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EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco

Segunda-feira, 19-05-2014 Edição às 08h30

Editor Raul Santos

SELECÇÃO

Paulo Bento anuncia hoje os 23 para o Brasil Chefe de Estado-Maior da Armada admite dificuldades operacionais

Já se contam os votos na Guiné-Bissau

Carrossel que descarrilou no Montijo encerrado e alvo de peritagens

BENFICA

VISITA À CHINA

LUÍS ANTÓNIO SANTOS

Jogadores do Benfica não conseguiram comemorar com adeptos na Luz

Presidente da AICEP espera "resultados intensos" nos próximos anos

... a ver passar as rodas de autocarros...

FIFA alerta para Cáritas contra carne consumida novos cortes nas durante o Mundial pensões

Cientistas americanos removem cancro com vacina do sarampo


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SELECÇÃO

Paulo Bento anuncia hoje os 23 para o Brasil Conferência de imprensa às 20h15.

Está de chuva mas os ultravioletas estão perigosos em quase todo o país Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) lembra que não é preciso estar sol ou calor para os raios ultravioletas serem perigosos. Ainda não estamos no Verão e já os níveis são muito altos.

O selecionador nacional de futebol, Paulo Bento, divulga hoje a lista final dos 23 jogadores convocados para o Campeonato do Mundo de 2014. O anúncio dos eleitos para o Brasil será feito numa conferência de imprensa na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com início marcado para as 20h15. Os trabalhos de preparaçãodo grupo começam na quarta-feira, com três dias de testes no Estoril. A concentração inicia-se dentro de uma semana, dia 26, em Óbidos. BENFICA

Jogadores do Benfica não conseguiram comemorar com adeptos na Luz O Benfica venceu o Rio Ave por 1-0 e conquistou a 25ª Taça de Portugal. Várias centenas de adeptos esperaram a equipa do Benfica junto ao estádio da Luz e barraram o autocarro. O autocarro chegou às 21h42 mas não conseguiu avançar devido à multidão que rodeou o veículo. Jogadores como o capitão Luisão e Artur Moraes tentaram, com megafone, falar com os adeptos para lhes explicar que queriam descer e comemorar mas que não houve segurança. “Queríamos estar junto dos adeptos. Nós fazemos parte daquilo ali. Alguém não pensou na festa”, disse Luisão em declarações à RTP. O Benfica venceu o Rio Ave por 1-0 e conquistou a 25ª Taça de Portugal, já depois da conquista do campeonato e da Taça da Liga.

O risco de exposição à radiação ultravioleta (UV) é esta segunda-feira muito alto em 12 localidades de Portugal Continental: Beja, Évora, Faro, Funchal, Portalegre, Porto Santo, Sagres, Setúbal, Sines, Santa Cruz das Flores, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou ainda sob risco alto de exposição aos UV Bragança, Braga, Castelo Branco, Guarda, Lisboa, Penhas Douradas, Porto, Santarém, Viana do Castelo e Viseu. Aconselha-se, por isso, a população a utilizar óculos de sol com filtro UV, chapéu, vestuário que cubra o decote e os ombros, guarda-sol e protector solar de índice elevado. Deve também evitar-se a exposição das crianças ao sol. A radiação ultravioleta pode causar graves prejuízos para a saúde se o nível exceder os limites de segurança. O índice desta radiação apresenta cinco níveis, entre o baixo e o extremo, sendo o máximo o onze. “Considera-se que são muito elevados 7, 8 e 9; níveis extremos: 10 e 11. Portanto, estamos debaixo de índices ultravioleta mesmo fora do Verão, em pleno Maio e Junho”, explica à Renascença o secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC). Osvaldo Correia chama, por isso, aconselha quem faz desporto ou trabalha ao ar livre para tomar as devidas medidas de precaução e evite as horas mais perigosas: entre as 11h00 e as 17h00. O especialista sublinha ainda que o nível de perigosidade dos raios ultravioleta não está directamente relacionado com o calor. Para hoje, o IPMA prevê céu geralmente muito nublado nas regiões a norte do sistema Montejunto-Estrela, períodos de chuva fraca ou chuvisco nas regiões do litoral, tornando-se moderada a partir do meio da manhã e estendendo-se gradualmente ao interior. Está também prevista queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela a partir do início da tarde, descendo gradualmente a cota para os 1200/1400 metros, vento fraco a moderado do quadrante oeste, soprando moderado a forte nas terras altas e descida acentuada da temperatura máxima. Nas regiões sul do sistema montanhoso MontejuntoEstrela prevê-se céu geralmente muito nublado, com abertas nas regiões do interior e no Algarve, períodos de chuva fraca ou chuvisco a partir


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do final da manhã nas regiões do litoral oeste, estendendo-se gradualmente ao interior. As temperaturas máximas devem chegar aos 19 graus em Lisboa, aos 20 em Castelo Branco, aos 21 em Évora, Funchal e Faro, aos 22 em Beja, aos 15 no Porto e Vila Real, Vila Real e Viseu e aos 16 em Ponta Delgada, Santa Cruz das Flores e Angra do Heroísmo e Guarda.

Carrossel que descarrilou no Montijo encerrado e alvo de peritagens Quatro crianças ficaram feridas quando o comboio de um carrossel descarrilou durante as festas de Pegões Velho, no sábado à noite. O carrossel que descarrilou nas festas de Pegões Velho, Montijo, e provocou ferimentos em quatro crianças foi encerrado e vai ser alvo de peritagens. "Temos a indicação que estava tudo bem com os licenciamentos mas foi suspensa a actividade para que sejam apuradas as circunstâncias do acidente", avança fonte da GNR à agência Lusa. Segundo a mesma fonte, uma cavilha desprendeu-se do equipamento, provocando a queda do comboio de diversões, mas apenas as peritagens podem confirmar o que esteve na origem do acidente. Quanto aos feridos, das quatro crianças, três foram transportadas para os hospitais de Setúbal e do Barreiro. Nenhuma inspirava perigo de vida, segundo os Bombeiros de Canha e Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal. Fonte do INEM adianta à Lusa que uma das crianças – uma rapariga com dez anos – apresentava trauma ligeiro no membro inferior e outra, com a mesma idade, foi transportada ao hospital com um traumatismo crânio-encefálico ligeiro. A vítima de seis anos, do sexo masculino, também apresentava um traumatismo crânio-encefálico, sem perda de consciência, tendo sido levada para o hospital com acompanhamento médico. Segundo fonte do hospital de Setúbal, já teve alta. A última vítima foi levada pela mãe, não tendo sido por isso avaliada clinicamente. O acidente ocorreu nas festas de Pegões Velho, cerca das 22h20 de sábado.

Já se contam os votos na GuinéBissau O PAIGC denunciou agressões durante o dia, mas agora não há notícia de incidentes.

As mesas de voto fecharam este domingo sem incidentes na Guiné-Bissau. Depois da denúncia de agressões a elementos do PAIGC, o apuramento dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais decorre de forma serena. Segundo a comissão nacional de eleições, é esperado um aumento da abstenção. A primeira volta das presidenciais, a 13 d Abril, decorreu sem qualquer incidente. Nesta segunda volta participam José Mário Vaz e Nuno Nabian (PNR). LUÍS ANTÓNIO SANTOS

... a ver passar as rodas de autocarros... O jornalismo que segue rodas de autocarro é um jornalismo desistente, anestesiado. É um acidente a acontecer em câmara lenta.

O aparecimento dos canais noticiosos na televisão teve – à semelhança do que anteriormente tinha acontecido com as estações informativas na rádio – efeitos consideráveis no jornalismo. Alguns deles são permanentes. O ciclo noticioso acelerou, a ideia de exclusividade perdeu força e uma certa banalização do ‘evento noticioso’ tornou-se corrente. O recurso ao direto deixou de ser uma excepção para se tornar num artifício contínuo. Todos nós já teremos visto diretos televisivos a partir de zonas comerciais em dia de abertura da época de saldos com os transeuntes a escapulir-se a um(a) jornalista que tenta, desesperado(a), encontrar alguém que justifique aquela perda de tempo. Mais recentemente fomos inundados por horas de diretos em que se seguia o percurso de um autocarro. E lá ‘fomos em direto para o local’, acompanhando às vezes um farolim, às vezes um rodado duplo, embalados pela som de banalidades repetidas à exaustão. Há, naturalmente, explicações técnicas que ajudam a perceber o fenómeno; os jornalistas levam hoje numa pequena mochila o que, há poucos anos atrás, só se imaginava num grande, caro e pouco móvel carro de exteriores. Mas importa ver para além do que os meios nos permitem, porque isso é só parte da história. A outra parte, a mais relevante, está no que resulta de uma postura muito pouco auto-crítica da profissão. Se pensarmos a coisa do ponto de vista do telespectador,


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julgando o que se faz com base no que nos é dado, dirse-ia sem qualquer dificuldade que nenhum dos canais informativos parece pensar o seu fluxo com critério. O que nos dão, seja por que motive seja (dos julgamentos, à política, passando – claro! – pelo futebol), é uma sucessão de diretos, todos os dias, marcados pelo improviso, pela dúvida, pela falta de clareza. É, no fundo, como se os responsáveis por esse carrossel infernal nos estivessem a dizer: ‘Já não fazemos jornalismo; somos só as pessoas que levam até si o que está a acontecer; somos só extensões destes microfones e destas câmaras; entretenha-se”. O jornalismo que segue rodas de autocarro é um jornalismo desistente, anestesiado. É um acidente a acontecer em câmara lenta.

