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Rio Branco - Acre, domingo, 7 , e segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Transcoop: A credibilidade reconquistada com suor e obras de qualidade Juracy Xangai

A capacidade de organização para o trabalho, especialmente nas áreas financeira, serviço e produção estão fazendo das cooperativas parceiras de destaque nas ações de inclusão social promovidas pelo governador Binho Marques para gerar oportunidade aos pequenos produtores rurais e micro ]empresas urbanas. Um desses casos especiais é a Cooperativa dos Proprietários de Caminhões e Maquinas Pesadas de Rio Branmco (Transcoop) iniciada por caçambeiros que tinham dificuldade para conseguir trabalho e receber por ele. Unidos se qualificaram e sob a liderança de seu presidente Romeu Paiva de Oliveira construíram um bom relacionamento com o governo do Estado e prefeituras, além de formar parcerias com empresas privadas. Organizados vencem concorrências públçicas e se unem

para realizar obras de qualidade que além de bons lucros geram credibilidade para novos serviços. Seus 80 associados vem ganhando dinheiro e investindo na ampliação de seu parque que hoje é composto por mais de 200 caminhões e máquinas pesadas. Mais de 4.600 quilômetros de estradas e ramais que atendem aos produtores rurais em 18 municípios acreanos foram beneficiados neste ano pelo governo do Estado que teve a Transcoop como principal parceira na realização dessas obras de recuperação, piçarramento e mais de 60 quilômetros de asfalto. Mais de dois anos de reuniões, conversas e muito trrabalho foram necessários para construir esse relacionamento que começa a dar frutos. Colheita esta que permitiu à cooperativa movimentar R$ 8 milhões em 2007 e 2009 promete ser ainda melhor.

Jornal Página 20 - ENCARTE ESPECIAL

Coopervans quer ajudar a resolver o cáos no trânsito da Capital

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Sibá Machado é o Acre no Conselho Nac do Sescoop

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I Encontro de Jovens do cooperativismo é sucesso

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Aruakretur: Cooperativa do turismo acreano Pag 02

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Movelarias ameaçadas de extinção Enquanto as grandes madeireiras mandam a madeira do Acre para o Brasil e o mundo, metade das marcenarias da Capital jé fecharam e outras estão fechando por falta de madeira legalizada. Página 08

Mulheres são estimuladas ocupar mais espaços nas cooperativas A realização do IEncontro ePrimeiro Forum de Gênero e Cooperativismo no Estado do Acre valoriza conquistas. Pag 07

Esporte e lazer ajudam a construir espírito de equipe para vencer A I fase dos jogos cooperativos foi marcado pela competição e confraternização que continuam dia 14/12 no Juventus Pag 06


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Encarte Especial

Jornal Página 20

Planejamento tributário

Sibá o conselheiro

A experiência e o bom relacionamento contruído pelo geógrafo Sibá Machado durante o tempo que esteve no senado dedicando a maior parte de seu tempo a projetos que hoje beneficiam os pequenos produtores acreanos. Que o digam aqueles que hoje vivem melhor da bacia leiteira, além de ter conseguido recursos para a criação de centros de difusão tecnológica que orientam produtores e seus filhos para a melhoria da produtividade no campo, o fez digno de ser indicado conselheiro nacional do Sescoop representando o Acre. Ele participou da II Encontro de Representantes do Conselho Nacional nos Conselhos Estaduais realizado no dia 25 de novembro, em Brasília, onde o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes Freitas destacou a importância do Sescoop com sua missão de educar e qualificar tanto jovens quanto lideranças, já que estar bem preparado é ponto fundamental para enfrentar e vencer a crise econômica que atinge o mundo. Destacou a parceria proposta ao sistema Sescoop/OCB pelo próprio presidente Lula durante a 1ª Conferência Nacional de Aprendizagem Profissional, quando garantiu que o governo federal vai investir na capacitação de jovens e o sistema cooperativo é parceiro da lei que privilegia a inserção deles no mercado de trabalho. A meta é inserir 800 mil aprendizes no mercado até 2010.

Um grupo de 31 contadores e gestores que atuam no ramo cooperativo participaram da primeira fase do curso de Planejamento Tributário para Cooperativas como Facilitador do Empreendimento que foi ministrado pela Trainee Assessoria representada pelo consultor de empresas, Evarlei dos Santos Pereira que atuou focado na questão tributária do cooperativismo. No primeiro módulo estudaram os aspectos contábeis e tributários relativos ao setor; a gestão contábil e administrativa da cooperativa; as alternativas contábeis facilitadas pela lei 11.638/2007; a apuração do lucro real; ajustes do lucro líquido na apuração do IRPJ e CSLLO; contribuição do PIS, COFINS e na folha de pagamento. A primeira fase aconteceu nos dias 23 e 24 de outubro, com 16 horas. A segunda acontecerá neste dezembro com igual carga horária.

Apanhando e aprendendo

Durante a inauguração da indústria madeireira da Cooperfloresta a coordenadora geral do Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA) Nívia Marcondes destacou que: “Nossos manejadores apanharam muito nestes últimos 12 anos, mas aprenderam que é necessário se unir, se organizar e qualificar-se para administrar a floresta e seus produtos que garantirão lucros e com ele a conservação de seu modo de vida com dignidade!”

Turismo cooperativo

Outra cooperativa acreana que esteve presente durante a Feira das Américas, maior evento da área dos negócios do turismo na América Latina foi a Aruakretur representada pela líder dos guias turísiticos do Acre, Ana Maria Cunha. Ana lembra que: “Ali tivemos a oportunidade para divulgar o Acre e conhecer as experiências de sucesso em outros estados e países que investem no ecoturismo. Constatei que ainda teremos muito trabalho para consolidar nosso produto turístico, mas temos o que os visitantes mais querem, ou seja, o mistério e a fascinação pelos destinos inexplorados onde tudo é novidade!”

Táxis e relacionamentos

Boa$ nova$

Reunião realizada no início de novembro na sede da Unicred com várias outras cooperativas de crédito e de produção deu início a um processo de discussão inovador que colocará o cooperativismo num novo patamar onde estaremos contribuindo ainda mais decisivamente para o desenvolvimento do Acre. A idéia agora é de as cooperativas de crédito passarem a financiar o setor produtivo utilizando seu capital e recursos captados através de seus associados, os quais, ao invés de investirem seu dinheiro no mercado financeiro cada vez mais “evaporoso”, façam isso com objetivos mais concretos e vantajosos para toda a comunidade acreana.

Capacitar é preciso

A profissionalização das lideranças e gestores cooperativos é uma exigência natural dos novos tempos para que as empresas alcancem o sucesso desejado em seus projetos de benefício coletivo. Para isso, o Sescoop/OCB ofereceram a 20 conselheiros de administração de cooperativas de Rio Branco, Porto Acre e Capixaba, no período de 20 a 22 de outubro um curso de capacitação para que conheçam qual seu verdadeiro papel e função dentro das empresas cooperativas. Mais que analisar, aprovar ou reprovar contas, eles devem assessorar a diretoria das entidades para que as coisas andem bem. A segunda fase do treinamento acontece em dezembro.

