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A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

Esta é uma publicação do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá.

CONCEPÇÃO Eliana Andrade Rocha Rodrigo Lyra

REVISÃO DE TEXTO Sheyla Alencar Tacun Lecy

TEXTOS Raul Lody (Apresentação) Rodrigo Lyra

TRADUÇÃO ESPANHOL Carla Laudari

PESQUISA Rodrigo Lyra Roberta Almeida FOTOGRAFIAS Mario Bestetti / overbrand imagens Rodrigo Lyra / overbrand imagens Tacun Lecy (capa e contracapa) Zuk Produções (pag.68) Valéria Simões (pag.136) PROJETO GRÁFICO overbrand INFOGRÁFICOS Marcus Cordeiro Franklin Mendes

TRADUÇÃO INGLÊS Maristela Salvatore EQUIPE TÉCNICA DO INSTITUTO DE ARTESANATO VISCONDE DE MAUÁ ENVOLVIDA NO PROJETO Claudia Francisca da Cruz Flonilza Lage dos Santos Gildete Santiago Leda Maria Bahia de Souza Márcia Machado Brandão Maria Celeste da Cruz Azevedo Marinalva Barreto Monteiro Marta Ávila Vera Machado REVISÃO GERAL Maria Luiza Porto Machado Tacun Lecy

Bahia, Secretaria do Travalho, Emprego, Renda e Esporte. Fios e fibras, imbiras, bitús e cacuás: a fiação, a tecelagem e o trançado artesanal na Bahia. - Salvador: Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, 2014. 200p.: il.

ISBN: 978-85-65947-06-0

1. Usos e Costumes, Etiqueta e Folclore. 2. Artesanato Bahia. I. Título.

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CAPA: Joselito Pinto, Mestre Zelito ao Tear, Salvador. CONTRACAPA: Tear de pedal: Trama. GUARDA: Trançado de bicão. Costa dos Coqueiros.


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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA Jaques Wagner SECRETARIA DO TRABALHO, EMPREGO, RENDA E ESPORTE DO ESTADO DA BAHIA Nilton Vasconcelos INSTITUTO DE ARTESANATO VISCONDE DE MAUÁ Emília Costa de Almeida ASSESSORIA TÉCNICA Maria Luiza Porto Machado NÚCLEO DE ACERVO ARTESANAL Eliana Andrade Rocha GERÊNCIA DE FOMENTO AO ARTESANATO Ângela Cristina Virgem dos Santos GERÊNCIA DE PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DO ARTESANATO Rosemary Lima de Aguiar GERÊNCIA ADMINISTRATIVO FINANCEIRA Marcia Conceição Sales Barbosa Dórea

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Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia tem buscado, em todas as suas ações, promover mecanismos de valorização social do trabalho, difusão do artesanato baiano e ampliação da cidadania. Assim, procura sempre oferecer oportunidade de inclusão de baianos em políticas de geração de renda, especificamente no que se refere às atividades tradicionalmente denominadas artesanato. A atenção da Secretaria volta-se para a melhoria da produção artesanal, a fim de garantir produtos originais associados às tradições baianas, que revelam qualidade e condições de comercialização privilegiadas. O investimento em programas direcionados para inovação e melhoria da produção artesanal contemporânea incentiva publicações editoriais com dados atualizados sobre diferentes aspectos da produção, estudos, pesquisas, documentação e catalogação, com registros documentais de tipologias e técnicas artesanais. Com o livro Fios e Fibras - Imbiras, Bitús e Caçoás, disponibilizamos aos leitores, às comunidades vinculadas a esse segmento - artesãos, consumidores, estudiosos - aos parceiros e colaboradores do Instituto Mauá e ao público geral, um panorama desse singular trabalho e sua tradição revisitada como uma alternativa adicional no sentido de instrumentalizar o interesse pela busca do entendimento do que verdadeiramente ocorre em relação a essa atividade nas diversas regiões da Bahia. O foco principal desta publicação é preservar a memória do artesanato e dar visibilidade através da exposição fotográfica de suas formas, valores e expressões significativas, realizar o registro do patrimônio existente nos diferentes locais em que a atividade é praticada. O objetivo principal de ações como essa é dinamizar, cada vez mais, o artesanato da Bahia e assegurar mecanismos que proporcionem aos artesãos baianos difundir suas obras, consolidar, divulgar e perpetuar seus saberes e fazeres, e fortalecer a produção do artesanato do nosso estado.

Nilton Vasconcelos Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte

PÁGINA ANTERIOR: Teares da oficina de tecelagem do Instituto Mauá. Pelourinho, Salvador.

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iar, Tecer e Trançar... Este livro revela a forma simples e ao mesmo tempo complexa dos saberes artesanais aqui representados pelo trançado e pela tecelagem.

São três tipologias e técnicas artesanais de maior representatividade na Bahia, e os cuidados na extração da matéria-prima são fundamentais para a perpetuação desta atividade, presente, praticamente, em todos os territórios de identidade da Bahia. Os registros nos livros de técnicas artesanais tradicionais consolidam um fazer que, em alguns municípios, podem estar em processo de extinção. A atividade artesanal no estado vem crescendo ano a ano, fortalecida pela implementação de ações voltadas para a preservação da memória, da valorização da cultura local e para o fomento à atividade por meio da qualificação do artesão e do apoio à comercialização. Ao folhear o livro “Fios e Fibras: Imbiras, Bitús & Caçuás – A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia” o leitor terá referências desse processo artesanal que, certamente, contribuirá para o aumento do conhecimento de artesãos, instru­t ores, artistas plásticos, decoradores e pessoas com interesse neste tema. Em um passado rico de tradição emerge o futuro de um povo que se orgulha em manter sua atividade e preservar a sua cultura. O Instituto Mauá agradece a todos que, de alguma forma, contribuíram com o seu conhecimento para a produção deste livro que traz o registro de experiências de um fazer artesanal rico e diversificado.

Emília Costa de Almeida Diretora Geral do Instituto Mauá

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eal à missão de preservar e promover o artesão e o artesanato baiano, o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá - autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte segue, há 75 anos, fiel a sua filosofia essencial, valorizando a importância desse patrimônio.

Em se tratando especificamente do artesanato na Bahia, certificamos a relevância de publicações que possam propiciar ao grande público local e nacional a oportunidade de conhecer a cultura das mais variadas regiões e ampliar o conhecimento das origens das atividades da fiação, tecelagem e trançado, em todo o estado. Este livro traz uma pequena parcela da grande extensão do nosso estado e do nosso imenso celeiro de arte tradicional, apresentando as atividades dos nossos artesãos que, por meio de seus produtos artesanais, traduzem simbologias específicas de cada região. A arte da fiação artesanal na Bahia possui uma rica diversidade de matérias-primas: o sisal, o licuri, o algodão, o caroá, entre outros que resultam em ocupações como a tecelagem, que perpassa por gerações e perdura, até os dias atuais, mesmo com a facilidade de se adquirir fios industriais prontos. É neste universo artesanal, onde se mantém viva essa arte secular, que se encontram os trançados que retratam histórias e lições de vida, preservando os conhecimentos de seus ancestrais. Reunir em uma mesma publicação informações, depoimentos e imagens é sem dúvida uma garantia de documentação dos costumes e saberes do nosso povo, tendo assim, a real possibilidade de imortalizar conhecimentos transmitidos de geração a geração. Nossa missão, enquanto Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, é garantir o artesanato como atividade econômica, distribuidora de renda e indutora do trabalho decente. Reconhecer a legitimidade desse artesanato é uma forma de assegurar sua continuidade, propiciar a sua preservação, e garantir renda que gera dignidade e qualidade de vida aos que se dedicam a esse oficio, cada vez mais raro. Registramos por fim, o agradecimento do Mauá aos parceiros que fazem do apoio ao artesanato baiano uma intervenção de múltiplos aspectos onde ganham os artesãos, suas comunidades, suas identidades culturais locais e regionais que se integram em prol do engrandecimento de cada uma e de todas as “Bahias” tão diferenciadas e ainda tão desiguais.

Elias Nunes Dourado Diretor Geral do Instituto Mauá no período de 1/2/2013 a 4/4/2014

PÁGINA SEGUINTE: Dona Luiza tecendo em tear de cavalete. Ilha da Ajuda, Jaguaripe.

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O Trançado Tecido na Cultura da Bahia

Sem dúvida, as relações do homem com o seu meio ambiente orientam os usos e as interpretações dos materiais escolhidos para as realizações das técnicas que interpretam e mostram as possibilidades de atestar pertencimento a um território e a uma cultura. A “recolha” da matéria-prima na natureza, os processos de seleção destes materiais, e tudo que está integrado a cada momento, gesto, percepção e sensação daquilo que está sendo selecionado é repleto de significados e de sentimentos que marcam todo o processo do trabalho artesanal. É um trabalho feito eminentemente à mão, e/ou com implementos que são projetados para ampliar as possibilidades do próprio corpo, havendo um diálogo entre homem e natureza. Tudo sempre é experimentado e justificado nas memórias coletivas, nos segmentos étnicos, nos grupos sociais, nas famílias, nas comunidades, pelos autores que se evidenciam em marca pessoal e assinatura estética. Nesses reconhecimentos de técnicas são reveladas as maneiras de transformar e de interpretar a tradição. Tradição de um modelo, de um tipo de objeto produzido através do desempenho de um conjunto de técnicas, sempre integradas ao contexto social e econômico, e às características de cada artesão. Pois está no domínio do fazer, na repetição de um modelo, o sentido utilitário e simbólico que dão identidade ao objeto. Há um entendimento de valorizar o artesanato como um bem cultural. Neste entendimento estão também os lugares sociais do trabalho, de emprego e de mercado consumidor. A produção artesanal é um trabalho organizado por gênero e hierarquia, evidenciando-se o artesão, ou mestre de oficio, e o aprendiz. E assim cada sistema produtivo tem suas regras, princípios éticos e morais, e funcionais, para construir o que se pode compreender como “ofício”, ofício de artesão. Cada objeto tem um sentido peculiar dentro da produção artesanal. Objetos seriados e não seriados atestam estilos e tendências de função, de uso e de representa-

ção, e assim estes significados conferem valor do que é próprio e único. Nesses cenários sociais tão complexos do artesanato, destina-se agora um olhar sobre o artesanato da Bahia. Produção que revela inicialmente a multiculturalidade e a pluralidade étnica que estão presentes na expressão criativa do artesanato tradicional. Este artesanato tem maneiras próprias de reinventar-se nas formas que vão atender aos mercados locais, e outros mercados que consomem os objetos artesanais. Destaque para a produção artesanal em fibras vegetais, e diferentes fios que fazem as técnicas de trançar e de tecer. São inúmeros objetos que já estão integrados à vida das sociedades, seja no cotidiano ou nas festas, e/ ou ainda dando apoio ao desempenho de outros ofícios, revelando assim que o saber tradicional é orientador e determinante para o entendimento patrimonial da Bahia. As matrizes étnicas das civilizações nativas, da colonização oficial lusitana, já mundializada pelos seus encontros comerciais entre o Ocidente e o Oriente, com os muitos povos africanos, além de outras imigrações, misturaram-se a este rico e diverso acervo de temas, formas, técnicas, e, tipos de objetos reconhecidos como peculiares da Bahia. Os trançados, a fiação; a tecelagem em tipos de teares vertical e horizontal; e as habilidades de cada artesão, trazem um longo e emocionante depoimento de objetos que são usados para a cozinha, para a pesca, para a agricultura, para o transporte, para se viver a casa como, por exemplo, as redes de dormir; os utilitários convencionais: cestos, balaios, peneiras, abanos, esteiras; todos reveladores desta Bahia tão bem trançada e tecida pelas mãos da própria Bahia. Tantos e tão variados são os testemunhos da invenção baiana que estão reunidos neste livro que agrega valor e respeito aos autores, artesãos, artífices, que mostram em cada objeto um texto visual de técnica, estética, forma, cor, textura e uso, que singularizam um povo, o povo da Bahia. Raul Lody

Antropólogo

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Sumário Introdução O Fiar O Tecer O Trançar Tradução Bibliografia Contatos

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PÁGINA ANTERIOR: Armadilhas de peixe. Acervo do Instituto Mauá. Pelourinho, Salvador.

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“cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso” Ditado Popular

Os nomes que se dão aos objetos indicam a intimidade cotidiana que desempenharam e ainda desempenham nas comunidades que os produzem e os utilizam. Imbiras, bitús e caçuás são palavras do universo artesanal da fiação, tecelagem e trançados que refletem sua diversidade técnica e cultural. De imbiras são chamados cipós, cordões ou fios que desempenham a função de atar, amarrar ou linhas para tecer, portanto estão relacionadas ao fiar. Bitú é a denominação carinhosa para cobertores de algodão natural, tecidos em tear na região da Serra Geral e caçuás são os cestos de carga trançados usados em lombo de animal. As origens das atividades da fiação, tecelagem e trançados se perdem no tempo, porém os saberes e fazeres dos ofícios artesanais estão presentes no cotidiano, seja pelo domínio da sua produção ou pelo seu uso. O surgimento destes objetos é inseparável do processo histórico, refletindo nossa capacidade de responder de forma criativa às necessidades. Assim, ocorreu na Bahia, onde a formação do território deu-se pela colonização europeia, por meio da dominação de populações indígenas e africanas. A cultura dominante se mesclou a saberes sobre as matas, gerais e caatingas, e a capacidade de trabalho de transformá-los em utensílios artesanais fundamentais para a sobrevivência da população e para o povoamento do estado. Com inspiração nesse cenário, foram reunidas nesta publicação informações, depoimentos e imagens que revelassem a diversidade e riqueza através das falas dos artesãos, seus produtos, informações técnicas, mapas e processos ilustrados capazes de comunicar ao público, de forma simples e clara, a real complexidade desses fazeres artesanais. Como integrante do grupo de consultores do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá espero contribuir para que todo potencial da atividade artesanal seja desenvolvido revelando seus atores e a pluralidade cultural, que se sustenta nos saberes e fazeres tradicionais. Foram essas atribuições que nortearam esta pesquisa. Acredito também que as informações aqui reunidas servirão de estímulo a leitores e gestores para aprofundar o interesse pelos diferentes campos que as atividades artesanais englobam. Para a realização deste livro foi de fundamental importância os depoimentos dos funcionários e técnicos do Instituto Visconde de Mauá que contribuíram com informações preciosas sobre as atividades e grupos por eles assistidos, pois foram eles que orientaram a formação do mosaico das atividades aqui descritas, de forma que espelhassem a realidade vivida pelos artesãos no cotidiano.

Xaxarás. A tradição das ferramentas dos ritos dos orixás passada de geração em geração. Talisca de coqueiro, couro e búzios. Obra de Antônio Carlos dos Santos. Bairro da Liberdade, município de Salvador. AO LADO: Tecendo em tear vertical. Zona rural do município de Euclides da Cunha.

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COBERTURA VEGETAL ESTADO DA BAHIA

LEGENDA CERRADO CAMPO RUPESTRE MANGUEZAL RESTINGA MATA ATLÂNTICA FLORESTA ESTACIONAL CAATINGA ÁREAS DE TRANSIÇÃO: FLORESTA/CERRADO/CAATINGA

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POVOS INDÍGENAS NO ESTADO DA BAHIA

Legenda

Sobradinho Abaré

Pataxó

Rodelas

Curaçá

Kaimbé

Glória

Tuxá

Paulo Afonso

Tupinambá Pataxó HÃ Hã Hãe Kariri-XoKó/Fulni-ô

Euclídes da Cunha Muquém do São Francisco

Ibotirama

Banzaê Quijingue Lauro de Freitas

Kiriri Tumbalalá

Camamu

Serra do Ramalho Buerarema

Xucuru-Kariri Pankararé Kantaruré

Itaju do Colônia Pau Brasil

Truká Pankaru Atikun

Camacã

Ilhéus Belmonte

Una Santa Cruz de Cabrália Porto Seguro Itamaraju Prado

O vasto território baiano proporcionou a seus habitantes uma diversidade natural e climática, que vai da floresta Atlântica ao cerrado, passando pela extensa área semiárida da caatinga, abraçando as áreas de grotas e chapadões que formam a grande diversidade natural do estado. Essa diversidade foi aproveitada em benefício da sobrevivência. A partir das necessidades do viver foram se desenvolvendo as técnicas artesanais para transpor as dificuldades através dos conhecimentos e dos meios que a natureza oferecia. Para a reunião destes conhecimentos foram necessárias muitas gerações de artesãos, que acumularam através do tempo suas observações, destrezas e experiências, formando o conhecimento tecnológi-

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co das comunidades tradicionais que, do litoral ao interior do estado constituíram o cenário do artesanato na Bahia. Nesse universo destacam-se as atividades da fiação, do trançado e da tecelagem. A tecelagem e o trançado apresentam uma origem comum e compartilham diversos aspectos técnicos. O fio transforma-se em pano por meio da tecelagem, em processo similar ao da palha empregada na produção de uma esteira. Ambos, pano e esteira, são formados pela teia e trama. A importância dos objetos trançados fica ainda mais clara quando analisamos seus empregos pelas antigas populações nômades, ou em atividades agrícolas e urbanas, que requerem transporte frequente, com segurança, menor peso e rapidez. As técnicas de trançado na sua maioria, empregam folhas de palmeira, cipós, bambus, tabocas e taquaras, palha de milho, cascas e entrecasca de certas palmeiras como é o caso da piaçava - arbustos e árvores produtoras de fibras têxteis. O instrumental é simples: facão para cortar a matéria-prima, facas e tesouras para acabamento e o farracho - instrumento montado com um pedaço pesado de madeira e uma lâmina de metal, que serve para separar a fibra da palha. Para a cestaria tecida emprega-se ainda, a agulha.

Mulher com balaio. Desenho de artesã. Município de Caém.

Na Bahia há trabalhos baseados em fatores distintos: técnica, matéria-prima, expressão formal ou uso. Apresentam peculiaridades que se destacam. A oferta de matéria-prima varia de localidade para localidade, nesse caso cabe à ela o papel de seduzir por suas propriedades: cor, textura e flexibilidade. Cabe também aos artesãos o domínio do conhecimento no manejo, colheita e manuseio para que sua matéria-prima se apresente apta para o trançado e não se torne quebradiço. No litoral da Bahia, cipós das matas e diversos recursos provenientes de palmeiras são utilizados para a confecção de produtos, principalmente luminárias e bolsas. Os artesãos, em suas comunidades, se organizam em associações e produzem em grupos ou individualmente. É frequente o emprego das taliscas da palmeira de origem africana, do dendê, abundante na região do Baixo Sul. No Semiárido destaca-se a região sisaleira com o emprego da fibra do agave natural, tingida com corantes vegetais. De difusão mais recente, existe o trabalho com as fibras de bananeira e milho, que se desenvolvem em várias comunidades do oeste do estado. E por todo Semiárido e litoral, a palmeira do licuri (ouricuri ou nicuri) é empregada em variadas técnicas e produtos. Na Região da Serra Geral, em especial na cidade de Guanambí, o saber técnico da fiação e tecelagem em tear de esteio abrange o algodão, em toda a sua cadeia, indo da lavoura a produção das colchas, os conhecidos bitus. Além da produção de marambaias, franjas bordadas a partir de nós. No norte, nordeste e oeste do estado encontra-se uma variada produção de redes que empregam as matérias-primas

PÁGINA ANTERIOR: Artesãs iniciando a malha do jereré. Ilha da Ajuda, Jaguaripe.

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típicas de cada região, revelando a riqueza e diversidade dos saberes artesanais da Bahia. Entre os importantes temas que foram recorrentes nos depoimentos dos artesãos, o que mais se impôs foi à questão do acesso e meios de preservação dos recursos naturais, fonte de matérias-primas principais das atividades aqui reunidas. Há um significativo vínculo entre a atividade artesanal, o artesão e a forma de obtenção de sua matéria-prima. Cada vez mais as artesãs relatam que têm de se deslocar para mais longe para coletá-las, pois os locais próximos e de fácil acesso estão sendo desmatados pelos proprietários para dar lugar às pastagens e áreas de cultivo, tornando assim mais exaustivo o percurso dos artesãos à procura de áreas mais longínquas onde sua presença seja satisfatória. Outro fator agravante é a existência de grande número de pessoas que fazem parte da cadeia de produção extraindo a fibra, mas que não são cadastrados em associações ou organizados em grupos. Boneca em fibra de sisal. Município de Cipó.

O manejo sustentável significa a utilização de práticas que garantam a sustentabilidade socioeconômica e ambiental dos empreendimentos florestais, tanto em florestas nativas como florestamentos/reflorestamentos. O manejo sustentável tem como objetivo melhorar as condições de vida de artesãos, que estão também em comunidades consideradas povos tradicionais, uma vez que dependem dos recursos naturais para sua reprodução sociocultural por meio de atividade de baixo impacto ambiental. Nesses casos, o manejo sustentável é fundamental para o uso racional e controlado dos recursos naturais renováveis, tendo em vista a manutenção do fornecimento de matéria-prima para a atividade artesanal. É fundamental a garantia do fornecimento da matéria-prima na elaboração de um plano de manejo para envolver e tornar responsáveis o artesão e a população, transformando-os em agentes de preservação de seu patrimônio ambiental. Esse processo leva em conta a sensibilização quanto ao uso racional e seu valor, de forma a assegurar a sustentabilidade socioeconômica e ambiental em todo o processo.

Caxixis, instrumento musical, cipó raspado e coco. Município de Salvador.

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Aliar conhecimentos tradicionais e conhecimentos técnicos são pontos importantes nesse empreendimento, ambos integrados em parcerias diretas com associações de artesãos e demais envolvidos nas questões de manejo nas comunidades. Esses princípios são a base do trabalho, de forma a programar uma adequada tecnologia florestal e mais apropriada às peculiaridades locais. Essas atividades


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devem envolver técnicos, lideranças e artesãos para a criação de um espaço de articulação e reflexão contínua, para a geração de soluções e alternativas de interação com o meio ambiente e seus recursos.

Jarro em madeira de eucalipto torneada revestido de trançado em fibra de palmeira de caxandó tingida e imbiriba. Coroa Vermelha. Município de Santa Cruz Cabrália.

O Artesanato Indígena Sob o signo da reinvenção, o artesanato dos grupos indígenas, que possuem uma trajetória de luta e superação, de grande troca e miscigenação, pode ser descrito no fenômeno das “novas tradições”, o que deve ser visto como a capacidade da criatividade do nosso povo em gerar alternativas de sobrevivência em novos contextos. Devemos, portanto, considerar o artesanato destes povos como uma autêntica manifestação do caráter étnico em sintonia com a contemporaneidade. O apoio à produção artesanal de grupos indígenas deve atuar de forma a possibilitar uma reflexão do artesão e da sua produção material como um elemento de seu cotidiano e dos seus princípios de vida, pois o artesanato indígena representa um dos principais veículos de afirmação cultural e geração de renda dos diversos povos que habitam o estado. São mestres em antigos saberes e em novas artes que valorizam o sentido de pertencimento do seu povo, do orgulho de ser índio. Sementes, fibras, cocos de palmeiras nativas e cerâmicas são empregadas com respeito ao meio ambiente na produção de adornos para o corpo e objetos utilitários que alcançam qualidade ímpar, destacando-os e representando-os perante a produção de outras etnias. Cuidados devem ser tomados quanto à mercantilização das tradições. Devem ser separados os objetos utilizados em rituais e os de provimento da subsistência dos objetos de comercialização. Os primeiros possuem um papel sagrado a ser preservado, e caracteriza a chamada “produção para dentro”. São produtos da ação do homem sobre a natureza que é capaz de absorver um impacto limitado sem comprometer seu equilíbrio. A produção para comercialização seria a “produção para fora”, que deve ter sua escala observada para não causar desequilíbrio na relação de harmonia que está na base da relação do indígena com a natureza.

Tacapes Pataxós, madeira de palmeira de tucum e trançado em fibra de palmeira de caxandó. Coroa Vermelha, município de Santa Cruz Cabrália.

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Ao Lado: Espanador em fibra de sisal. Município de Cipó. Abaixo: Vassouras em palha de palmeira de Licuri. Municípios de Saubara e Euclides da Cunha

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Etapas de execução de uma vassoura de palha de palmeira de licuri, vassouras à venda em feira livre. Município de Euclides da Cunha.

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Palmeira de Caxandó e Tucum, desenhos de artesãos pataxós. Aldeia Velha Pataxó, município de Porto Seguro.

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Palmeira de licuri, desenho para bordado, artesãs Guerreiras do Guigó. Município de Ituaçú.

Caróa, bromeliácea fonte de fibras para o artesanato, localidade do Campo Grande. Município de Santa Terezinha.

Plantação de agave origem da fibra do sisal. Município de Valente.

Palmeira de licuri, localidade do Guigó. município de Ituaçú.

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Marlene e o caroá: Etapas da coleta ao beneficiamento da fibra para emprego na fabricação do aió, bolsa cargueira de origem indígena tradicional no sertão baiano. Fazenda Tanquinho, município de Macururé.

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Fiação Artesanal na Bahia e o Emprego de Fios Industriais

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A Fiação O fiar é o processo de transformar a matéria-prima têxtil em fio. Os métodos e equipamentos variam de acordo com a matéria-prima escolhida. O fio é a matéria-prima flexível empregada para a confecção dos tecidos através de suas diversas técnicas. As linhas resultantes da fiação artesanal possuiam uma variada gama de empregos: compunham redes de pescar, linhas de costura, para fazer renda e podemos estender à produção de cordoaria, sendo, porém, a tecelagem o seu principal emprego, a que mais perdura nos nossos dias.

PAGINA ANTERIOR: Artesã torcendo a fibra do caroá para produção do fio para tecer o aio. Fazenda Tanquinho, município de Macururé.

Na Bahia, a tecelagem artesanal utiliza fios de diversas procedências, resultados de um trabalho manual ou não. Podemos classificá-los como:

• Fios artesanais: são os resultantes do trabalho de fiação manual caseira, que podem variar de acordo com a matéria-prima e a técnica.

• Fios reaproveitados: são fios resultantes do desmanche de roupas velhas de linha ou da compra destas no mercado do sudeste do país com este propósito.

• Fios industrializados: podem ser de duas origens, comprados em lojas e armarinhos para ajudar a compor a produção tradicional ou servir de base para a produção contemporânea, ou fios resultantes do refugo do urdimento industrial de fábricas no sul e sudeste do país e que movimentam o mercado de diversas cidades.

Fuso em madeira para produção de linha de algodão, descaroçador de algodão, roda de fiar e artesã batendo o algodão no arco. Município de Guanambi.

A artesã fiandeira é, pois, a que não tece, mas prepara o fiado para seu próprio consumo, matéria-prima de que dispõe para encomendar à tecedeira a peça tecida que lhe falta, ou para a comercialização do fio em feiras e mercados (GEISEL e LODY, 1983). A distribuição da fiação no Estado segue, ainda, a mesma identificada por Costa Pereira na década de 1950, seguindo as três áreas de ocorrência da tecelagem manual: a primeira, ao Nordeste do Estado – Paulo Afonso,

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Diversas espessuras de fios e tranças obtidos a partir da fibra da bananeira. Município de Utinga.

Cordas a venda na feira livre de Cipó, diversidade de fibras; licuri, caróa e sisal. Município de Cipó.

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Caldas de Cipó e Tucano; a segunda, no oeste Baiano, em sub-regiões do Médio São Francisco e alguns de seus afluentes – o rio Corrente e o Rio Preto; e a terceira correspondente à região da Serra Geral-município de Guanambi e Paramirim. As três principais regiões produtoras de fios artesanais, que têm seu emprego na tecelagem manual, baseiam-se em matérias-primas distintas: na região da Serra Geral, fios artesanais de algodão natural; no sertão de Paulo Afonso, fios industriais de algodão, fios artesanais de licuri e caroá; e, na região oeste, fios artesanais da palmeira do buriti. Os fios artesanais são obtidos a partir do beneficiamento das fibras brutas. Suas matérias-primas são cultivadas ou extraídas no seu ambiente natural. Suas plantas de origem podem ser oriundas de três famílias botânicas: Bromeliáceas (caroá), Aracaceas (palmeiras de tucum, licuri e buriti) ou Malváceas (algodão). Antes de fiadas, as fibras podem ser tingidas por corantes naturais ou industriais. Estes processos são descritos aqui, juntamente com os processos de tingimento das fibras empregadas no trançado e que não passam pelo processo de fiação. O beneficiamento do caroá inclui a sua extração com o emprego do facão; a retirada dos espinhos e o desfibramento manual com auxílio de uma faca; bater sua fibra e secagem ao sol; seleção das fibras e daí, finalmente, a fiação com o auxílio do fuso ou sobre a perna através da torção (ver infográfico). Para beneficiar a fibra das palmeiras segue-se o mesmo processo de retirada da folha; separação da folha (folíolo) do talo (pecíolo), secagem da seda ao sol e fiação manual sobre a perna. Na aldeia Imbiriba, terra da etnia Pataxó, no município de Porto Seguro, a fiação da fibra da palmeira do tucum (bactris setosa), muito usada tempos atrás pelos Índios Pataxós para confecção de redes de pesca, emprega também o fuso no processo. O fuso é um implemento de fiação, constituído de uma vareta que serve de bobina e uma roda que desempenha a função de volante para torcer a fibra. A antropóloga Berta Ribeira distingue os seguintes componentes do fuso:

Artesãs fiandeiras com novelos de sua produção. Fios de licuri e algodão, municípios de Nova Soure e Guanambi.

• Castão do fuso: bico ou remate superior da vareta do fuso, destinado a sujeitar o fio, podendo variar de forma; os tipos mais frequentes são saliência chanfrada, incisão, bolota, gancho.

• Tortual do fuso: disco ou outro dispositivo adaptado à parte inferior da vareta do fuso, destinado a imprimir-lhe movimento e, ao mesmo tempo, impedir o resvalo da linha bobinada. Nomenclaturas locais nos revelam a intimidade com que as artesãs se referem às suas ferramentas: em Euclides da Cunha o castão é chamado de cabeça, a vareta de cabo e o disco, de roseira. O emprego do fuso pelos sertanejos baianos, herdado da sua ancestralidade indígena, segue o modo de fiar identificado pela antropóloga Berta Ribeiro (1985) como baikari, o mais empregado pelas populações indí-

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genas no Brasil e que consiste em a fiandeira imprimir um movimento de rotação à parte pré-tortual do fuso, encostando-o na perna ou na coxa, mantendo o fuso em posição vertical ou semi-inclinada. Em função disso, a parte inferior da haste é mais alargada, e a superior provida geralmente de um dispositivo para segurar o fio. Pela fiação ao modo baikari se obtém uma torção em “Z” que é obtida girando-se o fuso no sentido de rotação dos ponteiros do relógio e a fiação em “S”, em sentido oposto. A fiandeira destra produz fio com torção em “Z” e a canhota com torção “S”.

Acima: Artesã trançando fibra de bananeira, localidade da Cabeceira do Rio, Município de Utinga.

Em Euclides da Cunha foi observada uma variação do fiar em que a fiandeira emprega um gancho fixado ao teto como suporte para imprimir ao fuso um movimento de pêndulo, após encostá-lo na perna, com a qual ela consegue o prolongamento da sua rotação, tornando-o mais cômodo do que somente girá-lo na perna em direção ao solo. Já a fiação dos fios do algodão é precedida por duas etapas: o descaroçar e o bater. Para descaroçar empregam-se somente as mãos ou o descaroçador movido à manivela, que é constituído basicamente por dois cilindros giratórios, por entre os quais se faz passar os chumaços do algodão. Os cilindros são acoplados às manivelas e ambos a montantes fixados sobre um banco, que possibilita que um ou dois operadores sentem e procedam ao movimento da manivela, inserindo o chumaço de um lado e o retirando do outro, já sem os caroços. O bater consiste em fazer vibrar o fio de um arco feito com um galho flexível unido pelas pontas por um barbante sobre o algodão já escorraçado até este expandir sua fibra e retirar as impurezas que restaram.

Acima: Artesão empregando o farracho para separar a fibra da palha da palmeira do licuri, município de Santa Brígida. Abaixo: Fios tingidos com corantes naturais. Povoado do Guigó, município de Ituaçú.

Em seguida através da torção, que confere resistência ao fio, é empregado o fuso ou a roda de fiar (roca). A roda, equipamento de origem europeia, na descrição de muitas artesãs do município de Guanambi, em tempos antigos era um equipamento imprescindível a toda jovem que se casava. Na descrição de MAUREAU. ALTAFIN (1984) compõem-se de três partes: um suporte, um mecanismo de rotação e um dispositivo de fiação e enrolamento. O suporte da roda constitui-se de um banco com quatro ou três pernas, sendo um par mais alto que o outro. Sobre o banco, do lado mais baixo, estão fixados dois braços de madeira que sustentam a roda, e do outro, uma moldura com o dispositivo de fiação. Ambos encontram-se inclinados em sentidos opostos com relação à base. Essa inclinação destina-se a aumentar a resistência mecânica da estrutura, face, primordialmente, à tensão da correia que transmite o movimento da roda ao fuso. O mecanismo de rotação compõe-se de uma roda, um pedal e uma biela. O seu funcionamento se dá pelo uso do pedal que gira a roda, que, por sua vez, faz com que o fuso gire. A artesã previamente ata um fio que serve de guia à fibra e a sua tensão é dada pelo tempereiro. Com movimentos coordenados entre as mãos que controlam a alimentação da fibra

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e os pés que imprimem o ritmo, o fio vai se formando pelo retorcer e se enrola ao carretel. Para formar os novelos retira-se o fio manualmente.

Artesãs torcendo fios com o auxílio do Fuso, movimentos no fuso em pendulo e giratório como peão, município de Euclides da Cunha.

As linhas produzidas no fuso e na roda obtêm características diferentes; a produzida no fuso é mais grossa, menos compacta e denominada de lanzudo; a linha produzida pelo emprego da roda é mais fina e compacta e é chamada de linha. O reaproveitamento foi observado nas comunidades rurais do município de Euclides da Cunha. As linhas obtidas com o desmanche das roupas resultantes do refugo da indústria ou, velhas de uso próprio, confeccionadas em linha (tricô industrial), são torcidas no fuso e enroladas formando novelos para serem tecidas no tear. As fibras reaproveitadas são empregadas somente na trama. Os saberes do emprego de fibras de caroá na costura de aiós (bolsas cargueiras de origem indígena usada pelo sertanejo na lida do campo) e esteiras encontrados em duas comunidades produtoras de trançado sarjado – Campo Grande, em Santa Terezinha, e Guigó, em Ituaçú – revelaramse tão importante para as artesãs que durante as oficinas promovidas pelo Instituto Mauá para o desenvolvimento de novos produtos, foram incorporados através da fiação manual, aos produtos, desempenhando papéis diferentes em cada comunidade. Em Ituaçú, município da Chapada Diamantina, as fibras de licuri foram tingidas com o conhecimento das próprias artesãs nas plantas tintórias locais e utilizadas como linhas para composição de apliques em forma de flores e bordados que representam o seu cotidiano. Já em Campo Grande, o caroá empregado também na costura dos produtos foi, através da técnica do macramê, usado para compor redinhas para formar bolsos e alças nas novas bolsas. Cada vez mais, as dificuldades na obtenção da matéria-prima têm levado as artesãs a adquirem os fios industriais prontos. Os fios industriais podem ser adquiridos em armarinhos e lojas especializadas ou ainda encomendados pela internet, o que aumentou muito a possibilidade de experimentação dos tecelões urbanos que hoje têm ao seu alcance fios antes raros como a seda. Em Paulo Afonso, no nordeste do Estado, na fronteira entre os estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco, se obtêm os fios, em Caraibeiras, distrito do município Pernambucano de Tacaratu, que possui sua economia voltada para a produção de redes e mantas em tear industrial. Dado ao grande volume de produção há no povoado um mercado dinâmico de fios em bobinas que atende também os tecelões baianos dos municípios de Rodelas, Paulo Afonso e Jeremoabo. Segundo os artesãos da região de Paulo Afonso os “fiapos” que chegam ao sertão baiano são oriundos da indústria têxtil do sul/sudeste do país. Seriam os fios do urdume dos teares industriais, que são enviados para comercialização na feira livre da cidade de Cipó, que atende também a produção artesanal têxtil dos municípios de Ribeira do Amparo e Nova Soure, para a produção de redes em tear vertical e redes de fiapo ou nó, trançadas empregando a técnica do macramê. Os “fiapos” são comercializados por quilo, durante a feira livre semanal, e assim como o comércio de redes de nó, conhecidas como redes de fiapo, de redes tapadas do povoado do Amari, e a venda atacadista de bolsas de pindoba ou ariri,

Pagina seguinte: Artesã da aldeia Imbiriba Pataxó fiando no fuso fibras da palmeira do tucum. Município de Porto Seguro.

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FIAÇÃOManual MANUAL COM À PASSO: Fiação com RODA RodaOU ouFUSO FusoPASSO Passo à Passo PASSO 1

PASSO 2

Descaroça-se em dupla o algodão em um descaroçador.

PASSO 3

O algodão já sem caroço é batido no arco para sua fibra se expandir.

PASSO 3

Para a obtenção de fios finos emprega-se a roda, que a artesã controla através de movimentos dos pedais e da tensão dada a fibra pleas mãos.

PASSO 4

Para a obtenção do fio lanzudo a artesã emprega o fuso, que através de movimentos giratórios torce a fibra.

Depois de obtidas as linhas são enroladas em novelos para seu emprego no tear.

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Artesãs fiando algodão no fuso e na roda de fiar, localidade de Curral Novo no município de Nova Soure e município de Guanambi.

ocupa o local mais nobre da feira, o antigo mercado municipal da cidade de Cipó. Os fiapos podem ser empregados depois de desembaraçados para a produção de redes de nó, como também depois de torcidos no fuso, empregados na urdidura e trama das redes do Amari (município de Cipó), Barrocas (município de Ribeira do Amparo), e Curral Novo (município de Nova Soure), assim como nos diversos povoados da zona rural de Euclides da Cunha, como Alto do Paraiso, Caimbé, Capoeira, Muriti e Jurema. A produção de fios de Caroá encontra-se distribuída entre os municípios de Glória e Jaguarari, regiões norte e nordeste do estado, e foi identificada nos povoados da Laje do Flamengo em Jaguarari, Tanquinho em Macururé, Brejo do Burgo em Glória, e no município de Araci nas localidades de: Retirada, Rufino e Queimada Redonda seguindo a técnica da torção manual sobre a perna. É interessante ressaltar as estratégias que as mulheres, em alguns povoados, desenvolveram para evitar que a torção dos fios sobre suas pernas danificassem sua pele; algumas empregam telhas e carotes (recipientes para transporte de água em animais, em madeira ou em câmara de pneu reciclada) como base para desenvolverem a torção dos fios. Nestas comunidades os fios de caroá são destinados à produção de aiós: bolsas cargueiras de origem indígena. A única fiandeira de fibra de caroá identificada e, talvez por isso, a única a empregar o fuso no processo de fiação, foi Maria de Lurdes Dantas de O. Narcizo, Dona Branca, do povoado de Serra Branca, município de Euclides da Cunha. Em seu quintal as araras de Lear vêm se alimentar dos coquinhos do licurizeiro. Ela produz fios para a fabricação de redes de dormir, por isso a necessidade de fios mais resistentes. Os povos indígenas, que tanto contribuíram para a formação cultural do sertanejo baiano – os Pankararé, de Brejo do Burgo, município de Glória, Kiriris em Banzaê, e os Kaimbé em Massacará, município de Euclides da Cunha – produzem fios da folha do licuri que são empregados na confecção de redes, roupas tradicionais como o saiote, chamado de crenguexê, e também para a costura de bolsas de pindoba; licuri e ariri. Chama a atenção à habilidade manual de Euflozina de Jesus, a Nina, índia da etnia Kaimbé, desfibra manualmente a folha do licurí, sem a ajuda do farracho. A fiação da fibra do buriti, no oeste do estado, presente nos municípios de São Desidério, Barreiras e Cocos, segue os princípios da fiação manual empregada nas demais palmeiras. O fio é empregado na produção de redes, no urdume e trama, em esteiras, no urdume e na produção mais recente de bolsas: “após o corte e o transporte dos olhos da palmeira até o local de processamento, a primeira etapa é da separação de seda e palha. Seda é a película fina que reveste a folha da planta que, com sua retirada, se transforma em palha. Seda e palha são postas para secar por período médio de três dias, geralmente a sombra, de forma que, embora mais lento, o processo garanta melhor qualidade ao material. No entanto, se há pressa no fazer, seda e palha podem ir ao sol, o que acelera a se-

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cagem. Nesse caso, além de perder a cor, a matéria torna-se mais dura, o que torna mais difícil trançar e tecer, além de resultar em trabalho de qualidade inferior.”

Artesã fiando fibras de caroá na Fazenda Tanquinho e licuri em Curral Novo, municípios de Macururé e Nova Soure.

“A distinção entre seda e palha é responsável pela diferença de preço no produto final. A primeira é considerada matéria-prima especial, nobre, mais delicada do que a palha.” “A seda é primeiramente trabalhada, vindo a constituir um longo fio trançado de três pernas. Essa operação dura em média dois dias. A seguir esse fio, também denominado corda, é pelado, isto é, tem pelos e fiapos aparados por uma faquinha bastante afiada”. (LIMA, 2008). No município de Utinga os fios são também empregados no trançado. A preparação das cordas e cordinhas de fibra de bananeira segue processo semelhante ao de Cocos. Os artesãos da Cooperativa de Produtores da Agricultura Familiar da Cabeceira do Rio-COOPAFCAR produzem móveis e peças decorativas a partir do trançado de fios e cordas. Após a retirada da fibra do pseudocaule da bananeira, ela é posta para secar ao sol e quando seca é trançada em fios de diferentes espessuras de acordo com o objeto que se pretende produzir. Quando se encontra ressecada, a fibra é molhada para facilitar a sua torção. É costumeiro fixar o início da trança ou corda em um suporte na parede ou, se for de pouca espessura, empregam-se também os dedos dos pés. As regiões sudoeste e da Serra Geral são onde a fiação de algodão se encontra mais disseminada. A érea de ocorrência compreende os municípios de Guanambi, Paramirim, Caetité, Candiba e Riacho de Santana. Com o emprego da roda e do fuso, as artesãs fiam o algodão foba, de coloração marrom, chamado no norte do estado de Minas Gerais de algodão ganga, com o qual tecem os cobertores tradicionais da região, os bitus. A região da Serra Geral foi um importante polo produtor de algodão, ainda no XIX, fornecedor para a nascente indústria têxtil na Bahia, que atingiu na segunda metade do século, o posto de maior produtor têxtil industrializado do país. Contudo, a produção de algodão sofreu muitas oscilações com a falta de incentivos para superar as dificuldades de crédito e escoamento (transportado em lombo de mulas até o Recôncavo) e atingidos pelas crises do mercado externo. Os depoimentos dados pelas artesãs Dionizia Amado da Silva, 73 anos, moradora do bairro Alvorada, Guanambi, e Idalina Fogaça de Souza, cerca de oitenta anos (ela própria não sabia precisar), demonstram o quanto o fiar foi e ainda é importante para diversas mulheres nesta região do interior do Estado: “Nasci na Baixa do Pedro, prá lá de Igaporã. Aprendi a fiar com a minha mãe, Maria Amado da Silva, que faleceu há onze anos. Hoje minha filha Elita Amada da Silva Santos me ajuda a fiar e o fio eu mando para uma amiga em Riacho de Santana que tece”. Diz Idalina: “Fio algodão no fuso e na roda. Morava quando criança na Amargosa, a quatro léguas de Caitité. Aprendi a fiar com a mãe, quando eu era

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Processo de preparo da fibra do caroá para a fiação. Serra Branca, Fazenda Tanquinho e Campo Grande, municípios de Euclides da Cunha, Macururé e Santa Teresinha.

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FIAÇÃOManual MANUAL do DO Caroá CAROÁ Passo PASSO À Fiação à PASSO: Passo PASSO 1

Retira-se os espinhos da folha de caroá com o auxílio de uma faca.

PASSO 2

Dobra-se a folha e com os dedos separa-se a fibra da palha.

PASSO 4

Já seca a fibra é desfiada e reunida de acordo com a espessura do fio desejado.

Com uma faca, efetua-se a limpeza da fibra.

PASSO 5

Põe-se para secar a fibra ao sol.

Depois de limpa a fibra é batida em molhos.

PASSO 6

PASSO 3

PASSO 7

Com o movimento da mão sobre a perna se torce as fibras até a formação da fibra.

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bem pequena, ela fiava na roda e deixava eu colocar o pé na pisadeira. Com sete anos de idade ganhei minha primeira roda. Aí fiz linha suficiente para tecer um cobertor, depois fiei linha para tecer um riscado de calça de homem para meu pai que tinha me dado a roda”. D. Idalina fia o dia todo. É interessante notar que várias artesãs, mesmo empregando fios industriais, não o consideram resistentes para serem empregados na tecelagem. Elas então os reúnem em número que consideram ideal para cada emprego e os torcem até formar um só fio, denominado então de linha. Para isso utilizam uma roda de encher a canela, tubo que é inserido na canoa (navete) para tecer no tear. Outras artesãs do fiado empregam barbantes para compor linhas no fuso, que depois são enceradas com cera de abelha para adquirir ainda mais resistência para se costurar chapéus e outros produtos em trançado sarjado. Processo similar descreveram artesãs de áreas litorâneas que empregavam o sumo do mangue vermelho (rhizophora mangle) para impermeabilizar as linhas de algodão para a confecção de redes de pescar, antes do advento das linhas de nylon. Outro fio que merece destaque entre as fibras naturais beneficiadas industrialmente é a fibra do sisal, a fibra beneficiada extraída do Agave (sisalana perrine, agaviaceae). Originária da região de Yucatan, no México, o sisal é, uma importante fibra no comércio mundial, cultivado em regiões semiáridas de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A Bahia é o maior produtor, responsável por 92% da produção nacional. Na Bahia destacam-se os municípios produtores de Valente, Conceição do Coité, Santa Luz, São Domingos, Queimadas, Campo Formoso e Ourolândia. A produção do sisal destaca-se pela capacidade de geração de empregos, por meio de uma cadeia de serviços que abrange desde os trabalhos de manutenção das lavouras, geralmente baseada na agricultura familiar, a extração e o processamento da fibra para o beneficiamento, até as atividades de industrialização de diversos produtos, bem como seu uso para fins artesanais. Um acontecimento importante na região foi a fundação em 1980 da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira - APAEB, uma associação sem fins lucrativos que tem como missão promover o desenvolvimento social e econômico sustentável e solidário, visando à melhoria da qualidade de vida da população da região sisaleira. A APAEB foi criada após uma mobilização ocorrida no final da década de 70, com a organização de agricultores do semiárido. A busca de melhores condições para o escoamento da produção do sisal levou à reunião dos produtores para vender em grupo o sisal, à gestão da batedeira de sisal e depois à indústria de fios, tapetes e carpetes. Atualmente a APAEB, contam com mais de 450 empregos gerados diretamente e movimenta milhões de reais na economia local, em forma de salários e compra de matéria-prima dos agricultores. Os fios produzidos pela APAEB estão disponíveis em diversas espessuras e cores e são empregados principalmente por artesãos que desenvolvem trabalhos em malha de macramê, tricô e em trabalhos a dedo. As cores

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variam de acordo com as tendências do mercado internacional de decoração, destino de grande parte da produção de tapetes da associação.

Fios industriais de algodão, fibra de sisal e fios de sisal industrializados. Municípios de Paulo Afonso e Valente.

Página anterior: Reaproveitamento de fios para fiação. Desfiando roupa em malha de tricô industrial e torcendo o fio obtido no fuso. Município de Euclides da Cunha.

Pagina seguinte: O emprego de plantas nativas é amplamente conhecido pelas artesãs da Costa dos Coqueiros para o tingimento da palha da palmeira de piaçava. Localidade de Subaúma, município de Entre Rios.

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Tingimento Natural Entre as tecnologias empregadas na tecelagem e trançados está o uso dos tingimentos naturais. Já a origem dos corantes vegetais dá às suas cores uma relação direta com a luz. O uso destes corantes na produção de produtos artesanais requer o conhecimento das espécies e de qual parte pode-se obter as cores tão apreciadas. Lembre-se que o principal emprego do pau-brasil foi como fonte de tintura vermelha para a tecelagem. Os processos de pesquisa e experimentação são estímulos ao fortalecimento dos vínculos entre as gerações. A manipulação destas ervas e compostos possibilita aos grupos resgatar e também aprofundar os conhecimentos, agregando novas tecnologias limpas a ofícios capazes de integrar o homem ao seu meio natural, à natureza.

Frutos do Urucum do qual se obtém a coloração abóbora para o tingimento de fibras, localidade de Morada Velha, município de Santa Brigida.

Tingir com corantes vegetais é relativamente simples, mas a manipulação das cores exige um profundo domínio de princípios químicos, físicos e botânicos. Procurar e coletar ervas, frutos, raízes, cascas de árvores, reciclar resíduos são atividades integradas que associam saberes ancestrais. As técnicas e empregos do tingimento natural encontram-se amplamente disseminadas reunindo conhecimentos com diversos empregos e serventias: os antigos pescadores tingiam com o sumo da madeira do mangue vermelho para impermeabilizar os cordões de algodão empregados na confecção de redes de pescar, as artesãs da Costa dos Coqueiros coloriam suas tranças da palha da palmeira da piavaça para a confecção de esteiras, chapéus e bolsas. Através da “decuada”, obtinha-se pedras de anil com a sua maceração, fermentação e adição de cinzas, o anil tingiu de azul diversos cobertores na região da Serra Geral, possibilitando o desenvolvimento de novas padronagens. Novos grupos reuniram artesãos veteranos como em Santa Brígida, Ituaçu e Valente, determinados a resgatar estes saberes e integrá-los na sua produção. Estes grupos identificaram mais de 20 tonalidades diferentes, empregando cascas, frutos e folhas de diversos vegetais cultivados ou Cor Planta silvestres. Estes corantes foram utilizados para o tingimento das fibras e para a confecção e renovação da sua produção. A exemplo do grupo Guerreiras do Guigó que desenvolveu novos produtos baseados em flores e bordados, empregando linhas de licuri tingidas.

Verde fita do licuri Natural fita do olho do licuri Rosa chá canjão (madeira nova) canjão de boi Marrom fruta do café madura Amarelo açafrão Cor de abobora urucum Prata (cinza) surucucu Ouro velho aroeira Marrom claro folha seca do café Marrom escuro vagem de jurema ou canjão pequeno Amarelo escuro baraúna

Receita tirar a fita da palha (velha) verde tirar a fita do olho do licuri ferver a casca do canjão ferver a fruta do café madura ferver a raiz do açafrão seca e pilada com o coração da bananeira ferver o fruto do urucum com o coração da bananeira ferver a casaca do surucucu ferver a casca da aroeira ferver a folha seca do café ferver a vagem com o coração de bananeira ferver a casca da baraúna

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Tecendo rede de pescar. Localidade de Ilha da Ajuda, município de Jaguaripe.

Manguezal, o sumo do caule do mangue vermelho foi empregado há pouco tempo no tingimento das tramas das redes de pescar para impermeabilizar as linhas de fibra natural, aumentando sua durabilidade.

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Processo de tingimento com corantes naturais da fibra da palmeira do licuri. Localidade de Morada Velha, município de Santa Brígida.

Pagina SEGUINTE: Tecendo no tear de pedal. Município de Jeremoabo. ABAIXO: Portas Joias em fibra de palmeira de licuri tingido com corantes naturais. Localidade do Araújo, município de Santa Brígida.

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Tecelagem Artesanal na Bahia

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O Tecer “Da semente faço Roupa! Planto a semente, sei fiar, sei tecer. Aí costuro a roupa, e ainda sei bordar e fazer Marambaia,” Dona Lió. Artesã, Guanambi.

A arte de tecer pode ser classificada em duas áreas: o trabalho em trama, e em malha. A primeira pressupõe o uso de um dispositivo para a tensão dos fios da urdidura: o tear, além do uso de dois elementos, urdidura e trama ou dois conjuntos de elementos que se entrecruzam formando o tecido. A segunda se processa pelo emprego de um único fio contínuo de tamanho variado, e o uso ou não de agulhas: agulha de ponta (tricô), agulha de gancho (crochê) ou agulha de orifício (enlace), ou até um gabarito. O trabalho em trama compreende as seguintes técnicas básicas: contratorcer, entretecer, entretorcer. O trabalho em malha inclui as técnicas de entrelaçar (com macramê ou sem enodação), e a de interlaçar (crochê, tricô). O trabalho a dedo que, como o nome indica, é executado sem o auxilio de ferramenta. O tecer indica ainda, a atividade de se preencher a estrutura ou base do trançado, tecer uma peneira, ou tecer um cesto, que é preencher o corpo do objeto alternando os movimentos entre urdidura e trama. As origens da tecelagem perderam-se com o tempo e com seu desenvolvimento, mas o homem ao longo de sua trajetória foi universalmente encontrando soluções similares para questões técnicas que foram se diferenciando por sua singularidade em relação às suas necessidades e ao meio natural. A confecção de cordas e a manufatura de trabalhos em malha ou filé, e malhas a dedo estão entre os achados arqueológicos que formaram os primórdios do tecer. São antepassados das redes de pesca atuais, nas quais se emprega a técnica do filé, base também para a confecção das varandas de redes que se pode encontrar no povoado de Barrocas, município de Ribeira do Amparo. A produção a dedo de malhas ainda se emprega na produção dos aiós, bolsas cargueiro de origem indígena que acompanha o sertanejo em suas atividades no campo, como servir ração aos animais de criação, armazenar o material abatido durante a caça e transportar diversos objetos. O aió pode ser tecido com fibras de sisal, caroá ou licuri. As fibras são obtidas como descritas no capítulo anterior. O tricô e o macramê, muito populares, também são classificados como técnicas de malha. Há também o cavalete, largamente empregado no litoral para confecção de camboas, esteiras e cortinas. A técnica do tear de cavalete pode ser definida entre as técnicas do trançado e da tecelagem: no tear de cavalete a urdidura é o elemento vertical, flexível e móvel, enquanto a trama, horizontal, rígida (formada por talas) que é o preenchimento. Com o emprego do tear de cavalete são produzidas as camboas (armadilhas de pescas fincadas de forma irregular nos solos lodosos ou arenosos, em áreas sujeitas à variação das marés, que ao baixar das águas impedem

Tecendo um aió, bolsa cargueira, em malha de fio de caroá. Ao centro: Detalhe de um aió pronto e abaixo: Aió com alça de couro. Localidade de Fazenda Tanquinho, município de Macururé.

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os peixes de encontrarem a saída), esteiras de taboa ou fibra de bananeira, recheios de cangalhas ou ainda cortinas de talas de dendê, coco da Bahia ou fibra de piaçava. Os teares de cavalete podem ser suspensos, dispostos sobre pernas (cavalete) ou apoiados em paredes à moda do tear de quadro. Outro equipamento encontrado foi o tear de pregos, utilizado para facilitar a execução do trançado cruzado ou na produção da trama do sol e sereno, que emprega fios industriais, mais comumente, fios de lã. Esta seria uma técnica que se aproxima das rendas, com o tear exercendo o papel de bastidores, portanto optou-se por não abordá-las nesta edição.

Iniciando um tecido com fio de palmeira de licuri, localidade de Massacará, município de Euclides da Cunha.

Para definir o cenário atual da tecelagem artesanal no estado da Bahia pode-se ainda empregar a classificação regional indicada por Costa Pereira que, na década de 1950, realizou para a Comissão de Planejamento Econômico um estudo com a finalidade de criar um “plano de amparo e desenvolvimento das atividades tipicamente artesanais, exercidas em todo estado, sob a forma de indústria doméstica ou concentrada em pequenas oficinas.” No volume nomeado de Artesanato e Arte popular, há um capítulo dedicado à tecelagem manual no qual, identificam na Bahia três áreas de ocorrência, são elas:

• Nordeste do estado – Municípios de Paulo Afonso, Caldas de Cipó e Tucano;

• Oeste Baiano, em sub-regiões do Médio São Francisco e alguns de seus afluentes – o Rio Corrente e o Rio Preto, nos Municípios de Cocos, São Desidério e Barreiras;

• Serra Geral – É nesta última região que Costa Pereira encontra a atividade mais desenvolvida. Municípios de Guanambi e Paramirim. Atualmente, a região nordeste do estado pode ser subdividida em três subáreas distintas pelo tipo de tear empregado:

• Os municípios de Nova Soure, Cipó e Ribeira do Amparo – Empregam teares verticais de origem indígena e produzem redes tapadas, ou seja, redes com trama fechada, decoradas com bordados elaborados na própria trama, além das redes leves de nó ou de fiapo, com o emprego da técnica do macramê e são produzidas em grande quantidade;

• Zona rural do município de Euclides da Cunha – Empregam o tear vertical na produção de redes de cambito ou de carreiras. Há uma dinâmica produção doméstica de redes em trama aberta. É nítida influência da tecelagem das etnias indígenas Kaimbé e Kiriri.

• Paulo Afonso, Jeremoabo e Rodelas – Empregam grandes teares horizontais de pedal na produção de redes de dormir e de variada gama de produtos. Cinco associações da região formam o Grupo de Tecelagem do Nordeste Baiano. A comunidade de Malhada Grande é a referencia para a retomada e capacitação dos demais grupos; empregam fios industrializados em bobinas. Os saberes técnicos da tecelagem incluem também o conhecimento na

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A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

construção de seus equipamentos: o tear, o liço de fios, o batedor e o fuso de torcer as cordas do punho. Nos teares horizontais, o liço, as roldanas, e o pente (estes antigamente fabricado com talas de palmeira de licuri), o domínio dos processos de fiação e tingimentos que são necessários para o preparo dos fios. Ultimamente, apesar da facilidade em se adquirir fios industriais prontos, tornando menos árduo a sua obtenção, existe na região do município de Guanambi, na Serra Geral, artesãs que por hábito, teimosia ou amor ao ofício, ainda fiam na roca e no fuso e tecem em antigos teares de esteio horizontais (de origem portuguesa) montados ao tempo, ou seja, ao ar livre em seus quintais, colchas de tecido, que são chamados bitus, e tecidos que é a lembrança dos antigos riscados de calças masculinas que, até meados do século passado, eram a base do vestir do homem sertanejo. No oeste baiano, nos município de Cocos e São Desidério, reina a tecelagem em tear vertical de origem indígena, que emprega a fibra do buriti, e que possuem características distintas entre si, mas compartilham o emprego da fibra da palmeira.

Torcendo os fios para compor os punhos de uma rede de dormir. Município Euclides da Cunha.

O principal produto da tecelagem na Bahia é a rede de dormir, seguido das mantas bitus, especialidade da região da Serra Geral. A rede possui para o nordestino uma grande importância, como bem salientou Luis da Câmara Cascudo, em sua obra: Rede de dormir – Uma Pesquisa Etnográfica: “A rede se torna inseparável do indígena, do mameluco, do sertanejo contemporâneo, andando, ao azar das secas, de rede as costas. A rede representa o mobiliário, o possuído, a parte essencial, estática, indizível de seu dono. Aonde o indígena ia, levava a rede. Ainda hoje, o sertanejo nordestino obedece ao secular padrão. A rede faz parte do seu corpo. É a derradeira coisa de que se despoja diante da miséria absoluta”. Cada grupo imprimiu sua identidade na produção de suas redes a partir da matéria-prima disponível, da escolha das cores preferidas, padronagens e elementos decorativos como bordados e varandas, que podem ser simples ou elaboradas com franjas de macramê, crochê e malha de filé bordados. Os equipamentos e instrumentos foram desenvolvidos ou adaptados para sua produção ao longo do tempo, mantendo sua configuração básica que pouco varia, podendo a rede possuir ou não maranhão/mamucabo ou varanda. Porém, desempenha da mesma forma, sua função, descrita por Pero Vaz de Caminha em sua carta de apresentação ao rei de Portugal do descobrimento do Brasil: “E segundo depois diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram tão compridas cada uma, como esta nau capitania. E eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas de um só espaço, sem repartição alguma, tinham dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede atada com cabos em cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos”.

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De cima para baixo: Diversidade das redes de dormir. Rede em fibra da palmeira de buriti; município de Cocos. Rede em fio industrial bordada a mão; município de Rodela. Rede em fio de algodão reaproveitado. Município de Euclides da Cunha.

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De cima para baixo: Rede em fiapo, refugo da indústria têxtil. Município de Cipó. Rede em fiapo bordada no tear do município de Ribeira do Amparo. Rede em fio de palmeira de licuri; Etnia indígena Kiriri. Município de Banzaê.

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A Malha As técnicas de produção de malha artesanal no Estado compartilham o mesmo território, a região norte/nordeste da Bahia, onde o produto mais popular é o aió. Há pequenas variações na confecção e definição da técnica empregada, mas o produto acabado aponta para poucas variações; a malha obtida pelo malhar a dedo é mais aberta que a malha do tricô. Os artesãos de Jaguarari, na localidade da Laje do Flamengo, produzem o aió somente com o auxílio dos dedos e um pequeno e antigo chifre. O aió ali produzido também tem sua alça tecida empregando o fio tecido manualmente do caroá, assim como os artesãos da etnia Pankararé, em Brejo do Burgo, município de Glória, origem, por sua vez, da tradição do trançado executado na localidade de Tanquinho, região próxima ao Raso da Catarina, em Macururé, onde artesãos se dedicam à produção de aiós trançados, dominando todo o processo como o descrito pelo filho da artesã Marlene, que registrou em desenho as etapas do ofício da mãe. Em Massacará, terra dos Kaimbé, a multi-habilidosa artesã Nina, guardiã dos saberes e fazeres da sua etnia, emprega uma pequena agulha de furo para tecer a malha com o fio do licuri. Já as artesãs de Valente e Araci empregam tanto o tricô de sisal, como a malharia de caroá, para produzir uma infinidade de modelos de bolsas. O tricô é uma técnica para entrelaçar o fio, de forma organizada, criandose assim, um pano que, por suas características de textura e elasticidade é chamado de malha de tricô ou simplesmente tricô. As artesãs das localidades de Tanquinho, Valente, exemplificam o trabalho em tricô. Segundo Camila Henrique, do Museu do Folclore: “Começa com uma laçada, feita na mão e passada na agulha, onde completam as laçadas, de acordo com a largura do trabalho, seguidas de um nó, para começar a tricotar com as duas agulhas”.

Finalizando a alça de um aio. Fazenda Tanquinho, município de Macururé.

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TESSITURAda DA Malha MALHA Manual MANUAL PASSO Tessitura PassoÀàPASSO: Passo PASSO 1

Forma-se uma laçada na perna ou na cintura.

PASSO 2

Através da primeira laçada passa-se os primeiros pontos.

PASSO 3

PASSO 4

Com os primeiros pontos forma-se a base do fundo.

Através de laçadas sucessivas forma-se o tecido.

PASSO 5

PASSO 6

Emprega-se o ponto de ampulheta para a finalização do produto.

Ao final adiciona-se a alça.

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As artesãs de Tanquinho são conhecidas também pelas cantigas que entoam durante a execução do trabalho e que foram registradas em CD, em projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA. As cantadeiras do sisal, como são carinhosamente chamadas em suas cantigas, falam da vida no sertão através de versos e improvisos.

Cama de vento, madeira e corda de sisal. Localidade do Alto Sereno, município de Nova Fátima.

“Tecer a mão faz parte do dia-a-dia das mulheres, e seu trabalho está plenamente integrado ao movimento de seus corpos. Este movimento contínuo permeia todas as atividades que não ocupam as mãos. Não é raro ver as artesãs andando, carregando água, conversando e, ao mesmo tempo, tecendo”. (AGUIAR, Luciana. Fibras do Sertão). Em Araci, Valente e São Domingo, onde as artesãs integram a Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão – COOPERAFIS empregam técnicas do trançado costurado, cuja produção foi abordada no capítulo sobre trançados. A COOPERAFIS, através da elaboração de projetos para participação em editais, procura sempre atualizar os produtos mantendo sua base tradicional. As comunidades de Valente e Araci empregam agulhas confeccionadas com aproveitamento de varetas de sombrinhas e o povoado da Pituba, no município de Nova Fátima, emprega agulhas feitas com alças de baldes. A localidade de Pituba afasta-se da sede do município cerca de quarenta minutos por carro, em via não pavimentada. Sua economia é voltada para atividade agrícola e o grupo de artesãs é de lavradoras e donas de casas que se dedicam também à confecção de artesanato. O grupo se reúne no barracão da associação de produtores rurais que também estão empenhados no desenvolvimento da apicultura.

