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CURSO: DESENVOLVIMENTO DE OBJETOS VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

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Unidade 3: Processos e Metodologias de construção de OA Autoria: Braga, Juliana Cristina; França, Roberta Kelly A. de.

Esta unidade inicia com a definição do processo de construção de um OA, seguida pela discussão da importância deste processo. Posteriormente, são descritos os modelos de processos existentes, seguida pela apresentação da metodologia INTERA proposta e desenvolvida pela equipe da UAB/UFABC. Finalmente, é apresentado o resumo do conteúdo desta unidade.

3.1. Definição

O processo de construção de um OA assemelha-se a metodologia de uma pesquisa científica: o que?, por que?, como? e quando? são algumas das questões importantes a serem feitas, bem como: para quem? e qual o objetivo? Todas estas questões representam etapas diferentes do processo de construção do Objeto de Aprendizagem, e podem ser construídas paralelamente ou não. Elas estão relacionadas com a definição e a reflexão sobre os passos e os papeis dos envolvidos, e consistem em captar informações detalhadas sobre o OA, otimizar o alcance dos resultados em cada etapa e garantir o seu desenvolvimento e reuso. 3.2. Objetivos e importância

O acesso e utilização das ferramentas de construção de OAs podem ser, para algumas pessoas, um processo simples ou mais dificultoso; porém, para ambos os casos, trata-se de um novo aprendizado que exigirá tempo e dedicação. Desta maneira, na maioria das vezes, não é o professor demandante o responsável pela execução de todo o processo de construção do ao. Ele solicita, através de projetos financiados por agências de fomento ou de bolsas acadêmicas da própria instituição, técnicos e/ou estagiários que formarão uma equipe com habilidades multidisciplinares para executar o projeto do ao. Para isso, faz-se fundamental a adoção de uma metodologia de trabalho, para organizar as etapas de desenvolvimento, a comunicação entre os envolvidos e garantir o atendimento ao cronograma.

Unidade 3: Processos de Desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem

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Em linhas gerais, a adoção de processos para nortear o trabalho (individual ou em grupo), é subestimada pelos profissionais de diferentes instituições. Porém, segundo Pessoa e Benitti (2008), a adoção de um processo significa utilizar-se das melhores práticas para lidar com os riscos inerentes à execução de um projeto, de longo ou curto prazo, e que geralmente envolve a comunicação entre duas ou mais pessoas, porque representam acento de experiência adquirido por empresas e profissionais. A adoção de um processo para um grupo de trabalho corresponde a utilizar mecanismos de controle visam reduzir o nível de erros dos profissionais. Ainda segundo estes autores, “processos possibilitam que os serviços sejam impessoais, ou seja, independente de quem executará os trabalhos, serão realizadas as mesmas atividades, avaliados os mesmos parâmetros, produzidos os mesmos artefatos” (p.174). Sendo assim, podemos assegurar que são diversas as vantagens da adoção de um processo para o desenvolvimento de OAs. Veja as principais na listagem abaixo: 

2

Auxilia na concepção do Objeto de Aprendizagem, através da descrição

detalhada de como o OA deverá ser, animado, inanimado, colorido, interativo, etc.),

sendo

importante

considerar

que

quanto

mais

informação

for

disponibilizada sobre o OA, melhor será a sua produção. 

Ajuda na definição do contexto pedagógico em que o OA será inserido,

definindo qual o perfil do público que o usará, quais serão seus cenários de aplicação, quais os objetivos pedagógicos que se deseja atingir com a sua utilização, além de outros aspectos pedagógicos. 

Gerencia a produção do OA definindo um cronograma, estimando e

gerenciando os recursos técnicos, humanos e o orçamento necessários para desenvolver o OA.

O principal objetivo de utilizar e compreender o processo escolhido para o desenvolvimento do OA é garantir o atendimento das características do objeto e impedir que esforços e recursos sejam empenhados na produção de objetos de pouca reusabilidade e pouco eficazes no processo de aprendizagem. De acordo com Wiley (2000), OA é “qualquer entidade digital, que pode ser usada, reusada ou referenciada durante um processo de aprendizagem apoiado pela tecnologia”. Sendo assim, ele pode ser tratado como um produto de software, podendo se beneficiar das boas práticas dos processos de desenvolvimento deste tipo de produto, principalmente quanto aos testes de Unidade 3: Processos de Desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem


