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EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco

Quinta-feira, 05-06-2014 Edição às 08h30

Editor Raul Santos

Passos defende maior "escrutínio" na escolha dos juízes do TC Seguro conta realizar primárias no PS até Outubro

Desemprego diminuiu? Formadora fala em dados viciados Tiananmen. Há 25 anos um homem, sozinho, fez história

"Já agora, vale a pena pensar nisto". Livro reúne reflexões da RFM

Tarifas da água vão aumentar no litoral e diminuir no interior

Felipe “empenhado” na "tarefa de servir" o país

Palestina espera que "orações no Vaticano realizem milagre da paz"

ISABEL CAPELOA GIL

A mão do Papa

MH370

Mulher diz ter avistado avião desaparecido da Malaysia Airlines


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Passos defende maior "escrutínio" na escolha dos juízes do TC "Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente", questiona.

maneira uma questão parecida com a polémica constitucional que tem estado instalada", acrescentou. Reconhecendo que o actual sistema político "precisa de melhorias", o primeiro-ministro considerou que seria necessário mudar "a natureza do sistema eleitoral", porém tal alteração será "difícil", porque o PS se tem mostrado "indisponível para a reavaliação" do sistema. Pedro Passos Coelhos defendeu, por outro lado, a melhoria da "representação" a partir de um sistema de voto preferencial, em que as pessoas podem influenciar a ordem dos candidatos nas listas de cada partido, assim como a implementação do voto electrónico. Na sexta-feira (30 de Maio), o Tribunal Constitucional chumbou três medidas do Orçamento do Estado para 2014: os cortes salariais acima dos 675 euros, a alteração ao cálculo das pensões de sobrevivência e a aplicação de taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego. Para Passos Coelho, Portugal não pode estar em "permanente sobressalto constitucional".

Seguro conta realizar primárias no PS até Outubro Foto: Lusa

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu um maior "escrutínio" na escolha dos juízes do Tribunal Constitucional (TC). Para o social-democrata, a confusão entre motivações políticas, com noções de constitucionalidade desvirtua as regalias do tribunal constitucional. Passos Coelho considerou que os juízes do TC, "que determinam a inconstitucionalidade de diplomas em circunstâncias tão especiais", deveriam estar sujeitos a "um escrutínio muito maior do que o feito" até hoje. "Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente", questionou o líder do PSD, apontando para o caso dos Estados Unidos da América em que os juízes "escolhidos para este efeito têm um escrutínio extremamente exigente", disse. "Não temos sido tão exigentes quanto deveríamos ter sido", sublinhou, durante a intervenção que fez na noite de quarta-feira, em Coimbra, na conferência "A Democracia e as Novas Representações", que se realizou no Pavilhão Centro de Portugal, quarta-feira, no âmbito das comemorações dos 40 anos do PSD. Sistema político precisa de melhorias Antes de se referir ao Tribunal Constitucional, Passos Coelho deteve-se sobre os poderes do Presidente da República, defendendo que este órgão de soberania deve manter "o poder discricionário de dissolver a Assembleia da República", sob pena de deixar de se justificar a sua eleição por voto directo. "Umas vezes, esse poder [presidencial] foi utilizado para desencravar o sistema político, outras para ajustes de contas", mas "isso não tem que ver com o sistema, tem que ver com o seu uso", salientou. Esta é "de certa

Para a facção do líder socialista, não há condições para realizar o debate e as eleições a meio do Verão. Por Susana Madureira Martins

A direcção de António José Seguro conta ter fechado o processo das primárias no PS para a escolha do candidato a primeiro-ministro, no máximo dos máximos, em Outubro. A comissão política do partido reúne-se hoje. Essa é entendida como a data limite para depois os socialistas poderem concentrar-se na discussão do Orçamento do Estado de 2015. Para a facção do líder socialista não há condições para realizar o debate e as eleições a meio do Verão. Até lá , lembram os “seguristas”, é preciso definir o universo eleitoral, arranjar uma comissão que trate do recenseamento e dos cadernos eleitorais onde caibam , para além dos militantes, os simpatizantes do PS. António José Seguro apresenta os detalhes do processo esta quinta-feira. A direcção considera que a comissão política é competente para votar a proposta das primárias e que não é necessária qualquer mudança dos estatutos, porque se entende que a figura do simpatizante já consta das regras internas do PS e que os simpatizantes têm a possibilidade de participar em actos eleitorais externos, como é o caso da escolha do candidato a primeiro-ministro. Pelas contas dos “seguristas”, a comissão política está controlada e considera-se que a proposta tem boas probabilidades de ser aprovada. O lado de António Costa mantém-se na expectativa e quer ouvir o que António José Seguro tem para dizer, para depois definir a estratégia.


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OPINIÃO

Primárias: Cumprir mais Abril Portugal ficará a dever a António José Seguro a realização desta segunda onda democrática do 25 de Abril.

Foto: PS Por Álvaro Beleza, secretário do PS, apoiante de António José Seguro

As primárias, em Portugal, serão a maior reforma política desde o 25 de Abril de 1974. É abrir a política aos cidadãos. Não é só o “aparelho” a montar uma convenção, convidando cidadãos independentes ou simpatizantes, é uma reforma estrutural, em que os cidadãos decidem que candidatos querem. Assim, não são os líderes individuais a escolherem se um partido se abre mais ao menos ao exterior, são os cidadãos a decidir e participar. Em democracias muito mais participadas que a nossa os cidadãos elegem os candidatos dos partidos através das primárias externas. Os partidos só elegem os seus órgãos e dirigentes através de diretas internas para militantes. É assim em países como a França ou os EUA. Em França, quando o Partido Socialista implementou as primárias, o fortíssimo envolvimento dos cidadãos simpatizantes nessa fase precoce de escolha do candidato foi uma das principais causas da vitória do PSF. As primárias em Portugal surgem neste momento em função de uma resposta que temos de elaborar para enfrentar um problema que também se revela na Europa: A abstenção, o crescimento dos votos nulos e brancos e o puro voto de protesto. Este último fenómeno não surgiu ainda entre nós, pois não há partidos meramente anti-sistema com votação expressiva. Não há na proposta de primárias no PS nenhuma desconsideração do voto noutros partidos ou mesmo no não voto. Pelo contrário, apelamos a todos para que contribuam de forma decisiva na opção que o PS tem de fazer com vista a 2015. Assim promovemos uma efetiva aproximação com todas as forças progressistas portuguesas, partidárias ou não. Aproximação essa baseada nos princípios republicanos de cidadania e participação esclarecida. Defendo desde 1990 a opção pelas primárias no PS e, idealmente, também noutros partidos. Como tenho dito, o PS tem estado na vanguarda de soluções de

participação democrática no sistema político português que, depois, outros adoptam. Foi assim com as diretas para a eleição do secretário-geral, que também defendi, desde a década de 1990, quando ainda poucos o faziam, até à paridade nas listas, que praticámos, com sucesso, na vitória de 25 de Maio deste ano. Portugal ficará a dever a António José Seguro a realização desta segunda onda democrática do 25 de Abril. Pelas minhas particulares responsabilidades neste esforço de modernização da democracia, tanto no sistema partidário como no sistema político em geral, sinto-me obrigado a insistir num ponto crucial: as primárias não são hoje em Portugal uma solução aleatória para a baixa participação política. As primárias são a resposta mais clara e mais democrática para o desejo de participação dos portuguese negado pelo sistema partidário atual. Não perceber isto não é apenas ignorar a história deste debate, é ser incapaz de perceber o futuro. Seguro compreendeu o futuro. Álvaro Beleza, secretário nacional do PS, apoiante de António José Seguro. Escreve de acordo com o novo acordo ortográfico Leia a opinião de João Tiago Silveira, também defensor de eleições directas, mas mais tarde, e apoiante da candidatura de António Costa OPINIÃO

Primárias abertas, sim. Congresso, já! As primárias são um passo positivo. Mas a situação no PS exige uma definição urgente da liderança. Aconselha que se sigam processos já oleados e não um caminho por trilhar.

Foto: Lusa Por João Tiago Silveira, dirigente do PS, apoiante de António Costa

As últimas eleições revelaram o que já se sabia. As pessoas estão descontentes com partidos e políticos e o PS não pode continuar a evitar o tema. O fenómeno não é novo e já foram sugeridas medidas. No último congresso, cerca de 50 militantes e simpatizantes apresentaram propostas para abrir o PS à sociedade como a apresentação de petições ao congresso por cidadãos, as medidas do programa eleitoral passarem a ser calendarizadas e quantificadas


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e a adoção de um processo participativo de apresentação de medidas para o programa do PS. Além disso, propunha-se a atribuição do direito de voto a simpatizantes nas eleições para secretário-geral (SG) do PS. Estava em causa iniciar um processo que teria permitido discutir, aprovar e executar medidas sem a pressão dos acontecimentos. Infelizmente, esta iniciativa não foi sequer apreciada pelo congresso por se ter entendido que não era o momento para o fazer. A direção do PS passou agora a defender a realização de eleições abertas à sociedade, quando antes rejeitou o seu debate. São boas notícias, que, aliadas à capacidade agregadora e mobilizadora de António Costa, permitirão acentuar a ligação do PS à sociedade. Porém, este não é um processo que possa ser adotado de qualquer forma e a todo o custo. Por um lado, as eleições abertas à sociedade através do voto de simpatizantes fazem sentido para a eleição do SG, e não apenas para escolher o candidato a primeiroministro (PM). Admitir eleições primárias apenas para o candidato a PM do PS supõe que este e o SG poderiam ser duas pessoas diferentes, continuando este último a ser eleito apenas por militantes. Ora, lideranças bicéfalas nunca deram bom resultado. Um PM sem uma ligação forte ao partido e ao grupo parlamentar é certamente mais fraco e o seu Governo menos estável. Por essa razão, as eleições abertas a simpatizantes devem servir para escolher o SG do PS que é, por regra, o candidato a PM. Por outro lado, este novo processo eleitoral deve ser transparente e oferecer garantias de isenção à prova de críticas que minem a sua legitimidade. Tal como se sugeriu na proposta apresentada ao congresso de 2013, esta é uma iniciativa que deve ser pensada, debatida e cuidadosamente definida. Deve ser adotada por convicção e não ao saber dos acontecimentos. Permitir o voto de simpatizantes sem a preparação adequada, com uma disputa eleitoral já à vista e candidatos na linha de partida, pode significar o seu posterior abandono em resultado de uma experiência mal preparada e pouco refletida. Finalmente, alargar o direito de voto aos simpatizantes é uma decisão que respeita a aspetos fundamentais do funcionamento do PS. Não se compreende como possa ser tomada sem que o órgão máximo do partido – o congresso – se pronuncie. As primárias abertas aos simpatizantes são um passo positivo. Mas a situação no PS exige uma definição urgente da sua liderança. Aconselha, por isso, que se sigam processos já instituídos e oleados e não um caminho que está por trilhar. Para isso, é necessário proceder à eleição do SG entre militantes através de diretas e realizar já um congresso, que aprove o voto de simpatizantes para futuras escolhas. João Tiago Silveira, dirigente nacional do PS, docente universitário, apoiante de António Costa. Escreve de acordo com o novo acordo ortográfico Leia também a opinião de Álvaro Beleza, também apoiante de eleições directas, mas defensor da continuidade de António José Seguro

