Page 1

S O I F A S E

D A JUVENTUDE D

O

tempo bate forte e contundente no peito daqueles que estão inquietos... É tempo de andarmos firmes e convictos unindo vozes ditas ou não ditas (na timidez do silêncio), juntando Bansky mãos, pés, olhares, frontes, sonhos, perspectivas e caminhos. A ausência de alguém pode causar suas consequências para a saúde humana fortes estrondos no amanhã que chega. É e o meio ambiente, a urgência de viabilizar não somente experiências isoladas em tempo mais do que nunca de nós! agroecologia, mas a produção de alimentos É tempo de debater arduamente os desa- sadios. Além disso, a necessidade de uma fios da Juventude Sem Terra no momento educação de qualidade e de caráter libehistórico, apontar caminhos e viver experi- rador, uma educação de classe, elementos ências, combater, integrar, fortalecer, orga- que fazem parte da nossa campanha connizar a luta e a participação. Um momento tra o fechamento das escolas do campo. propício para aprofundar discussões e temas pertinentes ao cotidiano da vida e sua Não podemos ignorar também as artimanhas de uma cultura promovida e esíntima ligação à luta mais ampla. timulada pelo sistema capitalista, com O momento de refletir sobre temas como uma fina intencionalidade de amortecitrabalho e renda, a auto-sustentação da mento de consciências, em contraposijuventude em áreas de assentamentos, a ção à urgente necessidade de construir cooperação, os impactos dos agrotóxicos e uma cultura revolucionária e dar um novo

significado à nossa própria cultura raiz. Esses temas perpassam o debate da Juventude Sem Terra, que nas suas jornadas com um caráter de agitação, mobilização e organização busca instigar a discussão dos nossos desafios no MST, bem como realizar ações concretas para fortalecer a luta da Reforma Agrária Popular e de toda a classe trabalhadora.

Mãos dadas Carlos Drummond de Andrade

E D U T N JUVE

É PRA LUTAR! M

uita gente fala que nas áreas da Reforma Agrária não existe juventude, mas há pelo menos 500 mil jovens nos assentamentos e acampamentos do MST espalhados pelo Brasil. Muitos fazem parte de coletivos, setores, espaços de coordenação, núcleos de base. No entanto, a maioria não participa das atividades do nosso Movimento. Portanto, é um desafio fazer um grande debate para integrá-los na nossa dinâmica de organização.

em um novo país? Alguns desses temas com certeza perpassam pela discussão de trabalho e renda, de educação, cultura, da própria sexualidade, gravidez inesperada e aborto. É hora de fazermos o debate sobre essas questões!

Diante disso, as dúvidas se multiplicam. Como a juventude pode participar e construir os espaços da organização e das articulações com outros movimentos do campo e da cidade? Essa resposta está imersa num profundo diálogo com a juventude.

Um fantasma comum de aparecer, por exemplo, é a questão do êxodo rural. A saída do assentamento em busca de renda, escolas, arte, acaba sendo uma solução imediata, e também individual. É uma mudança da vida pessoal sem que a realidade seja transformada. E ao mesmo tempo em que isso acontece, as discussões que temos acumulado mostram que a juventude quer ficar no campo, quer participar e propor mudanças.

Num diálogo que provoque a reflexão sobre questões cruciais como, por exemplo: o que os jovens esperam do MST? O que se espera dessa juventude? Quais seriam os temas mais importantes para a juventude neste momento? Quais os temas fundamentais quando se trata de pensar

Participar do MST é a possibilidade de encontrar um espaço coletivo onde se possa falar e ser ouvido sobre as demandas e expectativas que se tem dentro dos acampamentos e assentamentos. É colocar para o conjunto dos espaços da Reforma Agrária o desejo dos jovens de lutar

que fazem parte do processo permanente de construção do nosso Movimento.

Reúnam a juventude de todos esses espaços e façam uma discussão sobre a situação e desafios da nossa juventude. Quais os principais problemas que a Juventude Sem Terra enfrenta? Como é possível enfrentá-los coletivamente? Como podemos nos organizar e fazer as lutas dos jovens O presente jornal apresenta elemen- acampados e assentados? tos sobre esses temas para estimular, alimentar e ajudar no debate nas escolas e Não podemos perder a hora nem as oportunos grupos de jovens dos assentamentos, nidades! É tempo de teimosamente avançar que tocam as tarefas na área da produ- de mãos dadas (como diria o poeta Carlos ção, da educação, da juventude, da cul- Drummond de Andrade) com punho erguitura, da comunicação e tantas outras do e peito aberto à vida que se quer construir.

