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IRRIGAÇÃO Tecnologia permite que o produtor decida o momento certo da adubação, ainda evita perdas em estiagem e aumenta os lucros

Projeto “Mais Pasto x Mais Leite” Prevenir é o melhor remédio RS beneficia pequenos laticínios


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anos

com você

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A

edição de agosto/setembro 2013 da Revista Visão Rural é especial: marca nossa chegada ao terceiro ano de existência. De agosto de 2010, quando a revista foi lançada, na Expofortuna (Rio Fortuna – SC) pra cá foram 17 edições com uma gama de assuntos de interesse do pequeno produtor rural, especialmente os bovinocultores de leite. A revista vem se firmando no mercado editorial do segmento agropecuário e alcança metas inimagináveis. Quando da sua estreia, nossas pretensões era bem modestas: chegar ao maior número de produtores rurais do sul catarinense. No entanto, a qualidade e a importância das informações aqui impressas fizeram com que a revista


se consolidasse também em território gaúcho. E não para por aí. Já estamos trabalhando para nos consolidarmos também em outras regiões e estados. É importante frisar que esta expansão é o resultado da qualidade do conteúdo oferecido pela Visão Rural. E crescer, para nós, de pouco adianta se não mantermos esta essência. Crescer também não significa mudar nosso foco. Nascemos para ser a revista da família rural, para servir de fonte de informação e conhecimento para os muitos pequenos produtores rurais. Estes, fundamentais para o desenvolvimento do nosso país, mas carentes de veículos direcionados somente a eles. Por meio de reportagens e artigos dos nossos colaboradores, continuaremos a levar às famílias das pequenas propriedades rurais novas téc-

nicas que possam ser aplicadas à sua propriedade. Melhorar a vida de quem vive no campo, significa melhorar a nossa vida. Expandir nosso território de circulação vai permitir uma troca ainda maior de bons exemplos. Tudo o que os produtores do sul catarinense realizam já é exemplo para todo estado de Santa Catarina e regiões distantes. Não é à toa que tantas propriedades recebem visitantes dispostos a conhecer exemplos de sucesso. Com a expansão da Visão Rural também será possível importar bons exemplos do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e demais regiões de Santa Catarina. E continuar a exportar os bons exemplos do sul do Estado. É o que propomos no início deste terceiro e importante ciclo da revista Visão Rural.

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Fazer feno na propriedade

é alternativa mais barata

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ratar bezerras com feno ajuda no melhor desenvolvimento dos animais. O alimento dilata rumem sem engordar a bezerra. Na fase adulta, as vacas comem mais e, consequentemente, aumentam a produção. Comprar o produto, no entanto, ainda representa um custo alto para a propriedade. Por um fardo de feno, o produtor paga, em média de R$ 8 a R$ 10. Produzir o feno na propriedade tem se mostrado uma boa alternativa para os bovinocultores. É o caso da produtora Cristiane Felisbino Ghizoni, que reside próximo ao centro de Grão-Pará (SC). Na propriedade, as bezerras sempre foram alimentadas com feno comprado. Este ano, pela primeira vez, decidiram produzir. Para isso, utilizaram “sobras” da pastagem de verão, especificamente a estrelinha e a encrenca de vi-

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zinho. “A gente ia fazer tudo silo e comprar feno, mas aí sugeriram deixar uma parte para fazê-lo”, conta Cristiane. Em um hectare, conseguiram produzir cinco silos e 400 fardos de feno. Cada unidade custou R$ 2,5. Se fosse para comprar, à R$ 8, pagariam R$ 3,2 mil, um valor quatro vezes maior. “Para o próximo ano, pretendemos fazer novamente. O custo é bem mais baixo”, destaca a produtora. Antes o produto era adquirido apenas para as bezerras leiteiras. Com feno de sobra, alimentam também os bezerros para engorda e as novilhas maiores. Hoje há equipamentos específicos para a produção do feno. O custo para aquisição pode ser alto, mas a contratação dos serviços é mais viável. A produtora terceirizou o serviço de corte e enfardamento da pastagem. Num primeiro momento, o prestador do serviço corta a grama. Nos dias


Benefícios Cristiane Felisbino Ghizoni, que reside próximo ao centro de Grão-Pará (SC)

O produtor Marciano Boeing, e sua esposa Maiara, da comunidade de Três Divisas, em São Ludgero (SC)

seguintes, os produtores precisam virá-la com frequência para a pastagem secar bem. Ao final do período, de cerca de três dias, o prestador volta para a propriedade para fazer os fardos. A tentativa do produtor Marciano Boeing, da comunidade de Três Divisas, em São Ludgero (SC), não foi tão positiva. Ele e a esposa, Maiara, tentaram fazer fumo aproveitando os equipamentos que utilizavam na época do fumo. “Cortamos a pastagem com a roçadeira e secamos na estufa do fumo”, conta Marciano. Depois, fizeram os fardos na máquina de prensa e enfardamento da cultura. “Dava muito trabalho e desistimos naquele ano”, lembra. Hoje os animais da propriedade não recebem feno em nenhuma fase de desenvolvimento. “Optamos por não dar, mas via a diferença na época em que se alimentavam com feno. Elas se desenvolviam bem e o pelo ficava lisinho”, diz.

O aumento do rumem e o estímulo à mastigação estão entre os principais benefícios da utilização do feno como alimento para as bezerras, explica o médico veterinário Felipe Machado Vieira. Quanto maior o rumem, maior será a quantidade de alimento ingerido pela vaca quando adulta. Outra vantagem do feno, conforme Vieira, é o estímulo à salivação, que leva à maior produção de bicarbonato, melhorando o ph ruminal e consequentemente a flora ruminal. O aumento na produção de bactérias facilita a digestão dos animais para a vida toda. O feno pode ser benéfico para as bezerras, mas necessita de cuidados. “O produtor deve procurar fenos de boa qualidade. Se for fazer, deve secá-los bem ao sol”, aconselha o médico veterinário. A umidade no feno causa mofo e deteriora o produto. “O que pode causar problemas para os animais e desenvolver doenças como a diarréia, por exemplo”, explica Felipe. Segundo o veterinário, o produtor pode escolher o feno ideal pela cor. “O produto deve estar com uma coloração 40% esverdeada. É o ponto ideal: nem muito seco, nem verde demais”, informa. O profissional orienta que as bezerras recebam feno na segunda ou terceira semana de vida. “Há estudos que recomendam fornecer o alimento somente após a quinta ou sexta semana”, comenta. “Antes desse período o feno vai ajudar pouco no crescimento do rumem”, acrescenta. O animal pode ser alimentado com feno até a fase adulta. “O normal é ele receber até completar entre seis e dez meses”, conta. Por ser um alimento com baixos índices de proteínas, deve ser fornecido em consórcio com ração e água em abundância. “Não recomendo feno à vontade para não limitar o consumo do concentrado”, sugere Felipe.

Colaborou com esta reportagem: Fernanda Oenning Della Giustuna

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Giro Agropecuário

SOJA

Diogo Schotten Becker Gestor em Agronegócio e Acadêmico de Agronomia diogoschottenbecker@hotmail.com

MAIS UM RECORDE

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Brasil deverá viver mais um período de área e produção recordes de soja na safra que será semeada neste ano e colhida no próximo. As primeiras estimativas das consultorias indicam que a área deverá ficar próxima de 30 milhões de hectares, enquanto a produção se aproximará dos 90 milhões de toneladas. Esses números nunca foram vistos no país. O primeiro levantamento da AgRural indica que os produtores brasileiros deverão dedicar 29,5 milhões de hectares para a soja, 6% mais do que na safra 2012/13. Se os dados da área se consolidarem e a produtividade mantiver a tendência das últimas dez safras, a produção deverá atingir 89,1 milhões de toneladas, segundo a consultoria. Neste ano, o país produziu 81,5 milhões. Daniele Siqueira, analista da AgRural, diz que, embora as cotações de Chicago apontem valores inferiores aos de há um ano, a alta do dólar tem um efeito positivo sobre os preços em reais. A Safras & Mercado prevê uma ampliação da área para 29 milhões de hectares na safra 2013/14, um avanço de 4% em relação à an-

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terior. Se a área for confirmada e o clima ajudar, a produção nacional subirá para 88,2 milhões de toneladas, nas contas da consultoria. Perspectivas de lucratividade, oferta de crédito oficial e privado, além de estimativas de preços médios bons, estão levando mais produtores para a soja, segundo os analistas da Safras.Leonardo Sologuren, da Clarivi, está terminando o primeiro levantamento de intenção de plantio. Os números não serão muito diferentes dos apresentados pelas demais consultorias, diz ele. Na avaliação de Sologuren, o grande perdedor nesta safra que se inicia será o milho. Ele também acredita que os preços da soja, a evolução do crédito e o câmbio pesam a favor da oleaginosa. A confirmação desses números para o país na safra 2013/14 serão um desincentivo ao plantio em 2014/15, segundo Sologuren. Além de safra recorde no Brasil, os demais países da América do Sul e os Estados Unidos terão bons números, o que permitirá uma recomposição dos estoques. Essa recomposição, mais uma desaceleração da economia chinesa, deverá influenciar nos preços.


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Produtores devem aproveitar

momento para capitalizar e investir Com o valor do litro do leite em alta, bovinocultores devem aplicar sobras em técnicas que reduzam os custos de produção

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preço do leite para o produtor está em um dos seus melhores momentos. No sul catarinense, laticínios pagam, em média, R$ 1 por litro. A fase pode ser ideal para investir em tecnologias que baixem o custo da produção de leite na propriedade. É o que aconselha o analista de mercado do Centro de Socioeconomia Agrícola de Santa Catarina (Epagri/Cepa), Francisco Carlos Heiden. Caso o preço pago pelo litro permaneça em um bom patamar, o técnico, que faz o acompanhamento dos preços do leite em Santa Catarina, sugere que o produtor aproveite o momento para se capitalizar. “E também fazer investimentos importantes na propriedade, no sentido de melhorar a sua produtividade e baixar o custo de produção”, destaca. Para Heiden, tais investimentos podem preparar melhor o produtor para uma queda nos preços. “Produtores mais bem preparados tem mais chance de se manter competitivos nos momentos menos favoráveis”, enfatiza. De acordo com o analista, fatores 8

desfavoráveis à importação, como preço alto no mercado internacional e o real desvalorizado, além da queda na produção de leite no primeiro semestre, se comparada ao ano anterior, são fatores que favorecem o aumento do preço do litro de leite para o produtor. “E a demanda brasileira de produtos lácteos continua aquecida”, acrescenta Francisco. Para Heiden, é cedo para afirmar como vai se comportar o preço do produto nos próximos meses. Para agosto, a expectativa é de que o valor por litro aumente para o produtor. “Poderá variar de dois a cinco centavos por litro”, informa o analista. O preço referência do leite padrão, projetado para julho de 2013 foi R$ 0,8924 por litro de leite posto na propriedade, um aumento de 1,3% (R$0,0116) em relação à junho deste ano. “Daí em diante não se sabe. Historicamente a curva de preços na primavera é decrescente (exceto 2011), por acusa do aumento da produção brasileira”, destaca Heiden. Para o analista, o preço pago ao produtor pode cair um pouco em setembro. “Mesmo assim, creio que os laticínios devem continuar remunerando bem o produtor de leite”, acrescenta.

Francisco Carlos Heiden, analista de mercado do Centro de Socioeconomia Agrícola de Santa Catarina (Epagri/Cepa)


Produção pode exceder em 2015

Com base em análises realizadas pela Epagri/Cepa, estima-se que em 2015 possa começar a sobrar leite no mercado, o que provocaria uma queda brusca nos valores pagos pelo produto. “Se a disponibilidade interna de leite e o consumo brasileiro aumentarem na mesma proporção dos últimos dois anos, em 2015 o consumo nacional alcançará o volume recomendado pelo Ministério da Saúde (200 litros/ano por pessoa), prevê o analista. Caso o consumo nacional pare de crescer, a única alternativa para manter o ritmo de crescimento da produção leiteira será a venda dos produtos no mercado internacional, defende Heiden. “Exportar seria uma maneira de dar vazão ao excedente”, destaca o analista. “E desta forma equilibrar a oferta e procura do leite resfriado, para dar sustentação aos preços oferecidos aos produtores”, finaliza.