Tarifas da água vão aumentar no litoral e diminuir no interior Ministro do Ambiente avisa que as descidas vão ser imediatas e as subidas serão graduais ao longo de vários anos. O ministro do Ambiente admitiu que as populações do litoral vão ter de suportar aumentos no custo da água para permitir baixar as tarifas nos concelhos do interior. Jorge Moreira da Silva explicou, em Amarante, que as alterações dos tarifários vão ocorrer no âmbito da reestruturação do sector da água, que compreenderá agregações dos sistemas multimunicipais. "Não podemos fazê-lo de uma forma que não tenha em atenção a circunstância de termos disparidades tarifárias entre o interior e o litoral, que são muito significativas", vincou. Segundo o ministro, a harmonização tarifária no interior "corresponderá a uma descida imediata nas tarifas e no caso do litoral a uma convergência gradual ao longo de vários anos". A integração dos sistemas traduzir-se-á, na prática, na redução de 19 para seis grandes sistemas multimunicipais, que passarão a abranger, em simultâneo, concelhos do litoral e do interior. À Lusa, o ministro disse esperar que as agregações conduzam, no futuro, à redução de despesas de gestão e exploração do grupo Águas de Portugal, o que permitirá amortecer o impacto nos consumidores. Falando à margem da inauguração de uma estação de tratamento de águas residuais em Amarante, Jorge Moreira da Silva insistiu que "as agregações dos sistemas multimunicipais visam o objectivo de garantir que a recuperação do défice tarifário é feita de uma forma que terá o menor impacto nas populações". Questionado pela Lusa sobre a medida dos aumentos previstos para o litoral, o governante respondeu que, no final de Julho, será apresentada a reestruturação do sector das águas. ISABEL CAPELOA GIL

A mão do Papa A simplicidade comovente da mão do Papa ultrapassa o apelo político e constitui-se em comprometimento radical com a condição humana. No panorama de conflito que nos cerca, os muros tornaram-se uma marca real da cisão violenta, da divisão brutal dos povos. De Berlim à Califórnia, estas edificações têm-se constituído como autênticas feridas na paisagem, e como monumentos tristes de um mundo dividido e violentado. Famoso pelas suas intervenções irónicas no espaço urbano, o street-artist Banksy transformou o grafiti numa manifestação a um tempo estética e política,


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dando visibilidade às dissonâncias das sociedades complexas do nosso século. Uma nesga aberta no muro de Gaza, deixando perpassar o sol e o céu claro, o balão de uma criança que se eleva nas alturas, ou mesmo a figura do militante da sublevação palestiniana que arremessa, não uma arma, mas flores, contam-se entre as múltiplas intervenções grafitadas no muro que divide os territórios palestinianos de Israel. A arte de intervenção não é uma novidade do nosso tempo, mas o gesto de Banksy, sobretudo pela simplicidade desconcertante da inscrição, não denuncia apenas, mas sugere um lamento pela degradação da condição humana que o muro produz. O gesto do Papa Francisco em Belém, com a mão colocada sobre a marca da divisão radical de povos afinal irmãos, constitui uma inspiração poderosa, além de produzir uma nova iconografia da denúncia da divisão. A simplicidade comovente da mão do Papa ultrapassa o apelo político e constitui-se em comprometimento radical com a condição humana. Muito mais do que a gestualidade política que o apelo de Reagan encerrava em Berlim - 'Mr. Gorbatchov, tear down this wall!' - ou que a afirmação dúbia de Kennedy anos antes sugeria - 'Ich bin ein Berliner' - o silêncio da mão do Papa conjuga a dor, a empatia com o semelhante e exigência da radical da mudança. O silêncio fecundo é uma arma mais poderosa do que mil palavras. GUERRA COM TC

Marinho e Pinto apoia Governo. TC deve esclarecer decisão "ambígua" Acórdão tem "coisas que são ininteligíveis, designadamente esta: o Governo vai pagar os subsídios de férias por inteiro ou vai descontar aqueles que já pagou?". Palavra do ex-bastonário, surpresa das últimas eleições europeias.

Parlamento Europeu, defende que o Governo tem legitimidade para pedir ao Tribunal Constitucional a aclaração da decisão que chumba várias medidas previstas para o orçamento deste ano. "Ainda não li integralmente o acórdão, mas pelas informações que vieram na comunicação social, acho que o Governo ou o Parlamento têm direito a pedir uma aclaração porque ele é ambíguo. Há ali questões a esclarecer, designadamente quanto ao pagamento de subsídios. Para mim, isso é claro que não resulta do acórdão", afirmou aos jornalistas, esta quarta-feira, em Bruxelas. O ex-bastonário considera que o que diz ser a ininteligibilidade da decisão do tribunal é argumento suficiente para responder à questão da ausência de uma base legal, apontada por vários juristas, para efectuar uma diligência, que, do ponto de vista prático, pode ser feita através da Assembleia da República. "Um dos fundamentos de uma nulidade é a obscuridade, a inteligibilidade da decisão. Há ali coisas que são ininteligíveis, designadamente esta: o Governo vai pagar os subsídios de férias por inteiro ou vai descontar aqueles que já pagou?", diz. Juízes em causa própria Além das questões formais, Marinho e Pinto revela igualmente sintonia com o Governo em relação à substância. Antecipa que a manutenção do nível salarial na função pública implicará aumentos de impostos para todos e ataca: os membros do Constitucional estão a ser juízes em causa própria. "Eu acho que as decisões do tribunal são para acatar. Quanto à sua justiça ou injustiça, acho que o Tribunal Constitucional tem uma função demasiado 'função pública'. Todos os juízes são funcionários públicos, quer enquanto juízes, quer nas suas profissões de origem", critica. Recém-eleito para o Parlamento Europeu, o cabeça de lista do MPT esteve esta quarta-feira em Bruxelas para tratar de questões administrativas e negociar que família política europeia vai integrar. A prioridade é fazer parte dos Verdes. Marinho e Pinto manteve contactos com os ecologistas e também com o grupo liberal.

Governo acelera aprovação de leis Objectivo é aprovar, fora do Orçamento, medidas com impacto orçamental e forçar clarificação do Tribunal Constitucional. Por Eunice Lourenço e Paula Caeiro Varela

Marinho e Pinto na noite eleitoral. Foto: Lusa (arquivo) Por Daniel Rosário, em Bruxelas

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados Marinho e Pinto, eleito eurodeputado nas últimas eleições para o

A estratégia do Governo passa por acelerar a aprovação de algumas leis, como a nova tabela remuneratória da Função Pública ou as novas regras das pensões para 2015, que acabam com a contribuição extraordinária de solidariedade (CES) e cria a contribuição de sustentabilidade. São alterações previstas no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e que deveriam fazer parte do Orçamento do Estado para 2015. Ao acelerá-las, o Governo pretende forçar uma clarificação por parte do


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Tribunal Constitucional e responsabilizar os juízes por soluções futuras e pela própria governabilidade do país. Para garantir decisões rápidas, o executivo pode precisar da ajuda do Presidente da República para pedir a fiscalização preventiva da constitucionalidade. No entanto, se forem aprovadas como leis orgânicas, podem ser o próprio primeiro-ministro ou os deputados da maioria governamental a pedir essa fiscalização. Na sexta-feira (30 de Maio), o Tribunal Constitucional chumbou três medidas do Orçamento do Estado para 2014: os cortes salariais acima dos 675 euros, a alteração ao cálculo das pensões de sobrevivência e a aplicação de taxas de 5% sobre o subsídio de doença e de 6% sobre o subsídio de desemprego. Destas medidas, apenas o chumbo aos cortes salariais não tem efeitos retroactivos, pelo que as poupanças encaixadas desde o início do ano tanto pelas taxas aos subsídios de doença e de desemprego como pelo recálculo das pensões de sobrevivência vão ser devolvidos. As taxas sobre os subsídios de doença e de desemprego tinham uma receita estimada de 96,3 milhões de euros em 2014, de acordo com a síntese da execução orçamental da Segurança Social, enquanto a medida que fazia depender a pensão de sobrevivência paga aos viúvos do escalão de rendimentos do beneficiário tinha uma poupança estimada para este ano de 100 milhões de euros.

Ministro espera que “plano B” não traga novos cortes na saúde Paulo Macedo recorda que "todos os portugueses têm feito sacrifícios e todos os sectores têm tido bastantes exigências". O ministro da Saúde considerou, esta quarta-feira, que a sua área não deve ter mais reduções a nível orçamental como consequência do chumbo do Tribunal Constitucional a três medidas do Orçamento do Estado. Questionado sobre o alegado impacto deste chumbo no sector da Saúde, Paulo Macedo disse que ainda é prematuro adiantar cenários. "Vamos analisar. Está pendente a especificação de alguns aspectos do acórdão [do Tribunal Constitucional]. Só depois de sabermos os impactos para este ano e o próximo é que o Governo tomará medidas." O ministro recordou que "todos os portugueses têm feito sacrifícios e todos os sectores têm tido bastantes exigências, tendo de viver com orçamentos menores". “Não desejo que a saúde nem acho que a saúde deva ter reduções", afirmou, à margem da cerimónia que assinala o 100.º transplante pulmonar no hospital de Santa Marta, em Lisboa. O TC chumbou na passada sexta-feira três normas do Orçamento do Estado para 2014, incluindo os cortes

dos salários dos funcionários públicos a partir dos 675 euros, mas a decisão não tem efeitos retroactivos. Os juízes consideraram ainda inconstitucional a aplicação de taxas sobre os subsídios de doença (5%) e de desemprego (6%) e o cálculo das pensões de sobrevivência.

Meio ano depois, dinheiro de Timor chega aos bombeiros Aos deputados, o secretário de Estado da tutela explicou que o atraso das verbas deveu-se a impostos e burocracia. O secretário de Estado da Administração Interna revelou esta quarta-feira que os cerca de um milhão de euros doados por Timor-Leste aos bombeiros portugueses vão começar a ser transferidos para o fundo social de protecção do bombeiro nos próximos dias. "Nos próximos dias vai ser feita a transferência para o fundo social de protecção do bombeiro", disse João Almeida, depois de uma audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, adiantando esperar que o processo esteja concluído, no início de Julho, quando se inicia a época crítica de incêndios florestais. Segundo o secretário de Estado, a doação de TimorLeste aos bombeiros portugueses e às populações afectadas pelos incêndios do verão do ano passado, no total de 1,5 milhão de dólares (pouco mais de um milhão de euros), foi feita em duas fases, tendo a segunda transferência acontecido na semana passada. A primeira doação, no entanto, no valor de cerca de 700 mil euros, foi feita no final do ano passado. Na comissão parlamentar, João Almeida disse aos deputados que o atraso se deveu a impostos e burocracia. "Já foram resolvidas as questões burocráticas e não vai haver consequências fiscais para quem vai beneficiar" da doação, afirmou, esclarecendo que a distribuição da verba vai ser feita pelo fundo social de protecção do bombeiro. O secretário de Estado garantiu que os beneficiários da verba, famílias dos bombeiros falecidos, bombeiros feridos e corporações, vão ficar isentos de impostos. João Almeida disse ainda que a Liga dos Bombeiros Portugueses já fez o trabalho sobre os destinatários da doação de Timor-Leste. No ano passado, morreram oito bombeiros e arderam mais de 140 mil hectares de florestas, tendo sido a serra do Caramulo uma das regiões mais afectadas.


