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PRODUCÃO & NEGÓCIOS ANO 1 - NÚMERO 25 RIO BRANCO, DOMINGO, 08.07.2012

Procura-se empreendedores!

Para proteger-se da crise financeira internacional, o Acre e o Brasil precisam de pessoas dispostas a produzir e dedicandose ao mundo dos negócios com qualidade e competitividade para ganhar mais dinheiro


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Ei, você já é empreendedor? Juracy Xangai

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azer uma bela feijoada, moqueca, galinha caipira ou faz aqueles doces irresistíveis, pode também ser bamba no volante, na marcenaria ou eletrônica te faz destaque entre as pessoas, mas são dons ou habilidades que não valem nada se você não consegue transformar isso em dinheiro para melhorar sua vida e a de seus familiares. É acreditando em suas

habilidades ou buscando aprimorá-las que muita gente vem criando seus próprios negócios e se formalizando como Empreendedores Individuais, orientados por instituições como o Sebrae e apoiados pelos governos federal, estadual, municipal e instituições bancárias como a Caixa, o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia. Assim mais de três milhões de empreendedores individuais que vão de sacoleiras a camelôs, vendedoras de cosméticos, cozinheiras, costureiras

e profissionais do embelezamento como cabeleireiras e manicuras já formalizaram seus negócios. E o Acre com suas 9.300 formalizações, 67% delas na Capital, se destaca proporcionalmente, como o estado com maior registro de Empreendedores individuais no Brasil, segundo Pedro Soares gerente da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae no Acre. Ele coordenou as ações da Semana do Empreendedor Individual realizada de dois a sete de julho no

Mercado Velho de Rio Branco. “A grande maioria desses novos negócios estão na área do comércio para a venda de roupas, cosméticos, perfumes bijuterias e acessórios, depois vem o embelezamento pessoas e serviços como o de limpeza, entregas e consertos”. Animado com a procura das pessoas pela formalização, Pedro destaca que: “Ao formalizar um negócio que ele têm ou está começando, a pessoa garante seus direitos a assistência à saúde e aposentadoria pelo INSS, bem como o de trabalhar legalizado com alvará e outras garantias. Nós do Sebrae estimulamos e orientamos a formalização que é hoje o maior programa de inclusão social e financeira do Brasil e já serve de exemplo para outros países do mundo, mas uma coisa é certa, quem quer começar ou ampliar seu negócio precisa buscar treinamentos e orientação porque hoje em dia não há espaço para aventureiros. Assim, não basta apenas ter uma boa ideia, você precisa estar bem preparado e ser bom, se possível, o melhor no que faz de modo a garantir a sustentabilidade da sua empresa”.

Verdades e mentiras O Gerente da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae reconhece que

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Empreendedores Individuais (Ei) já são metade das seis milhões de empresas formalizadas no Brasil e o Acre lidera ranking de formalizações no país

no meio dessa multidão de pessoas querendo transformar suas ideias em bons negócios vêm também muitos aventureiros, interessados especialmente nos incentivos à criação de novos negócios que estão sendo dados pelo governo federal como forma de reforçar o Brasil para sobreviver à crise financeira internacional, bem como pelo governo do estado em programas tocados, principalmente pela Secretaria de Pequenos Negócios (SEPN) e créditos facilitados pelos bancos oficiais. “Essa história de vir aqui registrar um negócio com a única finalidade de conseguir um empréstimo não está dando muito certo!” Adverte Pedro para então complementar: “Abrir um negócio só para conseguir um empréstimo é bem arriscado porque os bancos estão cada vez mais seletivos, fazendo uma boa análise do cadastro deste cliente, verificação do nome nas listas do Serasa e instituições de proteção ao crédito, além de analisar a viabilidade desse negócio para ter certeza de que a pessoa vai ter condições de pagar o dinheiro que está pegando emprestado”. Pedro exemplifica: “O banco da Amazônia, por exemplo, só libera empréstimos para negócios que estejam formalizados e funcionando há pelo menos seis

