Page 1

Educação Para ESDJCCG

Todos

O que pensam e sentem os nossos alunos

Casa Pedagógica

Ano Letivo 2017/2018 Departamento Educação Especial


Escola para Todos O que pensam e sentem os nossos alunos…

(Ilustração do aluno Alexandre Almeida)


O nosso diretor… O Agrupamento de Escolas de Ílhavo tem desenvolvido ao longo da sua existência a criação de uma cultura de inclusão e o desenvolvimento de respostas educativas no âmbito da educação inclusiva. Como exemplo, este é um agrupamento de referência para a Intervenção Precoce e para a Educação Bilingue de Alunos Surdos em clara concordância com a Declaração de Salamanca (1994) que permitiu a afirmação da noção de “escola inclusiva”. Desta forma são visíveis diferentes comportamentos que permitem distinguir esta orientação inclusiva, constituindo os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias de acordo com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. A Educação para todos, como primeiro objetivo mundial da UNESCO, promove a consideração da diversidade, integrando cada aluno com as suas características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem garantindo os princípios da equidade e da qualidade. A ação educativa concertada de todos os intervenientes pretende promover a “Acessibilidade atitudinal”, operacionalizada na inexistência de preconceitos e discriminações por parte dos agentes educativos e a ”Acessibilidade metodológica” que se revela na ausência de barreiras associadas aos métodos e técnicas de ensino implementados em que se destaca a pedagogia centrada no aluno. Somos um Agrupamento de Escolas promotor de oportunidades e do convívio com a diferença, que encoraja nas suas diferentes atividades a prática da tolerância, solidariedade, cooperação e responsabilidade que dão forma à cultura de escola. Em suma: Ser a “Escola” de todos, alicerçada por todos e para todos (…)”.

Leonel Rodrigues


Com este livro… pretendemos dar voz aos alunos dos diferentes anos de escolaridade, apresentando as suas perspetivas, os seus testemunhos, as suas opiniões permitindo-nos, assim, conhecer as suas perceções relativamente aos colegas que beneficiam de medidas da educação especial, assim como, o seu percurso escolar. A publicação integral dos textos dos alunos tiveram o propósito de ser um Ebook dirigido essencialmente à população da comunidade escolar - os alunos do nosso agrupamento. Neste sentido, o propósito da recolha dos testemunhos dos alunos é também demonstrar que existem muitos alunos envolvidos nesta temática “Escola para Todos”. E que estão de certo a cuidar para que se faça sentir diariamente entre os seus pares que a escola é efetivamente uma escola para todos sendo assim possível por em prática a noção da verdadeira inclusão. Este olhar dever-nos-á levar para uma efetiva escola para todos e consequentemente a uma sociedade mais inclusiva.

Domingas Loureiro Julieta Lima Rosa Emília Rocha


(Ilustração do aluno Diogo Malheiro)

7º ano


Eu concordo com a forma como são tratados os alunos com necessidades educativas especiais. Concordo que os alunos com dificuldades possam usufruir de testes adequados às suas necessidades e até, em casos graves, de um programa próprio para eles. Concordo também que esses alunos possam ter disciplinas diferentes com professores especializados e aulas individuais. Relativamente ao projeto que o Ministério está a preparar, e que prevê que eles passem mais tempo com a turma, eu entendo que os alunos com dificuldades educativas especiais, embora se sintam bem integrados na turma, irão ter ainda mais dificuldades para aprender, ou seja, seria mais proveitoso para eles se tivessem aulas individuais e não com a turma. Em suma, concordo com a forma como os alunos com necessidades educativas especiais são tratados nas escolas portuguesas, mas acho que nos casos mais graves, esses alunos deverão continuar a ter aulas fora da turma.