ACRE COOPERATIVO Jornal informativo do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-Ac) Rua Chile, 213 - Conjunto Habitasa - Rio Branco - Acre Fones: (68) 3223-8189 e fax 3223-6487 E-mail: sescoop.ac@globo.com / site: www.brasilcooperativo. coop.br Jornalista responsável: Juracy Xangai Telefone (68) 9984-2384 E-mail: jxangai@gmail.com

A pedido da Cooperatex, mais conhecida como Rádio Táxi Executiva o SescoopAc preparou e ministrou um curso de relações interpessoais do qual participaram 29 taxistas e operadores de rádio para melhorar seu relacionamento com os clientes. O treinamento que teve carga horária de 16 horas ministradas sempre à noite, será repetido em mais duas edições para atendes todos os 85 sócios e seis funcionários da Rádio Táxi. “Aprendi muito com este curso porque nós somos pessoas simples e precisamos aprender a nos relacionar com clientes de todos os níveis. A maior dificuldade está em encontrar assuntos de interesse do passageiro, além de saber indicar pontos turísticos e falar sobre a história do Estado e do município”, explica José Aldeci Branco que está na praça há 10 anos.

Prestando contas

Lembrando a peculiaridade do Sescoop que por ser uma entidade de caráter privado que utiliza recursos de origem parafiscal em suas ações, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), André Luiz de Carvalho destacou as responsabilidades, direitos e de veres dos conselheiros nacionais e estaduais do sistema. Carvalho foi o palestrante convidado para o II Encontro Nacional de Conselheiros do Sescoop.

Alugue Brasil

Empresário Elvandro Ramalho, o “Noel”, proprietário da Noel Veículo associou sua locadora à cooperativa nacional Alugue Brasil que pela primeira vez esteve oferecendo seus serviços durante a Feira das Américas realizada no mês de outubro no Rio de Janeiro. Ele é mais um que adere à nova tendência mundial de negócios se unindo em cooperativas empresariais, o que comprova que a união faz a força. Um exemplo a ser seguido também pelas nossas cooperativas unindo-se a outras do mesmo ramo para reforçar o setor como tem feito as 22 associações e cooperativas que industrializam e vendem sua produção de castanha, borracha e outros produtos da floresta através da Cooperacre.


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Encarte Especial

TRANSPORTE DE QUALIDADE

Cooperativa de micro-ônibus propõem soluções alternativas ao caos no transito da Capital e para atender zona rural

O

s transportes públicos tornaram-se um dos maiores problemas das cidades em todo o Brasil e porque não dizer no mundo, mas no Acre isso começa a ser resolvido de maneira utilizando o serviço alternativo de cooperativas que com seus microônibus levam um atendimento mais eficiente e personalizado à população. Os 15 micro-ônibus da Cooperativa so Transporte Complementar de Passageiros do Estado do Acre e Sindvans, o Coopervans, vão e vem nas duas linhas de Rio Branco para as vilas do “V” e do Incra transportam uma média de dois mil passageiros por dia. Nesse trabalho eles garantem a gratuidade para idosos e deficientes, além da meia passagem para estudantes e policiais. Animados com os resultados positivos do ponto financeiro e da satisfação causada a seus usuários, a Coopervan sente-se preparada para propor à prefeitura de Rio Branco a concessão de novos serviços complementares de transporte público, como por exemplo, a criação de linhas alternativas para atender a população de bairros que as grandes empresas não conseguem atender. Outra reivindicação é pela autorização para que realizem o atendimento a setores específicos como estudantes, pacientes de hospitais, empresas e universitários. “Queremos ajudar a desafogar o trânsito da capital que anda pra lá de conturbado por causa do excesso de carros que as pessoas usam para ir ao trabalho, deixar crianças na escola ou dirigir-se às universidades. Nós trabalharíamos criando linhas fixas com horário para recolher as crianças e deixá-las nas escolas, alunos que vão à universidade e pacientes que tem atendimento marcado na Fundhacre, por exemplo”, esclarece o presidente da Coopervan, Edmar Araújo de Queiroz. História de vencedores Tudo começou há pouco mais de cinco anos quando algumas pessoas perderam o emprego e resolveram juntar suas economias para investir em vans para atuar no sistema complementar de transporte. Como eles não tinham concessão de linhas, as grandes empresas reclamaram e apesar de pressionados pela fiscalização da prefeitura, eles protestaram e unindo suas forçar para sobreviver fundaram o Sindicato das Vans (Sindvans) que deu origem à Coopervan. Na Coopervan a regra é que todos os micro-ônibus tenham ar condicionado e os passageiros viagem sentados. Cada veículo tem um proprietário, mas os lucros e despesas são divididos entre todos e o resultado vem sen-

do muito positivo, pois mesmo aquele que circule num horário de menos movimento, sabe que não está tendo prejuízo e presta seus serviços com satisfação ainda que leve poucos passageiros. “No começo éramos apenas 15 veículos, hoje temos 15 carros associados gerando uma média de 400 empregos diretos. Considerando os problemas de transporte que afetam a população de Rio Branco e de municípios próximos, se a gente obtivesse as concessões que desejamos em pouco tempo estaríamos com cem associados e geraríamos mais de 400 empregos diretos”. Garante Edmar que acumulou experiência suficiente sobre o setor ao atuar por mais de dez anos junto à administração das empresas de transporte Acreana, Aquiry e Eucatur, antes de tornar-se um cooperado. Cliente é o patrão - Edmar lembra que ao serem atendidos pelas grandes empresas os passageiros nunca tem a chance de conversar e reclamar diretamente ao dono dos carros, já quando usa um micro-ônibus da cooperativa quem está dirigindo o veículo é o proprietário é que precisa justificar e corrigir as falhas que por acaso aconteçam. Esse contato direto com o passageiro gera mais sensibilidade para solucionar seus problemas, tanto é assim que o número de veículos é aumentado no período do dia 20 a 10 do mês seguinte quando acontece o pagamento dos aposentados, os quais sempre voltam da cidade carregados de sacolas com o rancho do mês. “Nossa prestação de serviços é um negócio que tem de gerar lucro senão a gente não sobrevive, mas o contato direto com a população nos faz parceiros porque nos solidarizamos buscando ajudar a solucionar seus problemas. Muitos precisam chegar mais cedo para trabalhar na cidade ou trazendo frutos e verduras para a feira, outros têm de conseguir uma ficha de atendimento nos postos de saúde e na Fundhacre, assim realizamos um trabalho de utilidade pública”. Afirma. Transporte seguro - Sem querer ofender, Edmar apela para os fatos e lembra que não são raros os acidentes com veículos das grandes empresas, geralmente causados por falta de freios e manutenção de outros equipamentos que deveriam garantir a segurança e a vida dos passageiros. “Nós trabalhamos com 15 veículos há mais de cinco anos, com partidas de meia em meia hora de Rio Branco para o Humaitá desde às cinco e meia da manhã até às sete da noite, e , de lá para cá das cinco da manhã às seis da noite e nunca tivemos