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Neste campeonato ganhar é conseguir um emprego Um total de 400 formandos, das mais tradicionais às mais inovadoras e tecnologicamente avançadas, foram postos à prova no Campeonato Nacional das Profissões. Saber fazer é cada vez mais importante e isso consegue-se no ensino profissional. A afirmação é de Márcio Ferreira, um dos quase 400 formandos que na semana passada participaram no Campeonato Nacional das Profissões, no Porto, organizado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Nas provas que envolveram 46 profissões, das mais tradicionais às mais inovadoras e tecnologicamente avançadas, os jovens até aos 25 anos que frequentam os cursos nos diversos centros de formação profissional do Continente, Madeira e Açores mostraram os seus conhecimentos não apenas ao júri que os estava a avaliar, mas também a mais de 10 mil visitantes. Na cerimónia de encerramento, na presença do ministro e do secretário de Estado do Emprego, além de outros membros do Governo, foram entregues 129 medalhas de ouro, prata e bronze aos melhores classificados de cada profissão. Mas os melhores dos melhores já estão a preparar-se para o Euroskills - o campeonato europeu – a realizar em Lille, França, no próximo mês de Outubro, ou mesmo para o Worldskills, o campeonato mundial, de 2015, no Brasil. À reportagem do programa Trabalho sem Fronteiras da Renascença, vários jovens manifestaram o seu entusiasmo com a qualidade dos cursos, uma aprendizagem que em muitos casos garante acesso directo a um emprego e com a possibilidade de poderem continuar a trabalhar e a viver em Portugal, sem necessidade de emigrar. Há cursos com mais saída que outros: por exemplo, a Embraier, em Évora, deverá absorver a quase totalidade dos formandos do curso de produção Aeronáutica. Electromecânica ou Mecatrónica Industrial também têm muita procura e Bruno Catarino, um dos vencedores, revelou já recebeu propostas de emprego. Aliás, muitos são os empregadores que passam por estes campeonatos “à caça” de talentos. Félix Esménio, vice-presidente do IEFP e representante de Portugal no Euroskills e Worldskills, acredita que a via profissional é cada vez mais atraente e facilita a entrada no mercado de trabalho. Argumenta que “esta não é uma formação menor. A prova é que os países mais desenvolvidos, nomeadamente a Alemanha e outros do Norte da Europa, há muito que investem nesta via. A maior competitividade de um país passa pela aposta numa formação profissional de qualidade“. Fundamental é o financiamento comunitário aos diversos programas que têm como objectivo reduzir drasticamente o desemprego jovem, uma das

prioridades assumida pela União Europeia. Para os jovens portugueses, a formação profissional revela-se cada vez mais importante: é uma forma de dar a volta às estatísticas negras do desemprego. Segundo os dados do Eurostat referentes a Abril, um terço dos jovens até aos 25 anos não tinham trabalho. Portugal é, entre os 28 da União Europeia, o país com a sexta taxa mais elevada, só superada pelas da Grécia, Espanha, Croácia, Itália e Chipre. "Trabalho sem Fronteiras" é uma colaboração da Renascença com a EURANET PLUS, rede europeia de rádios.

Desemprego diminuiu? Formadora fala em dados viciados Reportagem num centro de formação profissional, onde centenas de desempregados tiram cursos, as explicações não acompanham o cenário positivo. No terreno há uma vontade enorme de partir à procura de uma vida melhor.

Por Liliana Carona

O desemprego em Portugal diminuiu, segundo o Eurostat, mas será mesmo assim? No Centro de Formação Profissional do Instituto de Emprego de Viseu já não há lugar para tanto carro estacionado à porta. Centenas de desempregados tiram cursos de formação, mas estes não contam para os números das estatísticas. Carla, nome fictício, é uma das formadoras, disse à Renascença que os dados são manipulados. “Quem está a frequentar acções de formação não é contabilizado como desempregado. Portanto, isso vicia toda a lógica de contabilização do desemprego em Portugal”, esclarece. Esta profissional, casada e com filhos, a trabalhar a recibos verdes, também fala em emigrar. A maioria das formadoras aufere um salário de mil euros a recibos verdes. Descontos à parte e despesas fixas, o que resta para sobreviver é tão pouco, que também elas partilham o desespero dos desempregados, a quem dão formação.


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Dar o salto Na hora de almoço, no Centro de Formação do Instituto de Emprego de Viseu, Alexandre Rocha, de 38 anos, desempregado lê no jornal a notícia da descida da taxa de desemprego para 14,6%, em Abril. “Penso que é uma aldrabice e nota-se pelos centros de formação que estão apinhados de pessoas”, disse à Renascença, acrescentado estar a pensar emigrar para a Austrália. Também Carlos Diogo, de 24 anos, que trabalhava na área da restauração, mas está agora a tirar um curso na área da electrónica, pensa em emigrar para algum país nórdico. O único entrave é a barreira linguística. A taxa de desemprego em Portugal registou em Abril a segunda maior descida homóloga da União Europeia, de 17,3% para 14,6%, apenas atrás da Hungria, sendo contudo a quinta mais elevada entre os 28, revelou o Eurostat.

"Portugal fechou as portas do emprego" a Kelen e Jeferson A Renascença falou com dois jovens brasileiros que foram à procura do "sonho português", mas que voltaram ao Brasil para ter uma vida melhor. Nasceu em São Paulo, há 31 anos, mas viveu quase metade da sua vida em Portugal. Kelen Leal atravessou o Atlântico à procura de uma vida diferente e estudou e trabalhou em terras portuguesas durante 15 anos, até que a crise chegou e a fez regressar à casa de partida. Lembra que, na altura, "o Brasil estava a melhorar face aos problemas que estavam a acontecer na Europa" e que "Portugal fechou as portas do emprego". Há dois anos, decidiu regressar para "procurar uma vida melhor" e diz que, agora, "está a gostar muito", porque o mercado de trabalho está mais amplo e existe mais investimento no turismo. Também Jeferson Menezes, de 31 anos, natural de Fortaleza, esteve em Portugal cerca de seis anos à procura de "mais oportunidades de trabalho" e até queria abrir um negócio próprio, quando se apercebeu que “não era o momento ideal”. Há um ano voltou a casa por considerar que "o Brasil está em fase de crescimento". Uma decisão que foi difícil de tomar, até porque diz gostar muito de Portugal e pensa em voltar quando as coisas melhorarem. Estou certo ou estou errado Em relação às manifestações contra o Mundial de Futebol do Brasil, que começa no dia 12 deste mês, Kelen Leal e Jeferson Menezes encaram os protestos de maneira diferente. Kelen não é a favor das reivindicações nesta altura por considerar que a falta de investimento nos sectores mais importantes é um problema "que sempre existiu no Brasil". Lamenta que o país se exponha "muito para fora, exactamente, nas datas comemorativas". Já Jeferson Menezes compreende o que está a ser feito e admite que esta é também uma forma de lutar por

uma vida melhor. Defende que "os brasileiros protestam contra o Mundial porque há muito investimento na Copa e há pouco investimento nas pessoas". Os dois jovens brasileiros apontam o fraco investimento do seu país na educação e na saúde, contra os grandes progressos das últimas décadas em Portugal. Por outro lado, destacam o crescimento prometedor do Brasil e a taxa de desemprego que ronda os 6%, contra os cerca de 15% registados em Portugal a somar à crise e a medidas de austeridade impostas pela “troika”. Kelen e Jeferson são dois jovens entre dois países que partilham a mesma língua e estão separados por um oceano de diferenças, mas unidos por um mar de problemas.

Barreiro, Almada e Seixal repõem salários já este mês Lisboa e Barcelos também já tinham anunciado que iam cumprir desde já a decisão do Tribunal Constitucional. As câmaras do Barreiro, Almada e Seixal, na margem Sul do Tejo, vão repor já este mês os salários e o subsídio de férias sem quaisquer cortes, cumprindo assim o último acórdão do Tribunal Constitucional. A autarquia do Seixal, liderada por Joaquim Santos (PCP), afirma, em comunicado, que sempre defendeu a "não aplicação destas medidas de austeridade" sobre os trabalhadores da administração pública. Quem também já tinha anunciado a reposição dos salários foi a Câmara de Lisboa. Num esclarecimento enviado à Renascença, fonte oficial da autarquia liderada por António Costa garante que tanto os salários como os subsídios serão pagos em Junho sem cortes. A Câmara de Barcelos também já processou esta quarta-feira os subsídios de férias já com a reposição dos salários decretada pelo Tribunal Constitucional. Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da autarquia, Domingos Pereira, afirmou que, no que respeita aos trabalhadores da administração local, o Governo "pode esfregar as mãos de contente" com o chumbo aos cortes salariais dos funcionários públicos. "Os municípios é que suportarão integralmente a reposição dos salários e o Orçamento do Estado vai ficar com mais dinheiro arrecadado, porque a receita dos impostos será naturalmente maior", disse o autarca socialista. O Tribunal Constitucional chumbou, na semana passado, três medidas do Orçamento do Estado para este ano: os cortes nos salários dos funcionários públicos a partir dos 675 euros, bem como da aplicação de taxas sobre os subsídios de doença e de desemprego e o cálculo das pensões de sobrevivência. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou na terça-feira que há serviços do Estado que não conseguirão repor já este mês os salários dos


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funcionários públicos, dando sequência às decisões do Tribunal Constitucional. “Na altura, por exemplo, em que o Tribunal Constitucional deu notícia pública da sua decisão, já havia serviços públicos a fazer o processamento salarial. Portanto, nesta altura há, com certeza, serviços que têm muita dificuldade em dar execução este mês aquele acórdão. Há outros que o poderão fazer”, afirmou Passos Coelho, que pediu uma aclaração de decisão dos juízes do Palácio Ratton. FRANCISCO SARSFIELD CABRAL

Efeitos das desigualdades Desde 2008, a média de rendimentos das famílias americanas não estagnou, baixou 7,6% em termos reais (isto é, descontando a inflação). Mas uma pequena minoria enriqueceu muito.

A propósito da crescente desigualdade de rendimentos na sociedade americana mais de uma vez referi que a classe média dos Estados Unidos não melhora de nível de vida há décadas. Dados recentes levam-me a corrigir essa ideia: de 2008 para cá a média de rendimentos das famílias americanas não estagnou – baixou 7,6% em termos reais (isto é, descontando a inflação). Mas uma pequena minoria enriqueceu muito. Este agravamento das desigualdades coloca problemas políticos complicados aos dirigentes dos Estados Unidos: até quando permitirá a maioria do povo esta dramática evolução? É uma autêntica bomba-relógio. Trata-se, antes de mais, de um problema ético. E que já levou milionários conscientes da situação a pedirem – sem sucesso – para pagarem mais impostos. Mas estas disparidades de rendimentos têm também efeitos económicos negativos. É que, assim, a grande maioria dos americanos restringe os seus gastos. Restrição que nem de longe é compensada por acréscimos de compras da minoria (1%...) dos cada vez mais ricos. Daí a hesitante recuperação económica nos EUA.

Portugal entre os países com maior contracção do PIB Nos primeiros três meses do ano, a contracção das economias dos países da Zona Euro foi de 0,2%. Em Portugal foi de 0,7%. De Janeiro a Março, Portugal é dos países da Zona Euro que mais vê a economia retrair, face ao trimestre anterior. Em situação pior só o Chipre, a Estónia e a Holanda. De acordo com o Eurostat, nos primeiros três meses de 2014, a contracção das economias dos países da Zona Euro foi de 0,2%. Em Portugal, a retracção do PIB foi de 0,7%. A diferença face à média europeia é assim de 0,5%. Com esta quebra, a economia nacional interrompe um ciclo de crescimento de três trimestres seguidos. Em termos de tendência, isto é, na comparação face ao período homólogo – o primeiro trimestre de 2013 -, Portugal apresenta, mesmo assim, um crescimento superior ao da média dos países da Zona Euro de mais 0,3%. No conjunto dos países euro, a Alemanha foi quem apresentou o maior crescimento face ao trimestre anterior, com 0,8%.

