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Babaji, um mestre no Ponto de Luz - O sagrado feminino A linguagem da natureza - Sustentabilidade e Bioarquitetura - O Tarot Alimentação- Massagem: A arte do toque - Jesus, o terapeuta Astrologia - E muito mais!


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Estação Ponto de Luz Uma publicação de Hotel Ponto de Luz Editora Ma Dhyan Bhavya Coordenação Editorial Ma Deva Suvalia Coordenação e Produção Moksha Curri moksha19@yahoo.com Revisão Hed Ferry

Design e diagramação P21 Design info@p21design.com.br

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Quem não parou alguma vez para observar a natureza? Ela atrai nossa atenção, seja por inclinação ou por surpresa. Mas você já parou para observar a sua propria natureza? Experimente: Na próxima vez que se der conta que está observando algo, perceba que tem o observado e quem observa. Com a prática da meditação, o observador se descobre sendo um ponto de mutação na experiência de viver. Ja descobriu? O observador aponta para quem voce é de verdade; e não para a construção que se fez ao longo do tempo parecendo ser alguém chamado “eu”. Sentado, observando a natureza, quem observa? Se toda vez que a atenção parar em algo e voce não participar da associação comparativa ( que acontece no momento da percepção), a atenção se solta e fica disponível. Se assim acontecer, a essência de quem voce é se revela: a natureza original. Jayana.

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índice

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Intro.

Babaji, um Mestre no Ponto de Luz.

A Linguagem da Natureza

Música / Christianne Neves

O Equilibrio

Hammam

Masagem

Horoscopo.

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“E chegou o terceiro número...”

Receber

Sustentabilidade e Bioarquitetura

Alimentação

Da Medicação à Meditação

O Sagrado Feminino

Jesus, O Terapeuta

Nossos Parceiros


E CHEGOU O TERCEIRO NÚMERO DA ESTAÇÃO PONTO DE LUZ: OUTONO Quando me pus a pensar sobre esta estação, me veio uma lembrança: é a fase na qual estou vivendo. Estação do amadurecimento, da maturidade, da semente. Segundo o I Ching : “Aqui na semente, no mais profundo recolhimento e silêncio, o fim de todas as coisas une-se a um novo começo.” Ao ler as matérias que compõem a atual revista, me emocionei com a qualidade e sincronicidade de todos esses textos. A revista amadureceu. São palavras e imagens com tanta profundidade e beleza, que a mim trouxeram sensações de deleite, amor e “verdade”. Espero que vocês também sejam tocados por todas estas dádivas que estão sendo presenteadas por nossos queridos colaboradores.

(*) Ma Dhyan Bhavya Criadora, diretora e proprietária do Hotel Ponto de Luz.

Agradeço com carinho e respeito Bhavya

faleconosco@estaçaopontodeluz.com.br

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BABAJI

Um mestre no Ponto de Luz Por: Deborah de Paula Souza (*)

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Conheça a história do templo do Hotel: ele foi construído para receber Babaji, um guru indiano muito querido que consagrou o local como um centro de meditação e cura. Setembro de 1999. Um mestre indiano com mais de 90 anos, vestido com uma túnica cor de laranja, cruzou o oceano, foi barrado na Alemanha (não queriam que ele entrasse no avião descalço e vestido daquela maneira), conseguiu embarcar, pousou em São Paulo e chegou ao Ponto de Luz. Durante dez dias, atendeu inúmeras pessoas numa casinha construída às pressas dentro do hotel para recebê-lo – e onde hoje fica o templo. Usava um espelho onde via passado presente e futuro, mas dizia acerca do futuro que estava aberto e mudava sem parar. Qualquer decisão do presente poderia alterá-lo. Babaji (o nome, comum na Índia, refere-se a pai ou senhor) conduzia uma meditação coletiva às 5h30 da manhã. A seguir, com ajuda de dois intérpretes (ele falava hindi) orientava a todos os que buscavam cura e alívio para dores variadas: problemas de saúde, de amor, família e trabalho. Mas, como um mestre hindu iluminado chegou à Joanópolis? Quem o trouxe foi Jayana, um amigo de muitos anos, mestre, conselheiro, mentor e que hoje possibilita a expansão do hotel, com algo totalmente particular: uma visão ampliada empresarial com amorosidade, verdade e silêncio. Em busca de autotransformação, Jayana morava há tempos na Índia e meditava no centro de Osho (mestre indiano libertário, criador das meditações ativas). “Osho já havia morrido quando eu fui conhecer esse velho mestre iluminado que também vivia em Puna.” Difícil definir Babaji. O que ele era – ou se tornava – dependia de quem o olhava. Ele mesmo dizia isso. “Eu já morri. Sou um vazio. A existência trabalha através de mim.” Como a maioria dos iluminados, esse homem santo tem uma história fabulosa: Devipuri Maharaj

Dundee Baba era um saddhu – alguém que renunciou a tudo para meditar nos Himalaias, onde sobreviveu a uma avalanche de neve. Salvou-se de forma misteriosa – acordou numa espécie de gruta e aí os relatos divergem. Conseguiu se aquecer e reanimar graças ao contato com uma vaca (sagrada em seu país) ou por ter espalhado pelo corpo o estrume do animal, que teria capacidade de manter sua temperatura. A partir desse episódio, afloraram seus dons de cura. “Para mim”, diz Jayana, “Babaji era uma oportunidade de silêncio. Sua atitude de amor total trazia o melhor das pessoas à tona e também revelava a cobiça delas.” Ele era procurado para realizar desejos e também atender necessidades urgentes, socorrendo pessoas e bichos. Jayana, argentino radicado no Brasil, acompanhou vários visitantes brasileiros e sul-americanos para se consultar com o mestre shivaíta (linhagem mais antiga do hinduísmo). Assim, descobriu que Babaji não era limitado nem por sua cultura nem por seu repertório religioso. Um exemplo: uma amiga de Jayana que nunca arrumava namorado foi pedir conselhos amorosos e Babaji lhe disse que, primeiro, ela devia chorar para aliviar a sua dor; e depois sugeriu que se relacionasse com vários homens, sem compromisso, bastava atrair e deixá-los ir. Para um senhor santo, esse era um conselho bem inusitado. Jayana tinha passado os últimos anos de sua vida dedicado à meditação quando Babaji lhe disse que era hora de casar outra vez, ganhar dinheiro, ir para os Estados Unidos. Jayana seguiu as indicações do mestre, assumindo os benefícios e os conflitos de tais decisões. O que acontecia já não importava tanto, ele não esperava por milagres. “Babaji era o próprio milagre.” O contato com o mestre arrebatava, havia outra lógica ali. “Não era preciso fazer algo para ser feliz.

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Você descobre a felicidade porque sim, natural, sem propósito E não tendo mais que procurá-la passa a viver porque sim, apenas por ser quem você é .” Rumo ao Brasil – Quando Babaji disse a Jayana que queria conhecer seu país, ele já tinha mais de 90 anos, não possuía documentos nem passaporte. Jayana disse que não, pois temia pela saúde dele. Ao chegar em casa, sua mulher - naquela época, Aziza (veja depoimento dela no final desta reportagem) lhe disse: “Jayana, o mestre é ele. Ajude-o a fazer a viagem.“ Jayana providenciou documentos e passagens e procurou sua amiga Bhavya, dona do Ponto de Luz. Babaji pedia um lugar o mais parecido com o dele e foi o ponto de luz o primeiro que veio na cabeça do Jayana. “Durante os dez dias que Babaji esteve aqui, sentíamos como se estivéssemos fora do tempo, num estado de flutuação”, lembra Bhavya. Gente do Sul, do Nordeste, do Chile e da Argentina chegava ao hotel para consultá-lo. O local de atendimento (hoje, o templo) foi construído às pressas, ao lado de um pequeno galpão de ferramentas. Para Bhavya, o contato inicial foi difícil. “Eu tinha uma cirurgia marcada... e ele disse que eu não devia fazê-la.” Ela não gostou, mas aceitou. (Por causa disso, a operação só aconteceria alguns anos depois, quando Babaji já havia morrido. Mas seu tradutor teve um sonho, em que o mestre liberava a cirurgia, e mandou o recado para Bhavya). Ela lembrou então de suas máximas – que o futuro não é fixo, se transforma. A operação foi mesmo arriscada, mas no fim deu tudo certo. Para ajudar, Bhavya evocou duas palavras que o mestre lhe havia dado, como mantras: “confiança e desapego“. Um dia de festa no Ponto de Luz foi quando pediram ao mestre uma ajuda metereológica. O Inverno tinha sido muito seco, a saúde das plantas e das pessoas se ressentia. Babaji disse “vou pedir que chova”. E choveu. “As pessoas dançavam na chuva, era uma alegria.” Enquanto isso, o santo homem surpreendia pela informalidade. Uma vez, todos estavam a postos para o ritual da madrugada, quando Babaji chamou o tradutor, que mandou alguém ir buscar um pacotinho no chalé do mestre. Em silêncio, todos aguardavam para ver o que ia acontecer. Babaji abriu o pacotinho, tirou de lá sua dentadura, riu e iniciou a meditação. Antes de ir embora, o mestre pediu a Bhavya que ela fosse visitá-lo na Índia. Ela foi, planejando tornar-se sua devota, mas ele ponderou que não era necessário. Lembrou que ela já tinha um mestre no coração, e pediu que fosse ao ashram de Osho, de onde ela entrou com seu nome de batismo, Libertad, e saiu como Ma Dhyan Bhavya – “senhora de si, que deve atingir a potencialidade pelo caminho da meditação”. O hotel já tinha essa vocação contemplativa, mas no dia da despedida de Babaji era o aniversário da Bhavya e o mestre lhe disse: “Deixo para você um templo. Eu estarei sempre aqui. E lembrou: “quem pedir com Fé

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e de coração aberto receberá a graça sempre que for para bem“ Sob sua orientação, foram importados dois símbolos de conexão espiritual: uma cúpula de cobre e a imagem de dez caras de Vishnu, o deus da conservação.

“O mestre é aquele que ajuda a abrir o coração para a confiança e o amor” Aziza Noguchi * * conta seu encontro com Babaji na Índia, mestre hindu que fundou o templo do Hotel Ponto de Luz “Fui a Puna, no ashram de Osho, em 1991 com o Jayana em uma busca espiritual. Recebi um nome novo, decidi sair dos meus empregos como dentista e viver por tempo indeterminado na Índia. Conheci o Babaji -- que era muito conhecido lá, mas não dos ocidentais -- por meio de um amigo indiano do Jayana que nos levou até o seu ashram em 1993 e fazia o papel de tradutor para nossas perguntas. Minha dúvida na ocasião era referente à minha estadia na Índia. Já estava há dois anos longe do Brasil e não sabia se devia ficar lá ou voltar. Ele me respondeu que era melhor permanecer lá por mais dois, pois se voltasse naquele momento iria me sentir infeliz e isolada. E de fato, nos próximos dois anos na Índia, muitos fatos importantes aconteceram, sendo o principal o meu casamento com o Jayana em 1995, seguindo as orientações do mestre sobre a cerimônia indiana, a data e o local. Também foi possível aprofundar-me na minha nova carreira como terapeuta craniossacral, pois trabalhava no ashram dando atendimentos e cursos. A partir daí, Babaji tornou-se meu guru. Ele apenas respondia o que eu perguntava, jamais dava opiniões que não eram pedidas. Após o casamento, como surgiram dificuldades no convívio com Jayana , ele sugeriu o que considerei a tarefa mais difícil de ser cumprida: disse-me que eu devia servir ao meu marido. Fiquei intrigada com esta resposta que contrariava todas as minhas crenças sobre a independência feminina e sempre tentava escapar desse papel que consi derava inferior e que me parecia ser o de dona de casa dependente e servil às vontades do parceiro.


Durante os sete anos de casamento, tentei cumprir o melhor possível este papel, considerando que era uma faceta do feminino que eu sempre negara. Não foi fácil, porém também tive a sorte de experimentar o lado confortável desta posição. Sentia-me segura, protegida, cuidada e carregada, sem ter que liderar, decidir, trabalhar ou ter a responsabilidade do sustento. Foi uma fase de grande relaxamento interno, apesar dos conflitos e de minhas tendências à rebeldia.

