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Ser solidário é ser humano “Solidariedade não é dividir o que nos sobra, mas o que temos, mesmo que seja pouco e nos faça falta também”.

Campanha de Solidariedade ao povo palestino

Vocês já ouviram falar na Palestina e no seu povo? Sabiam que suas terras foram invadidas em 1948 pelo exército de Israel, apoiado pelos Estados Unidos da América, e até hoje o povo palestino resiste e luta pela criação do seu país - o Estado da Palestina? Já pensaram se outro país viesse aqui, e usando de violência dissesse que aqui agora não seria mais Brasil e que a população não podia mais ficar nas suas terras? Pois é, não dá para aceitar, nem Na luta, também é assim. Ninguém luta aqui e nem em nenhuma parte do mundo. sozinho, uns precisam ser solidários aos O povo palestino, com sua coragem, saoutros para que todos juntos possam bedoria e resistência, é um exemplo para avançar. todos os povos que lutam e acreditam num mundo melhor, por isso precisamos ser Desde o começo do Movi- sempre solidários e fazer pressão para que mento, sempre recebemos essa violência acabe de uma vez e a Palesapoio e solidariedade de tina possa ser livre. Podemos dizer que este é um dos grandes lemas do povo cubano, e também do nosso movimento. Solidariedade é um valor importante e deve ser prática cotidiana. Ser solidário enriquece os seres humanos justamente porque reforça o que tem de mais bonito na relação entre as pessoas, que são os laços de companheirismo, amizade e afetividade.

O MST sempre esteve ao lado do povo palestino, e no ano passado, um grupo de militantes formaram uma brigada de solidariedade internacionalista que ficou durante 20 dias, contribuindo na colheita de azeitonas junto às famílias camponesas palestinas e conhecendo a realidade. Esta Brigada, que o MST pretende enviar todos os anos, é mais um exemplo concreto da luta dos trabalhadores e trabalhadoras pela construção de uma nova sociedade, mais justa, democrática e verdadeiramente humana. A Campanha pretende envolver toda a militância do Movimento em diversas atividades, tais como seminários, debates, atos políticos etc, que divulguem a situação em que se encontra o povo palestino. Como podemos também

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iii JORNADA E D U T N E V U J A D L A N O nACI (...)

organizar ainda mais ações para nossa Campanha de solidariedade ao povo palestino?

Promete-se “desenvolvimento” Fala-se em emprego e renda Mas traz-se é mais sofrimento Faz que o povo se arrependa De ter acreditado nisso Como se fosse oferenda...

vários cantos do mundo. Um grande exemplo aqui na América Latina é Cuba, que continua até hoje sendo solidária, formando jovens para atuarem como médicos nos nossos assentamentos e acampamentos.

“Se você é capaz de sentir indignação perante qualquer injustiça cometida contra qualquer povo do mundo, então, somos companheiros” Che Guevara

E também, desde sempre, com muitas limitações e humildade, buscamos contribuir com movimentos camponeses e povos em todo o mundo. Hoje, temos militantes do MST em brigadas de solidariedade em vários países como a Bolívia, Haiti e até na China. Que ações de solidariedade aos povos em luta, sejam de longe, ou vizinhos, podemos fazer a partir de nossos lugares? Já pensou você fazendo parte de alguma dessas brigadas?

Por isso vamos plantar Sem veneno e produzir Alimentos mais saudáveis Prontos pra consumir Com a agroecologia Sem a vida destruir Porque é preciso saber O que traz soberania: É o modelo agronegócio Ou a agroecologia? Essa questão, minha gente, Muitos de nós desafia! O futuro do planeta Depende da humanidade Precisamos construir Vida com mais qualidade Tratar os seres da terra Com menos brutalidade É necessário rever O jeito de produzir E mudar radicalmente A forma de consumir Um mundo mais sustentável Nós devemos construir

MST leva sua solidariedade para crianças palestinas

Não vamos usar veneno No solo e nas plantações Mas cuidar da natureza Sem fazer devastações Hoje a natureza berra Vamos preservar a terra Para as próximas gerações

O que significa essa história de trabalho e renda? Normalmente, as duas coisas aparecem ligadas. O trabalho é uma necessidade para cada um ter a renda, ter o próprio dinheiro e independência financeira.

