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EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco

Sexta-feira, 30-05-2014 Edição às 08h30

Editor Raul Santos

"Boss" foi convidado surpresa dos Stones Governo enfrenta sexta moção de censura

As pedras constitucionais no sapato de Passos Coelho

Selecção já tem mascotes e música

Mário Soares apoia Feira do Livro abre A caminho do fim? Costa e arrasa com novo design e Seguro espaço para ver o Mundial LISBOA

Santana e o outro Há arte em Lisboa Portugal. "Fora de inspirada no Lisboa e Porto está Evangelho tudo parado"

JOÃO FERREIRA DO AMARAL

Encontro de oração pela paz na Terra Santa já tem data marcada


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"Boss" foi convidado surpresa dos Stones Cerca de 90 mil pessoas apareceram para ver os Rolling Stones no Rock in Rio Lisboa.

milhares.

Mário Soares apoia Costa e arrasa Seguro Fundador do PS defende a convocação de um congresso extraordinário.

Mick Jagger e Bruce Springsteen partilharam palco. Foto: José Sena Goulão/Lusa

O músico norte-americano Bruce Springsteen subiu esta noite ao Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, no Parque da Bela Vista, para actuar ao lado dos Rolling Stones, como convidado especial. O “Boss” interpretou "Tumbling dice", um tema do álbum "Exile on Main St." da banda de Mick Jagger e companhia, que também ficou conhecido pelas imagens do fotógrafo Robert Frank. Gary Clark Jr., que actuara antes, regressou ao Palco Mundo para tocar "Respectable", outro êxito da década de 1970, do álbum "Some girls". O ex-presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton, que se encontra em Lisboa para um encontro com alunos da Universidade Europeia, também assistiu ao concerto. Ana Moura, que já cantou com Mick Jagger, em Lisboa, em 2007, e os músicos Rui Veloso e Lenine, que actuaram esta quinta-feira no Rock in Rio, os Deolinda, além do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e do presidente da EDP, António Mexia, entre outras figuras, contam-se entre os espectadores do concerto. A banda mais esperada do dia subiu ao Palco Mundo quando faltavam poucos minutos para a meia-noite. De acordo com a organização, 83% dos presentes deslocaram-se ao Parque Bela Vista, para assistirem ao concerto. Mick Jagger entrou frenético em palco e o concerto arrancou com "Jumpin' Jack Flash" e "It's Only Rock and Roll (But I Like It)". Ao fim de duas músicas, o vocalista cumprimentou os milhares presentes, em português, com um "Olá Lisboa! Olá Portugal" e disse como "é bom estar de volta". Jagger só não continuou, porque, confessou, não sabe mais palavras em português. Ao terceiro tema, surgiu o convidado especial: o "Boss", que há dois anos actuou a solo no mesmo palco, onde hoje acompanhou os Rolling Stones, em "Tumbling dice". Até às 23h00, entraram no recinto, de acordo com a organização, 86 mil pessoas. À hora em que os Rolling Stones subiram ao palco, deveriam estar mais alguns

O fundador do PS, Mário Soares, apoia António Costa, deixa críticas ao líder do partido, António José Seguro, e defende a convocação de um congresso extraordinário. A posição do histórico socialista foi divulgada esta quinta-feira à noite, num artigo de opinião publicado na edição online do jornal “Público”. “Acho que nos vai fazer permitir que o nosso querido PS, do punho erguido à esquerda e dos socialistas que não têm medo de ser tratados por 'camaradas', se mobilize para construir um futuro diferente”, escreve Mário Soares numa manifestação de apoio a António Costa. O antigo Presidente da República defende que, apesar da derrota da direita nas europeias, os eleitores portugueses também manifestaram “uma preocupante indiferença face ao partido liderado por António José Seguro”. Mário Soares desafia o líder do PS a “saber retirar as consequências da falta de adesão dos eleitores a um estilo nada identificado com o povo”. “Daí a convicção tão generalizada que com o Partido de Seguro — que a direita e o Presidente da República e mesmo a troika não desistem de procurar captar — o povo não pode contar”, atira o histórico socialista. Neste artigo, Mário Soares promete ajudar António Costa a ser eleito líder do PS, mas sublinha que o seu “é apenas um voto entre todos os socialistas”. Na sequência das eleições europeias de domingo, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, anunciou que pretende disputar a liderança do PS e desafiou o secretário-geral António José Seguro a convocar um congresso extraordinário. Os dois estiveram reunidos na quarta-feira, na sede do partido, em Lisboa, e Seguro vai anunciar a sua decisão na comissão nacional do PS, marcada para sábado. Da decisão rápida ao congresso Além de Mário Soares, outros dois antigos líderes do PS, Jorge Sampaio e Ferro Rodrigues, também já se


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pronunciaram sobre a situação no partido. O ex-presidente da República Jorge Sampaio apelou esta quinta-feira, em Coimbra, a uma decisão rápida. “Estou tranquilo, porque há no próximo sábado uma comissão nacional do partido, que é o órgão máximo entre congressos e o local próprio para uma discussão aprofundada", disse. “Espero que seja esse o momento importante em que se possa discutir seriamente a questão proposta em cima da mesa. Espero que se encontre uma solução rápida, de unidade, que permita de uma forma moderna preparar e consolidar uma alternativa a este governo”, apelou Jorge Sampaio. O ex-secretário-geral do PS Ferro Rodrigues apelou, na quarta-feira, a António José Seguro para que marque "tão brevemente quanto possível" eleições directas para a escolha da liderança e um congresso extraordinário do partido. "Portugal necessita de construir um Governo de forte base política e social após eleições legislativas e, para que tal aconteça, é condição fundamental que o PS ganhe essas eleições e dinamize a criação desse Governo, capaz de no país e na Europa se bater pelo desenvolvimento com crescimento e emprego e combate à exclusão", afirmou o actual vice-presidente da Assembleia da República.

As pedras constitucionais no sapato de Passos Coelho Cortes nos salários da função pública, nas pensões de sobrevivência e nos subsídios de desemprego e doença são medidas ainda sob o escrutínio dos juízes. Decisão pode estar para breve.

Por Matilde Torres Pereira

Há quatro artigos do Orçamento do Estado (OE) para este ano que estão na mira do Tribunal Constitucional (TC) e os juízes, que podem anunciar decisões em breve, já receberam um recado do primeiro-ministro, na noite de quarta-feira. Em jogo pode estar cerca de 840 milhões de euros. Pedro Passos Coelho não se referiu directamente ao

colectivo do Palácio Ratton, mas afirmou, na abertura do conselho nacional do PSD, em Lisboa, haver “responsáveis” por instituições do Estado que podem “comprometer a recuperação da economia”. Apesar do aviso de que qualquer desvio terá consequências graves para as “aspirações dos portugueses”, há pelo menos quatro obstáculos no caminho do primeiro-ministro, tudo medidas sob o escrutínio do TC: - os novos cortes salariais na função pública, no valor de 622 milhões de euros. A juntar aos cortes anteriores aplicados pelo Governo Sócrates valem cerca de 1.200 milhões de euros. - os cortes nas pensões de sobrevivência acima dos dois mil euros, medida avaliada em 100 milhões de euros. - os cortes aos reformados de empresas públicas, estimados em 25 milhões de euros. - a redução dos subsídios de desemprego e doença, que podem valer 95 milhões de euros, de acordo com o jornal "Público". Quanto às reduções nos salários dos funcionários públicos, este ano agravaram-se significativamente os cortes médios de 5% que vinham sendo aplicados desde o último Governo socialista – Passos Coelho aplicou-os a um universo bem mais vasto de funcionários públicos, a começar nos 675 euros brutos. Os juízes podem vir a torcer o nariz a esta medida, já que há casos em que os cortes mais que duplicam em relação ao ano passado. Outra medida do OE que poderá não passar pelo crivo do colectivo presidido por Joaquim Sousa Ribeiro é a redução nas pensões de sobrevivência. Aqui, o problema está na discriminação negativa entre rendimentos de pensões, porque não são tidos em conta quaisquer outros rendimentos para avaliar o escalão do pensionista. Nas empresas públicas com prejuízos crónicos, como é o caso do Metro de Lisboa, para dar um exemplo, os cortes para os reformados podem chegar aos 60% com a perda do complemento de pensão. A medida defrauda as expectativas destes funcionários públicos, já que os descontos feitos ao longo das suas carreiras contributivas contavam já para este complemento. Finalmente, depois de ter avisado em 2013 que teria de haver uma salvaguarda de mínimos no que respeita às prestações sociais por desemprego e doença, o Tribunal Constitucional pode não concordar com a redução de 6% e 5%, respectivamente, nestes subsídios. No início do mês, Passos Coelho admitiu que pode haver nova subida de impostos se as propostas de poupança do lado da despesa voltarem a ser chumbadas. Na mesma semana, em declarações ao programa “Em Nome da Lei” da Renascença, o constitucionalista Gonçalo Almeida Ribeiro considerou que a norma com mais probabilidade de vir a ser chumbada pelo TC é o corte nos salários da função pública. Ou seja, a medida com maior impacto orçamental: representa um buraco de 1,2 mil milhões de euros nas contas do Estado. [notícia actualizada às 00h59]