PCP pede dissolução do Parlamento e eleições antecipadas Jerónimo de Sousa solicitou uma audiência ao Presidente da República. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defende a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições antecipadas. Jerónimo de Sousa, que falava aos jornalistas no Parlamento, anunciou que pediu uma audiência ao Presidente da República. O líder comunista vai comunicar a Cavaco Silva a posição do partido sobre o que classifica como "confronto sem precedentes" e "chantagem" por parte do Governo sobre o Tribunal Constitucional. “O facto de estarmos perante um Governo que reiteradamente viola a Constituição da República e sistematicamente desfere ataques a um outro órgão de soberania, deve levar o Presidente da República a retirar a ilação necessária e que há muito se justifica: a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições antecipadas”, declarou Jerónimo de Sousa. De acordo com Jerónimo de Sousa, ainda não houve resposta ao pedido por parte do Palácio de Belém. Na sexta-feira, o TC chumbou três normas do


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Orçamento do Estado para 2014, incluindo o corte dos salários dos funcionários públicos a partir dos 675 euros. A conferência de líderes aprovou hoje o envio para o Tribunal Constitucional (TC) do pedido de aclaração que do Governo sobre matérias referentes aos chumbos de artigos do Orçamento do Estado (OE) de 2014. A decisão foi aprovada pela maioria e a oposição já anunciou que vai recorrer para plenário, numa votação que deverá ocorrer na sexta-feira. Na carta que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, dirigiu ao parlamento lembra que o autor das normas declaradas inconstitucionais é a Assembleia da República, apelando por isso a que "num espírito de cooperação interinstitucional", Assunção Esteves promova junto do TC a aclaração de duas matérias: por um lado, que o Tribunal Constitucional esclareça os efeitos do acórdão no pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e, por outro, que clarifique se a decisão dos juízes se aplica a partir de 30 ou 31 de Maio.

é conhecida, ou devia ser. As regras de funcionamento do Tribunal Constitucional são conhecidas, ou deviam ser. Os juízes do TC são conhecidos, embora menos, mas todos sabem que cinco foram indicados pelo PS, 4 pelo PSD, 1 pelo CDS e os restantes três são cooptados pelos seus pares. Mesmo assim, sem que ache necessário mexer na Constituição ou propor a extinção do Tribunal, o Governo continua a não saber distinguir um sim de um não. Quer aclarações, explicações adicionais". O texto conclui que, se o Governo pretende, como diz, "um quadro de previsibilidade, estabilidade e confiança, tem bom remédio: é só criá-lo".

REVISTA DA IMPRENSA

Há falta de professores para corrigir o exame certificado pela Universidade de Cambridge.

O homem que não quer subsídio

Numa altura em que quase todos passaram a receber menos, por causa da crise, ainda há quem se queixe de receber a mais. O JN apresenta hoje um homem com uma reclamação nada comum: "Segurança Social insiste em dar-lhe um subsidio que ele não quer". "Governo aprova hoje pensões para 2015" é a manchete do Jornal de Negócios. Lê-se, por baixo, que o "executivo quer testar Constitucional sobre futuros cortes nas pensões". Já o Diário Económico avança que o "Desemprego vai impedir abertura de novas vagas em 428 cursos superiores". Manchete do Diário de Notícias: "Tribunais obrigam a pagar 24 milhões a professores". Diz este jornal que "Ministério tem que pagar retroactivos a docentes que deveriam ter mudado de escalão". Destaque no Publico: "Maioria revoga artigo que protegia mais os pagamentos na internet". Já o Correio da Manhã fala sobre as "suspeitas de luvas nos vistos de Portas". "Nos limites do teatro constitucional" é o título para o editorial do Publico. Diz este jornal que "a Constituição

Ministério adia para Julho divulgação das notas da prova de inglês Estava prevista para esta quarta-feira mas foi adiada para Julho a divulgação dos resultados das provas de inglês do 9º ano. O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) justifica-se com a falta de professores classificadores e a alteração das datas da prova oral. O vice-presidente da Associação de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas afirma que o atraso não se deve aos professores, mas ao IAVE, que, segundo Filinto Lima, não acautelou a fraca adesão de docentes para corrigir os testes de diagnóstico, quando se trata de um trabalho voluntário. "O IAVE estrategicamente devia ter pensado que não teria uma adesão 'por aí além' dos professores para a classificação destes testes de diagnóstico quando este é um trabalho voluntário. Era escusado vir culpar os professores", afirmou. O atraso nas correcções vai obrigar também à alteração das datas da prova oral. As escolas contavam com os resultados para concluir a avaliação do 3º período, mas, perante o anúncio do adiamento da publicação, poderão ter que basear a avaliação apenas no restante trabalho do ano lectivo. O teste "Key for Schools" foi concebido pelo Cambridge English Language Assessment, da Universidade de Cambridge, consiste numa componente escrita e numa componente oral e foi introduzido no sistema educativo português este ano, tendo sido realizado por cerca de 121 mil alunos.


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Quarenta mil candidaturas para duas mil vagas de professor

Jardim Gonçalves vai recorrer de condenação no caso BCP

Mais de metade das vagas está na zona de Lisboa e península de Setúbal.

Antigo presidente do banco garante que não se arrepende "de nada" do seu passado.

Cerca de 40 mil professores candidataram-se às 1.954 vagas abertas nos concursos de vinculação extraordinária e de contratação inicial. Os dados foram revelados esta quarta-feira pelo secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) recebeu cerca de 145 mil candidaturas dos 40 mil candidatos, isto porque cada professor se pode candidatar a uma vaga em mais do que uma área geográfica, ou seja, quadro de zona pedagógica, e a mais do que uma disciplina (grupo de recrutamento), desde que tenha habilitações profissionais para leccionar mais do que uma área. Os dados foram avançados pelo secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, à margem da final nacional do Projecto Europa Sustentável, promovido pela Science4you, uma empresa portuguesa que produz materiais didácticos com foco nos conteúdos científicos. Mais de metade das vagas está na zona de Lisboa e península de Setúbal, que precisam principalmente de professores do primeiro ciclo do ensino básico e também de educação pré-escolar. Há mais de 300 vagas nestes dois grupos. A portaria, assinada pelos ministros das Finanças e da Educação, indica que o grupo que está mais em falta nas escolas públicas é o 230. Estão disponíveis 251 vagas para professores de Matemática e Ciências da Natureza do segundo ciclo do ensino básico, que fazem falta especialmente na zona Norte, que inclui Braga, Viana do Castelo, Porto e Tâmega e também na zona de Lisboa e Setúbal. Ainda para o segundo ciclo do ensino básico fazem falta professores de Português e Estudos Sociais, e Português e Inglês. Estes dois grupos de recrutamento têm mais de 250 vagas. Já no terceiro ciclo e ensino secundário os grupos com mais vagas são de Matemática, Física e Química, Biologia e Geologia e Educação Física. Para Educação Especial, o Governo reforça o número de professores e abre 111 vagas. De acordo com a portaria, há 12 grupos de recrutamento que não vão ter entrada nos quadros. Entre eles estão Educação Visual e Tecnológica, Educação Musical e as línguas: Latim e Grego, Francês, Alemão e Espanhol.

Foto: Lusa (arquivo)

O fundador do Banco Comercial Português (BCP), Jorge Jardim Gonçalves, vai recorrer da decisão do colectivo de juízes das Varas Criminais de Lisboa, que o condenou pelo crime de manipulação de mercado. Questionado pelos jornalistas à margem da apresentação de uma biografia lançada esta quartafeira em Lisboa, da autoria de Luís Osório, sobre se ia recorrer da decisão do tribunal de primeira instância no âmbito do processo-crime instaurado pelo Ministério Público, Jardim Gonçalves respondeu afirmativamente. "Vou. Também fui absolvido. Ninguém fala das absolvições, mas houve matérias que desapareceram e, quando se diz que também ficou a [acusação] da manipulação, não é. Ficou outra espécie de manipulação, já não é de vício mas que é técnica de consolidação das contas, é muito diferente", afirmou o antigo presidente do BCP. Já sobre as suas expectativas acerca do sucesso deste recurso, Jardim Gonçalves mostrou-se convencido que o Tribunal da Relação de Lisboa lhe vai dar razão. "Eu estou confiante. Se não estivesse confiante eu não recorria", referiu, garantindo que não se arrepende "de nada" do seu passado, usando a ironia para dizer que não se arrepende "nem de ter nascido". Já António Rodrigues, antigo administrador financeiro do BCP, também arguido neste processo-crime, revelou esta quarta-feira à agência Lusa, na mesma ocasião, que a sua equipa de defesa vai avançar com o recurso da decisão das Varas Criminais. Uma galeria de notáveis No auditório principal da Universidade Católica de Lisboa, completamente cheio para assistir à apresentação do livro "O poder do silêncio", que traça a biografia de Jardim Gonçalves, muitas eram as figuras públicas que fizeram questão de comparecer. Entre elas, além do general António Ramalho Eanes, autor do prefácio da biografia, destacavam-se o antigo presidente da Assembleia da República, Almeida


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Santos, o presidente da Fundação Millennium BCP, Fernando Nogueira, os políticos Freitas do Amaral, Manuela Ferreira Leite, Pina Moura e Manuel Monteiro, e o presidente não executivo da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro. O fundador do BCP, Jardim Gonçalves, foi condenado no início de Maio a uma pena de dois anos de prisão, que fica suspensa mediante o pagamento de 600 mil euros, pelo crime de manipulação de mercado. Quanto aos restantes arguidos, todos exadministradores do Banco Comercial Português (BCP), houve decisões diferentes: enquanto Filipe Pinhal e António Rodrigues também foram condenados a penas de prisão de dois anos e a indemnizações de 300 mil euros cada um, Christopher de Beck foi absolvido de todas as acusações. Os quatro responsáveis foram absolvidos da prática do crime de falsificação de documentos. A decisão do colectivo de três juízes que julgou o processo-crime no âmbito do chamado caso BCP foi tomada por maioria. O tribunal condenou ainda os três arguidos considerados culpados a penas acessórias, que passam pelo impedimento de os responsáveis exercerem cargos de administração ou direcção em empresas ou instituições financeiras durante quatro anos.

LISBOA

"Boas notícias" sobre financiamento estrangeiro do futuro hospital oriental O ministro da Saúde diz que a obra é prioritária, embora ainda desconheça o modelo em que o novo hospital de Lisboa vai ser construído.

LISBOA

Agente da PSP persegue... agente da PSP Seguia de moto em excesso de velocidade. A moto tinha matrícula falsa e não tinha o seguro em dia. Por Celso Paiva Sol

Depois de uma perseguição de alguns quilómetros, que começou no Eixo Norte-Sul e só acabou em Alcântara, Lisboa, a PSP deteve esta quinta-feira um homem de 28 anos, também ele agente daquela polícia, que não só seguia em excesso de velocidade, como fugiu à ordem de paragem de uma patrulha. A moto em que o detido seguia tinha matrícula falsa e não tinha o seguro em dia. O agente, que trabalha no departamento de segurança a instalações, foi constituído arguido, e saiu do Tribunal de Instrução Criminal com Termo de Identidade e Residência. O agente está a ser alvo de um processo de averiguações.

