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EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco

Quarta-feira, 28-05-2014 Edição às 08h30

Editor Raul Santos

PS pode ter eleições e congresso em Setembro ESTUDO

Alunos têm muitas horas de aulas, programas longos e turmas grandes Portugal tem pulseira electrónica há 12 anos. Medida custa 16 euros por dia

LUÍS FILIPE VIEIRA

Acabaram as dúvidas. "Jesus vai continuar no Benfica" Direcções gerais do ministério impedem autonomia nas escolas

Heroína e álcool continuam a ser os O Papa e a “coragem da paz” principais estupefacientes em Portugal

Clientes do BES devem recear turbulência no banco?

Bispos da União Europeia preocupados com partidos nacionalistas

JOSÉ MIGUEL SARDICA

"Start me up" ou "Angie"? Stones dão a palavra ao povo no Rock in Rio


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ESTUDO

Alunos têm muitas horas de aulas, programas longos e turmas grandes Conclusões são de um estudo que teve por base respostas de alunos do 10.º ano, de directores de escolas e de pais.

A carga horária dos alunos do 10º ano é muito elevada, alguns programas são muito extensos e o sucesso escolar poderia ser mais facilmente atingido com turmas mais pequenas. Estas são algumas das conclusões do estudo "Cursos Científico-Humanísticos e o alargamento da escolaridade obrigatória - medidas educativas de inclusão". Este estudo teve por base respostas de 4.676 estudantes portugueses, que no ano lectivo passado frequentavam o 10.º ano, mas também opiniões de directores de escolas e pais, também entrevistados para o trabalho coordenado por Marília Cid, do Centro de Investigação em Educação e Psicologia, da Universidade de Évora. Sobre a carga horária, "dizem que não lhes deixa muito tempo para estudarem ou fazerem outras actividades fora da sala de aula", contou à agência Lusa Marília Cid. Os alunos e psicólogos entendem ainda que "a articulação entre o básico e o secundário não está muito bem conseguida" e que as notas tendem a baixar quando chegam ao secundário. Os estudantes querem exigência e rigor na preparação para o futuro, mas mais de metade admite estar descontente com as notas: "Sentem-se satisfeitos com as escolhas feitas, mas depois sentem uma grande diferença em relação ao ensino básico", disse. A importância dos professores e das escolhas Os mais insatisfeitos com os resultados escolares são os rapazes da área de Ciências Socioeconómicas (CSE) que nunca reprovaram, não tiveram explicações e têm uma média entre 10 e 13 valores no 2º período do 10º ano. Já as raparigas de Ciências e Tecnologias (CT), que não frequentam explicações e têm classificações médias de "Muito Bom" são as mais concretizadas. A estabilidade do corpo docente e o clima na escola foram outras das sugestões feitas, sendo que os alunos acrescentaram ainda a "importância

de uma boa relação com os professores e a competência pedagógica dos docentes". Muitos alunos sentem-se perdidos no momento de decidir o seu futuro e por isso sugerem uma "melhoria na orientação da vocação profissional". Através do estudo é possível perceber que os alunos de CT e CSE estão mais associados a percursos escolares sem reprovações, em relação aos de Artes Visuais e Línguas e Humanidades. O estudo, que não inquiriu os alunos dos cursos profissionais, mostra que a maioria dos estudantes estaria a estudar mesmo que o ensino não fosse obrigatório até aos 18 anos. No entanto, existe uma pequena franja de estudantes que admite que, se a situação económica fosse diferente, deixariam de estudar. "Se as oportunidades de trabalho fossem diferentes, alguns alunos dizem que não estariam a estudar", contou a coordenadora do estudo elaborado através de um protocolo com a Direcção Geral da Educação do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

PS pode ter eleições e congresso em Setembro Decisão está nas mãos de Seguro, mas dirigentes admitem à Renascença que não há como fugir ao confronto.

Foto: Lusa (arquivo) Por Susana Madureira Martins e Eunice Lourenço

A decisão está inteiramente nas mãos de António José Seguro, mas dirigentes próximos do actual líder socialista admitem à Renascença que o mais provável é que o PS tenha eleições internas e congresso extraordinário em Setembro ou eleições em Setembro e congresso em Outubro. De acordo com os estatutos do partido, aprovados no último congresso, em Abril de 2013, um congresso extraordinário tem de ser convocado pela comissão nacional do partido ou pelo secretário-geral. Ora, a comissão nacional reúne-se no sábado, como já estava previsto. Segundo dirigentes socialistas, o mais provável é que, no sábado, Seguro chegue à comissão nacional a propor a convocação do congresso. A declaração de António Costa, assumindo-se como candidato à liderança, “obriga o PS a ir a eleições


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internas”, reconheceu mesmo um dirigente socialista ouvido pela Renascença. O mesmo dirigente considera que a situação que o PS está a viver é “um brinde à maioria”, pois faz com que os socialistas vivam os próximos tempos em convulsão interna e estejam a decidir a sua vida interna em pleno processo orçamental para 2015. O sentimento junto dos dirigentes socialistas é de que não há como fugir a este confronto, pelo que Seguro não terá condições para se refugiar na "blindagem" dos estatutos aprovada no último congresso. De acordo com essa revisão, o congresso ou é decidido pelo líder ou pela maioria das federações socialistas e não pode ser uma maioria simples - tem de ser uma maioria que represente a maioria dos militantes. Entretanto, a direcção socialista já encetou contactos com os presidentes das federações e, segundo disse à Renascença um membro do secretariado do PS todas as federações continuam ao lado de António José Seguro, à excepção de Aveiro, Lisboa e Açores.

Clientes do BES devem recear turbulência no banco? "Holding" do BES terá de reembolsar cerca de mil milhões de euros de dívida. O BES avança esta terça-feira para um reforço de capital. O que significa tudo isto? A Renascença ouviu a vice-reitora da Porto Business School.

Foto: Lusa (arquivo) Por Hugo Monteiro

Arranca esta terça-feira o processo de reforço de capital do Banco Espírito Santo. O objectivo é chegar aos 1.045 milhões de euros, até meio de Junho. No prospecto de aumento de capital do BES, os responsáveis do BES justificam o reforço de capital com a necessidade de explorar as vantagens competitivas da recuperação da economia nacional e com a actividade internacional. Servirá, também, para o banco ter reservas adicionais de capital para fazer face à avaliação da qualidade dos activos, aos testes de "stress" do BCE e à nova regulamentação de Basileia III.

A operação de aumento de capital surge num momento em que diversas notícias dão conta de irregularidades numa das "holdings" do grupo, a Espírito Santo International (ESI), que terá de reembolsar cerca de mil milhões de euros de dívida. Da administração da ESI fazem parte dirigentes do BES. No prospecto de reforço de capital é mesmo admitido que possa haver alterações na composição da administração do banco. Um cenário de incerteza que está a levantar dúvidas aos clientes do banco. "A mensagem deve ser de confiança" porque o Banco de Portugal está "atento", diz a professora de Finanças e vice-reitora da Porto Business School, Ana Paula Serra. Dívidas numa "holding" do grupo, possíveis mexidas na administração do Banco Espírito Santo, necessidade de responder aos futuros testes de "stress"... Qual a verdadeira razão para este reforço de capital? Tudo isso está relacionado. E o Banco de Portugal sabe isso e está, no fundo, a antecipar, a ocorrência de eventuais problemas no futuro. Pede, por isso, ao BES que tome as medidas necessárias para que haja confiança no banco, que o balanço tenha um balanço mais sólido, que haja maior solvabilidade. O aumento de capital é, no fundo, pedir um reforço de fundos próprios que dêem mais confiança e que permitam diminuir a probabilidade da ocorrência desses problemas. O BES terá de responder pelas dívidas que a ESI tem? Não conheço que tipo de garantias o BES deu nesse sentido, mas sabe-se que algumas dessas dívidas, denominadas em papel comercial, terão sido colocadas em carteiras de clientes do BES. Como tal, o Banco de Portugal, quando olha para o universo das responsabilidades que o BES tem, está preocupado porque o BES acaba por colocar um produto que não é seu, mas de uma sociedade relacionada, que, por sua vez, poderá não ter condições para fazer face aos compromissos perante os clientes do BES. Perante este cenário, o simples depositante do BES tem razão para ficar preocupado? Se excluirmos os grandes depositantes, existe um fundo de garantia de depósitos que permite ao depositante receber até 100 mil euros de depósitos. Relativamente a esses depositantes e aos credores ditos seniores, esses estão acautelados. Acho que a mensagem deve ser de confiança porque o Banco de Portugal está atento, e, para além de existirem esses mecanismos, esses fundos de garantia, que funcionam automaticamente, também o Banco de Portugal e a União Europeia têm vindo a demonstrar que, em caso de grandes bancos, como é o caso do BES, nunca deixariam que os depositantes, as pessoas comuns, fossem afectadas por problemas dentro desses bancos. Apenas por si, com este reforço de capital, o Banco Espírito Santo tem capacidade para responder ao que necessita neste momento? Se o BES seguir as indicações do Banco de Portugal... Mas é difícil dizer se é absolutamente suficiente. As previsões têm a ver com a possibilidade de virem a existir problemas. Mas a imagem do banco sai enfraquecida? Sim. As pessoas sentem-se preocupadas. Fazem eco disso nas notícias e depois há um pouco aquele efeito


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bola de neve. E o que se quer, precisamente, é evitar isso – e deve-se evitar isso. E julgo que, quer da parte dos responsáveis, quer da parte dos analistas, a mensagem que deve passar é essa. Que pode haver problemas, mas que as autoridades de supervisão estão atentas e vão fazer tudo para acautelar essas situações e para que esses problemas estejam previstos e, por outro lado, não levem a um contágio. Como, felizmente, temos memória, e a memória recente foi um bocadinho traumatizante no caso de dois bancos em que as coisas correram muito mal, as pessoas estão preocupadas. Esse facto pode prejudicar este reforço de capital? As acções podem valer menos? Ao nível do preço das acções isso pode, de facto, ter reflexo. É um fenómeno que já é observável. Não sei se a recção ainda vai ser maior do que aquela que já se verificou, mas nos últimos dias já vimos uma quebra muito elevada do valor das acções do BES. É possível prever que esta operação de reforço de capital tenha o sucesso pretendido? É preciso sempre medir o que é o sucesso. O que acho é que a operação deve ter sido bem preparada, nomeadamente por via do sindicato de bancos que a apoia. Se o sucesso é se vão colocar as acções todas, julgo que deveria ter sido assim preparado para que assim aconteça. Agora, não vai ser um sucesso como aqueles que algumas vezes vemos. Não vai haver uma enorme procura de títulos do BES neste aumento de capital. Não sei em que moldes, mas já estará garantido que o aumento de capital se concretize. Isto é: que não seja um "flop".

Violência contra idosos dispara em Lisboa Ministério Público registou ainda mais de 2.200 casos de violência doméstica. O número de casos de violência contra idosos aumentou 136% na região de Lisboa, de acordo com dados revelados esta terça-feira pelo Ministério Público (MP). No primeiro trimestre deste ano verificaram-se 45, mais 26 do que em igual período de 2013, indica o do balanço de actividade do Ministério Público no Distrito Judicial de Lisboa. O documento indica também que o crime de violência doméstica desceu 7,5%, em comparação com os primeiros três meses do ano passado. Mesmo assim registaram-se 2.256. Já a violência em ambiente escolar registou 57 inquéritos, menos 20 casos que no ano passado.