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Santana e o outro Portugal. "Fora de Lisboa e Porto está tudo parado" No rescaldo das eleições europeias, Santana Lopes considera que a resposta comunitária ao desencanto dos eleitores tem que passar pela coesão económica e social. Uma reflexão que vai da Azambuja ao leste da Europa, com relatos pessoais da crise.

a partir das 23h00, na Edição da Noite, é uma colaboração da Renascença com a EURANET PLUS, rede europeia de rádios.

Governo enfrenta sexta moção de censura A maioria parlamentar irá chumbar esta moção de censura ao Governo. Os comunistas contarão com os votos a favor do Bloco de Esquerda, dos Verdes e dos socialistas.

Por José Pedro Frazão

A Europa tem que voltar a inscrever a coesão social como prioridade política. O apelo é de Pedro Santana Lopes, deixado no Fora da Caixa, programa de actualidade europeia da Renascença, onde participa também o ex-comissário europeu António Vitorino. O antigo primeiro-ministro considera que as eleições provam também um afastamento entre as instituições comunitárias e a realidade quotidiana dos cidadãos. Uma realidade que passa muito pela desertificação do território à escala europeia e nacional. Santana Lopes aproveitou uma viagem recente pelo país para trazer um relato de crise e precariedade. “O que se vê em Lisboa e no Porto não é a realidade do resto do território. No resto do país não acostam cruzeiros. Não há indianos, nem brasileiros nem chineses ou franceses a comprarem as casas mais caras. Está tudo parado.” E esperança, encontra alguma? "Na Figueira, espera-se e desespera-se pelo Verão. Na Azambuja [aguarda-se] agora pela feira taurina de Maio, porque os cafés estão vazios. Os filhos dos donos dos cafés deixaram de estudar para ajudar os pais a servir à mesa. Esta é a realidade do país”, responde. Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, este cenário não é muito diferente de outras zonas da Europa. "Veja como os níveis de participação na Europa Oriental foram muito baixos", atira. Eleições sempre diferentes Apesar das circunstâncias nacionais que determinam o voto de muitos europeus, António Vitorino considera prematura uma transposição destes resultados para eleições legislativas. "Em Portugal, como em relação a qualquer outro país, os resultados das eleições europeias não são automaticamente transponíveis para eleições legislativas. Nas eleições europeias não há um elemento muito importante, que é a decisão sobre a governabilidade de um país. Não está em causa um Governo, verdadeiramente. Já nos momentos de voto em cada país, as pessoas têm como preocupação fundamental saber quem é que vai governar. E quais as condições para ser formado um Governo que cuide da vida da comunidade”, sublinha o ex-comissário europeu. O programa Fora da Caixa, que pode ouvir à sexta-feira

Por Susana Madureira Martins, com Lusa

PS, PSD, CDS, Governo, Presidente da República, “troika” – ninguém escapa às críticas da terceira moção de censura do PCP nesta legislatura, intitulada "Travar a política de exploração e empobrecimento - Construir uma política patriótica e de esquerda". Os comunistas consideram que a derrota dos partidos da maioria nas eleições europeias mostra que os portugueses querem eleições legislativas antecipadas. "Esta moção de censura traduz o sentimento popular de rejeição da política de direita e do Governo que a executa e corresponde à exigência de uma política patriótica e de esquerda, necessária a um futuro de progresso e desenvolvimento do país", lê-se no texto da moção de censura. O documento refere também que é preciso renegociar a dívida pública e que se adoptem medidas que preparem o país para uma saída do euro. Surgem várias críticas aos partidos que assinaram o programa de resgate e que viabilizaram o tratado orçamental , ou seja , PS, PSD e CDS. A maioria parlamentar irá chumbar esta moção de censura ao Governo. Os comunistas contarão com os votos a favor do Bloco de Esquerda, dos Verdes e dos socialistas. No PS, e depois do secretário-geral socialista, António José Seguro ter dito que o PS votaria ao lado da oposição, a bancada socialista acabou por mostrar alguma divisão. Depois de uma primeira reunião da bancada inconclusiva na quinta-feira de manhã, os deputados socialistas voltaram a reunir-se à tarde e aí foi decidido que haveria uma "posição convergente" para um voto a favor da moção de censura. Contudo, não foi imposta disciplina de voto aos parlamentares do PS. No debate da moção de censura, que tem início marcado para as 10h00, a crise interna aberta no PS depois do presidente da câmara de Lisboa, António Costa, ter manifestado disponibilidade para disputar a liderança do partido, também poderá entrar na discussão. O debate da moção de censura será aberto pelo PCP, seguindo-se uma primeira intervenção do Governo. Segue-se depois um período do pedidos de esclarecimento, com cada grupo parlamentar a dispor de 5 minutos para a primeira pergunta. No encerramento voltam a intervir o PCP e o


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Governo. Ao todo serão mais de três horas de debate, que culminam com a votação da moção de censura. Esta é a sexta moção de censura que o Governo liderado por Pedro Passos Coelho enfrenta, a terceira de iniciativa comunista. JOÃO FERREIRA DO AMARAL

A caminho do fim? Só uma enorme coragem reformadora, que implicaria desfazer a Europa do euro, poderia ainda salvar o essencial do projecto europeu.

desagregar. A suceder, não vai ser bonito de se ver.

"Nunca a despesa social foi tão elevada em Portugal", diz Passos Apesar do estado de “emergência desde 2011” e da necessidade de redução dos gastos, o Governo conseguiu amparar “a despesa social do Estado”, diz o primeiro-ministro. Por Rosário Silva

Tal como as sondagens já apontavam, a crise europeia entrou numa nova fase: adquiriu expressão eleitoral. Desde há tempo, ainda antes da crise financeira, que era visível que a União Europeia entrara num caminho claro de degenerescência. Um espaço político que não tem soluções para nada, que convive bem com taxas de desemprego jovem de 40 ou 50%, que em risco de deflação económica agrava as políticas de austeridade, um espaço nestas condições está condenado. Bem podem as autoridades comunitárias agora cessantes culpar os estados membros pela situação. Bem podem os defensores fanáticos da austeridade fazer esforços inauditos e inúteis para tentar demonstrar que a Europa está no bom caminho e que a austeridade está a dar resultado. No fundo, sabem tão bem como nós que nem uma nem outra coisa são verdadeiras. Bem podem isto tudo, mas o facto é que a União está a caminho do fim. E só uma enorme coragem reformadora, que implicaria desfazer a Europa do euro, poderia ainda salvar o essencial do projecto europeu, ou seja, a cooperação para a gestão de interesses comuns, respeitando os poderes próprios de cada estado e respeitando também ao principio da igualdade entre esses mesmos estados. Em suma, tudo o que é essencial e que a evolução europeia desde a aprovação do tratado de Maastricht em 1992 até à entrada em vigor do tratado orçamental em 2013, passando pelo tratado de Lisboa de 2009 tem destruído. Do meu ponto de vista, seria mau para Portugal que a União (não a zona euro) se desagregasse. Seria mau a vários níveis, sendo porventura o mais importante, a situação que, nesse cenário, seria criada aos direitos dos nossos emigrantes. Mas a verdade é que, a evolução dos últimos anos e o facto da crise já ter expressão eleitoral, me levam a reconhecer que, infelizmente, o mais provável é que a União se venha a

