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Edição II Ano I Brasília, Maio de 2012

POLÊMICA Conheça o lado mãe de Valesca Popozuda!

EXCLUSIVO

ELBA RAMALHO MADRINHA DA ONG ACONCHEGO FALA SOBRE COMO A BUROCRACIA E OS PRECONCEITOS DEIXAM MUITAS CRIANÇAS SEM UMA FAMÍLIA TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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editor

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por Liana Alagemovits liana@tendenciasenegocios.com.br

este mês de maio, como qualquer meio de comunicação em massa, decidimos falar de ser mãe abordando, porém, todas as dimensões desse conceito. A maior delas, com certeza, é aprender o significado de duas palavras divinas: ternura e compaixão. Esses sentimentos emocionam e nos fazem compreender com plenitude as fraquezas e as belezas de qualquer um de nós seres humanos. Depois desse entendimento, podemos imaginar que ser mãe não é simplesmente organicamente gerar uma vida que da junção de duas células, se torna algo complexo: uma pessoa. Então, ser mãe é de fato cuidar, zelar, tentar proteger, orar, desejar coisas boas e, por fim, receber abraços, olhares, carinhos, educar, aprender dizer sim e não ou ter que deixar, com o coração na mão, que seu filho caminhe por si só pelo mundo repleto de lacunas, incertezas, dificuldades e complexidades de convivência. É também ouvir seu filho, simplesmente, lhe chamar em busca de afago, de consentimento, de um beijo, de um aconchego, de segurança, de respostas intangíveis diante de questões complexas ou, apenas, de mãos que afagam em um colo de mãe. Diante disso, vamos falar da dificuldade do mercado de trabalho para mulheres que constroem suas famílias e também de adoção, de filhos que elegemos por escolha, pela promessa de vida, pela necessidade de conviver com a inocência, carinho, amizade, momentos felizes, , e de doar muito amor a uma criança sedenta dessas preciosidades, que uma mulher é capaz de doar simplesmente porque a maternidade é assim: simples e plena. Então, a nossa reportagem especial contará histórias comoventes e mostrará um pouco mais de uma mulher guerreira, cuja voz nos encanta: Elba Ramalho acolheu suas crianças e esclarece como é bom se tornar mãe.

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Nesta transformação, a maior que qualquer mulher pode passar, passamos a acreditar na humanidade porque sabemos que devemos cuidar de todas as crianças para que elas se tornem adultos honrados, gente de bem, que lutam por um mundo mais justo e livre, onde impere a verdade e o respeito entre todos. Enfim, temos filhos porque queremos um mundo melhor. Esse é o instinto que garante a sobrevivência da raça humana. Mas ao viver momentos divinos como este, as mulheres acabam abrindo mão de muitas coisas que valorizam como ter um corpo perfeito, tempo integral para trabalhar, estudar, fazer exercícios ou simplesmente passar o dia inteirinho no salão de beleza ao lado de uma amiga. Então é claro que a prioridade passa a ser os filhos e por isso a ascensão profissional também se torna uma questão delicada e um dilema a ser enfrentado. A partir da década de 70 até os dias de hoje, a participação das mulheres no mercado de trabalho tem crescido. Se em 1970 apenas 18% das mulheres brasileiras trabalhavam, 52,4% estão em plena atividade desde 2007, ou seja, estamos no campo de batalha diária lado a lado com os homens, apesar de enfrentarmos discrepâncias. Segundo estudo realizado pela FEA-USP, trabalhadoras com filhos pequenos têm em média, no Brasil, salário 27% menor que o de suas colegas sem filhos. A maioria dos empregos de meio período também está reservada ás mães. Na Espanha, segundo a Fundação Mulheres, o mercado de trabalho oferece 30% menos benefícios às mulheres que aos homens. Mas para quem decidiu se tornar mãe, outros ganhos devem ser contabilizados. Anotem o último discurso proferido pela humanista Zilda Arns que dedicou a sua vida para salvar crianças. A médica lembrou-se da fragilidade da infância dizendo: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos, devemos cuidar de nossas crianças, como um bem sagrado”. Obrigada Zilda Arns!

Alex Dias Liana Alagemovits Diretor Executivo

Editora Chefe

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Alex Dias Diretor Executivo alex@tendenciasenegocios.com.br Liana Alagemovits Chefe de Redação Diretora de Planejamento Visual liana@tendenciasenegocios.com.br Amanda Viviele

Gerente de Criação Projeto Gráfico Diagramação amanda@tendenciasenegocios.com.br

Thiago Moysés Cláudio Moraes Isac Luz Fotografia Joceline Gomes, Clarice Gulyas, Marcos Candido jornalismo@tendenciasenegocios.com.br Equipe de Reportagem Joceline Gomes Revisão Jaqueline Rocha, Milla E. ,Thiago Kalazans Comercial Color Press Impressão 30.000 Tiragem Sugestões, comentários e críticas: jornalismo@tendenciasenegocios.com.br Redação WWW.TENDENCIASENEGOCIOS.COM.BR

sumário 12

|Empreendorismo

Associação dos Jovens Empresários

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|Empreendorismo

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Mulher de Negócios |Responsabilidade Social

Simplesmente Filhos |Capa

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REDAÇÃO - (61) 3877-2331 / 9288-0520 COMERCIAL - (61) 9641 6696 Foto de capa: Marcel Gautherot/IMS Distribuição Gratuita Não é permitida a reprodução parcial ou total das matérias sem prévia autorização dos editores. A Tendências e Negócios não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nos artigos assinados.

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Elba Ramalho |Entrevista

Valesca Popozuda |Economia

Mãe de 13 mil |Administração

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Cidade Estrutural |Bate-Papo

Deputado Siqueira Campos

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Controle e segurança onde quer que você esteja

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SaÚDe

Câncer de

A

União Latino-Americana contra o Câncer da Mulher (ULACCAM), uma aliança de ONGs voltadas para a melhoria nas políticas de controle do câncer na mulher na América Latina, com o apoio da American Cancer Society (ACS), revelou que, na região, cinco anos após o diagnóstico de câncer de mama, a chance de sobrevivência é de apenas 34%. Esses e outros resultados estão presentes no relatório “Descoberta de Disparidades: Um estudo comparativo sobre a Política de Câncer de Mama na América Latina”. A pesquisa qualitativa e quantitativa aborda o estado de controle do câncer em cinco países da região (Argentina, Brasil, Colômbia, México e Venezuela). O relatório mostra que o controle do câncer de mama apresenta vários obstáculos nos países estudados, incluindo dificuldades em garantir o acesso à detecção precoce, ao rastreamento e ao tratamento de mulheres, especialmente àquelas de baixa renda, localizadas em áreas marginais, tanto rurais quanto urbanas. Outros obstáculos apontados pela pesquisa incluem: falta de coordenação entre agentes do setor de saúde, para prover o atendimento constante relacionado ao câncer de mama; ineficientes sistemas de monitoramento em nível nacional; acesso desigual aos cuidados a depender da região geográfica do país - deixando as mulheres mais vulneráveis expostas a mais riscos; falta de pessoal e de técnicos de saúde devidamente habilitados e certificados para prestar serviços de rastreamento, tratamento e acompanhamento adequados.

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O estudo também mostra que, nos últimos dez anos, os governos têm mostrado progresso nas seguintes áreas: maior atenção ao câncer de mama, incluindo o desenvolvimento de padrões e protocolos, a criação de Institutos Nacionais do Câncer, e aumento de investimento em ações preventivas, incluindo infraestruturas e equipamentos para serviços de detecção precoce. Enquanto essas conquistas representam passos importantes para fortalecer a resposta do governo ao câncer de mama, é preciso atenção constante e recursos para assegurar a implementação bem sucedida de programas e serviços. “A partir desses resultados preliminares, já percebemos grandes semelhanças com a realidade brasileira”, afirma a médica mastologista Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA). Fazendo uma breve retrospectiva, Maira destaca que, em março de 2011, a presidenta Dilma Rousseff se mostrou engajada na causa quando lançou o Programa Nacional de Controle do Câncer de Colo de Útero e de Mama no Brasil. A iniciativa estimula que sejam desenvolvidas várias ações pelo Governo Federal, totalizando um investimento inicial de R$ 1,25 bilhão até 2014. Na mesma ocasião, Dilma Rousseff havia declarado “eu quero que todas as brasileiras tenham a chance de cura como eu tive quando tive o meu câncer”.

|Brasil Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é a maior causa de óbitos por câncer na população

“As parcerias entre governos e sociedade civil podem aumentar a responsabilidad

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de Mama na América Latina

feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos. O INCA estima que, este ano, cerca de 52 mil mulheres vão ter câncer de mama no país, sendo que o Rio de Janeiro é o estado brasileiro com o maior número de casos da doença, seguido pelo Rio Grande do Sul e São Paulo. Segundo Maira Caleffi, para mudar o cenário atual do câncer de mama no Brasil, é preciso a união de esforços entre o poder público e privado com a sociedade civil para que seja oferecido um tratamento de qualidade em todo país. A entidade defende que a cobertura mamográfica no Brasil atinja pelo menos 75% do território nacional. A FEMAMA defende, ainda, que 100% dos serviços de saúde pública e suplementar estejam capacitados e certificados para o controle do câncer de mama, e alerta, ainda, sobre a importância da agilidade no tratamento, que deve ter início em, no máximo, 30 dias após o diagnóstico.

americana, “a realidade desconcertante do câncer da mulher na América Latina representa um fracasso da política, formação, informação e acesso à detecção precoce e tratamento”. “As parcerias entre governos e sociedade ci-vil podem aumentar a responsabilidade do governo sobre a criação e implementação de políticas eficazes. Por sua vez, este tipo de colaboração aumenta a capacidade das ONGs e do setor público para oferecer serviços de melhor qualidade para a prevenção e tratamento”, sugere uma das conclusões do relatório da ULACCAM.

|América Latina Nos demais países da América Latina pesquisados, assim como no Brasil, o câncer na mulher é diagnosticado em estágio avançado, quando as chances de sobrevivência são mais baixas e o custo de seu cuidado é maior. Por sua vez, existem disparidades significativas em relação ao acesso a cuidados de qualidade. Esses e outros fatores contribuem para a triste realidade constatada pelo levantamento da ULACCAM de que a chance de sobrevivência cinco anos após o diagnóstico é de apenas de 34%. De acordo com o estudo realizado pela entidade latino-

ponsabilidade do governo sobre a criação e implementação de políticas eficazes”

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Esporte pe Projeto na Estrutural oferece aulas de Jiu-Jitsu a jovens carentes

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projeto Transformação Social oferece aulas de Jiu-Jitsu a crianças e adolescentes carentes da Estrutural, região administrativa de Brasília, há três anos. O Projeto se tornou um sucesso e mudou o dia-a-dia da Escola Classe 02, tirando os futuros lutadores das ruas e ocupando o tempo ocioso com atividades esportivas, o que também proporciona um estilo de vida mais saudável. A iniciativa está sendo utilizada para combater a marginalização dessas crianças e jovens. O Brasil é um dos países com o maior índice de criminalidade do mundo. As taxas de mortes violentas nos principais centros urbanos brasileiros superam as de países que vivem em conflitos armados. Comparando-se os coeficientes de mortalidade por homicídios entre diferentes países, observa-se que, no Brasil, o risco de morrer por essa causa é quinze vezes o do Canadá, três

vezes o dos Estados Unidos e 1,5 vezes o do México, chegando a ser 40 vezes superior ao do Japão. Henrique Cesar, responsável pelo projeto que já tirou várias crianças e adolescentes das ruas, mudando seus estilos de vida com muita disciplina, se diz realizado com os resultados obtidos. Professor Henrique, como é mais conhecido, é atleta profissional e coordena o projeto, atendendo também homens, mulheres, crianças e portadores de necessidades especiais. “O nosso objetivo é retirar crianças das ruas, dando-as atividades de luta para que elas possam ter confiança em seus

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Atletas treinam pelo projeto Transformação Social gerando cidadania na comunidade


pelo Social

unidade

futuros. Então, com isso, contribuímos para diminuir a marginalidade e a violência na nossa comunidade”, explica ao lembrar de alguns alunos que superaram suas dificuldades e hoje estão graduados e competindo. O professor cita, ainda, outro grande exemplo de superação de um aluno que possui necessidades especiais e que, mesmo assim, já competiu, chegou ao pódio e se prepara para futuras competições. A categoria feminina também é destaque do projeto. Lidinéia Felix faz parte do projeto e relata suas mudanças: “Participo do projeto há dois anos e aprendi muito, não somente a lutar, mas também a nutrir um grande respeito ao próximo. Aqui é muito bom, me divirto e fiz mais amigos. Estou me preparando para competir e espero participar dos próximos torneios”, planeja Lidinéia.

As belas mulheres-mães que fazem parte do Jiu-Jitsu em Brasília Cada vez mais as mulheres estão praticando esportes antes caracterizados como masculinos. E os destaques não aparecem apenas em títulos, mas também na beleza que modifica o cenário. Nos esportes de artes marciais, as mulheres estão deixando um pouco a vaidade de lado para mostrar suas habilidades e força. Essas belas mulheres estão mostrando que, além de fazer tudo que os homens fazem, ainda o fazem de salto alto. Sem contar que conseguem conciliar maternidade e carreira.

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EMPREENDEDORISMO

Associação dos Jovens Empresários Almoço reúne líderes e autoridades do DF

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Associação dos Jovens Empresários do Distrito Federal (AJE/DF) realizou seu primeiro almoço empresarial do ano, contando com a presença do vice-governador Tadeu Filipelli, entre outros convidados e associados no Restaurante Parrilha Madrid. O concorrido evento foi idealizado somente para jovens líderes e empresários que se reúnem para discutir os temas pertinentes ao setor. A AJE reúne jovens empresários representantes de todos os setores da economia do Distrito Federal – Indústria, Comércio, Turismo e Serviços. São empreendedores de todos os portes, desde micro-empresários até sucessores de grandes grupos econômicos. Durante a reunião, os que estavam presentes ao evento puderam expor um pouco de suas empresas e suas estratégias com relação à possibilidade de novas parcerias.