Tecendo em malha de macramê. Localidade

O povoado articula-se em volta de um grande campo de futebol, sendo que muitas artesãs habitam propriedades rurais mais distantes do núcleo central. O grupo da Pituba é o que reúne aproximadamente 23 mulheres. A produção é extensa em itens, predominando o emprego do tricô de sisal. Os tapetes maiores são a especialidade da localidade e são vendidas a preços não compensatórios, por isso as artesãs vêm diversificando a produção, com a criação de bolsas e artigos para decoração. A produção de tapetes inclui tapetes de porta (50x70cm), passadeiras e tapetes de tamanho que variam de 1mx1m, à 2mx2m. Os tapetes maiores são confeccionados em partes que, podem variar de cor e são unidas depois de acabadas, desta forma a confecção se torna menos extenuante para as artesãs, possibilitando o bom desempenho com a agulha, já que de

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outra forma a malha acabada pesaria sob a agulha empunhada, dificultando o seu movimento. O macramê empregado em Valente e São Domingos é especialidade da localidade do Alto Sereno, localizada às margens da rodovia BR 324, antigamente conhecida como Km 85. Sua denominação atual está relacionada com o nome da fazenda pertencente ao casal Semírames Angélica de Queiroz e Roque Ferreira Carneiro. Hoje o Alto Sereno abriga cerca de 30 famílias. D. Senhorinha, Senhorinha da Silva Almeida, 57 anos, é moradora antiga do Alto Sereno, nascida na fazenda Lagoa do Canto, em Riachão do Jacuípe, veio para a localidade em 1971, já casada. Além dos afazeres domésticos, fazia trança para esteira de pindoba, bordava na mão e na máquina. Lembra que o sisal era empregado em muita coisa, como: “cama de vento”, cabresto, corda de laçar, para apear os animais. O sisal era desfibrado no farrancho com contrapeso, mas também se usava o caroá para fazer corda de cabresto, “mas como a fibra era mais curta, tinha que emendar”. Completa. A cama de vento, feita de madeira, com estrutura dobrável e assento em corda trançada de caroá ou sisal, ainda é usada por muitos sertanejos da região de Nova Fátima. D. Dete, Bernadete Santos de Oliveira, e seu esposo, Policarpo Paulino de Oliveira, possuíam um exemplar que cederam para ser exposto na central de comercialização dos grupos Arte e Fibra. D. Dete ensina que por cima do estrado era colocado uma esteira de pindoba, lona ou colchão de capim. Para iniciar a malha em macramê necessita-se de uma ripa, ou pedaço de fio para as peças menores, que as artesãs improvisam reciclando pedaços de madeira ou corda. O comprimento da ripa varia de acordo com a largura que se pretende dar ao produto. Os fios são dispostos transpassando a ripa e dobrados ao meio. O comprimento dos fios é muitas vezes maior que o da peça pronta, pois os nós atados requerem maior extensão de linha. No macramê, quanto mais fechada for à trama, mais linha é necessária. As artesãs empregam fios produzidos pela APAEB: barra 1, fio mais fino, empregado nos produtos de mesa e bolsas confeccionados em macramê e tricô e o barra 2, fio mais grosso, empregado na produção de tapetes. Ao se arrumarem os fios já se define também o padrão que terá a peça, cores e listras. As listras nem sempre seguem o sentido perpendicular ao da ripa. Para se proceder ao acabamento corta-se a dobra da linha que une a malha à ripa na parte superior, enquanto na parte inferior, deixa-se a franja desfiada. Caso queira as bordas com acabamento liso, as franjas são embutidas na trama.

Tecendo uma bolsa em malha de macramê e Bolsa já acabada. Localidade do Alto Sereno, município de Nova Fatima.

O macramê é de origem árabe. Supõe-se que a arte de atar e de trançar fios tenha sido introduzida na Europa pelos Árabes no século XVI. Com o macramê se faz franjas de vários tipos, mas pode-se igualmente confeccionar tecidos resistentes. A linha empregada poderá ser fina ou grossa, conforme o tipo de franja desejada. O essencial é que seja de fio bem torcido e resistente, que deslize bem, pois o macramê é trabalho baseado exclusivamente na formação do nó.

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Tapete de porta em malha de tricô. Fio de sisal industrial. Localidade da Pituba, município de Nova Fátima.

Tapete de porta em malha de macramê. Fio de sisal industrial. Localidade de Alto Sereno, município de Nova Fatima.

A consultoria do Instituto Mauá e as artesãs, ao analisarem em conjunto a produção dos grupos, constataram que os produtos empregavam a mesma trama fechada para tapetes e jogos de mesa. A trama muito densa, apropriada para tapetes, não se mostrava adequada para a confecção de produtos de mesa. Este aspecto foi debatido com as artesãs e foi proposta a experimentação da confecção de uma trama mais aberta. Os protótipos demonstraram que a possibilidade era factível; possibilitava a fabricação de produtos mais leves, sofisticados e com menor emprego de matéria-prima. Às peças de mesa foram incorporados elementos decorativos em fibra de sisal costurada; estrelas e luas cheias. Em Cipó e Ribeira do Amparo duas associações produzem redes de dormir com a técnica do macramê. São tramas abertas, empregando fiapos (fios de algodão, proveniente do urdume de máquinas industriais). São a Trama Cipó, Associação Arte Resgate da Cultura de Cipó e o Grupo de Artesanato da BRAR, Associação Comunitária e Cultural do Bariri, Rio Seco, Alto e Rio Quente de Cima, que hoje reúne vinte associados. Ambas as associações foram formalizadas em 2009 tendo entre seus artesãos, jovens e adultos de ambos os sexos. As associações têm objetivos comuns de dignificar o trabalho artesanal em seus municípios, que mobilizam significativo número de pessoas na produção de redes, cortinas, estantes e suportes pendentes para plantas através do emprego do macramê de fiapos de algodão. A comercialização destas redes, que são vendidas às centenas em todo o país e também na Argentina, foi e ainda é muito rentável aos comer-

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Aió em fio de caroá com alça tecida, município de Jaguarari. Aió em fio de caroá, etnia Pankararé. Localidade do Brejo do Burgo, município de Gloria. PAGINA SEGUINTE: Bolsa aió em malha manual e alça em pêa de couro. Fazenda Tanquinho, município de Macururé.

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ciantes pelo baixo valor que é pago aos artesãos por produção. Os preços chegam ao patamar de três reais a rede de dormir, que um artesão dispende em média duas horas e meia para produzir. Para fabricá-la o artesão utiliza um gancho de arame, preso ao teto ou telhado como suporte, e inicia a rede pelo punho (suporte que apoia a rede ao gancho da parede), e tendo o auxílio de uma “tabuleta”, peça em madeira ou Eucatex para padronizar o tamanho da trama. Para finalizar, retirase a rede do gancho e forma-se o outro punho.

Arara em malha de macramê em fio de sisal, obra do artesão Zé das Araras. Município de Porto Seguro. Jogo de mesa em malha de macramê, fio de sisal. Localidade de Alto Sereno, município de Nova Fátima.

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Na região da Serra Geral, em Guanambi, o macramê está associado à tecelagem tradicional do algodão e recebe o nome de: marambaia. Antigas toalhas de mão encontradas no acervo das artesãs atestam que seu emprego na região remonta a mais de quatro gerações. O emprego do macramê é bem difundido em todo o sertão nordestino, e é mais conhecido pelas varandas de redes de dormir e barras desfiadas de toalhas. Entre as artesãs que empregam o marambaia destaca-se Ana Fiúza Caíres, nascida em Guanambi. Segundo Ana, a marambaia é largamente empregada em Guanambi para decorar caminhos de mesa e toalhas feitas no tear, além de dar forma autônoma a outros produtos.


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Ao lado: Estante pendente e rede de dormir em malha de macramê. Fiapo de algodão. Munícipio de Cipó.

Abaixo: Cortina em malha de macramê e processo de finalização do Punho. Município de Ribeira do Amparo.

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Tecelagem em Tear Vertical O tear vertical de origem indígena emprega as mais variadas matérias-primas para a confecção de esteiras e redes. Os chamados panos de redes podem também ser finalizados sem a adição dos cordões do punho ao cadil e mamucabo, e serem transformados em mantas. No tear vertical se tece com fios e seda de buriti, fios de caroá, imbés de pindoba (fios de licuri), fiapos de algodão e linhas reaproveitadas de roupas velhas. Esta versatilidade no uso das linhas deve ser considerada uma das razões de o seu uso ter perdurado em comunidades indígenas e/ou já aculturadas, base dos saberes sertanejo. O tear é leve, desmontável e pode servir a mais de uma artesã, assim como em um lar pode haver mais de um tear em que tecem mais de um membro da família. Alguns são desmontados quando não há uso, outros ficam montados na sala, cozinha ou área de serviço e todos na casa contribuem trocando os cambitos e formando as carreirinhas, como em Euclides da Cunha. Costa Pereira assim se referiu nos anos 1950 à produção de redes de Tucano e Cipó: “Em caldas de Cipó e Tucano a tecelagem se resume na confecção de redes de caroá e colchas de “algodão de seda”. As redes, vendidas nas feiras, são bem diferentes das que comumente se encontram pelo sertão afora. O processo de feitura não chega a constituir um tecido propriamente dito, e sim, uma espécie de trama – o que muito as identifica com as primitivas redes indígenas, levando-nos a atribuir uma origem local para esse tipo de artesanato.

Confecção de rede de dormir em tear vertical empregando fibra de palmeira de buriti. Localidade da Ilha do Vitor, município de São Desidério.

O processo consiste em estenderem os fios maiores (medindo pouco mais de dois metros) como se fossem preparar um urdimento; depois esses fios são unidos com a passagem de outros, trançando-se, em sentido transversal, com espaço de cinco centímetros mais ou menos. As extremidades são arrematadas formando o punho da rede que, assim confeccionada, tem as dimensões de 2,20m de comprimento por 1,50m de largura. A fibra é tingida com anilina de diversas cores – ressaltando-se o verde, o amarelo e o roxo-vivo – resultando um produto de vistoso conjunto” (COSTA PEREIRA, 1957) Hoje a produção de redes está quase desaparecida em Tucano. Já o município de Cipó compartilha com Nova Soure e Ribeira do Amparo a produção de redes “tapadas” nas localidades de Amari, Curral Novo e Barrocas, respectivamente. Barrocas possui a produção mais conhecida de redes pelo emprego de padrões geométricos com os quais as artesãs decoram seus panos de rede. Mas também pela antiga varanda executada em malha de filé ou jereré, que tinha sua trama preenchida formando, entre quadros cheios e vazios, figuras de flores, pássaros e “bonecas”. Atualmente a produção de varandas está em declínio, sendo empregada somente por encomenda. O povoado do Amari, em Cipó, hoje é o maior centro de produção das redes tapadas, que também empregam motivos geométricos bordados no tear. Porém a preferência das artesãs se dá pelas tramas quadriculadas. Sua forma de tecer dispensa o uso da flecha para guiar as carreiras, uma vez que

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TECELAGEM EM Tecelagem emTEAR TearVERTICAL VerticalPASSO PassoÀ àPASSO: Passo PASSO 1

Monta-se o tear e o pau do punho.

PASSO 3

Prende-se a flecha, guia das carreiras da trama.

PASSO 5

Retira-se a flecha e fixa-a novamente a nova altura formando uma nova carreira com os bilros, até completar a área desejada.

PASSO 2

Instala-se a urdidura no tear passando pelo pau do punho.

PASSO 4

Com as mãos vai se abrindo a urdidura e tramando as carreiras com o auxílio dos cambitos.

PASSO 6

Retira-se a flecha e o pau guia para acabamento da rede ou tecido.

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só produzem redes “tapadas”, ou seja, sem espaços entre os fios da trama, como as produzidas em Euclides da Cunha e pelas artesãs das etnias Kaimbé e Kiriri. Empregam-se, porém, o liço móvel de cordão que, ao se finalizar o pano, é desfiado para o reaproveitamento da linha. Estes liços têm cerca de quinze centímetros de largura e possuem uma alça para serem movimentados para cima e para baixo, na direção da tecelã, para separar os fios da urdidura e passagem dos fios da trama. Depois de passar alguns fios a tecelã emprega um pente ou batedor em forma de faca, feito em madeira, para bater os fios da trama, dando resistência e corpo ao tecido.

Confecção de esteira em tear de cavalete empregando fibras de palmeira de buriti. Município de Cocos.

As artesãs do Amari e outras localidades retiram o pano da rede do tear às terças-feiras para fazerem o acabamento e exibirem na feira na quarta-feira. As artesãs dos três municípios de Nova Soure, Cipó e Ribeira do Amparo comercializam suas redes às quartas- feiras no antigo mercado municipal, hoje dedicado quase que exclusivamente à venda de fiapos, bolsas de pindoba (licuri e ariri), bonecas e espanadores de sisal. E estes últimos possuindo poucos produtores ainda em atividade. Os produtos artesanais ofertados na feira de Cipó são comercializados a varejo e atacado em situação e hábitos que perduram há décadas. A zona rural do município de Euclides da Cunha, hoje é o território das redes de “carreira”, “espelho” ou “ponto branco”, que compartilha saberes da tecelagem no uso do tear vertical de origem indígena com as etnias Kaimbé e kariris, antigos povoadores do sertão baiano que resistem bravamente, tendo já reconhecidas suas terras.

Tapete tecido em tear de cavalete. Fibra de palmeira de buriti natural. Município de Cocos.

São vários os povoados da zona rural de Euclides da Cunha que tecem redes: Caimbé, Serra Branca, Capoeira, Jurema e Muriti. Nestas comunidades o fazer rede mistura-se aos afazeres do lar, não se constituindo em uma atividade autônoma ou que tem no ganho a sua principal motivação. O tempo de produção depende do tempo em que se levou torcendo os fios no fuso ou desfiando uma roupa velha. Este conhecimento, que reúne diversas técnicas e processos, corre o risco de desaparecer se não for objeto de pesquisa e apoio técnico para auxiliar na sua preservação. Estes saberes são também fonte de renda para grupos de mulheres que têm na tecelagem uma atividade, que desempenha também importante papel na sociabilidade e identidades de suas comunidades, vital também para criação de vínculos entre suas diversas gerações e na para a sua fixação no campo. Ser “fazedeira” de rede é sinônimo de tecelã, palavra culta, quase desconhecida pelas artesãs de Euclides da Cunha. Segundo Dona Rosa Ferreira, do povoado do Caimbé, 71 anos, “antigamente se tecia com algodão, depois chegou o fiapo, estes quando apareceram eram de tudo que é cor: azul, rosa, branco, vermelho [...]”. “Era bom para fazer rede barrada [(listrada])”. Lembra que tinha cerca de nove anos quando apareceram

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Tapete tecida em tear vertical. Fibra de palmeira de buriti tingida, município de Cocos.

Tapete tecido em tear de cavalete. Fibra de palmeira de buriti natural, município de Cocos.

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os primeiro fiapos. Foi quando ela começou a tecer. Aos dez anos, D. Rosa Ferreira lembra ter “enchido” (tecido) com a mãe dez redes seguidas. Para se tecer rede de boa qualidade diz que são necessários três quilos de linha, e que tecia com ponto branco, trocado e cada carreira era seguida de outras três, ou até seis no total. Ela respeitava o mês de agosto, “dizia minha mãe que uma mulher que botou rede junto com a filha e morreram as duas com oito dias de diferença”. No povoado da Capoeira, Irenilce Dantas Gama explica como se monta uma rede depois de tecida: “Senta-se para acochar o cadil da rede, depois vai colocar o mamucabo. Senta no chão, coloca a rede no final do tear e coloca uma ponta do cadil, puxa o fio e vai tapando com o cambito, corta com uma tesoura para retirar do tear.” Na região oeste, verifica-se o emprego dos fios e sedas de buriti nas localidades de Ilha do Vitor, município de São Desidério, Porcos e Canguçu, no município de Cocos. Estas comunidades são herdeiras da tradição indígena

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que povoaram todo o território baiano. Algumas se atualizaram, mas mantiveram seus conhecimentos tradicionais. O povoado de Porcos se situa a 117 km da sede do município e cerca de 50 famílias habitam o povoado em que quase todos estão unidos por laços de parentesco. As artesãs que se dedicam com regularidade à atividade do tecer são em torno de 16, outras, porém podem auxiliálas em caso de grandes encomendas. Canguçu, o outro povoado, fica ainda mais distante de Cocos, a cerca de 170 quilômetros. É um povoado menor, com cerca de vinte famílias. Nenhuma das comunidades dispõe de luz elétrica e são formados por camponeses que cultivam feijão, mandioca e arroz. A venda do artesanato é uma renda bem vinda e contribui para o orçamento familiar. Ilha do Vitor, no município de São Desidério, está localizada mais próxima à sede do município e já conta com energia elétrica. É nítida a influência indígena pelas feições de seus moradores, seus hábitos e sua produção artesanal baseada nas fibras do buriti e capim dourado, ali chamado de capim cabeçudo. As residências da Ilha do Vitor são em alvenaria e cobertas por telhas, porém seus moradores despendem mais tempo nos ranchos que toda cada casa possui em seus quintais. Estas estruturas em madeira abertas, cobertas por palhas de buriti, são mais agradáveis e frescas que o interior das residências e possibilitam o melhor desempenho das atividades do tecer, trançar e os trabalhos coletivos de produção do doce dos frutos do buriti, quando da sua colheita.

Jogos de mesa em tala de dendê e fibra de piaçava. Municípios de Jaguaripe e Cairú.

A produção de redes com cordas de fibra do buriti, que abundam nas Detalhe de esteira em fibra de Taboa.

Pagina anterior: Artesãos empregando o tear de cavalete para tecer esteiras e cortinas. Municípios de: Valença, Itacaré e Jaguaripe

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Acima: Montagem do tear vertical e preparo da urdidura. Município de Euclides da Cunha. Ao lado: Tecendo o pano da rede de dormir em tear manual. Munícipios de Euclides da Cunha e Ribeira do Amparo. Abaixo: Tecendo em tear vertical com o auxílio do Liço móvel de cordão. Município de Cipó e Nova Soure.

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veredas próximas a Ilha do Vitor (que apesar do nome, não é uma ilha), é uma atividade feminina e mais desenvolvida pelos mais velhos. Os jovens preferem se dedicar à produção de esteiras, mais rápidas e de produção mais fácil. A diferença entre as redes de Ilha do Vitor e as produzidas em Cocos, é que as primeiras só empregam cordas e a rede é tecida à maneira de carreiras, deixando o espaço entre elas aberto. Já as produzidas em Porcos e Canguçu são tecidas com a seda do buriti tingida em cores ou natural. A produção de esteiras é similar, sendo que nas comunidades de Cocos se emprega também a seda tingida, além da natural empregada na Ilha do Vitor, e vê-se o aproveitamento de embalagens de biscoitos e salgados industriais, o que confere um interessante efeito estético e contribui para a sustentabilidade ambiental. Os artesãos referem-se à matéria-prima como sendo o “olho” do buriti, que seria a palha mais nova da palmeira, mas como no caso da palmeira do licuri, eles observam que para extraí-lo é necessário que a palmeira já tenha visível o olho mais novo, garantindo assim o desenvolvimento da planta e a da matéria-prima. Em Cocos, uma rede de boa qualidade se faz com cerca de cem braças de corda, sendo necessários cerca de cinco a sete olhos para a produção de uma rede toda traiada (tecida). A seda é empregada na trama ou traiado, como a chamam. Já a palha serve para a confecção das cordas do urdume.

Artesãs da localidade do Mairi dando os últimos acabamentos em uma rede de dormir e fuso de torcer para acabamento das cordas de rede de dormir. Município de Cipó.

O tear vertical em Cocos é chamado de grade, formado por duas varas, ou braços de buriti ou pau d´arco, de cerca de 2,50 m de comprimento e 10 cm de diâmetro. Colocadas em sentido vertical, presas a duas outras varas horizontais, de cerca de 1,50m de comprimento. No tear é posta a corda dando voltas nas varas horizontais em sentido único até completar todo o espaço, formando a urdidura. Pronta a urdidura prossegue-se para o traiar, o corpo da rede, respeitando-se as primeiras carreiras que são chamadas de correão e que garantem o acabamento e firmeza da trama. Em geral, uma artesã despende uma semana para confeccionar uma rede.

Artesã da localidade do Caimbé exibindo sua flexa ondulada e detalhe da rede de dormir confeccionada com a flexa. Município de Euclides da Cunha.

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Ao lado: Motivos decorativos de antigas redes de dormir. Acima: tecelã exibindo rede de dormir de sua produção. À direita: Banquinho de madeira utilizado para tecer. Localidade de Curral Novo, município de Nova Soure. Abaixo: Pano de rede de dormir com motivos decorativos bordados no tear Vertical. Povoado de Barrocas, município de Ribeira do Amparo.

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Ao lado: rede de dormir confeccionada em tear vertical com fios de caroá tingidos com corantes naturais e fios de algodão. Localidade de Serra Branca, munícipio de Euclides da Cunha. Ao centro: Rede de dormir em ponto trocado. Povoado de Curral Novo, município de Nova Soure. Abaixo: Varanda de rede de dormir antiga em malha de jereré rebordada. Povoado de Barrocas, município de Ribeira do Amparo.

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Tecelagem em Tear Horizontal A presença do algodão e outras fibras têxteis no Brasil e a habilidade dos indígenas no tecer, observadas pelos portugueses desde a Carta de Caminha, foram aproveitadas pela importação dos modelos de teares em uso na Metrópole, diante das necessidades criadas da colônia em vestir seus habitantes, índios e não índios, e ensacar a produção de gêneros enviados para o comércio mercantilista. Novas tecnologias foram empregadas, porém aproveitando-se o saber e conhecimento acumulados e desenvolvidos por gerações nativas. Apesar das proibições e confiscos ordenados pela rainha D. Maria, a tecelagem prosperou longe do litoral nas fazendas afastadas dos centros de importação pelas distâncias enormes e pela precariedade das comunicações, atendendo à necessidade doméstica. Os primeiros tecidos – panos para roupa de índios e escravos, e para usos de casa – eram chamados de “panos de serviço”. Com a abertura dos portos do Brasil, em 1808, estabeleceram-se escritórios ingleses no Maranhão, Ceará, na Paraíba, no Recife e na Bahia, intensificando o interesse pela cultura do algodão. A abolição da escravatura em 1888 levou os grandes proprietários de terras a abandonar as lavouras de algodão no Nordeste. Duas regiões do estado da Bahia de constantes fluxos e caminhos – a região sudoeste, em razão da produção das minas, e o norte/nordeste, por causa da criação do gado, foram as regiões que mais absorveram os fazeres europeus na tecelagem. Costa Pereira (1957, p. 45) aponta alguns traços desta “miscigenação” técnica:

Artesãs da Associação Mãos de Fadas montando a urdidura de um tear horizontal de pedal. Município de Rodelas.

“Os primeiros teares portugueses aqui introduzidos serviram de modelos para que outros fossem fabricados na carpintaria dos engenhos e das fazendas, adaptados às condições do meio. Um curioso exemplo dessas adaptações nos é oferecido pelos teares do sudoeste baiano, cujos pentes – na quase totalidade dos que examinamos – são confeccionados com talos de palmeira ou hastes de taboca.” É no sudoeste do Estado onde a tecelagem se apresenta mais expressiva, constituindo uma atividade mais ou menos sistemática e, sobretudo, difundida como não está nas duas primeiras áreas. É nesta zona que melhor se caracteriza, por sua antiguidade histórica, seu consequente tradicionalismo e pela função econômica que representa no seio das comunidades como forma de trabalho organizado” (COSTA PEREIRA.1957). É sobre a tecelagem na Serra Geral,que Costa Pereira, desenvolve seu texto sobre a tecelagem artesanal no Estado, atribuindo ao fluxo dos bandeirantes que seguiam o curso do rio São Francisco a expansão da tecelagem no sudoeste da Bahia. A mão de obra era eminentemente feminina, como ainda hoje atestam as artesãs que mantêm viva a fiação e a tecelagem artesanal da Serra Geral. Houve informações que ainda se fiava e tecia nos municípios de Palmas de Monte Alto, Paramirim, Jacaraci, Caitité, Candiba, Pindaí e Riacho de Santana. Nestas localidades cabiam às mulheres de todas as idades prepararem os

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fios que iam para o tear, que ocupavam, por sua vez, boa área da casa ou do quintal. Desse trabalho saíam os panos com que faziam a indumentária masculina e feminina. Em 2006, o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, com o apoio da prefeitura Municipal de Guanambi, realizou uma pesquisa junto aos artesãos integrantes da Feira do Luar, com o objetivo de reunir informações para a elaboração de um plano de apoio e desenvolvimento da tecelagem da Serra Geral. Guanambi, historicamente um importante centro produtor de algodão, concentrou grande número de artesãos da fiação, tecelagem, assim como dos bordados e das marambaias (nomenclatura local para o macramê). Na oportunidade foram então visitados vários povoados e bairros para identificação dos detentores de conhecimentos técnicos e afetivos associados às atividades da tecelagem. Como resultado da pesquisa, foram instituídos grupos de trabalho que se basearam nas tipologias artesanais integrantes da cadeia do algodão:

• Saberes técnicos para produção dos equipamentos e de seus componentes;

• Plantio e fornecimento do algodão foba e tra• • • • •

dicional; Fiação e tingimento natural; Tecelagem; Bordado em ponto cruz; Marambaia; Confecção de bonecas.

Entre os produtos foi identificada a importância social desempenhada pela produção de bitus - mantas de algodão de padronagens listradas ou quadriculadas. Tecidas com fios de algodão artesanais que empregam fios claros e marrons, além de fios azuis, obtidos a partir do emprego da planta do anil. Com o advento da oferta de fios industriais de algodão colorido, estes foram sendo empregados também.

Trabalho individual e coletivo, artesãs do Grupo de Tecelagem do Nordeste Baiano, localidades de Rio do Sal, município de Paulo Afonso e Monte alegre, município de Jeremoabo.

Outras atividades artesanais foram apoiadas e todas reunidas sob a marca comercial Saberes e Fazeres de Guanambi. Teares e rodas foram construídos e uma coleção foi desenvolvida tendo como tema a história da cidade e seus personagens. Hoje os artesãos de Guanambi estão engajados ativamente em estabelecer uma rede de artesãos que tenham nos saberes associados ao algodão a formação da identidade da produção artesanal do município e na sua região. Dentre as artesãs entrevistadas estava Dona Ana Moreira Flores, com 57 anos, nascida em Candiba; diz em seu depoimento que aprendeu a tecer em casa com sua avó materna. Sua mãe , Delmira Moitim Flores, que hoje está com idade avançada, produz liços e pentes para o tear que a filha

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A pioneira e grande transmissora dos saberes da tecelagem na região do nordeste baiano: A tecelã São Pedro do povoado de Malhada Grande, munícipio de Paulo Afonso.

possui no quintal de casa. Seu tear possui pentes intercambiáveis que são empregados de acordo com a espessura da linha a ser utilizada. Para os bitus, D. Ana ensina: “São necessárias duas larguras para solteiro, e três larguras para casal, cada largura possui em média 70 cm”. Além de bitus, ela produzia toalhas e peças de colchonilho. Os lançadores que ela ainda utiliza foram feitos por sua bisavó, são tratados com cuidado e desempenham sua função com eficiência. D. Ana Moreira prepara a linha para urdir (trocado, no seu dizer) no muro de sua residência. Na fazenda Lagoa da Pedra, localizada na estrada de saída do município de Guanambi em direção a Caitité, foram indicadas a existência de artesãs que fiam e tecem. Outras localidades próximas às citadas, onde haveria a presença da atividade de fiação, são a zona rural dos municípios Candiba e Pindaí e duas fazendas: a Verde e a Caldeirão. Foram contatados também, outros profissionais que possam colaborar

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TECELAGEM EM À PASSO: Tecelagem emTEAR TearHORIZONTAL HorizontalPASSO Passo à Passo PASSO 1

PASSO 2

Paleta.

Na urdeira é montado o urdume que será transferido para o tear.

O urdume é passado pelo pente.

PASSO 3

PASSO 4

Depois de passar o urdume pelo pente é passado pelo liço.

Com uma canoa ou lançadeira, a fio da trama.

PASSO 5

PASSO 6

Com a alternancia dos pedais é trocada a posição dos fios do urdume.

Com o movimento do pente é batida a trama, repete-se o movimento da lançadeira, alternância dos pedais e o movimento do pente para se fazer o tecido.

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para o resgate da atividade da fiação e tecelagem na região; um ferreiro para a possível produção dos componentes metálicos da roda, como Seu João, morador de Guanambi, e marceneiros que fossem capazes de executar teares para a demanda futura gerada pelo projeto de resgate. Morador do bairro de Novo Horizonte, Seu Cândido, aproximadamente de 70 anos de idade, e ainda muito ativo, conhecido como Titão é um dos marceneiros que sabia construir uma roda de fiar. No bairro da Alvorada, diversas senhoras se dedicam à fiação e à marambaia, como D. Lió e D. Dió. Teares da Associação Colmeia, educação através da tecelagem. Município de Barreiras.

Em Guanambi, além dos cobertores chamados de bitus, verifica-se uma produção de toalhas brancas, de excelente qualidade devido ao emprego de fios finos. Os exemplos mais antigos encontrados fazem parte do acervo pessoal das artesãs contatadas. Foram identificadas toalhas e colchas em tecido artesanal bordadas com motivos florais multicoloridos. Os motivos vão dos mais simples, com o emprego de poucas cores, aos mais sofisticados e multicoloridos. As composições dominantes são de barras que alternam folhagem e flores, destacando-se os florões e outras composições que encantam pela sua simplicidade e por se tratar de padrões que caíram em desuso, pouco conhecidos. Exemplos similares foram também identificados na zona rural de outro município da Serra Geral, Jacaraci, onde também, igualmente, eram empregados tecidos manuais feitos em tear.

Almofadas da coleção Alecrim do Mato que reuniu a produção do Grupo de Tecelagem do Nordeste Baiano. Município de Paulo Afonso.

Sertão de Paulo Afonso A arte de tecer no sertão de Paulo Afonso está associada à história do povoado de Malhada Grande e remonta a várias gerações através da transmissão informal do ofício. A força das mulheres sertanejas foi responsável pelas iniciativas que transformaram o papel da mulher na economia de suas localidades, que, como a veterana “Dona São Pedro”, depositária de muitos saberes tradicionais e que aprendeu a manusear o tear ainda menina, buscaram compensação material e simbólica às dificuldades das secas. Estas mulheres falam da época do cangaço com um misto de fascínio e respeito, como falam de seres mitológicos que povoam seu imaginário e contam casos fabulosos passados no sertão. Do trabalho pioneiro de Dona São Pedro, surgiram outras iniciativas que se somaram e hoje formam o Polo de Tecelagem do Nordeste Baiano que reúne cinco associações de tecelãs que compartilham dos mesmos saberes técnicos disseminados por elas através da Associação Comunitária de Artesanato de Malhada Grande, para outros grupos em ambientes sociais similares, onde a força feminina faz a diferença:

• Associação Comunitária de Artesanato de Malhada Grande; • Oficina Artesanal Mãos de Fadas de Rodelas; • Associação União de Mulheres do Monte Alegre; • Associação de Mulheres Empreendedoras da Comunidade Caritá; • Associação de Tecelagem das Mulheres do Rio do Sal. As associações se formaram através das ações desenvolvidas pelos par-

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Coleção Alecrim do Mato: Peças coordenadas para cama, mesa e decoração. Grupo de Tecelagem do Nordeste Baiano, município de Paulo Afonso.

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ceiros do Instituto Mauá. A Tradição da tecelagem da Associação Comunitária de Artesanato de Malhada Grande foi a origem da técnica artesanal disseminada na região. O inicio das ações datam de 2002, com a realização da oficina de Artesanato com o grupo Mãos de Fadas de Rodelas, que no âmbito do Projeto SEBRAE/Xingó identificou a tecelagem como antiga atividade da Velha Rodelas, cidade submersa pelas águas da represa da hidroelétrica de Itaparica, no final da década de 1980. Seus moradores, em especial as mulheres da cidade, mantinham vínculos afetivos e históricos com o fiar e o tecer. Historicamente as terras às margens do rio São Francisco, nesta região, eram cultivadas pelos índios Tuxás e entre as lavouras, o algodão era empregado na fiação e tecelagem de redes. Estes saberes foram aos poucos sendo esquecidos, especialmente após o alagamento e transferência da cidade para um sítio próximo.

Página anterior e abaixo: Tear de esteio montado a céu aberto. Tradição da região da Serra Geral, no município de Candiba.

Porém, um tear foi transferido pelas antigas tecelãs Maria José e Maria Almeida. Assim, a partir das memórias afetivas das mulheres de Rodelas foram então constituídas as oficinas de capacitação em tecelagem com novas artesãs que resgataram do fundo das águas suas histórias. Após as capacitações em Rodelas, foram vislumbrados os vínculos que as tramas da tecelagem poderiam estabelecer entre as mulheres sertanejas e seu futuro. O grupo seguinte a receber a capacitação técnica em tecelagem originou a Associação de Mulheres Empreendedoras da Comunidade Caritá – Ame Caritá. O povoado do município de Jeremoabo, originado de um assentamento agrícola de lavradores de diversos municípios do semiárido baiano, elegeu o artesanato como uma alternativa de renda em 2003, quando a única opção de subsistência do lugar era a agricultura, que era sujeita às oscilações da escassez de água da região. A produção de mantas, tapetes e redes recebeu apoio do Projeto Elos, firmado entre a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) e o SEBRAE, garantindo a capacitação e compra de matéria-prima, máquinas e equipamentos necessários à montagem da sede da associação, que hoje conta com 25 associadas. Em 2003, em paralelo, no povoado de Monte Alegre, também em Jeremoabo, a futura tecelã Luzinete de Oliveira mobilizava suas companheiras para a formação de um grupo que trouxesse benefícios para a vida das lavradoras da localidade. Formaram a Associação União de Mulheres do Monte Alegre e foram conhecer a tecelagem de Malhada Grande, que se tornou o referencial para o grupo. Conseguiram apoio para capacitações e equipamentos, porém construíram a sede com recursos levantados através de bingos, rifas e apoio local. Hoje são 18 associadas que se dedicam a todas as etapas da tecelagem e confecção de redes. A associação mais recente, Associação de Tecelagem das Mulheres do Rio do Sal, foi criada no ano de 2008 pelas mulheres do povoado do Rio do Sal, vizinha a Malhada de Areia e distante 14 quilômetros da

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Tecendo em Tear de esteio montado a céu aberto. Município de Candiba.

Acima: Motivo de bordado em ponto cruz empregado na tecelagem tradicional da Serra Geral. Ao lado: Oficina de produção de bicos em Marambaia, nomenclatura regional do macramê. Munícipio de Guanambi.

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Pagina Anterior: Bitús: Colchas tradicionais em fio de algodão tecidas em tear de esteio. Serra Geral, munícipio de Guanambi. Ao Lado: Toalha antiga de mão em algodão com aplicação de bordado em ponto cruz e franja em marambaia. Município de Guanambi.

Acima: Toalha de mão de produção atual em algodão com aplicação de florões bordados em ponto cruz e franja em Marambaia. Município de Guanambi. Ao lado, AO CENTRO e PÁGINA SEGUINTE: Padronagem tradicional de quadriculado em algodão foba e natural empregada nos bitus e listrado para riscado de calça de homem. Munícipio de Guanambi.

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sede do município, Paulo Afonso, e conta com 10 associadas. Hoje, Dona São Pedro, atenta aos limites da idade, vai se entretendo acompanhando a produção das sobrinhas, seguidoras do seu ofício. Mas, por via das dúvidas, não se desfez do seu tear, testemunho da sua profissão ao longo dos anos. A história de Dona São Pedro, resume a história de dezenas de mulheres que fizeram o mesmo percurso ocupacional. Em diversas casas de Malhada Grande há um tear, onde várias gerações de tecelãs com suas lançadeiras tecem os fios, exercitando os pés e as mãos no ritmo cadenciado, acostumadas desde cedo ao trabalho, em busca de ganhos compensadores. A história destas mulheres se desdobra em duas ordens de registro: o individual e a coletiva. No ano de 1989 transformaram a participação individual em compromisso coletivo, fundando a Associação Fios e Cores da Malhada Grande. São trinta mulheres sertanejas guardiãs do saber, que continuam entremeando fios com as memórias que vão tecendo sobre a cidade e o seu ofício. Desfiando lembranças e embaladas pelo bater das espremedeiras (pedais), são capazes de passar horas seguidas num monólogo evocativo, no qual se percebe o fazer prazeroso, exercitando as mãos e o corpo já pendido pelo efeito dos anos. Mulheres que, ao longo do tempo, somaram aos muitos afazeres domésticos e das roças, enchendo de múltiplas atividades as suas vidas. (MONTEIRO. Paulo Afonso, 2004).

Antigos teares da Velha Rodelas que sobreviveram a criação da represa de Itaparica, fotografias de acervo particular, década de 1980. Município de Rodelas. AO LADO: Padronagem casco de tatu. Localidade de Malhada Grande, município de Paulo Afonso.

Pagina Seguinte: Joselito Pinto, o Mestre Zelito, em atividade na oficina de tecelagem do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Pelourinho.

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A Tecelagem do Pano da Costa Muito do que se sabe hoje sobre a confecção e a perpetuação da produção do Pano da Costa se deu pelo desempenho do tecelão Abdias do Sacramento Nobre (1910-1994), O Mestre Abdias, nascido em Salvador no bairro de Santo Antônio. Filho de africanos, Seu pai Dionísio Andrômio Nobre era ferreiro, e sua mãe, Amélia do Sacramento Nobre, doméstica.

Busto do Mestre Abdias. Autoria de Marcia Magno. Galeria Mestre Abdias. Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Pelourinho.

Mestre Abdias aprendeu a confeccionar o Pano da Costa com seu padrinho, Alexandre Geraldes. Sua jornada de trabalho era de seis horas e tecia todos os dias. Era zeloso e respeitava o processo original de confecção do Pano da Costa seguindo os ensinamentos de seu padrinho. Empregava cerca de dois ou três meses para finalizar um pano. Atualmente panos da costa são produzidos também no Terreiro São Jorge Filho da Goméia, em Lauro de Freitas, a na casa do Alaká; instalado no Terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá – localizado no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador. Alí, Mestre Abdias coordenou o primeiro curso dedicado ao ensino da tecelagem do Pano da Costa, no início dos anos 1980, com auxilio de sua filha Maria de Lourdes Nobre. O tear de Mestre Abdias, herdado de seu padrinho, era de jacarandá e segundo ele possuía mais de cem anos. Suas características o aproximam dos teares encontrados na Nigéria, África Ocidental, onde empregam a mesma técnica. O Instituto Visconde de Mauá possui uma reprodução deste tear, estando o original no Instituto Feminino da Bahia, doado pelo Mestre Abdias em 1955. Dois tipos distintos de teares são encontrados para o trabalho dos tecelões e das tecelãs que se dedicam à confecção do Pano da Costa. O tear feminino é aquele em que a mulher trabalha em pé e o masculino é aquele em que o homem trabalha sentado (LODY, 1995) O tear é composto das seguintes peças: taboca, liço, pente, fuso, braçadeira, rodo, canela, pedal, estendedor de parede, traquete, etc. O tipo de linha utilizado é a industrializada, substituindo os fios de algodão nativo. A produção de padrões específicos na tecelagem é dada pela combinação de fios de diferentes cores, a exemplo Do Pano da Costa, que oferece uma riqueza de padronagens. O primeiro passo do tecelão é a escolha das cores dos fios, geralmente, as cores do Orixá para o qual se vai fazer o tecido. O Pano da Costa ou ainda Pano de Cuia, tradicionalmente é confeccionado em algodão, seda ou ráfia (palha da Costa) e tecido em tear manual. Composto de tiras, geralmente estreitas com aproximadamente quinze centímetros de largura, costuradas umas às outras, chegam a medir de 1,70m e 2m de comprimento por 0,94m a 1,20m, respectivamente, de largura. Os Alakás (grandes panos) também possuem as mesmas características do Pano-da-Costa. É utilizado por pessoas de graduado posicionamento na organização social religiosa dos terreiros. (LODY, 1995). O Pano da Costa, tradicionalmente, faz parte do vestuário das africanas, que é usado enrolado ao corpo, sendo um costume em diversas regiões africanas como: Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Congo, Benin e Senegal. Chegando ao Brasil, tornou-se parte da indumentária das crioulas que habitavam Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Minas Gerais no século XIX. Hoje integra a roupa da baiana, originada das roupas das crioulas.

Pano da Costa. Produção da Casa do Alaká, Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Município de Salvador.

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Simbolicamente, o Pano da Costa expressa referenciais étnicos, religiosos e profanos. Além do seu papel estético e funcional, traduz a sobrevivência de valores africanos que foram adaptados a outro contexto social e cultural. Os objetos produzidos pelo fazer africano incorporam um poder mítico e simbólico que não representa apenas o seu uso, mas que está enraizado de significados que traduzem o sentimento de pertencimento a uma cultura que transcendeu obstáculos e que se preservou na sua essência. Teares na oficina de tecelagem do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Pelourinho. Município de Salvador.

“É no Candomblé que o uso do Pano da Costa está presente, limitado ao contexto sócio-religioso dos terreiros, tendo sido reelaborado e adaptado. A função sagrada do Pano da Costa faz dele um elemento de importância fundamental nas representações dos Orixás que são identificadas através das cores, insígnia de cada divindade. Traduz, igualmente, o respeito diante das divindades ali celebradas, sendo um elemento simbólico repleto de significado. Além da variação de cores e estamparia, o modo como o Pano da Costa é usado determina simbolicamente posições hierárquicas dentro do contexto religioso. Significa dizer que podem ser usados sempre pelas mulheres em rituais e no cotidiano dos Terreiros de Candomblé. Na cintura, acima dos seios, caído sobre os ombros, amarrado para trás, amarrado de lado, nas mais diversas posições, sempre dependendo do contexto ritual.” (LODY, 1995).

Acima e paginas seguintes: Tecelãs em atividade na Casa do Alaká, Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Município de Salvador.

No ano de 2002, o tecelão Joselito Pinto, instrutor do Instituto Visconde de Mauá, atuou como multiplicador nas ações que se realizaram para abertura da Casa do Alaká, no Terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá. Joselito desempenhou o papel de Mestre Abdias, quase duas décadas antes, desempenhara em prol da divulgação dos saberes que envolviam a confecção do Pano da Costa. Mestre Zelito, como é conhecido carinhosamente, já acompanhou a formação de diversos artesãos tecelões na capital, Salvador, e interior do estado e inseriu seu nome entre os grandes mestres, como Metre Abdias, se engajou na produção e perpetuação dos saberes da tecelagem na Bahia. Mestre Zelito destaca a importância que o papel do mestre possui na transmissão dos saberes na tecelagem. Seu mestre direto foi Antonio Bonfim de Jesus (Salvador: 1949-1991) titular das oficinas de tecelagem do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Oriundo da Casa Pia Colégio de Órfãos de São Joaquim Mestre Bonfim aprendeu nesta instituição que formava jovens órfãos em diversos ofícios e especialmente para a indústria têxtil baiana que possuía um dos maiores parques fabris no país até a primeira metade do século XX. Bonfim foi de contramestre a mestre e chegou a trabalhar para a indústria unindo os saberes da tradição da tecelagem tradicional aos saberes técnicos imprescindíveis a indústria têxtil. Na casa do Alaká Mestre Zelito, oportunizou-se aos diversos tecelões um modelo de capacitação que reuniu estes saberes, entre os capacitados; Iraildes Maria Santos e Jucineide Santos Costa que foram iniciadas na produção do Pano da Costa são atualmente responsáveis pela produção da Casa. Ambas destacam o amor que se deve ter pela atividade para que a produção possua qualidade. São necessárias atenção e ritmo para que os finos fios do urdume e trama não se quebrem com a força excessiva da laçada, mas também não se torne frouxa pela falta de firmeza. A produção da Casa do Alaká tem nos visitantes do terreiro e no povo de santo seus principais clientes.

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Acima e pagina seguinte: O emprego das cores nos panos da costa é determinado pelo seu contexto religioso nas religiões de matriz africana como o candomblé. Panos que se referenciam nos orixás: Ogum, Oxossi, Ossaim, Oxum e Iansã.

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A variedade técnica e estética é uma característica para produção da tecelagem contemporânea. Nesta página: Tecelões dos municípios de Salvador, São Sebastião do Passé e Porto Seguro.

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O Mestre Abdias, pelo seu engajamento na divulgação do oficio artesanal da tecelagem, é um exemplo para artesãos; é o patrono do espaço de exposições temporárias do Instituto Mauá - Pelourinho para que o artesão exponha e divulgue seus produtos de seus saberes.

Tecelagem Contemporânea Aqui foi utilizada a denominação tecelagem contemporânea para reunir a produção de artesãos e de grupos que, por iniciativa pessoal ou resultante de uma ação de capacitação, elegeram o ofício da tecelagem, sem pertencerem a um grupo ou comunidade que já a desenvolvesse, como uma atividade para suas vidas, empregando técnicas, equipamentos e matérias- primas variadas, alcançando uma estética própria. A história, da artesã de Salvador, Marta Muniz é exemplar: Iniciou sua trajetória como tecelã ainda criança, sem o conhecimento dos pais. Matriculou-se com uma amiga no curso de tecelagem da Escola Parque - iniciativa inovadora, alinhada aos princípios da Escola Nova, do educador baiano Anísio Teixeira, no bairro da Caixa D’água em Salvador, que unia atividades regulares ao ensino técnico apoiado na cultura local. Este impulso da infância foi determinante para sua formação artística adulta. Marta, deste então, abraçou a tecelagem como atividade profissional, cursou a escola de Belas Artes, trabalhou com o artista plástico e tecelão Genaro de Carvalho e foi uma pioneira no emprego de fibras naturais nativas como o licuri e a piaçava na tecelagem urbana, derrubando fronteiras estéticas e aproximando a estética do sertão à da cidade. As obras que Marta Muniz hoje produz levantam questões como a autonomia artística do artesanato e sua função utilitária, através da incorporação de texturas e ritmos provenientes da variação de matérias-primas e técnicas empregadas, seus processos, revelando a construção da tecelagem, urdume e trama. Marta participou também, ativamente, de oficinas de capacitação que se baseavam na tecelagem como forma de inclusão social no bairro do Pelourinho, centro histórico de Salvador. Também foi ainda criança, que Luis Santana, aos oito anos de idade, recebeu a incumbência de desembaraçar fios para tecelagem. Esta atividade lhe foi dada pela religiosa Irmã Adelina, no convento de freiras localizado no bairro de São Caetano, Salvador, como forma de canalizar a energia do inquieto garoto. A intenção da irmã logrou resultados. Aos dez anos, quando já tinha altura suficiente, Luis passou a tecer e a ensinar tecelagem aos outros garotos. Até os quatorze anos, a tecelagem fez parte de sua vida, quando teve que se dedicar a outras atividades profissionais. Porém sempre acreditou que voltaria a tecer, o que se realizou quinze anos mais tarde quando tomou a decisão de se tornar um tecelão profissional e basear na atividade, sua sobrevivência.

Acima e abaixo: Mandala e jogo de mesa em fibra da palmeira da piaçava, fibra da palmeira do licuri e fio de algodão do tecelão Luis Santana. Município de Salvador.

Em 1999, Luís se matriculou nas oficinas ministradas por Mestre Zelito, no Instituto de Artesanato

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Visconde de Mauá, no bairro do Pelourinho, para se atualizar na arte do tecer e reiniciar sua jornada como tecelão. Seguindo sua inquietação que desde menino o move, Luis Santana, pesquisou e criou modos próprios de empregar os recursos técnicos que o tear de liço e pedal proporcionam. Ele utiliza até seis pedais, dois além dos quais se costuma empregar, para obter a liberdade de inserir em um mesmo tecido diferentes padrões. Entre as matérias-primas favoritas estão as fibras do licuri e piaçava, associadas aos fios de algodão industrial para produzir mandalas, caminhos e jogos de mesa. Outra artesã de Salvador que se descobriu tecelã foi Meire Cabral; apresentada à tecelagem já adulta, não foi menos obstinada em basear na tecelagem sua vida profissional. Foi também aluna aplicada do Mestre Zelito, nas oficinas de tecelagem do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, após se dedicar a diversas técnicas artesanais da cerâmica ao reaproveitamento de papel. Meire buscou na relação da tecelagem com a moda, meios de expressão que possibilitassem a interação dos têxteis artesanais com outras atividades criativas e costuma desenvolver tecidos de acordo com a modelagem das roupas que desenvolve e trabalhar em parceria com diversos estilistas baianos. Ao lado da produção voltada à moda, Meire também cria móveis leves em que seus intricados tecidos em tons terrosos ganham nova dimensão. No mapa da tecelagem coube a Célia Amorim inscrever o nome da cidade de Porto Seguro, no extremo sul do Estado. Célia até ganhar de presente um tear, aos vinte e cinco anos, não tinha ideia de como funcionava. Profissional da área de marketing ela foi aos poucos sendo cativada pelo universo da tecelagem, seus equipamentos, fibras, fios e tramas. Buscouse capacitar através de cursos, do conhecimento de outros profissionais em um movimento de aprendizagem contínuo que até hoje a fascina e a motiva a compartilhar através de cursos que ministra. Paulista de nascimento, Célia há quinze anos, escolheu a cidade de Porto Seguro como lar. Considera a pesquisa por matérias-primas de variadas composições e procedências como extensão do tecer, assim como o uso dos diversos teares que reuniu ao longo de sua trajetória. Célia vem agregando também, fios e tecidos reaproveitados como forma de dar continuidade de uso e expressão a antigos têxteis que se reconfiguram e contribuem para o uso mais racional dos recursos disponíveis. Entre as iniciativas coletivas apresentamos duas desenvolvidas no interior do Estado e uma na capital Salvador, que compartilham entre si o desafio de reunir e articular questões cotidianas tendo como fio condutor a tecelagem. Estes grupos são: o primeiro deles, o Centro São João de Deus, que desenvolveu atividades produtivas inclusivas, oportunizando a participação de pessoas portadoras de limitações auditivas e locomotoras no povoado de Nova Esperança, Município de Ichu, na região sisaleira do estado. O grupo Tecelendo, na cidade de Amargosa e a Coopertextil, instalada no Pelourinho, nas antigas dependências do Cinema São Francisco, em Salvador, são nossos dois outros exemplos.

Mantas de padrões variados tecidas em tear de quatro pedais. Coopertextil. Município de Salvador.

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A Associação Comunitária dos Amigos do Centro São João de Deus, no povoado de Nova Esperança, município de Ichu, segundo Maria Dalva de Oliveira Carneiro, presidente da Associação, chegou a atender cerca de 150 famílias nos municípios de Conceição do Coité, Serrinha, Barrocas e Ichu, todos da região


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sisaleira. Entre as atividades produtivas apoiadas pelo Centro esteve a criação de um grupo de produção em tecelagem empregando a fibra do sisal e fio de algodão. Participaram das atividades técnicas cerca de 40 jovens que aprenderam a trabalhar na tecelagem, produzindo tapetes, redes de dormir, tecidos, bolsas e uma infinidade de outros produtos. O projeto teve como objetivo criar novas alternativas de renda para produtores rurais. Em Amargosa, município da Bacia do Jiquiriçá, o projeto de pesquisa e extensão Tecelendo, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB tem o objetivo de contribuir com a redução das desigualdades sociais e combate à pobreza no município, a partir do diálogo entre trabalho e educação. O projeto surgiu em 2008, da reunião de turmas de jovens, adultos e idosos em processo de alfabetização associados ao trabalho da tecelagem. A partir deste diálogo, a proposta de trabalho é constantemente reorganizada envolvendo o artesão/ sujeito no processo de superação dos seus limites vivenciados no dia-a-dia. Nesse contexto, o projeto se propõe a formar grupos de trabalho a partir de oficinas de tecelagem, no intuito de que estes grupos se organizem tanto no âmbito profissional como artístico-cultural. A tecelagem se insere como possibilidade de geração de renda e situações desafiadoras que permitam aos educandos interiorizar seus aprendizados de leitura e escrita, de modo que atuem de forma crítica na sociedade. O trabalho tem como centralidade metodológica a pesquisa-ação e como referencial teórico os estudos de Emília Ferreiro, Paulo Freire e Myles Horton. O projeto iniciou com duas estudantes bolsistas e uma turma de alfabetização totalizando 10 pessoas. O sucesso da iniciativa elevou o número de participantes para até 65 pessoas envolvidas diretamente.

ACIMA: Echarpe em fio de algodão da produção de Célia Amorim. Município de Porto Seguro.

As turmas têm perfis distintos. Em geral são moradores de uma mesma comunidade, estudantes que desejam se preparar para o ENEM, mulheres lavradoras, entre outras. As turmas reúnem pessoas de 20 a 70 anos da zona rural e urbana de ambos os sexos. Os meios de divulgação do projeto foram: o rádio, carro de som, panfletagem e articulação com as comunidades. É interessante salientar que todas as turmas do Projeto Tecelendo possuem nomenclatura eleitas pelos grupos a partir de assembleias realizadas mensalmente. O objetivo é que

Ao lado: painel de parede em fibras naturais variadas e fio de algodão, autonomia estética da tecelagem, Marta Muniz. Município de Salvador.

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os integrantes se reconheçam enquanto indivíduos e membros. Nesse caso a identidade da turma reflete parte da identidade do grupo. Em Salvador, no Pelourinho, a Coopertextil surgiu em um bairro central da cidade entre as iniciativas criadas para reverter o processo de degradação social que o bairro veio a sofrer desde meados do século passado, com a modernização da cidade e a transferência de atividades econômicas para outras regiões.

Pagina anterior: Coleção Lindroamor, a inspiração das manifestações culturais populares influenciando a produção da tecelagem artesanal contemporânea. Associação Taboarte, povoado de Maracangalha, município de São Sebastião do Passé.

O grupo se originou a partir da reunião de mães de crianças em situação de risco vinculadas ao Projeto Axé e ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI, que demandou uma capacitação em tecelagem manual. No ano de 2003, a Cooperativa foi criada com o nome de Cooperativa Mista de Produtos e Trabalhos de Artigos Têxteis – COOPERTÊXTIL, com uma formação inicial de 40 pessoas, representantes de 40 famílias, produzindo peças de artesanato utilitário e decorativo: jogos americanos, almofadas, guardanapos, tapetes, mantas e toalhas, utilizando como matérias-primas fios e linhas de algodão rústico e palha de rami. A capacitação para domínio das necessidades de gestão seguiu uma linguagem própria, dentro de uma perspectiva construtivista, de acordo com a realidade dos integrantes do grupo. Na COOPERTÊXTIL, a questão de gênero foi um dos pontos levantados para reflexão. Suas integrantes, além de trabalharem na cooperativa dando conta dos pedidos, fazem entregas, compras e pagamentos, dando continuidade a sua jornada de trabalho com as tarefas da casa. Uma preocupação comum das cooperadas é quanto ao futuro dos filhos e netos em situação de risco. Portanto, há de serem considerados outros fatores além dos técnicos. A condição financeira e a perspectiva profissional da atividade artesanal pesam diretamente nas relações do grupo e, consequentemente, no sucesso do empreendimento. Atualmente as associadas se encontram em número reduzido e buscam novas formas para a consolidação da tecelagem como alternativa viável financeira e socialmente, para que continuem a influenciar positivamente a região central da cidade.

Banqueta e bolsa empregando fios, cores e tramas variadas, produção da artesã Meire Cabral. Município de Salvador.

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O Trançado O trançado é o universo dos cestos, balaios, jequis e caçuás. No ofício do trançar, o artesão urde e trama histórias, lições de vida que fascinam pela maestria. Com poucas ferramentas, mas com muito conhecimento e habilidade foram necessárias várias gerações para se estabelecerem. Estas histórias se complementam e continuam vivas ao incorporar todos os dias novas perspectivas junto a antigos desejos. Buscamos abordar aqui, aspectos de grupos e artesãos individuais do trançado que por várias razões se distinguiram, seja pela importância cultural e histórica que desempenham em suas comunidades ou pelo reconhecimento que alcançaram pela maestria técnica. Todos, porém são produtores que ao longo de suas trajetórias se engajaram no desenvolvimento organizacional da atividade, formando associações e cooperativas, alcançando benefícios para suas famílias e comunidades, dignificando os saberes de seus ancestrais e que, aqui reunidos, formam um mosaico através dos aspectos sociais, ecológicos e técnicos que permeiam a produção atual dos trançados na Bahia.

Peneira ou urupemba. Tala de palmeira, cipó e cordão de algodão. Acervo do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Pelourinho. Município de Salvador.

Dentre as diversas técnicas de trançados exercidas no estado identificamos, seguindo a classificação e nomenclatura empregada pela antropóloga Berta Ribeiro em seu livro A arte dos trançados dos índios do Brasil, de 1985, dois grupos de trançados e, destes, sete variações como as mais recorrentes: Trançado Entrecruzado

Trançado cruzado quadriculado ou xadreado Trançado cruzado arqueado Trançado sarjado ou cruzado em diagonal

Trançado Costurado ou Espiralado

Trançado costurado com falso nó Trançado costurado com ponto de nó Trançado costurado com ponto longo Trançado costurado espacejado

Entre os trançados entrecruzados, temos o trançado cruzado quadriculado ou xadreado, que é o empregado em todo Estado para a confecção de urupembas ou peneiras. Sua ocorrência é universal. A presença da produção de peneiras está, porém, intimamente ligada à produção da mandioca e ao consumo de seus derivados, assim como os tipitis (cesto cilíndrico extensível, usado para extrair o ácido hidrociânico da mandioca brava). Encontramos no estado da Bahia a produção de dois tipos deste equipamento; o tipiti cilíndrico e o tipiti de torção. Outras técnicas de trançados, principalmente as que são empregadas na produção de armadilhas de pesca como munzuás e jequis (trançados enlaçados, trançados hexagonais e torcidos) foram incorporadas pela produção contemporânea na confecção de produtos utilitários e decorativos

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que têm no setor turístico seu principal mercado. Geralmente são os artesãos de cidades litorâneas que produzem de luminárias a jogos de mesa, reunindo várias técnicas em um só produto, combinando elementos estruturais dos trançados e valorizando seus atributos estéticos com excelentes e diferentes resultados. Destacam-se na produção de luminárias artesãos dos municípios de Valença, Itacaré, Porto Seguro e, em Maraú no povoado de Barra Grande, encontramos o artesão Manuel Paciência, que tem no artesanato e em sua transmissão a sua missão de vida. Estes artesãos garantem, assim, a perpetuação de técnicas que eram empregadas em produtos que vêm se tornando raros e poderiam até desaparecer.

Pagina anterior: Artesã do povoado do Campo Grande costurando tranças de palha da palmeira do licuri para confecção de bolsas. Município de Santa Teresinha.

O emprego de matérias-primas renováveis originadas do refugo de culturas agrícolas como a fibra da bananeira e do milho, somado a redescoberta da taboa, que tinha seu emprego reduzido a recheio de cangalhas e esteiras, vêm apresentando uma renovação no uso dos trançados e expandindo o estilo das fibras naturais para a produção artesanal de móveis. Assim, usos tradicionais também têm sido reafirmados por atividades como a arquitetura e decoração, que estão valorizando a confecção de forros em talas de dendê que têm em Camaçari e Porto Seguro seus maiores polos.

O Trançado Sarjado O trançado sarjado ou trançado cruzado em diagonal é um trançado entrecruzado amplamente empregado por artesãos na Bahia e pode ser facilmente identificado na confecção dos tradicionais bocapios (bolsas de feiras) e esteiras. Sua maleabilidade permite ainda ser utilizado na composição de diversos produtos com funções variadas, tais como: chapéus, peneiras ou urupembas e abanos. Estes produtos, já tradicionais foram adaptados gerando uma série de novos produtos, como: jogos de mesas, cestas e bolsas encontradas em vários padrões e cores que hoje caracterizam a produção de diversos artesãos espalhados pelo estado da Bahia.

Tipitis, espremedor para massa da mandioca, em fibra da palmeira do Buriti. Município de Santa Rita de Cassia.

O trançado sarjado apresenta inúmeras variações, sendo a sua forma mais comum, o padrão, chamado de espinha de peixe, que é obtido pelo entrançamento das palhas, formando ângulos obtusos. O artesão, ao entrelaçar sucessivamente números diferentes de talas ou palhas, forma figuras geométricas. Diversos desenhos são obtidos graças ao emprego de palhas em cores diferentes que, quando alternadas ou combinadas em diferentes disposições, movimento e orientação das fibras, formam desenhos diagonais. Estes padrões são combinados pela junção através da costura de suas laterais, expandindo assim o padrão para a escala do tecido. Berta Ribeiro assim o descreve: “Correndo embora em sentido reto e, mais ainda, no caso de correr em sentido oblíquo, a trama produz um efeito diagonal ao perpassar dois ou mais elementos da urdidura, segundo a fórmula 2/2, 1/3, etc., dando lugar a uma multiplicidade de desenhos geométricos”. Assim, todos os elementos envolvidos no trançado, urdidura e trama desempenham ao mesmo tempo papel ativo e passivo. As fibras mais rígidas empregam variações como o trançado cruzado hexagonal, que é empre-

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gado em empalhamento de cadeiras e armadilhas para lagostas. Peneiras e abanos também empregam o trançado sarjado, podendo incorporar cipós e outras fibras para a fixação da trama na forma de círculo.

Trançando a palha do licuri para confecção de bolsas. Povoado do Campo Grande, município de Santa Teresinha. Variedade de pontos do trançado da palha da piaçava: Ponto lacinho, bicão e de chapéu. Artesãs da Costa dos Coqueiros.

As matérias-primas empregadas no trançado sarjado são escolhidas pela sua maleabilidade. As fibras das folhas das palmeiras foram identificadas pelas antigas populações do nosso território como o recurso natural abundante que possuem esta característica, sendo a razão pela qual hoje recai sobre elas, a predileção dos nossos artesãos. A palmeira do licuri, pela extensa área de ocorrência é a mais empregada, sendo conjugada a outras fibras como as das palmeiras do ariri ou licurioba e do coco da baía, explorando-se o contraste de cores e textura. A fibra da folha da piaçava é a favorita da Costa dos Coqueiros, região de seu endemismo, empregada por mais de 300 artesãs, muitas delas, integrantes da Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá, COPARTT. A palmeira carnaúba é empregada na região oeste e ao longo do Rio São Francisco, onde ainda persiste nos municípios de Barra e Juazeiro. As taliscas de buriti e babaçu são as preferidas para a confecção de peneiras. As tranças, como são denominadas a unidade do trançado, variam pelo emprego do número de palhas que definem sua largura. Estas são confeccionadas com a palha riscada, ou seja, cortada na espessura pré-determinada pela artesã de acordo com a largura que ela deseja que tenha a trança, variando o tamanho de acordo com o produto que será confeccionado. As palhas, depois de riscadas, são reunidas e sempre chamadas pelo número ímpar de duplas utilizadas: 3 par, 5 par, 7 par, 9 par, 11 par. Variam de largura pelo seu emprego: as mais finas são a base da produção de chapéus, pequenas bolsas e arremates; as médias para a produção de bolsas e jogos de mesa; e as grandes para esteiras e bolsas de maiores dimensões. As artesãs denominam a ação de produzir o trançado de “fazer trança”, e, no auxílio da união das tranças utilizam agulha para acabamento e tesoura para cortar as aparas. São sempre empregadas ferramentas simples que se resumem a:

Pagina seguinte: São muitas as possibilidades de tramas e cores empregadas no trançado pelas artesãs da Costa dos Coqueiros.

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Ferramenta

Função

Agulha Colher de pau ou toco de pau Faca ou facão Forquilha Máquina de costura Panelas Seixo rolado

Auxilia na tessitura da trama; e, auxilia na costura das tranças. Auxilia no processo de tingimento, misturando o pigmento e a fibra. Para retirar as folhas do talo. Separa a folha para sua extração. Acabamento e arremate das pontas, confecção de forros em tecido. Acondiciona a fibra no processo de cozimento e tingimento. Empregada para auxiliar no acabamento da costura.

Tesoura

Acabamento, corte das aparas.

