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CATĂ LOGO DE PRODUTOS

Fios e Cores de

Malhada Grande Paulo Afonso Bahia Brasil

2004


A

rede (...) de abril de 1500 (...) para nossos dias constituía um elemento indispensável e normal na existência de milhões e milhões de brasileiros em quatro séculos. Nasciam, viviam, amavam, morriam na rede. Eram conduzidos para o cemitério na rede. Quando a seca os expulsava do sertão de fogo o matulão, que continha o saldo de todo o possuído, era enrolado, defendido, pela rede, a derradeira fiel.

Significava assento para a janta, encosto para a sesta, abrigo para o sono. <Mãe Veia>, Mae Velha, chamavam-na os de outrora.

S

ince April 1500 (…) and throughout four centuries, the hammock (...) has been an essential and regular element in the daily lives of million and millions of Brazilians. They were born, lived, loved and died in a hammock. They were taken to their graves in a hammock. When the drought drove them out of their scorched land, their satchels containing the sum

of all their belongings was rolled and protected by the hammock, their ultimate confidant. A seat for dining, rest for siesta, refuge for sleep, or Old Ma, as it was called in the days of yore.

L

hamaca, fiel protectora. Significaba el asiento para ingerir los alimentos, el respaldo para el descanso de la siesta, el abrigo para dormir... vieja madre, como era llamada por los antiguos.

a hamaca (...) desde abril del año de 1500 hasta nuestros dias se convirtio en un elemento fundamental y normal en la vida de millones de brasileños en los ultimos 4 siglos. Nacian, vivian, se amaban y morian dentro de la hamaca, eran llevados para el cementerio dentro de ella, cuando eran obligados a salir del desierto de fuego por falta total de agua, el bulto que juntaba todas las poses era cubierto, defendido por la

Luís da Câmara Cascudo


D. S達o Pedro em seu tear


“A nova idéia que trazem as mulheres rurais do 3º mundo é a de que Mulher e Natureza estão associadas não na passividade, mas na criatividade e manutenção da vida” Mulher, Ecologia e Sobrevivência Vandana Shiva

F i o s

e

C o r e s

d e

Malhada Grande

M a l h a d a

Artesãs de


Apresentação

F i o s

A elaboração deste catálogo é resultado da ação integrada do Sebrae Bahia com a Associação Fios e Cores de Malhada, através do Projeto Xingó. Foram as ações de campo executadas pelo IEL/Programa Bahia Design que permitiram a sistematização de dados e documentação visual, nas quais se procurou o melhor caminho para conhecer e apresentar ao grande público as tecelãs de Malhada Grande.

e C o r e s d e

A relação de seus nomes e endereços aqui publicados tem o objetivo de reverenciá-las e indicar aos interessados onde podem ser encontradas essas mulheres que transformam fiapos em história, na busca por uma vida de melhor qualidade. Outras tecelãs podem ser localizadas no Distrito de Malhada Grande, ou em áreas rurais próximas, mas esta publicação diz respeito apenas às tecelãs que estão em atividade na Associação Fios e Cores de Malhada, que tecem a linha e amarram teias de relações sociais e comerciais. Elas têm o compromisso assumido de assegurar a produção que é comercializada no mercado de artesanato do Brasil e de outros países.

M a l h a d a

O Sebrae Bahia promove a articulação de uma ampla rede de apoio institucional e governamental voltada ao fortalecimento do artesanato, transformando estes pólos de artesanato em unidades de negócios competitivas e sustentáveis. São ações simples, eficientes, eficazes e efetivas como essas que são desejáveis para o desenvolvimento dos pequenos negócios. Misael Aguilar

Sítio Letreiro em Malhada Grande – Registro Gráfico

A identificação e o resgate dos vestígios arqueológicos reintegram à corrente da vida os símbolos que articulam, historicamente, a herança de um passado distante, conjugando o global e o local na gestação de novas configurações sócio-culturais, sob o olhar das Tecelãs, que preservam o sítio arqueológico de registro gráfico da Malhada Grande, resgate de um passado ali adormecido com datação de aproximadamente 9000 anos antes do presente. Um grande subsídio para a reconstrução da pré-história do Nordeste do Brasil.