Apesar das “circunstâncias excepcionais” por que Portugal passa, “nunca a despesa social foi tão elevada em Portugal", disse esta quinta-feira o primeiroministro. Para Pedro Passos Coelho, que falava na abertura do XI Congresso Nacional das Misericórdias, em Évora, o Governo "foi bem-sucedido em salvaguardar o Estado social e em proteger a coesão social", tendo conseguido "com todos os sacrifícios, sustentar uma despesa social que é superior àquela que existia no início da crise de 2011". Passos lembrou que na Europa existem "exemplos dramáticos do que significou um colapso económico e social em larga escala" e que o Governo conseguiu "evitar em Portugal um colapso desse tipo". Sem contestar a situação por que passou o país e “ainda tantas famílias portuguesas", realçou que importa agora "dar valor ao que foi feito e ao esforço que foi realizado, que permitiu evitar cenários muito mais gravosos". “O que estava ao nosso alcance fazer fizemos”, afirmou. E deu exemplos de medidas postas em prática: o aumento das pensões mínimas, a criação do Programa de Emergência Social, o Mercado Social de Arrendamento e a implementação do Banco de Medicamentos. Acordo entre Misericórdias e Governo "para breve" O primeiro-ministro defendeu a aposta “num paradigma descentralizado de resposta social numa relação de parceria, o que implica a “descentralização de competências”. O acordo entre o Governo e as Misericórdias para a devolução da gestão dos hospitais para estas instituições “está praticamente fechado”, anunciou. “Falta apenas fechar alguns detalhes operacionais nos contratos de devolução de três hospitais: Fafe, Anadia e Serpa”, revelou. Passos lembrou que “um dos requisitos destes contratos reside na garantia de que o custo para o Estado diminuirá em pelo menos 25% na despesa com cada um dos hospitais”. “As Misericórdias farão o mesmo, ou mais [do que o Estado], com menos recursos”, garantiu.


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Até sábado, vão estar em destaque no XI Congresso Nacional das Misericórdias o sector da economia social e os desafios que enfrenta, uma iniciativa que conta com cerca de 650 participantes.

Europeias mostraram que "o caminho não pode ser o mesmo"

FRANCISCO SARSFIELD CABRAL

Formar para o desemprego Este ciclo vicioso só se quebrará com mais investimento empresarial, sobretudo estrangeiro. Mas falta crédito...

Artur Santos Silva defende mais solidariedade uma "frente mais nítida" dos países da Europa do Sul. Os resultados das eleições europeias, nas quais em 13 países os partidos no poder foram derrotados, devem de ser um sinal para os líderes europeus, disse o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, esta quinta-feira, no Grémio Literário, em Lisboa. Artur Santos Silva, que também acredita que as políticas da “troika” foram prejudiciais para os países intervencionados, afirma que os estados do Sul da Europa devem mostrar-se mais solidários. “Nós temos problemas que têm que ser resolvidos no âmbito da solidariedade europeia e, portanto, nós temos que dialogar mais e ter uma frente mais nítida com os países da Europa do Sul e espero que o vendaval, que já era expectável, destas eleições europeias mostre aos líderes europeus que o caminho não pode ser o mesmo”, afirmou num debate sobre o Estado e a sociedade. O presidente da Fundação Gulbenkian criticou ainda o programa de assistência económica e financeira aplicado em Portugal. Santos Silva argumenta que os modelos económicos usados pela “troika” não tinham sustentação.

Selecção já tem mascotes e música As mascotes e a música de apoio à selecção nacional que vai disputar o Mundial de Futebol, que começa no próximo mês, no Brasil, foram apresentados esta quinta-feira, em Óbidos. “Vai Portugal!” é o nome da música de apoio à equipa de Cristiano Ronaldo e companhia. O tema é interpretado por Kika, uma jovem cantora que "adora futebol" e que espera que a canção "dê força" à selecção e a todos os portugueses. Inspiradas nos descobrimentos e nas conquistas, as novas mascotes das seleções nacionais de futebol também foram apresentadas. Chamam-se "João do Mar" e "Beatriz do Castelo" e vestem fatos de superheróis com as cores nacionais e com as quinas ao peito.

Por Francisco Sarsfield Cabral

O número de portugueses com um razoável nível de qualificação mais do que duplicou nos últimos quinze anos. Mas nos outros países europeus também aumentou. Por isso, a OCDE situa a percentagem, no conjunto da população portuguesa, de pessoas em idade activa com ensino secundário ou superior bem abaixo da média da zona euro: 40% em Portugal, contra quase 70% nessa zona, onde continuamos no último lugar. Mesmo assim, não são raros os jovens portugueses com altas qualificações académicas que não encontram emprego no país; muitos deles emigram, como é sabido. As universidades formam, então, para o desemprego? Por vezes, sim – quando os cursos não têm hipótese de interessar às empresas portuguesas. Mas o problema também se coloca do lado das empresas. A maioria destas é de dimensão muito pequena, está carregada de dívidas e os respectivos gestores não querem, nem podem, gastar dinheiro empregando gente qualificada, até porque eles próprios possuem fracas qualificações. Este ciclo vicioso só se quebrará com mais investimento empresarial, sobretudo estrangeiro. Mas falta crédito...

Peugeot-Citroën de Mangualde acaba com 280 postos de trabalho O centro de produção automóvel anunciou a supressão do terceiro turno. O Centro de Produção de Mangualde do Grupo PSA Peugeot Citroën anunciou esta quinta-feira a


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supressão do terceiro turno, a partir de 25 de Julho, e a consequente redução de 280 postos de trabalho, devido a um ajustamento da actividade produtiva. Em Fevereiro de 2013, foi anunciado o relançamento do terceiro turno, que seria criado a partir de Abril desse ano e funcionaria "por um período mínimo de nove meses"(até Dezembro). O terceiro turno de trabalhadores acabou por durar 16 meses em vez dos nove inicialmente previstos. "O lançamento deste turno em Mangualde resultou do aproveitamento de uma oportunidade que sabíamos ser transitória, por se prender com o facto de a fábrica de Vigo do Grupo PSA registar naquela altura uma produção excepcional e temporária, inerente à fase de lançamento dos modelos Citroën C-Elysée e Peugeot 301", refere a empresa, em comunicado. O director financeiro da empresa, Elísio Oliveira, em declarações à Renascença, referiu que “em função da evolução do mercado” a empresa está “atenta” a futuras contratações destes elementos e “não será surpresa se no futuro voltarmos a retomar à terceira equipa”.

Governo quer indexar aumento do salário mínimo à produtividade Executivo não avança com datas, nem montantes. Proposta divide centrais sindicais.

