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Futuros encontros: Encontro Inter-Diocesano - 26 a 28 de Fevereiro: Seminário

Diogo Galveia e Pedro Bacalhau

Maior de Évora - 19 a 21 de Março: Seminário Menor de Vila Viçosa

Contactos:

Eu tenho o que os outros não têm Padre Manuel José

Ele me guiará pelo melhor caminho Seminarista Ricardo Almeida

- Diácono Fernando Lopes . psmevora@gmail.com . 965815672

O cristianismo, graças a Deus, venceu a tentação de declarar inimigos Tolentino Mendonça

Todos os encontros iniciam sexta-feira com o jantar e terminam domingo ao almoço.

podes contar c o n n o s c o

queremos contar contigo

Alargar o cerco Klaus Hemmerle

Para despertar Madeleine Delbrel


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ENCONTRO INTER-DIOCESANO Pré-Seminários e Seminários Menores Diogo Galveia e Pedro Bacalhau

O passado encontro do Pré-Seminário

Após a apresentação, o convívio foi

nos dias 8, 9 e 10 de Janeiro foi repleto de

automático e o nervosismo miudinho passou.

maravilhas, das quais alguns de nós desconhe-

Ficámos logo num ambiente familiar a que está-

cíamos por completo. A Serra da Arrábida é um

vamos habituados nos nossos encontros.

local mágico cheio de paisagens deslumbrantes.

No dia seguinte, rezámos as Laudes,

Este encontro foi inter-diocesano e con-

como é habitual, tomámos o pequeno-almoço e

tou com 6 jovens do Pré-Seminário e 3 jovens

saímos com a expectativa de conhecer algo de

do Seminário Menor da Arquidiocese de Évora,

novo. Fomos visitar um convento de monges, as

9 jovens do Pré-Seminário da Diocese de Setú-

grutas onde eles viviam e as ermidas dispostas

bal e, durante o dia de sábado, com 3 jovens do

pela serra. Celebrámos a Eucaristia nesse mes-

Seminário Menor da Diocese de Beja.

mo convento, porque quando Jesus queria rezar

Quando lá chegámos estávamos um pouco expectantes ao que ia acontecer, pois era

ia para os lugares ermos, afastado de tudo e de todos.

um encontro diferente, com pessoas que nós não

Após o almoço fomos caminhar a pé em

conhecíamos, mas partilhavam o mesmo objec-

direcção à Lapa de Santa Catarina. É um local

tivo: descobrir a vocação que Deus tem prepara-

onde existe um altar escavado na rocha de uma

da para nós.

gruta à beira-mar.

Ficámos alojados no Lar de Férias da

De seguida, fomos visitar um lugar úni-

Casa do Gaiato. Fomos muito bem recebidos

co no país, por enquanto, porque a nossa dioce-

pela Diocese de Setúbal que tinha tudo muito

se também vai ter a honra de o ter.

bem preparado e organizado.

(continua na página 3)

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É um sítio muito calmo e num espaço muito isolado. É um convento onde vivem irmãs da congregação religiosa das Monjas de Belém, da Assunção da Virgem e de S. Bruno. Tivemos o prazer de conversar com uma das Irmãs. Ela explicou no que consistia o carisma desta congregação, algumas das suas características e foi esclarecendo as dúvidas existentes. Depois, em conjunto, rezámos o terço e fomos assistir a um momento de oração das irmãs. Foi uma das coisas mais bonitas das nossas vidas! A voz e a forma como rezavam eram muito bonitas. Depois do jantar, houve um momento de lazer, onde se representava, cantava e dançava, seguido de uma oração antes de ir dormir. No último dia, participámos na Eucaristia na paróquia de Alfarim. Fomos ver o cabo Espichel e o seu Santuário, dedicado à Nossa Senhora do Cabo, numa visita guiada pelo seu Reitor. Depois do almoço, despedimo-nos com aquele abraço em Cristo! Foi um encontro, com toda a certeza, muito gratificante, pois, para além dos sítios que visitámos e das coisas que aprendemos, também fizemos grandes amizades.

Para quê fingir? Porquê mentir? Atreve-te!!!