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qualidade de características técnicas e funcionais. Desta forma, é importante compreender as práticas dos principais processos existentes, seus pontos fortes e fracos, como será apresentado a seguir. Vamos lá! 3.3. Modelos de processos existentes: comparativos e lacunas A expansão do ensino a distância gerou um boom na elaboração de material instrucional (OAs) para cursos mediados por Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Desta maneira, tivemos importantes grupos, nacionais e internacionais, atuando na pesquisa em EaD e trabalhando na formulação de processos de construção de OAs. Antes de tomar conhecimento sobre os principais processos, é importante compreender alguns conceitos comuns entre eles, identificados como seus elementos básicos (Pessoa e Benitti, 2008). São eles: 3

Etapas: cada etapa pode ser definida como o momento em que os envolvidos em um projeto finalizam um objetivo e partem para outro. Exemplo: tendo definido o OA que se pretende construir e o contexto em que ele será utilizado, a etapa seguinte é pensar no planejamento de sua construção (objetivos pedagógicos, recursos humanos e tecnológicos, orçamento, cronograma etc.), a próxima seria a de desenvolvimento etc. A quantidade de etapas, podendo ocorrer concomitantemente ou não, varia de acordo com o modelo de gestão de processo adotado pela equipe. Porém, ao adotar um processo, deve-se passar por todas as etapas necessárias e refletir sobre cada uma delas.

Artefatos: em quase todas as etapas do processo, informações são geradas pela equipe envolvida, seja através de planilhas ou mesmo da produção de um ‘rascunho’ ou esboço do OA (um desenho ou uma descrição detalhada, por exemplo). A planilha e o ‘rascunho’ são artefatos que auxiliarão a compreensão sobre o OA, contribuindo para que a equipe alcance o objetivo final, que é o seu desenvolvimento e avaliação positiva. Sobre artefatos, é preciso lembrar que todos os envolvidos devem conhecer detalhadamente as intenções pedagógicas e técnicas relacionadas ao OA e, para isso, deve-se promover uma boa comunicação entre todos. E, para que as ideias não se percam, devem-se produzir os artefatos necessários para que, se entregues na mão de um desenvolvedor de outra equipe, por exemplo, este seja capaz de produzir o OA de acordo com os objetivos estipulados.

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Papel: os papéis não são pessoas; pelo contrário, eles descrevem como as pessoas se comportam no projeto e quais são as responsabilidades que cada uma delas possui (Rational Software Corporation, 2001). Sendo assim, uma pessoa pode possuir mais de um papel dentro do processo, sendo, em muitos processos, a equipe multidisciplinar, ou seja, são desejáveis diversas características técnicas do bolsista e/ou técnico envolvido. Desta forma, é crucial a compreensão inicial das responsabilidades de cada um, pois o sucesso na comunicação entre os pares, na compreensão das suas atribuições e do processo é o que acarretará no sucesso do desenvolvimento do OA.

Ciclo de vida do OA: cada etapa do processo corresponde a um momento da concepção, do desenvolvimento, da utilização e da manutenção do OA. Todas estas etapas constituem o que é denominado “ciclo de vida” do objeto. Durante o ciclo de

vida de um OA, são agrupadas as informações que descrevem as características relacionadas ao histórico e ao estado atual do objeto, bem como a relação dos envolvidos em seu processo de produção, utilização, testes e reuso.

Tendo compreendido os conceitos comuns a um processo, a seguir serão descritos os principais processos (ou conceito de desenvolvimento de software) que são utilizados no desenvolvimento de um OA:

A) Processo RIVED (Rede Interativa Virtual de Educação): elaborado pela Secretaria de Educação a Distância (SEED/ MEC), estimula a formação de uma equipe multidisciplinar, a utilização das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e propõe 6 etapas (que os criadores chamam de Fases) para o processo produtivo de OAs: 1) Geração de um artefato denominado ‘Modelo de Design Pedagógico’ que descreva a(s) atividade(s) pedagógicas a serem desempenhadas pelo OA

e qual o seu

objetivo; 2) Avaliação e disponibilização do artefato criado para o retorno de críticas e feedbacks; 3) Revisão dos pareceres emitidos na Fase 2 pelos especialistas de conteúdo, que passam a desenvolver especificações para o objeto; 4) Início da produção do OA;

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5) Desenvolvimento do material que auxiliará os professores na utilização do OA, futuramente, pelos especialistas de conteúdo; 6) Disponibilização do OA, para uso do público em geral, em repositórios da Web. Destaque

sobre

este

processo:

o

RIVED

disponibiliza

(no

endereço

web

http://rived.mec.gov.br/instrumentos.php) os instrumentos que auxiliam a equipe a gerar os artefatos que auxiliarão na produção do OA, o que facilita muito a utilização desse processo. Além disso, faz parte do processo de produção do RIVED a elaboração de um “Guia de auxílio aos docentes” (GD) que favorece o reuso do OA. Porém, ele não realiza os testes e a avaliação necessários para garantir uma das características principais de um AO, que é a reusabilidade. Ele também não aborda a etapa de gerenciamento de projetos. 5