Segundo Elany Leão, Presidente da AJE/DF, a associação tem chamado a atenção da cidade porque tem organizado, em sua gestão, eventos importantes para a classe empresarial. “Temos que nos fortalecer e cobrar atitudes do

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Elany Leão e Tadeu Filipelli

governo para que possamos trabalhar, gerar emprego e desenvolvimento em nossa capital”, argumenta a jovem empresária. Rodrigo Bindes, Diretor de Novos Eventos da AJE/DF festejou o sucesso do evento e lembrou que se tornou membro da Associação justamente porque queria fazer parte de um network que contribuísse com os seus objetivos. “Eu tinha curiosidade em conhecer quem fazia parte da AJE. Entrei e acabei me tornando diretor. Com isso, consegui parcerias de peso”, comemorou Bindes com seu novo sócio, o empresário na área de bar e restaurantes Rodrigo Freire. O vice-governador do DF, Tadeu Filipelli, presença assídua nos eventos da AJE/DF, aproveitou a ocasião para elogiar a iniciativa da Presidente da instituição e para reiterar o seu apoio à classe empresarial da cidade. “É um orgulho ver tanta garra e determinação nesses jovens que fazem a diferença em Brasília, tão massacrada na mídia”, ressaltou.


EMPREENDEDORISMO

Prêmio Mulher de Negócios 2012 SEBRAE realiza o Prêmio Mulher de Negócios para homenagear e incentivar todas as empresárias e empreendedoras do Brasil

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Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (PSMN) reconhece, em nível estadual, regional e nacional, histórias de mulheres de negócios, que transformaram seus sonhos em realidade. Espera-se que as experiências premiadas inspirem outras mulheres a se tornar empreendedoras. O lançamento oficial do Prêmio em Brasília aconteceu no dia 25 de abril no auditório do Sebrae e contou com a presença de mulheres empreendedoras e de destaque no cenário brasiliense. Entre as participantes, estavam a Primeira Dama do Distrito Federal, Ilza Queiroz, Adriane Rocha, Gestora do Prêmio, Marta Cury, da Associação das Mulheres de Negócios, e Carla Gomes, 2ª colocada no prêmio nacional de 2011. O superintendente do Sebrae-DF Valdir Oliveira esteve presente e elogiou todas as mulheres, destacando a

importância da participação feminina no cenário empresarial. “É muito importante termos este prêmio para valorizar as mulheres empreendedoras. Nós, do Sebrae, temos orgulho de realizar esta homenagem às nossas mulheres de negócio”, concluiu Valdir. Adriane Rocha, Gestora do Prêmio Mulher de Negócios 2012, explica que o Prêmio visa valorizar todas as mulheres a frente de negócios, que já são 33,5% no Brasil. “Na última edição do Prêmio, conseguimos o segundo lugar nacional com uma empresária de Brasília, Carla Gomes. Este ano, queremos que a vencedora do concurso brasiliense traga o primeiro lugar, por isso, destaco aqui a importância de todas as mulheres se inscreverem e, assim, mostrarem o valor do seu trabalho”, explica. O prazo para inscrição vai até o dia 31 de agosto de 2012. Maiores informações, acesse: www.mulherdenegocios.sebrae.com.br.

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Andrea Faria, coordenadora nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios; Antônio Valdir Oliveira Filho, superintendente do Sebrae no DF;

Adrianne Marques, gestora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios do Sebrae no DF; Ilza Queiroz, primeira-dama do Distrito Federal; e Ary Ferreira Júnior, gerente da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae no DF. TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::


RESPONSABILIDADE SOCIAL

O som do

CEAL trabalha em prol das crianças com deficiência auditiva, oferecendo desde os primeiros diagnósticos até a cirurgia de implante coclear

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Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (CEAL-LP) é uma instituição particular, filantrópica, sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública Federal e Estadual que funciona há 37 anos no Distrito Federal. Tem como mantenedora a Associação das Obras Pavonianas de Assistência (AOPA), uma entidade particular, religiosa, de origem italiana, fundada pelo Padre Ludovico Pavoni. Conta também com uma Rede de Sustentabilidade para manter e dar continuidade aos seus projetos. O CEAL-LP busca o resgate da cidadania de crianças, adolescentes, jovens e adultos com deficiência auditiva, proporcionando-lhes meios para o desenvolvimento de suas potencialidades e o fortalecimento de suas capacidades, a fim de possibilitar e facilitar a integração, de forma satisfatória, junto à família, à escola e à sociedade. Desenvolve projetos com as famílias dos alunos, buscando a promoção humana e social, oferecendo-lhes oportunidades de exercer o seu papel para com seus filhos e na sociedade.

O Centro é dirigido pelo Padre José Rinaldi e conta com uma mega equipe de médicos, fonoaudiólogos, professores, assistentes sociais e voluntários, promovendo melhor qualidade de vida para as crianças deficientes auditivas e suas famílias. “Temos uma grande parceria com o SUS, que oferece aos usuários do Centro serviços de otorrinolaringologia, neurope-

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o coração diatria, odontopediatria, fonoaudiologia e psicologia. E para população em geral, prestamos serviços para a saúde auditiva. Oferecemos aos usuários do CEAL alimentação, lazer e atividades lúdicas e esportes. Trabalhamos diretamente na garantia dos direitos das famílias dos usuários e oferecemos, ainda, atividades de promoção social e cursos profissionalizantes para os pais dos alunos”, explica Rinaldi. O CEAL também possui uma parceria com a academia Destak, onde as crianças e funcionários podem fazer atividades físicas, como hidroginástica. O Centro tem estrutura completa para atender, com eficiência, a todas as crianças. O atendimento também é aberto à comunidade, onde pessoas de todas as idades podem buscar auxílio para o tratamento de suas necessidades especiais. O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia, também conhecido como ouvido biônico, que estimula eletricamente as fibras nervosas remanescentes, permitindo a transmissão do sinal elétrico para o nervo auditivo, a fim de ser decodificado pelo córtex cerebral. O funcionamento do implante coclear difere do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI). O AASI amplifica o som e o implante coclear fornece impulsos elétricos para estimulação das fibras neurais remanescentes em diferentes regiões da cóclea, possibilitando ao usuário a capacidade de perceber o som.

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ECONOMIA

contrat Mais

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Foto: Agência Brasil

o Dia Internacional da Mulher deste ano, o IBGE divulgou o Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho, documento extraído da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada nas regiões metropolitanas de sete capitais brasileiras. A PME foi implantada no início dos anos 1980, a fim de planejar e executar políticas públicas conforme a necessidade encontrada. A pesquisa comparou a participação de homens e mulheres nos grupos de atividades econômicas entre 2003 e 2011, constatando maior inserção feminina na Administração Pública e Serviços Prestados a Empresas e redução no Serviço Doméstico. Segundo especialistas, essas mudanças são justificadas quando se analisa o perfil educacional das mulheres: mais qualificadas e com maior grau de instrução. Embora a presença masculina se faça maioria em setores como a Indústria, Construção e Comércio, as mulheres possuem maior tempo de estudo, qualificando-as para ocupar cargos nessas áreas. Prova disso é o crescimento significativo nos segmentos citados: 13,9%, 18% e 15,2% respectivamente, comparando os valores da última pesquisa.

Maior inserção feminina no mercado de trabalho

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Por mais que as condições da mulher em cargos predominantemente ocupados por homens tenham sofrido grandes mudanças, as metalúrgicas do ABC Paulista, por exemplo, lutam por maior inclusão feminina nas fábricas.


atadas Maior qualificação é um dos fatores que influenciaram no aumento da participação feminina

Segundo Ana Nice Martins, coordenadora da Comissão de Mulheres Metalúrgicas, elas representam apenas 14% da base trabalhadora. “Defendemos um mínimo de 30% de presença feminina em toda a nossa base”, disse. Apesar do crescimento da participação feminina no grupo dos economicamente ativos (de 44,4% para 46,1% da população estudada), a desigualdade ainda persiste quanto à remuneração dos gêneros: mulheres ganham 27,7% a menos que os homens, mantendo a proporção recorrente dos últimos três anos. Mesmo com a disparidade verificada, os rendimentos femininos aumentaram 24,9% em oito anos. Das mulheres ocupadas no mercado de trabalho em 2011, 22,6% estavam no setor público, contrastando com os 10,5% dos homens. À medida que elas crescem de 53% para 55,3%, eles reduzem a participação na Administração Pública de 47% para 44,7%. Correlacionando a raça às taxas de desocupação, nota-se que mulheres pretas e pardas com idade entre 18 e 49 anos são 26,5% das 57,9% de desempregadas, enquanto as brancas representam 18,8% do total. Entre os homens, a raça interfere menos nas relações empregatícias, sendo 15,8% para negros e pardos, 13,4% para brancos de um total de 42,1% em

2011. Das 825 mil mulheres desocupadas que procuravam emprego no ano passado, 49,3% tinham idade entre 25 e 49 anos.

|Alto escalão Estudo realizado pela consultoria Michel Page constatou que das mulheres contratadas no ano passado, 8% foram para cargos executivos de alto escalão. Em 2010, elas representaram 4% das admissões para cargos de diretoria e gerência. No setor de finanças, onde os valores tiveram aumento mais expressivo, a diferença entre 2010 e 2011 foi de 10%. Diretora da empresa no Rio de Janeiro, Fernanda Amorim declara que as empresas buscam equilibrar o quadro de funcionários e de executivos, mas as mulheres são mais experientes e preparadas.

|Mercado formal Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2011, mais de 1,41 milhão de mulheres ingressaram pela primeira vez no mercado de trabalho formal. Em relação ao ano anterior, houve um crescimento de 6,39% da participação feminina da mão de obra. A inserção dos homens em 2011 foi de 1,66 milhão, apenas 1,81% de aumento, se comparado a 2010.

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POLÍTICA EM AÇÃO

Força que vem

Há 15 anos, o menino Ives Ota foi sequestrado e morto a tiros em São Paulo. Seus algozes, empregados da família naquela época, optaram pela execução do garoto, pois ele os havia identificado.

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vem da alma H

Deputada federal Keiko Ota, exemplo de superação, usa experiência traumática para ajudar mães que perderam seus filhos de forma trágica

istórias de mães que têm seus filhos tirados de seus braços em grandes tragédias e passam a buscar forças para superar a perda com muito carinho, amor e dedicação ao próximo. Keiko Ota é um exemplo dessa terrível experiência. Depois de perder seu filho Ives em um sequestro, ela se tornou uma representante das mães que lutam contra a violência e se tornou Deputada Federal. Há quinze anos, o menino Ives Ota foi sequestrado e morto a tiros depois de dias em cativeiro. Seus sequestradores, empregados da família naquela época, foram reconhecidos pelo menino, que, por isso, foi morto. O caso foi destaque na imprensa nacional, que mostrou o drama da família e suas consequências.

Para homenagear seu filho, todos os anos, na semana do dias das mães, Keiko Ota realiza o evento “Mães Sábias na Terra, Filhos Felizes no Céu”. Este ano, participaram das manifestações as mães das crianças assassinadas em uma escola de Realengo (Rio de Janeiro); os avós da menina Isabela Nardoni; Janete Nakashima, mãe de Mércia Nakashima; e Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá Pimentel.

“Todas as mães que perdem seus filhos ficam tristes no Dia das Mães. O evento traz certo apoio para essas mães, pois somente quem já passou por isso sabe realmente o tamanho da dor. Assim nos sentimos consoladas e podemos reagir”, explica a deputada.

Depois da tragédia, a família de Ives fez de sua história uma bandeira e exemplo para lutar contra toda forma de violência, sempre levando à frente das manifestações a imagem do filho. Keiko Ota trabalha para combater atrocidades que destroem qualquer família.

A deputada tem vários Projetos de Lei no Congresso. Dentre os mais recentes, um prevê o aumento da pena aplicada aos crimes de repressão e corrupção de menores (PL 3566/2012) e o outro torna obrigatória a avaliação psicossocial, além de aumentar o período do cumprimento da pena para progressão do regime prisional (PL 3515/2012). Na Câmara Federal, a deputada Keiko participa ainda da Frente Parlamentar em Defesa às Vítimas de Violência e da Comissão Parlamentar Mista de Inquéritos (CPMI) da Violência Contra a Mulher.

Keiko Ota, deputada federal (PSB)

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ATUALIDADES

Anuário Brasileiro de Economia, Turismo e Meio Ambiente O Anuário Brasileiro de Economia, Turismo e Meio Ambiente, que está em sua 13° edição, faz menção aos acontecimentos mais importantes dos últimos 10 anos no Brasil. Pela primeira vez a edição do livro será bilíngue

O

lançamento, no restaurante “Oasis 300”, da 13°edição do Anuário Brasileiro de Economia, Turismo e Meio Ambiente contou com a presença de diversas personalidades da cidade. A edição traz novidades, entre elas, uma versão bilíngue (português e inglês) e uma retrospectiva sobre os fatos que mais marcaram o Brasil nos últimos 10 anos. O Anuário, que é produzido pela Agência e Editora Voz de Brasília em parceria com o Instituto Brazil Just, foi idealizado para se transformar

em um catálogo histórico, que certamente será objeto de pesquisa. O anuário também conta com artigos assinados por autores célebres como a presidente Dilma Rousseff, responsável pelo texto de abertura. Pelé, Alexandre Garcia e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva também registraram alguns dos seus pensamentos sobre fatos que marcaram a história do nosso país. O jornalista e escritor Paulo Fayad abriu a solenidade de lançamento do Anuário e destacou sua importância: “Estamos muito orgulhosos com a nossa nova edição. Pela primeira vez, o Anuário é bilíngue, e traz um resumo das notícias mais importantes dos últimos dez anos. Esperamos que todos leiam e conheçam, ou relembre vários fatos que marcaram nossa sociedade”, salientou. Entre os convidados ilustres do evento, estava o deputado distrital Siqueira Campos (PSC/DF) que elogiou os relatos do livro. “Fiquei maravilhado com o registro feito pelo Anuário. Eu, que moro em Brasília há muito tempo, li sobre fatos que vivi e não lembrava e até mesmo alguns que não conhecia. Estão de parabéns pela nova edição”, elogiou o parlamentar.

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A publicação será distribuída em todo o Brasil e estará à disposição de qualquer entidade civil sem fins lucrativos e entidades de caráter educacional de fomento à cultura e à informação. Para realizar pedidos, entre em contato pelo e-mail: secretaria@vozdebrasilia.com.br ou pelo telefone (61) 3361-0183.