Textos, fotografias e demais criações intelectuais publicadas neste exemplar, não podem ser utilizados, reproduzidos, apropriados ou estocados em sistema de bancos de dados ou processo similar, em qualquer processo ou meio (mecânico, eletrônico, microfilmagem, fotocópia, gravações e outros), sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais. Não devolvemos originais, publicados ou não. IMPORTANTE - Matérias, colunas e artigos assinados, são de responsabilidade de seus autores e não traduzem necessariamente a opinião do jornal

“Não há mais lugar para aventureiros no mundo dos negócios!” Pedro Soares

meses e que apresentem seus controles financeiros para ver se a pessoa sabe administrar e que a sua empresa está conseguindo resultados positivos crescentes. A verdade é que

por orientação do próprio governo, os bancos estão visando negócios que ajudem o crescimento do Acre e do Brasil, ninguém está distribuindo dinheiro à toa!”

Plano de negócio Dentro dessa visão de viabilidade econômica das empresas, por menor que elas sejam, Pedro destaca a impor-

tância dos empreendedores elaborarem planos de negócio. “Quando a gente fala a alguém que ele precisa elaborar um plano de negócio, a maioria toma um susto e acha que é uma coisa do outro mundo, muito difícil de fazer, mas não é. O Sebrae tem palestras e treinamentos para orientar as pessoas a fazer seu plano de negócio, o qual nada mais é que um planejamento mínimo pra você ter clareza de como seu negócio vai funcionar , além de quanto e como seu negócio vai crescer. Alguns querem que a gente faça isso pra ele, mas não é assim, nós podemos orientá-lo, mas ele precisa estar presente e participar dessa elaboração porque é ele quem cuida do negócio, conhece seus clientes, o lugar em que atua, e, é ele quem vai executar o plano que pode ser modificado conforme as novas oportunidades que forem surgindo ou mudanças no mercado e nos clientes!” Já muitos chegam ao Sebrae querendo orientação de como montar a sua empresa, outros também querem isso, mas não sabem sequer que tipo de negócio teria maior chance de sucesso na área em que vive. Mas isso não é um grande problema para a equi-

pe Sebrae que trabalha utilizando o método da bussola de Negócios, ou seja, usa informações que dão conta da falta de padarias, mercearias, borracharias ou outros serviços em certas áreas da cidade. “A Bussola tem objetivo de orientar os empreendedores sobre as tendências e oportunidades que estão surgindo estimuladas pelo desenvolvimento da cidade, melhoria da rnda ou mudanças de comportamento da população, mas em todos eles, o ponto em que o negócio vai ser instalado e a capacidade de compra da população, são essenciais para o sucesso de qualquer empresa!” As atividades da Semana do Empreendedor Individual foram encerradas no Mercado Velho ontem, mas o atendimento continua acontecendo na sede do Sebrae da rua Rio de Janeiro e na Oca, sempre de segunda à sexta-feira das oito da manhã ao meio dia e das duas horas da tarde às seis da tarde. Também acontecem atendimentos itinerantes nos municípios e durante a Expoacre haverá uma campanha de esclarecimentos e orientações a quem está interessado em criar seu próprio negócio.


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Casa da costura

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Empreendedora apoia cooperativa de costureiras torcendo para que o negócio dê certo e assim contribuam para o desenvolvimento do Acre

á 15 anos, Maria do Socorro de Jesus Nascimento decidiu começar seu próprio negócio em casa mesmo, no bairro da Conquista onde atendia encomendas de costura, consertos de roupas e logo foi convidada a trabalhar numa malharia, encarou o novo desafio e já prática

no serviço passou a atender as empresas trabalhando em sistema terceirizado, assim foi até dois anos atrás quando resolveu alugar um ponto comercial na rua Antônio da Rocha Viana, próximo à TV Gazeta onde abriu a Casa da Costura. “Na Conquista, a rua de minha casa é boa para morar, mas muito escondida pra