Foto: António Cotrim/Lusa

O ministro da Saúde anunciou esta quarta-feira que existem "boas notícias" sobre o financiamento internacional do futuro Hospital de Lisboa Oriental, embora ainda se desconheça o modelo em que este vai ser construído. "Temos boas notícias em termos de financiamento internacional, no sentido de que [instituições como o Banco Europeu de Investimento] acham que é um investimento positivo para a saúde", disse Paulo Macedo, no final da cerimónia comemorativa dos 100 transplantes pulmonares no Hospital de Santa Marta. Trata-se de um investimento que, "pelo tipo de racionalização que permite, ao substituir estruturas envelhecidas por um hospital moderno, é visto [por essas instituições] como muito positivo do ponto de vista da racionalidade". Paulo Macedo reconhece que gostaria que "as coisas avançassem mais depressa", embora o grupo de trabalho constituído para avaliar o investimento tenha em curso "várias iniciativas". O grupo "já está a pedir um comparador público para poder tomar a decisão e a parte do programa funcional também está a ser reanalisada, no sentido de termos a sua confirmação", disse. Neste momento, "o grupo está com diversas acções concretas, pelo que este investimento continua a ser uma prioridade e, no âmbito da saúde, é um dos investimentos que prevemos". O futuro Hospital Oriental de Lisboa deverá acolher as unidades de saúde que compõem o Centro Hospitalar de Lisboa Central: hospitais de Santa Marta, São José, Capuchos, Curry Cabral, Maternidade Alfredo da Costa e Dona Estefânia.


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Síndrome de Asperger. Na Casa Grande aprende-se a rotina e vive-se com a diferença A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger construiu a Casa Grande, em Lisboa, um projecto pioneiro para garantir futuro a jovens que são especiais. Por Filomena Barros

Piedade Líbano Monteiro sempre soube que o seu filho era diferente, mas tudo mudou quando teve a certeza. Confrontar-se com a confirmação de que o filho tem síndrome de Asperger não se esquece. Trata-se de uma disfunção neuro-comportamental de base genética, uma forma leve de autismo, "que não se vê na cara". "Foi uma tremenda viagem ao futuro porque o que eu senti foi olhar para o meu filho, ainda na cadeirinha de bebé, e pensar: como é que vai ser o futuro deste meu rapaz? E depois é outra viagem ao presente, e dizer: pois, mas agora está cá. E agora?". A preocupação com o futuro levou a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) a construir a Casa Grande, em Lisboa, um projecto pioneiro para garantir futuro a jovens que são especiais. Aprender a rotina A APSA dá duas respostas sociais: o Centro de Actividades Ocupacionais ("Das 9h30 às 17h30, estão a fazer treino de competências sociais e funcionais") e a Casa Autónoma. Na Casa Autónoma podem viver cinco jovens que estão mais longe de casa para estudar ou ter acompanhamento médico. Nesta altura, é lá que reside um jovem do Algarve. O Centro de Actividades Ocupacionais tem capacidade para 18 pessoas. Neste momento, acolhe 13, com idades entre os 19 e os 29 anos. Todos aprendem coisas da rotina diária, como ir ao banco, ao correio, fazer a lista dos lanches, pôr e levantar a mesa, lavar a loiça. "Quem nos ouve falar acha que isto é ridículo, porque pensa que toda a gente sabe fazer isto... Não, não sabe!", desabafa Piedade Líbano Monteiro. "Colo aos pais" Para construir a Casa Grande foi preciso angariar 350 mil euros, valor investido na recuperação do edifício cedido pela Câmara de Lisboa, na Quinta da Granja, em Benfica. Além das obras, é preciso financiar a equipa técnica, formada por três psicólogas (uma é directora técnica), uma assistente social e quatro auxiliares. O projecto tem o apoio da Segurança Social, mas as famílias pagam uma parte das despesas: um jovem na Casa Autónoma custa à volta de 1.800 euros; nas Actividades de Integração na Comunidade, cerca de 1.200 euros.

No futuro, a associação pretende apostar em negócios sociais, para obter receitas, mas também para abrir as portas à comunidade. O projecto da Casa Grande serve de "colo aos pais", acompanha e desenvolve as competências dos jovens e pretende ser um complemento ao trabalho feito nas escolas, mas quer também chegar até às empresas. Em Portugal, há cerca de 40 mil portadores da Síndrome de Asperger, sobretudo rapazes. Para melhor conhecer esta realidade, a APSA vai fazer um estudo nas zonas de Lisboa e do Porto.

“Casa dos Rapazes” distinguida pelo Presidente da República Instituição acolhe rapazes dos seis aos 18 anos que foram retirados das suas famílias, por não terem condições para os ter consigo. A “Casa dos Rapazes” torna-se a partir desta quartafeira membro honorário da Ordem de Mérito. O Presidente da República vai condecorar várias instituições de solidariedade social, que se têm distinguido na luta contra a exclusão social. A directora executiva da instituição, Mariana Madeira Rodrigues, considera a distinção “uma agradável surpresa”. “Há muitas pessoas que ao longo de muitos anos fizeram este projecto e é com grande contentamento que recebemos esta agraciação”, diz. A última campanha de Natal da Renascença apoiou o projecto da nova “Casa dos Rapazes”, bem como Cristiano Ronaldo, a Pepsi e a Câmara Municipal de Cascais. Com as verbas recolhidas já há condições para pôr a nova casa de pé, garante Mariana Rodrigues. A “Casa dos Rapazes” acolhe rapazes dos seis aos 18 anos que foram retirados das suas famílias, por não terem condições para os ter consigo. De acordo com a informação divulgada no site da instituição, desde 2005, dos 26 rapazes que saíram da instituição, 23 foram reintegrados na sua família.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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Portugal garante bacalhau islandês sem químicos “Administração islandesa propõe-se a manter uma lista actualizada de empresas que se comprometem a aplicar os métodos tradicionais portugueses", explica ministra Assunção Cristas.

Por Celso Paiva Sol e Mónica Barros

A ministra da Agricultura e Mar assinou, esta quartafeira, um acordo com a Islândia para garantir que o bacalhau importado daquele país continuará a não ter fosfatos, tal como já tinha acontecido com a Noruega. “A administração islandesa propõe-se a manter uma lista actualizada de empresas que se comprometem a aplicar os métodos tradicionais portugueses”, explicou Assunção Cristas, em declarações à Renascença a partir de Reiquiavique. A ministra fala num passo muito positivo, porque “embora já existam essas obrigações a nível europeu de rotulagem, ajuda e garante mais eficazmente termos uma administração mobilizada e comprometida”. O esforço do Governo português junto dos principais países fornecedores de bacalhau prossegue para tentar que seja respeitada a cura tradicional. Assunção Cristas explica que as diferenças são muito significativas, uma vez que “o bacalhau com polifosfatos é mais húmido, ficará com um sabor diferente e encarece os custos de produção” para a indústria portuguesa do sector “que teria de secar” o fiel amigo. “É um problema de método de processamento e de custo associado a esse método e é, também, um problema de sabor que não seria exactamente igual a um bacalhau como o nosso, curado, salgado, que tem uma cura que demora algum tempo e tem um processo que está associado para ficarmos só com 49% de humidade”, sublinha a ministra do Mar. Os polifosfatos são um aditivo químico que retém a humidade do peixe, sendo a sua utilização contestada pela Associação dos Industriais do Bacalhau que alega que estes fazem aumentar o tempo de cura, implicando um agravamento dos preços. Para além disso, modificam a textura, a cor e o sabor do bacalhau.

União Europeia abre as portas à Albânia A Albânia é o forte candidato a 29º membro da União. A Comissão Europeia propõe a adesão da Lituânia à moeda única já em 2015. A Albânia pode vir a integrar a União Europeia (UE). O país, que já é membro da NATO, quer agora tornar-se o 29º Estado da Europa unida. A UE tem mostrado disponibilidade para avançar com o processo de adesão. Stefan Fuele, comissário responsável pelo alargamento da UE, entregou, esta quarta-feira, um relatório no qual defende que a Albânia tem feito progressos no combate à corrupção, o crime organizado e na reforma judicial. O caso, porém, está envolto em polémica. A maior parte da população albanesa é muçulmana. Não existe nenhum Estado-membro de tradição islâmica. E países como a Alemanha, Holanda, Inglaterra e França temem a abertura das fronteiras da União à Albânia. Além disso, depois das eleições de 17 de Maio passado, muitas das cadeiras do Parlamento Europeu passaram a ser ocupadas por eurocépticos, que não acreditam na capacidade de a UE assumir mais membros. Lituânia pode aderir à moeda única A Comissão Europeia propôs esta quarta-feira que a Lituânia adira à moeda única em 2015. A informação é referida no Relatório de Convergência 2014 e surge depois de o país cumprir uma série de metas. Entre elas, taxa de inflação baixa, estabilidade cambial e um défice dos 3%. A Comissão analisou a possibilidade de adesão à moeda única de oito países (Bulgária, Croácia, Hungria, Lituânia, Polónia, República Checa, Roménia e Suécia), dos quais só a Lituânia cumpriu os requisitos necessários. Dos 28 Estados-membros da União Europeia, 18 aderiram ao “euro”.

Portugal e Espanha preocupados com crise na Ucrânia Conselho Luso-Espanhol de Segurança e Defesa condenou "a violação, pela Rússia, da integridade territorial da Ucrânia". A crise na Ucrânia representa "uma séria ameaça à estabilidade euro-atlântica", concluiu o IV Conselho Luso-Espanhol de Segurança e Defesa. O conselho reuniu esta quarta-feira, no âmbito da XXVII Cimeira Luso-Espanhola. O primeiro-ministro português e espanhol, Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy, estiveram presentes na reunião, além de outros ministros das tutelas envolvidas.


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O conselho “condenou a violação, pela Rússia, da integridade territorial da Ucrânia, considerando que põe em risco as relações de parceria e cooperação entre a NATO e a Rússia, iniciadas em 1997 com o Acto Fundador e reafirmadas na Cimeira de Lisboa em 2010", pode ler-se em comunicado. Ambos os países consideram que a "coesão e solidariedade” dos países membros da NATO é fundamental para "garantir a segurança dos seus membros perante qualquer ameaça". O conselho acordou "aprofundar a estreita cooperação em processos de planeamento de Defesa" e decidiu "estabelecer consultas sobre o planeamento do emprego de forças, no quadro da participação em operações no exterior".

Presidente sírio reeleito com 88,7% dos votos Eleições decorreram apenas nas zonas controladas pelas forças leais a Bashar alAssad. Oposição compara votação a uma farsa.

Portugal e Espanha estão também a estudar possíveis cooperações de domínio operacional e técnico. A XXVII Cimeira Luso-Espanhola acontece em Vidago, Chaves, e os principais temas de discussão estão relacionados com a cooperação transfronteiriça, a recuperação económica, o emprego, a energia e a saúde.