Atualmente, em muitas localidades as tranças são comercializadas em feiras livres para serem costuradas por outras artesãs que possuem


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maior facilidade de comercialização, como ocorre nas feiras livres de pequenas cidades como Araci, Itaim, Iaçu e até em centro regional como o de Feira de Santana. A unidade de medida empregada é a braça e na medição dos elementos do produto o palmo ou uma talisca, porém cada vez mais, por conta da grande variação observada, muitas artesãs vêm empregando a fita métrica. O trabalho das tranças, porém, começa sempre com a obtenção da matéria-prima, ou seja, a palha. A jornada das artesãs da localidade praieira de Subaúma no município de Entre Rios, na Costa dos Coqueiros, ilustra bem esta atividade, pois quando é dia de extração de matéria-prima as artesãs acordam cedo, junto com o amanhecer, e após prepararem o café para a família, dirigem-se a área onde há maior ocorrência de palmeiras de piaçava. As artesãs que moram em outros povoados caminham de uma a duas horas para alcançarem Subaúma ou o fazem mais perto de suas residências.

Finalizando uma bolsa em ponto de lacinho. Artesã da Associação Mãos nativas de Vila Sauipe.

Associadas reunidas. Município de Mata de São João.

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A extração é feita com o auxílio de faca e do podão, vara longa com uma forquilha na ponta. As palmeiras que escolhem para a retirada das folhas costumam ser aquelas que apresentam menor altura, o que facilita a extração. Para a feitura da linha empregada na costura das tranças, buscam-se as folhas do olho do licuri (a palmeira possui dois olhos). As artesãs têm o cuidado de retirar o olho mais velho, o companheiro do olho, e preservar o outro para manter o desenvolvimento da planta. Após a extração das folhas, elas são despencadas, desfolhadas e postas num saco que é levado nas costas para as casas das artesãs, local onde


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TRANÇADOSarjado SARJADO PASSO PASSO: Trançado Passo à ÀPasso PASSO 1

Uni-se transversalmente duas fitas de palha

PASSO 3

Risca-se (corta-se) a fita com uma tesoura de acordo com o desenho pretendido

PASSO 2

Dobra-se uma fita sobre a outra.

PASSO 4

Inicia-se a trançar alternando as seções da palha

PASSO 5

PASSO 6

A medida que a trança cresce vai-se adicionando mais fitas riscadas antes que anterior se acabe.

Para confeccionar as peças costura-se a trança pela sua lateral com o auxilio de uma agulha

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a palha é destalada e fervida (esta é uma necessidade e particularidade da palha da piaçava, que não compartilha com outras fibras empregadas no estado da Bahia, pois ao ser cozida em água fervida, a palha da piaçava adquire resistência e a maleabilidade necessárias para o trançado). Se o objetivo é obter uma palha colorida, ela é novamente fervida com anilina ou com corante natural proveniente de folhas do cipó de rego (também conhecido por arariba), da capianga e antigamente se empregava a lama do brejo para alcançar uma coloração escura. Esta jornada, que se inicia muitas vezes antes do raiar do dia, dependendo da quantidade coletada de palha, demora mais que um dia para se cumprir.

Pagina anterior: Artesãs de diversas regiões do estado da Bahia compartilham o emprego do trançado sarjado com resultados estéticos diversos. Municípios de Entre Rios, Santa Teresinha, Ituaçu, Jaguarari e Mata de São João.

A confecção do trançado propriamente dito inicia-se pela escolha da forma que ela terá o que se dá, inicialmente, pela forma do seu fundo: redonda, oval, retangular ou fundo em dobra como o bocapio, com o fundo definido apenas pela dobra; esta peça não se apoia pelo fundo. A peça redonda nasce de um anel feito com a trança. As peças ovais começam com uma faixa comprida de trança e as de fundo retangular se formam pela dobra dupla do seu fundo e do complemento das laterais com novas tranças adicionadas por costura. Completando a parte inferior, chamada pelas artesãs de base ou fundo, segue-se a etapa de levantar o corpo, a parte lateral, que varia conforme a altura final da peça. Como a costura das tranças para a confecção de bolsas se dá em forma de espiral ascendente, o acabamento é feito com a dobra do excedente para dentro da peça, que é então costurada ao seu corpo. Faixas de tranças também são utilizadas para o acabamento, realizando o papel do viés. A composição de algumas peças é ainda completada pela adição de tampas e alças. Para levantar o corpo das bolsas e cestas as artesãs empregam apenas as mãos, que as auxiliam na manutenção da simetria do objeto. Somente a feitura dos chapéus conta com o auxílio de uma forma feita de madeira. Originalmente os motivos geométricos das esteiras, bocapios e chapéus eram compostos pelo contraste entre as colorações das fibras como o licuri e do ariri na produção sertaneja. A fibra do licuri era empregada como fundo e com o ariri eram formadas sutis tramas quadriculadas. Posteriormente com uso de anilinas industriais estes padrões foram reproduzidos, contudo, de forma bem econômica em padrões denominados miudinhos no Município de Santa Terezinha, ao contrário dos trançados do litoral que empregaram cor de forma exuberante. Um dos produtos mais emblemáticos da produção artesanal em trançado no estado, encontrado em diversas de suas feiras livres, e em estabelecimentos ao longo da BR 116 é a sacola de tampa ou bocapio de tampa. Ele reúne na cadeia de produção três municípios: a zona rural do município de Araci, onde são produzidas as tranças em fibra de ariri e comercializadas na feira da sede do município; as tranças são compradas por outros artesãos do município de Tucano, para serem costuradas à mão com linhas torcidas artesanalmente de caroá, por fim, os produtos podem ser comercializados às dúzias na feira sema-

As artesãs representam o seu oficio através de desenhos. Oficina de criação e organização da produção atividade do Instituto Mauá. Quilombo Campo Grande, município de Santa Teresinha.

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nal do município de Cipó. Este arranjo resultou na criação de outros modelos de bolsas de usos diversos (ao invés de bolsa de feira, bolsas femininas incorporando outras fibras como a do coco da baia e tranças de taboa). Em Ituaçu, município da Chapada Diamantina, o trançado sarjado com fibras de licuri é uma tradição do povoado do Guigó. Atividade feminina que é passada de geração em geração, de mãe para filha. O artesanato vem representando uma fonte de renda alternativa para as mulheres, que também se dedicam à casa e à família sem deixarem de ser importantes forças de trabalho na lavoura de subsistência. Sua primeira coleção de produtos, que inspirou também o nome do grupo, foi chamada de Guerreiras do Guigó, por abordar o caráter trabalhador da comunidade, representado pela força de suas mulheres, e celebrar a sua importância no povoado.

Bolsa e jogo de mesa em fibra de palmeira do Licuri com aplicação de bordado em cordinhas de fibra tingidas com corantes naturais, localidade do Guigó, município de Ituaçú.

A artesã Herminia dos Santos Pereira, 74 anos, nascida no Guigó representa bem uma das Guerreiras do Guigó, com sua história de vida. Dona Herminia nos apresenta como o trabalho feminino no artesanato ultrapassava e expandia os limites da atividade doméstica; sua Mãe, Maria Teófila, nascida na Baixa Grande, sabia fiar e fazer renda de bilro, que era vendida a metro. Ela aprendeu a fazer renda, porém não faz mais, e aos 10 anos de idade, aprendeu a trançar com uma vizinha, Almerinda, e ao longo deste tempo já ensinou a muita gente. É mãe de Lurdes, Lucinha, Zenilda e Lindalva, também fazedeiras de trança. Mas também “rapou muito pó de folha de licuri” (assim como Dona Herminia, em outras localidades artesãs relataram que até meados do século passado, raspavam o pó do licuri para venda - subproduto empregado na composição de ceras e sabões). A mãe dela conta que não costurava chapéu, pois é mais difícil do que costurar esteira. Dona Herminia explica também que antigamente o chapéu era costurado com um lado da trança sobre o outro, ficando exposta a auréola de um lado. “Foi um tempo sofrido, se fazia também muito saco de esteira para carregar cal”, concluiu Dona Hermínia. As artesãs dos Guigó eram fornecedoras de sacos para o transporte da cal produzida no município por um longo período; estes eram confeccionados com fibra de licuri, muito trabalhosos e sua produção mal remunerada. Durante toda a sua vida, Dona Hermínia, teve como atividade de ganho, fabricar e vender esteiras na feira e trabalhar na roça. O trançado das Guerreiras do Guigó deve sua perpetuação e qualidade a antigas artesãs como Dona Hermínia. Os seus produtos se destacam pela flexibilidade e pela coloração alva natural que conferem aos seus produtos de qualidade ímpar. Sua alvura foi destacada pela complementação de bordados confeccionados com linhas produzidas pelas próprias artesãs com a fibra do licuri tingida por corantes naturais identificados por elas e que reproduzem desenhos feitos durante as atividades desenvolvidas pelo Instituto Mauá, que ilustram a paisagem e o cotidiano feminino, como o apuro e cuidado com que cuidam de

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suas roças e jardins, que se tornam repletos de flores nos períodos úmidos. Claudia Francisca da Cruz, Técnica do Instituto Mauá, salienta o esmero e afinco com que as artesãs incorporaram com orgulho suas histórias aos produtos, conferindo um novo papel ao artesanato como atividade de afirmação de sua identidade. No quilombo do Campo Grande, município de Santa Teresinha, as artesãs também foram estimuladas a refletir, a partir do artesanato, sobre sua identidade. As atividades de organização desenvolvidas evidenciaram o papel importante que o artesanato desempenhou e pode desempenhar nas suas vidas. Em 27 de fevereiro de 2007 Campo Grande obteve, a seu pedido, o reconhecimento como comunidade remanescente de quilombos. Situado a 12 km de distância da sede, o povoado é formado por pequenas propriedades e com um pequeno núcleo central. A comunidade produzia cada vez menos esteiras e bocapios de licuri pela diminuição da procura e pelos preços das tranças mantidos baixos nas feiras em cidades vizinhas de Itatim e Iaçu, onde são comercializadas tranças para revenda,

Jogos de mesa. O colorido como meio de expressão da identidade quilombola da comunidade. Palha de palmeira do licuri. Quilombo Campo Grande, no município de Santa Teresinha.

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enquanto os produtos prontos, em sua maioria esteiras e chapéus, são ofertados às margens da BR 116. Através de oficinas buscaram-se atividades lúdicas e produtivas desenvolvidas na própria comunidade e que fossem relacionadas diretamente pelas artesãs, como a confecção de franjas em toalhas com a técnica do nozinho ou do macramé. Estas técnicas foram associadas à antiga produção de fios e cordas de caroá, de grande produção no povoado até ser suplantada pela comercialização das cordas de fibras sintéticas. As tramas em macramé foram então incorporadas como elemento decorativo e de estruturação de bolsas. O lúdico permeou o prazer reencontrado na atividade tão querida e necessária em outros tempos pelas próprias artesãs, que nomearam seus produtos ao som do samba de roda batizando a coleção de produtos de Cantiga Quilombola. A atividade incorporada pelos grupos, instigados por Gildete Santiago, do Instituto Mauá, resultou no Livro Conversa Quilombola, editado pelo Instituto Mauá, com organização de Jaime Sodré e fotos de Tacun Lecy. Costurando a alça em uma bolsa, artesã do Diogo, município de Mata de São João.

Esteira de praia. Palha da palmeira do licuri, Coleção Cantiga Quilombola. Quilombo Campo Grande, no município de Santa Teresinha.

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A incorporação do lúdico à atividade artesanal foi também o que ocorreu em Jacunã, povoado do Município de Jaguarari. A comunidade local especializou-se na produção em grandes quantidades (que chegavam à casa do milhar), de chapéus de palha de ariri (syagrus vagans), mesmo com a devastação indiscriminada desta palmeira, pelas atividades da pecuária e da lavoura. Os artesãos cotizam o pagamento do transporte que os levem ao município vizinho de Senhor do Bonfim, nas cercanias da localidade de Tijuaçu, para coletarem a matéria-prima necessária para a atividade do trançado. Esteiras entrecruzadas, ao invés de costuradas ao comprido, e bolsas e novas tonalidades foram incorporadas através de oficinas desenvolvidas pelo Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. As artesãs do Jacunã utilizam no seu trabalho: faca de ponta fina sem serra para destalar a folha; o dedo de couro, equipamento não visto em outras comunidades, que, junto com uma luva, protege as mãos das artesãs no processo de rapar (raspar) a palha; agulha feita com sombrinha para costura; batedeira ou pedra para acabamento e a forma de madeira para moldar a copa do chapéu; para acabamento, faca e agulha.


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O trançado sarjado empregnado em bolsas de fibras de palmeiras variadas. No sentido horário: Bocapio em palha de licuri (Santa Teresinha); Bolsas em palha de buriti (Juazeiro); Bolsa em palha de piaçava (Entre Rios), Bolsa em palha de licuri (Saubara); Bolsa em palha de piaçava (Mata de São João); Almofadas e tapetes da coleção Folia (Entre Rios).

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Chapéus em palha de palmeira do licuri. De cima para baixo: Chapéu da coleção Guerreiras do Guigó, município de Ituaçú; Chapéu da coleção Conversa Quilombola, município de Santa Teresinha; Chapéu do acervo do Instituto Mauá, Pelourinho, município de Salvador.

Pagina seguinte: Medindo com a palma da mão o tamanho da copa do chapéu. Quilombo Campo Grande, no município de Santa Teresinha.

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No sentido horário: Bolsa em palha da palmeira do licuri da coleção Guerreiras do Guigó, município de Ituaçú; Bolsa em palha do licuri e embalagens plásticas recicladas do acervo do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Pelourinho, município de Salvador; Bolsas da coleção Conversa Quilombola em palha de palmeira de licuri e cordas de caroá, localidade do Campo Grande, município de Santa Terezinha.

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A maior festa do povoado não tem cunho religioso ou cívico, mas sim o que mais exalta a produção artesanal local, tanto que se chama Festa do Chapéu de Jacunã e é, praticamente, uma tradição, pois acontece há vários anos.

Chapéu e bolsa. Desenhos de artesãos da localidade do Jacunã, no município de Jaguarari.

Podemos constatar a importância do ofício pelo depoimento dos mais velhos, a exemplo do Sr. Manuel Pereira da Silva, nascido no povoado da Volta, que no ano de 2009 tinha 90 anos. Ele conta que ficara doente ainda pequeno e que seu nome de registro é Manuel, mas seu irmão o apelidou de Eusébio, como é conhecido por todos no povoado de Jacunã. Casou aos 16 anos (aumentou dois anos para poder casar). Quando casou o povoado de Jacunã só tinha umas três casas. Sua mãe, Maria das Neves, conhecida como Neném, também fazia chapéu. Conta Seu Manoel: “Quando nasci já botei chapéu na cabeça. Naquele tempo tinha muita palha tanto de licuri quanto de ariri, faziam bocapio, urupemba e louça que queimavam no forno. Trabalhava na enxada. Lampião fazia perversidade. “Fomos para a festa no Pau Ferro eu, meu tio e meus irmãos e o tocador era João Nobilino. No caminho a avó ouviu o atropelo e eles se esconderam no mato, até o fôlego a gente engolia. Fizeram perversidade lá nas caatingas.” Quanto à abundância da palmeira do ariri em Jacunã, Maria Ferreira Cordulina, 101 anos de idade, conhecida como Sinhá Maria, mãe da também artesã Neuza Ferreira dos Santos, 64 anos, em depoimento

Instrumentos empregados para a confecção de artigos em palha trançada e dedeira de couro para proteção das mãos. Localidade do Jacunã, município de Jaguarari. Costurando chapéu de tranças de palha de licuri. ua da Boca da Mata, município de Saubara.

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Acima: Bocapio, bolsa para feira, em fibra de Buriti. Município de Juazeiro, bolsa de tampa, tradicional bolsa do sertão para diversos usos. Município de Cipó. Ao lado: Bolsas aió em palha de licuri expostas para comercialização. Feira livre do município de Jacobina. Abaixo: Comercialização de bolsas de palha de licuri pelos próprios artesãos na feira livre do município de Cipó.

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dado em 2009, relembra quando ainda era pequena via sua mãe fazendo chapéu e que nas redondezas do povoado havia muitos pés de Ariri: “Era muita mata. Suas filhas; Edita, Raimunda, Ester, Epifania faziam também chapéus. Para conseguir água antigamente, ela conta, buscavam no outeiro e a roça era boa e farta.” A feira livre de Jacobina, que rivaliza em importância com a da cidade de Senhor do Bonfim, local de comercialização de diversos artigos artesanais, é o centro da região onde o aió de malha tecida se encontra com o mocó ou bocapio de fibra de licuri e este se apresenta em forma de fundo de costura espiralada, conferindo-o uma forma cilíndrica. Este aió de licuri possui alça e acabamento de fibra de croá (caroá), sendo bastante popular na região do Piemonte da Diamantina e Itapicuru. Sua produção situa-se na zona rural de Jacobina, no povoado do Velame. Em contraste com as cores mais tênues do tom natural das fibras das palmeiras do sertão e do cerrado, opõe-se a exuberância do trançado do litoral com suas cores fortes e padrões elaborados, que incluem variantes de trançados sarjados próprios da região e que foram capazes de alcançar o patamar de produtos típicos amplamente reconhecidos com sua região pela própria população e também pelo contingente de turistas que visitam as belas praias do litoral norte baiano, status buscado pelas demais expressões culturais, não só artesanais. A formação das sete associações locais que integram a Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá - COPARTT foi o resultado da soma de esforços da população local pelo reconhecimento dos direitos adquiridos de caráter tradicional do seu modo de vida. A cooperativa surgiu com a reunião de pescadores, marisqueiras, lavradores e ex-

Acima e abaixo: Artesãs de Porto Sauipe. O trançado integra a identidade das mulheres da Costa dos Coqueiros unindo gerações. Localidade de Porto Sauipe, no município de Mata de São João.

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trativistas, que compartilham conhecimentos e tecnologias ligadas ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais. Foram intensas as transformações operadas pela implantação de equipamentos turísticos que mudaram a configuração econômica e social e que se iniciaram com a abertura das estradas do Coco e Linha Verde no território que compreendem as localidades de Diogo, Areal, Santo Antônio, Curralinho, Vila Sauípe, Estiva, Canoas, Águas Compridas, Porto Sauípe, Massarandupió e Subaúma, e o artesanato neste contexto representou um dos eixos identitários que proporcionou às populações locais reconhecerem seus direitos à manutenção de suas práticas no território, entre os quais o direito à atividade de coleta de palha e outros insumos necessários ao desenvolvimento da atividade artesanal do trançado. Foi com a atividade de reflexão a procura de suas origens que foram identificadas como legado dos ancestrais Tupinambás, e que, absorvidos pelos africanos e europeus, ainda se faz presente e subsiste nos saberes da relação com o meio ambiente e identificação de seus inúmeros recursos. Tendo como apoiadoras diversas instituições, entre as quais se soma a atuação do Instituto Mauá, as artesãs que compõem a COPARTT estão em constante renovação da sua produção, atualizando-se de acordo com a moda, e incorporando novas soluções que se mostram compatíveis com as implicações logísticas ao alcance das associadas. Entre elas, incluem-se o uso de anilinas de madeira, que se mostraram muito eficientes na fixação da cor à palha, somando-se ao emprego dos corantes naturais da capianga e arariba, como também o emprego da trança de bicão pelo avesso e da trança do lacinho na composição dos corpos dos produtos. Atualmente, as artesãs dispõem de uma loja para comercialização de sua produção no Complexo Turístico de Sauípe, na Praia do Forte e vendem sua produção para diversas lojas e importantes redes varejistas. Artesãs como Maria Joelma Bispo Silva, instrutora do Instituto Mauá, compartilham tanto o saber técnico, reunido por sua comunidade para ser adaptado à realidade de outros grupos, assim como sua experiência prática associativa, acumulada no exercício de cargos de representação como o que, inclusive, ocupa no momento, presidindo a Cooperativa de Artesanato do Trançado Tupinambá - COOPARTT.

Fazendo trança, base para diversos produtos. Abano e bolsa bocapio em palha de palmeira do licuri. Rua da Boca da Mata, município de Saubara.

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No Recôncavo Baiano, no município de Saubara, berço do samba de roda e de diversas manifestações afro-brasileiras e ibero-brasileiras como a marujada, concentra-se uma produção de esteiras, bocapios e outros produtos tradicionais que se situa entre as tradições do sertão e as inovações do litoral norte. As artesãs, em sua grande maioria também marisqueiras e moradoras do antigo caminho da Boca da Mata, dedicam-se ao trançado sarjado de fibra da palmeira do licuri e, ao longo de inciativas de inserção no mercado, fizeram interessantes interseções com outras técnicas, como a do trançado costurado empregando o ponto aberto ou espacejado, e de elementos da renda de bilro de suas colegas rendeiras da Casa das Rendeiras, grupo com o qual compartilham a Associação dos Artesãos de Saubara.


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Trançado Cruzado Arqueado O trançado cruzado arqueado é um tipo de trançado entrecruzado, grupo de trançados que compreende também os trançados quadriculados, hexagonal e sarjado (ao qual dedicamos um capítulo), mais empregado na produção tradicional de balaios, cestos e jequis. São artefatos de formas, tamanhos e usos variados que empregam diversas matérias-primas que podem ser usadas combinadas entre si.

Pagina seguinte: Etapas e instrumentos para produção de um balaio de cipó. Município de Euclides da Cunha.

A produção de trançados empregando o trançado cruzado arqueado compreende desde utensílios de grandes dimensões, resistência e acabamento rústico, como os cestos usados nas colheitas do feijão, balaios e bandejas usados em feiras livres para acondicionamento e exibição de legumes, frutas e hortaliças, que chegam a alcançar mais de metro e meio de diâmetro, rodas para secagem de peixes, ninheiros de galinha, caçuás ou panacuns, cestos de carga associados à cangalha para transporte em animais de carga, além de diversos tipos de armadilhas para peixes como o jequi, até peças menores de acabamento mais elaborado como fruteiras, luminárias, bolsas, assim como instrumentos musicais como o caxixi, chocalho que acompanha o berimbau. As matérias-primas empregadas são talas de palmeiras: dendê, coco da baia, buriti, babaçu, bambus como a taboca e canabrava, fibra de piaçava e cipós variados. Estes últimos são os mais empregados. Cipó ou liana é a denominação

Coletando taboca na mata. Os artesãos dominam os processos de identificação da matéria prima ao acabamento do produto e miniaturas de cestos. Município de Caém.

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geral que reúne diversas famílias de plantas que compartilham a mesma estratégia de crescimento enfocado no alcance de áreas abertas no meio da mata para assegurar a luminosidade de que necessitam, dependendo da estrutura de outras plantas para apoio, alongando seus caules e raízes. O começo da urdidura mais comumente empregada para confecção de balaios, cestos, jequis inicia-se pelo cruzamento de talas, chamadas de pernas por muitos artesãos, perpendicularmente seguidas de outras, dispostas formando um umbigo em asterisco. O umbigo de asterisco pode ser simples, empregando pernas avulsas ou múltiplas pela disposição dupla ou tripla das mesmas. A este conjunto de pernas, sempre em número par, é adicionada uma falsa perna que permite a unidade da tessitura da trama, possibilitando a alternância das pernas uma a uma. Na região oeste, no município de Barreiras, onde se empregam os talos do pecíolo do buriti para a confecção de cestos e balaios, tanto na urdidura como na tessitura da trama o umbigo se faz em forma de leque com as talas superpostas. “Esta técnica obedece geralmente a forma 1/1, confundindo-se com o xadrezado, uma vez que, também aqui, os elementos passivos (urdidura) dispostos em séries paralelas são alternadamente interceptados por um elemento ativo (trama). Pelo fato da urdidura ser rígida, de grosso calibre, e a trama delgada e flexível, o efeito produzido é o de uma série de protuberâncias.” (RIBEIRO, 1985). A firmeza da tessitura depende da união da habilidade, atenção e força física (no caso das peças maiores com os caçuás). Quanto mais longas as pernas empregadas no começo maior será o diâmetro e/ou a altura da peça, podendo ainda ser complementadas por outras pernas durante o trançado para a obtenção do tamanho desejado.

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TRANÇADOde DECruzado UMBIGO PASSO À PASSO: Trançado Arqueado Passo à Passo PASSO 1

PASSO 2

Uni-se transversalmente quatro pernas , duas a duas de cipó o outra fibra.

Passe-se uma fibra em espiral alternando as fibras de quatro em quatro. Sua extensão formará a perna impar necessária para execução do trançado.

PASSO 3

PASSO 4

Continua-se com outra fibra o preenchimento em espiral alternando as pernas.

Para iniciar a lateral da peças põe-se força dobrando as pernas.

PASSO 5

PASSO 6

A medida que a lateral vai ganhando altura, pode-se alternar a matéria prima, cor e acabamento.

Para o acabamento vai –se flexionando as pernas para que e fixem sobre a lateral com o auxilio de uma peça de madeira ou chifre chamada de espaçador.

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Os acabamentos variam de acordo com a matéria-prima utilizada, dos processos de beneficiamento empregados escolhidos de acordo com a função que o produto desempenhará. Cipós podem ter somente suas folhas retiradas (rapadas) como também em alguns casos suas cascas. A taboca (guadua weberbaueri) e a canabrava, espécies de bambus, têm suas folhas retiradas, seus caules repartidos e nós raspados. As talas das palmeiras do babaçu, buriti e coco da baia são obtidas separando-as das folhas e da fibra que preenche o interior dos “braços” (o pecíolo da folha, é a parte central da folha, que a sustenta e a une pela bainha ao tronco da palmeira). A fibra da piaçava é extraída, limpa (escovada) e selecionada.

Cesto trançado com talas de bambu taboca e cipó raspado e sua capa com desenho desenvolvido pelas artesãs do grupo Cesteiras de Caém. Município de Caém.

Como o cipó depende da existência de uma área de mata, vegetação para se apoiar e se desenvolver, também é o recurso que mais sofre com o desmatamento e o crescimento das áreas cultivadas para agricultura e criação extensiva de animais. Outras plantas, fonte de fibras naturais estão sob ameaça e se tornando mais escassas, obrigando os artesãos a aumentarem o seu raio de prospecção de extração de matéria-prima. Somam-se a esta situação os baixos preços obtidos nos mercados e feiras tradicionais, acarretando a necessidade de maior volume de extração e produção e aumentando a pressão sobre o recurso natural fibroso. Atualmente matérias-primas que tradicionalmente não eram empregadas no trançado como a fibra da bananeira e a palha do milho estão sendo utilizadas por novos grupos diante da abundância da matéria-prima oriunda do descarte destas culturas agrícolas como forma de geração alternativa de renda. Neste sentido o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá tem apoiado os grupos em diversos estágios da sua organização. Produtores de diversos tipos de balaios, cestas, jequis e caçuás empregam o trançado cruzado arqueado e a grande disseminação pelo território baiano, há artesãos que produzem em pequena escala para uso próprio, ou para o mercado local, sob encomenda ou na feira do seu município. Outros se estruturaram em grupos, formalizados ou não, que no sistema de cooperação mútua respondem à demandas maiores atingindo escala estadual e escoamento da produção para outros estados. Destacamos grupos e artesãos que empregam o trançado cruzado arqueado de forma a abranger a diversidade do uso da matéria-prima, usos e aspectos formais ilustrando a produção do estado. A localidade da Ponte do Jiquiriçá talvez seja a comunidade que possui mais visibilidade por estar situada às margens da BR 101 a altura do acesso à sede do Município de Laje. Formou-se a partir do comércio de artigos de trançados artesanais e

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Pagina Anterior: O artesão emprega a sua criatividade para recriar a sua tradição: Dona Laurinda e a bolsa que desenvolveu a partir de um cesto de cipó e taboca. Município de Caém.

de beijus de tapioca. Estabelecido na Ponte do Jiquiriçá no início da década de 1980, Antônio Lopes, Seu Paraíba, Dona Enita e seus filhos, formam o núcleo familiar que obteve maior êxito na produção e comercialização de artefatos de trançado de cipó. O artesanato em trançado de cipó é uma habilidade dos antigos moradores do local, cuja referência é o já falecido Chico das Cestas, que inicialmente produzia para uso próprio e comercializava esporadicamente. Anteriormente o comércio na localidade era dominado por barracas que vendiam farinha de mandioca e seus derivados: beiju, tapioca, azeite de dendê e frutas, entre outros. Somente alguns vendiam também produtos artesanais em fibra, chapéus, esteiras, cestos. Hoje a situação se inverteu ocorrendo o predomínio dos produtos artesanais em cipó em detrimento das frutas e derivados da mandioca. A localidade desde então cresceu em torno da atividade artesanal e hoje é formada na sua maioria por artesãos, que se agruparam ao longo da BR 101 e nas ruas Nova Brasília de Cima e de Baixo e Rua da Olaria. A maior parte dos artesãos tem no artesanato sua única ou maior fonte de renda. As barracas são construções simples e por vezes são “arranjos” que chamam a atenção pela aglomeração dos produtos e principalmente dos burrinhos de variados tamanhos, bicicletas e carrinhos de mão além de cestas muito utilizadas para arranjos de café da manhã. Sobrinhos de Dona Nita, os irmãos Rosiel, Rubens, Raimundo e Romi, desenvolveram a produção local através da criatividade de Rubens, que é um artesão apaixonado pelo seu ofício. Ele é auxiliado por sua esposa

O trançado permite também a figuração de animais: jeguinho em cipó, localidade da Ponte do Jiquiriçá, no município de Laje.

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Joseni, a Dó, e é tido pelo grupo, como um criador. Comercializam a produção na região e até em viagens ao sul do país. Sua oficina é próxima a sua residência às margens da BR 101, onde há também a residência de sua mãe e irmãos. Uma casa de farinha e uma roça de cacau completam a propriedade. Um cliente constante é a Fábrica de Chocolates Caseiro de Ilhéus, que encomenda bandejas de compensado 4 mm, de tamanhos variados, com bordas em cipó de samambaia. Quanto à matéria-prima, geralmente é comprada na mão de terceiros, o tirador de samambaia, que lhes fornece rodas de samambaia, medidas pelo abraço e por braçadas. Eles afirmam que algumas madeiras são nativas. Já o cipó eles conhecem o ciclo e o tempo para novas coletas, algumas espécies necessitam de até 8 meses para um novo corte. Creem também na possibilidade de cultivo do cipó, o que seria uma alternativa para a preservação e manutenção do fornecimento de matéria-prima para a crescente demanda. Uma alternativa encontrada pelos artesãos durante um período de escassez, para empregar menos cipó na trama, foi de entremear talas de

Os cacuás ainda são amplamente empregados no cotidiano das populações rurais no interior do estado da Bahia, cena de rua no município de Maragojipe e dupla de caçuás em cipó do município de Irará.

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Abaixo e ao lado: Roda de cipó empregada na secagem de peixes ao sol: Roda de xangó. Município de Santo Amaro da Purificação.

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dendê que possuem coloração mais clara que o cipó samambaia, o mais empregado na comunidade. Porém estudos devem ser feitos para se identificar e controlar as pragas que podem infestar a tala do dendê. O tráfego com fluxo intenso da BR 101 favorece a visualização dos produtos e pontos de venda, e atrai pessoas interessadas em admirar, comprar e encomendar produtos aos artesãos que, com criatividade e versatilidade, interpretam a demanda. Há pedido dos clientes e revendedores constantemente, sendo esta a principal razão de se criar novos produtos ou reelaborar os antigos com o objetivo de manter renovado o interesse dos compradores. Matéria Prima Cipós: Galhos e Talas: Outros:

Acabamento Equipamentos: Samambaia; Facão Verdadeiro; Faca Preto; Esmeril Paca; Serra Tico-Tico Vermelho; Serra de bancada Maracujá; Folha de Jaca Trinca-Trinca; Surra de Cavalo. Natural ou desbastado Inteiro ou dividido Paparaíba; Muanza; Tala de Dendê; Espécies variadas de agreste obtidas no pasto. Corda de Sisal; Compensado 4mm Tala de dendê Verniz

Delicados arranjos florais empregando o cipó ginete são a especialidade da Associação do Valentim-AVICA, formada em 2007 e contando atualmente com 11 artesãos, tendo como presidente a artesã Zenildes Silva. A associação é um bom exemplo do potencial econômico gerado pelo artesanato, pois o distrito do município de Boa Nova é uma referência estadual de produtos de qualidade. O começo da história do artesanato local remete ao cipó jacá com o qual se faziam as cestas para compras da feira, balaios para carregar mandioca, panacuns, utilizado no transporte de cargas em jegues e bois. Outro

Camboas são armadilhas para peixes montadas em regiões de variação de marés, empregam trançado de cordas e galhos roliços. Município de Maraú.

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Jequis e armadilhas para peixe em trançado de talas de palmeira e cipós, acervo do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Pelourinho, município de Salvador.

recurso muito empregado foi o ginete (gramínea encontrada somente no Sul da Bahia, que possui uma fibra curta e o torna ideal para peças pequenas e com detalhes, ainda em processo de identificação) com o qual os pequenos balaios se transformaram em ramalhetes de flores de finos detalhes e variações desenvolvidas em oficinas de design pela consultora Rebeca Simas em atividades promovidas pelo Instituto de Artesanato Visconde de Mauá através da Gerencia de Fomento. Com a escassez do ginete, encontrado em mata fechada, novas matérias-primas, a exemplo dos cipós imbé, trinca-trinca, timburana, imbé e verdadeiro foram experimentadas, sendo selecionados os cipós imbé e o verdadeiro. A ampliação do emprego do trançado de outros cipós foi, porém, o resultado da habilidade dos artesãos do Valentim, adquiridas com o domínio do trançado cruzado arqueado empregando o Ginete. Se no início as peças eram utilitárias, os artesãos do Valentim logo perceberam as muitas possibilidades e o valor agregado que o artesanato decorativo possibilitava. Segundo Anderson Dias, o Paulinho, professor municipal e apoiador do grupo, filho do artesão Salomino Dias, 66 anos, que produzia cestinhas com o ginete, a partir da parceria com o Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, em 2008, o grupo recebeu novo impulso. O órgão sensibilizou e orientou os artesãos para a necessidade de profissionalização. Um dos cursos promovidos pelo Instituto junto à AVICA foi o de Associativismo e Relações Interpessoais, o que viabilizou a estruturação e conhecimento dos procedimentos para comercialização dos produtos dos associados. Tradição antiga é também o trançado de cipó e taboca do município de Caém, no território do Piemonte da Diamantina, desenvolvido há pelo menos cinco gerações, de acordo com o depoimento das artesãs. As mulheres são a grande maioria dos participantes, contando por vezes com a ajuda masculina para a coleta de matéria-prima na mata. Trabalham individualmente ou em seus núcleos familiares em todas as etapas de produção e historicamente não existia nenhuma lembrança de trabalho coletivo entre os artesãos. D. Adelina Virgulina da Silva, 65 anos, a artesã mais antiga, conta que começou a fazer cestos e sair para vender quan-

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A tradição dos jequis ao longo do litoral baiano originou a produção de luminárias, o artesão se adapta a mudanças de mercado, luminárias das localidades de Trancoso, Arraial d´Ajuda e Porto Seguro, no município de Porto Seguro.

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do tinha 12 anos de idade. Nascida e criada na Fazenda Gravatá lembra que a família saía de casa cedo e levava quase o dia todo para chegar a Jacobina, cidade vizinha e centro de comercialização. Os balaios e cestos, peças mais procuradas pelos clientes, eram amarrados em fardos e pendurados no bico da cangalha, quando tinham animal de carga. A artesã conta ainda que apenas a família de D. Marcelina, que residia no Triângulo, confeccionava os produtos de cipó. Depois, outras pessoas do entorno começaram a produzir também, aumentando a concorrência e diminuindo, substancialmente, a disponibilidade de matéria-prima na redondeza. Poucas pessoas continuam a confeccionar peneiras com tala de palmeira do coco babaçu, porém subsiste a produção de outros produtos como cestos, balaios, caçuás, munzuás e jequis. Na localidade do Marcelo se faz pari, armadilha comprida para peixes de rio, empregando as tabocas mais grossas. Além dos artesãos das localidades do Triângulo e Gravatá há artesãs na Rua da Estação, na sede do município, também conhecida como Rua da Palha, pois as casas eram cobertas com este material. Para os grupos das localidades visitadas a atividade de cestaria apresenta as mesmas características desde a matériaprima até a confecção propriamente dita. O diferencial reside no fato de que as artesãs do Gravatá dependem diretamente do artesanato que produzem para o sustento, mantendo uma produção constante que é comercializada na feira de Jacobina. Os cestos e balaios, entre outros produtos, confeccionados nas localidades do Triângulo e Gravatá, como também na sede, utilizam como base para a produção a taboca (guadua weberbaweri), uma espécie de bambu ou gramínea. As principais reservas brasileiras estão concentradas na reserva Chico Mendes no estado do Acre. É uma fibra natural de grande resistência utilizada inclusive para a fabricação de móveis em algumas regiões. Em Caém a taboca é utilizada em conjunto com o cipó Caititu para a confecção da urdidura compondo a trama das paredes das peças a talas de taboca. A sua extração exige um conhecimento sobre o estado de maturação da planta e cuidados com os espinhos que normalmente machucam o indivíduo envolvido com a colheita. Poderia ser experimentado o emprego da tala de babaçu como matéria-prima em substituição à taboca, garantindo então sustentabilidade à produção.

Cestos da Coleção Jequi. Cipó raspado e tranças de palha de piaçava tingidas. Localidade da Cachoeira do Edgar, município de Esplanada.

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A palmeira do coco babaçu (denominação popular dada às palmeiras attalea breninhoensise e attalea pindobassu, endêmicas do estado da Bahia), como é conhecida na região, é abundante em algumas áreas do município de Caém, chegando a atingir entre 10 a 20 metros de altura. Suas folhas mantêm-se em posição retilínea, pouco se voltando em direção ao solo; orientando-se para o alto, o babaçu tem o céu como sentido, o que lhe dá uma aparência bastante altiva. Da folha do babaçu é aproveitado pelas artesãs apenas o talo


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central (pecíolo) para a confecção de peneiras, porém sua folhagem pode ser utilizada na cobertura de casas e seus cocos para a produção de óleo e artesanato. Reproduzimos aqui um exemplar confeccionado com tala de babaçu no município de Macaúbas, de finíssimo acabamento. Em Caém a taboca era encontrada em áreas vizinhas ou a pouco tempo de distância das localidades, mas já há escassez e a área de ocorrência é particular, nem sempre sendo franqueado o acesso às artesãs. Segundo informações prestadas pela artesã Rita Virgilina Rodrigues, houve, porém, extração indiscriminada por terceiros, o que foi responsável pelo desaparecimento da taboca, que após ter grandes áreas exploradas, não conseguiu se regenerar após a última seca prolongada. Os cipós podem ser encontrados eventualmente em lajes nas serras próximas do Gravatá; um maior volume depende de um longo tempo de caminhada e por vezes de animal de carga. O aumento significativo do número de artesãos e de propriedades rurais no entorno da comunidade tornou a matéria-prima escassa. As artesãs chegam a caminhar 13 km até a localidade conhecida como Giral, próximo ao município de Caldeirão Grande, para extrair matéria-prima. Para cumprir esse trajeto ainda com o sol frio, saem de casa por volta das 4 horas da manhã, para retornar no início da tarde. Neste momento é imprescindível o apoio de um animal para suportar o peso da carga por um longo período. Quando chegam da mata tanto o cipó quanto a taboca não podem ser deixados sob a incidência direta de sol nem de chuva, então são estocados dentro de casa.

Suplá e cestinha em fibra de piaçava trançada. A maleabilidade da fibra da piaçava permite também que seja trançada, localidade de Trancoso, município de Porto Seguro.

O tratamento da fibra da taboca para confecção de cestos é iniciado ainda na mata, quando a haste é dividida (lascada), geralmente, em quatro partes, descartando-se duas destas de onde foram desprendidos os galhos de folhas. Depois a tala é lascada em mais partes e a “barriga” (parte interna) é retirada, diminuindo assim sua espessura. Os aspectos dominantes dos cestos e balaios de Caém são sua coloração clara, graças ao emprego da taboca e do cipó de caititu raspados, e os entremeios vazados que são responsáveis pela rápida identificação de sua origem e foi também o elemento que norteou a artesã Laurinda na criação de sua bolsa inspirada nas cestas de feira, tradição que ela reinventou e domina. Uma série de capas em tecido de algodão também foi desenvolvida em oficinas, realizadas em parceria entre o SEBRAE e o Instituto Mauá e Prefeitura Municipal de Caém, aumentando a versatilidade do uso das cestas para decoração e serviço à mesa. Outra localidade onde o emprego de bambus como a taboca é a principal matéria-prima para a confecção de cestas e balaios é a Ilha de Maré, segunda maior ilha da Baía de Todos os Santos, território do município de Salvador, e que integra a Área de Proteção Ambiental da Baía de Todos os Santos. Na localidade de Praia Grande emprega-se a cana-

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brava, gramínea, espécie de bambu, que apresenta baixo consumo de energia e baixo custo de produção, além de ser um material renovável e ecológico. Pode ser encontrado em abundância especialmente em regiões tropicais e subtropicais. É um material potencialmente promissor que vem demonstrando grandes qualidades e variado emprego.

Pagina anterior: Os cestos e balaios produzidos na Ilha de Maré são amplamente empregados nas festas populares. Cesto de oferendas a Yemanjá na festa do dia dois de fevereiro. Praia do Rio Vermelho, município de Salvador.

A relação dos ilhéus com a mata é tão íntima quanto à do mar. O senhor Francisco, nascido e criado em Praia Grande e artesão, deu um interessante depoimento a Ayane de Souza Paiva, explicando a importância da mata para a população da ilha: “Dependem sim, uso pra comer o fruto pra se alimentar, pra artesanato, pra pescar, pra fazer o balaio, remo, tudo sai da mata, até pra pegar o marisco tem que usar a mata pra fazer canoa”. Depoimentos dos artesãos indicam o cuidado que tomam para a conservação do recurso: “Corta as partes da canabrava e já planta, esfinca no chão, debaixo da terra, aí com o tempo vai dando, aí dá outros filhos, aí vai espalhando pelos matos. A filiação – raiz – vai dando só mais e vai espalhando, isso aí qualquer terra, ela arromba a terra pra sair os filhos. A gente tira esses talos e deixa o olho pra poder crescer de novo. Se cortar o olho já era..., conta Sidnei, artesão, confeccionador de cestarias” O trabalho com trançados em Ilha de Maré, município de Salvador, é um conhecimento ao qual, os ilhéus podem recorrer quando precisam de um reforço em sua renda ou quando se desempregam. Os cestos confeccionados em Ilha de Maré, com a Canabrava, são leves e de tonalidade clara. Sua trama é mais aberta com os cestos que empregam cipó, que é usado tanto na urdidura quanto na trama de fechamento do corpo das peças e alças. A canabrava já não é mais facilmente encontrada na Ilha. Para obtê-la temse que atravessar a baía, pedir autorização aos militares da Base Naval, para poder iniciar a sua extração. Leva-se um dia inteiro para reunir material de trabalho para três semanas. O transporte da matéria-prima é feito no dia seguinte por barcos. O beneficiamento é feito desfiando-se as talas ao comprido para se obter as taliscas, processo que demanda mais um dia de trabalho. São processos exaustivos ao final dos quais o artesão descansa para iniciar o trançado das peças. Os principais mercados são a feira de São Joaquim, lojas de miudezas e artigos para artesanato, mas podem ser encontrados em feiras livres e centros de abastecimento por todo o estado graças ao seu baixo preço, grande produção e variedade de formas. As cestas e balaios são muitas vezes comprados para receberem decoração com fitas e babados para desempenhar funções como de cestas de café da manhã, cestas para enxoval de bebês entre outros usos no qual o comprador adiciona elementos de seu gosto estético, aviamentos muitas vezes oferecidos nas próprias lojas que comercializam as cestas. Há também balaios de maiores dimensões para roupa e outros de formas mais retas que são muito empregados em decoração de vitrines e eventos festivos. A mais nobre função desempenhada pelos cestos e balaios de Ilha de Maré é

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no dia 2 de fevereiro, na festa de Iemanjá, realizada no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, quando os balaios de Canabrava são os principais recipientes das oferendas a orixá. A localidade de Praia Grande é o principal reduto dos artesãos em trançado de canabrava, é também o maior dos nove povoados da ilha e junto a outros quatro são reconhecidos como comunidades quilombolas pela Fundação Palmares: Bananeiras, Ponta Grossa, Porto dos Cavalos e Martelo. São 900 hectares de território quilombola, quase metade da ilha (TOURINHO, 2011).

Pagina anterior: Vivaldo dos Santos, o Seu Vado e peças de sua autoria: Cestos com pés e alichotes, ninheiros que ganharam pés esculturais permitindo o seu uso diversificado. Município de Irará.

Para as mais diversas necessidades do campo o artesão do trançado foi requisitado a desempenhar seu papel para facilitar a trabalho do lavrador. Como frequentemente o artesão desempenhava as duas funções, atendeu com maestria ao chamado. Ao acondicionar os ovos da galinha, por exemplo, possibilitando para ela um confortável poleiro que protegeria os ovos da queda, é a função do ninheiro de galinha ou, como o nomina Vivaldo dos Santos, Seu Vado, de Irará, um alichote. O alichote é formado por uma forquilha de madeira escolhida com atenção por Seu Vado, na mata, tendo o cuidado de não prejudicar o desenvolvimento da planta. Ele emprega a jurema, e um cone de trançado de cipó, utilizando em seu trabalho uma infinidade de cipós: o cipó verdadeiro, o cipó timbó, trinca-trinca, imbé, caititu, vermelho, garajau, lagoinha. Seu Vado contribuiu na construção dos alichotes com o emprego de pés também em forquilha, acabando com a necessidade de se abrir um buraco no chão para sua instalação, ganhando o produto versatilidade e tendo o seu uso ampliado. Com o cipó timbó raspado ele confecciona peças mais delicadas como cestos com tampa e pãozeiras. Seu Vado aprendeu o oficio do trançado com o pai, Simão. Com a idade de 13 anos fez seu primeiro cesto. Com seu pai aprendeu também a arte da identificação dos cipós na mata, se eles estão no ponto de serem extraídos da mata alta, a mais certa para encontrar o melhor e mais longo cipó, a importância de se deixar o tronco do cipó para que este se regenere e respeitar a melhor época para seu corte que é depois da lua cheia. Do respeito à mata que seu pai lhe passou ele aprendeu a observa as abelhas nativas e exóticas, e criá-las em “cortiças” para a produção de mel. Sua predileção é pelo mel da jataí por suas propriedades terapêuticas. Seus instrumentos são simples facão e faca para cortar e raspar o cipó, macete e virador para auxiliar no acabamento das peças. Ensina que a armadilha de pesca jequi também é chamada de munzuá ou curute. E que caçuá, côfo e panacum também são sinônimos. Seu Vado também o produz, compartilhando os saberes com artesãos de diversas regiões do Estado, como Missão do Sahy, em Senhor do Bonfim, e José Dilson de Oliveira, do povoado de Serrania, em Euclides da Cunha. A feitura do caçuá se dá em duas etapas: inicialmente é confeccionado o trançado do tecido unindo duas estacas de cipó mais grosso ou um galho de madeira flexível; normalmente o artesão emprega o peso de seu corpo na tessitura do trançado; após, o tecido pronto, com o auxílio de laço de corda ou elástico obtido de câmara de pneus, ele o flexiona para então tecer as laterais. As laterais podem terminar com o círculo em volta completa, ou

Pagina seguinte: Artesão da localidade do Sucupió e um pouco da grande diversidade de modelos de móveis em tala de palmeira de dendê produzidos pela Associação de Artesãos de Coco, Dendê e Cipó do Município de Camaçari- ACDC. Município de Camaçari.

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em arco. Há também caçuás que são grandes balaios, com começo em asterisco, provido com alça lateral para fixação da cangalha (estrutura em madeira que é empregada sobre o lombo de animais para se fixarem cargas). É necessário que o artesão combine força e destreza para executar a operação. Na Cachoeira do Edgar, comunidade rural do município de Esplanada, integrante da zona turística da Costa dos Coqueiros, a cerca de 150 quilômetros de Salvador, os jequis e munzuás, armadilhas de pesca, formam a base para a criação de novas peças decorativas. As coloridas tranças de piaçava, obtidas pela técnica de trançado sarjado ou diagonal, empregadas normalmente na confecção de bolsas, foram tramadas junto à urdidura de cipó, reunindo os saberes da comunidade em torno de um só grupo de produtos e apontando novas oportunidades de mercado. O colorido das peças expressa a alegria que a comunidade emprega no samba de roda como atesta a artesã e liderança local Dona Maria de Oliveira, 66 anos, nascida na Cachoeira do Edgar: “Meu pai era lavrador, plantava mandioca, milho, arroz, feijão, batata, a mãe ajudava o pai. Foram sete irmãos. [...] Tive 13 filhos e 8 netos [...] A mãe tirava tucum, fazia chapéu, esteira e pintava com arariba, anilina, urucum para vender na Lagoa Redonda, no Sitio do Meio. Iam de animal, faziam carga, levava de 2 a 3 dias [...]15 dias para Alagoinhas. Com cera de uruçu fazia pavio, pau de musserengue [...]. Fugiu de casa para casar com o marido aos 19 anos.” A vida era dura, mas relembra: “Não precisavam de muito para fazer festa. Vamos dançar hoje? Juntava os parentes e vizinhos e passavam a noite. Alumiavam com candeeiro a gás”. E relembra um samba: “Eu vou pro samba, eu vou sambar Se o samba tiver bom, morena Eu vou te buscar. Na casa do rei dos peixes Vai ter banha de sardinha Meu amigo, camarada conhece. Que a voz é minha”.

A Fibra da palmeira da piaçava possui propriedades únicas entre as fibras naturais endêmicas da Bahia, joias em prata e fibra de piaçava de Gabriel Macedo. Município de Andaraí

O trançado cruzado arqueado com começo de asterisco tem sua mais singela aplicação no trabalho com a fibra de piaçava, palmeira nativa da qual há uma variedade (attalea funifera), endêmica da Bahia. Os artesãos do extremo sul prescindem do emprego de qualquer outra matéria-prima complementar para elaborar seus cestos como na localidade de Trancoso, em Porto Seguro, onde utilizam a fibra escura da piaçava para compor variados cestos e jogos de mesa, que têm sua origem na sangria das armadilhas de pesca e nos cestos de transportar mariscos. A piaçava é fibra resistente que não apodrece em conta-

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Abaixo e pagina seguinte: Flores em fibra de Ginete e palha de milho produzidas pela Associação dos Valentim. Localidade do Valentim, no município de Boa Nova.

to com a água, além de ser matéria-prima abundante na região e um recurso renovável amplamente empregado na cobertura de casas e quiosques. Os artesãos têm no mercado turístico sua grande clientela, tanto no fornecimento de produtos para decoração como luminárias, como utilitários para mesa: cestas, suplás e porta-guardanapos, como também dos visitantes que reconhecem nos produtos artesanais de piaçava a identidade local. O artesão mais antigo do povoado ainda em atividade é Seu Israel que, junto com seu filho Pila, mantém um ateliê na rua principal empregando considerável número de pessoas no ofício artesanal do trançado. Novos talentos como Genilson que criou a loja Cipó da Mata, Amilton dos Santos e sua esposa, Josenilda Seixas, a Jôsi, baseiam-se na tradição para elaborar novos produtos que são destinados ao mercado turístico. A aplicação do trançado cruzado arqueado pode servir também para a produção variada de móveis de grandes dimensões, esta arte é dominada pela Associação de Artesãos de Coco, Dendê e Cipó de Camaçari na localidade do Sucupió no município de Camaçari que reúne mais de 60 famílias de artesãos e possui um espaço de comercialização privilegiado às margens da estrada BA-099 - Estrada do Coco, principal acesso ao litoral norte do estado à famosa Costa dos Coqueiros Sua presidente Marlene Jordão explica que a atividade envolve famílias inteiras que se alternam nas atividades de produção que englobam da coleta da tala da palmeira do dendê à execução dos móveis que possuem estrutura em madeira. Apesar do trabalho árduo, mulheres se dedicam a atividade em igualdade com os homens. O produto de maior sucesso de vendas é o pufe - fabricado em dimensões variadas de acordo com o pedido do cliente - e estofado em tecido de cores vibrantes o

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que garante a atenção dos veículos que trafegam em direção às praias. Os móveis em tala de dendê da Associação do Sucupió estão presentes em grande parte dos empreendimentos turísticos instalados no litoral norte do estado contribuindo para a formação da identidade local. Já o povoado de Maracangalha, localizado a cerca de 60 km de Salvador é um distrito do município de São Sebastião do Passé e se desenvolveu em torno da Usina Cinco Rios, fundada em 1912, reunindo cerca de oito antigos engenhos de cana de açúcar, cujas terras iam das margens da Baia de Todos os Santos e ultrapassavam a atual BR 324. Em 1956, a localidade tornou-se célebre ao ser cantada por Dorival Caymmi na famosa música “Eu vou pra Maracangalha”. A taboa (typha domingensis), também conhecida na localidade como tabu, ocupava a área da antiga represa da Usina Cinco Rios e vista como praga e combatida através de constantes queimadas. O emprego da planta para produção artesanal foi uma alternativa que a Área de Proteção Ambiental Joanes/Ipitanga vislumbrou para o aproveitamento comercial da taboa, de modo que ela deixasse de ser queimada, causando danos ao meio ambiente e à saúde respiratória dos moradores. Em 2007, a partir da parceria entre Coelba, SEBRAE, Prefeitura de São Sebastião do Passé, Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, Superintendência de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Governo da Bahia, APA Joanes/Ipitanga, foram apoiadas as ações da Associação de Amigos e Moradores de Maracangalha- AMAM, iniciando-se oficinas de manejo ambiental para impedir o desmatamento e a extração incorreta da fibra de taboa na região. Foram executadas ações de beneficiamento da taboa com o reconhecimento da área de colheita e manuseio da fibra e seus trançados, gestão, capacitação de redes de associativismo e cooperação, entre outros. As etapas de desenvolvimento de produtos iniciaram-se pelo diagnóstico cultural e realidade socioeconômica, seguido de atividades participativas para definição das linhas de produtos a serem desenvolvidas e mercados a serem atendidos. Já em dezembro de 2008 ocorreu o lançamento da coleção Lindroamor, em referência a manifestação cultural local que consiste em reunir um grupo que através de danças e cantigas vai de casa em casa pedindo contribuição para a festa do santo padroeiro, com a exposição dos produtos; esteiras, bolsas, flores, cestos e colares para a comunidade. A atividade gera, desde então, emprego e renda e colabora para a dinamização da economia local, em decadência desde o fechamento da Usina em 1987.

Acima e pagina anterior: A palha da taboa antes somente utilizada para recheio de cangalha hoje é a principal matéria prima empregada pelas artesãs da Taboarte para confecção de bolsas e outros produtos, localidade de Maracangalha, município de São Sebastiao do Passé.

As artesãs que formaram a Associação Taboarte empregam diversas técnicas, inclusive a tecelagem da fibra da taboa, sendo a mais usada a da trança de três, costurada para a produção de bolsas e cestos. O produto mais famoso não poderia deixar de ser a bolsa Anália em analogia à música de Dorival

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Abaixo e pagina seguinte: A fibra da bananeira pode ser empregada na confecção de cordas e tranças que têm seu emprego definido de acordo com o seu uso: Os fios torcidos e cordas são ideais para confecção de estofamento de moveis e revestimento de mesas e bases de luminárias., já as tranças maiores são a melhor opção para a produção de pufes e cachepôs. Produtos da Cooperativa de Agricultores Familiares da Cabeceira do Rio, Coopafcar. Localidade de Cabeceira do Rio, município de Utinga.

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Caymmi: Eu vou para Maracangalha. A cidade de Brejões guarda ainda em seus casarões e sobrados muito dos tempos em que o café foi a grande força econômica, porém hoje, com as mudanças ambientais e climáticas e estiagens frequentes, a cultura do café foi muito reduzida. Em épocas de crise, que também podem ser consideradas épocas de oportunidades, o artesanato foi considerado uma alternativa viável dada à produção de bananas que geravam recursos não aproveitados e do desejo dos artesãos de desenvolverem suas habilidades, tendo como exemplo a artesã Helena que inventou e produz, com fibra da bananeira, simpáticas miniaturas de galeotas, nome local do carrinho de mão. Os produtos de Brejões empregam tanto a técnica do trançado cruzado arqueado quanto o quadriculado, com o qual iniciam o fundo das cestas.

Conjunto para mesa de escritório e miniatura de Galeota, carrinho de mão.

Estratégias de comercialização, como o desenvolvimento de embalagens, etiquetas, balaios, estantes e expositores foram o resultado das oficinas de capacitação em que os artesãos da Casa do Artesão de Brejões engajaram-se ativamente com o objetivo de criar alternativas para dinamizar as vendas e criar vínculos de parcerias com comerciantes das cidades vizinhas da região da Bacia do Jiquiriçá, como as cidades de Amargosa e Jaguaquara, onde o comércio é mais forte e há mais oportunidades.

Mesinha Brejinho, estrutura em vergalhão revestida em fibra de bananeira, casa do Artesão de Brejões. Município de Brejões.

A responsável técnica do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá pelas atividades de capacitação realizadas na Casa dos Artesãos de Brejões, Celeste Azevedo, aponta para o perfil empreendedor dos artesãos que criaram um diálogo também com outros artesãos: marceneiros, sapateiros e serralheiros

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para o desenvolvimento de novos produtos que, a partir das vocações regionais, atingissem um nível de excelência capaz de alcançar o mercado desejado por eles. Entre os novos produtos são destaque as mesinhas e criados mudos confeccionados em estrutura de metal e revestidos em trançado de fibra de bananeira. Assim como Brejões, em Utinga, município da Chapada Diamantina, produtores rurais hoje podem se considerar também artesãos. Com o intuito de gerar e disseminar o conhecimento técnico do beneficiamento da fibra da bananeira foram desenvolvidas oficinas no âmbito do Programa de Geração de Rendas Não Agrícolas, uma iniciativa da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola- EBDA, órgão ligado a Secretaria Estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária- SEAGRI junto à Cooperativa de Agricultores Familiares da Cabeceira do Rio, COOPAFCAR. Os artesãos da Cooperativa foram os capacitadores de doze turmas, durante cinco anos, para produtores rurais de diversos municípios do estado. As atividades de capacitação ocorreram no Centro de Formação de Agricultores

Lavadeira do Angari e Maria Bonita. Fibra de bananeira e colher de pau, caixas de palha de bananeira, associação Casa do Artesão de Juazeiro, município de Juazeiro. Acima: Figura feminina em palha de milho, Associação de Criadores de Abelhas de Lagoinha-ACRIAL. Município de Pindaí.

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Familiares do Território da Chapada Diamantina (CENTRAF), em Utinga. O coordenador do curso e gestor do CENTRAF, Camillo Leão, é um entusiasta da capacidade do artesanato relacionar diversos conhecimentos e habilidades, reunidos pelo pequeno produtor agrícola na lida do campo, o que o torna capaz de desenvolver produtos que encantam pelos aspectos utilitários e resistência, já que esta é a realidade do trabalhador do campo que tem que se cercar de objetos que desempenhem bem a função a que se destinam. O bom acabamento na criação, principalmente de móveis e objetos decorativos, mas também utilitários, são a marca da produção dos artesãos da COOPAFCAR. Os artesãos partem inicialmente do beneficiamento da fibra da bananeira obtido do pseudocaule da planta. O processo inicia com o corte do falso caule, que é em seguida destalado com as mãos e com o auxílio de uma faca, separando-se as cinco fibras de características distintas que podem ser aproveitadas. Os artesãos de Utinga preferem empregar a fibra na produção de tranças e fios torcidos, que irão posteriormente ser trançados ou unidos para formar a base dos produtos. Há entre os associados perfis diferentes de produção que empregam tranças de espessuras variadas. Marinalva Monteiro, que acompanhou o grupo pelo Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, destaca a iniciativa dos associados, que desenvolveram um blog na internet que vem obtendo bons resultados na divulgação dos produtos através das suas fichas técnicas, elaboradas como resultado das atividades de capacitação. A iniciativa deve servir de exemplo para que outros grupos empreguem as ferramentas da internet para divulgação de sua produção. A bananeira também é um importante insumo para os grupos de artesãos de São José da Vitória, onde a bananeira que era empregada para o sombreamento da plantação econômica (o cacau), ganhou maior importância com o aparecimento da vassoura de bruxa. O grupo Banana Atlântica ali produz principalmente luminárias de diversos modelos. Já em Bom Jesus da Lapa e Múquem do São Francisco, as mulheres do Forte do Formoso e Caminho de Santana produzem bolsas de fibra de bananeira e também com fibra de milho, assim como em Pindaí, onde o milho é empregado principalmente na confecção de caixas e bonecos. Guanambi é destaque na produção de delicadas flores de palha de milho. Em Juazeiro, a casa do artesão está introduzindo, também, a fibra da bananeira como alternativa ao artesanato urbano que utiliza tecido e aviamentos que, muitas vezes se tornam dispendiosos, contribuindo para diminuir a lucratividade. Por sua vez, as artesãs identificaram que a clientela valoriza mais os produtos em que são empregadas fibras naturais beneficiadas pelas próprias artesãs.

Artesãs da Associação dos Artesãos de Itiúba durante as atividades das oficinas de criatividade e organização da produção. Povoado de Várzea Formosa no município de Itiúba.

O Trançado Costurado Essa técnica, que emprega a agulha como ferramenta principal no auxílio da sua feitura, tem princípios em comum com a cerâmica (superposição de rolos em espiral) e com a costura. É produzida pelo envolvimento de um elemento passivo (urdidura) por outro ativo (trama). Distinguem-se os seguintes grupos:

Pagina anterior: Artesã costurando cesto em fibra de licuri. Localidade de Morada Velha, munícipio de Santa Brígida.

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Tradição Indígena do trançado: Motivos decorativos reunidos e identificados pelas artesãs durante atividade participativa promovida pelo Instituto Mauá. Município de Itiúba.

A tradição do trançado costurado em Itiúba possui um amplo vocabulário de formas e padrões que permitem variadas composições: Porta sachês em fibra de palmeira de Ariri, linha grade. Município de Itiúba.

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Padrões decorativos similares aos empregados pelas Artesãs de Itiúba foram registadas já no início do século XIX por Jean Baptiste Debret, suplá e costureira em fibra de palmeira de ariri, licuri e papel metalizado colorido. Localidade de Várzea Formosa, município de Itiúba.

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• Trançado costurado com falso nó: a trama flexível avança em espiral, envolvendo o feixe que compõe a urdidura; assim, se forma um capeamento que esconde, camada por camada, o suporte do trançado. • Trançado costurado com ponto de nó: a trama descreve uma figura-deoito, mas ao dar volta sobre si mesma, quando introduzida entre dois suportes, forma uma série de ligaduras mais ou menos aparentes. • Trançado costurado com ponto longo: ao invés de envolver camada por camada, o elemento da trama dá as duas voltas sobre a camada que esta enlaçando e, em seguida, uma mais longa, abrangendo esta e a precedente, deixando espaços abertas entre uma e outra malha. • Trançado costurado espacejado: aqui se procede como no caso de trançados costurados com falso nó, exceto que, ao invés de encostar uma malha na outra, deixa-se um espaço, fazendo coincidir longitudinalmente os pontos executados pela trama e deixando à mostra o rolo que serve de sustentação ao trabalho. (Ribeiro, Berta. Dicionário do Artesanato Indígena). A técnica do trançado costurado no estado da Bahia emprega principalmente as fibras das folhas das palmeiras do licuri, ariri, a fibra da palmeira da piaçava, mas também o capim dourado, a fibra do sisal e a fibra da palmeira catolé. As “rodias,” nome dado por artesãos de alguns grupos às voltas dadas que caracterizam o trançado. Podem ser alternadas por pontos diferentes, cores ou matérias matérias-primas diversas, tanto no material passivo quanto no elemento de costura que confere rigidez à trama. Desta forma é possível formar desenhos geométricos de grande impacto visual e que são explorados de forma diversa pelas comunidades, conferindo à sua produção identidades próprias. Cesto com tampa e fruteira. O trançado costurado aplicado a produtos de grandes dimensões. Município de São Gonçalo dos Campos.