Muita gente acha que a cidade é a alternativa para conseguir melhores condições de vida. Mas a cidade pode oferecer, no máximo, um emprego. Uma situação em que é possível ter uma renda, mas continuar dependente. Não da família, mas do patrão.

No entanto, o trabalho na agricultura não é o único possível no assentamento. Na verdade, é necessário para o assentamento desenvolver outros espaços de trabalho, para suprir todas as necessidades do conjunto.

Por exemplo: a escola é um espaço que Muitos são os que voltam das grandes ci- atende a necessidade de educação. As dades desiludidos com as falsas promes- agroindústrias suprem a necessidade do beneficiamento da produção e podem sas. gerar uma série de possibilidades diferenO retorno é marcado pelas falsas expec- tes de trabalho. Assim é com a saúde, o tativas com a sociedade de consumo e o transporte, o lazer... Mas o trabalho também significa apren- desencanto com a experiência de privação, dizado e crescimento, pois requer conhe- carência, violência e, principalmente, com Quais os tipos de trabalho possíveis no cimento para exercer a atividade e con- saudades da vida familiar e dos amigos do assentamento, para além do trabalho na roça? tribui para a sociedade. O trabalho pode assentamento. ser realização pessoal e coletiva, ao fazer algo que gostamos e que consideramos importante. “Trabalho voluntário é aquele em que contribuímos com o nosso trabalho E qual a diferença ensem receber dinheiro em troca, isso tre trabalho e emprego? faz com que as pessoas tenham uma nova forma de ver as coisas na socieO próprio nome já diz: emdade, quando percebes que podes ser prego vem de empregado, ou útil trabalhando por outro companseja, trabalhar para outra pesheiro, ajudando outras pessoas, isso soa ou empresa e receber um salário por isso. No emprego, te engradece, nos faz melhores seres a produção é para o patrão humanos” Aleida Guevara (médica seja ele quem for. cubana, filha de Che Guevara) Aí é possível fazer as coisas sem ter que pedir dinheiro para o pai, mãe, amigo ou parente e, assim, sair da situação de dependência, construir a própria vida e até ajudar a família.

No trabalho, a produção é para si próprio e para a coletividade. É aquela expressão “trabalhar por conta”. É trabalhar com o que diz respeito à coletividade da qual fazemos parte, como no lote, na escola ou na nossa cooperativa. Queremos ter uma renda própria, pois na sociedade em que vivemos precisamos de dinheiro para viver. Mas o que queremos para ter nossa renda, um trabalho ou um emprego? E quais são as possibilidades de trabalho que temos nos nossos assentamentos?

O que podemos encontrar na cidade que o campo não pode nos oferecer? E o nosso assentamento? Tem o trabalho no lote, onde a renda obtida com a produção é para si próprio e para a família. Mas muitas vezes a renda que se levanta é pequena. E isso é um problema real. E se construirmos cooperativas de produção, onde se produz junto com outras pessoas, que podem ser os vizinhos no assentamento, e se divide o resultado da produção?

Em homenagem a Ernesto Che Guevara, todos os anos, na semana do dia 08 de outubro, o MST realiza a Jornada de Solidariedade e Trabalho Voluntário Che Guevara. Todos e todas, em especial a juventude, são convocados a realizar atividades de mística, estudo e de trabalho voluntário como limpeza de locais públicos ou escolas, pinturas e outras melhoras dos espaços, além de cultivos agroecológicos e reflorestamento. Já participaste alguma vez? Vamos organizar e fazer uma bela ação na nossa região este ano?