Projeto Um Milhão prevê aumento de litros de leite por dia

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Governo do Estado de Santa Catarina em parceria com a Epagri e as Secretarias de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte, Laguna e Tubarão, lançam no dia 31 de agosto, o Programa Um Milhão, que prevê o aumento de litros de leite num período de cinco anos passar de 500 mil para um milhão de por dia, envolvendo quatro mil produtores, 19 laticínios e 21 municípios. “Com o lançamento oficial do projeto começamos a luta pelo dobro da

produção leiteira. Os municípios da regional de Braço do Norte obtém hoje o maior número de litros/dia e por isso vamos intensificar a campanha por lá,”, destaca o gerente regional da Epagri, Luiz Marcos Bora. O programa tem total apoio da Secretaria de Agricultura do Estado, que se prontificou a aumentar os insumos oferecidos aos agricultores para que o projeto dê certo. Conforme o secretário Regional de Braço do Norte, Roberto Kuernte Marcelino, o projeto é pioneiro no estado e irá alavancar a economia dando opor-

tunidade a novos produtores. “Para alcançarmos nosso objetivo iremos elevar a quantidade de calcário de 6 para 15 mil toneladas por ano, de 250 para 500 kits forrageiras, sendo que cada um tem o valor de R$ 1,8 mil, e ainda serão disponibilizados R$ 3 milhões para o programa Juro Zero. Na última semana os empresários donos de laticínios se reuniram para uma apresentação e um pré-lançamento do projeto. “Queríamos deixa-los a par do que virá pela frente e do total apoio que daremos para que o programa de certo”, completou Bora. 9


VACINAS:

prevenir é melhor alternativa

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anter o gado afastado de doenças é a melhor forma de evitar perdas de animais e produção. E as vacinas têm significativa importância na prevenção de enfermidades infecciosas que podem diminuir a produtividade e até mesmo causar a morte do animal. Boas práticas na criação, manejo sanitário adequado do rebanho e a aplicação correta das imunizações também são fundamentais para a eficiência das vacinas na prevenção de doenças. De acordo com o médico veterinário Paulo Mota Bandarra, professor de patologia e clínica médica de ruminantes da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), a maioria das vacinas, quando aplicadas de forma correta, possui boa eficácia. A maior ou menor eficiência, no entanto, depende do produto utilizado, das 10

variações individuais de cada animal, além de fatores ligados à correta conservação e aplicação da vacina. O veterinário lembra que para a maioria das vacinas não é necessário o descarte do leite, ou seja, não há período de carência, como em certos tipos de medicamentos. “Mas é sempre importante observar as informações contidas nas bulas e as orientações de um médico veterinário”, recomenda. O que pode ocorrer com algumas vacinas, de acordo com Bandarra, é uma pequena redução temporária na produção de leite, que pode ocorrer pelo próprio manejo da aplicação, mas que normalmente não chega a ser significativa. “Não há interferência na qualidade do leite”, destaca. Não há um calendário definido para a aplicação destes imunizadores. “O momento pode ser variável de acordo com o tipo de vacina, mas é possível estabelecer um calendário de vacina-

ção para o rebanho”, informa o médico veterinário. Para o profissional, o calendário deve ser elaborado com a orientação de um médico veterinário, que vai estabelecer as vacinas indicadas para cada rebanho e formular um programa sanitário para o mesmo. O período de aplicação, conforme o professor, varia de acordo com cada vacina. “A da brucelose, por exemplo, é aplicada somente em bezerras de três a oito meses”, exemplifica. “A maioria só deve ser aplicada nos animais com mais de três meses de idade, pois antes desta fase estes se encontram protegidos pelos anticorpos maternos provenientes do colostro”, esclarece o veterinário. O profissional explica que a presença destes anticorpos podem interferir na resposta vacinal do animal. Bandarra recomenda que as imunizações que protegem animais jovens, como as vacinas contra agentes que causam


Paulo Mota Bandarra, médico veterinário, professor de patologia e clínica médica de ruminantes da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul)

diarreia e enfermidades respiratórias, sejam aplicadas nas vacas entre os 60-30 dias que antecedem o parto. “Desta forma os anticorpos maternais passados pelo colostro protegerão os animais nesta fase”, explica Bandarra. Para o professor, o ideal é sempre procurar a orientação de um médico veterinário. Há vacinas, como a da raiva, por exemplo, que podem ser instituídas pelos órgãos sanitários de cada estado, nas regiões onde forem detectadas a ocorrência de surtos desta doença. É o que ocorre em todos os estados brasileiros, exceto Santa Catarina, com relação à Febre Aftosa. O estado catarinense é o único livre da doença sem vacinação. Nos demais, os produtores deve imunizar seu rebanho em duas etapas. A primeira, em maio, para animais a partir de um dia de idade, a segunda, em novembro, para animais com até 24 meses de idade. Por ser uma região mais fria e úmida, condições favoráveis ao aparecimento de enfermidades respiratórias, é aconselhável que os animais criados no Sul do país sejam vacinados contra essas doenças. “A vacinação contra agentes da tristeza parasitária bovina tem surgido como uma alternativa interessante nos últimos tempos, visto que, esta doença é mais prevalente na região Sul do que no restante do país”, informa Bandarra.

Cuidados Alguns cuidados são fundamentais na hora de aplicar a vacina no animal. A maioria delas não precisa ser aplicada por um médico veterinário, mas deve-se seguir a prescrição e orientação do profissional. “No caso da vacina da brucelose, a venda se dá sob prescrição obrigatória e aplicação sob supervisão do médico veterinário”, explica o médico veterinário Paulo Mota Bandarra. O manejo dos animais também é importante para garantir uma boa resposta da vacina. De acordo com o profissional, deve-se evitar estressar e maltratar os animais. “Isto pode prejudicar a resposta imunológica à vacinação, além disso, os animais sadios e bem nutridos têm melhor resposta imunológica às vacinas do que os doentes ou mal alimentados”, complementa. Os equipamentos utilizados nos procedimentos devem ser limpos e desinfetados. “O ideal é que se utilize seringa e agulhas descartáveis para cada animal. O material deve ser aberto no momento da vacinação”, destaca o veterinário. De acordo com Bandarra, não há a necessidade de trocar de seringa a cada animal, porém, a agulha deve preferencialmente ser sempre trocada. “No caso de utilização de pistola de vacinação e agulhas não descartáveis, deve-se ter especial atenção com a limpeza e desinfecção destes equipamentos”, detalha. O produto não deve ser aplicado em partes impróprias ou sujas do corpo do animal. Também é preciso prestar atenção na conservação das vacinas. "Nas que precisam ser refrigeradas, deve-se controlar o acondicionamento das mesmas, que necessitam ser mantidas em baixa temperatura, normalmente entre dois e oito graus”, esclarece. “A via e a dose a ser aplicada em cada animal deve ser a mesma indicada

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pelo fabricante. Uma dosagem menor do que a indicada não proporcionará proteção desejada”, informa Bandarra. O médico lembra que o produtor deve ficar atento às doses de reforço nos animais que foram vacinados pela primeira vez, o que ocorre, normalmente, um ou dois meses após a primeira dose, e na revacinação, que normalmente é semestral ou anual.

Programa de Vacinação Abaixo disponibilizamos um modelo de um programa de vacinação para o rebanho. É apenas um modelo. O ideal é que cada produtor, com a orientação de um médico veterinário, faça um que melhor vai se adaptar à sua propriedade.

Programa de vacinação

Principais doenças infecciosas com vacinas disponíveis no Brasil

Vacas Vacina

Proprietário

1ª Dose

2ª Dose

Próxima

Próxima

Próxima

Observação

1ª Dose

2ª Dose

Próxima

Próxima

Próxima

Observação

1ª Dose

2ª Dose

Próxima

Próxima

Próxima

Observação

Carbúnculo Raiva IBR+Leptospirose Leptospirose Mastite Paratifo (Salmonelose) Rotavírus e Coronavírus CCIB (Ceratoconjuntivite) Vermífugo

Novilhas Vacina

Virais:

Carbúnculo

Raiva; Coronavírus; Rotavírus; Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR); Diarréia Viral Bovina (BVD). Parainfluenza

Raiva IBR+Leptospirose Leptospirose Mastite Paratifo (Salmonelose) Rotavírus e Coronavírus

Bacterianas:

Salmonella; Escherichia coli; Leptospirose; Brucelose; Pasteurelose; Clostridiais (carbúnculo sintomático, edema maligno, hemoglobinúria bacilar, tétano, botulismo, enterotoxemia) Carbúnculo hemático.

CCIB (Ceratoconjuntivite) Vermífugo

Terneiras Vacina Carbúnculo Raiva IBR+Leptospirose Leptospirose Mastite Paratifo (Salmonelose)

Outra doença com vacina disponível no Brasil é a Tristeza Parasitária Bovina, causada três agentes distintos: dois protozoários, Babesia bovis e B. bigemina, e um bacteriano, Anaplasma marginale.OBS.: esta vacina ainda não está amplamente disponível no comércio. Ainda não é possível comprála diretamente em uma agropecuária, ela deve ser encomendada diretamente com o laboratório que a produz.

Rotavírus e Coronavírus CCIB (Ceratoconjuntivite) Vermífugo

Corbúnculo = 1 dose, reforço com 30 dias + anual Raiva = 1dose, reforço com 30 dias + anual IBR + Leptospirose = 1 dose, reforço com 30 dias + anual Leptospirose = 1 dose, reforço com 30 dias + semestral ou anual

Mastite = 1 dose, reforço com 30 dias + semestral Paratifo (Salmonelose) = 1 dose, reforço com 21 dias + anual Rotavírus e Coronavírus = 1 dose, reforço com 30 dias + anual CCIB (Ceratoconjuntivite) = 1 dose, reforço com 30 dias + semestral ou anual

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Você pode baixar este modelo em www.revistavisaorural.com.br/ftp/programavacinacao.pdf

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Governo do RS beneficia pequenos laticínios com

crédito presumido Conforme levantamento da Secretaria da Fazenda, os benefícios representam cerca de 2,5 milhões de reais ao ano

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etade dos pequenos laticínios do Rio Grande do Sul, inspecionados pela Divisão de Inspeção dos Produtos de Origem Animal (Dipoa) da Seapa, já assinaram o termo de adesão para acesso ao crédito presumido. O documento permite que as empresas usufruam dos benefícios fiscais estipulados pelo Decreto 50.499, assinado pelo governador Tarso Genro em julho deste ano. Em troca, as empresas devem aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-Poa) Lácteos. As medidas passam a valer a partir de agosto. O Decreto modifica o regulamento do ICMS, aumentando o crédito presumido do setor de cinco para 10%. A medida atende as

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reivindicações das indústrias de laticínios e da cadeia produtiva. Conforme levantamento da Secretaria da Fazenda, os benefícios representam cerca de 2,5 milhões de reais ao ano, que poderão ser investidos na melhoria dos laticínios. Na atividade conjunta da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, com a Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do RS (Apil), o governador Tarso Genro acatou reivindicação do setor para extensão de benefícios tributários para todos os produtos lácteos e não apenas ao queijo. A medida hoje, atinge os que processam até 1,2 milhão de litros de leite para transformação em queijos. O governo estadual autorizou ainda a ampliação do benefício aos que industrializam até 300 mil litros de leite/mês para transformação em outros produtos lácteos.


"Estamos ampliando o crédito presumido de ICMS, ou seja, eles (os pequenos produtores de leite) irão pagar menos ICMS na produção de queijos e irão aderir ao Sistema Nacional de Inspeções a Produtos Animais. Assim, poderão vender o soro do queijo para as indústrias maiores que fabricam leite em pó, vendido em todo o Brasil", explicou o Secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi. Nos próximos meses, os 23 estabelecimentos serão vistoriados pela Dipoa para verificar se cumprem as regras do Sisbi/Suasa. O sistema implantado pelo Governo Federal permite que empresas com Selo de Inspeção Estadual comercializem mercadorias em todo 23 estabelecimentos serão território nacional, vistoriados pela Dipoa para desde que cumverificar se cumprem as regras do Sisbi/Suasa pram as normas para obtenção do selo do Sisbi/ Suasa. O primeiro requisito para a adesão ao Sistema é a realização de auditoria em Boas Práticas de Fabricação. Segundo a coordenadora da Divisão, Ângela Souza, a auditoria é realizada em três dias, por dois auditores do serviço de inspeção. “Nesse momento são avaliados os processos de fabricação e o cumprimento das normas técnicas estabelecidas para a obtenção, por parte da indústria, do laudo favorável, ou não, para a futura adesão ao Sisbi-Poa-Lácteos”, explica. Os demais laticínios têm até 31 de janeiro de 2014 para solicitarem à Secretaria da Agricultura a adesão ao Sistema.

Mais sobre a redução Definida pelo decreto 50.498, de 22 de julho, a redução da alíquota de ICMS é resultado de trabalho conjunto com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e a Secretaria da Fazenda. Válida para 18 setores da economia do Rio Grande do Sul, a isenção estimula a busca por insumos dentro do próprio Estado, na avaliação do presidente da Associação das Indústrias de Móveis (Movergs), Ivo Cansan. “A redução desse tributo fará com que as empresas gaúchas que adquirem mercadorias de outras indústrias gaúchas desembolsem um valor menor, ampliando sua competitividade”, afirma. Para Cansan, a redução pode levar a uma diminuição de preços ao consumidor, tornando os produtos mais atrativos. O decreto desonera a produção sem prejuízo da arrecadação de ICMS, na medida em que transfere o recolhimento para a fase de comercialização (diferimento). A iniciativa ainda deve ser estendida a outros setores.

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Tradição

passada pelas

“nonnas” A revista Visão Rural deste mês destaca a tradicional culinária italiana. Convidamos o italiano, radicado no Brasil, Ivan Croce, para ensinar a receita de dois deliciosos pratos. Ivan é um experiente cozinheiro. Por muitos anos trabalhou em restaurantes da Alemanha e Itália. Agora, no Brasil, aperfeiçoa seu dom em cursos e trocas de experiências com chefes de cozinha. As receitas, ele coloca em prática no restaurante que administra com a esposa.

