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Estado Adriano Chafik foi condenado após postergar por três vezes o julgamento

Da Redação

Após nove anos do Massacre de Felisburgo, os movimentos sociais finalmente conseguiram uma vitória em relação ao julgamento do réu confesso, Adriano Chafik. O fazendeiro foi condenado no dia 11 de outubro a 115 anos de prisão pelo Massacre de Felisburgo (MG), quando assassinou cinco sem terra e deixou outros 12 feridos em novembro de 2004, no acampamento Terra Prometida. Chafik foi culpado pelo mando e participação no ataque. O juiz Glauco Fernandes, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, começou a leitura da sentença à 1h59 e terminou às 2h24. Apesar da condenação, o fazendeiro deixou o Tribunal do Júri de Belo Horizonte em liberdade. Ao final da sentença, as centenas de integrantes do MST que acompanharam o julgamento no plenário do tribunal aplaudiram a decisão. “Foi condenado, falta prender. Começou a se fazer justiça, mas para completar tem que prender e fazer a Reforma Agrária”, disse Enio

Arquivo MST

Mandante do Massacre de Felisburgo é condenado a 115 anos de prisão

Adriano Chafik aguarda a condenação no Tribunal do Júri de Belo Horizonte

Bohnenberger, dirigente do MST. Também foi condenado a 97 anos e seis meses de prisão o capataz Washington Agostinho da Silva, que há 22 anos

trabalha para Chafik. Ele também ficará livre aguardando o julgamento dos recursos já apresentados pela defesa dos réus. O Massacre de Felisburgo acon-

Acampamento do MST no Paraná inaugura nova estrutura de Escola Itinerante Geani Paula Souza da Rosa Setor de Comunicação do MST

Arquivo MST

Mais de 400 sem terra acampados na antiga fazenda Variant, no município de Poreca-

Cerca de 2 mil pessoas participaram da inauguração

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tu (PR), inauguraram no mês de agosto (31) a nova estrutura da Escola Itinerante Herdeiros da Luta de Porecatu. Desde a ocupação da área, em novembro de 2008, os sem terra lutavam para assegurar o acesso funda-

teceu há nove anos e depois de várias manobras adiando por três vezes o julgamento, o juiz Glauco Soares determinou a condenação dos assassinos.

Entenda o caso

mental à educação, buscando garantir qualidade do ensino e as estruturas necessárias para o funcionamento da Escola Itinerante. “Nesses cinco anos a comunidade construiu um belo espaço de educação, trabalho e produção de alimentos que irá beneficiar o município de Porecatu, que pode crescer com mais alternativa de alimentação saudável”, disse Roberto Baggio, da coordenação do MST. A escola vai atender 80 crianças, adolescentes, jovens e adultos, desde a ciranda infantil, ensino fundamental, e médio. São dez salas de aula, refeitório, secretaria e biblioteca. Para a construção da escola houve investimentos do governo estadual e dos próprios acampados.

Réu confesso, Adriano Chafik teria comandado o ataque de pistoleiros que invadiram o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, e atearam fogo em barracos e plantações. As cinco vítimas foram executadas com tiros à queima-roupa e outras 12 pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas. Chafik conseguiu, poucos dias depois da confissão, por meio de habeas corpus, responder ao processo em liberdade. Quase nove anos depois da chacina, cerca de 60 famílias ainda vivem no assentamento e aguardam que parte da área seja desapropriada. Iniciado há 14 anos, o processo agora tramita no STJ.

Jornal Sem Terra • Set-out-Nov 2013

Jst 322  

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular! Rumo Ao 6º Congresso Nacional do MST: os desafios do movimento para os próximos anos, e a propost...

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