Pedro Mota Soares. Foto: Pedro Nunes/Lusa

O ministro do Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou esta quinta-feira que o aumento do salário mínimo nacional será indexado à produtividade, mas não se comprometeu com o valor base nem com datas para a sua entrada em vigor. "Neste momento é possível iniciar uma discussão com os parceiros socais tendente a actualizar o salário mínimo nacional e o Governo quer discutir um aumento do salário mínimo nacional, que não fique num só ano, que seja plurianual e com um conjunto de elementos ligados à produtividade", afirmou Mota Soares. De acordo com o ministro da tutela, "o aumento da produtividade é o critério mais justo do ponto de vista social, mas também o que mais protege a própria

criação de emprego, que mais protege a competitividade da economia portuguesa". Mota Soares falava aos jornalistas após um encontro de cerca de duas horas do grupo de trabalho destinado a discutir o aumento do salário mínimo nacional. Inicialmente estavam previstas apenas as presenças de representantes e técnicos das confederações patronais e estruturas sindicais e do Governo, mas o ministro decidiu participar no encontro. Nem valor base, nem data Questionado sobre o valor base do salário mínimo a partir do qual a actualização deverá ser feita, bem como a data para essa actualização, Mota Soares não se comprometeu, dizendo que não quer fazer essa discussão "em torno dos microfones da comunicação social, mas em torno da mesa da concertação social". Instado a esclarecer a plurianualidade que mencionou, e questionado sobre se poderia ser um acordo semelhante ao assinado em 2006 - que previa uma actualização anual do salário mínimo até aos 500 euros em 2011 -, Mota Soares admitiu que "um acordo com base em cinco anos possa ser um critério relevante". E acrescentou: "Parece-nos que um critério à volta dos cinco anos possa ser o mais correcto". Centrais sindicais divergem No final do encontro, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que cancelou a sua presença numa manifestação esta tarde, em Lisboa, para comparecer nesta reunião do grupo de trabalho, disse ter sido confrontado "com uma farsa" e "uma mão cheia de nada". "O Governo está a tentar protelar no tempo a resolução do problema e nós queremos o dia e o mês de 2014 em que o executivo se compromete a aumentar o salário mínimo", exigiu o líder da CGTP. Já a UGT, que se fez representar por Vítor Coelho, considerou que "há aqui uma grande analogia com o acordo de 2006", embora o critério da produtividade seja uma novidade com a qual a estrutura sindical concorda "para já". A temática do salário mínimo deverá ser novamente discutida pelo grupo de trabalho na próxima semana.

"Despesas ilegais" no Instituto da Juventude e Desporto Auditoria do Tribunal de Contas aponta o dedo à gestão de Luís Sardinha. O ex-presidente do Instituto Português da Juventude e do Desporto (IPJD), Luís Sardinha, realizou “despesas ilegais” superiores a 11 milhões e meio de euros, revela uma auditoria do Tribunal de Contas (TC). A instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins detectou que o IPJD, entre 2009 e 2011, assumiu encargos sem informação prévia de cabimento e classificou a despesa de forma inadequada. Entre as ilegalidades conta-se também a


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prestação de serviços cujo valor do contrato é inferior ao valor que acabou por ser facturado. Entre 2006 e 2009, Luís Sardinha assinou cinco contratos de empreitada com o fornecedor Alexandre Barbosa Borges (ABB), no valor global de 5,82 milhões de euros, entre as quais se conta a construção da Nave de Atletismo do Jamor, integrada no Centro de Alto Rendimento do complexo, e obras de protecção e arranjos exteriores dos edifícios de ténis coberto do Centro Desportivo Nacional do Jamor. "Em quatro das cinco empreitadas foram identificados trabalhos decorrentes de erros e omissões e trabalhos a mais e a menos, sendo ilegais as despesas, no valor global de 1,21 milhões de euros (sem IVA), (o que representa um acréscimo de 21,28% face ao custo estimado para as cinco empreitadas), em virtude das relações contratuais não terem sido reduzidas a escrito e não terem sido acautelados os procedimentos exigidos por lei", indica uma auditoria do Tribunal de Contas divulgada esta quinta-feira. O tribunal salienta que no contrato de construção da Nave de Atletismo do Jamor, "a facturação emitida ultrapassou o valor previsto no contrato" e explica que tal se ficou "a dever ao facto de o adiantamento efectuado ao empreiteiro, no valor de 747,9 mil euros, não ter sido deduzido nos pagamentos". Por outro lado, atendendo ao valor dos trabalhos realizados na empreitada "Construção da Nave de Atletismo do Jamor", o TC indica que Luís Sardinha "não detinha competência para autorizar a realização da despesa". Na auditoria, o tribunal constatou que uma das empreitadas - Beneficiação e Requalificação de Diversas Zonas do Centro Desportivo do Jamor - não foi executada, "não obstante ter sido integralmente facturada e paga, o que releva do ponto de vista financeiro e penal". O IPDJ e a construtora ABB iniciaram um diferendo em tribunal arbitral, precisamente devido a "divergências insolúveis" que dizem respeito aos valores globais devidos pela execução de trabalhos a mais e a menos e de erros e omissões em três empreitadas. A empresa reclama 3,44 milhões de euros e o IPDJ apenas reconhece 1,29 milhões de dívida. O processo encontra-se agora pendente no Tribunal Administrativo do Sul. O Tribunal de Contas também aponta irregularidades num contrato assinado em Maio de 2011 com a empresa Winning Ways - Gestão de Serviços, no valor de 35 mil euros, que tinha como objecto a prestação de serviços de reconciliação de saldos de terceiros. "A empresa não deveria ter-se vinculado ao ex-IDP, visto que a respectiva sócia-gerente estava impedida de celebrar o contrato por ser cônjuge do sócio-gerente da Sociedade de Revisores Oficiais de Contas nomeada para o cargo de fiscal único do Instituto, sócio-gerente este que também o era da empresa Winning Ways", lêse no relatório de auditoria. A situação, segundo o TC, indicia a ocorrência "de ilícitos penais e administrativos, bem como a violação grave de regras deontológicas da actividade de revisor oficial de contas".

REVISTA DA IMPRENSA

Sem travões: a crise no PS e o metropolitano de Lisboa

"Metro de Lisboa não tem travões de emergência há dois anos" a manchete do Jornal i É um titulo que sobressai numa imprensa que dá hoje, de novo, amplo destaque à instabilidade no Partido Socialista. "Mário Soares dá apoio a Costa e pede congresso no mais curso prazo", lê-se na primeira página do Público. No interior do Jornal - 52 páginas à frente - o exPresidente explica, num artigo de opinião, porque dá o seu apoio ao presidente da Camara de Lisboa e critica a liderança de António José Seguro. Já o Semanário Sol fala de uma "onda imparável" que "varre o PS". No Correio da Manhã, a manchete é: "Três negócios de Portas investigados". O diário da Cofina especifica: "Submarimos, mil milhões. Pandur, 344 milhões. torpedos, 46 milhões". O Jornal de Negócios lança outro tema: "Guerrilha no BES está ao rubro". Lê-se que as "irregularidades no Grupo espirito Santo e as mudanças previstas na administração do banco reabriram feridas na família". Por seu lado, o Diário Económico avança que eventual "Chumbo do Constitucional leva Passos a fazer contas a nova subida de impostos". Em subtítulo a indicação de que a "Subida do IVA é a resposta mais provável". Este é, de resto, tema para o editorial do Publico, com o título: "Medo da censura do PCP ou do Tribunal constitucional?". O texto sublinha que hoje, no Parlamento, "o Governo de Pedro Passos Coelho enfrentará a sua sexta moção de censura, a terceira apresentada pelo PCP". Diz o editorial que, contudo, "o pior dos pesadelos para o Governo é que o TC chumbe o corte e obrigue o Governo a pagar retroactivamente aquilo que andou a cortar desde Janeiro aos funcionários públicos. Seria naturalmente um rombo nas contas públicas".