Micros da Coopervans garante atendimento personalizado no campo e na cidade

qualquer acidente dessa natureza porque quem está ao volante é o dono e cuida bem do carro que é seu ganha pão”. Aos municípios - A Coopervan quer obter do governo do Estado a permissão para criar linhas de atendimento em horários alternativos para municípios como Porto Acre, Plácido de Castro e projetos de colonização. “Quem não pegar o ônibus ao meio dia para Porto Acre, só vai poder fazer isso no fim da tarde, por isso os moradores

já nos procuraram pedindo que criasse uma linha alternativa que funcionasse às duas horas da tarde, mas não podemos fazer isso sem concessão do Estado”. Essas dificuldades para ampliar seus serviços que ajudariam a desafogar o trânsito da Capital além de melhorar as condições de vida da população urbana e rural, segundo Edmar, são causados pela falta de um marco legal que estimule os vários ramos de atuação do cooperativismo no Acre. “Já está provado que o sistema

cooperativo é a forma mais barata e rápida de acelerar o crescimento econômico através da produção que vai gerar emprego e renda melhorando a vida da população, mas ainda há muita resistência a isso porque as empresas tem suas organizações com muita influência nas esferas do poder. Pessoas como o deputado federal Fernando Melo e o senador Siba Machado sempre nos apoiaram e tem dado solução a vários problemas, por isso tenho fé de que ainda vamos chegar lá!” Promete.

Salvação da lavoura Dona Gencínia de Paulo moradora da vila do V no Projeto Humaitá usou o ônibus para vir à Capital nesta semana para receber sua aposentadoria. Ela esclareceu que: “Antigamente era só os ônibus grandes que nos atendiam, mas eram poucos por dia, hoje são os micro-ônibus com ar condicionado saindo de meia em meia hora e isso facilita muita a vida da gente que precisa vir para a cidade e voltar logo pra casa”.

Já o ex-seringueiro Francisco Sales de Souza que há mais de 30 anos vive na colônia Pique do Meio, antiga colocação do atual projeto de assentamento Tocantins esclareceu que: “Antigamente a gente se obrigava a andar 45 quilômetros a pé ou em lombo de animal para conseguir chegar à beira da estrada de Porto Acre. Hoje a gente vai de Toyota até a vila do V e de lá vem de micro-ônibus até Rio Branco. Assim a viagem que antes demorava até quatro dias, agora a gente faz num dia só. Melhorou muito mesmo!”


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Encarte Especial

Credibilidade reconqu

União da categoria, bom relacionamento com governo e prefeitura sustentam ação da Transcoop e

C

arreatas e protestos contra o atraso no pagamento de serviços prestados pelos operadores de caminhões e máquinas pesadas ao governo do Estado e prefeitura da capital hoje são coisa do passado e o setor que até bem pouco sofria em busca de trabalho hoje investe na compra de máquinas e vai muito bem obrigado. Mas isso não foi obra de milagre, mas de muito esforço da categoria que com as dificuldades aprendeu a unir-se em cooperativas para defender seus interesses comuns. O resultado é que de cada dez máquinas alugadas para obras do governo do Estado, oito pertencem às cooperativa e destas, seis são da Cooperativa dos Proprietários de Caminhões e Máquinas Pesadas (Transcoop), metade das máquinas alugadas ou contratadas pela prefeitura de Rio Branco são da desta cooperativa que assim lidera o setor. “Conquistamos nosso espaço à custa de muita conversa, negociação e o apoio de amigos como o engenheiro Ricardo e do deputado Walter Prado que ajudaram a resolver os problemas de relacionamento que tínhamos com o Deracre. O apoio do governador Binho ao criar oportunidades para os pequenos negócios e a seriedade do Marcos Alexandre pagando

em dia pelos nossos serviços fez com que nosso setor progredisse muito nestes dois anos e todos os nossos sócios vem investindo na compra de máquinas novas”, explica Romeu Paiva de Oliveira que é presidente do Transcoop e vice –presidente da OCB/ Sescoop no ramo dos transportes. O bom relacionamento estende-se também à prefeitura da Capital e municípios onde os serviços da cooperativa são cada vez mais requisitados. Assim, em 2007 a cooperativa foi privilegiada com R$ 12 milhões em contratos, dos quais R$ 8 milhões tiveram os recursos liberados e foram todos executados gerando cada vez mais credibilidade para o setor. Um dos pontos fundamentais para que esse sucesso esteja sendo alcançado está no fundo de apoio aos sócios criado pela equipe de Romeu. Ele é acionado emprestando dinheiro aos cooperados quando uma máquina ou caminhão quebra ou precisa ser melhorado para atender serviços específicos. No caso de consertos orienta sobre a compra de peças e oficinas especializadas, mas também esclarece dúvidas sobre os bancos e linhas de crédito mais favoráveis na hora de comprar equipamentos e caminhões. Sócios da Transcoop comemoram vitórias coletivas ajudando a desenvolver e o Acre e melhorar a qualidade de vida

Melhorando o ramal da Conquista

União é a força A Transcoop que nasceu em 2002 sob a liderança de Júlio Farias com apenas 21 sócios, todos prestadores de serviços ao Deracre e prefeitura, hoje tem 43 associados. Se o número de participantes mais que dobrou o número de máquinas se multiplicou várias vezes. Durante três anos os cooperados enfrentaram sérias dificuldades até que em 2006 os problemas de relacionamento com o Deracre foram sendo resolvidos e em 2007 o negócio deslanchou apoiado pelo Serviço de Aprendizado do Cooperativismo (Sescoop) cujo presidente Valdomiro Rocha e o Superin-

tendente Emerson articularam o diálogo com parlamentares e o governo. “O Deracre é nosso principal cliente e seu diretor Marcus Alexandre atua de maneira justa abrindo concorrências leais onde a nossa união permite concorrer com as empresas na disputa de preço e a qualidade de nosso trabalho garante a credibilidade que o governo necessita para saber que o serviço vai ser realizado com segurança. Quando a máquina de um sócio quebra na obra, acionamos outro sócio para resolver o problema, assim não falta serviço pra ninguém e todos ganham”.

Crescendo juntos

História de suc

Romeu não esconde sua satisfação ao lembrar que quando assumiu a presidência da Transcoop ela funcionava numa salinha alugada, hoje possui sede própria totalmente equipada para atender os associados. Mas os planos não param por aí já que o presidente poupou dinheiro para construir outra no ano que vem, uma nova sede onde haverá um posto de abastecimento de combustíveis, posto de lavagem, oficina, borracharia e como ninguém vive só de trabalho, um restaurante para refazer as forças, mais área de lazer e piscina em sua sede social.