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CINEMA

Quando a

roubam

por Ricardo Movits Cineasta, artista plástico, escritor e compositor. Movits é membro da Academia Maçônica de Letras, ocupando a cadeira número 18 e é autor de várias peças teatrais e roteiros para cinema e televisão.

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m quase todas as línguas, a palavra mãe começa com a letra “M”. Mãe (português), Mother (inglês), Madre (espanhol, italiano), Mère (francês), Mutter (alemão), Màna (grego), Moeder (holandês), Makuahine (havaiano), Maji (hindi), Majka (sérvio), Morb (russo), Matika (polaco), Mutzm (chinês), Mor (norueguês), e muitas outras. O primeiro som que produzimos quando os lábios se abrem e forçamos o ar dos pulmões para fora é “ma”. “Ma” em egípcio antigo significa “Mãe Eterna”. Era a Deusa que comandava os ventos e as águas e dava a vida, ou o sopro vital, aos seres humanos. “Ri” em sânscrito significa brilho, luz e movimento. “A” simboliza o princípio de tudo. Então Ma+Ri+A, Maria, é a mãe eterna que dá vida, luz e movimento aos seres viventes. Maria, Maia e Maya formam um nome universal. Maia vem da raiz nórdica “ma” e na Grécia antiga significava mãe. Deu seu nome ao mês de maio, consagrado a todas as Deusas. Na verdade, maio é consagrado a Maia, nossa Mãe Terra. Maria, mãe de Jesus, é também conhecida como Mâyâ, Maya ou Maia.

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Bom, mas o nosso assunto aqui é cinema. Claro que existem mães que merecem destaque na telona. Confira filmes brasileiros onde as mães roubam a cena: Leo e Bia (2010), de Oswaldo Montenegro Em plena ditadura militar, na Brasília de 1973, sete jovens ensaiam uma peça de teatro. É o primeiro filme do menestrel Oswaldo Montenegro. Com apenas um cenário, o diretor explora com maestria todo o visual do filme utilizando técnicas teatrais. Os atores Emilio Dantas, Fernanda Nobre, Paloma Duarte, Vitória Frate, Pedro Caetano, Ivan Mendes e Pedro Nercessian brilham em cena. Mas o destaque está na mãe de Bia, interpretada por Françoise Forton. É a mãe repressora que, no filme, simboliza a própria ditadura. A atriz dá um show de interpretação, incorporando a mãe obsessiva que faz chantagens emocionais para manter a filha ao seu lado. Esse personagem, por incrível que pareça, foi baseado em uma história real. Senhoras (2010), de Adriana Vasconcelos Excelente filme que participou de vários festivais no Brasil e no exterior. O filme narra um dia normal, porém determinante, na vida das senhoras Dona Isabel e Clarissa, mãe e filha que moram sozinhas num pequeno apartamento em Brasília. A história é protagonizada pela veterana atriz de teatro Berta Zemel, que faz a mãe. A filha é interpretada pela atriz Mallú Moraes. Mostra o carinho,


mães am a cena

o as

Zuzu Angel (2006), de Sergio Resende Conta a história verdadeira da mãe Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, interpretada maravilhosamente bem por Patrícia Pillar. Tudo se passa no Brasil dos anos 60, onde a ditadura militar deixa marcas de sangue na história do país. O filme mostra a corajosa e comoven-

te história da luta da mãe Zuzu pela verdade a respeito

do desaparecimento de seu filho, que foi torturado até a morte pelo regime militar.

Divã (2009), de José Alvarenga Jr.

Mercedes, interpretada por Lília Cabral, é uma mulher

de 40 anos, casada com Gustavo, vivido por José Mayer, mãe de dois filhos, e decide procurar um psicanalista. No

divã, Mercedes questiona seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. Questionamentos

que quase todas as mães têm quando chegam aos 40 anos de idade. Uma comédia muito divertida.

Foto: Cláudio Moraes

o amor e a cumplicidade entre mãe e filha que não tem mais ninguém para repartir suas dificuldades. É um filme sobre amor e solidão. As atrizes emocionam a plateia. Com habilidade, a diretora conta esta história onde o final nos faz refletir sobre o que é estar sozinho em um mundo repleto de pessoas individualistas.

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SENHORAS - Berta Zemel e Mallú Moraes

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::


ESPORTE

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Paula e o filho Gabriel Amidani :: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS

Ocupa


upação: Mãe e atleta P

Toda mãe aprende a lutar por seus filhos, e pode levar essa garra para os esportes. A torcida para mães atletas aumenta com toda a família

aula Amidani, atleta brasiliense reconhecida internacionalmente, é praticante de Wushu, uma das modalidades da arte marcial milenar KungFu. Paula tem uma carreira vitoriosa e nestes vinte anos já conquistou vários títulos de expressão mundial. Foi quatro vezes campeã pan-americana, seis vezes campeã do mundo de artes marciais, além de ter vencido quinze campeonatos brasileiros. Mas Paula divide o pódio e os troféus com o filho Gabriel e com o marido Rafael Moraes, por se dedicarem tanto quanto ela em cada passo em direção às suas vitórias e pelas lições de recomeço diante de derrotas, que lhe servem como lições de vida.

como internos. Ele trabalha com movimentos de luta e seus principais conteúdos. O Wushu inclui o Taolu (rotinas de exercícios) e Sanshou (luta). O Wushu Moderno, ou Wushu Contemporâneo, como também é chamado, foi criado nos anos 1950, e baseiase nas artes marciais chinesas tradicionais. Diante do seu gosto pelo esporte, o Presidente Mao determinou que o velho deveria servir ao novo e instruiu os mestres tradicionais de Wushu a criar um esporte novo para a sociedade socialista moderna.

Paula Amidani divide também o seu tempo entre os treinos e sua família, que, segundo ela, é o seu maior troféu. “Na minha vida, primeiro vem meu filho, minha família e o meu marido. Depois disso, me dedico ao meu amor ao Wushu. Isso porque aprendi a ter prioridades e dedicação pelo Wushu. Hoje, com a maturidade, sei administrar essas duas paixões”, garante Paula.

A atleta está treinando em Brasília para as próximas competições e espera trazer mais títulos para a Capital Federal. Nas horas vagas, brinca e se diverte com seu filho. “Ficar com ele é um grande treino e exercício físico e de paciência. Criança nos ensina coisas maravilhosas e para ele também temos que ter muita energia”, avisa a mamãe atleta.

|História A palavra Wushu vem do mandarim e foi aplicada nas artes marciais. Essa é a expressão usada na China, enquanto os ocidentais estão mais familiarizados com o termo Kung-fu, que na verdade se traduz simplesmente como “habilidade”. Wushu é um esporte tradicional chinês que se atenta tanto para exercícios externos

Paula, o filho Gabriel e o marido Rafael Moraes

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Simplesme

A

o decretar o segundo domingo do mês de maio o Dia das Mães, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas consagrou a data "em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana." Não é por coincidência que no dia 25 desse mês também é comemorado o Dia Nacional da Adoção, tema que traz em sua maioria as mulheres como principais pretendentes por gênero no país, segundo dados atuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esperar por um filho sem saber como é nem quando ele irá chegar. O desejo de ser mãe sempre fez parte dos planos da analista de redes de computadores, Cleiciani Cabral, 32 anos. Mas, ao decidir enfrentar a fila da adoção há quatro anos em busca de duas novas irmãs para o

casal de filhos Giordana (9) e João Victor (6), ela e o marido, André Cabral, 33 anos, resolveram abrir mão de qualquer tipo de restrição para aumentar a família. Foi aí que Carolina e Maria Vitória, de 7 e 3 anos, ambas com deficiências físicas e mentais, chegaram até seus novos pais. “Optamos por um perfil que podemos chamar de fora do padrão, porque queremos ser pais e dar amor”, revela o casal, que sempre acompanhou a evolução difícil, lenta e burocrática dos processos de adoção. Portadora da rara Síndrome de Moebius, Carolina foi diagnosticada como portadora de atraso mental e autismo severo. Já Maria Vitória não possui o cerebelo totalmente desenvolvido o que interfere, por exemplo, na coorde-

“Tentamos não privá-las de nenhum tipo de lazer que a família participe, mas respeita

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS


mente filhos

Apesar da polêmica e do modismo, quando o assunto é adoção, o instinto materno fala mais alto. Casais surpreendem por adotar crianças especiais com a intenção de se tornarem pais nação motora, equilíbrio e cognição. Estrábica em alto grau, são inúmeras as dificuldades que Maria Vitória e a irmã, que não anda, enfrentam diariamente. Certamente, essa batalha diária poderia ser ainda pior se não fosse o esforço, a dedicação e o amor incondicional dispensados por seus pais adotivos. “Tentamos não priválas de nenhum tipo de lazer que a família participe, mas respeitamos as limitações de ambas e sabemos até onde cada uma pode chegar. As dificuldades existem, mas tomamos a decisão de adotá-las com bastante responsabilidade. Apesar de tudo, é maravilhoso tê-las como filhas e em nosso convívio familiar”, afirma o casal, que revela que já sofreu discriminação em ambientes públicos. Já para a mamãe de primeira viagem, Ana Carolina Longo, a data será inesquecível ao lado dos filhos adotivos Gabriel (5) e Thaís (2), irmãos biológicos. “Algumas pessoas acham que o ato da adoção é um ato sublime, quando na verdade é apenas uma forma de se ter um filho de forma diferente. Nada de mágico, nada de caridade. É impressionante como a gente se reconhece como família desde o primeiro momento. Eu acho que essa data vai ser bem especial por ser meu primeiro Dia das Mães”, analisa emocionada.

|Panorama da adoção no Brasil De acordo com dados de abril do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil possui 5 mil crianças e adolescentes disponíveis para adoção. Apesar de esse número representar menos da metade do total de pretendentes cadastrados no país, de aproximadamente 28 mil pais e/ou

mas respeitamos as limitações de ambos e sabemos até onde cada uma pode chegar.”

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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RESPONSABILIDADE SOCIAL |Conscientização e responsabilidade social Em Brasília, a Ong Aconchego trabalha há 15 anos com a temática da adoção e convivência familiar e comunitária. O grupo atua esclarecendo e preparando futuros pais e mães, e capacitando técnicos da área com a intenção de diminuir o tempo de acolhimento de crianças e adolescentes, além de propor maior reflexão acerca do perfil adotivo para contribuir com uma adoção mais responsável, legal e para sempre. Mãe por adoção, a cantora Elba Ramalho foi eleita recentemente madrinha do Aconchego por se dedicar à causa há mais de dez anos. A Ong brasiliense realiza, atualmente,

mães, a procura por recém-nascidos saudáveis, do sexo feminino e de cor branca ainda é um dos principais fatores que distanciam cada vez mais as crianças do convívio familiar, já que este perfil não faz parte da realidade das mais de 2 mil entidades de acolhimentos do Brasil. Enquanto quase 10 mil pretendentes aguardam por crianças brancas, apenas 593 adotariam apenas uma criança negra. Esse número é ainda menor quando diz respeito às de cor amarela, com 344, ou indígenas, com 332 interessados.

dois importantes programas em parceria com a Secretaria

Outro problema enfrentado pela Justiça gira em torno da preferência por crianças de até 3 anos de idade, sem irmãos e sem problemas de saúde. Em sua maioria, os casais são os maiores interessados em adotar, sendo que, dos 27.813 pretendentes cadastrados atualmente, 24.818 são casais, 2.645 são mulheres e 349 são homens. “O cenário nacional para a adoção ainda continua sendo extremamente pessimista. É imprescindível que as famílias reflitam e modifiquem esse perfil desejado de criança a fim de que estas, que já estão disponibilizadas nas instituições de acolhimento, tenham a oportunidade de conhecer uma família e de serem acolhidas”, avalia Walter Gomes, supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal.

como parte do projeto Fortalecimento da Rede Nacional

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS

de Direitos Humanos da Presidência e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda): o

projeto Novos Vínculos Afetivos para Crianças e Adoles-

centes, que capacitou 33 profissionais de todo o país para atuarem como multiplicadores de informação no preparo da adoção e sobre a tecnologia de apadrinhamento afeti-

vo; e o 17º Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa),

que será realizado entre os dias 7 e 9 de junho, em Brasília,

de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária. Na oca-

sião, o evento reunirá o Sistema de Garantias de Direitos

e grupos de apoio à adoção de todo o país para discutir

um pacto social que tem como slogan a frase “Unir para Cuidar”. O evento é gratuito e as inscrições estão abertas no site www.aconchegodf.org.br/unirparacuidar

“O evento tem como principal temática a promoção, defesa e

garantia dos direitos das crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional, e também a preparação dos futuros

pais e assim garantir o direito à família e o sucesso da adoção legal”, explica a psicóloga Soraya Pereira, presidente da Aconchego.


CULTURA

A arte de ser mãe As preocupações e alegrias em ser mãe de uma das principais artistas da Black Music de Brasília

E

Ellen Oleria e sua mãe Eva Gomes

va Gomes se considera uma mulher privilegiada. Mãe de três filhos, viu sua caçula, Ellen Oléria, se tornar uma referência na Black Music de Brasília. Orgulhosa, admira a força de vontade da filha. “Ela sempre foi determinada. Tudo que ela se propõe a fazer, ela se esforça para fazer bem feito. E consegue”, afirma.

de Ellen, e lembra com entusiasmo quando sua filha foi convidada para abrir o show do cantor Gilberto Gil. Outro momento do qual fez questão de participar foi a gravação do primeiro DVD de Ellen Oléria, ocasião em que recebeu uma homenagem da filha. “Eu fiquei muito emocionada. Ela menciona meu nome em todos os shows, mas a música do DVD foi diferente”, afirmou.

Ser mãe de uma artista, entretanto, também pode ser muito difícil. A preocupação com o futuro, com os estudos, e com a hora de saída dos shows noturnos sempre foi uma constante preocupação para Eva. Embora, mais acostumada com a carreira da filha, ela não deixa de se preocupar. “No início, eu não conseguia dormir até ela chegar. Muitas vezes eu falava que queria ir para o ponto de ônibus esperá-la. Mas ela dizia: ‘mãe, como a senhora vai me esperar se nem eu sei que horas vou voltar?’. Agora já estou mais calma, hoje ela já comprou um carro”, conforma-se.