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Ivan explica que a cozinha italiana é conhecida mundialmente pela simplicidade de seus pratos. Diferente, por exemplo, da francesa, que possui receitas mais complexas. “Os italianos preferem resultados baseados na qualidade dos ingredientes ao invés da complexidade na preparação”, destaca. “Os verdadeiros chefes de cozinha na Itália são as ‘nonnas’ (vovós) e não os grandes cozinheiros”, revela. Para ele, a comida italiana é uma das mais fáceis de fazer em casa. Além da gastronomia, o país europeu que exportou muitos colonizadores para o Brasil, também é conhecido pela grande produção de vinhos e queijos de diversos tipos. “Eles não podem faltar na mesa da família italiana, tanto no almoço, como no jantar”, conta Ivan. “Sem esquecer do pão, alimento indispensável para qualquer italiano”, acrescenta. De acordo com Ivan, a refeição de um italiano só termina depois que ele bebe um bom café expresso. “O que nos mantém unidos e nos deixa felizes na Itália é reunir toda família, degustar um bom vinho e saborear uma comida preparada com dedicação, saborosa e completa”, conclui. A seguir apresentamos duas receitas que representam muito bem a cozinha italiana: Pasta al Ragu (molho bolonhesa) e o Risi e Bisi (Arroz com ervilhas). Para a Pasta al Ragu, você pode fazer a massa em casa, ou comprar uma pronta a seu gosto. O Risi e Bisi é um prato típico da região do Vêneto. Simples de preparar e muito gostoso. Confira e experimente!


Pasta al Ragu Ingredientes: 400 gramas de carne moída 1 cenoura picada 1 cebola picada 500ml de caldo de carne 50 gramas de manteiga 3 cravos 1 caixa de extrato de tomate Sal e pimenta

Modo de preparo: Dourar a cebola na manteiga, adicionar a carne moída e deixar fritar um pouco. Uma vez bem frita a carne adicionar a cenoura, o caldo de carne, o extrato e os cravos. Sal e pimenta a gosto. Deixar cozinhar em fogo lento até reduzir e ficar com consistência de molho. Servir sobre a massa apenas cozida. Salpicar com queijo parmesão a gosto.

Rendimento: para 4 pessoas

Risi e Bisi Ingredientes: 350 gramas de arroz arbório 1 litro de caldo de legumes 200 gramas de ervilha congelada Sal e pimenta 1 cebola pequena 50 gramas de manteiga

Modo de preparo: Dourar a cebola na manteiga, adicionar o arroz. Ferver o caldo e ir adicionando aos poucos até o cozimento do arroz. Na metade do cozimento adicionar as ervilhas lavadas e escorridas. Sal e pimenta a gosto.

Rendimento: para 4 pessoas

Obs: nesta receita usamos ervilha congelada, pois ela não se desmancha, mantendo o prato mais apresentável, mas nada impede de usar ervilha enlatada.

“Os verdadeiros chefes de cozinha na Itália são as ‘nonnas’ (vovós) e não os grandes cozinheiros”, revela Ivan Croce 17


AS LEIS QUE REGEM O

TRABALHO NO CAMPO

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onhecer e respeitar a legislação é fundamental em qualquer negócio. No campo não é diferente. São direitos que o produtor rural pode cobrar e deveres que devem ser cumpridos. A partir desta edição, a revista Visão Rural abordará a legislação que afeta o campo, especialmente em quatro pontos: trabalhista, tributária, sanitária e ambiental. Na edição deste bimestre, abordaremos as leis trabalhistas. A Constituição de 1988, no artigo 7º, garantiu aos trabalhadores do campo os mesmos direitos dos da cidade. Desde então, eles tem assegurado o aceso ao seguro-desemprego, INSS, FGTS, décimo terceiro, horas extras, férias, entre outros benefícios. As normas para o trabalho no campo também estão previstas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Lei 5.889 de 1973, regulamentada pelo Decreto nº. 73.626 de 1974. Ficar atento a essas leis é importante para evitar ações trabalhistas, comuns no meio urbano, mas não muito frequentes quando envolvem trabalhadores e empregadores do campo. De acordo com a advogada Camila Mendes Pilon Ricken, todo empregador deve assinar a carteira de trabalho do empregado que contratar. “Todo funcionário precisa ter o registro em sua carteira profissional, seja ele urbano ou rural, pois esta é a sua garantia para no futuro requerer a aposentadoria ou caso venha necessitar de um benefício junto ao INSS”, esclarece a advogada. “Aquele empregador que não vier a registrar o seu empregado está sujeito a sofrer uma ação trabalhista por parte do empregado”, destaca. Para não correr o risco de terem despesas maiores no ato da demissão , empregadores podem realizar um contrato por prazo determinado, ou por safra. “Porém, todo contrato deve ser analisado por um profissional da área antes da assinatura, evitando transtornos futuros”, destaca Camila. Empregadores rurais também devem ficar atentos às vantagens oferecidas aos empregados. “Quando você cede moradia ou 18


alimentação, por exemplo, tem entendimentos de que este valor deve integralizar o salário dos empregados, o chamado salário in natura”, informa Camila. “É preciso contribuir para o INSS sobre as vantagens oferecidas também. Porém existem formas de afastar este entendimento. O empregador pode cobrar um valor do empregado por estes benefícios, não precisando assim, realizar tal contribuição”, esclarece. Também é importante ficar atendo à idade do empregado. Somente podem ser contratados jovens com mais de 14 anos, sob contrato de menor aprendiz. “Deve-se cumprir o estabelecido pela legislação. O jovem deve estar estudando e a carga horária deverá ser reduzida, com tempo livre para o estudo”, detalha Camila. “Empregar menores de 14 anos é considerado exploração de trabalho infantil”, destaca a advogada.

“Todo funcionário precisa ter o registro em sua carteira profissional, seja ele urbano ou rural, pois esta é a sua garantia para no futuro requerer a aposentadoria ou caso venha necessitar de um benefício junto ao INSS” esclarece a advogada Camila Mendes Pilon Ricken

Aposentadoria Quando se trata de leis trabalhistas e previdenciárias, é bom ressaltar que a forma de garantir uma aposentadoria sem maiores problemas é contribuir para a Previdência Social. É o que defende a advogada Camila Mendes Pilon Ricken. Encaixam-se na condição de segurados especiais, somente produtores rurais que trabalham em regime de economia familiar. “Todos da família precisam trabalhar na propriedade para manter a casa”, explica a advogada. Neste caso, nenhum membro da família pode ter rendimento que venha de fora da propriedade rural. “Se o esposo trabalha com carteira assinada, por exemplo, a mulher perde o direito de segurada especial”, explica. Para ser considerado segurado especial, o produtor também não pode ter nenhum empregado. “Quem começou a trabalhar na roça depois de 1991 é contribuinte obrigatório, ou seja, para poder usufruir dos direitos junto ao INSS, deverá realizar os recolhimentos para a Previdência Social”, destaca Camila. “Porém, é importante analisar caso a caso, uma vez que a legislação esta em constante mudança”, finaliza.

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Programa implantado pela Epagri aumenta produção de leite, reduz custos, e promove melhorias sociais e ambientais

Produção de leite com sustentabilidade

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m 2004, a gerência regional de Tubarão da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) deu início à implantação de um sistema que mudaria a vida de muitos produtores de leite: o pastoreio rotativo Voisin. O projeto denominado Produção de Leite com Sustentabilidade tinha a parceria do grupo de pastoreio Voisin da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Mais tarde também ganhou o apoio de laticínios e das prefeituras de São Martinho e Rio Fortuna. No

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primeiro ano, 56 propriedades tiveram o sistema implantado. Hoje, estima-se que sejam mais de mil nas cidades de Rio Fortuna, São Martinho, Santa Rosa de Lima, Grão-Pará, Braço do Norte, Armazém, Gravatal, São Ludgero e Treze de Maio. Caminhando para o nono ano de implantação, o programa colhe bons frutos. Em 2010 a Epagri publicou os resultados e ações do programa na região. Na coleta de dados realizada naquele ano pela gerência da Epagri, foi constado um aumento médio de mais de 150 litros de leite por dia. Se antes do projeto a produção era de 103 litros, em 2010 saltou para 266. O


desembolso com alimentação, que era de R$ 0,27 por litro baixou para R$ 0,15. “O pastoreio rotativo Voisin veio para ficar. O piqueteamento do pasto e o manejo adequado destas áreas possibilitou ao produtor de leite e carne dobrar a produção na mesma área, diminuindo mão de obra familiar, medicamentos, e o custo de produção em mais de 25%”, comemora o gerente regional Luiz Marcos Bora. Entre 2003 e 2009, a produção de leite na microrregião de Tubarão, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 99%. Hoje a região sul é o terceiro maior pólo produtor de leite em Santa Catarina. O projeto de Produção de Leite com Sustentabilidade tem como objetivo manter a atividade leiteira nas pequenas propriedades da região, gerando renda, emprego, recuperação ambiental e qualidade de vida. De acordo com o engenheiro agrônomo, Inácio Trevisan, o sistema se adequou perfeitamente às características dos municípios, pois os mesmos possuem as condições para produzir leite e carne o ano todo à base de pasto e com baixo custo. “O projeto permite fornecer a todos os animais, todos os dias, a quantidade e qualidade de pastagens que atendam às exigências nutricionais dos animais”, complementa. A proposta é fornecer pastagem adequada para que o gado produza diariamente oito a dez litros de leite. Somente os animais com produção superior serão alimentados com concentrado, conforme a produtividade. Ou seja, quanto mais leite o animal produz, mais concentrado ele recebe.

Para isso, Trevisan explica que é necessária a implantação de um plano forrageiro, com a adoção de tecnologias que permitam recuperar a terra, realizar análises de solo para adequação da fertilidade e do manejo do solo, das pastagens e dos animais. “Com a adoção destas tecnologias, o produtor consegue reduzir os custos de produção e aumentar os lucros com a atividade”, acrescenta o profissional. Os animais neste sistema ficam no campo dia e noite. Voltam para os currais apenas para as ordenhas. A consequência, segundo Trevisan, é o aumento da resistência do rebanho. “Nesta condição, de volta às origens, os animais tornam-se menos sensíveis a mamites e outras enfermidades”, destaca. Trevisan destaca que o programa de produção de leite com sustentabilidade proporciona a diversificação do pasto em qualidade e quantidade. “Melhora a fertilidade do solo, pelo manejo e pela diversificação de espécies, além do melhoramento do material genético animal, e a permanente capacitação dos agentes humanos envolvidos no processo”, cita. Ao longo do tempo, a expectativa é de que mais benefícios sejam observados. “À medida que o projeto se estabelece ao longo do tempo, a fertilidade natural do solo melhora e produz pastagens de qualidade e em maior quantidade, possibilitando a ampliação de lotação e, como consequência, maior produtividade. Na medida em que se desenvolve o projeto, vai ressurgindo a micro e meso vida do solo”, explica Inácio Trevisan.