O caçambeiro José Maria de Melo Nogueira lembra que em 1999 quando Jorge Viana assumiu o governo ele tinha uma caçamba toco 15/19 e penava para encontrar trabalho. Dali por diante as oportunidades começaram a aparecer e na época ainda eram representados pelo Sintraba, os arranhões políticos atrapalhavam os “Hoje negócios e em 2002 perspe fundaram a cooperaa de cr tiva que por motivos semelhantes viram as cada ve portas dos principais tendo e fornecedores de serque o g viços se fecharem à e prefe sua frente. Isso acabou ge- estão rea rando um racha entre cada ve os associados, o que investime deu origem a uma segunda cooperativa, mas Zé Maria persistiu continuando na Transcoop. “As coisas só começaram a mudar quando Romeu assumiu a liderança de nossa cooperativa e soube negociar com o governo. A partir de 2004, a parceria entre o governo federal, governo do Estado e prefeitura para realizar obras, as coisas começaram a melhorar,

O crescimento da cooperativa é reflexo do crescimento de seus associados que repassam à entidade 3% de seus contratos. Exemplo de como as coisas andam, segundo Romeu, o ex-presidente Júlio Farias que tinha apenas um caminhão caçamba, hoje tem quatro caminhões e mais quatro máquinas pesadas e um areal. O próprio Romeu recorda: “Eu mesmo tinha apenas uma caçamba toco, hoje tenho sete caminhões, sete máquinas pesadas e um areal. Isto graças à credibilidade que rende cada vez mais trabalho aos sócios da cooperativa”.

Romeu: “Construímos relacionamentos que redem obras para todos”


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Encarte Especial

uistada

Acreditando no cooperativismo

e lucros aos sócios

Investindo nos sócios Os sócios do Transcoop hoje possuem cerca de 210 máquinas, equipamentos e caminhões que neste ano estiveram realizando ou participando de obras em 12 dos 22 municípios do Estado. Cada máquina gera uma média de três empregos diretos, além de oferecer serviços às oficinas mecânicas, tornearias, restaurantes e postos de combustíveis. Desde que passou a trabalhar em parceria com o Sescoop-Ac, a diretoria da Transcoop passou

por uma série de cursos e treinamentos para profissionalizar a administração desta cooperativa. E vai aproveitar a parada das máquinas neste inverno 2008/2009 para colocar em prática as parcerias com Deracre, Sescoop, Sinduscon e Senai para oferecer treinamento de qualificação profissional para os motoristas, operadores de máquinas e mecânicos associados ou que prestam serviço regular nas suas obras.

Quantidade e qualidade Romeu nem gosta de lembrar que quando assumiu a cooperativa só restavam 12 sócios, o restante tinha ido buscar socorro em outras duas entidades de onde muitos retornaram e outros foram associados. “Preferimos trabalhar com a qualidade que com a quantidade de sócios, por isso só trabalhamos com quem garante o serviço. As obras do PAC vieram reforçar

nossas ações com a realização de obras pelo governo do Estado, prefeitura e INCRA, mas os financiamentos também refletiram positivamente nas empresas para as quais temos feito a terraplenagem de terrenos como a do novo Ceasa, pátios de indústrias e muitos açudes financiados pelos produtores rurais, principalmente junto ao Banco da Amazônia”, afirma Romeu. SÉRGIO VALE

da populção urbana e rural

cesso

mas as portas só se abriram totalmente pra nós já no governo Binho”. A empolgação de Zé Maria é motivada pelo progresso que ele próprio conseguiu através da cooperativa, recordando que no começo dessa luta de quase dez anos tinha apenas uma caçamba, hoje possui quatro, três delas são truck e uma nossa mais uma patrol, ectiva é toco, uma pá mecânica, rescer um rolo compressor ez mais, e uma prancha para em vista facilitar o transporte máquinas. governo dasAnimado ele deeitura clara: “Hoje nossa alizando perspectiva é a de ez mais crescer cada vez mais, em vista que o entos...” tendo governo e prefeitura estão realizando cada vez mais investimentos e o Romeu tem sabido ampliar nossos relacionamentos com eles, com outras prefeituras e especialmente com as empresas privadas que antes nos viam como concorrentes e hoje nos têm como parceiras alugando nossas máquinas ou sub-contratando serviços em muitas obras”.

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Mantendo contratos de Marcus Alexandre destaca obras com a Transcoop, Emot que a vontade política do goe Transterra, o diretor geral do vernador Binho Marques em Deracre, Marcos Alexandre criar oportunidades de negócios lembra que o governo do Esta- para os trabalhadores organido conseguiu realizar ações de zados também reforçou estas recuperação e melhoria em mais parcerias. de 4.000 quilômetros de ramais “Antes o Deracre mantinha e estradas vicinais e outros 500 contratos individuais com mais quilômetros de melhorias de de cem caçambeiros e proprietápista utilizando mais de 300 rios de máquinas, era complicado máquinas pertencentes ao De- administrar toda aquela papelada, racre e às cooperativas. mas hoje negociamos com apenas Foram 24 frentes de trabalho três cooperativas que repassam os em 18 municírecursos a seus pios que além associados, isso dos trechos refacilitou a vida cuperados aindeles e a nossa”, da realizaram afirmou Marcus o asfaltamenpara então desto dos ramais tacar que: “Além Santa Helena de facilitar a opee Quixadá, na racionalização Capital, Linha de nossas obras, Três e Santa Luo contrato com zia em Cruzeiro as cooperativas do Sul e Batogarante aos acreque em Mâncio anos contribuLima num total Marcus Alexandre : “O bom am, participem de 63,5 quilô- relacionamento atrai parcerias” e lucrem do prometros. Apesar cesso de desendo inverno está em andamento o volvimento econômico e social asfaltamento do ramal de acesso que estamos promovendo”. ao Pólo Agroflorestal Geraldo Lembrou que as obras de Mesquita e em 2009 acontecerão asfaltamento da BR-364 entre os dos pólos Hélio Pimenta, Costa Sena Madureira e Cruzeiro do e Silva, Dom Joaquim e Wilson Sul geraram emprego para mais Pinheiro. de 1.600 operários neste ano e “Confesso que havia uma que muitos deles pertenciam certa resistência a repassar às cooperativas. Isso permitiu trabalho às cooperativas por- que neste verão fossem batidos que tínhamos dúvidas de sua todos os recordes anteriores no capacidade e organização para transporte de carga e passageiexecutar as obras, além do ros naquele trecho. fato de que algumas lideranças Marcos destacou que : “A dificultavam as negociações. continuidade e o sucesso desta Mas elas são hoje nossas prin- parceria do governo com as cipais parceiras, especialmente cooperativas depende exclua Transcoop. Temos trabalhado sivamente do bom relacionamais e melhor graças à divisão mento de seus diretores com e organização do trabalho que os administradores públicos. permitiu criar várias frentes de Essas lideranças são a cara da serviço cada uma cuidando de cooperativa por isso precisam seus problemas locais, por isso saber conversar e negociar esta parcerias com as cooperati- conhecendo direitos e reconhevas só tende a se ampliar”. cendo seus deveres”.