Artesãs de Malhada Grande

O

Distrito de Malhada Grande distante 18 km de Paulo Afonso, situa-se no semi-árido do São Francisco

e está localizado no Nordeste da Bahia, com uma população de aproximadamente dois mil habitantes. É uma região de terras áridas, com temperatura média máxima de 38º e mínima de 23º. O solo arenoso é utilizado em pequena escala de agricultura de subsistência, praticada pelas famílias no sistema de roças de milho e feijão, onde a presença intermitente da seca esturrica a vegetação e afugenta os homens e mulheres que habitam nessa região. Uma das principais atividades econômicas em Malhada Grande é a manufatura de Tecelagem e Crochê, tradicionalmente desenvolvida de forma artesanal em teares manuais, onde são produzidos redes, mantas, tapetes, cortinas, totalizando 44 itens de produtos, cuja matéria prima principal é o fiapo de algodão e a linha mercerizada, disponíveis em diversas cores. A arte de tecer, em Malhada Grande, remota várias gerações através da cadeia de transmissão informal do ofício no interior do círculo familiarprocesso de desenvolvimento endógeno, cuja capacidade de mobilização social atribuído a grande força das mulheres sertanejas, as quais insatisfeitas com a presença das secas, iniciaram com a Tecelagem a influência do mundo feminino na economia da localidade, buscando compensação material e simbólica. Apesar dos tempos difíceis, a mágica de transformar, com a memória, o passado em tempos idílicos, falam da época do Cangaço com um misto de fascínio e respeito, como falam de seres mitológicos que povoam seu imaginário e contam casos fabulosos passados no sertão. Como a seca naquela época já castigava a região, apesar do povoado está apenas a 2 km do Rio São Francisco, elas tinham que buscar outras alternativas de sobrevivência, história que nos conta a veterana

“Dona São Pedro”, depositária de muitos saberes tradicionais que aprendeu a manusear o tear ainda menina, observando a tia Ana, que na época ajudava no sustento da família com a tecelagem manual. Ao longo da vida, fez muitas redes e mantas com o algodão que plantava. Após a colheita fiava em fusos, trançava as fibras no tear e tecia. Além das redes, também fazia tecidos mais finos que serviam para confeccionar roupas masculinas, na época chamadas de ternos, que eram costurados a mão. Dona São Pedro teve várias irmãs e ensinou a arte a elas que ensinaram às filhas e às netas. Hoje, aos 83 anos e atenta aos limites da idade, vai se entretendo acompanhando a produção das sobrinhas, seguidoras do seu ofício. Mas, por via das dúvidas, não se desfez do seu tear, que hoje serve de cenário para as diversas entrevistas e fotos que concedeu para difundir o passado no presente dessa arte que cada vez mais ganha o mercado. A História de Dona São Pedro resume paradigmaticamente a história de dezenas de mulheres que fizeram o mesmo percurso ocupacional. Em diversas casas de Malhada Grande há um tear, onde várias gerações de Tecelãs com suas lançadeiras urdem os fios, exercitando os pés e as mãos no ritmo cadenciado, acostumadas desde cedo ao trabalho, em busca de ganhos compensadores. A história dessas mulheres se desdobra em duas ordens de registro: a individual e a coletiva: Em 1989 transformaram a participação individual e familiar em compromisso coletivo, fundando a Associação Fios e Cores da Malhada Grande. São 30 Mulheres Sertanejas guardiãs do saber, que continuam entremeando fios com as memórias que vão tecendo sobre a sua cidade e o seu ofício. Desfiando lem-


6 Fios e Cores de Malhada

Redes|Hammocks/Hamacas


1101 Rede de Solteiro com Bico 2,10x1,30 m / 1,7 kg 1102 Rede de Solteiro Itรกlia 2,20x1,30 m / 1,6 kg 1103 Rede de Solteiro Itรกlia com Franja 230x1,50 m / 2,3 kg 1104 Rede de Casal 2,30x1,50 m / 2,8 kg 1105 Rede de Linha com Bico 2,30x1,50 m / 5 kg


8 Fios e Cores de Malhada

Almofadas|Cushions/Cojines

Rede para Cadeira


Almofada com frente de crochê (detalhe)

