • Pesca, aquicultura e indústria de pescado; • Energia, minerais e biotecnologia; • Visibilidade,comunicação,imagem e cultura marítimas; • Construção e reparação naval; • Obras marítimas; • Serviços marítimos; • Ambiente e conservação da natureza; • Defesa e segurança no mar; • Investigação científica, desenvolvimento e inovação • Ensino e formação; • Produção de pensamento estratégico Para cada componente, indica várias linhas de ação, num total de 90. Todas poderão ser consultadas na versão online do estudo, disponível no nosso site (http://www.fem.pt). Para um equilibrado desenvolvimento da economia do mar é necessário apostar-se nestes 13 componentes. O FEEM tem procurado fazer isso, tendo os treze correspondentes grupos de trabalho ativos, embora haja alguns grupos mais fortes do que outros, como é o caso do grupo de portos e transportes marítimos. É nossa preocupação aumentar a ação por parte dos que estão menos fortes, que passa pela adesão de novos associados nessas áreas. Qual a visão do FEEM relativamente aos eixos da Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020? A visão do FEEM é diferente da apresentada na Estratégia Nacional para o Mar. Como atrás referido, nós consideramos que existem 13 componentes da economia do mar, igualmente importantes. No entanto, não consideramos importantes essas diferenças nem necessário perder-se mais tempo a discutir-se a estratégia. Importante será pôr-se em prática o previsto, a começar-se pela simplificação

administrativa na aprovação de projetos relacionados com a economia do mar, para o que não é necessário gastar-se dinheiro nem pedir autorização àTroika. Há questões que se assumem como relevantes para a atividade que não estão contidos na estratégia? Não vemos que existam questões relevantes ignoradas na estratégia. Precisamos é que seja posta em prática o mais depressa possível, porque tarda... Por exemplo, quando é que a orgânica prevista é posta em prática? Quando é que acaba a re-arrumação dos organismos que pertenciam ao antigo IPTM e que ainda se encontram órfãos? Tendo como base toda a atividade desenvolvida pelo FEEM, qual entende ser o atual panorama do setor em Portugal e quais são as suas potencialidades ao nível das áreas em que há necessidade de fazer ou reforçar a aposta? A economia do mar, em geral, tem vindo a melhorar, embora ainda seja muito reduzida, por ter sido, em grande parte, alvo de grande destruição nas últimas dezenas de anos. Podemos exemplificar com a atividade portuária (batendo records sucessivos apesar de o país estar em recessão), os cruzeiros marítimos, a crescer a dois dígitos ao ano, assim como o setor das conservas, também em franco crescimento. O FEEM foi criado para se duplicar a percentagem do PIB que vem da economia do mar, até 2025, tomando-se como referência o valor em 2008, ano em que foi concluído esse estudo. Cremos que os setores atrás referidos irão continuar a crescer a bom ritmo, uma vez que ainda têm um enorme potencial. Esperamos, ainda, vir a ter boas notícias, em breve, relativamente à exploração de hidrocarbonetos no offshore do Algarve e costa oeste. Achamos que deverá continuar a apostar-se na aquacultura e na náutica desportiva e recreativa. O desenvolvimento destas atividades irá, naturalmente, levar à necessidade de mais meios marítimos, gerando um impacto positivo na indústria de construção e reparação naval nacional, que tem sido uma das grandes vítimas do abandono das atividades marítimas das últimas dezenas de anos. Por outro lado, a necessidade de vigilância e exploração do nosso gigantesco espaço marítimos, irá continuar a impulsionar a investigação em tecnologia, onde Portugal já é uma grande referência a nível mundial. Agosto 2013

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Portugal pode ter um tesouro no fundo do mar… que indicia que o Atlântico será uma das grandes rotas energéticas do futuro, sendo que concentra cerca de 90 por cento dos recursos offshore conhecidos do planeta. Se analisarmos a produção de petróleo a partir do offshore, ela está hoje em cerca de 8 milhões de barris por dia, o que corresponde a cerca de 10 por cento da produção mundial mas os dois países cruciais são o Brasil e Angola. Este eixo existente no Atlântico Sul é outra coisa que Portugal pode potenciar desde que se proceda a um trabalho de aproximação. Também entendo que devemos potenciar as grandes ligações que temos ao Mediterrâneo e ao Brasil”.

António Costa Silva, Gestor da Partex

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riada no início do século XX por Calouste Gulbenkian, a Partex é uma das mais antigas empresas operadoras na área do petróleo e gás. Nascido em Constantinopla, Gulbenkian estudou em França e Inglaterra, dedicando parte da sua vida à ligação entre o Este e o Oeste, desenvolvendo parcerias que visavam o estreitamento de relações. Aos 20 anos, visitou Baku, capital do Azerbaijão, entrando pela primeira vez em contacto com as explorações petrolíferas. Crente no potencial petrolífero da região, esteve na origem da criação das grandes companhias que desenvolveriam estas funções desde o Iraque até à Península Arábica. Entretanto, o mecenas criaria a Partex para gerir as participações que detinha em todos aqueles países. Hoje, a empresa está presente em Abu Dhabi e Oman, a core area de um case study que produz cerca de 46 mil barris de petróleo diariamente e que faz dela a maior companhia

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portuguesa em termos de produção. A partir dos anos 90, a Partex diversificou as suas atividades, estendendo-se a países como o Cazaquistão, Argélia, Angola, Brasil e em Portugal. O gestor da petrolífera da Fundação Gulbenkian, António Costa Silva, fala à País Positivo sobre as relações de Portugal com o mar, perspetivando novos rumos para um desenvolvimento mais próspero que passa, inevitavelmente, por nos reposicionarmos de frente… para a costa. Portugal e mar: umbilicalmente ligados “A relação de Portugal com o mar é parte da nossa história. Se analisarmos a história portuguesa, constatamos que sempre que o país se virou para o mar prosperou e, sempre que virou as costas ao mar, definhou. Nos últimos 30 anos, foram cometidos erros estratégicos gravíssimos que explicam a situação em que nos encontramos. Há três décadas atrás, o país pescava mais de

70 por cento do peixe que consumia, enquanto hoje importa a maior parte; há 30 anos atrás o país tinha uma indústria metalomecânica e estaleiros navais que constituíam uma referência mundial, hoje tem um fantasma; há 30 anos atrás o país produzia riqueza a partir do mar e, hoje, um país como a Bélgica, com cem quilómetros de costa, produz três vezes mais e a Dinamarca, com metade da população portuguesa, produz cinco vezes mais… Portanto tem sido apanágio das últimas três ou quatro décadas a falta de visão estratégica e de apostas concretas em relação ao mar. Entretanto, se o projecto de extensão da Plataforma Continental for aprovado pelas Nações Unidas, teremos uma área de mais de quatro milhões de quilómetros quadrados sob jurisdição portuguesa, o que liga diretamente a um conceito que defendo para este século: Portugal como país arquipélago. Portugal Continental será ligado aos dois arquipélagos, Madeira e

Açores, uma grande área em que existem enormes recursos que podem ser aproveitados e o país poderá transformar isto numa plataforma giratória dos fluxos energéticos e comerciais. 90 por cento do comércio mundial faz-se pelo mar e é crucial, face à posição geográfica do país, potenciar estas valências. No que concerne às rotas energéticas e comerciais já temos portos excelentes, como o de Sines, um dos melhores portos europeus de águas profundas, mas há ainda que captar muito do comércio que se faz pelo mar na Europa. Temos que ligar toda a rede de portos, especializá-la e ver os nichos de mercado global em que o país se pode projetar. Mas há que entender que as rotas energéticas e comerciais vão passar todas pelo Oceano Atlântico. Temos uma espécie de renascimento da Bacia Atlântica com as grandes descobertas de petróleo e gás no Brasil, na Bacia de Santos mais o Golfo da Guiné e a costa ocidental africana até Angola, o

Urge mapear e potenciar recursos “É curioso que as pessoas nos acusem de não sermos realistas quando defendemos que Portugal se deve realmente virar para o mar. O mar é a coisa mais realista que o país tem… E o que se passa em termos de recursos? Foram realizadas campanhas oceanográficas nas águas territoriais portuguesas, que indicam que temos, a sul dos Açores, a maior concentração de sulfuretos polimetálicos do mundo, com múltiplos minerais estratégicos para o futuro. Tem crostas de cobalto e níquel, que também estão identificadas e uma sequência de cinco grandes campos hidrotermais. A sul do Algarve, ao longo do offshore, há uma série de vulcões de lama, normalmente associados à ocorrência de hidratos de metano, que poderão constituir uma das grandes fontes energéticas deste século. Deve ser uma missão de soberania nacional o país mapear os seus recursos e depois descobrir uma forma de os desenvolver. A meu ver, passa pela reorientação das nossas alianças estratégicas, até porque a competição pelos recursos vai ser importantíssima, marcando a geopolítica deste século. Se dúvidas houvesse, em Outubro de 2010, com o conflito entre a China e o Japão a propósito das ilhas Senkaku no Mar do Sul da China, este país cancelou a exportação de terras raras, um conjunto de 17 elementos da tabela periódica de Mendeliev, vitais para toda a indústria electrónica de alta precisão. O Japão capitulou em 24 horas porque a China, que detém mais de 90 por cento das exportações mundiais de terras raras, pura


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e simplesmente, cancelou as exportações para o Japão. E isto vai passar-se em relação aos mais variados recursos. É preciso não esquecer que consumimos hoje 618 vezes mais petróleo do que há 60 anos atrás, mil vezes mais gás, 750 vezes mais níquel e mil e quinhentas vezes mais bauxite… Por tudo isto, há que mapear os nossos recursos e identificá-los. E é isso que a Partex está a tentar fazer, em coligação com outras empresas, nomeadamente com a Petrobrás e a Galp na Bacia de Peniche. No Algarve, existe forte probabilidade de ocorrências de gás e estamos a desenvolver um projecto conjunto com a Repsol que, além de proporcionar o mapeamento e exploração de recursos, pretende produzir conhecimento e valorizar a componente ambiental e a proteção dos ecossistemas”. Energias renováveis “Ao nível das energias renováveis, temos diferentes estágios de desenvolvimento. Algumas já estão mais desenvolvidas do ponto de vista da sua maturidade, como a eólica, nomeadamente a onshore, com custos hoje que já são competitivos. Mas sou defensor das energias renováveis enquanto recursos endógenos que devem ser mapeados, valorizados e produzidos desde que a sua competitividade económica seja provada. Quando olhamos para o ciclo de desenvolvimento das tecnologias e da redução de custos conseguida nos últimos anos com algumas energias renováveis constatamos algo absolutamente extraordinário. Repare que a energia solar

segundo estudos recentes do Deutsche Bank e do UBS pode ser competitiva nos próximos cinco anos e atingir o nível de paridade com aquilo que se passa na “Grid” energética convencional, algo impensável há uns anos atrás. O sol pode ser uma das grandes fontes de energia deste século. Em cada dia que passa, recebemos oito mil vezes mais energia do sol do que toda aquela que o planeta consome. Na energia das ondas também existe grande potencial e a costa portuguesa, desse ponto de vista, também pode ser muito atrativa. Não pode haver desenvolvimento neste país sem olharmos para os nossos recursos endógenos e sem darmos atenção à economia produtiva. Aproveitando e promovendo o desenvolvimento dos recursos endógenos, fazendo alianças e transformando o país numa espécie de plataforma para desenvolver e testar tecnologias poderemos inverter o ciclo negativo em que nos encontramos. Portugal tem uma competência científica elevada e muitas das coisas que irão marcar este século poderão ser testadas no nosso país. Uma delas é a crescente mineração dos recursos marinhos. Temos vários projetos e investigadores qualificados na área da inteligência artificial, da robótica, da digitalização de processos, da modelagem geológica, da computação avançada e tudo isso será crucial para o futuro. Não há desenvolvimento sem conhecimento, sem economia produtiva e sem mecanismos de mercado e incentivos bem desenhados que façam acontecer as coisas”. Agosto 2013

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WavEC promove investigação na área das energias marinhas ENTREVISTA A ANA BRITO E MELO, DIRETORA EXECUTIVA DA WAVEC

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WavEC surgiu há dez anos como centro promotor do desenvolvimento da energia das ondas. Como tem sido o desenvolvimento da sua atividade e de que forma a WavEC tem acompanhado a evolução do setor em Portugal? Numa primeira fase a atividade da WavEC esteve voltada para a vertente de modelação numérica, da investigação de conceitos e da pesquisa da viabilidade das tecnologias. Desde então tem progredido na cadeia de valor e neste momento estamos a trabalhar mais na parte de apoio a protótipos que têm sido instalados no mar e ainda na conceção de produtos virados para o apoio à instalação desses protótipos. Há uma década atrá s a realidade do setor era distinta, a energia das ondas existia praticamente na vertente de investigação no meio académico. Atualmente as grandes empresas estão envolvidas na energia das ondas, o que perspetiva o desenvolvimento do setor. Em Portugal os projetos da WavEC têm-se traduzido no apoio ao Windfloat, uma turbina eólica assente numa plataforma flutuante instalado na Aguçadoura, no qual estamos encarregues da monitorização ambiental. Estamos também

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envolvidos no projeto da tecnologia finlandesa Waveroller em Peniche. Da WavEC faz parte a Central do Pico, nos Açores, a primeira central da energia das ondas a nível europeu. É um projeto importante que tem possibilitado adquirir know how e experiência na área de teste. Pretende-se que este continue a ser um centro de testes ao nível da promoção da investigação e que assume uma relevância para a evolução do setor. A WavEC tem ainda uma participação ativa em projetos internacionais, em diversos países, como a Austrália, EUA, Chile, Costa Rica, em áreas diversas como a definição de estratégias, por exemplo de como o país deve entrar na energia das ondas, o potencial de utilização do recurso e a modelação numérica de futuros conceitos. Além disso, estamos a desenvolver projetos na área da energia eólica flutuante. Temos ainda projetos na área da economia, isto é, olhar para a cadeia de valor e tentar desenvolver um modelo de análise de custos das tecnologias e trabalhar numa vertente ligada à conceção de produtos, como por exemplo, o desenvolvimento de um software que ajuda à manutenção e operacionalidade de parques de energia das ondas e eólica offshore. Atualmente a atividade da WavEC engloba a área das tecnologias, modelação numérica, economia e indústria, ambiental e de políticas públicas e disseminação. Falou num maior envolvimento e aposta na energia das ondas por parte das empresas nas mais diversas áreas da fileira ao longo deste últimos anos. Há uma maior consciencialização para as potencialidades deste recurso? Penso que sim. Este desenvolvimento resulta do facto de as empresas acreditarem na viabilidade da energia das ondas. É uma tecnologia ainda com custos elevados e ainda há muito trabalho a fazer por exemplo na redução de custos na operação e manutenção, no sentido de a tornar mais competitiva relativamente às restantes energias. Mas o envolvimento cada vez maior por parte de grandes empresas na Europa traduz as suas potencialidades.

Quais são as reais potencialidades de Portugal nesta matéria? Portugal tem um ótimo recurso, temos 5 Gigawatts de energia das ondas que podem ser aproveitados. O WavEC também tem vindo a trabalhar com outros recursos ligados ao oceano, como por exemplo, o aproveitamento da energia eólica no oceano. Temos ainda trabalhado com a energia das correntes, do gradiente salino, do gradiente térmico, fazendo o acompanhamento do estado do seu desenvolvimento e daquilo que pode ser a aposta das empresas nestes recursos. Portugal tem competências científicas, de recursos humanos e infraestruturas. Faltam as medidas que tornam possível a concretização dos projetos e o aproveitamento destas potencialidades, como, por exemplo, a questão da zona piloto ou da tarifa bonificada. Este facto faz com que a energia das ondas perca competitividade não só em relação às outras energias renováveis, como simultaneamente Portugal perde uma posição de destaque que poderia ter comparativamente a outros países.

A estratégia transnacional sobre a energia marinha no Espaço Atlântico.

Atlantic Power Cluster O WavEC está envolvido no consórcio europeu Atlantic Power Cluster que conta com a participação de 17 parceiros de 5 países membros do Arco Atlântico, ou seja Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Irlanda. Este projeto, financiado pelo FEDER e que decorre entre 2012 e 2014, pretende desenvolver uma abordagem conjunta com a colaboração de todas as regiões participantes para facilitar a identificação de novos nichos de mercado no sector das energias marinhas e a redefinição de programas de educação e formação conforme as necessidades do sector da energia offshore. Este projeto procura identificar os desafios futuros para o desenvolvimento das energias marinhas, olhando para a cadeia de fornecimento e procurando definir e lançar áreas de trabalho relacionadas com as competências regionais. As atividades levadas a cabo neste projeto cobrem aspetos de natureza estratégica e politica, de promoção e aceitação social, aspetos de natureza tecnológica, industrial e logística e identificação das oportunidades de mercado. Este projeto complementa o trabalho que tem vindo a ser feito no âmbito do projeto nacional OTEO - “Observatório Tecnológico para as Energias Offshore”, com o apoio do programa COMPETE, mas já em fase de conclusão, e que se desenvolveu no seio de uma parceria entre três instituições nacionais, além do WavEC, o INEGI (instituição coordenadora) e a associação EnergyIN, Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia. Estes dois projetos são exemplos de iniciativas que visam promover a competitividade nacional nas renováveis offshore.

Primeiros testes do protótipo Waveroller em 2012, ao largo de Peniche (Cortesia AW-Energy)

Travessia do WindFloat dos Estaleiros de Setubal (onde foi montado) até ao local de instalação, na Aguçadora


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O Mar como um novo desígnio nacional A E S CO L A N Á U T I CA I N F A N T E D. H E N R I Q U E É A Ú N I CA E S CO L A D E E N S I N O S U P E R I O R N AC I O N A L VO CAC I O N A DA PA RA A F O R M AÇÃO D E Q U A D RO S E S P E C I A L I ZA D O S PA RA O S E CTO R M A R Í T I M O. D E S D E A F O R M AÇÃO D E O F I C I A I S DA M A R I N H A M E RCA N T E, PA S S A N D O P E LO S E TO R M A R Í T I M O - PO RT U Á R I O, E N G E N H A R I A M A R Í T I M A, G E S TÃO E LO G Í S T I CA. do Mar. Além disso, a criação de uma identidade em torno do Mar criou, de uma forma ou de outra, um espírito de unidade e o desenvolvimento de sinergias entre todas as entidades que trabalham o Mar. “Apesar de existir muito trabalho a ser feito no setor do mar, há já casos de sucesso que merecem destaque, como por exemplo, a atividade portuária que foi um setor que, nos últimos anos, deu um salto qualitativo imenso, assumindo-se como player de relevo na economia internacional. A área das pescas e indústrias conexas bem como o turismo marítimo têm igualmente evidenciado um desempenho interessante”. O entrevistado é defensor do investimento em áreas estratégicas, áreas que sirvam de alavanca as outras actividades do Cluster do Mar: “Deveríamos, dar prioridade ao investimento em atividades que possuam uma certa capacidade de alavancagem de todas as outras atividades, como é o caso do transporte marítimo”, afirma. Na sua opinião, o “Transporte Marítimo tem que se assumir como o centro da estratégia do Cluster do Mar. A sua capacidade de alavancagem de atividades conexas é evidente”.

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ernando Cruz Gonçalves, Coordenador do Serviço de Relações Públicas e Observatório Profissional, fala, em entrevista ao País Positivo, sobre toda a temática do mar, envolvendo a ENIDH como um parceiro de relevo na criação de estruturas que garantam o futuro deste novo desígnio nacional. Apesar de ser a única Escola Superior de formação de Oficiais para a Marinha Mercante

nacional, a ENIDH tem vindo a apostar em áreas completares numa lógica de cluster. De acordo com o nosso entrevistado, “sabemos que o nosso core business é, efetivamente, a formação de Oficiais da Marinha Mercante, mas integrámos outras ofertas formativas em áreas como a Gestão Portuária, a Engenharia Marítima, os Transportes e a Logística. Paralelamente, através de um protocolo com a Escola Superior de Turismo do Estoril,

posiciona-mo-nos também na área do turismo náutico”. Com cerca de 730 alunos a ENIDH vem evidenciando uma dinâmica de crescimento muito interessante. Com formação e certificação internacional, o mercado é global o que assume particular evidencia nas profissões marítimas. A reduzida marinha mercante nacional faz com que muitos dos oficiais náuticos portugueses embarquem em navios estrangeiros. A boa imagem dos marítimos nacionais é, sem dúvida, reconhecida internacionalmente. Para o nosso interlocutor, “hoje os jovens conseguem identificar os nichos de mercado onde vale a pena apostar e sinal disso é o crescimento da ENIDH. Apesar de termos taxas de empregabilidade muito interessantes, convém não esquecer que o mar tem ainda um peso económico e social relativamente baixo no nosso país. A nossa expectativa é que num futuro próximo o Cluster do Mar venha a assumir um peso mais significativo”. Para Fernando Cruz Gonçalves, foi muito importante o reconhecimento da importância

A visão pessoal de Fernando Cruz Gonçalves Na opinião pessoal de Fernando Cruz Gonçalves, “a ideia fundamental é perceber como valorizar economicamente os ativos do mar. O mar está hoje na ordem do dia, é um tema recorrente, passou-se para a opinião pública a importância do mar e a verdade é que esta é a nossa única fonte de vantagens competitivas”. Apesar de nos últimos 15 anos muito ter sido feito pelo mar, a verdade é que Portugal ainda não conseguiu criar um “background económico de suporte à valorização que estamos a dar ao Mar em termos de desígnio nacional. Todas as atividades relacionadas com o mar não chegam ainda aos quatro por cento do PIB. A ideia é que num futuro próximo ultrapassem os 11 por cento, assumindo um peso significativo em termos económicos”. E porque uma nação não vive de desígnios e promessas, é tempo de olhar para o mar como verdadeiro atrativo, apostando e investindo neste recurso natural que nos garantiu, em tempos, a conquista do mundo e nos tornou tão ricos. Agosto 2013

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Há 175 anos a oferecer o que o mar tem de melhor investigação marítima e, sobretudo, estimulando o empreendedorismo nesse novo conjunto de atividades, porque só um forte investimento pode mudar o panorama atual em que, claramente, não é aproveitado o potencial existente. É essa onda que a CPA pretende induzir na aquicultura nacional.

António Farinha, Presidente do Conselho de Administração da CPA

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Companhia de Pescarias do Algarve, fundada no longínquo ano de 1835 e detentora de um rico historial, encontra-se numa fase de desenvolvimento e diversificação da atividade, dedicando-se particularmente à aquicultura em offshore, não só na criação de bivalves (mexilhão, ostra e vieira) como a curto prazo na criação de peixe. Em paralelo, a Companhia decidiu construir uma unidade fabril, em Olhão, destinada à transformação e valorização do seu próprio pescado. No Plano de Ação para 2010/13 da Companhia de Pescarias, pode ler-se que o grande objetivo da instituição é encetar um novo ciclo da sua atividade empresarial, com um importante registo histórico a nível regional e nacional. Para tal, a Companhia pretende promover a diversificação de atividades dentro do setor da pesca em Portugal e a imagem da empresa, respeitando os seus legados históricos mas dando um sinal de vitalidade e modernidade para assim recuperar a importância e a dimensão socioeconómica a nível regional e nacional. Em discurso direto, António Farinha, presidente do

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Conselho de Administração, fala sobre o mar e as suas potencialidades, assim como das principais apostas da CPA – Companhia das Pescarias do Algarve. Tendo em conta a sua experiência relativa ao Mar português, dê-nos uma visão geral do que o Mar representa em termos socioeconómicos. As atividades ligadas ao mar assumem uma importância crescente na nossa economia, refiro- me não só às tradicionais ligadas à pesca, mas à aquicultura, à extração de sal marinho, às energia off shore (eólica e das ondas), ao transporte, à construção naval, às operações portuárias, à transformação de pescado e às actividades marítimo-turísticas, aproveitando a extensa orla costeira de que o nosso País dispõe. Pela dimensão e importância socioeconómica, esta nova perspectiva integrada das atividades em espaço marítimo representa um verdadeiro desígnio nacional que, partindo da forte tradição marítima portuguesa, emblemática sobretudo na pesca longínqua, possa evoluir nos próximos anos para um cluster de conhecimento da economia do Mar, promovendo a

Especificamente falando do Mar Algarvío, quais as capacidades e potencialidades deste recurso e de que forma poderá contribuir para um incremento em termos económicos para a região e para o país? O Mar do Algarve tem um enorme potencial económico. No que se refere aos recursos naturais, a pesca e a aquicultura, sobretudo esta última, podem registar um forte desenvolvimento nos próximos anos, caso as entidades oficiais criem um ambiente mais competitivo para as empresas, sobretudo através da simplificação dos processos de emissão de licenças, reduzindo os designados custos de contexto. Do ponto de vista das condições naturais, o Algarve pode produzir os melhores bivalves do mundo, fruto do posicionamento estratégico do mar do algarve. Quanto às restantes atividades, estão já em curso experiências em offshore ligadas á extração de petróleo, gás natural e shellgás que podem transformar profundamente o perfil da actividade económica da região, naturalmente com a expectativa de que essas atividades potencialmente geradoras de elevado valor para a região, não comprometam a sustentabilidade não só da pesca e da aquicultura, como do turismo. O Algarve é atualmente a região portuguesa com a maior taxa de desemprego, pelo que o desenvolvimento das atividades económicas podem ter um impacte muito positivo nesta região, dando um novo dinamismo às comunidades piscatórias. Qual a política seguida pela Companhia de Pescarias do Algarve no que se refere à aquicultura? E o que deverá ser feito pelos agentes políticos e económicos no sentido de impulsionar esta atividade? A aquicultura era até à década de 90 do século passado uma atividade com pouca relevância económica. A partir dessa década, regista-se um forte crescimento da produção aquícola mundial. A limitação das capturas de espécies selvagens, por razões de sustentabilidade dos recursos marinhos, surge como a principal causa desse fenómeno que, na última década conhece um desenvolvimento notável, ao ponto de atualmente metade do consumo humano de pescado ser satisfeito com produtos provenientes deste setor. A aquicultura portuguesa teve um comportamento diferente, registando um fraco desenvolvimento nas últimas décadas. Com uma produção de, aproximadamente, nove mil toneladas, esta atividade apresenta dois segmentos distintos: a piscicultura tradicional

orientada fundamentalmente para a produção de dourada, robalo, truta salmonada e linguado, tendo recentemente surgido um acentuado crescimento da produção de pregado, fruto da instalação de uma nova unidade em Mira e a produção de bivalves, especialmente, ameijoa e ostras, nas áreas estuarinas e nas rias. Os regimes de incentivos apoiados por Fundos Comunitários têm tido um papel muito positivo, pondo à disposição dos empresários avultados recursos financeiros, estimulado o investimento neste domínio. Contudo, pode afirmar-se que o empreendedorismo não revela particular relevo neste setor. O caso da Área Piloto de Produção Aquícola da Armona é ilustrativo desta realidade. Dos 60 lotes disponíveis objecto de procedimento concursal, apenas dez estão a ser explorados pela Companhia de Pescarias do Algarve, SA., o que demonstra a dificuldade de expansão desta atividade que exige um grau elevado de conhecimento, capital e recursos humanos qualificados, factores que escasseiam e limitam, à partida, as iniciativas empresariais. Na minha opinião, os aspetos mais importantes para promover o desenvolvimento da aquicultura passam pela redução dos custos de contexto e pela continuidade dos apoios concedidos no quadro da Política Comum das Pescas e pela alteração do conteúdo das licenças/concessões, alargando os períodos temporais de fruição dos domínios hídricos, adaptando-os mais ao perfil e à maturidade dos investimentos. Outro aspeto, tem a ver com o acesso ao crédito, situação que nos últimos meses tem vindo a dar sinais de alteração, sendo notórias as iniciativas da Banca no sentido de apoiar com maior intensidade, os empresários e os investimentos rentáveis e sustentáveis. Considero que a estabilizar-se essa tendência, poderá ter consequências positivas na retoma do investimento a curto prazo no setor e na solidez financeira das empresas. Hoje, como caracterizaria a CPA e de que forma posicionaria a Companhia em termos de atividade e investimento? Num estudo recentemente publicado pela OCEAN 2012, uma aliança de organizações, entre as quais se destaca a NEF – New Economics Foundation, um think-tank que estuda as pescas e a aquicultura no mundo, é referido que, não obstante, a aquicultura assuma uma importância relevante na oferta de pescado, a taxa de conversão necessária para obter um quilo de pescado em espécies carnívoras é demasiado elevada, pondo em causa o stock de espécies selvagens, sendo a produção de bivalves em aquicultura a única que a par da produção aquícola de espécies não carnívoras, não põe em causa os ecossistemas e os habitats naturais, sendo por essa razão, uma actividade considerada sustentável pela