"Ajuda-nos dando um pouco de ti". Campanha apela à dádiva de sangue Os tradicionais pensos rápidos usados após a dádiva foram substituídos por autocolantes coloridos com a palavra "Give" (dar) para promover o orgulho de dar sangue.

Foto: LUSA

O Instituto Português do Sangue e da Transplantação lança, esta quarta-feira, em todo o país mais uma campanha de apelo à dádiva de sangue dos portugueses para prevenir a habitual quebra de colheita nos meses de Verão. Tendo como lema "Ajuda-nos dando um pouco de ti", a iniciativa pretende consciencializar a população, especialmente os mais jovens, da importância de dar sangue e aumentar o número de dadores em Portugal. Durante os meses de Junho e Julho, a campanha vai contar com vários pontos de recolha de sangue fixos e sete unidades móveis, decoradas com uma imagem criada especialmente para a campanha, para fazer a recolha de Norte a Sul do país. "Estamos muito bem durante os meses de Março, Abril, Maio e Junho e depois entramos com algumas dificuldades em Julho, Agosto e parte de Setembro para recuperarmos em Outubro, Novembro e Dezembro. Em Janeiro e Fevereiro as colheitas voltam a descer", disse à agência Lusa Luís Negrão, responsável pelo sector de colheitas e promoção da dádiva de sangue do instituto. Portugal tem necessidades diárias entre 1.200 a 1.300 unidades de sangue e, segundo Luís Negrão, há alturas em que as reservas estão em baixo. O responsável explicou que actualmente o país "está bem" no que toca a reservas de sangue, embora os grupos "mais difíceis", os 0- e A-, sejam sempre motivo de preocupação para os responsáveis pelas colheitas. Para Luís Negrão, a grande preocupação actualmente é fazer passar a mensagem de que é importante dar sangue junto dos jovens, para conseguir compensar o número de dadores que vão deixando as dádivas. "Neste momento os dadores têm uma média de idades na casa dos 45 anos. Temos uma população um pouco envelhecida em termos de dadores de sangue e


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estamos a tentar implementar a dádiva de sangue entre os jovens. Não é uma tarefa fácil", explicou. Nesta campanha, os tradicionais pensos rápidos usados após a dádiva foram substituídos por autocolantes coloridos com a palavra "Give" (dar) para promover o orgulho de dar sangue. JOSÉ MIGUEL SARDICA

O Papa e a “coragem da paz” Francisco repetiu as incursões passadas de Paulo VI (em 1964, no seu histórico encontro com o patriarca ortodoxo Atenágoras), de João Paulo II (em 2000) e de Bento XVI (em 2009), para falar da “coragem da paz” e do quanto a sua busca requer a aproximação e o diálogo.

A curta viagem papal à Terra Santa, iniciada no Sábado e terminada na segunda-feira passada, não despertou muita atenção na cobertura noticiosa nacional e internacional, dominada que esteve (mais a segunda do que a primeira) pela questão europeia e pelo desfecho das eleições para o parlamento de Estrasburgo. A vitória foi para o “partido da abstenção” ou para os extremismos, na verdade “não-lugares” políticos que servem de lugar a todos os eurocéticos, pouco interessados em pacificar o diálogo europeu. Enquanto isto acontecia, o Papa Francisco realizou a sua segunda viagem apostólica, depois da estreia fora do Vaticano, no Brasil, em Julho passado. Visitar a Terra Santa (no caso a Jordânia, a Palestina e Israel) nunca é uma viagem igual a qualquer outra para o Santo Padre. Retalhada e disputada pelas três religiões monoteístas do Livro (judeus, muçulmanos e cristãos), desde há séculos que aquela zona do globo é um barril de pólvora em permanente detonação. A minoria cristã local tem sido mártir de muitos atentados e massacres, cuja importância a diplomacia do politicamente correcto parece esquecer, com receio de ofender a comunidade judaica ou os poderes islâmicos. Por sua vez, judeus e palestinianos (árabes) têm sido os contendores de um interminável conflito, que há muito radicaliza as relações entre os dois Estados e envenena o diálogo entre todos os parceiros da região. Fazendo de profeta irénico em terra ensanguentada, Francisco repetiu as incursões passadas de Paulo VI

(em 1964, no seu histórico encontro com o patriarca ortodoxo Atenágoras), de João Paulo II (em 2000) e de Bento XVI (em 2009), para falar da “coragem da paz” e do quanto a sua busca requer a aproximação e o diálogo. Foi igual a si próprio e corajoso, como tem sido o seu pontificado. Convidou para o acompanharem o rabino de Buenos Aires e o diretor do Instituto do Diálogo Inter-religioso da Argentina, e quis fazer do seu encontro de oração com o patriarca ortodoxo Bartolomeu, na Basílica do Santo Sepulcro, o ponto alto da viagem: duas Igrejas cristãs, lado a lado, sublimando um velho Cisma com mil anos e mostrando aos radicalismos judeu e islâmico o caminho para viverem em paz com o “outro”. Curiosamente ou talvez não, o mais azedo “outro” que não simpatizou com a viagem papal foi o extremismo dos ultra-ortodoxos judeus, que parecem ter andado a grafitar paredes em Israel com mensagens como “Jesus é lixo” ou “Morte aos árabes e aos cristãos”(sic). Mas também entre as falanges radicais palestinianas o Santo Padre não é bem visto, em nome do velhíssimo ódio islâmico contra o “infiel”. Que resposta deu Francisco a isto? Apelou ao fim do anti-semitismo, homenageando todos os “filhos” de David no memorial do Museu Yad Vashem, em Jerusalém, e ao reconhecimento mútuo dos dois Estados (Israel e Palestina), ao mesmo tempo que não esqueceu o drama sírio nas suas homilias nem a defesa de que os cristãos possam ser, naquelas paragens, “cidadãos de pleno direito”, como são os judeus ou os muçulmanos que vivem na Europa católica e protestante. E finalizou convidando Shimon Peres e Mahmoud Abbas para um encontro de oração pela paz no Vaticano. São muitas as gentes que têm o seu Deus e o seu Livro – o Deus da Bíblia, da Torah ou do Corão. O facto é que é o Papa quem mais fala da paz original, quem mais representa o verdadeiro ecumenismo e quem mais se bate pelas pontes de entendimento entre religiões. Quantos sabem, por exemplo, que o site do Vaticano já tem uma versão em língua árabe?

Bispos da União Europeia preocupados com partidos nacionalistas Responsáveis pedem que Bruxelas deixe de ser apontada como “bode expiatório” dos problemas locais. Por Ecclesia

O presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE) manifestou esta terçafeira a sua apreensão perante o aumento da votação em partidos nacionalistas e eurocépticos nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. “Uma matéria que gera preocupação é o aumento significativo do apoio aos partidos que rejeitam o


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projecto de integração europeia: parte deles conseguiu assegurar uma maioria dos votos nalguns Estadosmembros, incluindo a França, Dinamarca e Reino Unido”, refere o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, em comunicado. O responsável realça que alguns desses partidos têm uma visão “não só populista mas também nacionalista e xenófoba”, posições que são “inaceitáveis” para os cristãos e ameaçam a “coexistência pacífica” no Velho Continente. Segundo o cardeal alemão, é “demasiado cedo” para determinar quais as razões que levaram à ascensão destes partidos, mas pede que no futuro se debatam com maior transparência os “assuntos europeus que dizem respeito a todos os cidadãos”. “Isto aplica-se aos políticos eleitos e à cobertura mediática da Europa e da política comunitária: pode já não ser suficiente fazer de ‘Bruxelas’ um bode expiatório para os próprios problemas políticos”, escreve o presidente da COMECE. Reinhard Marx sublinha, no entanto, que a maioria dos votantes optou por escolher candidatos “pró-Europa”, o que vai permitir ao Parlamento prosseguir um “trabalho pelo bem comum de todos os europeus”. “A Europa continua a ser, apesar das críticas e de algumas dificuldades específicas, um projecto de paz e reconciliação, o que é acompanhado e apoiado de forma positiva pela Igreja Católica”, acrescenta. A COMECE assinala, a este respeito, que o anúncio dos resultados não é o fim, mas o “começo de um processo de renovação”, nas instituições da União Europeia, incluindo a nomeação de um novo presidente da Comissão e a eleição, dentro de meses, do presidente do Conselho. “Espero que os partidos políticos e os Estadosmembros cheguem a acordo para estas nomeações sem demora”, escreve o cardeal Marx. A COMECE, conclui, vai “acompanhar de forma construtiva” o trabalho dos novos eurodeputados, com base na Doutrina Social da Igreja.

iniciativa nesta matéria, com uma referência vaga à necessidade de ter em conta os resultados das eleições de domingo. Alguns países, com o Reino Unido à cabeça, contestaram abertamente o nome de Juncker. Outros, como a Alemanha, defendem que a escolha não deve ficar cingida aos nomes propostos pelo Parlamento, apesar de apoiados por vários chefes de governo, como a própria Angela Merkel. Pedro Passos Coelho apoiou e continua a apoiar Juncker. O primeiro-ministro português foi mesmo dos poucos a manifestar-se abertamente contra uma solução que deixe de fora os nomes avançados pelo Parlamento. “Se depois de todas as grandes famílias europeias terem apresentado o seu candidato, acabar a escolha por recair num outro que não foi proposto por ninguém, não seria um bom sinal e, portanto, não creio que seja o caminho desejável. É possível, pode acontecer, mas não creio que seja desejável”, disse Passos Coelho aos jornalistas. Os líderes dos “28” mandataram o presidente do Conselho Europeu para conduzir o processo de consultas entre governos e com o Parlamento Europeu para apresentar uma solução para a próxima reunião, agendada para o fim de Junho. Uma solução que muito provavelmente passará pela negociação de um pacote que englobe os demais postos institucionais europeus em causa. Para ilustrar o processo em curso, Passos Coelho recordou que Juncker venceu as últimas eleições no seu país, o Luxemburgo, para ver depois os demais partidos formar uma coligação que o deixou de forma o Governo. O futuro dirá se a história se repetirá, desta vez ao nível europeu.