Rui


Na minha opinião, as escolas portuguesas trabalham bem com os alunos com necessidades educativas especiais. Por um lado, eu concordo com a integração dos alunos NEE nas aulas normais, porque acho que necessitam de interagir com os outros alunos para não pensarem que são diferentes deles. Por outro lado, não concordo, pois acho que os alunos NEE, indo frequentar as aulas do ensino regular não aprenderão muito bem. Se eles frequentam aulas/disciplinas diferentes é porque precisam de mais ajuda do que os outros. Resumindo e concluindo, acho que eles não devem ser integrados sempre; devem ter algumas aulas com a turma toda. Salomé e Beatriz


O sistema educativo português tem em conta os alunos com necessidades educativas especiais encontrando medidas educativas e planos específicos para cada aluno. Eu concordo com a forma como são encarados os alunos que revelam necessidades educativas especiais. Em primeiro lugar, concordo, porque com um plano específico para cada aluno, o ensino especial consegue que os alunos com mais dificuldades aprendam o mesmo, mas ao seu ritmo. Também concordo, pois, a escola inclusiva permite que todos os alunos terminem

a

escolaridade,

apesar

das

suas

dificuldades,

adquirindo

conhecimentos suficientes para trabalhar e para ter uma boa vida. Resumindo e concluindo, acho que a escola inclusiva é muito importante e que todas as escolas deveriam ser escolas inclusivas.

Filipa


Eu concordo, por um lado, e discordo, por outro lado, com a forma como são encarados os alunos com necessidades educativas especiais. Por um lado, eu concordo, porque eles são alunos com deficiência em relação a nós e precisam de mais ajuda. Por outro lado, eu discordo, porque acho que esses alunos, às vezes, são muito beneficiados, ao contrário de nós. Em relação a eles estarem na sala de aula connosco, eu discordo, pois podem prejudicar-se a eles próprios e a nós também. Eles necessitam de ter aulas e professores do ensino especial que conheçam bem as suas dificuldades e consigam ajudá-los a superá-las. Na minha opinião, eles têm que ter programas e professores diferentes.

Beatriz


(Ilustração da aluna Filipa Samaritana)

8º ano


“O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.”

Augusto Cury

Necessidades Educativas Especiais – inserção? Todos os dias, durante os intervalos, me deparo com alunos da Educação Especial. São, de facto, alunos diferentes, com expetativas e experiências de vida muito distantes da minha. Mas eles estão aqui e não é por acaso! Lembram-nos que a diferença existe e pode e deve ser construtiva. Não é fácil a inserção destes alunos em turmas regulares. E, na minha opinião, não sei se será proveitoso. Pelo menos em todas as disciplinas. Devemos todos saber estar em conjunto, perceber as diferenças e adaptarmo-nos a essa realidade. É um facto! Mas poderemos fazê-lo passo a passo, sem pressas, com metas e estratégias bem definidas, começando com algumas disciplinas e avaliando o resultado dessa inserção. Por um lado, permite novas aprendizagens de parte a parte e, por outro, não compromete o regular funcionamento das disciplinas nucleares. Sou a favor de uma sociedade em que a igualdade seja uma realidade, mas sei que tudo tem o seu tempo, o seu ritmo próprios. Nada é automático. E muito menos quando seres humanos estão envolvidos. Por isso, façamos as coisas devagar e sempre avaliando o impacto que têm nuns e noutros.

Rita


(Ilustração do aluno Leonardo Ascensão)

9º ano


Somos alunos do nono ano e temos catorze anos. Para nós, uma Escola Inclusiva é aquela que ou tem condições ou as proporciona, de modo a assegurar o ensino a todos os alunos. No nosso caso (Agrupamento de Escolas de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos), há professores e técnicos especializados no ensino de discentes com deficiência auditiva. Além disso, temos outros tipos de alunos com necessidades educativas especiais que estão integrados nas turmas. Tomemos como exemplo um jovem disléxico que, embora com adaptações ao seu currículo, faz os seus estudos juntamente com os seus colegas. Consideramos que isso é benéfico, pois não se sente excluído e, com o apoio necessário, reunirá condições para ter sucesso. Assim, na nossa opinião, temos um Agrupamento onde existe inclusão, pois a Comunidade Educativa respeita as diferenças e promove o sucesso individual de cada aprendente.

