Issuu on Google+

- Ano 2 - Número 8 - FEVEREIRO 2013 OCUPAÇÃO DO INCRA COBRA AGILIDADE PARA A REFORMA AGRÁRIA >PAG.2

RECANTO DA NATUREZA TEM CERTIFICAÇÃO DE LEITE ORGÂNICO >PAG.2

TERRA VERMELHA

BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU

CERTIFICAÇÃO ORGÂNICA NO ASSENTAMENTO IRENO ALVES

>PAG.3

No mês de fevereiro foram certificadas pela Rede Ecovida quatro famílias no Assentamento Ireno Alves dos Santos. O trabalho foi realizado com a equipe da ATER, juntamente com o grupo da Ecovida da região.

TRABALHADORES

BARRA DO TURVO

SEM TERRA SÃO

AGROECOLOGIA

ASSASSINADOS NO

X

RIO DE JANEIRO

>PAG.4

RENDA >PAG.4


PÁGINA 2 - TERRA VERMELHA

C

to será um sucesso, melhorando a vida dos agricultores participantes e suas famílias. Como reconhecimento, nosso projeto do leite orgânico foi escolhido a melhor proposta de sustentabilidade para o meio rural brasileiro em 2012 e recebeu recentemente um prêmio de R$ 100 mil. Esse recurso vai ser empregado na construção de um laboratório de homeopatia animal, para produzir medicamentos destinados ao rebanho leiteiro, sem contaminação química e reduzindo os custos de produção. Também recebemos milhares de doses de sêmen bovino de leite de alta qualidade genética para poder fornecer aos produtores integrados no projeto. E lançaremos um programa de melhoria de pastagens. Procure o movimento, converse com a equipe técnica e venha se somar a essas iniciativas! Para maiores informações: UFFS, para saber sobre o Curso de Especialização em Produção de Leite Agroecológico, (42) 3635 8650

INFORMAÇÕES DOS ACAMPAMENTOS DA REGIÃO CERTIFICAÇÃO DO LEITE ORGÂNICO NO ACAMPAMENTO RECANTO

O

acampamento Recanto da Natureza, localizado no municipio de Laranjeiras do Sul, com 19 familias que estão divididas em lotes de 5 há 7 alqueires desde 2006, todos com uma produção diversificada e agroecológica de alimentos, gerando auto-sustento para a familia. Em 13 anos de ocupação muitas coisas já foram feitas para uma produção saudavel de alimentos, visando sempre a agroecologia. No Acampamento ainda, algumas familias chegam a entregar 5 mil litros de

leite por mês para a cooperativa de leite orgânico, Coopera. E partindo dessas discussões da agroecologia que na próxima semana a equipe do conselho de ética da Rede Ecovida da região vai certificar 7 familias com produção de leite orgânico. As familias certificadas, além de terem o selo de produção orgânica em seus produtos, receberão o certificado de produção no lote, onde poderão receber 30% a mais nas vendas dos produtos para o PAA e PNAE. Foto- Andres Bedia

ompanheiros. Um de nossos maiores desafios é construir nos assentamentos um modelo de agricultura sustentável. No segundo semestre de 2013 estaremos inaugurando o laticínio agroecológico regional. Já contamos com cerca de 60 agricultores interessados na produção agroecológica do leite. Esse projeto visa produzir leite sem uso de agrotóxicos, hormônios, antibióticos e adubos químicos, com base na produção agroecológica e à base de pasto (PRV). Isso vai marcar a consolidação de uma alternativa produtiva de promoção da saúde das famílias, da preservação ambiental e da melhoria de renda. Temos diversas frentes de atuação em andamento: certificação de produtores interessados em produção agroecológica(Ecovida); Curso de Especialização em Produção de Leite Agroecológico, pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de Laranjeiras do Sul; e implantação do Fundo de Crédito Rotativo para estimular a produção de leite ecológico. Esse conjunto de atividades, mais a atuação da equipe de assistência técnica regional composta por 20 técnicos mostra que o proje-