Cáritas contra novos cortes nas pensões Organizações lembram a subida do desemprego. A Cáritas apelou ao Governo para que as medidas previstas para o futuro sejam justamente distribuídas e excluam novos cortes nas pensões. Num comunicado divulgado sexta-feira em Bruxelas, a Cáritas Europa e a sua congénere portuguesa recomendam ao Executivo que, no pós-'troika', "assegure que os custos da austeridade são justa e equitativamente distribuídos pela sociedade", sublinhando que "os grupos sociais mais ricos e abastados não devem ser excluídos". Para as duas Cáritas, na saída do programa de ajustamento deve ser ainda assegurado que as novas medidas "não devem introduzir quaisquer cortes nas pensões nem ter impacto negativo no mercado de trabalho". Ainda sobre o mercado de trabalho, o comunicado lembra que Portugal é um dos países onde se verificou uma maior subida do desemprego, desde o início da crise, a par da Grécia, Espanha, Itália e Irlanda. "O facto de o desemprego em Portugal se estar a tornar cada vez mais estrutural (estando metade dos desempregados nessa situação há mais de um ano) faz questionar se o país está realmente de volta ao caminho para uma economia sustentável e geradora de crescimento económico". A Cáritas Europa é uma rede de 49 congéneres nacionais de 46 países europeus, incluindo Portugal, onde a organização inclui 20 escritórios diocesanos e grupos locais.

EM NOME DA LEI

UGT não aceita mais chantagens da “troika” Secretário-geral da central sindical foi o convidado deste sábado do programa da Renascença “Em Nome da Lei”. Mas também garante que, se o Governo avançar com a revisão da legislação contra a opinião da UGT, não vai abandonar a concertação social. A UGT assinou o acordo de Concertação Social em 2012 para viabilizar o empréstimo a Portugal, mas não vai aceitar mais chantagens da “troika”. Em causa, as alterações à legislação sobre convenções colectivas que a “troika” terá exigido para libertar a última tranche a Portugal. No programa “Em Nome da Lei”, o secretário-geral, Carlos Silva, defende que cabe ao Governo dar um murro na mesa. Das várias medidas que o Governo apresentou à concertação social, Carlos Silva admite apenas negociar a redução de cinco para dois anos da caducidade das convenções colectivas, mas não o prolongamento, para além de 31 de Julho, da suspensão de metade do valor das horas extraordinárias e a suspensão temporária das convenções colectivas em empresas em crise. Mas, se o Governo avançar com a revisão da legislação das convenções colectivas, contra a opinião da UGT, a central não irá abandonar a concertação social. Num balanço ao impacto na área laboral do plano de resgate que termina este sábado, o professor da Faculdade de Direito de Lisboa Luís Gonçalves da Silva, outro convidado do programa, diz que o Governo legislou com uma total falta de visão estratégica e de uma forma casuística. Quanto às mais recentes propostas de alteração legislativa apresentadas pelo Governo, Luís Gonçalves da Silva considera que, pelo menos uma delas, viola a Constituição. Ao longo dos últimos três anos, acusa ainda, o Governo não atacou os problemas estruturais do país, nomeadamente a falta de qualificação dos empresários. O programa “Em Nome da Lei” é emitido na Renascença aos sábados entre as 12h00 e as 13h00.

TERÇA A NOITE. O espaço de entrevista da Renascença. Todas as semanas, a partir das 23h, a entrevista conduzida por Raquel Abecasis.


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CONVERSAS CRUZADAS

Ex-economista do FMI não se lembra de um resgate tão bem conseguido Álvaro Santos Almeida diz que “a ‘troika’ tratou o que queria tratar”, mas há “reformas que não se fizeram”. Daniel Bessa reconhece “estragos”, mas detecta virtualidades no cenário actual. “Em 2011 sentia-me num avião a caminho do desastre”.

"Não foi um programa perfeito, mas foi feita muita coisa" (foto: RR) Por José Bastos

“Não recordo um programa de ajustamento aplicado num país desenvolvido – e democrata – que tenha tido um efeito final tão próximo do esperado como este programa em Portugal”, afirma o economista Álvaro Santos Almeida no programa “Conversas Cruzadas” deste domingo, onde se olhou para o fim formal do resgate. O ex-quadro do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington defende a eficácia da intervenção externa. “Não nos esqueçamos que um programa de ajustamento é, em primeiro lugar, um programa de resolução de um problema de financiamento”, sublinha. “Esse problema está resolvido, porque o défice externo desapareceu. Era a causa última do endividamento. Está resolvido, porque as condições de financiamento são hoje perfeitamente razoáveis. O célebre ‘acesso aos mercados’ significa que é possível financiar-se a condições aceitáveis”, acrescenta, concluindo que “aquilo que o programa de ajustamento económicofinanceiro queria tratar tratou!” Mas “foi um programa perfeito?”, questionou. “Não, porque houve coisas que não se fizeram e deviam ter sido feitas”, nota Álvaro Santos Almeida, professor na Universidade do Porto. Também reconhecedor de méritos domésticos na conclusão do programa é o ex-ministro da Economia Daniel Bessa. “É irrecusável reconhecer que foi feito um trabalho interno. Na frente das contas com o exterior. Em matéria de contas públicas. Claro que muitas coisas não foram feitas como gostaríamos. Há

muitas áreas de reformas que não foram cumpridas. Mas, globalmente, temos de reconhecer que houve trabalho”, considera. “Agora, do ponto de vista dos indicadores económicos isto ter efeitos no bolso das pessoas? Isso...só mais tarde. Tem uma sequência. Mas há aqui coisas que mudaram para melhor. Temos de estar contentes. Moderadamente contentes”, acrescenta. E quanto à suavização dos “estragos sociais” deixados pelo programa? “Mesmo que não surja uma rápida recuperação, sabemos hoje que, quando o programa começou, estávamos a dias do Estado não ter como fazer pagamentos”, lembra Álvaro Santos Almeida. “Não foi numa situação em que estava tudo bem. Essa é a questão. Não podemos pensar que em 2011 estava tudo normal e, depois, veio a ‘troika’ e obrigou a fazer estas maldades todas. Não estava. A situação estava a resvalar para o abismo e o que a ‘troika’ fez foi impedir a queda no abismo”, indica. Daniel Bessa: “Sentia-me num avião com a morte à frente!” O aumento substancial de impostos, a perda de rendimentos e de empregos não foram, entre outros, custos elevados a pagar pelo conjunto da sociedade? “Hoje sabemos os estragos, mas eu dantes sentia-me metido num avião pilotado por alguém a caminho de uma parede qualquer. Até podia continuar ali sentado, mas a morte estava à minha frente. Como é que eu podia estar satisfeito metido num avião a caminho de um desastre?”, pergunta o ex-ministro da Economia Daniel Bessa. “Agora não me sinto assim. Ganho, talvez, metade do que ganhava. Ou menos. Ainda bem que há níveis de rendimento que foram poupados a estragos destes. Ainda bem. Queixo-me com alguma razão, mas sou um privilegiado. Tenho um nível de remuneração que permitiu acomodar estas perdas”, reconhece. “Felizmente, o salário mínimo não foi mexido. Milhão e meio – ou um pouco de mais – de pensionistas não foram tocados. Há estragos, claro, e os meus foram grandes. Mas sinto-me melhor assim que metido num processo a ir acabar em catástrofe”, acrescenta o director-geral da Cotec Portugal. Álvaro Santos Almeida: “2014 não se compara a 2011” Álvaro Santos Almeida argumenta pela impossibilidade de comparações com o passado. “O doente curou o cancro, mas era uma pessoa idosa, estava fraco e vai agora queixar-se do médico porque não se sente com a energia que tinha aos 20 anos?” é o exercício metafórico escolhido. “A questão é esta. Não podemos comparar a situação antes do programa com a situação pós-programa. O que o programa de ajustamento fez não foi pegar numa situação estabilizada e alterá-la. A situação não estava estabilizada. Se não houvesse programa estaríamos hoje muito pior do que estamos. Disso as pessoas não se apercebem, porque não sabem como estariam sem programa”, afirma o economista. Mas por que razão a percepção de boa parte da sociedade não parece coincidir com a visão de sucesso na conclusão do ajustamento? “Passei boa parte da minha vida em salas de aula da faculdade a discutir com os alunos os períodos de expansão, crise e recuperação económica”, lembra