Almofadas com Bicos de Crochê

Almofadas com Pintura e Franja

100 Almofada P (tecelagem) 0,40x0,40 m / 0,214 kg 101 Almofada p (com Fremia) 0,40x0,40 m / 0,214 kg 102 Almofada p (com Crochê) 0,40x0,40 m / 0,214 kg 103 Almofada P (com frente de Crochê) 0,40x0,40 m / 0,214 kg 104 Almofada M (tecelagem) 0,50x0,50 m / 0,25 kg 105 Almofada M (com Franja) 0,50x0,50 m / 0,250 kg 106 Almofada M (com Crochê) 0,50x0,50 m / 0,25 kg 107 Almofada M (com meio de Crochê) 0,50x0,50 m / 0,25 kg 108 Almofada M (com frente de Crochê) 0,50x0,50 m / 0,25 kg 109 Almofada G (tecelagem) 0,70x0,70 m / 0,355 kg 110 Almofada G (com Franja) 0,70x0,70 m / 0,5 kg 111 Almofada G (com Crochê) 0,70x0,70 m / 0,5 kg 112 Almofada G (com frente de Crochê) 0,70x0,70 m / 0,4 kg 113 Almofada G (com meio de Crochê) 0,70x0,70 m / 0,4 kg


10 Fios e Cores de Malhada

Acess贸rios|Acessories/Acces贸rios Mochila Colegial (detalhe)


Mochila e Bolsas

801 Mochila Colegial und / 0,25 kg 802 Mochila Pequena und / 0,2 kg 1707 Porta Papel 0,1 kg 1301 Tecido (metro quadrado) 1,00x1,00 m / 0,435 kg 1705 ChapÊu 0,2 kg 601 Jogo de Banheiro com Bico 3 pecas / 0,6 kg 602 Jogo de Banheiro com Bico 4 peças / 0,8 kg


12 Fios e Cores de Malhada

Colchas|Blanket/Colchas

Cortinas Manta (detalhe)


Colchas e Mantas

Tapetes de Coxinilho

1701 Xale de Sofá com Nozinho 1,50x1,50 m / 1,15 kg 1702 Xale de Sofá com Bico Dente de Cão 1,50x1,50 m / 1,15 kg 301 Colcha Casal Normal 2,30x2,40 m / 2,8 kg 302 Colcha Casal King 2,50x2,50 m / 3,2 kg 303 Colcha Casal Itália com Dente de Cão 2,70x2,70 m / 3,6 kg 304 Colcha Casal Itália com Varanda 2,70x2,70 m / 4 kg 304 Colcha Casal Itália sem Varanda 2,70x2,70 m / 3,6 kg 306 Colcha Solteira Normal 2,30x1,60 m / 2 kg 307 Colcha Solteiro King 2,50x1,50 m / 2,2 kg 308 Colcha Solteiro Itália 1,80x2,70 m / 2,3 kg 701 Manta Casal Normal 2,30x1,80 m / 1,8 kg 702 Manta Casal King 2,50x2,50 m / 3,2 kg 703 Manta Casal Itália 2,70x2,70 m / 3,6 kg 704 Manta Solteiro Normal 2,30x1,50 m / 1,5 kg 705 Manta Solteiro King 2,50x1 ,80 m / 1,75 kg 706 Manta Solteiro Itália 2,70x1,80 m / 1,85 kg 1001 Passadeira (tecelagem) 1,50x0,50 m / 2,5 kg 1201 Tapete (P) 0,80x0,45 m / 0,35 kg 1202 Tapete Box 0,60x0,45 m / 0,2 kg 1203 Tapete Itália 2,00x1,30 m / 2 kg 1204 Tapete de Coxinilho 2,00x1,50 m / 6,7 kg 1205 Tapete (metro quadrado) metro quadrado / 0,77 kg 1206 Tapete de Coxinilho (metro quadrado) metro quadrado / 2,25 kg 1704 Cortina com Argola 2,0x1,80 m / 2 kg