Felipe “empenhado” na "tarefa de servir" o país Proclamação do príncipe como rei de Espanha pode acontecer a 16 ou 18 de Junho. O príncipe das Astúrias garante estar “empenhado” na “apaixonante tarefa de continuar a servir todos os espanhóis”. Esta quarta-feira, Felipe falou naquela que foi a sua primeira intervenção pública após o anúncio da abdicação do trono pelo seu pai, Juan Carlos. O futuro monarca lembrou que a história do país ensina que os “períodos de dificuldade” são ultrapassados pela unidade e responsabilidade de todos, “pondo o bem comum à frente dos interesses particulares”. O príncipe das Astúrias esteve no Mosteiro de Leyre, em Navarra, na atribuição do prémio Príncipe de Viana, acompanhado pela princesa Letízia. Segundo o jornal “El País”, quando se levantou para discursar, estava visivelmente emocionado e recebeu um grande aplauso. A Espanha vai ter novo rei, depois de Juan Carlos ter anunciado que abdicava. Na sua intervenção, o monarca de 76 anos explicou que, "para prestar o melhor serviço aos espanhóis", decidiu pelo fim do seu reinado, abdicando a favor do filho, que "encarna a estabilidade e a identidade da monarquia". As datas de 16 ou 18 de Junho estão a ser apontadas para a proclamação diante das cortes. Felipe VI será o primeiro rei de Espanha com licenciatura. O príncipe das Astúrias casou em 2004 com Letizia Ortiz, jornalista e um dos rostos principais da Informação da TVE. O casal tem duas filhas: Leonor e Sofia.

Assad votou com a mulher Asma. Foto: EPA

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, foi reeleito sem surpresa, com 88,7% dos votos, numas eleições realizadas em plena guerra civil e consideradas uma farsa pelos opositores ao regime. A vitória de Bashar al-Assad nas eleições presidenciais de ontem foi confirmada esta quarta-feira pelo presidente do parlamento, Mohammad al-Laham, numa declaração ao país. Nos boletins de voto figuraram outros dois candidatos, relativamente pouco conhecidos e com ligações ao regime. Um total de 73% dos quase 16 milhões de eleitores foram votar, de acordo com a informação avançada pelo Tribunal Constitucional. As eleições decorreram apenas em zonas controladas pelas forças governamentais, mas não se realizaram em muitas partes do Norte e do Leste da Síria, dominadas pelos rebeldes que pegaram em armas para afastar a dinastia Assad, que está no poder há 44 anos. A guerra civil dura há mais de três anos e provocou 160 mil mortos e quase três milhões de refugiados e deslocados.

Padre jesuíta raptado no Afeganistão Director do Serviço Jesuíta aos Refugiados no Afeganistão foi capturado por um grupo de homens armados. O director do Serviço Jesuíta aos Refugiados no Afeganistão, Alexis Prem Kumar, foi raptado naquele país por um grupo de homens não identificados. Natural da Índia, o padre Prem Kumar, de 47 anos,


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acompanhava um grupo de professores numa visita a uma escola, nos arredores da cidade de Herat, no Oeste do Afeganistão, quando foi sequestrado. Chefia a missão do Serviço Jesuíta no Afeganistão há quatro anos. Anteriormente, serviu os refugiados da guerra civil no Sri Lanka que estavam instalados no estado de TAmu Nadil, no Sul da Índia. O Serviço Jesuíta aos Refugiados é uma organização internacional da Igreja Católica, fundada em 1980, sob responsabilidade da Companhia de Jesus.

Palestina espera que "orações no Vaticano realizem milagre da paz" A recente visita do Papa Francisco trouxe esperança à Terra Santa, afirma o embaixador Hikmat Ajjuri, em entrevista à Renascença.

Por Aura Miguel

O embaixador da Autoridade Palestiniana em Portugal, Hikmat Ajjuri, espera que o encontro de oração convocado pelo Papa Francisco para domingo, no Vaticano, realize o “milagre da paz” na Terra Santa. As feridas entre palestinianos e israelitas têm décadas e continuam abertas. De um lado e do outro, não faltam razões de queixa. Em entrevista à Renascença, Hikmat Ajjuri acusa Israel de “destruir todas as iniciativas” diplomáticas para tentar resolver o diferendo e de utilizar “as negociações como fumo para encobrir todas as suas ilegalidades e irregularidades na Palestina”. “Desta vez, o que nós precisamos é, talvez, de um milagre para resolver o nosso problema, uma vez que todas as iniciativas políticas falharam”, sublinha. O encontro promovido pelo Papa Francisco entre o Presidente israelita, Shimon Peres, e o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, no próximo domingo, no Vaticano, é aguardado com expectativa. Hikmat Ajjuri diz que o anseio de paz é grande e os palestinianos esperam que do Vaticano venham sinais de um futuro melhor, sobretudo para as novas gerações. “Esperamos que Peres e Abbas, rezando no Vaticano,

possam fazer esse milagre. Nós estamos na Terra Santa, nós acreditamos em milagres, nós acreditamos em Deus. Por que não acontecer este milagre depois desta oração? E especialmente através deste homem. Eu sei que ele é abençoado, estou a falar do Papa Francisco, e nós esperamos que o milagre que sai do Vaticano possa concretizar o sonho da solução de dois Estados, para que Israel e Palestina possam viver lado a lado”, afirma o embaixador palestiniano. Papa trouxe esperança à Terra Santa A peregrinação do Papa Francisco à Terra Santa foi uma viagem histórica a vários níveis. Na perspectiva do embaixador Hikmat Ajjuri, Francisco trouxe sobretudo muita esperança ao povo palestiniano. “Esta visita surgiu num momento em que o processo político falhou. Por isso, a oportunidade foi óptima, os palestinianos estão à espera que esta visita religiosa e de âmbito político lhes possa dar uma oportunidade e trazer uma esperança e apoio aos palestinianos que estão a sofrer por causa dos israelitas desde a criação do Estado de Israel em 1948”, afirma o diplomata. Francisco considerou a sua peregrinação uma visita de carácter religioso, mas a visão do embaixador palestiniano sobre o périplo do Papa é diferente. “Quando o Papa pára, reza e se inclina diante do ‘muro do apartheid’ não é de todo religiosa. A sua oração diante do ‘muro do apartheid’ significa que ele apoia a decisão do Tribunal Internacional de Justiça de 2004 que declarou este muro ilegal e contra o Direito Internacional, bem como os colonatos judeus”, argumenta. Hikmat Ajjuri considera que o Papa, “ao visitar os lugares santos em Jerusalém, ao visitar a Igreja do Santo Sepulcro e a Mesquita Al-Aqsa, também enviou outra mensagem aos israelitas e a todos, ou seja, que Jerusalém nunca será dos judeus”. “A Terra Santa que é o berço das três religiões monoteístas, não pode ser apropriada por uma só fé ou religião e quem tentar apropriar-se da Terra Santa ou de Jerusalém, em particular, como acontece neste caso com Israelitas, isso brada contra a vontade e contra o desejo de Deus. Acredito que a visita a Jerusalém e, antes disso, a Belém é uma mensagem do líder da Igreja para todo o Mundo”, concluiu o embaixador da Autoridade Palestiniana.

CONSELHO DE DIRECTORES. A reflexão sobre a actividade política e económica. Com Graça Franco, Pedro Santos Guerreiro e Henrique Monteiro, num debate conduzido por José Pedro Frazão. À quinta-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h.


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Israel admite que a paz está "muito muito difícil" Embaixadora Tzipora Rimon acredita que o encontro de oração promovido pelo Papa Francisco pode “contribuir para o espírito de reconciliação” entre israelitas e palestinianos.

A embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, não quer que o conflito israelo-palestiniano passe para a próxima geração, mas admite que o regresso às negociações está “muito difícil”. Tzipora Rimon manifesta, em entrevista à Renascença, “esperança” no reatamento do diálogo, no entanto, reconhece que “hoje é mais difícil” devido à reconciliação entre os movimentos palestinianos Fatah e Hamas e à formação de um Governo de unidade. “O Hamas é uma organização terrorista que não reconhece Israel”, afirma a diplomata israelita. "Então, será muito muito difícil, mas há esperança e o objectivo existe de um dia continuar todas as negociações e ficar em paz”, frisa. Encontro de oração pode ajudar a "recuperar a confiança" Durante a sua recente visita à Terra Santa, o Papa Francisco convidou o Presidente israelita, Shimon Peres, e o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, para um encontro de oração, que se vai realizar este domingo, no Vaticano. O Papa sublinha que o encontro é meramente de carácter religioso, mas a embaixadora de Israel em Portugal acredita que pode “contribuir para o espírito de reconciliação” e ajudar a “recuperar a confiança” perdida. Tzipora Rimon afirma que o próximo passo é os dois lados sentarem-se à mesa e falarem “com compromissos para resolver todas as coisas”. “Não estamos sozinhos, há outros que querem ver a paz entre o povo palestiniano e israelita. Queremos ver a situação melhorar, não queremos continuar o conflito por mais um geração”, afirma a diplomata. Sobre a visita do Papa à Terra Santa, Tzipora Rimon fala num “capítulo histórico muito importante das relações entre católicos e judeus” e destaca a mensagem de paz deixada por Francisco.

Rebeldes pró-russos denunciam fuzilamentos em hospital O leste ucraniano é palco há uma semana de violentos combates entre o exército e forças separatistas que já fizeram 181 mortos e 293 feridos. Os rebeldes pró-russos denunciaram o fuzilamento pela Guarda Nacional da Ucrânia de dois milicianos feridos e atendidos no hospital de Krasni Limán, localidade próxima de Slaviansk, retomada esta madrugada pelas forças ucranianas depois de intensos combates urbanos. "Deixámos Krasni Limán e o hospital da localidade, no qual se encontravam os feridos. A Guarda Nacional fuzilou todos os feridos não deixando um único com vida", denunciou o primeiro-ministro da denominada República Popular de Donetsk, proclamada independente da Ucrânia. O Presidente interino da Ucrânia, Alexandr Turchínov, encarregou o Conselho Nacional de Segurança e Defesa do país de estudar a declaração imediata da lei marcial nas regiões de Donetsk e Lugansk, cenário de uma contra operação contra os insurgentes pró-russos. O leste ucraniano é palco há uma semana de violentos combates entre o exército e forças separatistas que já fizeram 181 mortos e 293 feridos, segundo um balanço feito procurador-geral em exercício, Oleg Makhnitsky. A Rússia tem qualificado a operação militar ucraniana de “operação punitiva” e acusa Kiev de violar a Convenção de Genebra de 1949 sobre a protecção de civis. Situação em debate no G7 A situação na Ucrânia e as relações com a Rússia vão dominar a cimeira dos países do G7, que arranca esta quarta-feira em Bruxelas. Os chefes de Estado e de governo dos países mais ricos e industrializados do mundo tentam encontrar com a Rússia uma solução política para a crise ucraniana, na sequência da eleição do novo Presidente. Prevê-se também uma discussão sobre a situação de segurança e dependência energética de alguns países ocidentais face às importações de gás e outros combustíveis da Rússia.

FALAR CLARO. O debate político na Renascença entre Morais Sarmento e Vera Jardim. À segunda-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h, num debate conduzido por José Pedro Frazão.


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MH370

Mulher diz ter avistado avião desaparecido da Malaysia Airlines A mulher encontrava-se a sobrevoar o Oceano Índico no mesmo dia que o avião do voo MH370 desapareceu. A britânica Katherine Tee afirma que pode ter avistado o avião da Malaysia Airlines, MH37O, desaparecido a 8 de Março, noticiou esta quarta-feira o “The Huffington Post”. A mulher, também no dia 8, encontrava-se em viagem entre Cochin, na Índia, e Phuket, na Tailândia, sobrevoando o Índico. Durante a noite, quando olhava pela janela viu “algo que era semelhante a um avião em chamas”. Tee não levou a sério aquilo que lhe parecia ser “um avião com luzes alaranjadas e um rasto de fumo” e não acordou o marido ou os outros passageiros para que vissem também. Quando foi divulgado o desaparecimento do MH370, Tee considerou a coincidência e falou com uma organização australiana responsável pelas buscas. O Boeing da Malaysia Airlines, que realizou o voo MH370, saiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim a 8 de Março e desapareceu dos radares com 239 pessoas a bordo. Ainda não foram encontrados quaisquer desaparecidos ou destroços do avião.

