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EDIÇÃO PDF Directora Graça Franco

Quarta-feira, 23-04-2014 Edição às 08h30

Editor Raul Santos

Regresso pleno aos mercados serve para melhorar a imagem de Portugal Portugueses tencionam gastar mais e poupar menos

Noite de caos no Rio de Janeiro. Uma pessoa foi morta a tiro

Vinte anos a ser a voz de um Papa

Historiador defende que austeridade não põe democracia em risco

Governo ainda não Memórias dos decidiu que "retornados" 40 repartições das anos depois finanças vão fechar

O 25 de Abril dos milionários

Portas volta a negar cortes. “Custos do trabalho já ajustaram”

ISABEL CAPELOA GIL

O novo ressentimento


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Regresso pleno aos mercados serve para melhorar a imagem de Portugal Primeiro leilão "sem rede" desde o pedido de resgate. Por Filipe d’Avillez

O leilão da dívida desta quarta-feira deverá durar poucos minutos, vai resultar na colocação de toda a dívida e a procura vai superar em muito a oferta, antevê Pedro Lino, da Dif Broker, uma empresa correctora de bolsa. Esta é uma operação que está, acima de tudo, traçada para melhorar a imagem das finanças portuguesas: “É uma operação bem pensada, porque o objectivo é dar mais confiança aos investidores e uma imagem à Europa de que estamos a conseguir aceder aos mercados. O montante é baixo, logo é expectável que a procura seja muito superior e que a taxa seja mais baixa. Com isso vamos tentar dar uma imagem de que estamos a conseguir um pleno acesso aos mercados”. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública pretende alcançar um financiamento entre 500 e 750 milhões de euros com uma taxa de arranque de 5,65%. Para Pedro Lino, é natural que a taxa de juro se aproxime dos 3,65%, “um valor muito baixo em relação ao que temos assistido nos últimos meses, porque existe uma procura de dívida de países periféricos e Portugal vai sair beneficiado”. Europa quer uma saída limpa de Portugal O economista Carlos Bastardo aponta para números semelhantes e concorda que um valor desses, muito próximo das taxas dos mercados secundários, poderá ser considerado um sucesso para o Governo. A confirmar-se, estas serão boas notícias para quem deseja uma saída “limpa” do programa de assistência financeira, “uma vez que, ao longo dos últimos meses, a Europa tem mostrado que quer um sucesso e esse sucesso seria uma saída à irlandesa, ganha mais importância este leilão, uma vez que não vai haver o apoio dos sindicatos bancários, envolvendo bancos nacionais e internacionais”. Até agora, todos leilões da era da “troika” têm beneficiado do apoio desses sindicatos, que garantem, não só uma taxa de juro máxima, como, também, a colocação de uma certa quantidade de títulos do tesouro. Ambos os especialistas concordam ainda que esta operação, apesar de importante para o Estado, não terá efeitos imediatos para a vida dos cidadãos~. “Neste momento ninguém vai sentir o efeito, porque o que interessa é se no período pós-troika conseguimos emitir a taxas de juro baixas”, diz o corrector da Dif, Pedro Lino. A verdade é que, nessa altura, no pós-"troika", estaremos a falar de valores substancialmente mais altos: “Não são montantes de 750 milhões de euros, são montantes de 10 mil milhões a cada semestre, 20 mil

milhões por ano. Isso, sim, é que são montantes que, se conseguirmos colocar a taxas mais baixas, vão dar um indicador de confiança a outros investidores para que comprem dívida a outros sectores da banca e essa sim, se a taxa dos bancos continuar a baixar, vamos ter uma repassagem para o sector produtivo da economia, os industriais, os empresários e os próprios consumidores". O Leilão da dívida tem início às 10h30 e, de acordo com os especialistas, deverá terminar no espaço de poucos minutos. A expectativa de um ex-ministro das Finanças “Isto é uma coisa que tem de se fazer”, defende o economista Braga de Macedo, ministro das Finanças com Cavaco Silva, sobre a ida aos mercados, esta quarta-feira. “O sentimento é muito claro: é que isto é uma coisa que tem de se fazer, tem de se testar sempre através de inovações várias os métodos de gestão da dívida, para que a reputação da República se afirme sobre todos os ângulos”, defende o ex-ministro em declarações à Renascença. “Quanto à operação de hoje, a expectativa é esta: certamente abaixo de 4%", prevê. "A minha ideia seria qualquer coisa na ordem do que vimos ontem, ou seja, 3,7%. Estamos, portanto, numa boa onda e é uma boa altura. Pode haver qualquer coisa amanhã e alterar, mas nessa altura já cá está o sinal”, sustenta Braga de Macedo.

Historiador defende que austeridade não põe democracia em risco Em Portugal, "os projectos extremistas não vingam, ao contrário de outros países europeus", afirma Rui Ramos numa entrevista à Renascença, a propósito dos 40 anos do 25 de Abril. Por Raquel Abecasis

O historiador Rui Ramos relativiza as manifestações de desagrado dos portugueses em relação à democracia, dizendo que “ao longo destes 40 anos, o nosso regime democrático já ultrapassou por duas vezes situações muito semelhantes a esta e foi capaz de absorvê-las”. “A nossa nunca foi uma democracia do bom tempo. Começou, mesmo, numa altura muito pouco propícia, com o choque do petróleo, de 1973, com as grandes inflações no Ocidente, apanhou o segundo choque do petróleo, a partir de 1979” argumenta Rui Ramos, em entrevista ao programa “Terça à Noite”, da Renascença. O investigador refere que “os primeiros 10 anos de democracia, depois daquele primeiro ano de 74 em que há o aumento dos salários, etc…, são anos de austeridade. A democracia portuguesa começou na austeridade”.


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O investigador refere que “os primeiros 10 anos de democracia, depois daquele primeiro ano de 74 em que há o aumento dos salários, etc…, são anos de austeridade. A democracia portuguesa começou na austeridade”. Numa entrevista em que olhou para o pós-25 de Abril e fez o balanço de 40 anos de democracia, Rui Ramos destaca a forma como, apesar das críticas e insatisfações, as pessoas continuam a valorizar o regime e a estabilidade política. Ramos sublinha que “em Portugal, os projectos extremistas não vingam, ao contrário de outros países europeus, e essa é uma virtude da nossa jovem democracia”. O investigador diz que “as pessoas só valorizam o que possa estar em causa” e essa é a razão pela qual as questões da liberdade de voto ou de imprensa não são muito mencionadas nas sondagens de opinião feitas a propósito do 25 de Abril, sublinha. Rui Ramos considera, também, que a juventude tem hoje a democracia de tal forma “interiorizada” que nem sequer concebe o que é viver sem ela, sendo esse "o maior triunfo destes 40 anos”.

Vinte anos a ser a voz de um Papa Joaquín Navarro-Valls foi director da sala de imprensa da Santa Sé durante 20 anos, sempre ao lado de João Paulo II. Duas décadas ao lado de um santo é uma experiência que deixa muitas marcas. Por Aura Miguel

No dia 16 de Outubro de 1978, Joaquín Navarro-Valls, correspondente em Roma do diário espanhol “ABC”, estava na Praça de São Pedro com outros vaticanistas. Viveu com emoção o anúncio do primeiro Papa polaco da história. Mas naquele dia, o jornalista espanhol (e médico psiquiatra de formação) estava longe de imaginar o que lhe viria a acontecer. De facto, a sua vida mudou quando, alguns anos depois, em 1984, recebeu um telefonema: “Recordo-me muito bem. Um dia, recebi uma chamada telefónica no meu escritório de uma pessoa que me disse ‘você tem que vir almoçar com o Papa’. Naturalmente, para mim, foi uma grande surpresa. Fui e encontrei-me, frente a frente, com este homem que me queria ouvir sobre o que eu sabia, o que pensava e se tinha alguma ideia para melhorar o modo de comunicar. Não tanto de comunicá-lo a ele, mas de comunicar todos aqueles valores específicos da Igreja Católica e que a estrutura do Vaticano devia comunicar melhor.” Navarro-Valls foi para casa pensar, até que, alguns dias mais tarde, chegou um novo telefonema: “Quando, pouco tempo depois, recebi a segunda chamada telefónica e me disseram ‘o Papa nomeou-o director da sala de imprensa da Santa Sé’, pode imaginar a minha inquietação e as dúvidas que eu tinha. Porque pensava que era uma enorme responsabilidade se fizessem aquilo que eu queria fazer e como eu achava que o