Mas falar sobre a maternidade é algo delicado para Eva, pois perdeu a sua mãe aos dois anos de idade. Essa dor, no entanto, serviu como um motivo a mais para se dedicar aos filhos. “Eu sei o que é ser criada sem mãe, por isso, dei o meu melhor para os meus filhos. O mais importante é que as mães amem seus filhos e os filhos amem suas mães”, orienta.

Eva gosta de acompanhar algumas apresentações

Nesse sentido, ela não se cansa de agradecer por seus três filhos Adaílson, Eliene e Ellen que, segundo ela, são grandes motivos de alegria. “São todos especiais. Eu sempre falo que sou privilegiada, porque Deus me deu três filhos e todos eles maravilhosos”, elogia.

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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Capa

Clarice Gulyas

“A gente não quer que o Brasil assuma a morte” Cantora Elba Ramalho fala sobre adoção e aborto

Elba Ramalho, com os filhos Luan e namorada Liana, Maria Clara, Maria Paula e Maria Esperança em passeio na Disney

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TENDÊNCIASE ENEGÓCIOS NEGÓCIOS : : ::TENDÊNCIAS


D

ona de mais de três décadas de carreira e forte espiritualidade, a cantora paraibana Elba Ramalho, que completa 61 anos em agosto desse ano, é um dos maiores símbolos da adoção e da luta contra o aborto no Brasil. Mãe de Luan (24), com o cantor Maurício Mattar, e de Maria Clara (9), Maria Esperança (5) e Maria Paula (9), as três adotivas, Elba Ramalho revela, em entrevista exclusiva à revista Tendências e Negócios, porque abraçou ambas as causas e como se tornou madrinha recentemente de uma ONG do Distrito Federal que estimula a convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Na ocasião, a cantora, que praticou um aborto no passado, também comenta a decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a interrupção da gravidez de anencéfalos, e antecipa sua participação no 17º Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa), que será realizado entre os dias 7 e 9 de junho, em Brasília, onde também tem um show marcado para o dia 15 do mesmo mês. TEN: Além de criar a Associação Beneficente Bate Coração em prol de crianças desamparadas, em março desse ano você se tornou madrinha da ONG Aconchego, de Brasília, que incentiva a adoção. Como você tem trabalhado atualmente esse tema e o que motivou essa parceria? Elba Ramalho: Essa questão já envolve minha vida há mais de nove anos, quase dez, que é a idade da minha primeira filha adotiva (Maria Clara). Tenho feito um trabalho de conscientização onde me chamam para palestrar e onde posso depor a favor da adoção. A Aconchego é muito organizada, estruturada, e o Brasil precisa disso. De pessoas com essa disponibilidade de servir e colaborar em grandes causas e projetos na área social, aonde o governo não chega com tanta veemência. Fiquei encantadíssima pela estrutura e o trabalho gratuito realizado. TEN: A falta de conscientização da adoção ainda prejudica centenas de crianças abrigadas no país. Como você avalia essa situação e como resume a sensação de ser

mãe de três meninas que faziam parte dessa realidade? Elba Ramalho: Esse é um trabalho difícil, mas quem adota como eu e várias amigas minhas, fica muito feliz e recompensado. E vem sempre uma boa coisa depois que se adota, é uma relação de fé e amor que existe entre mãe e filha quando a família é constituída. Sou totalmente envolvida com essa causa e acho que ela deveria ser mais incentivada e motivada. TEN: Em uma de suas últimas visitas a Brasília, você incentivou a realização do 17º Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa), que acontecerá na Capital em junho desse ano, e também afirmou o interesse em participar pessoalmente do evento. Isso vai acontecer? Elba Ramalho: Tenho o planejamento de ir, mas ai-

nda não sei como está a questão da minha agenda de shows. Não sei o dia ao certo que o evento vai acontecer, mas de alguma maneira vou estar aí! TEN: Você poderia comentar um pouco a importância desse encontro? Elba Ramalho: Quando as pessoas têm dúvidas quanto à adoção - muitos casais têm dúvidas – acabam criando expectativas erradas e um evento como esse serve para que elas sejam mais bem aconselhadas. Muitos pensam em adotar e não têm esse esclarecimento real e muito menos da questão real de adaptação. Esse encontro vai servir para isso, principalmente, para chamar a atenção do governo e contribuir para que as ONGs possam ser mais amparadas também. TEN: E no seu Dia das Mães, qual a programação para a família? Elba Ramalho: Vou estar com a família toda reunida nos Estados Unidos porque vamos à formatura do Luã (único

filho biológico) nos dias 11 e 12 de maio. Ele está se formando em música em uma universidade de lá e com certeza vai ser uma forma especial de passar esse dia.

TEN: Recentemente você esteve presente em uma manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o aborto de anencéfalos. Como você avalia o resultado da decisão?

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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Capa

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:: TENDÊNCIAS NEGÓCIOS : : TENDÊNCIAS EE NEGÓCIOS


Elba Ramalho: Eu sou a favor da vida em todos os sentidos, acho que Deus está acima de todos nós e acima de qualquer juiz do STF. O nosso país é um país que tem se destacado cada vez mais por possuir ideologias diferenciadas, e por ser um país ecumênico. Acho que a decisão tomada atropelou a opinião pública. Na minha opinião, a maior dignidade que a mulher tem na vida é não matar seu filho. Se a criança vai morrer em um dia, um mês ou uma semana depois, isso é um desejo divino. E de tudo o que acontece a gente tira um ensinamento. Se há riscos na gravidez, isso também é um ensinamento para a mulher. Conheço uma pessoa que tinha uma filha sadia e depois ficou grávida de um anencéfalo, mas resolveu tirar o bebê. Tempos depois, a filha sadia adoeceu e faleceu, o que causou muito sofrimento e até arrependimento. TEN: Você acredita que a decisão possa influenciar outras formas de aborto? Elba Ramalho: Acho que são precedentes que o go-

verno abre para legalizar o aborto de quem tem síndrome de down ou qualquer anomalia, por exemplo. A criança merece nascer, ter seu batismo e dignidade, até para morrer. Se dignidade é matar seu filho, a mãe deve dar um enterro digno a ele em relação a quem ele foi. Acredito que os danos à mãe são maiores após o aborto, quando, muitas vezes, elas ficam com depressão, síndrome do pânico e com vontade de se matar. A gente não quer que o Brasil assuma a morte. O governo deveria investir mais na saúde porque tem mães morrendo com filhos na barriga nas filas dos hospitais. Também deve haver orientação para as mães pobres como, por exemplo, sobre a importância de se tomar o ácido fólico para evitar a má formação, como no caso dos anencéfalos. Enfim, acho que há outras estratégias. Quando soube da decisão, fiquei chorosa, chocada e triste. Sofri muito. O homem quer se colocar acima de Deus. Tenho certeza que Deus sabe o que faz com todos nós. Tenho medo que isso possa contribuir para oficializar o aborto. Na verdade, o governo não quer arcar com a sua responsabilidade com a saúde.

Elba Ramalho veste a camisa da Aconchego e se torna madrinha do projeto Novos Vínculos Afetivos para Crianças e Adolescentes

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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eNTReVISTa

Vales

Foto: Isac Luz/EGO

mostra lado mãezona

M

arcada pela atitude dentro e fora dos palcos, a funkeira Valesca Popozuda, 33 anos, deixa de lado a figura polêmica à frente do grupo Gaiola das Popozudas para declarar seu amor ao filho Pablo, 12 anos. A cantora, nascida no subúrbio do Rio de Janeiro, começou a carreira há mais de dez anos como dançarina, após trabalhar como garçonete e frentista de posto de gasolina. Atualmente, Valesca Popozuda é uma das principais referências da música funk e do estilo “proibidão”, com shows em todos os cantos do país e um “popozão” avaliado em R$ 5 milhões. Em entrevista exclusiva à revista Tendências e Negócios, a carioca revela como consegue lidar com a exposição, as críticas e a fama.

Valesca e o filho Pablo Reis, 12 anos

“ Qualquer pessoa que tenha uma vida pública precisa aprender a lidar com isso.

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:: TENDÊNCIAS NEGÓCIOS : : TENDÊNCIAS EE NEGÓCIOS

Ae


Clarice Gulyas

esca Popozuda mãezona fora dos palcos

TEN: Você é a principal representante do funk no Brasil. Como conciliar trabalho, casa e maternidade?

preocupa em passar para o seu filho? Como é a rela-

Valesca Popozuda: Nem eu sei como consigo, mas nós, mulheres, somos excelentes na hora de superar a nós mesmas.

Valesca Popozuda: Somos melhores amigos um do

TEN: O início de sua carreira como dançarina coincide com o tempo de nascimento do Pablo, época em que você também havia trabalhado como frentista de posto de gasolina. Se tornar funkeira foi uma decisão ou uma oportunidade?

dele e ele entende que quando não estou perto, es-

Valesca Popozuda: Foi uma oportunidade e se tornou uma decisão quando percebi que não conseguia dar conta de tudo. TEN: Você é um dos maiores símbolos sexuais da atualidade e protagonista de diversas polêmicas na

ção entre vocês no dia a dia?

outro. Ele sabe que é o grande amor da minha vida! Todo o tempo livre que tenho procuro passar ao lado tou trabalhando para garantir o futuro dele.

TEN: No reality show A Fazenda, você chegou a

afirmar que preferiria ter um filho gay do que um "marginal". Tendo em vista que você é a "diva" do público GLS, e que você já fez campanha contra a homofobia no seu Twitter, como você reagiria se um dia seu filho se assumisse homossexual?

Valesca Popozuda: Aprendi a respeitar as opiniões

imprensa, como o aumento da prótese de silicone no bumbum. Como lidar com críticas e ao mesmo tempo cumprir com o papel de mãe?

dele e suas escolhas. O importante é ele ser feliz!

Valesca Popozuda: Qualquer pessoa que tenha uma vida pública precisa aprender a lidar com isso. A exposição é constante, seja para uma funkeira, a Dilma ou a Carolina Dieckman.

as mães nesse dia?

TEN: Quais os valores e ensinamentos que você se

TEN - Qual a sua programação para o Dia das Mães

e qual o recado que você gostaria de dar para todas

Valesca Popozuda: Ao lado da minha mãe e do meu filho, claro! Ser mãe é a coisa mais maravilhosa do

mundo e devemos aproveitar cada minuto em nossas vidas ao lado dos nossos grandes amores!

A exposição é constante, seja para uma funkeira, a Dilma ou a Carolina Dieckman.

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TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS : : :: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS


INOVAÇÃO

BAMBUCI

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::::TENDÊNCIAS TENDÊNCIASEENEGÓCIOS NEGÓCIOS


CICLETAS O

carioca Flávio Deslandes, de 39 anos, radicado há 12 na Dinamarca, criou uma bicicleta feita de bambu. As chamadas bambucicletas serão distribuídas para 4.600 alunos da rede pública de São Paulo, com idades entre 12 e 14 anos, como parte do programa chamado Escolas de Bicicleta. Formado em Desenho Industrial pela PUC-Rio, Deslandes começou a pesquisar em 1994, mas o produto foi apresentado em 1999, como projeto final de graduação, e patenteado em 2005. Deslandes sempre buscou associar design moderno com materiais naturais. “Desde o começo percebi que o bambu – uma estrutura feita em forma de tubo pela natureza – tinha um potencial tremendo”. O material é 17% mais resistente que o aço quando forçado no sentido longitudinal (como nos quadros

de bike) e tem a leveza do alumínio (sem os danos ambientais causados por sua fabricação). Por ser flexível, resiste a trepidações e dura mais. “Santos Dumont usou bambu na construção dos primeiros modelos de seus aviões. Então pensei: vou conseguir fazer uma bicicleta”. As peças são coladas entre si usando uma resina vegetal. Além da eficiência aerodinâmica, o designer vê ainda outras vantagens no material. A primeira é ambiental: além de abundante, não requer fertilizantes no cultivo e ainda emite oxigênio enquanto cresce. A segunda é social, já que o bambu emprega mais de dois bilhões de pessoas ao redor do mundo. Deslandes veio ao Brasil especialmente para treinar 15 pessoas das comunidades beneficiadas pelo programa Escolas de Bicicleta para fabricar os quadros das quase 5 mil bikes do projeto.