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Daniel Bessa. “Num período de recuperação – é disso que falamos – há uma ordem. As coisas seguem essa ordem. As últimas variáveis a subir são emprego e salários. Primeiro subirá o emprego. Com os níveis de desemprego actuais nem sequer é recomendável que haja aumentos salariais. Nem é recomendável, nem há condições”, sustenta. “Normalmente, a primeira coisa a recuperar são as acções em Bolsa. O indicador das acções é dos primeiros a subir, muito na base não do que se passa, mas do que se espera. Um indicador de confiança”, observa, admitindo que “a 99% das pessoas nas suas casas – e também aos empresários – isto não lhes dirá muito”. O programa “Conversas Cruzadas” é emitido na Renascença aos domingos, entre as 12h e as 13h00. REVISTA DA IMPRENSA

O milhão de Figo e casas "debaixo de olho"

“Fisco investiga quem tem mais de uma casa”. O Jornal de Negócios avança que o cruzamento de dados, a ser feito pelas Finanças, pretende detectar contratos não declarados. “Nova tabela da Função Pública vai beneficiar os salários mais altos”. O Diário Económico escreve que a nova tabela da Função Pública vai beneficiar os quadros superiores a partir de 2015. Já o Correio da Manhã diz que “Figo salva milhão no BPP”. O ex-futebolista e o pai reclamavam 2,4 milhões ao banco de Rendeiro, mas recuperaram apenas um. “Novo comboio entre Porto e Vigo tem uma média de 26 clientes por viagem” e acumula 1,2 milhões de euros em prejuízos, avança o Público. Por último, o Diário de Notícias escreve que o “pânico do amianto quadruplica limpeza do material tóxico”. No ano passado, houve 471 pedidos de remoção da substância cancerígena em edifícios, contra 12 em 2012. A vitória do Benfica na Taça de Portugal está em quase todas as primeiras páginas. “1,2,3”, escreve o Jornal de Notícias. “Ele é Taça, Ele é dobradinha, ele é triplete”, escreve o i. No Públcio: "27 anos depois, o Benfica chega à dobradinha". Num olhar pelos editoriais, o Público refere-se ao

socialista “Contrato para a Confiança”, apresentado no sábado, para dizer que o texto, tal como outros documentos de outros partidos, não passa de “um belíssimo rol de boas intenções, mas incapaz de seduzir ou mobilizar os cidadãos”, pelo que a nova forma de fazer política podia começar por reformar este tipo de documentos.

Chefe de EstadoMaior da Armada admite dificuldades operacionais Almirante Macieira Fragoso deixou avisos no Dia da Marinha. O Chefe de Estado-Maior da Armada, Almirante Macieira Fragoso, deixou o alerta: a Marinha enfrenta grandes dificuldades, que estão a afectar a prontidão operacional. O aviso foi deixado durante as celebrações do Dia da Marinha, na baia de Cascais, perante o ministro da Defesa. Macieira Fragoso revelou que só se efectuaram as acções de manutenção estritamente necessárias, lembrando que a não manutenção de meios e a falta treino dos militares está a ter graves consequências. Um dos problemas apontados pelo "número 1" da Marinha foi o do envelhecimento da esquadra, problema que só se resolve com a compra de navios usados, já que não se pode esperar pela construção dos navios de patrulha oceânica e das lanchas de fiscalização costeira, porque a construção naval é lenta. O responsável disse ainda que importa, a curto prazo, colmatar o défice de manutenção dos meios navios e retomar os níveis de treino para garantir os adequados níveis de operacionalidade. Apesar das dificuldades que se avizinham para a Marinha, o Almirante Macieira Fragoso terminou apelando à coesão entre os militares. Com o orçamento expectável de 500 milhões de euros, o Chefe de Estado-Maior da Armada espera poder manter a operacionalidade mínima.

Liga de bombeiros repete candidato Joaquim Marinho insiste na tentativa de chegar à liderança depois de ter perdido as eleições por 70 votos contra Jaime Soares. Por Celso Paiva Sol

O presidente da Federação Distrital de Bombeiros de Viseu apresenta este sábado formalmente a sua candidatura à presidência da Liga dos Bombeiros num acto eleitoral que está marcado para Outubro, quando a instituição reunir em Congresso.


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Joaquim Marinho insiste na tentativa de chegar à liderança da Liga depois de ter perdido as eleições de há três anos por apenas 70 votos. À Renascença, Joaquim Marinho explica porque é que irá concorrer outra vez contra o actual presidente Jaime Soares. “Nas grandes linhas de orientação, no método, nas opções e também no estilo de liderança não me revejo, de facto, na actual liderança da liga, não me revejo na produtividade do exercício do mandato e nesse sentido, legitimamente, constituo-me como alternativa e vou a votos no próximo congresso”, disse. Joaquim Marinho diz que tem este ano os apoios são suficientes para ganhar e anuncia desde já a conquista de um trunfo importante ao adversário. “Parto convicto que os apoios que tenho serão suficientes para ter uma votação diferente, continuo com os apoios significativos muitos deles de há três anos, e conto, não há que o esconder, com o apoio que considero de vulto, que é o apoio do Duarte Caldeira, actual presidente da mesa de congressos da Liga na lista do Jaime Soares e que desta vez constitui comigo os órgãos sociais, exactamente, na presidência da mesa de congressos”. Entre as prioridades que irá incluir no seu programa eleitoral, Joaquim Marinho insiste na necessidade de autonomizar os bombeiros face à Protecção Civil. O candidato defende uma ruptura na forma como o sistema está organizado. “Considero que deve ser restituída a identidade dos bombeiros, ela não deve estar diluída na estrutura operacional da protecção civil. E que nós devemos ter uma hierarquia e um comandamento próprio, em termos a definir, de uma forma realista mas é importante haver rupturas neste modelo. Os bombeiros têm que ter o mesmo tratamento dos demais agentes, têm que ter uma hierarquia própria, têm de ter um estrutura própria e temos direito de ter uma Direcção Nacional de Bombeiros, um Comando Geral de Bombeiros, uma Direcção Geral de Bombeiros, chamemos o que lhe quisermos chamar”. Joaquim Marinho apresenta a sua candidatura este sábado à tarde, nos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras. EUROPEIAS

António Capucho vota “obviamente” PS Capucho deixou o PSD em Fevereiro na sequência da sua candidatura autárquica em lista adversária do partido em 2013. Esta manhã, afirmou esperar, tal como o PS, que as europeias de dia 25 sejam um ensaio para as legislativas. O antigo dirigente do PSD António Capucho manifestou este sábado o seu apoio à candidatura do PS para as eleições europeias, demonstrando "admiração pelas qualidades pessoais e políticas" de Francisco Assis. Numa sessão conjunta com o candidato socialista, esta

manhã, no Estoril, o antigo militante afirmou ser um cidadão partidariamente independente, que apoia o PS nestas eleições com o argumento de que é o partido com as melhores ideias para a Europa. Nas declarações aos jornalistas garantiu que não se coloca para já a militância no PS, pois espera uma regeneração do partido donde foi expulso. Confessa, por outro lado, que gostava de ver o PS a ganhar nas eleições legislativas. “Espero que sim, se se mantiver à frente do PSD as pessoas que dirigem o partido como têm conduzido até agora”, afirmou o também ex-conselheiro de Estado e fundador do PSD. António Capucho foi mandatário de Paulo Rangel, actual cabeça-de-lista da coligação "Aliança Portugal", nas eleições internas para liderança do PSD, mas rejeita que o seu apoio ao PS seja uma bofetada de luva branca. “Eu não bato em ninguém”, respondeu. Numa declaração escrita enviada antes do encontro com Francisco Assis, e a que a Renascença teve acesso, António Capucho explica que se identifica, “no essencial, com o manifesto eleitoral do PS" para as eleições europeias. "De facto, o Governo persiste na austeridade excessiva que leva ao definhar da economia, ao agravamento de desemprego e ao empobrecimento dos portugueses, sem resolver os principais problemas estruturais do país, como decorre designadamente da incapacidade de formular uma estratégia consequente de reformas e de inverter o crescimento da dívida", sublinha o antigo ministro e autarca social-democrata. Nesse sentido, Capucho considera que “a política governativa deve merecer nas urnas um claro voto de protesto por parte dos cidadãos eleitores". Feitas as críticas, vêm os elogios ao candidato socialista ao Parlamento Europeu. António Capucho diz que conheceu Francisco Assis "mais de perto" quando ambos lideravam os respectivos grupos parlamentares na Assembleia da República e acrescenta ter igual apreço "pela generalidade dos demais candidatos socialistas que integram uma lista corajosamente paritária". Chama, por exemplo, a atenção para Maria João Rodrigues, que ocupa o segundo lugar e que, no seu entender, tem uma "visão prospectiva sobre a União Europeia" com a qual se identifica. "Por tudo o que antecede, em consciência e em coerência, obviamente votarei PS", conclui António Capucho. O antigo militante foi expulso do PSD em Fevereiro, devido à sua candidatura autárquica à assembleia municipal de Sintra em lista adversária ao partido em 2013.