Os alunos


A inclusão

A Escola Inclusiva

Somos alunos do nono ano, entre os catorze e os dezasseis anos. Para nós, uma Escola Inclusiva será aquela que aceita, acolhe e responde a todas as necessidades de todos os alunos. No nosso Agrupamento, há a salientar o ensino bilingue, ou seja, aquele que é dirigido aos

discentes

surdos. Deste

modo,

dispomos

de técnicos

especializados (intérpretes de língua gestual, terapeutas da fala e psicólogos, por exemplo) e professores de apoio e da educação especial. Além disso, temos outros jovens com necessidades educativas especiais que têm adaptações curriculares que lhes permitem obter sucesso nas diferentes disciplinas. Assim, o nosso Agrupamento pode ser considerado inclusivo, uma vez que, para além de proporcionar um ensino diferenciado, ensina a respeitar as diferenças e esse é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa.

Os alunos


A Inclusão Para mim, J., aluno do nono ano, com quinze anos, “inclusão” significa a integração de todos na sociedade, isto é, proporcionar um conjunto de meios e ações que combatam a exclusão, provocada pela diferença, quer seja pela cor, religião ou deficiência, por exemplo. No que diz respeito às escolas, a inclusão nem sempre acontece e tal deve-se a diferentes fatores: a falta de professores especializados, a carência de técnicos e as instalações inapropriadas, só para citar alguns. Relativamente ao Agrupamento de Escolas de Ílhavo, eu considero-o inclusivo, até porque integra a rede de Escolas de Referência para Educação Bilingue de Alunos Surdos. Além disso, procura integrar todos os alunos e as suas diferentes especificidades, oferecendo oportunidades iguais a todos. Em relação a mim, que sou disléxico, tenho de referir que, nos primeiros anos, a minha vida escolar não foi fácil. Os colegas da turma nem sempre entendiam as minhas dificuldades e, por vezes, faziam troça, o que acentuava a minha tristeza. Com o avançar do tempo, a sua postura foi mudando e, agora, não sinto que seja visto como “diferente”.

João


(Ilustração da aluna Cecília Santos)

10º ano


De acordo com os textos que foram lidos e com a discussão do tema em sala de aula, nós achamos que nem todas as escolas são inclusivas. Tal relaciona-se com vários fatores: número insuficiente de professores do Ensino Especial, falta de técnicos especializados para apoiar as diferentes necessidades educativas e o não cumprimento da lei, sobretudo do Decreto-lei nº3, de 2008. No que diz respeito ao nosso Agrupamento, as pessoas que o constituem esforçam-se para ultrapassar as dificuldades que surgem diariamente. Sempre que se deparam com um discente, por exemplo com dislexia, os professores programam reuniões, de forma a estabelecer regras para o seu sucesso: testes adaptados, normas de escrita em computador e antecipação de leitura de textos, entre outras. No nosso caso, uma vez que somos surdos, já sentimos momentos em que fomos discriminados. Contudo, nós fomos aprendendo a lidar com isso e a ignorar determinadas situações que antes nos magoavam. As nossas realidades são diferentes porque fomos integrados em turmas que eram ou só para surdos ou só para ouvintes. Um de nós, por estar inserido numa turma de ouvintes, sentiu necessidade de aprender Língua Gestual Portuguesa. Nos intervalos, encontrava-se com os alunos surdos e sentia-se acolhida e feliz. Mais tarde, ambos fomos inseridos na mesma turma e fizemos o mesmo percurso escolar até hoje, com adequações curriculares; intérprete nas aulas e noutras situações; terapia da fala; professor de LGP e professor de educação especial. Nós sentimo-nos muito bem nesta Comunidade Escolar, até porque é um Agrupamento de Escolas de Referência para a Educação Bilingue para Alunos Surdos (AEREBAS), o que nos permitiu escolher os cursos pretendidos e participar em todas as atividades e projetos propostos. Na Comunidade Educativa, tentamos dar o nosso contributo e eliminar barreiras. Deste modo, ao longo dos anos letivos, temos comemorado sempre as datas que são importantes para a Comunidade Surda e sensibilizar toda a Comunidade Educativa.