Em São Gonçalo, município vizinho a Feira de Santana, encontramos o uso de grossos roletes de capim seco, em contraste com o emprego de outras matérias-primas usadas no trançado costurado, que em geral são reunidas em finas porções envolvidos por costura pela fibra de licuri o que confere a esta cestaria uma escala de produtos de dimensões maiores e mais vetustos. Em aquarelas do século XIX, o artista da missão francesa Jean Baptiste Debret, registra alguns artefatos com a técnica do trançado costurado de origem indígena, que foram incorporados ao cotidiano nos tempos de colônia e império. Nelas, é possível identificar elementos decorativos similares aos que caracterizam a cestaria do município de Itiúba. As cestarias em fibra de licuri (syagrus coronata) e ariri (syagrus vagans) de Itiúba são tradições desenvolvidas pelas mulheres na zona rural do município e foi objeto de análise de J. C. da Costa Pereira no seu estudo o “Artesanato e Arte Popular” (1957) - um texto pioneiro sobre o potencial econômico do artesanato baiano - que identificou a importância social da produção de trançados artesanais no município, e que envolvendo a população feminina na produção de cestas e bolsas alcançou uma quantidade tal, que extrapolou o mercado regional e estadual, enviando-se a produção e era enviada para outros Estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Costa Pereira identificou também, no emprego do papel laminado, a subsistência de padrões decorativos de origem indígena que originalmente eram reproduzidos pelo emprego de corantes naturais, assim como eram mostrados nas gravuras de Debret:

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TRANÇADOCosturado COSTURADO PASSO PASSO: Trançado Passo à ÀPasso PASSO 1

PASSO 2

Enfia-se na agulha a fibra que servirá de linha para unir o trançado em espiral

Dobra-se a ponta de um pequeno molho de fibras costurando para que fique rígida.

PASSO 3

PASSO 4

Costura-se em espiral as fibras lado a lado até que se alcance o tamanho desejado.

Adiciona-se mais fibras antes que as anteriores acabem para manter a espessura do “pavio”.

PASSO 5

PASSO 6

Para iniciar a lateral da peça vai se costurando os pavios uns sobre os outros ao invés de lado a lado.

Para finalizar a peça, passe-se a não adicionar mais fibras pra que pavio vá perdendo espessura

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Coleção Mesa Encantada, cores obtidas por corantes naturais desenvolvidos pelos próprios artesãos com a reunião dos saberes de suas comunidades, produtos em fibra de palmeira de licuri tingidas. Localidades do Araújo e Morada Velha, município de Santa Brígida.

Jogo de mesa em trançado costurado. Fibra de palmeira de licuri tingida e natural, detalhe em madeira de umburana reaproveitada. Localidade de Morada Velha, município de Santa Brígida.

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“Esta é mais uma sobrevivência da técnica indígena que deixamos para ressaltar aqui. Sabemos que na cestaria de nossos índios, a formação de desenhos sobre o trançado verifica-se sempre e era obtida de vários modos - quer pelo uso de fibras com tonalidades diferentes, quer pela pintura na superfície, aparecendo o preto, o vermelho e o amarelo como cores prediletas. Ora, parece-nos evidente que o emprego do papel colorido como elemento de decoração, representa justamente um substitutivo aqueles recursos indígenas, mormente quando se considera a notícia de que há algum tempo atrás as cestas de Itiúba eram pintadas com tinta ocre naquelas mesmas cores acima referidas. Neste ponto, cabe-nos outra vez citar a opinião abalizada de quem estudou o assunto também: nos objetos feitos com fibra de uricuzeiro e de outras palmeiras, o processo primitivo de criar desenhos no traçado, já foi abandonado em Itiúba e suplantado pelo uso do papel multicor, certamente por ser de emprego mais fácil” ( COSTA PEREIRA, 1956) Devemos considerar também o apelo estético que uma novidade como o papel metálico deve ter causado aos olhos de suas produtoras e clientes, representando um elemento de novidade renovadora e de modernidade. Em 2006, as cesteiras de Itiúba das localidades do Cercadinho e da Várzea Formosa, através de apoio do Instituto Mauá, reuniram-se para juntas trançar


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e tentar identificar os elementos formais, técnicos e estéticos que definiam sua produção. Nestes encontros foram identificados os elementos decorativos, sua nomenclatura e formas que formavam e constituíam a identidade de sua produção. Segundo Lêda Maria de Souza, técnica do Instituto de Artesanato Mauá que acompanhou o grupo no processo de sua organização. O emprego do papel metálico foi mantido como algo já consolidado e com o qual todas as artesãs se identificavam. Os conhecimentos técnicos foram então sistematizados e definidas linhas onde cada elemento pode ser valorizado de acordo com seu emprego recorrente, mas permitindo que expressões pessoais fossem possíveis e se somassem ao vocabulário compartilhado pelos grupos. Experiências foram efetuadas com a introdução de tecidos e corantes naturais, mas foi o papel laminado colorido que se perpetuou e até hoje define a produção local. Porta-joias e cestas para acessórios de costura estão entre seus principais produtos. Os produtores da localidade de Várzea Formosa organizaram-se em uma associação e sua produção é identificada pela coloração clara e uniforme do seu trançado, apurado acabamento e por empregar formas retangulares com perfeição, decoradas também com elementos em zigue-zagues vazados. As fibras do licuri e do ariri, para serem empregadas na técnica do trançado costurado, devem ser desfibradas. Artesãos mais antigos e de grupos indí-

A tradição do trançado em Santa Brígida reúne o trabalho de homens e mulheres, artesão Zé de Rita. Localidade de Morada Velha, município de Santa Brígida.

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genas mantêm a habilidade de desfibrar a folha com emprego somente das mãos, flexionando a folha até partir e puxando a fibra com os dedos até esta se separar do restante da folha, que é empregada como recheio do ponto aberto ou simplesmente descartado. Já os grupos onde a técnica foi disseminada mais recentemente, com a organização, o objeto empregado com mais frequência é o farracho, equipamento formado por uma lâmina de metal associada por um prego a uma base de madeira, que a permite girar próxima a sua borda e entre as quais é colocado o folíolo da folha da palmeira. O emprego do farracho, porém, foi se tornando mais disseminado e mais amplo pela maior produtividade que este proporciona ao artesão, ppor permitir que se desfibre mais de uma folha por vez. Para ao linho ou linha, como é chamado pelas artesãs, o fio que guiado pela agulha dá forma ao trançado, emprega a mesma fibra, que possui grande resistência à tração. Existem, porém, algumas artesãs que substituem na costura a fibra natural por material plástico industrializado, obtido pelo desfiar de sacos de transporte de grãos. Geralmente são empregadas quando a feitura do produto artesanal destinase ao o mercado local. A preocupação com o emprego de recursos renováveis, geração de renda e a valorização do conhecimento local foram os ingredientes de disseminação da técnica do trançado costurado nos munícipios de Jeremoabo, Santa Brígida e Euclides da Cunha, empregando a fibra do licuri como principal matériaprima, mas tendo como destaque um pequeno pássaro de madeira de umburana (bursera leptophloeos) representando o Galo de Campina ou Cardeal, pássaro ameaçado pelo constante tráfico de animais no semiárido baiano. Arara Azul, símbolo do uso das fibras da palmeira do licuri no sertão baiano e sua reprodução em madeira entalhada por artesãos de Santa Brígida. Localidade de Morada Velha, município de Santa Brígida. Artesã iniciando um cesto com a fibra da palmeira do licuri, em seus quintais a arara azul de Lear se alimenta com os coquinhos do licuri. Localidade Serra Branca, município de Euclides da Cunha.

A Associação de artesãos de Santa Brígida, a partir de seu núcleo principal na fazenda Morada Velha, associou e reuniu os saberes do trançado de origem indígena aos do entalhe em madeira, aproximando reunindo artesãos destas diferentes tipologias em torno de uma produção organizada, com objetivos e impactar positivamente a vida de seus integrantes. Hoje, doze anos após o Projeto Xingó (iniciativa dos parceiros SEBRAE, CHESF, Instituto Mauá, IBAMA, CODEVASF e Banco do Nordeste) ter estimulado os lavradores a dedicar seu tempo a desenvolver suas habilidades no trançado, – já conhecido, mas que ocupava um espaço pequeno em suas vidas – são claros os benefícios e os desdobramentos na região. Destaca-se, nesta experiência, a preocupação com o reconhecimento do engajamento dos artesãos como agentes no cotidiano de preservação ambiental, na conservação das palmeiras de Licuri e das árvores de Umburana. A renovação da produção dos grupos foi identificada pelos artesãos e a partir de oficina participativa de design, foi possível, então, incorporar os saberes locais sobre a flora da caatinga no emprego de corantes naturais, como a vagem do pau ferro, o fruto do jenipapo do mato e pau de besouro, aos quais se reuniram quase duas dezenas de plantas que são empregadas no tingimento das fibras por fervura em água. Artesãs da localidade do Araújo, em Santa Brígida, desenvolveram, a partir do tingimento, produtos para nichos específicos de mercado revelando a versatilidade dos conhecimentos reunidos pelos artesãos. A Associação dos Artesãos de Santa Brígida sempre teve nas figuras dos artesãos Jose Valdo e Zé de Rita, multiplicadores que dão continuidade à missão

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do grupo de compartilhar os saberes para a sustentabilidade da atividade na região. Segundo a bióloga Simone Tenório, da Fundação Loro Parque no Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear, por exemplo, destaca que: “Em 2008 e 2009, a fundação Loro Parque, em parceria com a SAVE Brasil e o Instituto Arara-azul, iniciou a implantação de um Programa de Geração de Renda para as comunidades, no povoado de Serra Branca, em Euclides da Cunha, com os objetivos de envolver e capacitar a comunidade nas ações de geração de renda, na autogestão dos seus processos produtivos e de cidadania, promovendo parceria de comunidades produtoras de artesanato na região de ocorrência da espécie anodorynchus leari. Lavradores do povoado de Serra Branca em Euclides da Cunha foram capacitados por artesãos de Santa Brígida”. (TENÓRIO, 2012) Coube ao Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, com apoio da prefeitura municipal de Euclides da Cunha, promover e capacitar, em oficinas de artesanato e design, os artesãos de Serra Branca. Nesta ocasião foi incorporada a figura em madeira da Arara Azul de Lear (anodorynchus leari), espécie em perigo de extinção que ocorre apenas no sertão baiano, na região do Raso da Catarina, habitando áreas em nove municípios de Paulo Afonso a Sento Sé. A Arara Azul de Lear se alimenta dos coquinhos da palmeira do Licuri, cujas espécies de palmeiras vêm se reduzindo pela agricultura e pecuária. Assim os saberes reunidos pelos artesãos de Santa Brígida junto aos artesãos de Jeremoabo foram enriquecidos com a parceria em projetos e programas de preservação ambiental, consolidando as bases construídas a partir da reunião dos saberes populares e eruditos. Para a regulamentação da atividade do artesão na coleta de palhas novas do

Bolsas da Coleção Encantada. Fibras de palmeira de licuri tingidas com corantes naturais, madeira de umburana reaproveitada e tecido. Localidade de Morada Velha, município de Santa Brígida.

Porta joias em ponto aberto do trançado costurado e cesto com tampa três em um, fibra de palmeira de licuri tingida e natural. A tradição do município de Santa Brigida compartilhada com a localidade de Serra Branca, no município de Euclides da Cunha.

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licurizeiro, ainda segundo Simone Tenório: “a criação de reservas extrativistas manejadas evitaria que faltasse esse importante recurso alimentar para a arara-azul-de-lear. Para mitigar os efeitos da criação desta zona de exclusão para utilização dos frutos de licuri nas áreas de ocorrência das araras, devem ser criadas contrapartidas viáveis e compensatórias. é importante que seja incentivada a produção de artesanato a partir da palha do licuri e dos coquinhos que já foram consumidos pelas araras, foi realizado um estudo de manejo pela Semear Brasil, que indicou ser sustentável a extração das folhas, não acarretando nenhum problema ao desenvolvimento da planta. A planta deve ser adulta em idade reprodutiva, retirando-se até duas folhas verdes (broto) e o intervalo mínimo entre as colheitas deve ser de 90 dias. Cada planta rende em média 0,3 kg”. Já o catolé (attalea barreirensis, glassman), palmeira endêmica da região do cerrado do nordeste de Goiás, sudoeste de Tocantins e oeste baiano é empregado na comunidade de Ponte do Mateus, no município de São Desidério. Os artesãos de Ponte do Mateus empregam a fibra do catolé na produção de bolsa e objetos de decoração utilizando a técnica do trançado costurado. Também outra notável matéria-prima do cerrado, o capim dourado (syngonanthus nitens ruhland), conhecido na região como Capim Cabeçudo, que ganhou notoriedade pela produção da região do Jalapão no estado do Tocantins, é encontrado também nos municípios de São Desiderio e Luís Eduardo Magalhães. O fio empregado na costura é o buriti, empregado também na tecelagem de redes, esteiras e balaios. O capim dourado cresce nas regiões de várzea, sujeitas às cheias sazonais que trazem fertilidades às áreas próximas aos córregos sombreados pelas palmeiras de buritis. A produção baiana do trançado de capim dourado procura se diferenciar da produção dos estados vizinhos pelo emprego maior da fibra do buriti, explorando o contraste de texturas e cores que o encontro das fibras de tonalidades diferentes proporciona. Esta decisão também confere um uso balanceado de um recurso natural menos abundante, por outro de maior oferta no meio ambiente. O contraste entre cores e materiais é a principal característica do trançado costurado empregando a piaçava da Bahia (attalea speciosa) e a palha da costa, (attalea speciosa), da qual também se aproveita os folíolos para a produção de trançados sarjados pelas artesãs da Costa dos Coqueiros, no litoral norte do Estado, e a palha da costa. A fibra da piaçava é tradicionalmente muito empregada na produção de vassouras e, por pescadores, na confecção da sangria da armadilha para peixes.

Preciosidade do cerrado; Vaso e porta copo em capim dourado, conhecido no oeste baiano como capim cabeçudo. Município de Luís Eduardo Magalhães.

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Na costura da fibra da piaçava com a palha da costa busca-se, além da firmeza no trançado, o seu resultado estético na composição de figuras geométricas, pela adição de pontos com maior ou menor aproximação, gerando contraste entre a coloração da palha da costa e da fibra de piaçava. Sua produção iniciou-se provavelmente, segundo Gildete Santiago, em Salvador, em meados do século passado, reunindo elementos da tradição artesanal afro-brasileira e indígena. A palmeira da piaçava endêmica da Bahia tem ampla aplicação no estado, que vai da cobertura de quiosques através de unidades, chamadas de pentes, à produção de peças artesanais com o emprego dos folíolos (folhas) e


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O trançado costurado empregado em diversas fibras: Bolsa colorida em fibra de palmeira catolé, Bolsas e cesta em ponto aberto em fibra de palmeira de Licuri e bolsa de círculos de recheio da haste do coco da baia. Municípios de São Desidério, Iaçú, Itaberaba e Luis Eduardo Magalhães.

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vassouras. Seu cultivo se constitui de grande importância para economia de diversos municípios do recôncavo baiano e baixo sul do Estado. A palha da costa correspondia originalmente à fibra de uma palmeira africana da costa ocidental da África, empregada no candomblé na composição de diversos objetos para o corpo, como o contra-egum e na a roupa do Mariô de Ogum. Hoje a palha da costa é adquirida por artesãos principalmente na feira de São Joaquim, em Salvador, e pode designar a fibra de diversas palmeiras do norte-nordeste do país, como o buriti e a jupati (raphia vinifera). O trançado costurado da piaçava foi difundido em cursos de artesanato não só como gerador de renda, mas também como terapia ocupacional, tendo ampla difusão na capital, Salvador sendo desenvolvida pelos detentos do presídio Lemos de Brito. A artesã Marilene Mucugê, de Salvador, instrutora do Instituto Mauá, foi uma das responsáveis pela disseminação da técnica para outras regiões do baixo sul e extremo sul do estado, onde a palmeira da piaçava abundante transformou-se em matéria-prima para a geração de renda através do artesanato, aliando a preservação da mata atlântica à exploração sustentável de seus recursos naturais por comunidades tradicionais como a de Jatimane, comunidade quilombola do município de Nilo Peçanha, que desenvolveu a sua produção de cestaria com o emprego da técnica do trançado costurado. Artesãos das comunidades quilombolas de Jatimane e São Francisco, em Nilo Peçanha e Lagoa Santa, município de Ituberá, integram a Casa Cultural da Floresta – CCF, uma iniciativa da atuação do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia – IDES.

Pagina anterior: Artesã da comunidade quilombola do Jatimane durante o processo do trançado costurado empregando a fibra da piaçava e palha da costa. Município de Nilo Peçanha.

A estética afro-brasileira do trançado costurado com a piaçava e a palha da costa reúne saberes oriundos dos três continentes, produtos da comunidade Quilombola do Jatimane e da Artesã Marilene Mucugê. Municípios e Nilo Peçanha e Salvador.

Outros municípios como Valença, Igrapiuna e Cachoeira possuem artesãos que se dedicam à atividade em diferentes formas de organização produtiva. No extremo sul no território da costa do descobrimento, mulheres da comunidade de Ponto Central, município de Santa Cruz de Cabrália, também foram capacitadas na produção de cestaria empregando a técnica do trançado costurado de piaçava e de palha da costa, tendo como desafio a construção de uma identidade a partir da técnica que já se caracteriza como uma tradição da capital, Recôncavo e Baixo Sul. Espera-se que novos elementos devam ser esperados e somem-se aos já difundidos nas outras regiões, que darão forma a uma nova tradição ao incorporar, através da criatividade e trabalho, a identidade dos artesãos das diferentes regiões. Intercâmbios entre comunidades para aproveitamento do potencial criativo de populações com o emprego de matérias-primas locais e sustentáveis, assim como da renovação da produção de comunidades já estabelecidas, foram caminhos trilhados pelas artesãs de Saubara, Iaçu, Ibiquera e Itaberaba que compartilharam saberes técnicos do trançado costurado empregando o ponto aberto ou espacejado com a fibra do licuri. Saubara é também um tradicional polo de produção de trançado sarjado para composição de esteiras, bocapios e chapéus. Incorporou o ponto espacejado como estratégia de para renovar sua produção, obtendo boa receptividade e aumentando o leque de técnicas na composição de novos produtos, aliados aos antigos, que continuam a ser produzidos. Artesãs do município de Iaçu através da Associação Palha Viva, no município

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de Iaçu, através de capacitações de artesãos provenientes de Saubara, conseguiram desenvolver uma produção baseada no ponto espacejado, garantindo um diferencial no mercado regional, onde a produção dos trançados sarjado configurava pelo baixo e menos valorizado valor percebido pelo mercado, resultando em baixa remuneração. Seu sucesso levou as Comunidades de Ibiquera e Itaberaba a empregarem o trançado espacejado de fibra de licuri, desenvolvendo cada uma delas diferentes formas de apropriação da técnica, criando uma estética própria.

Emprega-se mãos e pés na produção da cestaria costurada. Cooperafis, município de Valente.

Em Valente, a Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão - COOPERAFIS, incorporou à diversas outras técnicas de trançado o trançado costurado. Criada a partir do Movimento Artesanal Fibras do Sertão, a COOPERAFIS surgiu no âmbito das atividades da Associação dos Pequenos Produtores do Estado da Bahia - APAEB, visando retirar o papel desempenhado pelos atravessadores e assegurar a permanência dos sertanejos na região a partir da afirmação: “O sertão tem tudo que se precisa. Se faltar a gente inventa”. O sisal, a principal cultura da região e que nomeia o território em que se encontra a sua sede, sediado no município de Valente, era empregado em artigos artesanais de pouca projeção e sem o reconhecimento de ofício capaz de gerar renda. Seguindo o fluxo afetivo das memórias das artesãs, inspiradas nas suas lembranças de criança, antigas trabalhadoras de frentes contra as secas, lavradoras que à base da enxada abriam aguadas, reservatórios de água, iniciaram-se na produção artesanal empregando o trançado costurado, ali também chamado de cestaria costurada, tecida com agulha.

Bolsa em fibra tingida do olho do sisal, Dona Cristina, artesã mestre da região do sisal. Município de Conceição do Coité.

Pagina seguinte e abaixo: Coleção Caatinga Valente, descansos de mesa inspirados na fauna e flora local e cestas em fibra de sisal natural e tingido. Município de Valente.

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Assim como o licuri e o ariri, o sisal (agave sisalana) precisa ser beneficiado. Para isto, no entanto, não se emprega mais o farracho e sim o motor a diesel, que durante muitos anos foi causa de mutilações dos operadores por não possuir um sistema eficiente de segurança. Capacitações do Programa Artesanato Solidário, que apoiou a formação do grupo junto ao Instituto Mauá, em 2001, visando o emprego de corantes naturais da caatinga - foram experiências pioneiras na discussão sobre o uso sustentável dos recursos naturais e de tecnologias sociais. Reunindo 103 associadas em nove localidades, a COOPERAFIS possui cerca de 35 artesãs dedicadas ao trançado costurado. Grupo pioneiro no trabalho na inserção de design na organização do processo artesanal e concepção de coleções, a cooperativa renova regularmente sua produção mantendo sua identidade. A COOPERAFIS desempenha também importante papel cultural na articulação regional, propondo e executando projetos para o desenvolvimento e aprimoramento da atividade artesanal da região.


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

Tradução

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A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Español

English

Secretaría del Trabajo, Empleo, Renta y Deporte del Estado de Bahía La Secretaría del Trabajo, Empleo, Renta y Deporte del Estado de Bahía viene buscando, en todas sus acciones, promover mecanismos de valorización social del trabajo y la construcción de la ciudadanía. Por lo tanto, intenta siempre ofrecer oportunidades para la inclusión de los ciudadanos de Bahía en las políticas de generación de ingresos, específicamente relacionadas con las actividades tradicionalmente llamadas artesanas. La atención de la Secretaría se centra en la mejora de la producción artesanal para garantizar productos originales asociados a las tradiciones de Bahía, revelando de esa forma la calidad de los productos y la condiciones privilegiadas de comercialización. También apoya programas dirigidos a la innovación y mejoría de la producción artesanal contemporánea, incluso posibilitando la publicación de editoriales con datos actualizados acerca de diferentes aspectos de la producción, investigación, documentación y catalogación, con registros documentales de las tipologías y técnicas artesanales. Gracias al libro Hilos y Fibras: Imbiras, Bitús y Caçoás, proporcionamos a los lectores en general, y particularmente a las comunidades vinculadas a este segmento - artesanos, consumidores, investigadores, parceros y empleados del Instituto Mauá - una alternativa adicional con el fin de estimular la búsqueda de entendimiento de lo que realmente ocurre en relación a esta actividad en diferentes regiones de Bahía. El objetivo principal de esta publicación es preservar la memoria de la artesanía y dar visibilidad a través de fotografías que ilustran sus formas, valores y expresiones significativas y del registro del patrimonio existente en los diferentes lugares donde se practica esta actividad. El principal objetivo de acciones como esta es estimular cada vez más la artesanía de nuestro estado y garantizar procedimientos que aseguren a lo artesanos de Bahía mejores condiciones de vida, haciéndoles aún más ciudadanos. Nilton Vasconcelos

BUREAU OF LABOR, EMPLOYMENT, INCOME, AND SPORTS FROM THE STATE OF BAHIA The Bureau of Labor, Employment, Income, and Sports from the State of Bahia , Brazil, has been seeking to promote social valorization mechanisms of work and construction of citizenship. Therefore, the Bureau has always been looking for opportunities to include Bahia citizens into income generation policies, especially into activities that are traditionally known as handicraft. The Bureau turns its attention to handicraft manufacture improvement in order to ensure the production of original goods associated to Bahia’s traditions; with that, the Bureau reveals high quality and privileged commercialization conditions. The Bureau also supports programs that are driven to the innovation and improvement of contemporary handicraft production, including editorial publications with up-to-date information about different production aspects, studies, researches, documentation, and catalogues, with documentary records of types and handicraft techniques. In the book entitled “Yarns and Fibers: Imbiras, Bitús & Caçoás – Spinning, Weaving and Handicraft Braiding in Bahia”, we offer to the readers in general, and particularly to the communities that are related to this area of expertise – artisans, customers, researchers, partners, and collaborators of Mauá Institute -, an additional alternative to instrument their interest of understanding what is going on with the handicraft activity over several different areas in Bahia. This publication aims at preserving the memory of handicraft and provides it with visibility through a photographic exhibition of its shapes, values, and significant expressions, in parallel with the record of cultural heritage that exists throughout different locations where the handicraft activity is developed. The main objective of actions like this one is to make the handicraft in Bahia, even more dynamic, and ensure the application of mechanisms that provide to the artisans from Bahia better conditions of life, and constantly increasing their sense of citizenship. Nilton Vasconcelos

Secretario del Trabajo, Empleo, Renta y Deporte

Instituto Mauá Hilar, tejer y trenzar ... Este libro revela de manera simple y a la vez compleja el arte de la artesanía aquí representada por el trenzado y la tejeduría. Son las dos corrientes y técnicas artesanales más representativas en Bahía, y el cuidado en la extracción de las materias primas son cruciales para la perpetuación de la actividad artesanal, presente en prácticamente todos los territorios que componen la identidad cultural de Bahía. Los registros presentes el libro de técnicas artesanales tradicionales consolidan una forma de hacer artesana que en algunos municipios pueden estar en proceso de extinción. La actividad artesanal de la provincia viene creciendo año tras año, reforzada por acciones destinadas a preservar la memoria, el rescate de la cultura local, la promoción de la actividad mediante la calificación del artesano y el apoyo a la comercialización. Al hojear este libro - Hilos y Fibras: Imbiras, Bitús y Caçoás - El Hilado, la Tejeduría y el Trenzado Artesanal de Bahía” podrás tener una referencia de estos procesos artesanales. Un libro que seguramente contribuirá a dar a conocer a los artesanos, instructores, artistas, diseñadores y personas involucradas en el sector artesanal del Estado de Bahía. Además de un pasado rico en tradición, también se tendrá el futuro de un pueblo a través del mantenimiento de su actividad y de la preservación de la cultura. Para finalizar, el Instituto Mauá da las gracias a todos los que de alguna manera contribuyeron con su conocimiento a la producción de este libro que registra las experiencias de una forma de hacer artesana, tan rica y diversa. Emília Costa de Almeida Directora General del Instituto Mauá

Instituto Mauá Fiel a la misión de preservar y promocionar el artesano y la artesanía de Bahía, el Instituto de la Artesanía Visconde de Mauá - autarquía de la Secretaría del Trabajo, Empleo, Renta y Deporte – sigue desde hace 75 años, fiel a su esencia filosófica, valorando la importancia de este patrimonio. En el ámbito de la artesanía de Bahía, certificamos la relevancia de las publicaciones que pueden proporcionar al grande público local y nacional la oportunidad de experimentar la cultura de las diversas regiones y ampliar el conocimiento de los orígenes de las actividades de hilado, tejeduría y trenzado en todo el Estado. Este libro es una mínima parte de la gran extensión de nuestro estado y de nuestro inmenso potencial creativo, presentando las actividades de nuestros artesanos que, a través de sus productos artesanales, traducen simbologías específicas de cada región. El arte de la hilatura artesanal en Bahía, cuya materia prima es el sisal, el licuri, el algodón, el caroá, entre otros, resulta en el oficio de tejedor, que va de generación en generación, y perdura hasta nuestros días, incluso con la facilidad de la adquisición de hilos industriales listos. En este universo de la artesanía, donde este arte secular se mantiene vivo, se destaca el trenzado que retrata historias y lecciones de vida, preservando los conocimientos de sus antepasados. Reunir en una misma publicación informaciones, testimonios e imágenes es sin duda una garantía de preservación de las costumbres y el conocimiento de nuestro pueblo, y una gran oportunidad de inmortalizar el conocimiento transmitido de generación en generación. Es también misión de la Secretaría del Trabajo, Empleo y Renta, garantizar que la artesanía sea una actividad económica que represente una fuente de ingresos y sea un oficio decente. Reconocer la legitimidad de este arte es también la manera de asegurar su continuidad, proporcionando una mayor dignidad y calidad de vida a quienes se dedican a este trabajo. Para finalizar, de parte del Instituto Mauá les damos las gracias a todos los colaboradores que hacen que el apoyo a la artesanía de Bahía sea una intervención multifacética, donde ganan los artesanos, ganan las comunidades, ganan las identidades culturales locales y regionales, generando el crecimiento de todas y cada una de las distintas “Bahías”, todavía tan desiguales. Elias Nunes Dourado Director General del Instituto Mauá (periodo de 01.02.2013 a 04.04.2014)

El trenzado tejido en la cultura de Bahía Sin duda, la relación del hombre con su entorno determina los usos e interpretaciones de los

Secretary of Labor, Employment, Income and Sports

INSTITUTE OF ARTISANS VISCONDE DE MAUÁ Spin, Weave, and Braid... This book reveals the simple, and yet complex art of handicraft expertise that is represented here by the processes of braiding and weaving. There are three types and techniques of handicraft that are highly represented in Bahia, and the careful manners to extract the raw material are essential to perpetuate the handicraft activity, which is present in almost every identity territory from Bahia. The records in the book of traditional handicraft techniques consolidate the artisans’ activity that can be starting its extinction process in some cities and villages. The handicraft activity has been increasingly growing within the state of Bahia every year, strengthened by the implementation of activities that are committed to preserve the memory, recover the local culture, foment the activity by qualifying the artisans, and support trading activities. By going through the pages of this book – “Yarns and Fibers: Imbiras, Bitús & Caçoás – Spinning, Weaving and Handicraft Braiding in Bahia”, you will be able to see a reference of the handicraft process that will certainly contribute to improve the expertise level of artisans, instructors, plastic artists, decorators and people who are interested in details about this handicraft area in the state of Bahia. In a past history that is rich in traditions also lays the future of a people through the maintenance of their activities and the preservation of their culture aspects. And last, but not least, Mauá Institute would like to thank everyone who contributed somehow, with their expertise, to the production of this book, which brings a diverse and rich record of experiences related to handicraft activities. Emília Costa de Almeida General Director of Mauá Institutte

INSTITUTE OF ARTISANS VISCONDE DE MAUÁ Devoted to the mission of preserving and promoting the artisans and the handicraft art in Bahia, Institute of Artisans Visconde de Mauá – an autarchy from the Bureau of Labor, Employment, Income, and Sports – has been loyal to its main philosophy for 75 years, recognizing the real value of this cultural heritage. Regarding specifically the handicraft art in Bahia, we acknowledge the importance of publications that are able to provide to both local and the national general public, the opportunity of getting to know the cultural aspects of several locations and improve their knowledge about the origins of the spinning, weaving, and braiding activities all over the state. This book represents a small part out of the great extension of Bahia’s territory, as well as the state’s huge gathering of traditional art. It presents the activities of Bahia’s artisans who use the handicraft products to translate the symbols that are specific to each region of the State. The art of handicraft spinning in Bahia, whose raw materials are sisal, licuri, cotton, caroá, among others, and which results in occupations such as weaving, which passes through generations and lives on until current days, despite the easiness of getting industrial yarns. This handicraft universe keeps this secular art alive on places where we have the art of weaving picturing stories and life lessons that preserve the knowledge of their ancestors. Gathering information, testimonies, and images in the same publication definitely ensures the preservation of costumes and expertise of Bahia’s people, which brings the real possibility of immortalizing the knowledge that is passed through generations. As we represent the Bureau of Labor, Employment, Income, and Sports, our mission is also to ensure that the handicraft keep on being an economic activity that distributes income and leads to appropriate work conditions. By recognizing the handicraft legitimacy, we also ensure its continuity and provide more dignity and quality of life to those who dedicate their lives to this art. Eventually, we would like to include a thankful note from Mauá Institute to our partners who transform their support to Bahia’s handicraft art into a multifaceted intervention where they can get the artisans, their communities, their local and regional cultural identities to enlarge each and every one of those faces of the same territory, which are so differentiated and yet so uneven. Elias Nunes Dourado General Director of Mauá Institute from February 01, 2013 to April 04, 2014

THE BRAIDING WOVEN IN BAHIA’S CULTURE The relationship between men and their environment naturally guides the usages and interpretations over the raw materials that are chosen to apply the techniques that interpret and show the possibilities to testify their sense of belonging to a territory and to a culture. The “gathering” of raw material from nature, the selection process of such material, and everything that is

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

materiales elegidos para el desarrollo de las técnicas que interpretan y enseñan las posibilidades de atestar la pertenencia a un territorio y una cultura. La extracción de la materia prima en la naturaleza, el proceso de selección de estos materiales, y todo los que está integrado en cada momento, gesto, percepción y sensación de lo que se está seleccionado está lleno de significados y sentimientos que caracterizan el trabajo artesanal. Es un trabajo que es esencialmente hecho a mano, y/o con instrumentos que están diseñados para ampliar las posibilidades del propio cuerpo, creando un diálogo entre el hombre y la naturaleza. Todo siempre se experimenta y justifica en las memorias colectivas, en grupos étnicos, grupos sociales, en las familias, en las comunidades, por los autores que se muestran a través de una marca personal y una firma estética. En estos reconocimientos de técnicas se revelan formas de transformar e interpretar la tradición. La tradición de un modelo, de un tipo de objeto producido mediante la ejecución de un conjunto de técnicas, siempre integradas en el contexto social y económico, y a las características de cada artesano. Pues es a través del dominio del hacer , de la repetición de un modelo, de la utilidad y el significado simbólico que el objeto gana identidad. Hay una comprensión a la valoración de la artesanía como un bien cultural. Esta comprensión también engloba los espacios sociales del trabajo, del empleo y del mercado de consumo. La producción artesanal es un trabajo ordenado por el género y la jerarquía, lo que evidencia el artesano o maestro de la artesanía, y el aprendiz. Y así, cada sistema de producción tiene sus reglas, principios éticos y morales, y funcionales, para construir lo que se puede entender como “arte”, el arte del artesano. Cada objeto tiene un sentido peculiar dentro de la producción artesanal. Objetos en serie y no seriados dan fe de estilos y tendencias de función, de uso y de representación, por lo que estos significados agregan valor a lo que es propio y único. En estos complejos escenarios sociales de la artesanía, ahora se direcciona la mirada hacía la artesanía de Bahía. Una producción que revela inicialmente el multiculturalismo y el pluralismo étnico que están presentes en la expresión creativa de la artesanía tradicional. Este arte tiene sus propias formas de reinventar a sí misma de una manera que se adapte a los mercados locales, y otros mercados que consumen objetos artesanales. Con énfasis en la producción de artesanías en fibras vegetales, y diferentes hilos que hacen las técnicas de trenzado y tejido. Son muchos los objetos que ya están integrados en la vida de las sociedades, ya sea en la vida diaria o en las fiestas, y/o apoyando a la realización de otros oficios, lo que revela que el conocimiento La matrices étnicas de las civilizaciones nativas, la colonización oficial lusitana, globalizada por sus encuentros comerciales entre Occidente y Oriente, con muchos pueblos africanos, además de otras inmigraciones, mezclándose con este rico y diverso acervo de temas, formas, técnicas y tipos de objetos reconocidos como peculiar de Bahía. El trenzado, el hilado; la tejeduría en tipos de telares verticales y horizontales; y las habilidades de cada artesano, traen un largo y emocionante testimonio de los objetos que se utilizan para cocinar, para la pesca, la agricultura, el transporte, para la casa, por ejemplo, las hamacas de dormir; los utilitarios convencionales: cestos, canastas, tamices, abanicos, esterillas; todos revelan esta Bahía tan bien trenzada y tejida por las manos de la propia Bahía. Tantos y tan variados son los testimonios del invento “baiano” reunidos en este libro que agrega valor y respeto a los autores, los artesanos, que muestran a cada objeto un texto visual de la técnica, la estética, la forma, el color, la textura y el uso, que singularizan un pueblo, el pueblo de Bahía. Raul Lody Antropologo

Introducción “...cada tierra tiene su uso, cada rueca tiene su huso”. Dicho Popular Los nombres dados a los objetos indican la intimidad que estos objetos han tenido y siguen teniendo con las comunidades que los producen y utilizan. Imbiras, Bitús y Caçoás son palabras del universo artesanal del hilado, la tejeduría y el trenzado que reflejan su diversidad técnica y cultural. Imbira es el nombre que se da a la liana, cuerdas o hilos que se utilizan para atar o para telar y tejer. Bitú es el nombre cariñoso con el que se refieren a las mantas de algodón tejida en telares de la región de la Serra Geral. Caçoás es el nombre que se da a las cestas cargueras trenzadas que son colgadas en los animales. Aunque los orígenes de las actividades de la hilatura, la tejeduría y el trenzado se pierdan en el tiempo, el conocimiento y las prácticas de artesanías seguirán presentes en la vida cotidiana de la gente, sea por el dominio de la producción o por el uso de los productos. La aparición de estos productos es inseparable del proceso histórico, lo que refleja nuestra capacidad para responder de forma creativa a nuestras necesidades. Así fue como pasó en Bahía, donde la formación del territorio se dio a través de la colonización europea y de la dominación de las poblaciones indígenas y africanas. La cultura dominante se mezcló al conocimiento acerca de los bosques, matorrales y caatingas, y a la capacidad de trabajar y de convertir estos conocimientos en utensilios artesanales fundamentales para la supervivencia de la población. Con esta perspectiva se han reunido en este libro declaraciones e imágenes que revelan la diversidad y riqueza a través del discurso de los artesanos, sus productos, informaciones técnicas, mapas e ilustraciones capaces de comunicar al público de manera sencilla y clara la complejidad real de esta forma de hacer artesanal. Como miembro del grupo de consultores del Instituto de Artesanía Visconde de Mauá, espero contribuir para que todo el potencial de la actividad artesanal se desarrolle revelando sus protagonistas y la riqueza cultural que se sostiene en el conocimiento tradicional, pues estas fueron las bases que guiaron esta investigación. También creo que la información aquí recogida servirá para estimular a los lectores y gestores a profundizar el interés por las diferentes vertientes que las actividades artesanales engloban. Los testimonios de los empleados y técnico del Instituto Visconde de Mauá fue determinante para la realización de este libro, pues aportaron informaciones preciosas sobre las actividades de los grupos a los que asistieron y que sirvieron de guía para la formación del mosaico de actividades aquí descritas, en el intento de reflejar la realidad en la que viven los artesanos. El vasto territorio de Bahía dio a sus habitantes una diversidad natural y climática que van desde la Mata Atlántica al Cerrado, a través de una amplia zona de sabanas semiáridas que abarca las áreas de grutas y mesetas que forman la gran diversidad natural del estado. Esta diversidad fue utilizada en función de la supervivencia. A partir de las necesidades impostas por la vida se han ido desarrollando técnicas para superar obstáculos que la naturaleza presentaba.

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related to each moment, gesture, perception, and sensation of the items that are being selected is full of meanings and feelings that set the pace of the entire handicraft working process. This working process is mostly made by hand and/or made with equipment that are designed to extend the possibilities of the artisans’ own bodies, by establishing a dialogue between man and nature. Everything is always experienced and justified in their collective memories, within ethnic segments, social groups, families, communities, by the authors who become evident in their personal brand and aesthetics signature. The ways of transforming and interpreting the tradition are revealed in this recognition of techniques. This tradition is related to a model, an object type that is produced through a set of techniques always integrated to the social and economic context, as well as to the characteristics of each craftsman. The senses of function and symbolism that represent the identity of an object are fully related to the mastery of a technique, on the repetition of a model. The common knowledge valorizes the handicraft art pieces as cultural goods. And this knowledge also comprises the social places of job, employment, and consumer market. The handicraft production is a work organized by gender and hierarchy, where the artisan, or craft master, and the apprentice roles stand out. This way, each productive system has its own rules, as well as ethical, moral, and functional principles to build what can be understood as “handicraft”, the art of craftsman. Each object has a peculiar meaning within the handicraft production. Objects either manufactured in series or not certify styles and trends of function, use, and representation, thus these meanings grant value to what is proper and unique. In these complex social handicraft scenarios, people are currently paying attention to the handicraft manufactured in Bahia. This production initially reveals the multiculturalism and the ethnic plurality that are offered by the creative expression of traditional handicraft. This handicraft has its own manners of reinventing itself in so many ways to attend local markets and other markets that consume handicraft objects. The handicraft pieces that are manufactured with vegetal fiber and different kinds of yarns represent braiding and weaving techniques. There are several objects that are already integrated to the societies’ life style, both on daily activities and on parties, or even as a support to the activities of other crafts, revealing thus that the traditional knowledge guides and determines the understanding of Bahia’s heritage. The ethnic matrixes of native civilizations, from the official Portuguese colonization, which is already globalized through its trading meetings between Occident and Orient, together with many African people and other immigrants, gather themselves around this valuable and diverse pile of themes, shapes, techniques and types of objects that are recognized as being peculiar from Bahia. Braiding, spinning and weaving that is made in vertical and horizontal looms; and the abilities of each artisan have in themselves a long and soulful evidence of objects that are used in the kitchen, in the fishing practice, agriculture, transportation, home utensils, such as hammocks, and conventional-use objects, such as baskets, hampers, sieves, mats, all of them highlight a picture of Bahia that is well-braided and well-woven by the hands of Bahia . This book gathers several varied testimonies of Bahia’s creation, and brings together value and respect to the authors, artisans, and tradesmen by showing in each object a visual text of technique, aesthetics, shape, color, texture, and use that make a people singular, the people from Bahia. Raul Lody Anthropologist

INTRODUCTION “...cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso” . Brazilian Popular Saying The names that are given to the objects reflect the daily intimacy relationship that they had and still have with the communities that manufacture and use them. Imbiras, bitús and caçoás are words that belong to the handicraft world of spinning, weaving, and braiding, and they reflect their technical and cultural diversity. Imbira is the name given to lianas, cords or yarns that are used to tie, bind, or weave; therefore, imbiras are related to the spinning process. Bitús are a fond denomination for natural cotton blankets that are woven on looms in Serra Geral region, while caçoás are braided baskets that are used on animals’ backs. If the sources of the spinning, weaving, and braiding activities get lost through time, the handicraft expertise and techniques, on the other hand, will always be part of people’s everyday lives, either through its production or through its use. These handicraft objects’ emergence goes side by side with the history process itself, which reflects our ability of answering creatively to any needs. These objects emerged in Bahia, where the territory was formed by the European colonization through the dominance over Indian and African populations. The dominant culture was combined with the knowledge about general forests and scrublands, and the ability of transforming them into handicraft utensils that are essential to the survival of the Bahia state’s population and people. Based on this perspective, this publication gathers information, testimonies, and images that can reveal the diversity and richness of the handicraft art through the speeches of artisans, their products, technical information, maps and illustrated processes that speak to the public, in a simple and clear way, the real complexity of creating handicraft objects. As a member of the Institute of Artisans Visconde de Mauá’s consulting group, I hope that I can contribute to the improvement of the handicraft activity potential fully, by highlighting all of its actors and cultural plurality, which relays on the traditional expertise and abilities, given that such assignments guide this research. I also believe that the information gathered here will serve as stimulation to the readers and managers, so they can be deeply interested by different fields are comprised by the handicraft activity. This book counted on the essential testimonies of employees and technical workers from Institute of Artisans Visconde de Mauá, who contributed with valuable information about the activities and groups that they assist, given that they have oriented the construction of the activities grid that is described here, so that these activities could reflect the artisans’ daily lives. The wide Bahia’s territory offered to its inhabitants a natural and climatic diversity, from the Atlantic Forest to the Brazilian cerrado , going through the wide semiarid area of scrublands and prairies that form the huge natural diversity existing in Bahia. This diversity was used in benefit to the people’s survival. The basic needs of living helped developing the techniques to use the means offered by the nature. Their ability to observe, their skills, and their experience were necessary and were also gathered through generations to result into the technological expertise of the traditional communities that, from the countryside to the coastline of the state are building the scenario of handicraft in Bahia, in which activities such as spinning, braiding, and weaving stand out. Weaving and braiding share the same source and several technical aspects. The yarn becomes cloth through the weaving in a process that is similar to the one in which the straw is applied in the creation of a mat. Both cloth and mat are formed by texture and weft; in the weaving, warp and weft in the vertical and horizontal square looms, and in the braiding, base and weft too.


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Observación, habilidad y experiencia son los pilares de la artesanía y fueron pasados de generación en generación formando el conocimiento tecnológico de las comunidades tradicionales del Interior y de la costa del Estado, construyendo este escenario único que es la artesanía de Bahía. En este universo se destacan las actividades de hilado, tejido y trenzado. La tejeduría y el trenzado comparten un origen común y diversos aspectos técnicos. El hilo se convierte en tela a través de la tejeduría en un proceso similar a la transformación de la fibra de paja en esterilla. Tanto la tela como la esterilla están formados por la urdimbre y la trama, tanto en la tejeduría de urdimbre y trama en los marco de telar, telar vertical u horizontal, como en el trenzado de base y trama. La importancia de los objetos trenzados se hace evidente cuando se analizan sus usos por antiguas poblaciones nómadas, o las actividades agrícolas y urbanas que requieren el transporte frecuente, seguro, ligero y rápido. Las técnicas de trenzado utilizan principalmente las hojas de la palma, liana, bambú, tabocas y taquaras, paja de maíz, cortezas de algunas palmas (como la palma de piasava), arbustos y árboles que producen fibras textiles. Las herramientas son sencillas: machete para cortar la materia prima, cuchillos y tijeras para el acabado y farracho, especie de sierra hecha con un trozo de madera y una hoja de metal que sirve para separar la fibra de la paja. En la tejeduría de cestas todavía se usa la aguja. El trabajo hecho en Bahía se basa en diferentes factores: técnica, materia prima, expresión formal o uso. Presentan peculiaridades que llaman la atención. La oferta de materia prima varía de un lugar a otro, en este caso, la materia prima tiene la función de seducir por sus propiedades: color, textura y flexibilidad, pero también la forma en que cada comunidad cuida su producto y expresa su identidad a través de su forma y elementos decorativos. Es también deber de los artesanos el dominio de las técnicas de cosecha y manejo que garanticen la calidad de la materia prima del trenzado, evitando que se rompa. En la costa de Bahía se utilizan como materias primas las lianas y diversos recursos de extraídos de las palmeras, sobretodo de la palma de dendê de origen africano y abundante en la región sur, para la fabricación de diversos productos, principalmente las lámparas y los bolsos. Los artesanos de las comunidades trabajan individualmente o organizados en asociaciones y grupos. En la zona semiárida se destaca la región sisaleira que usa la fibra de sisal teñida con tintes vegetales naturales. Recientemente difundida, la producción hecha con las fibras de plátano y de maíz crecen en varias comunidades del oeste del estado. Y tanto en el semiárido cuanto en la costa se utiliza la palma de licuri (ouricuri o nicuri) en diversas técnicas y productos. En la región de la Serra Geral, especialmente en la ciudad de Guanambi, el conocimiento técnico del hilar y tejer en telares de algodón incluye toda la cadena de producción, del cultivo hasta la producción de las mantas de algodón, llamadas Bitús. Además de la producción de macramé, flecos bordados a partir de nudos. En el norte/noreste y al oeste del estado tiene lugar una producción diversa de hamacas que utiliza las materias primas típicas de cada región y revela la riqueza y diversidad de la cultura artesana del estado. Entre los principales temas presentes en las declaraciones de los artesanos, el que más se mencionó fue la cuestión del acceso y medios de conservación de los recursos naturales, la fuente principal de las materias primas necesarias a las actividades aquí retractadas. Existe un vínculo importante entre la actividad artesana, el trabajo de los artesanos y la obtención de la materia prima. Son muchas las artesanas que relatan tener que ir cada vez más lejos para extraer la materia prima, una vez que los lugares cercanos y fácilmente accesibles están siendo deforestados por los propietarios de las tierras para hacer pastos y tierras de cultivo, volviendo exhaustiva la tarea de ir a zonas más remotas a buscar la fibra. Otro factor agravante es el gran número de personas que forman parte de la cadena de producción de la extracción de la fibra y que no están registrados en asociaciones o grupos. La gestión sostenible representa la utilización de prácticas que aseguren la sostenibilidad socioeconómica y ambiental de las florestas por los productores, y se aplica tanto a los bosques nativos como a las zonas de forestación / reforestación. Tiene como objetivo mejorar las condiciones de vida de los artesanos, que en muchos casos pueden ser identificados como una población tradicional dependiente de los recursos naturales para su reproducción socio-cultural a través de actividades de bajo impacto. En este caso, el manejo sostenible es fundamental para el uso racional y controlado de los recursos naturales renovables con el fin de mantener el suministro de materias primas para la actividad artesanal. Además de garantizar el suministro de la materia prima, la elaboración de un plan de gestión convierte la población y, especialmente el artesano, en agentes responsables por preservar su patrimonio y desarrollar conciencia ambiental para el uso racional de los recursos naturales con el fin de garantizar la sostenibilidad socio-económica y ambiental en todo el proceso. En este sentido, es importante combinar los conocimientos tradicionales y los conocimientos técnicos adaptados en alianzas directas con las asociaciones de artesanos y personas involucradas en la gestión de la artesanía en las comunidades, con el fin de poner en práctica la tecnología forestal adecuada a las peculiaridades locales. Estas actividades deben involucrar técnicos, lideres y artesanos para crear un espacio de articulación y reflexión continúa generando soluciones alternativas de interacción con el medio ambiente y sus recursos. La Artesanía Indígena La reinvención de la artesanía de los grupos indígenas que tienen una historia de lucha, superación, intercambio y mezcla puede ser descrita como el fenómeno de las “nuevas tradiciones”, que debe ser entendido como la capacidad y la creatividad de nuestra gente para la generación de alternativas de supervivencia en nuevos contextos. Por lo tanto, debemos considerar la artesanía indígena como una auténtica manifestación del carácter étnico en sintonía con lo contemporáneo. El apoyo a la producción artesanal de los grupos indígenas debe objetivar permitir el entendimiento del artesano y de su producción como parte de su vida cotidiana y de sus principios de vida, pues la artesanía indígena representa uno de los principales vehículos de afirmación cultural y generación de ingresos de los diversos pueblos que habitan el estado, maestros detentores de antiguos conocimientos y nuevos artes que valoran el sentido de pertenencia de su gente, el orgullo de ser indio. Semillas, fibras, cocoteros nativos y el barro de la cerámica son utilizados respetando el medio ambiente en la producción de adornos para el cuerpo y objetos utilitarios que logran una calidad única, destacándose ante la producción de otras etnias. Se debe tener cuidado con la mercantilización de las tradiciones. Se debe separar los objetos rituales y de provisión de los medios de vida de los objetos de comercialización. Los primeros tienen una importancia sagrada a ser preservada, y se denominan como “producción hacia dentro”, pues son producto de la acción humana sobre la naturaleza y la naturaleza es capaz de absorber el impac-

The importance of braided objects becomes clear when we analyze their application and use by ancient nomadic populations or in agricultural and urban activities that require safe, fast, and lightweight frequent transportation. Most of the braiding techniques use palm tree leaves, lianas, bamboos, and smaller kinds of bamboos (tabocas and taquaras), corn husk, barks or enclosed barks of some palm trees, such as piassava, bushes, and trees that produce textile fibers. The instruments are simple: a machete to cut the raw material, knives, scissors for finishing the handicraft item and a farracho, which is an instrument crafted with a heavy piece of wood and a metal blade that is used to separate the fiber from the straw. For the art of basket-making with fabric, a needle is also necessary. In Bahia, there are handicraft items that are based in different factors: technique, raw material, formal expression or use. They all have some peculiarities that stand out. The offering of raw material varies from location to location. In this case, the raw material seduces due to its properties: not only color, texture, and flexibility, but also the way that each community treats the products and expresses their identity through shape and decorative items. The artisans must also have the expertise and the skills of handling, harvesting, and manipulating their raw material so that it can be used for braiding without being crumbly. In Bahia’s coastline, they use lianas from the woods together with several resources that are provided by the palm tree to manufacture products, mainly luminaries and handbags. The artisans produce within communities that are organized into associations, groups, or individually. Additionally, they often use taliscas (African palm tree), from dendê, which is highly available in the low area of the southern region. The sisal region with agave fiber that is natural and dyed with vegetable pigments in the semiarid area. Most recently, the handicraft works with banana tree and corn fibers are being developed within several communities from the Western of the state. And throughout the semiarid and the coastline areas, licuri palm tree (ouricuri or nicuri) have been applied into a variety of techniques and products. In the region of Serra Geral, especially in Guanambí, the technical expertise of spinning and weaving in cotton loom had its entire thread developed from farming to blankets manufacture, also known as bitús. Besides manufacturing marambaias, which are fringes embroidered through knots. In Bahia’s northern/ northeastern and western regions, there is a varied production of hammocks that use typical raw material of each area, which reveals the richness and the variety of the state’s handicraft expertise. One of the important matters that were brought up in the artisans’ testimonies was the access to natural resources and the ways of preserving them, the main sources of raw materials that are used in the activities described in this book. There is an important bond among the handicraft activity, the artisan and the raw material source. The artisans are increasingly reporting that they must move to distant places to take the required raw material because the places that are close and easy to access are being deforested by the land owners to give place to grazing and crops. This effort makes the artisans’ path to look for raw material in distant places, where its quality is satisfactory, very exhausting. Another worsening factor that they reported is the existence of a large number of people who are part of the production chain and extract the fiber, without being registered in any association or part of any organized groups. Sustainable handling means applying practices and management methods that ensure the social-economic-environmental sustainability of forest undertakings, both in native forest and in afforestation/reforestations. The sustainable handling aims at improving the quality of life of those artisans who can be identified as traditional population, because they depend on natural resources to their sociocultural reproduction through an activity that represents low impact to the environment. In this case, the sustainable handling is essential to the rational and controlled use of renewable natural resources, taking into consideration the maintenance of raw material supply to the handicraft activity. Besides ensuring raw material supply, the elaboration of a handling plan makes the population, specifically the artisans, agents responsible for environmental patrimony preservation and for sensitizing other people to the raw material’s rational use and its economic value. With that, these agents ensure the social-economic-environmental sustainability throughout the entire process. In this sense, gathering traditional and technical expertise and adapting both into partnerships with artisans associations and other people who are involved in those handling matters within the communities is very important, so we can implement forest technology that suits local peculiarities. These activities must involve technicians, leaders, and artisans to create a space of continuous articulation and reflection where they can come up with solutions and alternative ways of interact with the environment and its resources. The Native Handicraft In the name of reinvention, the handicraft of native groups, which have a history of struggling and overcoming that involves great exchange and miscegenation, can be described as a phenomenon of “new traditions”. These new traditions should be seen as a creative capacity of our people to create alternatives to survive within new contexts. Therefore, we must consider the Brazilian native handicraft as an authentic demonstration of ethnic character in tune with modernity. The support to the handicraft production of native groups must reflect the artisans and their material production as an element of their daily lives and their principles of life. The indigenous handicraft represents one of the main sources of cultural statements and income generation of several peoples that inhabit the state, and who master not only ancient expertise, but also new ways of art that valorize their sense of belonging to their own people, their proud of being native. Seeds, fibers, native palm tree coconuts and pottery are used with due respect to the environment in the manufacture of body adornments and objects that reach a unique quality, which stands the native people out and represent them before the production of other ethnic groups. However, they must take care with artifacts’ trading that represents their tradition. They must separate the objects that are used in rituals from the trading objects that provide their subsistence. The first objects have a sacred role to be preserved and characterize what is called “inside production”; they are products that result from the action of man over nature, which can absorb a limited impact without compromising its balance. The production for trading purposes, on the other hand, represents the “outside production”, which must have its production scale observed so that it does not cause lack of balance in the harmony relationship between native people and nature. The Spinning Spinning is the process of transforming textile raw material into yarn. The methods and equipment vary according to the chosen raw material. Yarn is the flexible raw material that is applied to the fabric creation through several techniques. The threads that result from the handicraft spinning have several varied applications: fishing traps, sewing threads, lace making threads, rope factory production; however, its main application takes place in the weaving process, which lives on until current days. In Bahia, the handicraft weaving uses yarns of several different proveniences, which can either result from handwork or not. We can classify them as:

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

to sin comprometer su equilibrio. La producción para la comercialización se denomina “producción hacia fuera” y debe tener su escala de producción controlada para no causar un desequilibrio en la relación de armonía del indígena con la naturaleza. El Hilado La hilatura es el proceso de obtención de hilo homogéneo y continuo a partir de fibras textiles. Los métodos y dispositivos varían dependiendo de la materia prima utilizada. El hilo es una hebra flexible, larga y continua de un material textil, es la materia prima utilizada para la fabricación de tejido a través de diferentes técnicas. Los hilos resultantes del hilado artesanal tenían una gran variedad de usos: producción de redes de pesca, hilos de coser, confección de encaje, e incluso la producción de cuerdas, pero se utilizó sobretodo en la tejeduría, actividad que hasta hoy perdura. En Bahía, la tejeduría artesanal utiliza hilos de distintos orígenes, resultado de un trabajo manual o no. Los clasificamos como: Hilos artesanales: son obtenidos a partir de un proceso de hilado artesanal, que puede variar en función de la materia prima y la técnica. Hilos reutilizados: son obtenidos a partir del deshilado de la ropa vieja, principalmente la ropa comprada en el sudeste del país con este fin. Hilos industrializados: pueden se obtenidos de dos formas. Comprados en tiendas para ayudar a componer la producción tradicional, o servir de base para la producción contemporánea. Los hilos resultantes de los desechos de las fábricas industriales de tejeduría del sur y sureste del país mueven el mercado de varias ciudades. La artesana hilandora no es la que teje pelo la que prepara el hilo para consumo propio, para disponer de materia prima y luego encargar a la tejedora el tejido, o para comercializar el hilo en los mercadillos. (Geisel. LODY, 1983). La distribución del hilado en las regiones del Estado todavía sigue la misma apuntada por Costa Pereira en 1950, teniendo como base las tres regiones donde hay actividad de tejeduría artesanal: en primer lugar, la Región Noreste del Estado - Paulo Afonso, Caldas de Cipó y Tucano; en segundo lugar, la Región Oeste del Estado, en las subregiones del Médio São Francisco y algunos de sus afluentes – el Río Corrente y el Río Preto; y en tercer lugar, la Región de la Serra Geral. Las tres principales regiones productoras de hilos artesanales, que tiene su principal, y a veces único uso, en la tejeduría artesanal, y son obtenidos a partir de diferentes materias primas, son: la región de Serra Geral, hilos artesanal e industriales de algodón; la región del sertón de Paulo Afonso, hilos industriales de algodón, hilos artesanales de licuri y caroá; y la región oeste, hilos artesanales de la palma de buriti. Los hilos artesanales son obtenidos a partir de la transformación de la fibra cruda, su materia prima, que es cultivada o extraída de su ambiente natural. Las plantas de origen puede ser de tres familias: las Bromeliáceas (caroá), las Arecaceae (palmas de tucum, licuri y buriti) y las Malváceas (algodón). Antes de ser hiladas, las fibras pueden ser teñidas con colorantes naturales o industriales. Estos procesos se han descrito en el capítulo anterior, junto a los procesos de teñido de las fibras utilizadas en el trenzado y que no pasan por el proceso del hilado. El procesamiento del caroá incluye la extracción de la planta con un machete; la eliminación de los espinos y el desfibrado hecho a mano con la ayuda de un cuchillo; el secado al sol de las fibras; la selección de las fibras y, por fin, el hilado, que consiste en retorcer varias fibras cortas con la ayuda de un huso o simplemente torciendo las fibras sobre las piernas (ver infografía). El procesamiento de la fibra de la palma sigue el mismo proceso: sacar la hoja; separar la hoja del tallo, secar la seda al sol y hilar manualmente sobre la pierna. En el pueblo de Imbiriba, tierra de etnia Pataxó, en el municipio de Porto Seguro, el hilado de la fibra de la palma de tucum (Bactris setosa), muy utilizada por los indios Pataxós desde hace mucho para hacer redes de pesca, también utiliza el huso en el proceso. El huso es un instrumento que sirve para hilar fibras textiles. Está hecho con una varilla que hace de bobina y una rueda que hace de volante para torcer la fibra. Destacamos los siguientes componentes del huso: Punta del huso: extremidad superior de la varilla del huso, que tiene la función de sujetar el hilo, y suele variar de forma. Tortera del huso: pieza redonda u otro dispositivo adaptado a la parte inferior de la varilla del huso, con el fin de darle movimiento y a la vez impedir que el hilo resbale. (RIBEIRO, 1988) Los nombres locales que se dan al huso revelan la intimidad con que las artesanas se refieren a sus herramientas: en Euclides da Cunha, al extremo superior del huso se le llama “cabeza”, y al volante se le llama “rosa”. El uso del huso por la gente del sertón de Bahía fue heredado de su ascendencia indígena, siguiendo el modelo de hilado identificado por la antropóloga Berta Ribeiro como baikari. Es el más utilizado por los indígenas de Brasil. La artesana gira la parte de huso que está justo antes de la tortera, apoyándolo en la pierna o en el muslo y manteniéndolo en posición vertical o inclinada. La parte inferior de la varilla es más ancha para que el huso no resbale, y la parte superior generalmente dispone de un dispositivo para sujetar el hilo. En la hilatura “bakari”, se tuerce el hilo en “Z” girando el volante en el sentido de rotación de las agujas del reloj, y girando en “S” en la dirección opuesta. La hilandera diestra produce el hilo con una torsión en “Z” y la zurda con una torsión en “S”. En el municipio de Euclides da Cunha se encontró un tipo de hilatura que lleva un gancho fijado al techo para sostener el huso a la vez que hace que él se mueva como un péndulo. De esa manera se consigue prolongar la rotación, además de hacer más cómodo el trabajo. El hilado de la fibra de algodón se realiza en dos etapas: la limpieza y el golpe. Para limpiar la fibra y quitarle las impurezas se utilizan sólo las manos o los abridores de fibra que van con una manivela, que consiste básicamente en dos cilindros giratorios, a través de los cuales se hacen pasar los copos de algodón. Los cilindros se acoplan a la manivela y se fijan en un banco, que permite que uno o dos operadores se sienten y giren el mango, poniendo los copos por un lado y sacándoles por el otro lado, ya limpios. El golpear consiste en hacer vibrar el hilo del arco hecho con una rama flexible atado en las puntas con una cuerda sobre los copos de algodón ya abiertos, expandiendo su fibra y eliminando las impurezas restantes. No hay registros de la realización de la etapa del cardado en las comunidades visitadas en Bahía, técnica utilizada en el Triângulo Mineiro y en Hidrolândia, en la Provincia de Goiás (García, 1981) Luego, a través del tuerce, el hilo adquiere resistencia. El tuerce se hace con el huso o la rueda de hilar (rueca). La rueca es un equipo de origen europeo y, según la descripción de muchas artesanas del municipio de Guanambi, en la antiguedad era un aparato esencial para cualquier persona joven

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Handicraft yarns: they result from homemade manual spinning, which may vary according to the raw material and technique that are used. Reused yarns: they result from unmaking old clothes, or clothes that are bought from stores in the southeastern region of Brazil with the purpose of being unmade. Industrialized yarns: they can be bought in stores and haberdasheries to support the creation process of traditional production or to serve as basis for contemporary production, or they can be yarns that result from the waste of industrial warp that comes from factories in the southern/southeastern regions of Brazil, which influences the market of several cities. The spinster is, in this sense, the woman who does not weave, but prepares the yarn to her own use, a raw material that she has and can use to order a fabric piece to the weaver, or to trade the yarn in fairs and markets (GEISEL LODY, 1983) . The yarns distribution within the state still follows the same procedure that was identified by Costa Pereira in the 1950’s. This distribution follows the same three phases of manual weaving: the first one takes place in the northeastern are of the state – Paulo Afonso, Caldas de Cipó and Tucano cities; the second one occurs in the western area of the state, in the subareas located by São Francisco river and some of its affluent, such as Corrente and Rio Preto rivers; and the third one corresponds to Serra Geral area – cities of Guanambí and Paramirim. The three main areas that produce handicraft yarns, mainly or even exclusively applied in the manual weaving, and that are based in distinct raw materials are: handicraft and industrial cotton yarns in the area of Serra Geral; industrial cotton yarns, licuri and caroá handicraft yarns in the countryside of Paulo Afonso area, and handcraft yarns from buriti palm tree in the western area of the state. The handicraft yarns result from the processing of raw fibers; the raw materials of these yarns grow in their natural environment, from which they are also extracted. Their source plants can be native from three botanic families: Bromeliads (caroá), Aracaceas (tucum, licuri and buriti palm trees) or Malvaceae (cotton). Before being yarned, the fibers can be dyed with natural or industrial pigments. These procedures are described here together with the dyeing process of fibers that are used in braiding, but that do not go through the spinning process. Caroá processing includes its extraction by using a machete; the removal of thorns, and manual shredding by using a knife; opening its fibers and drying them in the sun; the selection of such fibers and, finally, the spinning with the use of a spindle or over the leg through the process of twisting (see infographic). Palm tree fiber processing, on the other hand, follows the same procedure as of the leaves extraction; the leaf (leaflet) is separated from the stalk (petiole), the silk is dried in the sun, and the fiber is manually spun over the leg. In Imbiriba village, land of Pataxó ethnicity in the city of Porto Seguro, the spinning of tucum palm tree (bactris setosa) fiber also uses the spindle throughout the process, which was largely used years ago by Pataxó native people to create fishing traps. The spindle is a spinning implement formed by a rod that serves as a coil, and a wheel that serves as a steering wheel to twist the fiber. The spindle has the following components: Spindle pommel: nozzle or upper abutment of the spindle rod that serves to subject the yarn, and may vary in its shape; the most frequent types are beveled salience, incision, acorn, and hook. Spindle tortual: disc or any other device that is adapted to the inferior part of the spindle rod. This component is designed to move the spindle and, at the same time, avoid the coiled thread from slipping. (RIBEIRO, 1988) . Local nomenclatures tell us the careful manners in which the artisans refer to their tools: in the region of Euclides da Cunha, the pommel is called head; the rod and the disc are called rosebush. People from Bahia’s countryside use the spindle according to what they learned from their native ancestors, following the way of spinning that was identified by the anthropologist Berta Ribeiro as baikari. Baikiri is the way of spinning that is most used by the native people in Brazil. The spinster rotates the pre-tortual part of the spindle, holding it in her leg or thigh and keeping the spindle in vertical or semiinclined position. To accomplish this rotation, the rod bottom is wider, so that the tortual does not slip, and the upper part usually contains a device that holds the yarn. Through the baikiri spinning, they get a “Z-shape” twisting effect by turning the spindle clockwise, and also an “S-shape” effect by turning the spindle counterclockwise. The right-handed spinster produces the Z-twisted yarn, while the left-handed produces the S-twisted yarn. In Euclides da Cunha area, there is a variety of spinning practices in which the spinster uses a hook attached to the ceiling as a support to move the spindle as a pendulum, and hold it to her leg. Through this technique, the spinster reaches a prolonged rotation movement that is more comfortable than the movement in which she simply spins the spindle on her leg towards the ground. When it comes to the spinning of cotton yarns, this procedure is preceded by two different steps: pitting and beating the cotton. To pit, they use only bare hands or a cotton gin moved by a handle. This cotton gin is basically formed by two rotating cylinders, through which the cotton paddings pass. The cylinders are linked to the handles and both are fixed on a stool that allows for one or two operators to sit and go on by moving the handles and adding the cotton paddings on one side and taking them out on the other side without any lumps. The act of beating consists in vibrating the thread of an arch that is composed by a flexible branch, and whose tips are connected through a cord over the already whipped cotton, until it expands its fiber and removes the remaining impurity. Then, through the twisting process that gives resistance to the yarn, they use the spindle or the spinning wheel. The wheel, a European equipment, used to be an essential equipment to every lady that got married in the past, according to the description of most artisans from Guanambí city. According to MAUREAU, ALTAFIN (1984), it is composed by three parts: a support, a rotating mechanism, and a device to spin and roll. The support is formed by a stool with at least four (rarely with three) legs, being a pair of legs taller than the other. Over the stool on the shorter side, there are two wooden armrests that hold the wheel; on the other side, there is a frame that holds the spinning device. Both are inclined in opposite ways in relation to its base. This inclination is intended to increase the mechanic resistance of the structure, mainly towards the tension of the belt that transmits the wheel movement to the spindle. The rotating mechanism is formed by a wheel, a pedal, and a connecting rod. It works through the use of the pedal that turns the wheel; by its turn, the wheel spins the spindle. The artisan previously ties the yarn that guides the fiber, while the tension is controlled by the tenter. The yarn is then formed through coordinated movements among the hands that control the fiber inclusion and the feet that define the rhythm, and through twisting movements, the yarn rolls into the reel. To form the hanks, the yarn is manually removed from the reel. The yarns that are produced in the spindle have different characteristics when compared to the yarns that are produced in the wheel; the yarn from the spindle is thicker, less compact, and is called bushy; the yarn from the wheel is thinner, compact, and called thread.