Sucessor de Durão Barroso só no final de Junho Primeiro-ministro português continua a apoiar Jean-Claude Juncker para a Comissão Europeia. Por Daniel Rosário, correspondente em Bruxelas

Antes do final de Junho não deverá ser conhecido o sucessor de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia. Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia analisaram esta terça-feira, num jantar em Bruxelas, os resultados das eleições europeias, mas recusaram endossar o nome de Jean-Claude Juncker, o candidato do partido mais numeroso do Parlamento Europeu, para o cargo de presidente da Comissão Europeia. Em contrapartida, decidiram seguir à letra o estipulado no Tratado de Lisboa, que lhes confere poder de

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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BCE em Sintra. Discussão até houve, decisões só mais tarde Durante três dias, o Banco Central Europeu "mudou-se" para um hotel sintrense. Na Penha Longa, foram discutidas questões da política monetária, mas também os resultados das eleições europeias. E o Nobel Paul Krugman irritou-se.

de ‘stress’ de sempre" à União Europeia. Já o Nobel da Economia Paul Krugman não gostou de ouvir Durão Barroso, atribuir aos governos nacionais as responsabilidade da crise. E atacou as políticas de austeridade seguida por uma Zona Euro que parece em “negação profunda”. “A possibilidade de que as coisas estão tão más – e que as forças radicais ganharam poder [nas eleições europeias] – porque as políticas estão fundamentalmente erradas parece não ser equacionado”, escreveu no seu blogue no “New York Times”. Foi a primeira conferência mundial do Banco Central Europeu, Para o ano, o BCE volta a “mudar-se” para Sintra. REVISTA DA IMPRENSA

Crise no PS domina primeiras páginas

Barroso e Dijsselbloem em Sintra. Foto: Sergio Garcia/EPA Por Paulo Ribeiro Pinto

O calendário não podia ser melhor. Em Sintra, durante três dias, elementos do Banco Central Europeu (BCE), da Reserva Federal norte-americana, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e economistas de todo o mundo discutiram a política monetária, em especial na Zona Euro. E tudo aconteceu uma semana antes da reunião do Conselho de Governadores do Banco Central (5 de Junho), da qual podem sair medidas para enfrentar o risco de deflação. Ou seja: da queda continuada dos preços, numa altura em que a taxa de juro já está próxima de zero. No conforto da Penha Longa, não foram tomadas decisões concretas, mas o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, espera que as ideias aqui discutidas sirvam para futuras decisões. “Quanto às decisões e conclusões, temos de esperar que todo este processo de reflexão se conclua. Foi muito importante beneficiar de grandes académicos, de outros governadores e da presença também com grande experiência para reflectir sobre as questões europeias e as questões mundiais”, diz Carlos Costa. Mas também houve tempo para falar dos resultados das eleições europeias do fim-de-semana com a subida dos partidos da extrema-direita e extrema-esquerda. Sobre esta questão, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou que as pessoas estão a ficar “impacientes” com os resultados das políticas europeias. E o presidente da Comissão Europeia afirmou que a subida dos partidos da extrema-direita na Europa pouco tem a ver com a crise financeira, classificando as eleições europeias como "o maior teste

Costa acelera. Seguro volta a não ter pressa. Manchete do Publico: "PS já conta espingardas para a batalha entre Costa e Seguro". Na mesma linha, o Diário de Noticias indica que "Seguro recusa antecipar eleições internas no PS. Este jornal diz que a maioria dos presidentes das federações socialistas está com o líder. O i chama à primeira página o rosto de Alegre, acompanhada de uma declaração do poeta: "Seguro não tem que ter medo do Congresso". Outro destaque neste jornal: "Procuradoria-geral da Republica pondera investigar buraco no grupo Espirito Santo". Também o Diário Económico sublinha que a "PGR acompanha situação na holding da família Espirito Santo". "Construtoras vão ter regras mais simples" é a manchete de Negócios. A explicação surge em subtítulo: "Menos burocracia, acesso mais fácil à actividade, menos exigências para estrangeiros". De volta ao DN, no topo da página lê-se. "Papa abre porta a fim do celibato dos padres" 3 no Correio da Manhã o destaque vai para o benfica: "Jesus recusa contrato de 15 milhões". Mais futebol no diário da Cofina: "Ronaldo usa filho em campanha". Entre os editoriais, referência para o de Paulo Ferreira no JN, com o título: "Costa chegou-se à frente". No artigo é dito que Costa avança na altura certa", por três razões: não haverá, até às legislativas, outro momento em que seja possível capitalizar o descontentamento fora e dentro do partido; Costa obriga o líder do PS a


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definir-se - vai a jogo e arrisca perder ou recusa convocar um congresso e arrisca definhar; Costa já ameaçou por duas vezes tomar conta do partido e não pode ficar quietinho a ver como param as modas.

RAQUEL ABECASIS

Estava escrito nas estrelas Não conhecemos o fim desta história, mas uma coisa é certa: depois das eleições de domingo, é bom para a saúde da nossa democracia que alguma coisa aconteça no PS.

estrelas que António Costa acabaria por se confrontar com António José Seguro. Não conhecemos o fim desta história, mas uma coisa é certa: depois das eleições de domingo, é bom para a saúde da nossa democracia que alguma coisa aconteça no Partido Socialista, porque deixar tudo como está é o caminho mais rápido para acabar de asfixiar a nossa já doente democracia.

Maioria das federações com Seguro Dirigentes socialistas admitem que declaração de Costa obriga o PS a ir a eleições internas. Por Eunice Lourenço e Susana Madureira Martins

Por Raquel Abecasis

É o "timing" ideal e estão reunidas as condições. António Costa sabe-o e sabe também que é agora ou nunca. O país deu-lhe o recado de que está à espera de uma alternativa credível. Os magríssimos 31,47% de votos com que o PS conseguiu ganhar as europeias são uma vitória à tangente que, juntamente com a derrota histórica da coligação, provam que os portugueses não gostam do que está, mas também não reconhecem uma alternativa no partido liderado por António José Seguro, por isso, muitos dos que se deram ao trabalho de ir votar, preferiram votar em Marinho Pinto. Os destroços deixados pela última tentativa de conquistar a liderança pesam demais nos ombros de António Costa, para que o anúncio das últimas horas possa ter recuo. Os procedimentos burocráticos para abrir uma corrida à liderança não serão fáceis neste momento, mas a lógica dos partidos é a de quererem chegar ao poder e os socialistas sabem que esse caminho será mais fácil com Costa do que com Antonio José Seguro, tal como em 2004 foi mais fácil com Sócrates do que com Ferro Rodrigues, que, apesar de tudo, vinha de uma vitória histórica nas europeias, 44,5%. Pedro Santana Lopes tornou célebre uma frase que uma vez proferiu num congresso do PSD, dizendo que estava escrito nas estrelas que um dia se haveria de confrontar com Durão Barroso e assim aconteceu. Os socialistas não têm esta tradição de dramatizar os congressos, caso contrário o mesmo poderia ter sido dito no último congresso do PS: estava escrito nas

A direcção socialista já encetou contactos com os presidentes das federações e segundo disse à Renascença um membro do secretariado do PS todas as federações continuam ao lado de António José Seguro, à excepção de Aveiro, Lisboa e Açores. Num primeiro momento, a reacção dos dirigentes mais próximos de Seguro era de disponibilidade para “ir a jogo”, mas agora o discurso “oficial” da direcção socialista é que se António Costa, que anunciou esta terça-feira que quer avançar para a liderança do PS, quer ir à luta tem de mostrar que tem apoios. Vários dirigentes próximos de António José Seguro admitem, porém, que não há como fugir ao confronto. A declaração de António Costa “obriga o PS a ir a eleições internas”, reconheceu mesmo um dirigente socialista à Renascença. A decisão final acabará por estar nas mãos de Seguro, que no último congresso “blindou” os estatutos. Um congresso extraordinário só pode ser convocado com o apoio da maioria das federações e que corresponda a uma maioria de militantes. A alternativa é ser aprovado na comissão nacional ou ser convocado pelo secretário-geral. O mais provável é que a decisão vá a votos na reunião da comissão nacional do próximo sábado, havendo já dirigentes socialistas que admitem a realização de um congresso extraordinário em Setembro.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate. Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.


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Quem apoia António Costa no PS? E quem não gostou de o ouvir? As opiniões dividem-se quanto à candidatura e o próprio "timing" do anúncio de António Costa, bem como as possibilidades de se realizar um congresso extraordinário do Partido Socialista. Núcleo duro de Seguro ataca: "O PS tem regras"

Com o anúncio de que António Costa está disponível para liderar o PS, os socialistas começam a contar espingardas. Capoulas Santos, Manuel Alegre, José Lello e Isabel Moreira estão com Costa, mas outras figuras, como João Proença e Álvaro Beleza, criticam o actual presidente da Câmara de Lisboa. Em declarações à Renascença, o socialista Capoulas Santos garante que a decis��o de Costa "não constituiu uma surpresa", considerando este passo corajoso, "sobretudo depois dos resultados eleitorais do último domingo". "É um gesto de inconformismo que devolve a esperança aos portugueses num futuro melhor e na procura de um quadro de governabilidade do país muito diferente daquele que conhecemos até agora", afirmou. O antigo ministro da Agricultura considera ainda "que há condições para a actual equipa dirigente do PS perceber que não tem condições políticas para mobilizar o país e o partido para as eleições legislativas que ocorrerão daqui a um ano". Para Manuel Alegre, a disputa pela liderança apenas virá fortalecer o Partido Socialista. “É sempre importante que uma pessoa que acha que está em melhores condições para liderar um partido, assuma essa responsabilidade. É um facto que vai contribuir para um debate e uma reflexão dentro do PS, provavelmente por uma disputa pela liderança. Essas coisas fortalecem o PS.” Apesar de elogiar o desempenho de Seguro, que venceu duas eleições enquanto líder do PS, Alegre concorda que o triunfo nas europeias deixa o partido insatisfeito: “A direita teve uma grande derrota, uma derrota histórica que não vale a pena disfarçar. O PS ganhou as eleições, mas o resultado que obteve não

nos deixa confortáveis para as legislativas, portanto é preciso fazer esse debate. António José Seguro travou um grande combate, fez tudo o que devia fazer, chamou à esquerda, chamou à direita, procurou unir o partido. É preciso saber porque é que o PS não foi capaz de segurar os descontentamentos." Núcleo duro de Seguro ataca. "O PS tem regras" Álvaro Beleza, membro do secretariado nacional do PS e amigo pessoal de António José Seguro, critica a decisão de António Costa e afirma que "o país não precisa de estrelas de televisão para governar", mas de "gente séria, competente e trabalhadora". João Proença, secretário nacional do PS, também aponta baterias a Costa. O PS “tem um líder eleito democraticamente”, que venceu as autárquicas e as europeias, e uma disputa da liderança só vai “enfraquecer” o partido e “favorecer” a direita. Questionado sobre a possibilidade de convocação de um congresso extraordinário, Proença mostra-se descrente: “O PS tem regras, não é pelo facto de um militante querer a liderança que se vai fazer um congresso”, e questiona o “timing” do actual presidente da Câmara de Lisboa: “Porque é que ele hoje é candidato e não foi quando o PS foi derrotado nas eleições em 2011?” O deputado José Lello revela uma atitude contrária, dizendo que a questão dos estatutos não é relevante e que haverá mesmo um congresso extraordinário. “Não podem é desfocar a atenção das pessoas em relação ao que é essencial, que é a proposta política, o debate político, a questão do interesse nacional que está aqui envolvido. Os portugueses não podem deixar de perder a sua esperança e pensar que não há uma alternativa sólida no limiar da maioria absoluta para 2015”, considera, mostrando-se confiante de que António Costa seja a pessoa certa para conseguir “corporizar esse grande movimento que leve o PS à vitória em 2015.” As declarações de José Lello surgem pouco depois de ter colocado no Twitter a mensagem: "António Costa vai a jogo. Agora é que as cartas vão ser jogadas!" António Costa vai a jogo.Agora é que as cartas vão ser jogadas! — José Lello (@joselello) 27 maio 2014manifestou o seu apoio a Costa: "O PS precisa de mudar. Chegou a hora". Já no Facebook, a deputada independente eleita pelo PS Isabel Moreira, embora saúde Seguro “pela oposição permanente a este Governo”, reconhece que o resultado das eleições demonstram que o partido não conseguiu “capitalizar como era desejável a dimensão do descontentamento de um povo massacrado”. "A disponibilidade de António Costa é acima de tudo um gesto patriótico. Não se trata de ambição pessoal ou guerrilha. Trata-se de interpretar o dia 25 a bem de Portugal”, escreve Isabel Moreira. Os dirigentes socialistas Vítor Ramalho e Edite Estrela também já saudaram a disponibilidade de António Costa para avançar para a liderança do PS. Eurico Brilhante Dias, membro do secretariado nacional do PS, próximo de Seguro, alerta para os perigos de uma divisão dentro do PS e lembra que o actual líder socialista venceu todas as eleições que disputou. Já Vieira da Silva avalia de forma positiva o avanço


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de António Costa e considera que o PS deve analisar os resultados e domingo com serenidade. O ex-ministro e antigo número dois na liderança de Ferro Rodrigues avisa que será um erro colocar a discussão em questões burocráticas, como os estatutos do partido, quando o que os socialistas têm de fazer é perceber como podem ter um melhor resultado eleitoral. [notícia actualizada às 02h19]

CDS admite resultado "historicamente baixo" nas europeias

FRANCISCO SARSFIELD CABRAL

Preocupados com a abstenção recorde, centristas afirmam que não há motivo para “triunfalismos” do lado do PS.