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Produtores comemoram bons resultados Os produtores que implantaram o projeto já colhem bons resultados nos aspectos sociais, econômicos e ambientais. A ampliação da oferta de pastagem de qualidade reflete na redução dos custos com o uso de concentrados e o aumento da produção diária. “Além da satisfação do resultado econômico, as famílias passaram para uma atividade mais humanizada, uma relação mais amigável com os animais e uma melhoria nas condições higiênicas e ambientas da atividade”, destaca Trevisan. Além de economicamente viável, o projeto promove a recuperação ambiental, reduz os efeitos maléficos da erosão do solo e dispensa o uso de herbicidas e de outros agrotóxicos. Na propriedade de Lauro Bloemer, na comunidade de Nova Fátima, interior de Santa Rosa de Lima (SC), a preocupação em melhorar a produção do 24

leite começou antes da implantação do projeto, no ano de 1998. A implantação dos piquetes começou em 2002, quando uma acadêmica de agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estagiou por uma semana na propriedade. “Ela deu a ideia e fui visitar propriedades. Tínhamos um pé atrás, mas hoje quem não tem pastagem ficou pra trás”, conta Lauro, que toca a propriedade ao lado nora e do filho. Inicialmente eram técnicos da UFSC que repassavam as orientações, hoje é somente a Epagri. Bloemer abandonou o fumo pra investir na produção de leite, hoje a principal fonte de renda da família. Praticamente toda propriedade, de cerca de 17 hectares, é dividida em piquetes. São 73 no total. O rebanho, de 43 vacas, passa o dia em um e a noite segue para outro. “A intenção é que no futuro elas passem em três piquetes por


dia”, conta Lauro. Além da orientação técnica, a família recebe auxilio da Epagri para administrar a propriedade. Em uma tabela colada na parede de um dos cômodos da casa, a família mostra os bons resultados das melhorias. Em 1998 eram 18 animais na propriedade. Em 2011, fecharam o ano com 40. No início, a produção anual de leite, por hectare, era de 2,3 mil litros. Em 2011 saltou para quase oito mil. Em 1998, para cada litro de leite, a família gastava 890 gramas de concentrado. Hoje são apenas 324 gramas. “Antes a gente tinha prejuízo, mas nem sabia, porque não fazia o controle”, recorda Lauro. O produtor Ambrósio Tenfen também tem muito que comemorar. A implantação do sistema de piqueteamento ocorreu em 2000. “Se na época as vacas produziam 200 litros por dia se alimentando

no cocho, hoje elas chegam a 700 litros oferecendo uma alimentação mais barata, a pastagem”, destaca. São 55 piquetes na propriedade. “Mas queremos chegar a 80-90”, conta. A intenção do produtor também é que as vacas passem a manhã em uma área, a tarde noutra e a noite em uma terceira. Mesmo sendo uma alimentação mais barata, Ambrósio não descuida da qualidade do que é oferecido para os animais. Hoje ele testa, na propriedade, dois tipos de azevem originários da Nova Zelândia. “É preciso pastagem de qualidade e animais com boa genética para ter bons resultados”, acrescenta. E os investimentos são contínuos. Tenfen já tem projeto para a implantação de um sistema de irrigação. “Nunca me faltou pasto, mesmo em períodos de seca, mas sempre é possível melhorar”, destaca. 25


Pequenos animais comprovam a qualidade do solo

Grupo formado por 20 produtores da cidade de Porto União, planalto norte catarinense, visitou a região de Tubarão para conhecer o sistema de produção de leite com sustentabilidade

Exemplo para o estado Os bons resultados do sistema de produção de leite com sustentabilidade têm atraído produtores de diversas regiões de Santa Catarina. Interessados em adaptar o programa para as regiões que habitam, bovinocultores visitam propriedades da região para conhecer o projeto. Em junho, um grupo formado por 20 produtores da cidade de Porto União, planalto norte catarinense, visitou a região de Tubarão para conhecer o sistema de produção de leite com sustentabilidade. Em visitas a propriedades de Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima e São Martinho puderam trocar experiências com produtores que há anos implantaram o sistema de sucesso. Em Rio Fortuna, visitaram a propriedade de Ambrósio Tenfen. Em Santa Rosa de Lima, Lauro Bloemer e, em São Martinho, a propriedade de Ademar Sehnen. Os produtores são referencia regional na produção de leite com sustentabilidade.

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A presença das minhocas e dos besouros, popularmente conhecidos como rola-bostas, comprovam a qualidade do solo sobre o qual é implantado o sistema de pastoreio rotativo Voisin. Os pequenos animais exercem papel importante na produtividade do solo e exigem terras com umidade e ricas em matéria orgânica. Tanto as minhocas, quanto os besouros rola-bosta, não toleram a presença de agrotóxicos. “A presença da biologia do solo é fundamental para a redução de verminoses e moscas nas propriedades”, destaca o engenheiro agrônomo Inácio Trevisan. “Num comparativo de solos com a presença de minhocas e rola-bosta, com um solo que não apresenta estes trabalhadores gratuitos, fica evidente a contribuição destes pequenos animais na melhoria da qualidade do solo, inclusive contribuindo com a redução das secas e enchentes em função do trabalho de proporcionar maior infiltração da água da chuva no solo”, detalha o profissional. Os pequenos animais se proliferam em climas diferentes. “As minhocas exigem umidade e temperaturas baixas e sua intensidade de atuação ocorre nos meses do ano de menor temperatura. Os rola-bosta exigem calor e umidade, sendo sua concentração nos meses do ano de maior temperatura”, explica o engenheiro.


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Pecuária de leite

sustentável Implantar novas técnicas pode aumentar os lucros e facilitar a mão de obra

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é tema de curso

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uscar conhecimento é fundamental em qualquer atividade. Para o produtor rural não é diferente. Implantar novas técnicas pode aumentar os lucros e facilitar a mão de obra. Em junho, cerca de 20 produtores de leite de Rio Fortuna (SC) participaram de mais um curso de pecuária de leite sustentável promovido pela Epagri local. É a quarta turma, totalizando cerca de 100 produtores capacitados. O objetivo, de acordo com o engenheiro agrônomo João Paulo Reck, é incentivar os participantes a implantar sistemas de produção que aumentem a participação de forrageiras de alta qualidade na alimentação animal, reduzindo custos de produção. “A recuperação da fertilidade do solo visando o aumento da produção de forrageiras de alta qualidade foi um dos principais assuntos tratados no curso. Quanto maior a produtividade e a qualidade de uma forrageira, maior será sua exigência em fertilidade de solo”, destaca o profissional. Ainda foram abordados temas como o manejo da alimentação animal e o planejamento forrageiro, além do manejo sanitário preventivo, com a demonstração de um método de ordenha higiênica. Durante quatro sextas-feiras, os produtores se reuniram na parte da manhã para receber informações teóricas. À tarde visitaram propriedades em que os conhecimentos adquiridos já são aplicados. Na propriedade de Ambrósio Tenfen, próximo ao centro de Rio Fortuna, os produtores puderam observar os vários tipos de pastagens. Na comunidade de Rio


Facão, na propriedade de Vanderlei Bloemer, conheceram pastagens sobressemeadas com trevo, aveia e azevém. No Rio Otília, em visita ao produtor Dâmaso Ricken, conheceram o sombreamento de pastagens. Na visita à propriedade de Lourivaldo Bloemer, também no Rio Otília, puderam observar a irrigação de pastagens. Para encerrar, visitaram a propriedade de um dos participantes do curso, o produtor Adélcio José Eing, para uma aula prática de ordenha higiênica, ministrada pelo engenheiro agrônomo Alexandre Furlaneto Fernandes. Para o produtor Valisio Kuhnen, da comunidade da Barra do Rio Chapéu, o curso ajudará a “melhorar a propriedade e a qualidade do leite”. Kuhnen participou de todas as aulas para buscar informações atualizadas sobre a atividade leiteira. “Voltamos a trabalhar com gado de leite há apenas dois anos, depois de muito tempo afastados da atividade”, conta. O produtor Adélcio José Eing, do Alto Rio Fortuna, recebeu os colegas do curso para a aula prática de encerramento. A propriedade dele foi escolhida como modelo de práticas higiênicas durante a ordenha. Foi o primeiro curso que o produtor participou. “Para mim foi muito bom. Estou analisando o que aprendi para adaptar o que for possível à minha propriedade”, diz. Para ele, abrir a propriedade para visitantes também é uma forma de aprender mais. A capacitação não teve custo para os produtores. Os recursos foram viabilizados por meio do Programa SC Rural e contou com a parceria da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Rio Fortuna.

Durante quatro sextas-feiras, os produtores se reuniram na parte da manhã para receber informações teóricas. À tarde visitaram propriedades em que os conhecimentos adquiridos já são aplicados

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Aeradores aumentam produtividade na piscicultura

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nvestir na piscicultura tem sido uma excelente alternativa de renda para produtores rurais. A atividade tem boa rentabilidade em um pequeno espaço da propriedade. Na região da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel), no sul catarinense, a piscicultura cresce em média 10% ao ano. Dados de 2012 apontam a região como a segunda maior produtora de peixes de água doce no estado. Estima-se que 1,1 mil propriedades possuam açudes. Deste total, 350 exploram a atividade profissionalmente. Apesar de ser uma atividade recente e ainda um pouco “artesanal”, o cultivo de peixes de água doce vem sendo profissionalizado por muitos produtores. De acordo com o médico veterinário da Epagri, Albertino de Souza Zamparetti, cresce o número de produtores que buscam tecnologias que visem aumentar a qualidade do produto e a lucratividade. Uma das técnicas difundidas para a atividade é o uso de aeradores, que tem como finalidade incorporar oxigênio à água. Segundo Zamparetti, responsável pela agricultura e pesca na região de Tubarão, para um bom desempenho na produção, é necessário que as

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condições do ambiente sejam boas também. “O peixe se desenvolve melhor quando recebe boa alimentação em um ambiente de qualidade”, reforça. “O aerador oportuniza um sistema em equilíbrio e o resultado é uma produção maior e de mais qualidade”, explica. O que significa aumentar os lucros utilizando o mesmo espaço físico. Saber usar bem os aeradores também faz diferença. “Eles não precisam estar ligados direto, mas sim nos momentos de maior deficiência de oxigênio”, explica o médico veterinário. Observar o comportamento dos peixes pode ser um indicativo da necessidade de ligar o aparelho. “Se o peixe vem buscar oxigênio na ‘flor’ da água, por exemplo, é necessário ligá-lo”, explica Zamparetti. Por meio do disco de secchi também é possível analisar a transparência da água. “O medidor mais exato é um aparelho chamado oxímetro, recomendado para quem tem grande produção”, informa o médico veterinário. A importância e o bom uso dos aeradores foram abordados em seminário promovido pela Epagri de Rio Fortuna (SC) no mês de julho. Para o palestrante Cláudio Luis Tessarolo a


“É preciso saber quanto ele transfere de oxigênio por kilowatt/ hora e se certificar de que esta informação é verdadeira”

principal função dos aeradores é aumentar a produtividade. “O produtor acredita o aerador deve ser usado quando há risco de mortalidade, mas não é bem assim”, destaca. “Eles vão auxiliar para uma conversão alimentar adequada, o que permite uma taxa de crescimento maior”, explica. Tessarolo destaca que o equipamento tem duas funções principais: aumentar os níveis de oxigênio da água e fazê-la circular. “O que faz com que a água com oxigênio se espalhe por todo lago”, informa. Segundo ele, saber a potência instalada é fator decisivo para a rentabilidade do investimento e deve ser observada na hora da compra do produto. “É preciso saber quanto ele transfere de oxigênio por kilowatt/hora e se certificar de que esta informação é verdadeira”, recomenda. O manejo adequado também é importante. “Ele deve saber, principalmente, quais os horários o aerador deve ser ligado”, informa. Cláudio também reforça a necessidade de medir a qualidade da água. “O peixe você não vê, nem ouve. É preciso fazer leituras, principalmente do oxigênio na água. É impossível fazer cultivo de peixe sem saber se aquela condição está boa ou não”, destaca.

Fortalecimento Assim como nas demais atividades, a união de piscicultores é importante para o fortalecimento. Na Amurel, sete associações atuam em favor dos produtores de peixe. “Por meio desta parceria é possível comprar insumos mais baratos e vender o peixe por um preço melhor”, destaca Zamparetti. Segundo o médico veterinário, o projeto para a construção de uma unidade de abate de peixe em Braço do Norte, por meio da associação de piscicultores local, pode alavancar a atividade em toda a região. “Além de conseguir um preço melhor, eles evitam a inadimplência”, destaca. Zamparetti lembra que há pouco tempo piscicultores da região venderam toda a produção para uma empresa que decretou falência. Até hoje eles esperam pelo pagamento.

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de pastagens Tecnologia permite que o produtor decida o momento certo da adubação, ainda evita perdas em estiagem e aumenta os lucros

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nfrentar longos períodos de seca não é uma preocupação que aflige os produtores rurais do sul catarinense. A região é uma das que apresenta a melhor distribuição de chuvas no decorrer do ano. Mesmo assim, produtores de leite têm investido em sistemas de irrigação para as pastagens. O número ainda é pequeno, diferente da fertirrigação. As vantagens estão na aceleração do crescimento, no aumento da produtividade, dos lucros e na diminuição de perdas. De acordo com o engenheiro agrônomo Alexandre Furlaneto Fernandes, o sistema é mais utilizado para semeadura, distribuição de nitrogênio e em momentos que não há água para a planta (períodos de estiagem). Fernandes acredita que a produtividade aumente, em média, 20% nas propriedades com bom sistema de irrigação. “É o que observamos onde ele foi implantado”, explica. “A irrigação ainda reduz perdas na adubação nitrogenada”, destaca o engenheiro agrônomo. Como as plantas precisam de boa umidade para absorver o nitrogênio, a irrigação torna-se fundamental para melhor nutrir a pastagem. “A implantação do sistema permite ao produtor decidir o momento em que ele vai distribuir o nutriente”, destaca Alexandre. Com a irrigação, o produtor não precisa esperar pela chuva para aplicar o produto. De acordo com o engenheiro agrônomo, o ideal é

que a pastagem receba nitrogênio de oito a dez vezes no ano, o que só é possível com irrigação. “Isso também depende da quantidade de desejos que ele aplica na pastagem, pois estes já possuem nitrogênio”, acrescenta Alexandre. A fertirrigação é muito difundida para a aplicação de dejetos de suínos e bovinos nas pastagens. Para o engenheiro agrônomo João Paulo Reck, o sistema de irrigação traz segurança aos produtores. “Além de evitar perdas, em caso de seca, e aumentar a produção”, acrescenta. O sistema também possibilita que o produtor antecipe o plantio das pastagens de inverno em 30, 45 dias. O plantio das gramas resistentes ao frio ocorre, geralmente, entre meados e final de maio. Com a irrigação, é possível antecipar para a metade de abil, o que permite colocar os animais na pastagem quando os demais produtores estiverem semeando. Fernandes destaca que, apesar da boa distribuição das chuvas no sul catarinense, os períodos de estiagem, que podem durar cerca de 30 dias, podem causar redução considerável na produtividade. “Exemplo disso é quando esse período seco coincide com o plantio, aplicação de uréia, florescimento e enchimento de grãos da cultura do milho”, explica. O produtor interessado em implantar o sistema de irrigação deve procurar orientação técnica. “É preciso fazer um estudo da área e elaborar um