Angela Merkel faz ultimato a Putin Se a violência dos grupos separatistas continuar na Ucrânia, a chanceler alemã irá impor sanções económicas à Rússia. A chanceler alemã avisou o Presidente russo, Vladimir Putin, que, se a situação na Ucrânia piorar, ela não vai hesitar “um minuto” em impor sanções económicas à Rússia. Num discurso feito esta quarta-feira no Parlamento de Berlim, antes do início da cimeira do G7, Angela Merkel pediu a Vladimir Putin para tomar medidas e acabar com a violência dos grupos separatistas pró-russos. “É decisivo que o presidente Putin use a sua influência para fazer com os que separatistas abrandem a violência e a intimidação, baixem as armas e parem as ocupações [na Ucrânia]. Se isso não acontecer teremos de impor sanções [à Rússia]”. A poucas horas do arranque da cimeira do G7 em Bruxelas, a chanceler alemã disse que ainda não se conseguiu regular os mercados financeiros e esse será um assunto para a cimeira do G20 na Austrália. Ucrânia em debate no G7 O ultimato feito a Putin deverá estar em cima da mesa

da reunião dos sete países mais poderosos do mundo, isto porque a situação na Ucrânia e as relações com a Rússia vão dominar a cimeira dos países do G7, que arranca esta quarta-feira em Bruxelas. Os chefes de Estado e de governo dos países mais ricos e industrializados do mundo tentam encontrar com a Rússia uma solução política para a crise ucraniana, na sequência da eleição do novo Presidente. Prevê-se também uma discussão sobre a situação de segurança e dependência energética de alguns países ocidentais face às importações de gás e outros combustíveis da Rússia. Ameaça à estabilidade euro-atlântica A crise na Ucrânia representa uma séria ameaça à estabilidade euro-atlântica. A declaração saiu do quarto Conselho Luso-Espanhol de Segurança e Defesa que se reuniu esta quarta-feira em Vidago no concelho de Chaves no âmbito da cimeira entre os dois países. Defendeu ainda que a crise na Ucrânia exige coesão e solidariedade entre os países da Nato de forma a garantir a segurança dos seus membros perante qualquer ameaça. E condenou a Rússia pela violação da integridade territorial da Ucrânia.

Amnistia acusa polícia brasileira de usar "estratégia do medo" contra protestos Relatório revela que muitas pessoas foram abordadas e detidas, algumas delas sob acusação de crime organizado, sem existirem provas ou indícios de ilegalidades. A resposta da polícia brasileira à onda de protestos que começou em Junho de 2013 foi, muitas vezes, "violenta e abusiva" e incluiu a "estratégia do medo", concluiu uma investigação da Amnistia Internacional. A organização, que possui mais de três milhões de membros e activistas em 150 países, realçou que os agentes se utilizaram de bombas de gás lacrimogéneo e balas de borracha "indiscriminadamente" contra os manifestantes, e iniciou uma campanha para defender o direito de protesto e a liberdade de expressão no Brasil, a que chamou "Mostre-lhes o cartão amarelo!". O relatório também sustenta que, durante os protestos, muitas pessoas foram abordadas e detidas, algumas delas sob acusação de crime organizado sem existirem provas ou indícios de que estivessem envolvidas em alguma ilegalidade. Outras, diz o documento, não tiveram acesso a um advogado. A Amnistia Internacional (AI) revelou ter entrevistado manifestantes, advogados, jornalistas e activistas dos direitos humanos, além de ter consultado documentos,


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áudios e vídeos dos protestos. Entre os depoimentos que fazem parte da investigação está o do fotógrafo Sérgio Andrade da Silva, 32 anos, que perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha, em São Paulo, em 13 de Junho de 2013. Foram também entrevistadas testemunhas agredidas pela polícia, entre os quais um estudante de 27 anos que ficou ferido na face e perdeu quatro dentes depois de agredido por agentes, e manifestantes presos arbitrariamente por actos como carregar bandeiras, tinta ou vinagre (usado par combater o efeito do gás lacrimogéneo). A AI atribui os excessos da polícia brasileira a um treino inadequado e a uma falta de esforço para registar a violência cometida por agentes, e defende a regulação de utilização de armas não letais. Por outro lado, acrescentou, as forças militares que irão estar encarregues da segurança das cidades do Mundial de Futebol devem seguir os mesmos padrões legais das polícias regulares, e recorrer a meios não-violentos antes de utilizarem a força. A investigação também lembra que alguns membros do poder Legislativo brasileiro estão a apoiar um endurecimento das leis, para dar à polícia mais poder para conter os protestos, e que há um novo projecto de lei, a aguardar votação, que diminuiria o direito ao protesto através de uma ampla definição de terrorismo. Segundo a Amnistia internacional, a grande maioria dos manifestantes tomaram as ruas pacificamente e, para os casos de violência de grupos e indivíduos, o Brasil já possui uma série de ferramentas legais de punição.

Tiananmen. Há 25 anos um homem, sozinho, fez história Morreram milhares de pessoas, mas ainda hoje a China não reconhece o que se passou. Amnistia Internacional promove abaixoassinado.

Velas em Hong Kong, o único território chinês onde são permitidos actos públicos para assinalar o aniversário do massacre. Foto: Jerome Favre/EPA

A 4 de Junho de 1989, um homem, sozinho, protagonizou um momento histórico. Pôs-se à frente de uma coluna de tanques que avançava na Praça de

Tiananmen, a Praça da Paz Celestial, na China. Por momentos, os tanques pararam. Na praça, milhares de pessoas manifestavam-se há vários dias. Desarmados e pacificamente, os momentos de silêncio só eram interrompidos por músicas que em conjunto entoavam. Com o protesto, os grupos de intelectuais, operários, agricultores e trabalhadores dos serviços e comércio, acompanhados de muitos estudantes, queriam denunciar a falta de liberdade, a corrupção do Partido Comunista e o desemprego. O governo ordenou várias vezes a dispersão dos manifestantes. Sem sucesso, e depois de muitas divisões no partido sobre a decisão a tomar, os dirigentes chineses mandaram terminar à força os protestos. Os tanques avançaram sob a praça e os militares abriram fogo. Não se sabe quantos milhares de pessoas morreram. O governo chinês continua, nos dias de hoje, a ignorar a gravidade da situação. Considera que morreram apenas algumas dezenas de estudantes. Amnistia Internacional promove abaixo-assinado A Amnistia Internacional (AI) apelou, esta quarta-feira, ao Governo chinês que reconheça a violação dos direitos humanos no massacre da praça Tiananmen, faça justiça às suas vítimas e não realize mais perseguições aos activistas. Nesse sentido, a Amnistia promove um abaixoassinado para entregar ao Governo chinês.

John Banville vence Prémio Príncipe das Astúrias das Letras Galardoado foi escolhido de entre candidaturas de 17 países, incluindo uma de Moçambique, que foram apresentadas para o quinto dos oito galardões anuais do Prémio. O escritor irlandês John Banville foi galardoado com a edição de 2014 do Prémio Príncipe das Astúrias das Letras, quinto dos oito galardões anuais a ser anunciado. Banville, que que nasceu em Wexford em 1945, impôsse na última ronda de votações do júri ao japonês Haruki Murakami e ao inglês Ian McEwan. O galardoado foi escolhido de entre candidaturas de 17 países, incluindo uma de Moçambique, que foram apresentadas para o quinto dos oito galardões anuais do Prémio Príncipe das Astúrias. Nas últimas semanas já foram atribuídos ao arquitecto Frank Gehry o prémio das Artes, ao historiador e hispanista francês Joseph Pérez o prémio das Ciências Sociais 2014 e ao desenhador gráfico argentino Quino, da personagem Mafalda, o de Comunicação e Humanidades. Na semana passada, o químico espanhol Avelino Corma e os norte-americanos Mark E. Davis e Galen D.


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Stucky foram galardoados com o Prémio de Investigação Científica e Técnica. Estes prémios reconhecem o "trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário realizado por pessoas, instituições, grupos de pessoas ou de instituições". Os vencedores recebem uma escultura de Joan Miró, 50 mil euros, um diploma e uma medalha.

Espera que os textos “ajudem a abrir portas e janelas, e fazer as pessoas entender a realidade para além do que é óbvio, ver para além do olhar”. “Vale a Pena Pensar Nisto – Apontamentos sobre o Quotidiano e a Eternidade” tem lançamento marcado para esta quinta-feira na livraria Leya na Buchholz, em Lisboa, pelas 18h30. RIBEIRO CRISTOVÃO

"Já agora, vale a pena pensar nisto". Livro reúne reflexões da RFM A frase é bem conhecida dos ouvintes da RFM, que têm agora disponíveis em livro reflexões que todos os dias se partilham na rádio.

Movimento louco O Chelsea, de José Mourinho, parece ser, para já, o clube que segue na dianteira. Disposto a dizimar o Atlético de Madrid, o clube londrino pode levar do actual campeão de Espanha jogadores como Diego Costa, Tiago, Filipe Luiz e Koke.

Por Ângela Roque

“Já agora, vale a pena pensar nisto”. Não há ouvinte regular da RFM que não tenha ouvido uma reflexão pontuada por esta frase. A partir desta quinta-feira, as reflexões da estação estão em livro, “Vale a Pena Pensar Nisto – Apontamentos sobre o Quotidiano e a Eternidade”. João Delicado, um dos quatro autores, explica que o livro “é uma espécie de best of de textos”, escolhidos por cada um dos colaboradores: “cada um escreve para um dia específico, mas entendemos que, sendo uma mensagem sobre a vida, há-de ter valor para outra altura do ano”. O projecto, que é mantido também por Isabel Figueiredo, Conceição Sousa e Paulo Vale, era já antigo, porque “o livro dá outro suporte e outra eternidade, outra duração às palavras”, e a mensagem que passa na rádio pode chegar ainda a mais pessoas. E como é escrever sobre fé para rádio? João Delicado reconhece que “não é fácil”. Colaborador no projecto desde há quatro anos, diz que tem sido “uma experiência de desafio” levar as pessoas a reflectir sobre o quotidiano e a presença de Deus na normalidade do dia-a-dia. “Isto exige uma escrita muito específica, para rádio, não pode ser um pensamento banal, tem de ter profundidade e dito num curto espaço de tempo. Tudo isso são componentes difíceis de reunir em sete linhas”, confessa. "Parar e reflectir" “Estes conteúdos são parte integrante e marca distintiva da RFM”, diz o director de programas da RFM, António Mendes. “Têm um enorme alcance, têm marcado a RFM e levado os ouvintes da RFM a parar e reflectir. São momentos que distinguem a RFM das outras rádios e contribuem de forma assinalável para a sua razão de existir.” João Delicado acredita que, no actual contexto, estas reflexões fazem cada vez mais sentido: “O mundo está cheio de histórias para adormecer e nós precisamos de histórias para acordar. Estes textos têm essa intenção”.