LONA PRETA

Foto: Sebastião Salgado

EDITORIAL

CEAGRO- (42) 3635 4329 ATER- (42) 8425 3699

TRABALHADORES RURAIS OCUPAM INCRA EM LARANJEIRAS DO SUL

P

OCUPAÇÃO DO INCRA COBRA AGILIDADE NA REFORMA AGRÁRIA PARA A REGIÃO

ara fechar 2012 com chave de ouro e muita luta, cerca de 300 trabalhadores rurais Sem Terra ocuparam a unidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), de Laranjeiras do Sul, entre os dias 18 e 19 de dezembro, para apresentar uma pauta de reivindicações, buscando a reestruturação e manutenção dessa unidade, com o intuito de fortalecer o trabalho do órgão na região e cobrar a liberação imediata da Reforma Agrária. Uma das principais reivindicações foi a presença do superintendente Estadual do Incra, Nilton Bezerra Guedes, para receber a pauta e comprometer-se em solucionar as questões propostas com todos os trabalhadores ali presentes. No estanto, o superinten-

dente chegou apenas no dia 19/12, com isso os trabalhadores permaneceram os dois dias mobilizados na unidade do INCRA. Entre outros pontos na pauta estava a liberação imediata dos recursos e prorrogação do prazo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) dos assentamentos Ireno Alves dos Santos e Marcos Freire, que já possuem depositado em suas contas a quantia de R$ 5.402.397 e R$ 1.300.000, respectivamente. Além dos pontos de viabilização de recursos, outro é a desapropriação de terras, pois existem acampamentos na região com mais de 10 anos. Para o MST na região, isso é um descaso com as famílias que ali estão. O superintendente se comprometeu em fazer uma reunião no

final de fevereiro para desenrolar algumas coisas que ja estão marcadas, pois no final de ano todos os orgãos estaduais fechavam e não

se conseguia responder a pauta de imediato. Foto: Geani Paula


BOLETIM DO MST REGIÃO CANTUQUIRIGUAÇU - PÁGINA 3

CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS ORGÂNICOS NO IRENO ALVES nica tem como objetivo principal, mostrar e comprovar aos consumidores as diferenças que estes produtos possuem, em relação aos produtos convencionalmente cultivados. A certificação busca a construção de garantias ao consumidor de que o produto tem origem realmente orgânica. A certificação consiste em um conjunto de regras e de procedimentos, que assegura por escrito que determinado produto, processo ou serviço obedece às normas e às práticas da produção orgânica. A certificação de produtos orgânicos é geralmente apresentada sob a forma de um selo afixado ou impresso no rótulo ou na embalagem do produto. A certificação de produtos orgânicos exige uma série de cuidados, tais como: a desintoxicação do solo; o não uso de adubos químicos e agrotóxicos, a recomposição de matas ciliares; a preservação de espécies nativas e de mananciais. Foto- Geani Paula

Foto:Geani Paula

P

ara uma produção e comercialização saudável é o que o grupo da Rede Ecovida da região, juntamente com os técnicos da ATER estão fazendo um trabalho para avançar na produção agroecológica de alimentos, e assim geram mais renda as famílias. No assentamento Ireno Alves, em Rio Bonito do Iguaçu, os trabalhos já estão começando a dar resultados, pois foram certificadas 4 propriedades como produção orgânica. Anildo e Maria Welter, Aldo e Olivete Scarsi, João Maria e Edite Velloso, Darci e Teresinha Lira tiveram a visita da equipe do conselho de ética da Rede Ecovida nesse mês de fevereiro nas suas propriedades para saber se poderiam ou não ganhar a certificação. Todas as propriedades ganharam a certificação da Rede, e agora podem ganhar 30% a mais nas vendas para o PNAE e PAA e também na venda do leite. A certificação da produção orgâ-

H

oje o mercado de leite orgânico ainda é muito pequeno no país, não chega a 1% do que é produzido nacionalmente, mas a procura cresce graças às exigências do consumidor, que procura alimentos mais naturais e saudáveis. O manejo da propriedade para o leite orgânico é totalmente diferente e proíbe o uso de qualquer tipo de químico, seja na adubação da pastagem ou no tratamento sanitário, como carrapaticidas, por exemplo. O leite orgânico é produzido de forma completamente diferente do convencional. A pastagem não pode receber nenhum tipo de adubo químico, ela tem que ser desen-