B) Processo SOPHIA: proposto pela equipe do Laboratório de Soluções em Software da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Ele não é apenas um processo, mas um ambiente (repositório) que agrupa OA. O processo SOPHIA de produção de Objetos de Aprendizagem é composto por três etapas distintas: projeto, desenvolvimento e distribuição. Veja a descrição de cada uma delas:

1) Projeto: Definição detalhada da estrutura do OA, que resultara na produção de 3 artefatos: i) Artefato - Plano Pedagógico (propósitos, objetivos, conceitos presentes, metodologia a ser desenvolvida); ii) Artefato - Estrutura do OA (tipos de atividades, conceitos presentes, tipos de mídia, visualização das páginas a serem disponibilizadas aos alunos) e iii) Artefato - Plano de desenvolvimento (alocação dos membros da equipe, assim como definição das suas respectivas tarefas e prazos para desenvolvimento). 2) Desenvolvimento: produção do OA, incluindo ao menos uma revisão de todo o processo por parte do professor conteudista. Além disso, nesta etapa, propõe-se que a produção do objeto envolva o programador e o designer, visando imprimir qualidade técnica e de usabilidade ao OA. 3) Distribuição: Etapa que contempla a disponibilização do OA no repositório. Este processo prevê a avaliação do objeto pela WebTutoria e pelos alunos, visando obter feedback para melhoria contínua do OA.

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Destaque sobre este processo: O diferencial deste modelo é a descrição do papel de cada profissional envolvido no processo. Porém, ele não contempla uma fase para gerenciamento de projetos e trata de forma superficial o teste das funcionalidades do OA e a avaliação pedagógica, estando esta, inserida na etapa de desenvolvimento.

C) Processo ADDIE: (acrônimo para Analysis, Design, Development, Implementation e Evaluation). Este processo possui cinco etapas e foi desenvolvido para conteúdos educacionais, com características que promovem a interação entre as etapas. O o objetivo é perceber os problemas enquanto eles ainda são fáceis de corrigir. As etapas são as seguintes:

1) Análise: revisão dos objetivos, principalmente educacionais, do OA. Envolve, entre outros, análise dos envolvidos no processo. 2) Projeto (Design): acontece paralelamente à fase de análise e compreende os planos de construção do cenário do OA, define estratégias de interatividade etc. 3) Desenvolvimento: início do processo de criação do OA, que inclui programação e testes de retorno para o aluno. 4) Implementação: nesta fase, o OA precisa ser depositado em um repositório, com o intuito de incluir metadados (que descrevem o objeto e seus objetivos pedagógicos, por exemplo), ser testado em diferentes ambientes e com relação à interface do repositório para com o OA. 5) Avaliação: nesta fase, deve ser avaliado o aprendizado que o OA pode proporcionar. Por isso, ela envolve alunos e professores. Destaque sobre este processo: O ADDIE procura dar evidência aos objetivos educacionais. No entanto, na etapa de avaliação, não distingue testes de verificação das funcionalidades e correção de erros da avaliação pedagógica do material, para verificar se os objetivos pedagógicos foram atingidos.

D) Processo RUP (Rational Unified Process): este processo é específico para o desenvolvimento de software. Entretanto, ele tem sido utilizado no desenvolvimento de OAs. O RUP oferece uma abordagem baseada em 9 disciplinas (ou etapas):

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1) Modelagem de negócios: procura destrinchar os objetivos do projeto, estudando as condições existentes para sua construção; 2) Requisitos: obter, junto ao demandante do projeto, uma base para planejar o conteúdo técnico, suas características e objetivos; 3) Análise e Design: transforma os requisitos em um design do projeto a ser criado; 4) Implementação: início do processo de desenvolvimento; 5) Teste: descreve como testar o projeto para verificar se todos os requisitos foram atendidos, a tempo de corrigir as falhas; 6) Implantação: o projeto deve estar pronto para ser disponibilizado; 7) Ambiente: oferece o ambiente de suporte para o projeto e os envolvidos, e assim, também serve de suporte a todas as outras etapas; 8) Gerenciamento de Projeto: deve, em todos os momentos, acompanhar a execução do projeto; 9) Gerenciamento de Configuração e Mudança: gerencia as alterações realizadas em um artefato e garante que suas características iniciais ou as últimas alterações aprovadas pelos envolvidos não se percam. Destaque sobre este processo: trata-se de um processo iterativo e que preza que o cronograma de ações seja respeitado. Ele apresenta um processo bem definido e organizado, otimizando o trabalho dos envolvidos. No entanto, ele não aborda em nenhuma de suas etapas a questão pedagógica do Objeto de Aprendizagem. Isso acontece justamente porque o foco do RUP é o desenvolvimento de software e não de Objetos de Aprendizagem.