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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"Contrato de confiança" do PS defende fim da contribuição de sustentabilidade Socialistas repetem que não vão aumentar impostos. Acabar com a contribuição de sustentabilidade aplicada aos pensionistas e não aumentar impostos são dois dos compromissos do PS incluídos no contrato de confiança apresentado pelo líder do partido em plena campanha eleitoral para as Europeias. "Repito: Não aumentarei a carga fiscal", disse António José Seguro. "Mas será a primeira vez que um Governo empossado neste século não aumentará a carga fiscal em Portugal". "Os portugueses estão sobrecarregados de impostos. Fizemos as contas. Não aumentaremos os impostos", insistiu. O documento, apresentado no final da Convenção “Novo Rumo”, em Lisboa, prevê ainda acabar com os cortes no complemento solidário para idosos e em relação aos funcionários públicos fica o compromisso de que com o PS no governo não haverá despedimentos. Entre as prioridades dos socialistas está ainda o combate à fraude e à evasão fiscal, que a direcção de seguro aponta como um dos instrumentos para conseguir reduzir e mesmo eliminar a sobretaxa do IRS. Nos 80 objetivos políticos, António José Seguro promete ainda, se for primeiro-ministro, aumentar o salário mínimo nacional e implementar um plano de re-industrialização.

António Costa diz que “este é mesmo o Governo da Dona Inércia”

portugueses esperavam que tivessem uma boa notícia, que a ´troika' ia embora, e uma má notícia, que o Governo continuava. "Infelizmente, só tivemos uma má notícia: Com a identidade ideológica entre o Governo e a ´troika', com ´troika' cá ou com ´troika' lá, a política vai ser a mesma, porque é a política do PDS/CDS", afirmou. Depois, o presidente da Câmara de Lisboa pôs à plateia a rir ao procurar ilustrar a realidade do Governo com um anúncio publicitário em que entra o jogador de futebol Cristiano Ronaldo e a actriz Rita Blanco, a Dona Inércia. "Longe do virtuosismo de Cristiano Ronaldo, este é mesmo o Governo da Dona Inércia. Por ser o Governo da Dona Inércia, é que só se preocupa com a taxa de juro, julgando como a pobre da Dona Inércia que, tendo a mesmo taxa de juro do Ronaldo, ganha o mesmo que o Ronaldo", apontou. António Costa contrapôs que Portugal é um país "de gente que trabalha e que não está aqui para viver da riqueza das taxas de juro". "O caminho é investir e trabalhar", acrescentou.

Passos lembra que PS também se comprometeu com orçamento equilibrado Primeiro-ministro participou esta manhã numa acção de campanha de Jean-Claude Juncker à presidência da Comissão Europeia. Em declarações aos jornalistas, Passos Coelho reafirmou a necessidade de “manter a firmeza”.

Socialista lembrou um anúncio para criticar o Executivo PSD/CDS. O presidente da Câmara de Lisboa afirma que "troika cá" ou "troika lá" a política em Portugal é a mesma enquanto houver Governo PSD/CDS e recorreu à publicidade para comparar o executivo à "Dona Inércia". António Costa fez uma das intervenções mais aplaudidas na Convenção "Novo Rumo para Portugal" do PS, na antiga Feira Internacional de Lisboa (FIL). O dirigente socialista referiu-se ao Conselho de Ministros extraordinário deste sábado, dizendo que os

Jean-Claude Jucker com Passos Coelho na sede do PSD (foto: Miguel A. Lopes/EPA)

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reagiu este domingo de manhã às promessas eleitorais ontem avançadas pelo secretário-geral do PS, António José Seguro, lembrando os compromissos de equilíbrio orçamental assumidos perante os parceiros europeus. “Creio que é prematuro, nesta altura, estar a avançar com medidas que, no futuro, possam trazer alívio de


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natureza fiscal ou conduzir a novas políticas que traduzam um aumento de despesa fiscal”, começou por dizer. Numa conferência de imprensa na sede do PSD, em Lisboa, Passos Coelho sublinhou que Portugal tem “um orçamento para equilibrar”, objectivo que não decorre “da ‘troika’ ou do memorando de entendimento que agora acabou”, mas de um compromisso assumido “em termos europeus”. Até esse objectivo estar cumprido, sublinhou, “a responsabilidade e o rigor, a disciplina orçamental serão muito importantes e todos os partidos que se pronunciam no espaço público com a expectativa de vir a ser Governo, como é o caso do Partido Socialista, devem respeitar essa orientação, tanto mais que o PS também se comprometeu com estas metas de ter um orçamento equilibrado quando ratificou o chamado Tratado Orçamental na Assembleia da República”. O líder socialista apresentou, no sábado à noite, um “contrato de confiança”, que resumo as principiais promessas do PS quando voltar ao poder. Acabar com a contribuição de sustentabilidade aplicada aos pensionistas e não aumentar impostos são dois dos compromissos avançados por António José Seguro. Europeias são europeias, mas a firmeza é para manter Pedro Passos Coelho participou este domingo de manhã na campanha de Jean- Claude Juncker, candidato do PPE (família política do PSD) à presidência da Comissão Europeia, com quem deu uma conferência de imprensa. Em resposta aos jornalistas, o chefe do Governo português voltou a lembrar que o rigor deve ser mantido. “Estamos a meio da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu e não creio que seja um benefício estarmos a misturar as campanhas”, começou por dizer. “Em qualquer caso, posso afirmar, como tenho afirmado, que é muito importante, numa altura em que Portugal está a sair do programa de assistência, manter a firmeza que temos tido até aqui para prosseguir uma política orçamental que seja responsável e equilibrada”, defendeu. Jean-Claude Juncker, que quer substituir Durão Barroso à frente do executivo europeu, e participou ontem numa campanha da “Aliança Portugal” (PSD/CDS-PP) ao Parlamento Europeu. Durante o seu discurso, na Trofa, recomendou aos portugueses que "não acreditem nos socialistas", pois “lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos dias".

RAQUEL ABECASIS

Depois queixam-se da abstenção A última coisa de que precisávamos era que o líder da oposição, candidato a primeiroministro, viesse com estes 80 compromissos que já não enganam nem as crianças da creche.

Foi mais forte do que ele, depois de meses numa iniciativa que visava encontrar um programa credível para a próxima legislatura, que o PS espera ganhar, o líder socialista apresenta 80 compromissos totalmente irrealistas e em tudo iguais aos que outros já fizeram em vésperas de eleições, para depois, como todos sabemos, fazerem o contrário. Depois de quase um ano a reflectir - pasme-se António José Seguro promete aos portugueses que não vai aumentar impostos, que vai devolver o dinheiro aos pensionistas, que vai aumentar o salário mínimo e que para compensar tudo isto vai taxar os fundos de investimento e cortar nas gorduras do Estado. Ah! e também não vai despedir funcionários públicos. Foi assim que o líder socialista encerrou a convenção "Novo rumo", também ela uma ideia velha, porque é um "remake" das "Novas Fronteiras" de José Sócrates e dos originais "Estados Gerais", de António Guterres. Nos tempos difíceis que vivemos e em que o desencanto com a política e os políticos é cada vez maior, a última coisa de que precisávamos era que o líder da oposição, candidato a primeiro-ministro, viesse com estes 80 compromissos que já não enganam nem as crianças da creche. Diz António José Seguro que fez as contas. Os portugueses também e, contas feitas, cada vez têm menos razões e vontade de ir votar, em quem tem por eles tão pouca consideração.