LEVANTA,

JUVENTUDE,

SEM TERRA

Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

pela conquista de direitos, atuando como sujeitos ativos e transformadores da própria realidade, não permitindo que outros falem em seu lugar. Nessa perspectiva, a juventude pode fazer com que o Movimento avance na luta por uma vida melhor, uma vida mais completa e intensa.

São diversas as formas de organização que podemos criar. Já existem muitas iniciativas interessantes. Podemos nos mobilizar por meio da música, do grafite, do esporte, de um grupo de teatro, nas roças coletivas, no lazer e no trabalho, em grupos de jovens, grupos de estudo, organizações de estudantes em nossas escolas, que tem um O Coletivo de Juventude do MST tem a grande potencial. Como podemos avançar tarefa de dar visibilidade sobre as quesnessas formas organizativas? tões que envolvem os jovens, organizálos nos assentamentos e acampamentos Ser militante para a nossa juventude é juse promover atividades políticas, econômicas e culturais. Essa discussão ganhou tamente criar perspectivas, um sentido para força nos encontros realizados na Uni- a vida. É fazer parte de um Movimento camp de 2000 a 2002, com a participação que luta para melhorar as condições da pode muitos jovens militantes Sem Terra. pulação do campo, por um país diferente, que combate a desigualdade, o pensamento Em 2005, na Marcha Nacional pela Re- único, o individualismo e o egoísmo. É pela forma Agrária, cerca de 60% de partici- luta, pela organização, pelas práticas coletipantes eram jovens, o que intensificou o vas, cultivando valores de companheirismo e debate. Outro marco na trajetória desse solidariedade, que muitos dos problemas que coletivo é o Seminário de Juventude da Coordenação dos Movimentos Sociais vivenciamos podem ser resolvidos, que a vida em 2006, bem como os Seminários da Via pode ser reconstruída, e que nossas áreas de Campesina realizados no mesmo período, assentamentos podem ser fortalecidas e reonde se fortaleceram debates importantes. feitas com a dignidade que merecemos.


A gente quer

CULTURA É MAIS QUE ANIMAÇÃO!

A

compensa financeiramente para o Estado. Só que um dos principais problemas para a baixa qualidade das escolas das cidades é o excesso de alunos. Estar nas aulas mas não ter atenção necessária do professor e não aprender é um problema tão grande quanto estar fora da escola. Nós temos que nos adaptar ou o Estado deve garantir os nossos direitos? Nesse sentido, nossa pergunta poderia ser: se a educação é um direito garantido em lei, por que uma escola Não é desistindo de viver no campo que não pode ter poucos educandos? Por que a nuse resolve essas questões, uma vez que os cleação não pode estar no próprio campo? centros urbanos não são uma solução para os problemas. Muito pelo contrário: o Por que precisamos sair do campo quando crescimento da população das cidades tem queremos ir para a universidade? como consequência falta de emprego, de educação com qualidade, saúde, moradia e alimentação. Por isso, vemos na TV tantos Menos escolas, casos de violência... realidade em que vivemos no campo brasileiro nos faz refletir sobre como podemos superar tantas dificuldades para continuar vivendo em um lugar em que milhares de crianças, jovens e adultos têm seus direitos fundamentais negados pelo Estado. Sem terra, trabalho, renda, uma boa casa, posto de saúde e educação básica...

O MST, a partir da luta pela Reforma Agrária, tem demonstrado o potencial de organização quando aliamos a defesa dos direitos fundamentais a um projeto popular dos trabalhadores. Em toda a nossa trajetória de luta, somente quando nos organizamos conseguimos romper a cerca dos latifúndios que impedem o acesso às políticas públicas ao povo do campo. Assim é em relação à Reforma Agrária, assim é em relação à educação.

menos estudantes...