Autor: Rogaciano Oliveira

Desafios do trabalho no campo

O

tempo bate forte e contundente no peito daqueles que estão inquietos... É tempo de andarmos firmes e convictos, unindo vozes ditas ou não ditas (na timidez do silêncio), juntando mãos, pés, olhares, frontes, sonhos, perspectivas e caminhos. É tempo mais do que nunca de nós!

nos desafiar cada vez mais, não podemos e nem queremos que façam as coisas por nós. Precisamos fortalecer nossos coletivos de jovens, conspirar e colocar toda nossa rebeldia na construção de um mundo melhor para todos e todas.

Nos últimos anos temos feito sentir nossa presença de forma mais organizada dentro do MST. A juventude que sempre esteve na linha de frente das lutas, começou a olhar mais para si, buscando debater os seus desafios, questionar, combater, integrar, fortalecer, organizar a luta e a participação onde estamos.

Esta jornada é um espaço importante para discutirmos sobre nossa realidade, para fazermos ouvir nossa voz, refletir sobre qual é o nosso espaço dentro do MST, nas escolas. É um momento de refletir sobre temas que fazem parte de nossa vida no campo e da nossa organização.

Nossa Jornada Nacional da Juventude do MST está se consolidando cada vez mais com uma tarefa do conjunto da nossa organização, em especial, a partir das escolas. Em 2011, vários estados conseguiram mobilizar uma grande parte dos nossos jovens e fazer diversas atividades, desde estudo, debates, oficinas de teatro, desenho, pintura, fotografia, artesanato, capoeira, música, rádio, estêncil, painéis, cinema da terra, e lutas por escola e direitos.

E claro, é tempo de agitação, mobilização e organização de ações concretas para fortalecer a luta. E assim motivar e garantir que a organização da juventude aconteça durante todo o ano e em todas as atividades do movimento.

Estamos assumindo nosso papel protagonista desta Jornada, debatendo, expondo, mas também organizando, planejando, propondo temas e metodologias. Temos que

Pressionar o agronegócio Usar a legislação Fazer valer os direitos Da nossa população Cobrar o que está escrito Dos governos como dito Pela Constituição

O que podemos encontrar no campo, que a cidade não pode nos oferecer? O desenvolvimento das áreas de Reforma Agrária pode proporcionar melhores possibilidades de trabalho, dependendo das conquistas. Por isso, a luta por crédito, por educação, por capacitação técnica, pela implantação de agroindústrias, de escolas, de postos de saúde, de áreas de lazer e esporte, de espaços de desenvolver nossa cultura e nossa comunicação, é também a nossa luta por trabalho. Como geração herdeira de luta pela terra, somos também a geração que vai, por meio do nosso trabalho, construir o futuro do assentamento.

EXPEDIENTE

O Jornal da Juventude Sem Terra foi produzido pelos setores de Comunicação, Cultura, Educação, Formação e Juventude do MST. Endereço: Al. Barão de Limeira, 1232. CEP: 01202-002, São Paulo / SP email: jst@mst.org.br

www.mst.org.br

O presente jornal apresenta elementos e provocações sobre alguns temas para estimular e alimentar a nossa participação e ajudar no debate nas escolas e nos grupos e coletivos de juventude nos assentamentos e acampamentos. Vamos reunir a juventude de todos esses espaços, e onde não existirem vamos criar, debater e se organizar!

, A D U M M E U Q É A T U AL ! E D U L I Ó S O T S E OR

(...)

As demandas dos jovens por trabalho abrem possibilidades de desenvolvimento do assentamento, de inovação, de potencializar recursos e renovar as concepções. A responsabilidade de construir os assentamentos é dos assentados e suas famílias.

sem terra!

O

debate sobre a organização da juventude nos leva a pensar o nosso tempo e projetar o futuro da sociedade. Mas ainda prevalece a ideia de que ser jovem é um problema. De onde veio essa ideia? O que está por trás dela?