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de pastagens projeto. Um sistema mal implantado pode significar prejuízos para o produtor”, alerta Alexandre. O custo para instalação da irrigação por aspersão, método mais utilizado na região, em uma área de três hectares é de R$ 15 mil. “Esse valor tende a diminuir conforme aumenta o tamanho de hectares irrigados”, destaca. De acordo com o profissional, há recursos disponíveis para financiar a aquisição dos equipamentos e os juros são acessíveis. “Além disso, conforme Resolução Normativa 414, de setembro de 2010, os produtores podem solicitar desconto no valor da energia gasta em determinado período do dia”, orienta Alexandre. Produtores catarinenses que trabalham com a aquicultura ou possuem sistema de irrigação têm desconto de 60% do valor do kilowatt/hora no período das 21h30min às 6 horas da manhã. Para isso, ele precisa ter um relógio com medidor próprio para a atividade. O desconto deve ser solicitado junto à distribuidora de energia elétrica, mediante a comprovação do exercício da atividade. Para Alexandre, devem investir no sistema, apenas produtores com um nível tecnológico avançado. Ou seja, o produtor que já investe em correção e adubação do solo, pastagens de qualidade e animais de boa genética. “São aqueles que já conseguem tirar o máximo de produção de uma determinada área. Quando ele chegou ao limite de produção, mas ainda quer um melhor rendimento, precisa partir para a irrigação”, detalha o engenheiro agrônomo. “São propriedades que não conseguem produzir mais porque não tem umidade na hora certa”, acrescenta. De acordo com Alexandre, o investimento em um sistema Engenheiro Agrônomo Alexandre Furlaneto Fernandes 36

de irrigação só dará retorno ao produtor se ele tiver um manejo adequado nas etapas anteriores. Aspersão Na região, o método de irrigação mais utilizado é a aspersão. É um sistema composto basicamente por tubulações, aspersores e conjunto de motobomba para captar água de uma fonte (rio, lago, represa) e conduzi-la até as plantas. O sistema é indicado para solos com boa infiltração. Fique atento! No Brasil, o uso da água foi institucionalizado pela lei Federal 9984/2000, criando-se a Agencia Nacional das Águas (ANA), cuja missão é implantar políticas, bem como criar resoluções sobre o gerenciamento dos recursos híbridos. O aproveitamento das águas para irrigação, quando essa atividade gerar concorrência entre os usuários, ou mesmo cause impactos ambientais, torna-se necessária a emissão de uma outorga. O documento é necessário para assegurar ao usuário o efetivo direito de acesso à água, bem como realizar os controles quantitativos dos recursos hídricos.


Em Santa Rosa do Sul, irrigação garante alimento para as vacas Renata Angeloni

O casal Ozeias Adão Pereira e Andréia Silveira Inácio decidiram diversificar a propriedade. Há cerca de 14 meses, os moradores da comunidade de Bela Vista, em Santa Rosa do Sul (SC) trabalham com o gado leiteiro. Após visitar outras propriedades, como a de Joarez Plácido Ricardo, em Araranguá (SC), um dos pioneiros na região do Vale do Araranguá a ter sistema de irrigação, optaram por adotar o mesmo sistema. “Resolvemos diversificar as culturas e o gado leiteiro foi uma das opções para migrar do fumo. A pastagem é um detalhe essencial e a irrigação garante que em qualquer situação não se fique sem o alimento dos animais. No trabalho com o fumo, tem a vantagem de auxiliar na época da semeadura”, descreve Ozeias. O produtor analisa que o investimento neste sistema se percebe a longo a prazo. A família adquiriu o sistema com uma linha de financiamento do governo, que oferece incentivos e se apresenta uma tendência. O técnico em agropecuária, Franqui Pereira da Silva, analisa que o governo federal tem propiciado estas linhas a fim de que haja subsídio para que o agricultor possa enfrentar

as adversidades. Conforme Franqui, principalmente após um período instável, cerca de um ano atrás, foi iniciado um processo de investimento com o sistema de irrigação. A seca com o solo arenoso, característico da região, acarretavam transtornos na agricultura. “Agricultores como o Ozeias, envolvidos com a associação de produtores, a Agrisul, trocaram ideias e viram que o caminho era investir em irrigação já que o recurso hídrico em falta se torna crítico para qualquer lavoura”, afirma. Com R$15,8 mil Ozéias, a esposa, e a filha Deise, contam com uma estrutura de 400 metros de mangueiras móveis, mais 300 metros de canos. Todo o terreno é alcançado com o sistema que é móvel. São 20 hectares atendidos com a vantagem de ter a semea-

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de pastagens dura sempre garantida, já que não precisa esperar a chuva cair para dar vigor ao que foi plantado. “A chuva é essencial no processo, e pode cair ou não. Com o sistema, o dia que eu quero posso plantar e não ter a preocupação de que vai haver perdas”, frisa Ozeias. Franqui cita que o histórico na região era de chuvas equilibradas, só que nos últimos anos a situação mudou, e apenas 15 dias de instabilidade podem trazer prejuízos severos, porque o gado não pode esperar pelo seu alimento. “A alteração constante mostra que vale a pena o produtor investir”, defende. Mas, para o profissional, a família precisa primeiro ter certeza de que quer investir na produção de leite, ou que vai seguir com o fumo, ou outra atividade que precise de água. “Quando alguém faz o investimento, mas muda de ideia, ele perde o foco e traz prejuízos, já que o retorno vem a longo prazo”, adverte o técnico. Ozeias diz que o sistema é bastante fácil de montar e lidar, e que realmente auxilia no processo de produção. Com o uso da técnica

de sobressemeadura, garante azevem, aveia e pastagens perenes. Quando o tempo colabora, pode manter o sistema desmontado e guardado. A água captada vem de peço artesiano, numa região em que se tem a facilidade de captação no lençol freático superficial. Como não existem muitos rios nas proximidades, o poço se torna a melhor alternativa. O sistema de Ozeias é acionado com dez ponteias por uma bomba de 20 cavalos, sendo que algumas pessoas podem acionar com menos, mas ele já está preparado para a expansão que planeja. A bomba ainda tem a capacidade de jogar o dejeto líquido – o esterco. Dois canhões de 2,500 servem para a irrigação e fertirrigação. O uso da água costuma ser feito em horários mais frescos, para evitar muita evaporação e tendo a necessidade pode-se usar quantos dias forem necessários. O projeto em implantação na propriedade será pago em dez anos, a juros baixos, numa linha de financiamento em que a parcela paga em dia tem desconto. O casal Ozeias Adão Pereira e Andréia Silveira Inácio decidiram diversificar a propriedade

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Sistema de irrigação do fumo é adaptado para pastagens O produtor Lourivaldo Bloemer aproveitou o sistema de irrigação do fumo para irrigar as pastagens da propriedade, na comunidade de Rio Otília, interior de Rio Fortuna (SC). O ex-fumicultor abandonou a atividade para investir, nos últimos três anos, na bovinocultura de leite. A irrigação é usada hoje para fornecer água e fertilizar o milho e as pastagens, principalmente as de inverno. Na propriedade há dois sistemas: o elétrico, movido por um motor que puxa a água de um córrego, e por declive, onde água e estercos são liberados do alto de um morro da propriedade. O produtor estima que a produção tenha aumentado em cerca de quatro litros por dia com sistema.

Bloemer utiliza a irrigação principalmente para adubar ou estercar (fertirrigação) e para suprir a falta de água nos períodos de estiagem. Com a instalação, Loro também pôde adiantar a semeadura da pastagem de inverno. “Março e abril geralmente são meses de estiagem. Posso semear e adubar sem me preocupar se vai chover ou não”, comemora. Quando a maioria dos produtores começa o plantio das pastagens de inverno, os piquetes na propriedade de Loro já estão prontos para receber os animais. “Outra vantagem é que a pastagem irrigada aguenta sete ou oito cortes. Nas normais, o máximo que se consegue são cinco”, destaca. Loro também ganha tem-

po. “Em 18 ou 20 dias a pastagem já está pronta para receber o gado outra vez”, conta. “Sem adubação e irrigação ela cresce mais devagar”, emenda. A produção de milho, fundamental para o silo do inverno, também é maior quando bem irrigada e adubada. “Chegamos a colher de 100 a 120 sacas de milho em uma safra”, informa. “Hoje o tempo seco não interfere mais na nossa produção, só não temos o que fazer quando chove muito, mas para algumas culturas isso é até bom”, diz o produtor. Loro instalou canos em todos os piquetes. Os canhões com aspersores são móveis e ele pode mudar conforme o piquete que será irrigado. 39


IRRIGAÇÃO

de pastagens Irrigação cresce no país, mas ritmo ainda é baixo A irrigação de culturas ainda é pouco difundida no país, assim como na bovinocultura. Hoje a região Sudeste e parte de Goiás são as que mais se destacam na utilização do sistema. “O Rio Grande do Sul, impulsionado pelo programa ‘Mais água, mais renda’, também se destaca. Não podemos deixar de ressaltar as ‘novas’ fronteiras agrícolas, como o Oeste da Bahia, e em menor escala o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, informa o engenheiro agrônomo Vinicius Melo. Aos poucos, ela também ganha espaço no Paraná. Dados apontam que há uma grande demanda por irrigação e uma baixa taxa de crescimento anual. “Mesmo se dobrarmos as áreas irrigadas em um curto espaço de tempo, não temos como suprir as demandas mundiais por alimentos e bioenergia”, destaca Vinicius. Apesar de ainda baixo, a irrigação vem crescendo de forma linear.

Também é possível observar uma migração para sistemas mais eficientes, como da inundação para a irrigação mecanizada ou localizada. “Isso mostra que o agricultor não pensa apenas em lucro, mas também tem consciência ambiental e visão profissional, isso sim é sustentabilidade”, destaca Melo. A técnica consiste em fornecer a quantia exata de água que a planta necessita. “Nem mais, nem menos”, acrescenta Melo. “Em qualquer plantio, em algum momento será necessário fornecer alguma quantidade de água para a planta”, reforça. O crescimento da cultura irrigada resulta em aspectos positivos economica, social e ambientalmente. Entre as vantagens estão o maior valor agregado ao produto, mais lucro ao produtor, a geração de empregos e a ampliação da produção em uma mesma área de terra.

Empresa é líder mundial na venda de equipamentos e tecnologias A Valmont é uma empresa líder mundial, no desenvolvimento, fabricação de equipamentos e tecnologias de irrigação mecanizada, serviços, qualidade e inovação. A marca Valley ficou marcada na história por ter estabelecido as bases da indústria de irrigação mecanizada. Esta posição de lide-

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rança pode ser demonstrada pelas vendas de mais de 100 mil pivots centrais, além de lineares e corners em todo o mundo, irrigando mais de 4,05 milhões de hectares. No Brasil, em 2013, a empresa comemora 35 anos da instalação do 1º Pivot Central. Detentora de mais de 60% do mercado de

irrigação mecanizada, a empresa tornou viável a exploração de culturas de maior valor agregado, gerando mais riquezas em um mesmo espaço, além de aumentar a oferta de empregos não sazonais, equacionando a sustentabilidade econômica, ambiental e social do agronegócio.


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O Rio Grande do Sul é uma das regiões de maior potencial alimentício do Brasil. Junto da Valley, líder em irrigação há 59 anos, ajuda esse gigante a alimentar o mundo. A Valley oferece com o seu portfólio de produtos e serviços um maior aproveitamento do solo e potencialização da sua produção, com economia de até 50% de água e conservando os recursos naturais da sua propriedade. Pivots Valley. Poupando o meio ambiente, respeitando o seu investimento e multiplicando os resultados da sua cultura.

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IRRIGAÇÃO

de pastagens Fertirrigação fornece água e nutrientes para pastagens Se a irrigação ainda não é comum na bovinocultura de leite, a fertirrigação, especialmente de desejos animais, já é praticada há anos. Ambas podem ser feitas utilizando os mesmos canos. O produtor precisa apenas trocar o tipo de dispersor. Estima-se que 99% dos produtores com sistema de irrigação o utilizam para a fertirrigação, principalmente de dejetos suínos. A engenheira agrônoma Fernanda Oenning Della Giustina sugere que produtores também utilizem desejos de bovinos para irrigar as pastagens. “Eles podem construir esterqueiras perto da sala da ordenha, para onde jogariam os desejos, já com água, durante

a limpeza do local”, explica. Para a profissional, a mistura da água com os dejetos é ideal para adubar a pastagens. “O que melhor funciona, muitas vezes, é a água que está no esterco, pois os dejetos não têm os nutrientes completos para o desenvolvimento da planta”, informa. A profissional recomenda a complementação com adubo mineral, além de análises frequentes do solo. “Muitos produtores criam porcos e aves de postura apenas para a fertirrigação. Poderiam usar excremento das vacas junto com uma boa adubação mineral, depois de feita uma analise de solo”, opina.