No meio rural, em 2002, existiam 107.432 escolas. Já em 2009, reduziu para 83.036. Foram fechadas 24.396 escolas, sendo 22.179 municipais. O número de matrículas no meio rural, nos referidos anos, reduziu de 7.916.365 para 6.680.375 educandos. Um número de 1.235.990 de jovens estão sem escola ou foram obrigados a estudar na cidade.

No conjunto das ações que o Movimento desenvolve, a luta pela educação é uma das prioridades. Nesse sentido, o acesso à escola pública para as crianças, jovens e adultos Educação é um bem é a principal bandeira de luta. Por que a escola tem que ser pública? Defendemos da humanidade! que educação é uma construção da humanidade, que não se vende nem se compra. Viver no campo já é uma forma de resistir e de lutar, mas principalmente romper o silêncio. Um elemento importante para essa dis- O desafio é denunciar a situação e enfrentar cussão é o tema do transporte escolar. Por a partir da organização e luta. Com isso, poque a escola não pode estar no campo? demos obter conquistas de políticas públicas Uma escola do campo pode corresponder capazes de legitimar o campo como espaço à realidade dos jovens que vivem nas áre- de vida, de cultura, de lazer, de educação, de as rurais. Além disso, os educandos teriam profissionalização e produção. mais tempo para estudar, em vez de aguardar passar o ônibus e perder muito tempo Só que o modelo capitalista de educação deno trajeto de ida e volta. Não podemos cair fende o conceito de “capital humano”, que no debate imposto aos jovens dos assenta- faz dos seres humanos apenas mão de obra, mentos de defender ou não o transporte força de trabalho a serviço dos interesses escolar que leva os educandos para uma dos capitalistas. Os jovens são o alvo princiescola fora do campo. O debate é outro. pal desse sistema e seu modelo de educação. Isso acontece porque o Estado alega, para Um povo sem educação não tem elementos fechar as escolas no campo, que há um nú- para compreender a realidade em que vive. mero pequeno de educandos. Por isso, não Com isso, “serve” apenas para integrar um

A

pesar de quase todos os dias ouvirmos falar de cultura, este é um tema bastante complexo, uma vez que cultura é tudo aquilo que fazemos para produzir a nossa existência. Antigamente, no campo, isso era mais fácil de ver, porque a cultura e a arte estavam muito ligadas ao cultivo da terra. Mas as coisas foram se modificando, e hoje, na maioria das vezes, somos apenas consumidores e meros espectadores, seja da cultura - através da televisão, dos grandes shows, dos jogos de futebol milionários - seja da nossa própria comida, roupas etc.

Guerrilla Comunicacional

estudar

A cultura e a arte viraram mais uma mercadoria, e a classe dominante as usa para manipular nossos sonhos, desejos e principalmente para dificultar a nossa organização coletiva. Querem nos fazer acreditar que os “valores” que eles pregam, como o individualismo, o culto à propriedade privada, o consumismo, devem ser os nossos. Já repararam que na maioria das vezes, quando temos tempo livre, acabamos ficando em casa assistindo filmes americanos na Globo, ou escutando músicas que falam de mulheres bandidas e homens traídos, que passam nas rádios, mesmo as do assentamento?

contingente de pessoas com pouca qualificação. Já aqueles que têm acesso a uma educação restrita ao trabalho reforça a massa de capital humano qualificado ao mercado.

territórios camponeses. Campanha Nacional contra o fechamento e pela construção de Escolas do Campo.Tendo em vista o grande número de fechamentos de escolas principalmente no campo, tomamos a decisão de desenvolver, em nível nacional, uma ampla campanha

A luta pela terra É feita com competência Estamos nesta espera Sem pensar em desistência O inimigo não dá trégua Mas somos a maioria É assim que a gente espera Sorrir com alegria Pra na mesa ter o pão Primeiro temos que plantar Mas se não temos o chão Como iremos agüentar A luta pela terra É em toda América Latina Só assim o povo espera Sair dessa ruína Tem terra improdutiva Abandonada por aí Tem criança mal vestida Que nem tem aonde dormir Às vezes imaginamos Porque tanta diferença Coração fica pequenino Vendo tanta desavença Noventa milhões de pobres Não podem ser comandados Só a gente se incomoda Em mudar o que esta errado Índio Marçal Guarani Morto em defesa da terra Libertador dos negros Zumbi Esta luta não se encerra Margarida Alves e Chico Mendes Barbaramente assassinados Para sempre em nossas mentes E no coração estão guardados Dom Oscar Romero Vitima de um massacre Foi um fato verdadeiro Feito sem piedade Dezessete de Abril Homenageia os lavradores O futuro do Brasil Nas mãos dos trabalhadores