ter um negócio que precisa ser visto pelas pessoas, então decidi instalar aqui a Casa da Costura, onde continuei atendendo às encomendas e serviços terceirizados. Aqui faço camisetas escolares , uniformes para empresas, modinhas e até cuecas, conforme os serviços que vão aparecendo. Neste ano entrei para o projeto da confecção do Sebrae

que está nos dando treinamento para melhorar nossos negócios como empreendedoras individuais e estou gostando muito”, explica Maria do Socorro. Foi também neste ano que ela acabou sendo procurada por um grupo de mulheres que incentivadas pela Secretaria Estadual de Pequenos Negócios criaram a Cooperativa

Costurando Acre, com sede no conjunto Tangará. “Elas vieram me procurar porque das mais de 20 mulheres só três ou quatro sabem costurar mesmo. Quem vê alguém costurando acha que é fácil, mas é um serviço cheio de segredinhos e manhas que, com paciência, a gente vai aprendendo. Eu gosto mesmo de ensinar as pessoas, algumas reclamam, mas eu estou torcendo muito para que a cooperativa delas dê certo porque quanto mais gente trabalhando e produzindo, mais o Acre vai se desenvolvendo e isso é bom pra todo mundo”. Maria esclareceu que as mulheres da cooperativa também vem recebendo apoio e treinamentos oferecidos pela secretaria de Pequenos Negócios e pelo Sebrae. “Por enquanto, elas trabalham mesmo na sede delas, no Tangará, consertando roupas e atendendo algumas encomendas. São mais de 20 mulheres, então vem duas por dia aqui pra nossa Casa da costura onde ensino um pouco do que eu também aprendi com outras costureiras dos lugares onde trabalhei!” O gosto pela costura vai bem além do prazer do trabalho bem feito, como esclarece Maria, é mesmo uma questão de sobrevivência de sua família. “Com o dinheiro da costura eu garanto o pagamento das despesas da casa com meus dois filhos e minha mãe. É um dinheiro abençoado este do nosso trabalho e ainda sobra tempo pra gente ajudar outras pessoas!”

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O comércio tá na rua O

Sindicato dos Camelôs já têm 2.583 filiados que com seus negócios de rua garantem o sustento da família e sonham crescer cada vez mais

desemprego é, para “Juruna” ex-presidente e membro da diretoria do Sindicato dos Camelôs e Feirantes de Rio Branco, o grande incentivador das pessoas que buscam nas ruas um meio de ganhar dinheiro e sustentar suas famílias com dignidade. José Carlos dos Santos Lima, o “Juruna”, esclarece que: “Só no sindicato nós temos 2.583 filiados, mas nas ruas e periferia de Rio Branco é pra ter bem mais de quatro mil pessoas vendendo seus produtos e serviços. É um verdadeiro exército de pessoas desempregadas lutando para sustentar suas famílias. Para se ter uma ideia de como isso funciona, tenho certeza que mais de 250 filiados nossos trabalham na construção civil durante o período do verão, mas quando chega

o inverno, em que a chuva toma a maior parte dos meses do ano fazendo com que as obras parem , eles voltam para as ruas vendendo seus produtos, então é um meio destas pessoas escaparem ao desemprego que é muito grande em nosso Estado”. O apoio dos governos federal e estadual, especialmente através da Secretaria dos Pequenos Negócios, além das orientações do Sebrae, segundo Juruna, tem sido fundamentais para melhorar as condições de trabalho e estimular o desenvolvimento dos próprios negócios dos feirantes e camelôs. “Aqui nesta área do mercado Elias Mansour e Terminal Urbano nós temos 643 camelôs trabalhando em pontos fixos, desde o ano passado tivemos a formalização de mais 180 e nesta semana estamos realizando reuniões para que muitos que trabalham nas ruas e,

principalmente, na periferia formalizem seus negócios para garantir seus direitos de cidadão e ter liberdade de trabalhar sem medo da fiscalização. Dentre seus 2.583 filiados, o sindicato tem em suas fileiras de negociantes mais de 180 feirantes que atuam no centro e bairros da Capital. “O pessoal trabalha em toda a cidade de Rio branco e neste período de verão, em que as estradas se abrem e acontecem as festas dos municípios, eles se espalham para todas as localidades levando seus produtos, o camelô é um comerciante diferente do lojista porque ele vai onde o cliente está!”