Questão de credibilidade

Parceria Transcoop e governo beneficia Transacreana

O futuro promete A nova tendência da política de desenvolvimento que está sendo executada pelo governo do Estado voltado ao fortalecimento do setor produtivo gerando oportunidade às micro empresas e pequenos produtores rurais anima Romeu. “Nós passamos mais da metade do nosso primeiro mandato curando feridas

e buscando espaço para trabalhar, agora as portas estão abertas e nosso segundo mandato será a hora de colhermos juntos os frutos deste trabalho. Me empolgo porque essa nova política que se implantou no Acre está criando ótimas oportunidades que nós precisamos saber aproveitar bem”.

“Romeu tem sabido ampliar nossos relacionamentos com eles, com outras prefeituras e especialmente com as empresas privadas que antes nos viam como concorrentes e hoje nos têm como parceiras” ZÉ MARIA

Gerenciando o departamento de estradas vicinais e ramais do Deracre pelo governo, Ari Júnior esclarece que as parcerias entre o Estado e as cooperativas é sustentado pela credibilidade conquistada por essas empresas coletivas ao cumprir prazos e garantir qualidade nas obras realizadas a um preço mais baixo que as concorrentes. Segundo Júnior, o fato de os cooperados serem proprietários das máquinas permite que tenham uma maior flexibilidade na hora de negociar o preço dos serviços, outra vantagem é a de que quando uma máquina dá problema eles atuam solidariamente com outro cooperado substituindo o equipamento parado, essa organização e apoio mútuo garante maios eficiência na realização das obras que garantem benefícios à população da cidade, do campo

e da floresta. “Neste ano nós atuamos em cerca de 4.600 quilômetros de estradas, 400 quilômetros foram de piçarramento isto mobilizou mais de 350 máquinas e movimentou aproximadamente R$ 32 milhões, dos quais, pelo menos R$ 6 foram contratados diretamente com as cooperativas, mas as empresas também sub-locam muitos serviços e máquinas dos cooperados. Focado no desenvolvimento econômico pelo estímulo ao setor produtivo, o governo vem levando apoio ao produtor rural que teve 435 ramais melhorados neste ano de 2008. Ele garantiu que: “Em 2009, todos os ramais de acesso aos pólos agroflorestais estarão asfaltados e, com certeza, as cooperativas vão participar disso direta ou indiretamente”.


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JOGOS COOPERATIVOS

Esportes promovem integração fortalecendo o espírito de equipe entre cooperados que trabalham e se divertem juntos

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uito suor, lazer e diversão marcaram a realização da primeira fase dos primeiros Jogos de Integração Cooperativista do Estado do Acre realizados na Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) de Rio Branco no dia 23 de novembro com a participação de 300 lideranças, sócios e trabalhadores do sistema cooperativo acreano. O futebol de salão, dama, sinuca e tênis de mesa foram as principais modalidades disputadas nesta atividade recreativa criada para desenvolver o intercâmbio sócio-desportivo entre as lideranças, sócios, trabalhadores do sistema e seus familiares. Em dos propósitos principais dessa ação é incentivar as crianças, jovens e adolescentes a uma vida mais saudável praticando esportes, conhecendo pessoas e promovendo a troca de experiências entre as organizações. “Estes primeiros jogos cooperativos só foram possíveis graças a aprovação de nosso projeto beneficiado pela Lei de Incentivo à Cultura e ao Desporto pelo governo do Estado por meio da Secretaria do Esporte e do Lazer. A segunda fase destas competições acontecerá no dia 14 de dezembro no Clube Juventus quando também haverá um torneio de futebol de campo”, explicou Denir Oliveira que organizou os jogos realizados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-Ac). Ele também agradeceu o apoio financeiro recebido de cooperativas como Credmac, Cooperacre, Unicred, Cooperfica, Capital Cred, Coopel, Cooperflo-

de conhecer mais pessoas, nós trocamos informações e experiências”. Morador do projeto de assentamento Zaqueu Machado, em Capixaba, Marlon Pereira Rodrigues participou do time de futsal que defendeu o nome da Cooperbem. “Estes são os primeiros jogos cooperativos que participo e estou achando ótimo, princi0palmente pelo fato de que melhora o intercâmbio entre as pessoas. De minha parte estou dando o máximo nas equipes de futsal, dominó e dama, se der tempo ainda quero jogar sinuca!”

Jogos cooperativos promoveram diversão e a integração que continuam dia 14 de dezembro no Juventus

resta, Coopervan, Coopermóveis e Uniodonto, além do patrocínio da Disk Papelaria Globo e sistema Sescoop/OCB. Glória aos campeões - O time da Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos do Adalberto Aragão (Coopscar) venceu o time da Unimed sagrando-se campeã do torneio de futebol de salão. Nos jogos de mesa, Ricardo Soares da Silva venceu na sinuca pela Unimed e Lukmane Nascimento Pinto no jogo de dama defendendo a Cooperatex.

O vencedor na modalidade tênis de mesa foi Leumes Félix da Silva representando a Cooperbem. Adultos, jovens e crianças foram atraídos pelo dominó como atividade de lazer e diversão. Mais de 300 pessoas representando dezenas de cooperativas de todo o vale do Acre e Purus que enviaram suas equipes para participar dos jogos que prometem uma segunda fase ainda mais animada neste mês de dezembro. Integração cooperativa Cleyton Aguiar de Morais, 18 que

participou dos jogos integrando a equipe de futsal da Cooperativa Doce Mel declarou: “Gosto muito de futebol de campo e de salão e acho muito legal que as cooperativas tenham organizado esta festa onde podemos conhecer os participantes de outras cooperativas e trocar idéias”. Já Maria de Nazaré, 22 anos desafiou e venceu vários adversários no tabuleiro de dama . “Jogos como este criam envolvimento que geralmente não existia entre as cooperativas. Quando as comunidades se encontram, além

Para todos - O primeiro campeonato entre cooperativas aconteceu no ano passado com recursos do Sescoop e OCB, mas que a partir da aprovação de projeto apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e o Esporte está sendo possível consolidar este evento enquanto jogos específicos do setor cooperativista. Denir declarou que: “Estes jogos promovem a integração entre lideranças, cooperados e trabalhadores do setor cooperativo estimulando o trabalho em equipe e divulgando as atividades do sistema. Isto só foi possível graças ao apoio que recebemos do secretário estadual do Turismo, Esporte e Lazer, Cassiano Marques, além das cooperativas e empresas que contribuíram para abrilhantar nossas competições”, agradeceu Denir avisando que para 2009 estão sendo programadas atividades voltadas especificamente ao público infantil, jovens, mulheres e idosos.