O tiro pela culatra Quando se percebeu que, afinal, o PS não atingira sequer 32% dos votos, começaram as críticas dentro do partido.

Seguro tentou “ganhar a noite eleitoral” de domingo passado, pondo F. Assis a anunciar, logo no início, uma grande vitória, para esta ideia se fixar na cabeça dos telespectadores, sem paciência para verem muito mais. O tiro saiu pela culatra: aí está António Costa a disputar a liderança do PS a Seguro. Quando se percebeu que, afinal, o PS não atingira sequer 32% dos votos, começaram as críticas dentro do partido. Seguro e F. Assis não se deram conta de que esta manobra lhes retirou credibilidade. Parecem viver num mundo de fantasia. Essa impressão negativa foi reforçada pelo apelo de Seguro e de outros socialistas a antecipar as eleições legislativas. Não só porque, no passado, vários partidos derrotados nas eleições europeias tiveram bons resultados algum tempo depois nas legislativas. Mas sobretudo porque os votos de domingo e a megasondagem da TVI mostram que, a haver agora eleições gerais, seria dificílimo formar um governo com maioria parlamentar. E com o PS de novo em convulsão… Só se o Presidente da República fosse irresponsável, e não é, anteciparia as legislativas.

O resultado da Aliança Portugal nas eleições europeias foi "historicamente baixo", mas não houve transferência de voto para a esquerda, afirmou a vicepresidente do CDS, Cecília Meireles, no final de uma reunião da comissão política do partido, em Lisboa. É preciso assumir a derrota da coligação PSD/CDS com “humildade democrática” e a “prioridade nos próximos tempos tem que ser reganhar a confiança” dos eleitores que decidiram “ficar em casa, votar branco ou nulo”, defende a deputada. Na reunião da comissão política nacional desta terçafeira à noite, os centristas fizeram uma primeira análise dos resultados eleitorais e concluíram que a abstenção é o dado mais preocupante. O CDS insiste que não há motivo para “triunfalismos” do lado do PS e os últimos acontecimentos mostram isso, nomeadamente a decisão de António Costa de disputar a liderança do Partido Socialista com António José Seguro. Sobre se PSD e CDS mantêm a coligação para as eleições legislativas do próximo ano, Cecília Meireles diz que a seu tempo essa decisão será tomada. “Agora, terão muitos acontecimentos para tratar no PS. Nós, neste momento, estamos concentrados em governar, em governar bem, em governar melhor”, afirmou a vice-presidente do CDS.

Portugueses queixaram-se menos ao provedor de Justiça em 2013 Relatório revela que José de Faria Costa recebeu 18.119 queixas. Maioria está relacionada com segurança social, fiscalidade, relação do emprego público e administração da justiça. Mais de 18 mil pessoas queixaram-se junto do provedor de Justiça o ano passado, o que representa uma quebra de 33,4% face a 2012, tendo sido abertos 8.521 processos, a maior parte dos quais relativos à segurança social. Os dados constam do relatório de actividades do provedor de Justiça, onde José de Faria Costa dá conta


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de ter recebido 18.119 queixas, menos 9.099 do que em 2012, uma tendência que se mantém quando se analisa a natureza dos queixosos. Do total de queixas recebidas, o provedor determinou a abertura de 8.512 processos, aos quais juntou outros nove por iniciativa própria, o que dá um total de 8.521, mais 1.482 do que em 2012. Analisando os assuntos que levam os cidadãos a queixarem-se junto do provedor, a maior parte (57,2%) tem a ver com a segurança social, fiscalidade, relação do emprego público e administração da justiça. A administração central continua a ser a entidade mais visada, sendo referida em 5.181 processos, logo seguida pela administração indirecta e autónoma. Já no que diz respeito à distribuição de queixas por ministério, o da Solidariedade, Emprego e Segurança Social lidera com 1.983 queixas. Logo atrás vem o Ministério das Finanças, com 1.010. Olhando para as autarquias, é a de Lisboa que motivou maior número de processo, estando a do Porto em segundo lugar e a do Funchal em terceiro.

Professores contratados exigem conhecer critérios do Ministério O Ministério da Educação vai abrir quase duas mil vagas. Os professores podem concorrer através do concurso externo extraordinário, que deverá realizar-se até Agosto.

Foto: Lusa (arquivo) Por Fátima Casanova

Os professores contratados querem conhecer os critérios usados pelo Ministério da Educação na abertura das cerca de duas mil vagas de acesso à carreira docente. “O Ministério da Educação tem de dizer de uma vez por todas qual o critério que utilizou. Não conseguimos encontrar nenhum critério que dê nem este número de vagas, nem muito menos a distribuição pelos grupos de recrutamento neste momento em vigor”, explica à Renascença o presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC).

“O ministério, num princípio absolutamente democrático e de transparência, tem de mostrar o porquê de abrir vagas nestes grupos de recrutamento e com um determinado número”, defende. César Paulo questiona também a respectiva distribuição por disciplinas e diz que ainda esta terçafeira deverá ser formalizado um pedido junto do ministro Nuno Crato para que divulgue os critérios. A ANVPC anuncia ainda que os professores contratados vão apresentar nova queixa junto da Comissão Europeia, porque, diz, a legislação laboral continua a não ser cumprida pelo Ministério da Educação. A portaria de abertura de vagas para os quadros foi conhecida na segunda-feira. O Ministério da Educação vai abrir quase duas mil vagas. Os professores podem concorrer através do concurso externo extraordinário, que deverá realizar-se até Agosto.

Direcções gerais do ministério impedem autonomia nas escolas A acusação é lançada, em entrevista à Renascença, pelo presidente do Conselho de Escolas. Por Raquel Abecasis

Ainda há um longo caminho a percorrer para que se possa falar de autonomia nas escolas portuguesas, afirma o presidente do Conselho de Escolas, José Eduardo Lemos, em entrevista ao programa Terça à Noite da Renascença. José Eduardo Lemos reconhece que alguns "pequenos passos" já foram dados pelo ministro Nuno Crato, mas o problema surge quando "as decisões esbarram no poder das direcções gerais". O também director de uma escola na Póvoa do Varzim diz que os directores não têm autonomia para decidir sobre uma visita de estudo, "nem sobre uma infinidade de outras coisas". Reconhecendo que, apesar de tudo, o actual ministro da Educação já tomou algumas decisões "importantes" que dão poder as escolas de "organizarem, por exemplo, os tempos lectivos e de terem alguma autonomia em termos de curriculares", José Eduardo Lemos lamenta que, quando há problemas, o Ministério prefira "limitar o poder das escolas a fiscalizar os abusos". Por isso, diz o director do Conselho de Escolas, é muito difícil conceder às escolas o poder de contratar os seus professores, o que impede uma verdadeira autonomia. No final de mais um ano lectivo, José Eduardo Lemos considera que este não foi um ano diferente dos anteriores. "É claro que se sentiu a austeridade", mas isso não é uma novidade deste ano e acrescenta: "nas escolas os professores estão apreensivos quanto


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ao futuro, mas essa é uma realidade em todo o país".

Heroína e álcool continuam a ser os principais estupefacientes em Portugal A rapidez com que aparecem novas drogas preocupa a Europa, mas em Portugal essa tendência não se revela.

Embora não seja possível estabelecer uma relação directa de causa efeito, João Goulão admite que a crise tem um papel neste fenómeno. “As pessoas usam drogas por um de dois motivos, ou para potenciar o prazer, ou para aliviar o desprazer. Aí temos sobretudo a heroína, o álcool, tranquilizantes, antidepressivos. Penso que o actual contexto social de Portugal tem conduzido a um recrudescimento destas substâncias, como o álcool e a heroína”, explica.

Casos de exaustão entre profissionais de saúde aumentam com a crise Situações de stress ocupacional são já uma realidade verificada nos centros de saúde em Portugal.

Heroína apreendida pelas autoridades Por Anabela Góis

O fenómeno das novas drogas, que tanto preocupa o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, ainda não é uma realidade em Portugal. De acordo com o relatório divulgado esta terça-feira, só ano passado foram detectadas 80 novas substancias em espaço Europeu, muitas das quais sintéticas. Este ano já houve notificação de outras 37, com efeitos para a saúde pública ainda desconhecidos. Mas a situação em Portugal ainda é, sobretudo, de vigilância, explica à Renascença João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. “Durante este ano apenas tivemos a identificação de uma nova substância em Portugal, para além das que surgiram na Europa. Identificámos uma, que reportámos ao mecanismo de alerta rápida, mas de facto não há uma invasão de novas substâncias”, disse. Mesmo ao nível das substâncias sintéticas, diz o coordenador nacional para a problemática das drogas, a situação está longe de ser expressiva: “Ao nível dos opiáceos continuamos a ter um uso significativo de heroína. Estas novas substâncias que estão a ser utilizadas noutros países, ainda não é uma tendência que detectamos aqui, o que não quer dizer que não exista”. O que se nota em Portugal é o aumento de recaídas de antigos consumidores de heroína, ao mesmo tempo que estão a aumentar os pedidos de ajuda de viciados em canábis, que inclusivamente já ultrapassaram os de heroína.

Os casos de exaustão entre os profissionais de saúde estão a crescer com a crise, à medida que aumentam os pedidos de ajuda das pessoas, alertou o delegado de saúde regional de Lisboa e Vale do Tejo. António Tavares disse, num encontro da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que as situações de stress ocupacional são já uma realidade verificada nos centros de saúde em Portugal. Segundo o delegado de saúde, os profissionais de saúde, nomeadamente os médicos, estão a ser solicitados a dar respostas que outros organismos não dão. Isso obriga os clínicos a intervir também em situações do foro social, "com empenho e sacrifício pessoal redobrado". "Há processos de exaustão por parte dos profissionais porque não conseguem, muitas vezes, ajudar a resolver os problemas das pessoas, porque não são apenas problemas de saúde", explicou António Tavares. Com a incapacidade de dar respostas a certos problemas, com o aumento do trabalho e problemas nas próprias instituições de saúde (por vezes de carácter organizacional), os profissionais, que ganham menos e trabalham mais, entram em situações de exaustão. A partilha dos seus problemas com outros colegas é essencial para travar e ultrapassar estas situações de exaustão, acredita Ant��nio Tavares, que considera que


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a própria tutela devia incentivar espaços de partilha. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a crise fez também crescer o número de crianças com baixo peso à nascença e o número de recém-nascido pré-termo. "Há uma dificuldade maior de aderir a programas de vigilância pré-natal e também surgem casos de deficiências ao nível da alimentação. Uma das causas é sem dúvida a crise", indicou à Lusa no final do encontro.