Sonho de Camelô Juruna que tem uma loja de venda de eletrônicos na área do Camelódromo do Terminal Urbano confessa: “O sonho de todo camelô

é ver seu negócio crescer e assim poder ter sua lojinha, por isso decidimos sonhar juntos com a construção de um grande Shopping Popular onde hoje é o camelódromo para abrigar centenas de lojinhas. O projeto está pronto e os recursos para isso foram aprovados com a ajuda dos deputados federais Sibá Machado e Perpétua Almeida e os primeiros trabalhos para essa construção podem começar ainda neste ano, mas é mais certo que seja no ano que vem. Isso vai ser a alegria de muita gente!” Sem esquecer os apuros dos tempos em que os camelôs de Rio Branco eram duramente perseguidos pelo rapa da fiscalização, Juruna esclarece que: “A gente precisa reconhecer que muita coisa mudou na nossa vida a partir do momento que começamos a receber apoio e orientação do Sebrae, isso

Costurando Acre

Maria e Jocineide costuram aliança de aprendizado no negócio

Jocineide Pinheiro da Cunha que já trabalha há mais de 20 anos fazendo consertos e atendendo a encomendas em casa, é agora uma das sócias da Cooperativa Cooperando Acre que está treinando com Maria do Socorro na Casa da Costura. “Nossa cooperativa nasceu com apoio da Caritas, algumas sócias já sabem costurar, mas a maioria está aprendendo, eu, por exemplo, já trabalho com costura, mas ajudando aqui na Casa da Costura eu aprendo mais e mais a cada dia porque é o tipo do trabalho em que a gente só aprende fazendo mesmo!”

Juruna: “Camelôs sonham com nosso Shoppin Popular!”

ganhou ainda mais força com a criação da Secretaria dos pequenos negócios veio também o apoio do Ifac e foi a partir daí que até os bancos passaram a nos dar créditos. Ano passado mesmo, mais de 700 camelôs e feirantes de Rio Branco puderam receber empréstimo liberado pelo DRS Banco do Brasil com valores de até cinco mil reais. Para muita gente isso parece não ser muito dinheiro, mas você não tem ideia da importância disto para quem tem um pequeno negócio e quer crescer sem ter esse dinheiro para investir. A verdade é que aquele empréstimo ajudou muita gente e agora mais de 50 já conseguiram o crédito Crescer que está sendo liberado pela agência Caixa da Estação Experimental. Nossa vida melhorou e acho que vai melhorar mais ainda, é só ter coragem e espaço pra trabalhar!”


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Casa das Ervas

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O bom empreendedor nunca desiste A história de vida de José Fernandes é um exemplo da persistência que faz dos empreendedores gente que apesar das dificuldades vai sempre em frente

Investir na tradição continua sendo um bom negócio onde os chás e rezas ainda são uma grande esperança de recuperar a saúde perdida

epois de trabalhar durante muitos anos como gerente na formação de fazendas no interior do Acre, Ênio Camargo aposentou-se e decidiu investir parte de suas economias comprando um ponto onde faz a venda de ervas e remédios tradicionais no Camelódromo do mercado Elias Mansour. “Eu mesmo sou sadio e graças a Deus poucas vezes tive de tomar algum remédio, mas desde criança aprendia com minha mãe os segredos das ervas com ela tratava as doenças nas pessoas e assim quando me aposentei decidi investir na compra deste ponto e considero que foi a melhor coisa que eu podia ter feito porque aqui a gente se ocupa atendendo as pessoas e se obriga a estar estudando