Caminho de Mesa

Toalha de Mesa

Toalha de Mesa

Caminho de Mesa

14 Fios e Cores de Malhada

Toalha de Mesa|Towel/Mantel

Toalha de Mesa


Jogo Americano com Bico de Crochê

Jogo Americano com Franja

501 Jogo Americano Tecelagem 0,48x0,36 m / 0,175 kg 502 Jogo Americano com Bico 0,48x0,36 m / 0,18 kg 503 Jogo Americano Itália 0,50x0,38 m / 0,185 kg 901 Pano de Bandeja (tecelagem) 0,48x0,36 m / 0,175 kg 902 Pano de Bandeja com Bico 0,48x0,36 m / 0,18 kg 401 Guardanapo 0,42x0,42 m / 0,01 kg 402 Guardanapo Itália 0,36x0,36 m / 0,08 kg 1501 Toalha Redonda (tecelagem) 1,60 diâmetro / 1,8 kg 1502 Toalha Redonda com Franja 1,60 diâmetro / 1,8 kg 1503 Toalha Redonda com Bico Largo 2,20 diâmetro / 2,1 kg 1504 Toalha Redonda sem Bico Largo 1,80 diâmetro / 1,45 kg 1601 Toalha Retangular com Bico 2,20x1,20 m / 1,85 kg 1602 Toalha Retangular Itália (tecelagem) 2,50x1,80 m / 1,75 kg 1603 Toalha Retangular Itália com Bico 2,50x1,80 m / 1,9 kg 1604 Toalha Retangular Itália com Franja 2,20x1,40 m / 1,5 kg 1401 Toalha de Mão (tecelagem) 0,70x0,45 m / 0,372 kg 1402 Toalha de Mão com Bico 0,70x0,45 m / 0,385 kg 1403 Toalha de Visita (tecelagem) 0,45x0,36 m / 0,186 kg 201 Caminho de Mesa (tecelagem) 2,20x0,45 m / 0,6 kg 202 Caminho de Mesa com Crochê 2,20x0,45 m / 0,6 kg 203 Caminho de Mesa de Crochê 2,20x0,45 m / 0,8 kg 1703 Capa Bebedouro 0,90x0,40 m / 0,2 kg 1706 Capa de Bebedouro 0,15 kg 603 Jogo de Cozinha 5 peças / 1,4 kg


Associação Fios e SEBRAE - Bahia Cores de Malhada Projeto Xingó Povoado Malhada Grande Praça da Matriz s/n 48600-000 Paulo Afonso Bahia Brasil 55 75 283 6027 www.fiosecores.com.br contato@fiosecores.com.br

Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Bahia

Jorge Lins Freire

Diretor Superintendente

Misael Aguilar

Diretores

Paulo Manso Cabral Hebert Motta Gerente Executivo da Agência Paulo Afonso

Marco Antonio Dantas de Almeida

Técnicas Responsáveis

Nadja Maria Ferreira Monteiro Carmen Reis de Arimatéia (colaboração) Coordenação de Projeto

Henry Benavides-Puerto

Fotografias

Mario Bestetti Costa Textos

Nadja Maria Ferreira Monteiro

Projeto Gráfico

mariobestetti.designersassociados

Diagramado com fontes Humanist no sistema PC, e impresso pela GRASB em offset no sistema CTP, sobre papel Reciclato (Suzano).