Cuidados são necessários Espalhar dejetos de animais, seja suínos, bovinos ou aves, requer cuidados especiais. Um dos principais é esperar o tempo de cura do esterco, que é de 60 dias. “Se ele for espalhado cru, deve-se esperar 60 dias para colocar as vacas de volta naquela área”, recomenda a engenheira agrônoma. “O produtor também deve sempre espalhá-lo com água”, destaca Fernanda. “O esterco cru pode queimar a planta, principalmente no verão, o que pode causar a morte da planta”, informa a engenheira agrônoma. Ela lembra que algumas doenças são transmitidas pelos dejetos. “O animal pode adquirir leptospirose, uma contaminação pela glândula mamaria, causando mastite, entre outras doenças”, cita. “Não podemos esquecer que o esterco é para o solo, para o pasto, e não para as vacas comerem e adquirirem doenças”, ressalta.

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Utilitários mais acessíveis pelo

“Mais Alimentos”

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nvestir na propriedade é uma necessidade constante dos produtores rurais. Novas tecnologias, equipamentos e veículos simplificam o trabalho de quem lida com o campo. Para facilitar o acesso aos recursos financeiros, essenciais para tais melhorias, o Governo Federal, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), oferece linhas de créditos que se adequam à realidade dos pequenos produtores. Entre as linhas mais utilizadas está o “Mais Alimentos”, que permite, entre outros, a compra veículos da categoria caminhonete. O objetivo é diminuir a distância entre o produtor e o mercado, facilitando o transporte de frutas, hortaliças, verduras e outros produtos da agricultura familiar até os locais de venda. Indicados para o transporte de cargas, os veículos financiados pelo programa abrangem quatro modelos fabricados por empresas diferentes. Cada uma com capacidade de até 750 quilos. O financiamento oferecerá condições especiais, com descontos de aproximadamente 15% em relação ao preço praticado no mercado. O financiamento pode ser efetuado nos bancos que operam a linha de crédito Pronaf Mais Alimentos. Antes da solicitação, no entanto, o produtor precisa desenvolver um projeto técnico simplificado, onde especificará como o veículo será utilizado.

Programa “Mais Alimentos” O “Mais Alimentos” é uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) criada pelo MDA, em 2008, para estimular a modernização produtiva das unidades familiares agrícolas de todo o País. Os recursos podem ser utilizados para compra de colheitadeiras, tratores, veículos de transporte de máquinas e equipamentos agrícolas, além de projetos para a correção e recuperação de solos, resfriadores de leite, melhoria genética, irrigação, implantação de pomares e estufas e armazenagem.

Pronaf O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) financia projetos individuais ou coletivos, que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. O programa possui as mais baixas taxas de juros dos financiamentos rurais, além das menores taxas de inadimplência entre os sistemas de crédito do País. Para obter o financiamento, o agricultor deve obter da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), que será emitida segundo a renda anual e as atividades exploradas, direcionando o agricultor para as linhas específicas de crédito a que tem direito. O agricultor deve estar com o CPF regularizado e livre de dívidas. As condições de acesso ao Crédito Pronaf, formas de pagamento e taxas de juros correspondentes a cada linha são definidas, anualmente, a cada Plano Safra da Agricultura Familiar, divulgado entre os meses de junho e julho.

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EXPOINTER reúne boas perspectivas 46

boa perspectiva da economia gaúcha em 2013, com a inclusão dos números da venda da supersafra de soja, poderá ser acompanhada durante a 36ª Expointer, de 24 de agosto a 1º de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Não é a toa que o Estado é responsável por 11,8% da agropecuária nacional. Ajudado pelo campo, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,5 % nos primeiros três meses deste ano, se comparado com mesmo período de 2012. Na pecuária, as bovinoculturas de corte e leite, suinocultura, avicultura e ovinocultura são as cadeias que mais contribuem, segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE). Internamente, o setor participa com 9,9% do Valor Adicionado Bruto (VAB). Esse percentual é maior do que a média brasileira (5,6%) e que o peso desse setor nos estados de maior PIB do País — São Paulo (1,6%), Rio de Janeiro (0,5%), Minas Gerais (9,0%), Paraná (7,7%), Bahia (7,7%) e Santa Catarina (8,2%).


Vendas crescem E a feira é o ponto alto. É por onde desfilam, são vendidos e expostos mais de quatro mil animais de 150 raças de bovinos, bubalinos, equinos, ovinos, suínos, dentre outros. Além disso, as máquinas e implementos agrícolas do que há de melhor em tecnologia também marcam presença. Ano passado, mais de meio milhão de pessoas passaram pelo Parque. Considerada a maior feira da América Latina, os números dão uma prévia do que deverá ser a deste ano: a comercialização total ultrapassou os R$ 2 bilhões.

Embasado nos números, diretor do Parque Assis Brasil e da Expointer, Telmo Mota, diz estar otimista. “Ainda mais se considerarmos a safra 2012/21013 e os programas federais e estaduais para o setor com grande aporte de recursos e juros compatíveis com a atividade”, acrescenta. O evento vem crescendo a cada ano. “Um exemplo é o recorde, em termos de público e vendas, alcançado ano passado”, destaca. A participação deve aumentar este ano, estima. “Esperamos superar a casa dos 500 mil participantes”, diz.

Obras no Parque A julgar pelo despenho esperado, o evento promete. Para receber a população em geral, produtores, expositores, o governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura, está investindo cerca de R$ 25 milhões em infraestrutura. “Os expositores e visitantes encontrarão o Parque em melhores condições, com obras de infraestrutura concluídas e outras em andamento, atendendo expectativa de muitos anos”, diz Mota. Cerca de 400 eventos estão programados: palestras, concursos, seminários, Feira da Agricultura Familiar, com destaque para a culinária gaúcha. Até o início do evento devem estar concluídas o novo cercamento e a construção de arquibancadas. As reformas dos pavilhões internacional, de artesanato, de gado leiteiro, bovinos e ovinos são outros investimentos da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) do estado gaúcho. Estima-se que sejam investimentos R$ 12 milhões em melhorias.

Freio de Ouro Uma das atrações mais esperadas e prestigiadas é o Freio de Ouro. Reunindo os melhores exemplares do Cavalo Crioulo, um dos símbolos culturais, prevê a participação de 25 mil pessoas, segundo os organizadores. As provas vão acontecer de 22 a 25 de agosto. A decisão será no domingo, no primeiro final de semana, conforme decidido pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

(ABCCC). As classificatórias ocorrem por todo o Brasil: além do Rio Grande do Sul, esperam-se participantes de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Distrito Federal, Roraima e Rondônia. Nas últimas três edições, a raça foi a campeã de vendas. Em sete leilões, foram arrematados 300 lotes de animais, totalizando R$ 9,3 milhões, 30% maior do que o comercializado em 2011.

Confira no site www.expointer.rs.gov.br mais informações sobre o evento

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Gado Jersey tem programação especial na Expointer 2013 Leilão de matrizes vai contar com a participação das principais cabanhas do estado gaúcho

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erca de 147 animais, de propriedade de 31 expositores de diferentes municípios do Rio Grande do Sul, estarão presentes na 36ª edição da Expointer. A Associação de Criados de Gado Jersey do RS já tem definida a programação voltada aos produtores da área. São esperados expositores de Hulha Negra, Pelotas, Sant’Ana do Livramento, São Lourenço do Sul, Bagé, Morro Redondo, Salvador do Sul, Aceguá, Independência, Capão do Leão, Parobé, Tapes, Humaitá, Pinheiro Machado, Mata, Santo Antônio da Patrulha, Taquara, Alegrete e Eldorado do Sul. Além do tradicional julgamento da raça, que tem início no dia 24, com a admissão dos animais, este ano a enti48

dade apostou num leilão diferenciado que deve atrair um grande número de criadores. Em pista estarão 20 matrizes jersey de dez cabanhas ranqueadas. O engenheiro agrônomo e superintendente substituto de registros genealógicos da associação gaúcha, Carlos Guilherme Rheingantz, informa que serão ofertados animais de excelente qualidade. “Será um leilão que trará de volta a destacada comercialização em Esteio, a exemplo das décadas de 80 e 90, onde as principais cabanhas do Estado colocavam à venda animais de ótimo pedigree”, afirma. Outras cinco fêmeas ainda podem integrar o evento. “A lista de venda será completada após o julgamento morfológico, com a entrada de até cinco fêmeas premiadas na própria mostra”, finaliza. As cabanhas já confirmadas no

leilão são Cinco Salsos, Agropecuária Fortaleza, Granja Maravilha, Estância Costinha, Cabanha Sanga Preta, Terra Santa Ltda., Cabanhas da Maya, VB, Gaudéria e Sítio da Capela. O evento acontece no dia 28 de agosto, às 19h, em frente a Casa do Jersey, no Pavilhão de Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O catálogo com informações sobre os animais está disponível na secretaria da entidade (Avenida Fernando Osório, 1754, Pelotas/RS). Os produtores interessados também podem solicitar o envio do material para um endereço fixo, ou, ainda, via e-mail. Mais informações com o escritório responsável pelo leilão, através do telefone (53) 9946 7188/9943 8760, ou, também, na Associação, (53) 3223 3919.


“Estamos programando uma grande exposição, com representação de alto nível, com o desafio de realizarmos um leilão de elite da raça Jersey, com cabanhas convidadas e animais de alta qualidade”

Programação Muito mais do que uma exposição-feira, a Expointer é ponto de encontro de antigos e novos produtores, que vão ao evento a procura de conhecimento, tecnologia e troca de experiências. Por isso, a programação da Associação de Criadores de Gado Jersey do RS está diversificada, a fim de atender o associado e todos os demais visitantes que devem circular pelo Parque Assis Brasil durante os

nove dias de feira. Serão julgamentos, mostras, leilão e palestras com temas a serem definidos. O evento de maior expectativa por parte dos organizadores é o leilão, como afirma o presidente da entidade gaúcha, Claudio Nery Martins. “Estamos programando uma grande exposição, com representação de alto nível, com o desafio de realizarmos um leilão de elite da raça Jersey, com cabanhas convidadas e

animais de alta qualidade”, destaca. A expectativa do presidente é que o evento se torne referência nacional, estimulando a transferência de genética nos criatórios gaúchos e brasileiros. Para atender a todas estas atividades, a Casa do Jersey irá abrir diariamente a partir das 8h, e disponibilizará aos frequentadores todas as refeições, mediante reserva, além de lanches.

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Medicina Veterinária

Diego Hobold Schulter e Érica Crocetta Acad. Medicina Veterinária

Suinocultura: Perdas na produção Por: Diego Hobold Schulter

Na criação extensiva de suínos, a redução nas perdas na terminação pode ser um fator predominante para a rentabilidade do processo. Nessas perdas, estão incluídos fatores como mortalidade, desperdício de ração, desempenho zootécnico, entre outros. O produtor precisa estar atento, pois as perdas não se resumem apenas àquelas aparentes, como a mortalidade. Também devemos levar em consideração, além das perdas em si, todos os investimentos financeiros e capital aplicado até o momento da perda e ainda a expectativa de ganho não realizada. Grande parte das perdas está relacionada ao desempenho

zootécnico ou ao perfil do produtor. Quando analisamos as perdas que ocorrem na terminação, podemos indicar vários motivos, tais como, mortalidade, desperdício, desempenho zootécnico, equipamentos e arredores e relacionadas ao perfil do produtor. Em todas essas situações, as perdas econômicas podem ser consideráveis, incluindo a possibilidade de exclusão da propriedade. Em períodos em que há baixa lucratividade na produção de suínos, a aplicação de atividades que reduzam as perdas é essencial para a sobrevivência da atividade. Nessas atividades estão incluídas atitudes simples, como a sanidade do

rebanho. A limpeza diária do local, controle de roedores e insetos e bom estado dos equipamentos utilizados são ações simples que influenciam no resultado final do rebanho. A presença de um Médico Veterinário pode ser útil na instrução de atitudes, que influenciam no melhor aproveitamento e rendimento da produção. O Médico Veterinário juntamente ao produtor pode elaborar estratégias que diminuem estas perdas contribuindo para uma maior lucratividade na propriedade. É interessante que haja uma boa relação entre produtor e Médico Veterinário para realizar-se uma boa assistência.