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FORA DA CAIXA

EUROPEIAS 2014

Se economia não melhorar, pessoas “podem ir da abstenção para a revolta"

PND quer sair do euro

Santana Lopes considera fundamental que a economia melhore. Já António Vitorino diz que vai ser preciso “combater a sério” Lo Pen se vencer em França. Pedro Santana Lopes considera que se a economia melhorar as pessoas podem sair da abstenção, caso contrário podem passar da abstenção “para a revolta”. “Temos conjugado uma tendência crescente da abstenção com uma confirmação de dificuldades de crescimento da economia. As duas realidades conjugadas é que podem fazer o tal cocktail algo explosivo. Se a economia começar a crescer, a melhorar, as pessoas podem sair da abstenção. Se não, podem ir da abstenção para a revolta”, disse o comentador. O “Fora da Caixa”, da Renascença, debateu extremismos, os eurocépticos e os nacionalismos. A propósito de extremismos, António Vitorino critica a extrema-direita francesa por ter sido bem recebida em Moscovo para apoiar “a política expansionista de Vladimir Putin”, na Rússia. Marine Le Pen está a fazer o jogo da Rússia, por isso, se ela ganhar “vamos ter de a combater a sério”. “Em países como França, Reino Unido e Holanda, além dos Governos perderem, a oposição – de esquerda ou direita consonante os casos – não ganha. E aí é que está a questão preocupante é que estes votos são claramente anti-sistema e vão ter repercussões na vida política interna desses países. Se a senhora Le Pen for o partido mais votado nas eleições em França, não tenho a menor dúvida que isso vai ter ondas de choque em toda a vida política interna francesa”, acrescenta o antigo comissário europeu. Após as eleições europeias de 25 de Maio teremos um Parlamento Europeu mais polarizado politicamente, refere Vitorino, o que pode obrigar os dois blocos do meio a juntar-se mais, mas pode ter o efeito contrário. Santana Lopes diz-se eurocéptico mas, ao mesmo tempo, entusiasta do projecto europeu, não dogmático e acrescenta que o projecto europeu não é ser eurocéptico, é ser anti este projecto. O programa "Fora da Caixa", que pode ouvir à sextafeira a partir das 23h00, na Edição da Noite, é uma colaboração da Renascença com a EURANET PLUS, rede europeia de rádios.

Eduardo Welsh acredita que o país empobreceria se saísse da moeda única, mas que vai empobrecer também no euro. O cabeça de lista do Partido da Nova Democracia (PND) às Europeias defende a saída de Portugal da moeda única. Em entrevista à Renascença, Eduardo Welsh confirma que o seu partido “questiona as políticas da União Europeia do euro”. “À direita existe a coligação e são a favor da federação europeia, a favor do euro e nós somos os únicos à direita que questionam isso”. Welsh está consciente que sair da moeda única implica “a certeza de empobrecer e reequilibrar para o nível da economia real” mas, acrescenta, que “se ficarmos ficamos mais pobres na mesma”. O número 1 da lista do PND, madeirense, acrescenta que a Madeira é um micro-cosmos de tudo o que pode correr mal na Europa.

Cavaco acredita que "milhares adicionais de chineses” virão a Portugal Presidente pede reforço de pessoal nos consulados de Macau, Pequim e Xangai.

Por Eunice Lourenço em Macau

Cavaco Silva acredita que, em resultados da sua visita oficial à China, vão chegar a Portugal "milhares adicionais de chineses" e que será necessário reforçar os consulados de Macau, Pequim e Xangai. "Imaginando que muito mais chineses querem visitar Portugal vão precisar de um visto e portanto temos de pensar como é que podemos responder com brevidade aos pedidos que nos são apresentados. Por isso, o sr. embaixador e o sr. cônsul com certeza que anseiam por ter mais funcionários que possam dar resposta aos pedidos que possam ser apresentados


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pelos milhares adicionais de chineses que nós gostaríamos de receber em Portugal", afirmou o Presidente da República, na conferência de imprensa em que fez o balanço da visita oficial à República Popular da China. Esses milhares não serão apenas turistas. Cavaco ficou "com a ideia de que, depois desta viagem, haverá muitos mais empresários chineses a querer visitar Portugal". E explicou porquê: "Percebi e compreende-se num país como a China que o facto de se tratar de uma visita de Estado a convite do Presidente Xi isso conta na reacção dos próprios empresários." O Presidente fez estas declarações em resposta a uma pergunta de uma jornalista de um orgão de comunicação macaense, que questionou o Presidente sobre a falta de meios no consulado, o que motiva longas filas. Cavaco Silva tinha a seu lado Rui Machete e logo o interpelou: "Sr. ministro posso responder que vai ser feito um esforço para reforçar o pessoal aqui em Macau, mas também em Pequim e Xangai?" Perante o espanto do ministro dos Negócios Estrangeiros, o Presidente concluiu: "O sr ministro apesar de não ter barbas vai pô-las de molho." VISITA À CHINA

Presidente da AICEP espera "resultados intensos" nos próximos anos Visita à China foi a primeira missão externa do novo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Miguel Frasquilho. “Podem estabelecer-se relações económicas muito sólidas", considera.

investimentos. "Os números mostram que há margem para muito mais", disse Frasquilho aos jornalistas, em Macau, onde terminou a visita oficial do Presidente da República à China, que incluiu uma delegação de uma centena de empresários e a realização de dois seminários. "As exportações de Portugal para a China pesam apenas 1,7% das nossas exportações totais e pesam 0,1% no mercado chinês por. Por estes números se pode ver a dimensão e a margem de progressão que existe", continuou o presidente da AICEP, para quem "há uma relação muito grande de confiança e de compromisso entre os dois países e assim podem estabelecer-se relações económicas muito sólidas". Segundo Miguel Frasquilho, a esmagadora maioria dos empresários teve encontros bilaterais com empresas chinesas, pelo que acredita que possam nascer novos negócios. Quanto aos chineses que já investem em Portugal, parecem satisfeitos e prontos a investir mais. "Os investidores que já estão presentes em Portugal manifestaram também interesse em poderem expandir as suas actividades para outras áreas, não só em Portugal, como noutros países europeus, como a partir de Portugal para a África que fala português", afirmou. O presidente da AICEP reconhece, contudo, que "isto agora precisa de ser concretizado". Mas, a concluir, garante: "Irá ser concretizado!" PARCERIA RENASCENÇA/VER

Stress é denominador comum nas doenças profissionais É essencial que as organizações desenhem e implementem planos estruturados, com protocolos de resposta que envolvam de forma integrada várias equipas, das áreas de Higiene e Segurança no Trabalho à da Medicina, entre outras. Por Gabriela Costa

Miguel Frasquilho acompanhou o Presidente da República na viagem à China (foto: Estela Silva/Lusa) Por Eunice Lourenço

A visita à China foi a primeira missão no exterior do novo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Miguel Frasquilho, que volta a Portugal muito satisfeito e com a esperança de "desenvolvimentos intensos" nos próximos anos no que diz respeito a exportações e

Aumento de pressão sobre os objectivos, menor flexibilidade de horários ou redução de salários e do número de efectivos são algumas das causas que, aliadas às consequências da crise, têm feito disparar os riscos psicossociais relacionados com o trabalho. A OutCOme, a única empresa portuguesa de Gestão de Incidentes Críticos nas organizações, aliou-se à recentemente lançada campanha europeia de combate ao stress, para mostrar como este é hoje “um denominador comum às doenças profissionais” Na perspectiva da OutCOme, que actua, há 11 anos, na redução dos riscos psicossociais e na implementação de programas de Gestão de Stress, no actual contexto de crise socioeconómica - que “torna ainda mais complexa a gestão de colaboradores” e onde “os elementos de risco potenciadores de gerar


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situações delicadas se tornam mais presentes” -, é essencial que as organizações desenhem e implementem planos estruturados, com protocolos de resposta que envolvam de forma integrada várias equipas, das áreas de Higiene e Segurança no Trabalho à da Medicina, entre outras. Por isso mesmo, a OutCOme associou-se à campanha da Agência Europeia para a Saúde e a Segurança no Trabalho “Locais de trabalho saudáveis contribuem para a gestão do stress”, que exorta as empresas europeias a desenvolverem um trabalho conjunto entre empregadores e trabalhadores, fornecendo ferramentas de apoio para enfrentar esta problemática. Em entrevista ao portal VER, a directora-geral da OutCOme, Sandra Gonçalves Monteiro, defende que colocar esta temática no topo das prioridades da Europa “é um reconhecimento inequívoco do investimento que é necessário as organizações fazerem no aumento da segurança psicossocial”. Leia mais no portal VER.