Realizar jornada de lutas na esfera municipal, estadual e regional, para garantir o acesso à escola pública

Que as escolas do campo devem ser no campo e que tenham todos os níveis e as modalidades de ensino

Poesias da Composição Garganta de ouro, Assentado no Assentamento 17 de Abril, Mato Grosso do Sul, município de Nova Andradina. Militante do Coletivo de Cultura e um dos fundadores do grupo de teatro Utopia e da Brigada de Cultura Filhos da Terra.

Garantir o acesso às versidades e lutar para tenha cada vez mais versidades construídas

Que as escolas sejam construídas com bibliotecas, áreas de esporte, cultura, lazer e informática

Como os jovens ficam nessa situação? O que temos feito para enfrentar essas questões?

Participe da luta do MST por educação Conheça as linhas gerais da luta do Movimento pela Educação do Campo

Universalizar o acesso à escolarização das crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, ampliando a rede de escolas públicas em todos os assentamentos

unique uniem

Jovens e estudantes nas lutas populares

Em 1880 é criada a Sociedade Brasileira contra a Escravidão,

com a participação de políticos importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. Este foi o primeiro movimento político nacional que contou com significativa participação dos estudantes organizados, entre eles Castro Alves e Rui Barbosa.

No início do século 20, na Argentina, surgiu um movimen-

to de crítica à educação oferecida. Conhecido como “A Reforma de Córdoba de 1918”, que colocou na pauta de toda América Latina a ideia de superação dos modelos educacionais coloniais das universidades .

Após a Reforma de Córdoba, outros países iniciaram pro-

cessos semelhantes, como o Chile, Uruguai e Peru. Foi aprofundada a ideia de Universidade Popular no Peru, que deveria manter vínculos com a classe trabalhadora e defender a autonomia, a extensão universitária, bolsas para estudantes pobres, a participação paritária nos órgãos universitários, a realização de concursos e a livre docência. Fundada pela federação dos estudantes, mais tarde

a universidade recebeu a contribuição docente do revolucionário peruano José Carlos Mariátegui.

Em 1947, as lutas por questões de soberania nacional envolveram os estudantes brasileiros, como na campanha “O petróleo é nosso!”.

No ano de 1964, com o golpe militar brasileiro, a União Na-

cional dos Estudantes (UNE) é incendiada e, com a lei Suplicy de Lacerda, colocada na ilegalidade. Os estudantes responderam com coesão em inúmeras manifestações. Uma delas foi a greve que paralisou a USP em 1965, com mais de 7.000 estudantes. Em 1966, a UNE demarca oposição aos acordos estabelecidos na educação entre o Brasil e os EUA, o MEC-Usaid.

O ano de 1968 semeou o mundo de ideias e lutas libertárias.

Trabalhadores e estudantes franceses se uniram em inúmeras ocupações e greves. O fenômeno deu luzes ao mundo em repercussões artísticas, anti-imperialistas, feministas. No Brasil,

Eles dizem que só passam isso porque os jovens gostam. Mas vendo bem, achamos que só gostamos desse tipo de música, filmes, programas etc., porque não conhecemos outros... Nos fizeram acreditar que esse é o único tipo de “arte” a que podemos ter acesso, e que a arte “culta” é chata, que só os ricos gostam e podem ter. Quando temos oportunidade e começamos a estudar sobre as diferentes linguagens artísticas, percebemos que também podemos produzir música, teatro, painéis, poemas, cinema e que podemos fazê-lo com o nosso ponto de vista, de jovens, do campo, que lutam pela construção de uma nova sociedade. Assim, como todos podem cultivar a terra, produzir alimentos, todos podem produzir arte, desde que queiram e se empenhem para isso. Não existe um talento natural ou

dom, o que precisamos ter é a possibilidade de conhecer, estudar e ter os meios para produzir essa arte, que podem ser um violão, uma filmadora ou um rádio. Por isso, devemos nos organizar e lutar para que nossas escolas sejam grandes centros culturais e esportivos, onde a arte e o esporte não sejam apenas usados para passar o tempo ou nos animar, ou ainda para “ajudar” o professor a explicar algum fenômeno, por exemplo, com um “teatrinho”. A arte e a cultura devem ser também um meio de aprendermos, muitas vezes mais interessante que apenas o professor falando, e que nos faça pensar e nos desafie a fazer novas coisas.