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Por: Érica Crocetta

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Você já bebeu seu leite de saquinho hoje? O leite é alimento precioso, é matéria-prima da vida, tanto o leite materno, sendo o primeiro alimento que conhecemos logo ao nascer, quanto o leite de origem animal que continua sendo recomendado por toda a vida. Mas porque o leite é um alimento essencial? Leite é fonte rica de proteínas, que desempenham papel importante em nosso organismo, fornecendo material para formação e manutenção de nossos órgãos e tecidos. Alem disso possui vitaminas, principalmente A e D, importantes para crescimento e desenvolvimento das crianças e também melhoram a resistência às doenças infecciosas. Ele também fornece uma grande quantidade de cálcio, mineral responsável pela

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formação e manutenção dos dentes e ossos, ajudando, por exemplo, a afastar a osteoporose, doença que causa fragilidade dos ossos. Não podemos esquecer-nos de nutrientes como potássio e selênio. Além dos lactobacilos que são microrganismos benéficos essenciais a nossa flora intestinal, que agem na prevenção de tumores. Porém, leite não deve ser consumido in natura, antes de ser envasado ou transformado em derivados, deve passar por tratamento térmico com objetivo básico de eliminar as bactérias prejudiciais a nossa saúde. Ele pode ser Pasteurizado ou Ultrapasteurizado (UHT). Mas qual a diferença entre eles? Bem, o leite pasteurizado ou “leite de saquinho” é aquecido a 72ºC e imedia-

tamente resfriado a 5ºC, eliminando totalmente os microrganismos maléficos. Já o leite Ultrapasteurizado (UHT) ou “leite de caixinha” sofre aquecimento de 150ºC, eliminando todas as bactérias, tanto más, quanto boas presentes no leite. Você sabia? O leite pasteurizado preserva os lactobacilos vivos e não altera as vitaminas e proteínas. O processo térmico do leite Ultrapasteurizado (UHT) acaba destruindo os lactobacilos e grande parte das vitaminas e proteínas, deixando o leite sem seus melhores constituintes. Saiba também que tomar leite pode ser um hábito ainda mais saudável, basta escolher bem o seu leite.


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Projeto “Mais Pasto x Mais Leite”

chega ao sul catarinense Melhorias nas pastagens são implantadas por meio de parceria entre Timac-Agro, Cooperativa Regional Sul e Laticínios Fortuna

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ucesso nas regiões em que foi aplicado, como o Oeste de Santa Catarina, o “Mais Pasto x Mais Leite” é implantado no sul de Santa Catarina. O projeto é uma iniciativa da empresa Timac-Agro e da Cooperativa Regional Auriverde. Na região, ele recebe o apoio do Laticínios Fortuna. Produtores parceiros da empresa já contam com um trabalho de acompanhamento, realizado pelos técnicos do laticínio, que já possui programas de qualidade do leite, piqueteamento e pastagem. O projeto consiste em um planejamento forrageiro, piquetiamento da área das pastagens e adubação das mesmas, baseando-se sempre nas análises de solo. “O diferencial da adubação preconizada nos campos, está nos fertilizantes utilizados (Lithammo, TOP-PHOS e Sulfammo) que não sofrem perdas por volatização e lixiviação”, informa o técnico agrícola da Cooperativa Auriverde, Alexandro Kempler. Estes possuem todos os nutrientes em um só granulo tornando a aplica-

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ção mais fácil e homogênea. A liberação gradual dos nutrientes promove uma fertilização mais equilibrada e longevidade das pastagens, bem como maior produtividade de pasto por hectare. “O principal desafio é conscientizar o produtor rural que fertilizar as pastagens é um investimento com retorno garantido, pois este é o trato mais barato que ele tem à disposição de seu rebanho”, destaca a engenheira agrônoma do Laticínios Fortuna, Fernanda Oenning Della Giustina. Para a profissional, já se foi a época em que se pensava que só produzia leite quem tinha dejetos suínos à disposição. “Pelo contrário, o uso frequente de dejetos suínos promove acidez de solo e, com passar dos anos, diminuição da matéria orgânica e desequilíbrio do mesmo, sem falar no potencial poluidor por coliformes fecais em nossos lençois freáticos e recursos hídricos”, ressalta Fernanda. A bovinocultura de leite tornou-se uma importante alternativa para as pequenas propriedades, sendo assim, antes de produzir leite, é preciso investir em pasto. “Se tivermos um solo

bem adubado, teremos uma pastagem com nutrientes propícios para a produção de leite. Devemos tratar o pasto igual a uma lavoura, deve-se repor os nutrientes”, explica o engenheiro agrônomo da Timac-Agro, Ítalo Bertoncini. Adubar uma vez não é suficiente. “Depois de alguns pastoreios pelo gado, devemos fazer a manutenção da adubação, principalmente após cada pastoreio”, acrescenta o profissional. “Todos os nutrientes que estão presentes em uma boa adubação passam para a planta, da planta para o animal e consequentemente para a produção do leite”, reforça Fernanda. Por meio da parceria entre o Laticínios Fortuna e a Cooperativa Auriverde foram feitas demonstrações de adubação em pastagens, além do plantio de variedades melhoradas, cada vez mais implantadas nas propriedades. “O que é uma tecnologia nova para alguns produtores, já vem sendo utilizada há mais tempo por outros. São tecnologias que dão certo, por isso devemos dividi-las com os demais produtores”, destaca o técnico agrícola da Auriverde Welington Mendes Borges.


Azevem KLM138

Este azevém precisa de bastante frio para sua produtividade. Seu teor de proteína chega a 22%, produz em media, 16% de matéria seca e 50ton de massa verde/há/ano.Usa-se 25 a 30 kg de semente por hectare, sua produção vai de junho a novembro. Produção kg de MS/há – 9000 a 14000.

Azevem Barjumbo

Variedades melhoradas para a estação mais fria do ano

Seu teor de proteína chega a 22%, produzem media 16% de matéria seca e 40ton de massa verde/há/ano.Usa-se de 25 a 30kg de semente por há.Sua produção vai de junho a outubro. Produção kg de MS/há – 8000-a 12000.

Azevem Estanzuela 284

Seu teor de proteína chega a 20%,produz em media 17% de matéria seca, 35ton de massa verde/há/ano.Usa-se 30kg de semente por há. Sua produção vai de junho a outubro. Produção kg de MS/há – 5000 a 8000.

Azevem São Gabriel

O azevém Fepagro São Gabriel é mais produtivo (maior produtividade de matéria seca por hectare) e de melhor qualidade (maior relação folha/colmo). Segundo os especialistas, a variedade pode ser cultivada solteira ou em consórcio com várias espécies, sendo também utilizada como melhoradora do campo nativo. Ciclo: 140-150 Crescimento: Ereto Resistência a seca: Baixa-média Resistência ao frio: Alta Resistência a umidade: Média-alta Época de semeadura: Março/Maio Profundidade de semeadura: 1-2cm Densidade de semeadura: 20-25 kg/Ha Produção de massa verde: 20-30 T/Ha Produção de proteína: 18-24% Formação: 45-60 dias Utilização: Pastoreio, corte, feno e silagem Consorciação: Aveia preta, aveia branca, centeio, trevo, ervilhaca

Área de teste para estas variedades O Laticínios Fortuna em parceria com a Cooperativa Auriverde e seus produtores e associados, testa estas variedades. Nos acompanhamentos, nota-se o aumento de cortes, comparado aos outros azevéns. “Podemos constatar, até agora, que existem muitos benefícios para estas variedades melhoradas”, informa a engenheira agrônoma Fernanda Oenning Della Giustina. Dentre os principais, podem-se destacar: a quantidade de semente por hectare que, compa-

rado com o azevém convencional, é bem menor; a resposta entre um pastoreio e outro é mais rápida; tem um ciclo mais longo para começar a florecimento; o número de cortes com relação ao azevém convencional é maior; a produção de massa verde é maior se comparada com outras variedades. “Os resultados são potencializados com uma boa adubação. Conforme experimentos, existe uma grande diferença nas áreas que foram adubadas com adubos mineral e as

que foram adubadas somente com adubo orgânico”, destaca a profissional. Com os resultados do campo, pode-se visualizar grandes diferenças com relação a outros tipos de pastagens convencionais. “A tecnologia está à disposição do produtor, sendo que cada vez queremos produzir mais e melhor. Está aí uma boa solução, principalmente para pequenas propriedades que precisam de uma demanda maior por alimentos”, enfatiza.

Testes com azevem klm 138, estanzuela 284, Aão Gabriel, barjumbo, aveia preta

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Produtores satisfeitos com o resultado Claudiomiro Loli – Barracão

O produtor Claudiomiro Loli, morador do Barracão, interior de Orleans (SC), começou a investir em sementes melhoradas para o inverno deste ano. A recomendação veio de outros produtores, que já utilizavam as sementes a mais tempo e, nas visitas a estas propriedades, pôde observar os benefícios. Uma das primeiras vantagens observada por Claudiomiro foi já na semeadura. “Ela rende mais. Pra área que eu usava cinco bolsas, agora semeio com duas e meia”, conta. Loli conta que a pastagem também tem um melhor rendimento, já observado a partir do segundo corte. “Em um piquete que antes o gado acabava com a pastagem em um dia, agora pode ficar até um dia e meio”, diz. Antes da sememeadura, o produtor abubou as áreas com esterco de galinha. A maioria dos piquetes foi semeado com estanzuela. “Plantei apenas cinco quilos de barjumbo e notei que tem maior rendimento que a estanzuela”, opina.

Jacinto Boeger – Rio das Furnas

O produtor Jacinto Boeger, da comunidade de Rio das Furnas, interior de Orleans (SC), resolveu testar o azevém barjumbo em 2012. “Fiquei contente, pois este chegou em dezembro e ainda não tinha florescido, consequentemente teve mais cortes que o azevém convencional”, destaca. Em 2013 o produtor voltou a usar o barjumbo, em consórcio com a estanzuela em alguns piquetes. O resultado tem agradado o produtor, que espalhou as sementes em terra limpa e também no pasto. “Minha preferência até o momento é pelo barjumbo, porque ele germinou antes e volta a fazer cortes 10 dias antes da estanzuela”, opina Jacinto. A adubação no local foi feita com lithammo na semeadura, no final de abril. O primeiro corte ocorreu após 40 dias, atrapalhado pela seca. Até o dia 17 de julho, já haviam sido feitos seis cortes, quando adubou com sulfammo. “O correto seria adubar no segundo corte, para que a resposta de crescimento fosse bem maior”, aconselha a engeheira agrônoma Fernanda Oenning Dela Giustina.

Jandir Perin – Linha Antunes Braga

Jandir Perin, produtor da Linha Antunes Braga, comunidade de Grão-Pará (SC), decidiu investir em sementes melhoradas neste ano. “Queria melhorar a produção de leite e fui atrás para ver qual seria a melhor variedade sugerida, então conheci o azevém barjumbo”, conta. A semeadura foi realizada em terra limpa e deu resultado, na avaliação do produtor. “Semeei também no meio da angolinha, apesar dela parar de crescer no frio intenso, e gostei do resultado”, acrescenta. Nas terras antes utilizadas para o plantio de fumo, Perin semeou o tifton, em fevereiro, e azevém São Gabriel no começo de maio. “Hoje meus animais estão pastoreando o tifton junto com o azevém. Estou contente, pois este consórcio deu certo. O tifton não morre, só cresce menos. É só dar um calor que ele vem e o azevém some”, destaca. O produtor teve alguns problemas com a estanzuela. “Estamos analisando os motivos. Imagino que o fato de ter amarelado é excesso de um tipo de nutriente e falta de outro”, acredita.

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Luis Bagio Ascari – Linha Rio Cachorrinho

O produtor Luis Bagio Ascari, da comunidade de Linha Rio Cachorrinho, em Grão-Pará (SC) lembra que o melhoramento de pastagens vem sendo desenvolvido há anos em outros países, principalmente em enormes bacias leiteiras. “Esses resultados foram aos poucos sendo analisados até que chegaram até nós”, lembra. “As variedades estão disponíveis, cabe a nós aceitá-las ou não”, destaca. Ascari conta que no dia de campo realizado na propriedade dele, os produtores puderam perceber a diferença entre a pastagem melhorada e o azevém convencional. “A diferença é grande, principalmente para produtores que possuem pequenas áreas e pouco alimento disponível, com a mesma área pode-se produzir mais e melhor, com mais cortes, maior massa verde”, opina. “Claro que se deve adubar bem para ter um bom resultado, pudemos ver como é grande a diferença entre uma área e outra” conclui.

Diego Ascari – Boa Vista

O jovem produtor Diego Ascari, da comunidade de Boa Vista, no interior de Orleans (SC) começou a investir em sementes melhoradas há pouco tempo. Segundo ele, no começo as plantas se desenvolveram mais devagar, mas agora o crescimento ocorre de forma rápida. Ele diz que em 15 dias a pastagem já está pronta para receber o gado novamente. Outra vantagem observada por Ascari é a duração da pastagem. “A comum acabava no quarto corte. Essa parece estar melhor agora, após o quarto corte, do que nos primeiros”, destaca. Na propriedade ele plantou o azevém estanzuela, nutrido com esterco de galinha, e São Gabriel. “Ela tem semelhanças com o azevém convencional, mas o corte do São Gabriel é melhor”, diz.