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Fotos propriedade da CPA

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comunidade científica. Esta posição, expressa por uma organização internacional de reconhecido mérito, é um dos pilares da visão estratégica da CPA, daí que se tenha centrado o negócio da empresa – o seu core-business – na produção de bivalves em mar aberto. Esta opção não tem apenas como fundamento o referido estudo, estando associada a outros fatores, entre os quais se destaca o perfil de rentabilidade da produção de bivalves, uma vez que, todos os estudos levados a cabo pela empresa dão indicações de níveis muito satisfatórios de retorno acionista, tendo naturalmente presente o custo de oportunidade do capital. A CPA pode produzir num horizonte de três anos, cerca de oito a dez mil toneladas de bivalves. Atualmente a empresa exporta 90 por cento da sua produção em fresco para o mercado espanhol e francês, uma vez que o mercado nacional, apesar de revelar um potencial de crescimento interessante, não terá seguramente nos próximos anos uma dimensão relevante. Mesmo assim, a CPA está já presente na maioria das cadeias de distribuição nacionais e vai continuar a apostar na promoção da utilização de mexilhão na gastronomia portuguesa. A CPA está também a dar os primeiros passos

Ciência e indústria Recentemente, a CPA celebrou um protocolo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, visando a monitorização dos níveis de toxinas marinhas, de parâmetros microbiológicos e metais pesados nos bivalves produzidos na zona offshore da Armona. A CPA estimula ainda o intercâmbio entre a ciência e a indústria, tendo celebrado um protocolo com a Universidade do Algarve, no sentido de promover a realização de iniciativas de cooperação numa perspetiva de valorização recíproca, nomeadamente nos domínios da investigação, prestação de serviços, projetos e na realização de estágios curriculares e profissionais. Decorrem atualmente, em parceria com o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e com o Instituto Superior Técnico, estudos tendo em vista o desenvolvimento de novos projetos.

na produção de conservas de bivalves e outras especialidades e em 2014 desenvolverá uma linha de produtos congelados, expandindo o quadro de oportunidades, ampliando as possibilidades de acesso a mercados onde, por força dos custos associados à logística e à shelf-life do produto, a comercialização de produtos frescos não é viável. A CPA investiu, nos últimos três anos, aproximadamente, 11 milhões de euros em estruturas de produção de bivalves e numa unidade industrial localizada no Porto de Olhão. Até final do ano prevê investir aproximadamente cinco milhões de euros. Fotos propriedade da CPA

Qual a política de controlo de qualidade implementada? Nos bivalves, não é suficiente possuir excelentes características organolépticas, sendo necessário um controlo sanitário muito exigente. A empresa dispõe de um laboratório onde efetua as análises requeridas para este tipo de atividade e trabalha em parceria com várias Universidades e com o IPMA, Autoridade que define, em última instância, através de análises periódicas, as condições de captura de bivalves, podendo fechar determinadas zonas, caso se verifique a presença de toxinas (ex. DSP). Além disso, a CPA segue uma política de produção sustentável de mexilhão, estando em fase final o processo de acreditação pela Marine Stweardship Council (MSC), menção de extrema importância na imagem de sustentabilidade na utilização dos recursos naturais, atribuída a poucas empresas no mundo. Falando ainda no presente, existem mais apostas delineadas? Decorrente da estratégia definida, a CPA,SA. decidiu concentrar todas as estruturas offshore de produção de bivalves, possuindo atualmente um potencial significativo de produção de bivalves em estruturas em mar aberto (offshore), produzindo mexilhão e, numa escala menor, ostras e vieiras, em resultado de ciclos de produção destas espécies. A CPA continua a investir na expansão das estruturas offshore, desenvolvendo também a atividade marítimo-turística.

No que respeita ao futuro, quais os principais projetos e perspetivas? Esta escala de produção poderá vir a ser ampliada através de novas licenças/concessões que a CPA poderá vir a obter no âmbito de procedimentos concursais para utilização de uso privativo do domínio público hídrico. Neste momento aguarda-se com alguma expetativa a definição de novas zonas de produção aquícola no quadro do plano de ordenamento do espaço marítimo. É um aspeto que reputo de extrema importância para o desenvolvimento da produção aquícola em mar aberto. Esperamos que o Governo cumpra o seu papel e possa também agir com celeridade na simplificação dos processos de licenciamento.

O mar do algarve tem sabores únicos e a CPA quer colocar a qualidade ímpar dos bivalves na agenda internacional de produção aquícola. É a nossa missão.

Qualidade Mexilhão, Vieira, Ostra do Pacífico e Portuguesa: A Companhia certifica-se que a qualidade dos seus produtos seja de alto nível, tendo em vista as exigências do mercado e a satisfação dos seus clientes, cumprindo igualmente com as normas estabelecidas pelos regulamentos existentes.

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Autarquia de Cascais promove o desenvolvimento do tecido económico e social do concelho através da aposta na economia do mar

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Centro de Mar criado pela Câmara Municipal de Cascais, em parceria com a SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, é um plano estratégico municipal que visa desenvolver o tecido económico e social do concelho através da aposta na economia do mar. Este plano visa atuar junto do setor empresarial do concelho e assenta em quatro áreas estratégicas para Cascais: náutica (tanto na vertente desportiva como de recreio), investigação e conhecimento do mar, saúde e turismo. “Pretende-se que o Centro de Mar de Cascais funcione como agente capaz de alavancar e dinamizar a economia local, perspetivando-se que venha a ter também possíveis efeitos a nível nacional”, destaca Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais. As razões que sustentam esta aposta no Centro de Mar são claras: “A área marítima de Cascais é cem vezes maior do que o espaço da sua superfície terrestre. Apoiado na Economia do Mar, a autarquia pretende identificar novas cadeias de valor que gerem riqueza, abrindo desta forma um conjunto de potencialidades para o território e para a sua população”, afirma. “Por exemplo, já temos em Cascais projetos ligados à tecnologia marítima e um laboratório da Universidade Nova que está a desenvolver investigação na área do mar. As potencialidades de Cascais passam também pela talassoterapia, termalismo, saúde e bem-estar. A autarquia tem ainda promovido o desporto escolar com atividades ligadas ao mar. Além disso, em parceria com o Clube Naval de Cascais estamos a promover a prática da náutica para cidadãos portadores de deficiência,

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disponibilizando uma bússola para invisuais que lhes permite a prática deste tipo de desporto”, destaca Carlos Carreiras. Potenciados pelas infraestruturas de qualidade que o concelho dispõe, são vários os eventos desportivos e recreativos que a autarquia tem promovido, dos quais se destaca a America’s Cup. Em outubro Cascais juntamente com Peniche irá acolher o maior evento de surf da Europa. Estas iniciativas permitem afirmar internacionalmente as potencialidades de Cascais como destino turístico de excelência. Carlos Carreiras destaca ainda o retorno que estes eventos trazem: “São centenas de atletas que ficam hospedados no concelho e que dinamizam a economia local. Além disso, muitos desses turistas estrangeiros que passam por Cascais acabam por investir no concelho, por exemplo, na aquisição de uma casa de férias”. Carlos Carreiras


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Goze o mar todo ano

COM UMA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA PRIVELIGIADA A MARINA DE CASCAIS SURGE COMO UM CONVITE A UMA PARAGEM OBRIGATÓRIA A TODO O TIPO DE EMBARCAÇÕES DE RECREIO QUE PASSAM PELA COSTA PORTUGUESA.

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Marina de Cascais fica situada na Baía do mesmo nome, cerca de 9M a SE do Cabo da Roca e a 4M a W da entrada do Porto de Lisboa. Os faróis de referência para a aproximação a esta marina são, do lado W, o da Guia e igualmente a W, mas quase em cima da marina, o de Santa Marta. A entrada da marina faz-se de NE para SW. Para quem vem do mar é necessário contornar todo o molhe mantendo, ao longo do todo este, um amplo resguardo, indicado pelas três boias cardeais e uma boia vermelha aí existente.
É ainda necessário dar resguardo à cabeça do molhe, deixando por BB a pequena boia redonda, vermelha e cega, aí fundeada. O pontão de chegada situa-se do lado N na entrada da marina. Com capacidade para 650 iates com um comprimento máximo de 35 metros, a Marina de Cascais é também conhecida pelos seus bares e restaurantes. É por vocação o palco de grandes eventos internacionais, e por paixão um espaço nobre de acolhimento, lazer e conforto a todos os que por lá passam. 
 
No passado recente fica o acolhimento dado a grandes provas como a America’s Cup World Series Cascais 2011, o Campeonato do Mundo de Vela ISAF 2007, o Campeonato da Europa de 49ers, Regata QuebraMar, Cowes-Cascais, Volta a Portugal à Vela, Portugal Match Cup, Troféu Sua Majestade o Rei D.

Juan Carlos I entre muitas outras competições que têm prestigiado o nome da Marina de Cascais a nível nacional e internacional.

As grandes competições têm reunido na Marina, além de velejadores oceânicos, muitas cabeças coroadas da velha Europa, também eles amantes do Mar e do bom vento como é o caso do Rei Juan Carlos de Espanha, Constantino da Grécia e Harold da Noruega. Cascais recebeu alguns dos mais importantes eventos de vela do mundo e é por natureza um local com vocação para todos os desportos naúticos e todos os temas relacionados com o Mar. Esta reputação foi reforçada pelo próprio Rei D. Carlos I. Estando a Baía de Cascais a uma curta distância de Lisboa, mas com um ambiente cosmopolitano, brindando com uma forma relaxada de bem-estar, e parecendo-se como um mundo à parte da capital, D. Carlos I fez de Cascais a sua segunda casa. Sendo um oceanógrafo devotado, e muito respeitado pelos seus estudos Maritímos, estabeleceu numa vila piscatória um dos mais importantes laboratórios oceanográficos a nível mundial, em simultâneo atraindo velejadores, entusiastas de desportos naúticos e turistas que assim se juntavam à elite portuguesa na Vila e Baía de Cascais. Da inspiração e persistência recolhida desses antepassados, a Marina de Cascais assume-se como um projeto ambicioso para o Século XXI, aliado do Ambiente e das Novas Tecnologias. Tendo Cascais um vento de orientação fiável e regular, com inúmeros locais para os espectadores disfrutarem a ação de muito próximo, torna-se um local único para receber um evento de vela. E a escolha da America’s Cup para ser o local de inauguração das World Series vem reafirmar a reputação de Cascais e da sua Marina, a nível Mundial, que se orgulham de ter recebido primeiramente as melhores tripulações mundiais e os barcos à Vela mais rápidos do Mundo, ficando como um marco na histórica mudança do formato da prestigiada America’s Cup. Poderá usufruir-se da Marina durante todo o ano e, ao longo dos anos a Marina de Cascais tem vindo a melhorar as suas instalações e serviços para que as suas condições de exceção, tanto em terra como no mar, possam ser desfrutadas por todos. Esta não é apenas uma Marina, é um projeto ambicioso que combina as novas tecnologias com o respeito pelo ambiente. Noutro campo, a Marina conta ainda com uma plataforma de Eventos com mais de dois mil metros quadrados, para todo o tipo de ações de apoio a competições marítimas, mostras comerciais, animação, moda e náutica. A finalizar, refira-se a excelente localização da Marina e o seu posicionamento estratégico como forma de sustentar o futuro desta estrutura que se pauta pela qualidade, excelência e magnitude das suas paisagens, e para a qual se prevê intervenções que venham a realçar e otimizar as qualidades referidas. Agosto 2013

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A contar história desde 1938 FUNDADO EM 1938, COM O NOME DE CLUBE NAVAL DE CASCAIS, ESTE É UM DOS MAIS IMPORTANTES CLUBES A NÍVEL NACIONAL, LIGADO À PRÁTICA DA NÁUTICA DE RECREIO, COM MAIOR DESTAQUE NA VELA.

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ituado junto à Marina de Cascais e em frente à baia de Cascais, o Clube Naval de Cascais assumiu o leme em 1938, data da sua fundação. Contribuiu para o desenvolvimento dos desportos náuticos em Portugal, em especial pela vela, e lançou aos sete ventos verdadeiros campeões portugueses: Gustavo Lima, Álvaro Marinho, Jorge Lima, Francisco Andrade, entre tantos outros. A Escola de Vela criada em 1950 é a maior do País e tem sido responsável pela formação de grandes nomes nesta área, reconhecidos, na sua maioria, a nível nacional e internacional. Parte destes nomes pertencem hoje às equipas pré-olímpicas portuguesas, tendo obtido grandes êxitos nas competições internacionais. Os jogos Olimpicos de Londres foram um bom exemplo deste sucesso, sendo que

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quase todos os velejadores da equipa Portuguesa eram do Clube Naval de Cascais. A Escola de Vela apresenta cinco níveis de aprendizagem (Optimist, Laser,420, Hobie Cat e Sprinto), quer para crianças a partir dos sete anos, quer para adultos. O clube criou, para as pessoas com mobilidade condicionada o projeto Vela Sem Limites, uma parceria bem sucedida entre o Clube Naval de Cascais, a Câmara Municipal de Cascais e a CERCICA, diversos patrocinadores e voluntários. O trabalho do Charles Lindley neste projecto merece um reconhecimento especial e este projecto é hoje uma referência nacional e internacional neste tipo de ensino e prática da vela. Inaugurado em 2007, o Centro de Alto Rendimento de Vela permite ao clube receber e apoiar qualquer grande competição de vela.

Por Cascais têm passado os maiores eventos de vela do mundo, com destaque para os Campeonatos do Mundo da ISAF em 2007, as Word Series da America’s Cup em 2011, edições da Audi Med Cup, o Cascais RC44 Cup 2012 e que regressa em 2013, uma Stopover dos MOD70 em 2012, os Transat Classic em 2012 para além da muita atividade com a classe Dragão a ter realizado a Gold Cup em 2008, as Dragon Winter Series todos os anos e o Campeonato Europeu da Dragões que se realizou em Abril deste ano e que teve pela primeira vez um vencedor Português, o José Sotomayor Mattoso. Também os SB20 tiveram o seu Campeonato Europeu em 2009 em Cascais. Com este esforço Cascais é hoje uma referência na Vela Mundial, reconhecido como um dos melhores campos de regata do mundo e conhecido de todos os velejadores mundiais. Para além dos campeonatos internacionais em Cascais há uma ampla atividade local com eventos quase todos os fins de semana, abrangendo todas as classes, sendo que o maior evento do Clube e que será a grande festa da vela, é o Cascais Vela, que se realiza todos os anos no último fim de semana de Agosto e que termina com uma festa que tem mais de quatro mil pessoas todos os anos e há mais de 13 anos. Toda esta atividade é desenvolvida com meios e know how local o que também deve ser um motivo de orgulho em Cascais e para o Clube. Temos os melhores profissionais nesta atividade, reconhecido pelos diversos circuitos que têm passado por Cascais mas também por exemplo aquando da realização da Volvo Ocean Race em Lisboa, em que toda a parte técnica foi feita pelo Clube Naval de Cascais. Francisco Geraldes, membro da Comissão executiva e do Conselho Geral do Clube Naval de Cascais diz que os eventos de vela têm contribuído para

o desenvolvimento turístico da região e para uma identidade única de Cascais como destino turístico associado à vela. No Clube existem duas rampas e duas gruas, uma do lado da Baía de Cascais e a outra junto à Marina de Cascais. Ambas equipadas com gruas adaptadas à atividade do Clube. Durante o ano de 2013 o Clube Naval de Cascais está a celebrar os seus 75 anos, tendo tido um evento em junho último, com muitos barcos na da baía de Cascais e onde decorreu um desfile náutico entre Cascais e Parede. Muitas atividades náuticas decorreram ao longo dos dois dias de festejos, onde se destaca uma prova de Match Race, uma prava de Team Racing de Optimist para os mais novos e a Taca Saúde Prime na classe Access. Com bom tempo, muito sol, e um bom vento norte, foi possível que dezenas de barcos pudessem participar e usufruir de um excelente dia de vela das mais variadas classes e de grandes festejos em terra. Também se realizou um jantar, onde todos puderam confraternizar, seguido de uma festa com o nome “Hello Summer” que durou até de madrugada. Francisco Geraldes afirma que “durante o ano haverá vários momentos para continuar a celebrar 75º Aniversário do Clube, data de grande orgulho para todos os sócios do Clube”. Será também feita uma edição especial da revista do Clube na sua 18ª edição. Francisco Geraldes declarou que “os grandes objetivos para 2013 são reforçar a posição e o prestígio do Clube Naval de Cascais, como clube de referência em Portugal na formação de velejadores de competição e de lazer, mas também como organizador e realizador de regatas nacionais e de grandes competições de vela internacionais”. Segundo Francisco Geraldes “o Clube tem tido a sorte de ter um conjunto de sócios que têm dado um contributo ao Clube e à vela único. Nunca é demais reconhecer o contributo de sócios como o Patrick Monteiro de Barros, José Sottomayor Matoso, Joaquim Silveira, Charles Lindley, Miguel Magalhães, Vasco Pinto Bastos, Gonçalo Esteves, entre tantos outros que têm ajudado o Clube a construir a sua história ao longo de todos estes anos”. Também a Câmara Municipal de Cascais tem contribuído de uma forma extraordinária para este progresso. Com uma estratégia clara de aposta na vela e critérios exigentes e objetivos ambiciosos tem ajudado de forma impar ao desenvolvimento de todas as actividades. Francisco Geraldes termina a entrevista dizendo que “o ano de 2013 será marcado pela celebração do 75.º Aniversário do Clube Naval de Cascais pois para nós este é um verdadeiro motivo de orgulho e que esperemos que a nossa história inspire a pelo menos mais 75 anos de sucesso da vela em Cascais”.


MAR 2020 / PORTO DE SINES

Porto de Sines regista um crescimento de 22% nas mercadorias e 62% nos contentores no primeiro semestre deste ano

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Porto de Sines fechou o primeiro semestre de 2013 com um incremento de 22 por cento no total de carga movimentada comparativamente ao mesmo período de 2012. No total foram movimentadas 17.4 milhões de toneladas, número que faz deste o melhor semestre de sempre no que diz respeito às mercadorias movimentadas no Porto de Sines. No que diz respeito à carga contentorizada, registou-se um aumento na ordem dos 62 por cento em relação a igual período do ano passado. Também o número de navios recebidos aumentou em 16 por cento no primeiro semestre de 2013, verificando-se igualmente o recurso a navios de maior porte.

Estes números explicam-se pelos investimentos realizados na melhoria das infraestruturas do Porto de Sines ao longo dos últimos tempos e que lhe permite ser atualmente um porto de competitivo e de referência. “O volume de investimentos realizados em 2012 rondou os 14.3 milhões, dos quais 13.7 milhões foram aplicados na segunda fase obra de ampliação do molhe leste em 400 metros, ficando assim o molhe com um comprimento total de 1500 metros, e também na dragagem de fundos, para permitir a atracação dos maiores navios do mundo”, diz João Franco, da administração do Porto de Sines. Este investimento permite que este porto tenha atualmente capacidade para receber os navios de maior dimensão em operação a nível mundial.

João Franco

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MAR 2020 / PORTO DE SINES

Um sucesso de pessoas

FUNDADA EM 1959, A CONDURIL É UMA EMPRESA DE ENGENHARIA DEDICADA À EXECUÇÃO DE OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL E OBRAS PÚBLICAS COM UMA VASTA EXPERIÊNCIA NA ÁREA.

Álvaro Vaz, Administrador da Conduril

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experiência da empresa, aliada ao conjunto alargado de competências dos seus profissionais e dos inúmeros equipamentos que têm ao seu dispor, fazem da Conduril uma empresa ímpar no panorama do mercado nacional. Através da sua capacidade multidisciplinar, a Conduril é responsável pela construção de diversas obras de grande notoriedade, tais como barragens, pontes, autoestradas, estradas e saneamento, sendo também a primeira opção para obras com requisitos específicos, tais como todo o tipo de trabalhos hidráulicos, obras subterrâneas e geotecnia. Álvaro Vaz, administrador da Conduril, afirma que “a missão da empresa é a criação duradoura de riqueza para os nossos acionistas e a sustentabilidade das melhores condições de trabalho para os nossos colaboradores, sendo este o primeiro vetor da nossa responsabilidade social”. Atualmente, o Grupo Conduril é composto pelas seguintes empresas: Conduril Engenharia, S.A. - empresa mãe -, Conduril Gestão de Concessões de Infraestruturas, S.A, Métis Engenharia Lda

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(Angola), Urano Lda (Angola), Enop Engenharia e Obras Públicas Lda, Mabalante inertes Lda, e estão ainda implantadas várias Sucursais da Conduril em Angola, Marrocos e Moçambique. Todavia, a Conduril desenvolve atividades em diversos países e Continentes espalhados pelo mundo, o seu universo de intervenção é frequentemente estendido para novos territórios, fruto de uma sólida estratégia de internacionalização. A primeira obra da Conduril foi a ponte de Tourém, construída em 1971 numa pequena aldeia transmontana. Desde então, a empresa expandiu-se e conta com uma presença “em Angola, Moçambique, Marrocos, Botswana, Espanha, Cabo Verde, Senegal, Malawi e Zambia”, avança Álvaro Vaz. No entanto, o primeiro passo rumo à internacionalização foi dado em Angola e, segundo o nosso interlocutor, “essa aposta foi feita devido à proximidade linguística que nos une a este país, juntando também as excelentes oportunidades que estavam então a surgir”. É precisamente em Angola que a Conduril sustenta cerca de 60 por cento da sua atividade e tem

desenvolvido atividades de referência e realce, sendo de destacar a estrada de Malange a Cangandala, a ponte sobre o rio Kwanza, em Cangandala, o estaleiro naval de Porto Amboim e a uma ponte sobre o rio Zambeze. Ainda além-fronteiras, a Conduril destaca-se por ter construido a maior barragem alguma vez projetada em Cabo Verde, criando, durante a fase de construção das infraestruturas, 120 postos de trabalho. Esta barragem, a de Figueira Gorda, é um projeto integrado que inclui uma conduta de água a cada parcela cultivada e um reservatório de cem metros cúbicos na zona de Monte Preto, que garantirá a irrigação de terrenos agrícolas. Conduril em Portugal Em Portugal, a Conduril foi responsável pela construção de algumas das mais conceituadas obras, com destaque para a ampliação da segunda fase de ampliação do molhe leste do Porto de Sines. Além desta, a Ponte do Rio Arade, uma construção que se iniciou em 1988, é obra de grande relevo,

sendo uma ponte de tirantes de suspensão total com uma configuração do tipo misto entre leque e harpa. Mas se queremos falar de grandes obras, não nos podemos esquecer da grande obra da A10, mais um marco na história da construção. Conduril: Uma empresa para as pessoas Quando questionado sobre o segredo do sucesso da Conduril, Álvaro Vaz é peremptório ao afirmar que o sucesso só se conquista com transparência: “Acreditamos que só podemos criar valor e riqueza através da franqueza, da confiança, da justiça e uma rigorosa adesão às regras. Só seguindo estes valores conseguimos sustentar a nossa atividade e a nossa empresa”. A grande obra da Conduril é a manutenção das bases que sustentam a empresa: Rapidez na resposta, especialização e, sobretudo, eficácia e qualidade”. Além disso, e a finalizar, Álvaro Vaz deixa o lema da empresa, explicando que com dedicação, trabalho e aposta nas pessoas, o sucesso é quase garantido: “Não há ventos favoráveis para quem não conhece o seu rumo”.


QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

O interior do conhecimento

O INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO ( IPCB ) É UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE ENSINO SUPERIOR, CUJA CULTURA INSTITUCIONAL SE CARACTERIZA PELA RIQUEZA PROVENIENTE DA DIVERSIDADE E SINGULARIDADE PRÓPRIAS DE CADA UMA DAS SEIS ESCOLAS QUE O CONSTITUEM ( AGRÁRIA, ARTES APLICADAS, EDUCAÇÃO, GESTÃO, SAÚDE E TECNOLOGIA ). sistema politécnico e vice-versa, o que ditou que exista hoje alguma indiferenciação relativamente ao que cada um faz. Considera essa indiferenciação positiva? Não. Cada subsistema tem igual dignidade mas a missão é necessariamente diferente. Na minha perspetiva, neste momento faz falta uma clara diferenciação em termos de oferta formativa, tendo presente que a matriz do ensino politécnico é mais orientado para a vertente profissionalizante e para o mercado de trabalho. É isso que o IPCB tem feito durante estes mais de 30 anos de existência, apoiando a nossa região, produzindo conhecimento e tecnologia e transferindo-o para a sociedade, conferindo-lhe um carácter utilitário. Enquanto instituição do ensino superior, compete-nos estar à disposição dos empresários e da sociedade para os ajudar a encontrarem soluções que satisfaçam as necessidades das suas empresas, mas também valorizar o muito conhecimento produzido no seio das próprias empresas.

Carlos Maia, Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco

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desenvolvimento do IPCB caracteriza-se pela exigência de elevados níveis de qualidade, internacionalmente reconhecidos. Para além de adoptar as normas da European Association for Quality Assurance for Higher Education (ENQA) e as recomendações da European University Association (EUA), o Instituto Politécnico de Castelo Branco tem o seu Sistema de Gestão de Qualidade certificado. A disponibilização de um leque alargado de ofertas formativas, ao nível graduado e pós-graduado, a forte ligação ao mundo empresarial, educativo, social e cultural, a estreita articulação com o mercado do trabalho, a transferência de conhecimento e tecnologia e a estratégia de internacionalização, são apostas que garantem aos diplomados pelo IPCB uma formação integral, através da aquisição e desenvolvimento de competências científicas e técnicas, linguísticas, relacionais e culturais, preparando-os para responderem de forma competitiva às solicitações de um mercado de trabalho sem fronteiras, mas proporcionando-lhes também condições para poderem vir a desenvolver a sua própria actividade, através de incentivos à criatividade e ao empreendedorismo. A disponibilização de programas de aprendizagem ao longo da vida permite, ainda, aos que já são possuidores de formação superior ou que já estão inseridos no mercado de trabalho, a adaptação necessária aos novos desafios e às novas exigências.