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

que se casaba. En la descripción de MAUREAU. ALTAFIN (1984), el huso se divide en tres partes: un soporte, un mecanismo de rotación y un dispositivo para el hilado y bobinado. El soporte consiste en un banco de cuatro - o tres - piernas, un par de ellas más altas que las otras. En la parte inferior del banco hay dos brazos de madera que sujetan la rueda, y del otro lado, un marco con el dispositivo de hilar. Los dos están inclinados - en direcciones opuestas - con respecto a la base. Dicha inclinación se propone a aumentar la resistencia mecánica de la estructura, debido a la tensión de la correa que transmite el movimiento de la rueda al huso. El mecanismo de rotación consiste en una rueda, un pedal y un bastón. El movimiento se da al darle al pedal, que por su vez gira la rueda, que hace que el huso gire. La artesana previamente ata un hilo que sirve de guía para la fibra. Esta hebra inicial se amarra al huso y se sigue realizando el procedimiento de torsión. Con movimientos coordinados entre las manos que controlan la cantidad de copos de fibra y los pies que dan el ritmo, el hilo se va formando con el tuerce y se va enrollando en la bobina. Una vez el huso se haya llenado, la fibra hilada es desenrollada manualmente. Los hilos producidos con el huso y con la rueca tienen diferentes características; el hilo producido con el huso es más grueso, menos compacto; y el hilo producido con la rueca es más delgado y compacto. Se ha detectado la técnica de la reutilización en las comunidades rurales del municipio de Euclides da Cunha. Los hilos obtenidos con el desfibrado de la ropa desechada en la producción industrial, o de la ropa vieja de uso personal, son torcidos con el huso, enrollados manualmente y guardados como ovillo. Las fibras reutilizadas se utilizan sólo en la trama. La utilización de las fibras en la costura del aiós (bolsos de origen indígena utilizados por la gente del sertón para cargar mercancía para ir al campo) y de esterillas en dos comunidades productoras del trenzado cargado - Campo Grande, en Santa Terezinha, y Guigó, en Ituaçu - fueron nombrados por las artesanas durante los talleres de desarrollo de nuevos productos, como productos de gran importancia. En Ituaçu, municipio de Chapada Diamantina, las fibras de la palma de licuri fueron teñidas siguiendo la intuición de las artesanas que utilizaron las plantas locales con este fin, así como utilizaron sus flores para crear adornos que ilustran su vida cotidiana. Ya en Campo Grande, la fibra de caroá utilizada para coser también se utilizó para hacer bolsos y asas de bolsos de macramé. Sin embargo, cada vez más las dificultades en obtener materias primas llevan las artesanas a comprar hilos industriales que se pueden encontrar en tiendas especializadas y mercerías, o se pueden solicitar a través de Internet, lo que aumenta la posibilidad de experimentación para los tejedores urbanos, que ahora tienen en manos hilos raros como el de la seda. En Paulo Afonso, noreste de la provincia, en la frontera entre los estados de Alagoas, Sergipe y Pernambuco de Tacaratu, la economía está basada en la producción de hamacas y mantas hechas con el telar industrial. Teniendo en cuenta el gran volumen de la producción, se trata de un pueblo con un comercio dinámico de hilos que también sirve de mercado a los tejedores de municipios de Bahía, como Paulo Afonso y Jeremoabo. Según los artesanos, las pelusas que llegan al sertón de Bahía vienen de la industria textil del Sur / Sureste del país. Serían los hilos de la urdimbre de los telares industriales, enviados para la comercialización en el mercadillo de la ciudad de Cipó, que también se encarga de la producción textil artesanal de los municipios de Ribeira do Amparo y Nova Soure, para producir hamacas con el telar vertical y hamacas de macramé. Los hilos se venden a peso en el mercadillo semanal, así como la hamaca de nudo, conocida como hamaca de pelusa, del poblado de Mairi, así como la venta al mayor de bolsos hechos de la palma de pindoba o ariri , que se quedan con la ubicación más privilegiada del mercadillo, el antiguo mercado municipal. Una vez desenredadas, las pelusas pueden ser utilizadas en la producción de hamacas de nudos, y después de torcidas en el huso, pueden ser usadas en la urdimbre y trama de las hamacas de Mairi (municipio de Cipó), Barrocas (municipio de Ribeira do Amparo), y Curral Novo (municipio de Nova Soure), así como en los diversos pueblos rurales de Euclides da Cunha, como el Alto Paraiso, Caimbé, Capoeira, Muriti y Jurema. La producción de hilos de caroá se reparte entre los municipios de Glória y Jaguarari, regiones norte y noreste de la provincia, y fue encontrada en los pueblos de Laje do Flamengo en Jaguarari, Tanquinho en Macururé, Brejo do Burgo en Glória y en el municipio de Araci, en las localidades de Retirada, Rufino y Queimada Redonda, siguiendo la técnica de la torsión manual sobre la pierna. Es curioso fijarse en las estrategias que las mujeres de algunos pueblos desarrollaron para evitar que la torsión de los hilos sobre las piernas dañaran su piel; utilizaron tejas u otros recipientes usado para el transporte de agua en los animales, madera o cámara de neumático como base para desarrollar la torsión de los hilos. En estas comunidades la producción de hilos tiene por objetivo producir aiós: bolsos cargueros indígenas ampliamente utilizados por los campesinos. La única hilandera de fibra de caroá identificada, y quizá por eso la única que utiliza el huso en el proceso de la hilatura, ha sido Maria de Lurdes Dantas de O. Narcizo, Doña Branca, de la localidad de Serra Branca, Euclides da Cunha. En su patio trasero, los guacamayos viene a alimentarse de los cocos del licurizeiro. Ella produce hilos para la fabricación de hamacas de dormir, por eso la necesidad de hilos más resistentes. Los pueblos indígenas que tanto contribuyeron a la formación cultural del sertón de Bahía - los Pankararé, en Brejo do Burgo Gloria, los Kiriris en Banzaê, los Saiotes o Crenguexê, y los Kaimbé, en Massacará, Euclides da Cunha – producen hilos de la palma de licuri utilizados en la fabricación de hamacas, ropa tradicional, como la falda, llamada crenguexê, y también para coser bolsos de pindoba; licuri y ariri. Merece la pena llamar la atención para la habilidad manual de la indígena Euflozina de Jesus, Nina, india de etnia Kaimbé, que desfibra la hoja de licuri con la mano desnuda, sin la ayuda del cuchillo. El hilado de la fibra de buriti, al oeste de la provincia, presente en los municipios de São Desidério, Barreiras y Coco sigue la base de la hilatura manual. El hilo es usado en la producción de hamacas, en la urdimbre y la trama, en esterillas y, recientemente, en la producción de bolsos: “Después del corte y transporte de los ojos de la palma hasta el sitio del procesamiento, el primer paso es separar la seda de la paja. La seda es una película delgada que recubre la hoja de la planta, cuando es sacada de la misma, la planta se convierte en paja. Se ponen la seda y la paja para secar durante un período de tres días, por lo general a la sombra, porque, aunque lento, el proceso garantiza la mejor calidad de los materiales. Sin embargo, si hay prisa, la seda y la paja pueden ir al sol, lo que acelera el secado. En este caso, además de perder el color, el material se vuelve más duro, lo que dificulta el trenzar y el tejer, además de resultar en un trabajo de calidad inferior “. “La distinción entre la seda y la paja es responsable por la diferencia de precio en el producto final. El primero se considera materia prima especial, noble, más delicada que la paja “. “Primero se trabaja la seda, constituyendo una larga trenza de tres piernas. Este trabajo tarda alrede-

The yarn reuse was observed in the rural communities from Euclides da Cunha area. The yarns are gotten by unmaking either wasted clothes from the industries or old industrial knitting clothes. Then, they are twisted in the spindle and rolled into a hank to be used in the loom. The reused fibers are applied only in the weft. The expertise on the use of caroá fibers to sew aiós (cargo bags of native origin that people from the countryside use in the agriculture work) and mats were found in two communities that produce twill braid – Campo Grande, in Santa Terezinha, and Guigó, in Ituaçú. This expertise was so important to the artisan that they were incorporated to the products through manual spinning and had different roles in each community during the workshops promoted by Visconde de Mauá Institute for the creation of new products. In Ituaçú, a city from Chapada Diamantina, licuri fibers were dyed according to the expertise of the artisan about local dyeing plants and used as yarns to form flowers embroidery that represents their daily lives. In Campo Grande, the caroá that is used to sew products was also used to produce little nets for pockets and bags handles through a technique known as macramé. The difficulties to get raw materials are increasingly making the artisan to buy industrial yarns. Industrial yarns can be bought in haberdasheries and specialized stores or even ordered through the internet, which has highly increased the possibilities of urban weavers who are currently able to get yarns that used to be rare, such as silk. In the city of Paulo Afonso, northeastern area of the state, in the border of Alagoas, Sergipe, and Pernambuco states, they can get yarns in Caraibeiras, region of Pernambuco de Tacaratu city, which has its economy focused on the production of hammocks and blankets in the industrial loom. Given the great production volume, there is a dynamic market of coiled yarns in the village, which also serves the weavers from Bahia that live in Rodelas, Paulo Afonso, and Jeremoabo cities. According to the artisans from Paulo Afonso area, the “lint” that reaches the countryside of Bahia comes from the textile industry of southern and southeastern areas of Brazil. They are the warp yarns that come from industrial looms and are sent for trading in the street fair from Cipó city, which also serves the textile handicraft production of Ribeira do Amparo and Nova Soure cities, to the production of hammocks in vertical loom and lint or knot hammocks that are braided through the macramé technique. Lint is traded in kilograms during the weekly street fair and, as well as the knot hammocks selling activities, known as lint hammocks from Amari village, and the wholesale of pindoba or ariri bags takes place in the noble area of the fair, the old city market from Cipó. The lint can be used after being disentangled in the production of knot hammocks, as well as after being twisted in the spindle, they can be used in warp and weft of hammocks from Amari (city of Cipó), Barrocas (city of Ribeira do Amparo), and Curral Novo (city of Nova Soure), and also from several rural villages from Euclides da Cunha, such as Alto do Paraíso, Caimbé, Capoeira, Mutiti, and Jurema. Caroá yarn production is distributed between Glória and Jaguarari cities, northern and northeastern regions of the state. This production has also been identified in the villages of Lajes do Flamengo, in Jaguarari, Tanquinho, in the city of Macururé, Brejo do Burgo, in the city of Glória, and in the city of Araci in the regions of: Retirada, Rufino and Queimada Redonda. This yarn production follows the technique of manual twisting on the leg. Interestingly, the strategies that women in some villages developed to prevent yarn twisting their legs to harm their skin; some of them use tiles and carotes (containers to transport water on the back of animals, made of wood or recycled tire chamber) as the foundation to develop the yarns twisting technique. In these communities, caroá yarns are intended to produce aiós: native cargo bags. Maria de Lurdes Dantas de O. Narcizo, Mrs. Branca, from Serra Branca village in Euclides da Cunha city, was the only spinster of caroá fiber that could be identified. Maybe because of her uniqueness, she is the only spinster to use the spindle in the spinning process. The Lear’s macaws in her your backyard feed themselves with licuri coconuts. She produces yarns for hammocks manufacturing, so these yarns must be more resistant than any other. Native peoples who have greatly contributed to the cultural formation of people from Bahia’s countryside are: the Pankararé in Brejo do Burgo, the Kiriris in Banzaê, and the Kaimbé in Massacará, city of Euclides da Cunha. They produce yarns from licuri leaves. These yarns are used to create hammocks, traditional clothes like petticoats, called crenguexê, and also for sewing pindoba, licuri and ariri bags. The native manual skills of Mrs. Euflozina de Jesus, also known as Nina, call our attention. She is native from the Kaimbé ethnicity, and she can remove the fibers from licuri leaves without using a farracho. The spinning process of buriti fiber that takes place in the western region of the state, in the cities of São Desidério, Barreiras and Cocos, follows the principles of manual spinning that are used with other palm trees. The yarn is used in the production of hammocks through the warp and weft, in the production of mats through the warp, and in the latest production of bags: “After cutting and transporting palm tree eyes to the processing site, the first step comprises separating silk from straw. Silk is a thin skin that encases the plant’s leaf; as soon as the skin is removed, the material becomes straw. Silk and straw are put to dry for three days on average, usually in the shade to ensure the best quality material, though this drying process is slower. However, to accelerate the drying process, silk and straw can dry in the sun. In this case, the material not only loses its colors, but also becomes harder, which makes it more difficult to weave and braid, and result in lower quality work.” “The distinction between silk and straw is responsible for the price difference in the final product. The first is considered special raw material, noble, more delicate than the straw. “ “First of all, the silk is crafted to form a long braided yarn split into three parts. This operation lasts about two days. Then, this yarn, also known as cord, is trimmed by a small and really sharp knife to remove its hairs and lint.” (LIMA, 2008) . In the city of Utinga, the yarns are also used in the weaving practice. The preparation of cords and strings of banana tree fiber follows a similar process to the coconut fiber process. Artisans that are members of the Cooperative of Family Farming Producers from the Head of the River (COOPAFCAR) produce furniture and decorative pieces from twisted yarns and cords. After taking the fiber from the banana tree pseudo stem, this fiber is dried in the sun; when it is dry, the fiber is braided into yarns of various thicknesses, according to the object to be manufactured. When it is dried up, the fiber is wetted to facilitate its twisting. Artisans usually set the beginning of the braid or cord in a support that is attached on the wall. For braids and cords that are less thick, they also use their toes during the process. In the southwestern area of Serra Geral, through the cities of Guanambi, Paramirim Caitité, Candiba and Riacho de Santana, the cotton spinning activity is more present and cohesive. Artisans from this area use the wheel and the spindle to weave traditional blankets, also known as bitús, with foba cotton, darker brown cotton also called cotton denim in Minas Gerais. Serra Geral region was a major production hub of cotton. In the XIX century, this region supplied cotton to the growing textile industry in Bahia, which reached the second half of the nineteenth century as the largest industrialized textile producer in the country. Cotton production has undergone many oscillations with the lack of incentives to overcome credit difficulties and production flow (products were transported on the backs of mules to the region of Recôncavo) and it was affected by foreign market’s oscillations. The testimonies from two artisans, Dionízia Amado da Silva, 73 years old, who lives in Alvorada, Gua-

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

dor de dos días. Luego este hilo, también llamado cuerda, es pelado, es decir, se le saca la pelusa con un pequeño cuchillo muy afilado.” (LIMA, 2008) Los hilos también son utilizados en el trenzado. La preparación de las cuerdas de fibra de plátano sigue un proceso similar al de Cocos, en Utinga. Los artesanos de la cooperativa COOPFCAR producen muebles y piezas decorativas con trenzados de hilos y cuerdas. Después de sacar la fibra del platanero, se define la espesura que va a tener de acuerdo con el objeto que se va a producir. Cuando la fibra se queda muy seca, se le humedece para facilitar la torsión. Se suele fijar un punto de comienzo de la trenza, o cuerda en la pared o, si la fibra es muy fina, también se utilizan los dedos de los pies. La región en la que el hilado del algodón está más presente es en el suroeste y en la Serra Geral, que comprende las municipios de Guanambi, Paramirim, Caitité, Candiba y Riacho de Santana. Con el uso de la rueca y del huso es posible tejer con el algodón foba- más conocido en Minas Gerais como algodón ganga, de color marrón oscuro - mantas tradicionales de la región, llamadas Bitús. La región de la Serra Geral, fue un importante productor de algodón y, aún lo es en el siglo XIX. Proveedora de la industria textil que surgía en Bahía, alcanzó en la segunda mitad del siglo XIX el puesto de mayor productor de textil industrializado del país. La producción de algodón ha sufrido muchas oscilaciones con la falta de incentivos para superar las dificultades del flujo de crédito y distribución (solía ser transportado en el lomo de los burros hasta el Recôncavo) y a las fluctuaciones financieras del mercado externo. Testimonios hechos en 2005 por las artesanas Dionízia Amado da Silva, de 73 años, residente en el barrio de la Alvorada, Guanambi, y Idalina Fogaça de Souza, alrededor de 80 años (ella misma no sabe exactamente cuantos), demuestran cómo el hilado fue y aún es importante para muchas mujeres de la provincia: “Yo nací en la Baixa do Pedro, más allá de Igaporã. Aprendí a hilar con mi madre, Maria Amado da Silva, que murió hace once años. Hoy mi hija Elita Amada da Silva Santos me ayuda a hilar, y el hilo yo se lo mando a un amiga de Riacho de Santana, que teje. “ “Yo hilo el algodón en el huso y el la rueca. De niña vivía en Amargosa, a cuatro kilómetros de Caitité. Aprendí a hilar con mi madre, que cogía el volante mientras yo le daba al pedal. Con siete años tuve mi primera rueca. Con ella he producido hilo suficiente para tejer una manta, luego he producido hilo para tejer un pantalón masculino para mi padre que me había regalado la rueca “. Doña Idalina se pasa el día hilando. Es interesante fijarse que muchas artesanas, incluso utilizando hilos industriales, consideran que los hilos no son resistentes para la tejeduría. Ellas juntan el número de hilos que les parece ideal para cada tipo de trabajo y los tuercen para formar un solo hilo, llamado línea. Para eso hacen uso de una rueda que llena un pequeño contenedor que es insertado en el telar. Otras artesanas utilizan cuerdas para hacer líneas con el huso, que luego son enceradas con cera de abeja para que adquieran aún más resistencia para coser sombreros y otros productos hechos con el trenzado. Técnica similar es nombrada por artesanos de las zonas costeras que empleaban el jugo del mangue rojo (Rhizophora mangle) para hacer líneas de algodón resistentes al agua para la fabricación de redes de pesca, antes de la llegada de la línea de nylon. Otro hilo que merece ser mencionado entre las fibras naturales procesadas industrialmente es el de la fibra de sisal, que es una fibra ya procesada extraída del Agave (Sisalana Perrine, Agaviaceae). De la región de Yucatán, México, el sisal es una fibra importante en el comercio mundial, se cultiva en las regiones áridas de los países subdesarrollados y en vías de desarrollo. Bahía es el mayor productor, representando el 92% de la producción nacional, destacando los municipios de Valente, Conceição do Coité, Santa Luz, São Domingos, Queimadas, Campo Formoso y Ourolândia. El sisal se distingue por la capacidad de generar puestos de trabajo a través de una cadena de servicios que van desde el mantenimiento de los cultivos (basado en la mano de obra familiar), la extracción y el procesamiento de la fibra, hasta las actividades de industrialización de diversos productos, así como su uso en la artesanía. En 1980 fue fundada la Asociación para el Desarrollo Sostenible y Solidario de la Región del Sisal - APAEB, una asociación sin fines lucrativos cuya misión es promover el desarrollo social, económico y sostenible con el fin de mejorar la calidad de vida en la región del sisal. La APAEB fue creada después de una movilización que se produjo a finales de los años 70, por la organización de los agricultores. La búsqueda de mejores condiciones para la comercialización de la producción de sisal llevó a la reunión de los productores para vender sisal en grupo, a la gestión de la mezcladora y luego a la producción industrial de hilos, alfombras y mantas. Actualmente cuenta con más de 450 puestos de trabajo generados directamente y mueve millones de dólares en la economía local en forma de sueldos y compra de materias primas de los agricultores. Los hilos producidos por APAEB están disponibles en varias dimensiones y colores, y son utilizados en su mayoría por artesanos que trabajan con malla de macramé, croché y trabajos manuales. Los colores varían de acuerdo con la evolución del mercado internacional de decoración, destino de gran parte de la producción de alfombras de la Asociación. La Tejeduría “Con la semilla hago la ropa Planto la semilla, sé hilar, sé tejer. Sé coser la ropa, Y aún sé bordar y hacer macramé” Doña Lió. Artesana, Guanambi. El arte de tejer se puede clasificar en dos tipos de proceso: el trabajo en trama y el trabajo en malla. El primero implica el uso de un dispositivo para tensionar los hilos de la urdimbre: el telar. Y el uso de dos componentes, urdimbre y trama, que se van cruzando para formar la tela. El segundo consiste en un único hilo de tamaño variable, y el uso o no de agujas: aguja de punto (tejido de punto), aguja de gancho (ganchillo), aguja de encaje (encaje). El trabajo en trama engloba las siguientes técnicas básicas: cruzar, enlazar y entrelazar. El trabajo en malla incluye las técnicas de entrelazado (con nudo, que caracteriza el macramé, o sin nudo) y de entrecruce (ganchillo, punto). Trabajo hecho a mano, como el nombre ya lo dice, ejecutado sin ningún aparato. El tejer consiste también en llenar una estructura o base del trenzado, se puede tejer una tamiz o tejer un cesto, llenando todo el cuerpo del objeto cruzando los hilos de la urdimbre y la trama. Los orígenes del tejer se han ido perdiendo con el tiempo y con su desarrollo, pero el hombre fue, a lo largo de su historia, universalmente encontrando soluciones similares para problemas técnicos, que se han ido diferenciado de acuerdo con la singularidad en relación a sus necesidades y su entorno. La confección de cuerdas y la fabricación de tejidos en malla o croché, se pueden

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nambí, and Idalina Fogaça de Souza, about 80 years old (she was not sure of her own age), collected in 2005, show how the spinning activity was and still is important for many women in the countryside region of the state: “I was born in Baixa do Pedro, beyond the city of Igaporã. I learned how to spin with my mother, Maria Amado da Silva, who passed away 11 years ago. Currently, my daughter Elita Amada da Silva Santos helps me to spin; then I send the yarn to a friend in Riacho de Santana, who uses the yarn to weave”. “I use the spindle and the wheel to spin yarn. When I was a child, I lived in Amargosa, four leagues away from Caitité. I learned to spin with my mother, who used the wheel to spin and let me step on the pedal. When I was seven years old, I got my first wheel. Then, I spun an amount of yarn enough to weave a blanket, after that, I spun another amount of yarn to weave a pair of men’s pants for my father, who had given me the wheel”. Mrs. Idalina spins all day long. Interestingly, several artisans are using industrial yarns, though they do not consider these yarns resistant enough to be used in the weaving process. Then, they gather layers of yarn together in an amount they consider appropriate for each job, and twist them together to form a single yarn, also called thread. To accomplish this procedure, they use a kind of tube that is added to the fishing boat to weave in the loom. Other spinsters use cords to produce yarns in the spindle, which are then waxed with beeswax to become more resistant. They use this kind of yarn for sewing hats and other products in twill braid. A similar process was described by the artisans from coastline areas, who used the juice of red mangrove (rhizophora mangle) to waterproof cotton yarns for making fishing traps before the creation of nylon threads (reference). Another kind of yarn that stands out among industrially processed natural fibers is the sisal fiber, the processed fiber that is extracted from agave (sisalana perrine, agaviaceae). From the region of Yucatan, Mexico, sisal is an important fiber in the trade world that is cultivated in semiarid regions of underdeveloped and developing countries. Bahia is the largest producer of sisal in Brazil, being responsible for 92% out of total national production. In Bahia, the following cities stand out as producers: Valente, Conceição do Coité, Santa Luz, São Domingos, Queimadas, Campo Formoso and Ourolândia. The production of sisal stands out due to its level of job generation through a service chain that ranges from the maintenance of crops, usually based on family agriculture, the extraction and the fiber processing, until the industrialized activities of various products as well as its use for handicraft purposes. In 1980, the creation of APAEB (Association for Sustainable and Solidary Development of the Sisal Region), a nonprofit association whose mission is to promote sustainable and supportive social and economic development in order to improve the quality of life from the people that live in the sisal region, represented an important event. APAEB was created after a mobilization that took place in the late 70s, through the organization of farmers from the semiarid regions. The search for better floating conditions of sisal production led to the gathering of producers who intended to sell their sisal production in group, then to the management of the sisal beater and then to sisal yarns, carpets and rugs industry. Currently, APAEB counts on over 450 jobs directly generated and deals with millions of Reais (Brazilian currency) in financial transactions within the local economy through salaries and purchase of raw materials from farmers. The yarns produced by APAEB are available in various thicknesses and colors and are mostly used by artisans who work with knitted macramé, knitting and finger work. The colors vary according to the international market decoration trends, target of most carpets that are created in the Association. THE WEAVING “Da semente faço Roupa! Planto a semente, sei fiar, sei tecer. Aí costuro a roupa, E ainda sei bordar e fazer Marambaia.” Mrs. Lió. Artisan, Guanambi. The art of weaving can be classified into two different areas: work in weft and work in mesh. The first one involves the use of a device that applies tension to the warp yarns: the loom; it also involves the use of the two components, weft and warp, and two sets of elements that intersect to form fabric. The second one is processed through the use of a single continuous piece of yarn of varying size, and the use or not of needles: pointed needle (knitting), hook needle (crochet) or hole needle (interlacing), or even a template. The work in weft comprises the following basic techniques: counter twisting, interweaving, and intertwisting. The work in mesh includes techniques of interlacing (with or without macramé knotting), and of interlacing (crochet, knitting). And finger work, as the name suggests is performed without any tools. The weaving also involves filling in the braiding structure or its base. For example, weaving a sieve or a basket is a procedure that requires filling in the object body by alternating the movements between warp and weft. The origins of weaving have been lost over time and with its development, but men throughout their path found similar solutions to technical issues that have been differentiating men through their uniqueness in relation to their needs and to the natural environment. Production of ropes, knitting, and finger knitting are among the archaeological findings that show the beginning of weaving history. These findings preceded the current fishing traps in which the fillet technique was applied, and are also the foundation to produce veranda hammocks that can be found in Barrocas village, city of Ribeira do Amparo. Finger knitting is still applied to the production of aiós, native cargo bags that are used by the people from countryside in their outdoor activities in the field, such as serving food to the animals, store hunted animals and carry various objects. The aió can be woven from sisal, caroá or licuri fibers. The fibers are obtained as described in the previous chapter. Knitting and macramé are very popular, and are also classified as meshing techniques. The easel is widely used in the coastline region to the production camboas, mats and curtains. The easel loom technique can be set between the braiding and weaving techniques: in the easel loom the warp is a vertical, flexible and mobile element, while the weft is horizontal, rigid (composed of splints), which are its filling. Through the use of easel loom, they produce camboas (fishing traps irregularly stuck in muddy or sandy soils in areas that are subject to tidal variation, preventing the fish to find a way out when the water level lowers), taboa or banana fiber mats, shoulder yoke fillings or curtains of dendê splints, Bahia’s coconut fiber or piassava fiber. Easel looms can be suspended, arranged over legs (support) or against walls as if they were a frame loom. Another equipment found, the nails loom, was used to facilitate the implementation of cross-braiding or in ‘sun and serene’ technique production, which uses industrial yarns, more commonly, wool yarns. This ‘sun and serene’ technique is close to the lacing technique, where the loom plays a background role, so we chose not to address this item here.


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

dar a conocer, gracias a los hallazgos arqueológicos que remontan a los inicios de la tejeduría. Las antepasadas de las redes de pesca actuales, en las cuales se emplea la técnica del croché, también son la base de la confección de los flecos de las hamacas, que se pueden encontrar en poblado de Barrocas, municipio de Ribeira do Amparo. La técnica de producción de la malla hecha a mano todavía se usa en la fabricación de los aiós, bolsos tipo carguero de origen indígena, muy utilizados por la gente del sertón en sus actividades en el campo, que también sirven de recipiente para la comida del ganado, para almacenar la caza y para transportar objetos diversos. El aió puede ser tejido con fibras de sisal, caroá o licuri. Las fibras se obtienen de la forma como se ha descrito en el capítulo anterior. El tejido de punto y el macramé son muy populares y también se caracterizan como tejeduría de malla. También está la técnica de tejer que utiliza un caballete como base, muy usado en la costa para hacer camboas (trampas de pesca fincadas en los suelos de lama o arenosos, en zonas sujetas a la variación de las mareas, que impiden los peces de encontrar la salida), esterillas de fibra de platanero, rellenos de albardas y cortinas de fibra de dendê, coco, o piasava. Los telares de caballete pueden ser colgados, puestos sobre las piernas o apoyados en la pared, como el telar de marco. Otro equipo encontrado fue el telar de clavos, utilizado para facilitar la ejecución del trenzado, o en la producción del tipo “sol y luna” (un tipo de trama simple, muy abierta) que utiliza hilos industriales, más comúnmente el hilo de lana. Este proceso se acerca a la técnica del encaje, con el telar ejerciendo de bastidor, así que se optó por no abordar este tema. Para definir el escenario actual de la tejeduría en la artesanía de Bahía, todavía se puede usar la clasificación regional sugerida por Costa Pereira, que en la década de 1950 realizó una investigación, a pedido de la Comisión de Planificación Económica, con el objetivo de crear un “plan de apoyo y desarrollo de las actividades típicamente artesanales realizadas en todas las provincias, bajo la forma de producción casera, o centrada en pequeños talleres”. En libro “Artesanía y Arte Popular”, hay un capítulo dedicado a Tejeduría Manual, en el que se identifican las tres regiones de Bahía donde se desarrolla este tipo de actividad: • Noroeste de la provincia - Paulo Afonso, Caldas de Cipo y Tucano; • Oeste de la provincia - en las subregiones del Médio São Francisco y algunos de sus afluentes - el Río Corrente y el Río Preto; • Serra Geral - fue en esta región que Costa Pereira encontró mayor nivel de desarrollo de la actividad. Actualmente se puede dividir la región noreste de la provincia en tres sub regiones distintas, que vamos a abordar de acuerdo con el tipo de telar utilizado: • Los municipios de Nova Soure, Cipó y Ribeira do Amparo: producen hamacas de trama cerrada, es decir, hamacas tejidas en telares verticales de origen indígena, adornadas con elaborados bordados hechos en la propia trama. También producen un gran número de hamacas ligeras con el uso de la técnica del macramé. • El municipio rural de Euclides da Cunha: cuenta con una producción interna dinámica hecha con el telar vertical de trama abierta. Producen hamacas de cambito o carrera (cestas que se cuelgan en los animales para transportar comida y otras cosas). Tienen influencia de los grupos indígenas Kaimbé y Kiriri. • Paulo Afonso, Jeremoabo y Rodelas: donde están ubicadas las cinco asociaciones que forman el grupo de tejeduría del noreste de Bahía. Producen hamacas en grandes telares horizontales de pedal que tuvieron su origen a las orillas del Río São Francisco con la producción artesanal de hilos de algodón. Hoy la comunidad de Malhada Grande es referencia para la reanudación y la formación de otros grupos. Utilizan ovillos de hilos industriales. El conocimiento de la técnica de la tejeduría incluye también el conocimiento de la construcción de su equipo: el telar, los lisos de hilos, el batan o peine y el huso para torcer las cuerdas. En los telares horizontales, el liso, las poleas y el peine (anteriormente fabricados con vigas de la palma de licuri). Además del dominio de los procesos de hilado y teñido, necesarios para la preparación de los hilos. Actualmente, a pesar de la facilidad en la adquisición de hilos industriales que hacen más ligero el proceso, en la región de la Serra Geral, municipio de Guanambi, las artesanas, sea por la costumbre o por amor al arte, todavía hilan en la rueca o en el huso, y tejen en antiguos telares horizontales (de origen portugués) montados al aire libre en sus patios las mantas de tela (llamadas bitús) y también los tejidos que son el recuerdo de los viejos pantalones rayados que hasta mediados del siglo pasado fueron la base de la ropa del hombre del sertón. En el oeste de Bahía, en los municipios de Cocos y São Desiderio, reina el telar vertical de origen indígena, que suele tejer la fibra de buriti. Las tejedurías practicadas en los dos municipios tienen características diferentes pero que comparten entre sí el uso de la fibra de la palma. El principal producto de la tejeduría de Bahía es la hamaca, seguido por las mantas Bitús, especialidad de la región de Serra Geral. La hamaca tiene gran importancia para la gente del noreste, como destacó Luis da Camara Cascudo en su obra “Hamaca de Dormir - Una Investigación Etnográfica”. “La hamaca se convierte en parte inseparable de los indígenas, del mestizo, del hombre del sertón contemporáneo, que camina en la sequía, con la hamaca en la espalda. La hamaca es el mueble, el tesoro, la parte esencial, estática, incalificable de su dueño. Adónde iba el indígena, se llevaba la hamaca con él. Aún hoy en día el hombre del sertón del noreste de Bahía sigue esta norma secular. La hamaca es parte de su cuerpo. Es lo último que vende delante de la miseria absoluta “. Los equipos y herramientas fueron desarrollados o adaptados para la producción a lo largo de los años, manteniendo su configuración básica que poco cambia, pudiendo la hamaca tener o no adornos en los bordes laterales. Pero tienen la misma función descrita por Pero Vaz de Camina en su carta de presentación de Brasil al rey de Portugal, en la época del descubrimiento: “Y según decían, a legua y media de una aldea, donde habían nueve o diez casas, que decían que eran tan largas, cada una de ellas, como esta embarcación. Y eran de madera, y cubiertas con paja, de altura razonable; y todas con un espacio único, sin divisiones, tenían muchos pilares dentro; y de pilar en pilar, había una hamaca atada con cables anudados en cada pilar, colgadas en lo alto, en donde dormían. Y abajo, hacían hogueras para calentarse”. La Malla La técnica de producción de la malla artesanal en el estado comparte un mismo territorio, la región norte noreste de Bahía, y el producto más popular es el aió (bolso carguero). Hay pequeñas variaciones en la confección y elección de la técnica utilizada, pero hay poca diferencia en el producto final; la malla tejida con los dedos es más abierta que la malla de tricot. Los artesanos de Jaguarari, en la localidad de Laje do Flamengo, producen aió (bolso carguero) sólo

To set the current scenario of handicraft weaving in the state of Bahia, we can use the regional classification indicated by Costa Pereira who, in the 1950s, conducted a study for the Economic Planning Commission with the purpose of creating a “support and development plan of typical handicraft activities carried on throughout the state in the form of domestic industry or concentrated in small workshops.” In the volume entitled Handicraft and Folk Art, there is a chapter entirely dedicated to manual weaving, in which it identifies three areas of occurrence in Bahia: Northeastern of the state – cities of Paulo Afonso, Caldas de Cipó and Tucano; Western of Bahia, in the sub-regions by the medium level São Francisco river and some of its affluent – Rio Corrente and Rio Preto, also in the cities of Cocos, San Desidério and Barreiras; Serra Geral – this region is where Costa Pereira finds the most developed activity. Cities of Guanambi and Paramirim. Currently, the northeastern region of the state can be subdivided into three distinct sub-areas according to the kind of loom that is used: The cities of Nova Soure, Cipó and Ribeira do Amparo produce boarded hammocks, that is, hammocks with closed weft that are woven in native vertical looms, and decorated with embroidery that is done in the weft itself, in addition to lightweight knots or lint hammocks that are largely produced through the macramé technique; In the rural area of Euclides da Cunha, there is a dynamic homemade production of cambito and carreira (open weft) hammocks in vertical loom, which is related to the influence of native production of Kaimbé and Kiriri native ethnic groups; Paulo Afonso, Jeremoabo and Rodelas cities, where there are five associations that form the weaving group in the northeastern region of Bahia, produce hammocks in large horizontal pedal looms that were originated by São Francisco river, with the production of natural cotton yarn; currently, Malhada Grande community is the reference for training other groups; they use industrialized yarn in coils. The technical weaving expertise also includes the know-how to build the required equipment: the loom, the yarn heald, the batter and the spindle to twist the wrist ropes. In horizontal looms, the heald, the pulleys, and the comb (they were formerly manufactured with splints of licuri palm tree). This expertise also includes the spinning and dyeing processes that are necessary to prepare the yarns. Lately, despite the easiness in acquiring ready industrial yarns, there are artisans in the region of Guanambi city, in Serra Geral, who still rely on the spindle and weave on old mainstay horizontal looms (which are Portuguese looms) due to their habits, stubbornness or love to handicraft. These equipment are assembled outdoors in their yards where they produce fabric blankets that are called bitús, and fabric that reminds them of old men’s pants that used to be the basis of the countryside men dressing until the middle of last century. In the cities of Cocos and São Desidério, west region of the state, the weaving on native vertical loom that uses buriti fiber is highly seen; they have different characteristics, but share the use of palm tree fiber. The main weaving product in Bahia is the hammock, followed by bitús blankets, especially in the region of Serra Geral. The hammock has great importance to the people from the northeastern area of Brazil, as Luis da Câmara Cascudo pointed out in his work: Hammocks - An Ethnographic Research : “The hammock becomes inseparable from native people and modern people from countryside, who walk randomly to avoid droughts, with a hammock in their backs. The hammock is their furniture, belongings, essential, static and unspeakable part of their owners. Where the native people went, they took the hammock. Even today, people from the countryside of the northeastern area from Brazil follow the secular standard. The hammock is part of their body. It is the last thing they get deprived of before absolute misery.” Each group left its identity in the production of their hammock based on the available raw material, the choice of colors, patterns and decorative elements, such as embroidery and verandas, which can be simple or elaborated with macramé fringes, crochet and knitted embroidery. The equipment and instruments were developed or adapted for their production over time, maintaining its basic configuration with few variations; the hammock may or may not have mamucabo or veranda. The hammock, however, has the same shape and function as it was described by Pero Vaz de Caminha in his letter to Portugal’s king about the discovery of Brazil: “And according to what they said later, there was a league and a half away from a village where there would be nine or ten houses, and each one was so long as this captaincy ship. And they were made of wood and wide wooden boards, and covered with straw of a reasonable height; and everyone has a single room, with no division at all, with lots of mainstays inside, and from mainstay to mainstay there is a hammock attached to cables in each mainstay, high, where they sleep in. And underneath, to warm them up, they built a fire” . THE KNITTING Production techniques of handicraft knitting in the state share the same territory, the northern / northeastern areas in Bahia, where the most popular product is aió. There are slight variations in the preparation and in the definition of the technique to be applied, but the finished product shows few variations; the mesh obtained through the finger work is more open than the knitting mesh. The artisans from Jaguarari, in the village of Laje do Flamengo, produce aió by using only their fingers and a small, old horn. The aió that is produced there has its handle woven through the yarn that is manually woven from caroá. Similarly, the artisans from the Pankararé ethnic group in Brejo do Burgo, a city of Glória, which was originated from the braiding tradition that is made in the city of Tanquinho, next to Raso da Catarina, in Macururé, where the artisans are engaged in the production of twisted aiós, and are expert in the entire process, as described by the son of craftswoman called Marlene; he recorded the handicraft steps of his mothers. In Massacará, land of Kaimbé ethnicity, Nina is a multi-skilled artisan and a guardian of the expertise and practices of her ethnicity that uses a small needle to weave meshes with licuri yarn. The artisans from Valente and Araci, on the other hand, use both sisal knitting and caroá knitting to produce several kinds of handbags. Knitting is a technique to weave the yarn in an organized manner, thus creating a cloth that by its characteristics of elasticity and texture is called mesh knitting or simply knitting. The artisans from the cities of Tanquinho, Valente, exemplify the knitting work. According to Camila Henry, from the Folklore Museum: “It starts with a loop that is made on the hand and passes by the needle, where the loops complete according to the work width, followed by a knot, to start knitting with two needles”. The artisans from Tanquinho are also known for the songs they sing while they are working. These songs have been recorded on CD, according to a Ministry of Agrarian Development - MDA project. The sisal singers, as they are kindly called in their songs, talk about life in the countryside through verses and improvisations.

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

con la ayuda de los dedos y un pequeño y antiguo cuerno. El aió producido ahí tiene su asa tejida con el hilo hilado manualmente con la fibra de caroá, al igual que hacían los artesanos de la etnia Pankararé, en Brejo do Burgo, en la localidad de Tanquinho, región cercana al Raso da Catarina, en Macururé. Ahí los artesanos se dedican a la producción de aiós trenzados y dominan toda la cadena de producción, como tan bien describe el hijo de la artesana Marlene, que ha registrado con dibujos todas las etapas de la artesanía hecha por la madre. En Massacará, tierra de etnia Kaimbé, Nina, artesana polivalente, guardián de los conocimientos y prácticas de la etnia a la que pertenece, usa una pequeña aguja delgada para tejer la malla con hilo de licuri. Ya las artesanas de las localidades de Valente y Araci utilizan tanto el tricot de sisal, como la malla de caroá para producir una infinidad de modelos de bolsos. El tricot es una técnica para entrecruzar los hilos de forma ordenada, creando así un tejido que, por sus características de elasticidad y textura, se denomina tejido de punto malla o simplemente tricot. Los artesanos de las ciudades de Tanquinho, Valente, ejemplifican el trabajo en tricot. Según Camila Henrique, del Museo del Folclore: “Empieza con una cadeneta que se hace con la mano y se cierra con la aguja para formar un circulo, de acuerdo con la anchura de la pieza, seguido de un nudo, para empezar a tejer con dos agujas.” Las artesanas de la ciudad de Tanquinho también son conocidas por las músicas que cantan mientras trabajan y que han sido grabadas en un CD gracias al proyecto del Ministerio del Desarrollo Agrario-MDA. Las cantantes del sisal, como se les llama cariñosamente, hablan de la vida en el sertón a través de los versos improvisados de sus canciones. “Tejer manualmente es parte del día a día de las mujeres, y su trabajo está totalmente integrado al movimiento de sus cuerpos. Este movimiento constante impregna todas las actividades que no necesiten las manos. No es raro ver las artesanas caminando, transportando agua y hablando, mientras tejen”. (AGUIAR, Luciana. Fibras do Sertão) En Araci, Valente São Domingo, las artesanas forman parte de la Cooperativa Regional de Artesanas Fibras del Sertón- COOPERAFIS. Ellas también utilizan técnicas de trenzado cosido del cual hablaremos en el capítulo sobre el trenzado. La COOPERAFIS, a través del desarrollo de proyectos para la búsqueda de subvenciones, intenta modernizar la producción, manteniendo su base tradicional. Las comunidades de Valente y Araci usan agujas hechas con varillas de sombrillas y en el pueblo de Pituba, en Nueva Fátima, se utilizan agujas hechas con asas de balde. La ciudad de Barra, está a 40 minutos en coche del centro del municipio. Su economía está basada en la agricultura y el grupo de artesanas es formado por campesinas y amas de casa que también se dedican a la artesanía. El grupo se reúne en el galpón de la asociación de agricultores que también está involucrada en el desarrollo de la apicultura. El pueblo se articula alrededor de un gran campo de fútbol, pero muchas artesanas viven en propiedades rurales muy apartadas del centro. El grupo de Pituba reúne alrededor de 23 mujeres. La producción es extensa en términos de productos, predominando el uso del tricot de sisal. Las alfombras grandes son la especialidad de la localidad y se venden a precios insatisfactorios, motivo por el que las artesanas vienen diversificando la producción con la creación de bolsos y objetos de decoración para el hogar. La producción de alfombras incluye alfombras para el umbral de la puerta, de 50x70cm, y alfombras que van desde 1mx1m a 2mx2m. Las alfombras más grandes son hechas por partes que pueden variar en color y una vez hechas son unidas, de esta manera la confección se vuelve menos agotadora para la artesana, proporcionando también un buen manejo de la aguja. De lo contrario, el tejido acabado pesaría en la aguja, dificultando su movimiento. El macramé hecho en Valente y São Domingos, es especialidad de la localidad de Alto Sereno, que está a orillas de la autopista BR 324, también conocida como Kilómetro 85. Su nombre actual se debe al nombre de la granja que pertenece a la pareja Semirames Angélica de Queiroz y Roque Ferreira Carneiro. Hoy viven en la casa de Alta Sereno cerca de 30 familias. Doña Senhorinha, Senhorinha Almeida da Silva, de 57 años, es ex vecina de Alto Sereno, nacida en la granja Lagoa do Canto, Riachão do Jacuipe, llegó a la ciudad en 1971, ya casada. Además de las tareas del hogar, hacia trenza para la esterilla de pindoba, hacía bordado a mano y en la máquina. Recuerda que el sisal tenía muchos fines: cama de viento (especie de hamaca de dormir), cabestro (lazo para animales). El sisal era desfibrado con un “farracho” (lámina de metal). Tambén se usaba el caroá para hacer cabestro, pero la fibra era más corta, y había que remendar. Concluye. La cama de viento (hamaca de dormir), hecha en madera, con estructura plegable y asiento trenzado de cuerda de sisal o caroá, todavía es utilizada por mucha gente del sertón, de la región de Nova Fátima. Doña Dete, Bernadete Santos de Oliveira, y su marido Policarpo Paulino de Oliveira, tenían en 2006 un ejemplar que cedieron para la central de comercialización de los grupos Arte y Fibra para que quedara expuesto. Doña Dete enseña que por encima de la tarima se ponía una esterilla de pindoba, lienzo o colchón de hierba. Para empezar a hacer piezas de macramé si necesita un palo de madera, o un trozo de hilo para las piezas más pequeñas, que los artesanos improvisan reciclando trozos de madera o cuerda. La longitud del palo de madera varía de acuerdo con la anchura que se pretende para el producto. Los hilos son dispuestos a lo largo del palo y plegados por la mitad, la longitud de los hilos es superior a la de la pieza acabada, debido a que el nudo requiere una mayor extensión del hilo. Para el macramé, cuanto más cerrada la trama, más hilo se necesita. Las artesanas utilizan los hilos producidos por la asociación APAEB. Hilo más fino utilizado en la producción de productos de mesa y bolsos hechos con la técnica del macramé y ganchillo. Hilo más grueso utilizado en la producción de alfombras. Al elegir los hilos se determina también el modelo de la pieza, los colores y las rayas. Las rayas siempre siguen en sentido perpendicular al palo. Para llevar a cabo el acabado, se cortan los hilos sobrantes en el pliegue que une la malla al palo en la parte superior, en la parte inferior se dejan los flecos. En caso de querer el borde con acabado liso, los flecos son incrustados en la trama. El macramé es de origen árabe. Se supone que el arte de hacer nudos decorativos ha sido introducido en Europa por los árabes en el siglo XVI. Con el macramé se hacen flecos de varios tipos, pero también se pueden hacer tejidos resistentes. El hilo utilizado puede ser fino o grueso, dependiendo del tipo de fleco deseado. Lo esencial es que el hijo sea bien torcido y resistente y que resbale bien, pues la técnica del macramé se basa exclusivamente en la formación del nudo. La consultoría del Instituto Visconde de Mauá analizó junto a las artesanas la producción de dos grupos y llegó a la conclusión de que se utilizaba la misma trama cerrada para producción de alfombras y manteles de mesa. Y una trama muy densa que es ideal para alfombras, no es adecuada para productos de mesa. Este aspecto fue debatido con las artesanas y se ha propuesto hacer una prueba utilizando una trama más abierta, ya que los prototipos han demostrado que era viable;

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“Weaving by hand is part of the women’s daily routine, and their work is fully integrated with the movement of their bodies. This continuous movement permeates all activities that do not require the use of their hands. It is not uncommon to see the artisans walking, carrying water and talking, while weaving.” (AGUIAR, Luciana. Countryside Fibers) In the cities of Araci, Valente and São Domingo, where the artisans are part of the Regional Cooperative of Countryside Fibers Artisans (COOPERAFIS) use sewn braiding techniques, whose production has been addressed in the chapter about braiding. COOPERAFIS, through the development of projects to participate into public notices, keeps products up-to-date while maintaining their traditional foundation. Valente and Araci communities use needles that are made with reused umbrella rods, while in Pituba village, in the city of Nova Fátima, they use needles that are made with buckets handles. Pituba village is about 40 minutes away from downtown by car through an unpaved road. Its economy relays on agriculture and the group of artisans is formed by farmers and housewives who are also dedicated to handicraft activities. The group meets in the farmers’ association shed, being these farmers also engaged in the development of beekeeping. The village grows around a large football field, and many artisans inhabit rural properties that are away from downtown. Pituba’s group brings together approximately 23 women. The production counts on a large number of items. And the most applied technique uses sisal knitting. Larger carpets are the location’s specialty and are sold at low prices, so the artisans are diversifying their production with the creation of bags and home decor items. The production of carpets includes door mats (50x70cm) and carpets of sizes that range from 1mx1m to 2mx2m. The larger mats are made in parts that may vary in color and that are joined together once all parts are finished. Thus, the manufacturing becomes less strenuous to the artisans, and allows them to have a good performance with the needle; otherwise the finished fabric would be heavyweight, making their movement harder. The macramé technique used in Valente and São Domingos is the specialty of Alto Sereno village, which is located along BR324 highway, formerly known as Kilometer 85. Its current name is related with the name of the farm that belongs to the couple Semírames Angélica de Queiroz and Roque Ferreira Carneiro. Currently, Alto Sereno houses about 30 families. Mrs. Senhorinha, Senhorinha Almeida da Silva, 57, is an old resident of Alto Sereno. She was born on Lagoa do Canto, in Riachão do Jacuípe, and came to town in 1971, when she was already married. In addition to the household tasks, Mrs. Senhorinha used to braid pindoba mats and she embroidered by hand and using the machine. She remembers that sisal was used in so many things, such as “wind bed”, halter, and lasso rope to dismount animals. Sisal was shredded in the farracho with a counterbalance, but caroá was also used to make halter rope, “but as the fiber was shorter, we had to mend it.” She completes. The bed of wind is made of wood and has a folding structure and its seat is made of sisal or caroá braided rope. This kind of bed is still used by many people from countryside, in the region of Nova Fátima. Mrs. Dete, Bernadete Santos de Oliveira and her husband, Mr. Paulino Policarpo de Oliveira, donated one of those beds of wind to be exposed in the trade center of Art and Fiber groups in 2006. Mrs. Dete highlights that over the bed dais there was either a pindoba mat, a piece of canvas, or a grass mattress. To start knitting through the macramé technique, the artisans need a slat or a piece of yarn to smaller pieces, and they improvise both by recycling pieces of wood or rope. The length of the slat varies according to the width that is intended for the product. The yarns are arranged in a way that they trespass the slat and then folded in half. The initial yarns length is usually larger than the finished product because the tied knots require greater yarn length. For macramé technique, the closer the weft, the larger amount of yarn is required. The artisans use the yarns produced by: bar 1, thinner yarn used in kitchen table products and bags that are produced in macramé and knitting, and bar 2, thicker yarn used in carpets production. By arranging the yarns, they already establish the piece pattern, such as colors and stripes. The stripes do not always follow perpendicularly to the strip. To finish up the piece, they cut the folded line of the yarn that connects mesh and slap at the top, while they leave a shredded fringe at the bottom. For edges with a smoother finishing, the fringes are embedded in the weft. Macramé is an Arabian technique. The art of knotting and braiding yarns might have been introduced in Europe by the Arabian people in the sixteenth century. Macramé is a technique that allows not only making several types of fringes, but also producing resistant fabrics. The yarn may be thin or thick, depending on kind of fringe. The key to a well-executed fringe is a well twisted and resistant yarn that can slide smoothly because macramé is a kind of work exclusively based on the knots formation. The consulting department of Visconde of Mauá Institute together with the artisans analyzed production groups and realized that the products have used the same closed weft for carpets and table sets. The dense mesh that is appropriate for carpets was not very suitable for table sets. They discussed this issue and the Institute proposed that the artisans try to produce a more open weft. The prototypes showed that using an open weft was feasible, because it allowed producing lighter, more sophisticated products by using fewer raw materials. They have also incorporated to the table sets decorative elements made of sewn sisal fiber; stars and full moons. In the cities of Cipó and Ribeira do Amparo, there are two associations that produce hammocks through macramé technique. They produce open weft by using lint (cotton yarns from the warp of industrial machinery). These associations are Trama Cipó, Association of Art and Rescue of Liana Culture, and BRAR Handicraft Group, Community and Cultural Association from Bariri, Rio Seco, Alto, and Rio Quente de Cima, which currently gathers a group of 20 associates. Both associations were formalized in 2009 by gathering artisans, youngsters and adults, of both genders. The associations have the common goal of dignifying the handicraft in their cities, which involves a significant amount of people to produce hammocks, curtains, shelves and hanging brackets for plants through the cotton lint macramé. Márcia Brandão, technician from Institute of Artisans Visconde de Mauá who is responsible by following this group, highlights the fellowship scenario that gathers the youngsters members of BRAR Handicraft Group, and how this factor is crucial to the success that the group reaches by proposing ways to apply solidarity production where the individual work rules. Trading these hammocks was and still is a very profitable activity due to the small amount of money that the artisans receive; each piece usually reaches three Reais and takes two hours and a half to be made, on average. The hammocks are sold by hundreds throughout the country and also in Argentina. To manufacture a hammock, the craftsman uses a wire hook attached to the ceiling or roof as support, and starts the making the hammock by the handle (piece that supports the hammock in the wall hook). Additionally, they use a small board, which is a piece made of wood or Eucatex® to standardize the weft size. To finish up, they remove the hammock from the hook and form the other handle. In the region of Serra Geral, in Guanambi, macramé is a technique associated with the traditional cotton weaving and is called: marambaia. Old hand towels found in the collection of artisans testify that macramé


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

posibilitando la fabricación de productos más ligeros, sofisticados y más económicos en materia prima. A los productos de mesa se han incorporado elementos decorativos, como estrellas y lunas llenas, hechos con fibra de sisal cosida. En las localidades de Cipo y Ribeira do Amparo dos asociaciones producen hamacas con la técnica del macramé. Son tramas abiertas, utilizando pelusas (hilos de algodón que quedan en la urdimbre de las máquinas industriales). La asociación Trama Cipó, Associação Arte y Resgate de la Cultura del Cipó y el Grupo de Artesanía del BRAR, Associação Comunitária y Cultural de Bariri, Rio Seco, Alto y Rio Quente de Cima que hoy cuenta con veinte asociados. Ambas se formalizaron en 2009 y reúnen artesanos jóvenes y mayores, hombres e mujeres. Las asociaciones tienen objetivos comunes para honrar la artesanía en sus municipios, actividad que moviliza un número significativo de personas en la producción de hamacas, cortinas, estanterías y soportes colgantes para plantas hechos de macramé de pelusa de algodón. La comercialización de estas hamacas, que se venden en cantidad en todo el país y también en Argentina, fue y sigue siendo muy rentable, teniendo en cuenta el bajo valor que se paga a los artesanos, alrededor de tres reales por una pieza que tarda dos horas y media en hacerse. Para confeccionarla el artesano utiliza un gancho de alambre preso al techo como soporte y empieza a hacer el asa de la hamaca (soporte que sujeta la red al gancho) y con la ayuda de un tablero de madera molda la trama. Para terminar, saca la hamaca del gancho y hace la otra asa. En la región de Serra Geral, en Guanambi, el macramé se asocia a la tejeduría tradicional de algodón y se llama: Marambaia. Toallas de mano antiguas que son parte del acervo de los artesanos certifican que la utilización de esta técnica en la región se remonta a más de cuatro generaciones. La técnica del macramé está bien distribuida en todo el interior del noreste. Es más bien conocida por los flecos de las hamacas y toallas. Entre las artesanas que hacen macramé se destacan Ana Fiúza Caires, nacida en Guanambi. Según Ana, el macramé es ampliamente utilizado en Guanambi para decorar la mesa y las toallas hechas en telares, así como se usa de forma autónoma para confeccionar otros productos. Tejeduría En Telar Vertical El telar vertical tiene origen indígena y utiliza diferentes materias primas para hacer esterillas y principalmente hamacas. Cuando la tela de la hamaca no lleva cabuyera ni hico en el acabado, entonces se convierte en manta. En telar vertical se teje con hilos de seda de buriti, hilos de caroá, hilos de licuri (imbés de pindoba), pelusa de algodón y hilos de ropa vieja reutilizados. La versatilidad en el uso de los hilos es una de las razones del telar vertical seguir siendo utilizado en comunidades indígenas y en comunidades que tienen la cultura del sertón como base. El telar es ligero, plegable y puede se utilizado por más de un artesano, así como en una casa donde tejen muchos miembros de una misma familia pueden haber más de un telar. Algunos son desmantelados cuando no hay uso, otros se montan en el salón, en la cocina o el patio y todos en la casa contribuyen cambiando las vigas del telar, como pasa en la localidad de Euclides da Cunha. “En las ciudades de Caldas do Cipó y Tucano la tejeduría se resume a la fabricación de hamacas de caroá y colchas de algodón de seda. Las hamacas, que se venden en los mercadillos, son muy diferentes de las que se suelen encontrar en el sertón. En la producción no se obtiene exactamente una tela, sino más bien una especie de trama - lo que hace con que se parezcan a las hamacas indígenas primitivas, lo que nos lleva a asignar un origen local para este tipo de artesanía. El proceso consiste en sujetar los hilos más largos (poco más de dos metros) como si se fuera preparar una urdimbre; luego estos hilos se unen cuando los demás pasan, trenzándose en el sentido transversal, manteniendo una distancia de más o menos cinco centímetros entre ellos. Las extremidades son finalizadas formando las asas de la hamaca, que una vez hecha tiene las dimensiones de 2,20 m de largo por 1,50 m de ancho. La fibra se tiñe con anilina de varios colores - destacando el verde, amarillo y morado-vivo -resultando un producto muy llamativo”. Fue así como Costa Pereira definió la producción de las hamacas en las localidades de Tucano y Cipó en la década de 1950. Hoy en día la producción de hamacas es casi inexistente en Tucano. Ya Cipó comparte con Nueva Soure y Ribeira do Amparo la producción de hamacas “tapadas” en las ciudades de Mairi, Curral Novo y Barrocas. respectivamente. Las hamacas de Barrocas son muy conocidas por la presencia de formas geométricas en el diseño de las telas hechas por los artesanos de ahí. Así como por los antiguos flecos hechos en malla, con diseños que formaban cuadrados llenos de flores, pájaros y muñecas”. La producción de los flecos está en desuso y se hace únicamente por encargo. Mairi, en Cipó, es hoy el mayor centro de producción de hamacas “tapadas”, y también utiliza formas geométricas, bordadas con el telar. Pero la preferencia de las artesanas es por el diseño de cuadros. Su forma de tejer dispensa el uso del peine para guiar el trenzado, ya que producen sólo las redes “tapadas”, es decir, sin espacios entre la trama, como las de Euclidles da Cunha y las de las artesanas de las etnias Kaimbé y Kiriri. Sin embargo utilizan lisos móviles que desmenuzan la tela que queda para el reciclaje de la línea. Estos lisos miden cerca de seis centímetros de ancho y llevan una asa para que se puedan manejar hacia arriba y hacia abajo para separar los hilos de la urdimbre y los hilos de la trama mientras pasan. Después de pasar algunos hilos, la artesana utiliza un batidor hecho en madera para golpear la trama, dando resistencia al cuerpo de la tela. Las artesanas de Mairi y de otras localidades sacan del telar la tela de la hamaca para hacer el acabado, y los miércoles la exponen en el mercadillo. Las artesanas de los municipio Nova Soure, Cipo y Ribeira do Amparo venden sus hamacas los miércoles en el antiguo mercado municipal, hoy dedicado casi exclusivamente a la venta de pelusa, bolsos de pindoba (licuri y ariri), muñecas y plumeros de sisal. Estos últimos poseen pocos productores que siguen activos. Los productos artesanales vendidos en el mercadillo de Cipó son comercializados al menor y al mayor, costumbre que perdura desde hace décadas. El territorio de las hamacas de “carrera”, “espejo” o “punto blanco” es la zona rural de Euclides da Cunha y comparte conocimientos de tejeduría con telar vertical de origen indígena en las etnias Kaimbé y Kariris, antiguos habitantes del sertón de Bahía que siguen resistiendo con valentía, y ya tienen sus tierras reconocidas. Son muchas las aldeas de Euclides da Cunha rural que tejen hamacas: Caimbé, Serra Branca, Capoeira, Jurema y Muriti. En estas comunidades el trabajo de producción de hamacas se mezcla con el trabajo en el hogar, no constituyéndose una actividad autónoma que tiene el lucro como su principal motivación. El tiempo de producción depende de cuánto tiempo se lleva retorciendo los hilos en el huso o deshilando la ropa vieja. Este conocimiento que reúne técnicas y procesos puede desaparecer si no se vuelve objeto de

use in the region dates back over four generations. The use of macramé is well distributed throughout the northeastern countryside areas, and is well known by the hammocks and the shredded towel bars. Among the artisans who use marambaia, Ana Fiúza Caíres stands out. She was born in Guanambi and, according to her marambaia is widely used in Guanambi to decorate tables with central pieces and towels that are made in the loom, in addition to give an autonomous shape to other products. WEAVING IN VERTICAL LOOM The native vertical loom uses a variety of raw materials for making hammocks and mats. The so-called hammock cloths can be fully woven without adding handle cords to mamucabo, and be transformed into blankets. In vertical loom, the weaving technique counts on the use of buriti yarns and silk, caroá yarns, licuri yarns, cotton lint and reused yarns from old clothes. This versatility must be considered as being one of the reasons for the vertical loom usage have lasted within native and/or already cultured communities, which is the foundation of the expertise of countryside people. The loom is lightweight, collapsible and more than a craftswoman can use each loom, for example, in a house where there is more than one loom, each of them can be used by more than one family member. Some looms are dismantled they are not being used, while others are maintained in the living room, kitchen or laundry area and everyone in the house contribute swapping cambitos (wooden hook in which the shoulder yokes are fixed on both sides of the animal to transport grass, sugar cane, and other goods) and forming knitting rows, as in Euclides da Cunha region. Costa Pereira, in the 1950s, referred to the hammocks manufacture in the cities of Tucano and Cipó as follows: “In Cipó and Tucano, the weaving activity comprises only caroá hammocks and “silk cotton” blankets. The hammocks that are sold at fairs are quite different from those commonly found in the countryside area. The weaving process does not form a fabric, but rather a kind of mesh - what identifies them with the primitive indigenous hammocks and shows us the local in which this type of handicraft was originated. The process consists of extending the largest yarns (little over two meters) as if they would prepare a warp; then, these yarns are joined together through by passing other yarns and forming a crosswise braiding, with space of five centimeters or so. The ends are finished off by forming the handle, and being manufactured this way, the hammock ends up being 2.20 meters long by 1.50 meters wide. The fiber is dyed with aniline in various colors - green, yellow and dark purple stand out in this case – which results in a pretty and showy product set.” Currently, the hammocks production has almost vanished in the city of Tucano. Cipó, on the other hand, is a city that shares with Nova Soure and Ribeira do Amparo the production of “covered” hammocks in the cities of Amari, Curral and Barrocas, respectively. Barrocas has the best known production of hammocks, which use geometric patterns that the craftswoman uses to decorate hammock cloths. The city is also known by its old veranda that is made in fillet or jereré knitting, which had its weft filled in every and other frames, by forming flowers, birds, and “dolls” shapes. Nowadays the production of verandas is in decline; these verandas are manufactured only on demand. The village of Amari, in Cipó, is currently the largest production center of covered hammocks, which also use geometric patterns embroidered on the loom. However, the artisans prefer the checkered weft because it does not required the use of an arrow to guide the knitting rows, since they only produce “covered” hammocks, that is, with no spaces between among the weft yarns, such as the ones that are produced in Euclides da Cunha and by the artisans from Kaimbé and Kiriri ethnicities. They use, however, the mobile heald cord that is shredded when the cloth is finalized so the yarn can be reused. These healds are about fifteen centimeters wide and have a handle so they can be moved up and down towards the weaver, to separate the warp yarns and pass the weft yarns through. After passing a few yarns, the weaver uses a comb or wooden knife-shaped beater to beat the weft yarns and make the fabric body resistant. The artisans of Amari village and other places remove the hammock cloth from the loom on Tuesdays to finish them up and exhibiting those cloths at the fair on Wednesday. The artisans from the cities of Nova Soure, Cipó and Ribeira do Amparo trade their hammocks on Wednesdays at the old downtown market, which is currently dedicated almost exclusively to the sale of lint, pindoba (licuri and ariri) bags, dolls and sisal mops. This last product has few producers that still work with this manufacture activity. Handicraft products offered at Cipó fair are sold in retail and wholesale based on the same situations and habits that last for decades. The rural area of Euclides da Cunha is now the territory of “career”, “mirror” or “white stitch” hammocks that shares weaving expertise on the use of native vertical loom with Kaimbé and Kariris native ethnicities, ancient inhabitants of Bahia who bravely resist and have been granted their land. Several villages in Euclides da Cunha rural area are involved in hammocks weaving activity: Caimbé, Serra Branca, Capoeira, Jurema and Muriti. In these communities, they mix the weaving activities with housework, so making hammocks is neither an autonomous nor a profitable activity. Production time depends on how long it took to twist the yarns in the spindle or to shred used clothes. Despite combining several techniques and processes, this expertise is in risk of disappearing if it does not become a research matter and counts on technical support to assist in its preservation. This expertise is also the source of income for groups of women to whom the weaving is an activity that also plays an important role in sociability, and represents the identity of their communities, being vital for creating bonds among various generations and for settling them on their land. Being a “hammock maker” is synonymous of being a weaver, an educated word that is almost unknown by the artisans of Euclides da Cunha. According to Mrs. Rosa Ferreira, from the village of Caimbé, 71 years old, “we used to weave with cotton, then lint was introduced with all sorts of colors: blue, pink, white, red [...]”. “Colored lint was good to make [(striped]) hammock.” She remembers that she was about nine years old when she saw lint for the first time. That’s when she began to weave. At the age of ten, Mrs. Rosa Ferreira recalls having “made” (woven) ten hammocks in a roll together with her mother. For weaving a high quality hammock, she claims to be necessary three kilograms of yarn. She used to weave by using white stitch, exchanged stitch, and for each row that she wove, there was another three or even six rows in total. She did not weave in August, and justifies: “my mother said that a woman wove a hammock together with her daughter, and both died with eight days apart.” In the village of Capoeira, Irenilce Dantas Gama explains how to assemble a hammock when it is fully woven: “You must sit down to fix the hammock cadil on the thigh, and put the mamucabo. Sit down on the floor, place the hammock at the end of the loom and place one end of cadil, pull the yarn and goes on by covering the cambito, and then you use scissors to remove it from the loom. “ In the west area, buriti yarns and silks are used in the villages of Ilha do Vitor, São Desidério and Porcos, and in Canguçu, in the city of Cocos. These communities inherited the traditions from native people that