“Quem não tem presente se conforma com o futuro” Somos 8 milhões de jovens no campo. Nos últimos dez anos, 2 milhões de pessoas deixaram o meio rural. Metade eram jovens. Ainda há um processo de esvaziamento do campo. Você conhece alguma política pública dos governos para a juventude do campo? O agronegócio e os meios de comunicação de massas constroem a ideia de que o campo é atrasado e que a juventude quer sair do campo. Quem nunca foi ridicularizado porque mora no campo? É como se os jovens saíssem do campo apenas pela vontade individual e, não, pelas condições de vida e pela falta de perspectiva. Não é fácil sair do lugar onde nasceu... tem raízes, amigos, família... Por que não ficar no campo para mudar essa realidade? Por que antes de perguntar sobre os problemas que afastam a gente do campo, não questionar o que tem feito o jovem querer ficar no campo? O avanço da construção da Reforma Agrária que queremos, para melhorar a vida da população do campo e criar oportunidades para o jovens, depende de enfrentar o projeto do agronegócio. Só que para isso é preciso nos organizar e lutar.

“Cada um no seu quadrado”? A classe dominante quer que a nossa juventude seja individualista e egoísta. Que cada um enfrente seus desafios sozinhos, competindo um com o outro, correndo atrás individualmente. Mas qual seria a outra forma? Será que não podemos avançar conjuntamente?

Já pensou se em todo acampamento e assentamento existisse coletivos de juventude? É importante debater a realidade e trocar experiências de organização, formação e mobilização. Existem diversas formas de construir espaços que cumpram esse papel: grêmios estudantis, grupos de dança e teatro, times de futebol, basquete e vôlei... Nas escolas, os jovens também podem se organizar para cobrar politicas públicas para educação do campo. No assentamento, a organização pode contribuir com espaços coletivos de produção, de forma cooperada, garantindo a geração de renda e organizando as lutas. Esses coletivos podem densenvolver uma série de atividades. Por exemplo: a Agitação e Propaganda, que é possível ser feita em diversos momentos (ver ao lado). Durante as lutas e os cursos, pode também ter um momento para grafitagem e embelezamento do local. Os grupos de jovens podem organizar espaços de estudo

para discutir afetividade, sexualidade, geração de renda, cultura, formação política, comunicação, inserção da juventude na luta de classes, solidariedade... e ainda os temas gerais da luta pela terra, que o MST como um todo está discutindo em preparação ao 6° Congresso. Ideias para organizar a juventude não faltam. Mas precisamos nos perguntar: o que falta para nos organizar cada vez melhor e com mais jovens? Como o conjunto do MST poderia contribuir com a organização de sua juventude?

Agitprop - Agitação e Propaganda Que bicho é esse?

A Agitação e Propaganda (AgitProp) é um conjunto de métodos e formas que podem ser utilizados para fazer agitação, denúncia, fomento à indignação e chamar pra luta. Podem se usar diversas linguagens, como painéis, pinturas em muros e paradas de ônibus, peças de teatro, panfletagem, música, jornais... Tudo isso depois de fazer um diagnóstico da realidade local, ver quais as formas possíveis de organização a partir da arte e da cultura.


Computadores,

celulares, câmeras fotográficas, projetores de filmes, filmadoras, videogames e televisores de última geração... Os jovens do campo querem ter acesso a essas tecnologias.

por mês para um pacote de internet. Sem contar que antes precisa comprar um computador, que está ficando mais barato, mas depois de um ano já está velho e travando...

A televisão, novelas e filmes diariamente fazem propaganda das novas tecnologias. Esse é um dos motivos que leva boa parte da juventude que vive no campo a querer mudar para as cidades.

É impossível discutir o acesso às novas tecnologias da informação sem a democratização da internet. A universalização da internet banda larga – pública, gratuita e de qualidade – é fundamental para permitir aos assentados essa ferramenta.

Mas será que os jovens do campo precisam ir até a cidade para ter acesso a tudo isso? Não seria melhor que todas as pessoas que vivem no campo e na cidade tivessem as mesmas condições de acesso à tecnologia?

Já pensaram nisso? Mas será que a cultura, a arte e o lazer também não são uma parte muito importante das nossas vidas? E qual é mesmo a nossa cultura camponesa que os mais velhos tanto gostam de falar?

foi criada pelas empresas, é fruto do trabalho humano desenvolvido ao longo da história para melhorar a humanidade.