Papa queria fazer. Por fim, aceitei, pensando que seria um encargo por um par de anos, mas, afinal, foi um pouco mais longo, porque acabou só no dia em que ele morreu, ou seja, mais de 20 anos depois.” Navarro-Valls tem, por isso, muita coisa para contar. São mais de 20 anos ao lado de um homem notável, que introduziu grandes novidades no modo de ser Papa. O porta-voz de João Paulo II considera mesmo que aquele pontificado foi revolucionário, porque permitiu relacionar a Igreja com a modernidade. “Penso, na verdade, que o pontificado de João Paulo II foi o primeiro pontificado da história da Igreja que entrou plenamente, com enorme audácia e vivacidade naquele conjunto de teorias e filosofias a que chamamos a modernidade. Ou seja, introduziu o pontificado na modernidade histórica. Por isso, em tantos momentos, o seu pontificado parecia revolucionário, que era uma coisa completamente nova; e é verdade! Ele estava-o realmente actualizando, no sentido histórico da expressão: o conteúdo daquilo que ele dizia que não mudava, mas o modo como o exprimia e o exemplo da sua própria vida era totalmente novo na história da Igreja”, considera João Paulo II, com as suas viagens pastorais, deu, por várias vezes, a volta ao mundo. Fez 104 viagens fora de Itália e com visitas muito variadas. Houve de tudo um pouco: desde a Polónia e Cuba, com forte pendor político, a Manila e a Jornadas Mundiais da Juventude com milhões de fiéis, mas não esqueceu pequenas comunidades, como as do Pólo Norte ou Azerbaijão. “Recordo muito bem aquela viagem ao Azerbaijão, que muita gente na Cúria o desaconselhou a fazer, mas ele quis fazê-la. Como sabe, no Azerbaijão, na altura em que o Papa lá foi, em todo aquele imenso país, havia 122 católicos. Somente 122 católicos. E, mesmo assim, o Papa quis lá ir para se encontrar com esta pequena comunidade católica, não obstante ter sido três anos antes da sua morte e o Papa já ser idoso, doente e ter dificuldades em andar", diz o antigo jornalista. “Recordo um pequeno episódio simpático: quando chegámos ao aeroporto de Azerbaijão, aproximei-me dele e disse ‘Santo Padre, parabéns’. E ele disse-me ‘parabéns, porquê? Você, normalmente, dá-me os parabéns no final de uma viagem e não no início’. E eu respondi ‘parabéns porque, agora, consigo aqui, o número dos católicos subiu para 123’. Ele fartou-se de rir com isto.” O episódio é revelador da intensidade com que João Paulo II cumpria a sua missão de pastor universal, uma vez que o seu critério não dependia da quantidade de fiéis: “O critério era sempre o mesmo: cada pessoa em particular. Ou seja, quer fossem 120, como no Azerbaijão, ou milhões, noutro país qualquer, ele ia sempre. Penso que esta sua característica de, perante uma grande multidão, não olhar para a multidão como tal, mas para cada uma daquelas pessoas em particular, é aquilo que explica a experiência de muita gente que ainda hoje diz: ‘eu senti que ele estava mesmo a olhar para mim, para mim concretamente, e não para aquela enorme massa de duas ou três milhões de pessoas’. Isto é porque o seu critério era o valor humano e espiritual de cada pessoa”. Óptimo sentido de humor E, no dia-a-dia, como era trabalhar com João Paulo II? “Era estupendo. Porque uma característica do seu


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carácter era o óptimo sentido de humor que ele tinha. Humanamente falando, era uma pessoa muito simpática. Por isso, trabalhar com ele era uma delícia, mesmo quando havia problemas sérios da Igreja universal ou de um país, mesmo assim, havia sempre espaço para o bom humor quando se trabalhava com ele.” O facto de João Paulo II ter sido um comunicador nato ajudava, claro: “Naturalmente. Ele era um grande comunicador, mas a expressão ‘João Paulo II grande comunicador’, que é verdadeira, pode levar ao engano, porque, normalmente, quando se diz que uma pessoa é boa comunicadora, falamos de uma pessoa que tem uma boa voz, que tem um estilo de comunicar eficaz. Mas eu penso que a sua virtude como comunicador não estava principalmente no seu modo de comunicar, mas no conteúdo daquilo que comunicava. Eram aquelas verdades que ele comunicava que convenciam as pessoas e que faziam dele uma pessoa muito ouvida e muito seguida em todo o mundo.” Tanto que, no fim do pontificado, mesmo sem conseguir falar, o Papa continuava a comunicar: “Do meu ponto de vista, nos últimos anos da sua vida estava a escrever a encíclica mais bela do seu pontificado, ou seja, uma encíclica ainda mais bela porque não a escrevia com palavras, mas com a sua própria vida. E as pessoas viam isso, o que não o afastava as pessoas mas aproxima-se delas ainda mais.” Mas a forma como o Papa se expôs no seu estado mais debilitado, não agradou a todos e mereceu críticas inclusivamente de dentro da Igreja: “Isso são os teóricos, não as pessoas que vivem a vida mas os teóricos da existência! Sabe que a experiência humana mais universal, aquela experiência que, mais tarde ou mais cedo, conhecemos ou havemos de conhecer é o sofrimento. E desta experiência humana tão universal ele estava a dar o sentido que também a dor, os limites físicos, o não conseguir andar ou até mesmo no fim não poder falar, tudo tinha um sentido, nada daquilo era absurdo, mas tinha um grande sentido. E isso era a grande mensagem que Deus lhe tinha confiado para os seus últimos anos de vida.” Ski às escondidas Ao longo de quase 27 anos de pontificado, muitas foram as peripécias, quebras de protocolo, episódios divertidos, até então, pouco habituais na vida de um Papa. Navarro-Valls teve o privilégio de os testemunhar na primeira pessoa: “Agora penso que se pode contar tudo, já passaram tantos anos. Havia dias em que ele precisava, pela enorme quantidade de trabalho e pelo cansaço, tirar um dia da semana em que não havia audiências nem compromissos. Então, na véspera à noite, escolhíamos um carro não blindado, nem com a matrícula do Vaticano e saíamos por uma porta lateral do Vaticano em direcção à montanha. Pode imaginar às 18h, num dia de trabalho, como é o trânsito romano em hora de ponta? Aquele carro parava em todos os semáforos vermelhos da cidade e eu, que ia sentado ao lado do condutor, dizia: ‘De certeza que nos descobrem!’. E no entanto ninguém nos descobriu”. Ainda por cima, explica o antigo director da sala de imprensa, o Papa pouco fazia para se disfarçar: “Ia vestido de branco com uma capa negra por cima, que era a capa que ele conservava desde que era jovem

padre na Polónia. E isso tapava-o um pouco. Íamos para uma pequena cabana, relativamente próxima de Roma. Dormíamos lá e, na manhã seguinte, depois das orações matinais e da missa, íamos para a montanha fazer ski durante algumas horas. Como pode imaginar, eram ocasiões magníficas para estar com ele, para o acompanhar, para rir muito com ele e, depois, regressávamos tendo assim conseguido repousar um pouquinho. Agora, com o passar dos anos, a única pena que tenho é a de não ter feito isto mais vezes com ele.” O fascínio de João Paulo II passava também pela sua normalidade. Continuou a fazer ski e montanhismo como na Polónia, mandou construir uma piscina para praticar desporto, convidava amigos para tomar refeições com ele, no Vaticano: “Ele era completamente normal. No processo de beatificação, que são cinco volumes enormes com os testemunhos de todas as pessoas que foram chamadas a depor e a dizer algo sobre a sua vida, há uma daquele presidente da Checoslováquia que era o Vaclav Havel, que já morreu. Ele não era um cristão praticante, mas faz uma declaração muito interessante, muito bonita. E diz no fim: ‘Eu não sou especialista em santidade mas, se eu tiver que dizer como era a sua santidade, eu diria que ele era humanamente santo’. É uma expressão quase ambígua e, no entanto, penso que ele queria dizer que a santidade de João Paulo II era muito humana, era ver uma pessoa, nas suas circunstâncias de cada dia, fazer tudo perfeitamente bem; não fazer nada de extraordinário nem de estranho.” Amigo de Portugal É sabido que o Papa tinha uma relação especial com Portugal, que começou no dia do atentado, a 13 de Maio de 1981. Por causa disso, gostava de repetir que a sua vida tinha sido salva por milagre de Nossa Senhora de Fátima. Foi nesse contexto que João Paulo II visitou três vezes o santuário da Cova da Iria. Mas a grande admiração por Portugal não ficava por aí: “Ele via Portugal como um grande país com uma grande história que ele conhecia perfeitamente porque tinha lido muito sobre Portugal. Depois, havia a particularidade de Nossa Senhora de Fátima e a certeza que ele tinha de que a Nossa Senhora de Fátima lhe tinha salvo a vida num atentado que, segundo a lógica da medicina, devia tê-lo morto e, no entanto, não aconteceu assim.” “Por isso, das vezes em que ele veio a Portugal, sentiase em sua casa: antes de mais, como um filho que vem agradecer a Nossa Senhora, à sua ‘mamã’, mas ao mesmo tempo a um país com uma grande história que ele conhecia bem e que apreciava muito, quer os lugares de Portugal, quer fora do âmbito geográfico do país: a sua presença em África, no extremo Oriente, etc. Tudo isso estava bem presente nele.” 20 anos ao lado de um santo Uma vida ao lado de João Paulo II, vivida ao longo mais de 20 anos, é uma experiência difícil de definir? “Naturalmente uma experiência extraordinária, uma experiência fora do comum; mas muitas vezes digo a mim mesmo que ter vivido ao lado de um santo não foi só uma coisa bonita, foi também uma grande responsabilidade. É uma grande responsabilidade porque não podes deixar que, tudo aquilo que viste, que viveste e que ele comunicou, fique arrumado na tua