Em outra ocasião, quando pensava em abandonar as sessões de terapia craniossacral, Babaji disse que eu deveria sempre praticá-la, pois seria por meio dela que veria a face de Deus. Mais uma vez, ele estava certo, pois após o fim do casamento (que ele também anunciou), foi este trabalho que me deu forças para sair da dependência para a liberdade e para o encontro com o divino por meio dos atendimentos terapêuticos.

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O convívio Tive a bênção de poder conviver com Babaji desde quando despertava às 4 horas da manhã para o banho e os pujas (cantos e oferendas hinduistas) e permanecer ao seu lado enquanto atendia aos que o procuravam. Apesar de ser um sadhu shivaita tradicional, ele não seguia nenhuma tradição ao responder às perguntas das pessoas. Sempre respondia algo totalmente inesperado, oferecendo uma nova perspectiva, que no final sempre resultava no que a pessoa buscava. Às vezes, seguir suas orientações gerava conflito, pois exigia um crescimento e um abandono de velhas crenças e padrões emocionais enraizados. E nisto ele se mostrava o verdadeiro mestre, aquele que apontava um caminho e inspirava confiança para que pudéssemos seguir em frente, apesar dos medos. Babaji era como uma criança tratava a todos com o mesmo amor e atenção; tanto os inúmeros animais que vinham buscar alimento no seu ashram, quanto as pessoas que procuravam ajuda. Ele ria muito e também podia ser muito firme, como um pai colocando limites. Estar na sua presença sem entender híndi me colocava mais profundamente em silêncio e simplesmente ficava atenta a alguma necessidade dele. A visita Quando Babaji chegou ao Brasil, a caminho do Hotel Ponto de Luz, ele começou a rir dizendo que aquele era um local semelhante ao seu ashram. Na primeira manhã, já estávamos todos no templo, quietos, aguardando sua chegada. Ele sentou-se e falou: "O silêncio é o caminho para a Iluminação." Em outra manhã, disse que havia chamado os deuses e eles estavam todos ali no templo – e indicou onde, fazendo um gesto com as mãos no ar e nos perguntou inocentemente se não estávamos vendo. Disse ainda que esse lugar seria como uma extensão do seu ashram na Índia e que todos os que o visitassem e pedissem com o coração, teriam seus desejos realizados. Percebi que todos que vieram vê-lo receberam as curas e esclarecimentos que necessitavam, e a bênção para enfrentar os desafios que surgiriam até alcançar o que buscavam. Ele olhava a todos com o mesmo amor, independentemente de credo, raça ou posição social e seus conselhos não estavam ligados a nenhum dogma ou religião. Estive com outros mestres indianos e ocidentais, mas Babaji foi com quem tive mais convívio e intimidade. Pude acompanhá-lo várias vezes ao hospital quando estava doente, pois era diabético; e tentava preparar suas comidas indianas. Era um prazer estar ao seu lado em qualquer situação, eu saía vitalizada e em êxtase, sentia sua presença iluminada e forte em todo o meu ser. Estive com ele quando já estava perdendo suas forças e pude aprender que quando o físico sofre e adoece, o espírito pode continuar forte e eterno. Em uma ocasião em que ele passava mal e não podia

atender mais, chegou ao ashram um ônibus cheio de crianças deficientes, eram pessoas que não sabiam de seu estado. Então, ele atendeu a todos, abençoando e entregando uma maçã a cada criança, interrompendo a fila às vezes para ir ao banheiro vomitar, pois sofria os efeitos dos remédios. Ele se recusava a receber os tratamentos, dizia que queria morrer em paz, mas ouviu nossos pedidos para que aceitasse os cuidados que prolongaram sua vida – mas éramos nós que estávamos apegados a sua presença física. Quando ele deixou o corpo, Jayana chegou ao hospital momentos antes de seu alento final e quando liguei para o Ponto de Luz para avisar do ocorrido, as camareiras que foram limpar o templo pela manhã, no mesmo momento em que Babaji expirava, disseram que viram uma nuvem rodando por todo o templo e o no hotel até se evaporar. E durante todo o dia no Ponto de Luz teve uma intensa ventania. Para mim, um mestre é aquele que ajuda a abrir seu coração para a entrega, a confiança e o amor. É um apaixonamento, um caso de amor onde no final, o amado e aquele que ama são um só.”

(**) Aziza Noguchi, dentista, terapeuta e professora de Terapia Integração Craniossacral®, fundadora e coordenadora do IQD- Instituto da Quietude Dinâmica.

(*) Déborah de Paula Souza é jornalista e psicanalista, de São Paulo, cliente e amiga do Ponto de Luz desde os anos 1990

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Receber Temos um jeito diferente de atender o nosso cliente externo e também o cliente interno e dizemos sempre: “venha, nós cuidamos de você!”. E, desta forma, fica sempre o convite para silenciar, relaxar e meditar. Nestes anos de cuidados e aprendizados constantes, aprendemos que usando o melhor de cada um podemos nos transbordar sem vergonha nenhuma de compaixão, paciência e amor. Neste cuidado contínuo, vemos os rostos e olhares nervosos, irritados que aqui chegam relaxarem pouco a pouco e se descongestionarem para deixar o belo entrar e compartilhar o melhor de si.

“Esperava encontrar um atendimento mais mecânico e encontrei pessoas que se envolvem, que transmitem carinho e atenção. Esse foi o ponto essencial para que eu pudesse vivenciar essa experiência tão importante.” Adriana Esperamos, sem esperar, que as cascas da cebola caiam por terra, que o silêncio venha de mansinho sem assustar e que o reconhecimento da unidade chegue. O resultado são palavras de gratidão que saem emocionadas de cada um que passa por aqui. São palavras que trazem a lembrança do materno e do colo, do terno e da amizade, do solidário e do acolhedor, do simples e do belo. É com este intuito de expandir o nosso melhor, que temos o prazer de lançar nosso Voucher-Presente. Com esta ação, você que é o nosso cliente poderá brindar quem é importante em sua vida, seja ela pessoal ou profissional. Os vouchers têm descontos progressivos e os preços são convidativos. Informe-se com nossa equipe de reservas. Teremos muito prazer de fazer nosso Voucher-Presente chegar até você. Caso seja uma empresa que queira brindar seus funcionários, clientes e fornecedores, entre em contato conosco. Temos um plano para empresas. Lembre-se: o recurso humano é uma preciosidade e uma pessoa centrada e desfrutando de bem-estar é mais proativa, criativa e feliz. Um abraço a todos, Jô Jorene Ferro Gerente de negócios

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A Linguagem da Natureza Por: Glauco Machado Bueno (*)

Olá amigos. É um prazer escrever este texto sobre o Outono, minha estação do ano predileta. Procurando por onde começar, revirei minha memória e descobri que faço parte de uma geração de pessoas que estudou com livros que descreviam a natureza, sob o ponto de vista do Hemisfério Norte. Então, aprendi que o Outono é a estação do ano na qual caem as fo-lhas, certo? Não, necessariamente! Precisamos fazer a versão desta estação para o nosso País, que está localizado no Hemisfério Sul, possui dimensões continentais e variados climas. A perda das folhas é uma estratégia usada pelos vegetais para pouparem energia, preparandose para um inverno rigoroso e com poucas horas diárias de insolação. Isto também acontece em alguns lugares do Brasil, mas a situação não é tão dramática como no Hemisfério Norte.

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Outono Na região da Serra da Mantiqueira, onde o Ponto de Luz se localiza, o Outono possui características interessantes. Um clima ameno e agradável, bem propício para caminhadas, com a paisagem colorida pelas floradas do cravinho, do cipó-prata, do manacá e muitas flores do campo. Também é o momento de alguns visitantes nos deixarem, como as aves migratórias tesoura e tziu, que acasalaram e criaram aqui seus filhotes e agora seguem rumo à Amazônia. Pode-se também observar um aumento no número de lagartas, uma fase larval da vida de algumas espécies de insetos, que alimentamse avidamente de folhas para obterem uma reserva de alimento para sua próxima fase, que é recolher-se em um casulo ou em uma teia de seda. Estas teias e casulos são frequentemente observados em árvores e folhagens, e não devem ser tocados para se evitar as conhecidas queimaduras por taturanas. Outra característica desta estação do ano é a cor do céu durante o dia. Temos um caso com a cor azul aqui em Joanópolis: um dos slogans da cidade é “onde as montanhas são azuis”. Isto é algo que pode ser observado. Se você estiver em um local alto e com bastante horizonte, as montanhas apresentam um aspecto azulado. Esse fenômeno foi observado e relatado pelos naturalistas bávaros Martius e Spix que, no século 19, percorreram o Brasil fazendo observações de nossa fauna, flora e geografia. Semelhante fenômeno foi observado pelos mesmos na região da Toscana, na Itália. O céu noturno também é de excepcional beleza, com bastante transparência e pouca nebulosidade. Aproveitando também o fato

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de estarmos longe da poluição atmosférica e iluminação urbana, com auxílio de um simples binóculo, a constelação do Cruzeiro do Sul tem especial destaque. Podemos diferenciá-lo de outros cruzeiros pela presença da “intrometida”, a quinta estrela da constelação. Ela recebe a denominação de épsilon Crucis e está na metade inferior da cruz, à direita do braço vertical. Agora, vamos tratar de nossos passeios pela região, e é interessante saber onde estamos. A Serra da Mantiqueira formou-se em um evento recente da história de nosso Planeta. Há aproximadamente setenta milhões de anos, no período terciário da era cenozóica, movimentos da crosta terrestre deram origem a esta formação montanhosa que vai da bacia do Paraná até o Pico da Bandeira no Espírito Santo, em paralelo à Serra do Mar. O palavra Mantiqueira vem do tupi-guarani “amantiquira”, que significa: onde chove todo dia. É uma região com uma grande riqueza de fauna e flora. Em Joanópolis, há um remanescente de 30% de mata nativa, classificada como Floresta Ombrófila Densa. Não se assuste com este nome. Ele apenas indica que neste ecossistema há uma grande variedade de espécies (densa) e árvores com grandes copas que sombreiam o solo (ombrófila). Nas matas, nas estradas de terra e mesmo próxima a residências, é possível a observação de uma grande variedade de insetos, répteis, mamíferos e aves. Como morador local, já tive a oportunidade de observar animais como bugio, lontra, ouriço, cervo, esquilo e aproximadamente cem espécies de aves. Há também belas floradas de árvores, arbustos e pequenas flores do campo.

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E que tal um pouco de história? É interessante saber que pelas estradas de terra por onde caminhamos, bandeirantes como Manuel Preto e soldados da Revolução de 32 também passaram. As mesmas estradas que, durante a noite, servem de caminho para criaturas sobrenaturais, das quais o povo local prefere não falar! 18

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Há também a desconhecida pré-história local. Quem seriam os habitantes que deixaram os artefatos conhecidos como pedra-de-raio, frequentemente encontrados pelos lavradores? A pedra-de-raio é o que os arqueólogos chamam de machado lítico dos índios, mas não sabemos nada sobre seus antigos possuidores e possivelmente não saberemos. Isso pode levar a uma interessante reflexão: ao passar por um local, você também estará fazendo história. Qual é a história que você ajudará a escrever quando vier nos visitar no Outono? Quem sabe podemos escrevê-la juntos... Até lá. Um abraço!

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Fotografias 1. Caminho

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2. Céu de outono 3. Crotalária 4. Frango d`água 5. Abelha na flor de dália 6. Aranha na flor

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7. Bauhinia 8. Borboleta castanho-vermelha 9. Bromélia 10. Cogumelo

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11. Arrebita-rabo 12. Bicho-pau 13. Mariposa 14. Gafanhoto preto 15. Outono

(*) Glauco Machado Bueno, 47, é biólogo e especialista em plantas medicinais. Trabalha desde 1996 no Hotel Ponto de Luz como condutor de caminhadas e oficinas de jardinagem e plantas medicinais. É observador da natureza desde a infância.