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

investigación y obtiene el apoyo técnico necesario para su conservación. Estos conocimientos son también una fuente de ingresos para las mujeres artesanas que practican la tejeduría, y que juegan un papel importante en la sociabilidad y en la creación de la identidad de sus comunidades, creando vínculos entre sus diversas generaciones y contribuyendo para que se queden en el campo. Hacer hamacas es sinónimo de ser tejedora, palabra culta, casi desconocida por las artesanas de Euclides da Cunha. Según Doña Rosa Ferreira, vecina del pueblo de Caimbé, 71 años, anteriormente se tejía con la fibra de algodón, después vino la pelusa, que cuando surgieron las habían en muchos colores: azul, rosa, blanco, rojo ....” “Iban bien para hacer hamacas de rayas.” Recuerda que tenía unos nueve años cuando las primeras pelusas aparecieron. Fue entonces cuando ella comenzó a tejer. A los diez años se acuerda de haber llenado (tejido) con su madre diez hamacas de golpe. Dice que para tejer hamacas de calidad se necesitan tres kilos de hilo. Tejía con “punto blanco”, intercambiado, y cada raya era seguida de otras tres, o incluso seis en total. Tenía respeto por el mes de agosto porque, según su madre, una mujer y su hija tejieron juntas una hamaca en el mes de agosto y se murieron las dos, primero una y la otra tras ocho días. En la ciudad de Capoeira, Irenilce Dantas Gama explica cómo montar una hamaca después de tejida: “Te sientas para acolchar la cabecera de la hamaca, luego haces la asa de cordón. Te sientas en el suelo, pones la hamaca al final del telar y sujetas la punta de la cabuyera, tiras del hilo y los vas llenando con la viga, los cortas con tijeras para sacarles del telar.” La utilización de los hilos de seda y de buriti en la Región Oeste, se da en las localidades de la Ilha do Vitor, município de São Desiderio, Porcos y Canguçu, município de Cocos. Estas comunidades son herederas de la tradición de los indios que poblaron toda la provincia de Bahía. Algunas se actualizaron, pero manteniendo su tradición. La localidad de Porcos está a 117 km del centro del municipio. Alrededor de 50 familias viven en el pueblo y casi todas tienen lazos de parentesco. Son 16 los artesanos que se dedican regularmente a la actividad del tejer, pero otros pueden ayudarles en caso de grandes encargos. Canguçu, otro pueblo que está aún más lejos de Cocos, a unos 170 kms, es un pueblo pequeño, con unas 22 familias. Ninguna de las dos comunidades tiene energía eléctrica y las dos están pobladas por campesinos que cultivan frijoles, yuca y arroz. La venta de la artesanía representa el aumento de los ingresos familiares. En Ilha do Vitor, en São Desiderio, que está más cerca del centro del municipio y ya tiene electricidad, es muy clara la influencia indígena, presente en los rasgos de sus habitantes, en las costumbres y en la producción artesanal basada en la fibra de buriti y en la hierba dorada, allí llamada hierba cabezona. Las casas de Ilha do Vitor son de albañilería y cubiertas con tejas, pero sus habitantes pasan más tiempo en los cobertizos que tienen en sus patios traseros que en la casa. Estas estructuras abiertas de madera y cubiertas con paja de buriti son más agradables y frescas que el interior de las casas, y gracias a eso permiten mejor rendimiento de las actividades de tejeduría y trenzado, así como del trabajo colectivo de producción de dulces hechos con el fruto de buriti cosechado. Las producción de hamacas de cuerdas de fibra de buriti, muy presentes en los senderos cercanos a Ilha do Vitor (que a pesar de su nombre, no es una isla) es una actividad esencialmente femenina practicada por las mujeres mayores, ya que los jóvenes prefieren dedicarse a la producción de esterillas , más rápida y fácil. La diferencia entre las hamacas hechas en Ilha do Vitor y las hamacas hechas en Cocos, es que las primeras están hechas a base de cuerdas y se dejan espacios entre las cuerdas. Ya las hamacas producidas en Porcos y en Canguçu se tejen con la seda de buriti teñida o natural. La producción de esterillas es similar, pero en la comunidad de Cocos también se utiliza la seda teñida, además de la seda natural utilizada en la Ilha do Vitor, y del uso de embalajes de galletas y snacks que proporcionan un efecto estético interesante y contribuyen a la sostenibilidad ambiental. Los artesanos se refieren a la materia prima como “ojo” de buriti, que es la paja de palma joven. Pero, así como con la palma de licuri, los artesanos señalan que antes de la extracción es necesario que la palma ya tenga el “ojo” visible, asegurando de esa forma el desarrollo de la planta y de la materia prima. En Cocos una hamaca de buena calidad se hace con cerca de 100 brazas de cuerda, alrededor de cinco a siete “ojos”. La seda se utiliza en la trama. Ya la paja sirve para la fabricación de las cuerdas de urdimbre. Al telar vertical se le llama “rejilla” en Cocos y está hecho con dos palos, o brazos de buriti, o palo de arco, con 2,50 m de longitud y 10 cm de diámetro. Puestas en sentido vertical, atadas a dos vigas horizontales de aproximadamente 1,50 m de longitud. En el telar se ata la cuerda dándole vueltas a los palos horizontales hasta llenar todo el espacio y formar la urdimbre. Una vez lista la urdimbre, se sigue con el cuerpo de la hamaca, respetando las primeras rayas, llamadas “cinturón” y confieren firmeza a la trama. En general, una artesana tarda una semana en confeccionar una hamaca. Tejeduría en Telar Vertical La presencia del algodón y otras fibras textiles en Brasil y la habilidad de tejer de los indígena, descritas por los portugueses en la Carta de Pero Vaz de Camina, motivaron la importación de telares utilizados en la Metrópolis. La producción se direccionaba a sanar las necesidades de la colonia: vestir a sus habitantes, indios y no indios, envasar los géneros enviados al comercio mercantil. Sin embargo, las nuevas tecnologías fueron creadas basándose en el conocimiento y la experiencia acumulada y desarrollada por las generaciones nativas. A pesar de las prohibiciones y el confisco ordenados por la reina Doña Maria, la tejeduría prosperó lejos de la costa, en las granjas alejadas de los centros de importación gracias a las enormes distancias y a la falta de comunicación, y sanaba la necesidad doméstica. Las primeras telas telas de lino para los indios y los esclavos, y para las tareas domésticas - se llamaban “paños de servicio”. Con la apertura de los puertos de Brasil (en 1808), se establecieron oficinas británicas en Maranhão, Ceará, Paraíba, Recife y Bahía, intensificando el interés por el cultivo del algodón. La abolición de la esclavitud en 1888 llevó grandes propietarios a abandonar las plantaciones de algodón en el Noreste. Dos regiones sirvieron de flujo constante y de vías para la producción. La región suroeste de creación de ganado y la región norte/noreste fueron las que más albergaron obras europeas. Costa Pereira señala algunas características de este mestizaje: “Los primeros telares portugueses aquí introducidos sirvieron de modelo para que otros pudieran ser fabricados en las carpinterías de las granjas, adaptados a las condiciones del ambiente. Un

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were spread throughout the state of Bahia. Some of these native people have updated their costumes, but they kept their traditional expertise. Porcos is situated 117 km away from downtown and about 50 families live in the village where almost all of them have a kinship bond. There are about 16 artisans regularly engaged in weaving activities, but there are other women who can help them in case of large orders. Canguçu is another village that is 170 km away from Cocos. It is a smaller village with about 22 families. None of the communities have electricity and are formed by farmers who grow beans, manioc and rice. The handicrafts sale is a welcome income, and it contributes to the family budget. Ilha do Vitor, in the city of Sao Desidério, is closer to downtown and has electricity. There is a clear native influence based on the features of its inhabitants, their habits and their handicraft production, which is based on buriti fiber and golden grass, also known as “big head grass” within the village. The houses in Ilha do Vitor are made of brick and covered with tiles, but its residents spend more time on ranches that every house has in their backyards. These structures are made of wooden slaps, and are covered with buriti straw, which provides them with a pleasant and fresh environment and enables the best performance out of weaving and braiding, not to mention group work activities to produce a sweet out of fresh buriti fruit when it is harvest. The hammocks production with buriti fiber yarns, which are easily found nearby Ilha do Vitor (despite its name, is not an island), is a female activity that is performed by a high number of elder ladies. The youngsters prefer the production of mats because it is a faster and easier production. The difference between the hammocks produced in Ilha do Vitor and the ones produced in Cocos is that the first ones use only yarns and the hammock is woven through rows, which leaves an open space between the rows. The hammocks produced in Porcos and Canguçu, on the other hand, are woven with buriti silk that is either dyed in colors or natural. The mats production is similar, and Cocos communities also use dyed silk in addition to the natural that is used in Ilha do Vitor. They also use industrialized biscuits and snacks packages, which gives an interesting aesthetic effect and contributes to environmental sustainability. The artisans refer to the raw materials as the buriti “eye”, because it is the newest palm straw. Similarly to the licuri palm tree, they note that to extract it, the newest eye must be already visible in the palm tree, thus ensuring the plant and the raw material development. In Cocos, a high quality hammock is made with about 100 fathoms of yarn, thus five to seven eyes are necessary for the production of an entirely woven hammock. Silk is used in weft or weave, while the straw is used for making the warp strings. The vertical loom is called grid in Cocos, formed by two rods or buriti arms of about 2.50 m in length and 10 cm in diameter. They are vertically positioned and fastened to two horizontal rods that are about 1.50 meter long. The string is added to the loom and rotates unidirectional in the horizontal rods until it fulfills the entire space and forms the warp. When the warp is ready, they apply tractions to the hammock body, respecting the first rows that are called correão, and ensure that the hammock is finished and the weft is firm enough. In general, a craftswoman spends a week for making a hammock. WEAVING IN HORIZONTAL LOOM Cotton and other textile fibers available in Brazil and the native ability of weaving, as observed by the Portuguese people since Caminha’s Letter, were seized through the importing of loom models that are currently in use in Brazil. These looms were imported due to Portugal’s need in dressing the inhabitants, both natives and non-natives, and in packing the production of goods that were sent to the mercantile trading market. The use of new technologies has always been followed by the knowledge and expertise gathered and developed by native generations. Despite the prohibitions and forfeitures ordered by Maria, the Queen, the weaving activity was prosperous in places away from the coastline and farms away from importing centers due to huge distances and poor communications, to attend their own needs. The first fabrics - linen cloths for natives and slaves clothes and for using at home - were called “service cloths”. In 1808, Brazil opened its ports and, consequently, British offices settled in the states of Maranhão, Ceará, Paraíba, Recife and Bahia, which intensified the interest in growing cotton. The slavery abolition that took place in 1888 resulted in a large number of landowners abandoning their cotton plantations in the northeastern area of the country. There are two regions in Bahia where the European style of weaving developed the most due to their constant flows and paths – the southwest region due to the mines production, and the northern / northeastern regions due to cattle breeding. Costa Pereira highlights some features of this technical “miscegenation”: “The first Portuguese looms introduced here served as models for making other looms adapted to environmental conditions in the mills and farms woodwork places. An example of these adaptations can be seen in the looms from the southwestern area of Bahia, whose combs – among almost all of those that were verified - are made with palm tree stems or bamboo stalks.” The weaving has more expression in the southwest region of Bahia, where this activity is briefly systematic and, above all, is widespread as it is not in the first two areas. The weaving activity stands out in this area because of its history, its traditionalism and its economic role within the communities as a form of organized labor. The text about handicraft weaving in Bahia is developed through the history of weaving in Serra Geral, where the pioneers who followed by São Francisco river have played an essential part to the expansion of weaving in the southwestern region of Bahia. The women represented the predominant workforce, as we can currently see the artisans who keep alive the spinning and the weaving activities in Serra Geral. We were also informed that spinning and weaving were activities still developed in the cities of Palmas de Monte Alto, Paramirim, Jacaraci, Caitité, Candiba, Pindaí and Riacho de Santana. In these locations, women of all ages were responsible for preparing the yarns that would be used on the loom, which used to occupy a large area within the house or in the yard. The fabric that was used for making male and female clothes came from this activity. In 2006, Institute of Artisans Visconde de Mauá counted on the Guanambi city council support to conduct a survey with the artisans that were members of Feira do Luar. This survey aimed at gathering information so the Institute could come up with a support and development plan for Serra Geral weaving. Guanambi is historically an important cotton production center that gathered a large number of spinning, weaving, embroidery and marambaias (local nomenclature for macramé) artisans. On the occasion, they visited several villages and neighborhoods to identify the holders of affective and technical expertise associated with weaving activities. The survey results allow establishing working groups based on handicraft types that are part of the cotton chain: • Technical expertise to produce equipment and its components; • Plantation and supply of foba and traditional cotton; • Spinning and natural dyeing; • Weaving;


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

ejemplo curioso de estas adaptaciones son los telares del suroeste de Bahía, cuyos peines – de casi todos los telares - están hechos de palos de la palma o de bambú. Es en el suroeste donde la tejeduría es más característica y expresiva, constituyendo una actividad más o menos sistemática, y sobre todo generalizada, a diferencia las dos primeras áreas. Esta es la zona que se caracteriza por su historia antigua, su consecuente tradicionalismo y la función económica que es parte de las comunidades como una forma de trabajo ordenado “. Es basado en la tejeduría de Serra Geral que él desarrolla su texto sobre la tejeduría artesanal en la provincia, asociando el flujo de exploradores que siguieron el curso del río São Francisco y la expansión de la tejeduría en el suroeste de Bahía. La mano de obra era predominantemente femenina, como dan fe las artesanas que mantienen viva la hilatura y la tejeduría artesanales de Serra Geral. Algunas informaciones confirmaron que todavía se hila y teje en las ciudades de Palmas de Monte Alto, Paramirim, Jacaraci, Caitité, Candiba, Pindaí y Riacho de Santana. En estos lugares las mujeres de todas las edades se encargaban del preparo de los hilos con los que iban a tejer en los patios de las casas. De este trabajo resultaron las telas con las que se hicieron la ropa masculina y femenina. En 2006, el Instituto Visconde de Mauá, con el apoyo del Ayuntamiento de Guanambi, llevó a cabo una encuesta entre los artesanos del grupo Feira do Luar, con el objetivo de recoger información para la preparación de un plan de apoyo y desarrollo titulado La Tejeduría de Serra Geral, Guanambi, históricamente importante por su papel central en la producción de algodón, albergó gran número de artesanos del hilado, tejeduría, bordado y macramé. Muchas aldeas y barrios fueron visitados con el fin de identificar a los titulares de los conocimientos técnicos y afectivos asociados a las actividades de la tejeduría. Eso resultó en la creación de grupos de trabajo específicos para cada tipo de artesanía presente en la cadena del algodón: • Conocimientos técnicos de los equipos de producción y sus componentes; • Plantación y suministro de algodón foba y tradicional; • Hilado y teñido natural; • Tejeduría; • Bordado en tejeduría de punto; • Macramé; • Producción de Muñecas. Entre los productos encontrados, se identificó la importancia social de la producción de Bitús – mantas de algodón de rayas o cuadros. Estas mantas son tejidas con hilos de algodón artesanales de color crudo, marrón y azul, teñidos con la planta del añil. Con la llegada los hilos industriales de algodón de colores, estos también se han ido utilizando. Otras actividades artesanales fueron apoyadas y reunidas bajo la marca comercial Saberes e Fazeres de Guanambi (Conocimientos y Hechos de Guanambi). Telares y ruecas fueron construidos y una colección con el tema de la historia de la ciudad y sus personajes ha sido desarrollada. Hoy los artesanos de Guanambi participan activamente de la formación de una red de artesanos que tienen por objetivo crear la identidad de la producción artesanal del municipio a partir de los conocimientos de la producción a base del algodón. Entre las artesanas contactadas está Ana M. Flores, de 57 años, nacida en Candiba, que dio el siguiente testimonio: Aprendió en casa con su abuela materna. Su madre, Delmira Moitim Flores, a pesar de la edad avanzada, sigue produciendo hilos y peines para el telar que su hija tiene en su patio trasero. Su telar dispone de peines intercambiables que se utilizan de acuerdo con el grosor del hilo elegido. Para producir los Bitús (mantas de algodón), Doña Ana enseña: se necesitan dos anchuras para mantas de soltero y tres anchuras para mantas de matrimonio, cada ancho tiene alrededor de 70 cm. Además de los Bitús, producía toallas y esterillas. Las lanzaderas que ella utiliza hasta hoy fueron hechas por su bisabuela, y son cuidadas con mucho amor para que sigan desempeñando su papel de manera eficiente. D. Ana Moreira también prepara el hilo para tejer. En el rancho Lagoa da Pedra, ubicado en la salida de la carretera del municipio de Guanambí, han sido encontradas artesanas que hilan y tejen. Otros lugares cercanos donde la actividad de hilado también se practican son el municipio rural de Candiba y Pindaí y las granjas Verde y Caldeirão. Otros profesionales que pueden contribuir con el rescate de la actividad de hilado y tejido de la región también han sido contactos: un herrero, para la producción de los componentes metálicos de la rueca, como el señor João, vecino de Guanambi, y carpinteros, capaces de fabricar telares para la futura demanda generada por el plan de rescate. Vecino del barrio de Novo Horizonte, en señor Candido, 70 años y todavía muy activo, más conocido como Titão, es uno de los carpinteros que sabe construir una rueca de hilar. En barrio de la Alvorada, muchas señoras se dedican al hilado y al macramé, como Doña Lió y Doña Dió. En Guanambi, además de las mantas llamadas Bitús, se producen toallas blancas de muy buena calidad, con el uso de hilos finos. Los ejemplares más antiguos encontrados son parte de la colección personal de las artesanas contactadas. Toallas y edredones hechos con tela artesanal bordada con flores de colores. El diseño va desde el más sencillo, con pocos colores, hasta el más sofisticado, con muchos colores. Las composiciones predominantes son hechas a base de flores y hojas en el borde, destacando otras composiciones que encantan por su simplicidad y por tratarse de estándares que han caído en desuso, y hoy son muy poco conocidos. Ejemplos similares se han identificado en Jaraci, municipio rural de Serra Geral, donde también se utilizaban telas tejidas en telares artesanales. Sertón de Paulo Afonso El arte de tejer en el sertón de Paulo Afonso se asocia a la historia del pueblo de Malhada de Pedra y se remonta a varias generaciones a través de la transmisión informal de la profesión. La fuerza de las mujeres de la región fue la gran responsable por las iniciativas que han transformado el papel que jugaban las mismas en la economía de sus localidades. Mujeres como Doña São Pedro, conocedora de muchas tradiciones, que aprendió de niña a manejar el telar. Esas mujeres buscaron alternativas para vencer las dificultades de las sequías. Ellas hablan de la época del Cangaço con una mezcla de fascinación y respeto, así como hablan de los seres mitológicos que pueblan su imaginación y cuentan casos increíbles del pasado del sertón. Del trabajo pionero de Doña São Pedro surgieron otras iniciativas que se sumaron y hoy forman el

• Criss cross stitching embroidery; • Marambaia; • Dolls creation. They were able to identify the social importance of bitús production – cotton blankets of striped or checkered patterns – among the products. Bitús are woven with handicraft cotton yarns that use light-colored and brown yarns, not to mention blue yarns that are gotten through the use of indigo plant. After the creation of industrial cotton colored yarns, they were used too. These and other handicraft activities were supported and they were all gathered under the trademark Saberes e Fazeres de Guanambi. They built looms and wheels and put together a collection regarding the city’s history and its characters. Currently, the artisans from Guanambi are actively engaged in creating a network of artisans who have the handicraft production identity of the city and their own region supported on the cotton-related expertise. Mrs. Ana Moreira Flores, 57 years old, born in Candiba, was one of the interviewed artisans; says in her testimony that she learned to weave at home with her maternal grandmother. Her mother, Mrs. Delmira Moitim Flores, who is now in an advanced age, produces heald and combs to the loom that her daughter has in the backyard. Her loom contains interchangeable combs that are used according to the yarn thickness. For weaving bitús, Mrs. Ana teaches: “there must be two widths for single beds, and three widths for double beds, and each width is on average 70 cm.” Besides bitús, she produced towels and colchonilha (handicraft wool) pieces. She still uses the launchers that were made by her great-grandmother; they are treated with care and play their role efficiently. Mrs. Ana Moreira prepares the warp yarn on her backyard wall. In Lagoa da Pedra farm, located on the exit road from the city of Guanambi to Caitité, there were artisans who spin and weave. The rural area of Candiba and Pindaí, as well as Verde and Caldeirão farms are among the other places close to the aforementioned where there would be spinning activity. Other professionals who can contribute to the rescue of spinning and weaving activities in the region have also been contacted; a blacksmith for the possible production of wheel metallic components, such as Mr. John who lives in Guanambi, and woodworkers who could build looms for any future demand generated through this rescuing project. Mr. Cândido lives in Novo Horizonte county and is a still very active 70-year old man known as Titão. He is one of the carpenters who know how to build a spinning wheel. In Alvorada city, many women are dedicated to spinning and marambaia techniques, such as Mrs. Lió and Mrs. Dió. In Guanambi, besides the blankets called bitús, they also produce high quality white towels by using thin yarns. The oldest examples found are part of the personal collection of the interviewed artisans. Towels and quilts made of handicraft fabric and embroidered with multicolored flowers. This embroidery ranges from the most simple with few colors, to more sophisticated and multicolored. The most seen compositions are bars that alternate foliage and flowers, where flowers and other compositions stand out due to their simplicity and because they are pattern currently not very used and that are not well known. Similar examples have also been identified in other rural area of Serra Geral city, Jacaraci, where handicraft fabrics made on looms were equally used. Countryside of Paulo Afonso The art of weaving in the interior of Paulo Afonso is associated to the history of Malhada Grande village and goes back several generations through informal handicraft teaching. The countryside women strength was responsible for initiatives that have transformed the women’s role in the economy of their villages. As “Mrs. São Pedro”, a veteran woman who holds many traditional skills and learned how to handle the loom as a girl, they were looking for material and symbolic compensation over the droughts difficulties. These women talk about Cangaço times with fascination and respect, as if they were talking about mythological characters that populate their imagination and share fabulous cases from the past in the countryside. Mrs. São Pedro pioneering work resulted in other initiatives that were summed up to form the Weaving Polo from Bahia’s Northeast. This polo gathers five associations of weavers who share the same technical expertise that was spread by them through the Community Association of Malhada Grande Handicraft for other groups in similar social environments where women’s strength makes the difference: • Community Association of Malhada Grande Handicraft; • Fairy Hands Handicraft Workshop from Rodelas; • Union Association of Women from Monte Alegre; • Entrepreneur Women Association from Caritá Community; • Weaving Association of Women from Rio do Sal. These associations were formed through the actions implemented by the partners of Visconde de Mauá Institute. The Community Association of Malhada Grande Handicraft was the multiplier of the handicraft weaving technique in Malhada Grande region. The actions started taking place in 2002 through the handicraft workshop initiative with the Fairy Hands group from Rodelas, which identified the weaving as an old activity of Velha Rodelas city according to the scope of Sebrae/Xingó Project. This city was submerged by Itaparica hydroelectric waters in the late 1980s. Velha Rodelas’ residents, especially women, had emotional and historical bonds to the spinning and weaving activities. Historically, the land by the river São Francisco in this region was cultivated by Tuxás native people, and between crops, they used cotton in hammocks spinning and weaving. This expertise was gradually forgotten, especially after the flooding and their transferring to a nearby place. However, a loom was transferred by the old weavers, Maria José and Maria Almeida. Thus, from the memories of women from Rodelas and weaving workshops with new artisans, they were able to rescue their stories from the bottom of waters. After the weaving workshops in Rodelas, they could glimpse the bonds that weaving wefts could establish between the countryside women and their future. The next group to receive technical training in weaving originated the Entrepreneur Women Association from Caritá Community - AME Caritá. The village from the city of Jeremoabo, originated from an agricultural settlement of farmers from various districts of Bahia’s semiarid region, chosen handicraft as an alternative income in 2003, when the only subsistence option was agriculture, an activity that is subject to oscillations of water level in the region. The production of blankets, mats and hammocks counted on the support from Elos Project, signed by the partnership between Coelba (Electricity Company of Bahia) and SEBRAE, ensuring training and acquisition of raw materials, machinery and equipment required to assemble the association headquarters association, which currently has 25 associates. In 2003, simultaneously in the village of Monte Alegre, also in Jeremoabo, the future weaver Luzinete de Oliveira was mobilizing her friends to form a group that would bring benefits to the lives of local farmers. They settled the Union Association of Women from Monte Alegre and met the weaving procedures from Malhada Grande, which became a reference for the group. These women got support for training and equipment, but they built the association headquarters with funds raised through bingos, raffles and local support. Currently, there are 18 associates engaged in all stages of weaving and hammocks making. The latest Association, Weaving Association of Women from Rio do Sal, was created in 2008 by the

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

Polo de Tejeduría del Noroeste de Bahía, que reúne a cinco asociaciones de tejedores que comparten el mismo conocimiento técnico difundido a través de la Asociación de Artesanía de la Comunidad de Malhada de Pedra a otros grupos que surgieron en ambientes sociales similares, donde la fuerza femenina hace la diferencia: • Asociación de la Artesanía de la Comunidad de Malhada Grande • Taller Artesanal Manos de Hadas de Rodelas • Asociación Unión de las Mujeres de Monte Alegre • Asociación de Mujeres Emprendedoras de la Comunidad de Caritá • Asociación de Tejeduría de las Mujeres de Rio do Sal Las asociaciones se formaron gracias a las acciones implementadas por los consultores del Instituto Visconde de Mauá. La Asociación de Artesanía de la Comunidad de Malhada Grande fue multiplicadora de la técnica de tejeduría artesanal en la región. Las acciones empezaron en 2002 con el Taller Artesanal Manos de Hada de Rodelas, que bajo el Poryecto Sebrae/Xingó identificó la tejeduría, antigua actividad de la ciudad de Velha Rodelas, sumergida por las aguas de la hidroeléctrica de la isla de Itaparica a finales de 1980. Los vecinos, especialmente las mujeres de la ciudad, aún mantenían vínculos históricos y afectivos con el hilado y la tejeduría. Las tierras a orillas del río São Francisco fueron cultivadas por los indios Tuxás, y el algodón cultivado era utilizado en el hilado y en la tejeduría de hamacas. Estos conocimientos están siendo gradualmente olvidados, pero después de las inundaciones de la ciudad y el traslado de los vecinos a un lugar cercano, un telar ha sido traído por las antiguas tejedoras Maria José y Maria Almeida. A partir de la memoria afectiva de las mujeres de Rodelas, se han desarrollado los talleres de capacitación en tejeduría y las artesanas rescataron su historia del fondo del río. Gracias a los talleres de formación de Rodelas se pudo valorar la importancia de la tejeduría en el fortalecimiento de la tradición de las mujeres y su futuro. El siguiente grupo a recibir capacitación técnica en tejeduría originó la Asociación de Mujeres Empresarias de la Comunidad de Caritá -AME CARITÁ. El pueblo del municipio de Jeremoabo, se originó a partir de un asentamiento agrícola de agricultores de diferentes distritos de la Bahía semi árida. La artesanía se presentó como una fuente alternativa de ingresos en 2003, cuando la única opción del lugar era la agricultura de subsistencia, sujeta a fluctuaciones del mercado y a la escasez de agua. La producción de alfombras, esterillas y hamacas recibió el apoyo del Proyecto Elos nacido de la parceria entre la Compañía de Electricidad del Estado de Bahía (Coelba) y el SEBRAE para asegurar la formación y aquisición de materias primas y equipos para el montaje de la oficina de la asociación que ahora cuenta con 25 asociados. Paralelamente a eso, en el año 2003, en el pueblo de Monte Alegre, también en Jeremoabo, la futura tejedora Luzinete de Oliveira movilizaba sus amigas para formar un grupo que iba a traer beneficios a la vida de las campesinas de la localidad. Crearon la Asociación Unión de las Mujeres de Monte Alegre y fueron a conocer la tejeduría de Malhada Grande, que se convirtió en referencia para el grupo. Consiguieron el apoyo para la capacitación técnica y para comprar el equipo, pero la oficina corporativa fue construida con el dinero recaudadosa través de bingos, rifas y del apoyo local. Hoy en día ya suman 18 asociadas que participan en todas las etapas de la tejeduría y confección de hamacas. La asociación más reciente fue creada en 2008 por las mujeres del pueblo de Rio do Sal, que está al lado de Malhada de Areia a unos 14 kilómetros de la ciudad de Paulo Afonso. Cuenta con 10 asociadas y se llama Asociación de Tejeduría de las Mujeres del Rio do Sal. Hoy, doña São Pedro, limitada en virtud de la edad, se entretiene viendo la producción de las sobrinas, seguidoras de su trabajo. Pero no se deshizo de su telar, testimonio de su arte a lo largo de los años. La historia de São Pedro resume la historia de decenas de mujeres que tienen la misma trayectoria laboral. En Malhada Grande varias generaciones de tejedoras tejen los hilos con sus lanzaderas, moviendo los pies y las manos en ritmo acompasado, acostumbradas desde muy pronto a trabajar en búsqueda de dinero. La historia de estas mujeres se desarrolla de dos formas: individual y colectiva. En 1989 transformaron la participación individual en el compromiso colectivo, con la fundación de la Asociación Hilos y Colores de Malhada Grande. Son 30 mujeres del sertón, guardianas del conocimiento, que siguen tejiendo los hilos de la memoria de la ciudad y de su arte. Deshilando recuerdos en el compás de los pedales. Pueden estar horas en un monólogo evocador, en el que se nota el placer en hacerlo. Las manos se mueven con maestria mientras el cuerpo se dobla con el peso de los años. Mujeres que a lo largo de los años se dedicaron aún a las muchas tareas del hogar y del campo, llenado de actividad su vida. (Monteiro, Nadja. Paulo Afonso, 2004) Tejeduría Contemporánea Aquí se llamó “tejeduría contemporánea” a la producción de artesanos y grupos que, por iniciativa propia o a través de un taller de capacitación, eligieron el arte de tejer. Aunque no pertenecieran a un grupo o comunidad que ya desarrollaba este arte, los artesanos contemporáneos utilizaron técnicas, equipos y materias primas diversas, logrando una estética propia. La artesana Marta Muniz empezó de niña su carrera como tejedora sin el conocimiento de sus padres. Se apuntó con una amiga a un curso de tejeduría en la Escola Nova (iniciativa innovadora del educador de Bahía, Anízio Teixeira, en el barrio de Caixa D’água, Salvador, que incluye actividades técnicas de la cultura local a la educación tradicional como parte del aprendizaje). Este incentivo en la infancia fue fundamental para su formación artística en la vida adulta. Marta abrazó la tejeduría como actividad profesional y luego asistió al curso de Bellas Artes en la universidad. Trabajó con el artista y tejedor Genaro de Carvalho y fue pionera en el uso de fibras naturales nativas como el licuri y la piasava en la tejeduría urbana, derribando fronteras estéticas y acercando la estética rural a la ciudad. Las obras de Marta Muniz plantean cuestiones como la autonomía artística de la artesanía y su función utilitaria, mediante la incorporación de texturas y ritmos logrados con la variación de las materias primas y las técnicas utilizadas, revelando la construcción de la tejeduría, urdimbre y trama. Marta también participó activamente en los talleres de capacitación que se basaban en la tejeduría como forma de inclusión social en el barrio de Pelourinho, en Salvador. También fue de niño que Luis Santana empezó en la tejeduría. Cuando tenía ocho años le encargaron la tarea de desenredar hilos. Quien hizo el encargo fue su hermana Adelina, alumna del convento de monjas que está en el barrio de São Caetano, Salvador, como tentativa de calmar los ánimos del niño travieso. El gesto de la hermana logró resultados. A los diez años, cuando atingió

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women from Rio do Sal village, which is located by the side of Malhada de Areia and is about 14 km away from the city, Paulo Afonso. This association currently has 10 associates. Nowadays, Mrs. São Pedro, aware of her age limitations, entertains herself by watching the production of her nieces, followers of her craft. But just in case, she did not dispose of her loom, a testimony of her profession over the years. Mrs. São Pedro history summarizes the history of dozens of women who have the same profession. In several houses in Malhada Grande, there is a loom where several generations of weavers weave the yarns by exercising their feet and hands in the pace, women that are used to work early while they look for earning their income. The story of these women unfolds into two records: individual and collective. In 1989, they transformed the individual participation in collective commitment by founding the Association of Yarns and Colors from Malhada Grande. There are 30 women in the countryside are that hold the expertise and move on by weaving the yarns though the memories they weave about the city and their craft. By challenging their own memories and moving by the pedals beating, they can spend hours on an evocative monologue in which they realize the pleasure that exists in weaving, exercise the hands and the body already overhung by the effect of years. Over time, these women added up weaving activities to household and farm tasks, filling up their lives with multiple activities. (Monteiro, Nadja. Paulo Afonso, 2004) THE WEAVING OF PANO DA COSTA Most of the current expertise about the weaving and the perpetuation of Pano da Costa took place due to the performance of Abdias do Sacramento Nobre (1910-1994). Master Abdias was born in Salvador in the neighborhood of Santo Antônio. Son of Africans, his father Dionísio Andrômio Nobre was a blacksmith, and his mother Amélia do Sacramento Nobre, a home maid. Master Abdias learned to sew the Pano da Costa with his godfather, Alexander Geraldes. He worked six hours a day and wove every day. He was zealous and respected the original process of making Pano da Costa by following his godfather’s guidelines. He took about two or three months to finish a fabric. Currently, Pano da Costa is also produced in the Yard São Jorge Filho da Goméia, in Lauro de Freitas, and in the house of Alaká; in the Candomblé Yard Ilê Axé Opô Afonjá - located in São Gonçalo do Retiro, city of Salvador. Master Abdias coordinated the first training course dedicated to Pano da Costa, in early 1980s, with the help of his daughter, Maria de Lourdes Nobre. Master Abdias’ loom, inherited from his godfather, was made of rosewood and, according to him, the loom reached over one hundred years old. Its characteristics were similar to the looms found Nigeria, West Africa, where they apply the same technique. Visconde de Mauá Institute has a reproduction of this loom, but the original loom is in the Women’s Institute in Bahia, donated by Master Abdias in 1955. There are two types of looms that are used by the weavers engaged in Pano da Costa manufacture. The female loom is the one in which the women must stand up to work with, while the male loom is the one in which men must sit down to work with (Lody, 1995 p.230) The loom consists of the following parts: bamboo, heald, comb, rod, clamp, squeegee, shin, pedal, wall extender, and so on. This kind of loom uses industrialized yarns, which replace the native cotton yarn. The production of specific weaving patterns is made through the combination of yarns of different colors. The Pano da Costa offers a handful of patterns. The first step of the weaver is the choice of yarns colors, usually the colors of the Orixá for which they will make the fabric. Pano da Costa or Pano da Cuia is traditionally made of cotton, silk or raffia (coast straw) and it is woven in manual loom. It is composed by strips that are usually narrow, with approximately 15 cm of width; they are sewn one by one, reaching from 1.70m to 2m in length, by 1.20m to 0,94m, respectively, in width. The Alakás (large cloths) show the same characteristics of Pano da Costa. Alakás are used by people with high degree in the religious social organization of the Yards. (Lody, 1995, p.225). Pano da Costa is traditionally part of African clothing. It wraps around the body and is a custom in many African regions, such as Ivory Coast, Ghana, Nigeria, Congo, Benin and Senegal. When Pano da Costa arrived in Brazil, it became part of the clothing of creole people who inhabited Salvador, Rio de Janeiro, Recife and Minas Gerais in the XIX century. Nowadays Pano da Costa is part of Bahia’s clothing that was originated from the creole’s clothes. Symbolically, the Pano da Costa expresses ethnic, religious and profane referential. In addition to its aesthetic and functional role, it translates the survival of African values that have been adapted to other social and cultural contexts. The African objects that are produced incorporate a mythical and symbolic power that not only represents their use, but that is also rooted by meanings that translate the feeling of belonging to a culture that transcended barriers and are preserved in its essence. “Pano da Costa is present in Candomblé, having its use limited to the socio-religious context of the Yards, they were re-designed and adapted. The sacred function of Pano da Costa makes it an element of key importance to the Orixás representations that are identified through the colors, which represent an insignia of each deity. Pano da Costa also reflects the respect before the celebrated deities, being a symbolic element full of meaning. Besides the variation in colors and patterns, the way in which the Pano da Costa is worn symbolically determines hierarchical positions within the religious context. This means that women can wear it in rituals and for daily life activities in the Candomblé Yards. Around their waist, above their breasts, fallen from the shoulders, back tied, side tied, in several positions, always according to the ritual context.” In 2002, the weaver Joselito Pinto, an instructor at Visconde de Mauá Institute, acted as a multiplier of actions that took place for opening of the House of Alaká, in the Candomblé Yard Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá. Joselito played the same role as Master Abdias, who almost two decades earlier had worked towards the dissemination of Pano da Costa expertise. Master Zelito, as he is also known, has followed closely formation of various artisans weavers in the state capital, Salvador, and in the interior are. He added his name among the great masters, such as Master Abdias, who are engaged in the production and perpetuation of weaving expertise in Bahia. Master Zelito highlights the importance of the teacher’s role in the transmission of weaving expertise. His Master was Antonio Bonfim de Jesus (Salvador: 1949-1991), who held weaving workshops in Institute of Artisans Visconde de Mauá. Master Bonfim, who came from an Orphanage School (Casa Pia Colégio de Órfãos de São Joaquim), learned to weave in this school where they formed young orphans in various crafts, especially in the textile industry, given that Bahia had one of the largest textile industries in the country until the first half of the twentieth century. After becoming a master, Bonfim worked for the textile industry, combining his traditional weaving expertise to technical knowledge, which is essential to the textile industry. In the House of Alaká, Master Zelito provided for several weavers a model of training that gathered the required amount of expertise. Among the weavers are Iraildes Maria Santos and Jucineide Santos Costa, who are currently responsible for Pano da Costa production in the House. Both highlight how much love weavers must have in order to produce high quality pieces. The weaver must have attention and rhythm so


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

la altura necesária, Luis empezó a tejer y a enseñar a otros niños. Hasta los catorce años, el arte de tejer era parte de su vida, pero a partir de ahí se tuvo que dedicar a otras actividades profesionales. Pero siempre creyó que volvería a tejer, lo que sucedió quince años después, cuando decidió ser un tejedor profesional y sobrevivir de la tejeduría. En 1999, Luis se apuntó a los talleres impartidos por el Maestro Zelito en el Instituto Visconde de Mauá, en el barrio de Pelourinho, para actualizarse en el arte de tejer y reiniciar su viaje como tejedor. Movido por la inquietud que le es característica desde la niñez, Luis Santana realizó búsquedas y creó una manera propia de utilizar los recursos técnicos que el telar de pedales proporciona. Él utiliza hasta seis pedales, dos más de lo que se suele utilizar, para tener la libertad de poner en un mismo tejido diferentes diseños. Entre los favoritos están los materiales de fibras crudas y la piasava de licuri mezclados con hilos de algodón industrial para producir mandalas, senderos de mesa y manteles. Meire Cabral conoció la tejeduría ya de adulta, pero fue igual de determinada en hacer de este arte su profesión. Meire fue alumna del Maestro Zelito en el Instituto Visconde de Mauá después de dedicarse a diversas técnicas artesanales que iban desde la cerámica hasta la reutilización del papel. Meire buscó la relación del tejer con la moda, medios de expresión que permiten la interacción de los textiles hechos artesanalmente con otras actividades creativas. Ella suele desarrollar telas de acuerdo con el diseño de la ropa y trabaja en colaboración con varios diseñadores de Bahía. Además de la producción direccionada a la moda, Meire también crea muebles ligeros en los cuales sus tejidos de color tierra adquieren una nueva dimensión. Celia Amorim no tenía ni idea de cómo manejar un telar hasta que le regalaron uno. Profesional de marketing, poco a poco se dejó cautivar por el mundo de la tejeduría; sus equipos, fibras, hilos y tramas. Buscó capacitarse a través de cursos y de la experiencia de otros profesionales y desde entonces sigue un flujo de aprendizaje continuo que hasta hoy le fascina y motiva a compartir este conocimiento a través de los cursos que imparte. Paulista de nacimiento, Celia eligió la ciudad de Porto Seguro como su casa desde hace 15 años. Considera la búsqueda de materias primas de diferentes composiciones y orígenes como una extensión del arte de tejer, así como el uso de los muchos telares que adquirió a lo largo de su trayectoria. Celia también viene utilizando el reciclaje de hilos y tejidos como forma de dar continuidad a la tradición textil contribuyendo a un uso más racional de los recursos disponibles. Entre las iniciativas colectivas se destacan dos en la provincia y una en la capital Salvador, que comparten entre sí el reto de solucionar necesidades del cotidiano teniendo la tejeduría como hilo conductor. Estos grupos son: El Centro São João de Deus, que desarrolló actividades productivas inclusivas, proporcionando oportunidades para la participación de personas sordas y con limitaciones físicas, en el pueblo de Nova Esperança, Municipio de Ichú, en la región del sisal. El grupo Tecelendo en la ciudad de Amargosa y el Coopertextil ubicado en el Pelourinho, el antiguo Cine São Francisco, en Salvador. La Asociación de la Comunidad de los Amigos del Centro São João de Deus, del pueblo de Nova Esperança, en Ichú, sirvió a 150 familias de los municipios de Conceição do Coité, Serrinha, Barrocas y Ichú, según Maria Dalva de Oliveira Carneiro, presidente de la asociación. Entre las actividades productivas apoyadas por la asociación están la creación de un grupo de producción de tejido que utiliza la fibra de sisal y el hilo de algodón. Alrededor de 40 jóvenes aprendieron a tejer, a producir alfombras, hamacas, bolsos y una multitud de otros productos. El objetivo del proyecto es crear nuevas fuentes de ingreso para los agricultores. En Amargosa, municipio de Bacia do Jiquiriçá, el proyecto Tecelengo de investigación y extensión de la Universidad Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) tiene como objetivo contribuir a la reducción de las desigualdades sociales y de la pobreza en la ciudad a partir del diálogo entre trabajo y educación. El proyecto empezó en 2008 con la reunión de jóvenes, adultos y mayores para la alfabetización asociada a la tejeduría. A partir de este ejercicio de diálogo el trabajo propuesto se cambia constantemente visando la participación del artesano y la superación de sus límites en el día a día. En este contexto, el objetivo del proyecto es formar grupos de trabajo a partir talleres de tejeduría con el fin de que estos grupos se organicen tanto profesionalmente cuanto artística y culturalmente. La tejeduría representa la posibilidad de generar ingresos así como la posibilidad de utilizar la lectura y la escrita para actuar de forma crítica y activa en la sociedad. El trabajo se centra en la metodología de la investigación-acción y tiene como referencia los estudios de Emilia Ferreiro, Paulo Freire y Myles Horton. El proyecto empezó con 10 personas y hoy cuenta con 65 personas directamente involucradas. Las clases tienen perfiles distintos. En una misma comunidad, hay alumnos que desean prepararse para el examen del ENEM y mujeres campesinas que quieren aprender el arte. Comparten la misma clase personas de 20 a 70 años, hombres y mujeres, vecinos de las zonas rurales y de las zonas urbanas. Los medios de difusión del proyecto fueron: la radio, los coche con altavoces, la distribución de folletos y la comunicación con las comunidades. Es interesante destacar que cada una de las clases del Proyecto Tecelendo tiene un nombre distinto elegido por los grupos de las reuniones celebradas mensualmente. El objetivo es que los miembros reconozcan a sí mismos como individuos y como miembros. De forma que la identidad de una la clase refleje la identidad de un grupo de artesanos. En Salvador, Pelourinho, centro de la ciudad, entre las iniciativas para frenar el proceso de degradación social que el barrio sufre desde mediados del siglo pasado con la modernización de la ciudad y la transferencia de las actividades económicas a otras regiones. El grupo se formó a partir de un grupo de madres vinculadas al Proyecto Axé y al Programa de Erradicación del Trabajo Infantil PETI, y ofrece entrenamiento en tejeduría manual. En 2003 la Cooperativa fue creada con el nombre Cooperativa Mixta de Productos y Trabajos de Artículos Textiles – COOPERTÊXTIL – a principio con 40 personas, representantes de 40 familias, produciendo piezas de artesanía utilitaria y decorativa: manteles, almohadas, servilletas, alfombras, mantas y toallas, utilizando como materias primas hilos y líneas de algodón rústico de la paja de rami. La capacitación para el área de gestión tiene un lenguaje proprio, dentro de una perspectiva constructivista, de acuerdo a la realidad de los miembros del grupo. En la COOPERTÊXTIL, la cuestión de género fue uno de los puntos clave de la reflexión. Sus miembros, además de trabajar en la cooperativa cumpliendo los encargos, también realizan entregas, hacen la compra y los pagos, además de dedicarse a las tareas domésticas. Una preocupación común de las mujeres es el futuro de sus hijos y nietos en situación de riesgo. Así que hay otros factores a considerar más allá de la técnica. La situación financiera de la artesana y la perspectiva profesional de la actividad artesanal influyen directamente en el grupo, y consecuentemente, en el éxito de la empresa. Actualmente son muchas las artesanas presentes en

that thin warp and weft yarns neither break because of excessive strength applied to the loop, nor become loose by the lack of firmness. House of Alaká main customers are the Yard visitors and the people from the neighborhood. Master Abdias, due to his commitment to the dissemination of handicraft weaving, is an example for artisans and the patron of the temporary room for exhibitions that is located in Visconde de Mauá Institute, Pelourinho, where the artisans can expose their products and expertise. CONTEMPORARY WEAVING The term ‘contemporary weaving’ represents the production of artisans and groups who through their personal initiative or their training actions, elected the weaving handicraft as an activity for their lives, without belonging to any existing group or community, by using techniques, equipment and several raw materials, achieving their own aesthetic results. The story of Marta Muniz, a craftswoman from Salvador, is an example: she began his career as a weaver when she was a child and without her parents’ awareness. He enrolled in the weaving training course with a friend in a local school known as Escola Parque (an innovative initiative that was aligned with the principles of Nova Escola, founded by the teacher Anísio Teixeira, who lived in Caixa D’água neighborhood in Salvador. Nova Escola gathered regular school subjects with technical education activities supported on the local culture). This action during her childhood was crucial to her adult artistic training. Marta dedicated herself entirely to weaving as a professional activity, she attended Belas Artes (well-known school of Arts and Crafts), worked with Genaro de Carvalho, plastic artist and weaver, and was a pioneer in the use of native natural fibers, such as licuri and piassava in urban weaving, removing any aesthetic barriers between countryside and urban styles. Marta Muniz handicraft pieces currently raise questions related to artistic autonomy and its utilitarian function through the incorporation of textures and rhythms originated from various raw materials, processes and techniques, by revealing the weaving, warp and weft construction. Marta also attended to training workshops that were based on weaving for social inclusion in Pelourinho, located in the historic center of Salvador. Luis Santana was another child who, at the age of eight, was given the job of untangling yarns for weaving. This activity was given to him by Sister Adelina, in the nunnery located in São Caetano, Salvador, as a way of channeling the energy of the restless boy. The Sister’s intention succeeded. When Luis was ten, he was tall enough to weave and teaching weaving practices to other kids. Until the age of fourteen, when he had to focus on other professional activities, the weaving activity was part of his life. However, he always believed he would return to weave, which took place fifteen years later when he took the decision to become a professional weaver and based his survival on the activity. In 1999, Luis enrolled in workshops taught by Master Zelito at Institute of Artisans Visconde de Mauá, in Pelourinho, to refresh his weaving expertise and restart his journey as a weaver. With the same restless energy that moved him since he was a boy, Luis Santana researched and created his own ways of using the technical resources that heald and pedal looms provide. He uses up to six pedals, two more than the number that is generally used, in order to be free to add different patterns in the same fabric. Licuri and piassava fibers associated with industrial cotton yarn to produce mandalas, table sets and center pieces are among his favorite raw materials. Meire Cabral is another craftswoman that discovered herself as weaver; she started in weaving activities as an adult, but she was as obstinate as the other in making the art of weaving her professional life. She was also Master Zelito’s student in the weaving workshops of Institute of Artisans Visconde de Mauá after being dedicating to various craft techniques, from pottery to paper recycling. Meire realized that the relationship between weaving and fashion was a means of expression that enabled the interaction of handmade fabrics with other creative activities. She usually develops fabrics according to the model of clothes that she sews, and also works in partnership with several designers from Bahia. Together with her fashion-related production, Meire also creates lightweight furniture in which her brownish fabrics take on a new dimension. Porto Seguro, southern region of the state, is on the weaving map thanks to Célia Amorim. Célia had no idea how a loom worked until she earned one, at the age of 25. She was a marketing professional who was gradually seduced by the universe of weaving, its equipment, fibers, yarns and wefts. She exercised her skills through courses and the expertise of other professionals in a continuous learning process that fascinates her until current days, and motivates her to share the acquired expertise through courses that she teaches. Célia was born in São Paulo, but 15 years ago she chose the city of Porto Seguro as her home. She considers the research of raw materials of various compositions and origins as an extension of the weaving activity, as well as the use of various looms that she gathered along her path. Célia is also adding recycled yarns and fabrics as a way of maintaining the use and expression of old fabrics that contribute to a more rational use of available resources. Among the collective initiatives that are developed within the state and in Salvador, which share among themselves the challenge to gather and articulate everyday issues through the weaving. These groups are: São João de Deus Center where inclusive productive activities were developed to provide opportunities for the participation of people with hearing and motor impairment in the villages of Nova Esperança, city of Ichu, in the sisal region of the state. The Tecelendo group in the city of Amargosa, and Coopertextil in Pelourinho, which is located in the old Cinema São Francisco place in Salvador. The Community Association of Friends of São João de Deus Center, in the village of Nova Esperança, city of Ichu, has already served about 150 families in the cities of Conceição do Coité, Serrinha, Barrocas and Ichu, all of them from the sisal region, according to Maria Dalva de Oliveira Carneiro, the Association’s director. Among the productive activities that are supported by the Center, we had the creation of a weaving group that used sisal fiber and cotton yarn. About 40 youngsters participated in the technical activities, who have learnt to weave, make carpets, hammocks, fabrics, bags and several other products. The project aimed at creating new sources of income for farmers. In Amargosa, city of Bacia do Jiquiriçá, the research and extension project called Tecelendo from the Federal University of Bahia Recôncavo - UFRB, aims at contributing to reduce social inequalities and poverty alleviation in the city through the association of labor and education. The project began in 2008 by gathering groups of youngsters, adults and seniors who were going through the literacy process associated with the weaving activity. From this association, the work proposal is constantly reorganized by involving the craftsman/subject in the processes of overcoming their daily limits. In this context, the project aims at forming working groups from weaving workshops in order have these groups organized in both professional and artistic-cultural scopes. The weaving represents the possibility of generating income and challenging situations that allow students to internalize their reading and writing learning processes, so they can act critically when in society. The work is methodologically centered in action and research, and its references are the theoretical studies of Emília Ferreiro, and Paulo Freire and Myles Horton.