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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TECNOLOGIA

As bicicletas do futuro Montadoras de carros produzem modelos de luxo e com inovações tecnológicas que mudam a cara deste veículo secular

U

m dos meios de transportes mais utilizados em todo o mundo, a bicicleta ganhou upgrades de luxo e até mesmo grandes montadoras de carros já lançaram seus modelos. Com quadro em fibra de carbono, freios a disco e até mesmo motorizadas, as bicicletas ganharam tons de modernidade e apresentam opções para todos os gostos. A Audi apresentou o protótipo da bicicleta elétrica Wörthersee, em um evento na Áustria dedicado aos fãs das principais montadoras europeias. Essa bicicleta se destaca das demais por ser capaz de ser controlada por um smartphone, além de usar recursos conectados à Internet para o seu funcionamento. O modelo elétrico da Audi possui diversas inovações técnicas, que são inspiradas nos diversos veículos híbridos comercializados pelos fabricantes de automóveis. Quase totalmente construída em fibra de carbono, seu peso total é muito reduzido (apenas 11 kg). O pequeno motor da Wörthersee possui uma potência máxima de 2,3 kW (ou 3 CV de força), que é alimentado por uma bateria lo-

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS

calizada na parte baixa do seu chassi, capaz de se recarregar em apenas 2 horas e meia. O usuário pode usar o sistema antifurto da bicicleta, que deixa os seus componentes totalmente travados, além de conectar-se à Internet para transmitir o seu passeio em vídeo ou atualizar a sua página do Facebook com detalhes da volta ciclística. Possui três ajustes de modo de condução: puro (pedalando), Pedelec (com o auxílio do motor, para alcançar a velocidade de 80 km/h, com uma autonomia assistida de 50 a 70 km) e o modo eGrip (que é um mix entre o modo puro e Pedelec, com uma velocidade máxima de 50 km/h). A pesquisa CNI/Ibope de 2012 sobre locomoção mostra que a bicicleta está em quarto lugar, com 8%, como meios de transportes mais utilizados para deslocamentos nas cidades. Em primeiro está o ônibus, com 34%, seguido por deslocamento a pé, com 24%, e o automóvel (da família) com 16%. O levantamento foi realizado entre os dias 20 a 23 de março deste ano em 141 municípios. Com modelos como esse da Audi, esses números podem mudar e o uso da bicicleta se tornar não apenas mais comum, como também, mais luxuoso


ATUALIDADES

Pedalando em Brasília

E

Seja como hobbie ou como meio de transporte, cresce o número de pessoas que usam a bicicleta em seu cotidiano

m busca de uma vida mais saudável e um ambiente menos poluído, cada vez mais pessoas aderem à prática do ciclismo. Estima-se que circulam, no Brasil, cerca de 65 milhões de bicicletas, incluindo todos os tipos de uso, sendo 50% para locomoção ao trabalho, 32% de público infantil, 17% para recreação e lazer e 1% para competição. Quase dois terços da população têm alguma ligação com esse veiculo, que está muito presente na maioria no País, principalmente nas cidades com até 100 mil habitantes. Magno Trindade (foto à direita), sócio e diretor-executivo da Mais Comunicação, teve sua vida transformada pela bike. Mesmo gostando de andar de bicicleta quando criança, foi somente após conhecer o Pedal Noturno (PNDF), há quatro anos, que realmente se apaixonou pelo ciclismo. A iniciativa reúne vários grupos de 30 a 50 ciclistas toda noite, às 20h30, no Parque da Cidade, e tem por filosofia incentivar as pessoas a pedalar. “Fui muito bem recebido pelo grupo. O primeiro desafio foi um passeio de 19 km pela cidade. Quase desisti no meio do percurso, mas fui incentivado pelos outros ciclistas. Passei a frequentar praticamente todos os dias”, explica. A evolução foi rápida e em pouco tempo, cerca de seis meses, Magno já estava fazendo percursos mais longos, como a Volta ao Lago (85km) e a Cicloviagem para Pirenópolis (160 km). Hoje, o brasiliense de 48 anos pedala, em média, três vezes por semana, um percurso de aproximadamente 40 km. Além disso, Magno é voluntário de um grupo chamado “DV na Trilha”, que tem por objetivo pedalar com deficientes visuais em bikes duplas, conhecidas como Tandem. “A bicicleta me fez redescobrir prazeres da infância e ainda me incentivou a fazer um trabalho voluntário que incentiva as pessoas a superarem seus próprios obstáculos. Tem hobby melhor do que este?”, questiona. O ciclismo fez Magno ter mais disposição, voltar a frequentar a aca-

demia e emagrecer 15 quilos, que mantém desde que começou a pedalar.

|Ciclovias Magno argumenta que até usaria a bicicleta como meio de transporte para o trabalho se existissem ciclovias entre sua casa, no Park Way, e o Setor Comercial Norte. “Infelizmente, ainda impera um grande desrespeito dos motoristas em relação aos ciclistas”, lamenta, apresentando outro motivo pelo qual muitas pessoas ainda não usam a bicicleta como principal meio de transporte. O Governo do Distrito Federal já firmou um compromisso com a população, e pretende construir a maior malha cicloviária da América Latina. A meta é construir 600 km de ciclovias e rotas cicláveis nos próximos anos.

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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ECONOMIA

Mãe de 13 mil Reitora e fundadora de uma das maiores instituições de ensino superior de Brasília conta como administra o tempo entre a família e o trabalho

tos da diferença salarial que ainda existe entre ho-

mens e mulheres. “Nunca tive esse problema. Sei que

existe, temos que lutar para acabar com essa diferença, mas, na minha vida, não passei por isso. Em todos os lugares que trabalhei, sempre ganhei mais do que os homens”, explica.

Atenciosa e simpática, atende a todos sempre com um sorriso no rosto. Seu carinho é tamanho que já chegou

a passar uma hora ao telefone, em plena Sexta-feira

C

A conversa mudou a vida do estudante, que melhorou

Y

Santa, com um “aluno-problema” do curso de Direito.

o seu comportamento e agradeceu imensamente a

atenção dispensada. “Eu estou preocupada com cada aluno. E eles precisam saber disso. Quando um deles tem alguma dificuldade, quero ajudar e me disponibi-

R

lizo para isso com o maior prazer”, relata.

eitora do Iesb, Eda Coutinho é uma empreende-

dora de sucesso. Mãe de dois filhos, se orgulha dos seus mais de 13 mil alunos, que carinhosamente chama de “crianças”. “Cuido dos estu-

dantes como se fossem meus filhos”, declara. Fundadora da Instituição, afirma que usa mais seu lado maternal do que seu tato para os negócios na função de reitora. “Não

é fácil conciliar carreira e maternidade, se dividir entre 13 mil alunos e mais dois filhos em casa, mas acho que

fui bem sucedida. Me esforço para dedicar o máximo de tempo possível à minha família”, disse. Seus filhos ajudam-na a administrar o Iesb, e já lhe deram dois netos.

Mineira de Bueno Brandão, é a quarta filha de seis ir-

mãos – três homens e três mulheres. Essa paridade em casa foi transferida para a vida profissional, na

qual nunca sofreu preconceito e não sente os impac-

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS

Estimular positivamente as pessoas e os ambientes

por onde passa é praticamente um lema para Eda Coutinho. Para ela, ajudar os mais jovens não é ape-

nas abrir o caminho para que eles façam suas esco-

lhas, mas também, incentivá-los a seguir seus sonhos e contribuir para isso quando possível. “Quando eu era mais nova, muitas pessoas mais velhas me ajuda-

ram. Eu quero ajudar os mais novos também. É im-

portante ajudar quem está começando, acreditar nos novos talentos”, argumenta.

Neste Dia das Mães, a mineira afirma que se sente privilegiada e abençoada, e deseja a todas as mães, biológicas ou adotivas, uma data em que se celebre a vida. “Desejo que todas as mães sejam felizes em todos os dias de suas vidas, cuidando com carinho dessa nova geração que vai mudar o mundo”, conclui.

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Educação fundamental na vida TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::


ECONOMIA

Comércio vibra com a maior restituição do Imposto de Renda da História Consumidores de todo o País devem colocar a mão em R$ 2,5 bilhões bem ás portas do período de férias, época em que a gastança tende a ser maior com relação a produtos e serviços ligados ao turismo

C

erca de 1,8 milhões de brasileiros devem correr ás compras na intenção de pagar contas atrasadas e de planejar as suas próximas férias, após a liberação do primeiro lote de restituição do Imposto de Renda do ano. Com isso os comerciantes de Brasília também devem contabilizar ganhos uma vez que, pelo menos, R$ 100 milhões aterrissarão no Distrito Federal. Trata-se de um grande alívio para empresários da cidade por causa do fracasso de vendas em épocas importantes para o varejo como o Dia dos Namorados, a terceira data mais importante para o comércio depois de Natal e Dia das Mães. Outro fator que funcionou como um balde de água fria para o comércio foi o dispositivo da lei distrital nº 4.220/2008, que aumenta a alíquota do ICMS em dois pontos percentuais sobre produtos como embarcações esportivas, fumo, cigarro, bebidas energéticas, bebidas alcoólicas, armas, munições, jóias e perfumes e cosméticos importados. Mas apesar disso tudo, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), medido pela CNC, registrou alta de 0,8% em maio. Receosas mas esperançosas, as associações empresariais ainda esperam um cresci-

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS

mento no volume de vendas de aproximadamente 7% no segundo semestre de 2012. Desta vez, eles contam com a intenção de consumo do segmento da melhor idade que deve contribuir de forma incisiva para que essa onda positiva não perca a força. Esses contribuintes com mais de 60 anos tiveram prioridade no primeiro lote de 2012, recebendo cerca de R$ 1, 828 bilhão, que poderá ser gastos com viagens, planos de saúde e aplicações já que se trata de um segmento tradicional da economia.

Pela primeira vez a Receita ofereceu uma consulta na onda da tecnologia, disponibilizando informações sobre a restituição por meio de smartphones e tablets. Os aplicativos podem ser baixados de graça nas lojas dos sistemas IOS (da Apple) e Android. A ferramenta também permite verificar a situação do CPF e traz respostas a perguntas sobre o pagamento do Imposto de Renda.


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ADMINISTRAÇÃO

Administradora da Cidade Estrutural contabiliza ganhos estruturais

Cidade Estrutural - DF

As atividades de coleta e despejo do lixo de Brasília na região atraíram imigrantes que buscavam n

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::::TENDÊNCIAS TENDÊNCIASEENEGÓCIOS NEGÓCIOS


Trabalho e dedicação na Estrutural

A

Administradora fala sobre seus principais projetos em andamento na cidade

administradora do Setor Complementar de Indústrias e Abastecimento, mais conhecida como Estrutural, Maria do Socorro Torquato, empreende um tra-balho social de base que vem gerando melhorias na qualidade de vida de seus moradores. Várias ações são realizadas junto com o GDF, entre elas, a Unidade Móvel de Saúde para as Mulheres e o Programa da Cidadania com Energia, que distribuiu duzentas geladeiras e mais de seis mil lâmpadas econômicas. Maria do Socorro cuida dos moradores da Estrutural como se fossem seus familiares. “Eu fui criada em uma família onde cuidaram de mim. Hoje, cuido das pessoas, porque acredito que só assim podemos gerar dignidade e oportunidades. Sempre me dedico ao máximo para ajudar as famílias da Estrutural porque sou daqui e quero ver nossa cidade melhor”, salientou.

neficiou famílias com a doação de 200 geladeiras

e seis mil lâmpadas econômicas. A administração

da cidade também conseguiu instalar iluminação

em suas quadras e levar adiante outros projetos na área de Educação Ambiental e de empreendedorismo com artesanato.

|História A Cidade Estrutural está localizada às margens da DF-095 (Via EPCT), e começou ser habitada

na década de 1960, pouco tempo depois da in-

auguração de Brasília. Ocupando uma área de

cerca 29 km², o que corresponde a, aproximadamente, 362 campos de futebol, a cidade é hoje

uma região que ainda merece bastante atenção do poder público.

Tendo assumido a administração em 2011, Maria do Socorro tem colhido frutos de seu trabalho. A Unidade de Saúde Móvel realizou diversos e-xames, como mamografias e ultrassonografias. Ainda focada nas mulheres, a administração promoveu o Miss Estrutural, e tem incentivado a participação das moradoras no Prêmio Mulher de Negócios, do SEBRAE.

A destinação inicial de uma parte considerável

Já o Programa Cidadania com Energia busca promover o consumo consciente de energia e já be-

região, que até hoje não possui infraestrutura

dessa área estava reservada para o estabeleci-

mento de um aterro sanitário que comportasse todos os dejetos e materiais dispensados por Brasília. Mas as atividades de coleta e despejo do

lixo acabaram atraindo diversas pessoas de fora da cidade em busca de uma fonte de renda. Tal situação ocasionou um inchaço inesperado na

suficiente para abrigar uma comunidade grande.

e buscavam no lixo uma fonte de renda. Tal situação ocasionou um inchaço inesperado na região

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BATE-PAPO

“Trabalho pelo Convidamos o deputado distrital Siqueira Campos para um bate-papo no restaurante La Plancha. Também empresário, falou sobre política, vida empresarial e projetos na Câmara Legislativa

R

inaldo Carlos Siqueira Campos nasceu no dia 3 de setembro de 1957, em Uruçuí (PI) e desde 1978 reside em Brasília onde atua como empresário do ramo atacadista e presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Produtos Automotivos (Abidip). Siqueira Campos é deputado distrital pelo Partido Social Cristão da coligação PSC/PRTB. Ética, empreendedorismo e eficiência na gestão pública são as bandeiras levantadas pelo parlamentar, como fama de brigão, que acredita que o grande problema da corrupção está na sociedade e não nos políticos. Confira a entrevista exclusiva para a Revista Tendências e Negócios. Confira. TEN – Qual é o grande problema do empresário hoje? Siqueira Campos – Além dos altos custos tributários do país, é a legislação, tanto as referentes a tributos, quantos aquelas pequenas do dia-a-dia, da constituição e da permissão para o empresário crescer. Você tem muita portaria, legislação, muito ato, muita gente interferindo, muita gente deferindo sempre para criar dificuldade, mesmo que seja com boas intenções.

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TEN – Você, como empresário, já havia pensado em alguma solução para que isso fosse resolvido? Principalmente a questão tributária?

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elo trabalhador” Siqueira – Eu sempre pensei, por ter conhecimento de outros países, que o Brasil era muito pesado em custos e acho que não tem nada melhor a fazer do que desonerar e desburocratizar a participação no Estado, na vida do setor empresarial e do setor produtivo. Se isso for feito, esse país, com tantas riquezas, crescerá. Se não for feito, nós vamos ser eternamente “o país do futuro”. TEN – E os projetos para isso? Siqueira – A proposta não é fazer mais Leis, é reduzir as que têm. Por exemplo, tributo para o setor produtivo. É uma série de tributos, um encaixado sobre o outro, que inviabiliza as indústrias e as fábricas. E nós fizemos, em quarenta anos, os benefícios para as micros e pequenas empresas, que foram bons e têm que ser mantidos. Por exemplo, aqui no La Plancha, se emitirem nota de tudo que vendem, de todos os serviços que vendem, eles

pagam 8%. Isso está bom? Acho que sim, mas se você montar uma indústria de alimentos pegarem o que nós produzimos e industrializar, aí você começa com 15% de IPI, PIS e Cofins 11,5%, ICMS em Brasília seria 17%, mas criaram uma forma de tributar que virou 21%, como você não tem no Brasil 27 estados e sim 27 “países”, se você for vender para o Goiás, você só considera 10% ou 11% do que pagou e tem que pagar mais. Mas se a fábrica tiver dado lucro, tem mais 15% do lucro que tem que dar para o Estado, e depois tem que dar mais 9% de contribuição social, que é mais um imposto. Assim não tem indústria no país, se não tem indústria, o La Plancha funciona com dificuldade, porque não tem o cliente consumidor bem remunerado, então seremos eternamente um país pobre. Nós estamos umbilicalmente ligados, tem um ciclo em que estamos interligados, e a gente tem que entender isso. Não dá para criar dificuldades. Quando criamos dificuldades, não criamos para o em-

presário, e sim, para o consumidor, para aquele que precisa de um emprego. Se pensarmos nisso, veremos que, hoje, a classe média começa a viajar para fora do Brasil porque compra, lá, produtos melhores, pagando um terço, às vezes, um quarto do que pagamos aqui. Então estamos dando um tiro exatamente no nosso pé. TEN – O senhor, falando sobre esse assunto, mesmo dentro da Câmara, deve estar arrumando muita briga. Como está sendo essa convivência? Siqueira – É difícil porque há falta de entendimento. A falta de conhecimento é que atrapalha o país, porque, às vezes, se tem boa intenção. Por exemplo, os sindicalistas, muito se fez neste país pelos sindicatos e deve-se continuar fazendo, mas o sindicalista hoje tem que ter uma visão social da eficiência porque senão o resultado é negativo. Por exemplo, não está na hora de negociarmos uma redução nos direitos trabalhistas em benefício de salários melhores? Isso vai ser uma briga feia, ninguém vai entender, mas eu não sou político, eu estou político, e se estou é porque acho que posso mudar para melhor. Então não tenho medo das minhas ideias, porque se minhas ideias não forem aceitas, a sociedade não me reconduz. Eu tenho que dizer aquilo que eu acho, foi para isso que me propus. Está muito exacerbado esses direitos, você vai para a justiça do trabalho, tem uma causa trabalhista, o trabalhador pode faltar três vezes, o patrão só pode faltar uma, está errado, tem que ser justo, direitos iguais, porque isso é um custo, tem varias outras situações que dá muito direito, mas esse direito trouxe realmente beneficio para o trabalhador? Será que se ele não reduzir esse beneficio para que a gente suba o salário mínimo, em vez de dar tanto imposto para o Estado, vamos direcionar para quem realmente precisa? Que tal dois por cento do lucro da empresa ser distribuído para o trabalhador? São coisas que devemos ser eficientes, que devemos começar a discutir.