QUEREMOS INTERNET!

F#m Bm C# Aquí se queda la clara,

em repressão, ocorrera o desmantelamento da UNE durante seu 30º Congresso em Ibiúna, realizado clandestinamente. Cerca de 1.000 estudantes foram surpreendidos pelas forças militares e detidos.

No dia 28 de março de 1968, o estudante Edson Luís foi

assassinado durante uma manifestação contra o fechamento do restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. O Brasil assistiu cerca de 50 mil pessoas acompanhando o cortejo fúnebre em grande revolta. No dia 26 de junho de 1968, os estudantes voltaram a protagonizar o que seria o maior ato popular contra a ditadura, a passeata dos 100 mil.

No começo dos anos 1980,

o Brasil vive um momento de esperança, com o esperado esgotamento da ditadura militar. Em 1979, no Centro de Convenções da Bahia, o Movimento Estudantil marca o momento com a Reconstrução da UNE, no histórico 31º Congresso da entidade.

VAMOS À LUTA! A luta pela democratização da comunicação é uma das frentes de batalhas do MST. Dentro dessa luta, se insere a necessidade de democratizar o acesso à internet, que é mais do que ter espaços com computadores em nossos assentamentos. Por isso, se faz necessário nos somarmos aos movimentos da cidade em defesa do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Esse plano pretende garantir a universalização do direito à internet de alta velocidade para toda a sociedade. Fruto da pressão social, o governo Lula anunciou investimentos com a meta de atingir 40 milhões de casas conectadas com banda larga até 2014. A implantação da banda larga, pública, gratuita e de qualidade, pode permitir o desenvolvimento de uma política de inclusão digital nos assentamentos da Reforma Agrária, permitindo que os sujeitos do campo, historicamente excluídos do acesso à tecnologia de informação, possam utilizar esta ferramenta como forma de intercâmbio, capacitação e educação.

Hasta siempre comandante Che Guevara

F#m Bm C# Aprendimos a quererte F#m Bm C# desde la histórica altura F#m Bm C# donde el sol de tu bravura F#m Bm C# le puso un cerco a la muerte.

na escola pode ser um meio de troca com a comunidade e com a juventude da cidade, pois podemos realizar apresentações de teatro, dança, oficinas e seminários. Que tal recebermos grupos culturais da cidade em nossas escolas e depois retribuirmos com uma visita às escolas deles mostrando nossa arte do campo? Ou aprendermos uma arte que nasceu na cidade, como o grafite, para pintarmos nossas escolas? E organizarmos sessões de cinema com debate para toda a comunidade?

Fica aqui o desafio, vamos nos organizar e montar brigadas culturais em cada escola de assentamento e acampamento e juntos produzirmos uma cultura que seja nossa, que contribua para termos uma vida meAlém disso, o trabalho com a cultura e a arte lhor e nos fazer melhores seres humanos.

A LUTA PELA TERRA

No campo, o projeto capitalista se sustenta nas grandes extensões de terra nas mãos de poucas empresas, que tem o controle da produção. É isso que chamamos de agronegócio. Esse modelo não precisa de escolas nem de políticas públicas, pois nesse projeto não existem comunidades ou assentamentos. Não tem a necessidade de povo. No máximo, gente para trabalhar.

Lutar para acabar com o analfabetismo nos acampamentos/assentamentos

Não é questão de talento

F#m Bm C# la entrañable transparencia, F#m E de tu querida presencia Bm C# Comandante Che Guevara. Tu mano gloriosa y fuerte sobre la historia dispara cuando todo Santa Clara se despierta para verte.

Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia Comandante Che Guevara.

Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia Comandante Che Guevara.

Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa con soles de primavera para plantar la bandera con la luz de tu sonrisa.

Tu amor revolucionario te conduce a nueva empresa donde esperan la firmeza de tu brazo libertario.

Seguiremos adelante como junto a ti seguimos y con Fidel te decimos: hasta siempre Comandante.