O futuro do cooperativismo Mais de 80 jovens representando as cooperativas existentes em dez municípios do Acre participaram do I Encontro Estadual de Jones Cooperativistas realizado no dia 25 de outubro, em Rio Branco. Vindos dos municípios de Manuel Urbano, Sena Madureira, Rio Branco, Porto Acre, Acrelândia, Capixaba, Xapuri, Brasiléia, Senador Guiomard e Assis Brasil aqueles 88 jovens superaram a meta de 70 participantes deste evento que tem como motivação principal a ação dos jovens que melhorando seus conhecimentos poderão fazer ainda mais e melhor quando assumirem as empresas cooperativas hoje lideradas por seus pais. “Aqui no Acre a participação dos jovens dentro do ambiente cooperativo ainda é uma novidade, mas é vista com muita simpatia por todos, só que lá no centro-sul

há uma preocupação tão grande nesse sentido que a maioria das cooperativas tem departamentos e ações específicas para estimular sua participação tanto nas atividades esportivas quando na produção e administração das entidades”, explica Solange ... que coordenou a organização deste evento pelo Serviço de Aprendizagem do Cooperativismo (Secoop-Ac). A palestra proferida por Leonardo Boeschi que é responsável pelo setor de treinamento de recursos humanos do Sescoop do Paraná foi um dos pontos altos do encontro. Durante os debates que o seguiram, os jovens participaram ativamente tirando dúvidas, questionando e buscando esclarecimento sobre o funcionamento das entidades e o papel que podem exercer dentro destas organizações. Aproveitaram a ocasião para

expressar seu interesse pessoal em poder participar de todas as atividades das cooperativas. Além disso expressaram seu interesse em multiplicar para outros jovens de suas localidades o conhecimento adquirido durante este primeiro Encontro Estadual de Jovens Cooperativistas. Aproveitaram para sugerir que nos próximos eventos sejam incluídos na pauta de debates, assuntos como saúde e doenças sexualmente transmissíveis, investimentos na juventude cooperativista. Ainda noções de gerenciamento e mercado para que as cooperativas possam investir bem seu capital e assim garantir o crescimento das organizações que assim estarão contribuindo para o desenvolvimento e a melhoria das condições de vida no Acre. O evento foi concluído com uma despedida calorosa de jo-

Jovens empolgados para assumir seu papel dentro das cooperativas

vens que ali construíram novas amizades e tomaram consciência de sua importância para o crescimento e o fortalecimento do setor cooperativo no Acre, no Brasil

e no mundo. Partiram já com a expectativa do quanto poderão ampliar seus conhecimentos no próximo encontro que será realizado em 2009.


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Encarte Especial

MULHERES COOPERATIVISTAS Encontro de gênero destaca a força e influência crescente das mulheres no campo e na cidade

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mpliar a participação e o empoderamento das mulheres dentro das cooperativas acreanas foi o tema central do I Encontro de Mulheres Cooperativistas e I Fórum Estadual de Gênero e Cooperativismo do Estado do Acre que aconteceu durante todo o dia 22 de novembro, das oito da manhã às cinco da tarde no auditório da Delegacia Federal da Agricultura. O evento que reuniu 109 mulheres cooperativistas e colaboradores de todo o Estado, foi prestigiado com a presença do deputado Federal, Fernando Melo, e da coordenadora Municipal de Assuntos da Mulher, pela prefeitura de Rio Branco, Rose Scalabrini. Na pauta de debates, além da necessidade das mulheres participarem cada vez mais de cargos com poder de decisão dentro das cooperativas urbanas e rurais, também constaram assuntos como a saúde e a violência contra a mulher. Solange Luiz Ribeiro de Matos a gerente de desenvolvimento do cooperativismo pelo Sescoop-Acre foi quem organizou o evento e destacou que: “Dentre

as 74 cooperativas associadas ao sistema Sescoop no Acre, 25 são presididas por mulheres. Isto demonstra que nós acreanas que já tivemos a primeira governadora, primeira senadora e primeira presidente de Tribunal de justiça do país, continuamos sendo referência no que se refere à participação de mulheres nas esferas do poder. Apesar disso temos de reconhecer que ainda há muito preconceito, violência e desrespeito para com os direitos da mulher, destacadamente nas áreas da saúde, segurança e nas relações de trabalho!” O descaso das autoridades para com o gênero feminino, é flagrante quando se constata que dos 22 municípios acreanos, só três possuem secretarias ou coordenadorias dedicadas a solucionar os problemas das mulheres. Mulheres estas que já compõem mais da metade do eleitorado e considerando que nas salas de aula dos cursos de formação e profissionalização elas geralmente compõem 70% dos alunos, sua participação nas esferas do poder e de trabalho vai crescer muito nos próximos anos.

Saúde precária A primeira palestra foi proferida pela conselheira Nacional dos Direitos da Mulher, Leide Aquino falando sobre as Políticas Públicas para mulheres, ela destacou o fato de que de cada 100 mulheres acreanas que engravidam, sómente 30 conseguem receber atendimento no pré-natal o que não permite

prevenir má formação do feto e prevenir doenças evitáveis, além de colocar em risco a vida da mãe e da criança. Também destacou o esforço do governo do Estado para corrigir esse problema a fim de que até 2010 pelo menos metade das acreanas grávidas recebam atendimento pré-natal na rede pública de saúde.

uma participação efetiva das mulheres em cada uma delas. É por entender isso que nós do Sesscoop estamos estimulando que as mulheres, além de participar diretamente do gerenciamento das cooperativas, organizem –se em grupos para atuar de maneira solidária para acelerar o desenvolvimento do Estado e a melhoria das condições de vida da população!”

Ameaça do câncer Maria Suely M. Medeiros da ONG Amigos do Peito proferiu palestra preventiva contra a incidência do câncer em mulheres, especialmente o de mama, tendo em vista que a cada ano são descobertos mais 8 milhões de casos no mundo, 54 mil deles no Brasil e destes, dez mil morrem em conseqüência dessa doença silenciosa. Alertou também para o fato de que o auto-exame feito pelas próprias mulheres para detectar o surgimento de caroços tem pouca eficiência porque quando chega a ser sentido pela mão esse câncer já está muito desenvolvido. Por

Novos mamógrafos Durante sua palestra, o deputado Fernando Melo aproveitou para anunciar que reservou R$ 600 mil em suas emendas parlamentares com a finalidade de que esse dinheiro seja utilizado para comprar quatro

mamógrafos que deverão ser instalados nos municípios de Sena Madureira, Brasiléia, Tarauacá e Cruzeiro do Sul. “Estamos sensibilizados para com o problema enfrentado pelas mulheres que tem suas

Violência continua

Participação organizada Valdemiro Rocha presidente do Sescoop-Acre, organização realizadora do I Encontro e Fórum de Gênero no Acre, destacou a importância crescente da mulher na sociedade acreana e brasileira. “Temos clareza no entendimento de que apesar do esforço dos governos federal, estadual e municipal, é quase impossível das políticas públicas cheguem a toda a população sem que haja

Euracy Bonner destacou a participação da mulher no cooperativismo, seu desefios e oportunidades

isso o ideal mesmo é que todas as mulheres pudessem fazer o exame de momografia a cada seis meses. “O problema é que a maioria das mulheres não tem dinheiro para pagar o exame em clínicas particulares, assim dependem dos dois mamógrafos instalados no Centro de Controle do Câncer (Cecon), mas um dos aparelhos está quebrado e o outro funciona precariamente. Sem dinheiro as mulheres não tem a quem recorrer e, quando percebem que estão doentes, já pode ser tarde demais”, advertiu.