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Leilão de energia da Deco pode dar poupança de 60 a 100 euros O segundo leilão da energia promovido pela associação de defesa dos consumidores pode ajudar os portugueses a gastar menos dinheiro em luz, água e gás. A Associação para Defesa do Consumidor (DECO) quer reduzir os custos das facturas da electricidade e do gás natural e para isso está a realizar um segundo leilão, com o lema: “Juntar energias para pagar menos”. As inscrições terminam a 27 de Junho. A DECO acredita que o leilão vai trazer poupanças consideráveis aos consumidores. A estimativa é que “uma família de quatro pessoas, com uso intensivo de equipamentos eléctricos e esquentador e fogão a gás”, poupe entre os 64,34 e os 105.31 euros anuais, disse à Renascença a colaboradora da DECO, Rita Rodrigues. As contas feitas pela associação para a defesa dos consumidores têm marcado as negociações, que estão a envolver todos os operadores que trabalham no mercado português. Os consumidores interessados na adesão ao leilão podem inscrever-se até 27 de Junho em “paguemenosenergia.pt”. GARANTIA DA EMPRESA

"Nada muda" para os clientes da PT Comunicações Apesar da mudança da operadora no serviço nacional já a partir de domingo, a empresa diz que os descontos para reformados e pensionistas vão continuar. Depois do aviso da entidade reguladora aos clientes de telefone fixo, a PT Comunicações esclarece, em comunicado, que para os seus clientes “nada muda” e que vai manter os descontos de 50% na assinatura da linha telefónica para reformados e pensionistas. Numa nota divulgada nesta quinta-feira, a empresa salienta que os actuais clientes “não vão sentir nenhuma alteração nas condições dos serviços prestado, nem nos tarifários contratados”. Na mesma linha, os actuais clientes que sejam reformados ou pensionistas “vão manter as condições actuais de 50% de desconto na assinatura da linha telefónica analógica”. Um desconto que é de 7,79 euros, acrescenta a PT. O serviço universal é aquele que assegura que o telefone fixo chegue a toda a população a um preço

acessível e com qualidade. Para assegurar este serviço, a Autoridade Nacional de Comunicações, que regula o sector, pode, por exemplo, impor preços máximos ou disponibilizar tarifários especiais para certos clientes. Ora, a PT garante que é “o que vai continuar a oferecer aos actuais clientes de telefone fixo” e que estejam fora dos pacotes “triplo pay”. O serviço de telefone fixo nestas condições a partir de domingo passa a ser disponibilizado pela Nos Comunicações. A operadora ganhou o concurso lançado em 2012 para prestar este serviço público e fica assim vinculada aos níveis de qualidade definidos pela ANACOM e obrigada a praticar preços acessíveis. A Nos (empresa que resultou da fusão entre a ZON e a Optimus) esclarece, em comunicado, que os actuais clientes do serviço universal, que até aqui era prestado pela PT, poderão continuar a ser clientes deste operador, mas a PT vai deixar de estar obrigada a praticar o tarifário do serviço regulado pela ANACOM.

Prisão preventiva para suspeito de assassinato na Baixa de Lisboa Arguido é o companheiro da vítima, que foi detido numa esplanada junto a uma clínica onde aconteceu o crime. O suspeito do assassinato de uma mulher, na quartafeira, na Baixa de Lisboa, vai ficar em prisão preventiva A medida de coacção mais gravosa foi determinada, esta quinta-feira, pelo juiz de instrução criminal, devido aos “ fortes indícios da prática do crime de homicídio qualificado”. “O crime mostra-se agravado tendo em conta as circunstâncias de especial perversidade, a relação conjugal entre ambos, a crueldade com que foi praticado com o uso de uma faca, o aproveitamento da fragilidade da vítima sua mulher e os motivos passionais determinantes desta actuação criminosa”, refere o Ministério Público (MP), em comunicado. A mulher, de 28 anos, morreu na quarta-feira após ser vítima de um múltiplo esfaqueamento numa clínica dentária na Rua Augusta, em Lisboa. O suspeito do ataque foi detido quando se encontrava numa esplanada em frente ao local do crime. O suspeito do ataque, de 39 anos, é o companheiro da vítima, ambos de nacionalidade brasileira.


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Cinco militares feridos em exercício de fogo real Exercício no Campo Militar de Santa Margarida acaba mal. Um militar deu entrada no Hospital de Abrantes em estado muito grave. Cinco militares ficaram esta manhã feridos no Campo Militar de Santa Margarida, na sequência de uma explosão de uma granada de morteiro durante um exercício de fogo real do Exército. Entre os feridos, há um que inspira muitos cuidados e que deu entrada no Hospital de Abrantes em estado considerado muito grave. Tudo aconteceu por volta das 11h43, diz a Lusa, durante um exercício a que foi dado o nome de “Eficácia 14”. "Durante o exercício aconteceu um acidente que envolveu o disparo de uma granada de morteiro que acabou por cair num local que não estava previsto, ferindo cinco dos nossos militares. Um dos militares ficou ferido com muita gravidade, dois deles com gravidade inspirando cuidados, mas sem perigo de vida. E outros dois com ferimentos ligeiros e pequenas escoriações", explicou à Renascença o major Paulo Rosendo. Todos são "jovens". "Estão colocados na Brigada Mecanizada, dois deles são alunos da Escola Sargentos do Exército, estão a finalizar o seu curso em Santa Margarida", acrescentou. Os três militares que sofreram ferimentos mais graves foram todos transportados para o Hospital de Abrantes. Os outros dois, com ferimentos mais ligeiros, acabaram por ser assistidos no local, pelas equipas médicas do próprio Exército. O acidente está a ser investigado. No local estiveram os Bombeiros Voluntários de Constância, com quatro homens e duas viaturas, e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo. [Em actualização]

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), Germano Couto, alerta que a suspensão da administração de injecções aos diabéticos é a consequência menos preocupante da decisão judicial que trava as competências dos técnicos das ambulâncias do INEM. À Renascença, Germano Couto garante é uma "falsa questão". "Estamos a centralizar tudo na hipoglicemia quando essa era a menor das actividades que estava atribuída a esses técnicos", defende, sublinhando que os técnicos têm formação de apenas dois meses e que não podem fazer o trabalho de enfermeiros e médicos. A decisão de suspensão foi tomada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa depois de uma contestação da Ordem dos Enfermeiros e impede os técnicos de administrar, mesmo que sob supervisão médica, uma injecção de glicose em vítimas de hipoglicemia. Os diabéticos são os mais prejudicados com esta decisão judicial e a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) já veio dizer que não entende a decisão, porque o acto em questão "não contém riscos para o doente e pode até salvar vidas”, diz o dirigente Luís Gardete Correia. O especialista lembra que se trata de um acto de urgência, que, caso não seja praticado, “pode levar a danos ao nível do cérebro”. Sublinha que o procedimento costuma ser "usado pelo próprio doente" ou, quando este não tem condições para o fazer, "por pessoas que estão à sua volta e que são ensinadas para isso". O bastonário da OE admite que "as actividades mais problemáticas e que levantavam mais questões aos enfermeiros nem eram tanto essa mas sim, por exemplo, técnicas invasivas que apenas profissionais altamente qualificados conseguem fazer”. Germano Couto acrescenta que os médicos e enfermeiros "têm muitas vezes dificuldade em fazê-lo em situações de choque e de situações de alta dependência da emergência em Portugal". Contactado pela Renascença, o INEM não quis comentar a decisão da juíza porque ainda não foi notificado.

Enfermeiros. Suspensão de injecções aos diabéticos é “falsa questão” Despacho do Tribunal Administrativo de Lisboa impede técnicos das ambulâncias de administrarem injecções de glicose a vítimas de hipoglicemia, medida contestada pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

CONSELHO DE DIRECTORES. A reflexão sobre a actividade política e económica. Com Graça Franco, Pedro Santos Guerreiro e Henrique Monteiro, num debate conduzido por José Pedro Frazão. À quinta-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h.


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Pneumologistas contra uso de cigarro electrónico

as outras alternativas ao tabagismo com baixo risco". Ainda segundo o texto, "a interdição da publicidade ao tabaco assenta nos malefícios do tabaco, mas nenhum argumento deste tipo pode ser aplicado, por exemplo aos cigarros electrónicos, que são muito mais susceptíveis de reduzir os malefícios" do tabaco.

Não existe legislação e os efeitos para a saúde ainda não são conhecidos, argumenta especialista portuguesa.