A proposta do governo federal é implanDesde os satélites no espaço sideral tar um Plano Nacional de Banda Larga ao chip dos celulares, carros, tratores, (PNBL). O plano foi criado em 2010 e maquinários agrícolas, etc; o trabalho promete a instalação de telecentros com de homens e mulheres está presente internet nos assentamentos e acampaem tudo. mentos de Reforma Agrária.

síveis. Em vez de mudar para a cidade, vamos nos organizar e fazer do campo um lugar bom de viver, com acesso à comunicação, às novas tecnologias da informação, à cultura, lazer, esporte, educação etc.

Somente com luta e organização essas transformações serão pos- A juventude Sem Terra tem papel fundamental nessa batalha. E você, o que acha? Pronto para a luta?

Precisamos cobrar do governo federal a garantia desse acesso à internet nos assentamentos. Todos queremos celular, computador e internet para nos comunicar com o mundo. Mas por que não montar uma rádio comunitária no assentamento?

“É o Brasil é mó zica há quanto tempo E há quanto tempo o homem já não era violento Mais uma coisa puxa outra. é triste inevitável A miséria não acaba porque ainda é favorável Imaginem só, o Brasil sendo melhor Com divisão de terra e espaço ao redor

O nosso acesso é restrito O processo é só aumentar Vâmo chegar, mudar, pra revolucionar Racionais está no ar, e o rap também tá Em qualquer lugar, onde a mensagem vá Sei que um aliado, mais um? vou resgatar!”

(neste caso, podemos usar uma esponja de lavar louça ou mesmo um rolinho para pintar). 5°- Deixar secar e ver o resultado! Agora é só ter boas ideias para comunicar e mãos à obra!

E

m alguns momentos de nossas vidas achamos que a escola é um problema. Seja por que achamos um “saco” ir todos os dias, seja por que temos dificuldade de saber para que servem todos aqueles conteúdos que precisamos aprender e que nem sempre sabemos se vão ser úteis no futuro. O fato é que atribuímos a este espaço chamado escola muitas alegrias e muitas decepções. Além das aulas, é lá que muitas vezes conhecemos as nossas melhores amizades, nossos primeiros namorados e namoradas. Afinal de contas, a escola é o lugar onde passamos boa parte da vida, desde a infância até a adolescência.

Mas será que as escolas são todas iguais? Será que existem escolas para ricos e escolas para pobres?

Você já se perguntou por quê? Já se perguntou por que muitos jovens que moram no campo têm que sair do campo para continuar seus estudos, pois têm dificuldade de ter acesso a boas condições de estudo, acesso aos livros, a bibliotecas? É aí que está o problema!

3°- Com o modelo por baixo, recortar com um estilete o que será vazado e depois preenchido com tinta. 4°-Depois é só colocar em cima da superficie a pintar e passar um spray ou tinta

Precisamos discutir, estudar, aprender e experimentar. Fica aqui o desafio: por que não montar grupos de cultura nos assentamentos e nas escolas?

ê u q a r p o ã ç a c u d E e pra quem

Parece até brincadeira, mas isso existe! Todos têm direito à educação, mas quando olhamos a realidade vemos que existem muitas diferenças.

1°- Escolher o que queremos pintar. Pode ser feito à mão ou no computador.

Por isso, estas coisas são muito importantes e sérias - na vida e na luta. Da mesma forma que temos que lutar para que a terra e os alimentos não sejam tratados como meras mercadorias, temos que lutar para que a cultura também não seja.

(…)

(…)

È bem fácil de fazer!

Vocês lembram de ter visto algum programa na televisão que fale de como os

Nossas famílias têm uma história de luta. Então, nossa vida e nossa cultura têm que ser também de luta, de resistência e de festa, alegre e coletiva. Feita por todos e para todos.