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Eu tenho o que os outros não têm Padre Manuel José Neste momento em que vos escrevo estou a escutar, na rádio, a canção dos Xutos & Pontapés, “Perfeito vazio”. Gosto muito desta canção. Podeis escutá-la enquanto ledes estas minhas palavras. Apetece-me começar por dizer, como a canção: “Sou uma folha de papel vazia”. Quando me ponho a olhar para a minha vida reparo que ela está cheia de páginas onde Deus foi colocando “pequenas coisas, pequenos pontos” que me vão mostrando o caminho. Reparo também que muitas vezes sigo esses pontos e chego aonde Deus quer e muitas outras vezes não sigo esses ponto e não chego aonde Deus quer. Reparo também que sou feliz quando sigo os sinais de Deus e percorro o caminho certo e quando o não faço sou infeliz. Por outro lado reparo que à minha volta muitas pessoas passam frio, quer dizer, não têm razões nem sentido para viver. Reparo ainda que eu próprio vivo momentos em que sinto frio. Sinto-me só no meio de circunstâncias difíceis da minha vida. É quando fico imóvel, parado, a olhar para mim, como se só eu tivesse frio. No entanto, muitas vezes levanto os olhos e vejo que “lá fora faz mais frio”. Reparo que há outros que passam mais frio do que eu. Nesses momentos percebo que afinal eu não tenho razões para ter frio. O que me falta é mesmo pensar no frio dos outros e ir ao seu encontro. Quando o faço, deixo de ter frio porque encontro uma razão feliz para viver. Descobri, há muito tempo, que há muita gente que não tem muitas coisas e que eu posso dar-lhes o que eles não têm. Aprendi que, quando eu tenho e os outros não têm, eles nunca terão se eu não for generoso e não repartir com eles. Há muitos anos decidi ser padre por causa disto. Queria levar aos outros o que eles não tinham e que eu tinha porque Deus me deu. E, o que é que eu tenho que os outros não têm? Tenho uma vida feliz. Tenho uma família que me ajuda e ama. Tenho uma escola onde posso estudar. Tenho amigos. Tenho roupa lavada todos os dias. Tenho comida em abundância. Tenho pessoas que me ajudam a conhecer Jesus. Tenho um catequista. Tenho um pároco. Tenho Eucaristia todos os Domingos. Tenho a Palavra de Deus que posso escutar e ler na Bíblia. Tenho fé. Muitas pessoas não têm nada disto. Têm frio. Quer dizer: faltam-lhes muitas coisas essenciais que eu tenho e que posso repartir com eles. (continua na página 5) 4


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Aprendi que, todas as coisas que Deus nos dá diminuem dentro dos nossos bolsos e dentro do nosso coração se nós as guardamos só para nós. Mas agora sei que quando sou generoso e reparto com os outros aquilo que Deus me dá, então essas coisas multiplicam-se e nunca se esgotam dentro do meu coração e até dos meus bolsos. Um dia, resolvi repartir com todas as pessoas tudo o que tenho de mais importante. Vós perguntais: E o que foi que repartiu de tão importante com todas as pessoas? E eu respondo, a minha vida. Um dia decidi que a minha vida devia ser toda oferecida aos outros para que eles possam ter o que precisam para ser felizes. Percebi que eles não precisam de coisas mas da mim mesmo, da minha vida. Desde esse dia, a minha vida multiplicou-se e eu tenho vivido coisas muito grandes, momentos muito felizes, grandes alegrias. Deus multiplicou tudo o que me tinha dado porque eu vou repartindo com todos. Há ainda muitas pessoas com frio. Há ainda muitas pessoas que não têm o que precisam. Há ainda muitas pessoas que não conhecem Deus, nem têm fé, nem sabem rezar. Eu não consigo chegar a todas as pessoas. Eu sei que há muitos homens que fazem o mesmo que eu, mas somos poucos. Fazem falta mais homens que queiram dar a vida para que outros sejam felizes por conhecerem Jesus. Eu vou continuar sem me cansar e tu, se quiseres, podes juntar-te a mim. Sai da tua casa, do teu lar mais profundo e vem comigo conquistar o mundo para Jesus.

“Um dia decidi que a minha vida devia ser toda oferecida aos outros para que eles possam ter o que precisam para ser felizes”

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Ele me guiará pelo melhor caminho Ricardo Almeida Chamo-me Ricardo Almeida,

Este contacto com o semi-

pertenço à Paroquia de Santa Luzia,

nário menor acentuou em mim o dese-

Elvas, tenho 18 anos e estou no Ano

jo de seguir a caminhada rumo ao Ano

Propedêutico no Seminário de Leiria.