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Sustentabilidade “Algo mais...” Estas simples palavras foram me perseguindo ao longo dos anos. Enquanto isso, projetos e mais projetos de arquitetura e design foram saindo das pranchetas. Algo mais... Este inconsciente coletivo de inquietação atinge, hoje, o Planeta em todos os setores, quer nas ciências exatas, humanas ou políticas. A sociedade percebe que a relação do homem com o seu entorno está em desequilíbrio. Percebe-se a necessidade de mudança no modo de vida atual e na reformulação da educação das gerações futuras, com o surgimento de uma nova conscientização geral do impacto do desenvolvimento humano no Planeta. A arquitetura sempre caminhou com a história da humanidade, com soluções criativas, valorizando elementos estéticos, aproveitando recursos naturais existentes, além de executarem construções com durabilidade comprovada ao longo de milênios. Geralmente, essas edificações focavam uma exaltação da religiosidade do seu tempo. Apesar de algumas civilizações terem desaparecido de forma inesperada, segundo estudos arqueológicos, na sua maioria houve um respeito geral com relação à mãe Gaia, exceto alguns povos, onde houve o esgotamento dos recursos naturais do seu entorno, acelerando seu processo de decadência. A civilização egípcia foi um grande marco na história da humanidade, seja pela cosmologia, astronomia, medicina, filosofia dedicada ao autoconhecimento, matemática, artefatos científicos, além da beleza, magia e magnitude de suas construções: Pirâmide de Djoser, Saqqara;


e e Bioarquitetura Por Flávia Ralston (*)

Esfinge; pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos; templo de Karnak; templo de Isis; entre outros. Na arquitetura das civilizações posteriores, observam-se o respeito e a harmonia entre o homem, o Divino, as forças energéticas e superiores, os espaços físicos, a matéria e suas construções; como, por exemplo, as grandes pirâmides Maias, templos greco-romanos, celtas, chineses, indianos, tibetanos, indígenas pré-colombianos, entre outros. O objetivo final é colocar em prática a diversidade do conhecimento adquirido com o aprendizado da humanidade no decorrer do tempo. Personalidades como Hermes Trimegistrus, Pitágoras, Platão, Sócrates, Vitruvius, Giordano Bruno, Galileu Galilei, Fibonacci, Leonardo Da Vinci, Charles Darwin, Nikola Tesla, Albert Einstein, Stephen Hawkins, entre tantos outros, mudaram os dogmas filosóficos, científicos e religiosos conhecidos, até então, como verdade única e absoluta, contribuindo com o crescimento e evolução do homem. Geometria Sagrada é o estudo das ligações entre as proporções e formas contidos na natureza, do microcosmo ao macrocosmo. As configurações ∏=3,14 e Ф=1,618 são os números mestres deste estudo, juntamente com o triângulo e a seção áurea. É a linguagem mais próxima da Criação. Desde a Antiguidade, os egípcios, os gregos, os maias, os arquitetos das catedrais góticas, artistas como Leonardo da Vinci, reconheciam na natureza formas e proporções especiais, que traduziam uma harmonia entre si. Essas relações de forma e proporções ocorrem em outras áreas da expressão, como na música, nas formas, nas cores e também na natureza, do microcosmo ao macrocosmo.


O estudo das relações entre essas proporções e formas nos leva à compreensão de que tudo o que existe advém de uma única Verdade. Uma única fonte. E que somos parte dela. A Geometria Sagrada é também conhecida como a "Linguagem da Luz". Somente a partir da compreensão desta verdade e da abertura do coração, podemos integrar os dois hemisférios cerebrais, ativando a importante glândula pineal. Na Idade Média, as catedrais góticas e Renascentistas resplandeciam todo o poder das formas, além de imprimir símbolos subliminares e conhecimentos milenares. Foi nesse período o reflorescimento das artes ciência arquitetura, resgatando importantes conceitos da geometria voltadas ao Humanismo, demonstradas nas grandes construções de edifícios governamentais e principalmente de catedrais, tais como Notre Dame (Paris), Catedral de Chatre (Chatre), Reimes (Vale do Luar), Catedral de Duomo (Itália/Milão), entre tantas outras edificações significativas na mudança da forma de vida entre a Idade Media, Renascimento e Idade Moderna. No século XX e XXI desfilaram importantes escolas de arquitetura, onde privilegiavam a forma, a matemática, a união entre o novo e o antigo, a miscigenação entre a cultura popular e tecnologia avançada, a geometria e variedades ilimitadas de formas e harmonias da natureza. Arquitetos como Le Corbusier, György Doczi, Frank Lloyd Wright, Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Ming Pei, Norman Foster, Philip Johnson, Bruno Zevi, Santiago Calatrava, Álvaro Siza, Zaha Hadid e Herzog De Meuron (ninho dos pássaros) engrandeceram a arquitetura mundial, trilhando o mesmo caminho de des-


vendar tabus, na busca entre a imaginação, os sonhos e os limites materiais da realidade. Ao arquiteto designou-se a tarefa de trabalhar com proporções criativas, na tentativa de responder às perguntas sobre a beleza e mistérios escondidos nos números áureos que formam os padrões geométricos e orgânicos que constituem o principio de todas as formas. Assim, a geometria sagrada revela formas como miolos e pétalas de uma margarida, borboletas, colméias de abelha, formatos gerados por espirais, conchas, caracóis, formas piramidais, harmonia e comprimento de onda das notas musicais, ou mesmo galáxias, tornam o limitado em ilimitado. Hoje, o homem moderno vem se reconectando com a natureza, na tentativa de buscar saídas inteligentes para a solução dos problemas do Planeta Terra, criados até então. Assim, temos o “homem na natureza”, parte integrante do todo. A bioarquitetura vem somar todos estes conceitos, oferecendo soluções harmônicas, práticas e econômicas, como racionalização da iluminação, sistemas de ventilação cruzado, materiais com perfis ecológicos, readequação do uso de energia elétrica, energia solar, eólica, hidroelétrica, sistema de biodiesel e outras fontes de energia limpa, sistemas de redução do consumo de água, captação de águas pluviais, reuso da água, tratamentos eficientes de esgoto, coleta seletiva de lixos, produtos recicláveis, além do estudo do replantio de espécies vegetais nativas, permacultura, agrofloresta, produção de produtos orgânicos, estudos de hortas em áreas rurais e urbanas, produção de ervas aromáticas e medicinais, além do sistema de produção hidropônica. Esse panorama geral


da arquitetura cria uma interação harmônica com a natureza ao redor, valorizando o modo de vida do Homem e visando um sistema produtivo sustentável, em todos os níveis. Bioarquitetura é a arte de projetar e construir respeitando a vida, o meio ambiente, preservando o Planeta e seus diversos ecossistemas. A Arquitetura conceitualmente “verde” vem ganhando força e obtendo mais incentivos e mais fiscalização. Surgem, então, organizações específicas em certificar com o selo verde, incluindo a construção em uma categoria ambientalmente responsável. Este discurso não é uma utopia. Um número maior de pessoas está interagindo com este movimento irreversível e fundamental, participando ativamente e conscientemente, difundindo a condição de um mundo melhor. Nossa proposta é disseminar este conceito por

todo o Brasil e Exterior, readequando para diversos tipos de declividade de terreno, trabalhando com metragens que se ajustem ao escopo do cliente sempre utilizando a bioarquitetura como base. A geometria piramidal é uma estrutura inteligente, unindo as seqüências de Fibonacci a números potencialmente energéticos. Alem do conceito inovador de reinventar formas infinitas geométricas, este projeto é de fácil processo executivo e custos inferiores, em comparação a projetos e construções convencionais. Adicionado ao paisagismo orgânico e sistemas de agrofloresta, sem perder como foco principal a saúde do ser humano como um todo, desde habitação, alimentação, hortas medicinais e terapêuticas, a educação ambiental e o respeito à natureza, conscientizando as gerações atuais e futuras para um novo modo de vida.


(*) Flávia Ralston é formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Em 2007, lançou o livro “Elementar Arquitetura”, um breve resumo de seus 25 anos de carreira, onde aborda cerca de 50 projetos de Arquitetura Sustentável, utilizando elementos encontrados na natureza. Participou de mostras nacionais: CADBrasil, CASA COR e Shopping D&D. Foi premiada na Europa com o Prêmio Kommerling (Madrid/ Espanha); e no Brasil, com o Premio Planeta CASA, da Ed. Abril. Obras projetadas no Brasil: nova entrada da cidade de Atibaia; requalificação urbana da Rua Teodoro Sampaio, em São Paulo. No Exterior, atuou em Punta Del Leste, Moçambique e Milão. Como participante do Instituto Paz D’Alma, ministra palestras pelo Brasil, focando seu trabalho em bioarquitetura e a importância da integração com as formas geométricas piramidais.


CHRISTIANNE NEVES

UM BANQUINH MEU LUGAR Por: Christianne Neves (*)

UM BANQUINHO E UM PIANO MEU LUGAR NO MUNDO Janeiro 2011. Meu celular toca. Estou em São Paulo, Rua da Consolação: Calor, trânsito, barulho, mal consigo ouvir quem está me chamando: - Quem? Ah, sim! Suvalia! Do outro lado aquela voz doce, sempre suave: - Chris! Venha fazer um show neste fim de semana em comemoração aos 17 anos do Hotel! Um sorriso se abriu. Tamanha felicidade, e tudo conspirou para que eu fosse quase que imediatamente para lá. Mas... como ela descobriu este meu desejo enorme de mais uma vez passar uns dias por

lá, fazendo música, fugir desta cidade barulhenta? Conexão? Coincidência? Mistério! Não é preciso dizer o quanto é especial estar no Ponto de Luz. Para uma pianista e compositora como eu, é como se fosse um verdadeiro abastecimento da alma, do corpo, de nossas esperanças. Num País em que o sucesso de um artista está muitas vezes ligado à palavra, ao canto, à canção com letra, à interatividade com o público a qualquer preço, imagine o que é ser um artista que faz música instrumental! E autoral! É a sensação perene de


HO E UM PIANO NO MUNDO

não ser ouvido, compreendido, acolhido. Ops... não é bem assim! Vejam só. Participo na noite de minha chegada de uma palestra de tarô magnificamente explanada pela Bel. Minhas cartas: O MUNDO e a MORTE. “Qual é o seu lugar no mundo?”, me pergunta O MUNDO. - Provavelmente, em cima do banquinho e em frente a um piano fazendo música, respondo-lhe. A MORTE determina: “Abandone, então, as velhas crenças do passado e abra-se para o novo”. Transformação, desapego do passado. Entendi a amplitude da mensagem que veio um dia antes do meu show que aconteceria ali, na mesma sala de meditação. Ainda um velho fantasma: Mas será que ao tocar minhas composições em piano solo as pessoas vão ouvir (ou dormir)? Gostar? Compreender? Lá estavam os velhos pensamentos. Determinados a se extinguirem em um minuto por mera obediência ao tarô. Dia seguinte. Concentro-me, penso no repertório, tento fazer uma lista com a ordem das músicas e a descarto imediatamente. Estipular uma ordem rígida para o show não dá muito certo comigo. Preciso sentir um pouco das pessoas e do ambiente antes de decidir o que tocar. Que bom quando isso é possível! É chegada a hora. Lanço-me ao piano dando início ao show. Esqueço-me. Já não penso. Fecho os olhos e apresento ao público minhas músicas: Tudo Volta (Cd Refúgio-2000) abre o concerto. Inspirada em “Sidarta”, de Herman Hesse, este samba meio “light” tenta exprimir a idéia poeticamente descrita no livro de que todas as nossas aflições não resolvidas na vida, voltam de alguma forma para nós mesmos algum dia como o curso do rio que vaivém. Paralelamente, a idéia de estar de volta ao Ponto de Luz com seus reencontros e novos encontros que aconteceriam, foram determinantes para a escolha deste tema como abertura. Sigo tocando um choro bem conhecido de Noel Rosa e, na sequência, outra composição ao piano composta e dedicada à minha amada e para sempre querida avó, Consuelo (In Memoriam -Cd Refúgio). Após o show, recebi tantos comentários sobre a “Consuelo” que, além de feliz, fiquei muito surpresa. Interessante como as pessoas sentem de forma diferente. Algumas pessoas lembraram de suas avós e se emocionaram; outras disseram que não lembraram de ninguém e ficaram imaginando o quanto ela teria sido importante em minha vida; alguns nada disseram; outros apenas ouviram. Gente! As pessoas ouvem! Eu disse: “As pessoas ouvem!!!” Neste sentido, devo dizer que minha experiência no Ponto de Luz tem sempre esta qualidade: a abertura e a disposição das pessoas para a escuta, para a percepção, para a troca. E o carinho que recebemos depois do show conforta, aproxima, é incrível! Isto é algo que, nesta dimensão, só senti e experienciei neste lugar. E olha que já foram tantos outros por que passei. Com os comentários que recebi sobra a música Consuelo, lembrei-me imediatamente da belíssima canção do Milton Nascimento:

"Eu preparo uma canção em que minha mãe se reconheça Todas as mães se reconheçam e que fale como dois olhos"” Tive a nítida sensação de que as pessoas se reconhecem através da música. Muitas avós podem ser reconhecidas em “Consuelo”, assim como muitas mães na música do Milton, são tantos os exemplos. É aí que se efetiva a função do compositor, totalmente entregue e desapegado de sua criação, universalizando-a. Seguindo o show, executo minha oração particular em forma de composição: Ponto de Luz (Cd Duas Madrugadas-2004). Composta durante minha primeira estada no hotel, onde participei do processo de revitalização, a estorinha é assim: Na hora de ir embora, um rio cortou a estrada de terra impedindo-me de passar para seguir para São Paulo, obrigando-me a colocar em prática tudo o que eu havia aprendido naqueles dias: aceitar, respirar e... voltar ao hotel por mais dois dias até que se pudesse atravessar a estrada. Após me debater e concluir que, de fato, não podemos controlar absolutamente nada, voltei, senteime no restaurante e, ao som de fundo de uma insistente tabla no cd player, compus Ponto de Luz. Neste show em comemoração ao aniversário do hotel, contei com o auxílio luxuoso de Fernanda Porto, que surpreendeu a todos com o seu “1999”, dentre outras tantas. Uma composição lírica em latim que gerou o espanto e a curiosidade de todos. À Fernanda, meu profundo agradecimento pela participação e pela música que pudemos fazer juntas! Dedico mais uma vez minha música e gratidão a este lugar mágico em que tudo acontece. Há sempre a certeza de que aqui se valoriza o ser humano em todos os seus aspectos, e o artista encontra imediata ressonância com o público. Isso o alimenta por muito tempo, trazendo-lhe a vontade de continuar criando e realizando. Parabéns ao Hotel Ponto de Luz! Que todos possam um dia sentir a felicidade e a transformação que este lugar possibilita! Sugiro um revigorante banho de cachoeira para começar o ano. É maravilhoso! Ponto de Luz, 27 de janeiro de 2011

(*) Christianne Neves é pianista, compositora e arranjadora. Possui três CDs autorais: “Refúgio” (2000), “Duas Madrugadas” (2004) e “Eyin Okan” (2010). Foi integrante da Orquestra Heartbreakers e Havana Brasil, e apresenta-se regularmente com seu quarteto instrumental e ao lado da cantora, compositora e multi-instrumentista Fernanda Porto www.christianneneves.com.br www.fernandaporto.com.br


Por: Fatima Pinsard (*)

us t ó L de a roxa z i a R cebol com

Aqui, as folhas secam e caem. Aquelas folhas que nasceram na Primavera e atingiram o auge no Verão estão indo embora. O ciclo que mostra o crescimento na Primavera e exuberância no Verão revela agora a maturidade e se encaminha para o fim. O impulso criativo está longe. O período de plenitude passou. Neste setor, a energia vital é descendente, pesada. Agora, é a colheita, o armazenamento. O ser humano, neste momento, tem a possibilidade de se expressar no sentido da tranqüilidade, da paz, da serenidade e a certeza de que somente aceitando as perdas haverá renovação.

DICAS - Outono • • • • •

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Consumir alimentos que fortaleçam o pulmão: gengibre, cebola, agrião, raiz de lótus. Consumir alimentos que fortaleçam os intestinos: alimentos fibrosos, pães integrais com linhaça. Consumir leguminosas secas. No caso de resfriados e gripes - evitar laticínios, farináceos, pois formam muco. Chás: eucalipto, sálvia, assa-peixe, tanchagem, guaco e raiz de lótus.


ALIMENTOS PARA OUTONO No Outono, a energia se move para baixo e para dentro. É hora de tonificar os órgãos e sistemas através de alimentos fortes e revigorantes, cozidos, que mantenham aceso o fogo interior. Opte por comer um pouquinho de alimentos frios, preparando o corpo para o Inverno que virá.

Sementes: girassol, abóbora, linhaça, gergelim. Cereais: arroz cateto, aveia, cevada, cevadinha. Leguminosas: todas as leguminosas secas. Raízes: cenoura, beterraba, bardana, lótus, gengibre, nabo comprido, rabanete, couve rábano. Tubérculos: mandioquinha, inhame, cará, mandioca. Caules: aipo, salsão, erva doce, aspargos, palmito, alho porro. Bulbos: cebola e alho. Folhas: as verdes escuras e amargas - ex: agrião, chicória, rúcula, acelga, couve, folha de mostarda, alface romana, azedinha, beldroega. Ervas: açafrão, alecrim, aneto, coentro, cominho, endro, erva doce, hortelã, menta, louro, manjericão, noz-moscada, orégano, cebolinha verde, salsa. Chás: verde, banchá, sálvia, lótus, menta, poejo, guaco, hortelã, aneto, erva doce, camomila, ginseng, canela em pau, cravo, anis estrelado.

Algas: ágar-ágar - refresca os pulmões e ajuda a evacuação dos intestinos. Flores: alcaparras, brócolis, alcachofra. Frutos: tomate, quiabo, abóbora. Frutas: mamão, tangerina, laranja, morango, abacaxi, carambola, abacate, limão, damasco, pêssego, ameixa, caqui, maçã ácida, manga, uva. Frutas oleaginosas: castanhas, pistache, nozes, azeitona, pinhão, amêndoas; Adoçantes: mel é doce e picante, ajuda a fluidificar o muco das vias respiratórias e limpar os intestinos. Laticínios: pouca quantidade; dê preferência aos fermentados - ex: iogurte, ricota, coalhada, Kefir. Caldo de missô: para limpar os pulmões e beneficiar a flora intestinal. Inalações: sálvia, eucalipto, menta vick, poejo silvestre.

Raiz de Lótus com cebola roxa Ingredientes 2 raízes de lótus 1 colher de sopa de óleo de gergelim ou azeite 1 colher de sopa sal 3 cebolas roxas médias, cortadas em meia lua e finas.

Modo de preparo

Corte a lótus em tiras finas oblíquas. Refogue bem a lótus com óleo ou azeite e um pouquinho de sal, numa panela grossa e funda tampada ou panela de pressão, em fogo brando. Após sair o aroma, desligue o fogo e deixe acabar de cozinhar. À parte, refogue a cebola levemente, acrescentando sal e outros temperos frescos ou secos. Coloque a cebola roxa sobre a raiz de lótus e misture tudo. Sirva quente ou fria.

(*) Fátima Pinsard é uma das pioneiras no movimento naturalista em São Paulo. Dedica-se à pesquisa desde 1980 nas áreas de terapias naturais. No Hotel Ponto de Luz, atua como consultora no restaurante e como terapeuta, com técnicas corporais e energéticas. É consultora e orientadora alimentar, com ênfase em gastronomia saudável e culinária natural vegetariana. Também atua como Instrutora de Alimentação e Saúde e Fitoterapia aplicada ao corpo.

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Por: Izabel DonalĂ­sio (*)

O TAROT 30


O Tarot é um antigo oráculo que, através de símbolos arquetípicos, oferece uma visão panorâmica da vida de cada pessoa, sinalizando as suas características e tendências, assim como indica seus impasses e obstáculos naquele momento específico. Q

uando abrimos as cartas do tarot, uma “visão sagrada” de nossa vida se revela, permitindo vislumbrar, intuir e talvez até mesmo indicar os passos para seguir melhor nossa caminhada na terra. As figuras simbólicas e arquetípicas do tarot vão nos contando de forma bem amorosa aquilo que nos é útil saber para nosso crescimento espiritual. Sinto que esse momento é especial para curar, para rezar, para invocar, para traçar metas e para definir escolhas. É um momento sagrado, onde aparece o que eu chamo de orientação xamânica, a visão espiritual de nossa missão em determinado momento de nossa vida. Está denso ou leve, fluído ou embaraçado? Obscuro, emperrado, estagnado, iluminado, harmonioso, equilibrado, centrado, justo? Será um momento de renovação ou de se empenhar em sair da zona de conforto, será que a casa está caindo? Enfim, qual é a mensagem do Grande Espírito, qual a mensagem para a cura, para o perdão, para a compreensão e para a transformação? Momento de conexão com o Grande Mistério, de entrega nos braços da Mãe Terra em contato com os elementos da natureza. Assim, toda leitura do jogo da vida de 16 cartas, formando uma mandala circular, com o tarot clássico de Marselha, a finalizo com as Cartas Xamânicas – mensagens da mestra xamã Jamie Sams do reino dos animais, do poder manifestado em cada espírito da natureza, com seus detalhes, suas estratégias, sua forma de sobreviver e seus talentos e segredos. A força dos animais vem acompanhar a jornada do consulente, como também as Cartas do Caminho Sagrado, que trazem os elementos cerimoniais dos nossos povos da América, além da recordação e a conexão ancestral. Todas essas palavras, es-

ses símbolos e significados vão nos resgatando do nosso sono mental como uma cantiga que está sempre soando no sussurro dos quatro ventos, harmonia dos mestres – “Desperta, desperta Deus em mim, desperta Deus em todos os lugares, que termine o jogo do sofrimento e ilumine o jogo da alegria .” O tarot sempre fascinou as pessoas. Contam alguns investigadores que foi criado como um jogo para ser presenteado a um Rei, com certeza um grande Rei, digno de apreciar essa maravilha. Os 22 Arcanos Maiores relatam uma viagem, uma jornada iniciática – o caminho do desenvolvimento da consciência – A Jornada do Herói. E quem é o nosso herói? - O LOUCO –, aquele que nem número tem, ele pode ser qualquer coisa, o indiferenciado. Seria o arquétipo do princípio da célula-tronco. Também é o impulso da alma que segue em busca do aprendizado do seu destino. Seu bastão curto e ágil revela sua disposição em seguir caminhando, seguindo uma voz inaudível ao vento, olhando para o céu, guiado por uma força oculta, instintiva. Carrega pouca bagagem, é desapegado, o renunciante se arrisca sem perceber o risco na busca de si mesmo. O que lhe aguarda? O destino é incerto, mas no tarot, essa jornada é ilustrada por 21 Arcanos Maiores. Arcano significa “segredo”. Em cada uma dessas estações algo a ser apreendido, realizado, sentido, experimentado. A jornada ao encontro da realização final, a última estação, o Arcano XXI – O MUNDO – o Louco encontra aí sua essência, a verdade manifestada, o centro e a origem de todo movimento, a integração plena, a leveza do dançarino cósmico, florescendo sem esforço, sem tempo. A carta do paraíso.

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E assim, os 22 Arcanos vão compondo o Jogo Divino revelado à leitura daqueles que se dedicam a perguntar. Os Arcanos são guias que nos relatam, revelam, orientam, acalentam, inspiram, protegem, focalizam. Um oráculo é um amplificador dos sinais da inteligência maior, sempre ávida por se fazer ouvir em meio aos estrondosos vaivéns de nossa mente ruidosa, simbolizada, por exemplo, pelo Arcano X - RODA DA FORTUNA, sempre em movimento ora acima ora abaixo, ansiosa, vertiginosa, o tempo que não está em nossas mãos. Consultar o oráculo é um tempo para meditar, refletir, ordenar, dar-se conta, redefinir, alinhar a nossa percepção com o tempo universal. É se render ao que hoje chamamos de “acaso”- palavra relativamente recente em seu significado atual. Foi criada no século XVI para dar nome às coisas que não podem ser previstas, e tornou-se depreciativa com o advento do Racionalismo do sec. XVII. Antes disso, as pessoas se referiam à Vontade de Deus, que sempre se manifesta de maneira imprevisível; ao contrário das ações humanas, consideradas previsíveis, como nos explica o autor Hajo Banzhaf. Na linguagem psicoterapêutica espiritual, a principal estratégia que dispomos para transformar o lado sombrio e obscuro de nossa personalidade, o Arcano XIII – A LUA, é iluminar, que significa trazer à consciência, olhar e orar pela revelação da verdade. E assumir a completa responsabilidade por tudo aquilo que ocorre em nossa vida. Simbolizado, por exemplo, pelo Arcano VIII – A JUSTIÇA. O que está inconsciente e que opera nos bastidores tem muito mais poder do que imaginamos. Determina as cenas, a repetição dos dramas, os temas. O poder oculto, desordenador, caótico, assim é o Arcano XV – O DIABO. Assim que esses padrões emergem para a claridade da luz – o Arcano XIX – O SOL –, vão perdendo sua força e seu poder de atuação, e vão dando passagem para a manifestação de todo nosso potencial, talentos e esperança, o Arcano XVII – A ESTRELA. Somos o puro potencial, abundância e fertilidade criadora, energia e força vital, o Arcano III - A IMPERATRIZ. Muito há de se falar sobre todas as cartas do tarot. Fica aqui uma amostrinha do seu poder de síntese.

