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Feijão

na panela garante qualidade de vida para agricultores

Encarando trabalho como diversão, seu Edmundo Meneses vive bem consorciando feijão com peixe, café e frutas ‹ROMERITO ‹ AQUINO

TEXTO E FOTOS

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le pode não ser o maior produtor agrícola do Acre, mas é um dos que tem a produção mais diversificada do estado. Só fruteiras, são de nove tipos: abacate, banana, caju, côco, cupuaçu, laranja, limão, mamão e tangerina. Andando por sua propriedade, de apenas cinco hectares, situada na Vila Campinas, no município de Plácido de Castro, também é possível ver criação de pequenos animais e açudes com curimatã, piau e tambaqui, além de plantios de mandioca, de café, de milho e de feijão, muito feijão.

Estamos falando de Edmundo Tavares Meneses, paraense de Belém, 74 anos, casado, pai de quatro filhos, que sempre morou na roça ou nos seringais do Acre. Vindo aos três anos de idade com o pai para cortar seringa no Acre, seu Edmundo é mais um bom exemplo dos avanços e das vitórias conquistadas nos últimos 12 anos pelos sucessivos governos da Frente Popular do Acre, que tem trabalhado para implantar a infra-estrutura rural e para estimular a produção visando à geração de renda e empregos para melhorar a qualidade de vida de sua população rural. Seu Edmundo é também mais um exemplo da força de vontade que o homem do campo acreano tem para pro-

Agricultor já tem boa qualidade de vida

duzir cada vez mais. “Minha diversão é o trabalho. Trabalhando, eu tenho alegria de viver”, diz seu Edmundo. Todos os dias, que chova ou faça sol, ele percorre sua pequena propriedade para saber como se encontra seus plantios e o que pode fazer para ampliar a produtividade de seus produtos. Seja arrancando com as próprias mãos um matinho em torno de um limoeiro, jogando ração para seus peixes ou colhendo os frutos e os grãos de suas plantações, seu Edmundo é um homem que não desanima nunca, pois está sempre plantando para fazer germinar a vida em forma de alimentos. Mesmo cuidando de sua esposa, Maria do Carmo Macedo, que há anos está numa cadeira de roda, provocada por um derrame cerebral, seu Edmundo se diz feliz com a vida que tem hoje. Com a economia que juntou com o suor de seu rosto, que abre os olhos todos os dias por volta das cinco horas da manhã, ele já tem uma boa casa, com todos os utensílios e eletrodomésticos existentes nas residências urbanas. Mas nem sempre foi assim, pois a dureza da vida no campo sempre acompanhou seu Edmundo, que nunca esmoreceu diante dos desafios. “Naquela época do seringal, as coisas eram mais difíceis. Hoje, quem gosta de trabalhar e tem uma terra para produzir não passa mais dificuldades”, assinala o agricultor.

Seu Edmundo aponta para o plantio mais novo de feijão na sua propriedade

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ESPE

Propriedade dispõe de uma pequena casa de farinha

Seu Edmundo mostra sua produção de limão

O

Plantio de café amplia a renda do produtor

Criação de animais é outra fonte de renda do agricultor

“Agora, sou independente. Bem diferente da época do seringal”

agricultor e ex-seringueiro Edmundo Tavares Meneses, cujos filhos vivem hoje perto dele, também produzindo em chácaras de cinco hectares, em Vila Campinas, não tem saudades do seringal porque acha que agora é independente, com sua propriedade rural lhe proporcionando uma renda média mensal em torno de mil reais. “Antes, a gente dependia do patrão do seringal e muitas

vezes nem sequer tirava saldo. Agora, sou independente. Bem diferente da época do seringal”, confessa seu Edmundo, que tem perspectiva de produzir este ano até 3,5 toneladas de feijão, bem superior à produção da safra passada, que não passou de 1,5 toneladas. Além do feijão, ele plantou milho e mandioca, que formarão a sua renda junto com as fruteiras, o café e o peixe. Este ano, o pequeno agricultor, que estudou em Rio

Branco apenas até a quinta série do ensino fundamental, está ainda mais otimista. “Agora, está dando para levar melhor a vida e esperamos aumentar nossa produção com a ajuda do governo e da Seaprof, que presta assistência para a gente aqui”, diz seu Edmundo, ao lado do técnico Nelson Maia, responsável pelo escritório da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof) na Vila Campinas.

A chácara de seu Edmundo é uma das 19 chácaras de pequenos produtores da região, que podem produzir este ano 25 toneladas de feijão. Ali, a produtividade do feijão atinge ao bom nível de 1.200 kg por hectare plantado, que representa mais do que o dobro dos 524 kg por hectare registrado para a safra passada do Acre pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura.

Mesmo produzindo mais, seu Edmundo espera mais ajuda do governo para ampliar sua produção, que necessita, segundo ele, de melhorias em seus açudes e no sítio de fruteiras. Além disso, ele quer dispor de um veículo que agilize a produção dele e dos filhos. “Quero um transporte que ajude a gente para levar e trazer mercadorias”, assinala seu Edmundo.