No início desta unidade, enfatizamos que a adoção de um processo para o desenvolvimento de um OA favorece o alcance das características que asseguram que um material digital seja definido como objeto educacional. E isto se justifica pelo fato de cada característica atribuir uma qualidade ao OA,1. Na Tabela 1, os processos apresentados foram comparados quanto ao atendimento destas características:

1

Estas características foram apresentadas, detalhadamente, na Unidade 1.

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Tabela 1: Comparativo dos processos com relação às características de OAs

RIVED

Processos de elaboração de OAS SOPHIA ADDIE

RUP

Ciclo de Vida

Cascata

Iterativo

Espiral

Iterativo

Design Instrucional (DI)

Prevê uma etapa para realização do DI

Não prevê

Satisfatório

Reusabilidade

Prevê uma etapa para realização de um guia de auxílio ao docente.

Satisfatório

Previsto, superficialmente, na fase de Análise

Características de OAs

Não aborda

Satisfatório

8

Classificação

Prevista na fase 6, em que o OA é organizado e publicado

Previsto na etapa de Distribuição, depois do OA construído

Não é prevista em nenhuma fase

Não é prevista em nenhuma fase

Interoperabilidade

Não é previsto em nenhuma fase

Não é prevista em nenhuma fase

É previsto na disciplina de Requisitos e Testes

Acessibilidade

Não aborda

Não aborda

Na fase de implementação, é previsto o teste em diversos ambientes Não aborda

Satisfatório

Não gerencia

Satisfatório

Não é prevista em nenhuma fase

Na etapa de Criação, é definido o nível de granularidade que terá o OA.

Não é prevista em nenhuma fase

Aborda na disciplina de Requisitos e Testes Satisfatório

Gerenciamento Granularidade

Não é prevista em nenhuma fase

3.4. Proposta de nova metodologia: INTERA/ UFABC

Apesar da quantidade e permanente expansão de OAs disponíveis, são poucos os processos de desenvolvimento de objetos com validação de sua proposta. A Tabela 1 apresentada evidenciou que nenhum dos processos estudados possui etapas que visem

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PACC alcançar

o

atendimento

de

todas

as

características

necessárias

a

um

OA,

comprometendo a qualidade do resultado final. A metodologia proposta INTERA/UFABC (Inteligência, Tecnologias Educacionais e Recursos Acessíveis) traz em sua definição a correspondência ao ciclo de vida do OA, ressaltando que quanto maior o número de características de qualidade contidas em um Objeto de Aprendizagem, maior será a possibilidade do seu reuso em diferentes contextos, e possivelmente mais eficiente será o aprendizado a que ele se destina. Essa metodologia foi baseada em processos de desenvolvimento de software e no modelo ADDIE para desenvolvimento de conteúdos instrucionais. Seu objetivo principal é conduzir a construção de um OA com qualidade e que seja reutilizável, mas, também, otimizar o trabalho dos envolvidos, reduzindo as possibilidades da não finalização da proposta de construção do OA. 9

A metodologia INTERA é uma metodologia iterativa, ou seja, sugere o ‘ir e vir’ de suas etapas, o que indica a necessidade de existir uma boa comunicação entre os envolvidos no projeto de construção do OA. Desta maneira, o INTERA apresenta uma proposta de formação da equipe e a definição prévia dos seguintes papéis: 

Analista: Responsável em fazer o levantamento e análise do contexto e dos requisitos do OA. Também é responsável por elaborar o planejamento da qualidade e dos testes do OA.

Conteudista: Responsável pela elaboração ou reutilização das situações didáticas e de conteúdo, incluindo pesquisa de conteúdo, mapeamento do conteúdo a ser abordado, especificação de conteúdos adicionais e avaliação do conteúdo na etapa de desenvolvimento. Responsável por manter a integridade do conteúdo do OA realizando várias revisões no mesmo. Deverá manter o OA dentro dos objetivos pedagógicos no qual ele foi concebido.

Gerente de Projetos: Responsável por planejar e gerenciar o projeto de desenvolvimento do OA. Faz parte de suas atribuições manter a comunicação entre a equipe, acompanhar o cronograma, escopo e custo. Ele também é responsável por distribuir e gerenciar as atividades da equipe.

Demandante: solicita o desenvolvimento do objeto de aprendizagem que será desenvolvido.