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“Quando apresentamos u uma história de fadas, existe p isto é, para quem se e um efeito curativo, pois devid enquadrada em uma fo comportamento e pode chegar pessoal Emma J


um mito ou contamos para a pessoa que participa, emociona com ela, do à sua participação, ela é orma arquetípica de e, desse modo, lmente à ordem” Jung

O jogo de tarot, então, como o entendo, é uma oportunidade de nos mirarmos nesse espelho dessas águas profundas. Os arcanos indicam o caminho da nossa história, sobre essa perspectiva da revelação que, de tão óbvia, esclarece e a solução emerge imediatamente. Não é uma adivinhação, não é um trabalho de vidência. Talvez possamos chamar de conexão com nossa essência, com a essência da experiência. Cada experiência uma estação da trajetória do LOUCO, pronta para ser apreendida, apreciada, dignificada em seu aprendizado, sorvida em sua sabedoria.

Izabel Donalízio realiza orientações através do Tarot Xamânico no Hotel Ponto de Luz, São Paulo e Campinas. É bióloga e, desde 2005, vem se dedicando a práticas iniciáticas, como “A Busca da Visão” e “Cerimônias Sagradas de Cura”, no Peru, México e Brasil. Conheceu a escola zen budista na Califórnia (onde morou), incorporando-a à sua prática e aos seus estudos, incluindo várias viagens à Índia. Atualmente, conduz cerimônias de Temazcal (Sauna Sagrada) e da Shanupa. É terapeuta Watsu, Reiki e está terminando a formação na Dinâmica Energética do Psiquismo.

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Nem vida profissional, nem vida pessoal: rumo Ă vida integrada Por: Sergio Resende (*)

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Como manter o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho? Esta questão traz em si o germe da separação e um paradoxo: vida pessoal e profissional competem entre si pelo tempo e dedicação do indivíduo e não há solução verdadeira enquanto enxergamos pessoal e profissional separados.

Uma das mais freqüentes questões que os executivos trazem para as sessões de coaching é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Quando pergunto aos meus clientes o que está em cada um destes dois lados, recebo as seguintes respostas: profissional diz respeito a enfrentar desafios, a carreira, poder e dinheiro; pessoal diz respeito a cuidar dos filhos, namorar, conviver com amigos, ler, cuidar da saúde, fazer algo de bom para os outros, praticar esportes e conhecer lugares. Como manter o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho? Esta questão traz em si o germe da separação e um paradoxo: vida pessoal e profissional competem entre si pelo tempo e dedicação do indivíduo e não há solução verdadeira enquanto enxergamos pessoal e profissional separados. Separar não é por si só algo ruim. A criança torna-se um adulto quando consegue tornar sua identidade diferente da de seus pais. O seu desenvolvimento é um separar-se, um distinguir-se ou uma Individuação, segundo Carl Jung. A separação, neste sentido de distinção e individuação também pode ser observada na própria história da humanidade. A ciência e a religião se separaram, a medicina separou os órgãos do corpo, a física separou o átomo, os administradores separam a fábrica da casa. No meu entender, construímos um modelo de vida esquizofrênico. Para ter o máximo de produtividade, o profissional precisa manter-se longe da família, dos amigos e de todas as outras fontes de “distração” de seu lado pessoal. Certa vez, estava organizando um workshop numa empresa e pedi que as persianas fossem abertas para que tivéssemos um pouco de luz natural e da paisagem penetrando o ambiente, e recebi a seguinte resposta: “Nem pensar, eles vão se distrair.” Neste modelo, afastamos o individuo das “tais distrações” sem lembrar que elas mesmas são as suas maiores fontes de inspiração, amor, prazer e renovação. Como consequência, reduzimos a criatividade e aumentamos a propensão a doenças como obesidade, depressão, ansiedade e stress. O trabalho enclausurado, nos deixa ainda longe de algumas necessidades que considero básicas a todo ser humano, como luz solar, movimento físico, relaxamento e contato direto com os reinos animal, vegetal e mineral. Para suprir suas necessidades, o profissional se vê num beco sem saída no qual, depois de longas horas de labuta, tem que arrumar tempo para: incluir a academia, porque não se movimenta durante o dia; bater papo com os amigos, porque não pode ser amigo de seu competidor na carreira ou de seu subordinado; ler pelo menos um jornal; dedicar tempo de qualidade para os filhos; ah, sim, precisa dar atenção à esposa/marido; um trabalho voluntário para alimentar a alma... Como incluir tantas coisas numa vida que já parece

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tão lotada? Bem, não me parece que seja o caso de incluir e fazer mais coisas para se ter uma vida plena. Dá a impressão que o que se consegue, ao agir assim, é uma vida “lotada” de obrigações. Penso que o nosso desafio é outro. Nossos antepassados cumpriram o necessário papel de “separar” em nosso caminho de individuação para a evolução. Rudolf Steiner, filósofo austríaco e fundador da Antroposofia, diz que “só pode ser integrado aquilo que foi devidamente separado”. Pois bem, penso que o nosso desafio agora é encontrar formas de “Integrar”. A pergunta que precisamos responder é: como desenhar novos modelos de vida que permitam que as diversas necessidades do ser humano possam ser atendidas sem prejuízo umas das outras? Estamos tão envolvidos no nosso modo de viver atual, que quase não podemos enxergar soluções, mas um olhar para o que está emergindo pode nos trazer algumas pistas. Primeiramente, o fato de que as lideranças nas organizações começam a colocar em suas agendas estratégicas as questões humanas, sociais e ecológicas. Uma pesquisa recente feita pelo Instituto EcoSocial com executivos de diversas organizações, mostra uma mudança em suas preocupações com o futuro, quando apontam que os principais desafios que terão que enfrentar nos próximos anos são: 1- As mudanças, inovações e ruptura nos cenários de negócios em aceleração; 2- Questões humanas, sociais e ecológicas e novos modelos de gestão para a sustentação dos negócios; 3- Autoconhecimento e autodesenvolvimento; 4- Desenvolvimento e retenção de profissionais e de novos líderes. Outros desafios, como melhoria de resultados, qualidade, estratégias consistentes, vieram a seguir nesta pesquisa e não em primeiro lugar, como já foi no passado. As novas tecnologias de comunicação já oferecem soluções que permitem o trabalho e educação à distância. Ao lado disto, uma nova geração que se dá muito bem com estes recursos, aparentemente, não está disposta a repetir o modelo de seus pais. Recentemente, um cliente me pediu para que treinasse seus líderes a lidar com a “tal da geração Y”. Ele estava tendo sérios problemas para motivar e reter aqueles jovens criteriosamente escolhidos nas melhores universidades. Aprofundando a questão, este executivo concluiu com seus pares que suas carreiras de sucesso, baseadas em infinitas horas de dedicação extrema, não eram modelos para a nova geração. Para o sucesso de suas operações no longo prazo, precisarão repensar seu modelo organizacional e os benefícios aos seus jovens profissionais. Tenho observado ainda, entre jovens executivas,

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um desejo de suspender suas carreiras por algum tempo para cuidar de seus filhos nos primeiros anos de vida. Ainda é um movimento muito novo, mas com certeza crescente. Formas de possibilitar esta suspensão ou uma dedicação parcial certamente surgirão. O socialismo parece não ser mais considerado pela maioria das pessoas como forma de promover a igualdade social mas, certamente, o desejo de fazer algo para que o mundo seja melhor permanece latente e uma visão mais integrada não deixa dúvidas de que o meu bem-estar depende do bem-estar dos que estão à minha volta. Desta forma, os negócios sociais (empresas com finalidade de resolver problemas sociais) são uma solução para aqueles que querem fazer o bem e não conseguem ajudar na igreja ou numa ONG aos finais de semana ou ainda para aqueles que desejam que seus esforços diários tenham mais significado. Algumas velhas formas parecem querer encontrar novas expressões, como a agricultura orgânica familiar e a empresa familiar. A medicina integrativa propõe uma abordagem que inclui terapias alternativas, como acupuntura e meditação. A meditação como forma de ampliação da consciência, de auto centramento e auto conhecimento, cada vez mais difundida, desmistificada e estudada, será um importante recurso para manter a disciplina, o foco e a presença no que se está fazendo independentemente de persianas abertas e crianças em volta. Meditar trabalhando, ou fazer do trabalho uma meditação. Fritjoj Capra propõe um modelo de ensino no qual o aluno aprende a entender a sociedade a partir da própria natureza; e, na Pedagogia Waldorf, a arte é a plataforma para o aprendizado. Encontrar um novo modelo de vida mais integrado não é um desafio corriqueiro; no entanto, a própria tensão criada pelo modelo atual de vida separado e fragmentado nos empurrará para uma mudança mais rápida do que imaginamos. Também não precisamos esperar que uma mudança surja desta ruptura ou de um decreto vindo de alguém no poder. Podemos lentamente, conscientemente e individualmente, ficar atentos ao que está emergindo e colocar em prática pequenas soluções rumo à vida Integrada.

(*) Sergio Resende é Consultor Organizacional, Coach de Executvos e de Equipes. Membro do International Coach Federation e coordenador da Formação de Coaches do Instituto EcoSocial. Atual presidente do Instituo EcoSocial.

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DA MEDICAÇÃO Há 17 anos, o Ponto de L um papel transformador n

A sintonia fina flagrada na relação entre terapeuta e hóspede justifica o registro de relatos que denotam a intensidade da transformação que ocorre desde o momento da chegada até a despedida de cada pessoa que passa pelo Hotel Ponto de Luz. Nesses 17 anos de atividades do spa holístico, os hóspedes vêm em busca de orientação, dos serviços dos terapeutas, da meditação, da comida natural e da natureza, dispostos a adotar hábitos mais saudáveis e simplificar a vida. Muitos são fidelizados, outros vêm, vão, e voltam um dia porque não encontram nada igual. No silêncio e, principalmente, na meditação, mais do que encontrar um santuário para relaxar, se harmonizar, se encontram.

Sem ter ouvido sequer falar da obra do Osho – “O Livro da Cura - da Medicação para a Meditação” –, a socióloga paulista Carla Rustino, de 45 anos, relata: “Fui trocando a medicação pela meditação, depois de começar a meditar e com suporte terapêutico”. Ela conta que, antes da meditação, fazia tratamento para uma depressão profunda que enfrentara. Já computando sua sétima hospedagem (em 38

janeiro de 2011), Carla diz que sempre que pode volta ao Ponto de Luz para descansar, se revigorar, pegar um gás e ouvir as mesmas coisas para fortalecer o conhecimento. E dispara: “Quero aprender a meditar na avenida Paulista!” No Hotel Ponto de Luz, a meditação está sempre presente no dia-a-dia dos hóspedes, atraídos pelo som do sino que bate às 18h30, convidando todos a uma prática que ensina a silenciar, acompanhada por um terapeuta. Essa atividade já está incluída na diária, e é uma prática coletiva classificada como um importante diferencial no ramo hoteleiro.

E foi justamente esse diferencial que atraiu o professor de física Edson Mosman, de 34 anos, a optar pelo Ponto de Luz para pisar com pé direito em 2011. “Queria diminuir o ritmo da capital paulista, e tinha curiosidade de experimentar um lugar diferente, com comida natural e meditação”, conta. Mosman chegou ao Ponto de Luz muito agitado. “Queria fazer muitas coisas, tinha muitos planos”. Aos poucos, ele foi descobrindo um lugar à parte, como se fosse outro mundo, diferente, com muitas águas, muito verde. “Fui ficando mais


O À MEDITAÇÃO Luz vem desempenhando na vida de seus hóspedes. Por: Pramoda e Hed Ferry (*)

calmo, mais tranqüilo e na segunda noite dormi melhor que na primeira.” Este foi o primeiro contato prático dele com a meditação. “Já tinha ouvido falar, mas ainda não havia me disposto a meditar.” Assim, foi se desmistificando o estereótipo que ele criara para quem meditava. “Eu achava que a pessoa tinha que ser zen ou bem alternativa, e pude constatar que a meditação pode ser incorporada na vida de uma pessoa urbana”, diz. O mais surpreendente em sua percepção é que Mosman havia valorizado o fato de que no Ponto de Luz os celulares ficam fora de serviço, o que o manteria desligado de seu dia-a-dia estressante. Mas ele garante: “Eu ouvia o meu celular tocar, mesmo desligado!” Relatos como o de Mosman só reforçam a importância de se estar atento à influência exercida pelo agitado ritmo das grandes cidades. E o perigo está justamente em se permitir o distanciamento de nossa essência. Depois de ser engolido pela agitação urbana, o hóspede chega ao Ponto de Luz como uma “cebola” – aos poucos, vai “tirando as camadas de cascas” que foram se formando, o que resulta em uma transformação profunda do corpo, da mente e da alma.