Produção coletiva da turma do curso de artes do MST na Universidade Federal do Piauí (UFPI) Dm G C Am Dm Não se iluda com alienação Vamos adiante pegue flores e canções A juventude é a semente que renasce E Am Am Dm E Am Pois é preciso se conscientizar O que queremos é construir o novo Unindo força com o povo lutador Dm E Am Dm Em busca da revolução E transformá-los em armas e canhões Fazendo estudos cuidando da natureza E Dm E Am Você vai se libertar Ô juventude que ousa lutar É com orgulho que lutamos com amor E Am Para ouvir a música e pegar a melodia, Dm acesse www.mst.org.br Constrói o poder popular Você ai não fique parado

Racionais Mc’s

Você tá vivendo na ilusão da cidade Do ensino meia boca, lesando a mentalidade Difícil é resistir, se pensar vai ser pior Nossa cara é ir pra cima e fazer nosso melhor Melhor dentro da escola, melhor que uma vitrine Melhor longe da esmola, melhor longe do crime Que a vida nos ensine, traga o conhecimento Que mostre o outro lado, e não o sofrimento A rua violenta pode ser de outro jeito Ninguém é perfeito, mas ainda tem o direito Direito de falar, direito de pensar

2º- Pegar uma cartolina, papelão, radiografia ou folha de acetato. Quanto mais grosso for o material do estencil, mais vezes poderemos usá-lo.

O campo é espaço apenas de produção ou um lugar para viver? Vamos aceitar isso quietos e acreditar que esse é o único jeito de se viver? Vamos ficar só ouvindo as músicas que querem que a gente ouça, porque gera mais lucro, e seguir a onda do momento?

Juventude que ousa lutar

TÁ NA CHUVA

Um estêncil (do inglês stencil) é um molde furado (vazado) que se usa para podermos facilmente passar um desenho, uma frase e símbolos para várias superfícies como paredes, camisetas, faixas etc.

assentamentos com bem mais coisas. Mas, em geral, só mostram o quanto as grandes fazendas do agronegócio produzem, com suas super máquinas e venenos (e sem precisar de gente).

Não precisamos ficar à espera. Por que não produzir nossas próprias músicas e fazer nossas festas diferentes? Não precisa ser como as festas “antigas”, só moda de viola, como os mais velhos às vezes querem. Por que não juntar diferentes ritmos e usar a tecnologia? Será que dá para juntar a viola com hip hop e música eletrônica? Vamos experimentar! Muitos jovens nos assentamentos já estão fazendo música, poesia, teatro, pintando, até mesmo fazendo vídeos.

Vocês acham que essa é a nossa realidade? Em geral, o ritmo é tão contagiante que nem prestamos atenção nas letras... que não precisamos nos organizar mas a maioria de nós está fora dessa história de homem coletivamente para lutar pelos nossos direitos, ou mesmo para nos divertir. traído ou mulher que gosta de apanhar, não é?! Ouvimos ainda que a vida no campo é Na maioria das vezes, somos apenas consumidores e meros um fardo, é só trabalho pesado, que as espectadores da cultura, que passa na televisão, nos grandes pessoas são atrasadas, não têm acesso shows, nos jogos de futebol milionários, ou mesmo da nossa à tecnologia, e que o melhor é ir para a cidade. própria comida, roupas... Não é verdade? Quantos de nós abrem mão de fazer uma programação com o grupo de amigos e jovens do assentamento para ficar em casa pra ver televisão ou trocar mensagens no celular?

assentamentos podem ser um lugar muito bom para viver, trabalhar, estudar, se divertir, ter acesso à internet, ter um grupo de teatro, uma banda de música? É difícil isso passar, né? E olha que tem

A juventude sempre teve muita garra, muita energia e vontade de fazer e criar coisas novas e transgredir as regras. Por isso, nossa cultura, nossa música, nossa roupa, nossas festas têm que mostrar isso.

O que acontece é que as coisas foram se modificando bastante. Quando olhamos, por exemplo, para as músicas que ouvimos hoje, a maioria não tem muito a ver com o nosso modo de viver. O comum é ouvir músicas sobre mulheres bandidas e homens traídos. Sem falar no sucesso do “eu quero tchú, eu quero tchá...”