Lamentavelmente, pensamos que a nossa vida académica terminará com a conclusão do 12º ano. Gostaríamos de ir para a Universidade, mas aí não há inclusão, ou seja, não há professores de apoio nem intérpretes. A barreira é visível: a inclusão parece ser até ao final do secundário. Infelizmente…

Tatiana e Orlando


A inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais tem sindo uma das maiores preocupações das escolas. A nossa não é exceção. Durante a minha escolaridade lidei sempre com alunos de educação especial, nomeadamente uma das minhas melhores amigas, a Sara que tem uma epilepsia não controlada, sendo afetada por ausências várias vezes por dia. Eu passei imenso tempo com ela e com a sua família, conhecia a Sara como ninguém. Eu era uma das suas únicas amigas já que ela era excluída das brincadeiras dos outros e ainda era gozada pelos colegas, o que a fazia sentir-se bastante magoada, afinal ela não tinha culpa de ser assim. E não tinha. Nenhum destes alunos tem. Agora, a Sara já não vive em Portugal, mas eu continuo a ser amiga dela. Antes de os excluirmos, de fazer uma piadinha de mau gosto, devemos pensar que poderíamos ser nós no lugar deles ou, um dia, um filho nosso e, com toda a certeza, que não iríamos gostar que lhe fizessem o mesmo. Os alunos com necessidades educativas especiais devem ser incluídos, devemos fazer amizade com eles, ajudá-los e, a cima de tudo, tratá-los naturalmente e não com pena. Estes alunos devem ser tratados da mesma forma que os alunos ditos “normais” são e não serem postos de parte. Na minha opinião, a nossa escola faz um ótimo trabalho a incluir estes alunos, promovendo atividades para unir toda a comunidade escolar, principalmente com alunos com deficiência auditiva, já que esta é uma escola de referência para surdos. “Somos todos iguais na diferença”.

Alexandra


“Não me julgues por ser diferente, admira-me por não ser igual!” Ser diferente é ser especial. Não necessariamente ser inferior ou superior, mas sim fora daquilo que é o “habitual”. É ser a exceção que, por ser exatamente isso, é algo bonito. E na nossa escola temos muitos colegas, amigos, que por variados motivos são especiais e marcam pela diferença. São eles que cuidam da nossa horta e conseguem fazer magia transformando pequeninas sementes em deliciosos legumes. São eles também que, por serem tão dinâmicos, nos relembram que estamos neste ou naquele dia especial, como é o caso do dia da alimentação ou do dia dos afetos. De facto, penso que é muito importante promover a igualdade dentro da diferença e nesse aspeto a nossa escola tem feito um trabalho notável e digno de reconhecimento. Por isso, não posso deixar de dar os parabéns a todos aqueles que contribuem para a integração dos nossos colegas da Educação Especial e agradecer-lhes a eles, por serem um exemplo de que, apesar dos obstáculos que a vida nos pode colocar, é sempre possível participar ativamente na construção de um mundo melhor, e, acima de tudo, ser feliz, fazendo os outros felizes também! Obrigada!

Catarina


(Ilustração do aluno Rodrigo Monteiro)

11ºano


Inclusão escolar

Inclusão escolar é receber todas as pessoas, sem exceção, no sistema de ensino, independentemente da sua cor, etnia, classe social e condições físicas e psicológicas. Assim, esta expressão está ligada à inclusão educacional de pessoas com deficiência física e mental e todas as escolas deveriam oferecer atendimento especializado, designado por Educação Especial. Em suma, acho importante haver escolas que possibilitem a Educação Especial para que os alunos se integrem mais facilmente na escola e na sociedade. Esta integração passa também pelo apoio da família.

Ana


A inclusão A inclusão de alunos com necessidades educativas especiais no ensino regular é uma grande preocupação hoje em dia, por parte das escolas, bem como dos próprios alunos. Atualmente, a integração de alunos com necessidades educativas especiais não é um estigma social como costumava ser. As mentalidades evoluíram, assim como, os recursos e estas crianças não são mais vistas como uns “coitadinhos”, mas sim como elementos de uma sociedade que precisa deles e onde eles podem a vir a ter papéis fulcrais, talvez ainda mais importantes que os ditos “normais”. A escola tem uma grande importância pois dá-lhes as aptidões necessárias para evoluírem na vida académica e ficarem preparados para qualquer tarefa que venham a desempenhar no futuro. A escola educa não só estas pessoas especiais como também os seus colegas de maneira a que a integração seja algo natural e não sejam postos de parte. Compreender as suas necessidades e ajudalos é um dever, pois somos todos humanos e partilhamos este planeta.