Frente de obra na barragem do Tua suspensa após acidente mortal Autoridade para as Condições do Trabalho diz que o procedimento vai manter-se "até averiguação das causas do acidente e adopção das medidas de prevenção e protecção da segurança e saúde dos trabalhadores que se revelarem necessárias". A suspensão de uma frente na obra da Barragem de Foz Tua vai manter-se até à verificação das causas do acidente que provocou a morte de um operário, anunciou esta terça-feira a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Na sequência do acidente de trabalho mortal ocorrido na sexta-feira, a ACT realizou uma visita inspectiva à obra do aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, que está em construção entre Alijó, em Vila Real, e Carrazeda de Ansiães, em Bragança, procedendo "à suspensão imediata dos trabalhos no paramento de jusante do Bloco B1-E1". A autoridade explica, em comunicado, que este procedimento manter-se-á "até averiguação das causas do acidente e adopção das medidas de prevenção e protecção da segurança e saúde dos trabalhadores que se revelarem necessárias". Na sexta-feira, entre as 23h00 e as 24h00, ocorreu um acidente na barragem que provocou a morte a um trabalhador de 50 anos, natural da Guiné. A vítima sofreu uma queda em altura, de cerca de 10 metros, na operação de elevação de consolas de cofragem trepante na obra. A EDP explicou, no sábado, que "o acidente ocorreu durante uma operação de elevação de cofragem, no paramento de jusante da Barragem, operação esta que é efectuada dezenas de vezes ao longo de cada dia". A cofragem é uma espécie de molde de madeira onde o cimento 'encaixa', sendo depois retirada a estrutura de madeira, que serve de esqueleto de uma obra. A ACT adianta que, neste momento, se encontra a apurar as causas do acidente, a elaborar relatório do mesmo e que, só então, se poderá equacionar o levantamento da suspensão dos trabalhos na referida obra". Entretanto, referiu que, numa segunda visita realizada

hoje, os inspectores da elaboraram uma notificação para "tomada de medidas de segurança e saúde no trabalho, relativamente à protecção colectiva e individual dos trabalhadores". Foi ainda elaborada uma recomendação, para que sejam dadas instruções concretas aos trabalhadores no que respeita às tarefas a realizar por cada um. "Consciente da gravidade dos acidentes de trabalho que têm ocorrido nos grandes estaleiros dos empreendimentos hidroeléctricos", a direcção da ACT anunciou que "vai estar especialmente atenta, reforçando a fiscalização de obras desta envergadura". Já em Janeiro de 2012, uma derrocada nas obras da barragem de Foz Tua provocou a morte de três trabalhadores. No mês a seguir, em Fevereiro, um rebentamento que deu origem a um deslizamento de pedras e terras provocou ferimentos em quatro trabalhadores.

Portugal tem pulseira electrónica há 12 anos. Medida custa 16 euros por dia Taxa de cumprimento da pulseira electrónica é das mais elevadas da Europa. Por Liliana Monteiro

A pulseira electrónica existe há 12 anos em Portugal. Para perceber como funciona este sistema de vigilância, que esteve em destaque com a fuga do homicida de Valongo dos Azeites - conhecido por “Palito”- a Renascença entrevistou Nuno Caiado, director dos Serviços de Vigilância Electrónica. Durante mais de 30 dias, o país seguiu a história das buscas para tentar encontrar o suspeito, que estava sujeito a pulseira electrónica desde Outubro do ano passado, uma medida preventiva num processo de violência doméstica. A pulseira não é 100% segura, admite o director dos Serviços de Vigilância, acrescentando que a “tecnologia funcionou, os procedimentos foram cumpridos e os protocolos seguidos com rigor, mas não foram suficientes para conter o impulso agressivo do alegado homicida”. Manuel Baltazar, de 61 anos, é suspeito da morte de uma tia e da mãe da sua ex-mulher, e de, no mesmo ataque, ter disparado também contra a sua excompanheira e a sua filha, a 17 de Abril. Tudo isto apesar de "Palito" estar na altura com pulseira electrónica e proibido de contactar a ex-mulher no âmbito de um processo de violência doméstica. Foi detido dia 21 de Maio e o juiz decretou que ficasse em prisão preventiva. Sistema custa 16 euros por dia Nesta altura, existem no país 225 pessoas que estão a ser vigiadas em processos de violência doméstica, outras 500 usam pulseira electrónica para cumprir pena


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em casa. Nuno Caiado, que trabalha com oito equipas de Norte a Sul e mais duas nas ilhas, reconhece que estes profissionais estão muitas vezes esgotados: começam a ser poucos e têm viaturas que passam a maioria dos dias em oficinas. Um sujeito em vigilância electrónica custa ao Estado cerca de 16 euros por dia, um terço do custo de manter uma pessoa presa. A taxa de cumprimento da pulseira electrónica é das mais elevadas da Europa. No ano passado registou-se uma taxa de 3,5% de insucesso.

Novos deveres de informação no crédito ao consumo Na prática, são definidas as informações mínimas que os bancos ficam obrigados a transmitir aos clientes que adquirem cartão de crédito, crédito pessoal, crédito automóvel ou assinem uma conta a corrente bancária. Por Sandra Afonso

Estão em consulta pública, até ao final de Junho, os deveres de informação da banca sobre o crédito ao consumo. As alterações foram aprovadas pelo legislador e são agora publicadas pelo Banco de Portugal, a quem coube passar para o papel as novas regras. Na prática, são definidas as informações mínimas que os bancos ficam obrigados a transmitir aos clientes que adquirem cartão de crédito, crédito pessoal, crédito automóvel ou assinem uma conta a corrente bancária. Estes requisitos têm por base a informação que a banca já é obrigada a prestar nos contratos de crédito à habitação e ainda dados específicos do tipo de contrato. Ou seja, taxas em vigor, montantes em dívida, comissões e despesas, datas limite de pagamento ou formas de pagamento disponíveis. Há ainda deveres de informação complementar em situações de incumprimento e respectiva regularização e em casos de reembolso antecipado, parcial ou total da dívida. Fica ainda estabelecido que o banco deve enviar, pelo menos, um extracto por mês, salvo algumas excepções, em papel ou noutro suporte duradouro. As novas regras abrangem também os contractos celebrados ainda durante o anterior diploma legal, que continuem em curso. As novas regras entram em vigor 180 dias depois da publicação.

Portugal quer vender navios a países africanos de língua portuguesa Cooperação técnico–militar está em marcha, mas falta fazer negócios, algo que os embaixadores ou representantes de Angola, Moçambique, São Tomé e Cabo Verde vão discutir com Portugal. Por Ana Rodrigues

Ainda não há contratos assinados, mas o ministro da Defesa garante que Portugal tem condições para construir navios patrulha e vendê-los aos países africanos. Uma delegação de membros da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) está de visita a Portugal e esta terça-feira foi convidada a conhecer as capacidades dos navios portugueses. Durante a manhã, a delegação subiu a bordo do navio patrulha "Viana do Castelo" construído nos Estaleiros de Viana. A cooperação técnico–militar está em marcha, mas falta fazer negócios, algo que os embaixadores ou representantes de Angola, Moçambique, São Tomé e Cabo Verde vão discutir com Portugal. O ministro José Pedro Aguiar-Branco fez as honras da casa, não se cansando de elogiar o navio e garantindo também que Portugal continua a ter capacidade de construção desde tipo de navios, apesar da reprivatização, e posterior subconcessão, dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. "E por isso, há capacidade quer em termos da existência de projecto, que é do Estado, quer em termos daquilo que é a capacidade de construção e reparação naval, que persiste em Viana do Castelo. E nós acreditamos que tem futuro, quer para a região, quer para a construção naval portuguesa", acrescentou. O ministro confia nas conversações bilaterais, que estão em agenda, e no Fórum da Defesa para concretizar negócios. A bordo do navio patrulha estão já militares dos países da CPLP para dois meses de estágio, uma experiência importante, diz Adérito Cardoso, de Cabo Verde. “Vamos aproveitar o máximo dos conhecimentos e procedimentos utilizados aqui, levar para o nosso país e melhorar os nossos. É essa a nossa expectativa”.

CONSELHO DE DIRECTORES. A reflexão sobre a actividade política e económica. Com Graça Franco, Pedro Santos Guerreiro e Henrique Monteiro, num debate conduzido por José Pedro Frazão. À quinta-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h.


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Assalto violento termina com morte de português em Angola

Ajuda timorense de 700 mil euros ainda não chegou aos bombeiros

Vítima, de 48 anos, enfrentou os seis assaltantes e foi agredido nos arredores de Luanda.

No Verão passado morreram nove pessoas, oito dos quais bombeiros, e arderam 140.944 hectares, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Um português de 48 anos morreu em Viana, nos arredores de Luanda, depois ter sido espancado e esfaqueado durante um assalto que envolveu seis elementos. O crime ocorreu no domingo no bairro de Luanda Sul depois de seis assaltantes terem abordado a vítima e a sua namorada, que se encontravam a conversar na rua, tendo roubado os telemóveis, indicou esta terça-feira fonte oficial do Comando Provincial da Polícia Nacional angolana, citado pela agência de notícias angolana Angop. Durante o assalto, o português, de 48 anos, com um canivete, "conseguiu libertar a namorada, e foi depois agredido mortalmente pelos marginais, com um ferro e uma faca", explicou o porta-voz do Comando, Mateus Rodrigues. A polícia já deteve os suspeitos do crime, que integravam um grupo, também desmantelado, envolvido em assaltos na via pública e residências no município de Viana.

CONSELHO DE DIRECTORES. A reflexão sobre a actividade política e económica. Com Graça Franco, Pedro Santos Guerreiro e Henrique Monteiro, num debate conduzido por José Pedro Frazão. À quinta-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h.

Por João Cunha

A Liga de Bombeiros Portugueses ainda não recebeu o milhão de dólares (pouco mais de 700 mil euros) que Timor-Leste doou, no final do ano passado, aos bombeiros portugueses e às populações afectadas pelos incêndios do Verão. O Governo português explica que ainda não distribuiu a doação, porque é preciso evitar que pague impostos. “Esse dinheiro foi doado para apoio das famílias que tiveram vítimas, sendo que já houve o procedimento normal das indemnizações e da atribuição das pensões de sangue, faltando apenas uma por dificuldades burocráticas”, revelou o ministro da Administração Interna, esta terça-feira. Miguel Macedo sublinhou que a verba doada é uma “ajuda suplementar” e nada tem a ver com o dispositivo de combate a incêndios deste ano, nem com as pensões de sangue ou indemnizações atribuídas às famílias dos bombeiros que morreram nos incêndios. Estas explicações foram dadas à margem de uma visita em que acompanhou o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, à Unidade de Controlo Costeiro da GNR. Para trás fica uma das piores épocas de incêndios dos últimos dez anos. No Verão passado morreram nove pessoas, oito dos quais bombeiros, e arderam140.944 hectares, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Arderam 1,9 milhões de hectares de floresta em 14 anos.


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Boko Haram mata 25 polícias e militares na Nigéria Homens armados atacaram instalações das forças de segurança em Buni Yadi. Só na última semana o grupo radical islâmico matou quase 200 pessoas. É mais um ataque dos rebeldes do Boko Haram na Nigéria: na noite de segunda-feira, homens armados atacaram, em simultâneo, uma base militar e instalações da polícia, em Buni Yadi, uma cidade do nordeste do país. De acordo com a Reuters, há pelo menos 25 mortos entre os agentes de segurança. Este não é o primeiro ataque do grupo Boko Haram naquela cidade. Em Fevereiro, o grupo militar islâmico um colégio interno e mataram 59 alunos. Dias sangrentos Na última semana, têm sido vários os relatos de ataques do Boko Haram no nordeste da Nigéria, com a cidade de Jos a testemunhar o maior número de vítimas mortais: 118. Nos últimos dois meses, o Boko Haram intensificou a sua campanha para transformar aquele país num estado islâmico, que tem como principais alvos os civis. O grupo tornou-se conhecido mundialmente depois de raptar quase 300 raparigas, em Abril. Esta segundafeira, as autoridades da Nigéria anunciaram que localizaram as raparigas. Perguntas e respostas sobre o Boko Haram. Quem são e o que querem?