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vida. É um desafio permanente a viver isto na própria vida.” Um desafio de que tipo? “Um desafio ético, um desafio moral, um desafio para se aproximar mais de Deus, ou seja, penso que não podemos dizer de ninguém, nem de coisa nenhuma, que ‘isto é bom’, se esta afirmação não nos mudar por dentro; e deve mudar-nos por dentro senão não acreditamos, de verdade, que isso era bom e isto, por maioria de razão, pode-se dizer de João Paulo II: se acreditas a sério que ele era santo, esta convicção deve-te mudar por dentro, no teu interior.” É isto que, segundo Navarro-Valls, explica a emoção que se sentiu quando João Paulo II morreu: “Naturalmente. Dantes, na história da Igreja até há poucos séculos, os santos eram proclamados por aclamação popular; era o povo que determinava quem era santo. Nos últimos séculos, a Igreja exigiu um processo de beatificação e de canonização. Mas, se a antiga tradição da Igreja ainda hoje vigorasse, João Paulo II teria sido santo no dia a seguir à sua morte e não tantos anos depois.” Agora, Joaquín Navarro-Valls, hoje com 77 anos, prepara-se para viver o grande momento da canonização “Vivo, como direi, sem nenhuma surpresa porque eu já tinha a certeza de que ele era santo. Às vezes, aqui em Itália, oiço dizer a algumas pessoas que ‘a Igreja faz de João Paulo II santo’. Mas eu digo: ‘Não, a Igreja não faz João Paulo II santo; a Igreja confirma e ratifica que a vida deste homem quando era vivo, era a vida de um santo’. Porque, afinal de contas, ou um santo o é enquanto é vivo, ou nunca o será. Por isso, não é que agora o faça um santo, simplesmente confirma e ratifica que a vida desta pessoa - quando era viva - era a vida de um santo. É com este espírito que estarei na Praça de São Pedro”. “E até já posso adiantar o que decidi dizer nesse dia a João Paulo II na minha oração, durante a canonização. Vou-lhe dizer: ‘Obrigado João Paulo II pela obra-prima que fizeste da tua vida, com a ajuda de Deus. Mas fizeste-a com a tua vida!”. Penso que será essa a minha oração nesse dia.

FALAR CLARO. O debate político na Renascença entre Morais Sarmento e Vera Jardim. À segunda-feira, na Edição da Noite, a partir das 23h, num debate conduzido por José Pedro Frazão.

CAVACO SILVA

“Não é com intriga política que a economia cresce” Num encontro com empresários, o Presidente da República elogiou o comportamento das empresas exportadoras, mas alertou para a necessidade de estabilidade e competitividade no sistema fiscal português.

Cavaco Silva visita empresários portugueses. Estela Silva/ LUSA

Os empresários portugueses exportadores têm sido “uns verdadeiros heróis e ultrapassaram as melhores expectativas. É assim que a economia recupera e não com intrigas políticas”, defendeu o Presidente da República esta terça-feira. “São empresas como estas, tal como as vossas, e não as intrigas, as agressividades, as crispações, os insultos entre agentes políticos, que promovem o crescimento económico, a criação de emprego e a conquista de novos mercados. Aí está o grande pilar da recuperação do nosso país. O resto é 'fait-divers'”, explicou no âmbito do roteiro para uma Economia Dinâmica que promove hoje no norte do país. Cavaco Silva, em Oliveira de Azeméis, mostrou-se optimista com os indicadores económicos, mas avisou que há um caminho longo pela frente e medidas para tomar, nomeadamente fiscais. “Não se pode esquecer a necessidade de ter um sistema fiscal que seja competitivo e estável. Os empresários não podem pensar que, quando chega um novo orçamento, as regras fiscais vão alterar-se. Uma preocupação que tem sido muitas vezes referida por empresários portugueses, mas também por empresários estrangeiros. Querem saber com que quadro fiscal se vão mover, se decidirem investir no país”, concluiu. O Presidente da República pediu ainda aos empresários para aproveitarem bem os fundos comunitários que se aproxima. O dia de Cavaco Silva começou com uma visita à empresa à Indasa (Aveiro), tendo depois seguido para a Polisport Plásticos (Oliveira de Azémeis). Durante a tarde desta terça-feira, Cavaco Silva segue para a Felmini (Felgueiras), encerrando o roteiro em


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Guimarães, com uma visita à TMG Automotive. ESTUDO DA DECO

Custo da água continua muito assimétrico no país Terras do Bouro, Barrancos e Mondim de Basto entre os que menos pagam. Do lado oposto, estão concelhos como Santo Tirso, Trofa, Paços de Ferreira, Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tábua.

Portugueses tencionam gastar mais e poupar menos Recuperação da economia ainda é ligeira, mas os portugueses já se preparam para alargar os cordões à bolsa, conclui estudo.

Férias ganham prioridade nas intenções de compra depois de anos de austeridade Por Sandra Afonso

Um estudo da Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (Deco) revela grandes assimetrias nas tarifas da água em Portugal. A diferença de preços pode atingir os 220 euros anuais, “para um consumo de água de 120 metros cúbicos”. “No saneamento, no mesmo cenário, essa dispersão também é bastante elevada e às vezes é 17 vezes mais”, diz à Renascença Antonieta Duarte, da Deco. O estudo mostra que Terras do Bouro continua a ser o município do país com a tarifa mais baixa da água, a que se juntam Barrancos e Mondim de Basto. Entre os que praticam os preços mais elevados, estão Santo Tirso, Trofa, Paços de Ferreira, Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tábua. Quanto à informação sobre a formação de preços, a associação considera haver falta de transparência. No que toca à privatização da água, a Deco volta a mostrar-se contrária à ideia. “Se existir uma determinada procura de água expectável para o ano ‘x’ e a concessão não tiver a garantia de que essa quantidade de água é consumida, o município acaba por pagá-la, independentemente de ter sido consumida. A água é, portanto, paga pela Câmara Municipal e uma das formas de a pagar é fazer reflectir esse valor nas facturas do consumidor”, argumenta Antonieta Duarte

Os portugueses voltam a adiar compra de casa ou de carro, mas já sonham com as férias, conclui um estudo do Observador Cetelem. Realizado em 12 países europeus, entre 17 de Outubro e 5 de Novembro, o trabalho inquiriu um total de 7.918 pessoas. Este ano muitas famílias já se preparam para aliviar o cinto. Em Portugal são menos os que contam fazer poupança e mais os que se preparam para gastar algum dinheiro com bens não essenciais, mas as grandes compras continuam em espera. A recuperação da economia é ainda ligeira, mas os portugueses já se preparam para alargar os cordões à bolsa e 29% admitem aumentar as despesas nos próximos 12 meses, contra 19% que diziam o mesmo há um ano. Já as intenções de poupança caíram. Em 2013 quase metade dos inquiridos pretendiam pôr mais dinheiro de lado, agora são só 35%. Depois de vários anos de austeridade, as férias e a casa ganham prioridade nas intenções de compra. Viagens, electrodomésticos e pequenas obras estão no topo da lista. Mas as finanças familiares ainda não recuperaram. A prová-lo estão as despesas de longa duração, como a compra de casa, carro ou mesmo mobiliário, agora adiada por ainda mais portugueses. No regresso ao consumo, a internet começa a ganhar terreno face às lojas. Entre as últimas compras dos europeus, três em cada dez foram feitas online. Em Portugal, as vendas pela net aumentaram 13% de 2011 para 2012. Mas esta não é a morte anunciada do comércio como o conhecemos. Os europeus querem cada vez mais as duas opções, a pesquisa rápida e cómoda no site, para depois experimentarem o produto na loja. Três em cada quatro admitem que vão querer ir à loja, se o site for de qualidade.


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ISABEL CAPELOA GIL

O novo ressentimento Na nossa sociedade em crise, o pequeno ressentimento decorre, frequentemente, da pequenez complexada que se confunde com a inveja pelo sucesso alheio, pela diferença do outro, pela sua liberdade ou mesmo juventude. O ressentimento constitui um dos traços mais corrosivos da modernidade. Nietzsche assinalou-o como marca do último homem e estratégia de um nihilismo destrutivo, cujas marcas o historiador Marc Ferro viria a encontrar no continuum histórico, desde o início da história da Europa à tragédia coletiva das duas grandes guerras do século XX. Todavia, além do 'grande' ressentimento da história, também o 'pequeno' ressentimento é responsável por tragédias sociais, de menor dimensão, certamente menos destrutivas a curto prazo, mas com grande fôlego na "longue durée". Na nossa sociedade em crise, o pequeno ressentimento decorre, frequentemente, da pequenez complexada que se confunde com a inveja pelo sucesso alheio, pela diferença do outro, pela sua liberdade ou mesmo juventude. É inato a uma pequenez sem mundo na época do cosmopolitismo global. Mas, tal como em épocas anteriores, resulta também de uma manipulação discursiva. Esse outro ressentimento, também pequeno e mesquinho, manifesta-se na apregoada guerra de gerações, no propagar de um conceito de justiça intergeracional que legitima o ataque aos 'velhos ricos' pelos sofredores 'jovens pobres', que legitima a manipulação de uma ideia de justiça universal a favor de uma justiça sempre situacional, inevitavelmente condicionada pelo acontecer económico. O pequeno ressentimento manifesta-se ainda no elogio da tecnocracia, na destruição da ideia de uma humanidade comum, sempre posta em causa, quando confrontada com a necessidade de optar entre os valores - situacionais, é claro - da excelência, matematicamente medida por instrumentos eficazes estes sim situacionais, mas apresentados como universais - e a valorização do labor e da criação, porventura não mensuráveis e por isso mais frágeis e assim inevitavelmente invisíveis. O pequeno ressentimento observa-se ainda num inusitado debate epistemológico entre o discurso dos tecnocratas e o seu ataque a toda a formação e investigação não utilitária, não mensurável e pouco habilitada a responder de forma eficaz à mantra da inovação e do impacto, e um discurso crítico que rejeita olhar para as transformações radicais nos modelos de produção do conhecimento e continuam a cultivar um gesto elitista que parece legitimar a percepção sumptuária, secundária e quiçá parasitária das artes e das letras.