“Conhecemos a dimensão dos desafios e temos consciência plena do papel e da responsabilidade do IPCB no futuro do país e no desenvolvimento da região. Mas assumimos essa condição e o compromisso de liderar este projecto ao serviço do conhecimento e das pessoas”, afirma Carlos Maia, Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, em entrevista ao País Positivo. Como se encontra atualmente estruturada a oferta formativa do Instituto Politécnico de Castelo Branco? O Instituto tem seis unidades orgânicas: cinco escolas superiores em Castelo Branco, a Escola Superior de Educação e a Escola Superior Agrária, que deram corpo ao Instituto na sua fase inicial, a Escola Superior de Tecnologia, a Escola Superior de Saúde e a Escola Superior de Artes Aplicadas; e a Escola Superior de Gestão em Idanha-a-Nova. Temos, portanto, uma área de intervenção forte em diversas áreas, assentes em outras tantas áreas de conhecimento. O nosso “core” reside no ensino, na investigação e na prestação de serviços à comunidade sendo que, neste último âmbito, temos por objetivo fornecer um forte apoio à comunidade empresarial. Os politécnicos surgiram essencialmente para potenciarem o desenvolvimento regional, uma missão que está claramente identificada. Fruto da evolução, tem-se verificado uma aproximação do sistema universitário ao

Que tipo de ligações promove o IPCB com os diferentes setores de atividade? Temos ligações com várias áreas e com várias empresas conceituadas: como a Danone, a OutSystems, a Microsoft, a PT, entre outras. Claro que temos as dificuldades naturais e comuns às instituições sediadas no interior do país mas temos que lutar contra o preconceito da interioridade. Há muitas pessoas com responsabilidades no ensino superior que entendem que há ensino superior a mais em Portugal mas isso é falso e prova-se com muita facilidade. Basta olhar para os indicadores da qualificação da nossa população. Estamos muito aquém da média da União Europeia. Não há instituições do ensino superior

a mais. Há, isso sim, cursos a mais, desorganizados ou desajustados. E o que deveria ser feito para inverter esse rumo? Desde logo, deveria fazer-se uma clara diferenciação entre o politécnico e o universitário. Proporia mesmo um catálogo de formações. Rentabilizaríamos recursos humanos e financeiros, que são cada vez mais escassos. A reorganização da rede de ensino superior tem de ser feita, e se isso passar por haver extinções, elas terão que ocorrer onde as instituições estão mais concentradas, ou seja, em Lisboa, Porto e Coimbra. 53 por cento das vagas do concurso nacional de acesso ao ensino superior estão nestas cidades; em todo o litoral estão 90 por cento e apenas 10 por cento no interior… Mais: se fecharmos uma instituição do ensino superior no litoral, no dia seguinte os alunos estarão integrados noutra. Nem se nota. Se o fizermos no interior é o caos para essa região. E temos que perceber que muitas pessoas não têm hoje capacidade financeira para irem estudar para o Porto, Lisboa ou Coimbra. É verdade que o sistema não cresceu da forma desejável. Muitas vezes, apareceram instituições para responder a compromissos políticos assumidos mas não é aqui que as instituições estão a mais. É muito perigoso falar sobre a reorganização da rede de ensino superior na atual situação, tendo em conta a contenção orçamental e a racionalidade económica que tem que ser adoptada e com a qual o ensino superior está solidário. É muito perigoso, em nome dessa racionalidade, cometer as irracionalidades de que demoraremos a recuperar. É da qualificação dos portugueses que estamos a falar e esta será sempre a ferramenta mais poderosa de qualquer país para enfrentar e ultrapassar uma crise. Os indicadores de que dispomos ainda estão muito aquém dos restantes países da OCDE, apesar do progresso verificado nos últimos tempos.

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QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

Castelo Branco aposta no desenvolvimento do setor agroalimentar

Joaquim Morão

qual cede instalações para as empresas poderem desenvolver as suas atividades. Neste momento fizemos uma infraestrutura com capacidade para 50 empresas. Mas também, temos um pólo industrial em Alcains”, explica Joaquim Morão. Castelo Branco goza de uma localização geográfica estratégica. Além disso, a rede rodoviária é hoje em dia uma realidade o que se traduz em mais-valias para as empresas que estejam fixadas no território, do ponto de vista da competitividade. A sua proximidade com Espanha traz-lhe de igual forma mais-valias tanto na perspetiva empresarial como turística. “Temos um barco que faz ligação diária entre os dois países, navegando no Rio Tejo, através do Ponsul, que dista a dez quilómetros de Castelo Branco e que traz fluxos de turistas espanhóis nesta época”, destaca.

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á 16 anos à frente dos destinos da autarquia de Castelo Branco, o projeto do executivo liderado por Joaquim Morão tem sido sustentado na criação de uma dinâmica no concelho que potencie a competitividade e atratividade do seu território nas diversas vertentes. “A preocupação do executivo ao longo destes anos foi a de criar os equipamentos necessários para o dia-a-dia da população que contribuíssem para a melhoria da sua qualidade de vida, promovendo o tecido económico da região”, afirma. Com um território composto por freguesias maioritariamente rurais, onde predominam as atividades agrícolas, a autarquia tem desenvolvido esforços no

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sentido de promover a competitividade e crescimento do setor agroalimentar. “Foi criado um projeto de apoio os agricultores para promover a competitividade dos produtos tradicionais do concelho. Neste sentido, foram criadas e colocadas ao dispor dos empresários do setor agroalimentar as infraestruturas necessárias para os apoiar no desenvolvimento das suas atividades. São exemplos o Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar, a Melaria e o InovCluster, estruturas que visam facilitar e incrementar a reestruturação e internacionalização das empresas agrícolas. Terminamos também recentemente a construção de um Centro de Empresas Inovadoras para apoiar o empreendedorismo. A autarquia tem ainda uma incubadora de empresas, na

Promoção da qualidade de vida “Castelo Branco é hoje um concelho estável, que oferece boas condições de vida para a sua população”, afirma Joaquim Morão. As preocupações de cariz social desde sempre que fizeram parte das prioridades do executivo. A ação social no concelho funciona em rede com as IPSS locais. “É através desta rede que estamos no terreno a apoiar todos aqueles que necessitam de ajuda tanto para a compra de medicamentos, no pagamento da renda da casa, na aquisição dos livros escolares, bem como no fornecimento de refeições, em alguns casos ao domicílio”, diz. “Como cidade capital de distrito dispõe de todos os

São inúmeros os atrativos turísticos de Castelo Branco. Quem por aqui passa pode apreciar o seu vasto património edificado, a zona antiga da cidade, os diversos museus, disfrutando das paisagens protegidas do Tejo Internacional. Destacam-se ainda os produtos locais, de reconhecida qualidade. O queijo DOP de Castelo Branco, o azeite, o mel e o artesanato, com o típico Bordado de Castelo Branco, são alguns exemplos.

serviços essenciais para a sua população. O Instituto Politécnico de Castelo Branco tem também sido um importante alavancador do desenvolvimento da região”, defende o edil. Ao longo dos últimos anos foi dada uma nova dinâmica à cidade. “Foram melhoradas as acessibilidades na cidade e construídas novas vias, o ordenamento do território foi melhorado, foram criados os equipamentos que faltavam na cidade, como por exemplo, a biblioteca, o cineteatro, museus, o centro de arte contemporâneo e o aeródromo, foi feito um melhoramento da rede escolar e construído um parque desportivo e urbano com boas condições. Toda esta renovação da cidade foi pensada numa perspetiva de futuro”, afirma. Além disso, foi criada uma dinâmica cultural e recreativa que acontece ao longo de todo o ano, da qual se destaca o certame Castelo Branco - Sabores de Perdição, um evento que se realiza anualmente e que visa a promoção dos produtos locais.


QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

Venha conhecer Castelo Branco

JOAQUIM MOURÃO, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO BRANCO, ESTÁ APOSTADO EM TRANSFORMAR ESTE CONCELHO NUM DESTINO TURÍSTICO DE EXCELÊNCIA, POTENCIANDO E COMPLEMENTANDO O DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO DA CIDADE.

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turismo de cidade, de natureza e cultural são segmentos de mercado para os quais existe cada vez mais apetência já que estes segmentos estão associados a qualidade e não a turismo de massa. Castelo Branco possui enormes potencialidades nestas áreas e, portanto, caminhará para se definir como potencialidade turística. A cidade de Castelo Branco situa-se no distrito de Castelo Branco, na região centro (Beira Baixa) do país, e o seu nome provém da existência de um castro luso-romano, Castra Leuca, no cimo da Colina da Cardosa, em cuja encosta se desenrolou o povoamento da área. Em Castelo Branco, a cultura é rica em história e natureza. Aqui, encontrará espaços naturais e históricos em perfeita simbiose com o futuro, numa imagem bela e rica, da cidade e da própria região. A história e cultura de Castelo Branco Quando aqui chegar, poderá visitar os monumentos e o património edificado como o Castelo, o Cruzeiro de S. João, as Muralhas das cidades, a Torre do Relógio, o Solar dos Viscondes de Oleiros, o Palácio dos Viscondes de Portalegre, a Casa do Arco dos Bispos, entre outros. Mas poderá também conhecer a cidade através da Biblioteca Municipal, da Piscina Praia e do Cine Teatro Avenida, sem esquecer o Jardim do Paço e do Parque da Cidade. Se gosta de compras, não se esqueça de visitar o comércio local, o Fórum Castelo Branco, o Centro Comercial Alegro ou o São Tiago. Em termos de património religioso, Castelo Branco é também muito rico, podendo aqui encontrar a Sé de Castelo Branco, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Igreja do Valongo, o Convento da Graça ou a Capela de Nossa Senhora da Piedade.

Turismo de qualidade Castelo Branco é um destino turístico de qualidade, ideal para aqueles que querem fugir à rotina e ao stress das cidades do litoral. Com uma oferta completa que vai desde festas e romarias a artesanato, sem esquecer as paisagens, Castelo Branco assume-se como uma potencialidade. Para conhecer melhor tudo aquilo que o concelho tem para oferecer, o melhor mesmo é visitar esta terra rica em costumes, em plena Beira Interior, e passar pelo posto de Turismo onde poderá encontrar as informações mais relevantes sobre Castelo Branco. Gastronomia A gastronomia da Beira Baixa sempre foi apreciada pela sua riqueza e

diversidade e é característica de um povo que, outrora, estava isolado. Para subsistir, este povo trabalhava a terra e apostava na pecuária, fonte de rendimento e também de alimentação. Alimentos caseiros e tradicionais, os alimentos deste povo era rico e tinha um sabor único. Hoje, os segredos e a arte de confeccionar estes práticos típicos pertencem aos mais velhos, mas é este património que tão bem identifica a região onde se insere Castelo Branco. Aqui, poderá saborear as maravilhosas empadas de Castelo Branco, a sopa de Matação, o delicioso cabrito assado, a perdiz no forno, o cabrito recheado, o bucho recheado em Lardosa, o fígado de cebolada, entre muitos outros. Prove e delicie-se. Com certeza voltará para provar mais.

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QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

No topo da qualidade de vida INTEGRADO NO DISTRITO DE BRAGANÇA, VIMIOSO É UM CONCELHO COM 482 QUILÓMETROS QUADRADOS QUE SE ORGULHA DO PATRIMÓNIO QUE POSSUI, NÃO SE APOIANDO NO ISOLAMENTO PARA DESINVESTIR NA QUALIDADE DE VIDA DOS SEUS HABITANTES. NÃO PERCA A ENTREVISTA COM JOSÉ BAPTISTA RODRIGUES, PRESIDENTE DA AUTARQUIA DE VIMIOSO.

Castelo de Algoso

José Baptista Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vimioso

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nserido no meio da magnânima paisagem transmontana, Vimioso é um concelho que se destaca pela capacidade de criar dinâmica económica, apesar do seu isolamento. Com uma história rica e paisagens ímpares, Vimioso sofre ainda com a incapacidade de fazer face aos movimentos migratórios que tão bem caracterizam o interior do nosso país. Apesar de tudo, o executivo de José Baptista Rodrigues tudo fez, ao longo destes últimos 12 anos, para trazer de volta a vida a Vimioso. No ranking dos concelhos com maior qualidade de vida, Vimioso figura entre os dez primeiros e o autarca, em declarações à nossa publicação, afirma que muito se deve ao esforço que se tem feito nos últimos anos. “Ao longo dos anos, Vimioso foi perdendo força em termos económicos, deixando de existir empresas capazes de criar postos de trabalho. E todos sabem que onde não existe emprego, não existem pessoas e isso fez com que as pessoas fossem deixando a terra e rumado a cidades com mais oportunidades”. Quando há 12 anos José Baptista Rodrigues ganhou as eleições estalava em Portugal a mal fadada crise

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e, com isso, uma maior degradação da qualidade de vida dos habitantes que representava. O presidente confessa, no entanto, que a prioridade do executivo foi colmatar as necessidades básicas e investir em projetos que garantissem a fixação de população. Neste sentido, “começamos a ceder terrenos na zona industrial a um preço simbólico, um cêntimo por metro quadrado, decidimos homenagear as mães que ainda tinham coragem de aqui ter os seus filhos, atribuindo-lhes um subsídio de nascimento de 500 euros – valor que hoje é de mil euros -, e iniciamos o loteamento de um terreno para que os jovens casais tivessem oportunidade de construir a sua casa, sendo que a câmara municipal cedeu o lote e o projeto aprovado. Esta última medida também em muito contribui para que não se sentisse, em Vimioso, uma grave crise no setor da construção civil, mantendo os postos de trabalho afectos a esta atividade”. Além destes, outros projetos foram efectivados, como por exemplo, a criação da Zona Turística de Caça que, na ideia do presidente, serviria para que as juntas de freguesia conseguissem receber algum tipo de renda e uma forma de manter viva a tradição da caça no

Igreja Matriz de Vimioso requalificada

concelho. Apesar dos esforços, “não conseguimos contagiar as outras freguesias e ficamos apenas com uma Zona Turística de Caça, em Algoso e Matela”. Mas a educação também não foi esquecida: “Porque apostamos nas pessoas, tivemos especial cuidado com a educação e, assim, requalificamos a escola EB 2/3 de Vimioso e apostamos na ação social para que fosse possível dar livros, transporte e alimentação aos alunos mais carenciados”. No concelho de Vimioso, a falta de capacidade financeira não é desculpa para não estudar já que os jovens que manifestem vontade de prosseguir os estudos ao nível do secundário – e não existindo uma escola secundária no concelho - podem contar com a autarquia para custear as despesas. “E o mesmo acontece com os jovens que

Mensagem José Baptista Rodrigues deixa uma mensagem: “Visitem Vimioso porque o concelho está de portas abertas para todos aqueles que o queira visitar”.

ingressem no ensino superior que podem contar com o apoio da autarquia em caso de dificuldade, designadamente no pagamento de propinas”. OS mais idosos também não são esquecido, bem pelo contrário, são acarinhados porque é graças ao seu trabalho e dedicação que ainda muito há para


QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

A conhecer Vimioso é um local de gastronomia de qualidade e qualquer um dos restaurantes do concelho está habilitado para bem servir. Além disso, aqui existe alojamento para todos os gostos, desde o hotel, ao parque de campismo, sem esquecer as pensões e as casas de turismo rural. Aqui, em Vimioso, podemos ver a natureza no seu estado mais puro, com três rios que conservam ainda a sua pureza e limpidez característica e com paisagens tipicamente transmontanas. Conheça também a história de Vimioso e faça questão de conhecer os diversos roteiros que aqui existem, desde o mel ao azeite.

fazer nesta terra. Neste sentido, “contamos com o apoio de uma excelente rede de apoio à terceira idade, com IPSS que garantem as valências de lar, centro de dia e apoio domiciliário e se houver necessidade de apoio e não existir capacidade por parte das IPSS, a autarquia assume a responsabilidade e trata do que for necessário”. O presidente assume: “Hoje, posso dizer, que, nestes 12 anos, tudo fizemos para que as pessoas possam viver em Vimioso sem sentir falta de algo. Que aqui possam viver e ter qualidade de vida”. Como se sabe, a qualidade de vida é medida, também, pela quantidade e qualidade de estruturas que um concelho possui e, no caso de Vimioso, essa qualidade é mais do que notória. Apesar de ter poucas receitas próprias, a autarquia soube rentabilizar e bem gerir o orçamento que lhe cabia e, assim, foram investidos alguns milhares de euros na constrição do campo de futebol, do pavilhão multiusos que alberga a loja do cidadão, do parque de campismo, do parque ambiental, do parque termal, e muitas outras estruturas capazes de colmatar as necessidades dos habitantes deste concelho. No entanto, fica a José Baptista Rodrigues a mágoa de não ver construído o ramal de acesso à autoestrada: “Somos, provavelmente, o único concelho sem ligação à A4, na altura IP4. No nosso entender, este é um elemento fundamental para o desenvolvimento económico deste concelho e todos os governos, desde 2002, se comprometeram com esta obra, mas nenhum deles cumpriu a promessa. Esta situação traz-nos muita frustração, ainda mais porque percebemos que os dez quilómetros de estrada que ficam por fazer têm um valor ínfimo comparado com a envergadura da própria obra que é a A4”. Quando se fala em turismo, José Baptista Rodrigues acredita que o ativo mais valioso desta terra são as gentes de Vimioso. Além disso, não esquece a excelente gastronomia, a história que se vive através dos Castelos de Algoso e de Vimioso – que hoje alberga o arquivo municipal -, a Igreja Matriz, a Atalaia e a belíssima paisagem transmontana. Para complementar esta oferta turística, Vimioso oferece ainda um parque de campismo com condições únicas para quem escolhe esta forma de alojamento. No interior da estrutura, pode contar com um polidesportivo e, a pouca distância e ligadas por um passeio pedonal, tem acesso às piscinas do concelho“. É um parque de campismo muito interessante, inserido no meio da nossa excelente paisagem e era bom que ainda tivéssemos mais gente para visitar o nosso parque de campismo porque isso levaria a uma maior dinâmica no próprio concelho”.

As Termas de Vimioso são também uma obra importante para o concelho. Questionado sobre a razão da aposta nesta estrutura, o autarca explica um pouco a história por detrás do investimento: “Em 2002, o então presidente da Junta de Freguesia de Vimioso entusiasmou-se com as histórias em volta das potencialidades das águas termais de Vimioso. Sabendo que esta poderia ser uma aposta interessante, demos inicio ao projeto e, depois de envolvidas todas as entidades competentes, tivemos finalmente luz verde para avançar com o projeto, garantindo que as águas termais do nosso concelho eram de excelente qualidade e indicadas para patologias músculo-esqueléticas, respiratórias e doenças de pele”. A poucos dias de iniciar atividade, as termas de Vimioso serão uma estrutura que criará uma dinâmica atrativa para o concelho. Além das atividades termais propriamente ditas, as Termas de Vimioso vão disponibilizar ainda todos os serviços de saúde e bem-estar, onde todos os que visitem este balneário poderão usufruir de um SPA no meio da natureza. Dever cumprido A cumprir o último mandato e a pouco menos de dois meses das novas eleições, questionamos José Baptista Gonçalves sobre o sentimento com que deixa a autarquia: “Tudo fiz para conseguir cumprir o meu objetivo: Servir o concelho. Servi-o da melhor forma possível e saio com o sentimento de dever cumprido. Apesar de algumas frustrações, o saldo é bastante positivo. Ficaram, no entanto, alguns projetos na gaveta mas tenho a certeza que os meus sucessores agarrarão neles e para lhes dar vida. Um deles é uma construção da mini-hídrica que, na minha opinião, é obra importantíssima e estruturante para o concelho. Outros virão que tenham forças de perseguir este sonho, tenho a certeza”. Mas o presidente assume não ter feito nada sozinho: “Tudo o que foi feito neste concelho foi um trabalho de equipa. Todos os envolvidos na gestão da câmara foram essenciais para que tudo corresse da melhor forma”. Agosto 2013

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QUALIDADE DE VIDA NO INTERIOR

Idanha-a-Nova promove a inovação para o desenvolvimento do concelho Do património natural de Idanha destaca-se a geodiversidade e a biodiversidade, com o Geopark Naturtejo e o Parque Natural Tejo Internacional, para além de um vasto património histórico-cultural, com as aldeias históricas, os castelos, as comendas e um lugar templário. São inúmeros os eventos culturais, recreativos, desportivos e gastronómicos que se realizam no concelho ao longo do ano. O concelho tem definidos percursos pedestres e de BTT, vias de escalada em parede natural, entre outras condições para a prática de mais actividades de desporto na natureza, como canoagem, hipismo, slide, rappel, jogos tradicionais, safaris

Promoção da qualidade de vida Idanha apresenta-se hoje em dia como um concelho inovador, com uma dinâmica empreendedorista e que dispõe de todas as infraestruturas necessárias para a qualidade de vida da sua população.

fotográficos e birdwatching, para além de dispor de 120 mil hectares de área para cinegética. Estas atividades poderão ser acompanhadas por técnicos especializados de empresas de animação locais que transmitem segurança e conhecimentos sobre a região. Trata-se de um concelho que possui mais de 1200 camas, distribuídas por várias tipologias de alojamento com qualidade, que em complemento com a vasta oferta de restauração, garantem ao visitante uma estadia agradável. “Quem queira descobrir Idanha-a-Nova pode contar com 365 dias de experiências e emoções únicas e inesquecíveis”, garante Armindo Jacinto.

“A nossa preocupação é que toda a população do concelho de Idanha viva com qualidade de vida. Neste sentido, temos apostado numa educação e saúde de qualidade, promovendo uma ação social de proximidade”, garante.

Armindo Jacinto, Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova

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concelho de Idanha-a-Nova distribui-se por 1400 quilómetros quadrados de território que se caracteriza por uma baixa densidade humana quando comparado com outros concelhos do país. “Na realidade, desde os anos 50 que Idanha-a-Nova tem perdido população ativa. No entanto, está agora a verificar-se uma inversão deste ritmo. Todo este processo de assimetrias ao nível do despovoamento e do desenvolvimento entre o litoral e o interior de Portugal representam, hoje em dia, novas oportunidades e perspetivas para o futuro. Atualmente Idanha reúne um conjunto de condições fundamentais para o desenvolvimento do território na área do turismo, do setor agroindustrial da edução e ação social, das indústrias criativas e para o desenvolvimento de novos produtos”, salienta Armindo Jacinto, presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. Neste sentido, a autarquia tem levado a cabo inúmeras estratégias que têm promovido o desenvolvimento e crescimento socioeconómico do concelho. “Pretendemos continuar a melhorar as condições para os empresários existentes no concelho, disponibilizando-lhe mais e melhores serviços e ao mesmo

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tempo captar novos povoadores e novos empresários que aliem a tradição à inovação. Foi neste sentido que a autarquia lançou a campanha “Não emigres, migra”, com vista à fixação de jovens naturais do concelho e oriundos de outras partes do país ou mundo. Para além disso, criamos a incubadora de empresas de base rural que conta já com mais de três dezenas de empresários, e criamos uma incubadora de indústrias criativas que visa descobrir a originalidade e reinventar a tradição, criando novos produtos”, exemplifica. “Todos estes novos investidores que aliam a inovação à tradição marcam novas perspetivas para o concelho e potenciam uma nova realidade para o mundo rural. O principal objetivo é gerar riqueza e investimento que dinamize a atividade económica do concelho, potencie o emprego e incentive o escoamento dos produtos endógenos. Idanha tem conseguido mostrar ao país esta nova realidade. Hoje há produtos de Idanha reconhecidos internacionalmente”, salienta o edil. Armindo Jacinto afirma que na implementação desta estratégia a autarquia tem contado com a colaboração de uma rede de parceiros, tal como o Instituto Politécnico de Castelo Branco, a Escola Superior de Gestão de Idanha, entre

muitas outras instituições nacionais e internacionais com as quais a autarquia tem desenvolvido projetos para promover o desenvolvimento do território. As potencialidades de Idanha na promoção do desenvolvimento rural são vastas. “O concelho situa-se numa posição central entre Lisboa, Porto e Madrid. Neste raio existem mais de 20 milhões consumidores. Desenvolvemos uma marca de produtos Terras de Idanha, com vista à venda de produtos regionais e turísticos, assentes numa produção de qualidade que crie valor. É um território que pode captar novas oportunidades de investimento em múltiplas vertentes, como por exemplo no setor agroindustrial, pecuário, turismo, restauração e indústrias criativas. Idanha é um espaço de oportunidades para quem pretenda criar inovação. A Câmara Municipal pretende ser um agente impulsionador, no sentido de ajudar todos aqueles que queiram desenvolver os seus projetos. Temos canalizado os nossos técnicos para acompanharem e monitorizarem todos esses projetos, de modo a enquadrá-los em programas comunitários, ajudando na garantia da sua viabilidade e na desburocratização”, garante.

A paisagem mantém a sua ruralidade oferecendo excelentes condições para os amantes do turismo de natureza (fotografia de Pedro Martins)

‘A Manta’ de Cristina Rodrigues na Sé Catedral de Idanha-a-Velha, agora em exposição também na Feira Raiana em Idanha-a-Nova. Esta peça de Arte Contemporânea é uma homengem da artista/arquiteta à mulher raiana e faz parte de uma coleção que tem viajado por vários museus no mundo durante 2012/2013. ‘A Manta’ será exposta novamente na China em Novembro de 2013. Este trabalho já foi já exposto no Guangdong Museum of Art em Abril/ Maio de 2013 e foi visitado por 149 mil pessoas em apenas três semanas. Seguirá em 2014 para a República Checa e para o Brasil. (Fotografia de André Castanheira)


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COOPERAÇÃO PELA ÁGUA

Cooperação pela Água SUSTENTABILIDADE, EFICIÊNCIA E INOVAÇÃO

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Empresa Portuguesa das Águas Livres – EPAL - é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos, detida a 100% pela AdP-Águas de Portugal. Responsável por um sistema de abastecimento que se desenvolve ao longo de mais de 2100 km, desde a albufeira de Castelo do Bode até à cidade de Lisboa, afigura-se como um caso de estudo ao nível da inovação e da gestão, tendo sido mesmo recentemente distinguida internacionalmente. Adjetivos como eficiente, sustentável, criativa e amiga enquadram-se perfeitamente naquela que é a maior e mais antiga operadora no abastecimento de água do país. No que concerne às operações de produção, transporte e distribuição de água, a EPAL recorre a um sistema de telegestão com elevado grau de automatização que centraliza a operação e o controlo de mais de 170 instalações, desde as estações elevatórias e estações de tratamento, a reservatórios e adutores, uma opção que tem captado a curiosidade de muitas cidades mundiais, prestes a importar uma solução made in Portugal. A EPAL abastece atualmente de água, com qualidade certificada, cerca de 3 milhões de pessoas, de 35 concelhos da margem norte do rio Tejo, correspondendo a uma área total abastecida de 7.090 quilómetros quadrados e efetua o fornecimento a cerca de 350 mil clientes diretos, do concelho de Lisboa, onde assegura o abastecimento domiciliário. A empresa, que transporta uma história com 145 anos, tem por missão a prestação de serviços de água e a gestão sustentável do ciclo urbano da água, ao longo da sua sequência de atividades e negócios. Em entrevista, José Sardinha, o presidente deste case study português, aceitou o desafio proposto pelo País Positivo e aborda alguns tópicos, apresentando-nos um projeto pleno de vitalidade e que, em muito, tem vindo a contribuir para a sustentabilidade ambiental e… dos cofres públicos.