Mesmo com o Mundial de Futebol à porta e apesar de todo o entusiasmo que a grande reunião internacional desperta nos cinco continentes, vai por aí um movimento louco no que toca a transferências de jogadores, muitos quais vão acompanhar à distância todas as negociações em que venham a estar envolvidos. O Chelsea, de José Mourinho, parece ser, para já, o clube que segue na dianteira. Disposto a dizimar o Atlético de Madrid, o clube londrino pode levar do actual campeão de Espanha jogadores como Diego Costa, Tiago, Filipe Luiz e Koke, sendo muito provável que Fabregas, do Barcelona, também rume à capital inglesa para ali passar a vestir a camisola dos “blues”. Não obstante os bons resultados alcançados, que levaram a equipa às meias-finais da Liga dos Campeões e a discutir o título inglês quase até ao fim, o treinador português terá rápida e facilmente entendido que teria de encontrar outras e mais fortes soluções para almejar afirmar-se na Europa e voltar a discutir todos os títulos. José Mourinho tenta assim regressar à ribalta de onde parece ter sido removido na temporada que agora terminou, em que emergiram outras figuras a ocupar o seu habitual lugar no pódio. Simeone, Anceloti e Pepe Guardiola são apenas três exemplos desse pequeno pelotão do qual o técnico português parece ter descolado, para gáudio de alguns dos seus mais persistentes detractores. Vamos ter, seguramente, o mesmo José Mourinho dos tempos áureos, em que as vitórias se atravessaram


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sucessivamente no seu caminho, agora também respaldado por algumas declarações que reforçam a sua credibilidade, a última das quais vinda do sueco Zlatan Ibrahimovic: “Mourinho é capaz de nos manipular para fazermos o que ele quer”. Um bom desenho da forte personalidade do actual treinador do Chelsea, que prossegue a campanha tendente a levar para a sua equipa alguns dos melhores jogadores mundiais da actualidade. Vamos voltar a ter, seguramente, a estrela de Mourinho a brilhar com o mesmo antigo fulgor.

SELECÇÃO

Tudo na mesma com Ronaldo e companhia Boletim clínico da Selecção sem novidades. Ronaldo continua a recuperar e já trabalha com bola.

REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA

Cristante é o novo génio a caminho da Luz

Cristante é o nome em destaque no Record e em A Bola. Trata-se de um médio de 19 anos que joga no AC Milan. O record diz tratr-se do "Novo prodígio do futebol italiano". A Bola escrec. "Benfica ataca". No diário O Jogo, edição Norte, lê-se "Eles aí vêm". Fala-se do valência, que pode tentar contratar Jackson Martinez. Na edição Sul, uma declaração de Bruno de Carvalho: "Futebol está cheio de trampa". Ainda em O jogo, avança-se que Djavan, lateral esuqerdo da Académica, foi desviado do Sporting de Braga para o Benfica e A Bola segue a linha de O Jogo, escrevendo: "Jackson muito perto do Valência"

O boletim clínico da Selecção Nacional, actualizado esta quarta-feira, não contempla quaisquer alterações face ao registo divulgado ontem. Desta forma, Paulo Bento não contou, durante o treino que se irá realizar no estádio dos New York Jets, em Nova Jérsia, com Cristiano Ronaldo, Raúl Meireles e Beto, que trabalharam à parte do grupo e de forma condicionada. Contudo, o avançado e o médio realizaram exercícios com bola, o que representa uma evolução. Ronaldo e Raul Meireles "cumprem programa préestabelecido pelo departamento médico para as suas lesões - tratamentos específicos e exercícios de reintegração desportiva, no campo", enquanto Beto, igualmente no relvado, "cumpre plano de reintegração desportiva especifica, com o grupo de trabalho". Quanto a Pepe, permanece no hotel onde está instalada a equipa das quinas, no sentido de cumprir "tratamentos e trabalho específico, pré-estabelecido pela equipa médica". No caso específico do capitão da Selecção, Ronaldo continua a debelar uma lesão muscular na coxa esquerda, assim como uma tendinose rotuliana, que poderá atrasar a sua recuperação total para o campeonato do mundo. [notícia actualizada às 22h51]

TERÇA A NOITE. O espaço de entrevista da Renascença.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate.

Todas as semanas, a partir das 23h, a entrevista conduzida por Raquel Abecasis.

Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.


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HUGO ALMEIDA

O bigode como resultado de uma aposta Hugo Almeida, avançado do Besiktas e da Selecção Nacional, fala do passado, do presente e do futuro e faz uma promessa quanto ao visual que tem causado furor.

Quem se limitar a dar destaque ao visual de Raúl Meireles estará a cair num erro crasso. É que há, igualmente no seio da Selecção Nacional, outra figura de destaque pelos mesmos motivos. Há já vários meses que Hugo Almeida brindou os fãs e os críticos - com um farto e lustroso bigode, que muitos dizem ser tipicamente português e que surgiu de uma "aposta". Agora, a promessa do avançado do Besiktas em relação a tal adereço é simples. "É uma coisa de que eu gosto. Veio de uma aposta e até ao final do Mundial vou utilizar o bigode", atirou Almeida, esta quarta-feira, em conferência de imprensa. O passado, o presente e o futuro nas mãos de Hugo AlmeidaTerminou contrato com o Besiktas e estará no Mundial do Brasil com o passe na mão, em busca de um clube para prosseguir a carreira. Porém, o futuro imediato é o que o preocupa o ponta-de-lança de Portugal. "Neste momento, sou um jogador livre mas não estou preocupado com isso. Estou mais focado na Selecção. É aqui que tenho que estar bem. O que virá, virá", salientou Hugo Almeida. Questionado sobre o facto de poder vir a ser a terceira opção de Paulo Bento para o posto de avançado-centro - atrás de Postiga e Éderzito -, o dianteiro mostra-se apenas focado em fazer o seu próprio "trabalho" para convencer o seleccionador "AA" luso. "O que me falta para me afirmar na Selecção? Não me falta nada. Fiz um bom campeonato, sinto-me super bem, psicologicamente e fisicamente bem. Se sou a terceira opção? Vim para aqui para fazer o meu trabalho. Estou muito feliz por ter sido escolhido e vou fazer o meu trabalho. Tenho vindo a fazer um bom trabalho ao longo da época. Se for chamado, vou dar o meu melhor", respondeu.

Bruno de Carvalho e o passivo do Sporting. "Para manobras de circo é preciso palhaços" Especulação em torno do valor real do passivo leonino leva a reacção dura do presidente do Sporting.

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, não escondeu o incómodo, esta quarta-feira, quanto às dúvidas que têm sido lançadas em torno do valor real do passivo da SAD leonina. Na semana passada, a SAD anunciou que o passivo passou de 258 milhões, registado em Junho de 2013, aumentou para cerca de 264 milhões, em Março deste ano. Nos últimos dias, porém, muito se tem especulado sobre se este valor não será mais elevado, podendo inclusivamente chegar perto dos 500 milhões. "Aconselho os sportinguistas a lerem o 'Jornal do Sporting', que sai amanhã. Isso faz parte de manobras de circo porque o futebol é um espectáculo e é preciso sempre palhaços", atirou o presidente leonino. Bruno de Carvalho durante uma escala feita em Ponta Delgada, incluída numa viagem até Boston, nos Estados Unidos, em que irá inaugurar um núcleo do clube, em Fall Rivers e assistir ao Portugal-México, agendado para a madrugada de sexta para sábado.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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Seara e Rangel juntos na corrida pela Liga Conhecidos benfiquistas unem esforços em prol de projecto comum que visa alcançar "uma Liga forte e coesa". Eleições para a presidência da Liga estão marcadas para 11 de Junho.

Fernando Seara

Fernando Seara e Rui Rangel apresentaram, esta quarta-feira, uma candidatura comum para as eleições da Liga de Clubes, agendadas para 11 de Junho. Sem esclarecimentos quanto a qual dos dois se assumirá como cabeça de lista, Seara e Rangel asseguraram que o projecto que ambos lideram visa tornar a Liga "forte e coesa". "Este é um projecto comum, com princípios comuns e uma estratégia comum. Objectivo? Termos uma Liga forte e coesa", explicou Rui Rangel, juiz e antigo candidato à presidência do Benfica, numa unidade hoteleira em Lisboa. Quanto a Fernando Seara, advogado e conhecido sócio dos encarnados, voltou a referir que pretende "unir, credibilizar, pacificar e dar sustentabilidade" à Liga de Clubes, evitando uma "rota de colisão com os clubes e a Federação". Desta forma, são já conhecidos cinco candidatos à presidência da Liga: a dupla formada por Fernando Seara e Rui Rangel juntam-se Mário Figueiredo (presidente do organismo, que se recandidata), Rui Alves, Paulo Teixeira e Júlio Mendes.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.

Madaíl integra lista de Rui Alves para a Liga Ex-presidente da Federação candidata-se à liderança da assembleia-geral do organismo que vai a votos a 11 de Junho.

Gilberto Madaíl, ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, integra a lista de Rui Alves para as eleições da Liga de Clubes, surgindo como candidato à liderança da mesa da assembleia geral do organismo. A informação foi avançada, na noite desta quarta-feira, pelo site oficial do Nacional, clube que até agora era presidido por Rui Alves, que decidiu apresentar a demissão do cargo para se poder candidatar à presidência da Liga. A lista do dirigente madeirense, que contará ainda com o nome de António Trabulo para a liderança do Conselho Fiscal, será entregue pelas 11h00 de sextafeira, na sede da Liga, no Porto. Rui Alves garantiu, desde já, os apoios de Beira-Mar, Sporting da Covilhã, União e Vitória de Setúbal, para além do Nacional. Até agora, são já conhecidos cinco candidatos à presidência da Liga: a dupla formada por Fernando Seara e Rui Rangel juntam-se Mário Figueiredo (presidente do organismo, que se recandidata), Rui Alves, Paulo Teixeira e Júlio Mendes. As eleições na Liga de Clubes estão agendadas para 11 de Junho.

TERÇA A NOITE. O espaço de entrevista da Renascença. Todas as semanas, a partir das 23h, a entrevista conduzida por Raquel Abecasis.


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Viciação de resultados. PGR já recebeu denúncia da Liga Mário Figueiredo tinha prometido remeter relatório da Federbet sobre jogos da Oliveirense que terão sido manipulados para as autoridades competentes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a recepção, esta terça-feira, uma denúncia da Liga de Clubes sobre a existência de jogos viciados na Segunda Liga e que visa a Oliveirense, confirmando-se a promessa feita pelo presidente do organismo, Mário Figueiredo. Segundo a assessoria de imprensa da PGR, citada pela Agência Lusa, "a mesma será objecto de análise, com vista a apurar da eventual necessidade de accionar providências no âmbito das competências do Ministério Público". Por outro lado, o Secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro, disse também à Lusa desconhecer a denúncia em causa, mas adiantou que já tinha conhecimento de que tinha sido feita uma denúncia, manifestando-se satisfeito pela iniciativa da Liga. Recorde-se que pelo menos três jogos recentes da Segunda Liga, todos eles envolvendo a Oliveirense, terão sido alvo de combinação de resultados que ditaram o desfecho das partidas. A denúncia foi feita terça-feira, em Bruxelas, pela FederBet, que luta contra a manipulação desportiva e que tem contratos com a Liga Espanhola e vários clubes da primeira divisão de Itália para prevenir este tipo de situação. De acordo com a FederBet, os jogos em causa tiveram lugar em Abril e Maio e opuseram a equipa de Oliveira de Azeméis ao Benfica B, Trofense e Portimonense.

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