PRONTA PARA A VIDA - A artista plástica Ilka Lemos, paulista, de 53 anos, também já faz parte dos “cases” do Ponto de Luz. Por indicação de um amigo que havia feito o “Temazcal” em sua passagem pelo hotel em 2010, Ilka se lançou ao desafio de passar pela mesma experiência. “Foi com esse propósito bem objetivo que me hospedei no Ponto de Luz em Janeiro de 2011. Sabia que era uma busca individual do que há de mais profundo no ser humano, e justamente o que mais deixamos de lado”, ela frisa. Em suas reflexões, Ilka reconhece que muitas coisas são ‘empurradas com a barriga’. “Vivemos numa roda-viva que só nos leva a ter, fazer, conhecer, mas para fora, sem cuidar do interior, da essência”, opina. Para fazer o Temazcal, Ilka preparouse com meditação, terapia e evitando ingerir qualquer bebida alcoólica ou comidas fortes. Em breve, Ilka viria a descobrir que o “antes” e o “depois” provocam um verdadeiro divisor de águas nas vidas de quem participa do Temazcal. Este ritual leva os participantes a um resgate profundo de fortes emoções, em geral, cristalizadas, esquecidas. “Descobri que o meu amadurecimen39


to estava preso na adolescência”, revela, emocionada e feliz por ter conseguido provocar mudanças importantes em seu sistema. Desfiando sensações, ela tenta descrever suas percepções: “Fiquei leve, em alpha, sinto que estou pronta para a vida.” A terapeuta Izabel Donalízio, que conduziu a cerimônia de batismo de Ilka, explica que antes de iniciar o Temazcal o clima é de expectativa e receio, porque é uma situação nova. “Muitas questões vêm à tona, as pessoas choram, liberam seus medos, angústias e isso alivia bastante a carga que estão carregando.” Ela acrescenta que, no final, os participantes saem da tenda agradecidos, radiantes e vitorosos. “Alguns se isolam para digerir esse processo transformador, enquanto outros querem compartilhar suas experiências com os hóspedes e, em geral, relatam que saem do Temazcal renascidos, transformados, no sentido de alcançar uma purificação, e revigorados. Para Natel Aparecido Gomes do Couto, que auxilia Izabel na cerimônia como “homemfogo” – guardião do portal da tenda, cuida do altar, da fogueira, dos instrumentos utilizados nos rituais durante os cantos e prepara as ervas medicinais e as pedras quentes para a sauna –, o Temazcal é um espaço sagrado e proporciona uma estabilidade espiritual. “As pessoas saem da tenda enxergando o mundo com um olhar diferente, mais generosas e amorosas com o outro. Mas também saem se aceitando como são e mais felizes com a descoberta de sua essência.”

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Cerimônia do Temazcal, realizada no dia 23 de Janeiro de 2011, com participação de Ilka Lemos.

SEM ESCALA – Você acha que o Canadá fica longe de Joanópolis? Descobrimos que não com a chegada de Helen Mazolla ao Ponto de Luz em Janeiro de 2011. Com a pilha fraca, como ela mesma descreve, essa médica veterinária, de 49 anos, que mora há alguns anos no Canadá, diz que precisava de um lugar para calibrar os chackras. “Antes mesmo de vir para o Brasil, comecei a procurar na internet um spa alternativo holístico, assisti ao filme da Bhavya (proprietária do hotel) no Youtube (assista o vídeo: http://www.youtube. com/watch?v=st6xWb22fNw), e acabei usando como critério que fosse perto da capital paulista, que não tivesse de tomar avião, um lugar com muita natureza, com comida natural e que tivesse um spa com massagens; e quando soube que o Ponto de Luz oferecia o transfer de van, foi decisivo – é prá lá que eu vou!”


Helen chegou sabendo o que queria: “Vim para ficar duas semanas, sem marcar nada e me propus a ir sentindo o que precisava, ouvindo o que o corpo pedia e fazendo.” Logo, achou que o Ponto de Luz era o que ela procurava, mas garante que só teve certeza absoluta quando entrou na cachoeira. “Eu descobri que queria ter contato com a água, e com as terapias e orientações que recebia percebi que fui me fortalecendo e notando mudanças muito positivas em meu corpo”, descreve. A meditação foi outra descoberta de Hellen. “Acho que só comecei uma jornada e tenho muito para aprender. Quero aplicar a meditação no meu dia-a-dia”, planeja. Além disso, Helen acredita ter resolvido questões emocionais e familiares. “Fiz a Alquimia do Coração, e foi como tirar com a mão”, conta com um sorriso vitorioso. E recomenda: “Experimentem esta terapia!” A Helen que foi embora do Ponto de Luz, sem dúvida, não era a mesma que chegou. Ao chegar, trazia sob a pele as camadas geladas do Canadá e levou de volta o calor incandescente do Ponto de Luz. Hospedou-se calada, sisuda, com o semblante sombrio típico dos países gelados e, antes de embarcar na van despediu-se de cada pessoa com um abraço forte deixando para trás novos amigos que fez durante sua estadia. E nos deixou esperançosos de voltar a receber esse abraço em breve e multiplicado quando disse: “Quando eu voltar para o Brasil, quero trazer minha família para conhecer este lugar.” Estas e outras tantas experiências vividas e relatadas vêm escrevendo a história do Ponto de Luz há 17 anos (completados no dia 25 de Janeiro de 2011). Ouvimos, guardamos com carinho em nossas memórias e muitas dessas histórias provo-

cam um arrepio na alma e fazem transbordar água dos olhos, porque sabemos que as pessoas vêm para o Ponto de Luz em busca de alguma coisa. De um aconchego, de colo, de cura, em busca de respostas, tentando resolver alguma coisa pendente. Enfim, não importa. Estamos aqui com essa missão, de passar confiança, de receber, de pôr no colo, de dar carinho, de oferecer terapias de cura, de purificação, de limpeza. E somos expectadores atentos a cada transformação, seja lá qual for sua intensidade, da mínima à máxima, cada uma representa um esforço individual de resgatar a essência, essa pequena mola propulsora que nos leva a corrigir a rota, recomeçar, e, na medida do possível, acertar a medida para encontrar o que todos procuram: a felicidade, que se traduz em estar livre do sofrimento! E para cada hóspede do Ponto de Luz damos um presente personalizado: aprender a “ser” e “estar” feliz no “presente”.

(*) Pramoda trabalha como terapeuta desde 1994 e, no Hotel Ponto de Luz, desde 1997. Seu trabalho destina-se às pessoas que buscam desenvolver meditação, autoconhecimento e transformação. (*) Hed Ferry é jornalista e exerce a função de assessora de imprensa do Hotel Ponto de Luz. 41


Hammam

O sagrado atravĂŠs do cultivo da beleza

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m

a

Por: Deva Suvalia (*)

“Lavar e perfumar o corpo, Exalar os aromas das ervas, Enebriar a alma com água e calor de defumações, Transpirar os males e serenar a mente, O canto e a dança revelam a beleza e a graciosidade natural de sua expressão. Os banhos em grupo são a melhor maneira de se purificar, resgatando seu ritmo e a conexão com a natureza. A beleza está dentro. O que é preciso é trazê-la para fora. A energia do feminino se enaltece quando dedicamos um tempo a nutrição do corpo e fortalecimento da alma” Suvalia , Yasmin Nammu e Dunia 43


O Hammam é um evento de tradição oriental passada de mães para filhas, onde mulheres de todas as idades se reúnem especialmente para tratar da pele. Na Síria, em todo povoado há um Hammam, casas especializadas em banhos aromáticos e tratamentos estéticos coletivos. Para as mulheres orientais, a pele é considerada o contato com o mundo e o modo como a tratamos o mundo nos tratará. Uma esfoliação não é só uma limpeza física, mas, num contexto mais profundo, elimina as células mortas e dá oportunidade ao renascimento. A pele é considerada o veículo sensorial para percepção e reconhecimento do mundo. Através do toque, do brilho, do suor, do aroma e do calor criamos uma intimidade que desperta as sensações da alma feminina. O Hammam no Ponto de Luz é recriado como um templo feminino, nascido de nossas próprias experiências e necessidade de nutrição e comunhão. Além da imersão nos banhos, participamos de vivências que sensibilizam, criam vínculos e enaltecem a energia feminina. Danças, meditações e ritos compõem o cenário desse encontro, juntamente com as receitas naturais na sala de banho: A força da terra através das argilas limpam e tonificam. O leite de aveia amacia e hidrata. A delicadeza da água de flor de laranjeira e das pétalas de rosas nos refrescam. E o prazer do denso e doce mel morno deslizando pelo o corpo. Neste clima de confiança, experiências são livremente compartilhadas entre as mulheres. Essa imersão profunda dos pés à cabeça faz com que, pouco a pouco, cada mulher, espontaneamente, se envolva numa atmosfera sensorial, permitindo emergir a beleza e a feminilidade essencial. Ao término dos tratamentos na sala de banho, nos encontramos totalmente relaxadas e podemos nos entregar a um momento de descanso, onde frutas e licores exóticos são degustados. Assim, somos surpreendidas numa profunda sensação de bem estar, um renascimento! O Hammam é um convite à nutrição. Nutrir o feminino é algo simples, o que necessitamos é apenas nos darmos a oportunidade de um tempo para esse encontro. Mães, filhas, avós, amigas, tias e irmãs disponíveis para desfrutar de um convívio, trocando receitas, segredos de beleza e, conseqüentemente, se transmite o saber, o respeito e os valores cíclicos da

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vida. Cuidar de si mesma e da outra, transformando esse momento num rito de celebração. Esse momento de cuidado consigo mesma e de troca, brota em cada mulher sua naturalidade e sensualidade. Com a pele limpa e sedosa e mais relaxadas, cada participante se revela com gestuais, falas e formas graciosas. Não há um modelo externo a seguir. Essa expressão, que é a graça, não pode ser criada ou simulada, ela emerge e com ela a verdadeira beleza. O estado natural da mulher é a sensualidade, e a sensualidade só é possível quando temos uma quantidade de hormônio do bem-estar no organismo. Se o corpo está cheio de stress, fica mais difícil vivenciá-lo. Não precisamos de terapia ou técnicas complexas para curar as feridas do feminino, nem discussões ou debates, é muito mais simples, é só se dispor ao bem-estar, ao cuidado. Vivenciar o prazer e a alegria de se cuidar, tendo presente que essa nutrição é para nós mesmas, sem a intenção de fazer para alguém ou para obter algo. Este ato, por si só, nos leva ao princípio do feminino, que é a receptividade, a não-ação, nos reconhecendo como seres sexuais, sem vergonha de sermos mulheres. É incrível como esse estado do receptivo, de receber as gentilezas, de acompanhar, ser cuidada, e relaxar abre espaço para que o homem também flua em sua energia masculina. Uma dica: Não é preciso acreditar em nada do que escrevemos aqui, corra o risco e EXPERIMENTE!

(*) Ma Deva Suvalia é terapeuta transpessoal pela DEP (Dinâmica Energética do Psiquismo), formada em várias modalidades corporais e energéticas. Trouxe o Hamman para o Ponto de Luz, onde desenvolve trabalhos individuais e em grupo desde 1994 e gerencia as terapias. 45


O Sagrado Feminino

Por: Dunia La Luna (*)

Falar sobre o feminino, abrir espaço para que possamos vivenciá-lo inteiramente na vida... Mas, afinal, o que é o feminino? Desde o início dos tempos, do contato do ser humano com a natureza veio o conhecimento de que a vida é cíclica: a terra nutre os seres, os sustenta e também destrói a mesma vida para que haja um novo nascimento... as lunações controlam as marés, as águas do corpo, as emoções, a fertilidade das mulheres e, assim como as estações do ano, as luas ditam a melhor colheita e o melhor plantio. Para as fêmeas de todas as espécies, o ritmo da vida é um fato biológico. É naturalmente ao corpo feminino que se deve a proliferação da espécie! Por este motivo, durante a maior parte da existência humana, o feminino permaneceu como analogia mais poderosa da divindade.