Libertada portuguesa que estava detida na República Dominicana Maria Salomé Santos esteve detida durante 15 dias depois de ter sido acusada de transportar uma mala com 50 quilos de cocaína. Foi libertada pelo tribunal a portuguesa que tinha sido detida no início do mês na República Dominicana por alegado tráfico de droga. Segundo avança a SIC Notícias, Maria Salomé Santos, de 70 anos, saiu em liberdade depois de a terem interceptado com uma mala que transportava 50 kg de cocaína e que as autoridades diziam ser da portuguesa. Há 15 dias que a portuguesa estava detida e chegou mesmo a ser transferida para uma clinica por causa dos problemas de saúde que apresenta. Perante este erro judicial pode esta mulher ser compensada de alguma forma? Pedro Duro, advogado especialista em direito penal, explica que é pouco provável. De acordo com a SIC Notícias, esta portuguesa ouviu do procurador do Ministério um pedido de desculpas pelo erro cometido. Salomé Santos vai regressar a Portugal nos próximos dias.

Candidato a lugar de Barroso recomenda que não se acredite em socialistas Jean-Claude Juncker esteve na campanha da Aliança Portugal na Trofa.

O candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, recomendou aos portugueses que "não acreditem nos socialistas", que comparou ao navegador Cristóvão Colombo, a quem se referiu como sendo português. "Não acreditem nos socialistas", declarou o exprimeiro-ministro do Luxemburgo, durante um jantar comício da coligação PSD/CDS para as eleições europeias, na Trofa. "Eles lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos dias", acrescentou Juncker. No seu discurso, o candidato do PPE à Comissão Europeia considerou que "Portugal entrou recentemente numa fase difícil da sua história", não devido "aos erros do povo português", mas "aos erros cometidos num passado recente", antes do actual Governo PSD/CDS assumir funções. Em seguida, Juncker disse ter constatado hoje, "com algum divertimento, que o PS apresentou um programa de Governo", acrescentando: "Eu preferia que eles tivessem tido um programa responsável quando estavam no Governo". O ex-presidente do Eurogrupo fez uma intervenção em francês, que foi sendo traduzindo para português, mas no início saudou os presentes em português, erguendo uma bandeira da coligação PSD/CDS: "Boa noite, Trofa. Boa noite, Portugal. Boa noite, Aliança Portugal".


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FRANCISCO SARSFIELD CABRAL

Barbaridade no Sudão O Islão não distingue a lei civil da religiosa. O facto de alguém optar pelo cristianismo dá direito a pena de morte. Mas a opinião pública ocidental não parece muito preocupada. Talvez não seja politicamente correcto.

Cientistas americanos removem cancro com vacina do sarampo Equipa desenvolveu uma terapia que se aplica uma vez, cujo "resultado pode ser remissão do cancro a longo prazo".

Por Francisco Sarsfield Cabral

No Sudão, um tribunal condenou à morte uma mulher, Mariam Yahya Ibrahim, filha de um muçulmano e de uma cristão copta. Mariam optou pelo cristianismo da mãe e casou com um cristão. São estes os seus crimes, segundo a “sharia”, a lei islâmica que, no Sudão como em muitos outros países, é lei do Estado. O tribunal ainda lhe deu quatro dias para abjurar da sua fé e aderir ao islamismo; Mariam recusou, tornando-se mais uma mártir. Junta-se a uma multidão de cristãos que, nos dias de hoje e já não no tempo do império romano, morrem pelo simples facto de serem cristãos. Este caso já suscitou protestos oficiais de vários países. Mas a opinião pública ocidental não parece muito preocupada com mais este atentado à liberdade religiosa. Talvez não seja politicamente correcto. O Islão não distingue a lei civil da religiosa, mas não tem que ser, necessariamente, uma fonte de barbaridades destas. Por isso seria bom ouvir uma palavra de repulsa da parte de islâmicos moderados, sobretudo dos que vivem na Europa e aqui gozam de liberdade religiosa. Liberdade que não é recíproca.

TERÇA A NOITE. O espaço de entrevista da Renascença. Todas as semanas, a partir das 23h, a entrevista conduzida por Raquel Abecasis.

Uma equipa médica norte-americana conseguiu curar um cancro na medula óssea de uma mulher usando uma vacina do sarampo reforçada. A descoberta é revelada num artigo publicado na revista “Mayo Clinic Proceedings”. No artigo, o hematologista Stephen Russell afirma que a equipa desenvolveu uma terapia que se aplica uma vez, cujo "resultado pode ser remissão do cancro a longo prazo". "Nós acreditamos que ela pode ser uma cura em dose única", disse Stephen Russell sobre os resultados apresentados por uma paciente de 49 anos diagnosticada com mieloma múltiplo, um tipo de cancro que tem origem nas células plasmáticas, um tipo de glóbulos brancos. À doente foi dada uma dose intravenosa do vírus do sarampo, que é seletivamente tóxico para as células de plasma de mieloma. Uma dose normal de vacina contra o sarampo contém 10 mil unidades infeciosas de vírus do sarampo, mas, neste estudo, a equipa aponta para uma dose de 100 mil milhões de unidades infecciosas. "Ela teve uma resposta notável", garantiu Stephen Russell, indicando que um tumor na testa desapareceu, apesar de, inicialmente, ter tido alguns efeitos colaterais, incluindo uma forte dor de cabeça. De acordo com o hematologista (que estuda o sangue), a remissão do cancro durou nove meses e quando o tumor na testa da paciente começou a reaparecer, os médicos trataram-no com radioterapia local. Um relatório publicado no Minneapolis Star Tribune indica que a mulher, atualmente com 50 anos, continua de boa saúde e espera visitar o seu médico no mês de junho para mostrar que ainda está livre do cancro. Rastrear caminho do vírus do sarampo


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Rastrear caminho do vírus do sarampo A equipa médica norte-americana aplicou a mesma terapia a uma segunda paciente, mas não obteve bons resultados, porque a doente tinha grandes tumores nas pernas e a terapia não conseguiu erradicá-los. No entanto, por meio de estudos avançados de imagem, os médicos foram capazes de rastrear o caminho do vírus do sarampo no corpo desta doente, tendo descoberto que estava realmente a atacar áreas onde os tumores estavam a crescer. Ambas as mulheres tinham tido exposição limitada ao sarampo no passado e os tipos de cancro que apresentavam tinham-se espalhado para pontos onde não tinham outras opções de tratamento. Um artigo publicado por John Bell, do Centro de Pesquisa do Cancro do Instituto de Investigação do Hospital de Ottawa considerou que a prova apresentada no estudo agora divulgada pelos cientistas norte-americanos foi "convincente". "Estes resultados são emocionantes por finalmente validarem o potencial clínico desse tipo de terapia. No entanto, há muita pesquisa a ser feita", escreveu Jonh Bell.

Mais de 20 detidos na Turquia devido a desastre na mina A polícia tem estado a investigar o acidente na mina desde o dia do desastre. Executivos da empresa entre os detidos. A polícia turca deteve 24 pessoas suspeitas de negligência no acidente de terça-feira numa mina de carvão, situada na província de Manisa, na zona ocidental da Turquia. Entre os detidos, estão alguns executivos da Soma, a empresa da mina. A polícia tem estado a investigar este acidente, uma explosão que se fez seguir de um incêndio, que resultou na morte de 301 trabalhadores. As operações de socorro na mina terminaram sábado e hoje foram enterradas as últimas vítimas. Os protestos – em que os turcos pedem a responsabilização dos culpados - continuam em várias cidades da Turquia.

Acidente grave faz dezenas de vítimas no Brasil Não foram ainda apontadas as razões para o acidente. Mais de 20 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas num acidente de um autocarro em Ceará, no nordeste do Brasil.

De acordo com fontes oficiais, a maioria dos feridos são graves e foram levados para o hospital da região. Não foram ainda apontadas as razões para o acidente.