Em 1984 os estudantes mobilizam, junto com os milhares de trabalhadores brasileiros, as lutas pelas “Diretas Já!”

Em 2005, a juventude francesa demonstrou, nas ruas, radica-

Em 1992 foi aprovada, no Congresso da UNE, a luta pelo im-

lidade contra a precariedade a que estava submetida. No ano seguinte, derrotaram o plano do presidente Nicolas Sarkozy. A Lei do Contrato Primeiro Emprego permitia flexibilizar as condições de trabalho e previa demissões sem indenizações após dois anos de trabalho.

O ano de 1999 foi marcado pelas lutas antineoliberais, em

Um movimento de ocupações de reitorias se levanta em 2007, principalmente nas universidades públicas brasileiras. Entre as pautas, estava a retirada do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

peachment do presidente Fernando Collor de Mello. Na campanha “Fora Collor”, os estudantes “caras pintadas” marcaram a década com a derrubada do presidente.

que jovens de diversos países se reuniram em Seatle (EUA) contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). As atividades se repetiram em outros países com estudantes, ambientalistas, religiosos progressistas e militantes de esquerda. Em Salvador (BA), uma onda de protestos tornaram 2003 o ano da “revolta do buzu”, paralisando as ruas da cidade por diversos dias, com inúmeros confrontos policiais. Os protestos contra os aumentos nas tarifas dos transportes públicos levaram à criação do Movimento Passe Livre (MPL), em Florianópolis.

O início de 2011

foi agitado novamente pelos protestos contra os aumentos das passagens no transporte público das capitais brasileiras. Em São Paulo, aconteceram sucessivos atos e confrontos com a polícia. No mundo, revoltas de grandes proporções agitam o povo árabe, como na Tunísia e no Egito. Nestes países os estudantes foram os grandes catalisadores das revoltas populares.

Possibilita a nossa própria produção de conteúdos, a troca de experiências produtivas e organizativas com outros assentados em todo o país, a ampliação da nossa visão de mundo e a capacidade de nos colocar mais próximos das lutas dos outros movimentos sociais no Brasil e no mundo. Esse é mais um dos latifúndios que temos que ocupar com a nossa luta, que vai ser bastante dura, porque as grandes empresas de telefonia são contra esse plano. Não aceitam que o acesso à internet tenha caráter público, pois querem vendê-lo como mercadoria. Precisamos nos organizar e lutar para pressionar o governo para que enfrente essas empresas, implemente o plano e garanta a banda larga no meio rural.


a gente não quer só comida

a gente quer comida

livre de veneno!

A

população não quer comer alimentos contaminados com agrotóxicos. Existe uma demanda da sociedade por alimentos saudáveis, sem venenos que possam causar doenças, como câncer e problemas hormonais, neurológicos e reprodutivos. No entanto, os alimentos orgânicos ainda são muito caros. O modelo agrícola dominante no Brasil, o agronegócio, tem como um dos seus pilares a utilização excessiva dessas substâncias químicas. As plantações em latifúndios de monocultivos em larga escala para exportação necessita de uma tecnologia que expulsa as famílias da produção e dos venenos. Nesse quadro, quem pode produzir alimentos saudáveis sem agrotóxicos? A pequena agricultura e a Reforma Agrária. Não é porque os pequenos agricultores ou os assentados sejam bons e os latifundiários ruins. Mas, pelo fato de que a natureza da produção agrícola em pequena propriedades cria condições para produzir de um jeito diferente do agronegócio. Cabe à pequena agricultura aproveitar ou não esse diferencial. Até agora, as dificuldades para aproveitar têm sido grandes – tanto por falta de políticas, como de consciência. Para enfrentar esse desafio, é preciso lutar. Lutar para que o governo federal, as secretarias de agricultura dos Estados e dos municípios e o Incra implementem políticas para viabilizar economicamente a agroecologia. As políticas públicas para a agricultura e a tecnologia desenvolvida nos centros de pesquisa das universida-

des priorizam o agronegócio, que tem poder econômico e político para impor sua hegemonia sobre esses espaços. O Movimento conseguiu, em toda sua história com as lutas, questionar o latifúndio e cobrar a democratização da terra, a Reforma Agrária. Com a expansão do agronegócio, a luta ficou mais difícil, complexa e ampla. Agora, as nossas lutas não questionam somente o latifúndio, mas o modo de produção do agronegócio. E a conquista da terra não é mais suficiente para enfraquecer o latifúndio, que só será derrotado com a construção de um novo modelo agrícola.