Atual delegada da 3ª Regional, Wania Lilia Maia foi por seis anos delegada da mulher e também corregedora geral de polícia do Estado do Acre e se apoiou nessa experiência durante a palestra que proferiu sobre a violência contra a mulher. Ela destacou que as formas de violância contra a mulher podem ser de natureza física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, isoladamente ou combinadas de acordo com cada caso, mas todas punidas criminalmente quando denunciadas. Lembrou que o Acre foi o

segundo Estado Brasileiro a criar uma delegacia especializada da mulher, a qual teve sua infraestrutura melhorada significativamente em 2003, mas apesar disso a violência contra a mulher continua sendo um dos grandes problemas da família acreana. Também elogiou o avanço representado com a aprovação da Lei Maria da Penha que tornou mais rigorosa a punição aos que agridem as mulheres, mas destacou que outros artigos dessa lei tem como objetivo principal a proteção da família brasileira.

“Mulheres como a ex-seringueira Marina Silva que foi alfabetizada aos 14 anos, orgulham o Acre no senado e é referência mundial na luta em defesa do meio ambiente”

vidas ameaçadas pelo câncer, especialmente o de mama, por isso destinamos recursos para a compra dos mamógrafos na esperança de poder ajudar a salvar vidas das mães de famílias acreanas”, afirmou Fernando.

Mulheres unidas Se estão cada vez mais organizada na defesa de seus direitos, as mulheres já não fazem o mesmo quando é hora de votar para conquistar cargos nos poderes legislativo e executivo, tanto que poucos partidos tem conseguido preencher os 30% de vagas reservadas para o gênero nas chapas eleitorais. Apesar disso, a coordenadora municipal da mulher, Rose Escalabrini destacou que no Acre elas ocupam espaços representativos nos poderes legislativo, executivo e judiciário. “Mulheres como a ex-seringueira Marina Silva que foi alfabetizada aos 14 anos, orgulha o Acre no senado e é referência mundial na luta em defesa do meio ambiente”.

Fórum nacional O I Encontro e Fórum Estadual de Gênero e Cooperativismo no Acre, precedeu o I Encontro e Fórum Nacional de Igualdade de Gênero realizado em Brasília no dia 26 de novembro, do qual participaram três sócias das cooperativas relacionadas ao Sescoop-Ac, mais duas funcionária da Delegacia Federal da Agricultura e uma da Coordenadoria da Mulher pela prefeitura de Rio Branco. Lá a ministra Nilcéa Freire, secretária Especial da Mulher pela presidência da República destacou que as mulheres vem se destacando cada vez mais pela sua capacidade de liderança tanto nas esferas políticas, quanto nas organizações

cooperativas e à frente de empresas privadas. Assim sendo, o que se constata é que no campo e na floresta elas já não são mais meras coadjuvantes de seus maridos no trabalho e produção, mas passaram a liderar esse processo, especialmente no que se refere à produção familiar. Isso levou o secretário do Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Márcio Portocarrero a anunciar que o ministério já defende a criação do Dia do Gênero e Cooperativismo, considerando o papel fundamental da mulher na transmissão de valores à família.

A artesã Vera Lúcia da Silva Santos presidente da Cooperativa Paiol, uma das pioneiras na produção de biojóias em Rio Branco foi uma das representantes do Acre durante o Encontro e Fórum Nacional de Gênero Cooperativista. “Nossa participação nesse evento foi muito importante porque criou oportunidade para conhecermos as experiências que estão acontecendo em outros estados do Brasil e em países da América Latina. Aprendemos muito com elas, especialmente com as do Uruguai onde, aparentemente, o governo apóia com bastante força o cooperativismo”, concluiu Vera.


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O calcanhar da preservação

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Polêmico conflito entre o manejo da madeira, sustentabilidade dos animais e dos povos da floresta

princípio fundamental da ecologia está baseado nas cadeias alimentares onde cada animal, inclusive o homem, se posicionam e sobrevivem de acordo com a oferta de alimentos, assim a cutia come o capim, a onça come a cutia e assim por diante, mas quando essa cadeia é quebrada alguém vai passar fome. Foi isso que o deputado estadual Zé Carlos do PTN-Acre apresentou e conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa um projeto de lei proibindo o abate e a retirada de madeira de 23 espécies que alimentam e dão abrigo aos animais, aves e insetos da floresta amazônica. Vinte e quatro espécies fazem parte da lista, a começar pela copaíba e andiróba que além

de medicinais alimentam uma infinidade de aves e animais, também inclui espécies como o jutaí, jatobá, ingá-ferro, envira caju, castanharana, toari, caucho, miringuiba, ureinha, cajuzim, uxi, guariúba, piqui, gameleira, caxinguba, gamelinha e cueira. O projeto foi vetado pelo governo do Estado atendendo aos apelos do setor madeireiro de que ele inviabilizaria o manejo florestal. Daí para cá está um para pra acertar a situação. “Fui criado no seringal e sei que como lá não tem supermercado os seringueiros e ribeirinhos são obrigados a caçar para conseguir parte da carne com que alimentam suas famílias. Agora como deputado tenho visitado os seringais e eles reclamam que nas áreas onde

Marceneiros pedem socorro e oram pela sobrevivência de seus negócios e da floresta

realizaram o manejo florestal a caça simplesmente desapareceu porque derrubaram as árvores que produziam os frutos e

sementes dos quais animais e aves se alimentavam. Por isso fiz o projeto de lei para defender aquelas árvores que são

Marcenarias em extinção

Solução negociada

A polêmica que começou na floresta também atinge diretamente as 152 pequenas marcenarias que geram mais de 600 empregos na cidade de Rio Branco. Isto porque elas não tem dinheiro para contratar bons técnicos e advogados para garantir a aprovação de seus planos de manejo e por isso tornaram-se dependentes das grandes indústrias madeireiras que só aceitam vender a madeira a preços que superam os R$ 1.200 o metro cúbico. O interessante é que essas mesmas empresas pagam de R$ 25 a R$ 40 por metro cúbico de madeira para os seringueiros. Cabe lembrar que como a maior parte dessa madeira vai para exportação ela também não paga o ICMs ao governo do Estado e ainda com o fato de que os proprietários das grandes empresas não sendo acreano aplica seus lucros fora do Acre. Isso gera um custo impraticável às pequenas movelarias, cuja única escapatória é comprar madeira ilegal, por isso mesmo são