Sudanesa condenada à morte já deu à luz Segundo o tribunal que a condenou à morte por “renunciar ao Islão”, Meriam Ibrahim pode agora amamentar a sua criança durante um máximo de dois anos antes de ser executada. A sudanesa Meriam Ibrahim, que foi recentemente condenada à morte por alegadamente ter renunciado ao Islão e cometido adultério, já deu à luz. A informação foi dada pelo seu advogado ao jornal britânico “Daily Telegraph”. A história de Meriam Ibrahim chegou à imprensa mundial em meados de Maio, quando um tribunal considerou que a mulher, na altura grávida, era culpada daqueles dois crimes. Segundo o tribunal sudanês, Ibrahim é muçulmana, uma vez que essa era a religião do seu pai. Mas a condenada argumenta que o pai a abandonou ainda em criança e que foi criada como cristã pela sua mãe, que é etíope, fiel da Igreja Ortodoxa daquele país.

O tribunal recusou a defesa de Meriam e deu-lhe várias oportunidades para renunciar ao Cristianismo, coisa que ela sempre recusou. Mais, o tribunal concluiu que, por supostamente ser muçulmana, o seu casamento com um homem cristão não era válido, pelo que a considerou culpada também de adultério. Os apelos da comunidade internacional para que Meriam Ibrahim seja libertada não foram escutados pelo Governo do Sudão. Segundo as normas em vigor, Meriam tem agora dois anos para amamentar a sua filha, até ser executada. O advogado de Meriam diz que a sua cliente nem foi levada ao hospital, tendo dado à luz na clínica da prisão onde se encontra detida.

Paquistanesa morre apedrejada à frente do supremo tribunal Não existem estatísticas no Paquistão quanto ao número de mulheres mortas por questões de honra todos os anos, mas uma organização não-governamental estima que são cerca de 1.000. Uma mulher paquistanesa foi apedrejada até à morte por familiares e o ex-noivo esta terça-feira. O crime teve lugar à frente do edifício do Supremo Tribunal, nas primeiras horas da manhã. Farzana Iqbal enfureceu os seus familiares quando recusou casar com o seu primo, como tinha sido combinado entre as famílias, para se casar com o homem por quem estava apaixonada. Depois de se casar, os seus pais apresentaram queixa contra o marido, por rapto. O caso chegou ao supremo tribunal e esta terça-feira Farzana estava à espera que o tribunal abrisse, para poder testemunhar como tinha casado de livre vontade. Foi nessa altura que o seu pai, os seus irmãos e o seu ex-noivo se aproximaram dela munidos de tijolos, que arremessaram contra Farzana, que morreu dos ferimentos contraídos. Todos os suspeitos conseguiram depois fugir, excepto o pai, que assumiu ter morto a filha por uma questão de honra. Não existem estatísticas no Paquistão quanto ao número de mulheres mortas por questões de honra todos os anos, mas uma organização nãogovernamental estima que são cerca de 1.000, sendo que esse é apenas o número relatado na imprensa, pelo que o valor real pode ser bastante superior.


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Bombista mata 19 numa mesquita xiita em Bagdad Autoridades esperam que o número de vítimas aumente, devido à gravidade dos ferimentos. Um atentado suicida fez esta terça-feira pelo menos 19 mortos, em Bagdad. Um homem fez-se explodir na proximidade de uma mesquita xiita, matando sobretudo comerciantes locais que iam rezar. As autoridades esperam ainda que o número de vítimas suba, devido à gravidade dos ferimentos de alguns dos sobreviventes. O ataque ainda não foi reivindicado, mas tudo indica tratar-se da acção de militantes islamitas sunitas, que ao longo do ano já assumiram a autoria de muitos atentados parecidos. Embora não haja dados recentes fiáveis, estima-se que os xiitas sejam cerca de 60% da população do Iraque, com os sunitas a compor a quase totalidade do resto. Há ainda pequenas comunidades de outras religiões, incluindo cristãos. Durante o regime de Saddam Hussein os sunitas dominavam os aparelhos do Estado e das Forças Armadas, e os xiitas eram reprimidos. Quando o regime caiu os xiitas entraram no poder e o país entrou num estado de quase guerra civil, com grupos armados sunitas e xiitas a lutar entre si. Ao longo dos anos a situação melhorou, mas agravou-se novamente em 2013.

Habitantes votam para mudar nome antijudeu de aldeia em Espanha Castrillo Matajudíos passará a ser conhecida como Castrillo Mota de Judíos. A aldeia de Castrillo Matajudíos em Burgos, Espanha, vai mudar de nome. Dos 56 habitantes, apenas 19 votaram contra a proposta de mudar o nome do local, que tem óbvias conotações antijudaicas. Com a mudança, a aldeia passará a ser conhecida como Castrillo Mota de Judíos, que significa “Fortaleza do Monte de Judeus”. Não existe consenso entre os historiadores sobre a origem do nome, mas uma das possibilidades é que seja mesmo uma corrupção da designação “Mota de Judíos” que agora foi adoptada. Outra versão é de que os habitantes originais tenham sido judeus convertidos ao cristianismo, que adoptaram o novo nome como forma de reforçar a sua

nova identidade cristã e afastarem suspeitas sobre o seu passado.

Viseu investe 96 mil euros em pista pedonal para cumprir promessas Um investimento em honra de Madre Rita, que quer também promover o turismo religioso. Rita Amada de Jesus nascida em 1848 na freguesia de Ribafeita (concelho de Viseu) dedicou a sua vida às jovens mulheres maltratadas, à educação e formação de famílias. O autarca de Viseu quer prestar homenagem à sua memória, com a criação de uma pista pedonal, orçada em 96 mil euros, para cumprimento de promessas. "Estamos a falar da ligação da casa da Madre Rita à Igreja, numa extensão de mais de dois quilómetros, onde optámos por colocar uma pista pedonal. Trata-se de um espaço para que as pessoas possam cumprir as suas promessas sem ser através da estrada", explica à Renascença Almeida Henriques. Promover o turismo religioso é outra das ambições do presidente da câmara de Viseu. "Para além de um espaço de peregrinação e de termos uma figura beatificada no nosso concelho como a Madre Rita, há também a vertente de promover o turismo religioso. Sendo a Madre Rita uma beata venerada já em várias partes do mundo, designadamente no Brasil, esta é uma forma de acolhermos os peregrinos que virão para aqui", acrescenta o autarca. O investimento é anunciado a dois meses de uma peregrinação internacional, que vai acontecer no final de Julho.

S. MANÇOS

A história de S. Manços para além da lenda Obra dedicada a santos da Idade Média traz à luz dados históricos sobre S. Manços. D. Francisco Senra Coelho, bispo auxiliar eleito de Braga e especialista em História da Igreja, fala à Renascença sobre o livro. Por Rosário Silva

A obra chama-se “Santos e Milagres na Idade Média em Portugal. St. Adrião, Sta. Natália e S. Manços”. S. Manços, padroeiro da arquidiocese de Évora, tem


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agora as suas fontes biográficas contidas num dos volumes de uma colecção que está a ser dinamizada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Com textos de Paulo Farmhouse Alberto, este é o oitavo volume da colecção e traz à luz as fontes narrativas e bibliográficas deste santo. D. Francisco Senra Coelho, bispo auxiliar eleito de Braga e especialista em História da Igreja, fala à Renascença sobre a relevância da obra. Quem foi S. Manços? S. Manços foi alguém que sofreu o martírio nas proximidades da cidade de Évora, numa localidade designada pelo mesmo nome, anterior ao primeiro milénio. Isto vale para sabermos que é uma personalidade histórica e não uma lenda, ele que é padroeiro da Arquidiocese de Évora. Ora, segundo o documento agora publicado, Manços é apresentado como um homem rural, uma pessoa, provavelmente, de origem romana que vem para esta localidade, a 20 quilómetros de Évora, trabalhar para uma família judaica. Esta família exige que ele mude a sua fé, que não seja cristão. Há uma atitude de caracter persecutório, fazem pressão sobre ele e ele não aceita deixar de ser cristão. Fruto dos maus tratos, são descritas sevícias, judiarias, como se dizia, que provocaram nele chagas profundas. Para além disso, transportava correntes e algemas para estar preso, porque os patrões tinham medo que o seu Deus cristão o libertasse e, numa atitude supersticiosa, mantinhamno cativo. São descritas chagas que criaram larvas. Ele morreu dos maus tratos. Ao morrer, foi para os judeus uma tristeza, uma vez que o seu proselitismo não surtiu efeito, uma vez que Mançoes não mudou a sua religião. O seu corpo foi abandonado numa esterqueira - é assim dito - e coberto com pouca terra. Estamos a falar de um homem que deu a vida pela sua fé. Como se dá o seu reconhecimento? Depois do corpo ter sido abandonado, alguém passou e encontrou o corpo incorrupto. Era alguém que tinha um problema judicial grave e que lhe pediu uma graça. Numa espécie de sonho, obteve a resposta que, dentro de sete dias, teria o seu problema resolvido, o que veio a acontecer. Foi então construída de imediato uma capela pequena e lá colocado o corpo incorrupto de manços, com as algemas e as correntes. Mais tarde, esse terreno foi comprado por uma família cristã e transformado numa igreja grandiosa e bela, adornada com mármores, com um pavimento enriquecido por mosaicos, com colunas com árvores frondosas junto ao ribeiro que passa junto à localidade de S. Manços, onde está a actual igreja paroquial. Eu queria realçar um pormenor: é que a actual capela-mor da igreja de S. Manços é construída em pedras romanas datadas do século primeiro. Há uma relação com o aproveitamento de pedras antigas, de um torreão antigo. É dito ser esse o torreão onde foi sepultado primitivamente S. Manços. Mas a verdade é que o corpo não permaneceu no Alentejo nem mesmo em Portugal... Sim, isso explica-se com as invasões muçulmanas. O corpo foi transportado, por medo que fosse vilipendiada a sua sepultura e as suas relíquias, para Espanha, para uma paróquia chamada Villanueva, da arquidiocese de Toledo, e aí fez-se um grande mosteiro em seu louvor. O corpo ficou como relíquia guardada