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SUSTENTABILIDADE

A Central das Mulheres

Central de Reciclagem do Varjão reúne força feminina a favor da consciência ambiental

P

reocupação ambiental, empoderamento feminino e geração de emprego e renda. Estes são alguns dos benefícios trazidos pela Central de Reciclagem do Varjão (CRV), que coleta e recicla cerca de cinco toneladas de lixo por dia, recolhido do Lago Norte. Tudo feito por trabalhadoras da própria cidade, que faturam, em média, R$ 400 por mês. Assim, elas montaram o que se chama hoje de microindústria de reciclagem. Sabe-se que o Brasil jogou fora, literalmente, no lixo, somente em 2009, o equivalente a R$ 8 bilhões em materiais que poderiam ser reciclados. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 13% de todo o lixo produzido no País – aproximadamente 56 milhões de toneladas por ano – é separado por coleta seletiva e consegue retornar para o sistema produtivo na forma de matéria-prima reutilizável. Essa mudança de atitude em relação ao lixo tem sido trabalhada, de maneira ainda tímida, há pelo menos 19 anos, quando começou a tramitar no Congresso projeto sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos, que se tornou a Lei 12.305/10. Apoiada nesta percepção, essas mulheres do Distrito Federal, a maioria de origem humilde, se dispõem a trabalhar com a consciência ambiental em benefício do bem-estar social.

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De rádio ligado, uniforme completo e com muita energia, elas enfrentam um trabalho duro, criativo e gratificante. A jornada varia, mas o galpão abre suas portas por volta das 7h da manhã. A Central é formada por 23 mulheres, mães, avós e esposas, que tiram do lixo a renda de suas famílias e deixam um futuro de mais consciência ambiental para seus filhos e netos. Funcionando há quatro anos, é a única Central de Reciclagem em que trabalham apenas mulheres. “O trabalho é pesado, braçal, mas nós enfrentamos com força e coragem. Só com mulheres a gente fica mais a vontade. É muito difícil ter discussão”, diz Maria Celeste Galdino do Nascimento, que trabalha na CRV há três anos. Aos 56 anos, a pernambucana vive em Brasília há 26 e tem 10 filhos. Uma das filhas trabalha com ela, e, em casa, ainda cuida de dois netos. Para ela, conciliar o trabalho e a maternidade é complicado, mas é gratificante. “É bom ser mãe, mas dá um pouco de trabalho. Quando venho para a Central, eles ficam reclamando, mas eu tenho que trabalhar. Tenho que sustentar filho, neto, mas é muito bom ser mãe”, afirma. Moradora do Varjão, Maria Celeste é viúva e considera que, com a reciclagem, está deixando um mundo melhor para seus filhos e netos. “Nós estamos tirando a poluição da rua,


deixando a cidade mais limpa. É o nosso trabalho”, declara. Dinorá José Borges, de 50 anos, também acredita que o trabalho realizado pela Central contribui para a preservação do meio ambiente e para conscientizar a população. “Estou aprendendo somente agora o que é reciclagem e como ajudar a natureza e a nossa cidade”, diz ao lembrar que, antes de se envolver no projeto, costumava jogar fora coisas que hoje ela sabe que podem ser reaproveitadas para usar, vender ou fazer artesanato. “Estou repassando o que aprendo adiante, para meus filhos e para as pessoas ao meu redor”, complementa.

|Força Também mãe de 10 filhos, Dinorá não gosta de comemorar o Dia das Mães. Há seis anos, exatamente no dia 13 de maio, a mineira perdeu um de seus filhos de forma violenta. Assassinado em um bar do Varjão, Adriano Borges Rodrigues era muito querido pela comunidade local. Sua morte causou comoção na cidade. “Essa é uma data que me deixa um pouco triste”, confessa. Mesmo assim, Dinorá não perde o bom humor e o brilho no olhar, e se transformou em um exemplo de força e coragem. Trabalhando com outras mulheres e mães, todas se inspiram umas nas outras para seguir em frente, superando as dificul-

dades profissionais e pessoais. “Já trabalhamos com homens, mas, hoje em dia, só trabalhamos com mulheres porque nós também já temos caminhão e conseguimos fazer tudo. Temos muita força”, garantiu, reconhecendo que é pesado arrastar o lixo do caminhão para o galpão, mas, com a união, elas dão sempre um jeito. “A gente faz tudo, umas ajudando as outras, e assim vamos levando a vida”, diz, determinada. Vaidosa, Dinorá avisa que não gosta do uniforme, mas usa, por questão de consciência e segurança. Aliás, a preocupação com a beleza é uma das dificuldades do grupo de mulheres. “Tem umas que querem trabalhar de vestido ou de short e isso não pode. Para mim, trabalhar com mu-lheres é mais difícil por isso”, finaliza. A baiana Gildeta Pereira dos Santos, de 32 anos, se sente mais à vontade trabalhando com mulheres. Mãe de um menino de oito anos e trabalhando na CRV há dois, sente dificuldade em passar mais tempo com a família. “É uma correria. Porque tem horário de buscar na creche, aí tem que voltar para cá... É difícil ser mãe e trabalhar”, argumenta. Mesmo com todas as intempéries, ser mãe é a função que todas essas mulheres exercem diariamente com toda a disposição, sendo exemplos de profissionais conscientes e mães preocupadas com o futuro de seus filhos, netos e com o futuro do planeta.

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Igualda eDUCaÇÃO & MeRCaDO

A

Quebrar o preconceito e dar oportunidades aos deficientes físicos é um dever de todos

questão da inclusão de deficientes no mercado de trabalho é um desafio que pode ser visto pelas empresas como um obstáculo que deve ser contornado ou como uma oportunidade para valorizar o ser humano, criando valores para funcionários e contribuindo para o bem social. Segundo o último Censo do IBGE, o Brasil possui 45 milhões de pessoas que são portadoras de algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população. Desde 1991, existe uma lei (nº 8.213) que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a contratar pessoas portadoras de alguma deficiência. A lei prevê a reserva de uma determinada quantidade de vagas, que varia de 2% a 5% do número total de funcionários. Mas os defensores dos direitos humanos argumentam que seria necessário estender essa exigência de contratação de deficientes para pequenas e médias empresas, uma vez que esses estabelecimentos são os principais empregadores do país. Como toda medida afirmativa, a lei vem causando grande polêmica, e seu cumprimento ainda não é uma realidade para a maior parte das empresas, principalmente no interior do país. Por outro lado, na Europa e nos Estados Unidos, cerca de 30% a 40% dessas pessoas estão empregadas, enquanto aqui apenas 2% delas possuem um trabalho regular.

A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é um desafio que pode ser visto pelas empresas como uma dificuldade ou como uma oportunidade. O Sindicato das Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário e Serviços Terceirizáveis do Distrito Federal (SEAC-DF) defende a inclusão dos Portadores de Necessidades Especiais (PNE’s) no mercado de trabalho, buscando integrá-los profissionalmente dentro das diversas áreas dos serviços gerais. Para o Presidente do SEAC-DF, Antônio José Rabelo, essa inclusão traz benefícios não somente para os contratados, mas também, para as empresas. “Quando um portador recebe a oportunidade de emprego, ele ganha dignidade, se sente realmente um cidadão como todos os outros”, analisa, ao completar que, geralmente, essas pessoas são mais dedicadas porque buscam o aperfeiçoamento profissional, dando mais rendimento à empresa, muito além dos benefícios previstos em lei. Mas Rabelo ressalta que as maiores dificuldades encontradas para a contratação de um PNE ainda são o preconceito, a acessibilidade, o descaso e as próprias limitações físicas ou mentais do potencial trabalhador. “Mesmo que haja mais vagas para os portadores de deficiência, nós precisamos mudar vários fatores, como, por exemplo, a acessibilidade. Muitos locais ainda não possuem meios para facilitar a locomoção e acesso. Além do preconceito que ainda há nas pessoas”, lamenta.

“Quando um portador recebe a oportunidade de emprego, ele ganha dignidade, se torna realmente um cidadão

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ade

no mercado de trabalho Infelizmente, no Brasil, muitos estabelecimentos não cumprem as exigências da lei que fixa a cota mínima de pessoas com deficiência. Os empresários saem na defesa de sua classe e afirmam que enfrentam dificuldades com a falta de qualificação. Por outro lado, o governo se defende alegando não possuir funcionários suficientes para implementar a respectiva fiscalização. O fato é que, apesar do Brasil ter a melhor legislação das Américas sobre esse tema, ela, como tantas outras, simplesmente é ignorada pelo setor produtivo de maneira geral. Então, o que se percebe é que existe um vácuo entre o Ministério Público do Trabalho e a execução da lei de cotas. De acordo com o artigo 93 da Lei 8.213/91, as empresas com no mínimo 100 empregados são obrigadas a cumprir as seguintes cotas, a serem preenchidas por “beneficiários deficientes reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas”: 2% se tiverem entre 100 e 200 empregados; 3%, entre 201 e 500; 4%, entre 501 e 1000; e 5%, de 1001 em diante.

de atenção especial. Outro tema importante destacado por Antônio Rabelo é o projeto Jovem Aprendiz. O Programa é uma ação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que une ensino formal com cursos de qualificação e determina que empresas de médio e grande porte contratem jovens entre 14 e 24 anos para capacitação profissional (prática e teórica), cumprindo as cotas que variam de 5% a 15%, dependendo do número de funcionários efetivos em folha. Atualmente, diversas empresas brasileiras, privadas ou públicas, buscam no Jovem Aprendiz futuros profissionais para ocupar vagas de estágio. Empresas de grande porte como Eletrobrás, Gerdau, Caixa Econômica Federal, SENAI e Banco do Brasil já selecionam estudantes e oferecem comprovante em carteira, remuneração e direitos trabalhistas. A iniciativa busca dar oportunidades para os jovens

que estarão mais capacitados para regressar ao mercado de trabalho posteriormente, porque terão experiências profissionais e, assim, poderão escolher

|Inclusão social

melhor seu futuro profissional.

As oportunidades geradas para que os cidadãos possam ter condições de igualdade para entrar no mercado de trabalho devem ser ampliadas. Isso porque, além dos portadores de deficiências físicas, outras necessidades carecem

“Se prepararmos os jovens para o mercado, eles se sentirão mais seguros e poderão alcançar melhores posições

e oportunidades. Com isso, todos nós, a sociedade como um todo, ganhará”, explicou Antônio Rabelo.

e um cidadão como todos os outros, além disso, se dedica mais ao trabalho, dando mais rendimento à empresa”

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PONTO CONTRA PONTO

A

decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) pela interrupção da gestação de anencéfalos (com má-formação no tubo neural) deve abrir uma brecha para a ampliação dos casos em que o aborto é permitido no país. Os ministros do STF decidiram por 8 x 2 que as gestantes de bebês anencéfalos poderão interromper a gravidez com assistência médica. Até essa decisão do STF, não era permitida, no país, a interrupção da gravidez nesses casos porque a lei, de 1940, previa o abortamento apenas em casos de estupro ou quando a vida da mulher estivesse em risco. Devido à evolução da tecnologia na medicina, que possibilitou diagnósticos prévios, cerca de 10 mil abortos de anencéfalos foram realizados em todo o Brasil. Desde 1980, alguns juízes concediam autorização para o aborto nessa situação. Ter um filho mexe com os sonhos e expectativas de várias mulheres. O maior desejo de uma futura mãe

Abo é ver o seu bebê nascer com saúde, como qualquer criança. No caso de uma gravidez de anencéfalo, porém, esses planos não se tornam realidade, e é justamente neste momento que começa um grande conflito moral, religioso e legal. Há um mês, o Brasil parou para assistir a decisão do Supremo Tribunal de Federal (STF) favorável ao aborto de fetos anencéfalos. Há aqueles que concordam e os que discordam da autorização para interromper a gravidez em casos de fetos com cérebros malformados ou sem a presença dele. Especialistas também se dividem quando o assunto é a interrupção da gravidez nesses casos. Os ministros não defenderam, por exemplo, que a vida começa na fecundação ou que o feto deva ter estatuto, absolutoargumento dos grupos religiosos contrários ao aborto. Durante as discussões, a ministra Cármen Lúcia lembrou que, no direito, o valor da vida do feto é relativi-

"Quando o aborto é feito de maneira legal, o risco de infecção, de uma perfuração intestinal ou