No alargamento do fosso epistemológico, não há inocentes e a desejável relação entre os dois postulados está a transformar-se numa nova guerra cultural. Os tecnocratas recebem um apoio estratégico da elite reformada que se formou nas Faculdades de Letras nos anos 50 e agora grita ressentida contra o despesismo das ciências sociais e agride as novas gerações. Recorrendo, justamente, ao discurso crítico que os alimentou nos anos 70, vira-se agora contra o erro, o monstro, das humanidades e ciências sociais que eles próprios alimentaram. Os críticos sentem-se apoiados na juventude abandonada, sobretudo pela geração dos pais que os fez crer que tudo lhes era possível. Era, no fundo, um direito adquirido, ou seja um postulado insofismável e natural. O ressentimento é uma marca da corrosão do tempo presente, alimentado pela frustação dos ressentidos com a impossibilidade de recuperar o tempo que passou e pela inabilidade frustrada dos incapazes de perceber o presente.

Confederação do Comércio rejeita descida de salários no privado O presidente da CCP considera que o mercado interno e a competitividade externa da economia saem a perder com a redução de salários. A Confederação do Comércio e Serviços (CCP) rejeita a ideia de descida de salários no sector privado sugerida, mais uma vez, pelo FMI. “O FMI associa a baixa de salários à competitividade externa da economia portuguesa, o que é um erro porque o tipo de produtos que exporta e aqueles que tem potencialidade para exportar não são produtos assentes no custo de mão-de-obra baixa”, sustenta o presidente da CCP, João Vieira Lopes. O Fundo Monetário Internacional volta a colocar a questão da redução de salários nas conclusões da 11ª avaliação e penúltima avaliação do programa de ajustamento. Ouvido pela Renascença, João Vieira Lopes põe de parte a ideia e avança outro argumento. “Salários excessivamente baixos em Portugal não criam condições de existência de um mercado interno aceitável que permita que muitas empresas funcionem”, afirma, lembrando que “das 420 mil empresas que existem no tecido empresarial português, cerca de 400 mil trabalham para o mercado interno”. A descida de salários no sector privado continua a ser uma das medidas sugeridas pela “troika” para o equilíbrio das contas de Portugal. A ideia tem sido rejeitada por vários sectores, incluindo o Governo.


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Portas volta a negar cortes. “Custos do trabalho já ajustaram” No relatório da décima primeira avaliação da “troika”, os credores internacionais voltam a defender cortes salariais no privado. O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, voltou a afirmar esta terça-feira que os custos do trabalho em Portugal "já ajustaram" e que, se for preciso, o Governo voltará a explicar esta realidade no âmbito da 12ª avaliação da “troika”. “Esta é a 12ª avaliação, é a última avaliação e se for preciso explicar mais uma vez que os custos do trabalho em Portugal já ajustaram, explicaremos naturalmente", disse o governante quando questionado pelos jornalistas, em Lisboa. Paulo Portas destacou que, nos últimos três anos, os portugueses foram assistindo repetidamente, "muitas vezes de uma forma dolorosa" a relatórios e perguntas. "Esta é a última avaliação, estamos a uma de terminar o programa com a 'troika' e acho que isso, com toda a franqueza, é uma boa notícia para todos", declarou. Paulo Portas falava na Fundação Oriente, onde se deslocou, juntamente com o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, para assistir à assinatura de um memorando de entendimento entre uma empresa portuguesa de tecnologia (Tekever) e o Centro de Engenharia de Xangai para micro satélites. De acordo com o vice-primeiro-ministro, Portugal tem hoje capacidade para exportar produtos tradicionais, mas também tecnologia dentro e fora do mercado europeu. Nuno Crato realçou que se trata de um exemplo de parceria entre empresas, centros e nações que abre as portas a um novo futuro para engenheiros e cientistas.

Governo ainda não decidiu que repartições das finanças vão fechar

de metade das actuais repartições de Finanças se deve apenas ao facto de ser essa a data do final do programa de assistência económico-financeira. "Não há nenhuma novidade nessa matéria. Essa obrigação foi incluída no memorando de entendimento original, pelo anterior governo, e portanto não há novidade nenhuma", insistiu o ministro. "O que houve foi uma reprodução de algo que consta do memorando de entendimento na sua origem, negociado pelo anterior governo", defendeu. Poiares Maduro disse que o futuro do modelo de atendimento dos serviços públicos tem vindo a ser discutido com a “troika” e também com as autarquias. Questionado sobre quando haverá uma decisão, o ministro escusou-se a avançar uma data concreta para o final deste processo. No memorando de políticas económicas e financeiras que acompanha o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a 11ª avaliação ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), o Executivo escreve que pretende "estabelecer até ao final de 2014 um departamento dedicado aos serviços do contribuinte", para "unificar a maioria dos serviços" e "melhorar a relação [dos contribuintes] com a administração" fiscal. "Como parte desta reorganização, 50% das repartições locais de finanças vão ser encerradas até ao final de Maio de 2014", lê-se no mesmo documento.

Representante do FMI teve de pagar 90 euros para entrar em Portugal Subir Lall não chegou a estar detido, mas foi impedido de entrar em território nacional quando chegou, no domingo, uma vez que o seu visto apenas era válido a partir de segunda-feira.

O relatório da décima primeira avaliação da “troika” prevê o encerramento de 50% das repartições das Finanças até ao fim de Maio. O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, defendeu esta terça-feira que a referência à data de final de Maio para o encerramento de 50% das repartições de Finanças não é vinculativa e que tudo está ainda em discussão. À saída de uma audição no Parlamento, Poiares Maduro disse que o prazo de final de Maio para o fecho

Subir Lall, já em Portugal, 90 euros mais leve Foto: Lusa Por Celso Paiva Sol

Antes de começar a ronda de encontros da 12ª e ultima avaliação do programa de assistência o representante do FMI na “troika” foi protagonista de uma situação


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insólita no Aeroporto de Lisboa. Domingo à tarde, quando aterrou na capital portuguesa, o visto que trazia ainda não estava válido e por isso foi obrigado pelo SEF a pedir um visto de curta duração. O voo da TAP proveniente de Londres aterrou em Lisboa por volta das 4h30 da tarde e pouco depois, Subir Lall apresentou-se na zona de fronteira, já acompanhado pelos dois agentes do Corpo de Segurança Pessoal da PSP que o aguardavam – como sempre – à porta do avião. Foi nessa altura, perante um inspector do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que lhe foi comunicado que o visto que tinha, só era válido a partir de segundafeira, dia 21. Impedido portanto de entrar em território nacional, o representante do FMI na “troika” foi encaminhado para um gabinete, onde outro inspector do SEF lhe explicou as alternativas que tinha: Ou esperava naquela zona do Aeroporto até à meia-noite – coisa que Subir Lall rejeitou, ou ser-lhe-ia concedido um visto de curta duração – que existe precisamente para situações como esta, ou parecidas. Foi isso que aconteceu, num processo bastante rápido, como aliás costuma ser a passagem destes vistos de curta duração. As fontes contactadas pela Renascença garantem, todavia, que o representante do FMI nunca esteve detido. Alguns procedimentos administrativos e um recibo de 90 euros depois, o homem do FMI estava na posse de um visto de um dia e às 5h30 da tarde já estava de saída do Aeroporto de Lisboa. LISBOA

Câmara repõe placa na sede da extinta PIDE A placa, que terá sido roubada no mês passado, lembra a morte de quatro homens, as únicas vítimas mortais resultantes do 25 de Abril de 1974. A Câmara de Lisboa decidiu repor uma placa que evoca quatro homens mortos na tarde de 25 de Abril de 1974, na tentativa de tomada de assalto da sede da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). A placa terá sido roubada no final de Março. "Uma réplica da placa original será colocada pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa (...) exactamente no mesmo local, na fachada do edifício da Rua António Maria Cardoso 18-26", garantiu fonte da autarquia à agência Lusa. A Câmara de Lisboa anunciou, no início do mês, que apresentou uma queixa na Polícia Judiciária por causa do suposto roubo da placa. Na placa, em pedra branca, podia ler-se: "Aqui, na tarde de 25 de Abril de 1974 a PIDE abriu fogo sobre o povo de Lisboa e matou: Fernando Gesteira, José Barneto, Fernando Barreiros dos Reis e José Guilherme Arruda". Foram as únicas vítimas mortais em resultado do golpe

de Estado que, há 40 anos, permitiu a restauração da Democracia. A colocação daquela placa, em 1980, decorreu de uma iniciativa de um grupo de cidadãos. A sede da extinta PIDE foi transformada, há alguns anos, num condomínio de luxo.