José Sardinha, Presidente da Epal

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Um referencial made in Portugal “A EPAL é a maior e mais antiga operadora de abastecimento de água do país. A sua origem remonta a 1868, na altura sob a designação Companhia das Águas de Lisboa e, fruto dos seus 145 anos de história, constitui hoje uma referência mundial. Começou por ser uma empresa privada e assim permaneceu durante 109 anos, passando a constituir-se como empresa pública depois do 25 de Abril. Continuamos a exercer a nossa missão com qualidade e com vista ao bem-estar das populações que servimos, inicialmente apenas a população de Lisboa e, a partir do século XX, também aos municípios à volta da capital. Fornecemos hoje águas a 34 municípios na zona Norte do Tejo, enquanto em Lisboa fornecemos água em baixa, directamente aos clientes finais. Trata-se de uma empresa muito consolidada, estável, economicamente robusta e com níveis de qualidade que a colocam a par do que melhor se faz no mundo inteiro”.

Investimento em Qualidade “Temos hoje um nível de qualidade que cumpre todas as normas nacionais e comunitárias, com índices de qualidade da água acima dos 99, 99 por cento em todos os dias do ano. Fornecemos água a 3 milhões de habitantes, o que corresponde a cerca de 30 por cento da população portuguesa. Temos várias fontes de abastecimento, o que significa que estruturámos um sistema robusto, acrescentando até uma certa resiliência e capacidade de resposta das infra-estruturas, o que vai de encontro aos novos focos das temáticas de sustentabilidade. Isto é mais importante ainda quando sabemos que podem ocorrer avarias e outras situações não previstas e, como tal, temos que ter um sistema muito maduro, desenvolvido para responder a esse tipo de situações”. Case study em sustentabilidade: “As fugas é que fogem de nós” “Foram realizados muitos investimentos. No que concerne, por exemplo, às perdas de água, no final do século XX, tínhamos valores na ordem dos 25 por cento. Falamos de um indicador que, mesmo atualmente, já é considerado bom mesmo no panorama internacional. Recordo que a média nacional ronda os 40 por cento de perda de água. Daí para cá, desenvolvemos metodologias, fizemos investimentos na rede e nos reservatórios, passámos a fazer uma gestão de ativos, não nos limitando a substituir condutas… Dito de outro modo, otimizámos cada euro que investimos. No que respeita às perdas, fizemos de facto um trabalho muito significativo na gestão da nossa rede, materializado em investimentos. A partir de determinada altura, para conseguirmos reduzir ainda mais as perdas, tivemos que mudar o paradigma de operação da nossa rede. Desenvolvemos um sistema, o WONE - Water Optimization for Network on Efficiency – que consiste numa monitorização 24 horas por dia de toda a rede, que nos permite detetar qualquer pequena fuga antes mesmo de ser visível. Mais: permite-nos decidir qual dessas fugas deverá ser prioritariamente intervencionada, o que conseguimos assegurar através do recurso a uma micro equipa. Em suma, não corremos atrás das fugas, elas é que fogem de nós… Com isto, dos 25 por cento, conseguimos atingir, no ano passado, 8,7 por cento de perdas, algo que pouquíssimas cidades do mundo asseguram. Também por isso somos solicitados para efectuarmos demonstrações do nosso sistema noutras cidades do mundo. No princípio deste ano, ficámos também muito agradados porque recebemos o prémio internacional pela inovação neste âmbito”. Gestão inteligente “Neste momento, o sistema paga-se a si próprio. Só as poupanças que geramos ano após ano são muito superiores aos custos que temos com o sistema, inclusivamente com o seu próprio desenvolvimento. Isto é, basicamente, massa cinzenta. Não estamos


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a importar tecnologias nem a adquirir máquinas. O investimento é mínimo. Estamos, isso sim, a valorizar as enormes competências dos nossos trabalhadores as quais, num ambiente de inovação que tem sido promovido permitiu desenvolver um sistema -WONE-, o qual também está, agora, aos dispor de qualquer entidade gestora, como um “software as a service”, permitindo gerar mais valias significativas para essas mesmas entidades gestoras. Em 2012, conseguimos passar de 10% por cento de perdas para 8,7, o que representa 5 milhões de metros cúbicos de água que deixámos de captar na barragem de Castelo de Bode… Isto é sustentabilidade e eficiência e representou uma poupança, apenas na vertente de energia, na ordem dos 450 mil euros!”. EPAL dá o Litro Contra a Fome A EPAL entregou 44.629 litros de leite ao Banco Alimentar Contra a Fome numa cerimónia simbólica que se realizou nos armazéns de Alcântara. A doação é o resultado de um desafio colocado pela administração da entidade aos seus colaboradores e clientes para aderirem à fatura por e-mail e deste modo contribuir para evitar o desperdício de recursos naturais. A campanha Vamos dar o litro contra a fome “resulta de uma campanha que a EPAL lançou junto dos seus clientes e seus colaboradores, apelando ao seu sentido de solidariedade para ajudar quem mais precisa” explica José Manuel Sardinha, presidente da EPAL. Por cada colaborador ou cliente que aceitou o desafio, a EPAL doou quatro euros de alimentos a quem mais precisa. “O leite como a água é um alimento essencial, e é alimento essencial para a boa qualidade de vida”.

Os 44.629 litros de leite serão distribuídos pelo Banco Alimentar entre as 400 instituições de solidariedade social em Lisboa que contribuem para a alimentação de cerca de 91 mil pessoas com carências alimentares comprovadas. “É muito importante que empresas como a EPAL lancem campanhas destas. Sensibilizar os clientes da EPAL, que são muitos, para terem um comportamento mais solidário mas também mais amigo do ambiente”. “A EPAL encarna aqui uma verdadeira responsabilidade social”, afirma a presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet. Estudo revela que recursos hídricos poderão diminuir nas próximas décadas Os resultados do Estudo ADAPTACLIMA - Adaptação às Alterações Climáticas, promovido pela EPAL - Empresa Portuguesa das Águas Livres, apontam para que, em função dos cenários considerados até ao final do século, possa vir a ocorrer uma redução do caudal médio anual dos rios, entre 20 a 34 por cento, decorrente da esperada diminuição da precipitação anual (entre 7 % e 20%). Por outro lado, será previsível um aumento médio da temperatura máxima, entre 1.7°C e 3°C, num cenário que será propício a um aumento do número de anos de seca extrema e de ondas de calor. Em análise esteve ainda o sistema atual da EPAL, tendo sido avaliado como bastante resiliente, o que evitará problemas generalizados de escassez nos próximos 30 anos, desde que se faça uma boa gestão dos usos da água pelos diversos utilizadores. Apesar de os resultados e a avaliação do sistema da empresa não apontarem para situações muito preocupantes, a entidade está a desenvolver medidas

de adaptação de curto, médio e longo prazo, que irão reduzir os riscos das alterações climáticas para o cumprimento da sua missão – o abastecimento de água a uma vasta área, com uma população próxima dos 3 milhões de habitantes. O estudo foi coordenado cientificamente pelo Grupo CCIAM da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sob orientação geral do Prof. Filipe Duarte Santos e contou com a participação da Universidade de Aveiro, da Universidade Nova de Lisboa, do Instituto Superior Técnico e do grupo de trabalho de Alterações Climáticas da EPAL. O estudo AdaptaClima foi desenvolvido ao longo dos últimos dois anos e meio, indo ao encontro dos objectivos, quer da Estratégia Nacional de

Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC), quer da estratégia Europeia para esta matéria, publicada em Abril do corrente ano.

A EPAL registou, em 2012, lucros na ordem dos 44 milhões de euros, contribuindo com cerca de 35 milhões de euros em dividendos para o Estado português, valor que superou o obtido em 2011 apesar da redução da quantidade de água fornecida em cerca de 2,8 milhões de euros. Como testemunha o presidente da EPAL, José Sardinha, “os objetivos de gestão para 2012 foram totalmente atingidos, tendo sido em muitos casos superados”.


30 ANOS DA EUROTICKET EM PORTUGAL

Subsídio de refeição em títulos gera poupança O G R U P O E D E N R E D I N I C I O U A S U A P R E S E N Ç A E M P O RT U G A L E M 1974. E M 1984, A D OTA R A M, C O M O P R I N C I PA L S O L U Ç Ã O, O T Í T U LO D E R E F E I Ç Ã O O E U ROT I C K E T.

Rui Proença, Diretor-Geral da Edenred

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esde então desenvolveram um vasto conjunto de títulos de serviço pré-pagos, dos quais se destacam o Cheque Creche e o Cheque Estudante, soluções que promoveram a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, das famílias e a eficiência das empresas. A principal experiência da Edenred é garantir que os fundos alocados pelas empresas são eficazmente utilizados nos fins a que se destinam. É empresa líder na emissão de cartões e cheques de serviços pré-pagos. Rui Proença, diretor-geral da Edenred Portugal, diz que os cheques-refeição favorecem a saúde dos trabalhadores e garantem uma “maior eficiência” laboral do que o subsídio de alimentação em dinheiro. O Euroticket é comercializado em Portugal desde 1984, sendo a Edenred responsável pela introdução destes títulos no nosso país. E prevê continuar a ganhar quota já que “o interesse pelo título é crescente, desde o início do ano 2012, e desde janeiro de 2013 já conheceu um reforço significativo”. Rui Proença explica que, no ano passado, a procura das empresas por estes títulos registou um crescimento na casa dos dois dígitos. Uma evolução que “praticamente triplicou o número de utilizadores deste cartão”.

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Rui Proença, realça que, o dinheiro pago pelas empresas em subsídios de alimentação, “pode ser usado numa refeição, e em bens alimentares”, motivo pelo qual o uso de cheques-refeição, os quais na nossa opinião deveriam ter um valor superior ao do subsídio, “é muito mais eficiente do ponto de vista médico e da própria refeição em si”. Com um cheque-refeição, “a saúde é preservada e a produtividade laboral e económica é reforçada”. De assinalar que a Edenred já criou, em vários países europeus, uma iniciativa que conta com o apoio da Comissão Europeia e que visa colocar à disposição dos trabalhadores uma rede certificada de restaurantes de comida saudável. Sob o lema «Uma Alimentação Equilibrada», o programa pretende que os trabalhadores de todos os países onde o subsídio de alimentação é entregue em títulos possam dispor de uma rede certificada de restaurantes que sirvam comida saudável. E Portugal tem o seu guia, no qual, para além da avaliação da qualidade gastronómica, há a garantia de que a comida servida ajuda as pessoas a manterem-se saudáveis e em forma. Em Portugal, a Endenred detém a marca Euroticket, com 38 milhões de utilizadores diários e cerca de 610 mil clientes em todo o mundo,

divididos por empresas privadas e instituições públicas. [dados atualizados com últimos números divulgados pelo grupo Edenred] O Vale Social Cheque Creche é também disponibilizado via web, através de um e-voucher, e esta evolução vai tornar todo o processo mais fácil e seguro. Desta forma o grupo Edenred estende a Portugal a estratégia que iniciou noutros países com a migração dos seus negócios para soluções digitais. [Cheque Creche é o nome do produto que representa o vale social – DL 26/99] Através do e-voucher as pessoas passam a usufruir do subsídio de apoio à infância que recebem das empresas utilizando a internet. Cada e-voucher tem um beneficiário e um valor previamente definido, que permite de forma cómoda e segura efetuar o pagamento das despesas com creches e jardins-de-infância, públicos ou privados, via internet. Todas as empresas que usam o título pré-pago da Edenred passam a entregar o subsídio de apoio à infância - cheque creche - aos trabalhadores via internet. O valor do e-voucher é atribuído pela empresa com a periodicidade desejada. Neste momento, mais de três mil trabalhadores recebem esta componente extrasalarial destinada a pagar a creche dos filhos e outras despesas de educação em cheque. O cheque-creche da Edenred, líder mundial neste mercado, permite pagar jardins-de-infância a crianças até aos sete anos e é aceite em mil instituições. Rui Proença afirma que “a nova solução e-voucher vale social é única no mercado e representa uma importante alteração tecnológica, cujo efeito se vai fazer sentir em todos os parceiros da Edenred, clientes, estabelecimentos aceitantes, beneficiários e autoridades públicas que desejam reduzir custos, otimizar processos e obter soluções simples e convenientes”. A sua previsão é que em 2013 cerca de 40 por cento da atividade de emissão seja efetuada neste novo suporte. A implementação de mais evoluções tecnológicas permitiram à Edenred disponibilizar em Portugal soluções inovadoras, como é o caso do Cheque Estudante no formato cartão eletrónico, um benefício que permite custear as despesas de educação e formação do trabalhador e/ou dos filhos. No futuro, inspirados

na experiência de outros países onde a Edenred está presente, novas soluções podem ser lançadas tais como o Cheque Transporte, visando incentivar o uso dos transportes púbicos, ou o Cheque Cultura, para dinamização dos hábitos culturais dos trabalhadores. Acrescenta Rui Proença: “A vocação da Edenred, enquanto líder mundial, é oferecer soluções para as empresas que querem aperfeiçoar a sua responsabilidade social com a garantia de que os fundos serão bem utlizados”. O nosso interlocutor vai mais longe e refere que “o novo aumento da carga fiscal sobre o subsídio de refeição pago em dinheiro está a provocar uma corrida a alternativas por parte das empresas. A solução são os “cartões-refeição”, que permitem evitar o pagamento de imposto”. A Edenred assume, a nível mundial, uma posição de destaque na emissão e gestão de cartões e cheques de serviços pré-pagos, com uma oferta que procura conciliar as exigências das pessoas no equilíbrio da sua vida profissional e pessoal com a melhoria de produtividade das empresas. A responsabilidade social da Edenred é também marcante e prova disso foi o lançamento, em março deste ano, de um manual que ensina a comprar, escolher alimentos e confecionar de forma saudável, rentabilizando todos os recursos. “Alimentação inteligente - coma melhor, poupe mais” foca ainda outros aspetos além do processo de organização das refeições, sugerindo “cinco conceitos chave que devem ser considerados no planeamento de uma alimentação saudável e ao mesmo tempo económica”. Esta iniciativa está enquadrada no FOOD Program, um projeto lançado pelo Grupo Edenred na Europa e que conta com o apoio da União Europeia (www.food-programme.eu/). A Edenred Portugal, numa parceria com a Direção Geral da Saúde, através do Programa Nacional para Promoção da Alimentação Saudável (www.alimentacaosaudavel.dgs.pt), dá assim um contributo público com o objetivo de informar os cidadãos para os ajudar a fazerem as melhores escolhas nutricionais. Um passo importante na criação e manutenção de hábitos de vida saudável que, em muito, ajudará a Edenred a manter a sua posição de líder no nosso país.


30 ANOS DA EUROTICKET EM PORTUGAL

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XI CONGRESSO DOS REVISORES OFICIAIS DE CONTAS

Confiança é o que se quer

JOSÉ AZEVEDO RODRIGUES, BASTONÁRIO DA ORDEM DOS REVISORES OFICIAIS DE CONTAS (OROC), REFERE, EM ENTREVISTA À NOSSA PUBLICAÇÃO, QUE O RIGOR E A TRANSPARÊNCIA TÊM SIDO AS TÔNICAS PRINCIPAIS DESTE NOVO GRUPO DE TRABALHO DA OROC. SAIBA MAIS SOBRE ESTA MATÉRIA, NA ENTREVISTA QUE SE SEGUE. necessários ao exercício da profissão. Apesar de muitos considerarem que o exame de acesso é demasiado exigente, José Azevedo Rodrigues é peremptório ao afirmar que “a Diretiva Europeia de Auditoria define um conjunto de requisitos para os quais é obrigatório demonstrar conhecimento. Assim, é natural que o nosso exame seja exigente já que é baseado nesta diretiva”. No entanto, o bastonário recusa a ideia de esta ser uma Ordem fechada sobre si mesma e que procura afastar todos aqueles que a ela não pertencem. Pedimos ao nosso entrevistado que fizesse uma breve análise do setor e o panorama não é favorável: “O mercado tem vindo a baixar, claramente. O volume de negócios das empresas é menor e isso faz com que as empresas se posicionem num patamar onde não é exigida a auditoria às contas. A nossa maior satisfação é quando um empresário percebe a mais-valia de um ROC, mesmo sem que seja obrigado a contratá-lo”. E afinal, qual é o papel do ROC? “Evitar que a empresa corra riscos, alertando para o que não está correto, evitando que a empresa preste má informação e assuma compromissos de elevado risco. No fundo, o nosso papel é ajudar os gestores a minimizar riscos. Não somos conselheiros, mas podemos ser agentes de mudança, implementando uma cultura de boas práticas”, avança o nosso entrevistado. Tendo em conta que em Portugal existe algum culto do incumprimento, este papel pode, muitas vezes, ser um pouco ingrato, mas José Azevedo Rodrigues confessa que começa a sentir que as coisas estão a mudar e a transparência das contas é cada vez mais uma mais-valia, muitas vezes essencial para conseguir ter acesso a crédito, por exemplo.

José Azevedo Rodrigues, Bastonário da OROC

C

om 900 Revisores Oficiais de Contas em atividade, a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, tal como todas as outras, tem ainda alguns aspetos menos positivos que necessitam ser limados. No entanto, ao longo dos anos a OROC foi representando uma classe profissional que primava pelo rigor, pela transparência e que inspirava confiança. Hoje, com José Azevedo Rodrigues a Bastonário, a Ordem continua a trabalhar em prol desse mesmo rigor e transparência. A verdade é que, ao longo dos anos foram sendo imputadas responsabilidades aos revisores que não eram suas, mas o bastonário refere que “também temos que saber assumir as responsabilidades que temos. A verdade é que não somos nós, auditores, que realizamos as transações menos transparentes, mas como auditores temos a obrigação de alertar para os riscos subjacentes às mesmas”. A OROC está presente na vida de um revisor oficial de contas desde o início, ou seja, desde o momento em que um ROC pretende fazer a sua inscrição na ordem, permitindo-lhe desenvolver a sua função nas empresas, aferindo competências e conhecimentos

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Os vendedores de Confiança José Azevedo Rodrigues avança que os ROC vendem um produto único: Confiança. “Se fizermos bem este nosso trabalho, estamos a garantir o desempenho da nossa função na plenitude. A primeira reação do empresário é encarar o revisor como um fiscal, um polícia das contas, mas ao fim de algum tempo a opinião muda e o revisor passa a ser encarado como um parceiro privilegiado”. Qualidade, acima de tudo Para a OROC a qualidade é o bem mais precioso e, por isso mesmo, a ordem possui um dos Controlos de Qualidade mais eficientes ao nível dos profissionais. O bastonário explica de que forma é feito este controlo: “Há um conjunto de auditores, sociedades ou em nome individual, que estão inscritos na CMVM para desempenhar funções em entidades de Interesse Público, que ainda é uma fatia razoável, depois existem todos os restantes profissionais que não fazem auditorias a entidades de Interesse Público. Todas as sociedades de revisores ou revisores em nome individual que estão no primeiro grupo, são controlados pelo menos uma vez de três em três anos. Acontece que, há um conjunto de sociedades de auditores que são controladas todos os anos. Por norma, em julho, fazemos um sorteio de

controlo anual em que identificamos um conjunto de entidades interesse público e dessas entidades, selecionamos um número e automaticamente daqui vem os auditores. Como essas entidades são auditadas maioritariamente pelas Big Four, o auditor acaba por ser selecionado logo nesta primeira triagem. Mas se não for na primeira triagem, vai sê-lo na segunda. Quer dizer que temos sociedades de auditores que são controladas todos os anos. Mas mesmo que tenha pouca atividade em entidades de interesse público, o auditor não se escapa de, pelo menos de três em três anos, ser controlado. Os restantes são controlados, no mínimo, de seis em seis anos. Este Controlo de Qualidade é feito sob a supervisão do Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria. Em caso de existir alguma irregularidade, o caso é depois analisado pelo Conselho Disciplinar e daí decorrerá o respetivo processo”. Além deste mecanismo, a Ordem possui ainda uma forma de controlo de qualidade ad hoc que garante que toda a denúncia ou levantamento de dúvidas sobre os revisores são imediatamente investigadas, evitando assim um desenrolar de problemas que dai poderão advir. XI Congresso dos ROC Conforme nos explica o nosso interlocutor, o XI Congresso dos ROC pretende diferenciar-se de outros eventos do género já que perderá o carácter de painéis onde os profissionais debatem os seus temas

profissionais. “Pretendemos que este evento seja uma forma de transmissão da importância do papel dos auditores no contexto que atualmente é um contexto rude, de crise e de alguma desconfiança. Nesse sentido, procuramos, por um lado, obter alguma representatividade internacional de peso, mas também decidimos trazer algo a nível nacional que mostre que temos que caminhar, cada vez mais, para uma sociedade onde se dê algum valor ao conhecimento e daí termos um painel com ilustres representantes da ciência”. E tendo em conta que o setor público é um nicho de mercado, a ordem terá também presente alguns intervenientes desta área que irão mostrar a importância dos auditores no setor público. E, claro, “não poderíamos deixar escapar a oportunidade para escrutinar sobre a Ética, que será também um tema central de todo o congresso”. José Azevedo Rodrigues avança ainda mais: “Este não, é de todo, um congresso de revisores para revisores, pretendemos que seja mais alargado, mostrando a nossa própria abertura ao exterior”. Uma mensagem final O bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas aproveita a entrevista cedida ao País Positivo para deixar uma mensagem de confiança, lembrando que os ROC são profissionais que garantem essa mesma confiança e podem ser excelentes parceiros das empresas e apoiantes da recuperação económica do nosso país.


XI CONGRESSO DOS REVISORES OFICIAIS DE CONTAS

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NOVAS REGRAS DO REGIME DOS BENS EM CIRCULAÇÃO

Novas obrigações do regime dos bens em circulação TENDO EM CONTA AS EXIGÊNCIAS E OS ELEVADOS CUSTOS DE IMPLEMENTAÇÃO DAS NOVAS DO REGIME DOS BENS EM CIRCULAÇÃO, AGUARDA- SE PELOS RESULTADOS REAIS E MAIS -VALIAS DESTE SISTEMA PARA A ECONOMIA NACIONAL E RECEITA FISCAL.

O

s contribuintes conheceram, este ano, novas obrigações e, apesar da crise, as exigências, ambiciosas e obrigatórias, não se compadecem com as dificuldades com que as empresas se possam estar a debater neste momento. Juntamente com a OTOC – Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, contextualizamos, um pouco, a temática das novas obrigações do regime dos bens em circulação. Uma dessas obrigações entrou em vigou a 1 de Julho e obriga todas as entidades a comunicarem, previamente, todos os elementos dos documentos de transporte à Autoridade Tributária. No entanto, e apesar da entrada em vigor desta obrigação, tem existido grande dificuldade de implementação de novos procedimentos e de adaptação dos sistemas informáticos existentes. Assim, e apesar de não existir um prorrogamento do prazo de implementação da norma, as condições práticas não existem, quer por parte dos contribuintes, quer por parte da própria Autoridade Tributária e, portanto, não haverá qualquer coima até ao dia 15 de Outubro para aquelas empresas que não comuniquem

previamente e por via electrónica os documentos de transporte. Apesar disso, todas as comunicações deverão dar entrada até ao dia 15 de Outubro. Ou seja, de 1 de Julho a 15 de Outubro, o sistema de comunicação electrónica dos documentos de transporte é exigido e aplicado, mas não existirá qualquer coima para aqueles que não o fizerem. Salvaguardando, no entanto, que essas comunicações deverão dar entrada no sistema até 15 de Outubro. Este tempo que separa a entrada em vigor da nova obrigação da data limite para implementação de processos, vai permitir que as empresas se organizem internamente e criem condições para cumprir a nova obrigação, adquirindo equipamento, software e adaptando a própria estrutura a estas novas regras. De salientar que os sujeitos passivos com volume de negócios inferior ou igual a cem mil euros (referente ao período transacto, claro) não estão abrangidos pela obrigatoriedade de comunicar os elementos dos documentos de transporte à AT, mantendo apenas as obrigações relativas às já existentes obrigações de emissão do documento de transporte. O normativo, na prática, já existia mas a verdade é

que estas mudanças alteram os procedimentos das empresas, aumentando a carga burocrática e gerando novas obrigações e formalidades que poderão ter consequências caso não sejam cumpridas. Para exemplificar: As alterações de local de destino dos documentos de transporte ou não aceitação dos bens pelo comprador obrigam à emissão de um novo documento de transporte, subsidiário do inicial e emitido em papel, referenciando sempre o documento de transporte inicial. Apesar de não haver necessidade de comunicar estas alterações à Autoridade Tributária via telefone, deverá a empresa inserir esta alteração no Portal das Finanças até ao quinto dia útil seguinte ao da emissão do documento. Apesar de tudo, o sistema possui também algumas vantagens para o contribuinte já que diminui a

necessidade de impressão uma vez que as comunicações à Autoridade Tributária geram um código de identificação quer substitui os exemplares impressos que acompanham os bens, nomeadamente para efeitos de controlo da inspeção tributária ou de outros agentes de fiscalização e para utilização do transportador durante o transporte. De ressalvar que estes códigos não são aplicados aos documentos de transporte não comunicados, o que acontece quando a fatura processada informaticamente é utilizadas também como documento de transporte e, nesse caso, deverá fazer-se acompanhar por esse documento impresso. Também no caso de documentos de transporte globais o código de identificação não dispensa o acompanhamento do documento impresso em papel.


NOVAS REGRAS DO REGIME DOS BENS EM CIRCULAÇÃO

A importância da organização contabilistica em Portugal A APOTEC FOI FUNDADA EM 1977 E, DESDE ENTÃO, TEM REGISTADO UM CRESCIMENTO SUSTENTADO, AO QUAL NÃO TÊM SIDO ALHEIOS OS ESFORÇOS CONTÍNUOS NA DEFESA E VALORIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUE REPRESENTA.