sempre para conhecer mais e melhor todas as ervas com que a gente trabalha, mas é muito bom e gratificante ver as pessoas agradecerem por ter resolvido seus problemas!” Afirma Ênio. Segundo ele, um dos produtos mais procurados pelas pessoas é o mel de abelhas com que preparam lambedores, cremes pra melhorar a pele e os cabelos, além de fazer inúmeros usos medicinais seja puro ou combinado com outras ervas. Dentre as plantas medicinais, a campeã de vendas vem sendo o gergelim, especialmente para socorrer pessoas que sofreram derrame. “Pra quem teve o tal do acidente vascular cerebral, que a gente conhece como derrame, o gergelim vem realizando verdadeiros milagres botando de pé quem estava arriado na cama; é um santo remédio! Já

destas plantas da região, o pessoal procura muito a casca da Carapanaúba pra resolver problemas de estômago e febres como a da malária e o jatobá que é fortificante e faz a alegria da família!” Mas como nem só de remédio vive o homem, dentre as mais de 500 plantas vendidas na Casa das Ervas, Ênio destaca a busca das pessoas por temperos como o cravo, a canela, sene, alecrim, manjericão e as mini cebolinhas da região, “Aqui tudo se vende muito bem, desde as ervas e os temperos, mas um dos medicamentos mais fortes e importantes é o sangue de grado ou sangue de dragão, com as pessoas conhecem. Tem gente que pede pra gente mandar pro sul e geralmente gostam de tomar misturado com mel porque é muito forte mesmo!”

“É gratificante resolver problemas das pessoas!” Ênio

Negócio de cabeça

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Jovem investe no conserto e recuperação de capacetes , um negócio que embeleza o trânsito e garante mais segurança à vida dos pilotos

epois de trabalhar numa padaria, Josni Pereira Bandeira empregou-se numa empresa especializada em consertos de capacetes, gostou do serviço ao qual se dedicou por aproximadamente um ano e daí surgiu a ideia de montar seu próprio negócio que já está funcionando há dois meses na rua Rio de Janeiro, próximo à Padaria Bessa na Floresta. “Desde que era estudante eu sempre estava buscando aprender coisas e quando fui trabalhar na loja de recuperação de capacetes entendi que aquele era o tipo de serviço que gostava de fazer. Meu sogro me apoiou e assim nasceu a Fox Capacetes que apesar de estar funcionando há apenas dois meses, já ficou bem conhecida e os clientes vêm aumentando a cada dia”, explica Josni.

Dividindo o espaço entre o balcão de atendimento e a oficina de consertos, Josni explica que: “Aqui a gente faz tudo o que seu capacete precisar. Desde a recuperação da pintura, consertos de viseira ou troca do forro que vai se estragando com o tempo por causa da poeira e da umidade combinadas com o sol e calor forte da nossa região. Além disso, também vendemos acessórios, desodorizadores e perfumes para dar aquele cheirinho bom aos capacetes!” Segundo ele, os campeões em danificar os capacetes são os homens. “As mulheres são mais cuidadosas com tudo que é delas. Mas eu vejo tanta gente passando na rua com capacetes sem viseira. Com forro danificado e sem o engate que prende o capacete na cabeça, digo isto porque a falta de forro, da

viseira e do engate colocam a vida das pessoas em risco e isto deveria ser mais bem fiscalizado pelas autoridades de trânsito. Até porque essa é uma maneira de salvar muitas vidas”. Josni é um desses empreendedores natos que buscam sucesso pelo trabalho gerando negócios que contribuem

“Capacetes, além de bonitos, protegem a vida!” Josni

para o desenvolvimento, mas como muitos deles, ele ainda está formalizando seu negócio para ser mais uma dentre as mais de nove mil empresas individuais que já estão em funcionamento no Acre.