Patriarca recorda diagnóstico da sociedade feito pelos bispos antes do 25 de Abril “Não se pode permanecer indiferente perante múltiplas situações de injustiça que impedem o correcto desenvolvimento dos homens”, citou D. Manuel Clemente. O Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, recuperou o diagnóstico da sociedade portuguesa feito pelos bispos um ano antes do 25 de Abril, durante uma intervenção, esta terça-feira, na abertura de um debate sobre "Portugal, Estado, Sociedade e Soberania", que decorreu no Grémio Literário, em Lisboa. D. Manuel Clemente a puxar pela Carta Pastoral assinada pelos bispos em Maio de 1973, a propósito dos dez anos da encíclica "Pacem in Terris", do Papa João XXIII. “Não se pode permanecer indiferente perante múltiplas situações de injustiça que impedem o correcto desenvolvimento dos homens”, citou o Patriarca de Lisboa. Os bispos de então, recordou o Patriarca, alertaram para “a condição infra-humana em que tantos vivem, diminuídos por graves carências alimentares, habitacionais, sanitárias, de emprego, educacionais e culturais”. Os bispos portugueses de há 40 anos também mencionaram “a existência de limitações, não raro injustificadas, ao pleno exercício dos direitos e garantias fundamentais das pessoas e dos grupos”, recordou D. Manuel Clemente. Noutra passagem da Carta Pastoral, os bispos criticaram “a expansão de uma economia que não está ao serviço de todos” e “a oferta e aceitação de condições de trabalho despersonalizantes, nas quais o homem é equiparado à máquina”. “O diagnóstico da sociedade portuguesa no 10º aniversário da encíclica ‘Pacem in Terris’, do Papa João XXIII, ainda hoje muito sugestivo, muito de reter, muito de recuperar”, concluiu D. Manuel Clemente na sua intervenção, que abriu o debate organizado pelo Clube Português de Imprensa e Centro Nacional de Cultura (CNC).


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Memórias dos "retornados" 40 anos depois Os chamados “retornados” terão sido entre meio milhão a 800 mil. Ninguém sabe ao certo. Muitos foram alojados em hotéis e pensões. Por José Carlos Silva

As memórias do 25 de Abril misturam-se com o “D” de descolonização. A Renascença regressou, quase 40 anos depois, com Maria Adelina Amorim ao Hotel Altis em, Lisboa, onde, em 1975, viveu nove meses com o estatuto de refugiada e alojamento pago pelo Instituto de Apoio ao Retorno dos Nacionais (IARN). Maria Adelina lembra que nunca sentiu, da parte do pessoal do hotel, “nenhum tipo de hostilidade", porque "o problema estava da porta para fora, com o estigma do ‘retornado’”. Nesse tempo, acreditou que regressaria em definitivo a Angola, mas, afinal, aos 17 anos acabaria por se instalar na "Metrópole". Os chamados “retornados” terão sido entre meio milhão a 800 mil. Ninguém sabe ao certo. Foram acolhidos pela família ou alojados em hotéis e pensões. Fernando Brás lembra-se bem do ano de 1974. Era chefe de recepção do Hotel Roma, em Lisboa. Era para ser um ano forte no turismo, mas a Revolução trocou as voltas às previsões: “Todos os operadores turísticos cancelaram as reservas”. O "balão de oxigénio" chegou em Outubro do mesmo ano, salvando 200 empregos no hotel, com um pedido de alojamento em massa do IARN. Os retornados ficaram na Avenida de Roma até 1977. Fizeram do hotel a sua casa, “sem problemas de maior, embora alguns quisessem fazer as suas refeições típicas no hotel”, recorda Fernando Brás. A Democracia foi-se consolidando nos anos seguintes e muitos hotéis acabaram por sobreviver graças ao acolhimento dos “retornados”. Ouça as reportagens no site da Renascença.

Quarenta anos depois, ainda há quem guarde em silêncio os primeiros anos da revolução. O livro revela testemunhos dos protagonistas ou de pessoas próximas, mas não foram fáceis de recolher. O autor admite que encontrou muitas portas fechadas: “são famílias que têm por hábito manter alguma discrição, algumas disseram que não queriam falar porque são momentos dolorosos, isto aconteceu curiosamente também com sindicalistas, que não estiveram disponíveis para lembrar actos que hoje podem ser vistos como radicais”. O livro baseia-se em 47 entrevistas e vários documentos, alguns inéditos, recolhidos nos arquivos militares, do Conselho da Revolução e até do Ministério das Finanças, entre outros. Uma investigação que permite revelar como alguns dos milionários do país acabaram detidos depois do 25 de Abril, entre eles Jorge de Mello, presidente da CUF, denunciado pela empregada de uma das famílias que visitava com regularidade, e onde se discutia à mesa um “golpe de Estado”. O tenente que prende os banqueiros Entre as personagens principais do livro não estão apenas as famílias, a prosa começa e acaba com uma figura incontornável nesta história, o tenente Rosário Dias, assessor económico do primeiro-ministro Vasco Gonçalves. Foi para a rua “comandar e executar a prisão dos banqueiros”, é responsável pela detenção de Jorge de Brito, presidente do Banco Intercontinental Português e mais tarde presidente do Benfica, de Jorge de Mello e dos administradores do Banco Espírito Santo e do Banco Pinto e Sotto Mayor. Na madrugada do dia 25 de Abril ouviram-no dizer: “Vamos caçar PIDES!” Pedro Jorge Castro descreve-o como “uma personagem fascinante, é visto pelos empresários e descendentes como radical e maluco, e pelo governo como generoso, mas todos admitem que é exaltado”.

Por Sandra Afonso

Champalimaud, o “magnata extravagante” António Champalimaud deverá ter sido dos poucos milionários do país a sorrir no 25 de Abril, “era provavelmente aquele que teria a pior relação com o governo de Marcelo Caetano, porque tinha-o impedido de fazer um grande negócio, a compra do Banco Português do Atlântico”, recorda Pedro Jorge Castro. Por outro lado, Champalimaud tinha “óptimas relações com Spínola, que tinha sido administrador da Siderurgia Nacional, uma das empresas dele”. Esta satisfação com a mudança de regime faz com que Champalimaud se assuma como “porta-voz dos empresários, nas reuniões com a junta de salvação nacional, e depois quase se transforma num conselheiro particular de Spínola, dada a frequência com que é chamado, reúne ainda os empresários mais ricos do país no chamado Movimento Dinamizador da Empresa e Sociedade”.

O 25 de Abril na perspectiva dos grandes homens de negócios e banqueiros da altura. As contas congeladas, as detenções, os dias na prisão, a fuga para o exílio, são histórias reunidas por Pedro Jorge Castro, no livro "O Ataque aos Milionários".

Com o 28 de Setembro tudo muda para António Champalimaud. Spínola é afastado e chega Costa Gomes à Presidência da República, “as coisas começam a radicalizar-se”. Champalimaud faz mais

O 25 de Abril dos milionários Revolução dos cravos não varreu apenas a ditadura, a censura e a repressão da PIDE. Apoderou-se também do poder e do dinheiro dos milionários da altura.


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uma vez as malas para sair do país e é já em Paris que é avisado pelo filho, Luís Champalimaud, que o Banco Pinto e Sotto Mayor foi nacionalizado, “uma das principais jóias do império familiar”. Tudo isto na própria noite em que é aprovado o decreto. “António Champalimaud tem uma reacção rapidíssima, na manhã seguinte apanha o primeiro comboio para a Suíça, levanta todo o dinheiro que tem no Banco Pinto e Sotto Mayor, atravessa a rua, e deposita tudo noutro banco”. É uma descrição do próprio filho, explica o autor, para quem esta é uma das principais revelações do livro. O papel dos trabalhadores Os trabalhadores estão entre os principais adversários dos grandes empresários, no pós 25 de Abril. Exemplo disso estão os episódios no Banco Espírito Santo, onde a 10 de Maio uma reunião junta à mesma mesa os delegados sindicais e os administradores do banco, para aprovar um aumento de dois mil escudos para todos os trabalhadores, independentemente do que ganhassem (o primeiro salário mínimo nacional fixado dias depois foi de 3.300 escudos), “depois disso foi sempre em crescendo”. No espaço de meses, muitos homens de poder e fortuna perderam tudo. Primeiro ficaram sem o controlo das empresas, pressionados pelas greves dos trabalhadores, depois as nacionalizações levaram o resto. Pedro Jorge Castro admite que ficou surpreendido com o extremo a que chegaram muitas situações. Dá como exemplo uma carta enviada pelos irmãos Mello ao Presidente da República, em Junho de 1975, “quase a implorar que não prosseguisse o saneamento de quatro altos quadros do grupo CUF, sob pressão dos trabalhadores”. Para Pedro Jorge Castro, “a carta é a admissão da total vulnerabilidade em que se encontravam neste momento, a admissão que não têm qualquer poder para evitar o despedimento”. O outro lado da revolução, o 25 de Abril das famílias mais ricas do país, histórias reunidas no livro “O Ataque aos Milionários”, que chegou agora às livrarias.

tratos está a aumentar no concelho de Montalegre. Os dados são revelados pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens deste concelho do distrito de Vila Real. “Pela primeira vez, temos processos de abuso sexual”, revela a presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Montalegre, Irene Esteves, em declarações à Renascença. O aumento de processos pode não significar a existência de mais casos de crianças mal tratadas ou em perigo, nota Irene Esteves, admitindo que o conhecimento de mais casos possa recorrer de uma maior consciencialização sobre como uma criança deve ser tratada. “Significa que as pessoas estão muito mais informadas e percebem que aquilo que há alguns anos era considerado normal - por exemplo, um pai bater numa criança - hoje é crime, e não têm receio de apresentar denúncia”,argumenta. A presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Montalegre mostra-se também preocupada com o número de jovens que abandonam precocemente a escola no concelho. “A partir do 9º ano de escolaridade e dos 16 anos, temos um aumento significativo de jovens que se recusam a ir para a escola”, refere Irene Esteves, salientando que “há bem pouco tempo, o abandono escolar em Montalegre era zero”. A subida da taxa de abandono escolar pode, segundo a responsável, estar relacionada com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12ºano. PEDITÓRIO ANUAL DA CÁRITAS

Valor recolhido subiu face a 2013 Cáritas recolheu quase 330 mil euros, o que constitui um crescimento de cerca de 10% face ao valor reunido em 2012.