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Designer de Interface: projeta os componentes de interface do OA de forma a potencializar o entendimento do conteúdo (produzido pelo conteudista) a partir do uso de linguagens e formatos variados (hipertexto, da mixagem e da multimídia). Desenvolve a identidade visual do objeto.

Designer Pedagógico: Responsável por realizar o planejamento pedagógico a avaliação pedagógica do OA.

Designer Técnico (Arquiteto): responsável pelas escolhas tecnológicas para o desenvolvimento do OA, de acordo com seu contexto e requisitos. Também responsável por fornecer subsídios técnicos de forma a guiar a equipe de desenvolvimento.

Equipe de desenvolvimento: responsável pelo desenvolvimento ou produção do OA. Essa equipe deverá ser formada por profissionais técnicos de acordo com o tipo de OA. Exemplos: se o AO for um vídeo, a equipe deverá possuir técnicos em produção de vídeo. Se o OA for um software, a equipe deverá constituir de programadores.

Testador: responsável por realizar diferentes tipos de testes nos OAs garantindo assim sua qualidade. Faz parte de suas atribuições testar as funcionalidades, a acessibilidade, confiabilidade, etc.

Tendo conhecido o papel dos envolvidos nesta metodologia, as etapas que a compõem serão brevemente apresentadas, cabendo a explicação detalhada de cada uma em outras unidades. São elas: 1) Contextualização de um OA: Definição do contexto pedagógico do OA como, por exemplo, ementa em que o OA se encaixa, público alvo que utilizará o OA como complementação

do

aprendizado,

modalidade

de

ensino,

objetivo

de

aprendizagem, possibilidade de ser utilizado por pessoa portadora de deficiência (acessibilidade), cenário e contexto em que ele se apresentará, etc. O principal artefato dessa etapa é o documento de especificação de contexto. 2) Levantamentos de Requisitos de um OA: Explicação, através de estudo exploratório, do que se espera do OA: suas características técnicas e pedagógicas. Nesta etapa, são gerados os principais artefatos. Por isso, utilizamse instrumentos como questionários, planilhas descritivas, mapas conceituais etc.

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Deve ser adotada uma linguagem objetiva e informal no levantamento destes dados. 3) Design: Envolve a análise dos requisitos que resultará no esboço (ou rascunho) do OA. Nesta etapa, também são definidas as tecnologias mais adequadas para o desenvolvimento do OA e os padrões a serem adotados. Também nessa etapa são definidos os componentes de reuso. 4)

Desenvolvimento: Produção do Objeto de Aprendizagem.

5) Testes: Realização de validações das características técnicas e parte das características pedagógicas levantadas nas etapas anteriores. 6) Disponibilização: Disponibilização do objeto e também da documentação de uso e instalação do OA. 7) Avaliação: Aplicação do objeto em sala de aula, com o objetivo principal de avaliar seus requisitos pedagógicos. 8) Gestão de projetos: Esta etapa perpassa por todo o processo e representa a execução das funções do coordenador acompanhando e analisando os custos, cronograma e os envolvidos. 9) Ambiente e Padrões: Descrição das atividades para o desenvolvimento das diretrizes de suporte de um OA e avaliação prévia de toda infra-estrutura e softwares necessários.

3.6. Resumo

Nesta unidade, você viu que o processo de construção de um OA se refere à metodologia de trabalho que será seguida para organizar as etapas do seu desenvolvimento, que consistem em: i) estabelecer a comunicação entre os envolvidos; ii) captar informações detalhadas sobre o OA; iii) otimizar o alcance dos resultados em cada etapa e iv) garantir o desenvolvimento e reuso do objeto. Contudo, o sucesso do processo está relacionado com a compreensão das características de um OA. As etapas de um processo de construção de um Objeto de Aprendizagem envolvem diferentes profissionais e resultam na produção de importantes e diferentes artefatos. Isto, por sua vez, possibilitará o sucesso dos aspectos pedagógicos e técnicos do OA, quando há qualidade dos artefatos e boa comunicação entre os envolvidos. Sendo assim, e diante das falhas apresentadas pelos processos de desenvolvimento de OAs existentes, no que

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diz respeito ao resultado final com o maior atendimento às características de qualidade de um OA, o grupo de pesquisadores em EaD da UFABC desenvolveu a metodologia INTERA (Inteligência, Tecnologias Educacionais e Recursos Acessíveis). Este processo objetiva fornecer condições para o controle das etapas e para o gerenciamento do trabalho dos envolvidos, além de conter etapas de testes e avaliação que favorecem o alcance de um objeto com o maior número de características de qualidade, visando seu reuso.

REFERÊNCIA:

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