M

alhada Grande District lies in the semi-arid region of the São Francisco River, 18 kilometers from Paulo Afonso, with a population of approximately two thousand people. It is a barren countryside with average maximum and minimum temperatures of 38o and 23o Celsius, respectively. The sandy soil is mainly used for small-scale, corn and beans subsistence farming, where an intermittent drought affects vegetation and drives away the men and women who inhabit the region. However, despite such a hostile environment, the population found in handicrafts a means to generate jobs and income. One of the main economic activities in Malhada Grande is Weaving and Crochet work, traditionally crafted in manually-operated looms producing hammocks, mantles, carpets, and curtains, totaling 44 items for which the basic raw-material is cotton strand and mercerized thread, available in various colors. The art of weaving in Malhada Grande goes back many generations, informally diffused through a family circle/endogenous process, boosted by the local women who, dissatisfied with the constant drought, used their craft to exert their influence on the regional economy, seeking both material and symbolic compensation. Despite the difficult times, they possess the magic of turning the past into idyllic existence, recounting the Cangaço1  era in a mix of fascination and respect as if speaking of mythological beings that inhabit their imagination, with tales of fabulous events in the hinterland. At that time the region was already drought-ridden in spite of the village being only 2 kilometers from the São Francisco River, and the women had to seek other alternatives for survival, as recalled by “Dona São Pedro,” an elder villager experienced in all the traditional skills learned at the loom as a child, watching her Aunt Ana who, through her weaving, provided family support. Throughout her life she made many hammocks and mantles with the cotton that she planted. After harvesting she would spin it into spools, interlace the threads in the loom, and weave. Apart from hammocks, she also made finer fabrics for hand-sewn, three-piece suits for men. Dona São Pedro had many sisters to whom she taught her art and who in turn taught their daughters and granddaughters. Today, aged 83, aware of age restrictions, she spends her time supervising her nieces’ work, followers of her art. But, just in case, she still keeps her loom that, today, serves as a backdrop for the various interviews and photo-sessions that she grants to divulge the past in the present of her art, which steadily gains market space. The Story of Dona São Pedro sums up, paradigmatically, the history of dozens of women who trod the same work-related path. Many homes in Malhada Grande have a loom, where various generations of weavers warp threads with a shuttle, rhythmically moving their feet and hands accustomed, from an early age, to the work that provides them compensatory rewards. The story of these women unfolds in an individual and collective sequence. In 1989, they turned their personal and family participation into a collective commitment, founding the Associação Fios e Cores de Malhada Grande [Malhada Grande Thread and Color Association]. These 30 local women, Keepers of the Craft, continue to interlace threads weaving reminiscences of their city and their art. Unraveling memories, rocked by the thumping of the beater, they can spend hours in an evocative monologue indulging in the pleasure of their task, working their hands and bodies already weakened by the passing of time. Women who, throughout their lives, added their skill to their many household and farming chores, enriching their lives with multiple activities.  1 Life-style of the cangaceiros, rural bandits that roamed the northeastern countryside during the early years of the twentieth century

Introduction The preparation of this catalog is the result of an integrated work between Sebrae Bahia and the Associação Fios e Cores de Malhada Grande, through the Xingó Project. The field work carried out by the Bahia Design Program/IEL enabled data systemization and visual documentation to bring the Weavers of Malhada Grande to public notice. We publish a list of their names and addresses not only to honor them but also to let everyone know where to find these women who turn threads into history and memories in the search for a life of better quality and social equity. Other weavers can be located in Malhada Grande District or in neighboring rural areas, but this publication deliberately focuses on the Weavers of the Associação Fios e Cores de Malhada Grande, who weave the thread and tie the web of social and commercial relations, in their commitment to ensure the production that is marketed or taken by tourists from various countries, linked to handicraft markets throughout Brazil.


L

a localidad de Malhada Grande pertenece al municipio de Paulo Afonso y su ubicación general esta dada al norte del Estado Bahia, en el mismo sentido norte queda a 18 km de Paulo Afonso. Se trata de una región de tierras aridas, com temperaturas medias entre 38º e minima de 23º. El suelo arenisco es utilizado para las siembras de maiz y frijoles. La principal actividad económica de Malhada Grande deriva de las artesanias tejidas y el croché, cuya tradición se expresa atraves de la utilización de telares manuales. En estos telares aparecen hamacas, cobijas y tapetes que suman 44 produtos distintos, que usan como materia prima la fibra del algodón en forma natural o pintada de varios colores.El arte de tejer en Malhada Grande se remonta a varias generaciones. Hoy la historia es contada por la tejedora Señora São Pedro, de 83 años, quien aprendio el arte de tejer cuando era niña com la tia Ana, que era hermana de su padre, quien era dueño de la hacienda Malhada Grande, y que origino la localidad. En los años 30 ellos huyeron de la hacienda por causa de la violencia del cangaço [especie de guerrilla rural]. Cuando todo acabo com la muerte de Lampião y Maria Bonita, ellos regresaron a la hacienda que estaba destruida y se dieron cuenta que habian perdido todas sus poses. A pesar de esos tiempos dificiles, la magia de transformar en la memoria el pasado en tiempos idilicos, hablan de los tiempos del cangaço, com una mezcla de fascinación y respeto, como hablan de seres mitologicos que poblan su imaginario y cuentan anecdotas fabulosas ocurridas en el desierto duro y cruel. Como la ‘seca’, ya castigaba la región en esa época y a pesar de la localidad estar a apenas 2 km del Rio São Francisco, ellos tenian que buscar otras alternativas para sobrevivir. Entonces la Señora São Pedro que para entonces ya habia aprendido el arte de tejer y ya era adolecente cuando volvio para Malhada Grande decidio ayudar en la economia familiar confeccionando en su telar hamacas y cobertores. Ella misma sembraba el algodón, lo recogia y hilaba en husos y luego tejia los hilos. En una conversación cierta vez ella dijo que en la epoca habian unos tejidos finos de algodón com los cuales fabricaba ropas masculinas cosidas manualmente, eran ropas blancas llamadas com el nombre de ‘ternos’.La historia de estas mujeres esta dividida en dos tipos de registro: lo individual y lo colectivo. Em 1989 convirtieron la participación individual y familiar en un compromiso colectivo, fundando la ACAMG Associação Comunitária das Artesãs da Malhada Grande. Conformada por 30 mujeres de las tierras aridas, guardianas del saber que continuan mezclando hilos con memorias que se tejen sobre su ciudad y su oficio. desafian a los recuerdos y impulsadas por los golpes de los utensilios de trabalho pasan horas seguidas en un monologo de evocaciones donde se siente el ‘hacer’ placentero... ellas ejercitan manos y cuerpo desgastados por los años. Mujeres que en el tiempo supieron juntar a sus varios quehaceres domesticos y del cuidado de la tierra. Llenando asi sus vidas de actividades.