Vinhos do Dão, Porto e Alentejo vencem concurso nacional Organizado pelo segundo ano consecutivo pela ViniPortugal, o concurso envolveu 1.070 vinhos de todas as regiões vitivinícolas de Portugal.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) considera que o cigarro electrónico não deve ser utilizado enquanto não se conhecerem os efeitos que tem na saúde. Ana Figueiredo, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SPP, reagiu, desta forma, à proposta de um grupo de 50 especialistas em saúde de vários países , os quais consideram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) deveria encorajar o uso do cigarro electrónico mais do que procurar reprimi-lo, para reduzir a hecatombe causada pelo tabaco. "Estamos numa fase de grande confusão que não deverá ser clarificada tão cedo, porque é difícil de clarificar", diz Ana Figueiredo. A especialista lembra que não existe legislação sobre o cigarro electrónico e que ainda não se conhece a sua composição. A SPP considera que o importante é as pessoas deixarem de fumar e, para tal, existem no mercado produtos indicados. "Não somos contra os fumadores, mas sabemos que o tabaco faz mal e o que nos interessa é que as pessoas deixem de fumar", adiantou. Cinquenta especialistas em tabaco, cancro e dependências e profissionais da saúde de países ocidentais apelaram na quarta-feira à directora-geral da OMS, Margaret Chan, para que "liberte o potencial" dos cigarros electrónicos e produtos do tabaco sem combustão. "O potencial destes produtos (...) para reduzir o fardo das doenças devidas ao tabagismo é muito grande, e estes produtos poderiam estar entre as inovações mais importantes do século XXI em matéria de saúde", sublinham, em carta noticiada pela agência AFP. Os profissionais que fizeram agora a recomendação à OMS, entre os quais o oncologista e ex-ministro da Saúde italiano Umberto Veronesi ou o ex-director francês do Fundo Mundial Contra a Sida Michel Kazatchkine, classificam como "contra-produtivo interditar a publicidade para os cigarros electrónicos e

Os vinhos Quinta das Marias Touriga Nacional Reserva, do Dão, Rozés Porto Tawny 40 anos e Terras d' Alter Reserva, do Alentejo, venceram o Concurso Vinhos de Portugal 2014 nas suas categorias. O primeiro, assinado pelo enólogo alemão Peter Eckert, impôs-se na categoria varietal, ao passo que o Rozés ganhou na categoria destinada aos vinhos fortificados e o Terras D' Alter na de vinhos de lote, ou seja, para os que são feitos com mais do que uma casta. Organizado pelo segundo ano consecutivo pela ViniPortugal, o concurso envolveu 1.070 vinhos de todas as regiões vitivinícolas de Portugal e "cerca de 80 atingiram pontuação para ter medalha", disse à agência Lusa o presidente daquela associação interprofissional, Jorge Monteiro. "Mas só há medalhas para 25%" dos vinhos concorrentes, referiu. Jorge Monteiro explicou que "a qualidade média foi muito elevada" nesta edição, sendo este o motivo por que não serão entregues medalhas de bronze. "Esgotamos as de prata", afirmou, observando que "os vinhos em prova surpreenderam tanto os especialistas nacionais como internacionais pela qualidade, diversidade e a consistência.". O responsável salientou ainda que "a taxa de vinhos com defeito está abaixo dos 3%", o que, em sua, "é extremamente bom". "Estamos no bom caminho", completou Os prémios foram entregues esta noite, numa cerimónia efectuada no Palácio da Bolsa, no Porto. Foram distinguidos 280 vinhos, dos quais 45 com a medalha grande ouro e 22 com a de ouro. "O Douro é a região que mais medalhas alcançou,


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seguida do Alentejo, mas o Dão e a Bairrada atingiram resultados muitíssimo interessantes", notou Jorge Monteiro. O responsável destacou ainda que "a touriga nacional foi a casta que maior pontuação alcançou entre as dez que a ViniPortugal está a promover" a favor dos vinhos nacionais. Os vinhos durienses conquistaram 67 medalhas, enquanto os do Alentejo conseguiram 59. As regiões do Dão e da Bairrada estiveram "muito bem, pois cada uma delas obteve três medalhas grande ouro". Os vinhos premiados foram eleitos por mais de 100 jurados, entre eles "25 especialistas internacionais".

Pedro sonha ser médico no espaço. E pode consegui-lo Dois médicos portugueses foram seleccionados para estudar medicina aeroespacial nos Estados Unidos, em colaboração com a NASA.

problemas físicos encontrados no ambiente aeroespacial”. O "primeiro grande desafio" profissional “A nível profissional representa, um grande primeiro passo, e um grande desafio, quer no desenvolvimento da minha curta carreira, quer na medicina espacial em Portugal, visto ser um curso de enorme prestígio, numa instituição de renome mundial. É um enorme orgulho poder participar neste curso e espero estar à altura do desafio”, refere. O objectivo de Pedro Caetano é “completar o curso com sucesso e, posteriormente, ser médico aeroespacial e aeronáutico, com o intuito de poder vir a trabalhar um dia na NASA ou na ESA (Agência Espacial Europeia), ou mesmo importando o conhecimento adquirido para o âmbito nacional e europeu”. Portugal vai perder um médico de Medicina Geral? Pedro prefere ver as coisas de outro ângulo. “Quiçá Portugal ganhará um médico de astronautas [risos], ou pelo menos uma pessoa com outra visão do mundo, e que traga alguns conhecimentos, que permitam alargar horizontes e abrir espaço para futuras iniciativas nesta área no nosso país”. “É uma área pouco desenvolvida em Portugal, mas a qual fará sentido explorar e inovar”, remata. LISBOA

Feira do Livro abre com novo design e espaço para ver o Mundial Pedro Caetano quer trabalhar na NASA ou na ESA. Foto: DR

Este ano, volta a haver equipa de voluntários. Cerca de 20% dosque participaram na edição do ano passado conseguiram emprego no seguimento da feira.

Por Joana Costa

Dois médicos portugueses foram seleccionados para frequentar um curso de medicina aeroespacial da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, em colaboração com a NASA. O objectivo foi alcançado depois de passarem por várias fases de classificação, a nível curricular, motivacional e exames físicos. “É um tema que nos fascina pela franca expansão em que se encontra e, ao mesmo tempo, tem um conhecimento restrito na classe médica, muito pouco explorada em Portugal, quer numa perspectiva de investigação, quer de retorno de conhecimento para o nosso país”, conta à Renascença Pedro Caetano, que, tal como a colega Carolina Moreira, parte no final de Junho para os EUA. O médico que trabalha em Vila Nova de Gaia explica que “a medicina aeroespacial é uma área médica preventiva e ocupacional em que os pacientes serão maioritariamente tripulantes de cabine (astronautas, pilotos, tripulação) envolvidos em voos espaciais”. Em termos gerais, “tenta descobrir, prevenir e tratar várias respostas fisiológicas adversas e hostis e

Foto: Maria João Costa/RR Por Maria João Costa

A Feira do Livro de Lisboa arranca esta quinta-feira. Até 15 de Junho, vai estar no Parque Eduardo VII, integrando o programa das Festas da Cidade. Aos 84 anos de vida, a edição deste ano, apresenta uma estrutura renovada. Os 250 pavilhões têm um novo design e, na parte de baixo, a “entrada ficou mais alargada”, para criar um espaço destinado ao Mundial


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do Brasil, que coincide com os últimos dias da feira, explicou o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), João Alvim. A feira tem vindo a crescer e, este ano, o número de participantes e iniciativas é maior, revela à Renascença o secretário-geral da APEL, Bruno Pacheco. “Teremos mais editoras e chancelas representadas. Houve um aumento de cerca de 20%. Vamos ter um total de 537 editoras e chancelas, por 112 participantes.” A organização tem ainda outro desafio: “bater o recorde de número de visitantes atingido no ano passado e superar, novamente, os 500 mil visitantes da feira”. Estão previstas 900 iniciativas, entre as quais um "Picnic Literário", que "tem como objectivo reunir o maior número de amantes dos livros, em várias tertúlias temáticas”. A Estufa Fria, pela primeira vez, abre portas para algumas actividades e brincadeiras para os mais novos. Outra novidade desta edição é a iniciativa "Dar e Receber", uma campanha conjunta entre a APEL e o Banco dos Bens Doados. Os visitantes da feira podem deixar em contentores próprios livros infanto-juvenis, que mais tarde serão doados a instituições de solidariedade. Uma grande aposta da edição deste ano é o sector da restauração, com 30 espaços, das tradicionais farturas, aos petiscos mais variados. Este ano volta a haver equipa de voluntários. Cerca de 20% dos voluntários que participaram na edição do ano passado conseguiram emprego no seguimento da feira. O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e o presidente da APEL, João Alvim, encontram-se na Praça Amarela da Feira, esta quinta-feira às 17h00, para inaugurar a Feira do Livro de Lisboa 2014. A feira vai estar aberta ao público de segunda a quinta do meio-dia e meia às 23h00, às sextas e véspera de feriado até à meia-noite. Aos sábados das 11h00 à meia-noite e ao domingo até às 23h00.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.