Denúncias de maustratos e abandono escolar aumentam em Montalegre O aumento de processos pode não significar que há mais crianças mal tratadas, mas sim uma maior consciência de como as crianças devem ser tratadas. Preocupante é também o número de jovens no concelho que tem abandonado precocemente a escola. Por Olímpia Mairos

O número de denúncias de crianças vítimas de maus-

O peditório anual da Cáritas, que se realizou entre os dias 20 e 23 de Março, conseguiu melhores resultados do que no ano anterior. Durante os três dias, os portugueses doaram quase 330 mil euros (327.957, 65 euros), mais 11% do que no peditório do ano anterior. Em comunicado, a Cáritas considera que os resultados representam “não apenas a generosidade do povo português, como uma apurada noção de partilha,


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solidariedade e de justiça”. Em 2013, o peditório da Cáritas tinha registado uma quebra de doações face ao ano anterior, mas os valores deste ano ultrapassam até o registado em 2012 (298.266,13 euros). A Cáritas lembra que, no ano de 2013, a instituição apoiou mais de 139 mil pessoas, integradas em quase 53 mil famílias. O peditório deste ano contou com a colaboração de dois mil voluntários.

Juízes justificam prescrições no caso BCP com falta de meios Os arguidos neste caso já viram prescrever algumas multas, ficando por pagara contraordenações no valor de quase dois mil milhões de euros. O vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura (CSM), Joaquim Piçarra, justifica a prescrição de contra-ordenações no caso BCP com a falta de meios nos tribunais. Em declarações aos deputados da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, o magistrado reconheceu que o tribunal e o juiz que apreciaram o processo não estavam preparados para algo tão complexo. “São seis arguidos ou sete ou oito que impugnam com questões factuais e de Direito muito complexas. E aqui há uma grande desproporcionalidade de meios entre uma entidade reguladora, que está devidamente apetrechada tecnicamente, os arguidos que têm os seus advogados e são defesas bem estruturadas, e o juiz que não tem assessoria”, explicou. Na mesma ocasião, e face à prescrição de processos em abstracto, outro dirigente do CSM defendeu o alargamento de prazos. “Claro que se pode alargar alguns casos de prescrição se se entender que para certos crimes, certas infracções, o prazo não é razoável, leva a prescrições regulares ou excessivas. Nesse caso pode-se, sem precipitação, ponderar essas situações”, referiu o vogal Sousa Machado. Em certos casos, defende ainda Sousa Machado, a dada altura pode mesmo haver suspensão do prazo de prescrição que pode ser depois retomado mais à frente no tempo. “O relógio é uma máquina de contar o tempo. Não é o tempo. Portanto, se o relógio, a benefício da ordem jurídica e da justa ponderação de interesses, deve ser parado, faça-se parar”, defende Sousa Machado. Quanto às bancadas parlamentares mostram-se disponíveis para eventuais alterações à lei, com o PS a referir que irá apresentar a curto prazo um projecto nesse sentido e com a maioria a dar abertura para alterar o que for necessário. Os arguidos neste caso já viram prescrever algumas multas, ficando por pagara contra-ordenações no valor

de quase dois mil milhões de euros.

REVISTA DA IMPRENSA

Medicamentos a dividir por todos O jornal “I” que avança que falha no stock levou o Hospital de Santa Maria a racionar um medicamento para a esclerose múltipla. O hospital teve de dividir embalagens por vários doentes para que a medicação chegasse para todos. A factura da sorte já ajudou a caçar 176 mil empresas. O “Jornal de Notícias” escreve que as facturas passadas aumentaram 43% em apenas dois meses. O “Jornal de Negócios” conta que os salários declarados cresceram 2,3% no ano passado e que as remunerações médias só caíram em 2012. Os números são do Banco de Portugal. As universidades privadas perderam um quarto dos alunos em três anos, titula o “Diário Económico”. "Swaps" de Portas deram 231 milhões a bancos. O Correio da Manhã diz que o negócio dos submarinos ficou ainda mais caro. O “Público” conta que os juízes estão a ser aconselhados a não marcar julgamentos depois do final de Agosto devido ao novo mapa judiciário. Por último, o Diário de Notícias faz manchete com uma tentativa de burla em que foi usado o endereço de email do General Loureiro dos Santos. Num olhar pelos editoriais, o “Público” recupera a sugestão de Cavaco Silva para que o Governo aproveite o facto de a economia estar a crescer para reparar sacrifícios que foram impostos aos pensionistas e funcionários públicos. O jornal diz que o executivo ficou sem respaldo político para avançar com cortes permanentes.

França diz que morte de refém lusodescendente não ficará impune Homem de 61 anos estava em poder de um grupo de radicais islâmicos do Mali. Por João Pedro Vitória

A morte de um cidadão de origem portuguesa no Mali não ficará impune, garante o Presidente francês. François Hollande afirma, em comunicado divulgado esta terça-feira à noite, que as autoridades tudo farão para “saber a verdade” sobre o que aconteceu a Gilberto Rodrigues Leal, cidadão francês de origem portuguesa, sequestrado no Mali no final de 2012 por radicais islâmicos. As circunstâncias da morte deste homem, de 61 anos, estão envoltas em incerteza. Não se sabe se


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Gilberto Rodrigues Leal foi assassinado ou se a sua morte teve outras causas, às mãos dos jihadistas. A última vez que a família teve notícias de Gilberto Rodrigues Leal foi em Janeiro de 2013. O cidadão francês de origem portuguesa estava há dois meses nas mãos do Movimento para a Unicidade e a Jihad na África do Oeste (MUJAO). Tinha sido sequestrado quando viajava numa autocaravana proveniente da Mauritânia. Naquela altura, no final de 2012, o Mali vivia um vazio de poder, depois de um golpe de Estado que abriu caminho aos grupos extremistas. Passado ano e meio, os sequestradores anunciam que Gilberto Rodrigues Leal morreu. Não se sabe se foi uma retaliação contra França, Estado considerado inimigo pelos jihadistas, ou se a sua morte teve outras causas. À família do franco-português, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês terá dito que Gilberto Rodrigues Leal morreu de uma doença, enquanto sequestrado, um problema de saúde que não terá sido possível tratar. O Governo português, contactado pela Renascença, diz estar a procurar recolher mais informações, sublinhando que Portugal não tem representação diplomática no Mali. Aquele país procura sair de uma crise territorial e institucional que deu os primeiros sinais de normalização com a eleição de um novo Presidente, no Verão de 2013, mas as autoridades de Bamako depressa pediram ajuda a França, que entre Janeiro e Abril deste ano teve no terreno uma missão militar para travar o avanço de radicais tuaregues e salafistas. A União Europeia também está no país: até 2016, militares dos “28” têm como missão formar o exército do Mali.

Estados Unidos enviam soldados para a Europa de Leste Militares vão participar em exercícios da NATO numa altura em que as relações com a Rússia arrefeceram por causa da situação na Ucrânia.

Os Estados Unidos vão enviar 600 soldados para a

Polónia e três países do Báltico, em pleno braço de ferro com a Rússia por causa da situação na Ucrânia. As tropas norte-americanas vão participar em exercícios militares para sublinhar o seu compromisso com os aliados da NATO, anunciou esta terça-feira o Pentágono. Uma companhia de 150 soldados da 173.ª Brigada Aerotransportada do exército norte-americano, sediada em Itália, chegará na quarta-feira à Polónia e cerca de 450 soldados são esperados nos próximos dias na Estónia, na Lituânia e na Letónia. São destacados no âmbito de uma nova série de exercícios que deverão decorrer pelo menos até ao final do ano, disse o contra-almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono, em conferência de imprensa. "Desde a agressão da Rússia à Ucrânia, temos estado constantemente a analisar formas de tranquilizar os nossos aliados e parceiros", afirmou John Kirby.

Ucrânia relança operação antiterrorismo Decisão após notícias do agudizar da tensão separatista, depois de um político local ter sido encontrado morto. O governo ucraniano prepara-se para relançar a operação anti-terrorismo no leste do país. O anuncio foi feito pelo presidente interino, perante as notícias do agudizar da tensão separatista, depois de um político local ter sido encontrado morto. Ainda de acordo com a Reuters, que cita o Ministério da Defesa da Ucrânia, esta terça-feira um avião militar ucraniano foi atingido por vários disparos, quando fazia um voo de reconhecimento em Slaviansk, cidade do leste do país nas mãos dos separatistas armados pró-russos. Na tarde desta terça-feira foi também conhecida a notícia da expulsão do primeiro secretário da embaixada canadiana em Moscovo, numa resposta à anterior expulsão, pelas autoridades de Otava, de um adido militar russo. EUA ameaçam novas sanções contra Moscovo De visita a Kiev para mostrar apoio ao Governo interino, os EUA voltam a erguer a ameaça de novas sanções contra a Rússia, dando seguimento ao pingue-pongue de acusações entre os dois países. Aproveitando o apoio e a presença do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, o primeiro-ministro interino ucraniano, Arseni Iatseniuk, acusou a Rússia de ter forças especiais a operar no Leste do país com o objectivo de “perturbar as eleições presidenciais” e exigiu “a retirada do Exército russo da Crimeia”, península anexada por Moscovo em Março.