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:: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS :: TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS


borto:

um caso de saúde e Justiça Em 2011, foram realizados pelo Sistema Único de Saúde 1,477 mil interrupções de gravidezes por recomendação médica ou casos de estupro

zado. A pena nesses casos é menor que a de homicídio e de infanticídio, e o aborto em casos de estupro e risco de morte da mãe já é permitido. Já o advogado criminalista Edimilson Carvalho afirma que a decisão do STF pró-aborto de anencéfalos é ilegal. “O STF usurpou a função do legislativo. Isso abre precedente para qualquer anomalia ser rejeitada pela mãe e o feto abortado por causa disso”, avaliou. Edimil-son chama a atenção para brechas inclusive em abortos legalizados, como em caso de estupro. “O nosso código penal autoriza o aborto em caso de estupro. A mulher, entretanto, não precisa provar que sofreu a violência e pode usar desse argumento para conseguir uma autorização”, disse. Carvalho ressalta, ainda, que o STF tomou a decisão favorável, mas é o Ministério da Saúde que deve regulamentar os casos em que haverá autorização para abortar. Preocupada, a médica Maria Quitéria Cordeiro dos

Santos, obstetra e oncologista ginecológica, chama a atenção para os riscos do aborto, mesmo quando autorizado. “Quando o aborto é feito de maneira legal, o risco de infecção, de uma perfuração intestinal ou de outras complicações é menor. Ainda assim, a mulher corre riscos de toda forma”, ressaltou a doutora. Os problemas de saúde vão além do físico e podem atingir o psicológico da mãe. “Aborto interfere no psicológico da mulher, mais tarde ela vai ter problemas sérios. Cerca de 80% das mulheres que chegam ao meu consultório com problemas para engravidar já fizeram aborto. Daí, elas se culpam”, afirma Maria Quitéria. Por outro lado, entidades como o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) e a Articulação de Mu-lheres Brasileiras (AMB) defendem o total direito da mulher com relação a escolhas relativas a seu corpo e sua autonomia. “Ainda temos índices absurdos de mortes de mulheres. São 1,8 mil mortes por ano em todo o país. As causas dessas mortes são diversas,

ntestinal ou de outras complicações é menor. Ainda assim, a mulher corre riscos de toda forma"

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TENDÊNCIAS TENDÊNCIASEENEGÓCIOS NEGÓCIOS:: ::


PONTO CONTRA PONTO porque afeta diretamente a saúde da população e o direito individual. Segundo o Ministério da Saúde,

apenas em 2011, foram realizados, pelo Sistema Único de Saúde, 1.477 mil interrupções de gravidezes

por recomendação médica ou casos de estupro. No mesmo ano, outros 110.600 mil abortos espontâneos foram registrados por meio do SUS.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)

apontam o Brasil como quarto país do mundo em

partos de anencefálicos, ficando atrás do México, Chile e do Paraguai. Em 2008, a Federação Brasileira

das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febras-

go) indicou cerca de 20 casos para 10 mil nascidos vivos no País, número 50 vezes maior que na França.

Segundo a pesquisa de 2009 da mesma instituição,

de 9.730 mulheres atendidas nos últimos 20 anos com o diagnóstico de anencefalia, 85% decidiram por interromper a gestação.

entre elas, estão os abortos ilegais e a falta e condição dos hospitais de receber as mulheres para pré-natal e parto. Quando se legaliza o aborto, ele não se torna uma obri-gação, mas uma opção. A mulher precisa do apoio da sociedade e do estado para exercer esse direito”, explicou a socióloga e diretora do Cfemea, Guacira Cesar de Oliveira. A socióloga afirma ainda que o Distrito Federal, como boa parte do país, sofre com a falta de uma rede de apoio à mulher dentro e fora da maternidade. “Não temos creches nem médicos suficientes. A responsabilidade pelo filho é toda da mulher e ela tem de pode escolher se quer ou não ser mãe. A questão da culpa é algo imposto pela sociedade muitas vezes por questões religiosas”, ressaltou Guacira. Segundo a médica Maria Quitéria, faltam 4,5 mil médicos nos hospitais do DF. A sociedade ainda deve discutir muito esse tema,

(...)”Quando se legaliza o aborto, ele não se torna uma obrigação, mas uma opção”

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AGRONEGÓCIO

Medida Prevê o fim da falta de segurança nos frigoríficos Regulamentação das atividades no setor está prevista para os próximos meses e deverá reduzir o número de acidentes e doenças de trabalho em todo o país

TENDÊNCIAS E NEGÓCIOS ::

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O

AGRONEGÓCIO

destino de meio milhão de trabalhadores do setor frigorífico está prestes a ser mudado. A regulamentação da categoria pode entrar em vigor nos próximos meses com a aprovação do texto final de uma Norma Regulamentadora (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com alto índice de acidentes e doenças ocupacionais, uma comissão tripartite envolvendo representantes do Governo Federal, da indústria e dos trabalhadores volta a discutir, ainda este mês, as principais necessidades do setor em Brasília. Só no Distrito Federal, cerca de 4 mil trabalhadores serão beneficiados. A previsão é de que a norma entre em vigor até outubro. Entre as principais mudanças em torno da segurança e da saúde nos frigoríficos, o texto técnico básico sobre a norma propõe pausas de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados e fornecimento obrigatório de lanches durante os períodos de descanso. A regulamentação também prevê instalações de assentos nos postos de trabalho que permitam a alternância das posições a cada 30 minutos de atividade, com o objetivo de diminuir os impactos provocados por trabalhos penosos que exigem grande esforço físico e movimentos repetitivos, muito comuns no setor. Para Artur Bueno, presidente da Confederação Nacional

Artur Bueno - presidente da CNTA

dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA), a expectativa é de que a NR dos Frigoríficos atenda às necessidades dos trabalhadores o quanto antes. “Temos acompanhado através das entidades sindicais a questão dos acidentes, sobretudo no setor de desossa, onde o esforço repetitivo é muito grande, e temos orientado a cobrança efetiva das empresas na melhoria das condições de trabalho. Essas necessidades são prioritárias para a categoria e, caso não sejam atendidas com eficiência, seremos obrigados a partir para a mobilização nacional”, defende.

|Mais proteção para o trabalhador

Artur Bueno em manifestação da CNTA em frente à CNI em setembro de 2011

As empresas também devem treinar os funcionários quanto ao uso de equipamentos e ferramentas de trabalho, além de adotar medidas de prevenção coletivas e individuais com constante avaliação de riscos. Para isso, deverão ser criados programas específicos de prevenção com participação de um clínico-epidemiológico que irá orientar as medidas a serem implementadas pelos programas no ambiente e nas condições gerais de trabalho, considerando a realização de consultas médicas aos trabalhadores, aplicação de questionários e análises, e ainda alertando os empregadores sobre situações que possam

“Não é só custo, produtividade, melhoria das condições de trabalho, mas há exigências que t

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gerar riscos, especialmente, quando houver nexo causal entre as queixas e agravos à saúde dos trabalhadores e às situações de trabalho a que ficam expostos, ainda que sem qualquer sintoma ou sinal clínico. A especialista em Segurança do Trabalho, Maria Elídia Vicente, responsável pela análise ergonômica dos estudos em torno da norma, explica que as adequações nas instalações das fábricas são essenciais para diminuir o índice de lesões provocadas, principalmente, nos tendões e articulações como as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). "Os especialistas estimam que o líquido sinovial, responsável pela lubrificação das articulações, deixe de ser produzido em atividades repetitivas a partir de 50 minutos a 60 minutos e que uma pausa de 8 a 10 minutos a partir deste momento é de vital importância para que o líquido sinovial volte a ser produzido em quantidade suficiente”, avalia.

|Acidentes de trabalho e impacto financeiro Segundo dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), fornecidos pelo pesquisador Paulo Rogério Oliveira, coordenador-geral de Politicas de Combate a Acidentes de Trabalho do Ministério da Previdência Social, dos 70 mil benefícios mantidos pelo INSS, entre 2000 e 2008, envolvendo transtornos dos tecidos moles (conjuntivo, epitelial e muscular), 1.017,38 foram destinados ao setor de abate de bovinos e 1.229,18 às avícolas. Esse número representa 3,53% afastamentos a mais do que a população segurada em geral, e até 4,26% quando diz respeito ao abate de aves e outros pequenos animais. Dados mais recentes do número total de acidentes de trabalho envolvendo o setor frigorífico em geral no período de 2008 a 2010 registraram mais de 61 mil acidentes, sendo 22.654 no setor bovino e 38.520 em avícolas. Sobre o investimento no setor, a advogada trabalhista Rita de Cássia Vivas avalia que, além de melhorar as condições de trabalho e a produtividade nas empresas, a iniciativa irá contribuir ainda para economizar o gasto dos cofres públicos em relação aos afastamentos pelos INSS. “Toda sociedade, neste momento, deve se unir visando à

redução ou, se possível, até mesmo à eliminação por completo dos acidentes de trabalho, haja vista que as perdas ocasionadas em casos de acidentes não se restringem ao âmbito familiar, porquanto repercutem no erário com o custo elevado de concessão de auxílios acidente e aposentadorias por invalidez. Esses acidentes, assim, afetam o PIB e contribuem para elevar o impacto econômico”, argumenta. Já para a indústria, o investimento pode significar impactos na produtividade, onde somente a exportação de carne bovina gerou a receita de US$ 400,88 milhões em janeiro desse ano, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). “A melhoria das condições de trabalho é necessária, mas pode não ter um efeito tão forte em relação a um investimento alto", explica o coordenador da bancada patronal do Grupo Tripartite de Trabalho, que representa a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na avaliação de Gouvea, tem de haver equilíbrio entre as partes. "Não é só custo, produtividade, melhoria das condições de trabalho, mas há exigências que temos que cumprir como a escolha do material a ser usado dentro das fábricas que devem ser atestados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por exemplo”, pontua.

Reivindicações da CNTA também foram entregues à CNI em 2011

ncias que temos que cumprir como a escolha do material a ser usado dentro das fábricas (...)”

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BATE-PAPO

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embaixatriz da França no Brasil, Jocelyne SaintGeours, esposa do diplomata francês Yves Saint-Geours, está no Brasil desde 2009. Além de suas atividades diplomáticas, Jocelyne também é professora de história e adora viajar pelo Brasil. Em entrevista para a Revista Tendências & Negócios, falou sobre sua vida, família e a política da França. Comentou ainda sobre a derrota de Nicolas Sarkozy nas últimas eleições, suas atividades como embaixatriz, a relação com a família que ficou na França e a conciliação do trabalho com a sua vida pessoal. TEN – Recentemente, os brasileiros puderam acompanhar as eleições presidenciáveis na França. Como a senhora vê o interesse dos brasileiros pela política do seu País? Jocelyne Saint-Geours – Como embaixatriz, eu fiquei muito surpresa ao ver como as eleições francesas foram acompanhadas de perto pelos brasileiros. Eu conversei e troquei muitas informações com amigos que temos aqui

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Vida no Brasil. Fiquei impressionada em ver a importância que as eleições em nosso país gerou nos países estrangeiros. TEN – Como professora de história, você inseriu o tema eleitoral em sala de aula para seus alunos? Como foi feito esse trabalho? Jocelyne – Como professora de história, estou muito contente em ter levado esse debate para meus alunos. Eu propus exercícios para que eles pudessem estudar para entender o funcionamento das eleições francesas. Alguns alunos participaram de um tipo de concurso, onde eles tiveram que refletir e redigir um texto. Os que obtiveram melhores resultados foram recebidos na Embaixada, onde fizemos a apresentação dos seus trabalhos. Foi uma experiência única para todos. TEN – Como a senhora enxerga a política brasileira e o fato de termos uma presidente mulher? Jocelyne – O Brasil tem sorte por ter uma mulher como presidente. No momento, na França, talvez isso não fosse


da diplomática Embaixatriz francesa fala de política, trabalho e família. Em entrevista exclusiva, declara sua paixão pelo Brasil e afirma que as mulheres em nosso país conseguiram conquistar um espaço que não seria possível hoje na França possível. Realmente eu não sei se hoje os franceses estão prontos para eleger uma mulher como presidente. Assim como no Brasil, na legislação, existe uma igualdade que nós chamamos na França de “paridade entre homens e mulheres”. Mas, na realidade, nós podemos perceber várias diferenças. A primeira delas é que os postos importantes na política, na administração, e nas grandes empresas, geralmente são ocupados por homens. Pouquíssimas são as mulheres que conseguem chegar lá. Vejo também a desigualdade salarial. As mulheres que possuem a mesma posição de um homem não são remuneradas da mesma maneira. Logo, podemos perceber claramente a existência de certa desigualdade. TEN – Como é ser embaixatriz e quais são os trabalhos que a senhora realiza? Jocelyne – A vida de uma embaixatriz é verdadeiramente apaixonante. Isso porque, sendo a esposa do embaixador, recebo aqui na residência personalidades francesas e brasileiras. É enriquecedor. Também participo de jantares nos quais eu posso aprender bastante sobre culturas diferentes e assuntos diversos. Geralmente, nós falamos sobre a saúde, o meio ambiente e discutimos política internacional. Quando recebo, devo zelar pela nossa gastronomia, para que esteja sistematicamente à altura dos nossos convidados. Outro ponto importante é que tenho a oportunidade de participar do grupo de embaixatrizes, que foi criado há muito tempo. Funciona como uma associação de embaixatrizes, na qual eu faço parte do escritório dessa associação. Nós trabalhamos em torno de dois temas. O primeiro é relativo a um

grande bazar para arrecadar dinheiro, que é utilizado para realizar uma série de obras, para ajudar crianças em orfanatos e crianças enfermas. E a segunda parte do nosso trabalho é mais leve, quando nos encontramos e nos conhecemos. Lembre-se que viemos de países diferentes e isso é enriquecedor. TEN – Como conciliar a família e a vida profissional? Jocelyne – Não é sempre fácil ser a embaixatriz da França e ser professora, porque temos horários muito precisos e a partir daí as coisas se complicam. Mas, por outro lado, é maravilhoso ser professora. Eu preparo o curso, corrijo os deveres, e, assim, posso usar meu tempo em casa. Como mãe, sempre distribuí bem o meu tempo para me dedicar às crianças. Enquanto eles dormiam ou quando estavam brincando, eu podia me dedicar à atividade profissional. Então, isso é uma coisa que eu sempre consegui manter. Agora, quando se é mãe e embaixatriz, aí é mais difícil. É claro que temos muitas vantagens estando num lindo país como o Brasil, mas é também difícil ter os filhos longe de nós. Não é fácil ficar longe da família. Nossos pais são idosos e sentimos muitas saudades. Meu pai está um pouco doente, então é ainda mais doloroso. Com relação aos filhos, a saudade também aperta, apesar do Skype. Desenvolvemos o hábito de marcar uma hora para nos vermos e conversarmos. Eu tenho uma netinha, a Ane. Ela tem um ano e dois meses. Vê-la crescer por Skype é gratificante. Apesar de a tecnologia nos propiciar esta aproximação, não é a mesma coisa quando estamos fisicamente perto de quem gostamos. Se eu pudesse estar com ela sempre, seria melhor.