Mas até agora quase nada saiu do papel. Por que será que até hoje os governos não instalaram o que prometeram?

o ass p Passo-a para fazer um estêncil

A questão é que essas músicas, as novelas e outros programas que passam na televisão, mesmo muita coisa que tem na internet, tentam manipular nossos desejos, ficam a toda hora nos dizendo que para sermos felizes temos que comprar cada vez mais coisas. E que devemos ficar em casa e esperar que a vida melhore,

Não é nada simples responder essas questões. Afinal, para falarmos sobre música, cultura, festas, temos que refletir sobre tudo o que fazemos na vida, o nosso modo de viver. Não dá para separar as coisas. Se olhar- mos para a origem, a cultura tem a ver com o cultivo da terra, logo com o trabalho. Então, não podemos dizer que não se trata de coisa séria. Pelo contrário, antes as músicas, o teatro, as festas, mesmo os esportes, tinham tudo a ver com o trabalho no campo, os plantios, as colheitas etc. Todos e todas eram produtores de cultura.

Da mesma forma que lutamos pela terra e por Reforma Agrária, também é importante criar tecnologias alternativas e outros mecanismos para montar rádios comunitárias e lutar pelo acesso às novas tecnologias da informação, como a internet.

E a tecnologia, você sabe como ela é produzida? A tecnologia não

Uma família que mora nas periferias urbanas não consegue pagar 100 reais

ocês já repararam que muita gente diz que nós jovens dos assentamentos e acampamentos só queremos saber de música, esporte e festa e não nos interessamos por nada “sério”? E ainda que a música que a gente ouve é ruim, que não é da “nossa cultura camponesa”?

A Lei de rádios comunitárias está fora da realidade do meio rural hoje no Brasil, pois essas rádios só podem atingir o raio de 1 km e ter um transmissor com potência máxima de 25 watts. Quando instalada nos assentamentos, esse modelo de rádio não consegue atingir as famílias da maioria assentadas, que vivem em lotes, distantes.

Para isso, também precisamos de políticas públicas que democratizem a comunicação no campo e na cidade.

( ) lu ( ) ta ( ) Eu quero luta, ta, ta, ta...

V

No assentamento, uma rádio pode ser um instrumento importante para os camponeses comunicarem-se entre si e com quem vive na cidade, fortalecer a cultura camponesa, além de ajudar na organização de quem vive no campo.

A vida no campo não é melhor nem pior que na cidade. Na cidade, as pessoas trabalham muito, têm pouco tempo livre e o salário é pouco. Você deve conhecer alguém que mudou do campo para a cidade, pergunte se lá não tem problemas?

Na sociedade capitalista as empresas transformaram a tecnologia em um produto de consumo. Assim, os trabalhadores pobres do campo e da cidade, que não têm dinheiro para comprá-las, não têm acesso às mesmas. Aumentado as diferenças entre ricos e trabalhadores. Por você acha que isso acontece?

EU QUERO:

Pawla Kuczynskiego

a i g o l o n c e t Por que a não chega no campo?

As diferenças no acesso ao direito às políticas públicas não podem existir! Mas por que existem? O que explica isso? Será que essas diferenças não são apenas parte de uma sociedade injusta, que ainda se divide entre ricos e pobres, patrões e empregados? Refletir sobre essas e outras questões nos leva a entender que somos parte de uma sociedade onde ter escola é um DIREITO, onde ter acesso ao conhecimento é uma CONQUISTA. Assim, começamos a fazer parte de um coletivo que quer mudar a ideia da “ESCOLA PROBLEMA” e construir a escola VINCULADA à vida dos TRABALHADORES e TRABALHADORAS, uma escola comprometida com a EDUCAÇÃO das crianças, JOVENS e adultos. Se é isso, como podemos transformar a escola? Se é um direito nosso, por que não nos consideramos, muitas vezes, como construtores desse espaço? Por que não identificamos esse espaço como um espaço nosso? Ficam aí algumas perguntas para serem debatidas!

LUTAMOS POR: EDUCAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS PARA OS JOVENS DO CAMPO! EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS OS BRASILEIROS!


Jornal da Jornada da Juventude Sem Terra- 3ª edição