Papa critica “modo passivo” de viver a dor Francisco recebeu duas associações por ocasião do centenário do Beato luiji Novarese. O Papa Francisco deixou este sábado um conselho aos que vivem na dor e no sofrimento. “Há muitos modos certos e errados de viver a dor e o sofrimento. Uma atitude errada é viver a dor de modo passivo, deixando-se ir com inércia e resignação”, afirmou no Vaticano. “Também a reacção da revolta e da recusa não é uma atitude justa. Jesus ensina-nos a viver a dor aceitando a realidade da vida com confiança e esperança, metendo o amor de Deus e do próximo também no sofrimento e o amor transforma todas as coisas”, concluiu. Francisco falava por ocasião da audiência a duas associações por ocasião do centenário do Beato luiji Novarese. PAPA FRANCISCO

“Invejas e ciúmes nunca nos poderão levar à concórdia” O recado do Papa não se dirige apenas aos fiéis, mas também à própria Igreja Católica. Na oração Regina Coeli, Francisco lembrou também as vítimas das cheias nos Balcãs. O Papa Francisco deixou este domingo um avisou sobre o mal que a inveja provoca no diálogo da paz e na harmonia. Num recado para dentro, afirmou: “Confrontando-nos, discutindo e rezando, assim se resolvem os conflitos na Igreja”. Mas “a maledicência, as invejas e os ciúmes nunca nos poderão levar à concórdia, à harmonia ou à paz”, acrescentou perante milhares de peregrinos na Praça de São Pedro, no Vaticano. Durante a oração Regina Coeli, esta manhã, Francisco lembrou também as vítimas das cheias na região dos Balcãs. Dezenas de cidades foram invadidas pelas águas e há zonas só acessíveis por botes. “Graves inundações atingiram largas zonas dos Balcãs, sobretudo na Sérvia e na Bósnia. Exprimo a minha proximidade a todos os que estão a viver horas de angústia e de atribulação. Rezemos juntos a Nossa Senhora por estes irmãos e irmãs em tão grande


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dificuldade”, pediu.

Papa nomeia cardeal para celebrações da diocese do Funchal Escolhido é o perfeito da Congregação para a Evangelização do Povo. Diocese madeirense comemora 500 anos. O Papa Francisco nomeou o cardeal Fernando Filoni como seu enviado especial às celebrações dos 500 anos da diocese do Funchal. O anúncio foi feito este sábado. Fernando Filoni é o perfeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e vai participar nas celebrações que decorrem entre 13 e 16 de Junho, na Madeira. A diocese do Funchal foi criada pela Bula “Pro Excellenti”, assinada pelo Papa Leão X, em Junho de 1514. Compreendia, então, não só as ilhas do arquipélago, como todos os territórios descobertos ou a descobrir pelos portugueses. A sua jurisdição estendia-se por todo o território africano ocidental e oriental, pelo Brasil e pela Ásia.

Telhas do Bom Jesus assinadas pelos visitantes O santuário está em obras e precisa de angariar fundos. Cada visitante pode oferecer uma telha e nela “deixar para a posterioridade” a sua marca. A Confraria do Bom Jesus do Monte lançou, esta sextafeira, uma campanha de angariação de fundos para as obras de restauro do Santuário do Bom Jesus de Braga, orçadas em 1,6 milhões de euros. Com a “Campanha da Telha”, os visitantes do Bom Jesus podem ser beneméritos do santuário. Basta “deixar o seu nome numa telha do Bom Jesus”, explicou à Renascença um dos confrades do santuário, Varico Pereira. As telhas estão à venda no santuário e cada uma custa 10 euros. A igreja, o escadório, 10 das 19 capelas e outros elementos do património artístico vão ser restaurados. "O objectivo é requalificar o Bom Jesus, para o tornar mais atractivo", diz. As obras, que vão durar até 2015, nascem da “ânsia” da confraria “pela classificação do Bom Jesus a Património Mundial da Humanidade”. A candidatura já foi entregue à comissão nacional da Unesco e aguarda agora uma resposta. A Confraria do Bom Jesus do Monte acredita que a decisão será conhecida nos “próximos dois a três anos”.

ÉVORA

“Rota das Igrejas” mostra património religioso menos conhecido O projecto vai na quarta temporada com um número crescente de participantes. Não tem apoios financeiros e desenvolve-se à base do voluntariado para dar a conhecer espaços religiosos pouco conhecidos e, habitualmente, inacessíveis ao público.

Foto: GAPAE Por Rosário Silva

“Abrir as igrejas que estão habitualmente fechadas ao público e promover visitas guiadas com conteúdo informativo mais completo na área artística, histórica, iconográfica ou litúrgica” é um dos objectivos da “Rota das Igrejas” de Évora, segundo a arquitecta Estela Cameirão. O projecto nasceu em 2010 com a intenção de também “divulgar o património religioso e sensibilizar o público em geral para a sua conservação e para a sua importância”, revela à Renascença a responsável pelo Gabinete de Arquitectura e Património da Arquidiocese de Évora (GAPAE). Sem apoios financeiros, a Rota é dinamizada por uma equipa técnica constituída, não só por representantes do GAPAE, como também da Comissão Diocesana de Bens Culturais da Igreja e da própria Câmara Municipal de Évora. Em quatro temporadas, foram efectuadas 30 visitas a espaços religiosos de matriz cristã, localizados no concelho de Évora. O número de interessados nestes templos menos conhecidos e nem sempre acessíveis tem vindo a crescer e atrai um público diversificado. “É um público que é curioso, que é interessado, que quer saber mais, que tem sede de conhecer o património, especificamente, o de caracter religioso. São pessoas de várias idades, com uma média entre os 40 e os 70 anos. Mas também aparecem outras pessoas com outros interesses, nomeadamente a fotografia e o desenho”, esclarece Estela Cameirão. Além de quem frui deste património, há os próprios


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locais que “ficam admirados com a importância artística ou histórica que tem a sua igreja” despertando neles o “interesse de pertença pelo seu património, do querer cuidar e zelar por algo que receberam dos seus antepassados”. Salienta a arquitecta que esta é uma “ajuda para perceberem que práticas devem ter, o que devem ou não fazer, o que é melhor para poder conservar aquele monumento, aquela igreja, aquela capela ou aquela ermida”. A responsável do GAPAE, criado pelo arcebispo D. José Alves, ambiciona ver a “Rota das Igrejas” chegar a toda a Arquidiocese, mas reconhece que não é fácil. O desafio é grande e pode passar pela concretização de uma estratégia que sensibilize para a salvaguarda do património. “Passaria por um plano, uma estratégia mais abrangente de intervenção, de sensibilização, de levantamento ou mesmo de diagnóstico. É tudo o que gostaríamos de fazer num futuro com este desejo de salvaguardar o nosso património, pois acreditamos que através dele também servimos o bem comum, faz parte da nossa memória, das nossas raízes, da nossa identidade cristã” acalenta. Todos os meses uma equipa técnica elege, para visitar de forma gratuita, um espaço religioso e faz a sua divulgação usando para o efeito as novas tecnologias. Desta forma promove-se o património religioso, em muitos casos esquecido e por isso mais vulnerável, deixando o alerta para a necessidade de conservar estes espaços com características únicas de elevado interesse cultural.

No Santuário da N. S. do Desterro há um jardim e figuras de tamanho real Foi classificado como conjunto de interesse público, mas o pároco da freguesia não percebe esta “moda” de se classificar todos os santuários. “Talvez venha aí uma chuva de dinheiro para os restaurar a todos”, ironiza. No concelho de Seia existe uma capela que é um jardim com flores. E outra onde as figuras bíblicas são exactamente do tamanho real. É o Santuário da Nossa Senhora do Desterro, foi classificado como conjunto de interesse público. O santuário é composto por 10 capelas, cada uma com um ponto de interesse específico. A primeira terá sido construída em 1650. As outras nove foram erguidas ao longo de mais de 200 anos, nas margens do rio Alva. O conjunto evoca os ciclos da Infância e Paixão de Cristo. O professor António Abrantes mostrou à Renascença duas das capelas: a dos Doutores e outra capela, onde, depois de se abrir a porta, se dá de caras com um jardim – é a capela do Horto. Estas capelas foram classificadas há pouco tempo como conjunto de interesse público, nomeação que

não exalta o ânimo do padre José Martinho, pároco da freguesia há 63 anos. “Em termos de investimento, não vamos ter ajudas nenhumas. Vamos até ter dificuldades, porque se quisermos mexer num santo ou no altar vamos ter de pedir autorização não sei a quem”, lamenta. “Parece que hoje está na moda classificarem todos os santuários, não sei porquê. Talvez venha aí uma chuva de dinheiro para os restaurar a todos”, acrescenta. Se o dinheiro cair como chuva, o padre Martinho gostava de, por exemplo, restaurar a casa dos romeiros. É que, em tempos o Santuário recebia milhares de peregrinações. “Imensas [pessoas], mas agora vem menos gente. Isto é um sítio paradisíaco”, afirma. Com ajuda de donativos o Santuário tem sido alvo de diversas melhorias, que devem prolongar-se nos próximos tempos. É, pelo menos, essa a expectativa de Celso Santos, da confraria da Nossa Senhora do Desterro. Os nomes das dez capelas do santuário são: capela Senhora da Anunciação, capela dos Doutores, capela do Encontro, capela do Calvário, capela do Nicho, capela da Sr. do Desterro, capela da Senhora da Apresentação, capela da Senhora da Piedade, capela do Horto e capela da Senhora da Boa Viagem. O dia 15 de Agosto é considerado o mais importante do ano para a aldeia da Senhora do Desterro. MUSEU DE ARTE ANTIGA

A arte de Turim patrocinada pelos Saboias Uma centena de peças vai evocar, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, o trabalho de artistas do século XVIII, ao serviço da Casa de Saboia, na transformação radical de Turim, em Itália. “Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750)” é o título da exposição, criada pelo Museo Civico d’Arte Antica-Palazzo Madama, de Turim, no âmbito da parceria entre as duas instituições. Abre ao público este sábado e fica até 21 de Setembro. Veja a fotogaleria no site da Renascença.