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

asociaciones. Ellas buscan nuevas formas de consolidar la tejeduría como una alternativa financiera viable que siga influyendo positivamente en la región central de la ciudad. El trenzado El trenzado es el universo de los cestos, jequis y caçoás. A través del trenzado el artesano teje historias y lecciones de vida que fascinan por la maestría con la que están hechos - con pocas herramientas, pero con gran conocimiento y habilidad – para que este arte se mantenga vivo a través de muchas generaciones incorporando nuevas perspectivas para antiguos deseos. Buscamos abordar aquí aspectos de grupos de artesanos y de artesanos individuales que trabajan con la técnica del trenzado y que por diversas razones se han destacado, sea por la importancia cultural e histórica que desempeñan en sus comunidades, sea por el reconocimiento que han logrado gracias a su maestría técnica. Pero más allá de eso, todos son productores que a lo largo de sus trayectorias se dedicaron al desarrollo de la actividad, constituyendo asociaciones y cooperativas, logrando beneficios para sus familias y comunidades, dignificando el conocimiento de sus antepasados. Estos artesanos aquí reunidos, forman un mosaico compuesto de aspectos sociales, ecológicos y técnicos que impregnan la actual producción de trenzados en Bahía. Trenzado Entrecruzado Trenzado cruzado de cuadros Trenzado cruzado arqueado Trenzado de carga o cruzado en diagonal Trenzado Cosido o en Espiral Trenzado cosido con falso nudo Trenzado cosido con punto nudo Trenzado cosido con punto largo Trenzado cosido con espacio Entre las distintas técnicas de trenzado practicadas en la provincia, y siguiendo la clasificación utilizada por la antropóloga Berta Ribeiro en su libro El arte del trenzado de los indios de Brasil (1985), se identificaron dos grupos de trenzado y siete tipos de trenzado más comunes: Trenzado Entrecruzado Trenzado cruzado de cuadros Trenzado cruzado arqueado Trenzado de sarga o cruzado en diagonal Trenzado Cosido o Trenzado en Espiral Trenzado cosido con falso nudo Trenzado cosido con punto de nudo Trenzado cosido con punto largo Trenzado cosido con espacio Entre los trenzados entrecruzados está el trenzado cruzado de cuadros, que se utiliza en toda la provincia para hacer tamices. Su producción es universal. La producción de tamices depende de la producción de yuca y del consumo de sus derivados, así como la producción del tipiti (tipo de prensa o exprimidor de paja trenzada que se utiliza para drenar y secar raíces de yuca.). En Bahía se producen dos tipos de este equipo: el tipiti cilíndrico y el tipiti de torsión. Otras técnicas de trenzado, especialmente aquellos utilizados en la producción de trampas para el pescado, como los munzuás y jequis (trenzados enredados, trenzados hexagonales y trenzados torcidos), se han incorporado en la producción contemporánea en la fabricación de productos utilitarios y decorativos que tienen el sector turístico como su principal mercado. Por lo general, son los artesanos de las ciudades costeras que producen desde lámparas hasta manteles, reuniendo varias técnicas en un mismo producto, combinando elementos estructurales del trenzad, valorando sus atributos estéticos y logrando excelentes y diferentes resultados. Se destacan en la producción de luminarias los artesanos de los municipios de Valencia, Itacaré y Porto Seguro. Así como en Maraú, en el pueblo de Barra Grande, donde se encuentran artesanos como Manuel Paciência, que dedicó toda su vida a la artesanía y a su transmisión. Estos artesanos aseguran la perpetuación de las técnicas de fabricación de productos cada vez más escasos, que pueden incluso desaparecer. El uso de materias primas renovables que se originan a partir de los desechos de los cultivos agrícolas, como la fibra del plátano y del maíz, sumado al redescubrimiento de la totora, anteriormente utilizada en el relleno de Cangalhas y esterillas, y ahora utilizada también en el trenzado, que extendió el uso de las fibras naturales a la producción de muebles artesanales. Por lo tanto, los usos tradicionales también han sido reafirmados por actividades como la arquitectura y la decoración, que vienen valorando los revestimientos hechos con la palma, y que tienen en Camaçari y Porto Seguro sus mayores polos productores. El Trenzado de Sarga El trenzado de sarga, o trenzado cruzado en diagonal, es un trenzado ampliamente utilizado por los artesanos de Bahía y se puede identificar fácilmente en la producción de los tradicionales bocapios (bolsos para ir a comprar) y esterillas. Su maleabilidad permite que sea utilizando también en la composición de diferentes productos con diferentes funciones, tales como sombreros, tamices y abanicos. Estos productos tradicionales se han adaptado generando una serie de nuevos productos, tales como manteles, cestos y bolsos, de diferentes modelos y colores, que hoy caracterizan la producción de artesanos de toda la provincia de Bahía. El trenzado de sarga tiene muchas variaciones, pero su forma más común, llamada de “espina de pescado”, se obtiene mediante el trenzado de la paja, formando ángulos obtusos. Al entrelazar sucesivamente gran cantidad de paja de diferentes tallas, el artesano forma figuras geométricas. Los diseños se obtienen a través del uso de pajas de diferentes colores que, cuando combinados en diferentes arreglos, movimientos y dirección de las fibras, forman diseños en diagonal. Estos diseños se unen a través de la costura de sus laterales, ampliando así el tamaño de la tela. Así lo describe Berta Ribeiro: “si va en sentido recto, o en sentido oblicuo, la trama produce un efecto de diagonal al cruzarse con dos o más elementos de la urdimbre, de acuerdo con la fórmula 2/2, 1/3, obteniendo como resultado una pluralidad de diseños geométricos “. Las materias primas utilizadas en el trenzado de sarga son elegidas por su maleabilidad. Las fibras de las hojas de las palmeras fueron identificadas por los antiguos pueblos del país como abundante recurso natural que tiene esta característica, siendo la razón por la cual tiene hoy la predilección de nuestros artesanos. La palma del licuri, gracias a la extensa área de ocurrencia, es la más utilizada, y se combina con otras fibras, como la de la palma de ariri o licurioba y la del coco, explorándose el contraste de colores y texturas. La fibra de la palma de la piasava es la favorita en la Costa dos Coqueiros, utilizada por más de 300 artesanos, muchos de ellos miembros de la Cooperativa de Artesanía Trenzada Tupinambá, COPARTT. La palma de carnauba se utiliza en la región occidental y a lo largo del Río São Francisco, en los municipios de Barra y Juazeiro. Las astillas del buriti y del

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The project began with two scholarship students and a literacy class, which resulted in 10 involved people. This initiative success has raised the number of participants for up to 65 people directly involved. The classes are formed by people with distinct profiles, similarly to groups of residents of the same community, students who wish to prepare for ENEM , women farmers, and so on. The initiative brings together people from 20 to 70 years old from rural and urban areas and both genders. The means of divulgating the project were: radio, audio car, handouts distribution and liaison with communities. Interestingly, we can note that all classes from Tecelendo Project have their naming decided by groups of people that meet on a monthly basis, so the meeting participants can recognize themselves as individuals and members. In this case, the class identity partially reflects the group identity. In Pelourinho, Salvador, Coopertextil emerged in a central district of the city among the initiatives designed to reverse the process of social degradation that the neighborhood started suffering since the middle of last century, with the modernization of the city and the transferring of economic activities to other regions. The group was created from the gathering of mothers whose children were at risk and bond to Axé Project and Program for the Eradication of Child Labor - PETI, which required training in manual weaving. In 2003, the cooperative was created with the name of Mixed Cooperative of Products and Textile Items Jobs - COOPERTÊXTIL – which have initially trained 40 people who were representing 40 families, and produced pieces of utility and decorative crafts: table sets, pillows, napkins, carpets, blankets and towels, by using raw materials such as yarns and rustic cotton or raw threads. The training to master the management needs followed its own language, within a constructivist perspective, according to the reality of the group members. In COOPERTÊXTIL, the gender issue was raised for reflection. The cooperative female members not only handle the orders, deliveries, purchases and payments from the cooperative, but also handle their housework. A common concern raised by the cooperative members is about the future of their children and grandchildren at risk. Therefore, there should be considered other factors besides the technical ones. The financial condition and professional perspective of handicraft activity have a direct effect over the group and, consequently, the enterprise success. Currently, there are few associates who have been looking for new ways to consolidate the weaving as a viable financial and social alternative to positively influence the central are of the city. THE BRAIDING Braiding is the universe of baskets, hampers, jequis and caçoás. In the art of braiding, the craftsman braids and creates stories, life lessons that fascinate for their perfection. With few tools, but also provided with a lot of knowledge and skills, many generations were necessary in order to set them. These stories complete each other and remain alive as they constantly incorporate new perspectives along with old wishes. We intend to talk about aspects of groups and artisans that work with braiding and that, for various reasons, stood out either through the cultural and historical importance they have in their communities or through the recognition they have obtained due to the perfection of their techniques. All of them, however, are producers who have engaged in the organizational development of this activity along their way by creating associations and cooperatives, obtaining benefits to their families and communities and attributing dignity to their ancestors’ knowledge. United here, they constitute a mosaic through the social, ecological and technical aspects that exist in the current production of braiding in Bahia. Among different techniques used for braiding that can be found in the State, we have identified, by following the classification and the terminology established by the anthropologist Berta Ribeiro in her book named A arte dos trançados dos Índios do Brasil, written in 1985, two groups of braiding and, inside them, seven variations that were pointed as the most common ones: Criss Cross Braid Square or Checkered Braid Curved Braid Twill or Diagonal Braid Sewn Braid with a Fake Knot Sewn or Spiral Sewn Braid with a Knot Stitch Braid Sewn Braid with a Long Stitch Spaced Sewn Braid Among the criss cross braids, the square or checkered braid is a universal one and is also used all over the State to manufacture urupembas or sieves. The production of sieves, however, is related to the production of cassava and the consumerism of its derivatives, such as the tipitis (cylindrical baskets that can be extended and are used to extract hydrocyanic acid from manioc). We have discovered that two types of this equipment are produced in Bahia; the cylindrical tipiti and the torsional tipiti. Other techniques for braiding, especially those used to manufacture fishing traps such as munzuás and jequis (tied braids, hexagonal braids and twist braids), have been incorporated by contemporary producers to manufacture utilities and ornaments that are traded mainly in the tourism segment. Usually, artisans from cities located on the coastline produce from lamps to table sets and apply several techniques to manufacture one product, matching structural elements of braiding and enriching its aesthetic attributes with excellent and different results. Artisans that stand out in the production of lamps are those from Valença, Itacaré and Porto Seguro. In Maraú, at the village of Barra Grande, there is an artisan named Manuel Paciência, who sees the handicraft as his life mission. These artisans guarantee the endurance of techniques that were applied to products that have been becoming rare artifacts and could even disappear. The use of renewable raw materials originated from the waste of crops, such as banana tree fibers and corn husks, added to the rediscover of taboa, which was used only to stuff carts pulled by bulls and mats, has been renewing the use of braiding and expanding the style of natural fibers to the handmade furniture production. Traditional uses have also been reassured through activities related to architecture and decoration, which have valued the manufacturing of ceilings made of dendê splints, usually produced in Camaçari and Porto Seguro. THE TWILL BRAID The twill braid or diagonal braid is a criss cross braid largely used by artisans in Bahia and can be easily identified in the manufacturing of traditional bocapios (bags used in fairs) and mats. Its malleability allows it to be applied in the manufacture of several products with a variety of functions, such as hats, sieves or urupembas and fans. These traditional products have been adapted, creating a series of new artifacts like: table sets, baskets and bags that can be found in several patterns and colors that currently characterize the production of many artisans spread all over Bahia. The twill braid shows countless variations, but its most usual form is the standard one, named fishbone,


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

babaçú son las preferidas para hacer tamices. La cantidad de trenzas, como se le llama a la unidad del trenzado, puede variar según el número de pajas que definen su anchura. Están hechas de paja cortada en el grosor predeterminado por la artesana de acuerdo con el ancho que desea que tenga la trenza. El tamaño varía según el producto que será fabricado. La pajas, una vez cortadas, se juntan y son clasificadas por el número impar de pares utilizados: 3 pares, 5 pares, 7 pares, 9 pares, 11 pares. Su anchura varía a depender del uso: las más delgadas son la base de la producción de sombreros, bolsos y adornos; las medianas son utilizadas en la producción de bolsos y manteles; y las grandes para hacer colchonetas y bolsos más grandes. Las artesanas se refieren a la acción de producir el trenzado como “hacer la trenza”. Para unir la trenzas usan la aguja y para cortar, las tijeras. Las herramientas usadas son muy sencillas: Herramienta Función Aguja Ayuda a tejer la trama y también en la costura de las trenzas. Cuchara de palo o trozo de palo Ayuda en el proceso de teñido, mezclando los pigmentos de la fibra. Cuchillo o machete Para quitar las hojas del tallo. Tenedor Palo largo con un “tenedor” en la punta. Máquina de coser Acabado y unión de los extremos, coser la tela del forro. Ollas Proceso de cocción y teñido de la fibra. Roca Para auxiliar en el acabado de la costura. Tijeras Acabado, corte de los flecos. Actualmente, en muchas localidades, las trenzas son vendidas en mercadillos para ser compradas y cosidas por otros artesanos que tienen mayor facilidad en la comercialización, como ocurre en los mercadillos de pequeñas ciudades como Araci, Itaim, Iaçu e incluso en una ciudad importante como Feira de Santana. La unidad de medida utilizada es la braza y, para la medición de los elementos del producto, el palmo o talisca. Pero cada vez más las artesanas usan la cinta métrica. El trabajo del trenzado siempre empieza con la obtención de la materia prima, es decir, la paja. La jornada laboral de los artesanos de Subauma, localidad de la ciudad de Entre Rios, en la Costa dos Coqueiros, ilustra esta actividad. Cuando toca recolectar las materias primas, las artesanas despiertan muy temprano, al amanecer, y después de preparar el desayuno de la familia, van hacia donde hay fibra de la palma de piasava. Las artesanas que viven en otros pueblos caminan de una a dos horas para llegar a Subauma, o intentan encontrar materia prima más cerca de casa. La extracción se realiza con la ayuda del cuchillo y del podão (forquilha), palo largo con un “tenedor” en la punta. Las palmas seleccionadas son las más pequeñas, lo que facilita la extracción. Para la fabricación de la línea utilizada para coser las trenzas, buscan la hojas del ojo del licuri (la palma tiene dos ojos). Los artesanos tienen el cuidado de quitar el ojo más viejo y conservar el otro para que la planta se siga desarrollando. Después de la extracción de las hojas, ellas son llevadas a casa en la bolsa que el artesano lleva en la espalda. En casa, la paja es desvirgada y hervida (la paja de la palma de piasava tiene que ser hervida para adquirir la fuerza y la flexibilidad necesarias para el trenzado). Si el objetivo es tener una paja de colores, se tiene que volver a hervir la paja con anilina o colorante natural de las hojas del cipó negro (también llamado de arariba), de la capianga. Antiguamente también se utilizaba el barro del río para lograr un color oscuro. La jornada de la extracción de la paja comienza antes del amanecer y puede tardar más de un día, dependiendo de la cantidad de paja extraída. El trenzado empieza por la elección de la forma que va a tener: redonda, ovalada, rectangular, de pliegue. La forma de la pieza empieza por la forma del fondo. La pieza redonda nace de un anillo hecho con la trenza. Las piezas redondas empiezan con un anillo trenzado. Las piezas ovaladas empiezan con una trenza larga y las de fondo rectangular se forman a partir del doble pliegue de su fondo seguido por la costura de nuevas trenzas en los laterales. Una vez hecha la parte inferior, llamada por las artesanas de base o fondo, empieza la etapa de elevar el cuerpo, la parte lateral, que varía según la altura de la pieza final. Ya que el cosido de trenzas para hacer bolsos se da en forma de espiral ascendente, el acabado se hace doblando lo que quedó hacia dentro de la pieza. Franjas de trenzas también son utilizadas para el acabado. La composición de algunas piezas se completa aún con la adición de tapas y asas. Para “levantar” el cuerpo de los bolsos y cestas las artesanas utilizan sólo las manos, que ayudan a mantener la simetría del objeto. Únicamente en la fabricación de sombreros se utiliza un instrumento de madera para ayudar a dar forma a la pieza. Originalmente los diseños geométricos que adornaban las esterillas, sombreros y bocapios del sertón fueron logrados con el contraste de los colores de las fibras del licuri y del ariri. Con la fibra del licuri se hacía el fondo, y con el ariri se hacían tramas de cuadros. Después, con el uso de anilinas industriales, estos patrones se han reproducido de forma discreta en los trenzados llamados miudinhos (pequeñitos) de la ciudad de Santa Terezinha, y de forma exuberante en los trenzados de la costa. Uno de los productos más emblemáticos de la producción del trenzado artesanal es el bolso con tapa o bocapio, encontrado en varios mercadillos y establecimientos a lo largo de la carretera BR 116. Su cadena de producción reúne tres municipios: el municipio rural de Araci, que produce trenzas de fibra de ariri comercializadas en el mercadillo; las trenzas son compradas por artesanos del municipio de Tucano y son cosidas manualmente con líneas de caroá torcidas, luego el producto final se vende en el mercadillo semanal del municipio de Cipó. Este acuerdo dio lugar a la creación de otros modelos de bolsos, que incorporan otras fibras, como la del coco. En Ituaçu, municipio de Chapada Diamantina, el trenzado cruzado en diagonal con fibras del licuri es una tradición del pueblo de Guigó. Actividad femenina que se transmite de generación en generación, de madre a hija. La artesanía se viene firmando como una fuente alternativa de ingresos para las mujeres, que también se dedican al hogar y a la familia, y aún son fundamentales para la agricultura de subsistencia. Su primera colección de productos, que también inspiró el nombre del grupo, se llaman Guerreras de Guigó, aborda el perfil trabajador de la comunidad, representada por la fuerza de sus mujeres y celebrando su importancia en la comunidad. La artesana Herminia dos Santos Pereira, de 74 años, nacida en Guigó, representa muy bien las Guerreras de Guigó con su historia de vida. Doña Herminia nos muestra cómo el trabajo de la mujer en la artesanía se expandió y sobrepasó los límites de la actividad casera. Su madre, María Teófila, nacida en Baixa Grande, sabía hilar y hacer rienda. Ella aprendió a hacer rienda, pero ya no lo hace, y a los 10 años de edad, aprendió a tejer con una vecina, Almerinda, y a lo largo de los años ha enseñado a mucha gente. Ella es la madre de Lurdes, Lucinha, Zenilda y Lindalva y también trenza. Pero también sacó mucho polvo de la hoja del licuri (además de Doña Herminia, en otras locali-

which is obtained by braiding straws and creating obtuse angles. When braiding successively different numbers of splints or straws, the artisan creates geometric figures. A diversity of drawings is obtained thanks to the application of straws with different colors that, when alternated or combined in different arrangements, movements and directions, create diagonal drawings. These patterns are combined when joined together by sewing their sides, expanding the pattern to a fabric scale. Berta Ribeiro describes it as follows: “Disposed in a straight line and, even more, in case it is disposed in an oblique way, the weft produces a diagonal effect when passing through two or more elements of the warp, according to the formula 2/2, 1/3, etc., creating a variety of geometric drawings.” Therefore, all the elements involved in braiding, warp and weft play, at the same time, both an active and a passive roles. Fibers that are harder than others allow variations such as the hexagonal braid, which is used to cane chairs and traps to lobsters. Sieves and fans also use the twill braid and may incorporate liana and other fibers to settle the weft in a circular shape. The raw materials used in the twill braid are chosen for their malleability. The fibers that exist in the leaves of palm trees have been identified by the ancient population of the territory as an abundant natural resource that is provided with these characteristics. That is the reason why the artisans usually prefer to use them. Due to the large area in which it exists, the licuri palm tree is the most frequently used. Usually, it is combined to other fibers such as the ones that come from ariri palm trees or licurioba palm trees, and the coconut, exploring the contrast of colors and textures. Piassava fibers are the favorite ones in Costa dos Coqueiros, an area where they are very common. They are used by over 300 artisans, many of which are members of the Tupinambá Braiding Handicraft Cooperative (COPARTT). Carnauba palm trees are used in the west and throughout the river São Francisco, in the cities of Barra and Juazeiro. The cracks of buriti and babaçu are the favorite ones to manufacture sieves. The braid, so called the unit produced by braiding, varies according to the number of straws used to define its width. It is manufactured with a straw that has been cut in a thickness specified by the artisan depending on the width they want the braid to be. The size is changed according to the product that will be made. The straws, after being cut, are gathered and are always called by the odd number of pairs used: 3 pair, 5 pair, 7 pair, 9 pair, 11 pair. The width varies in accordance to its purpose: the thinnest ones are the base braid for producing hats, small bags and the final details; the medium ones go to the production of bags and table sets; and the thickest ones, to mats and big bags. The artisans call the action of producing braids “braiding” and, in order to help join the braids together, they use needles to create the finishing and scissors to cut the chippings. They always use simple tools: Tool Function Needle Helps manufacture the weft and sew the braids. Wooden Spoon or Stick Helps in the dying process, mixing the pigment and the fiber. Knife or Machete Used to separate the leaves from the stalk. Pitchfork Long stick with a fork on its end. Sewing Machine Finishing and ending the extremities, manufacturing fabric linings. Pans Conditions the fibers in the cooking and the dying processes. Shingle Used to help end the sewing. Scissors Finishing; cuts the chippings. Currently, in many places, the braids are sold in street fairs to be sewn by other artisans who are able to sell them more easily. It happens in the street fairs of small cities like Araci, Itaim, Iaçu, and even in a regional center such as Feira de Santana. The unit of measure applied is the fathom and, when measuring the elements of the product, they also use the palm or the spline. However, more and more, due to variations that can be found, many artisans have been using the tape measure. Braiding, however, always starts with the acquisition of raw materials, that is, straw. The journey of the artisans that live on the coastline of Subaúma, in the city of Entre Rios, located in Costa dos Coqueiros, is a good example of this activity. When it comes the day to harvest raw materials, the artisans wake up early, along with the dawn and, after making breakfast to their families, they go to an area where there are more piassava palm trees. Artisans who live in other villages can either walk from one to two hours until they arrive to Sabaúma or do it closer to their homes. The extraction is accomplished by using a knife and a pruning-hook, a long stick with a fork on its end. The palm trees chosen to have their leaves extracted are usually the smallest ones, which makes it an easier task. In order to make the threads used to sew the braids, they search for the leaves of the licuri’s eye (the palm tree has two eyes). The artisans are careful enough to take the oldest eye and preserve the other one to keep tree growing. After taking the leaves, they are plummeted, defoliated and put into a bag that the artisans carry on their back until they get home, where the straw has its stalk removed and is boiled (this is a need and a singularity of the straw extracted from piassava, which is different from other fibers used in Bahia, because, when it is cooked in boiling water, it acquires both the resistance and the malleability needed for braiding). If the purpose is to obtain a colored straw, it is boiled again with aniline or natural pigment that can be extracted from the leaves of a liana called arariba and of capianga. In the past, mud also used to be applied in order to obtain a dark color. This journey, which frequently starts before the sun rises, can take more than one day to be concluded depending on the quantity of straw collected. Braiding starts at the moment when the artisan chooses the shape that the product will have. Initially, it is given by the shape of its bottom: circular, egg-shaped, rectangular or a folded bottom, such as the bocapio, a product that has its bottom defined only by a fold and that, therefore, cannot be sustained by it. Round artifacts are created from a ring made with the braid. Egg-shaped pieces start from a long strip of braid while the rectangular ones are formed by double folding their bottom and adding new braids to their sides by sewing them. After finishing the bottom, also called by the artisans as base braid, the body of the product, its sideline, starts to be created and can vary according to the final height of the piece. Due to the fact that sewing the braids to manufacture bags is made in an ascending spiral way, the finishing is accomplished by folding the remainders towards the inside of the piece, which is then sewn to its body. Strips of braids are also used for the finishing. Some products are completed with the addition of covers and handles too. In order to lift the body of bags and baskets, the artisan use only their hands, which help them maintain the symmetry of the objects. Only the manufacturing of hats relies on the help of a wooden piece. Originally, the geometric motifs of mats, bocapios and hats were composed by the contrast between the colors of the fibers such as the licuri and the ariri. Licuri fibers were applied on the bottom and, along with the ariri, square wefts were created. Afterwards, with the use of industrial anilines, these patterns were reproduced, yet in a very inexpensive way in patterns called “the tiny ones” in the city of Santa Terezinha, in opposition to the braiding manufactured in cities located on the coastline, which applies color in an exuberant way. One of the most traditional products of the handmade braiding production in the State is the bag with

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

dades las artesanas dijeron que hasta mediados del siglo pasado, el polvo del licuri era sacado y vendido para ser usado en la fabricación de ceras y jabones). Su madre cuenta que no hacía sombrero porque es más difícil que hacer esterilla. Doña Herminia también explica que antiguamente el sombrero se cosía con un lado de la trenza sobre el otro, dejando el halo expuesto en un lado. “Fue un tiempo sufrido, también se hacía mucha bolsa para cargar la cal”, concluyó Dona Hermínia. Las artesanas de Guigó fueron proveedoras de bolsas para el transporte de la cal producida en la ciudad durante un largo periodo. Las bolsas eran hechas con la fibra de licuri, un trabajo muy duro y mal pagado. A lo largo de toda su vida, Doña Hermínia se dedicó a elaborar y vender esterillas en el mercadillo y a trabajar en el campo. El trenzado de las Guerreras de Guigó debe su perpetuación y calidad a las antiguos artesanas como Doña Herminia. Sus productos se caracterizan por su flexibilidad y por la coloración natural, de muy buena calidad. Su blancura ganó destaque con la adicción de bordados hechos con líneas producidas por las propias artesanas con la fibra de licuri teñida con tintes naturales. Utilizan estos hilos para decorar los productos con dibujos creados durante los talleres del Instituto Visconde de Mauá, que ilustran el paisaje y la vida cotidiana de las mujeres, como el cuidado con que cuidan de los campos y jardines, que se llenan de flores en los períodos húmedos. Claudia Francisca da Cruz, del Instituto Visconde de Mauá, enfatiza el cuidado, la tenacidad y el orgullo con que las artesanas incorporan sus historias a los productos, contribuyendo a hacer de la artesanía un instrumento de afirmación de su identidad. En el poblado de Campo Grande, municipio de Santa Terezinha, la artesanas han sido incentivadas a reflexionar sobre su identidad a partir de la artesanía. Las actividades que desarrolla la organización destacaron el importante papel que la artesanía juega en sus vidas. El 27 de febrero de 2007, Campo Grande conquistó, gracias a su previa solicitud, el reconocimiento como comunidad remanente de Quilombos. Ubicado a 12 km de la capital, la ciudad se compone de pequeñas granjas y un pequeño núcleo central. La comunidad producía cada vez menos esterillas y bocapios (bolsos con tapa) de licuri por la disminución de la demanda y por los bajos precios a los que eran vendidas las trenzas en las ciudades vecinas de Itatim y Iaçu (donde se vendían trenzas al mayor). Los productos acabados, como esterillas y sombreros, se vendían en la carretera BR 116. A través de talleres se buscó desarrollar actividades productivas y de ocio en la comunidad que tuvieran relación directa con las artesanas, como la fabricación de toallas con flecos con la técnica del macramé. Esta técnicas estaban asociadas a la antigua producción de hilos y cuerdas de caroá, que representaban una importante actividad en el pueblo hasta que fue suplantada por la comercialización de cuerdas de fibra sintética. Las tramas hechas en macramé se incorporaron como elemento decorativo y de estructuración de los bolsos. La alegría impregnó el reencuentro de las artesanas con la actividad tan querida y necesaria. La colección de productos fue nombrada de Cantiga Quilombola, inspirada por la samba de raíz que escuchaban mientras trabajaban. La actividad incorporada por los grupos, bajo el incentivo de Gildete Santiago, del Instituto Mauá, resultó en libro Conversa Quilombola, editado por el Instituto Visconde de Mauá, coordinado por Jaime Sodré y ilustrado con fotos de Tacum Lecy. La incorporación de lo lúdico a la actividad artesanal también sucedió en Jacunã, pueblo del municipio de Jaguarari. La comunidad local se especializó en la producción a gran escala de sombreros hechos con la paja del ariri (syagrus vagans), a pesar de la devastación indiscriminada de esta palma por las actividades de ganadería y cultivo. Los artesanos pagan el transporte al municipio vecino de Senhor do Bonfim, en las afueras de la ciudad de Tijuaçu, para recoger las materias primas necesarias a la actividad del trenzado. A través de los talleres del Instituto Visconde de Mauá, se desarrollaron esterillas de intersección en lugar esterillas de costura longitudinal, así como bolsos en nuevos modelos y colores. Las artesanas de Jacunã utilizan en su trabajo: cuchillo liso de punta delgada para sacar la hoja del tallo; equipo que está presente en otras comunidades, guante para proteger las manos de los artesanos durante el proceso de rascar la paja; aguja hecha para coser; batidora o piedra para el acabado y el molde de madera para darle forma al sombrero. Para el acabado, se usa cuchillo y aguja. La principal fiesta de la ciudad no tiene naturaleza religiosa o cívica. Lo que se celebra es la producción de artesanía local. Por eso se llama Festa do Chapéu de Jacunã (Fiesta del Sombrero de Jacunã) y es prácticamente una tradición. Podemos atestar la importancia de la artesanía local con el testimonio de la gente mayor, como el señor Manuel Pereira da Silva, que en 2009 tenía 90 años, nacido en el pueblo de Volta. Él dijo que de pequeño estuvo enfermo y su nombre de registro es Manuel, pero su hermano lo apodó Eusebio, como es conocido por todos. Se casó a los 16 años. En esta época sólo habían tres casas en el pueblo. Su madre, Maria das Neves, conocida como Neném, también hacía sombreros. - Nada más nacer ya me puse el sombrero. Cuenta. En ese momento había mucha paja de licuri y de ariri, se hacía bocapio, urupemba y vajilla que se quemaba en el horno. Trabajaba con la azada. Lampião era perverso. “Fuimos a la fiesta de Pau Ferro yo, mi tío y mis hermanos. En el camino la abuela escuchó el atropello y ellos se escondieron en el monte: - Nos tragábamos hasta el aliento. Hicieron perversidad en las caatingas. Cuanto a la abundancia de la palma del ariri en Jacunã, Maria Ferreira Cordulina, 101 años, conocida como Sinhá Maria, madre de la también artesana Neuza Ferreira dos Santos, 64 años, en un testimonio dado en 2009, recuerda que de pequeña veía su madre hacer sombreros y que cerca de la aldea había mucho ariri. Y muchos matorrales. Sus hijas Edita, Raimunda, Ester y Epifania también hacían sombreros. Para conseguir agua, dice, había que ir a buscar en la colina y el huerto era bueno y abundante. El mercadillo de Jacobina, que compite en importancia con el de la ciudad de Senhor do Bonfim, es donde se comercializan los diversos artículos artesanales. Está en el centro de la región y es ahí donde el aió (bolso carguero) se encuentra a la malla tejida, al bocapio de fibra de licuri con costura en espiral que le confiere una forma cilíndrica. El aió que se vende ahí tiene asa y acabado de fibra de caroá y es muy popular en la región de Piemonte, en la Chapada Diamantina y Itapicuru. Es producido en la Jacobina rural, en el pueblo de Velame. En contraste con los colores naturales más sutiles de las fibras de las palmas del sertón y de la sabana, está la exuberancia del trenzado de la costa, con sus colores vivos y patrones elaborados, con variaciones del trenzado de sarga propios de la región y que han conseguido alcanzar el status de productos típicos ampliamente conocidos por la población de la región y también por turistas

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a cover or bocapio with a cover. This product can be found in a series of free fairs and in some shops located on BR 116. It joins three cities together in its production chain: the countryside of Araci, in which braids produced with ariri fibers are manufactured and traded in fairs; the braids are bought by other artisans, who live in the city of Tucano, so that they can be hand-sewn with handmade twisted threads of caroá; then, finally, the products can be commercialized by dozens in the weekly fair that takes place in the city of Liana. This arrangement has resulted in the creation of other models of bags that can be used in a series of situations (instead of only bags to be worn in fairs, lady’s handbags that incorporate other fibers such as the coconut one and braids made of taboa). In Ituaçu, city located in Chapada Diamantina, the twill braid with licuri fibers is a tradition at the village of Guigó. It is an activity performed by women that goes from one generation to another, from mother to daughter. The handicraft has been representing an alternate income source for women, who also dedicate their time to take care of the house and the family and, at the same time, are an important work force in farming activities. Their first product collection, which has also inspired the name of the group, was called Guigó Warriors, due to the fact it involved the hardworking character of the community, represented by the strength of their women, and the intent to celebrate their importance to the village. Herminia dos Santos Pereira, an artisan who is 74 years old and was born in Guigó, is a good representative of the Guigó Warriors due to her life story. Mrs. Herminia shows us how the handicraft manufactured by women has overcome and expanded the limitations of domestic work; her mother, Maria Teófila, who was born in Baixa Grande, knew how to warp and to produce bone-lace, which used to be sold by the meter. She learned how to manufacture lace, but she does not do it anymore. When she was ten years old, she learned how to braid with a neighbor, Almerinda, and, since then, she has taught it to a lot of people too. Her daughters – Lourdes, Lucinha, Zenilda and Lindalva – also produce braids. Nevertheless, she has also “scraped a lot of powder off from licuri leaves” (just like Mrs. Herminia, artisans from other locations tell that, until the middle of the past century, they used to scrape the licuri powder, an ingredient used to produce waxes and soaps, to sell it). Her mother tells that she did not use to sew hats, because it is harder than sewing mats. Mrs. Herminia also explains that, in the past, hats used to be sewn with one side of the braid upon the other, leaving the halo exposed on one side. “It was a time when we suffered, we used to make a series of mat bags to carry lime”, according to Mrs. Herminia. The artisans that live in Guigó have been providers of bags destined to carry the lime that was produced in the State for a long time. These bags were manufactured with licuri fibers, which was a very arduous task. Yet, the production was poorly compensated. For all her life, Mrs. Herminia has made money by manufacturing and selling mats at the fairs and working at crops. The braiding manufactured by the Guigó Warriors owes its perpetuation and quality to ancient artisans like Mrs. Herminia. Their products stand out for flexibility and for the natural bright colors, which provides them with a unique quality. Their brightness has been highlighted due to the addition of embroideries manufactured with threads produced by the artisans using licuri fiber dyed with natural pigments identified by them and that reproduce drawings made during activities performed by the Institute of Artisans Visconde de Mauá, which illustrate the landscape and the daily life of women, such as the care they take of their crops and gardens, which gain an abundance of flowers in the wet periods. Claudia Francisca da Cruz, a technician from the Institute of Artisans Visconde de Mauá, mentions the accuracy, the obstinacy and the pride with which the artisans incorporate their stories to their products, providing the handicraft with a new role, an activity used to state their identities. At the village Campo Grande, city of Santa Terezinha, the artisans have also been motivated to think about their identities beginning on the handicraft. The organization activities performed have emphasized the important role that the handicraft plays and can play in their lives. On February 27th, 2007, Campo Grande was recognized as a community that arose from quilombos . Located 12Km far from the center, the village is constituted by little properties and one center. The community started to produce less and less mats and bocapios made of licuri due to the reduction of search and to the low cost of braids in fairs that took place in cities nearby, such as Itatim and Iaçu, where braids are marketed to be sold again, while the products ready for use such as mats and hats are offered on BR 116. Through workshops, they started searching for ludic and efficient activities performed inside the community and directly related to the artisans, such as the addition of bangs in towels using techniques such as the knot and the macramé lace. These techniques have been associated to the ancient production of threads and ropes made of caroá, which were largely produced in the village until the time they were replaced by the commercialization of ropes made of synthetic fibers. The wefts in macramé have been, then, incorporated as a decorative element and as an artifact to be used in the structure of handbags. The ludic was present in the satisfaction found once again in an activity that was so important to the artisans and needed by them in other times. They used to name their products while listening to samba , therefore baptizing their collection Quilombola Ballad. The activity assembled by the groups, which were instigated by Gildete Santiago, from Mauá Institute, has resulted in the book Conversa Quilombola, which was edited by the Institute of Artisans Visconde de Mauá and was organized by Jaime Sodré, with photographs taken by Tacum Lecy. The combination of ludic and the handicraft activity was also something that occurred in Jacunã, a village located in the city of Jaguarari. The local community has specialized in the production of enormous quantities (that used to reach thousands) of hats made of straw taken from the ariri (syagrus vagans), even with the large devastation of this palm tree promoted by activities related to agriculture and cattle farming. The artisans pay for a transportation that carries them to the city of Senhor do Bonfim, which is also near Tijuaçu, in order to collect the raw material they need to perform activities to braid. Criss cross mats instead of sewn mats, bags and new colors have been incorporated after a workshop was promoted by Institute of Artisans Visconde de Mauá. The artisans that live in Jacunã use, in their work: a thin-edged knife without saw to remove the stalk of the leaves; a leather finger guard, an equipment that is not used in other communities and that, along with a glove, protects the artisans’ hands when they scrape the straw; a needle to sew; a stone for finishing and a wooden piece to shape hats; for finishing as well, a knife and a needle. The biggest festival that takes place at the village does not have civic or religious motifs. It is called Jacunã Hat Festival and it is a tradition, because it has happened for years, and it praises the local handicraft. We notice the importance of the work in the statement provided by the oldest ones, such as Mr. Manuel Pereira da Silva, who was born at the village of Volta and was ninety years old in 2009. He tells that, when he was a little kid, he got very ill and he was baptized as Manuel, but his brother started to call him Eusébio, a nickname by which he is known at the village of Jacunã. He got married when he was sixteen years old (he used to tell he was two years older so that he could get married). By the time he got married,


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

que visitan las hermosas playas de la costa norte de Bahía. La formación de las siete asociaciones locales que comprenden la Cooperativa del Arte del Trenzado Tupinambá- COPARTT, fue resultado de los esfuerzos conjuntos de la población local por el reconocimiento de los derechos del carácter tradicional de su forma de vida. Pescadores, agricultores y recolectores unidos en una sólida tradición que abarca el conocimiento y las tecnologías relacionadas con el uso sostenible de los recursos naturales, representa la vida cotidiana y la forma de ganarse la vida. Las transformaciones resultantes de la construcción de instalaciones turísticas que han cambiado el entorno económico y social fueron intensas y empezaron con la apertura de las carreteras de Coco y Linha Verde en el territorio que comprende los municipios de Diogo, Areal, Santo Antônio, Curralinho, Vila Sauípe, Estiva, Canoas, Águas Compridas, Porto Sauípe, Massarandupió y Subaúma. En este contexto, la artesanía representa la base de la identidad que ayuda las poblaciones locales a reconocer sus derechos y a mantener sus prácticas en el territorio, incluyendo el derecho a la recolección de la paja y otras materias primas necesarias al desarrollo de la actividad artesanal del trenzado. Fue gracias a la reflexión acerca de los orígenes de esta práctica que se identificó el legado cultural de los antepasados Tupinambás, que fue absorbido por los africanos y los europeos y aún sigue presente en la relación con el medio ambiente y en la utilización de los recursos naturales. Gracias al apoyo de muchas instituciones, entre ellas el Instituto Visconde de Mauá, los artesanos de la COPARTT están constantemente renovando su producción y manteniéndose al día con la moda, incorporando nuevas soluciones compatibles con la logística de las artesanas. Como ejemplo de acciones desarrolladas, está el uso de la anilina de la madera, que resultó ser muy eficaz en la fijación del color en la paja, sumándose al uso de colorantes naturales de la capianga y arariba, así como el uso del interior de la trenza hacia afuera y la trenza anudada en la composición de los productos. Actualmente las artesanos disponen de una tienda para la venta de su producción en el Complejo Turístico de Sauípe, en Praia do Forte. También venden sus productos para otras tiendas y para importantes cadenas de distribución. La artesana Maria Joelma Bispo Silva, instructora del Instituto Visconde de Mauá, comparte tanto conocimientos técnicos, recogidos en la comunidad para ser adaptados a la realidad de otros grupos, así como la experiencia práctica, fruto del ejercicio de sus funciones de representación. Actualmente, preside la Cooperativa del Arte del Trenzado Tupinambá - COOPARTT. En el Recôncavo Baiano, el municipio de Saubara, cuna de la samba de raíz y de diversas manifestaciones afro-brasileñas e ibérico-brasileñas como la marujada, concentra la producción de esterillas, bocapios y otros productos tradicionales que mezclan las tradiciones del sertón a las innovaciones de la costa norte. Las artesanas, que son en su mayoría las marisqueras vecinas de Boca da Mata, se dedican al trenzado tejido con la fibra de la palma del licuri. En la búsqueda por la inserción en el mercado, han hecho interesantes mezclas con otras técnicas, como el trenzado cosido con punto abierto y el uso de encajes hechos por sus compañeras de la Casa das Rendeiras, con las que comparten la Asociación de Artesanos Saubara. Trenzado Cruzado Arqueado El trenzado cruzado arqueado es un tipo de trenzado entrecruzado, grupo de trenzados que también incluye el trenzado en cuadros, en hexagonal y en sarga (al que dedicamos todo un capítulo), la mayoría empleados en la producción tradicional de canastas, cestos y jequis. Son artefactos de formas, tamaños y usos variados que usan materias primas diversas y que se pueden combinar. La producción de trenzado que utiliza la técnica del trenzado cruzado arqueado va desde artefactos de grandes proporciones, resistentes y con acabado rústico, como son los cestos utilizadas en el cultivo de frijoles, cestos y bandejas utilizados en el mercadillo para guardar y exponer las verduras y frutas (llegan a medir más de medio metro), bandejas para secar el pescado, caçoás y panacuns, cestos para el transporte de carga en los animales y diferentes modelos de trampas para peces, como el jequi, hasta piezas más pequeñas y elaboradas como fruteros, lámparas, bolsos, instrumentos musicales como el caxixi y el sonajero que acompañan el berimbau. Las materias primas más utilizadas son los tallos de palma, el dendê (fruto de la palma), el coco de baia, el buriti, el bambú de taboca y canabrava, la fibra de la piasava y de la liana. Estas últimas son la materia prima más utilizada en la técnica de trenzado cruzado arqueado. Liana es la nomenclatura que reúne varias familias de plantas que comparten la misma estrategia de crecimiento centrada en la utilización de espacios abiertos en el bosque para asegurar la luminosidad que necesitan, dependiendo de la estructura de otras plantas en las que apoyarse para estirar sus tallos y raíces. La urdimbre que más se utilizada en la fabricación de canastas, cestos y jequis empieza por el cruce en perpendicular de tallos, llamados por muchos artesanos de “piernas”, seguido de otros formando un “ombligo” en asterisco. El ombligo en asterisco puede ser simple, usando tallos sueltos, o múltiple, disponiendo el doble o triple de tallos. A este conjunto de tallos, siempre en número par, se le añade una pierna falsa que da unidad a la trama permitiendo la alternancia de las piernas una a una. En la región oeste, municipio de Barreiras, donde se utilizan los tallos del buriti para hacer cestos y canastos, tanto en la urdimbre cuanto la trama el “ombligo” se hace en forma de abanico, con tallos superpuestos. “Esta técnica generalmente sigue la forma 1/1, confundiéndose con la de cuadros, ya que, también en este caso, los elementos pasivos (urdimbre) son dispuestos en paralelo e interceptados por el elemento activo (trama). Debido al hecho de que la urdimbre es rígida y gruesa, y la trama es delgada y flexible, el efecto producido es de una secuencia de protuberancias “. (Berta Ribeiro) La firmeza del tejido depende de habilidad, atención y fuerza física (para hacer piezas más grandes, como los caçoás). Cuanto más largos sean los tallos utilizados, mayor será el diámetro y/o la altura de la pieza. También se pueden añadir tallos (piernas) durante el trenzado para obtener el tamaño deseado. Los acabados varían dependiendo de la materia prima utilizada y de los procedimientos de procesamiento elegidos de acuerdo con la función del producto. De la liana se pueden retirar sólo sus hojas, y en algunos casos su corteza. Del bambú (Guadua weberbaueri) y la canabrava, se aprovechan las hojas, los tallos rotos y los nudos. Los tallos de la palma del babasú, buriti y coco se obtienen separando las hojas de la fibra que llena el interior de los “brazos” (el pecíolo de la hoja es la parte central de la hoja, que la sostiene y une al tronco de la palmera). La fibra de la palma de la piasava se limpia (cepillado) y selecciona. Como el dearrollo de la liana depende de un área de bosque y de vegetación de apoyo, es la planta que más sufre con la deforestación y el crecimiento de las áreas de cultivo y de las zonas ganaderas.

the village of Jacunã had only about three houses. His mother, Maria das Neves, also known as Neném, used to manufacture hats too. “When I was born, I was wearing a hat already”, he tells. At that time, there was plenty of straw, both from licuri and from ariri, to make bocapios, urupembas and dishware that could burn in the oven. The work was done with a hoe. Lampião did evil things. “I went to this party in Pau Ferro with my uncle and my brothers. João Nobilino was going to play. On our way there, our grandmother heard a noise and we hid in the woods. We held our breaths, because they did some bad things in the caatingas .” Regarding the abundance of the ariri palm tree in Jacunã, Maria Ferreira Cordulina, 101 years old, also known as Sinhá Maria, who has a daughter that is an artisan too, Neuza Ferreira dos Santos, 64 years old, provided us with a statement in 2009, when she talked about when she was little and used to see her mother manufacturing hats. She reported that near the village, there were a lot of ariri palm trees. And a huge forest too. Her daughters – Edita, Raimunda, Ester and Epifania – produced hats too. In order to get water, she told that they used to go to the hillock. Farming was good and plentiful. The free fair that takes place in Jacobina, which competes in terms of importance against the one that occurs in the city of Senhor do Bonfim, a place in which a series of handmade products is sold, is the center of the area where the aió made of woven fabric meets the mocó or bocapio made of licuri fiber, which is presented with a spiral sewn bottom and a cylindrical shape. Aiós made of licuri have a handle and a finishing of croá (caroá) fiber, being very popular in Piemonte da Diamantina and Itapicuru. Its production takes place in the countryside of Jacobina, at the village of Velame. Contrasting with the fainting colors provided by the natural pigmentation of palm tree fibers that exist in the countryside and the woodsy pasture, there is the exuberance of the braiding manufactured in the coastline, with its bright colors and labored patterns, which include variations of twill braids that are specific from this area and that were capable of reaching the position of typical products largely recognized along with their region by the population and also by the tourists that visit the beautiful beaches of the coastline in the north of Bahia, a position that is desired, not only by handmade expressions, but also by all other cultural ones. The creation of seven local associations that integrate the Tupinambá Braiding Handicraft Cooperative (COPARTT) resulted from the sum of efforts from the local population due to the recognition of the rights acquired regarding the traditional character of their way of living. It joins fishermen, shellfish gatherers, farmers and extractive workers based on a solid tradition that involves the knowledge and the technology related to the sustainable use of natural resources, which has been established in daily life and with which they make their profits. The transformations promoted by implementing touristic equipment that changed the economic and social configurations were intense and started by opening the highways “do Coco” and “Linha Verde”, in the area that comprises Diogo, Areal, Santo Antônio, Curralinho, Vila Sauípe, Estiva, Canoas, Águas Compridas, Porto Sauípe, Massarandupió and Sabaúma. The handicraft represented one of the main points in relation to identity that allowed the local populations to recognize their rights to maintain their practices in the area, among which the right to collect straw and other materials they needed to keep performing their handmade activity that originates the braiding. As they pondered over their origins, they identified it as a legacy from their ancestors, the Tupinambás, which was later incorporated by Africans and Europeans and is still present, remaining in the knowledge about the relation between the environment and the determination of its countless resources. Being supported by a series of institutions, such as the Institute of Artisans Visconde de Mauá, the artisans that integrate COOPARTT constantly renew their production, getting up to date according to fashion and incorporating new solutions to match the logistics available. They include aniline wood dyes, which have been proved very efficient to settle color to straw, added to the application of natural pigments from capianga and arariba, and the use of braids inside out and the knot braid to create the body of the products. Currently, the artisans own a store to sell what they produce at the Sauípe Touristic Complex, at Praia do Forte, and sell what they manufacture to a series of shops and important retailers. Artisans such as Maria Joelma Bispo Silva, a teacher at Institute of Artisans Visconde de Mauá, share both the technical knowledge, gathered by their communities in order to be adapted to the reality of other groups, and their practical experience as associates, gained by occupying positions as representatives such as the one she fills now, managing the Tupinambá Braiding Handicraft Cooperative (COPARTT). At the Recôncavo Baiano, in the city of Saubara, birthplace of the samba de roda and a series of AfroBrazilian and Ibero-Brazilian habits such as the marujada, there is the concentration of the production of mats, bocapios and other traditional artifacts that remains between the traditions of the countryside and the innovations of the north coastline. The artisans, most of whom are also shellfish gatherers and live in the old way of Boca da Mata, dedicate themselves to the twill braids of licuri palm tree fibers and, with initiatives to get into the market, made interesting mixtures with other techniques, such as the sewn braid with hemstitches, and elements found in the bone-lace of their colleagues from the Lace Makers House, a group with which they share the Saubara Artisans Association. CURVED BRAID The curved braid is a kind of criss cross braid, a group of braids that also involves square braids, hexagonal braids and twill braids (to which we dedicate one chapter) that is mostly used in the traditional production of hampers, baskets and jequis. These artifacts can be found in different shapes and sizes and can have different purposes. They can also be manufactured with a series of raw materials that can be combined with each other. The production of braiding with curved braids comprises from utilities with big dimensions, good resistance and a rustic finishing, such as baskets used to collect beans, hampers and trays used in free fairs to exhibit fruits and vegetables (which can be over 1.5m!), wheels to dry fish, chicken nests, caçoás or panacuns, baskets to be carried by beasts of burden and a series of fishing traps like the jequi, to smaller objects with labored finishing such as fruit bowls, lamps, handbags and musical instruments, such as the caxixi, a bell that accompanies the berimbau. They use splints taken from palm trees: dendê, coconut, buriti, babaçu, bamboos such as the taboca and the canabrava, fibers extracted from piassava and a variety of lianas. The last ones are the used more often. Liana is the general name that unites a series of plant families that share the same strategy to grow, focused on reaching open areas in the middle of forests in order to receive the light they need, depending on the structure of other plants for support, lengthening their stalks and their roots. The warp that is usually used to manufacture hampers, baskets and jequis starts by interlacing the splints, so called legs by many artisans, perpendicularly followed by others that are disposed in a way to create a belly button with the shape of an asterisk. This asterisk can be simple, applying detached legs, or multi-

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

Otras plantas que son fuente de fibras naturales también están bajo amenaza de escasez, lo que obliga a los artesanos a aumentar su radio de prospección para la extracción de materias primas. A esto le sumamos los bajos precios practicados en los mercadillos tradicionales, generando la necesidad producir más y, consecuentemente, la necesidad de extraer más recursos naturales. Actualmente las materias primas que tradicionalmente no eran utilizadas como fibra para el trenzado, como la fibra de plátano y la paja de maíz se están utilizando por los nuevos grupos, motivados por la abundancia de estas materias primas procedentes de los deshechos de estos cultivos y la posibilidad de generación de ingresos alternativos. Para incentivar esta practica, el Instituto Visconde de Mauá viene apoyando a los grupos en las diversas etapas de trabajo. Hay artesanos que producen cestas, canastas y jequis de trenzado cruzado arqueado en pequeña escala, para uso personal, o para el mercado local. Otros se estructuran en grupos, formalizados o no, que utilizan el sistema de cooperación mutua para suministrar grandes encargos, llegando a producir para toda la provincia, así como para otras provincias. Destacamos los grupos de artesanos del trenzado cruzado arqueado que engloban una diversidad de materias primas, de usos y de aspectos formales que ilustran la producción de la provincia. La localidad de Ponte do Jiquiriçá quizás sea la comunidad que más visibilidad tiene por estar ubicada a lo largo de la carretera BR 101, cerca del centro del municipio de Laje. Nació en consecuencia del comercio de artículos de trenzado artesanal y del biju de tapioca. Vecino de Ponte do Jiquiriçá desde 1980, Antonio Lopes, el Señor Paraíba, Doña Enita y sus hijos son el núcleo familiar con más éxito en la producción y comercialización de artefactos de liana trenzada. El trenzado de liana es una habilidad de los antiguos habitantes del lugar, cuya referencia es el ya fallecido Chico das Cestas, que inicialmente producía para uso propio y comercializaba de forma esporádica. Anteriormente el comercio de la ciudad se resumía a puestos de venta de harina de yuca y sus derivados: mandioca, tapioca, aceite de palma y frutas, entre otros. Sólo algunos vendían productos de fibra hechos a mano: sombreros, esterillas, canastas. Hoy en día la situación se invirtió con el predominio de los productos artesanales. Desde entonces, la ciudad ha crecido alrededor de la actividad artesanal y la mayoría de la gente que vive ahí hoy se dedica a la artesanía y a vender sus productos a lo largo de la carretera BR 101 y en las calles de Nova Brasília de Cima e de Baixo y Olaria. La mayoría de los artesanos tienen en la artesanía su única o principal fuente de ingresos. Las tiendas dónde se venden los productos son construcciones sencillas, ya veces son una especie de “arreglo” que llama la atención por la aglomeración de productos, especialmente los burros de distintos tamaños, bicicletas y carretillas, además de las tradicionales cestas ampliamente utilizadas en el desayuno. Sobrinos de la señora Nita, los hermanos Rodiel, Rubens, Raimundo y Romi desarrollaron la producción local gracias a la creatividad de Rubens, que es un artesano enamorado de su oficio. Él es asistido por su esposa Joseni, la Dó, y es visto por el grupo como un creador. Comercializa la producción en la región, e incluso cuando se viaja hacia el sur. Su tienda está al lado de su casa, a orilla de la carretera BR 101, donde también se encuentra la casa de su madre y hermanos. Un molino de harina y una plantación de cacao también son parte de la propiedad. Un cliente importante que tiene es la Fábrica de Chocolates Casero de Ilhéus, que encarga bandejas de contrachapada 4mm de diferentes tamaños con bordes de liana trenzada. La materia prima se suele comprar en manos de terceros. El extractor de helecho les trae “ruedas” de helecho, medido por abrazos y por brazadas. Ellos afirman que algunas maderas son nativas. En cuanto a la liana, ellos conocen el tiempo del ciclo para las nuevas extracciones, algunas especies requieren hasta ocho meses para un nuevo corte. También creen en la posibilidad del cultivo de la liana, lo que sería una alternativa para la conservación y el mantenimiento del suministro de materia prima para la creciente demanda. Una alternativa encontrada por los artesanos para emplear menos cantidad de liana en la trama en un periodo de escasez, fue entretejer con férulas de palma de dendê que tienen un color más claro que el helecho trepador, el que más se usa en la comunidad. Sin embargo, se deben hacer estudios para identificar y controlar las plagas que pueden infestar la férula de la palma de dendê. El gran flujo del tráfico en la carretera BR 101 favorece la visualización de productos y puntos de venta, y atrae a personas interesadas en admirar, comprar y encargar productos a los artesanos que, con creatividad y versatilidad, atienden la demanda. Constantemente hay peticiones de los clientes y distribuidores, siendo esta la principal razón para crear nuevos productos o reelaborar los productos ya existente con el objetivo de mantener el interés del comprador. Materia prima Acabado Equipo Lianas (trepadoras): Filicopsida; Natural o desbastado; Machete Verdadero; Negro; Paca; Rojo; Completo o troceado Cuchillo Maracuyá; Hoja de Jaca Trinca-Trinca; Esmeril Surra de Cavallo. Sierra Tico-Tico Ramas y Tallos: Sierra de “balcón” Paparaíba; Muanza; Tallo de Dendê; Especies variadas de madera virgen obtenidas en el pasto. Otros: Cuerda de Sisal; Compensado 4mm; Tallo de dendê; Barniz. Arreglos florales delicados hechos de la liana “jinete” son la especialidad de la Asociación Valentim-AVICA, creada en 2007 y que actualmente cuenta con 11 artesanos, y tiene como presidente la artesana Zenildes Silva. La asociación es un buen ejemplo del potencial económico de la artesanía, pues el distrito de Boa Nova es referencia de productos de calidad en todo el estado. El principio de historia de la artesanía se remonta a la liana “jacá” con la que se hacían cestas para ir a comprar comida, para llevar yuca, “panacuns” utilizados para el transporte de cargas en burros y bueyes. Otra materia prima muy utilizada fue el “jinete” (hierba que sólo se encuentra en el sur de Bahía, que tiene una fibra corta ideal para piezas pequeñas con detalles, aún en proceso de identificación) que convirtió las cestas en ramos de flores con finos detalles y variaciones creadas en los talleres de diseño por la consultora Rebeca Simas en las actividades patrocinadas por el Instituto Visconde de Mauá a través de la Gestión del Desarrollo. Con la escasez del “jinete”, encontrado en densos bosques, se han buscado nuevas materias primas, como cipós imbé, trinca-trinca, timburana, imbé y verdadero, de las cuales el cipó imbé y el cipó verdadero han sido los más utilizados. La expansión del uso de diferentes tipos de lianas, sin embargo, fue el resultado de la habilidad de los artesanos de Valentim, adquiridas gracias al dominio de la técnica del trenzado cruzado arqueado con la fibra del “jinete”. Si al principio las piezas eran utilitarias, luego los artesanos de Valentim se dieron cuenta de las muchas posibilidades y del valor añadido que la artesanía decorativa tenía. Según

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ple, with a double or triple disposure of them. To this set of legs, always in an even number, a fake leg is added to provide uniformity to the weaving of the weft and to allow alternating the legs one by one. In the western area, in the city of Barreiras, the stalk taken from the petiole of the buriti is used to manufacture hampers and baskets, both in the warping and in the weaving of the weft and the belly button is made in the shape of a fan with superposed splints. “This technique usually obeys the 1/1 shape and can be confused with the checkered style, once the passive elements (warp) are disposed in parallel series and alternately intercepted by an active element (weft). Due to the fact that the warp is rigid and broad while the weft is thin and flexible, the effect produced is a series of protuberances.” (RIBEIRO, Berta) The steadiness of the weft depends on the combination of ability, attention and strength (when manufacturing big objects such as caçoás). The longer the legs used in the beginning, the larger will be the diameter and/or the height of the object, with the possibility to be complemented by other legs when braiding in order to obtain the proper size. The finishing varies according to the raw material that is used and to the processes applied, chosen in accordance with the purpose of each product. Lianas can have only their leaves taken off as well as, sometimes, their barks. The taboca (guadua weberbaueri) and the canabrava, bamboo species, have their leaves taken off, their stalks cut and their knots scraped. The splints that come from babaçu, buriti and coconut palm trees are obtained by being separated from the leaves and the fiber that stuffs the “arms” (the petiole of the leaf, the core of the leaf, which supports it and joins it together with the stem of the palm tree). Piassava fibers are extracted, cleaned (brushed) and chosen. As the liana depends on the existence of a forest area, with other plants to support it and help it grow, it is also the most affected resource by deforestation and the enlargement of areas destined to agriculture and cattle farming. Other plants, natural fiber sources, are threatened and have become less common, forcing the artisans to increase the areas to which they go to extract raw materials. Added to this situation, products are sold with low prices in markets and free fairs, creating the need to extract and produce more and more and increasing the pressure on these fibrous natural resources. Currently, raw materials that were not traditionally used for braiding such as banana tree fibers and corn husks have been used by new groups as an alternate way to produce incomes due to the abundance of the raw materials generated by the waste of these crops. In relation to it, the Institute of Artisans Visconde de Mauá has been supporting the groups in different stages of their organization. Producers of various kinds of hampers, baskets, jequis and caçoás use the curved braid. Largely spread over Bahia, some artisans produce in small scales to their own use, to the local market or the fairs that take place at their villages. Other artisans created groups, which can be formalized or not, that, following a system of mutual help, respond to big demands, reaching the whole State and other States too. We highlight groups and artisans that use the curved braid in order to talk about the diversity of raw materials, uses and formal aspects, exemplifying the production in the State. Ponte do Jiquiriçá may be the community that gains more visibility for being located on BR 101, near the access to the headquarters of the city of Laje. It has been constituted from the commercialization of handmade braided objects and of tapioca beijus . Established at Ponte do Jiquiriçá in the beginning of the 90’s, Antônio Lopes, Mr. Paraíba, Mrs. Enita and their children, compose a family that was a great success in terms of production and commercialization of braiding artifacts made of liana. Braiding liana is an ability that comes from the ancient inhabitants of this place, who can be referenced by the deceased Chico das Cestas, who started producing for his own use and sometimes sold his products. Previously, the trade in this area was dominated by tents that sold manioc meal and its derivatives: beiju, tapioca, dendê oil and fruits, among other things. Only some of them sold handmade fiber products, hats, mats and baskets. Currently, this situation is reverse and handmade liana products prevail instead of fruits and cassava derivatives. This area has, then, grown around handicraft activities and is constituted mostly by artisans, who have grouped alongside BR 101 and on the streets Nova Brasília de Cima and de Baixo and da Olaria. The incomes of most of the artisans come only from handicraft. The tents are simple constructions and, sometimes, “arrangements” that attract people’s attention due to the accumulation of products, especially donkeys manufactured in a diversity of sizes, bicycles and wheelbarrows, as well as baskets that are often used for breakfast sets. Mrs. Rita’s nephews, the brothers Rosiel, Rubens, Raimundo and Romi, have developed a local production through Ruben’s creativity. Rubens is an artisan and is in love with his work. He gets help from his wife Joseni, so called Dó, and is seen as a creator inside the group. They trade the production in the province and even on trips to the south of the country. His shop is near his house at the limits of BR 101, where there is also his mother and brothers’ house. A place where they produce flour and a cocoa crop complete the property. One of their customers is the Homemade Chocolate Factory of Ilhéus, which orders 4mm veneer trays in different sizes with edges made of samambaia liana. Raw materials are usually bought from third parties, such as the samambaia extractor, who provides them with wheels of samambaia, measured in hugs and armfuls. They state that there is some native wood. Regarding the liana, they know its cycle and the time needed for new extractions: some species need 8 months until they can be cut again. They also believe in the possibility of farming liana, which would be an alternative to preserve and maintain the supplying of raw material to the growing demand. During a time of scarceness, an alternative discovered by the artisans to use fewer lianas in the weft was interlacing dendê splints that are fairer than the samambaia liana, which is the most used inside the community. However, they still need to study how to identify and control pests that can attack the splint extracted from dendê. The intense traffic that exists on BR 101 promotes attention to the products and shops, and attracts people who are interested in admiring, buying and ordering products to the artisans, who, with creativity and efficiency, embrace the demand. Often, customers and resellers place orders, the main reason why they create new products or elaborate the old ones again, in order to renew the interest of the buyers. Raw material Finishing Equipment Lianas: Natural or polished; Machete Samambaia; True; Black; Paca; Complete or divided. Knife Red; Passion Fruit; Trinca-Trinca Emery-Wheel Jackfruit Leaf; Surra de Cavalo. Fret Saw Branches and Splints: Workbench Saw Others: Sisal rope; Dendê splint; Paparaíba; Muanza; Dendê Splint; 4mm veneer; a series of species of rural wood Varnish. that can be obtained in the pasture. Delicate floral arrangements that use the ginete liana are the specialty of the Valentim Association (AVICA), created in 2007 and currently composed by 11 artisans, being managed by the artisan Zenildes Silva. This association is a good example of the economic potential created by the handicraft, because


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Anderson Dias, Paulinho, maestro municipal y partidario del grupo, hijo del artesano Salomino Dias, de 66 años, que producía canastas de “jinete”, a través de la asociación con el Instituto Visconde de Mauá, en 2008, el grupo recibió un nuevo impulso. El Instituto llamó la atención de los artesanos para la necesidad de profesionalización. Uno de los cursos, ofrecido en asociación con la AVICA, fue el de Asociaciones y Relaciones Interpersonales, que permitió la estructuración y el conocimiento de los procedimientos para la comercialización de los productos. También es una tradición antigua el trenzado de liana y de bambú del municipio de Caém, en el territorio de Piemonte da Diamantina, desarrollado por al menos cinco generaciones, según el testimonio de las artesanas. Las mujeres son la mayoría de las participantes, contando a veces con la ayuda masculina para recoger la materia prima en el bosque. Trabajan individualmente en sus hogares en todas las etapas de la producción e históricamente no había ningún recuerdo de un trabajo colectivo entre los artesanos. Doña Adelina Virgulina da Silva, de 65 años, la artesana más antigua, dice que comenzó a hacer cestas para vender cuando tenía 12 años. Nacida y crecida en la Granja Gravatá recuerda que la familia salía de casa muy temprano por la mañana y llevaba casi todo el día para llegar a Jacobina, ciudad vecina y centro de comercio. Las cestas y canastas, los productos más demandados por los clientes, eran atadas en manojos y colgadas en el animal de carga. La artesana dice aún que sólo la familia de Doña Marcelina, que vivía en Triângulo, confeccionaba productos de liana. Luego la gente de los alrededores empezó a producir también, aumentando la competencia y reduciendo sustancialmente la disponibilidad de materia prima en las proximidades. Pocas personas siguen fabricando tamices con la talla de la palma del coco babaçu, pero se siguen produciendo otros productos como cestas, cestos, caçuás, munzuás y jequis. En la ciudad de Marcelos se produce la pari, trampa para pece s de río hecha con cañas gruesas de taboca. Además de los artesanos de las ciudades de Triângulo y Gravatá hay artesanos en la calle da Estação, en el centro del municipio, también conocida como la Rua da Palla, calle de la paja, porque tiene las casas cubiertas con este material. Para los grupos de localidades visitadas la actividad de cestería tiene las mismas características desde las materias primas hasta la fabricación. La diferencia está en el hecho de que las artesanas de Gravatá dependen directamente de las artesanías que producen para su subsistencia, manteniendo una producción constante que es comercializada en el mercadillo de Jacobina. Las cestas y canastas, entre otros productos, hechos en las localidades de Triângulo y Gravatá, así como en la sede del municipio, utilizan el bambú (Guadua weberbaweri) como base de la producción. Las principales reservas brasileñas se concentran en la reserva Chico Mendes, en el estado de Acre. Es una fibra natural de gran resistencia, incluso utilizada para la fabricación de muebles en algunas regiones. En la ciudad de Caém, el bambú se utiliza en combinación con la liana Caititu para confeccionar la urdidura, componiendo la trama de las paredes de las piezas de tablillas de bambú. Su extracción requiere un conocimiento acerca del estado de madurez de la planta y atención con los espinos que normalmente hacen daño a la persona involucrada en la cosecha. Se podría probar de utilizar la talla de babaçu como materia prima sustituta del bambú, garantizando la sostenibilidad de la producción. La palma del coco babaçu (nombre popular dado a la palmera attalea breninhoensise y attalea pindobassu, comunes en el estado de Bahía), como es conocida en la región, es abundante en algunas zonas de la ciudad de Caém, llegando a alcanzar entre 10 y 20 pies de altura . Sus hojas se mantienen en posición rectilínea, giradas hacia el cielo, lo que le da un aspecto muy altivo. De la hoja del babaçu sólo el tallo central (pecíolo) es aprovechado por los artesanos para hacer tamices, pero su follaje puede ser utilizada para cubrir las casas y sus cocos para producir aceite y artesanía. Reproducimos aquí una obra hecha del tallo del babaçu en el municipio de Macaúbas, con un acabado muy fino. En Caém, el bambú era encontrado en áreas vecinas cercanas, pero ya hay escasez y la zona de ocurrencia es muy particular, y no siempre es permitido el acceso a las artesanas. Según testimonio de la artesana Rita Virgilina, se produjo la extracción indiscriminada por parte de terceros generando la desaparición del bambú, que no pudo regenerarse después de la última sequía prolongada. Las lianas se pueden encontrar fácilmente en la sierras próximas al Gravatá; para encontrar un mayor volumen hay que caminar mucho y a veces se hace necesario un animal de carga. El aumento significativo del número de artesanos y granjas en la comunidad circundante contribuyó a la escasez de la materia prima. Las artesanas tienen que caminar 13 km hasta la localidad conocida como Giral, cerca de la ciudad de Caldeirão Grande, para extraer la materia prima. Para hacer el trayecto con el sol aún suave, tienen que salir de sus casas alrededor de las cuatro de la mañana, para regresar por la tarde. En este momento es esencial el apoyo de un animal para soportar el peso de la carga durante un largo período. Una vez extraídos, la liana y el bambú no pueden estar bajo la luz solar directa, ni bajo la lluvia, por lo tanto, se almacenan en el interior de las casas. El procesamiento de la fibra de bambú para la fabricación de cestas empieza todavía en el bosque, cuando se rompe el tallo (astillas) en cuatro partes, siendo que se tiran las dos partes de donde se desprenden las hojas. Después el tallo es astillado en más partes y se elimina el “vientre” (parte interior), disminuyendo su espesor. Los aspectos característicos de las cestas y cestos de Caém son su color claro, gracias a la utilización del bambú y la liana rapada, y los entremedios agujereados, que son responsables de la rápida identificación de su origen. También han sido estas características que llevaron la artesana Laurinda a crear su bolso inspirado en cestas de mercadillo. Tambié fueran desarrolladas cestas cubiertas con tela de algodón en talleres realizados en colaboración entre el Sebrae, el Instituto Visconde de Mauá y el ayuntamiento del municipio de Caém, aumentando la versatilidad del uso de las cestas en la decoración de la mesa. Otro lugar donde el bambú es la principal materia prima para la fabricación de cestas y cestos es la isla de Maré, la segunda isla más grande de la Baía de Todos os Santos, en el municipio de Salvador, que es parte de la Zona de Protección Ambiental da Baía de Todos os Santos. En la localidad de Praia Grande, se utiliza la canabrava, una hierba, especie de bambú, que tiene bajo costo de producción, además de ser un material renovable y ecológico. Se puede encontrar en abundancia sobre todo en las regiones tropicales y subtropicales. Se trata de un material potencialmente prometedor que ha demostrado grandes cualidades y variedad de uso. La relación de los isleños con el bosque es tan íntimo como con el mar. El señor Francisco, artesano nacido y criado en Praia Grande, dio un interesante testimonio a Ayane de Souza Paiva, explicando la importancia de los bosques para la población de la isla: “Sí que dependemos de él, sacamos de él nuestro alimento, nuestra artesanía, nuestros cestos, la

the city of Boa Nova is a reference of quality products in the State. The beginning of the local handicraft story alludes to the jackfruit liana, with which they made baskets to be used in fairs, hampers to carry cassava, panacuns to be carried by donkeys and bulls. Other commonly used resource was the ginete (a gramineous plant, which can be found only in the south of Bahia and presents a short fiber, being perfect for small objects and details, still going through an identification process) which small hampers have turned into little bunches of flowers with delicate details and variations developed in design workshops ministered by the consultant Rebeca Simas in activities promoted by the Institute of Artisans Visconde de Mauá with the management of Fomento. With the scarceness of ginete, which can be found in closed forests, new raw materials, such as the imbé, trinca-trinca, timburana and true lianas have been tried and the imbé and true lianas were selected. The increase of braiding made with other kinds of lianas was, however, the result of the ability of artisans from Valentim, acquired from curved braiding that used ginete. If, in the beginning, the objects were mostly utilities, the artisans located in Valentim have noticed soon enough that the decorative handicraft could bring a lot of possibilities and increase their income. According to Anderson Dias, so called Paulinho, teacher and supporter of the group, son of the artisan Salomino Dias, 66 years old, who produced little baskets with ginete, from the moment the partnership with the Institute of Artisans Visconde de Mauá started, in 2008, the group received a new motivation. The institute has oriented the artisans to the need of professionalization. One of the courses promoted by the institute along with AVICA was called Associations and Interpersonal Relationships and led to the creation of a structure and the acquisition of knowledge regarding the trading of products made by the associates. Braiding with liana and taboca is also an ancient tradition in the city of Caém, located in Piemonte da Diamantina, developed for, at least, five generations, according to the artisans. The women prevail among the participants and, sometimes, receive help from men to collect raw material in the woods. They work alone or with their families in all the stages of production and, historically, there was no memory of collective work among the artisans. Mrs. Adelina Virgulina da Silva, 65 years old, the oldest artisan, tells that she started to manufacture baskets and sell them when she was 12. Born and raised in Fazenda Gravatá, she remembers her family used to leave home early and took almost the whole day to get to Jacobina, a city nearby which was the trading center. Baskets and hampers, which customers used to look for more often, were tied up in burdens and hang on the cart, when they had animals to pull it. The artisan also tells that only Mrs. Marcelina’s family, who used to live in Triângulo, manufactured liana products. Then, other people who lived nearby started to produce them too, increasing the competition and reducing the availability of raw materials in the surroundings. Only a few people keep manufacturing sieves using splints extracted from the coconut babaçu palm tree. However, the production of other products like baskets, hampers, caçoás, munzuás and jequis still exist. In the province of Marcelo, they manufacture pari, a long trap to catch fish from rivers, using thick tabocas. Besides the artisans that live in Triângulo and Gravatá, there are many artisans on Estação Street, in the center of the city, also known as Palha Street, because the houses used to be covered by straw. In all the places we visited, basketry presents the same characteristics of the raw materials used to the manufacturing. The distinguishing aspects lie in the fact that the artisans located in Gravatá depend directly on the handicraft they manufacture to support them, maintaining a constant production that is commercialized in the fair that takes place in Jacobina. The baskets and hampers, among other products, manufactured in Triângulo and Gravatá, as well as in the center, base their production on the use of taboca (guadua weberbaweri), a kind of bamboo or grass. The main Brazilian reserves of taboca are concentrated at the Chico Mendes reserve, which is located in Acre. It is a very resistant natural fiber used to manufacture furniture in some areas. In Caém, taboca is used along with the caititu liana to produce the warp that composes a weft to the sidelines of the objects. Its extraction demands knowledge about the maturation status of the plant and caution with the thorns that usually hurt the ones involved in the harvest. Babaçu splints could be tried as a raw material to replace taboca in order to guarantee sustainability to the production. The coconut babaçu palm tree (popular name given to the attalea breninhoensise and the attalea pindobassu palm trees, common trees in Bahia) is abundant in some areas of the city of Caém and can reach a height that varies from 10 to 20 meters. Its leaves remain in a rectilinear position. Directed towards the sky, babaçu has an elevated aspect. The artisans use only the petiole of the babaçu leaf to manufacture sieves, but the leaves can be used to cover houses and the coconut, to produce oil and handicraft. We reproduce here a product with perfect finishing manufactured with babaçu splints in the city of Macaúbas. Taboca can be found in the surroundings of Caém, but it is already rare and found only in specific areas, not always being available to the artisans. According to the artisan Rita Virgilina Rodrigues, there were uncontrolled extractions performed by third parties, which were responsible for the disappearance of taboca. After being explored in such large areas, it did not grow again after the last dry period. Lianas can be found eventually in stone slabs on the mountains near Gravatá; the quantity will depend on the total amount of time one will walk and, sometimes, on a burden beast. The increase in the number of artisans and farms in the surroundings of the community has turned it into a rare raw material. The artisans can be forced to walk 13 Km until they get to the province of Giral, near the city of Caldeirão Grande, so that they can extract the raw material. In order to complete this route under cold sun, they leave their homes at 4 in the morning and get back in the beginning of the afternoon. At this moment, it is very important that they have an animal to help them carry what they need. When they are taken from the woods, neither the liana nor the taboca can be left directly under the sun or the rain, so they are kept inside the houses. Handling taboca fibers to manufacture baskets starts in the woods, when the stalk is divided, usually into four parts, discarding two of them: the ones which the branches were detached from. After that, the splint is divided into more parts and the “belly” (interior) is taken off, thus, reducing its thickness. The dominant aspects of baskets and hampers from Caém lie in their fair colors, thanks to the use of scraped tabocas and caititu lianas, and the empty insertions, which are responsible for the quick identification of their origins and were also the element that oriented the artisan Laurinda when she created handbags inspired in bags used in fairs, a tradition she recreated and masters. Some cotton cloaks have also been developed in workshops, promoted in a partnership established between Sebrae, the Institute of Artisans Visconde de Mauá and the city hall of Caém, expanding the use of baskets to decoration and table services. Another location in which bamboos like taboca are used as the main raw material to manufacture baskets and hampers is the Maré Island, the second largest island located in Todos os Santos Bay, a territory in the city of Salvador, which integrates the environmental protection area of Todos os Santos Bay. In Praia Grande, they use the canabrava, a kind of bamboo that does not consume much energy and has a low production cost, besides being a renewable and ecological material. It can be abundantly found especially in tropical and subtropical areas. It is a potentially promising material that has been showing great qualities and a diversity of use possibilities.