Propedêutico. Agora com esta nova

Desde criança que me fascina-

experiência, tenho adquirido conheci-

va o ministério sacerdotal, não saben-

mento sobre o ser Igreja e tenho acima

do o que o futuro me reservava.

de tudo aprofundado a minha relação

Comecei então a acolitar na

com Deus, na certeza que ele me guia-

paróquia e a gostar cada vez mais

rá pelo melhor caminho.

daquilo que fazia. Ao longo de 8 anos

Aqui tenho aprendido a viver

fui-me questionando, até que aos 17

em comunidade e tenho-me familiari-

falei com o meu pároco, Pe. Francisco

zado com diversas causas humanas,

Couto, que me apresentou o Pe. Helio-

nomeadamente no Lar de Idosos de

doro, o qual me propôs o pré-

São Francisco onde fazemos volunta-

seminário. Aceitei o desafio e comecei

riado e na catequese onde trabalho

a frequentar os encontros. Foi aí que

com crianças.

amadureci a minha fé, através das

Como a caridade é sem dúvida

actividades propostas, nomeadamente

um dos caminhos para Cristo, neste

os momentos de oração. Também me

momento estou, com os meus colegas

marcou no meu discernimento a visita

na

às irmãs de clausura de Campo Maior,

Irmãos de São João de Deus, a traba-

bem como a um lar de idosos em Vila

lhar com pessoas com doenças psi-

Viçosa. Marcou-me também os encon-

quiátricas. Aqui tenho encontrado

tros realizados no seminário menor de

diversas realidades que me têm mos-

Vila Viçosa.

trado um mundo que desconhecia.

comunidade

Hospitaleira

dos

Estando ainda no início da caminhada e na certeza de que Deus está comigo espero vir a realizar aquilo que Deus tem reservado para mim.

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"O cristianismo, graças a Deus, venceu a tentação de declarar inimigos" por Maria João Avillez, publicado em 26 de Dezembro de 2009, no Jornal I

Tolentino Mendonça

Não são precisas mais palavras, bastam as dele: ninguém as colhe assim, ninguém as põe deste modo ao nosso serviço, ninguém acerta assim com elas nas almas, ninguém perfura assim os corações. Por isso a sua luz - e o seu esplendor espiritual, e o seu fulgor criativo - irradiam em diversos meios. Em todos tem amigos, seguidores, admiradores, companheiros. José Tolentino Mendonça, 44 anos, sacerdote, poeta e intelectual fecundíssimo, tem o raro dom de interpelar, tocar, marcar. Para "servir" para lá de credos, idades e vidas. Com a preocupação de levar Deus até eles? "Não. Eu respeito muito os percursos de cada um. Cada pessoa transporta uma história que é sagrada. Gosto de a reconhecer como é." Quem o ler já a seguir também vai reconhecer a humildade luminosa das suas derivações sobre o homem e o sagrado, o homem e o mundo, o homem e a esperança. E como se trata dele valeu muito a pena, valeu sobretudo a pena perder algum tempo a ouvi-lo falar-nos assim de Deus. Vamos perder um pouco de tempo com Deus. Não tanto devido à quadra natalícia como devido a si: pode falar-se de José Tolentino de Mendonça como poeta, homem de cultura, intelectual brilhante, mas não se deve falar de si sem o ligar a Deus - pois não? Eu sinto que a procura de Deus é a dimensão mais forte da minha existência. Em última análise é dessa procura - humilde, inacabada, sempre a ser refeita que me alimento. Vivo na sua expectativa, deslumbro-me com a revelação surpreendente e polifónica da sua presença, sofro e interrogo o seu silêncio... Com a consciência profunda, porém, de que estes contornos mais intensos ou mais frágeis da minha procura não são os mais importantes. Importante é, nas horas da graça ou naquelas de densa escuridão, saber-se buscado, saber que é Deus quem nos procura...

(continua na página 8 e 9)

“Importante é saber-se buscado, saber que é Deus quem nos procura... “

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Quando é que Ele se tornou obrigatório? Obrigatório como respirar? Uma amizade não começa no momento em que é explicitada. Para chegar a ser explicitada tem primeiro de crescer em silêncio nos corações, de se construir lenta e misteriosamente em múltiplos

“Já éramos amigos e não sabíamos”

encontros, de se consolidar num tráfico íntimo de sinais... Há uma frase de Blanchot que explica deste modo a forma como todos experimentamos a amizade: "Já éramos amigos e não sabíamos." A amizade com Deus é a mesma coisa. Quando é que Ele se tornou obrigatório?

Mas como "percebeu" que Deus estava a falar consigo? Nesse "silêncio no coração" que agora evocou?

Tenho de responder, para ser verdadeiro: muito antes

"A Deus nunca ninguém o viu", diz-nos S.

que eu o soubesse. Vêm-me à cabeça aqueles versos

João. O nosso encontro com Deus é, nesta nossa con-

de Mário Cesariny: "Tu estás em mim como eu esti-

dição histórica, um encontro mediado. Eu diria que,

ve no berço./Como a árvore sob a sua crosta./Como

no meu caso, esse encontro foi decididamente media-

o navio no fundo do mar."

do pelo espanto. Descubro-me enamorado de um espanto fundamental. Não consigo mais tirar dali os