Manuel Patuleia, Presidente da Direção Central

É

um organismo profissional de classe, autónomo  e independente, e tem como  objetivo representar, dentro dos quadros legais, os seus associados, defendendo os interesses técnicos, profissionais, deontológicos e culturais.  Em 1996, a APOTEC viu reconhecido o seu estatuto de Instituição de Utilidade Pública, pelo mérito da atividade desenvolvida no âmbito da formação técnica, contabilística e fiscal, sendo também membro do Conselho Geral da Comissão de Normalização Contabilística. Ainda em 1996, a APOTEC criou o Centro de Estudos de História da Contabilidade (CEHC) com o intuito de estudar, pesquisar e divulgar temas ligados à história da contabilidade e ciências

afins. Desde a sua criação, o CEHC  tem trabalhado eficazmente, prosseguindo os mesmos objetivos e dando uma nova dinâmica ao estudo da História da Contabilidade em Portugal.  A Associação Portuguesa de Técnicos de Contas conta com mais de 8000 associados entre Técnicos Oficiais de Contas, Advogados, profissionais de contabilidade, docentes, discentes de curso superiores entre outras profissões espalhados pelo território português, contando ainda com uma delegação em Macau. Manuel Patuleia, presidente da Direção Central, afirma: ”defendemos a competência, ou seja, somos adeptos do ser em detrimento do ter”. Todavia, contam com iniciativas de referência: As  ações  de formação promovidas por

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE TÉCNICOS DE CONTABILIDADE 36 Anos a Promover Formação com Valor

todo o país, o Jornal de Contabilidade mensal, o Serviço de Consultório, o Site, os Protocolos Institucionais, bem como a Biblioteca e os Prémios  Anuais de Contabilidade Luíz  Chaves de Almeida e História da Contabilidade  Martim Noel Monteiro, que promovem a diferenciação desta associação e justificam o posicionamento que a tem afirmado junto dos profissionais da contabilidade e fiscalidade. “Temos tentado dentro do possível que a classe dos profissionais da contabilidade seja tecnicamente competente, que encare a profissão com alegria numa espiral de crescente reconhecimento”, afirma o interlocutor. Adepta da livre concorrência, aguarda a decisão do Tribunal da Relação para que os profissionais da área (TOC) possam ter a liberdade de escolha na formação técnica indispensável ao desempenho profissional.  Manuel Patuleia diz que “as motivações presentes na APOTEC são as mesmas que estiveram na base da constituição da APOTEC, ou seja, proporcionar aos associados, unidos por um espírito associativo, o maior conhecimento possível”.  Manuel Patuleia refere que “a APOTEC foi uma instituição criada por profissionais para profissionais. Esta expressão reflete a natureza de uma associação privada, de inscrição facultativa, nascida há 36 anos, de iniciativa da sociedade civil e que se tem pautado por um conjunto de ideias que assentam basicamente na transmissão do saber”. Os resultados satisfatórios do percurso trilhado pela APOTEC, ao longo das três décadas e meia, “transmitidos pelos nossos associados, constituem motivo de grande orgulho e de estímulo para quem assume a responsabilidade e a

honra de dirigir os destinos desta associação”. No entanto, para Manuel Patuleia, o recurso ao trabalho e conhecimento dos contabilistas pode ser precisamente aquilo que muitas empresas e particulares precisam para sair das dificuldades financeiras. A finalizar, Manuel Patuleia afirma: “são trinta e seis anos a deixar a marca associativa na história da Contabilidade. Desde sempre a APOTEC tem representado os seus associados, numa luta constante pelos seus interesses profissionais, técnicos deontológicos e culturais. Mas os desafios que se colocam ao Técnico Oficial de Contas, o eterno contabilista, são cada vez maiores. Uma nova realidade exige destes profissionais uma atitude diferente».

DESDE SEMPRE A APOTEC TEM REPRESENTADO OS SEUS ASSOCIADOS, NUMA LUTA CONSTANTE PELOS SEUS INTERESSES PROFISSIONAIS, TÉCNICOS DEONTOLÓGICOS E CULTURAIS. MAS OS DESAFIOS QUE SE COLOCAM AO TÉCNICO OFICIAL DE CONTAS, O ETERNO CONTABILISTA, SÃO CADA VEZ MAIORES.

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NOVAS REGRAS DO REGIME DOS BENS EM CIRCULAÇÃO

Sage prepara clientes e parceiros para as alterações à legislação em vigor a 1 julho – novas regras de Bens em circulação AS NOVAS REGRAS DO REGIME DOS BENS EM CIRCULAÇÃO QUE ENTRARAM EM VIGOR NO PASSADO DIA 1 DE JULHO PASSARAM A DITAR A OBRIGATORIEDADE DE COMUNICAÇÃO PRÉVIA À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA DA MERCADORIA TRANSPORTADA EM TERRITÓRIO NACIONAL.

“E

Joaquim Machado, Research & Development Manager

NUMA INICIATIVA PROATIVA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O NOVO REGIME DE BENS EM CIRCULAÇÃO, A SAGE REALIZOU DIVERSAS AÇÕES DE FORMAÇÃO, EM PARCERIA COM DIVERSAS ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS POR TODO O PAÍS, CONTANDO AINDA COM A PRESENÇA DE TÉCNICOS DA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. AO TODO, CONTABILIZARAM-SE CERCA DE 36 AÇÕES, DE NORTE A SUL DO PAÍS, NAS QUAIS ESTIVERAM PRESENTES MAIS DE CINCO MIL PARTICIPANTES. A EMPRESA APOSTOU AINDA NUMA FORTE CAMPANHA DE MARKETING, ONDE COLOCOU VÁRIOS CAMIÕES DA TORRESTIR FORRADOS COM A SEGUINTE MENSAGEM: ‘A PARTIR DE 1 JULHO, TRANSPORTE EM SEGURANÇA COM SOFTWARE SAGE’, ALERTANDO AS EMPRESAS PARA O CUMPRIMENTO DA LEI.

Soluções de faturação Com as novas alterações à legislação no início do ano, com o novo regime de certificação de software e novo regime de bens em circulação, a Sage disponibilizou novas versões de software para responder a todas as alterações, atempadamente e minimizando o impacto no negócio dos seus clientes e parceiros.

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sta medida visa por parte da Autoridade Tributária (AT) o combate à evasão fiscal. Do ponto de vista operacional, o regime não veio provocar alterações significativas àquilo que já estava em vigor. A principal alteração prende-se com o facto de os contribuintes terem que dar a conhecer à AT a mercadoria a transportar antes de ser iniciado o seu transporte”, diz Joaquim Machado,Research & Development Manager da Sage. A Sage, líder mundial de PMEs, aposta verdadeiramente na inovação e trabalha essencialmente na antecipação como arma para o sucesso na gestão do negócio dos seus clientes e parceiros, razão pela qual procura estar na linha da frente e pronta para informar e aconselhar parceiros e clientes, sempre que necessário, mas sobretudo quando se registam alterações à legislação. Foi assim quando foram anunciadas as alterações legais ao SNC, SAFT, IVA, ou do novo regime de Faturação. Nesses momentos, a Sage, não só esteve na linha da frente, como preparou as suas soluções de gestão para dar uma resposta adequada às necessidades dos seus clientes e parceiros. Todo o ecossistema Sage recebeu sempre e atempadamente informação legal através dos mais variados meios de contacto: website, portal, redes sociais, emailings, newsletters etc. A software house pôs ainda em prática uma política de proximidade, que acredita ser ainda um dos mais eficazes meios de comunicação, sempre devidamente complementado pelos meios anteriormente referidos. Por essa razão organizou sessões de esclarecimento por todo o país, em conjunto com parceiros e as associações locais, fazendo desta forma com que todos os contribuintes (clientes ou não) tenham acesso facilitado a esta partilha de informação e consequentemente estejam melhor preparados para as alterações legais, quando estas entram em vigor. “Na Sage estamos sempre atentos às mudanças e, acima de tudo, antecipamos as necessidades do nosso bem mais valioso: os nossos clientes. Desde que esta nova lei começou a ser discutida que, na Sage, começamos a trabalhar para adaptar as nossas soluções à nova realidade. Um esforço plenamente recompensado. Já se tornou prática comum inclusivé, as associações comerciais locais recorrerem a nós e nos endereçarem o convite com o objetivo de em conjunto, informarmos e esclarecermos os empresários locais de cada região. Tem sido um privilégio para nós e um voto de confiança no nosso trabalho’ afirma Joaquim Machado. Para dar resposta a estas exigências impostas pelo Regime dos Bens em Circulação a empresa preparou ainda e, de imediato, as suas soluções de gestão com “mecanismos de comunicação que permitem que os clientes possam, de uma forma célere e intuitiva, obter o código da guia de transporte disponibilizado pela AT que lhes permite fazer o transporte de mercadorias”, explica.

Soluções de gestão Sage respondem, atempadamente, às novas alterações fiscais Meses antes da entrada em vigor do novo Regime de Bens em Circulação, que obriga as empresas a comunicar previamente à Autoridade Tributária os documentos de transporte referentes aos bens a transportar, substituindo as tradicionais Guias de Transporte, todas as soluções Sage estavam já a ser adaptadas e certificadas para permitir uma fácil e ágil adaptação das empresas a esta alteração, garantindo para estas o menor impacto possível nos seus processos organizacionais. “Em maio disponibilizámos as atualizações e em junho todos os nossos clientes tiveram a oportunidade de começar a adaptação gradual ao novo sistema de comunicação eletrónica”, conta. “A Sage disponibiliza dois canais de comunicação certificados relativos aos documentos de transporte de mercadorias. O mais ágil é através de um Webservices, através do qual é comunicada à AT a mercadoria a transportar, que devolve um código para que aquele transporte possa ser feito em conformidade. Há ainda a comunicação por meio da criação de um ficheiro, que terá que ser exportado. Neste formato há alguns passos obrigatórios a seguir: em primeiro lugar, tem que ser criado um ficheiro com os dados, fazendo-se posteriormente o upload desse ficheiro no site da AT, aguardar pela receção do código atribuído pela AT e integrar esse código na solução”, explica Joaquim Machado. Quais são as mais-valias de cada uma destas soluções? “Estabelecendo uma comparação entre as duas soluções, o Webservice apresenta-se como mais versátil, é uma solução one click, em que é estabelecida uma ligação com o servidor da AT. Em termos de facilidade para o utilizador e de celeridade do processo esta solução apresenta-se como mais vantajosa. Contudo, numa empresa em que o responsável pela elaboração das guias de transporte não tenha acesso à Internet, a segunda opção é a mais indicada: permite que seja produzido um ficheiro para que alguém noutro computador com acesso à Internet faça upload desse ficheiro”, esclarece Joaquim Machado. “A existência de vários canais justifica-se pelo facto da Sage fornecer soluções adequadas e customizadas às diversas realidades de cada empresa “, diz, explicando que um cliente que tenha um serviço de manutenção com a Sage tem garantidas gratuitamente as atualizações do seu Software, estando assim protegido das alterações legais que advenham futuramente. A implementação do novo sistema de guias de transporte de mercadorias irá decorrer até ao dia 15 de outubro, data a partir da qual será obrigatória a sua prévia comunicação à Autoridade Tributária. Até essa data nenhum contribuinte será penalizado por fazer o transporte de mercadorias sem uma comunicação prévia à AT desde que sejam comunicados todos os documentos dos transportes realizados até ao dia 15 de outubro.


UNIVERSIDADE DE COIMBRA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Universidade de Coimbra é Património da Humanidade

APÓS 15 ANOS DE UM TRAJETO LONGO, A CANDIDATURA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA FOI CLASSIFICADA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO. A UNIVERSIDADE RECEBE DISTINÇÃO EM CONJUNTO COM O MONTE FUJI, UM DOS MAIS CONHECIDOS SÍMBOLOS DO JAPÃO. A CIDADE DE AGADEZ ( NÍGER ), AS CASAS DE MÉDICIS ( ITÁLIA ) E A ESTAÇÃO BALEEIRA DE RED BAY ( CANADÁ ), ENTRE OUTROS CANDIDATOS.

“MAIS DO QUE O RECONHECIMENTO DO VALOR ARQUITETÓNICO DO COMPLEXO UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA, ESTA DECISÃO DA UNESCO SUBLINHA O VALOR UNIVERSAL DA CULTURA E DA LÍNGUA PORTUGUESA, RECONHECENDO O PAPEL CENTRAL QUE PORTUGAL TEVE NA FORMAÇÃO DO MUNDO, TAL COMO HOJE O CONHECEMOS”

João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra

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Universiade de Coimbra é a terceira universidade mais antiga da Europa, fundada em 1290. O Comité do Património Mundial, reunido no Camboja para deciddirem o Património Mundial, deliberou que a Universidade de Coimbra, a Alta universitária e a rua da Sofia, não podiam ser desclassificadas. Afirmando que possuía um inquestionável valor universal, excecional e que merecia ser classificado como Património de toda a Humanidade. Mais do que o valor arquitetónico, o Comité destacou a importância do papel da instituição na cultura e lingua portuguesa e o valor que Portugal teve no mundo. A área agora classificada pela UNESCO está situada em duas zonas do centro histórico da cidade de Coimbra, uma na encosta da cidade, a Alta, e a outra na parte baixa, a Sofia. Além de edifícios ligados à cidade universitária, incluindo a Biblioteca Joanina, dentro da área inscrita estão ainda incluídos dois monumentos nacionais: o Mosteiro de Santa Cruz e a Catedral ou Sé Velha, que detiveram um papel preponderante na história da Universidade de Coimbra. O Comité da UNESCO teve em conta os edifícios que compõem a universidade como o Paço Real de Alcaçova, que alberga a Universidade desde 1537, e que terá sido a primeira residência régia habitada por monarcas entre os séculos XII e XV, a Catedral de Santa Cruz do século XII e os vários colégios do século XVI.

No Páteo das Escolas situa-se um dos mais impressionantes edifícios, a Biblioteca Joanina, edificada por D. João V e construída entre 1717 e 1728, que possui uma notável decoração barroca. Para além da beleza, a Biblioteca Joanina guarda também mais de 53 mil obras literárias. A grande ‘Cidade Universitária’ criada durante 1940 e o Jardim Botânico do século XVIII fazem também parte do conjunto do património classificado pela UNESCO. Para além dos históricos edifícios, a UNESCO teve também em consideração o património imaterial, ou seja, o papel que a Universidade de Coimbra teve ao longo de sete séculos de existência e da influência que vem exercendo no desenvolvimento de outras instituições de ensino superior no mundo lusófono e no ensino e literatura em língua portuguesa. O reitor da UC, João Gabriel Silva, diz que “mais do que o reconhecimento do valor arquitetónico do complexo universitário de Coimbra, esta decisão da UNESCO sublinha o valor universal da cultura e da língua portuguesa, reconhecendo o papel central que Portugal teve na formação do Mundo, tal como hoje o conhecemos”. A posição dos delegados indianos, que realçaram a importância da Universidade de Coimbra na divulgação da língua portuguesa naquele território, e da representação brasileira, que reconhecem “Coimbra como a sua alma mater”. Em suma no período pré-colonial, as costas brasileiras passaram a ser exploradas apenas a partir dos anos de 1501 e 1502. Ainda havia descaso de Portugal com relação à nova terra: o comércio com as Índias era mais vantajoso e menos dispendioso. Enquanto o povo das Índias já possuía uma tradição

comercial, baseada em especiarias, a malagueta vem da cultura portuguesa, na qual ainda hoje é muito utilizada na cultura indiana, no Brasil realizavam-se as atividades económicas apenas para sua subsistência. Portanto, toda a mercadoria no Brasil exigia trabalho dos português em extração. O pau-brasil era o objeto de atividade de extração para fins comerciais, pouco foi aproveitado dos demais recursos em estado natural neste primeiro período. A exploração imediata do pau-brasil caracterizou-se pela extração predatória, pois o único trabalho ao qual o português se entregava nesta atividade era o corte e o transporte das árvores Coimbra, a capital do saber português. Detentora da terceira universidade mais antiga de toda a Europa, e de uma biblioteca na qual cujos móveis exibem a beleza da madeira exótica oriunda do Brasil. A UNESCO destacou também o facto de Coimbra e a Universidade terem conseguindo manter ao longo dos séculos as tradições culturais e cerimoniais que ainda hoje continuam vivas. A Universidade de Coimbra, foi a única universidade portuguesa durante tantos séculos e a ter classificação como património mundial. João Gabriel Silva sublinhou que no debate sobre

MAIS DO QUE O VALOR ARQUITETÓNICO, O COMITÉ DESTACOU A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA INSTITUIÇÃO NA CULTURA E LINGUA PORTUGUESA E O VALOR QUE PORTUGAL TEVE NO MUNDO. a distinção foi realçada a “influência que a cultura portuguesa teve no mundo, com a Universidade de Coimbra a funcionar como «expoente» e «símbolo» dessa mesma presença”. Mais de mil pessoas concentraram-se no Largo da Sé Velha, em Coimbra, para assistirem a uma serenata e festejar a inscrição da Universidade e Rua da Sofia na lista de Património Mundial. Vários anos depois, voltou a fazer-se uma serenata na Sé Velha sem microfones, na qual o reitor foi falar, algo que também já não acontecia há vários anos. O reitor João Gabriel Silva finaliza afirmando que, “a partir de agora, importa transformar este reconhecimento em resultados”.

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UNIVERSIDADE DE COIMBRA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

“O reconhecimento da Universidade de Coimbra como Património Mundial da Unesco deve servir para fomentar o desenvolvimento transversal da cidade” ENTREVISTA A RICARDO MORGADO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA

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Associação Académica de Coimbra (AAC) conta com uma tradição de 125 anos. Quais são os principais momentos que se destacam ao longo da sua história e qual a dinâmica da associação na atualidade? A Associação Académica de Coimbra surgiu no final do século XIX e representa todos os estudantes da Universidade de Coimbra. A AAC tem na sua história inúmeros momentos importantes que coincidem com períodos marcantes do país. Destaca-se claramente a década de 60 com as crises académicas de 1962 e de 1969, bem como o luto académico que se estendeu durante muitos anos, que levou à interrupção da Queima das Fitas até ao início dos anos 80. Já na década de 90 a questão das propinas esteve muito presente. Houve uma série de manifestações estudantis nacionais, que contaram com a presença ativa da Associação Académica de Coimbra, que ainda hoje continua a acreditar e defender um Ensino Superior público gratuito. Hoje em dia a Associação não vive só da sua tradição e da sua história, tendo como principal missão representar e defender os direitos e interesses dos mais de 23 mil estudantes que fazem parte da Associação. O movimento estudantil está agora centrado em torno de questões como a ação social, o valor das propinas, o financiamento, a qualidade do ensino e a reestruturação da rede de ensino superior. A atividade da AAC compreende ainda uma forte dinâmica desportiva, cultural e recreativa. A AAC tem 26 secções desportivas com mais de 30 modalidades e um organismo autónomo, sendo hoje a instituição mais eclética do país, atualmente com modalidades federadas que vão desde o xadrez ao rugby, das quais se destaca o futebol, vencedor da Taça de Portugal em 2012. Nestes últimos três anos a Associação Académica foi considerada a melhor em desporto universitário na Europa. Existe também na AAC uma grande componente cultural, com 16 secções

Ricardo Morgado

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culturais que vão desde a filatelia ao fado e sete organismos autónomos. Existem ainda 26 núcleos de estudantes, que servem de ponte entre a direção geral e os diversos polos. Há desde sempre uma tradição forte na ligação dos estudantes à Universidade de Coimbra e ao papel importante que ela assume na dinâmica da cidade. Qual é a realidade da Associação hoje em dia e quais são as suas principais preocupações? A AAC tem, desde sempre, um papel fundamental na cidade de Coimbra. Atualmente as principais preocupações da associação prendem-se com a formação dos jovens estudantes e com a sua empregabilidade. Portugal continua muito abaixo na média ao nível do número de pessoas com formação superior. Portugal assumiu o compromisso com os restantes países da Europa disposto no Horizonte 2020, que define que o nosso país tenha que alcançar até essa data uma taxa de licenciados que respeite uma média europeia. Portugal certamente não irá atingir esta meta. Numa altura em que entram menos estudantes para o Ensino Superior é incompreensível como é que há uma redução ao nível dos apoios sociais que se traduziu na diminuição de cerca de menos 20 mil bolseiros. Defendemos que as instituições de Ensino Superior devem congelar o aumento das propinas. Na Universidade de Coimbra para o próximo ano letivo a propina vai aumentar dos atuais 1037 euros para os 1070 euros. As diferenças no valor das propinas entre as diversas universidades são um fator preponderante na escolha da universidade e desvirtuam a premissa de um Ensino Superior público de igual acesso. Além disso as instituições de Ensino Superior têm sofrido sucessivos cortes no Orçamento de Estado, que rondam os cerca de 30 por cento em apenas três anos. A nossa ação vai continuar no sentido de garantir que o Ensino Superior seja uma prioridade em Portugal.

No seu entender, qual é o atual panorama da política educativa no Ensino Superior? Não vejo o Ensino Superior como uma prioridade na estratégia dos sucessivos Governos. É preciso uma real reestruturação da rede de Ensino Superior, ao nível da oferta, do seu papel no contexto regional e nacional, da qualidade e que esteja estreitamente ligado ao projeto de desenvolvimento do país. Deveria ser constituído o Conselho Coordenador do Ensino Superior, uma medida prevista na lei e que constitui uma das recomendações da Associação Europeia das Universidades, que prevê a junção do Governo com todas as entidades ligadas ao Ensino Superior, numa política concertada que foque questões fundamentais como o financiamento, a ação social e a qualidade de ensino. Qual a importância do recente reconhecimento da Universidade de Coimbra como Património Mundial da Unesco? Este reconhecimento da Unesco vai trazer mais-valias, sobretudo a nível turístico. Contudo, deve ser traçado um plano em consonância com as diversas instituições da cidade que promova o desenvolvimento empresarial em Coimbra e que a torne uma referência como cidade económica no contexto nacional, e em especial, na região centro. O reconhecimento da Universidade de Coimbra como Património Mundial da Unesco deve servir para fomentar o desenvolvimento transversal da cidade. Urge à cidade uma política de fixação dos estudantes que passam pela Universidade de Coimbra, que promova a criação de emprego para a massa crítica formada na universidade. A Universidade de Coimbra não é só de história, é uma universidade de ponta que tem umas das melhores incubadoras da europa de base tecnológica, o Instituto Pedro Nunes. Os ingredientes e a receita estão cá. Acredito que com o trabalho de todos Coimbra terá sem dúvida um futuro ainda mais auspicioso.


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Olhos postos no seu negócio!

Equipa da Inside Visions

QUANDO, NO INÍCIO DO SÉCULO, SE FALAVA DE TECNOLOGIA CAPAZ DE VER PESSOAS E CONHECER AS SUAS CARACTERÍSTICAS, A NOSSA MENTE LEVAVA- NOS PARA O IMAGINÁRIO DA FICÇÃO CIENTÍFICA QUE CONSIDERÁVAMOS SER IMPOSSÍVEL EXISTIR NO MUNDO REAL.

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is que chega a Inside Visions e nos transporta para um universo onde este tipo de tecnologia se apresenta como uma área em franca expansão e capaz de integrar soluções para as mais variadas áreas de negócio. Se hoje, para qualquer gestor de um website, o acesso a dados sobre os visitantes é bastante simples, para um gestor de uma loja física ou centro comercial, obter dados como género e faixa etária exigiria provavelmente um exército de mão-de-obra humana, o que seria certamente menos eficiente. Imagine uma solução que permitisse às lojas ter acesso a informação demográfica dos seus visitantes de forma eficiente e automática, permitindo definir padrões de perfil dos visitantes e fluxos de entradas através de uma câmara instalada na entrada da loja ou no balcão de vendas. É isto que a Inside Visions faz com o Face Click, um software de vanguarda que permite acesso a informação demográfica dos visitantes, a baixo custo. Género, faixa etária, fluxos de visitantes ao longo do dia, mês e ano, as possibilidades estatísticas são muitas e capacitam os gestores de dados importantes para a tomada de decisão, desde a gestão diária das lojas, à adaptação dos produtos oferecidos e a gestão de campanhas de marketing. No entanto, as possibilidades desta tecnologia

no mundo do retalho não param por aqui, desde paredes de produtos interativas, que apresentam o produto de acordo com o género e idade da pessoa que o vê, a espelhos que permitem ver como fica uma peça de roupa sem ter realmente que a experimentar, a Inside Visions mantem os horizontes bem abertos neste campo porque as verdadeiras necessidades das empresas ainda se encontram no mundo real. A maior parte das decisões de compra são ainda tomadas no ponto de venda, nas ruas e lojas, e é por este motivo que as empresas ainda investem a maior parte do seu budget de marketing em publicidade nas ruas e centros comerciais. Também neste campo a visão por computador pode ter um contributo fundamental. Imagine um Google Adwords do mundo real ou uma realidade próxima da ficção apresentada no filme Minority Report em que Tom Cruise é bombardeado com publicidade totalmente adaptada aos seus gostos, o registo das suas últimas compras, ou outras informações. “Há muitos anos que vemos filmes sobre como será o futuro. Parece que o futuro chegou agora!”, refere Miguel Peixoto, CEO e Founder da Inside Visions. O Target Ads, um produto ainda em desenvolvimento pela Inside Visions, permite diminuir grandemente a aleatoriedade

da publicidade apresentada nas ruas e centros comerciais, apresentando publicidade de acordo com as características da pessoa que a vê. “Se sou uma mulher ainda jovem porque é que passo na rua e vejo publicidade a uma marca de carros topo de gama em vez de publicidade a uma nova linha de cosméticos para jovens? Seria melhor para os anunciantes e melhor para mim. Todos ficariam mais contentes!”. Apesar da grande preocupação que existe hoje em torno da privacidade, as soluções desenvolvidas pela Inside Visions não gravam imagens ou vídeo, apenas aproveitam os dados demográficos recolhidos através das câmaras e transformam-nas em conhecimento estatístico valioso para as lojas e anunciantes. Os produtos criados por esta empresa pretendem aplicar a visão por computador e a detecção facial ao serviço das empresas, apresentando soluções para problemas reais que concedam às empresas um maior conhecimento dos seus clientes e aumentem a eficácia das campanhas de marketing. Depois de ter passado por uma fase Beta em que o produto foi testado em algumas lojas, a empresa terá brevemente uma solução no mercado. “A solução que criámos vai facilitar a vida às empresas e abrir portas para um mundo de novas possibilidades de conhecimento. As

hipóteses de análise estatística são muitas e a informação recolhida é extremamente valiosa, apenas terá que ser bem aproveitada nos processos de tomada de decisão”, afirma Sofia Graça, gestora de produto. “O que estamos a fazer hoje é apenas a ponta do icebergue. Num futuro não muito longínquo teremos lojas que se adaptam totalmente ao perfil da pessoa que entra, mostrando apenas produtos de interesse ao visitante. E as aplicações desta tecnologia para os mercados do retalho e publicidade não param por aqui. Ainda estamos no início!”, acrescenta Cláudio Fernandes, responsável pelo desenvolvimento tecnológico dos produtos. Com uma equipa jovem e dinâmica, a Inside Visions não ambiciona menos que revolucionar os mercados do retalho e da publicidade e ser protagonista na história destas mudanças. Sofia Graça acrescenta ainda, “temos noção que não somos os únicos a querer mudar o mundo, mas não temos dúvidas que a dedicação que colocamos neste projecto e o potencial desta tecnologia são ingredientes essenciais para o sucesso. Além disso, que mercados estão mais sedentos de inovação do que a publicidade e o retalho? Estes mercados estão a perder força para competir com o mundo virtual e nós trazemos uma energia renovada, com soluções únicas e inovadoras!” Agosto 2013

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Excelência na Inovação TENDO INICIADO A SUA ATIVIDADE EM 1991 POR INICIATIVA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, O IPN – INSTITUTO PEDRO NUNES É HOJE UM MODELO INTEGRADO DE REFERÊNCIA E EXCELÊNCIA NA PROMOÇÃO DE UMA CULTURA DE INOVAÇÃO, QUALIDADE E EMPREENDEDORISMO, ASSENTE NUM SÓLIDO RELACIONAMENTO UNIVERSIDADE/EMPRESAS E DIRIGIDA A UMA CRESCENTE INCORPORAÇÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PELA ECONOMIA.

Quais os principais projetos incubados no IPN? Desde o início da atividade de incubação, em Dezembro de 1995, já foram incubados mais de 200 projetos/ empresas, algumas das quais alcançaram já bastante sucesso e notoriedade, como por exemplo: Critical Software, Wit Software, Crioestaminal, CWJ, Infogene, Feedzai, Medicine One, HIS, ENEIDA, entre outras.