por esse mosteiro. Já no século XVI, o arcebispo D. Teotónio de Bragança - já estamos a falar no tempo humanista - fez um contacto e, atendendo às boas relações entre a Igreja de ambos os países, acabou por vir uma relíquia para Évora que ficou depositada numa capela construída junto às Portas de Moura, numa das torres da antiga muralha da cidade, numa capela transformada para o efeito e que guarda um pergaminho precioso, uma relíquia (osso do braço) que foi recebida festivamente na cidade. Nessa altura, S. Manços foi proclamado padroeiro da Arquidiocese, uma vez que é um santo a ela ligado. Esta é a parte verdadeira da História. Mas há também uma mais fantasiosa e talvez mais conhecida. Pode contar-nos? É uma história curiosa. André de Resende publicou uma vida dele fantástica. Passou de pastor de animais a pastor de almas, proclamou-o o primeiro bispo de Évora, associou-o ao grupo dos discípulos de Jesus que teria chegado a Jerusalém, quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, que conheceu Cristo, que ficou fascinado por ele, foi convidado para a ultima Ceia, esteve no lava-pés, serviu-o à mesa e foi enviado por Jesus para Évora. É evidente que este relato de André de Resende não tem uma base histórica. Ele tem alguns fundamentos de criatividade de alguns textos da Idade Média de que se serviu, mas atingiu uma dimensão fantasiosa e não se pode fazer ignorar a base histórica antiga que agora é publicada. Há um outro pormenor que gostaria de salientar. Esta valorização de S. Manços feita por André de Resende acontece exactamente quando a arquidiocese de Évora é criada. Cm o cardeal D. Henrique, passa de diocese a arquidiocese, passamos de bispo a arcebispo. Portanto, era preciso engrandecer a história da arquidiocese. Foi exactamente nessa época que se elevou S. Manços a freguesia, que se fez a actual igreja paroquial, que se descreve o milagre acontecido a três quilómetros e meio da vila, em que um agricultor invocou S. Manços e foi salvo de um acidente muito grave num dia de trovoada, o chamado “Sitio do Milagre”. Há toda uma exaltação, uma explosão de devoção a S. Manços a partir da descrição resendiana, num contexto de se valorizar muito Évora, porque passa a ter um arcebispo e é importante que a sede tenha um apóstolo, um discípulo de Jesus na sua base. Mas, de facto, S. Manços é outro. E é esse outro S. Manços que se quer dar mais a conhecer… Sim. S. Manços foi uma figura que foi ganhando uma biografia legendária com muita mitificação ao longo dos séculos e está-se a tentar ir ao cerne da verdade, fazendo o encontro com o Manços genuíno. Esta fonte agora publicada é muito importante e toda a descrição do ambiente a fórmula de fé que S. Manços professa do cristianismo, o conflito entre os cristãos e os judeus é próprio desta época. Está bem contextuado. Por outro lado, o topónimo, o lugar que nunca perdeu o nome. É muito credível esta fonte e esta narrativa biográfica como base acreditada para os historiadores. A arquidiocese deve orgulhar-se de ter este santo como padroeiro? Sem dúvida. Estamos a falar de um leigo, de um homem rural, de alguém que, numa hostilidade muito grande, sobrevive à fé. Nós somos uma terra aonde o


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laicado é muito importante. Os cristãos do Alentejo vivem muitas vezes em situações de algum isolamento. Somos uma terra com alguma desertificação. O ambiente da igreja alentejana não é propriamente fácil, sabemos que houve vicissitudes históricas muito marcantes nesta terra. Basta pensar no encerramento da Universidade de Évora, na expulsão dos jesuítas, na expulsão das ordens religiosas que aqui estiveram, quando, em 1834, todos os mendicantes, todos os mosteiros e as ordens militares foram expulsas. Eles tinham um trabalho muito grande com as populações e depois veio toda a perseguição da primeira República. Também não foi propriamente fácil a situação do Alentejo no pós-25 de Abril. Estamos a falar de uma igreja com marcas de resistência e Manços, um leigo, um homem rural e simples, resistente na fé, é uma referência muito viva para o cristão alentejano, que é chamado a testemunhar a sua fé, muitas vezes, numa circunstância de religiosidade popular cristã mas de minoria praticante da fé.

A Oeste... há livros, escritores e muita conversa Arranca esta quarta-feira a 3ª edição do Festival Livros a Oeste. Lourinhã recebe dezenas de escritores, uma feira do livro e diversa programação cultural.

Por Maria João Costa

Cinco dias, quase 30 escritores, teatro, cinema, música e muita conversa. Será assim a 3ª edição do Festival Livros a Oeste, que decorre entre 28 de Maio e 1 de Junho, no concelho da Lourinhã. No ano em que inaugurou a nova biblioteca municipal, a Lourinhã recebe no Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, situado no local da antiga biblioteca, escritores como Mário Zambujal, Rui Zink, Afonso Cruz, David Machado, Patricia Portela, o poeta Nuno Júdice ou Margarida Fonseca Santos. Organizado pela autarquia, o festival que tem este ano como tema o "Mundo Global". Conta também com sessões de cinema e teatro, desde logo com o teatro de fantoches, para um público mais novo, que irá levar à cena "A Mala Assombrada", baseado num livro de David Machado. Mas há também teatro para os mais velhos. Os alunos

do curso profissional de artes do espectáculo do Colégio Rainha D. Leonor, das Caldas da Rainha, apresentam a peça "O Doente Imaginário", de Moliére. Na programação estão também previstas sessões de cinema, animação musical e workshops de escrita criativa com a autoria Margarida Fonseca Santos. Encontros com escritores Mas o núcleo principal da programação passa pelas sessões com escritores. João Morales, progamador do festival, explica que são "conversas onde se cruzam as intervenções dos diversos autores, onde se tenta colocar em diálogo a obra e a personalidade deles". A ideia é "proporcionar a quem vai assistir a possibilidade de estar junto desses autores, conhecê-los pessoalmente, colocar-lhes questões e terem a oportunidade que eles abordem questões que estão para além da sua obra escrita", diz João Morales. O vereador da autarquia, Fernando Oliveira, destacou na apresentação do festival o "excelente painel de escritores que desde 2011 tem vindo à Lourinhã". Este evento com entrada livre vai proporcionar esta quartafeira, dia 28, um encontro com dois autores que se estrearam na literatura em 2013: são eles Bruno Vieira do Amaral e Filipe Homem Fonseca. Depois, na quintafeira, 29 de Maio, destaque para a presença dos escritores David Machado, Eduardo Raposo e André Gago que, às 18h30, participam numa sessão moderada por João Morales. Na sexta-feira, dia 30, vão estar na Lourinhã o jornalista Adelino Gomes e o fotógrafo Alfredo Cunha, autores do livro "Os rapazes dos tanques" que, a partir das 21h30, irão falar da experiência do 25 de Abril de 1974 a partir do testemunho de quem o relatou. Mas ainda na sextafeira e antes desta sessão, o Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira recebe os autores Rui Zink e Pedro Guilherme-Moreira e o poeta Nuno Júdice para uma sessão dedicada ao tema "Uma vida não me chega". O fim-de-semana conta com programação também dedicada aos mais novos, sobretudo no domingo que se assinala o Dia Mundial da Criança. Além de jogos tradicionais e animação de rua haverá uma sessão intitulada "Las meninas". João Morales explica à Renascença que se trata "de uma discreta homenagem ao quadro do pintor Velasquez", onde se irá falar sobre duas personagens da literatura infantil como a Mafalda criada por Quino e Anita, personagem francesa que assinala 60 anos. O festival termina com uma sessão sobre "A minha pátria é a minha língua", com a presença de Mário Zambujal, Patricia Portela e Waldir Araújo. Quanto ao público, o programador João Morales indica que "varia um pouco consoante o perfil de cada sessão. Mas é de facto notório que temos vindo a ter a noção crescente de que a população local se habituou a este evento e o frequenta." Todos os detalhes sobre o festival "Livros a Oeste" estão no blog www.livrosaoeste.blogspot.pt


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Pode uma cidade ser um jardim? Viseu acha que sim Centro histórico de Viseu quer ser uma grande “mancha colorida e aromatizada”. As ruas vão ser enfeitadas com flores.

Lisboa isenta Rock in Rio de taxas Em contrapartida, a empresa responsável pelo festival de músiva vai investir cerca de 800 mil euros na requalificação da Casa Grande da Bela Vista.

Por Liliana Carona

As principais ruas do centro histórico de Viseu vão florir entre 6 de Julho e 21 de Setembro. A iniciativa "A minha Cidade é o meu Jardim” insere-se no festival Jardins Efémeros. A iniciativa foi apresentada esta segunda-feira. “Florir as ruas principais do centro histórico, com o apoio dos comerciantes" é a vontade de Sandra Oliveira, directora do festival Jardins Efémeros. A ideia, explicou, é fazer do centro histórico uma grande "mancha colorida e aromatizada". Para isso, as ruas da cidade vão ganhar nomes de flores e enfeitadas com a flor que lhe está atribuída. "A rua Formosa é a rua das buganvílias; a rua do Comércio é a rua das margaridas ou malmequeres; a rua Direita vai ficar espantosa com as suas hortênsias”, entre outras, indicou. Os comerciantes são os actores principais da iniciativa. É a eles que competirá colocar os vasos com as flores à porta dos seus estabelecimentos. A compra de plantas, vaso e terra, por cerca de 50 euros, é feita pelos comerciantes. "Sabemos que isto está dramático e esta acção não é para [os comerciantes] gastarem mais dinheiro, mas para tentarem potenciar o ritmo das visitas e das suas vendas", disse Sandra Oliveira. Sandra Oliveira considera que "esta é uma iniciativa que proporcionará uma agradável visita às ruas de Viseu". Espera mais de 50 mil visitantes. O festival Jardins Efémeros vai na quarta edição e é promovido pela autarquia de Viseu. Dos dias 11 a 20 de Julho é possível participar em diversas iniciativas culturais, como concertos, teatro, cinema ou conferências.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate. Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.

A proposta para a isenção das taxas relativas às próximas duas edições do festival Rock in Rio Lisboa, de cerca de 3,5 milhões em cada ano, foi aprovada esta terça-feira em assembleia municipal. Em contrapartida pelas edições de 2016 e 2018, a empresa detentora do festival de música vai investir cerca de 800 mil euros na requalificação da Casa Grande, um edifício que está em ruínas no Parque da Bela Vista. O projecto prevê a melhoria do espaço, com a criação de, por exemplo, uma cafetaria, uma livraria e de balneários, um investimento que servirá toda a população. O vereador José Sá Fernandes sublinha que o Rock in Rio nunca pagou taxas e, mesmo antes de contribuir com contrapartidas, sempre deu muito à cidade. Para além “das coisas que se podem ver na cidade”, como uma ponte junto às Olaias, um skate parque e a nova vedação do parque da Bela Vista, “dá internacionalmente uma boa imagem à cidade”, “enche sempre Lisboa” e impulsiona a economia local, como a “hotelaria e a restauração”, argumenta José Sá Fernandes. O vereador da Câmara de Lisboa defende ainda que têm de existir estas vantagens “para tornar viável este tipo de eventos, de grande dimensão, bem organizados e bem estruturados”.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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"Start me up" ou "Angie"? Stones dão a palavra ao povo no Rock in Rio As opções são cinco. A mais votada vai ser tocada no Palco Mundo do Rock In Rio Lisboa na quinta-feira.

Tintim bate recorde de BD em leilão Um comprador norte-americano adquiriu, em Paris, um desenho original de Hergé pelo valor de 2,5 milhões de euros, o dobro do anterior máximo.

A folha de Tintim leiloada em Paris. Foto: DR

Antes de Lisboa, os Rolling Stones actuaram em Oslo. Foto: Terje BendiksbyEPA

Os britânicos The Rolling Stones pediram esta terçafeira na página oficial na Internet para os fãs portugueses escolherem uma música do repertório da banda. A mais votada será interpretada na quinta-feira, no Rock in Rio Lisboa. A banda rock britânica convida os portugueses a votarem na música preferida entre cinco sugestões: "Start me up", "Angie", "Miss you", "(I can't get no) satisfaction" e "Sympathy for the devil", com uma sexta hipótese em aberto para quem quiser nomear outra música. Os Rolling Stones iniciaram, na segunda-feira, em Oslo, uma nova digressão europeia e fizeram um pedido semelhante aos fãs noruegueses, tendo sido interpretada "Let's spend the night together". O concerto em Lisboa, no Parque da Bela Vista, faz parte da "14 on fire tour" e já está esgotado. Por causa da esperada afluência ao Rock in Rio Lisboa, a organização abrirá as portas do Parque da Bela Vista uma hora mais cedo, às 15h00. O concerto dos Rolling Stones deverá começar pouco antes da meia-noite. Este é o regresso de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood a Portugal, onde já actuaram cinco vezes entre 1990 e 2007 (em Coimbra, Porto e Lisboa).