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história de vida de José Fernandes é um exemplo da persistência que faz dos empreendedores gente que apesar das dificuldades vai sempre em frente Em 1976, aos 14 anos de idade José Carlos Fernandes saiu em busca de um emprego para poder ajudar sua mãe nas despesas da casa, mas depois de muito andar nada encontrou e foi nessa caminhada que ele conheceu o tapeceiro Zé Maria, um nordestino que tinha vindo para cá e estabelecido sua oficina onde fabricava e consertava sofás e poltronas de automóveis tendo como único concorrente do ramo em Rio Branco, a oficina do Adécio. “Quando passei pela oficina do Zé Maria ele me disse que emprego mesmo ele não podia me dar, mas que eu poderia oferecer o serviço dele batendo de porta em porta nas casas para ganhar comissão pelos trabalhos e, até podia ajudar nos consertos. Como não tinha

“Meu orgulho é trabalhar pelo desenvolvimento do Acre!” José Fernandes

emprego mesmo, decidi aceitar, consegui muitos trabalhos e ajudava na oficina, logo já sabia desmontar um sofá, depois aprendi a montar o madeiramento, o estofo e o revestimento e com dois anos já era um profissional no serviço”, recorda José Fernandes que esclarece. “Aos 16 anos com um martelo, serra e umas poucas ferramentas montei minha tapeçaria em frente do Colégio Newtel Maia onde ainda estudava fazendo o segundo grau”. Sempre empolgado com o trabalho, a tapeçaria foi prosperando rapidamente, e logo Fernandes precisava de ajudantes. “Eu gostava muito do Zé Maria que era um homem muito bom, mas ele não gostava de ensinar porque achava que isso ia gerar concorrência pra ele. Já eu sempre acreditei que quanto mais pessoas estiverem produzindo alguma coisa, mais nós estaremos ajudando a desenvolver o Acre, por isso fazia questão de ensinar a todos que se interessassem em aprender o serviço. Até

porquê, quanto mais gente eu ensinasse, mais chance tinha d ampliar meu próprio negócio e foi assim mesmo que aconteceu, ganhei muito dinheiro, construí um prédio que ainda existe em frente ao que é hoje o supermercado Araújo e com 22 anos pedi orientação de vários comerciantes para montar meu supermercado que era administrado por meu pai, meu irmão e minha primeira esposa!”

Golpes da vida Os negócios foram se ampliando até que Fernandes cometesse o erro de convidar um esperto para ser seu sócio, o qual acabou levando boa parte de seu patrimônio. “Eu desenhava e produzia sofás e outros móveis estofados trabalhando sempre com uma média de seis a oito pessoas, cuidava de crescer a fábrica, enquanto o pessoal se responsabilizava pelo supermercado, mas com isso, quando me dei conta levei um golpe muito grande, entrei em dificuldade, adoeci e

entrei em depressão, foram oito anos me tratando, fiquei sem nada até conseguir recuperar minha saúde, era só isso que pedia a Deus para poder trabalhar de novo!” Quando melhorou, um amigo de Fernandes ofereceu-lhe um ponto comercial localizado na rua Omar Sabino, ao lado da Agro Boi onde com umas poucas ferramentas recomeçou sua tapeçaria. “Trabalhei seis anos até que estava com todas as máquinas e equipamentos e muito serviço porque as pessoas conheciam meu trabalho. Num certo dia estava em casa quando me telefonaram informando que o prédio tinha pegado fogo e eu fiquei sem nada de novo!” Após o incêndio procurou os clientes que tinham encomendas e até móveis que foram queimados e pediu um prazo maior para cumprir os contratos e recomeçou tudo de novo. “Cumpri minha palavra, entreguei as encomendas e fui reconstruindo minha vida. Agora estou há dois anos

com a Tapeçaria do Fernandes localizada na rua Rio de Janeiro aqui em frente ao antigo Supermercado União no bairro da Floresta. Aqui trabalho eu, minha esposa e meu filho que graças a Deus não falta serviço porque as pessoas conhecem e gostam do meu trabalho”. Além de reerguer-se seguidamente após cada queda, Fernandes tem outro orgulho pessoal: “Durant toda minha vida sempre fui um militante político e nunca quis um emprego público porque tenho consciência de que é com produção e trabalho que a gente ajuda a desenvolver o Acre. Sempre fiz questão de ajudar as pessoas, creio que ajudei a formar quase 90% dos tapeceiros que trabalham em Rio Branco, dei cursos no Senai, mas meu orgulho foi ter conseguido tirar muitas pessoas que estavam entregues ao vício do álcool e das drogas e transformá-las em profissionais que hoje tm suas oficinas e assim sustentam suas famílias com dignidade!”