P CONSTRUÇÃO DO LATICÍNIO

A

AS OBRAS ESTÃO CHEGANDO AO FIM

té setembro deste ano as obras do laticinio Iguaçu, no assentamento 8 de junho, em Laranjeiras do Sul, estarão prontas. Já conta-se com cerca de 60 agricultores interessados na produção agroecológica do leite. O projeto foi viabilizado por meio de recursos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária), e o programa Terra Sol. Até agora as obras, equipamentos e a montagem foram concluidas, porém para ope-

rar precisa ter o asfalto e a cerca. A capacidade do laticínio é de 20 mil litros por dia e tem por objetivo ser toda orgânica, sem uso de agrotóxicos, hormônios, antibióticos e adubos químicos, com base na produção agroecológica e à base de pasto (PRV). Essa é mais uma conquista da Reforma Agrária na região, onde os trabalhadores rurais dos assentamentos e acampamentos poderão gerar seu auto- sustento e para a família.

PRODUÇÃO DE LEITE ORGÂNICO volvida em sistema orgânico, os animais não podem receber nenhum tipo de antibiótico ou medicamento produzido quimicamente. Os produtores só podem utilizar produtos fitoterápicos, homeopáticos ou naturais. Os produtores de leite que querem entrar no sistema orgânico precisam ter no mínimo 12 meses de produção para entrar no sistema de transição. Somente após estes 12 meses o produto dele pode começar a ser considerado orgânico. Os custos de produção diminuem com a transição, pois assim o agricultor não precisa comprar adubos químicos, ração e remédios.

DOAÇÃO DE SÊMEN

ara ajudar no projeto de leite orgânico e o melhoramento genético dos animais, a Aberikin genética, um centro de inceminação da Espanha que tem parceria com a Araucária Genética Bovina, de Londrina-PR, fez

uma doação de 1000 doses de semên no valor de R$ 86.000,00 para o Ceagro. A doação sera usada para o aperfeiçoamento do projeto dos assentados da região que estarão produzindo leite orgânico.


PÁGINA 4 - TERRA VERMELHA

LUTADORES DO POVO CÍCERO GUEDES E REGINA DOS SANTOS ASSASSINADOS CRUELMENTE NO RIO DE JANEIRO

C

icero Guedes dos Santos, 48 anos, agricultor, assentado desde 2002, morava no Assentamento Zumbi dos Palmares, sitio Brava Gente no norte do Rio de Janeiro. Era uma referência na construção do conhecimento agroecológico tanto entre os companheiros de Movimento como também entre estudantes e professores da Universidade do Norte Fluminense. O agricultor Cícero Guedes dos Santos, desde o inicio da ocupação do seu lote em 2002, já possuía o desejo de ter em sua área diversidade de plantas, respeitando a natureza e aproveitando de tudo que ela poderia dar. A natureza, inclusive, foi a fonte de inspiração para esse tipo de consciência e o entendimento da mesma fez com que esse sentimento de preservação e convívio fosse dia-a-dia aumentando. Coordenador do acampamento Luiz Maranhão, localizado no parque industrial da Usina Cambahyba, Cícero, foi assassinado

TV EER RM ERL HAA Grupo Cooperativo da Reforma Agrária MST Cantuquiriguaçu Editado com a colaboração da parceria do MST com a Fundação Mundukide - MONDRAGON EQUIPE TÉCNICA: Coordenação: Andrés Bedia Editora: Geani Souza Desenho gráfico: Xabier Duo CONSELHO EDITORIAL: Elemar Cesimbra Laureci Leal Pedro Ivan Christoffoli Ciliana Federici Toni Escobar CONTATO PARA INFORMAR OU ANUNCIAR: Resp. Comunicação: Geani Souza Escritório CEAGRO-DEPES Rua 7 de Setembro, 2885 CEP: 85301-070 Laranjeiras do Sul - PR Tel: (42) 3635-4329 Email: comunicamst.centro@gmail.com TIRAGEM: 5.000 exemplares CIRCULAÇÃO: Acampamentos e Assentamentos da Reforma Agrária da região de Cantuquiriguaçu Este trabalho foi licenciado com Licença Creative Commons 3.0. Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos

com mais de dez tiros na cabeça por pistoleiros na madrugada de sextafeira (25/01/13), em Campos dos Goytacazes. Ele participou de uma reunião na noite anterior no acampamento e foi baleado em uma emboscada quando retornava de bicicleta para sua casa no assenta-