PORTO

No Verão, a música sai da Casa Há mais de 90 eventos no "Verão na Casa". A Casa da Música quer aproximar-se da cidade e da região.

Gisela João. Foto: Lusa (arquivo)

Do jazz ao pop-rock. A oferta cultural da Casa da Música para este Verão tem mais de 90 eventos e dirige-se a pessoas dos oito meses aos 100 anos, garante António Jorge Pacheco, director artístico do edifício. Durante os três meses e uma semana do programa "Verão na Casa", a Casa da Música quer aproximar-se da cidade e da região. “No período de Verão, temos uma programação diferente, mais festiva e informal e, pelas temperaturas e vinda de turistas, é a época ideal para sairmos da Casa da Música e irmos ter com as pessoas onde elas estão”, disse à Lusa o director artístico da instituição. Os concertos acontecem nas esplanadas do edifício, na Avenida dos Aliados e no Cais de Gaia, como forma da Casa da Música “se abrir e se dar a conhecer” à cidade e à região e “levar a cultura musical” às pessoas, frisou António Jorge Pacheco. O arranque do “Verão na Casa” é dedicado às “Mil e Uma Noites” e acontece no domingo com uma programação dedicada às crianças e famílias. Na noite de São João, a Casa da Música oferece um concerto pela Banda Sinfónica Portuguesa. Durante o mês de Julho há concertos gratuitos de Gisela João, Mariza, Cristina Branco e Camané, junto às Caves do Vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia. O fim do programa é assinalado com dois concertos ao ar livre na Avenida dos Aliados a cargo da Stopestra e da Orquestra Sinfónica do Porto da Casa da Música, a 5 e 6 de Setembro, respectivamente. “Queremos que estes concertos sejam uma rampa de lançamento para a rentrée da nova temporada”, afirmou António Jorge Pacheco. No programa há vários concertos gratuitos graças a patrocínios e apoios da câmaras do Porto e Gaia.


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Há arte em Lisboa inspirada no Evangelho Desafiaram-nos a olhar para o Evangelho e a criar arte. Rui Chafes, André Gomes e João Onofre estão entre os 33 artistas com obras na exposição "Do Sagrado na Arte".

Albuquerque Mendes (à esquerda) com José Sousa Machado. Foto: DR Por Ângela Roque

Escultores como Rui Chafes e pintores como Julião Sarmento e Pedro Calapez estão entre os 33 artistas portugueses desafiados a interpretarem leituras do Evangelho. O resultado é a exposição "Do Sagrado na Arte – Evangelhos Comentados por Artistas", que será inaugurada esta sexta-feira. A mostra apresenta obras de pintura, escultura, cerâmica, fotografia, instalação e vídeo. Ana Pérez Quiroga, Albuquerque Mendes, André Gomes, António Poppe, João Onofre e Rui Sanches são outros dos artistas com obras presentes nesta exposição colectiva. Nem todos os convidados têm a mesma ligação ao fenómeno religioso – há inclusive ateus. "Nem sempre foi fácil, foi um desafio, mas também demos alguma liberdade. Comecei por falar com artistas que conhecia bem e, ao contrário do que imaginava, a questão da espiritualidade era uma questão central", explica à Renascença o comissário da exposição, José Sousa Machado. "Às vezes, [os artistas] não se identificavam com o texto, então, escolhíamos outro", diz. Mas o resultado final mostra que, "embora sejam obras de arte contemporânea pura e dura, às vezes completamente abstracta, há uma colagem muito evidente ao texto" bíblico. "Tentámos, por um lado, escolher artistas com linguagens artísticas muito diferentes e, por outro lado, cobrir um leque geracional relativamente grande. Temos escultores como o Rui Chafes, pintores como o Julião Sarmento, o Pedro Calapez, o Pedro Casqueiro, pessoas um bocadinho mais velhas como o Pedro Chorão, e artistas acabados de sair da escola, como a Ângela Dias, que saiu há um ano e meio, dois anos", diz. Três locais A exposição pode ser visitada em três locais diferentes de Lisboa: 28 artistas vão expor no Mosteiro de S.

Vicente de Fora, quatro na Igreja de Santa Catarina. A obra maior, que tem sete metros por cinco, vai ficar na antiga livraria Sá da Costa, no Chiado, que fechou recentemente. "Pedi emprestado o espaço da livraria. Limpámos tudo, fizemos uma selecção dos bons livros clássicos Sá da Costa e pedi a uma alfarrabista conhecido para me ajudar a organizar o lado livraria durante a exposição", explica. José Sousa Machado espera que os visitantes aproveitem a exposição para ficar a conhecer melhor os espaços onde vai ficar instalada. A Igreja de Santa Catarina "não é um lugar muito visitado, mas é uma igreja notável em termos de arquitectura e decoração". E o Mosteiro de S. Vicente "é uma pérola". A exposição, com apoio da Renascença, será inaugurada sexta-feira, 18h30, pelo Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Pode ser visitada até 30 de Agosto.

Portugueses oferecem cruz ao Papa Francisco A obra tem quase três metros de altura. A comitiva também vai entregar um livro com mensagens de portugueses.

Foto: DR

Um grupo de portugueses vai oferecer ao Papa Francisco, no próximo mês, uma escultura de Cristo na cruz com Maria. A obra tem quase três metros de altura e o título "Como Cristo Amou a Igreja”. A iniciativa é o culminar do trabalho de vários meses sobre a teologia do corpo. "A ideia é oferecer ao Papa o fruto do nosso trabalho e dizer que, neste âmbito da família, estamos preocupados e atentos e queremos participar activamente na construção da comunidade cristã", diz o padre Miguel Pereira, um dos dinamizadores da iniciativa, apresentada esta quinta-feira no Patriarcado de Lisboa. Vai ser também entregue ao Papa um livro com todas as mensagens que os portugueses quiserem deixar no "site" da Teologia do Corpo em Portugal. A obra, do escultor Carlos Oliveira, vai ser entregue ao Papa no dia 18 de Junho, no Vaticano A cruz "Como Cristo Amou a Igreja" "nasceu para o IV


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Simpósio Internacional da Teologia do Corpo que aconteceu o ano passado em Fátima" e é inspirada no "estudo da teologia do corpo" e na "cruz da unidade do Movimento de Schoenstatt.

Encontro de oração pela paz na Terra Santa já tem data marcada Iniciativa do Papa Francisco vai ter lugar no Vaticano e vai juntar o presidente israelita e o presidente da Autoridade Palestiniana.

O encontro de oração pela paz convocado pela Papa Francisco, com os líderes israelita e palestiniano, vai realizar-se a 8 de Junho, no Vaticano. A data foi anunciada esta quinta-feira, em comunicado, pelo gabinete de imprensa da Santa Sé. O presidente israelita, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, vão marcar presença neste encontro de oração. O convite foi feito pelo Papa, durante a recente visita de três dias à Terra Santa, numa missa celebrada na Praça da Manjedoura, em Belém. Falando no final da missa, realizada no domingo, Francisco disse que a paz só se constrói com a oração e, de seguida, fez o convite: “Neste lugar, onde nasceu o Príncipe da Paz, desejo fazer um convite a vossa excelência, senhor Presidente Mahmoud Abbas, e ao senhor Presidente Shimon Peres para elevarem, juntamente comigo, uma intensa oração, implorando de Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa, no Vaticano, para hospedar este encontro de oração.”