O município de Lucas do Rio Verde, com 45 mil habitantes na região central de Mato Grosso, é destaque na produção de soja. Para produzir em larga escala, o agronegócio utiliza uma grande quantidade de venenos...

É necessário fortalecer e reestruturar o Incra e a Companhia Nacional da Abastecimento (Conab) como instrumentos para a implementação desta política agrícola. Criar um instituto público vinculado ao programa de Reforma Agrária, com a função de garantir a assistência técnica pública e gratuita, além de capacitação, em coordenação com ouA Reforma Agrária representa uma nova tros organismos públicos de pesquisa. organização da propriedade fundiária, mas temos também que mudar a organização Você participou de algum debate sobre o da produção no meio rural. Dessa forma, Programa Agrário do MST? poderemos produzir alimentos saudáveis para o povo brasileiro, ocupando um esO que precisamos para produzir alimentos

As consequências já apareceram... O leite materno de mulheres de está contaminado por agrotóxicos, revelou uma pesquisa da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres em 2010. A presença de agrotóxicos foi detectada em todas. Em algumas delas havia até seis tipos diferentes de substâncias tóxicas!

Isso significa enfrentar e derrotar o agronegócio, que subordina o uso das terras e dos recursos naturais brasileiros às necessidades das transnacionais da agricultura, como a Bunge, Monsanto, Cargill, Stora Enzo, Syngenta e ADM, e à especulação no mercado financeiro internacional.

Nós temos uma proposta

Daí ganha a importância o nosso programa agrário, a nossa proposta de Reforma Agrária Popular, que tem como objetivos gerais eliminar a pobreza no meio rural, combater a desigualdade social e a degradação da natureza, que tem suas raízes na estrutura da propriedade e de produção do campo.

do campo: Trabalho e Renda

H

A juventude trabalhadora enfrenta diversos problemas, ainda mais quando o assunto é a falta de políticas públicas. A criação de condições de trabalho e renda para o jovem do campo é um tema urgente. Assim, já que a juventude forma

a maioria da força de trabalho brasileira, cabe nos perguntar: qual será nosso futuro em relação ao trabalho e às suas formas de se organizar? Num contexto em que há hoje 500 mil jovens na base assentada e acampada, os movimentos sociais se tornam uma alternativa. Em primeiro lugar, para resolver as demandas ime-

Entre na campanha contra os agrotóxicos!

Para isso, precisamos lutar para que o Estado use todos os instrumentos de política agrícola, como garantia de preços, crédito, fomento à transição e consolidação da produção agroecológica, seguro, assistência técnica, armazenagem para o cumprimento desse programa de Reforma Agrária. Deve garantir ainda a compra de alimentos dos camponeses e da Reforma Agrária para a redistribuição a todo o país.

E D U T N E V U J á uma invisibilidade das questões juvenis no campo, por conta de uma única maneira de se pensar a realidade a partir do olhar dos centros urbanos para o meio rural, sem levar em consideração a diversidade do campo. Essa luta ideológica contribui para que a juventude se disperse e saia para os centros urbanos em busca de melhores condições para a manutenção e a reprodução de sua existência, convencidos pela falsa contradição de que “é bom viver na cidade e ruim viver no campo”.

paço vago pelo agronegócio, que produz com agrotóxicos e para exportação.

sem usar agrotóxicos?

O que podemos fazer para cobrar medidas para o desenvolvimento da pequena agricultura? Que horizonte o jovem tem ao trabalhar para o agronegócio e deixar o o assentamento em segundo plano? Como podemos construir agroindústrias que dêem oportunidades para os jovens?

diatas. Em segundo lugar, por possibilitar uma melhora também no que se refere à formação - política e profissional - já que a luta não é só pela terra, mas pelo conjunto de políticas públicas que tornam o campo um lugar mais digno para se viver.

projeto para o campo, onde os jovens sejam a principal força a ser atendida, em vista de um desenvolvimento sociocultural, que leve em consideração cultura, esporte, comunicação e lazer para todos os públicos, e que ainda esteja voltado a criar renda nos assentamentos.