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Noite de caos no Rio de Janeiro. Uma pessoa foi morta a tiro Tudo aconteceu quando moradores de uma favela contestavam a acção da polícia na morte de um jovem bailarino. Um homem foi morto a tiro na terça-feira à noite durante uma manifestação numa favela de Copacabana, onde os moradores contestavam a acção da polícia face à morte de um jovem bailarino. Douglas Rafael Silva tinha 25 anos e fazia parte do elenco de um programa televisivo da Globo. Seria popular no bairro de Copacabana. Terá sido confundido com um traficante de droga pela polícia, sendo a sua morte atribuída aos agentes. A polícia nega a versão, mas não convenceu a população da favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Na última noite, os protestos obrigaram ao corte do trânsito em duas avenidas de Copacabana. As estações de metro da região foram encerradas, assim como todo o comércio. Foram queimados pneus e ouvidos vários tiros, levando à deslocação da polícia militar do Leblon para o local. Dos confrontos resultou, pelo menos, um morto: um indivíduo de 30 anos, que ainda foi transportado para o hospital, mas já chegou sem vida, de acordo com a secretaria municipal da Saúde, citada pela imprensa. Há ainda relatos de outra possível vítima: um menor de 12 anos, baleado na sequência de um tiroteio entre os moradores de Pavão-Pavãozinho e a polícia. Os confrontos acontecem a cerca de um mês do arranque do Mundial de Futebol.

"Olá NASA, estamos em Portugal" Dia da Terra assinalado com milhares de auto-retratos na internet para mostrar o mundo ao mundo. Portugueses aderiram à iniciativa da agência espacial norteamericana.

Jovens portugueses responderam ao desafio da NASA. Foto: DR

A agência espacial norte-americana desafiou a população mundial a assinalar este Dia da Terra com um auto-retrato. São milhares de "selfies" que chegam de todo o mundo, inclusive Portugal. Esta terça-feira ainda não acabou e já são milhares as imagens disponíveis, um pouco de todo o mundo, contando-se ainda com a presença de vários internautas portugueses. Não só em vários pontos do país, mas também a partir do estrangeiro. De acordo com a NASA, no evento criado nas redes sociais para o efeito, o objectivo é colocar as pessoas a mostrar o mundo ao mundo. "Saia de casa e mostre-nos as montanhas, os parques, os rios, os lagos, os monumentos históricos. Diga-nos onde está com um sinal, escrito na areia, soletrado com pedras... é essa a ideia", refere a agência no Facebook. Quem quiser participar, pode ir à página da NASA e descarregar um modelo de texto para localização da foto. Depois só tem que partilhar numa das suas redes sociais, seja no Twitter, Instagram, Facebook, Google+ ou Flickr, com a hashtag #globalselfie. A NASA construirá depois uma mega imagem que será divulgada em maio e que será um mosaico do nosso planeta.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate.

CONVERSAS CRUZADAS. A economia e as finanças do país em debate.

Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.

Com Daniel Bessa, Carvalho da Silva, Silva Penda e Álvaro Santos Almeida, num debate conduzido por José Bastos.


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Grande prémio de fotojornalismo para o retrato da "Cegueira Recente" A quinta edição do concurso contou com 386 reportagens de 139 fotógrafos. Mário Cruz, da agência Lusa, foi o Vencedor da edição deste ano do Prémio Fotojornalismo 2014 Estação Imagem/Mora. O prémio distinguiu uma reportagem fotográfica sobre a questão da integração social de pessoas com cegueira recente. Este concurso tem já cinco anos e, nesta edição, recebeu 386 reportagens de 139 fotógrafos. Veja as fotos premiadas no site da Renascença.

Muçulmanos e cristãos tentam impedir eleição de Modi O candidato do BJP, o partido nacionalista hindu, é acusado de ter alimentado a violência interconfessional quando era governador de Gujarat.

significativa. Recentemente o imã da Grande Mesquita de Nova Deli apelou aos muçulmanos para votarem no Partido do Congresso, evitando assim a ascensão de Modi. Também este mês um grupo cristão ecuménico apelou aos fiéis para evitarem votar no BJP. O partido nacionalista hindu é visto com desconfiança por muitos eleitores, pelas suas posições contra outras religiões. Em muitos estados onde domina, o BJP aprovou leis anticonversão, que tornam ilegal a conversão de hindus a outras religiões. Os militantes hindus alegam que as igrejas cristãs utilizam métodos desonestos para converter hindus de casta baixa, prometendo ascensão social e libertação em relação ao sistema de castas. Modi, em Particular, é acusado por alguns de ter instigado a violência antimuçulmana que eclodiu em Gujarat em 2002. Depois de um incêndio num comboio que transportava peregrinos hindus começou um boato de que o fogo tinha sido posto por um muçulmano, levando a represálias que fizeram centenas de mortos entre a comunidade islâmica. Contudo, as sondagens revelam que, geralmente, os muçulmanos, que compõem 13% da população da Índia, não costumam votar segundo os interesses da sua religião, mas sim nos candidatos que acreditam que lhes serão pessoalmente mais favoráveis. Mesmo em Gujarat, 40% dos muçulmanos admitem ter votado em Modi, apesar do seu passado. Devido ao tamanho e à população da Índia, o seu processo eleitoral decorre ao longo de vários dias. Os votos começaram no dia 7 de Abril e apenas terminam a 12 de Maio. FRANCISCO SARSFIELD CABRAL

Ética e negócios “Honesty is the best policy”. Uma empresa séria ganha prestígio e atrai clientes. Mas há casos em que a ética impõe prejuízos.

Narendra Modi, candidato do BJP Foto: STR/EPA

As comunidades muçulmanas e cristãs da Índia estão preocupadas com a possibilidade de Narendra Modi poder tornar-se primeiro-ministro do país, naquelas que são as maiores eleições democráticas do mundo. Narendra Modi é o candidato do BJP, o partido nacionalista hindu, e há vários anos que é acusado de ter sido cúmplice e instigador de episódios graves de violência interconfessional, sobretudo quando era governador do estado de Gujarat. Apesar de os hindus serem uma maioria significativa da população da Índia, o país tem também uma das maiores comunidades islâmicas do mundo e ainda uma minoria cristã que, em partes do país, é

Por Francisco Sarsfield Cabral

A ética empresarial tem vindo a afirmar-se, até como disciplina incluída nos cursos superiores de gestão. E nas próprias empresas o tema está cada vez mais presente, “certamente por muitas razões, em que não é de excluir o facto de, hoje em dia, a ética ‘pagar’, podendo ser instituída em factor de competitividade”. A afirmação é do Prof. Daniel Bessa, um economista que conhece bem o mundo das empresas, em


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entrevista ao “Jornal de Negócios”. Os ingleses têm para esta ideia de que a ética compensa com lucros acrescidos um velho ditado: “honesty is the best policy” (a honestidade é a melhor política). Compreende-se: uma empresa séria ganha prestígio e atrai clientes. Mas por vezes a ética impõe prejuízos, por exemplo perder um concurso por recusa de subornar alguém. Nesse caso a ética continua a prevalecer, como reconhece Daniel Bessa: “caberá a cada um determinar (…) o limite além do qual não está disposto a conviver com a falta de ética, qualquer que seja o custo”. Ou seja, a ética muitas vezes favorece a empresa, mas não deixa de valer quando lhe traz prejuízo.

Almeida Santos comemora 25 de Abril no Parlamento Líder histórico do PS lamenta que os capitães de Abril fiquem de fora das cerimónias dos 40 anos da liberdade na Assembleia da República. Almeida Santos faz questão de assinalar o 25 de Abril no Parlamento, ao contrário de outras figuras ligadas ao PS, como Mário Soares, que já disseram que não vão marcar presença. O líder histórico do PS e antigo presidente da Assembleia da República não quer fazer comentários para não agravar a polémica entre a Assunção Esteves e a Associação 25 de Abril, mas revela que vai estar em São Bento, na sexta-feira: "Tenho pena que tenha acontecido o que aconteceu. Havia outras maneiras de conduzir isto sem termos tido de neste momento lamentar o facto de parecer que a Assembleia está zangada com os capitães de Abril. Evidentemente que não está. Toda a Assembleia não está. Já aconteceu. Não vale a pena comentar para não agravar a situação”, explica. À questão sobre onde vai estar nas cerimónias dos 40 anos da liberdade, responde “em São Bento” e não no Largo do Carmo, local escolhido pelos capitães de Abril para assinalar a data, após lhes ter sido negado discursar no Parlamento. As declarações de Almeida Santos foram feitas à margem do congresso “a revolução de Abril”, que decorre até quinta-feira, no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa.

Novo "jackpot" no Euromilhões Primeiro prémio aumenta para 68 milhões de euros na sexta-feira.<BR> O sorteio do Euromilhões da próxima sexta-feira vai ter

um 'jackpot' de 68 milhões de euros, uma vez que nenhum apostador acertou na combinação desta terça-feira, informou o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia. O segundo prémio coube a dois apostadores, nenhum em Portugal, cabendo a cada um destes vencedores uma verba de 530.391,19 euros. Três apostadores, todos fora de Portugal, arrecadaram o terceiro prémio, recebendo cada um 117.864,70 euros. Houve ainda 32 apostadores, seis dos quais em Portugal, que ficaram com o quarto prémio, ganhando cada um 5.524,90 euros. A combinação desta terça-feira foi composta pelos números 13 - 15 - 20 - 24 e 46 e pelas estrelas 1 e 8. Os prémios de valor superior a cinco mil euros estão sujeitos a imposto do selo, à taxa legal de 20%, nos termos da legislação em vigor. REVISTA DA IMPRENSA DESPORTIVA

Gaitán, Quintero... e Pirlo O diário A Bola procura mobilizar as suas tropas, recordando declarações de Pirlo, jogador da Juventus, após o sorteio das meias-finais da Liga Europa: "Tenho pena por eles".