Teresa Mendes, Presidente da Direção do IPN

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IPN é um modelo INTEGRADO – Porque atua em todas as fases do ciclo de transferência de saber e qualificação do empreendedorismo, gerando sinergias e potenciando complementaridades nas áreas da formação especializada, passando pela investigação e desenvolvimento tecnológico – para a qual conta com seis laboratórios próprios –, pela valorização do conhecimento gerado e culminando na incubação e aceleração de empresas. Um modelo de REFERÊNCIA – Porque tem difundido as suas melhores práticas por entidades de apoio ao empreendedorismo no nosso país e também no estrangeiro. São disso vivo exemplo a colaboração promovida com várias autarquias e entidades de apoio ao desenvolvimento local de toda a região Centro de Portugal, por meio do programa estratégico INOV.C gerido pela Universidade de Coimbra; e, também o interesse motivado no pólo de inovação de Sophia-Antipolis em França em replicar o modelo IPN, recentemente manifestado no âmbito do programa europeu ERMIS – INTERREG IVC do qual ambas entidades fizeram parte. Um modelo de EXCELÊNCIA – Porque foi reconhecido como Centro de Inovação Empresarial (BIC) pela rede europeia EBN, recebeu em 2012 as Medalhas de Ouro da Cidade de Coimbra e da Associação Industrial Portuguesa e teve a sua incubadora de empresas galardoada com o prémio de Melhor Incubadora de Base Científica do Mundo em 2010, pela rede de inovação Technopolicy Network. Isto apenas nos dois últimos anos. E porque nos últimos quinze anos já apoiou quase 200 projetos empresariais, que geraram diretamente um acumulado de cerca de 1700 empregos qualificados e alcançou um nível de 75 milhões de euros de volume de negócios em 2011. Teresa Mendes, presidente da Direção do IPN, em entrevista ao País Positivo revela algo mais sobre o instituto:

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Qual o contributo dado pelo IPN na ligação do Ensino Superior ao mundo empresarial, através do fomento e apoio ao empreendedorismo? As três áreas de atuação do IPN (I&DT Aplicada, Incubação/Aceleração de empresas e Formação Avançada) estão organizadas de uma forma coerente e complementar de modo a tentar maximizar o potencial de impacto da Instituição no processo de transferência de conhecimento e tecnologia entre o mundo académico e empresarial. Esta atividade não se esgota no fomento do empreendedorismo, mas vai também no sentido de apoiar as empresas e organizações já existentes a serem mais inovadoras e competitivas. Nesse sentido, para além de uma atividade intensa na área da Incubação, que abrange, atualmente, 31 empresas em incubação física e cerca de 70 e empresas e/ou projetos em incubação virtual, e cerca de 60 novas candidaturas recebidas anualmente, há também um esforço muito grande no apoio a empresas mais maduras, de sectores mais tradicionais, através do Departamento de Formação, o qual intervêm anualmente mais de 50 empresas com acções de formação-ação e consultoria muito especializada em áreas tecnológicas e de gestão. Como encara a distinção do IPN como melhor incubadora de base tecnológica a nível mundial? Esta distinção que muito nos honra data de 2010. Apesar muito significativa de per si, consideramos que é ainda mais relevante o facto de termos sido considerada a segunda melhor incubadora mundial com melhor desempenho nos últimos cinco anos em que se fez o estudo de Benchmark Internacional que dá origem ao prémio (2007-2011). Ficámos atrás de uma incubadora alemã e à frente de uma americana. Isto significa que o nosso desempenho é consistente e que aquela distinção não é mero fruto de um ano excecional. Para esta distinção contribuem muito os nossos indicadores de taxa de sobrevivência de empresas (80 por cento); o modelo completamente auto-sustentável da incubadora; e, claro está, o desempenho das empresas incubadas que se traduz na criação de mais de 1800 postos de trabalho muito qualificados de forma direta e ainda outros cerca de 3.000 de forma indireta. Este dado de criação de emprego no contexto de uma pequena cidade como Coimbra tem um impacto muito grande.

De Coimbra, para o Mundo!

A INOVAZI É UMA STARTUP, QUE SURGIU MUITO ANTES DA CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA, POR UM GRUPO DE AMIGOS ENQUANTO ESTUDAVAM NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, DIRECIONADA PARA A INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE. EM ENTREVISTA, OS RESPONSÁVEIS CONTEXTUALIZAM A INOVAZI.

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omo descreveriam a Inovazi? Somos uma agência criativa constituída por uma equipa apaixonada com competências em design, branding, social media, marketing, comunicação e programação web. A nossa cultura e competências tornam-nos num parceiro estratégico que ajuda as marcas a abraçar a Era Digital. Procuramos dar vida às marcas, desenvolvendo-as e gerindo o seu comportamento no dia-a-dia para que estas sejam únicas e admiradas, tornando-as objeto de desejo e agentes ativos no sucesso das empresas. Quais os produtos e serviços que colocam no mercado e de que forma garantem a diferenciação dos mesmos? Podemos definir que criamos soluções à medida de cada cliente. Para nós não existem soluções iguais. Trabalhamos essencialmente marcas desde o café da esquina até grandes empresas exportadoras e para isso juntamos as mais diversas valências que possuímos, que vão desde o Design, Branding, Social Media, Marketing, Comunicação, Aplicações multimédia e Programação. Fazemos trabalhos que vão desde simples logótipos até às mais complexas plataformas Web, passando pelos mais variados trabalhos. Procuramos ouvir todos os clientes e tentamos apresentar-lhes sempre as melhores e mais criativas soluções que o vão ajudar a dinamizar o seu negócio. Qualidade é, hoje, palavra de ordem no mundo empresarial. De que forma imprimem esta tônica no seio da Inovazi? Todos os elementos da equipa são apaixonados pelo que fazem. Temos sempre respeito pela identidade do cliente e a criação de um design original e único, são as nossas garantias. Temos padrões de elevada qualidade e competência e procuramos fazer melhor em cada novo projeto que desenvolvemos, encaramos sempre os pedidos dos clientes como um novo desafio. “made with love in Coimbra” é um dos vossos lemas. É importante esta ênfase? O que transmite este slogan? É um slogan que transmite a forma como nos empenhamos e trabalhamos. Damos o nosso melhor por cada projeto que desenvolvemos e acabamos sempre por nos apaixonar e entregar ao máximo, e claro, estamos também todos bastante ligados à cidade de Coimbra porque estudamos e vivemos

João Fernandes, Partner & Project Manager, e Rui Rosa, Partner & Creative Director

cá. Cada vez mais, não é necessário estar localizado nos grandes centros urbanos para poder ter bons trabalhos e desenvolver para todo o Mundo. Recentemente a Universidade de Coimbra foi classificada como Património da Humanidade pela Unesco. Qual a importância deste reconhecimento e de que forma poderão as jovens empresas aproveitar esta classificação? A classificação faz-se sentir mais na área do turismo onde as jovens empresas desta área poderão tirar mais partido desta classificação. As restantes empresas poderão usar esta distinção como um cartão de apresentação lá fora, uma vez que a Universidade e a Cidade têm mais projeção. Poderemos promover que fomos bons para a humanidade e podemos continuar a ser, o conhecimento foi, é e será sempre um sinónimo da cidade de Coimbra. No que concerne ao futuro, quais os grandes projetos e desafios da Inovazi? Atualmente, para além de clientes em todo território nacional, temos já clientes noutros países, tais como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, Luxemburgo e Bélgica. O Futuro passará essencialmente por reforçar a nossa posição no exterior não descuidando, os nossos clientes a nível nacional. Temos também alguns projetos internos, que pretendemos lançar em breve.


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A inovação, a educação e a inclusão de mãos dadas

A CNOTINFOR É UMA EMPRESA PORTUGUESA DE INOVAÇÃO FOCADA NA ÁREA DA APRENDIZAGEM ENRIQUECIDA PELA TECNOLOGIA E SOFTWARE INCLUSIVO QUE SE DEDICA, DESDE 1988, À INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES INTEGRADAS PARA A EDUCAÇÃO, SAÚDE E FORMAÇÃO ATRAVÉS DA MARCA IMAGINA®. ESTÁ ATUALMENTE FOCADA NO DESENVOLVIMENTO DE APLICAÇÕES MULTI PLATAFORMA PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS APOSTANDO CLARAMENTE NO MERCADO EXTERNO, NOMEADAMENTE EM TODO O ESPAÇO DA LUSOFONIA.

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Almedina com 893 anos de história ALMEDINA FAZ PARTE DA HISTÓRIA DE COIMBRA, TESTEMUNHOS ARQUEOLÓGICOS E DOCUMENTOS ESCRITOS ATESTAM JÁ A EXISTÊNCIA NA ÉPOCA ROMANA DE UMA IMPORTANTE POVOAÇÃO QUE SE ESTENDIA PELA PARTE SUPERIOR DA COLINA DA UNIVERSIDADE.

Equipa de trabalho Cnotinfor

undada em 1988, tem como missão construir e aperfeiçoar ferramentas, conteúdos e contextos para crianças, jovens e educadores, tendo por base o conceito de aprendizagem enriquecida pela tecnologia, privilegiando interfaces intuitivos e multimodais. O objetivo é ajudar a pensar, aprender e interagir através da tecnologia, valorizando as inteligências múltiplas, o espírito crítico, a aprendizagem em rede, a criatividade e a imaginação, promovendo a participação e a inclusão. São vários os projetos de investigação e desenvolvimento nacionais e internacionais em que a empresa esteve e está envolvida. Todos eles tiveram e têm um denominador comum, desenvolver produtos de excelente qualidade, reconhecida por entidades e parceiros externos com uma base científica e pedagógica sustentada. Atualmente participa com mais 12 parceiros no projeto europeu TEMI – Teaching Enquiry with Mysteries Incorporated (Ensinando a Investigar através de Enigmas) que pretende equipar os professores com ferramentas e recursos para o ensino nas áreas da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática através de enigmas e mistérios. A Cnotinfor lançou recentemente mais um software da marca Imagina® que tem como objetivo dar voz a quem não a tem. O Vox4all® foi desenvolvido para tablet e smartphone em 4 idiomas (Português, Português do Brasil, Inglês e Castelhano) e destina-se a todos os que por condições congénitas ou adquiridas têm impossibilidade ou dificuldades na fala. O Vox4all® resulta do projeto em curso “TOP QX – Todos podem aprender a qualquer hora em qualquer lugar”, co-financiado pelo QREN, no âmbito do Mais Centro – Programa Operacional Regional do Centro e da União Europeia – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

A Cnotinfor afirma que, em muitos países, existem programas especiais para atender às necessidades de educação, saúde e formação das pessoas com deficiência. No entanto, ao nível da prevenção, da atenção, da reabilitação e da promoção da inclusão existem ainda muitas lacunas para que os programas educativos sejam efetivamente transversais e inclusivos. Na perspetiva do “desenvolvimento inclusivo”, torna-se necessário prevenir que essas ações específicas se sobreponham a outros programas setoriais ou que dupliquem serviços já existentes. Numa estratégia de educação inclusiva a ênfase deverá ser colocada de forma a assegurar que todos os grupos em situação de exclusão ou vulnerabilidade beneficiem de uma aprendizagem mais acessível. Para Secundino Correia, diretor de inovação da Cnotinfor, o fator que tem contribuído para o seu sucesso prende-se com a “capacidade de desenvolver software capaz de se adaptar a cada utilizador, podendo ser utilizado por qualquer pessoa (criança, jovem ou adulto) independentemente das suas capacidades e competências”. Entretanto, a Cnotinfor está também a diversificar a sua oferta, explorando outros nichos de mercado, como a área da formação médica, através de Serious Funny Games e a área dos seniores, através do treino cerebral aliado à socialização. Como resultado da aposta na internacionalização, as exportações representam já 40 por cento do volume de vendas. “Apostamos decididamente na internacionalização, nomeadamente nos países lusófonos, como Brasil e Angola, mas também Cabo Verde e Moçambique. Ao mesmo tempo, estamos a entrar no mercado global de língua inglesa através das lojas da Apple, da Google e, brevemente, da Microsoft”, finaliza o nosso interlocutor.

Carlos Lopes, Presidente da Junta de Freguesia

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o início da Idade Média sofreu os ataques de Alanos, Suevos e Visigodos, conhecendo porém, sob os domínios destes últimos, uma certa prosperidade, chegando a ter moeda própria. Porém, o fator decisivo para a prosperidade de Coimbra foi a instalação da Universidade. A freguesia de Almedina, testemunha destes e doutros passos históricos, guarda monumentos de invulgar riqueza, e beleza arquitetónica. Para além da incontornável Universidade, surgem os restos da Porta da Alçova, a Capela de São Miguel, o Colégio São Pedro, a Biblioteca Joanina, a Porta Férrea, as Escadas de Minerva, a Torre e a Via Latina, entre muito outros exemplos A Sé Velha é considerada o mais belo monumento de estilo românico que subsiste em Portugal, construída em 1160. A Casa de Sobre-Ribas é a mais importante construção civil quinhentista da cidade de Coimbra. A

Casa do Navio, ou da Nau, destaca-se, por sua vez, como o mais belo edifício civil da época do primeiro Renascimento. A Casa dos Alpoins, no local da Estrela, é uma construção do século XVI, embora ostente motivos arquitetónicos de épocas posteriores. Na fachada da antiga Rua do Correio rasga-se uma porta manuelina. Os restos das muralhas da cidade medieval, de que sobram ainda a Porta de Al-medina, e a Torre de Anto, que por seu turno, resultou da reforma quinhentista das construções militares de Coimbra e tornou-se famosa por nela ter habitado o poeta António Nobre. Devido ao seu riquíssimo espólio, um dos mais valiosos da Cidade, é a Freguesia mais procurada do Concelho, sendo visitada por turistas de todo Mundo. É em Almedina, que se localiza o principal Posto Turístico de Coimbra, uma loja das aldeias do xisto, várias lojas com a loiça de Coimbra,e produtos tradicionais, loja que só vende peças de estilistas portugueses, a assoçiação de fados o “Fado ao Centro”, os quais foram distinguidos em 2013 pelo jornal inglês “The Guardian” como um dos quinze locais a visitar em Portugal. O autarca Carlos Lopes afirma que,“ foi com orgulho que acolhemos esta distinção,dando nota de que o fado e canção de Coimbra foram classificados como Património da Humanidade ”. No que reporta a tradições, são as serenatas, a feria medieval “a mais antiga do género em Portugal”, a tomada da Bastilha, além de outras iniciativas estudantis, motivadas pelas repúblicas, (casas de estudantes) que se encontram inseridas na Freguesia de Almedina, e que muito contibuem para o enriquecimento cultural da cidade de Coimbra e da sua alta universitária. A Serenata Monumental conhecida internacionalmente marca o início da Queima das Fitas em Coimbra, a maior festa de estudantes do país. Este acontecimento estudantil traduz-se numa cuidada mostra do Fado de Coimbra, levada a cabo pela Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, acontece todos os anos no largo da famosa Sé Catedral / Sé Velha. O presidente de Junta de Almedina vê a atribuição dada pela UNESCO em junho passado como uma nova oportunidade turística e cultural, sendo “uma candidatura nacional e não só de Coimbra”. Almedina tem neste processo a crescida responsabilidade, uma vez que estamos a falar do centro histórico da cidade. A freguesia de Almedina tem-se debatido pela promoção turística e cultural, nomeadamente na zona das Escadas do Quebra–Costas, “liga a alta universitária e a baixa da cidade”, nomeadamente no apoio aos que tem apostado no comércio tradicional, ou por exemplo apoiando iniciativas culturais, que destacamos os concertos de Jazz e Fado, ou o teatro de rua, a acontecer entre julho e setembro aos fins-de–semana. Agosto 2013

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A terra de Santo António

SANTO ANTÓNIO DOS OLIVAIS É UMA FREGUESIA  DO CONCELHO DE COIMBRA, COM 19,27 QUILÓMETROS QUADRADOS DE ÁREA E 38 936 HABITANTES. É A MAIOR FREGUESIA URBANA DA CIDADE DE COIMBRA E UMA DAS MAIS POPULOSAS FREGUESIAS DE PORTUGAL.

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Francisco Andrade, Presidente da Junta de Freguesia

história desta freguesia começa no início do século XIII, cerca de 1210, quando D. Sancha, filha de D. Sancho I, funda o Real Mosteiro de Santa Maria de Celas, da Ordem de S. Bernardo, no lugar de Vimarães, e aí nasce e vai crescendo o burgo de Celas. Em 1217, D. Urraca, mulher de D. Afonso II, doou a capelinha de Santo Antão que ficava no alto da colina dos Olivais aos Franciscanos que tinham chegado a Portugal, e estes fundam nesse local um humilde eremitério. Fernando de Bulhões em 1220, que se encontrava no Mosteiro de Sta Cruz, depois de ter tomado as ordens sacerdotais, resolve vir para o humilde eremitério e aí muda o seu nome para António, passando a usar as humildes vestes dos Franciscanos. De seguida em 1231, Santo António morre em Pádua e logo após a sua canonização, que ocorreu no ano seguinte, o Convento Franciscano de Santo Antão passou a designar-se de Santo António. Nasceu assim Santo António dos Olivais, cuja população se desenvolveu nas imediações da colina sagrada. Francisco Andrade, Presidente da Junta de Freguesia diz: “é preciso não esquecer que foi em Coimbra, nos Olivais, que Fernando de Bulhões adota um novo nome…Santo António”. A freguesia foi criada em 1863, onde ainda é possível encontrar duas áreas distintas, a urbana e a rural. A urbana é muito marcada pelo casario das zonas residenciais que desde muito cedo se terão começado a desenvolver. Tal se deve, em parte, à presença do antigo Mosteiro de Celas que, situado numa área erma de Coimbra, onde a paisagem se caracterizava pela existência de pinhais e olivais, foi permitindo as construções em seu redor. Atualmente, porém, não é apenas junto a este mosteiro que podemos encontrar bairros habitacionais. As zonas da Solum, Vale das Flores, Tovim ou Chão do Bispo são exemplos do grande crescimento da freguesia. À área rural correspondem os lugares de Picoto dos Barbados, Vale de Canas, Casal do Lobo, Cova do Ouro, Alto de S. João, Pinhal de Marrocos ou Portela. Quer pela presença do Mosteiro de Celas, quer pela existência do Convento Franciscano dos Olivais

(posteriormente a Igreja de Santo António dos Olivais), foi esta freguesia, desde sempre, muito marcada pela religiosidade, aspeto presente não só nas celebrações eucarísticas mas, sobretudo, em importantes festas e romarias, realizadas em diversas épocas do ano, com destaque para a Procissão de Santo António e a Romaria do Espírito Santo. A criação, em 2006, do Centro de Estudos de Santo António permitiu elevar o nome do Padroeiro da Freguesia que conta já com 156 anos de existência e, como refere, Francisco Andrade “um riquíssimo património”. Ainda como forma de homenagear Santo António foram criados dois doces, o Bolo de Santo António e o Mimo de Santo António, cujos invólucros contêm a história da Freguesia e do Padroeiro. Fazem parte desta freguesia, o Estádio Cidade de Coimbra, o Parque de Campismo do Areeiro, o Complexo Olímpico de Piscinas e o Multidesportos, a Mata Nacional de Vale de Canas, os CHUC, o Hospital Pediátrico, o IPO e muitas Igrejas, Capelas, Fontenários, em suma, um leque abrangente de serviços e um vasto património natural e edificado. Francisco Andrade destaca ainda a forte aposta na componente cultural e recreativa através da realização de espetáculos musicais (Noites de Verão e Santos Populares, por exemplo), feiras de artesanato, marchas populares, rotas do património, dos escritores e da música, provas de BTT, entre muitas outras. Quanto ao património, a Igreja de Santo António dos Olivais, do antigo Convento que datava do século XIII, resta a igreja totalmente reconstruída no século XVIII. Antes de entrar na igreja há um pórtico de três vãos com remate de aletas e pirâmides. Dá acesso à igreja uma escadaria setecentista de seis lanços, com três capelas de cada lado. A frontaria é precedida por um largo arco rebaixado do tipo franciscano que comunica com o átrio. Ladeiam este átrio duas capelas. As paredes do interior são forradas com painéis de azulejos. No altar-mor existe uma tela de Nossa Senhora da Conceição pintada por Pascoal Parente. Os retábulos são de talha e datam do século XVIII. A Sacristia é da mesma época e assemelha-se a uma igreja, com paredes de azulejo e talhas douradas.


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A freguesia com futuro EIRAS FOI UMA FREGUESIA PORTUGUESA DO CONCELHO DE COIMBRA, COM 9,81 QUILÓMETROS QUADRADOS DE ÁREA E 12 097 HABITANTES. DENSIDADE: 1 233,1 HABITANTES POR QUILÓMETRO QUADRADO. É UMA DAS GRANDES ÁREAS DE EXPANSÃO DA CIDADE DE COIMBRA A NORTE, TENDO SOFRIDO GRANDE CRESCIMENTO URBANÍSTICO NOS ÚLTIMOS ANOS.

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oi vila e sede de concelho até ao início do século XIX. Era constituído apenas pela freguesia da sede e tinha em 1801, 654 habitantes. Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de São Paulo de Frades, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades. Integrada na zona urbana desta cidade, com cerca de nove quilómetros quadrados de área e tem aproximadamente 13 mil habitantes. Tem com orago S. Tiago e está situada na parte norte da Cidade, desde a Ribeira de Coselhas a sul, até aos limites das Freguesias de Brasfemes, Santa Cruz e S. Paulo de Frades. É atravessada de nascente para poente, pela Ribeira de Eiras, principal curso de água da freguesia. Atualmente a freguesia é constituída por dezenas de lugares. Uns que remontam aos primórdios da localidade, e outros que se foram formando ao longo dos tempos. O atual presidente de Junta, Francisco Andrade, afirma que “Eiras tem tudo para crescer”. Filomena Santos, era presidente da Junta de Freguesia de Eiras, faleceu aos 55 anos. A notícia, inesperada, foi um “choque” para quem com ela privava, entre amigos ou relações institucionais, assim como no Partido Social - Democrata (PSD). Eleita pela Coligação por Coimbra, Emília Filomena Semedo Teixeira dos Santos estava

a cumprir o primeiro mandato à frente da autarquia e seria a candidata do PSD para a união das freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades nas próximas autárquicas. Francisco Andrade afirma que “assumi o cargo pela amizade que tinhamos, pois jamais via Eiras sem a Filomena, é com tristeza que vi partir a minha amiga.” Quanto a património Eiras tem a primitiva Igreja, que foi mandada construir por D. Afonso Henriques, sendo Bispo de Coimbra, D. Vermudo, e localizava-se fora da povoação, julga-se que no lugar hoje designado por Cruz Nova. Entretanto, por dificuldades de acesso, especialmente no inverno, por parte da população que tinha de transpor um pequeno ribeiro, que nesse período transbordava, foi mandado construir dentro da povoação então Vila, no reinado de D. José I,uma nova Igreja. Esta igreja foi dedicada a S. Tiago, e possui uma frontaria monumental, bem articulada, característica da arquitetura religiosa barroca. De planta longitudinal, composta de nave, capela-mor, sacristia e anexos, tem a fachada principal, enquadrada por duas torres sineiras, com remate piramidal. Quanto ao artesanato a cestaria é a mais antiga forma de artesanato praticada pelo homem, tendo sido antecedida apenas por uma manufatura de cordas obtida com o entrelaçar e torcer de elementos vegetais, a matéria-prima por excelência desta forma de artesanato. A estes materiais estão, por regra, associadas regiões com uma rede hidrográfica abundante ou até mesmo zonas pantanosas. No caso de Eiras é exatamente a rede hidrográfica abundante, visível pelos numerosos furos de água, assinalados quer por noras quer por motores de regas, que proporciona a existência na freguesia desta ancestral arte.

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UNIVERSIDADE DE COIMBRA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

O berço da cidade do conhecimento

Berço da família real portuguesa

porque foi ali que grande parte dos descobridores aprenderam e adquiram os seus conhecimentos”. O edil local defende que “não se pode assentar a ideia da reforma das autarquias locais no falso argumento de que se irá poupar dinheiro porque a grande maioria dos presidentes de junta recebem cerca de 200€ ou apenas ajudas de custo”. O que vai acontecer, isso sim, afirma “é um aumento de custos, já que freguesias com mais população vão necessitar de um presidente a tempo inteiro e isso já depreende outros encargos”.

António Pinto dos Santos

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ercorrida pelo maior rio português, o Mondego, a freguesia de Santa Cruz, de carácter urbano, possui 5,7 quilómetros quadrados de área total. Na parte Sudoeste da Freguesia, desde a zona da desaparecida Fábrica da Triunfo, na Rua dos Oleiros, até ao grande valeiro no Choupal, é possível usufruir desse belo espelho de água. Apesar de Santa Cruz ser bem servida de linhas de água, lamentavelmente estas apresentam em muitos casos problemas de poluição. O executivo da junta de freguesia local, consciente desta realidade que prejudica as populações, o ambiente e qualidade de vida, tem envidado todos os esforços junto dos organismos competentes, no sentido de minimizar estes efeitos nefastos, pugnando pela limpeza e limitação de agentes poluidores. Santa Cruz é uma das mais importantes freguesias da cidade e até do país, atendendo ao núcleo histórico e arquitectónico que a compõe e ao valor cultural que representou nos primórdios A nível económico, apesar da atividade dominante ser essencialmente o comércio e serviços, existe uma área agrícola na Pedrulha e Campos do Bolão e alguma indústria. A freguesia possui uma boa rede a nível de transportes públicos, equipamentos e associações. Em entrevista ao País Positivo, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, António Pinto dos Santos, revela alguma preocupação face à reforma das autarquias locais, que originará a extinção de algumas freguesias com peso histórico no país: “Posso ser um pouco suspeito já que esta vai ser uma das freguesias agregadas e podem estar a pensar que estou a defender a minha dama mas, contando um pouco a história da freguesia de Santa Cruz de Coimbra, tirando a parte muralhada, a primeira construção que se fez fora das muralhas foi o mosteiro de Santa Cruz numa zona chamada Banhos Reais. Quem, antigamente, estava ligado à cultura, estudava e ensinava, eram naturalmente as pessoas ligadas à igreja, logo, o Mosteiro de Santa Cruz acabou por ser o berço da cidade e também muito importante para o país e para mundo

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Universidade de Coimbra Crítico, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz alerta que “há muita gente que não muda mentalidades. A universidade de Coimbra foi, durante muitos anos, uma instituição muito fechada em si e muita gente diz e ainda pensa até que um dos grandes males de Coimbra foi a própria instalação da universidade. Apesar de dar fama à cidade, depois do 25 de Abril não se aperceberam que o mundo mudou e quando o fizeram já existiam outras universidades portuguesas que tinham ganho terreno e que deixaram a universidade de Coimbra bem afastado do panorama do prestígio internacional”. Tradição (des)académica “Ao longo dos tempos Coimbra foi perdendo a tradição académica. Hoje são cada vez menos aqueles que alinham nas brincadeiras características do mundo universitário, mas temos assistido a um aumento do número de casos de vandalismo. Gostava de salientar que Coimbra não é dos estudantes, mas sim dos Conimbricenses e portanto não podemos deixar de alertar as entidades competentes para que não se deixe estragar o património que conquistamos com atos de vandalismo puro associado às festas e ao álcool”, defende o autarca. Qualidade de vida “Isto é um pouco como a cidade e o país. Procuramos que as coisas vão evoluindo para melhor mas Coimbra, mais concretamente no acervo histórico, parou no tempo. Muitas vezes mostramos o que está bonito e escondemos o que está mal e aqui existe muita coisa má. Temos património riquíssimo deixado ao abandono, zonas totalmente abandonadas e isso cria situações sociais bastante complexas. Não temos sentido, no que diz respeito a Santa Cruz, um investimento real nas potencialidades da nossa cidade e isso não permite que exista investimento que se traduza em qualidade de vida para os nossos habitantes”. Uma freguesia com história para contar “Fizemos um livro sobre a história da freguesia para conseguirmos dar resposta às necessidades de conhecimento dos turistas. Apesar de ter sido muito complicado reunir toda a informação por falta de fontes para consultar, o livro está editado e é bastante interessante conseguir ter um documento que reúna toda a história da Freguesia de Santa Cruz de Coimbra, onde podem ser consultados todos os dados que nos enchem de orgulho”.