Francisco


Todos somos diferentes, mas nenhuma forma de discriminação pode ser tolerada. Devemos valorizar e respeitar as diferenças que se encontram na sociedade, pois elas são normais. Apesar de qualquer diferença verificada somos, acima de tudo, seres humanos com os mesmos direitos e deveres. E é um dos nossos deveres garantir que todos os alunos se sintam acolhidos e cómodos no ambiente escolar. Desta forma, devemos todos cooperar para a inclusão escolar se concretizar.

Francisca


A educação especial é parte integrante da nossa escola e como tal, devemos respeitar e acolher. A inclusão destas turmas na nossa escola é muito importante para que todos se sintam bem. Somos todos iguais e todos temos os mesmos direitos e deveres, por isso, precisamos de criar ambientes de amor e fraternidade entre todos os alunos, para que os mesmos estejam incluídos nesta comunidade que é a nossa escola!

Sara


(Ilustração da aluna Adriana Pinto)

12ºano


A integração dos alunos com necessidades educativas especiais é de facto importante não só para essas pessoas em questão, como também, para a sociedade em geral. Sejam pessoas com deficiência auditiva, mental, visual, entre outras, todos merecem a oportunidade de serem integrados numa sociedade que concorde com este tipo de integração, que a respeite e interaja normalmente e com naturalidade com estas pessoas. Falando por experiência própria, tenho um primo fantástico com trissomia 21 e cinco pessoas maravilhosas e especiais na minha turma. Dou-me plenamente com todos eles e sempre que posso tento ajudar. Já ouvi desabafos de quando eles se sentem excluídos e acho que isso é algo totalmente errado de se fazer porque, como já me disseram uma vez, estas pessoas não deviam ser chamadas de deficientes. Em suma, todas as pessoas merecem ser tratadas como iguais sendo elas como forem pois, no fundo, todos somos seres humanos e estas pessoas com necessidades especiais merecem ser tratadas como igual e integradas na mesma sociedade em que nós vivemos.

Ana


Na minha opinião, os alunos do ensino especial estão bem integrados na turma, uma vez que se sentem à vontade para falarem connosco e partilharem as suas emoções e dificuldades. Ao longo dos três anos passados juntos, criámos uma ligação com eles e, desta forma, começámos a ser bons amigos.

Rita


Admiro e aprecio o facto de a escola mostrar especial atenção pelo ensino dos alunos que apresentam certas dificuldades. Penso que se nunca tivessem tido este tipo de cuidados, o ensino seria um processo “destrutivo”, na medida em que, por não terem ajuda e por não conseguirem acompanhar as aulas com a mesma facilidade, as suas autoestimas iriam baixar cada vez mais. Por outro lado, segundo o ponto de vista social, sinto que ao estarem sempre à parte e ao terem aulas à parte (excetuando educação física), podem sentir-se desintegrados e vistos como “diferentes”, o que terá o mesmo efeito na autoestima e confiança das pessoas em causa. Pessoalmente, fico feliz quando é possível fazer atividades com os alunos do ensino especial, gosto de os poder ajudar, de poder conviver com eles e de ver que isso os alegra. Assim, acho que é bom receberem especial atenção, mas se existissem mais atividades para realizar todos juntos seria melhor.

Ana


Nesta escola não tive grande experiência em alunos do ensino especial, conheço a Beatriz, sei que preciso de ter alguma paciência quando falo com ela ou quando ela vem falar comigo mas sei, também, que já foi muitas vezes gozada, desde cedo. Neste momento não sei qual é a sua situação de integração. Não acredito que todos os alunos saibam lidar com um aluno diferente, neste caso com certas dificuldades que podem influenciar muito ou não o seu desempenho escolar, é uma sensação estranha até a conseguirmos compreender.