Escultura feminina ladeada por leões ou cachorros Período Paleolítico.

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Sheila na Gig - Ásia - Neolítico


Nos períodos paleolítico e neolítico, as civilizações eram matrifocais (com base numa deusa), pois sendo a mulher biologicamente mais próxima do ritmo da natureza elas podiam mais sabiamente guiar suas tribos. Estatuetas evidenciam que os primeiros xamãs e sacerdotisas foram mulheres que mantiham uma intimidade nata com as ervas, com o corpo e com a sexualidade. Durante alguns períodos e em diferentes regiões, a vagina da mulher adquiriu um poder apotropaico (poder divinamente sobrenatural). É dessa época que se conserva este ditado catalão: “La mar es posa bona se viu el cone duna dona” (O mar se acalma ao ver a vagina de uma mulher). As mulheres de pescadores da Catalúnia ainda saem erguendo suas saias ao mar antes de seus maridos partirem para o largo. Assim, também fazem as mulheres na Grécia, quando pedem à deusa da natureza que as plantações cresçam até seus genitais.

Não é à-toa que não nos lembremos; afinal, temos uma história recente de repressão desse feminino que remontou vários séculos. Em seguida, numa tentativa de resgatar um lugar de expressão e um posicionamento social, as mulheres sem referência de sua essência acolhem como sendo delas uma natureza masculina. E o que antes era motivo de orgulho, tornou-se um obstáculo e uma vergonha! É o distanciamento do contato com o corpo que faz com que as mulheres percam a segurança nelas mesmas, na intuição, na percepção, na conexão com o instinto, e na força corporal. A partir de então, a mulher estabeleceu um contato artificial consigo, buscando o feminino em modelos ditados e idealizados. É claro que, mais profundamente, atrás dessas atitudes, existe uma lacuna e um sofrimento, pois o feminino nunca será encontrado em algo que venha de fora.

É muito evidente na história que as mulheres tinham orgulho de sua natureza, de sua sexualidade e de seus corpos. O poder feminino sempre foi evidenciado a partir da experiência verdadeira da mulher com a natureza e consigo mesma! Não é de se espantar que essas afirmações sejam totalmente desconhecidas para nós do século XXI; afinal, vivemos numa época onde não temos um contato verdadeiro com o tempo, com a alimentação, com a saúde, com o corpo e muito menos com os ciclos da vida.

(*) Dunia La Luna é Professora e dançarina oriental e de dança arquetípica. Seus estudos são focados no Sagrado Feminino e na Sexualidade. Estuda e pesquisa as civilizações, com tradição na Deusa e as expressões do feminino na arte, história e religião.

Sheila Na Gig - elas são conhecidas por espantar o mal, expondo e tocando a vagina.

Este é um adorno de uma igreja inglesa cristã da Idade Média. Deméter - Deusa Grega do trigo.

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Massagem: A Arte O tato é o primeiro sentido que se desenvolve na formação do organismo. No período intrauterino, o feto já é “tocado” pela placenta e tecidos e, assim, recebe esta informação tátil, que ficará gravada em sua memória somática. Desde muito cedo, o bebê busca a linguagem do tato, tanto no sentido de ser protegido e cuidado, como na relação com a mãe e, posteriormente, com o mundo. Se no início da vida o toque for fluente (incluído o período intra-uterino, em que a mãe pode dar o tempo e atenção para o próprio organismo “tocar” o feto), temos um resultado na formação comportamental ao longo da vida: estabilidade psicossomática, segurança e fluência na comunicação. ”O toque é uma necessidade comportamental básica, na mesma proporção que respirar é uma necessidade física básica” ( Montagu,1971) A linguagem tátil desempenha um papel de profundidade na interpessoalidade, prestandose como uma ferramenta para o estímulo à curiosidade e prudência, à solidariedade, à afetividade, à responsabilidade, à suavidade, ao compromisso pessoal e coletivo, fatores fundamentais para a estética da sensibilidade. Os mamíferos, incluindo os seres humanos, que têm o sistema límbico no seu cérebro, e assim o potencial da afetividade, desenvolvem a linguagem tátil. Os animais usam diversas partes do corpo e até a língua para interagir por meio do toque, e os humanos usam com mais frequência as mãos. A massagem é, em primeira análise, o ato intuitivo de tocar o corpo; um gesto de despertar, acariciar, proteger ou aliviar algum incômodo. As suas origens remontam às mais remotas épocas da vida humana. A pele é o instrumento de ligação entre o tato como sentido e o tato como linguagem expressiva, e ocupa, aproximadamente, 12% do peso total do corpo. A pele e o sistema nervoso originam-se na mais externa das três camadas das células embriônicas, a ectoderma. “O sistema nervoso é uma parte escondida da pele, ou, ao contrário, a pele pode ser considerada como a porção exposta do sistema nervoso” (Montagu, 1971). Assim, o toque é o instrumento que potencializa o fluxo das redes neurais, permitindo tanto o estímulo como o relaxamento. A sensação de ser tocado transita entre o acolhimento e a re-

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sistência e entre o prazer e a dor. Sempre preferimos o acolhimento e o prazer, mas a resistência e a dor são os fatores sinalizadores dos nossos padrões estagnados, que devem se transformar para a nossa evolução. A função da dor é atrair a nossa atenção para o que não está equilibrado no organismo físico, na psique, nos canais de energia (meridianos) e nos corpos extrafísicos. A massagem possibilita entrar em sincronia com a vibração do outro, sentir o que está faltando e o que está em excesso, perceber onde o corpo está fragmentado e torná-lo integrado. Por isso, a massagem é uma arte muito sutil, requer e potencializa a sensibilidade. A sensibilidade permite tocarmos no outro nos limites da dor produtiva, que libera os resíduos e as emoções estagnadas e no limite do prazer produtivo, como um


e do Toque

ato de amor universal e integralidade, e não como uma intenção sexual. Infelizmente, a massagem passou a ter uma conotação sexual e o toque foi esquecido como linguagem de aprimoramento do ser. Nós nos tornamos quase desconfortáveis e amedrontados com o toque. Quantas pessoas nós permitimos tocar no nosso corpo todo? E quantas nós tocamos? Se cultivarmos a percepção de que o corpo é um templo que abriga a vida, tocaremos no outro com o respeito que gostaríamos de receber ao ser tocado e, assim, dissipando nossos temores e traumas e desenvolvendo a reciprocidade inerente na interpessoalidade. Assim, podemos ser tocados em todo nosso corpo sem receio, sem reações voluntárias ou involuntárias de retrações, totalmente conscientes e presentes no momento do

toque, sem a urgência que se manifesta nos extremos da dor ou prazer, que são nossas defesas e projeções. Atingimos um estado de receptividade física e atividade sensorial que propicia a oportunidade de resignificarmos os nossos apegos, mágoas, culpas e raivas e realinharmos no nosso corpo e nossa alma. A massagem pode ser feita em qualquer pessoa e em qualquer circunstância: na gestação, nos bebês, nas crianças, nos adolescentes, nos adultos e idosos, independente do seu estado de saúde, no pré e no pós-operatório. Existem muitas maneiras e técnicas de massagear. Para discernirmos o tipo da comunicação tátil, dividimos em cinco camadas com exemplo de aplicação: - Pele. Estímulo neurosensorial pelos deslizamentos. - Camada subcutânea. Meridianos chineses (shiatsu, tui na e do in), reflexologia. - Tecido conjuntivo e músculos. Liberação miofascial, alongamentos e bioenergética. - Ossos e articulações. Organização postural, direções ósseas, mobilidade articular. - Camada extrafísica. Polarização, harmonização dos chakras. De acordo com a circunstância, enfatizamos as camadas que permitam a harmonização e integralidade do organismo físico e energético do massageado, mas a sensibilidade é a premissa para qualquer método de aplicação, pois permite a conexão entre o massageado e massagista e a percepção dos limites acessíveis nesta linguagem do tato. Sensibilidade, arte, tocar, massagear e ser massageado. Bons caminhos! (*) Sidney Donatelli é massoterapeuta desde 1983. Professor de Movimento Consciente desde 1979, Fundador e Diretor da Escola Amor. Coordenador do Curso de Formação em Massoterapia. Pesquisador e autor de material didático do Taoísmo e Medicina Tradicional Chinesa e Massoterapia. Autor do livro “Macro e Microcosmos”, Mapa dos Meridianos Chineses, Caminhos de energia. Atlas dos meridianos e pontos para massoterapia e acupuntura (no prelo). Iniciado pelo mestre taoísta Wu Jyh Cherng .Membro do colegiado do Combramasso.

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Jesus, o Terapeuta Você é um Terapeuta? Sempre que alguém me procura para tornar-se um terapeuta, insisto em informar o caráter ecológico, milenar, essencial, ético e libertário dessa escolha. Também aponto, principalmente a quem é um buscador, que este é o convite do Mestre Jesus: “seja um curador energético de corpo e alma”. Jesus era um terapeuta e te pede sempre para compartilhar deste ideal. Digo que não só esse Mestre curava. A maior parte dos iluminados, vivos ou não, é terapeuta. Hoje, alguns iluminados que conheço, de uma forma ou outra, são terapeutas: Dolano, Hahashya, Gangaji, Kiran, Satya Prem etc. A palavra terapeuta, de origem grega, indica pessoas que curavam, geralmente com as mãos, numa abordagem holística, total e integral. A palavra terapeuta em aramaico significa saber e cuidar. Saber de si mesmo e cuidar do planeta e do próximo. O terapeuta leva paz ao cliente, daí o nome “pazciente”. Esta é a missão, isso é o que a existência espera do curador. “E quando andares por terras estranhas, cure os que estiverem feridos, pois o mal não é o que entra e sim o que sai da boca do homem”. (Jesus de Nazaré) Os terapeutas, desde milênios, além de levarem a paz tinham um contato profundo com o paciente e estimulavam a sua própria capacidade de cura. Eram atenciosos, carinhosos e, provavelmente como você que lê esse texto, se dedicavam a esse nobre ideal. Jesus era um rabino e foi iniciado na seita judaica dos Essênios, conhecidíssimos como extraordinários terapeutas e um povo que, incansavelmente, buscava justiça no mundo. Em hebraico – língua utilizada pelos essênios –, a palavra cura é “teraf” (mesma raiz de terapeuta), a qual significa soltar os nós, abrir, deixar aberto o paciente, aquele que busca estar consciente da sua paz. Jesus não só foi um dos maiores e mais conhecidos terapeutas curadores, como abria a confiança na cura: “É você quem está se curando”. Apontava na direção de levarmos o amor a todos: “Ama teu próximo como a si mesmo”. Se você que lê esse texto é um terapeuta, estimula o Chi, a energia do seu paciente e a auto-cura, você

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Por: Otávio Leal (*)

também trabalha sua própria energia com práticas de Tai-chi, yoga, chi-kung, dança sagrada e nos Sat-Sangs. Trabalha o seu corpo e suas emoções, conhece cada uma de suas limitações, pratica meditação e reconhece-se como um ser iluminado e trata o outro como igual. Tem amor próprio e muita compaixão, que distribui em cada atendimento. Trabalha com ética e carinho. Como terapeuta você aprende na Humaniversidade a inspirar-se em São Francisco de Assis a respeitar não somente o ser humano, mas toda a Natureza. No Reiki III do sistema tradicional e Dentho é apontado esse amor a todos os seres vivos no símbolo Dai Ko Myo e seu significado. “Aqueles que têm olhos que vejam”. Meu mestre Osho sempre dizia que “o planeta está doente e precisa de terapeutas”. De nada adianta esperar que os pseudos “dirigentes” façam algo. Depende de nós e a tu fazer a diferença. Quando você tomou a decisão de ser um terapeuta, já sabia que não é somente uma profissão. É uma missão, um chamado da existência que precisa de ti. Que te usa como um arauto de paz. Tenho insistido muito que “aquele que tem vocação de ser um terapeuta, seja total nisso”. Tenha a sua dignidade e decência, e faça isso de forma competente. Não invente desculpas e mentiras medíocres para desistir e torne-se um extraordinário (o contrário de ordinário) terapeuta. Invista seu tempo e energia nisso. Como alguém pode desistir de sua vocação, se vender por uns trocadinhos e deixar seu sonho e vocação profissional? Todos no universo são o que são: você nunca verá uma zebra querer ser um leão. Só o ser humano (não todos) consegue ser o que não é. Busca uma pseudo segurança e foge de seus sonhos. Será que é preciso para não morrer de fome morrer de tédio? Como Jesus dizia "será que é preciso para conquistar o mundo perder sua alma?". Eu prefiro morrer de fome a morrer de tédio. Nosso site: www.salveaterra.com.br é exatamente para pessoas como você, que não desistem de seu sonho e vocação de fazer a diferença no planeta (fazer mesmo, e não achar que faz).