José António Cortesão, Presidente da Junta

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povoação da freguesia de São Silvestre começou a desenvolver-se nos finais do século XV, por influência da proximidade do Palácio de São Marcos, erigido pelos monges de São Jerónimo e que foi parcialmente cedida pela Fundação da Casa de Bragança para servir de residência à família de Duarte Pio de Bragança. Ficava nesta freguesia o extinto convento hieronimita de São Marcos, de que resta hoje a igreja. A primitiva edificação religiosa que ali existiu foi uma pequena ermida, instituída em 1441 por testamento de João Gomes da Silva, alferes-mor do reino, filho de Gonçalo da Silva, alcaide-mor de Montemor-o-Velho. Ao filho daquele, Aires Gomes da Silva, que foram confiscados todos os bens pelo rei D. Afonso V. Por contratos entre os Silvas e os monges, o convento converteu-se no monumental panteão daquela família. Na primeira metade do século XVI, este convento passou por alguns melhoramentos, entre os quais, a construção da capela lateral dos Reis Magos (1556). Esta foi classificada por Watson de grandes interesse, não somente por causa da real beleza dos seus pormenores, mas ainda por ser a primeira edificada num estilo que foi repetido noutros lugares como em Merceana, perto de Alenquer, e na Igreja de N. Sr. Dos Anjos de Montemor-o-Velho. Extintas as ordens religiosas (1834), foi adquirido por um particular, e, por 1860, devorado por um incêndio, posto por um vizinho do proprietário, depois de uma fútil desavença. Salvou-se a igreja, que é de exterior singelo, e no seu interior de grande interesse artístico e histórico. O autarca, José António Cortesão, afirma: “Estamos bem posicionados, a cerca de 30 quilómetros da serra e a 30 quilómetros do mar, reunindo todas as condições para ter uma

excelente qualidade de vida para a nossa população, que é um misto entre rural e urbano”. Preocupados com o desenvolvimento integral do local, esta freguesia dota-se de alguns meios como vários campos de jogos, de dimensões diversas. É detentora de uma privilegiada beleza natural que se manifesta nos seus parques naturais e na possibilidade de se praticar caça e pesca desportiva. Ao longo dos tempos, as populações foram-se organizando em associações ou coletividades, perseguindo finalidade e objetivos diversificados, sempre visando um elevar da cultura e o bem-estar social. O presidente afirma que “o presidente de Junta é mais que um presidente, estamos sempre ao dispor da população. Temos que ser muito próximos, de dar um pouco de nós a quem tanto fez e, por isso, temos que conhecer as pessoas e os seus problemas para que possamos dar a melhor qualidade de vida”. A gastronomia da Freguesia de São Silvestre é rica e diversificada, dado que utiliza na sua confecção os variados produtos da sua economia local, os pratos típicos são iguarias da região, Papas de Abóbora-Menina com Farinha de milho e Broa de milho. O artesanato está muito presente na freguesia onde a sapataria, cestaria, pintura em azulejo, miniaturas, caricaturas em madeira, malha de rede de pesca, e tapetes tipo Arraiolos. Relativamente à Universidade de Coimbra ter sido Património da Humanidade pela UNESCO, o autarca afirma que “já devia ter sido há mais tempo Património, pois para mim Coimbra é a primeira cidade do país, foi a primeira Universidade durante anos e estamos a viver um momento extraordinário”.


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Gastronomia, património e… qualidade de vida

A freguesia de São Martinho do Bispo é igualmente reconhecida pela riqueza da sua oferta gastronómica… Sim, nessa vertente somos ricos, uma vez que temos na freguesia seis agremiações folclóricas que também se dedicam à gastronomia. Anualmente, realizamos uma feira de artesanato e gastronomia, com tasquinhas geridas por esses grupos, num evento custeado pela junta de freguesia, que serve para promovermos a nossa oferta. Nessa altura, os visitantes podem saborear nas nossas tasquinhas o peixe do rio, a chanfana, tripas, papas, arroz doce, leite creme… Enfim, temos uma enorme variedade gastronómica que constitui também um excelente cartão de visita da nossa freguesia.

Antonino Moura Antunes

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erca de seis mil estudantes vivem anualmente na freguesia de São Martinho do Bispo. Com uma abrangência territorial de 20 quilómetros quadrados que se estendem pela capital do conhecimento, Coimbra, a freguesia está dotada de cinco estabelecimentos de ensino superior, que dinamizam um território rico em gastronomia e oferta cultural e patrimonial. O País Positivo foi conhecer São Martinho do Bispo, deixando-se guiar pelo edil local, Antonino Moura Antunes. Existe qualidade de vida na freguesia de São Martinho do Bispo? Sim, existe. Aliás, o que temos vindo a fazer persegue precisamente esse objetivo… É uma freguesia habitada por cerca de 27 mil habitantes e uma extensão de 20 quilómetros quadrados, totalmente coberta de saneamento, à exceção de umas ilhotas que não representam mais do que dois por cento do território, com abastecimento de água… É uma freguesia onde se vive bem. Que principais cartazes turísticos aconselharia a quem pretenda visitar a freguesia? Como principais destinos, elegeria a mata da Escola Superior Agrária, a mata do Choupal, parte da qual se encontra na freguesia de São Martinho do Bispo, o Hospital Geral dos Covões, a Fundação Bissaya Barreto e a nossa igreja matriz, lindíssima e que merece ser visitada.

Ao nível da ação social, que políticas tem implementado o executivo da junta de freguesia para apoiar as populações mais carenciadas? Ao nível da Comissão Social de Freguesia, estão integradas todas as instituições de solidariedade social locais. É nesse âmbito que debatemos os problemas diagnosticados e procuramos identificar as carências que afetam a população. Colaboramos essencialmente na vertente da alimentação. Um dos parceiros é a Conferência São Vicente Paulo, que financiamos trimestralmente com uma verba significativa para que possa acompanhar e responder às necessidades dos mais carenciados, que também são apoiados pelo Banco Alimentar Contra a Fome e pelo Centro Social de São João. A esse nível, temos os problemas resolvidos. Por outro lado, temos IPSS na freguesia dotadas de centros de dia e que prestam apoio domiciliário. Temos um lar e está prevista, para breve, a inauguração de um segundo. Que legado considera ter deixado ao final destes mandatos enquanto autarca? Uma obra importante e emblemática, que fica como legado dos nossos mandatos, é a construção das piscinas municipais. A par, fizemos a recuperação da Praça João Serrano e da Praça da Igreja Matriz. Também conseguimos acabar com as perigosas passagens desniveladas do caminho-de-ferro, procedemos à iluminação da via rápida e à remodelação da rede elétrica em muitas das ruas… Também temos feito muitas obras pequenas que, embora não adquiram grande mediatismo, são muito importantes para a população e contribuem para a tal desejada qualidade de vida.

Na base da história de Coimbra

SANTA CLARA É UMA DAS 31 FREGUESIAS DO CONCELHO DE COIMBRA, COM 10,20 QUILÓMETROS QUADRADOS DE ÁREA E 9637 HABITANTES. ESTÁ SITUADA NA MARGEM ESQUERDA DO RIO MONDEGO FAZENDO FRONTEIRA COM AS FREGUESIAS DE SÃO MARTINHO DO BISPO, CASTELO VIEGAS, ASSAFARGE, ANTANHOL E COM AS FREGUESIAS DE SANTO ANTÓNIO DOS OLIVAIS, ALMEDINA E SANTA CRUZ PELA MARGEM DO RIO MONDEGO.

José Simão

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em como património o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova onde está situada a Igreja e o túmulo da Rainha Santa Isabel, claustro e coros, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (primitivo), a Quinta das Canas (incluindo a Lapa dos Esteios), a Gruta dos Alqueves, a Quinta das Lágrimas,a Casa do Forno,a Quinta da Copeira, o Convento de São Francisco (Coimbra), o Aqueduto de Santa Clara (Coimbra) e o Portugal dos Pequenitos. É a freguesia com mais património de Coimbra a nível nacional. Santa Clara tem, para além do património histórico, arquitetónico, o património nacional e também internacional que é o conservatório de Santa Clara e o Portugal dos Pequenitos. A Feira Popular de Coimbra já é uma tradição, sendo um dos maiores eventos realizados na cidade do Mondego. Realiza-se no Choupalinho com um programa muito atrativo e recheado de novidades. Promovido pela Junta de Freguesia de Santa Clara, este é um dos maiores eventos realizados na cidade, sendo superado apenas, em número de visitantes, pela Queima das Fitas. Durante 17 dias mais de cem mil pessoas passam pelo recinto da feira, apreciando e desfrutando de tudo aquilo que o evento oferece. As Festas da Rainha Santa são a mais genuína manifestação de veneração da Cidade à sua Padroeira, D. Isabel, mulher do Rei D. Dinis. Mulher de grande piedade, manifestou sempre profunda caridade e sensibilidade para com as necessidades dos pobres e excluídos, sendo por isso apelidada de Rainha Santa. A freguesia de Santa Clara em gastronomia tem para oferecer os Pastéis de Santa Clara, Pessegada, Rebuçados de Ovos, Arrufadas de Coimbra,

Manjar real, e os Melindres.O presidente José Simão afirma que “a perdiz de escabeche era uma tradição que se foi perdendo ao longo dos tempos. Como se conservava durante mais tempo, esta era a comida dos pobres, trazida pelas pessoas que vinham para cá temporariamente trabalhar na agricultura”. Coimbra é dos mais antigos centros oleiros de Portugal. No século XVII e XVIII desenvolve-se extraordinariamente a faiança decorada com castanhos, azuis esbatidos e roxos desbotados. Este trabalho é dos mais belos do país. A faiança introduziu-se nos finais do século XVI, surgindo por esta altura o pintor da loiça cujos motivos podem ser eruditos e orientais. Na segunda metade do século XVII já exportávamos estes trabalhos para Inglaterra, além de que eram canalizados para o resto do país. Atualmente, ainda subsistem algumas oficinas ou empresas artesanais que se dedicam à faiança vidrada, como nos séculos XVII e XVIII. As principais características da louça de Coimbra é a textura da pasta, que é macia e regular. As cores são azul-cobalto, roxo, castanho, amarelo e verde. As peças mais típicas são: as canecas de peixe, pratos, travessas, bilhas, potes e boiões. O presidente refere que “entre a Universidade de Coimbra e a freguesia de Santa Clara há uma ligação muito grande, tem o observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, o estádio da Universidade e as grandes noites da Queima das Fitas. O rio não é uma barreira, mas sim uma união”. Contudo, quanto à Universidade de Coimbra ser Património da Humanidade, o autarca afirma: “é uma mais-valia, porque os turistas não vão só a Coimbra visitar, mas vem também ao lado esquerdo da margem conhecer o nosso património”. Agosto 2013

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Uma pérola no Vale do Mondego

Berço de seis Reis de Portugal e da primeira Dinastia SÃO BARTOLOMEU É UMA FREGUESIA PORTUGUESA DO CONCELHO DE COIMBRA E PARÓQUIA DA DIOCESE DE COIMBRA, COM 627 HABITANTES.

Firmino Victor, Autarca de Torres do Mondego

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freguesia de Torres do Mondego estende-se ao longo das duas margens do Mondego, ocupando as vertentes cultiváveis do vale encaixado. Rural por excelência, Torres do Mondego é habitada por 2250 residentes e preserva nas suas terras características próprias, escapando á expansão da construção urbana e evoluindo de forma equilibrada. O Rio Mondego e o seu vale encaixado representam o geomorfológico mais marcante deste território, concedendo à paisagem um cunho serrano muito diferente das paisagens a jusante, já em pleno curso inferior do rio. Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, a freguesia tem para oferecer a bela praia fluvial dos Palheiros e Zorro, criada em 1997. Actualmente, é um local de grande afluência de pessoas que, aproveitando a proximidade de cidade de Coimbra, a ela ocorrem para desfrutarem do sol e da bela paisagem proporcionada pelo Vale do Mondego. Merece também especial destaque, a Mata de Vale de Canas, área protegida onde é possível apreciar o canto dos pássaros, sentir o aroma da vegetação e apreciar, entre diversas árvores, o eucalipto mais alto da Europa. Aqui existem circuitos da manutenção muito procurados, especialmente por pessoas residentes no meio urbano da sede concelhia e um ímpar património arquitectural e edificado. Há três décadas ao serviço da Junta de Freguesia de Torres do Mondego encontra-se Firmino Victor, o edil local que tem eleito como missão contribuir para o desenvolvimento da sua terra:

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”Estou na junta de freguesia há 30 anos e, juntamente com os demais membros dos executivos por que passei, temos feito tudo para acolhermos bem as pessoas e para que as mesmas se sintam bem em Torres do Mondego”. O legado de Firmino Victor é bem visível num périplo pela freguesia cujos destinos políticos lidera. Como o próprio advoga, “temos desenvolvido várias obras, ao nível dos arruamentos e de outras infraestruturas que beneficiam a qualidade de vida da nossa população e destacaria a praia fluvial, que adquiriu projeção internacional”. No entanto, um espinho mantém-se encravado no exercício do autarca: “Temos um senão ao longo destas três décadas, que foi o PDM, que veio restringir a construção para habitação própria. Sempre manifestámos, junto dos órgãos municipais, o interesse de mantermos a nossa identidade, não investindo numa construção desenfreada mas pretendíamos que concedessem aos filhos da terra o direito de construírem a sua habitação e não saírem de cá. Com o primeiro PDM, verificou-se o abandono da freguesia por parte de muitos jovens, que foram viver para os concelhos limítrofes. Infelizmente, o departamento de obras da Câmara Municipal de Coimbra sempre funcionou mal e os processos entram em morosidades perfeitamente desadequadas”, lamenta. “Mais ainda quando conhecemos a crise que hoje afeta a construção, que depois se traduz na falta de licenciamentos na câmara e reduz substancialmente uma fonte de receita primordial”.

José Carlos Clemente

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no emaranhado de ruas, ruelas, becos e travessas da Baixinha, onde predomina a função comercial, que se desenvolve a maior parte da freguesia de S. Bartolomeu, conferindo-lhe um aspeto muito peculiar. Destaca-se neste espaço a praça Velha ou do Comércio, anteriormente denominada por praça de S. Bartolomeu, que sedesenvolve entre a igreja românica de S. Tiago que remonta ao século XII e o templo religioso barroco de S.Bartolomeu atribuível ao século XVIII. Na Igreja de S. Bartolomeu a sua edificação é muito antiga, sabendo-se que existia já em meados do século X, conforme testemunha um documento que informa que a igreja foi doada ao Mosteiro do Lorvão já em 957. O primitivo templo foi reedificado no século XII em estilo românico. O atual templo foi erguido com traça em estilo barroco muito simples. No exterior, são de realçar o portal e as duas torres sineiras. O interior é constituído por uma nave e uma capela-mor, onde se pode observar um retábulo de talha dourada e marmoreada, típico do século XVIII. A Baixa de Coimbra é um local privilegiado da cidade, onde se misturam o comércio, com

séculos de História, habitação, cultura, espaços verdes e lazer. A cidade acolhe um património com um valor arquitetónico, cultural e natural de grande interesse que reflete os grandes momentos da história, não só de Coimbra, como de Portugal. Contudo para além de um vasto leque de restaurantes e pastelarias encontra-se, em quase todos estes espaços, a doçaria típica de Coimbra e da região, como os pastéis de Santa Clara e as arrufadas de Coimbra. Coimbra é cidade de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos medievais, na qual foi berço do nascimento de seis reis de Portugal e da Primeira Dinastia, assim como da primeira Universidade do País, uma das mais antigas da Europa. No século XII, Coimbra apresentava já uma estrutura urbana, dividida entre a cidade alta, designada por Alta ou Almedina, onde viviam os aristocratas, os clérigos e, mais tarde os estudantes. José Carlos Clemente, presidente da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu, refere que “o casco histórico desta cidade desenvolve-se na encosta de um morro e que oferece ao visitante uma agradável surpresa, um percurso pelas suas ruas estreitas com bares e alguns restaurantes, intercaladas com ricos monumentos”. Quanto à Universidade de Coimbra e a Rua Alta e Sofia terem sido classificadas Património Mundial da Humanidade, o autarca declara que “a valorização e o reconhecimento pela UNESCO da Universidade de Coimbra como património da humanidade é, naturalmente motivo de grande satisfação para todos nós, a classificação sublinha a importância do papel da Universidade de Coimbra na afirmação da língua e da cultura portuguesa”.


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Choupal a mata que alberga a maior colónia urbana de milhafre-preto SÃO JOÃO DO CAMPO É UMA FREGUESIA LOCALIZADA ÀS PORTAS DA CIDADE DE COIMBRA, INTEGRADA EM PLENO BAIXO MONDEGO. É CONSTITUÍDA PELOS LUGARES DE S. JOÃO DO CAMPO E CIOGA DO CAMPO, SITUADOS NA ZONA DE MONTE, POR CONTRASTE COM A PLANÍCIE ALUVIAL EM REDOR – O CAMPO

Freguesia de Antuzede com vista para o futuro ANTUZEDE É UMA FREGUESIA SITUADA A CERCA DE SEIS QUILÓMETROS DA CIDADE DE COIMBRA E UMA DAS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS RELACIONA- SE COM O CONTRASTE DA SUA PAISAGEM. ESTA MOSTRA- NOS, POR UM LADO, A PARTE POPULACIONAL EM PEQUENOS AGLOMERADOS DE CASA E DE OUTROS EDIFÍCIOS E, POR OUTRO, A SUA GRANDE DISPERSÃO, SENDO O ESPAÇO ENTRE OS LUGARES COMPLETADO COM ÁREA FLORESTAL E CAMPO DE CULTIVO.

Diamantino Jorge, Presidente da Junta de Freguesia de Antuzede

Firmino Victor, Autarca de Torres do Mondego

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om 7.31 quilómetros quadrados de área, é o campo que marca fortemente a paisagem, com vegetação rica e variada, despontando de solos fertilizados pelos materiais orgânicos trazidos pelas cheias do Mondego e Vala do Norte. A denominação de “Lavarrabos” foi alterada porque teria sido uma Rainha a responsável pela atual denominação, pois vinha de Coimbra com destino a Oeste, “Tentugal, Montemor-o-Velho, ou Figueira da Foz” e notou como era árduo passar a Vau da Vala de Ança, na entrada para S. João do Campo, por não existir aí uma ponte, intercedeu para que tal ponte fosse construída e que o nome da terra passasse a ser São João do Campo, visto que a sua passagem se deu no dia da festa de S. João Baptista, padroeiro da Freguesia O presidente da Junta de Freguesia, José Luís Pimenta, afirma que “duas das personagens mais importantes que viveram na freguesia foram Jaime Cortesão e Armando Cortesão, grandes vultos da Literatura, História, Ciências e Política Portuguesas”. Quanto a gastronomina a freguesia tem: Fritas, Chanfana, leitão, robacos fritos, vinhos maduros produzidos através das vinhas situadas junto à Freguesia de Ançã. (Zona intermédia Bairrada/ Cantanhede), bolo da Páscoa, arroz doce, pastéis de Tentúgal e barrigas de freira. Tem como Património edificado a Igreja da Imaculada Conceição na Cioga do Campo com data de 1734, sendo a Igreja Matriz da paróquia, e a atual Igreja Matriz edificada no ano de 1883, sob uma capela do séc. XVII com retábulos e altares em talha dourada, de colunas e arcos retorcidos, em ramadas de pâmpanos que vieram do Mosteiro de Sandelgas de Nossa Senhora de Campos.

Nos finais do séc. XIX, S. João do Campo registou um crescimento urbano digno de referência, de que são testemunhas edificações antigas de inegável interesse como a Casa Seiça, Casa das Rosas, Casa de Jaime Cortesão, Casa do Sr. Serafim e algumas casas de outras famílias abastadas e ainda o cruzeiro, e o passeio do Largo da Cruz, a Fonte Larga, a ponte de pedra situada na entrada principal. A Mata Ribeirinha da Geria, com cerca de 20 hectares, é ladeada por dois cursos de água, a Vala do Norte e o leito do Rio Velho, e é provavelmente, tão antiga quanto a Mata do Choupal, afirma João Couto futuro candidato à assembleia “que era a mata, a nível europeu, onde existiam mais milhafres, que estão em vias de extinção, as famílias iam para lá conviver e uma zona de lazer mas hoje em dia é impossivel as famílias irem para lá”. Todos os anos esta ave de rapina, invade a partir de Março, os céus de Coimbra e do Baixo-Mondego. É a ave mais emblemática do Choupal. Esta mata alberga a maior colónia urbana de milhafre-preto de que se tem conhecimento na Europa, mais de 70 ninhos. Aqui constroem anualmente os seus ninhos e efetuam os rituais de acasalamento. Esta mata foi em tempos traçada para usufruto e lazer da população local, e disso restam marcas como a alameda de amoreiras negras e brancas, as tílias, uma araucária, castanheiros-da-índia e olaias, que são espécies predominantemente ornamentais. Relativamente a Universidade de Coimbra ter sido Património da Humanidade o presidente declara: “Já deviam ter participado há mais anos, porque cada ano que passa, mais a Universidade se vai degradando, sendo que esta consagração é uma mais-valia para toda a gente de Coimbra, inclusive para as freguesias”.

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ntuzede tem como património a Capela da Nossa Senhora da Piedade, com o seu interior constituído por um conjunto escultórico raríssimo. Mostra-nos uma Descida da Cruz, aparecendo Cristo morto, rodeado da Virgem, sua mãe, e soldados romanos que o ajudam a descer. O conjunto é do séc. XVII, embora com “restauro” de policromia recente. A Capela de Santo Adrião, que pertencia, à Quinta de D. André de Almada, por quem foi mandado construir. A Casa da Quinta do Regalo, do séc. XVI – XVII, está construída em forma de L, tendo pertencido aos Coutinhos de Coimbra, donatários da Baía. A casa possui uma pequena capela exterior e o seu interior é composto de uma só nave e um arco simples serve de capela-mor. À beira da estrada há ainda uma fonte seiscentista. A Igreja Paroquial de Antuzede, na qual foi reformada no séc. XVIII, segundo o estilo popular barroco. Possui uma fachada ampla com porta centralizada e janela ao nível do coro alto com curvatura. Ladeiam-na dois fogaréus com uma torre campanário de duas aberturas, mostrando a sineira dupla geminada à sua esquerda. A igreja é espaçosa, de nave única e coro alto. Os retábulos, em estilo popular, são do séc. XVIII. No altar principal, vemos duas imagens em madeira, setecentistas de Santo Agostinho, à esquerda, e de São Teotónio, à direita. Ambas estão em mísulas douradas. Na parede lateral, num nicho do lado direito, está uma Senhora da Saúde, de tamanho normal, do séc. XVII, em estilo renascença. A pia batismal, tal como as pias de água benta, são hemisféricas, do séc. XVII. E a Igreja Paroquial de São Facundo, a casa da Quinta, de data desconhecida, apresenta características provavelmente do séc. XVII, sendo a nota de nobreza do conjunto dada pela capela privada.