Mirandês fora de portas Está constituída a Associação de Língua e Cultura Mirandesa, para "saltar" as fronteiras do concelho. Por Olímpia Mairos

Pela primeira vez na sua história, a língua e a cultura mirandesas vão dispor de um organismo para a sua promoção e divulgação, dentro e fora do seu espaço


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geográfico. A Associação de Língua e Cultura Mirandesa é apresentada este sábado na vila de Sendim, no concelho de Miranda do Douro. “Este novo organismo pretende ser uma ‘pedrada no charco', para que se possa dar um passo em frente no domínio da língua e da cultura mirandesa”, afirma o investigador e escritor da língua e cultura mirandesas, Amadeu Ferreira. Um dos objectivos da nova associação é “alargar” o estudo da língua mirandesa e da sua vertente cultural e de ensino para além do concelho de Miranda do Douro. “Queremos englobar nesta nova associação todos concelhos de área de Trás-os-Montes que têm uma forma de cultura similar à mirandesa”, explica o investigador à Renascença, acrescentando que, do ponto de vista da promoção linguística do mirandês, pretendem, “para além do concelho de Miranda do Douro, englobar aquilo que foram os falares leoneses na região trasmontana”. A Associação de Língua e Cultura Mirandesa quer também preencher a lacuna da inexistência de uma fundação ou instituto da língua mirandesa, um sonho de investigadores e autarcas locais que não se concretizou, segundo Amadeu Ferreira, “muito por falta de vontade política”. “Houve muito esforço da minha parte e de outras pessoas para se criar uma fundação ou instituto da língua mirandesa. Porém, os políticos só ligam àquilo que querem e convenceram-se que o mirandês não lhes dava votos”, critica Amadeu Ferreira. “Os políticos nunca quiseram saber do mirandês para nada, quer os nacionais, quer os locais. Até agora, apenas se oficializou o mirandês pela mão do então deputado socialista Júlio Meirinhos, mas tudo isso passou e pouco ou nada se fez”, constata Amadeu Ferreira. O direito a preservar e promover a língua mirandesa, enquanto património cultural, instrumento de comunicação e de reforço de identidade da terra de Miranda, é reconhecido pela lei n.º 7/99, de 29 de Janeiro. O ensino do mirandês, como opção, nas escolas do concelho de Miranda do Douro é ministrado desde o ano lectivo 1986/87, por autorização do Ministério da Educação. Em 2008, foi estabelecida uma convenção ortográfica, patrocinada pela Câmara de Miranda do Douro e levada a cabo por um grupo de linguistas, com vista estabelecer regras claras para escrever, ler e ensinar o mirandês, bem para como estabelecer uma escrita o mais unitária possível e consagrar o mirandês como a segunda língua oficial em Portugal.

carne com clembuterol, uma substância proibida, que pode melhorar a condição física. O organismo que rege o futebol mundial detectou carne contaminada no México e noutros países da América do Sul, que não quis revelar. A substância também pode indicar a realização de transfusões sanguíneas, um método proibido pelos regulamentos antidopagem. O clembuterol já levou, por exemplo, o ciclista Alberto Contador a perder na secretaria a Volta a França de 2010. O Mundial decorre entre 12 de Junho e 13 de Julho.

Feridos num estádio em Espanha Barreira cedeu após um golo do Osassuna. Jogo foi retomado depois de vários minutos de interrupção para apoio aos feridos.

Foto: Jesus Diges/EPA

Há dezenas de feridos em Espanha na sequência da queda de uma barreira no Estádio do Osasuna, em Pamplona. O incidente fez 60 feridos ligeiros, 10 dos quais a necessitar de assistência hospitalar. A barreira cedeu aos 12 minutos quando os adeptos festejavam o golo do Osasuna contra o Betis. O jogo da última jornada do campeonato foi, entretanto, retomado depois de cerca de meia-hora de paragem para apoio aos feridos. [actualizado às 17h56]

FIFA alerta para carne consumida durante o Mundial A prova decorre entre 12 de Junho e 13 de Julho. A FIFA alerta os jogadores e as selecções que vão estar no Mundial do Brasil para o perigo de ingestão de

PRINCÍPIO E FIM. Um espaço de informação social e religiosa. Ao domingo, a partir das 23h30, com Ângela Roque.


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REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA

Cromos repetidos

A linha de pensamento lisboeta espelha-se nas manchetes quase idênticas dos diários desportivos da capital. "Tri inédito", escreve o Record, enquanto A Bola junta as palavras: "Trinédito". O diário O Jogo destaca também a vitória benfiquista de ontem, em Oeiras, e escreve: "Mãos de aço na 25ª Taça". Também em O Jogo, outros destaques: "Mangala disse a Mendes para esquecer o mercado" e "Juniores C: Benfica campeão no Olival". No Record, a reter uma declaração de Marco Silva: " Estou preparado para grandes desafios". A Bola diz que "Karzenis é hipótese se Rui Patrício sair" e que "Mangala prefera Chelsea ao City". RIBEIRO CRISTÓVÃO

Para a História Face a todas estas conquistas, todas elas indiscutíveis, não pode deixar de se acentuar o mérito do Benfica.

Por Ribeiro Cristóvão

O Benfica despediu-se ontem da temporada iniciada em Agosto do ano passado, encerrando esse ciclo de forma quase brilhante, tendo faltado apenas a vitória em Turim, onde cedeu perante o Sevilha, com o clube andaluz a conquistar a sua terceira Taça UEFA ou da Liga Europa, consoante as temporadas em que tiveram lugar esses triunfos. Trata-se, assim, de uma temporada que vai ficar para a

história. E, se recordarmos que o Benfica não lograva alcançar a dobradinha há 27 anos, o feito ontem consumado no Estádio Nacional reveste-se ainda de maior importância. Os comandados de Jorge Jesus juntam assim o campeonato, a Taça da Liga e a Taça de Portugal, podendo ainda acrescentar-lhe, em Agosto próximo, a Supertaça, correspondente à temporada finda, se nessa altura voltar a vencer o adversário já determinado: novamente, a equipa de Vila do Conde. Face a todas estas conquistas, todas elas indiscutíveis, não pode deixar de se acentuar o mérito do Benfica. Mesmo tendo em conta o início algo sombrio e titubeante do grupo encarnado, com Jorge Jesus a ser então questionado por uma ampla faixa dos adeptos do emblema da águia, a verdade é que a qualidade dos seus jogadores permitiu que paulatinamente atingisse o comando para daí não mais se afastar até ao ocaso da temporada. Festejados todos os títulos conquistados, começa agora o tempo de projectar o futuro imediato. Que não se adivinham fáceis, não apenas para o Benfica, mas para todos os clubes portugueses, sobretudo, para aqueles que habitualmente ocupam os lugares de topo. Os tempos que aí vêm vão certamente exigir uma gestão mais equilibrada do futebol português. As dificuldades por que passa o país e, concomitantemente, todos os portugueses não podem continuar a passar ao lado dos clubes que, nos anos da vigência da 'troika', agora despedida, fizeram de conta que não se passava nada.

Portugal falha acesso à final em sub-17 Inglaterra vai agora defrontar Holanda ou Escócia. A selecção portuguesa de sub-17 perdeu com a Inglaterra por 2-0 e falhou acesso à final do Europeu. A equipa das quinas dominou, especialmente no primeiro tempo, mas falhou sempre na finalização. O primeiro golo inglês surgiu aos 52 minutos, por Solanke, e aumentou a vantagem por Patrick Roberts (0-2), aos 74 minutos. Portugal falhou no jogo decisivo e não conseguiu repetir o título da categoria, conquistado pela última vez em 2003. Holanda e Escócia discutem a outra meia-final.


Segunda-feira, 19-05-2014

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