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

Ataque a igreja de Fátima de Bangui causa dezenas de mortos Este é já considerado como “o pior ataque contra os cristãos” na República CentroAfricana. Morreram, à força de granadas e armas de fogo, pelo menos três dezenas de pessoas, na Igreja de Fátima de Bangui, capital da República Centro-Africana. O ataque aconteceu esta quarta-feira e, segundo testemunhas, os atacantes foram rebeldes Seleka, a maior parte deles muçulmanos. Pelas ruas do bairro PK5 confrontavam-se forças Seleka e anti-Balaka, por isso centenas de pessoas refugiaram-se na igreja. “Dispararam indiscriminadamente” e “atiraram granadas” para o interior da igreja, disse uma testemunha à agência de notícias AP. Outra testemunha refere que “houve gritos e, após cerca de 30 minutos de tiroteio, havia corpos por toda parte". O pároco de Fátima, Jonas Bekas, citado pela agência Reuters, admite que o número de mortos seja mais elevado tendo em conta o número de feridos. Este é já considerado como “o pior ataque contra os cristãos” na República Centro-Africana desde que os rebeldes Seleka foram expulsos do poder no passado mês de Janeiro.

Operação de busca termina sem encontrar avião malaio Aparelho não caiu onde foram detectados sinais acústicos, numa zona remota do Oceano Índico. O Boeing 777 da Malaysia Airlines, que desapareceu no início de Março, não se despenhou na zona do sul do Oceano Índico onde foram detectados sinais acústicos, anunciou esta quinta-feira o centro que coordena as buscas. "Esta área pode agora ser descartada como tendo sido o local onde terminou o MH370", refere um comunicado do Centro de Coordenação Internacional das Buscas (JACC), liderado pela Austrália. O anúncio foi feito após ter sido dada por concluída, sem resultados, a missão de busca subaquática, que arrancou no início de Abril, na área do Oceano Índico onde foram detectados sinais acústicos semelhantes


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aos emitidos pelas caixas negras dos aviões. O Boeing da Malaysia Airlines desapareceu a 8 de Março, quando fazia a ligação entre Kuala Lumpur, na Malásia, e Pequim, na China. A bordo seguiam 239 pessoas. O aparelho desviou-se milhares de quilómetros da rota e terá caído numa zona remota do Oceano Índico, mas as operações de busca, até agora, revelaram-se infrutíferas. Sem pistas para o que aconteceu, o MH370 continua a ser um dos maiores mistérios da avião internacional. BENFICA

Jesus confirma proposta do AC Milan Em entrevista à Benfica TV, Jorge Jesus disse que vai continuar na Luz, mas admitiu que Garay pode estar de saída.

Jesus aufere no Benfica e que para muitos representam um valor excessivo, não é tema que preocupe o treinador. O salário está "plenamente justificado" na opinião do treinador. Provável saída de Garay Sobre o mercado e depois de Luís Filipe Vieira ter dito que André Gomes e Rodrigo já não entram nos planos, Jorge Jesus diz não ter ainda confirmação oficial de qualquer saída do plantel. "Até hoje não tenho conhecimento da saída de qualquer jogador, tirando do Garay, que já o ano passado se falava. Se o Enzo tiver de sair do Benfica, sai." Difícil manter a qualidade da equipa Perante a possível saída de jogadores, Jesus admite que será difícil manter a qualidade da equipa, se saírem os melhores. "O que é difícil não é só perder os jogadores melhores. O difícil é manter a qualidade da equipa para as exigências que o Benfica tem: é sempre para ganhar. O ter de vender já é complicado mas mais complicado, é manter a qualidade da equipa." Sobre o reforço Candeias, ex-Nacional, Jorge Jesus vê duas vantagens na contratação. "É português e encaixa na forma de jogar do Benfica", referiu o treinador do Benfica. SELECÇÃO PORTUGUESA

Cristiano Ronaldo em trabalho de reabilitação Jorge Jesus ficou no Benfica por gratidão e pela convicção de que pode continuar a apresentar resultados desportivos de alto nível. O treinador confirmou esta noite, numa entrevista à Benfica TV, que recebeu propostas financeiramente sedutoras de vários clubes, que estariam dispostos a pagar a cláusula de rescisão que o vincula ao Benfica. Um dos clubes com quem Jorge Jesus conversou foi o Milan. O treinador encarnado apresenta as razões que o levaram a permanecer no Benfica e a dizer não ao futebol italiano. "O motivo para a continuidade foi convicção que sempre tive da responsabilidade contratual. É verdade que a vida de treinador se modifica em momentos, mas a minha convicção e ideia do projeto de carreira foi sempre ficar no Benfica. Não foi bem uma decisão, até porque essa já estava tomada e contratualmente definida. Por ser o Milan também não me entusiasmou. Se nada entusiasma é porque há algo mais forte", considerou. Renovação no momento certo Há dois dias Luís Filipe Vieira desafiou publicamente Jorge Jesus a renovar o contrato que o liga ao Benfica até Junho de 2015. E Jorge Jesus está disposto a renovar. As negociações decorrerão no "momento certo", referiu o técnico. Os 4 milhões de euros, antes de impostos, que Jorge

Equipa das quinas prossegue trabalho em Óbidos. Sábado há jogo com a Grécia, no Estádio Nacional.

Cristiano Ronaldo chegou mas ficou no hotel em trabalho de reabilitação específica a uma dor na região posterior da coxa esquerda. Com uma lesão idêntica à do capitão, Raul Meireles também ficou no hotel. Hugo Almeida foi o outro jogador ausente da sessão da tarde em Óbidos mas devido a um problema gástrico. Rúben Amorim e João Moutinho subiram ao relvado para trabalho condicionado. A Selecção Portuguesa regressa aos treinos amanhã às 10h30 da manhã, em Óbidos.


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TORNEIO DE TOULON

REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA

Portugal falha final depois de derrota frente à França (1-2)

Eu, Mangala me confesso

Inglaterra ou Coreia do Sul são os adversários possíveis no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares.

A selecção nacional de sub-20 falhou o objectivo da final. Perdeu esta noite com a França, por 2-1. Os gauleses adiantaram-se aos 35 minutos por Sarr, num lance precedido de fora-de-jogo. Já na segunda parte, Sacko fez o segundo golo da França, na transformação de uma grande penalidade a punir uma falta cometida pelo guarda-redes Bruno Varela, aos 61 minutos. Portugal reduziu oito minutos depois, num desvio de cabeça, de Ruben Vezo, na sequência de um pontapéde-canto. Apesar do “forcing” final da equipa portuguesa, o resultado não sofreu mais alterações. O grupo A fechou com a França na frente, com 10 pontos. Portugal foi 2º classificado com 9. Os franceses seguem para a final. A equipa portuguesa aguarda pelo segundo melhor do grupo B, para discutir a presença no pódio. O seleccionador nacional, Ilídio Vale disse, no final à Sport TV, que a equipa acusou a pressão do jogo, mas, mesmo assim, merecia marcar presença na final. "Foi um jogo muito competitivo e com muita ansiedade de ambos os lados, o que prejudicou a qualidade da partida. Cometemos três erros fatais, a França conseguiu um golo em fora de jogo. A terceira equipa condicionou. Merecíamos estar na final porque fomos a equipa que melhor futebol praticou", referiu.

TERÇA A NOITE. O espaço de entrevista da Renascença. Todas as semanas, a partir das 23h, a entrevista conduzida por Raquel Abecasis.

O diário O Jogo traz, na sua primeira página, mais um "mea culpa" de um jogador do FC Porto. Hoje, é Mangala: "Uma época tão má não é digna de nós". O francês vai mais longe: "Danilo e Alex sandro deram o estouro em alguns jogos". Sobre o seu futuro, Mangala não faz "a mínima ideia". O jornal A Bola diz que "Benfica pensa em van Wolfswinkel". O diário alinhado com o clube da Luz garante: "Jorge Jesus admira avançado holandês". No Record, uma certeza: "Petrovic certo no Sporting".

Página1 é um jornal registado na ERC, sob o nº 125177. É propriedade/editor Rádio Renascença Lda, com o nº de pessoa colectiva nº 500725373. O Conselho de Gerência é constituído por João Aguiar Campos, José Luís Ramos Pinheiro e Ana Lia Martins Braga. O capital da empresa é detido pelo Patriarcado de Lisboa e Conferência Episcopal Portuguesa. Rádio Renascença. Rua Ivens, 14 - 1249-108 Lisboa.

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