Joana,


O meu relato sobre a integração de alunos do ensino especial é bem sucinta. No meu ponto de vista acho que existe preconceito com os alunos de educação especial, vemo-los como pessoas inferiores por vezes sem os conhecermos. Podem não ter a dita inteligência normal, sendo ela a lógico-matemática, mas podem ser estupendos nas outras inteligências. Acho que o preconceito está associado à nossa cultura pois achamos que quem não tenha inteligência escolar será um incapaz e um inútil, o que me irrita em toda esta reflexão é pensar que faço parte das pessoas julgadoras e fico zangado porque, no meu ver, estamos a subestimar e a desrespeitar seres humanos como todos os outros. Temos de parar de pensar que o normal está certo e começar a questionar as nossas verdades. Questionar, neste caso, quem somos nós, os ditos normais, ou até em algumas cabeças superiores, equiparados a estes alunos, visto que os “superiores” é que estão em dívida com estas pessoas. Nós é que temos de integrá-los, ajudá-los e compreendê-los, pagando assim a nossa dívida para com estes seres que tão perto de nós estão e que nós pouco sabemos deles. Lamento a traição das palavras.

Francisco


Olá, eu chamo-me Soraia e sempre tive alunos de ensino especial nas turmas onde estive. Penso que eles sempre foram bem integrados, sempre foram bem tratados, sempre desabafaram os seus problemas com alguns elementos da turma, incluindo comigo. Eu criei uma grande ligação com alguns deles, em especial, o Rafael. Acho, muito sinceramente, que eles são nossos amigos como nós somos deles e não os diferenciamos de nós, ou seja, por exemplo, nas aulas de educação física muitas vezes ao formarmos pares, escolhemos um deles. Nós, ou pelo menos eu penso que eles são pessoas como nós, que podiam ser perfeitamente integrados por completo na nossa turma, ter as mesmas disciplinas que nós em vez de ter só educação física, porque eles têm tantas capacidades de aprendizagem como o resto da turma, ou pelo menos grande parte deles. Concluindo, os alunos do ensino especial sentem-se bem na turma onde estão inseridos, e sentem-se acolhidos pela mesma, o que não aconteceria noutra turma. Afirmo isto, pela maneira de eles reagirem e da forma como eles pensam em relação aos alunos do ensino especial, penso que, eles iriam ser gozados e não se iam sentir bem.

Soraia


Sinceramente não sei o que dizer. Ao longo do ensino secundário não tive ninguém na minha turma do ensino especial, por isso a minha opinião vai ter como base aquilo que posso observar nos intervalos. No início do meu 10º ano, observei situações menos boas como um grupo de alunos a gozarem com uma aluna do ensino especial contudo, julgo que a situação foi exposta pois, nunca mais vi tais situações acontecer. A nível social, acho que eles têm o seu grupo, como toda a gente desta escola tem. São bem educados com toda a gente e simpáticos. Apesar de ainda haver pessoas que gozem com eles nas costas mas, quando eles estão presentes tratam-nos com respeito.

Beatriz


Uma escola com alunos com necessidades educativas especiais deve e tem de enquadrá-los em métodos de ensino especializados para que estes se consigam adaptar e progredir com os mesmos direitos dos alunos no ensino regular. No entanto, há escolas que não respeitam total ou parcialmente esse aspeto. Na nossa escola, pelo que eu observo, estes alunos têm um tipo de educação adequada. Na minha opinião, deviam ser mais incluídos em atividades dinamizadas com os outros alunos para uma integração mais eficaz. Tenho aulas de Educação Física com estes colegas e integro-os ao máximo nas atividades praticadas. Incentivo-os, elogio-os e ajudo-os no que posso. Toda a turma os integra de algum modo, o que é extremamente importante não só para eles, como para nós e para o bom funcionamento da escola. É preciso uma mudança urgente e rápida para as escolas que ainda não implementaram o sistema na sua totalidade.

Francisca


A forma do sistema escolar em integrar alunos especiais em escolas onde existe pessoas “normais” é uma ideia ótima, pois penso que eles/elas se sentem melhor em poder conviver como pessoas “comuns/normais” e que eles realmente possam entender como será a vida deles de todas as formas com qualquer tipo de pessoa. Acho que essa forma de integrar alunos especiais poderia ser em todos os países, pois dá-lhes uma visão do mundo em geral, e que, na maioria das vezes eles sofrem porque não viviam com a sociedade em si. Para mim, está sendo ótimo a experiência de conviver com pessoas assim, de ver suas dificuldades e podendo observar, em alguns casos, a sua superação. Então, eu acho que não há problema que as pessoas com necessidades educativas especiais estejam nas escolas que tem estruturas para as receber e poder-lhes dar a oportunidade de conviver com outras pessoas.