Presentación La elaboración de este catálogo es resultado de acciones integradas entre el SEBRAE – Servicio Brasileño de Apoyo a las Micro e Pequeñas Empresas – en el marco del Proyecto Xingó com la Associação fios e cores de Malhada Grande, perteneciente al municipio de Paulo Afonso Bahia, Brasil.El trabajo de campo fue ejecutado por el IEL / Programa Bahia Design, que desarrolló actividades de sistematización de informaciones y de la documentación visual, en donde se busco el mejor camino para conocer y para presentar al publico el trabajo de las artesanas tejedoras de Malhada Grande. El registro de los nombres y respectivas direcciones, aqui presente, tiene la finalidad de reverenciar las artesanas y tambien de indicar a los interesados el local donde pueden ser encontradas estas mujeres que transforman hilos en historia buscando siempre dar calidad a sus vidas.Otras artesanas tejedoras pueden ser halladas en la localidad de Malhada Grande y en las redondezas, siendo que el sentido de esta publicación es el de enfocar principalmente el trabajo de las artesanas de la Associação Fios e Cores da Malhada, mujeres que tejen hilos y entretejen ideas y hechos de relaciones sociales y tambien comerciales. Ellas asumieron el compromiso de garantizar la producción que es llevada para el mercado de artesanias brasileño y tambien de otros paises. Para dar apoyo necesario SEBRAE Bahia promueve acciones de articulación dentro de una amplia red de colaboraciones institucionales y de la esfera de gobierno que privilegia la promoción de las artesanias, transformando polos de artesanias en competitivas y sustentables unidades de negocios.

Inscripciones en las rocas de Malhada Grande Meninas fotografadas nas páginas 10 e 11: Michele Soares, Edsângela da Silva e Cristiane Soares


Iracilda Suely Pereira de Bezerra de Barros Rocha Souza

Maria José do Maria José do Rejane Nascimento Nascimento Pereira Miranda Bezerra da Silva

Vanderléia Pereira da Silva

Albenízia Castor da Silva

Alzeni da Silva Andrade

Alice Pereia de Sá

Edilma Bezerra de Souza

Eleneide Roseílde Ira Ângela Pereira de Sá de Pereira de Sá


aílde Lima Aline Pereira São Pedro e Sá de Sá Bezerra de Souza

Maria do Carmo Bezerra de Sá

Maria Maria Bezerra Laudice Pereira de Sá de Souza Pereira Nascimento de Barros

Iraci Pereira Maria Irene da Silva Lima de Sá

Iracema Pereira de Barros

Iranilde Lima de Sá

Fernandina Bezerra de Souza

Não constam na foto:

Adriana da Silva Costa Maria Pereira dos Santos Maria José Bezerra de Sá Maria Bezerra de Souza Feitosa Edna Bezerra de Souza Gildete Bezerra de Souza As crianças:

Bruna, Ronald, Vitória, Isabel e Geovana



Fios e Cores de Malhada Grande