Costuma dizer-se que um jornalista não deve ser notícia, mas o repórter mais famoso do mundo volta às primeiras páginas. Depois dos 1,3 milhões de euros, "As aventuras de Tintim" têm um novo recorde nos leilões: 2,5 milhões de euros. Foi no último sábado que, num leilão realizado em Paris, um desenho original de Hergé, com Tintim e Milu em 34 situações diferentes, estabeleceu um novo máximo na banda desenhada. Após 15 minutos de licitações, um coleccionador norteamericano arrematou a prancha datada de 1937 por 2,5 milhões de euros, quase duplicando o anterior recorde, que pertencia a uma prancha de "Tintim na América", de 1932, leioada em Junho de 2012 A peça, que evoca momentos diversos das várias aventuras de Tintim, desenhados com tinta-da-china, foi colocada a leilão com um preço base de 700 mil euros. A expectativa apontava para uma venda por valores a rondar os 900 mil euros, mas a licitação final esteve perto de triplicar essa previsão. Os especialistas acreditam que este desenho de Hergé seria a capa e contracapa de uma nova aventura de Tintim, tanto mais que era conhecida a intenção do autor em levar o aventureiro para o norte gelado.

Piratas invadem Spotify Empresa vai fazer uma actualização da aplicação para "smartphones" ou "tablets" com sistema operativo Android. O serviço online de música Spotify foi atacado por piratas informáticos, que acederam aos sistemas e a dados internos, revela o director de tecnologia da empresa.


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Até ao momento, os “hackers” só invadiram a conta de um utilizador, que já foi informado. Os dados a que tiveram acesso não são financeiros, explica Oscar Stal, em comunicado. Como forma de prevenção, a empresa com sede em Estocolmo, na Suécia, vai fazer uma actualização da aplicação para "smartphones" ou "tablets" com sistema operativo Android, durante os próximos dias. Por isso, os utilizadores não devem estranhar se lhes for pedido novamente os dados. O Spotify é uma aplicação online com mais de 40 milhões de utilizadores em todo o mundo, que podem ouvir música através de “streaming” de forma gratuita ou através do pagamento de uma mensalidade.

INGLATERRA

Pochettino é o novo treinador do Tottenham Treinador argentino, ex-Southampton, assina por cinco épocas e sucede a Tim Sherwood.

Polícias brasileiros recebem treino especial do FBI Nas últimas semanas, grupos, sindicatos, trabalhadores e cidadãos saíram à rua em diferentes pontos do país, pedindo a melhoria das condições de vida. O FBI treinou durante cinco dias 50 polícias de São Paulo em técnicas de controlo de distúrbios, informou a Secretaria de Segurança Pública do estado brasileiro que vai ser a sede do jogo inaugural do Mundial 2014. A agência de investigação norte-americana deu um curso a 25 agentes da Polícia Militar e a outros 25 da Polícia Civil sobre o uso de força táctica móvel e controlo de distúrbios. Durante a formação, que decorreu entre 19 e 23 de Maio, os agentes norte-americanos abordaram diversos aspectos relacionados com o controlo de multidões e do vandalismo. No decorrer da competição, que tem início a 12 de Junho com o jogo inaugural entre Brasil e Croácia, no estádio Arena Corinthians de São Paulo, estão previstas várias manifestações sociais, semelhantes às que aconteceram durante a Taça das Confederações no ano passado. Nas últimas semanas, grupos, sindicatos, trabalhadores e cidadãos saíram à rua em diferentes pontos do país, pedindo a melhoria das condições de vida. Por outro lado, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que já está activo o Centro de Comando Integrado de Vigilância, cujo objectivo é coordenar as operações de segurança durante o Mundial.

O Tottenham anunciou, esta terça-feira, a contratação de Mauricio Pochettino para o cargo de treinador, sucedendo o argentino ao inglês Tim Sherwood. O argentino, de 42 anos, assinou um contrato de cinco temporadas com os "spurs", depois de ter guiado o Southampton, no ano de regresso à Premier League a um surpreendente oitavo lugar no campeonato da época que acaba de findar. "Este é um clube com uma história e um prestígio tremendos. Estou honrado por me ter sido dada esta oportunidade para orientar o Tottenham", afirmou Pochettino, em declarações ao site oficial dos "spurs". O clube londrino realizou uma temporada pobre, em 2013/14, terminando a Liga no sexto lugar e garantindo, apenas, o apuramento para os "playoff" da Liga Europa. LUÍS FILIPE VIEIRA

Acabaram as dúvidas. "Jesus vai continuar no Benfica" Presidente encarnado confirma continuidade do treinador que guiou a equipa a uma época de sucesso e coloca um ponto final na especulação. Jesus recusou "um grande clube europeu", confirmou Luís Filipe Vieira, que abre a porta a nova renovação do técnico. Luís Filipe Vieira dissipou todas as dúvidas em relação ao futuro de Jorge Jesus, anunciando que o técnico se irá manter no comando do Benfica na próxima


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temporada, prosseguindo o vínculo que ainda tem com o clube da Luz e que é válido até ao Verão de 2015. O presidente dos encarnados foi directo na resposta dada à questão colocada durante uma entrevista concedida ao canal um da RTP, esta terça-feira, não escondendo o contentamento pela confirmação da continuidade de Jesus. "Jorge Jesus é o treinador do Benfica para esta época. Não vale a pena mais especulações. Jorge Jesus vai continuar no Benfica. O Jorge recusou um grande clube europeu em detrimento do Benfica", atirou, sem precisar se esse "grande clube" seria o AC Milan, colocado de forma insistente na rota do treinador que acaba de se sagrar campeão nacional. O entusiasmo de Vieira quanto ao trabalho de Jesus é tanto que o presidente do Benfica admitiu, inclusivamente, poder voltar a renovar o contrato com Jesus. "Já disse ao Jorge que se quiser renovar por mais anos, pode renovar. Acredito no trabalho da continuidade. Quantos mais anos que trabalhemos juntos, mais iremos ganhar", salientou, tecendo um rasgado elogio a Jesus. "É um dos melhores treinadores do mundo", sinalizou, debruçando-se, sem reservas, sobre o elevado salário auferido pelo técnico na Luz. "Jorge Jesus justifica os quatro milhões de euros que recebe. Se o Benfica lhe paga os quatro milhões de euros, é porque ele tem justificado. O Jorge, hoje, é muito melhor treinador do que era quando veio para o Benfica. Cresceu e agora estamos mais fortes do que estamos há cinco anos atrás", argumentou, lançando a ideia de que "há muita gente interessada" em ver Jesus longe do Benfica. "No dia em que ele sair, será para um grande clube mundial. Só será maior em dinheiro", rematou, descartando as notícias que davam conta da possibilidade de Nuno Espírito-Santo poder substituir Jorge Jesus, caso a continuidade deste na Luz não se tivesse confirmado. No Benfica desde 2009, Jorge Jesus conquistou já dois campeonatos (2010 e 2014), uma Taça de Portugal (2014) e quatro Taças da Liga (2010, 2011, 2012 e 2014), tendo atingido duas finais da Liga Europa, em dois anos consecutivos (2013 e 2014).

REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA

Benfica para vender papel

Temas variados, mas primeiras páginas monocromáticas: domina o vermelho do Benfica. O diário A Bola faz eco da entrevista do presidente do Benfica à RTP, na última noite, destacando uma declaração de Vieira: "Jesus é um dos melhores do mundo". Benfica também em destaque na primeira página do Record, mas com uma declaração de Salvio: "Nada me fará sair do Benfica". Na edição Sul de O Jogo, ainda a nota para a cor vermelha, com o título: "Valência dá 25 milhões por Enzo". Outra referência ao clube da Luz: "Fejsa operado a um jorleho só volta em outubro" Na edição Norte, destaque para o FC Porto com o título "Espécie protegida". Diz este jornal que "plano para a próxima época passa por segurar a dupla JacksonGhilas". De regresso ao diário A Bola, um destaque na primeira página para o Sporting: "Balakov ajuda Sporting antigo craque vai orientar integração de Slavchev".

EM NOME DA LEI. A justiça em debate com Eurico Reis e Luís Fábrica.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate.

Ao sábado, a partir das 12h, num debate conduzido por Marina Pimentel.

Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.


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RIBEIRO CRISTÓVÃO

Ponto final Mudar, seria correr riscos excessivos decorrentes de vários factores, entre os quais o ter de se confrontar com novas mentalidades, sem esquecer as dificuldades linguísticas de todos conhecidas.

Combinação vencedora do Euromilhões Em jogo está um "jackpot" de 66 milhões de euros. A combinação vencedora do concurso desta terça-feira do Euromilhões é composta pelos números 7 - 13 - 16 25 - 26 e pelas estrelas 1 e 6. Em jogo, no primeiro prémio deste sorteio, está um "jackpot" no valor de cerca de 66 milhões de euros. Os prémios de valor superior a cinco mil euros estão sujeitos a imposto do selo, à taxa legal de 20%, nos termos da legislação em vigor.

O Presidente do Benfica colocou ontem um ponto final nas dúvidas que pairaram até aqui sobre a continuidade de Jorge Jesus no comando do futebol do seu Clube. Em entrevista à RTP, Luis Filipe Vieira voltou a destacar a forte ligação que mantém com aquele que é o seu técnico de eleição e, ao mesmo tempo, a certeza de que dará continuidade ao seu trabalho não apenas durante a próxima temporada, mas por mais anos, tantos quantos sejam entendidos como necessários à consolidação do projecto do Benfica. Não há, a partir de agora, mais razões para que se mantenha a especulação que esteve na ordem do dia durante muito tempo. Jorge Jesus terá sido, inclusive, tentado por outros clubes europeus, sem que no entanto qualquer deles o tenha conseguido seduzir. O treinador benfiquista não quis assim trocar o certo pelo duvidoso. Cinco anos no Benfica dão-lhe um conhecimento perfeito dos meios a que pode lançar mão e, a partir deles, traçar objectivos consentâneos com a realidade. Mudar, seria correr riscos excessivos decorrentes de vários factores, entre os quais o ter de se confrontar com novas mentalidades, sem esquecer as dificuldades linguísticas de todos conhecidas. Porém, o facto de permanecer no Benfica não garante a Jorge Jesus que estejam a caminho sucessos semelhantes aos alcançados na temporada que agora chegou ao fim. Luis Filipe Vieira admitiu mudanças na estrutura, com saídas de jogadores tidos como fundamentais, e a entrada de outros sujeitos a um normal período de adaptação. É aí que reside a grande incógnita sobre o que poderá fazer o treinador, com a certeza de que a exigência vai ser grande. Depois das conquistas festejadas no último mês, não parece muito razoável aceitar que a fasquia desça consideravelmente. Outro aspecto importante: também não é irrelevante saber é se a concorrência directa (leia-se, FCPorto e Sporting) estará pelos ajustes.

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