O

mento Zumbi dos Palmares. Dez dias após a execução a tiros de Cícero Guedes, outro integrante do movimento foi assassinado na região. A lavradora Regina dos Santos Pinho, 56, foi encontrada morta por asfixia,no dia 06/02, em casa, no assentamento Zumbi dos Palmares 4. Ela estava com um lenço amarrado no pescoço e com parte do corpo nu. Regina morava sozinha no seu lote e atuava no MST há dez anos, além de praticar atividades junto à Comissão Pastoral da Terra. Ela foi vista pela última vez no domingo, chegando de carona numa moto. A polícia chegou até a casa dela porque colegas estranharam o fato de Regina não ter comparecido à missa de Sétimo Dia de Cícero, de quem era muito amiga. O líder do MST morava num assentamento próximo ao lote da lavradora — Zumbi dos Palmares 1. As duas vítimas tinham o título de domínio do lote onde moravam, mas participavam de ações volta-

das para a reforma agrária. Com as duas mortes, o clima na região é de medo.

LEMBRO DELE

”Quero expressar em meu nome e em nome do nosso Grupo de Pesquisa a solidariedade aos familiares deste homem extraordinário e ao MST. A violência promovida pelos que concentram terra e riqueza precisa ter um fim. Urgem ações por parte do poder público que transformem esta realidade de desigualdade social. A Reforma Agrária certamente é uma entre outras medidas necessárias. Meu abraço fraterno” Ricaro Rezende Figueira Coordenador do GPTEC/UFRJ Professor e Padre. “É um crime bárbaro. Queremos ressaltar o nível de barbaridade deste assassinato e que as motivações sejam elucidadas” Marina dos Santos Dirigente do MST no RJ, fala sobre o crime com a lavradora Regina dos Santos

BARRA DO TURVO- AGROECOLOGIA X RENDA

Núcleo de agroecologia da Rede Ecovida Luta Camponesa realizou entre os dias 4 e 6 de dezembro de 2012 um intercâmbio para a Cooperafloresta na cidade da Barra do Turvo/SP que é divisa com o estado do Paraná. A Agrofloresta é a integração e interação entre preservação/ conservação, recuperação e produção. Em sistemas agroflorestais é possível programar e tornar uma floresta altamente produtiva. Para isso é importante potencializar a produção das árvores nativas locais e introduzir algumas espécies de outras regiões que se adaptam às condições locais. As agroflorestas são sistemas agroecológicos altamente desenvolvidos e sustentáveis, com muita produção de alimentos. A agrofloresta é um sis-

tema de produção que vem se mostrando muito adequado à realidade e condições da agricultura familiar. São excelentes os resultados das experiências que já estão em andamento em diversas condições e climas nas diversas regiões da América Latina. O intercâmbio foi realizado com 33 pessoas aqui da nossa região que participam dos grupos agroecológicos e tem interesse e alguns até um pequeno começo de agrofloresta e depois do intercâmbio irão potencializar, tendo a certeza que é uma atividade financeiramente viável e sustentável. É uma atividade que não demanda muita mão de obra, e tem muita produção de frutas, produção essa que a nossa região ainda é muito carente e por

isso a importância de se conhecer esse sistema e as experiências desse grupo da Cooperafloresta que possuem uma situação de solo fraco e poucos recursos financeiros, mas que trabalhando o manejo da floresta e a biodiversidade de plantas se consegue ter muita produção e com ela a comercialização

Foto: Valdemar Arl


Jornal Terra Vermelha #8