Ronivaldo Alberton – Brusque do Sul

O produtor Ronivaldo Alberton, da comunidade de Brusque do Sul, interior de Orleans (SC), se diz satisfeito com o investimento em sementes melhoradas. Ele destaca que a pastagem plantada no verão, a missioneira gigante, não foi afetada pelas fortes geadas que atingiram a região neste inverno. “Além disso, ela dá mais cortes e a vaca pode voltar mais rápido para o piquete”, acrescenta Vardo. O maior investimento financeiro, para o produtor, é compensado já na semeadura. “Elas rendem mais. A diferença já se paga aí”, destaca. O produtor utiliza sementes melhoradas nas pastagens de verão, com adubação de esterco de galinha, e de inverno, com sulfammo.

Juliano Costa Busolo – Brusque do Sul

Também na comunidade de Brusque do Sul, o jovem produtor Juliano Costa Busulo, se diz satisfeito com o investimento em pastagens melhoradas. Na propriedade, ele semeou azevém barjumbo. “Elas crescem mais rápido, aguentam mais o pisoteio das vacas, e duram três meses a mais que as convencionais”, defende Bússolo. Outra vantagem, para o produtor, é a resistência ao clima frio. “Deu essa geada forte, mas nada aconteceu com a pastagem”, comemora. O produtor estima que a vida das pastagens melhoradas aumente em três meses, se comparada com as convencionais. “As de inverno aguentam um bom período no verão. E as do calor resistem ao frio”, emenda.

Antônio Stanislau Pahohek – Chapadão

Na comunidade de Chapadão, também no interior de Orleans (SC), o produtor Antônio Stanislau Pehohek investe há três anos em pastagens melhoradas. “Não quero mais saber das outras”, diz. Para uma área de dois hectares, ele comprava quatro sacas de sementes convencionais. Agora, com duas bolsas e meia ele semeia toda a área. “Ela rende mais que as convencionais. No fim das contas, sai mais barata”, defende Antônio. Com a pastagem melhorada, o produtor leva menos tempo para soltar as vacas na área semeada. A rebrota também é rápida. “Elas também são mais resistentes às temperaturas adversas”, acrescenta.

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Jaime Laipel Zanelato – Serra Furada- Grão-Pará

Este foi o primeiro ano que o produtor Jaime Laipel Zanelato, da Serra Furada, comunidade do interior de Grão-Pará (SC), utilizou sementes melhoradas. O produtor semeou em abril, na terra limpa, o azevem estanzuela, em consórcio com aveia. Depois de nascido, jogou calcário, e uréia. Utilizou 30 quilos de sementes para uma área de 1,5 hectares de pastagem. “Ela perfilou bem e deve dar mais cortes”, comenta Jaime. Já foram feitos dois cortes e o produtor deve readubar a área. No local em que ele plantava milho, vai aproveitar o azevem por mais tempo, já que o ciclo das sementes melhoradas é mais longo.

Agenor Linnchesc

Em 2012, o produtor Agenor Linnchesc, da comunidade de Serra Furada, em Grão-Pará (SC) iniciou o uso do azevem KLM 138. “Fiquei muito contente com o resultado. Semeei em abril, em terra limpa e em novembro ainda tinha o azevem”, destaca. Foi necessário passar o subsolador no azevem para fazer o plantio do milho. “Este ano, 30% do azevem nasceu sem ser semeado”, conta. “Nunca vi um azevem perfilar desta maneira. Ele dá muita massa verde por hectare”, destaca. O produtor ressalta que é importante lembrar da adubação também. O produtor conta que ficou surpreso ao perceber a rapidez com que a pastagem crescia. “Quando colocava as vacas para pastorear um meio dia, percebia que no outro dia dava para colocar novamente, com 25 vacas”, diz. “O KLM 138 é um azevem que requer frio para sua germinação, então recomenda-se colocar a semente na geladeira e semear no outro dia”, sugere o técnico agrícola da Auriverde, Weligton Mendes Borges.

Colaboraram para a matéria

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Fernanda Oenning Della Giustina (Laticínios Fortuna) Ítalo Bertoncini (Timac -Agro)

Welington Mendes Borges (Cooperativa Auriverde) Alexandro A. kempler (Cooperativa Auriverde)


Qualidade do Leite

Fernanda Oenning Engenheira Agrônoma do Laticínios Fortuna

Quantos dias após o parto o leite estará pronto para consumo? Tabela – composição do colostro e do leite em função das ordenhas após o parto Componentes 1 Colostro Sólidos Totais (%) 23,9 Gordura (%) 6,7 Proteína* (%) 14,0 Anticorpos (%) 6,0 Lactose (%) 2,7 Minerais (%) 1,11 Vitamina A (microg/dL) 295

Número de Ordenhas após o parto 3 4 5 Leite de transição 17,9 14,1 13,9 13,6 5,4 3,9 3,7 3,5 8,4 5,1 4,2 4,1 4,2 2,4 0,2 0,1 3,9 4,4 4,6 4,7 0,95 0,87 0,82 0,81 113 74 2

11 Leite inteiro 12,5 3,2 3,2 0,09 4,9 0,74 34

*Incluído os anticorpos indicados na linha abaixo. Fonte: Wattiaux (1997).

Conclui-se nesta tabela que o leite dependendo do animal varia sua composição da quinta ordenha que seria do terceiro dia em diante, ate a decima primeira ordenha no caso no sexto dia, para o leite ser de qualidade adequada para o consumo.

Com ordenha canalizada, mas tirando leite com balde ao pé, para vaca de leite novo - colostro

Vaca com o bezerro recém nascido - propriedade Matias Della Giustina

O teste Dornic é um dos testes utilizados para verificar a acidez do leite antes de proceder fabricação dos derivados, o teste de Dornic, verifica-se quanto esta a acidez (quantifica-se o grau de acidez ). O leite em estado normal de composição e conservação deve possuir a acidez entre 15 a 18 graus Dornic, o que equivale a um ph em torno de 6,6 a 6,9.

Tabela – Teste de leite analisando acidez em dornic , vaca após parto em produtor da empresa. Ordenha 1 ordenha 2 ordenha 3 ordenha 4 ordenha 5 ordenha 6 ordenha 7 ordenha 8 ordenha 9 ordenha 10 ordenha

Grau dornic 34Dº 37Dº 30Dº 23Dº 23Dº 25Dº 22Dº 20Dº 19,5Dº 16,5Dº

Fonte: Lorena A. Della Giustina Obs: na 2 ordenha a vaca descalcificou

Conclui-se que o leite após a 10 ordenha, consequentemente os cinco dias após o parto, ficou proprio em condições de consumo. Lembrando que um animal é diferente do outro, sendo assim alguns demoram mais que cinco dias para o leite estar em perfeitas condições, e outros menos que cinco dias. Então um teste fácil de o produtor fazer será o teste da fervura, que consiste em ferver uma pequena amostra de leite. O leite normal deverá resistir a fervura sem talhar. 57


Saber Planejar

Carlos Geraldo Rodrigues Junior Técnico Agropecuário E-Mail: saberplanejar@hotmail.com

A Propriedade Rural

C

onceituada de várias maneiras e com destinações variadas, precisamos definir como queremos a nossa Propriedade Rural. Se, para alguns, este sagrado lugar chamado Terra serve para laser, atividades escusas ou não aceitas socialmente, para quem a detém como fonte de sobrevivência é necessário um planejamento potencialize sua capacidade produtiva. E aí não tem outra fórmula, só o estudo técnico é capaz de nos dar o melhor caminho. Muitas vezes, por estarmos acostumados a repetir safras e safras ao longo dos anos, não percebemos o quanto o conhecimento avançou e desenvolveu técnicas capazes de melhorar o resultado da exploração agropecuária. E aí se incluem conhecimentos de genética, técnicas de manejo, formas e ferramentas de trabalho, etc... A “boa dose”, desde o tempo

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da vovó, tem sido a chave da boa saúde. Então, que se utilize sempre esta medida em todas as coisas. Serve para o quanto vamos investir de tempo, trabalho, melhoria de equipamentos, agregação de renda e tantas outras coisas que podemos dosar em nossa vida. Como vou saber a medida certa da “boa dose”? Para responder, precisamos analisar entre tantas coisas: Como é minha propriedade? Quais as atividades que desenvolvo? Como desenvolvo estas atividades? Qual o grau de experiência das pessoas que trabalham na propriedade? Que técnicas utilizamos na sua exploração? Todas as atividades são economicamente viáveis ou tem alguma que esta comendo o lucro da outra? Os equipamentos utilizados estão ajudando na exploração ou estão dificultando o seu desenvolvimento? No que posso melhorar? Como posso tirar mais proveito de minha propriedade? Que técnicas existem e que eu possa implementar


Planeje! Voce e sua propriedade não são piores nem melhores que a do seu vizinho que cresceu mais

na minha propriedade? O que preciso investir para melhorar? Quais formas de financiamento estão disponíveis para que eu possa me equipar melhor? Resumindo, planejamento técnico. Mas cuidado! Se o técnico que voce escolheu, apresentar a fórmula pronta, desconfie. Por mais conhecimento técnico que possa haver, não há técnica eficiente que possa ser empregada desprezando seu conhecimento e sua experiência. Sem eles a coisa também não avança. A boa dose contem um pouco de cada uma destas partes. Quando você se dispor a fazer a experiência do planejamento técnico, vai perceber que quem foi explorado foi voce, não sua propriedade. Vai

perceber que comprou muitas coisas que não lhe ajudaram tanto, vai ver que não utilizou a melhor forma de financiamento. Pior, vai perceber que todos melhoraram, só você continua trabalhando muito sem obter melhores resultados. Planeje! Voce e sua propriedade não são piores nem melhores que a do seu vizinho que cresceu mais. Sua família merece, você merece, seus filhos precisam encontrar motivos para permanecerem na propriedade. Assim como ninguém mais trata a saúde de sua família com folhas e cipós, a saúde de sua propriedade também precisa ser tratada com melhores técnicas.

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Carne barriga verde na

mesa dos japoneses Após dez anos de negociações, primeiros embarques foram realizados em julho

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carne que Santa Catarina começa a exportar para o Japão, maior importador do produto, deve chegar aos consumidores nipônicos ainda em agosto. Os primeiros embarques foram realizados em meados de julho, após dez anos de negociações para o estado entrar no mercado japonês. Oito frigoríficos foram habilitados a exportar carne suína ao mercado japonês nesta etapa:

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BRF (com as unidades de Campos Novos e de Herval D’Oeste), Seara (frigoríficos de Seara e de Itapiranga), Pamplona (Rio do Sul e de Presidente Getúlio), Aurora (Chapecó) e o Sul Valle (São Miguel do Oeste). Outros ainda realizam as modificações exigidas para receber a autorização. Entre eles, o frigorífico Notable, de Braço do Norte. O Japão é o maior importador de carne suína do mundo, comprando o equivalente a 1,2


milhão de toneladas por ano (em equivalente a carcaça), com o diferencial de que os japoneses pagam melhor do que os outros países porque compram cortes específicos e de valor agregado (sem osso) e fazem contratos de longo prazo, o que vai garantir estabilidade para a suinocultura catarinense. Trata-se também de um mercado que é referência internacional no setor. Ou seja, o aval dos japoneses deve agilizar a negociação para a venda de carne suína catarinense para novos destinos, como Coreia do Sul e União Europeia, que já estão em negociações com o Governo do Estado. Historicamente, os japoneses só importavam carne suína quando todo o país de origem possuía o status de área livre de aftosa, mas foi aberta uma exceção para os catarinenses. O estado é o único do Brasil livre de febre aftosa sem vacinação e o governo catarinense mantém uma barreira sanitária em cada fronteira do Estado (são 67 em operação atualmente). O Brasil já é o principal fornecedor de carne de frango para o Japão, respondendo por 90% do abastecimento do mercado japonês, sendo que o frango catarinense é responsável por 60% dessa fatia. A expectativa do secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, é de que os atuais compradores do frango catarinense também passem a comprar a carne suína produzida no Estado. Em 2012, o Japão foi o quinto principal destino das exportações catarinenses, movimentando US$ 500 milhões. Em contrapartida, o estado importou US$ 235 milhões dos japoneses, principalmente insumos e matérias-primas. Ou seja, somando exportações e importações, a parceria movimentou US$ 735 milhões. Com a entrada da carne suína na lista dos produtos exportados, a expectativa da Fiesc é atingir a marca de US$ 1 bilhão de corrente comercial entre SC e Japão até 2015.

Momento é de cautela, pede ACCS A abertura do mercado japonês traz alívio aos produtores catarinenses. O preço do quilo da carne já sofreu um pequeno reajuste e a tendência é aumentar ainda mais, movido, principalmente, pela notícia positiva. O momento, no entanto, é de cautela. O pedido é da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS). O presidente regional da entidade, Adir Engel, lembra que apesar das boas expectativas, pouco se vendeu até o momento para o Japão. “Muitos produtores apostaram na abertura do mercado russo, que parou de comprar nossa carne de repente”, recorda. Para Adir, o suinocultor deve primeiro pagar dívidas das crises anteriores para depois investir na modernização das granjas. “Ele também deve fazer uma reserva e só depois, se o mercado continuar bom, pensar em aumentar a produção”, orienta. Engel recomenda que os suinocultores invistam, por exemplo, em garantir a produção própria de milho, para não depender dos preços do mercado.

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Visão rural 18  
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