O que determina antes de mais a sua rela-

olhos ou o coração. Não é só o assombro perante "a

ção com Ele? No seu caso particular, pessoal, é

espantosa realidade das coisas", de que Fernando

possível definir os laços que tecem essa espécie de

Pessoa falava, e que em si mesmo já é tanto! O maior

dependência?

assombro é pela vocação divina do homem que está

Há uma oração que aprendi, e dizem-me que se reza em Taizé: "Senhor, estou aqui à espera de nada." Com o tempo, esta oração tem-se tornado a paisagem de fundo do meu caminho espiritual. Acho que posso dizer que vivo na dependência de Deus. Jesus Cristo é o objecto da minha fé. Com todas as

em nós inapagavelmente inscrita. Quando o que sabemos de Deus nos constrange, nos cerca, nos pressiona, nos compromete, nos deixa sem saída (e estou a citar palavras de dois grandes crentes, S. Paulo e o profeta Jeremias), então percebemos que é connosco que Deus está a falar.

minhas falhas e incertezas, procuro que a sua humanidade se torne inspiração para a minha. Mas peço a Deus a liberdade e a gratuidade necessárias ao amor. Eu não creio para que Deus me facilite a vida ou a resolva por mim. Os místicos ensinam que "a rosa é sem porquê".

“Eu não creio para que Deus me facilite a vida ou a resolva por mim” 8


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Falou de um marco identitário. Mas

Qual é hoje o maior desafio que se depa-

como lidar com a atitude ou as vozes que dizem

ra aos cristãos? Que lhes dê asas, mobilizando-

Deus hoje desaparecido por trás da agonia dos

lhes a vontade e a convicção nestes tempos que

valores? Da decadência da civilização ocidental,

considerou de "hesitação e descrédito"?

da ditadura do relativismo, da vertigem do politicamente correcto, da demencial violência dos dias e por aí fora? É verdade, como comodamente se faz crer, que nunca foi tão difícil falar de Deus como hoje?

O maior desafio é o de viverem na confiança ("Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim dos tempos") e no amor ("Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe deu o seu próprio Filho"). Mas depois é como dizia Santo Agostinho: «Ama e faz o

O problema não é falar de Deus. Um dos

que quiseres.»

livros que mais me impressionaram na vida foi as "Cartas/Diário" de Etty Hillesum. Essa extraordinária rapariga de Amesterdão, que numa das horas mais sombrias do século xx, se oferece como voluntária para um campo de concentração mostra-nos que é possível falar de Deus mesmo nos sítios mais

O país também vive dias assim, de "hesitação e descrédito". Portugal aflige-o? Olho-o com esperança e procuro contagiar outros. Temos de perder o medo.

dolorosos do mundo e mais recônditos da alma. Nenhum Auschwitz cala a poesia de Deus! O problema é o homem. É a implacável redução do que o humano significa. É a fragmentação que nos estilhaça e nos deixa sem possibilidades ou com muito menos possibilidades de aceder a uma existência autêntica

Será que já consegues encontrar-te contigo a sós? Já serás capaz de descer, de vez em quando, até ao mais profundo do teu coração para perceberes que dentro de ti mora um mistério que te envolve e que tu procuras sempre escamotear? 9


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Alargar o cerco Klaus Hemmerle O primeiro passo deve partir sempre de mim (…): viver de tal maneira que os outros encontrem em mim Cristo, o seu amor, e permaneçam atraídos. Devo aproximar-me dos outros de modo que percebam que eu não os conheço segundo a carne (Cf. 2Cor 3, 16), que não procuro o meu próprio interesse, nem uma ajuda ou complemento, que não me deixo guiar pela simpatia ou antipatia, mas que os acolho como o próprio Senhor. Os outros devem experimentar que eu vivo de Jesus, que sigo mais a Sua voz que as minhas ideias ou a opinião dos outros. Verão que a minha vida se baseia na Sua Palavra, nos Seus sacramentos, que O escuto naquilo que Ele me quer dizer nos testemunhos e nos enviados da Igreja. E, sobretudo, procuro-O onde Ele me amou mais, isto é, nas dificuldades, nas trevas que são para mim “o sacramento” do Seu abandono na cruz, da Sua morte. Mais tarde ou mais cedo (…) encontrarei quem adira a esta vida (…) e são pessoas que nós não escolhemos. Alarga-se o cerco e formar-se-ão novas células de pessoas reunidas no nome de Jesus.

"Ó Cristo, hoje tu me chamas! Nas portas que abres e que fechas, nas surpresas que nem sempre entendo, és Tu que me maravilhas no desejo permanente de me fazer feliz. Mesmo sem perguntar se posso, mesmo sem saber se me apetece, sem me perguntar se quero, quero o que Tu queres, agora e sempre. Amen." Madeleine Delbrel

Para despertar 10

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