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Quem tem conhecimento

vai pra frente!

Semana do Empreendedor Individual

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urante toda a semana de 02 a 07 de julho, o Sebrae realizou a Semana do Empreendedor Individual, um evento realizado por todas as unidades do SEBRAE em território brasileiro. No Acre, duas grandes tendas foram montadas no Novo Mercado Velho onde os atendimentos foram feitos. Durante o evento o Sebrae disponibilizou atendimentos aos Empreendedores Individuais formalizados e não formalizados, com o objetivo de capacitar através da Oficinas SEI, os empreendedores já cadastrados,

levando conhecimento para que estes possam gerir melhor seu empreendimento; e para aqueles que ainda não se formalizaram ou querem iniciar uma atividade de forma legal, mostrar as vantagens e benefícios da formalização e auxiliá-los nesse processo. Esse é o objetivo do Sebrae, orientar a todos que buscam o conhecimento, a importância de planejar o seu negócio, fazer uma pesquisa de mercado, a elaboração de um bom plano de negócio, ações que são de fundamental importância para identificar a viabilidade do negocio que o futuro empresário pretende empreender.

Números da Semana do Empreendedor no Acre

Realizados 500 atendimentos Até sexta-feira formalizados 167 novos Empreendedores Individuais Palestras e oficinas participaram até dia 05/06 cerca de 235 pessoas Expediente:

O empreendedor que não teve como participar destas atividades durante a Semana EI pode procurar as Unidades do Sebrae que aqui no Acre estão localizadas na sede, Rua Rio Grande do Sul, 109 – Centro e em Cruzeiro do Sul na Rua Boulevard Thaumaturgo, 1.148. Para se formalizar, é necessário levar RG e CPF (originais), comprovante de residência e, se for o caso, comprovante de endereço do estabelecimento onde a atividade é exercida. Inicialmente, os interessados assistem a uma palestra com informações sobre a lei do Empreendedor Individual. Em seguida, são encaminhados para os guichês de atendimento e, em menos de 15 minutos, saem com o CNPJ em mãos.

Vassouras de teto Com justificativa de cuidar de atividades particulares, Raimundo Oliveira da Silva

deixou seu trabalho no Aeroporto como roçador e montou seu próprio negocio. Ele pediu exoneração do seu emprego no aeroporto como roçador informando que iria cuidar de atividades particulares, procurou o Sebrae no Acre e se cadastrou como Empreendedor Individual e hoje trabalha na produção de vassouras limpa teto e balanços para crianças. O empreendedor trabalha na produção e comercialização de seus produtos em um carro de mão circulando pelas ruas de Rio Branco. Ele relata que a sua vida mudou, hoje encontra mais facilidade em tudo que precisa, no Banco com linhas de credito na compra de matéria prima e enfim, está legalizado e realizando seus planos de vida , participando dos cursos e palestras oferecidos pelo Sebrae e sempre antenado nos seus direitos e deveres. Para entrar em contato com Raimundo é só ligar para o telefone 9944-6519.

Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Assessoria de Comunicação do Sebrae no Acre Jornalista Responsável: Lula Melo MTB 015/90 - e-mail: lula@ac.sebrae.com.br. Colaboradores: Juracy Xangai, Vanessa França e Evandro Souza. Sugestões, comentários e-mail para ascom1@ac.sebrae.com.br. Central de atendimento: 0800-5700800

Caderno de Produção e negócios  

Producao e negocios

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