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ECIAL

Investindo na mecanização e na assistência técnica O

entusiasmo e a determinação com que o governo Tião Viana, o terceiro da Frente Popular, vem investindo na produção agrícola pode ser expressa nas palavras que o próprio governador dirigiu aos pequenos agricultores do distante município de Marechal Thaumaturgo, ao entregar a eles, em 14 de fevereiro, 10 toneladas de sementes de feijão para o plantio deste ano. “Queremos desenvolver a economia de cada município e dar oportunidade para que as famílias tenham acesso à geração de emprego e renda. Por isso, nossa política de investir em pequenos negócios, em cadeias produtivas como a do peixe e a do feijão. Com a produção de feijão, aliada às outras culturas que já existem em cada propriedade, a meta é que cada família chegue a uma renda mensal de R$ 1 mil nesse início e que possa aumentar esse valor em seguida”, disse Tião Viana. Naquela oportunidade, as sementes de feijão das variedades quarentão, manteiguinha, peruano e mutubim iriam beneficiar 350 famílias das comunidades Belfort, Amônia, Foz do Bagé de Baixo, Foz do Breu, Restauração e Triunfo, todas de Marechal Thaumaturgo, município que já produz 14 tipos de feijão, a maior variedade do estado. O secretário da Seaprof, Lourival Marques Filho, calculou em 60 mil quilos o resultado do plantio das 10 toneladas de sementes entregues so-

Plantio mais recente de feijão da propriedade

Governador Tião Viana ergue saco de feijão em Marechal Thaumaturgo

Seu Edmundo e a esposa vivem felizes no meio rural

Seu Edmundo mostra o violão que toca as músicas para alegrar a casa

mente aos pequenos produtores de Thaumaturgo. Organizados em cooperativas e associações, os agricultores apostam no sucesso do plantio de feijão como fonte de renda. “Nós acreditamos que será feito um excelente trabalho aqui no município e que o feijão vai garantir uma renda a mais para todo mundo. Esse é o nosso sonho se tornando realidade. A gente vai ver o feijão produzido sair daqui empacotado, com o nosso nome, e vamos ter uma vida melhor. É isso que queremos: condições de trabalhar”, disse Antônio Macena, presidente da Cooperativa dos Sonhos de Todos (Coopersonhos), de Marechal Thaumaturgo. A cooperativa havia recebido do secretário de Indústria e Comércio, Edvaldo Magalhães, investimentos da ordem de R$ 254 mil para adquirir o maquinário necessário para o beneficiamento do feijão, que inclui trilhadeira, empacotadeira e motores e equipamentos de informática. Segundo Edvaldo Magalhães, tão importante quanto produzir é agregar valor ao produto. Antes de deixar a administração estadual, o ex-governador Binho Marques, que investiu muito na infra-estrutura rural, como fez também o ex-governador Jorge Viana, destacou o aumento significativo da produção de feijão no estado. Segundo Marques, até o final do ano passado, 53% do consumo acreano de feijão já era produzido no estado, como o da marca Tia Eliza, presente nos supermercados acreanos. Binho Marques dimensionou o crescimento da agricultura do estado - onde também se destaca o feijão - citando o aumento de 61 mil para 108 mil toneladas da produção acreana de grãos. Em quatro anos, segundo o ex-governador, os produtores adquiriram 200 tratores e mecanizaram mais de 20 mil hectares. “Acho que a gente deve continuar nesse caminho para, de fato, aumentar a nossa produtividade e reduzir os preços”, assinalou Marques.


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ESPECIAL

Produção de feijão avança no estado e já chega a 6,4 mil toneladas

O

s mil e quinhentos quilos de feijão, produzidos na safra passada pelo agricultor Edmundo Tavares Meneses, ajudaram o Acre a ampliar sua produção deste tipo de grão, considerado essencial nas mesas da grande maioria dos brasileiros. Segundo dados da Conab, do Ministério da Agricultura, na safra passada (2010-2011), a produção de feijão do estado alcançou a 6,4 mil toneladas, superior em 10,3% das 5,8 mil toneladas produzidas na safra anterior (2009-2010). A produção passada já atendeu mais de 50% do consumo de feijão dos acreanos.

O aumento da produção acreana de feijão entre as duas últimas safras se deveu basicamente ao aumento da área plantada pelos agricultores, que passou de 10,2 mil hectares na safra de 2009-2010 para 12,3 mil hectares plantados na safra de 2010-2011, com aumento da ordem de 20,6%. A mecanização já beneficia quase um terço de toda a área plantada no estado. Entre as duas safras, a produtividade do feijão no estado, no entanto, baixou de 571 quilos por hectare para 524 quilos por hectare plantado. Em nível nacional, a produção de feijão na safra passada foi de 3,7 milhões de

toneladas, para um consumo da ordem de 3,5 milhões de toneladas. A Embrapa-Acre assinala que, no Acre, o cultivo de feijão comum é praticado essencialmente por pequenos agricultores, que trabalham em áreas de plantios em torno de

dois hectares. Por isso, a cultura desse grão, tão presente também na mesa dos acreanos, tem grande importância social e econômica para os agricultores do estado. Segundo a Embrapa, a pesquisa, através da criação, introdução e avaliação

Sede da associação dos produtores do ramal das Chácaras

Técnicos da Seaprof fazem curso de capacitação em mecanização agrícola

Um dos tipos de feijão produzido no estado

Seu Edmundo com o técnico Nelson Maia e um companheiro agricultor

de novas linhagens, busca encontrar soluções que assegurem aos produtores de feijão altos índices de produtividade, boa competitividade do produto no mercado e bons níveis de tolerância e resistência à doença da mela. As pesquisas mostram que as variedades Rudá e Pérola são as mais recomendadas para o plantio no solo acreano. O Ministério da Agricultura assinala que, de 10 brasileiros, sete consomem feijão diariamente. O grão, típico da culinária do país, é fonte de proteína vegetal, vitaminas do complexo B e sais minerais, ferro, cálcio e fósforo. No Brasil, o consumo médio por pessoa chega a 19 quilos de feijão por ano. Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial, com sua produção tendo atingido 3,7 milhões de toneladas na última safra.

Feijáo na panela garante qualidade de vida para agricultores  

Feijáo na panela garante qualidade de vida para agricultores - Especial Jornal Página 20

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