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ECONOMIA

Mulheres busca e salários melho Consultor explica as razões para a diferença salarial entre homens e mulheres por meio do mecanismo das “moedas de troca”

D

e acordo com estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) as diferenças salariais entre homens mulheres ou entre as raças estão presentes nos diversos setores da economia dos países latino-americanos. No Distrito Federal, essa situação não é diferente, apesar de que, somente no ano passado, dos 19 mil postos de trabalho criados no DF, quase 30% foram ocupados por mulheres – a maioria na área de prestação de serviços. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Secretaria de Trabalho, a taxa de desemprego, que também afeta esse grupo, caiu de 18,8% para 16,71%, o que significa que hoje elas trabalham bem mais. Outro levantamento revela ainda que muitas mulheres entenderam que, para avançar no mercado, deveriam se capacitar e estudar. Assim, a contratação da trabalhadora com nível superior subiu de 14,6% para quase 22%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também divulgou a Síntese dos Indicadores Sociais 2010 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que confirmou que a realidade de desigualdade e discriminação não se modificou nestes últimos dez anos, reservando para o sexo feminino ainda a informalidade, a dupla jornada, o trabalho não produtivo e os menores salários. Ainda segundo o IBGE, as mulheres constituem um total de 39,5 milhões de trabalhadoras, sendo que 17% (o maior

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percentual) estão no trabalho doméstico e 72,8% não chegam nem a ter sua carteira de trabalho assinada. Os números ainda revelam que 51,2% das mulheres estão no trabalho informal, contra 46,8% dos homens. Além disso, se constatou a menor remuneração para elas. Diante disso, Eduardo Ferraz, consultor em Gestão de Pessoas e estudioso da Neurociência Comportamental, responde a uma questão que incomoda o universo feminino: por que existe essa diferença salarial entre homens e mulheres? Ferraz faz uma análise comportamental dos dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2010 (RAIS), de que as mulheres ganham, em média, 17% menos do que os homens. Para ele, as causas dessa diferença são definidas quando o profissional escolhe qual moeda de troca ele dará prioridade em sua carreira. As empresas utilizam um instrumento que basicamente se condensa em quatro moedas para oferecer aos seus funcionários. Pode ser o dinheiro, a segurança, o status ou o aprendizado. “Quem gosta mais de dinheiro, inconscientemente deixará em segundo plano as outras moedas, abrindo mão principalmente da segurança que significaria horários fixos, estabilidade, e, portanto, tempo para dedicar à família. Há mais homens ganhando mais e em cargos de chefia, porque eles, culturalmente, priorizam a carreira e colocam a família em segundo plano”, explica o consultor, que complementa: “por outro lado, as mulheres, em sua maioria, preferem trabalhos que lhes proporcionem mais segu-


cam segurança elhores rança do que dinheiro. Então, não há uma opção melhor do que a outra, apenas consequências das prioridades”. Ferraz lembra, ainda, que os profissionais (homens ou mulheres) que deixam de lado a segurança porque priorizam mais o alto salário, status ou aprendizado, estão sujeitos à instabilidade e, consequentemente, a mudanças frequentes de emprego, carga horária maior e a pressão constante por melhores resultados. “Há sempre um preço a se pagar quando falamos de escolhas em nossas carreiras”, adverte, ao afirmar que, entre as mulheres, a escolha pela segurança faz parte do instinto feminino. “Elas têm uma sobrecarga muito maior que a dos homens. Elas precisam estar sempre atualizadas, ter cursos de especialização, ser uma profissional competente e ainda devem cuidar dos filhos, ser uma filha dedicada, ter o corpo saudável, cuidar da casa, ser amorosa com marido, e ter tempo para a sogra, que, por ser de outra geração, lhe cobra mais tempo para a família. É um verdadeiro massacre. Pouquíssimos homens aguentariam essa carga, que a maioria das mulheres suportam”, reconhece Ferraz.

porque nenhuma empresa quer perder um funcionário competente, independente do seu sexo”.

“É exatamente por isso que muitas mulheres aceitam ganhar menos em troca de uma carreira que lhe dê mais segurança e flexibilidade para suas múltiplas jornadas”, reafirma. Por outro lado, o consultor também reconhece que muitas mulheres priorizam a carreira, garantindo uma autoridade moral para exigir chances parecidas com a dos homens. “Esta postura quase sempre funciona,

Perfil – Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultorias “in company”, com aplicações práticas da Neurociência comportamental, possuindo mais de 30.000 horas de experiência prática. É pós-graduado em Direção de Empresas, especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos e autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, da Editora Gente.

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SHOW ROOM

Iguatemi Brasília inaugura Vila Animada O projeto arquitetônico da Vila Animada, a nova brinquedoteca do Iguatemi Brasília, é único na cidade e tem um conceito pioneiro. Nela, os pequenos podem interagir com outras crianças e desenvolver o espírito de coletividade, além de estimular a capacidade criativa por meio de atividades pedagógicas, musicais e também com jogos.

Solarium Spa Foto: Telmo Ximenes

Recém-chegado no mercado de saúde, beleza e bemestar de Brasília, o Solarium SPA mostra a que veio. Com uma infraestrutura moderna e um amplo leque de serviços, seu objetivo é oferecer aos brasilienses tratamentos diferenciados e experiências sensoriais únicas. Pensando nisso, o espaço lançou pacotes promocionais para encher as mamães de mimos.

Unique Fitness Divas Dance - marca registrada! Restaurante Gero Brasília

Preocupada com o bem-estar e a saúde das pessoas, a Unique Fitness oferece instrumentos indispensáveis para o alcance da saúde física e mental, bem como sociabilidade, cooperação, diversão, entretenimento e sustentabilidade. Pensando nisso, a Unique investe na capacitação e formação dos seus profissionais, levando aos frequentadores um atendimento de alto padrão. Em breve, o Grupo Unique Fitness contará com mais de 300 colaboradores em seu quadro, a maioria na área de Educação Física. Foto: Telmo Ximenes

Vilma Moraes, Marilda Porto, Brunilde Liviero e Roberta Marques

Há dois anos, Roberta Marques, sócia da Vip Training, idealizou um programa específico para mulheres na faixa dos 50 anos, o Divas Dance. O projeto é um sucesso e já foi cenário de muitas histórias de superação. Agora, a academia planeja disseminar o conhecimento adquirido e transformar as aulas para os mais experientes em marca, uma modalidade fixa em outras academias.

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twittada t Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto: os trinta seguintes, o comentário (Schopenhauer)

É preciso atenção permanente para tentar controlar esse medo irracional do sucesso: isso é essencial para que nossos anseios se concretizem.

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Alexandre Garcia @alexgarciaglobo Flávio Gikovate @Flavio_Gikovate

POROROCA PROFISSIONAL: É quando todos os trabalhos violentamente se juntam e não dá tempo pra mais nada. O lance é não se afogar.

Alexandre Nero @alexnero

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O medo é o pior sentimento porque ele paralisa.

Feliz dia das mães para todas as mães que suportam seus filhos insuportáveis. Parabéns.

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Hoje é dia para deixar as diferenças de lado, para quem tem alguma com a mamãe, e ligar e dizer que a AMA, afinal de contas, nem você é perfeito.

PC Siqueira @pecesiqueira

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As mães são seres incompreendidos, porque apenas elas sabem o que é gerar em si uma vida, um futuro com mil possibilidades.

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Wanderlei Silva @wandfc

Se eu fosse jogador e fizesse um gol no dia das mães diria assim para a câmera: “Esse é para você mãe, que queria que eu estudasse ao invés de jogar bola”.

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Will Leit


a ten

es os, las ar em turo ades.

Quando passarmos a condenar as pessoas sem resguardar seu direito ao devido processo legal, estaremos em nível semelhante ao da ditadura.

Elenita Rodrigues @elenitadf

por Liana Alagemovits @ lianaalagemovit twitter das pessoas comentários TEN

“A luz é boa, não importa em que lâmpada brilhe... uma flor é bela, não importa em que jardim floresça...”

Muito apropriada a expressao “industria da comuicacao”, porque fabricam informacoes, versoes, e auferem lucros com essa fabricacao.

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Emir Sader @emirsader

Autores preferem não citar nomes para não cometer injustiça. Pior do que esquecer, não mencionar de propósito é cometer a pior injustiça.

dfc

Gosto muito de lembrar da Fé Bahá’í – igualdade na diversidade. FabrícioCarpinejar@CARPINEJAR

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ador e das mães diria sse é para você u estudasse ao bola”. Bobeira agredir quem gosta de algo que você não gosta ou quem é diferente de você. Isso é ultrapassado. Prefiro gastar tempo de outro jeito.

Will Leite @WillLeite

Lázaro Ramos @ramoslazaro

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aRTIGO

A Política por trás da política econômica da Eurozona

A

Por Carolina Dias, de Paris zona do euro é claramente liderada pelos dois maiores países dentro dessa união monetária. Alemanha e França decidem e passam aos demais países as decisões tomadas. Os membros menores que partilham o euro só são chamados para a mesa de discussão se os dois majoritários começam a ter sérias desavenças. Nos tempos de Sarkozy e Merkel as medidas conservadoras saiam como que em uníssono dos encontros promovidos em Frankfurt onde fica o Banco Central Europeu. Só que então o equilíbrio foi alterado. No dia 6 de maio os franceses foram às urnas e votaram por uma saída para a crise que não sacrifique o crescimento do país. O socialista François Hollande bateu o ex-presidente Nicolas Sarkozy com 51,62% dos votos promovendo a ideia de que a crise pode ser vencida por meio de investimentos, contrariando as medidas de austeridades defendidas pela chanceler alemã,Angela Merkel, que apoiou Sarkozy na sua tentativa de reeleição.O primeiro encontro do novo casal franco-alemão em Berlim foi marcado pelo desencontro de propostas, já conhecidas durante a campanha pelo Elysée. Segundo a imprensa alemã, Merkel se negou a encontrar com Hollande durante a disputa presidencial para reforçar sua discordância vis-à-

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vis uma renegociação do pacto de estabilidade orçamentária, acordado entre a chanceler e Sarkozy. No dia17 de junho os franceses vão novamente às urnas para definir quem serão os novos membros da Assembleia Nacional (a Câmara dos Deputados do país) e assim definir a divisão de poder entre oposição e situação. Diferentemente do Brasil onde ambas as escolhas se dão no mesmo dia - ou então chega-se mesmo a escolher os deputados primeiro no caso da eleição presidencial ir para o segundo turno – o calendário eleitoral francês é montado de maneira que o eleitor é chamado a reafirmar sua opção de diretrizes para o país, concedendo ou não maioria legislativa ao presidente escolhido. No caso da coalizão que apoiou Hollande sair vitoriosa, o novo presidente terá amplos poderes para levar sua agenda à frente. Esse terceiro-turno da eleição - como gosta de dizer Jean-François Copé, presidente do partido de Sarkozy, o UMP –é atentamente aguardado pelos líderes europeus, que sabem que o tamanho da força interna de Hollande definirá sua autoridade para levar à frente sua visão de política pública para o conjunto dos países europeus, especialmente da conturbada zona do euro. No mesmo dia os gregos tentarão dizer mais uma vez através de seu voto como querem que a desesperadora crise pela qual passa o país seja administrada. Em maio, quando tentaram fazê-lo, os eleitores desse país de 11


milhões de habitantes e que representa apenas 2% da economia da união monetária, votaram de maneira tão caótica que nenhum governo pode ser montado. A resposta pela qual o continente aguarda com ansiedade é seos gregos vão seguir as condições impostas pela tecnocraciaeuropeia em troca das centenas de bilhões de euros vindos,até agora, em dois pacotes de resgate, ou vão seguir sozinhos.Contudo, o aumento da força política de François Hollande muda o cenário futuro da região e abre a possibilidade de que futuras negociações ofereçam à Grécia opções mais honrosas e menos dramáticas de ajuste. Assim, os gregos passam a ver sinais de que talvez não tenham que aprofundar a empobrecedora “desvalorização interna” para permanecer com o euro e então as chances de eleição de uma maioria pró-euro aumentam. Porque ao contrário de Merkel que faz questão que os gregos cumpram as duras metas traçadas, Hollande faz questão que a Grécia permaneça no euro. São diferentes visões de mundo que mudam completamente o leque de possibilidades, de acordo com para onde pender o peso do poder.

além da pura e simples manutenção do valor da moeda. Quanto maior for sua força interna, maior será sua moral para aglutinar as insatisfações com a austeridade a todo custo imposta pela Alemanha. Nesse contexto o Euro voltaria a ser um instrumento de integração que garante maior força política, ao invés de somente a estável moeda idealizada à imagem e semelhança do Marco alemão. Os tumultos da região não passarão no futuro próximo, mas como afirma François Hollande as negociações terão que passar a contar com uma mais ampla gama de alternativas que possam aumentar as chances de permanência dos países periféricos. O que na visão do líder francês não é apenas uma questão de justiça, mas sim a estratégia necessária para que a Europa não veja sua força política se esvair nessa crise.

A liderança alemã preza pela força da moeda e vê com simpatia disfarçada uma Eurozona menor que comporte apenas países mais semelhantes. Sabe como todo mundo que sem união fiscal a região estará sempre aberta a esse tipo de desajuste, mas na falta de vontade de dar esse passo entende que é menos difícil administrar essa união incompleta dentro de um conjunto mais homogêneo. A novidade é que Hollande demonstra querer restabelecer a posição da França como líder político nato e único país capaz de bloquear as decisões de Berlim e propor alternativas que levem em conta aspectos que vão

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tendencias e negocios 2 ediçao