Tem como coletividades, a Associação Desportiva de Antuzede, o Centro Social e Recreativo de Cidreira, uma Casa da Cultura, um Centro Cívico e o Ginásio Clube de Antuzede. Diamantino Jorge, presidente da Junta de Freguesia, afirma que “a freguesia de Antuzede fica às portas da cidade de Coimbra, com boas acessibilidades, com ótimas vistas da cidade e da serra, mesmo até ao mar. Temos uma rica gastronomia e além do mais, a sua gente é hospitaleira e sabe receber sempre bem quem nos visita. Por isso, penso que são ingredientes suficientes para motivar as pessoas a visitar esta freguesia”. Gastronomicamente, a freguesia esteve sempre muito ligada à presença das linhas de água que a atravessam. Assim, as famosas enguias fritas, o ensopado de enguias e os roubacos. Também a matança do porco é uma tradição que ainda hoje se mantém. No entanto, encontram-se ainda outros pratos, sobretudo em dias festivos, como é exemplo a chanfana, o cabrito, o borrego no forno, a galinha corada e o cozido à portuguesa. O autarca declara que “no que toca a artesanato, Antuzede tem a manufatura do passado, onde permanecem vivas as artes de cestarias em vime, pintura de azulejos, carpintaria e olaria, cujas peças são típicas do artesanato local, podendo serem adquiridas durante as várias festas da freguesia na qual estão expostas”. Questionado sobre o facto de a Universidade de Coimbra ter sido reconhecida como Património Mundial da Humanidade, o presidente comenta que “Coimbra já devia ter sido reconhecida há mais tempo, pois existe muita gente formada em Coimbra que anda pelo mundo, e é uma mais-valia para o país, a cidade e para as suas freguesias. Coimbra, para mim, é a primeira cidade, é a minha cidade do coração”. Agosto 2013

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JUNTA DE FREGUESIA DE RAMALDE

Um modelo de proximidade na vida autárquica O PO D E R LO CA L F O I, E M VÁ R I O S D O M Í N I O S, U M A DA S P R I N C I PA I S CO N Q U I S TA S D O PÓ S 25 D E A B R I L, S E J A P E L A D E M O C RAC I A PA RT I C I PAT I VA, T RA D U Z I DA N A L I B E R DA D E E L E I TO RA L E D E M O C RÁT I CA, N A E S CO L H A D O S CA N D I DATO S E N A R E A L I ZAÇÃO D E E L E I ÇÕ E S PA RA A S A S S E M B L E I A S D E F R E G U E S I A, A S S E M B L E I A S M U N I C I PA I S E CÂ M A RA S M U N I C I PA I S Manuel Maio, Presidente da Junta de Freguesia de Ramalde

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poder local é um instrumento indispensável para o desenvolvimento sustentado das regiões”. A expressão é de Manuel Maio, uma figura de proa quando se fala de poder local em Portugal. Dotado de uma experiência de 12 anos na gestão autárquica da freguesia de Ramalde, que fez crescer em densidade populacional e indicadores económicos em rácios muito superiores aos verificados na maior parte dos concelhos portugueses, acumula ainda como poucos habilitações académicas e conhecimentos científicos na área do poder local. Da conceção e implementação de políticas sociais e de case studies na área da educação ao fomento da cidadania e do trabalho comunitário, passando pela adoção de políticas assertivas promotoras da coesão e facilitadoras da inserção social, muito se falará do legado de Manuel Maio em Ramalde. O mesmo legado que, materializado em incremento da qualidade de vida dos seus eleitores, lhe poderá abrir em breve as portas da autarquia de Matosinhos… Encontra-se há 12 anos ao serviço da freguesia de Ramalde, projeta-se um novo exercício, agora no município de Matosinhos… Falar com o Manuel Maio é revisitar a história do poder local em Portugal… Trata-se de uma área que conheço muito bem não só na vertente prática, por força da experiência de 12 anos de autarca, mas igualmente no capítulo académico e científico. O meu mestrado é sobre o poder local, a minha licenciatura versou, em particular, as juntas de freguesia, estou a fazer um doutoramento na área das políticas públicas e dou ainda aulas sobre poder local. Portanto, estou perfeitamente à vontade para falar sobre o tema. O poder local foi, em vários domínios, uma das principais conquistas do pós 25 de Abril, seja pela

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democracia participativa, traduzida na liberdade eleitoral e democrática, na escolha dos candidatos e na realização de eleições para as assembleias de freguesia, assembleias municipais e câmaras municipais, seja pelos instrumentos alocados ao longo dos anos ao poder local. Uma parte importante desta vertente é aplicação da Carta Europeia de Autonomia Local (CEAL), ratificada por Portugal e entrada em vigor em 1991 e que define os princípios de coesão social e territorial, da subsidiariedade, um instrumento muito importante para os equilíbrios, poderes, competências e atribuições próprias e delegadas dos agentes do poder local. Esses três eixos parecem ter caído um pouco no esquecimento… Não estão esquecidos e creio até que têm evoluído… Aliás, a Associação Nacional de Municípios Portugueses é muito atuante, tal como a Associação Nacional das Freguesias e a prova encontrámo-la no facto de terem estado contra o recente modelo de reforma administrativa local. Não estiveram contra a reforma mas sim contra o modelo, tal como eu, que sendo de um partido da área do Governo, fui crítico em relação a essa matéria. O que foi feito, por aplicação do memorando de entendimento com a troika, (que é um argumento falacioso), não faz sentido porque o mesmo não faz referência às juntas de freguesia. O que se pode ler é a intenção de se criarem economias de escala, racionalizações e sinergias na gestão do poder local. No fundo, criou-se o estigma da reforma do Estado baseada no corte dos 4700 milhões. A reforma do Estado é muito mais do que isso… Só a nível autárquico (que representa uma parte pouco significativa da dívida e do défice público estrutural), onde temos 308 câmaras, se calhar, teria que haver a coragem de passar para 260

para criar mais escala e potenciar uma melhor gestão de meios e recursos. Existem forçosamente diferenças no seio do poder local, quando falamos na gestão de uma junta ou de uma câmara? Temos que separar o poder local em duas áreas: câmaras municipais e juntas de freguesia. Os executivos camarários têm atribuições, poderes e competências que as juntas não têm, daí que possam surgir situações assimétricas nos concelhos mais por falta de articulação e solidariedade institucional entre as juntas e as câmaras, fundamentalmente porque, por vezes, as juntas são de uma cor política diferente da das câmaras. Como consequência, poderá originar um afastamento total entre a câmara e a junta e quem fica invariavelmente penalizada é a última; ou entendem-se ou podem criar-se promiscuidades. Terá que haver, por parte do presidente da junta, uma capacidade de diálogo e reivindicativa muito profunda junto do presidente de câmara que, se for uma pessoa inteligente e de vistas largas, verá que tem no presidente de junta um parceiro que está a contribuir para o desenvolvimento

O PO D E R LO CA L D E V E R I A T E R M A I S CA PAC I DA D E D E I N T E RV E N ÇÃO E BENEFICIAR DE UMA M A I O R AG I L I ZAÇÃO R E L AT I VA M E N T E AO S S E U S P RO C E D I M E N TO S.

sustentado. Diria que existem ainda muitas arestas por limar no poder local, sobretudo neste tipo de relacionamentos institucionais em certos concelhos. Agora, o poder local tem sido, indiscutivelmente, a todos os níveis, um dos grandes motores de desenvolvimento territorial, social e de coesão. Fruto não só do aumento das receitas das câmaras, de novos meios e recursos e do acesso ao QREN e outros instrumentos financeiros. No seu discurso, fala por vezes em asfixia do poder local relativamente ao poder central. A que se refere em concreto? Por vezes, o poder central é demasiadamente castrador, criando asfixias. Também é verdade que existem alguns presidentes de câmara que, por vezes, exorbitam na gestão autárquica e dos dinheiros públicos e depois pagam todos por alguns… No âmbito da Carta Europeia de Autonomia Local, o Governo Central deveria descentralizar mais certas competências, o que resultaria numa otimização dos meios e recursos recursos. As escolas são um exemplo: as câmaras municipais têm a competência de

Ramalde em contra-ciclo com… Matosinhos “Esta foi a única junta de freguesia do Porto que teve crescimento populacional nos últimos dez anos. De terceira freguesia da cidade em população, passou a segunda, apenas se situando atrás de Paranhos, que tem um pólo universitário, onde flutuam cerca de 12 mil pessoas por ano. Ramalde cresceu essencialmente porque oferece uma qualidade de vida com a qual as pessoas mais se identificam e cresceu com uma população que vem de fora do Porto. Enquanto as outras freguesias perdem população porque as pessoas saem do Porto para outros concelhos, Ramalde vai buscar pessoas a outros municípios. Este fenómeno, muito interessante, tem a ver com os chamados fatores de atração e competitividade. Contrariamente, por exemplo, a Matosinhos que perdeu nos últimos anos cerca de 18 por cento do seu tecido empresarial – e estou a fazer uma comparação entre um concelho e uma freguesia – Ramalde não perdeu tecido empresarial, antes pelo contrário; cresceu ainda muito em população e na área dos serviços graças a fatores como a mobilidade, acessibilidade, qualidade ambiental e de vida. Pelo contrário, o desenvolvimento de Matosinhos, onde vivi 27 anos, não é nem nunca foi sustentado. Daí as assimetrias, os desequilíbrios até urbanísticos… Havia fábricas de conservas, deitam-se abaixo e fazem-se edifícios. Há uma forte densidade, sem capacidade de resposta para populações que depois se concentram, o que revela falta de estratégia e de visão. E nem quero especular quando as coisas crescem de forma tão desorganizada na área do urbanismo”.


JUNTA DE FREGUESIA DE RAMALDE

AS PRÓPRIAS CÂMARAS, QUE CONHECEM OS SEUS TERRITÓRIOS, É QUE DEVERIAM TER DESCONCENTRADOS ALGUNS DESSES SERVIÇOS, O QUE CONSTITUIRIA ATÉ UMA FORMA DE RACIONALIZAR OS RECURSOS HUMANOS E TÉCNICOS DA FUNÇÃO PÚBLICA EM DIVERSAS ÁREAS.

intervenção na área administrativa, logística e dos recursos humanos não pedagógicos até ao primeiro ciclo do ensino básico. Os jardins-de-infância e as escolas primárias são da responsabilidade das câmaras (que por vezes delegam nas juntas). Já as EB 2/3 são da competência do ministério, o que resulta, muitas vezes, em conflitos operacionais e de gestão. Temos, como exemplo, um diretor de um agrupamento de escolas que tem que lidar, nas questões administrativas, com uma entidade que é o ministério e com outra que é a câmara… Obviamente, a escala de gestão de recursos, nesse domínio, nunca se faz de forma racional. Se falarmos da gestão do território, ou seja, dos solos, as câmaras têm muitos poderes (PDM) mas existe depois uma série de instituições desconcentradas ligadas ao Poder Central que, sendo organizações não eleitas, por vezes, quando as relações pessoais ou institucionais não são as melhores, constituem óbices contra o poder dos presidentes de câmara, que

foram eleitos pelo povo. Existe uma série de situações que encravam o sistema. E o poder local deveria ter mais capacidade de intervenção e beneficiar de uma maior agilização relativamente aos seus procedimentos. O mesmo sucede quando alguém pretende realizar um determinado investimento: existem inúmeros constrangimentos e barreiras burocráticas nas mais diversas áreas. Se pretendo construir uma fábrica aqui em Ramalde e começar a elaborar hoje um projeto, só daqui por cinco anos (a correr bem) estarei a inaugurá-la… O projeto vai à Câmara, à CCDRN, ao instituto da água, a não sei a quantos institutos mais… Quando deveria estar tudo concentrado numa câmara, que deveria ter o seu departamento específico, em que o empresário, o investidor, o cidadão só teria que se dirigir a um organismo, que em articulação permanente com o requerente deveria reunir todos os pareceres e estudos necessários. Como empreendedor, se quero um licenciamento para uma

determinada área, a câmara municipal deveria ter um departamento especializado para estudo de projetos, análise, avaliação e decisão. Assim, o Estado Central, eliminaria esses institutos, departamentos e organizações paralelas, e desconcentraria nas câmaras todas essas competências, agilizando procedimentos e racionalizando recursos. Se houvesse regionalização, faria mais sentido com um Governo Regional… As CIM, apesar de o alcance ser interessante, também não funcionam porque não são eleitas. . . As próprias câmaras, que conhecem os seus territórios, é que deveriam ter desconcentrados alguns desses serviços, o que constituiria até uma forma de racionalizar os recursos humanos e técnicos da função pública em diversas áreas. …Talvez a regionalização constituísse uma solução… A regionalização, apesar de chumbada em referendo em 1997, está na Constituição e, como

tal, é para cumprir. Quando, em 2002, foi criado um novo patamar que, sob o ponto de vista jurídico, não é poder local, as comunidades intermunicipais, o espírito era agilizar os municípios, centrando algumas áreas de interesse global. Simplesmente, as CIM não têm legitimidade democrática e, como tal, originavam o tal efeito castrador. As autarquias, no âmbito da lei, podem estar organizadas em volta das suas juntas metropolitanas, mas estas estão privadas de poderes de natureza financeira, de gestão de meios, acesso a recursos ou instrumentos e votadas apenas a uma intervenção de natureza política. São órgãos meramente políticos, constituídos por presidentes de câmara de várias cores partidárias e, depois, também correm o risco de não funcionarem.

A S A U TA RQ U I A S, N O Â M B I TO DA L E I, PO D E M E S TA R O RG A N I ZA DA S E M VO LTA DA S S U A S J U N TA S M E T RO PO L I TA N A S, M A S E S TA S E S TÃO P R I VA DA S D E PO D E R E S D E N AT U R E ZA F I N A N C E I RA, D E G E S TÃO D E M E I O S, AC E S S O A R E C U R S O S O U I N S T R U M E N TO S E VOTA DA S A P E N A S A U M A I N T E RV E N ÇÃO D E N AT U R E ZA PO L Í T I CA.

O S E X E C U T I VO S CA M A RÁ R I O S T Ê M AT R I B U I ÇÕ E S, PO D E R E S E CO M P E T Ê N C I A S Q U E A S J U N TA S N ÃO T Ê M, DA Í Q U E PO S S A M S U RG I R S I T U AÇÕ E S A S S I M É T R I CA S N O S CO N C E L H O S M A I S PO R F A LTA D E A RT I C U L AÇÃO E S O L I DA R I E DA D E INSTITUCIONAL ENTRE A S J U N TA S E A S CÂ M A RA S, F U N DA M E N TA L M E N T E PO RQ U E, PO R V E Z E S, A S J U N TA S S ÃO D E U M A CO R PO L Í T I CA D I F E R E N T E DA DA S CÂ M A RA S.

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UNIÃO CICLISTA DE SOBRADO

Inovar na profissionalização, para investir no sucesso

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uando em 2004 a União Ciclista de Sobrado (UCS) foi constituída, por iniciativa do empresário Albino Rodrigues – da Casactiva - a ideia dominante foi a de um dia podermos vir a contar com uma equipa de ciclismo profissional e consequentemente participarmos na Volta a Portugal. Tivemos necessariamente de esperar algum tempo, mas este nosso projeto mereceu não só a credibilidade de uns tantos, como contou com a solidariedade e o aplauso de muitos outros, tendo-nos conduzido à presente data repletos de ambição desportiva e empenhados numa afirmação de um ciclismo de qualidade à escala nacional e internacional. Eis-nos pois chegados, à «OFM /Quinta da Lixa / Goldentimes», uma “Equipa de Ciclistas”, que têm trazido um novo perfume à modalidade e igualmente tem brindado o nosso público aficionado com um conjunto de resultados “surpresa”, que indiciam um futuro, que proclamamos de promissor no universo velocipédico. O nosso próximo desafio é, contribuirmos com o nosso melhor desempenho desportivo, para dignificar e prestigiar a “75.ª edição” da maior competição desportiva nacional – A Volta A Portugal em Bicicleta – naturalmente, sonhando e ambicionando vencer esta clássica do ciclismo internacional, disputando a todos os nossos ilustres e dignos concorrentes, as oportunidades do sucesso individual e colectivo. Trata-se, sem dúvida, de um acontecimento desportivo muito importante, no que ao ciclismo nacional diz respeito, e muito particularmente para

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as colectividades deste desporto em Portugal, de onde se destaca pela sua importância e inegável tradição e qualidade, a UCS-União Ciclista do Sobrado, domiciliada na Freguesia do Sobrado, Concelho de Valongo. De registar, que a União Ciclista do Sobrado (UCS) soube crescer de forma sustentada e inclusiva, tendo somado inúmeros êxitos no escalão sub-23, sempre com a convicção de estar a construir e a consolidar os alicerces, que lhe permitissem alimentar a esperança, de um dia, poder ombrear e disputar com outras tantas “Equipas do Ciclismo Profissional”, as provas do quadro de honra velocipédico nacional, bem como, outras competições de prestígio do ciclismo internacional. Porventura poderíamos ter antecipado esta nossa chegada, mas valeu a pena termos sabido esperar e sobretudo termos aprendido a controlar a nossa ansiedade - pois, finalmente, o sonho concretizou-se. Este é um prémio, para a terra que nos acolheu e uma vitória para as suas gentes, que sempre devotaram uma especial paixão pelo ciclismo, paixão essa que está diretamente ligada a todos quantos acreditaram em nós, muito especialmente os nossos familiares e os nossos principais patrocinadores e demais promotores. Temos consciência, de que muitos serão os olhos atentos à nossa prestação e desempenho, na prova rainha do ciclismo nacional - A Volta A Portugal em

Bicicleta - pois o nosso trajeto até aqui tem sido feito de gratas surpresas e outras tantas vitórias. A, Equipa «OFM /Quinta da Lixa /Goldentimes» tem estado a responder positivamente aos desafios que se lhe colocam, de tal forma, que os atletas que a compõem irão encarar mais esta “Prova Velocipédica” com o profissionalismo que se lhes exige e igualmente com um enorme respeito pelos seus adversários, sabendo de antemão, que também estes quererão levar de vencidos os seus propósitos. Ainda, no âmbito da maior prova do ciclismo nacional, a Equipa «OFM / Quinta da Lixa / Goldentimes» não deixará de tudo fazer, para honrar e prestigiar as figuras de Fernando Moreira; Joaquim Leão; e Nuno Ribeiro, grandes campeões do ciclismo nacional, nascidos em Sobrado, e que inscreveram os seus nomes no “Livro de Honra da Volta a Portugal”. Reiteramos todo o nosso empenho na luta pelo sucesso individual e colectivo desta Equipa Ciclista e sua continuada afirmação no plano desportivo nacional e internacional, animados pelo propósito de fazer a alegria de todos aqueles que acreditaram em nós e honrarmos a tradição ciclista do Sobrado, que ostentamos com muito orgulho e vaidade.

… é este, o principal desígnio de uma Equipa alicerçada no colectivo, dignificada pelos seus valores individuais e merecedora do apoio e patrocínio de organizações e entidades de prestígio nacional e internacional. José Barros Diretor Desportivo da Equipa «OFM / Quinta da Lixa / Goldentimes» www.ucsobrado.com


ENSINO DE QUALIDADE

Mais do que uma escola, uma lição de vida

O ST. PETER’S SCHOOL, UM ESTABELECIMENTO DE ENSINO BILINGUE, FOI FUNDADO EM 1993, TENDO POR BASE EDUCATIVA A FORMAÇÃO COMO FUNDAMENTO DO DESENVOLVIMENTO DOS SEUS EDUCANDOS.

Isabel Simão

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uem encabeça este projeto é Isabel e Armando Simão, que se dedicam de corpo e alma a um dos mais reconhecidos estabelecimentos de ensino a nível nacional. Com três hectares de propriedade e cerca de 200 funcionários, o Projeto Educativo incorpora um Currículo Bilingue na Língua Portuguesa e Língua Inglesa em todas as valências de ensino. A ação educativa tem valores de excelência académica e moral. Assegurando um elevado nível pedagógico, garantindo um ensino de qualidade e proporcionando aos alunos uma sólida formação pessoal, construída através do desenvolvimento e aprimoramento da aquisição de conteúdos programáticos, competências, valores, atitudes e comportamentos. O Colégio tem como prioridade e missão formar cidadãos seguros do ponto de vista humano e intelectual. A metodologia didático-pedagógica assenta essencialmente na atividade do aluno, partindo do princípio de que este é o principal agente da sua própria aprendizagem, incumbindo ao professor, a tarefa de organizar e orientar as atividades de aprendizagem e de assegurar um ambiente de trabalho agradável e um clima de empatia entre os diferentes intervenientes da sala de aula. Este modelo de ensino contempla ainda as «School Assemblies», cuja principal intenção/função consiste em promover o desenvolvimento da inteligência interpessoal, potenciando nos alunos a

preocupação com o bem-estar dos demais. Nestes encontros são explorados valores caracterizadores de uma comunidade educativa atenta e responsável, nomeadamente conceitos como a tolerância, a honestidade e a cooperação. As relações com os encarregados de educação fazem parte de todo o processo educativo, e por isso, tanto a escola como a família têm papéis distintos a cumprir. Isabel Simão, diretora do Colégio, afirma que “a escola tem que formar cidadãos enquanto que a família tem que formar seres humanos”. O Colégio dispõe ainda de um ensino personalizado nas diferentes áreas curriculares, que consiste num serviço de apoio individual ou em pequenos grupos. Este conjunto de princípios assenta no exercício de uma prática de educação efetiva que releva não apenas o aspeto cognitivo, mas também os aspetos ético, estético e afetivo das aprendizagens, tomando aqui como principal orientação a constância de uma permanente e sistemática atuação conjunta dos valores e dos afetos. É igualmente um estabelecimento de elevado nível pedagógico, gerido pela iniciativa privada, contribuindo para uma adequada apreensão de conhecimentos nos diferentes níveis de educação, recorrendo aos meios que permitam uma inserção adequada na sociedade, uma crescente taxa de sucesso escolar dotando os jovens de uma sólida estrutura física, psicológica, moral e intelectual. O St. Peter’s School teve um crescimento

progressivo, com objetivos claros de constante aperfeiçoamento, primando pelo rigor, idoneidade e uma visão inovadora e de vanguarda. Isabel Simão defende a ideia de que “o sucesso de uma escola começa nos adultos, ou seja, no grupo que forma essa escola, não só docentes como não docentes”. Afirma que “está presente permanentemente”, mas que o mais importante é a intervenção do docente e do discente. É imprescindível que esse grupo “viva intensamente o projeto”, refere a interlocutora. O colégio St. Peter’s School dinamiza uma grande diversidade de atividades, eventos, notícias, palestras, entre outros. Isabel Simão garante sentir-se orgulhosa com os resultados obtidos pelo colégio, não só pelos valores do ranking, mas sim pela demonstração que as ferramentas internas mostram. No dia em que celebrou 20 anos, o St. Peter’s School foi distinguido com o certificado “Safe Food Handling – Platinum”, o qual reconhece a implementação de um sistema de higiene e segurança alimentar com o nível máximo de qualidade. A entrega do prémio decorreu nas instalações do St. Peter’s School, tornando-se deste modo o primeiro estabelecimento de ensino em Portugal a ser reconhecido com categoria de mérito “Platinum” em Segurança Alimentar. O rigor é conseguido porque desde cedo os alunos são encaminhados para comportamentos de ordem e educação. Os educandos, quando começam a frequentar o colégio aos três anos de idade, são preparados para enfrentar com gosto e dedicação os estudos, e esse é um dos motivos pelos quais todos estudam por gosto e não por obrigação. Desde cedo que os alunos são orientados para trabalhar e alcançar bons resultados. Isabel Simão esclarece que os alunos “começam a fazer grafismos aos três anos, pelo que aos cinco já sabem escrever e ler”.

O ensino é tão amplo que permite aos alunos “entrar nas melhores universidades estrangeiras e se optarem pelo Felician College nos Estados Unido, com quem o Colégio tem um protocolo, estão dispensados de prestarem provas de ingresso”. Isto tudo se deve à certificação que lhes é dada em inglês. No 12.º ano os alunos já se preocupam com as suas candidaturas e só no espaço da última semana quatro alunos já pensaram no seu futuro e o colégio já enviou as suas candidaturas. Mas não é só da língua inglesa que se faz o currículo dos estudantes do St Peter’s School. Está também presente o alemão, o espanhol, o latim e o mandarim. Este último idioma surgiu para dar a resposta aos encarregados de educação que consideravam que esta língua seria uma mais valia para o futuro dos estudantes. Contudo, o objetivo da instituição passa sempre por enriquecer o currículo dos alunos, pelo que a oferta de aulas extracurriculares é muita vasta. Assim, os seus discentes podem refinar e aprender noutros campos que não só os linguísticos, como são exemplo as ferramentas desportivas, culturais e artisticas. A língua portuguesa revela-se fundamental para o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Isabel Simão acrescenta que “quem tiver dificuldade na língua portuguesa, não concretiza com sucesso determinados conteúdos nomeadamente a matemática”. Já no ensino superior, os alunos do St Peter’s school recebem sempre especial destaque, não só pela média que apresentam, mas também pela postura de forte intervenção que adquiriram na escola e que espalham na universidade. A escola preocupa-se com o futuro dos jovens e dá especial atenção a tudo aquilo “que os nossos jovens podem precisar”, pelo que Isabel Simão se sente orgulhosa por saber que, aqui, se abrem portas para este mundo global e se criam bases para o futuro. Agosto 2013

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INDÚSTRIA TÊXTIL EM PORTUGAL

Valorizar e intensificar a fileira Têxtil

A ATP – ASSOCIAÇÃO TÊXTIL E VESTUÁRIO DE PORTUGAL É UMA ASSOCIAÇÃO NACIONAL QUE REPRESENTA UM UNIVERSO DE MAIS DE 500 EMPRESAS DO SETOR, CUJA FATURAÇÃO ULTRAPASSA OS TRÊS MILHÕES DE EUROS E CUMPRE, A QUASE CEM POR CENTO, O GRANDE DESÍGNIO NACIONAL: A EXPORTAÇÃO.

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Paulo Vaz, Diretor Geral da ATP

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aulo Vaz é o rosto que apresenta a ATP e nos dá uma ideia de que como se encontra, hoje, o setor do têxtil e do vestuário de Portugal. Antes de mais, e segundo o nosso interlocutor, importa contextualizar a ATP: “A ATP é uma associação que resultou da fusão da Associação Portuguesa das Indústrias de Malha e de Confeção e da Associação Portuguesa dos Têxteis e Vestuário, em 2003”. A fusão permitiu que esta se tornasse na mais representativa organização do setor. No entanto, e mais recentemente, “quisemos dar um passo maior e impulsionamos também a fusão da Associação Nacional das Empresas Têxteis, concentrando ainda mais a atividade numa só representação nacional. Esta é também uma forma de conseguirmos criar uma representatividade geral, conseguindo juntar na ATP toda a fileira do setor têxtil em Portugal”. A ATP representa, hoje, o setor têxtil desde a fiação à distribuição e contribui em muito para uma valorização deste setor de importante relevo para o país uma vez que esta fileira é altamente exportadora e emprega cerca de 35 mil pessoas, diretamente, e cria uma dinâmica na economia indireta muito forte. Apesar de se associar uma imagem negativa ao setor têxtil – fruto de muitas falsas notícias que vão surgindo nos órgãos de comunicação social – este é um importante representante da economia nacional e, nos últimos anos, soube evoluir como nenhum outro. Paulo Vaz apresenta a capacidade de adaptação e resiliência dos empresários como fator chave para o sucesso cada vez maior desta indústria que, ao longo dos tempos, foi sofrendo algumas amarguras. Contudo, e tendo existido empresas que fecharam portas, “a grande maioria das empresas que compõem esta fileira soube inovar, transformar-se e ser capaz de fazer a uma economia nacional cada vez mais retraída”. E é precisamente este o fator diferenciador do setor têxtil, a capacidade de se distinguir pela qualidade: “Portugal, ao nível do têxtil, nunca poderá singrar por via do preço já que a nossa indústria é demasiado evoluída para conseguir ser competitiva por esta via. O que acontece é que as empresas portuguesas têm ganho mercado naquilo que é o valor acrescentado, ou seja, hoje distinguimo-nos porque oferecemos aquilo a que chamamos engenharia do produto que não é nada mais do que aliar a qualidade, ao design, à criatividade, inovação e resposta célere. Neste momento, conseguimos oferecer ao cliente a capacidade de transformar uma ideia em produto e isso sim, marca a diferença”. Para auxiliar os empresários a concretizar esta estratégia de diferenciação, a ATP conta com o apoio do CITEVE, um centro de conhecimento de altíssima qualidade e competência que ajuda as empresas a enveredar pelos têxteis técnicos, e pela Modatex, a escola profissional que aposta na formação de quadros técnicos já que o setor só se desenvolverá com quadros altamente qualificados. “O setor têxtil já não se coaduna com falta de recursos indiferenciados. Hoje, e cada vez mais, o futuro faz-se pela alta

qualificação e por conseguir dar produtos de altíssima eficiência e qualidade”. Abril marcou o mês de eleições na ATP e mais uma vez João Costa foi eleito presidente da Direção da associação. Apesar da continuidade, as exigências deste novo mandato continuam a ser altas e isso fez com que fosse delineado um programa de ação exigente e baseado naquilo que o setor necessita. Paulo Vaz aproveita para salientar algum dos pontos mais importantes deste mandado cujo lema é «Valorizar a fileira do setor têxtil e vestuário e moda. Intensificar a visibilidade da fileira e da associação». Antes de mais, “necessitamos aumentar a visibilidade da fileira Têxtil e Vestuário e Moda, com o objetivo de intensificar a sua valorização e a sua capacidade de influência. É também um objetivo, reforçar a proximidade da associação aos associados e captar novos associados, representando toda esta fileira de forma mais coesa”. É importante também redefinir os objetivos do Polo de Competitividade da Moda, promovendo programas anuais de internacionalização, promover ações de formação mais orientados para as empresas e desenvolvendo projetos nacionais e internacionais, juntamente com o CITEVE, por exemplo. Paulo Vaz destaca ainda a intenção de criar um plano estratégico até 2020, “permitindo que as empresas saibam quais os caminhos que se pretende seguir, capacitando-se para desenvolver os seus planos estratégicos individuais que lhes permita evoluir, inovar e tornar sustentável a sua atividade”. Não obstante todo o negativismo que se vive, Paulo Vaz considera que a indústria têxtil portuguesa possui um futuro risonho, sustentado nas exportações e na capacidade dos portugueses de encarar países emergentes como oportunidades de negócio. “Com este espírito de aventura, de trabalho real e de altas qualificações, penso que o setor têxtil se conseguirá singrar no mercado internacional, conseguindo assim fugir um pouco à degradação da economia nacional”.

O têxtil e vestuário em números O setor têxtil e de vestuário em Portugal tem um peso significativo e é, ainda hoje, uma das mais importantes indústrias do nosso país: • 9% do total das Exportações portuguesas; • 20% do Emprego da Indústria Transformadora; • 8% do Volume de Negócios da Indústria Transformadora • 8% da Produção da Indústria Transformadora.


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