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ARTISTAS FRUSTRADOS BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

A.1, N. 9, FEV. DE 2010

Corpo Editorial: Josué Borges/Pablo Gobira Entre em contato: http://artistasfrustrados.vai.la e osartistasfrustrados@gmail.com

CARTACARTA-SUICÍDIO DO COLETIVO [conjunto vazio] “(…) a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. (Karl Marx)

Reiteramos que: 1. Somos mais influenciados por Sex Pistols do que por vedetes teóricas normalmente adoradas pelo público artístico em geral; 2. Nos vendemos tanto quanto a platéia e ainda compramos votos. Não há “princípios” regedores do festival que poderiam impedir qualquer um de fazê-lo, portanto não existem ilegitimidades; 3. As atividades do [conjunto vazio] são experimentos de estratégias para charlatanismo crítico. Se funcionam ou não, o estardalhaço generalizado é que nos revela. Da TRAGÉDIA: Esperando Debord fracassou. O que se propôs a ser uma intervenção se converteu numa cena de teatro, foi assimilado e apreendido imediatamente como mais uma peça do mercado cultural. Da FARSA: Um ingrediente indispensável ao espetacular: a crítica do Espetáculo. Preferimos ir direto ao ponto. Se o Espetáculo toma para si tudo o que o circunda – seja para criticá-lo, seja para confirmá-lo – que façamos borrão nas suas instâncias. Não temos a mínima pretensão de sermos originais. A originalidade é pura demais e não nos daria dinheiro. O [conjunto vazio] não quer estar aqui presente e nossos porquês já são bem claros. Voltamos apenas para tirar mais sarro com a cara daqueles que degustam como doce o chorume do lixo que (re)produzimos. Se continuamos a cruzar essas portas, o fazemos por um único elemento básico que nos interessa: o gigantesco montante de dinheiro colocado nos círculos desgastados do cassino cultural. A platéia não é “manipulada”, como querem insinuar alguns. Só faz repetir uma prática previsível, estéril, mais que consensuada há séculos no interior dos ambientes artísticos ou frente a qualquer outro produto consumível. Não são necessários estímulos externos excessivos para tal e nem mesmo cremos sermos capazes de realizar tamanha travessura. Nosso “improviso medíocre” logrou a gritaria desatada de figuras que se pretendem suficientemente sábias, aplicadas ou resolutas a ponto de se sentirem autorizadas a nos ensinar sobre os “encantos da vida”, sobre o “idealismo artístico”, sobre “a originalidade”, que falta à juventude precária que compomos. Uma “mentalidade oca e sensacionalista” nos rende R$ 500 com muita facilidade. Somos dotados de espírito de empreendimento juvenil do século XXI. Por que será que alguns ressentidos que vêm de uma geração envelhecida insistem em boicotar essa habilidade que herdamos dela mesma? A esses que molham nossas mãos e calibram suas bilheterias com mãode-obra fácil e barata, dedicamos mais do nosso péssimo gosto frente ao “papel fundamental da arte”. Agradecemos novamente àqueles que, por persistência, se viciam com a imbecilidade “cheia de merda” que nos assola. conjuntovazio@riseup.net


Artistas Frustrados N.9  

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