"Orgulho ferido" é a manchete de A Bola. O jornal procura a mobilização das suas tropas, recordando declarações de Pirlo, jogador da Juventus, após o sorteio das meias-finais da Liga Europa: "Tenho pena por eles". O diário do Bairro Alto escreve ainda: "Pirlo incendeia balneário do Benfica". O diário Record entrevista Gaitán. O argentino afirma: "È o momento mais alto da minha carreira". O jornal O Jogo coloca na sua primeira página Juan Quintero e escreve "A certeza do novo Dragão". Segundo este diário, "Luís castro entrega-o ao novo treinador com a rodagem feita". Ainda neste jornal: "Djavan está na lista do leão". De volta ao Record, outro título em destaque: "Só Pinto da Costa escapa à contestação".


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RIBEIRO CRISTÓVÃO

Contra um muro Mourinho não está pelos ajustes e espera resolver a eliminatória frente ao seu público, chegando à almejada final do Estádio da Luz. Hoje, é noite de grande expectativa, com o Real Madrid a receber o Bayern, um jogo que bem poderia figurar em qualquer final. Por Ribeiro Cristóvão

As quatro melhores equipas da Europa lutam pela conquista do troféu mais importante instituído pela UEFA nos anos 50 do século passado. Para já, apenas Chelsea e Atlético de Madrid deram o primeiro passo em busca da final de Lisboa, enquanto Real Madrid e Bayern de Munique medem hoje forças no Santiago Barnabéu, naquele que poderá tornar-se num dos melhores jogos desta temporada. José Mourinho prometera criar dificuldades a Simeone e cumpriu. Não obstante as muitas dificuldades que lhe foram sendo colocadas durante os noventa minutos, o Chelsea alcançou um empate que abre excelentes perspectivas para Stanford Bridge. Sem o seu melhor guarda-redes, Peter Check, lesionado por um choque casual com um adversário madridista, e vendo sair do campo lesionado o seu capitão Terry, o técnico português reforçou ainda mais a tendência defensiva de toda a sua equipa, que aliás já havia deixado a sua marca na primeira parte do desafio. E contra esse autêntico muro erguido pela equipa londrina, o Atlético de Madrid pouco ou nada pode fazer. Resta-lhe esperar que daqui por uma semana haja condições diferentes para conseguir um resultado melhor, e assim chegar à final da Liga dos Campeões. Só que, José Mourinho não está pelos ajustes esperando resolver a eliminatória frente ao seu público, e assim chegar à almejada final do Estádio da Luz. Hoje, vamos ter outra noite susceptível de criar grande expectativa, com o Real Madrid a receber o Bayern, um jogo que bem poderia figurar em qualquer final. Um bom teste para o campeão em título, e não menos importante para a equipa de Cristiano Ronaldo, que há muitos anos persegue a “décima”, sem sucesso.

Relação manda repetir julgamento de empresário que agrediu assaltante Dono de pastelaria assaltada viu anulada a decisão judicial tomada em primeira instância e que o tinha absolvido. Vai ser repetido o julgamento do homem que resistiu ao roubo da sua pastelaria em Albergaria-a-Velha, conforme decisão do Tribunal da Relação de Coimbra.

O homem viu anulada a decisão judicial tomada em primeira instância e que o tinha absolvido. O empresário chegou a ser baleado durante a tentativa de assalto e acabou, juntamente com a mulher e o genro, por responder em legitima defesa, como confirmou a justiça em Setembro do ano passado. Agora, o Tribunal da Relação de Coimbra mandou repetir o julgamento por considerar que existiram contradições. O empresário, a sua mulher e genro vão ter de voltar a tribunal. O assaltante, que recorreu, está a cumprir quatro anos de prisão. Foi condenado, por um crime de roubo qualificado na forma tentada, ao pagamento de quase 18 mil euros de indemnização. Caso remonta a 2011 O caso ocorreu na noite de 17 de Setembro de 2011, quando o assaltante entrou na pastelaria com a cara tapada e ameaçou com uma espingarda de caça o dono do estabelecimento, que acabou por ser baleado na anca, quando ofereceu resistência. O ladrão, que ainda chegou a dar um segundo tiro acertando no estabelecimento próximo, seria imobilizado no local pelo dono da pastelaria com a ajuda da mulher e de um genro que vieram em seu socorro, até à chegada da GNR. O indivíduo foi depois transportado ao hospital para receber tratamento a ferimentos na cabeça, tendo ficado internado.

Estátua em bronze roubada em Alcochete Estátua do forcado Hélder Antoño, símbolo do concelho, desapareceu na madrugada desta terça-feira. A GNR já está a investigar o caso. Uma estátua em bronze, de grande porte, de um forcado, que estava instalada em frente à praça de toiros de Alcochete, foi furtada na madrugada desta terça-feira, disse à agência Lusa fonte da GNR. A estátua de Hélder Antoño, antigo forcado dos Amadores de Alcochete, que morreu na arena quando tinha 21 anos, é considerada um símbolo do concelho. "Temos identificada a matrícula de uma carrinha suspeita de ter estado no local e estamos a ver também nas sucateiras, porque a estátua é em bronze e o objectivo deve passar por ser fundida", disse a fonte da GNR. De acordo com a mesma fonte, a estátua é em tamanho real, com um grande porte e difícil de passar despercebida. "Houve um pescador que estranhou a presença da carrinha no local cerca das 05h00. Temos estado a procurar e vamos continuar o trabalho", acrescentou.


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Obra de arte flutuante inicia cruzeiros no Tejo Cacilheiro "Trafaria Praia", remodelado pela artista plástica Joana Vasconcelos para a Bienal de Veneza, vai receber visitantes a partir de sábado.

foi enviado para num estaleiro naval, onde foi alvo de remontagem dos painéis de azulejos retirados durante a viagem por precaução. A DouroAzul, empresa fundada em 1993, foi um dos mecenas envolvidos no projecto concebido por Joana Vasconcelos, artista escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza 2013, a convite do então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

Portugal eleito "Melhor destino de férias por avião" A distinção foi atribuída pelos Zoover Awards 2014. Os resultados têm por base as avaliações dos utilizadores do site zoover.com, consultado mais de 150 milhões de vezes, por ano.

O cacilheiro "Trafaria Praia", transformado em obra de arte pela artista plástica Joana Vasconcelos para a Bienal de Veneza 2013, começa no sábado a fazer cruzeiros no Tejo, que funcionarão de terça-feira a domingo. Fonte da empresa DouroAzul, a actual proprietária do cacilheiro, disse à agência Lusa que o cacilheiro vai ser inaugurado no dia 25 de Abril e começará a funcionar para o público no dia seguinte. O antigo cacilheiro da Transtejo, que transportou milhares de passageiros no Tejo, estava desactivado desde 2011, tendo a artista Joana Vasconcelos reconvertido o barco em "pavilhão flutuante" de Portugal para a Bienal de Veneza 2013. Em seis meses, o "Trafaria Praia", com capacidade para 120 pessoas, foi visitado em Veneza por cerca de 100 mil pessoas. A partir de sábado, o cacilheiro vai receber visitas e realizar viagens turísticas entre o Terreiro do Paço e a Torre de Belém, de terça-feira a domingo, encerrando à segunda-feira. Ainda segundo a DouroAzul, os cruzeiros vão funcionar de terça-feira a sexta-feira, às 11h00, às 16h00 e às 19h00, e aos sábados e domingos, às 11h00, 15h00, 17h00 e 19h00. As visitas ao cacilheiro vão funcionar de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. Os bilhetes são gratuitos até aos quatro anos. Para o público entre os cinco e os 12 anos e para os maiores de 65 anos há um desconto de 50% sobre o preço de adulto. A entrada custa seis euros para adultos e a visita com cruzeiro custa 18 euros para adultos. A inauguração, apenas para convidados, está marcada para sexta-feira, a partir das 14h00. Depois da exposição de Veneza, o "Trafaria Praia" esteve em trânsito no Mar Mediterrâneo durante três meses, uma viagem que demorou mais do que o previsto pelas paragens em portos intermédios, forçadas pelo mau tempo. Chegou a Lisboa em Março e

Portugal foi eleito “Melhor Destino de Férias por avião (Europa)”, nos Zoover Awards 2014, galardões que distinguem destinos e atracções turísticas, bem como alojamentos, em mais de 25 países. Os resultados têm por base as avaliações online dos utilizadores do site zoover.com, consultado mais de 150 milhões de vezes, por ano, com Portugal a obter uma pontuação total de 9.12 (numa escala de 1 a 10), com especial destaque para as categorias “hospitalidade”, “acesso por avião”, “gastronomia” e “cultura”. Os Zoover Awards elegem os melhores alojamentos da Europa, assim como os melhores e mais populares destinos no mundo inteiro. A cerimónia de entrega de prémios realizou-se na passada quinta-feira em Amsterdão, na sede do Telegraaf, o maior jornal diário da Holanda.

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Página1 23 Abril 2014