Essas duas situações, a dos animais e a das marcenarias, levou o deputado Zé Carlos a promover no dia 28 de novembro numa das salas do Sest/Senat um debate com os marceneiros e o secretário estadual de floresta, Carlos Ovídio, o “Resende” na tentativa de encontrar uma solução mediadora para esse conflito. Resende defendeu que a industria madeireira é hoje um importante segmento da economia acreana e sem as espécies defendidas pelo deputado o manejo torna-se impossível. Propôs então que ao invés de proibir a derrubada das árvores, a solução estaria em definir onde e como elas poderiam ser retiradas. Argumentou que a proibição de corte das castanheiras não impediu que fossem mortas pelo fogo nas pastagens onde milhares apodrecem sem poderem ser aproveitadas, além do fato de que as que ainda sobrevivem tornaram-se economicamente improdutivas e os poucos frutos

acuadas pela legislação ambiental que está levando à extinção essas pequenas empresas. O fato é que em 1999 haviam 256 movelarias gerando cerca de mil empregos em Rio Branco. Em 2002 já restavam apenas 202 marcenarias e seu número continua se reduzindo a cada ano. “Estamos cercados pela fiscalização ambiental e sem o apoio devido nos vemos incapazes de vencer o cipoal burocrático para liberar nossos planos de manejo, por isso estamos ameaçados de extinção, enquanto praticamente toda madeira retirada no Acre vai para a exportação”, protesta Domingos Sávio o presidente da Cooperativa de Produção dos Moveleiros do Estado do Acre (Coopermóveis), o qual aproveitou para alertar que: “Visitei as 152 marcenarias que ainda existem na Capital e posso afirmar que se não formos apoiado imediatamente, mais de 50 movelarias serão fechadas nos próximos seis meses e isso vai deixar mais de 200 pessoas desempregadas”.

Descaminhos da floresta Após ouvir a reclamação e argumentos de vários marceneiros e artesãos que trabalham com produtos florestais, Sávio esclareceu que promessa semelhante foi feita há dois anos, mas que infelizmente, nenhum dos planos de manejo propostos pelas 27 marcenarias associadas à Coopermóveis, desde aquela época, foram aprovados e sequer analisados pelo Imac, tendo em vista que nenhuma resposta foi dada. Também criticou a miopia da legislação ambiental que só permite a retirada da tora de madeira pelas empresas, condenado a galhada e a parte da base dos troncos a apodrecer na floresta. O problema é que em cada árvore da qual as empresas tiram dez metros de tora, ficam na floresta

mais de cinco metros de madeira que poderia ser aproveitada pelos moveleiros, artesãos e erveiros que poderiam produzir medicamentos, chás aromáticos, óleos essenciais e até perfumes com elas. “O que a gente lamenta é que depois de mais de dez anos de política ambiental, nós que somos pequenos e proporcionalmente geramos mais empregos e muito menos danos à floresta, ainda não temos uma solução para os nossos problemas. A questão é urgente e não podemos mais aguardar por projetos que levam anos para serem resolvidos porque tanto o seringueiro que vive lá na floresta e os marceneiros aqui da cidade precisam dar de comer suas famílias agora mesmo!” Reclamou Sávio.

que ainda produzem causam risco de morte ao gado, peões e agricultores quando caem do alto dos 40 metros de altura desde a copa daquelas árvores. O secretário lembrou que as movelarias de todo o Acre consomem cerca de 5 mil metros cúbicos de madeira por ano enquanto nas derrubadas dos roçados feitos por seringueiros e agricultores mais de 1,5 milhão de metros cúbicos de madeira viram fumaça e cinza todos os anos. “A lei que proíbe a derrubada dessas árvores que produzem frutos, além de afetar a indústria madeireira também vai afetar diretamente as lavouras dos agricultores, por isso a solução seria definir quais espécies e quando é que elas podem ser derrubadas, creio que só devem ser protegidas nas áreas de reserva legal que abrangem 80% das propriedades rurais, assim os 20% restantes ficarão livres para o uso do homem”, declara o secretário que não explicou

essenciais para a sobrevivência dos bichos, pássaros, peixes e a população que vide da floresta”, esclarece Zé Carlos.

como isso irá beneficiar a grande indústria madeira. Quanto ao problema enfrentado pelas marcenarias Resende sugeriu que a Coopermóveis crie um pátio registrado para onde seriam levadas as toras vindas dos manejos e derrubadas autorizadas e, depois de beneficiadas seriam redistribuídas às marcenarias que assim poderiam trabalhar legalmente. De sua parte o governo do Estado e mais especificamente, a secretaria de floresta ofereceria uma assessoria especial para autorizar os pequenos produtores rurais a vender madeira manejada ou das derrubadas legalizadas para abastecer o pátio. Também prometeu que conseguiria dinheiro facilitado para que a Coopermóveis e moveleiros legalizados consigam comprar essa madeira, que o governo vai contratar empresa para elaborar o plano de manejo e os moveleiros devem se comprometer em reflorestar 100 hectares com espécies regionais.

Aldeia ameaçada Sávio elogiou o governo do Estado e a prefeitura da Capital por reconhecerem as pequenas marcenarias como empresas de economia solidária que ganhou o direito de receber R$ 1,5 milhão para construir o que eles apelidaram de Aldeia de Marceneiros. O dinheiro já está garantido e permitirá que se construa um grande galpão com máquinas industriais para a produção coletiva de móveis em série, em torno desse galpão serão instaladas uma série de pequenas marcenarias onde os marceneiros poderão atender suas encomendas pessoais. “O problema é que não temos

um terreno onde a gente possa instalar nossas marcenarias, ou melhor, através do Copiai nos foi concedido um terreno no novo Distrito Industrial, mas acontece que o próprio governo do Estado instalou toda a infraestrutura do Pólo Moveleiro com máquinas, ferramentas e estufas de secagem no antigo Distrito Industrial que está localizado do outro lado da cidade a praticamente 25 quilômetros um do outro. Isto é inviável pra nós porque o meio de transporte da maioria dos marceneiros é a bicicleta com a qual precisaríamos percorrer toda essa distância toda vez que a gente precisasse afiar uma serra no pólo”.

Para Sávio, diante desse problema logístico a solução está em conseguir um terreno para a Coopermóveis no Distrito Industrial, o mais próximo possível do Pólo Moveleiro. “Nós acreditamos que o Acre pode ser um grande produtor de móveis, também confio na sensibilidade do governador Binho Marques que com seu programa de inclusão social vai ajudar a solucionar este problema caótico em que nos encontramos, pois estamos vendo fechar uma média de oito a dez marcenarias por ano e isso deixa um número cada vez maior de pais de família desempregados e seus filhos jogados na marginalidade!”


Acre Cooperativo