As oportunidades com as agroindústrias

Uma das lutas a ser travada é pela implementação, maior planejamento e investimentos nas agroindústrias dos assentamentos. Dessa forma, será possível abrir mais postos de trabalho, gerar renda na pequena agricultura. Ou seja, criar e diversificar as oportunidades para juventude que reside nos assentamentos trabalhar em diversas áreas e gerar renda para a família.

Um jovem sem condições de acesso à terra e alternativas de produção fica exposto à imposição de trabalho do agronegócio. Isso quer dizer trabalho intenso e sem garantia de direitos. Sem contar o desemprego e tantas outras mazelas no campo, como o trabalho escravo e o trabalho infantil. Ainda por cima, a alta rotatividade nos locais de trabalho entre os jovens acaba por dificultar sua organização e, sem muitas garantias e certezas, surgem as condições para que migrem de um lugar para outro. Nessa perspectiva, temos que refletir sobre esse novo período histórico que estamos passando no desenvolvimento de nossos assentamentos, principalmente com o avanço do modelo de produção do capital sobre a agricultura. Esse modelo é baseado, sobretudo, na individualização dos créditos e na própria forma de produção, atrelado à ausência de políticas públicas que ajudem a estruturar a agricultura camponesa e a cooperação agrícola.

Os maiores prejudicados são os trabalhadores rurais, que trabalham na aplicação desses produtos químicos, e as comunidades vizinhas, que sofrem com a contaminação das chuvas e do ar, especialmente com a pulverização aérea.

Esse quadro está de alastrando para todo o país. O Brasil é o primeiro colocado no ranking mundial do consumo de agrotóxicos. Mais de um milhão de toneladas de venenos foram jogados nas lavouras em 2010, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. Com a aplicação exagerada de produtos químicos nas lavouras do país, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública e preservação da natureza. Diante dessa triste realidade mais de 30 entidades da sociedade civil brasileira, movimentos sociais, entidades ambientalistas, estudantes, organizações ligadas a área da saúde e grupos de pesquisadores lançaram a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. A Campanha pretende abrir um debate com a população sobre a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos, a contaminação dos solos e das águas.

protagonista e ajude no processo de renda das famílias. Que contribua na teoria e prática das experiências de educação e Muitas pessoas tendem a pensar que uma escolarização em nossos assentamentos. educação para a área rural seria simplesmente formar técnicos agrícolas para ter Para avançar nesse sentido, a organização agricultores mais eficientes no aspec- espacial dos assentamentos representa um to produtivo. A realidade do campo, que desafio. A dispersão das famílias em lotes demanda a construção de agroindústrias, individuais – o chamado “quadrado burexige profissionais preparados em outras ro” – só traz menores perspectivas de deáreas como saúde, educadores, direito, senvolvimento da produção, contribuindo, economia, engenharia e arquitetura, cul- inclusive, no isolamento social das pessoas tura e comunicação. Além disso, requer que ali (con)vivem. também uma educação humanística que situe o morador rural dentro do que se EXPEDIENTE convencionou chamar de modernidade. O Jornal da Juventude Sem Terra foi produzido pelos

Questão de identidade

Um elemento importante é a própria valorização do “ser do campo”, pela auto-estima daqueles que vivem no campo. E também pelo acesso e uso fruto dos saberes desenvolvidos pela humanidade em favor de uma vida digna no campo. E é dessa A juventude tem um papel im- maneira que precisamos avançar nas poportante para debater um novo líticas públicas, para que a juventude seja

setores de Comunicação, Cultura, Educação, Formação, Juventude e Produção do MST. Diagramação: Marina Tavares Produção: Alexandre Chumbinho, Ana Cha, Andrea Batista, Antônio Neto, Igor Felippe Santos, Ivan Siqueira Barreto, Joana Tavares, Luiz Felipe Albuquerque, Marcia Mara Ramos, Maria Cristina Vargas. Endereço: Al. Barão de Limeira, 1232. CEP: 01202-002 São Paulo / SP - email: jst@mst.org.br www.mst.org.br Com o apoio de:

Jornal da Jornada da Juventude Sem Terra  

Segunda edição

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you