Jefferson


A integração dos alunos do ensino especial é bastante boa. No ano passado, eu era da turma B e, apesar de agora estar na a turma A, eu nunca senti muita diferença. As aulas de Educação Física eram com o professor João Matias e a presença destes alunos tornavam estas aulas bastante divertidas. Na minha opinião, devem continuar a misturar estes alunos com as outras turmas.

Tânia


A escola secundária de Ílhavo está devidamente preparada para ter todo o tipo de alunos e o seu respetivo ensino. Os alunos que frequentam o ensino especial podem estar sujeitos a sofrer discriminação por parte dos outros alunos, algo que não acontece na nossa escola. Pondo de parte todos os outros fatores desta escola, os alunos que aqui pertencem são respeitados e integrados pelos outros. Visto que faço parte de uma turma em que estão inseridos alguns alunos que pertencem ao ensino especial, posso afirmar que estes alunos são todos os dias bem recebidos e integrados neste grupo, apesar de só frequentarem uma disciplina em comum com o resto da turma.

Bárbara


A integração de pessoas do ensino especial nas aulas “normais” é gratificante para estes alunos. Na atualidade, com as novas tecnologias e o que elas podem oferecer, seria um desperdício não as utilizarmos para ajudar estas crianças. Para além de ser um benefício para a aprendizagem podem prometer a um indivíduo com deficiência um futuro promissor. A verdade é que as pessoas com deficiências são logo descartadas com um simples olhar, isto é, nem lhes damos oportunidades para mostrarem aquilo que são capazes. São excluídos como se não fossem como “nós”. Somos egoístas nesse aspeto. Temos presentes na comunidade escolar alunos surdos e sempre nos sentimos constrangidos em falar com eles, porque eles não nos ouvem às vezes nem falam o que torna a situação difícil para nós. Nem damos conta que esta atitude leva a um sentimento de exclusão da parte deles. Incrível! Já repararam que eles conseguem ler os nossos lábios? Afinal isso é só uma característica típica dos espiões e agentes secretos. Uma das realidades é que ver as pessoas com algum tipo de deficiência assusta-nos. Sentimentos pena e achamo-nos superiores. Mas, as deficiências nem sempre são visíveis e nós passamos por alunos na escola e nem reparamos que há algo diferente (lá está o egoísmo) neles. A integração destes alunos na sociedade, na comunidade escolar, na vida tem vindo a ajudar a vida destes jovens, num crescimento contínuo e de superação diária. Vale mesmo a pena, não vale?

Leal


Neste momento, os alunos do ensino especial parecem gostar muito do resto da turma. Há meninas que ao passarmos na rua por elas, vêm todas contentes cumprimentar como se fossem as nossas melhores amigas. Acho muito bem que tenhamos a aula de educação física em conjunto com elas porque é o nosso único vínculo de relacionamento com estes alunos. É uma sensação muito boa ver os que têm mais dificuldades a serem ajudados, por exemplo a jogar basquete ou vê-los a serem incentivados a correr. No entanto, podíamos ter mais atividades em conjunto para os podermos conhecer melhor. Se houvesse, por exemplo, uma hora semanal para estarmos com eles, seria o ideal pois faríamos atividades em conjunto e sentir-se-iam integrados. Na minha opinião, o facto de existirem atividades que eles fazem à parte, como a natação, é uma coisa que os exclui muito. Anastasiya


A nossa coordenadora… Ao longo deste livro, fomos conhecendo as perceções dos alunos sobre o tema “Educação para Todos”. Assim, ao olharmos para a nossa escola, apercebemonos que esta está adaptada a todos os alunos, pois nela, eles podem desenvolver competências académicas, sociais e pessoais, as quais contribuirão para transformar os nossos alunos em adultos felizes e inseridos na sociedade. Para que isto seja uma realidade, devemos dar continuidade a uma escola própria, inovadora, aberta à mudança e baseada no respeito à diferença. É com o esforço, dedicação de toda a comunidade escolar que vamos construindo o nosso caminho, e como diz o poeta, “o caminho faz-se caminhando”.

Maria João Vilarinho


A Inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades (Paulo Freire)

Educação para todos  
Educação para todos  
Advertisement