No livro “O Espírito da Saúde”, de Lise Mary, há este texto de Jean-Yves Leloup – que faz parte da formação em naturopatia, da Humaniversidade Holística – sobre Jesus e os terapeutas, que é de uma beleza rara: “Inicialmente, os Terapeutas de Alexandria cuidavam do corpo. Nos Evangelhos, muitas questões são colocadas sobre este momento da imposição das mãos. A importância da mão através do tocar, através da simples imposição, deixando passar através dela a energia da cura. Jesus é um terapeuta que tem mãos e pede a seus discípulos que imponham as mãos sobre os doentes. Na tradição dos Antigos há um texto que também é encontrado no Evangelho de Tomé, o qual nos diz que temos uma mão na nossa mão. E esta é uma palavra da qual precisamos nos lembrar quando acompanhamos um doente. Porque temos a nossa mão, com o seu conhecimento e a sua competência, mas através dessa mão flui a grande mão da vida. Jesus cuidava também dos doentes através de sua saliva ... Jesus trata os doentes com suas mãos, com sua saliva e também com suas lágrimas ... Quando Jesus despertava, naqueles que encontrava, o coração de pedra, ou um coração fechado pelo medo e pela recusa, este coração se liquefazia no amor. Por isso, dizemos que Jesus era um Terapeuta, no sentido físico do termo. Jesus era também um Terapeuta da alma e da psique. Ele transformava as pessoas em seres capazes de perdão. Perdoar é parar de

identificar o outro com as conseqüências negativas de seus atos e parar de nos identificar com as conseqüências negativas de nossos atos. Esta é a própria função do terapeuta. Diante de alguém que está fechado em suas memórias e fechado no encadeamento de causas e efeitos de seus atos, é preciso recolocá-lo em marcha na direção da vida. Esta é uma bela tradição das bem-aventuranças e, em hebraico, pode-se traduzir bem-aventurado por ‘Em Marcha!’, como tão bem o fez André Chouraqui. ‘Em marcha os humilhados do Sopro!... Em marcha os humildes! ... Em marcha os famintos e sedentos de justiça!. O ensinamento de Cristo é um convite à caminhada, a ir mais longe, a não se fechar no destino da doença, no destino social. Trata-se, pois, de reabrir a nossa capacidade de ir mais longe. Jesus é também terapeuta, no sentido espiritual do termo, no momento em que ensina seus discípulos a orar. Orar não é recitar preces, mas entrar em relação e em intimidade com a própria fonte do seu ser. Então, Jesus mostrava-se Terapeuta ao ensinar que pela prece o homem podia religar-se à sua fonte. Sabe-se que muitos sofrimentos e doenças ocorrem porque o homem se sente cortado da fonte do seu ser, cortado do seu desejo essencial, cortado do desejo essencial da vida que corre através dele. Quando ele se religa a esta fonte, a cura pode ocorrer. Esta cura ocorre também na comunidade, cada um na religião que é a sua, através do provar de sua própria fonte.”

Reflexão:

1 – O que ser um terapeuta significa para você? 2 – O que pensarei hoje como terapeuta para curar o planeta e trazer paz, alegria e justiça? 3 – O que falarei hoje como terapeuta para curar o planeta e trazer paz, alegria e justiça? 4 – O que significa para ti o convite do Mestre Jesus: “Quando andares por terras estranhas, cure os que estiverem feridos?” 5 – Qual o teu papel, tua missão no planeta? Quando a existência te deu o dom de ser um terapeuta foi para quê?

(*) Otávio Leal (Dhyan Prem) é um místico, mestre e terapeuta moderno. Como Master em Reiki Sistema Tradicional, Dentho e Tibetano iniciou nos últimos anos mais de 20.000 praticantes. Autor de vários livros e centenas de artigos místicos, espiritualidade, budismo, vegetarianismo, amor aos animais e ao planeta. Co-dirige a Humaniversidade, uma escola de Iluminação, ousada, vanguardista que forma alguns dos melhores terapeutas do planeta. www.humaniversidade.com.br

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Astrologia Integrada Signos do Outono no Hemisfério Sul

Por: Cristina Mallet (*)

ÁRIES, TOURO E GÊMEOS

Em Março, temos o início do ano astrológico, com a entrada do Sol em Áries, o primeiro dos doze signos. Este momento também marca o equinócio da Primavera (Hemisfério Norte) e do Outono (Hemisfério Sul), tempo de colheita. Na astronomia, equinócio é definido como o instante em que o Sol, em sua órbita aparente, (como vista da Terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). Mais precisamente, é o ponto onde a eclíptica cruza o equador celeste. Quando ocorre um equinócio, a linha que une o centro da Terra ao centro do Sol cruza o equador terrestre; ou seja, o Sol fica a pino (no zênite, em termos astronômicos) nos locais situados no equador (latitude 0º). Em outras palavras, no instante de um equinócio, o segmento de reta que une o centro da Terra ao centro do Sol é perpendicular ao eixo de rotação da Terra. Muito interessante esta linha reta entre o centro do Sol e o centro da Terra. É como um alinhamento entre nossas raízes (Terra) e nosso coração (Sol), servindo de base para o movimento circular da Terra. Neste ano, há um fator muito significativo nesta época, entre meados de março e início de abril. A dupla Júpiter/Urano nos primeiros graus de Áries. Júpiter é expansão e Urano traz inovações: a tecnologia, as ciências, o futuro. O tempo vai acelerar ainda mais, o mundo tende a passar por mudanças repentinas e a humanidade será “convidada” mais uma vez a alterar seu comportamento. É a inovação, a libertação de velhos paradigmas, quando todos seremos chamados a assumir a responsabilidade por quem somos, por nossas escolhas, tendo a consciência de que nossas ações afetam o todo, pois tudo está interligado neste Planeta e no Universo. Consciência e libertação são palavraschave para estes novos tempos. Plutão no início de Capricórnio reforça intensamente estes aspectos de mudança. Seremos levados a repensar e a encontrar atitudes mais harmônicas com o ritmo planetário, a vida como um todo.

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Áries, signo cardinal, elemento fogo, regido por Marte, com início em 20 de março, às 20h20min (SP) Áries é o primeiro signo do zodíaco, e corresponde à primeira casa do mapa, que inicia no ASCENDENTE. Áries representa uma energia bruta, ainda não lapidada, que chega com toda a vitalidade e impulso. É energia pura. Representa a Vontade, aquele que chega em busca de sua auto-afirmação, enquanto ser. O Ariano é o guerreiro, o que tem a força para dar início, o que abre caminhos. Ação, espírito de liderança, empreendedorismo. Áries comanda. Marte, seu regente, é conhecido como o Deus da Guerra. O símbolo da energia e da sexualidade masculina, da coragem. Ação impulsiva, destemida. Entretanto, este mesmo impulso pode servir a muitos fins. Um deles, é a condição de ultrapassar barreiras, enfrentar adversidades. Áries traz uma forte vontade, energia concentrada, a semente que será plantada e deverá germinar em magníficos frutos. Por ser cardinal de fogo, é iniciador, inquieto e buscador. Tem espírito pioneiro e militante. Precisa estar em movimento, sempre em busca de novos desafios. Assim, ele encontra significado para sua existência, em direção a novas conquistas, abrindo novas frentes e caminhos. Áries governa a cabeça. É o signo do pensamento, onde tudo começa. Áries tem como oposto complementar o signo de Libra. É o eixo das polaridades - O EU e O OUTRO.


Touro, signo fixo, elemento terra, regido por Venus, com início em 20 de abril, às 7h17 (SP) Touro, o segundo signo, corresponde à segunda casa do mapa. Esta casa mostra o que desejamos. A energia-desejo é uma força misteriosa e poderosa: o que desejamos atraímos para nossa vida. Touro é o símbolo da força criativa. É forte, firme e receptivo. Representa a terra que recebe a semente e a faz germinar. Touro é forjador, dá forma à vida, à matéria, é realizador. É o primeiro dos signos de terra, concreto, ligado ao corpo físico, aos sentidos, à sensualidade. Por ser um construtor, cria apego às formas que gera. Tem o desafio de ter o domínio sobre a matéria, caminho para a iluminação. Buda se iluminou na lua cheia de Touro, a representação do terceiro olho, que tudo vê, desperto, iluminado. A segunda casa, representada por Touro, rege os valores, em todos os níveis. Valor que atribuímos a nos mesmos, ao outro, à vida, aos relacionamentos, aos bens; inclusive, como ganhamos dinheiro. É a casa dos recursos. Regido por Venus, Touro valoriza a beleza, o conforto, o bom gosto. Signo fixo, resiste às mudanças. Seu movimento é lento. É leal, dedicado e tem uma imensa capacidade de trabalho. Touro rege a garganta, a voz. No antigo Egito, Touro era chamado “a intérprete da voz divina”. O oposto complementar de Touro (que dá forma) é Escorpião, (o que transforma). Gêmeos, signo mutável, elemento ar, regido por Mercúrio, com início em 21 de maio, às 6h21min (SP)

Gêmeos, o terceiro signo, corresponde à terceira casa do mapa. É o signo que simboliza a dualidade humana (espírito e matéria). Mercúrio é mensageiro, o que faz a ponte, a ligação; inclusive, entre a mente concreta e a mente abstrata. A mente concreta, o raciocínio, o aspecto acumulativo, os registros. Costumo dizer que

Gêmeos é o banco de dados do zodíaco, pela diversidade de interesses e informações que guarda, pela facilidade de criar metodologias. Gêmeos cumpre o papel proposto por mercúrio: é o disseminador, o que divulga. Para Gêmeos, o “em torno” é referência, o ambiente e as pessoas próximas. É o signo das mídias, das formas de comunicação, da busca pela informação, do aprendizado. É eclético, ágil e tem a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Os geminianos não são lineares, têm interesses que, às vezes, até parecem contraditórios. É o primeiro signo de ar, elemento ligado aos relacionamentos. No mapa de cada um, a casa três mostra como entendemos e registramos o que nos foi comunicado na primeira infância. É o entendimento da comunicação que vamos levar para a vida, para os relacionamentos que desenvolvemos ao longo do caminho. Gêmeos é, normalmente, muito inteligente, solidário e, por ser mutável, é também flexível. Gêmeos rege os pulmões, braços e mãos. Em geral, os geminianos têm muitas habilidades manuais. Recomendo que trabalhem a respiração para manter um bom fluxo de energia, lembrando que é através da respiração que interagimos com o meio e mantemos a vida. Seu oposto complementar é Sagitário, o que traz significado ao conhecimento, o que ensina. Para finalizar, sugiro que neste novo ano astrológico que inicia em 20 de março de 2011, busquemos mais ainda o nosso centro, o coração, a morada de nossa intuição. É um ano regido por mercúrio, o que indica que o mundo estará mais acelerado ainda. Não devemos nos deixar invadir pelas coisas do mundo. Cuidemos do ritmo interno, nosso biorritmo, o relógio da natureza. Vamos respirar conscientemente, fazer a conexão interna. Muitas coisas talvez aconteçam: raios, apagões, alteração nas placas tectônicas. E nós precisamos estar atentos, alertas, conscientemente calmos, seguros em nosso pilar de luz, onde mora o Amor e não o medo.

(*) Cristina Mallet teve sua trajetória profissional no mundo corporativo, como executiva em empresas de publicações voltadas à Tecnologia e Telecomunicações. Em paralelo, estuda Astrologia desde 1978. Atualmente, é astróloga e empresária – sócia proprietária da Arjuna Livraria e Espaço (55 11 38158026 - www.livrariaarjuna.com.br). Ministra palestras e cursos sobre Astrologia e também sobre a Fraternidade Branca. É reikiana e iniciada em Magnified Healing®. Faz atendimentos astrológicos na Arjuna e no Hotel Ponto de Luz, onde faz parte da equipe de terapeutas.

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