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

madera del remo, todo viene del bosque, incluso para coger el marisco hay que utilizar el bosque para hacer la canoa.” “Cortas los trozos de la Canabrava y ya lo plantas, fincas en el suelo, debajo de la tierra, y luego, con el tiempo, nacen otras que se van esparciendo por los bosques. La raíz se extenderá en cualquier tierra, rompe en la tierra para dejar salir a los “hijos”. Sacamos estos tallos y dejamos el “ojo” para que pueda volver a crecer. Si le sacas el ojo lo estropeas...”, dice Sydney, artesano, productor de cestas. En la Ilha de Maré el trenzado es un trabajo alternativo que los isleños hacen cuando necesitan aumentar sus ingresos, o cuando se quedan desempleados. Las cestas hechas en Ilha de Maré con la fibra de canabrava son ligeras y de tono claro. Su trama es más abierta cuando se usa la fibra de liana, tanto en la urdimbre cuanto en la trama de las piezas. La canabrava ya no se encuentra fácilmente en la isla. Para extraerla hay que cruzar la bahía y pedirle permiso a la Base Naval Militar. Se necesita todo un día para reunir material para tres semanas de trabajo. El transporte de la materia prima se realiza en el día siguiente por los barcos. El procesamiento se hace desmechando los tallos, proceso que demanda más de un día de trabajo. Tras el exhaustivo trabajo de extracción y procesamiento, el artesano descansa antes de iniciar el trenzado. Su principal punto de venta son el mercadillo de São Joaquim (Salvador), mercerías y tiendas de artesanía, pero se pueden encontrar en mercadillos de la calle y centros de suministro de todo el estado gracias a su bajo precio, gran producción y variedad de formas. Cestas y canastos suelen ser comprados para ser decorados con cintas y volantes y utilizados como cestas de desayuno, cestas para bebés, entre otros usos. También hay canastas grandes para poner la ropa y otras más rectas que se utilizan mucho en la decoración de escaparates y actos festivos. El uso más noble de las cestas y cestos de Ilha de Maré se da el 2 de febrero en la celebración de la orisha Yemanjá (la reina del mar), que tiene lugar en el barrio de Rio Vermelho, en Salvador, donde las cestas de canabrava son los principales receptores de la ofrendas a la Orisha. El pueblo de Praia Grande es el principal bastión de los artesanos del trenzado de canabrava. Es también el más grande de los nueve pueblos de la isla que, al lado de los otros cuatro, fueron reconocidos como comunidades remanentes quilombolas por la Fundación Palmares: Bananeiras, Ponta Grossa, Porto dos Cavalos y Martelo. Son 900 hectáreas de territorio quilombola, casi la mitad de la isla (TOURINHO, 2011). El artesano del trenzado tiene la función de desarrollar productos que faciliten la vida del agricultor y atiendan a las diversas necesidades del campo. Y desarrolló con maestría su trabajo . Creó incluso una especie de nido para que las gallinas pusieran los huevos a la vez que el huevo se quedaba protegido, un “alichote”, como Vivaldo dos Santos Vivaldo, Señor Vado, nombra el “artefacto”. El alichote consta de un tenedor de madera cuidadosamente escogido por Su Vado en el bosque, con cuidado para no perjudicar el desarrollo de la planta. Él utiliza la “jurema”, y un cono de trenzado de liana, utilizando en su obra una gran variedad de lianas: el cipó verdadeiro, cipó timbó, trinca-trinca, imbé, caititu, rojo, garajau, lagoinha. El señor Vado contribuyó con la construcción de alichotes añadiéndole los “pies”, una base también en forma de tenedor, poniendo fin a la necesidad de hacer un agujero en el suelo para su instalación, dándole al producto más versatilidad y posibilidad de uso. Con la liana rapada él hace piezas más delicadas, como cestas con tapa y cestas para poner el pan. El señor Vado aprendió el oficio del trenzado con su padre Simon. A los 13 años hizo su primer cesto. Con su padre también aprendió el arte de la identificación de la liana en el bosque, si está en el punto de ser extraída en el bosque alto, el ideal para encontrar la mejor y la más larga liana, la importancia de no cortar el tronco de la liana para que la misma se regenere, y respetar el mejor momento para su corte, que es después de la luna llena. Como parte del respeto al bosque que su padre le enseñó, aprendió a observar las abejas nativas y exóticas, y su creación en “corchos” para la producción de la miel. Su miel favorita es la de miel de la jataí aguijón por sus propiedades terapéuticas. Sus instrumentos son el machete y el cuchillo para cortar y raspar la liana, el mazo y el torno para ayudar en el acabado de las piezas. Enseña que el jequi, trampa para la pesca, también se llama munzuá o curute. Y que caçuá, côfo y panacum son sinónimos. El señor Vado también produce el jequi, intercambiando conocimientos con los artesanos de diferentes regiones del Estado, como Missão do Sahy, de Senhor do Bonfim, y José Dilson de Oliveira, del pueblo de Serrania, en Euclides da Cunha. La producción del caçuá se da en dos etapas: inicialmente se hace el trenzado del tejido, uniendo dos vigas gruesas o un palo de madera flexible; por lo general el artesano usa el peso de su cuerpo en la tesitura del trenzado; una vez el tejido esté listo, con la ayuda de un lazo de cuerda o elástico de cámara de neumático, él lo flexiona para entonces tejer los laterales. Los laterales pueden terminar en círculo completo, o en círculo en arco. También hay caçoás que se convierten en grandes cestas que empiezan con un asterisco, con asa lateral para sujetar el yugo (formado por una pieza alargada de madera que se utiliza en las espaldas de los animales para cargar la mercancía). Se necesita combinar la fuerza y la destreza artesanal para realizar la operación. En Cachoeira do Edgar, comunidad rural del municipio de Esplanada, parte de la zona turística de la Costa do Coqueiros, a 147 km de Salvador, los jequis y munzuás, trampas para la pesca, constituyen la base para la creación de nuevas piezas decorativas. El colorido de la fibra de palma trenzada, obtenida con la técnica del trenzado de sarga, o diagonal, generalmente utilizada en la fabricación de bolsos, fueron tramadas junto a la urdimbre de liana, reuniendo el conocimiento de la comunidad acerca de un grupo de productos y ofreciendo nuevas oportunidades de mercado. Las piezas de colores expresan la alegría que la comunidad siente con la samba, como lo demuestra la artesana y líder local Doña Maria de Oliveira, 66 años nacido en Cachoeira do Edgar: “Mi padre era un agricultor, plantaba yuca, maíz, arroz, frijoles, papas, mi madre ayudaba a mi padre. Eran siete hermanos. [...] Yo tuve 13 hijos y 8 nietos [...] Mi madre cogía tucum, hacía sombrero, esterilla y pintaba con arariba, anilina, achiote para vender en Lagoa Redonda, en Sitio do Meio. Llevaban animales para llevar la carga, tardaban de dos a tres días [...] 15 días hasta Alagoinhas. Con la cera de uruçu hacía mecha, palo de musserengue [...]. Se escapó de casa para casarse con su marido a los 19 años “. La vida era muy dura, recuerda: “No hacía falta mucho para ir de fiesta. ¿Vamos a bailar hoy? Se juntaban los familiares y vecinos y estábamos toda la noche. Iluminábamos con lámpara de gas“. Y recuerda una samba: “Yo voy a la samba, yo voy a sambar. Si la samba me gustar, morena. Yo te vengo a buscar. En la casa del rey de los peces. Va a tener mantequilla de sardinilla. Mi amigo, mi compañero lo sabe Que la voz es mía”.

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The relation of the inhabitants of the island with the woods is as intimate as the one they maintain with the sea. Mr. Francisco, who was born and raised in Praia Grande and is an artisan, provided Ayane de Souza Paiva with an interesting statement, explaining the importance of the woods to the population of the island: “We depend on the woods, for sure. We use it to feed, in handicraft, to fish, to manufacture baskets. Everything comes from the woods. Even in order to gather shellfish, we need the woods so that we can manufacture canoes.” The artisans show the precautions they take in order to preserve the resources: “We cut parts of canabrava and plant them again, fixing them firmly into the ground. Then, as time goes by, it grows again and spreads in the forest. The root spreads in any land. We take off the stalks and leave the eyes so that it can grow again. If you take off the eye, it will not grow anymore, according to Sidnei, an artisan who manufactures baskets. In the Maré Island, city of Salvador, braiding is a kind of knowledge to which the islanders can turn to when they need extra income or when they are unemployed. Baskets manufactured with canabrava in the island are light and fair. Their weft is more open on baskets manufactured with liana, which is used both in the warp and in the weft that finish the body and the handles of the objects. Canabrava cannot be easily found in the island anymore. In order to obtain it, it is necessary to cross the bay and ask for permission to the military in the naval base to start extracting it. It takes a whole day to gather work material for three weeks. The raw material is carried in the following day by boats. Then, the splints are shredded in order to create splines, process that demands another day of work. These are exhausting processes and, when they finish, the artisan rests in order to initiate braiding the pieces. The main markets are a fair that takes place in São Joaquim and shops that sell little things and handicraft, but these products can be found in free fairs and other supplying centers all over the State thanks to their low prices, great production and variety of shapes. Baskets and hampers are frequently bought to be decorated with ribbons and frills and be used as baskets of breakfast, baskets for layettes, among other things. The buyers can add elements they like that are usually sold in the same shops that sell the baskets. There are also big hampers to keep clothes and rectilinear hampers that are often used to decorate showcases or in parties. The noblest role played by baskets and hampers from the Maré Island takes place on February 02nd, at a celebration to Iemanjá, which occurs in the neighborhood of Rio Vermelho, in Salvador, and is a time when canabrava baskets are used as vessels to the offers made to this Orixá. Praia Grande is where most of the artisans who manufacture canabrava braiding are located. It is also the biggest of the nine villages of the island and, along with other four – Bananeiras, Ponta Grossa, Porto dos Cavalos and Martelo – is recognized as a quilombola community by Palmares Foundation. The quilombola territory occupies almost half of the island and is over 900 hectares (TOURINHO, 2011). The work of the artisans has been required in order to fulfill a series of needs from the countryside and to make the work of farmers easier. As the artisans frequently played both of the functions, they responded to this demand with perfection. Supporting the eggs produced by chicken, for example, makes the birds comfortable in a nest that protects their eggs from falling. This is the function of the chicken’s nest, so called alichote by Vivaldo dos Santos, Mr. Vado, from Irará. An alichote is constituted by a wooden pitchfork chosen carefully by Mr. Vado, in the woods, being attentive enough to avoid harming the growth of the plant. He uses jurema and a cone made with braids of liana, applying a variety of lianas in his products: true liana, timbó, trinca-trinca, imbé, caititu, red liana, garajau, lagoinha. Mr. Vado has also built alichotes supported by pitchforks, in order to eliminate the need to make a whole in the ground to fixate them and to provide this artifact with versatility, increasing its use. He manufactures the most delicate pieces, such as baskets with covers of scraped timbó. Mr. Vado learned how to manufacture braiding from his father, Simão. When he was 13 years old, he made his first basket. His father also taught him how to identify the kinds of lianas in the woods and check if they can already be extracted from high trees, on which they can usually find the best and longest lianas, as well as the importance to leave the stem of the liana so that it can regenerate, and also to respect the best time to cut it, which comes after the full moon. Regarding respecting the woods, his father taught him to watch the bees, both native and exotic, and to breed them in “corks” to produce honey. He has a preference for the honey produced by the jataí due to its therapeutic properties. He uses simple equipment: a machete and a knife to cut and scrape liana, a little wooden mallet and a tow cable to help finish the objects. He teaches that the fishing trap jequi is also called munzuá or curute. And that caçoá, côfo and panacum are also synonyms. Mr. Vado produces it too, sharing his knowledge with artisans from different areas of the State, like Missão do Sahy, located in Senhor do Bonfim, and José Dilson de Oliveira, who lives at the village of Serrania, located in Euclides da Cunha. Manufacturing caçoás is a two-stage process: in the beginning, the braiding of the fabric is produced by joining two stakes of thick lianas or a flexible wooden branch; then, when the fabric is finished, he inflects it with some help from a bowknot made of rope or a rubber band so that he can weave the sidelines. The sidelines can be finished with a circle or an arc. Some caçuás are big hampers, with an asterisk shaped beginning, provided with a handle on their side so that they can be hang on carts (wooden structure put on the back of beasts of burden to carry loadings). The artisan needs to combine strength and ability to perform this activity. In Cachoeira do Edgar, a community located in the city of Esplanada, which is part of the touristic area of Costa dos Coqueiros, 147 Km far from Salvador, jequis and munzuás, kinds of fishing traps, base the creation of new decoration objects. Colorful piassava braids, obtained through the twill or diagonal braiding technique, frequently used to manufacture handbags, were woven along with the liana warp, gathering the knowledge of the community over only one group of products and pointing to new market opportunities. The colors of the pieces show the happiness with which the community celebrates the samba de roda, according to the artisan and community leader Mrs. Maria de Oliveira, 66 years old, who was born in Cachoeira do Edgar: “My father was a farmer. He cultivated cassava, corn, rice, beans and potato, and received some help from my mother. I had seven brothers, […] 13 sons and 8 grandsons […]. Mother used tucum to make hats and mats and colored them with arariba, aniline and urucum to sell them in Lagoa Redonda, located in Sítio do Meio. They went there with the animals, collected the burden, which took from 2 to 3 days […] and 15 days to Alagoinhas. She made wicks with uruçu wax […] She ran away from home when she was 19 years old to get married.” Life was hard, but she also remembers: “They did not need much to party. ‘Let us dance today?’, they said. Then, they gathered the relatives and neighbors and spent the night. They used lamps and gas to make light.” And she quotes samba lyrics: “Eu vou pro samba, eu vou sambar Se o samba estiver bom, morena


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

El trenzado cruzado arqueado empezando en asterisco tiene su aplicación más simple en el trabajo con la fibra de la piasava (attalea funifera), palmera nativa endémica de Bahía. Los artesanos de la zona sur se niegan a usar otra materia prima complementaria para preparar sus canastas, como la ciudad de Trancoso, Porto Seguro, donde utilizan la fibra oscura de piasava para hacer cestas y manteles, que tienen su origen en el agujereado de las trampas de pescado y en las cestas para llevar mariscos. La fibra de la palma es resistente y no se pudre en contacto con el agua, además de ser materia prima abundante en la región y un recurso renovable ampliamente utilizado en la cobertura de las casas y quioscos. Los artesanos tienen en el mercado turístico su principal clientela, tanto en la venda de productos para decoración, como lámparas, como en la venta de accesorios de mesa: canastas, manteles y servilleteros. Los visitantes reconocen en los productos artesanales hechos con la piasava la identidad local. El artesano más antiguo todavía activo es el señor Israel que, junto a su hijo Pila, mantiene una taller en la calle principal, donde trabajan un considerable número de personas haciendo artesanía de trenzado. Nuevos talentos como Amilton dos Santos y su esposa, Josenilda Seixas, la Jôsi, se inspiran en la tradición para desarrollar nuevos productos que tienen como objetivo el mercado turístico. El pueblo de Maracangalha, ubicado a 60 km de Salvador, es un distrito del municipio de São Sebastião do Passé y se ha desarrollado alrededor de la usina Cinco Rios, fundada en 1912, reuniendo alrededor de ocho antiguas granjas productoras de caña de azúcar, cuyas tierras iban desde las orillas de la Bahía de Todos los Santos hasta la carretera BR 324. En 1956, la ciudad se hizo famosa en la canción de Dorival Caymmi “Eu vou pra Maracangalha.” (Me Voy a Maracangualha). La totora (typha domingensis), también conocida como tabu, ocupaba la zona de la antigua usina Cinco Rios. Era considerada una plaga y por eso era contrarrestada a través de la quema constante. El uso de la planta para la producción artesanal fue una alternativa que el Área de Protección Ambiental Joanes / Ipitanga creó para el uso comercial de la totora, para que dejara de ser quemada causando daños al medio ambiente y a la salud respiratoria de los vecinos. En 2007, a través de la asociación entre Coelba, Sebrae, Ayuntamiento del Municipio de São Sebastião do Passé, Instituto Visconde de Mauá, Superintencia del Medio Ambiente y Recursos Hídricos del Gobierno de Bahía, APA Joanes / Ipitanga, se han apoyado las acciones de la Asociación de Amigos y Vecinos de Maracangalha- AMOR, a partir de talleres de gestión ambiental para evitar la deforestación y la extracción indebida de la fibra de totora en la región, el procesamiento de la totora con el reconocimiento de la zona de recolección y el manejo de la fibra y su trenzado, gestión, formación redes de asociación y cooperación, entre otros. Las etapas de desarrollo de productos se iniciaron por el diagnóstico de las realidades culturales y socioeconómicas, seguido de actividades participativas para la definición de las líneas de productos a ser desarrollados y los mercados a ser servidos. Ya en diciembre de 2008 tuvo lugar el lanzamiento de la colección Lindroamor, en referencia a la manifestación cultural local que consiste en reunir a un grupo que a través de bailes y canciones van de casa en casa pidiendo una contribución para la fiesta del patrono de la ciudad, con la exposición de los productos como esterillas, bolsos, flores, cestas y collares para la comunidad. La actividad genera empleo e ingresos y contribuye a la estimulación de la economía local, en declive desde el cierre de la usina en 1987. Las artesanas que constituyeron la Asociación Taboarte usan varias técnicas, incluso la tejeduría de la fibra de la totora, siendo que la más utilizada es la trenza de tres cosida para la producción de bolsos y cestas. El producto más famoso tenía que ser el bolso Anália, en homenaje a la música de Dorival Caymmi: “Eu vou para Maracangalha” (Voy a Maracangalha). La ciudad de Brejões aún conserva en sus caseríos y casas adosadas mucho de los tiempos en que el café era una gran fuerza económica. Pero hoy en día, con los cambios ambientales y climáticos y las frecuentes sequías, la cultura del café se redujo considerablemente. En tiempos de crisis, que también puede considerarse como momentos de oportunidad, la artesanía fue considerada una alternativa viable, considerando que la producción de plátanos generaba recursos no utilizados y el deseo de los artesanos de desarrollar sus habilidades. La artesana Helena, por ejemplo, crea y produce con la fibra del plátano graciosas miniaturas de galeotas, nombre local de la carretilla. Los productos de Brejões utilizan tanto la técnica del trenzado cruzado arqueado como la de cuadros, forma como empiezan la parte inferior de las cestas. Las estrategias de comercialización, tales como el desarrollo de envases, etiquetas, cestas, estanterías y expositores resultaron de los talleres de formación, de los que los artesanos de la Casa do Artesão de Brejões han participado activamente, con el objetivo de crear alternativas para aumentar las ventas y crear vínculos de alianza con los comerciantes de las ciudades vecinas de la región de la Bacia do Jiquiriçá, como las ciudades de Amargosa y Jaguaquara, donde el comercio es más fuerte y hay más oportunidades. El responsable técnico del Instituto Mauá de las actividades de formación llevadas a cabo en la Casa de Artesanos Brejões, Celeste Azevedo, señala el perfil emprendedor de los artesanos que crearon un diálogo también con otros artesanos como carpinteros, zapateros y herreros para el desarrollo de nuevos productos que, a partir de las vocaciones regionales, alcanzaran un nivel de excelencia que permitiera conquistar el mercado deseado por ellos. Entre los nuevos productos se destacan las mesitas de noche hechas de estructura de metal y revestidas de fibra de plátano trenzado. Como Brejões, en Utinga, municipio de Chapada Diamantina, los agricultores hoy en día también se pueden considerar artesanos. Con el fin de generar y difundir conocimientos técnicos de procesamiento de la fibra del platanero, fueron desarrollados talleres en el marco del Programa de Generación de Ingresos no Agrícolas, una iniciativa de la Empresa Baiana de Desarrollo Agrícola- EBDA, vinculada a la Secretaría Estadual de Agricultura, Irrigación y Reforma Agrária- SEAGRI, junto a la Cooperativa de Agricultores Familiares da Cabeceira del Río, COOPAFCAR. Los propios artesanos de la Cooperativa actuaron como educadores en doce clases, durante cinco años, direccionadas a los agricultores de varios distritos del Estado. Las actividades de capacitación se llevaron a cabo en el Centro de Formación de Agricultores Familiares Territoriales de la Chapada Diamantina (CENTRAF), en Utinga. El coordinador del curso y gestor del CENTRAF, Camilo Leão, es un entusiasta de la capacidad de la artesanía de relacionar diferentes conocimientos y habilidades reunidos por el pequeño agricultor en la relación con el campo, lo que hace con que sea capaz de desarrollar productos que encantan por los aspectos utilitarios y la durabilidad, ya que esta es la realidad del trabajador del campo que tienen que rodearse de objetos que cumplan bien las funciones a las que se destinan. El buen acabado, sobre todo de los muebles y objetos de decoración, pero también de los utilitarios, son la marca de la producción de los artesanos de COOPAFCAR. Los artesanos empiezan su trabajo con el procesamiento de la fibra del plátano. El proceso tiene inicio con el corte del falso tallo, que a continuación se elimina con la ayuda de un cuchillo, seguido de la separación de cinco fibras con diferentes características que pueden tener utilidad. Los artesanos de Utinga prefieren

Eu vou te buscar. Na casa do rei dos peixes Vai ter banha de sardinha Meu amigo, camarada conhece Que a voz é minha.” Curved braiding with an asterisk beginning is applied when braiding fibers extracted from native piassava palm trees (attalea funifera), very common in Bahia. The artisans who live in the south do without other raw materials and elaborate their baskets like in Trancoso, located in Porto Seguro, using dark fibers extracted from piassava to manufacture baskets and table sets, which originated from fishing traps and baskets used to carry shellfish. Piassava is a resistant fiber that does not rot when in touch with water, besides being an abundant raw material in the area and a renewable resource largely used to cover houses and kiosks. Most of the customers who buy the artisans’ products are tourists, and they buy both products for decoration, such as lamps, and utilities, such as baskets, sousplats and napkin holders. They also see the piassava handicraft as the local identity. The oldest artisan of the village who still produces handmade artifacts is Mr. Israel. Along with his son Pila, he maintains a shop near the main street, offering jobs to a considerable amount of people in the braiding segment. New professionals, such as Genilson, who started the shop Liana da Mata, Amilton dos Santos and his wife Josenilda Seixas, so called Jôsi, search for inspiration in the tradition to create new products destined to the tourists. Curved braid can also be used to produce furniture with big dimensions. This art is mastered by the Liana, Dendê and Coconut Artisans Association of Camaçari, located in Sucupió, in the city of Camaçari, and gathers more than 60 families of artisans, owning a privileged space for trade on BA-099 highway, the Coconut highway, main access to the north coastline of the State, the famous Costa dos Coqueiros. Its president, Marlene Jordão, explains that the activity involves entire families that alternate themselves in the production tasks that comprise from collecting splints from dendê palm trees to manufacturing furniture with wooden structure. Despite the hardness of the work, women dedicate themselves to it as much as men do. The most successful product, the one which the customers use to buy with more frequency, is the ottoman, manufactured in different sizes according to the order placed by the customer and upholstered with colorful fabrics, which attracts the attention of people in the vehicles that travel towards the beaches. Furniture made of dendê splints by the Sucupió Association compose most of the touristic undertakings located in the north coastline of the State, contributing to build a local identity. On the other hand, the village of Maracangalha, 60 Km far from São Sebastião do Passé, has been established around the Cinco Rios mill, set up in 1912, gathering about eight old sugar mills located from the edges of Todos os Santos Bay overcoming the current BR 324. In 1956, this area became famous due to Dorival Caymmi’s song “Eu vou pra Maracangalha”. Taboa (typha domingensis), also known as tabu, occupied an area in the old dam of Cinco Rios mill and was seen as a pest and controlled with frequent fires. Using this plant in handicrafts was an alternative pointed out by the environmental protection area Joanes/ Ipitanga to benefit from it in the economy, so that it would not be burnt anymore, damaging both the environment and the inhabitants’ health. In 2007, after a partnership between Coelba, Sebrae, the city hall of São Sebastião do Passé, Institute of Artisans Visconde de Mauá, the superintendence of the environment and hydric resources of the government of Bahia, and the environmental protection area Joanes/Ipitanga was set, actions taken by the Friends and Inhabitants Association of Maracangalha (AMAM) started to receive some support. They promoted workshops to teach how to handle the environment and to stop both the deforestation and the incorrect extraction of taboa fibers in the area. They also talked about the benefits brought by the use of taboa and the identification of harvesting areas, as well as how to handle the fiber and its braiding, management strategies and how to create networks of cooperation and association, among other things. The stages to develop the products started by diagnosing the cultural and the socioeconomic realities of the area, followed by activities to define which products would be manufactured and to which market they would be sold. In December, 2008, the collection Lindroamor was launched, referencing the local culture demonstration that consists in gathering a group of people to go door to door dancing and singing in order to ask for contributions to the patron saint festival, with the exposure of products to the community: mats, handbags, flowers, baskets and necklaces. This activity creates job opportunities and income and helps give dynamism to the local economy, which has declined since the mill was closed, in 1987. The artisans who created the Taboarte Association use a diversity of techniques, including weaving taboa fibers, often using a three-strand braid, sewn to produce handbags and baskets. The most famous product is the Anália handbag, due to a reference in Dorival Caymmi’s song “Eu vou pra Maracangalha”. Brejões is a city that shows, on the façades of mansions, much of the time when coffee represented a very strong economy. Currently, however, due to weather changes, the cultivation of coffee has been reduced. During the crisis, which can also be seen as a time of opportunities, the handicraft was identified as a possible alternative, because cultivating bananas produced resources that were not used and, also, the artisans wanted to develop their abilities. An artisan called Helena, for example, created and produces, with banana tree fibers, cute miniatures of galliots, also called wheelbarrows. The products manufactured in Brejões use both curved braiding and square braiding techniques, with which they start the bottom of baskets. Trade strategies, such as the development of packages, labels, hampers, bookshelves and showcases resulted from workshops in which the artisans from the Artisans’ House of Brejões engaged in order to create alternatives to bring dynamism to the sales and to create partnerships with merchants from cities nearby in the area of Jiquiriçá Basin, such as the cities of Amargosa and Jaguaquara, where the trade is stronger and there are more opportunities. In the Institute of Artisans Visconde de Mauá, the technician responsible for qualification activities promoted in the Artisans’ House of Brejões, Celeste Azevedo, highlights the entrepreneur spirit of the artisans, who established a dialogue with other artisans – joiners, shoemakers and metal workers – to develop new products that could reach a perfection level capable of reaching the market they want. Among the new products, they point out little tables and bedside tables manufactured with a metal structure and covered with banana tree fiber braiding. As well as in Brejões, in Utinga, city of Chapada Diamantina, nowadays farmers can consider themselves artisans too. In order to create and spread the technical knowledge about the benefits of the banana tree fiber, some workshops were developed by a non-agricultural related income generation project, an initiative started by a company of agriculture development from Bahia (EBDA), an institute related to the department of agriculture, irrigation and the land reform (SEAGRI) along with the family farmers cooperative from Cabeceira do Rio (COOPAFCAR). The artisans from the cooperative have taught twelve groups of students, who were farmers from different cities of the State, for five years. These activities took place in the center of qualification of family

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

usar la fibra para producir trenzas de fibra y hilos torcidos, que luego serán trenzados para formar la base de los productos. Entre los asociados hay diferentes perfiles de producción, con trenzas de diferentes grosores. Marinalva Monteiro, que participó en el grupo a través del Instituto Visconde de Mauá, destaca la iniciativa de los miembros, que han desarrollado un blog en internet que viene obteniendo buenos resultados en la divulgación de los productos a través de sus fichas técnicas, elaboradas como resultado de las actividades de formación. La iniciativa debería servir de ejemplo a otros grupos que utilizan las herramientas de la Internet para promocionar su producción. El platanero es también un insumo importante para los grupos de artesanos de São José da Vitória, donde era utilizado para hacer sombra en la entonces rentable plantación de cacao. Ganó importancia con la llegada de la plaga de la “vassoura de bruxa” (escoba de la bruja), que arruinó la economía del cacao. El grupo Banana Atlântica produce principalmente lámparas de varios modelos. Ya en Bom Jesus da Lapa y Moquém do São Francisco, las mujeres del Forte Formoso y Caminho de Santana producen bolsos con la fibra del plátano y también con la fibra del maíz, así como en Pindaí, donde se utiliza el maíz sobre todo en la fabricación de cajas y muñecas. Guanambi se destaca en la producción de delicadas flores de paja de maíz. En Juazeiro, la Casa del Artesano también está introduciendo la fibra del plátano como una alternativa a la artesanía urbana que utiliza telas que a menudo se vuelven caras, lo que contribuye a una menor rentabilidad. Además, los artesanos identificaron que los clientes valoran más los productos hechos con fibras naturales procesadas por las propias artesanas. El Trenzado Cosido Esta técnica, que utiliza la aguja como principal herramienta, tiene principios en común con la cerámica (superposición de rollos en espiral) y con la costura. Se produce combinando un elemento pasivo (urdimbre) con otro activo (trama). Se destacan los siguientes grupos: • trenzado cosido con falso nudo: la trama es flexible y avanza en espiral envolviendo la viga que compone la urdimbre; así se forma una capa que esconde, capa por capa, el soporte del trenzado. • trenzada cosido con punto nudo: la trama tiene la forma de un “ocho”, pero al dar vueltas sobre sí misma, y una vez insertada entre los dos soportes, forma una serie de ligaduras más o menos evidentes, en función de si el folíolo es grueso o delgado. • trenzado cosido con punto largo: en lugar de envolver capa por capa, el elemento de la trama da dos vueltas sobre la capa que está enlazando y luego una más larga que cubre esta y la anterior, dejando espacios abiertos entre una y otra. • trenzado cosido con espacios: aquí pasa lo mismo que en el trenzado cosido con falso nudo, excepto que, en lugar de una malla tocando la otra, se deja un espacio, haciendo que los puntos coincidan longitudinalmente a lo largo de la trama y dejando visible el rollo que sirve de elemento de apoyo. (Ribeiro, Berta. Diccionario del Arte Indígena) La técnica del trenzado cosido en Bahía utiliza principalmente las fibras de las hojas de las palmeras de licuri, ariri, piasava, y también la hierba dorada, la fibra de sisal y la fibra de la palma del catolé. Las “rodias”, nombre dado a algunos grupos de artesanos haciendo referencia a las vueltas características del trenzado, se puede alternar con diferentes colores o diferentes materias primas, tanto en la urdimbre cuanto en la trama. Por lo tanto, es posible formar diseños geométricos de gran impacto visual que son explotados de diferentes maneras por las comunidades, dando a su producción una identidad propia. En São Gonçalo, municipio vecino a Feira de Santana, se identificó el uso de rodillos gruesos de hierba seca, envueltas por una costura de fibra de licuri, resultando en un tipo de cestería con una gama de productos más llamativos, de grandes dimensiones, en contraste con otras materias primas utilizadas en el trenzado cosido reunidas en porciones delgadas envueltas por la costura de la fibra de licuri. En acuarelas del siglo XIX, el artista de la misión francesa Jean Bapbtiste Debret, registra algunos artefactos de origen indígena hechos con la técnica del trenzado cosido que se incorporaron a la vida cotidiana en los tiempos de la colonia y del imperio. En ellas se puede identificar elementos decorativos similares a los que caracterizan la cestería la ciudad de Itiúba. La cestería de fibra de licuri (syagrus coronata) y de ariri (syagrus vagans) de Itiúba es una tradición desarrollada por las mujeres en la zona rural del municipio y fue objeto de análisis de J. C. da Costa Pereira (1956) en su estudio de la Artesanía y Arte popular (1956). Un estudio pionero sobre el potencial económico de la artesanía de Bahía, que identificó la importancia social de producir trenzados artesanales en el municipio, y que englobó la participación de la población femenina en la producción de bolsas y cestas. Se llegó a producir tanto que el comercio extrapoló el mercado regional y estatal, y la producción fue vendida en otros estados como Río de Janeiro y São Paulo. Costa Pereira identificó también el uso de papel albal, la subsistencias de modelos decorativos de origen indígena que originalmente eran reproducidos con el uso de tintes naturales, como muestran los grabados de Debret: “Esta es otra técnica de supervivencia de los indígenas que practicamos aquí. Sabemos que en la cestería indígena es constante la presencia de dibujos en el trenzado que se pueden lograr de distintas formas - sea mezclando fibras de diferentes tonos, sea pintando la superficie, siendo que el negro, rojo y amarillo son colores favoritos. Ahora parece claro el uso de papel de color como un elemento decorativo por los indígenas, pero es sabido que hace algún tiempo las cestas de Itiúba fueron pintadas con pintura ocre en los mismos colores mencionados anteriormente. En este punto, una vez más debemos citar la opinión de los que estudiaron el tema: “en los objetos hechos con la fibra del uricuzeiro y de otras palmeras, el proceso primitivo de la creación de dibujos sobre el trenzado en la localidad de Itiúba ha sido sustituido por el uso del papel multicolor, seguramente una técnica más sencilla” También debemos considerar el atractivo estético que una novedad como papel albal representó para los productores y sus clientes, un elemento de frescura y modernidad. En 2006, las artesanas de Itiúba, de las localidades de Cercadinho y Várzea Formosa, a través del apoyo del Instituto Visconde de Mauá, se juntaron para tejer y tratar de identificar los elementos formales, técnicas y estéticas que definen su producción. En estas reuniones se identificaron los elementos decorativos, su nomenclatura y formas que caracterizan y constituyen la identidad de sus productos. Según Lêda Maria de Souza, técnica del Instituto Visconde de Mauá que acompañó el proceso de institución del grupo, la utilización de papel albal se mantuvo como algo ya establecido y con el que se identifican todas las artesanas. El conocimiento técnico se sistematizó y se definieron líneas de producción donde cada elemento puede ser valorado de acuerdo con su uso, pero permitiendo que las formas de expresión personales fueran sumadas al lenguaje de los grupos. Se

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farmers from Chapada Diamantina (CENTRAF), in Utinga. The coordinator of the course and manager of CENTRAF, Camillo Leão, is an enthusiast of the possibility of the handicraft to relate several kinds of knowledge and abilities gathered by the farmers in the fields, which makes them capable of developing charming products with utility aspects and durability, since this is the reality of farmers, because they need to be surrounded by objects that perform well the function to which they are destined. The good finishing in furniture, decorative elements and utilities is what stands out in the production of the artisans that integrate COOPAFCAR. The artisans start by separating banana tree fibers, which are taken off from the pseudo stem of the plant. The process begins by cutting the pseudo stem, which has its stalk removed by using hands and a knife, splitting five fibers with different characteristics that can be put to use. Artisans from Utinga prefer to use the fiber to produce braiding and twisted threads that will be, then, braided or united to create a base braid to the products. Among the associates, there are different production profiles that apply braid in different thicknesses. Marinalva Monteiro, who has escorted the group in the Institute of Artisans Visconde de Mauá, highlights the associates’ initiative, developing a blog on the internet that has obtained good results in relation to disclosing the products according to their technical aspects, elaborated as a result of the qualification activities. This initiative may be used as an example to other groups, so that they start using the internet to show what they manufacture. Banana tree are also important raw material to groups of artisans from São José da Vitória, where these trees are used as shading for the cocoa crops and have acquired more importance with the creation of the broomstick. The group Atlantic Banana produces especially several kinds of lamps. In Bom Jesus da Lapa and Moquém do São Francisco, women from Forte do Formoso and Caminho de Santana produce handbags using banana tree and corn fibers, as well as in Pindaí, where corn is used mainly to manufacture boxes and dolls. Guanambi stands out for the production of delicate flowers made with corn husk. In Juazeiro, the artisans have been using banana tree fibers as an alternative to the urban handicraft that uses fabric and expensive tools that end up reducing the profits. The artisans have also identified that the customers value products made of natural fibers labored by the artisans. The Sewn Braiding This technique, accomplished with a needle as the main tool, has some common aspects with pottery (superposition of spiral cylinders) and sewing. It is produced by involving a passive element (warp) and an active element (weft). The following groups can be identified: Sewn braid with a fake knot: the flexible weft goes forward in a spiral way, involving the bundle that composes the warp. Thus, a cover that hides, layer by layer, the braiding support is created. Sewn braid with a knot stitch: the weft composes an eight figure but, as it goes around itself, when introduced between two supports, it creates a series of ties that can be more of less evident, whether it is related to a thick or a thin leaflet. Sewn braid with a long stitch: instead of involving layer by layer, the element of the weft interlaces the layer twice and, then, once again, longer this time, involving this and the previous one, leaving open spaces between one mesh and the other. Spaced sewn braid: it is similar the sewn braids with fake knots, except for the fact that, instead of leaning one mesh against the other, a space is left between them, making the stitches executed by the weft coincide longitudinally, and leaving evident the roll that supports the work. (Ribeiro, Berta. Dicionário de Artesanato Indígena) In Bahia, the sewn braiding technique is used especially with fibers extracted from leaves of licuri, ariri and piassava palm trees, as well as the golden grass, the sisal fiber and the catolé palm tree fiber. The “rodias”, so called by the artisans the turnings that characterize the braiding, can be alternated with different stitches, colors or raw materials, both in the passive material and in the sewing material that provides stiffness to the weft. This way, it is possible to create geometric drawings that produce a great visual impact and that are explored in different ways by the communities, providing the production with its own identity. In São Gonçalo, a city near Feira de Santana, thick rollers of dry grass involved through sewing with licuri fibers are used, which provides this basketry with a scale of products with big dimensions, contrasting with the use of other raw materials applied in the sewn braiding that gathers thin pieces involved by licuri fibers. In paintings dated from the 19th century, Jean Baptiste Debret, an artist from the French mission, registered some indigenous artifacts manufactured with the sewn braiding technique, which have been incorporated to the daily life in the periods of colony and empire. In these paintings, it is possible to identify decorative elements similar to the ones that characterize basketry in the city of Itiúba. In Itiúba, basketry in licuri (syagrus coronata) and ariri (syagrus vagans) fibers is a tradition developed by women in the rural area of the city and was analyzed by J. C. da Costa Pereira (1956) in his study Artesanato e Arte Popular, a pioneer research about the economic potential of the handicraft in Bahia that identified that the women involvement in basketry and in the production of handbags reached a degree that went beyond city and state levels, sending the production to other states, such as Rio de Janeiro and São Paulo. Costa Pereira also identified in the application of tinfoil, the endurance of indigenous decoration patterns that were originally reproduced with natural pigments, like shown in Debret’s paintings: “This is an indigenous technique that we did not highlight here. We know that, in indigenous basketry, drawings were always created on the braiding and were made in a series of ways – by using fibers with different colors, by coloring the surface – with black, yellow and red as the favorite colors. It seems clear that using colored paper as a decorative element represents a replacement of the indigenous resources, especially when considering that, some time ago, the baskets in Itiúba were colored with inks on the colors mentioned above. Here, we should mention once again the opinion of a person who studied this subject too: in objects made with uricuzeiro fibers and fibers taken from other palm trees, the primitive process of creating drawings on the braiding has already been abandoned in Itiúba and replaced by the use of multicolor paper, certainly for being the easiest one.” We should also consider the aesthetic appeal that a novelty like the metallic paper must have had on producers and customers, representing a new element that would bring renovation and modernity. In 2006, basket makers from Itiúba, Cercadinho and Várzea Formosa, supported by the Institute of Artisans Visconde de Mauá, gathered together to braid and try to identify the formal, aesthetical and technical elements that defined their production. In these meetings, they identified the decorative elements, their names and shapes, which constituted an identity to their work. According to Lêda Maria de Souza, a technician at the Institute of Artisans Visconde de Mauá who accompanied the group as it was organized, the metallic paper was maintained as something that had already been consolidated and with which all the artisans could relate. The technical knowledge has been organized and groups have been defined in order to value each ele-


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

realizaron experimentos con la introducción de nuevos tejidos y colorantes naturales, pero fue el papel de albal de colores que se perpetuó y aún hoy define la producción local. Cajas para guardar joyas y cestas para los accesorios de costura son algunos de sus principales productos. Los productores de la localidad de Várzea Formosa se han constituido en una cooperativa y su producción se caracteriza por el color claro y uniforme de su trenzado, por el buen acabado y por la presencia de formas rectangulares hechas a la perfección, decorados con elementos en zigzag. La fibras del licuri y ariri tienen que ser desfibradas antes de ser utilizadas en la técnica del trenzado cosido. Los artesanos mayores y los grupos indígenas tienen la habilidad de desfibrar la hoja con las manos, doblando la hoja hasta que se rompa y tirando de la fibra con los dedos hasta que se separe del resto de la hoja, que se utiliza como el relleno en el trenzado de punto abierto o simplemente se tira. Ya los grupos actuales, donde la técnica se ha empezado a utilizar recientemente, utilizan el farracho para desfibrar las hojas, instrumento compuesto por una hoja de metal clavada a una base de madera. El uso del farracho se ha vuelto cada vez más frecuente gracias al aumento en la productividad que el instrumento proporciona, permitiendo desfibrar más de una hoja a la vez. Para el lino, como se refieren las artesanas al hilo que es guiado por la aguja y le da forma al trenzado, usan la misma fibra, que resiste bien a la tracción. Sin embargo, hay artesanas que sustituyen la fibra natural en la costura por material sintético industrializado, obtenido a través del deshilado de bolsas utilizadas para transportar granos. Generalmente se usa cuando el producto artesanal se destina al mercado local. La preocupación con el uso de recursos renovables, la generación de ingresos y la revalorización de los conocimientos locales fueron los responsables de la difusión de la técnica de la trenza cosida en los municipios de Jeremoabo, Santa Brígida y Euclides da Cunha, teniendo la fibra del licuri como principal materia prima, aunque merezca destaque la reproducción en madera de umbuarana (bursera leptophloeos) del Gallo de Campina o Cardeal, pájaro amenazado de extinción por el tráfico de animales en Bahía. La Asociación de Artesanos de Santa Brígida, a partir de su núcleo principal, la granja Morada Velha, reunió el conocimiento del trenzado indígena y lo combinó con la técnica del entalle en madera, reuniendo artesanos de estos dos artes alrededor de una única producción, con metas y el objetivo de cambiar positivamente las vidas de los miembros del grupo. Hoy, doce años después del proyecto Xingó (iniciativa del Sebrae, Chesf, Instituto Mauá, IBAMA, Codevasf y Banco do Nordeste) haber estimulado los agricultores a desarrollar sus habilidades en el trenzado – técnica ya utilizada pero que ocupaba poco espacio en sus vidas - son evidentes los beneficios para la región. Destacando de este experimento, la preocupación por el reconocimiento de la actuación de los artesanos como agentes de la preservación del medio ambiente, la conservación de la palma del licuri y de los árboles de umburana. La renovación de la producción de los grupos fue desarrollada por los artesanos a partir de su participación en el taller de diseño. Fue entonces posible incorporar los conocimientos locales sobre la flora de la caatinga en la obtención de tintes naturales, como la judía del pau de ferro (“palo de hierro”), el fruto del jenipapo del bosque y el pau de besouro (“palo de escarabajo”). Actividad que reunió más de dos docenas de plantas que son hervidas y usadas en el teñido de las fibras. A partir del teñido, los artesanos de la ciudad de Araújo, en Santa Brígida, desarrollaron productos para nichos de mercado específicos, lo que revelan la versatilidad de los conocimientos adquiridos por ellos. La Asociación de Artesanos de Santa Brígida siempre ha tenido a los artesanos José Valdocy Zé de Rita como multiplicadores que dan continuidad a la misión del grupo de compartir el conocimiento para la sustentabilidad de la actividad en la región. La bióloga Simone Tenório, de la Fundación Loro Parque en el Plan Nacional de Acción para la Conservación del Guacamayo Azul-de-Lear (2 ª edición ICM-BIO Brasília 2012 organizada por: Camile Lugarini, Antônio Eduardo Araujo Barbosa, Kleber Gomes de Oliveira) señala que: “En 2008 y 2009, la Fundación Loro Parque, en colaboración con SAVE Brasil y el Instituto Arara Azul (guacamayo azul), inició la implantación de un Programa de Generación de Ingresos para las comunidades, en el pueblo de Serra Branca, en Euclides da Cunha, con los objetivos de involucrar y capacitar la comunidad en las acciones de generación de ingresos, auto-gestión de sus procesos de producción y ciudadanía, promocionando una asociación entre las comunidades productoras de artesanía en la región de ocurrencia de la especie anodorynchus leari (guacamayo azul). Los agricultores del pueblo de Serra Grande, en Euclides da Cunha, fueron capacitados por los artesanos de Santa Brígida “. El Instituto Visconde de Mauá, con el apoyo del ayuntamiento de Euclides da Cunha, a través de talleres de artesanía y diseño, capacitó a los artesanos del pueblo de Serra Branca, momento en el que se dio la reprocucción en madera del Guacamayo Azul de Lear (leari anodorynchus). El Guacamayo Azul (Arara Azul) es una especie en peligro de extinción que sólo se encuentra en Bahía, en la región de Raso da Catarina, en nueve municipios, de Paulo Afonso a Sento Sé. La Arara Azul Lear se alimenta de cocos de la palma del licuri, especie de palma que se está reduciendo por culpa de la agricultura y la ganadería. De esa forma, el conocimiento adquirido por los artesanos de Santa Brígida en asociación con los artesanos de Jeremoabo se enriqueció gracias a la asociación de proyectos y programas medioambientales, consolidando las bases construidas a partir de la reunión del saber popular y erudito. Para la regulación de la actividad del artesano en la recolecta de la paja de liculizeiro, según Simone Tenório: “La creación de reservas extractivistas gestionadas logró evitar la pérdida de este importante recurso alimenticio para el Guacamayo Azul de Lear. Para atenuar los efectos de la creación de esta zona de exclusión para la preservación de los frutos del licuri en la zona donde habita el Guacamayo Azul, se deben crear contrapartidas viables y compensatorias. Es importante incentivar la producción de productos artesanales con la paja de licuri y con la cáscara de los cocos que ya han sido consumidos por el guacamayo. Se ha realizado un estudio de gestión por la empresa Semear Brasil (siembrar Brasil), que indicó que la extracción de las hojas de la palma de licuri es sostenible, no causando ningún problema para el desarrollo la planta, desde que la misma sea adulta, que se saquen el máximo de dos hojas verdes respetando el intervalo mínimo de 90 días entre las cosechas. Cada cosecha resulta en una media de 0,3 kg de materia prima”. Ya el catolé (Attalea barreirensis, glassman), palmera endémica de la Ecorregión del Cerrado del noreste de Goiás, Tocantins y Bahía y suroeste de la región occidental. Es utilizado en el pueblo de Ponte do Mateus, en el municipio de São Desidério. Los artesanos de Ponte do Mateus utilizan la fibra del catolé para producir bolsos y objetos de decoración con la técnica del trenzado cosido. Otra materia prima noble, muy utilizada en la Ecorregión del Cerrado es el capim dourado, hierba dorada (syngonanthus nitens ruhland), conocida localmente como hierba cabezuda y que ganó notoriedad gracias a la producción de la región de Jalapão, en el estado de Tocantins. También se encuentra

ment according to its common use, but, at the same time, personal opinions were expressed and the vocabulary shared by the groups was enlarged. Experiments were promoted with the introduction of fibers and natural pigments, but the tinfoil endured, defining the local production until today. Keepsake boxes and baskets for sewing accessories are some of the most common products. Producers from Várzea Formosa have created an association and their production can be identified for the fair colors and the steadiness of their braiding, as well as the well done finishing and the use of perfect rectangular shapes, embellished with zigzag shaped elements. Licuri and ariri fibers must be shredded in order to be used in the sewn braiding. Old artisans and artisans from indigenous groups have the ability to shred the leaves by using only their hands, bending the leaf until it breaks and pulling the fiber with their fingers until it separates from the leaf, which is used to stuff the hemstitch or simply discarded. In other groups that acquired this technique recently, the farracho, a tool with a metallic blade and a wooden support that allows it to swing next to its edge and between which the palm tree leaflet is put, is used often. However, the farracho started to be used more often due to the productivity it brings to the artisans, allowing them to shred more than one fiber at a time. The thread, which is guided by the needle to shape the braiding, is made with the same fiber, a very resistant one. Nevertheless, there are some artisans who replace, when sewing, the natural fiber with an industrialized material made of plastic, obtained by unweaving bags used to carry grains, usually used when the handicraft is destined to the local market. The concern regarding the use of renewable resources, income creation and the value of local knowledge was the ingredient used to spread the sewn braiding technique in the cities of Jeremoabo, Santa Brígida and Euclides da Cunha, using licuri fibers as the main raw material, but being noted for a little wooden bird made of umburana (bursera leptophloeos), which represents the redbird, a bird that is threatened by the constant animal traffic in Bahia. The Artisans Association of Santa Brígida, starting on their headquarters located in the farm Morada Velha, gathered knowledge regarding the indigenous braiding together with wood carving, bringing artisans of these different specialties near each other to organize production in order to benefit the lives of its members. Currently, twelve years after Xingó project (an initiative from Sebrae, Chesf, Institute of Artisans Visconde de Mauá, Ibama, Codevasf and the Northeast Bank) motivated the farmers to dedicate time to develop their braiding abilities, which were already known, but not worked, the benefits and results in the area are clear. In this experiment, the concern related to recognizing the engagement of the artisans as agents of the daily environmental protection and the preservation of licuri palm trees and umburanas can be highlighted. The renovation of the production in the groups was identified by the artisans in a design workshop. Then, it was possible to incorporate the local knowledge about the plants of the caatinga in the use of natural pigments, such as pau ferro stringbeans, jenipapo do mato fruits and pau de besouro, to which were added almost twenty other plants that can be used to dye fibers when boiled in water. Artisans from Araújo, in Santa Brígida, developed products to specific markets, revealing the versatility of the knowledge gathered by the artisans. The Handicraft Association of Santa Brígida has always had the artisans José Valdo and Zé de Rita as multipliers that keep the mission of the group going by sharing knowledge to maintain the activity in the area. The biologist Simone Tenório, from Loro Parque Foundation (a national action plan to preserve Lear’s blue macaws, 2nd edition, ICM-BIO Brasília 2012), for example, highlights that: “In 2008 and 2009, the Loro Parque Foundation, in a partnership with SAVE Brazil and the Blue Macaw Institute, started to implement an income generation plan for the communities, at the village of Serra Branca, in Euclides da Cunha, intending to involve and qualify the community to start actions to create income, to manage their production processes and citizenship actions, promoting partnerships between communities that manufactured handicraft in an area where the anodorynchus leari species could be found. Farmers from the village of Serra Branca, in Euclides da Cunha, were taught by artisans from Santa Brígida.” Along with the city hall of Euclides da Cunha, the Institute of Artisans Visconde de Mauá was responsible for promoting and qualifying artisans from Serra Branca in handicraft and design workshops. In this occasion, they created a wooden image of the Lear’s blue macaw (anodorynchus leari), a species that is threatened of extinction and that lives only in the interior of Bahia, in the location of Raso da Catarina, inhabiting areas in nine cities, from Paulo Afonso to Sento Sé. The Lear’s blue macaw feeds from the licuri palm tree coconuts, a species of palm trees that has been reduced due to agriculture and cattle farming. Therefore, the knowledge gathered by artisans from Santa Brígida along with artisans from Jeremoabo was enriched with partnerships of projects and initiatives related to environmental protection, solidifying the foundations built from the joint of both the popular and the erudite learnings. Regarding the regulation of the activities performed by artisans to harvest new straw from the licuzeiro, Simone Tenório states that: “The creation of extractive reserves could avoid the lack of feeding resources to the Lear’s blue macaws. Viable counterparts must be created to soothe the effects brought by the creation of this exclusion zone for the use of licuri fruits where the macaws live. It is important to encourage manufacturing handicraft with licuri straw and coconuts that have already been eaten up by the macaws. A research promoted by Semear Brasil indicated that the extraction of the leaves is sustainable and does not damage the growth of the plant. The plant must be mature and in a reproductive age, taking up to two green leaves (sprout) with a minimum interval of 90 days between the harvests. Each plant produces an average of 0.3 Kg.” On the other hand, the catolé (attalea barreirensis, glassman), a common palm tree in the woodsy pasture area that exists in the northeast of Goiás, the southwest of Tocantins and the west of Bahia is used in the community of Ponte do Mateus, in the city of São Desidério. The artisans of Ponte do Mateus apply catolé fibers in handbags and decoration ornaments using the sewn braiding technique. Another raw material that can be found in the woodsy pasture and should be noted is the golden grass (syngonanthus nitens ruhland), which gained importance due to the manufacture of Jalapão, in the state of Tocantins, and can also be found in the cities of São Desidério and Luís Eduardo Magalhães. The sewing thread is the buriti, also applied in the weaving of hammocks, mats and hampers. The golden grass grows in floodplain areas, which can be flooded sometimes, bringing fertility to areas next to the rivers shaded by buriti palm trees. In Bahia, the manufacture of golden grass braiding tries to distinguish itself from what is produced in other states by applying more buriti fibers, exploring the contrast of textures and colors that interlacing fibers with different colorings produces. This decision also leads to a balanced use of a natural resource that is not as abundant by other that can be easily found in nature. The contrast between colors and materials is the main characteristic of the sewn braiding, using piassava from Bahia (attalea speciosa) and raffia fibers (attalea speciosa), from which the leaflets are also used by artisans from Costa dos Coqueiros, in the north coastline of the State, to manufacture twill braiding. Piassava fibers are traditionally used to manufacture brooms too and, by fishermen, to produce fishing traps. When sewing piassava fibers with raffia fibers, the artisans want to produce a steady braiding and also

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

en los municipios de São Desidério y Luis Eduardo Magalhães. El hilo utilizado en la costura es del buriti, también utilizado para tejer hamacas, esterillas y canastas. La hierba dorada crece en las regiones de terrenos inundables. La producción de trenzado de hierba dorada de Bahía intenta diferenciarse de la producción de los estados vecinos a través de la utilización de más cantidad de fibra de buriti, explorando el contraste de texturas y colores logrados con la combinación de fibras de diferentes tonos. Esta decisión también contribuye al uso equilibrado de los recursos naturales. El contraste entre los colores y materiales es la principal característica del trenzado cosido con la fibra de la piasava de Bahía (attalea speciosa) y la paja de la costa (attalea speciosa), de la que también se aprovechan los folíolos para producir trenzado de sarga por los artesanos de la costa norte del estado. La tradicional fibra de piasava también se usa ampliamente en la producción de escobas y trampas para peces. En la costura de la fibra de la piasava con la paja de la costa se busca, además de firmeza en el trenzado, el resultado estético del la composición de geometrías, añadiendo más o menos puntos, y puntos más o menos abiertos, generando contraste entre los colores de las fibras de piasava y de la paja de la costa. Según Gildete Santiago, su producción comenzó probablementeen Salvador, en el medio del siglo pasado, y reúne elementos de la tradición artesanal africana e indígena. La palmera de la piasava, endémica de Bahía, tiene una amplia utilización en el Estado, usada para cobrir los quioscos y en la producción de artesanía y de escobas. Su cultivo es de gran importancia para la economia de muchos municipios del Recôncavo de Bahía y del sur del estado. La paja de la costa originalmente correspondía a la fibra de una palmera de la costa occidental africana, utilizada en el Candomblé en la composición de diversos objetos para el cuerpo, como el contra-egum y la ropa del Mariô de Ogum. Hoy la paja de la costa es comprada por los artesanos sobre todo en el mercado de São Joaquim, en Salvador, y corresponde a la fibra de diferentes palmeras del norte-noreste del país, como el buriti y el jupati (raphia vinifera). El trenzado cosido de piasava fue difundido en los cursos de artesanía, no sólo como generador de ingresos, sino también como terapia ocupacional. Es una técnica ampliamente difundida en Salvador, la capital de Bahía, desarrollada por los internos de la cárcel Lemos de Brito. La artesana Marilene Mucugê, de Salvador, instructora del Instituto Visconde de Mauá, fue una de los responsables de la difusión de la técnica en regiones del sur y extremo sur del estado, donde la abundante palma de piasava se convirtió en materia prima para la generación de ingresos a través de la artesanía, combinando la preservación de la selva tropical con la explotación sostenible de recursos naturales por las comunidades tradicionales como la de Jatimane, comunidad quilombola del municipio de Nilo Peçanha, que desarrolló su producción de cestería con el uso de la técnica del trenzado cosido. Los artesanos de las comunidades quilombolas de Jatimani y São Francisco en Nilo Peçanha y Lagoa Santa, en el municipio de Ituberá, integran la Casa Cultural da Floresta - CCF, una iniciativa del Instituto de Desarrollo Sostenible del Bajo Sur de Bahía - IDES. En otras ciudades como Valença, Igrapiúna y Cachoeira, los artesanos se dedican a la actividad a través de diferentes formas de organización productiva. En el extremo sur del territorio de la costa del descubrimiento, las mujeres de Ponto Central, municipio de Santa Cruz de Cabrália también fueron capacitadas en la producción de cestería empleando la técnica trenzado cosido de fibra de palma, con el desafío de construir una identidad a partir de la técnica que ya se caracteriza como una tradición de la capital, Recôncavo Baiano y Bajo Sur. Se espera que los nuevos productos se sumen a la ya difundidos en otras regiones, formando una nueva tradición con la incorporación, a través de la creatividad y del trabajo, de la identidad de los artesanos de diferentes regiones. Los intercambios entre las comunidades para el aprovechamiento del potencial creativo de las poblaciones con el uso de materias primas locales y sostenibles, así como la renovación de la producción de las comunidades ya establecidas, fueron caminos trillados por los artesanos de Saubara, Iaçu, Ibiquera y Itaberaba que compartieron conocimientos técnicos del trenzado cosido con fibra de licuri, empleando el punto abierto. Saubara es también un tradicional centro de producción de esterillas, sombreros y bocapios con la técnica del trenzado de sarga. Incorporó el trenzado de punto abierto como estrategia para renovar su producción, aumentando su receptividad y su abanico de técnicas en la composición de nuevos productos, además de los productos tradicionales, que se siguen produciendo. Artesanos del municipio de Iaçu, a través de la Asociación Palha Viva, que capacitó a los artesanos de Saubara, lograron desarrollar una producción de trenzado basada en el punto abierto, garantizando un diferencial el mercado regional, donde la producción del trenzado de sarga se configuraba por la baja valoración del mercado, lo que resulta en bajos sueldos. Su éxito llevó las comunidades de Ibiquera y Itaberaba a utilizar la técnica de trenzado de la fibra del licuri con punto abierto, se apropiando de la técnica y creando una estética propia. En Valente, la Cooperación Regional de Artesanas de Fibras del Sertón- COOPERAFIS- incorporó varias otras técnicas de trenzado o trenzado cosido. Creada a partir del Movimiento Artesanal Fibras del Sertón, la COOPERAFIS surgió en el ámbito de las actividades de la APAEB, Asociación de Pequeños Agricultores del Estado de Bahía, con el objetivo de eliminar a los intermediarios y asegurar la permanencia de la gente del sertón partiendo del siguiente principio: “El sertón tiene todo lo que necesita. Y si falta algo, lo inventamos.” El sisal, principal cultivo de la región que da nombre a la sede del territorio, en el municipio de Valente, fue empleado en la producción de artículos artesanales de poca proyección y capacidad de generar ingresos. Siguiendo el flujo de los recuerdos afectivos de las artesanas, de su niñez, de la lucha contra las sequías, del trabajo de las agricultoras con la azada, se inició una producción artesanal con la técnica del trenzado cosido, también llamada cestería cosida con aguja. Igual que el licuri y el ariri, el sisal (agave sisalana) tiene que ser procesado. Para esto, sin embargo, ya no se utiliza el farracho, sino el motor a diesel, que durante muchos años mutiló muchos de los operadores por cuenta de la falta de un sistema de seguridad eficiente. El Programa de Capacitación Artesanato Solidário (artesanía solidaria), apoyó la formación del grupo junto al Instituto Visconde de Mauá en 2002, teniendo como objetivo el empleo de colorantes naturales, una experiencia pionera en el debate sobre el uso sostenible de los recursos naturales y tecnologías sociales. Reuniendo a 103 socios en nueve localidades, la cooperativa Cooperafis agrega cerca de 35 artesanos dedicados al trenzado cosido. E grupo fue pionero en la inclusión del “design” en la artesanía. La cooperativa renueva regularmente su producción, manteniendo su identidad. La Cooperafis también juega un papel cultural importante en la articulación regional, proponiendo y ejecutando proyectos para el desarrollo y la mejora de la actividad artesanal en la región.

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obtain an aesthetical result in the composition of geometric images by adding stitches both near and far from each other, creating a contrast between the coloring of raffia fibers and fibers produced by piassava. According to Gildete Santiago, this production started in Salvador in the middle of the past century, reuniting elements of the Afro-Brazilian handicraft tradition and the indigenous tradition. The piassava palm tree, very common in Bahia, is largely used all over the state to purposes that go from covering kiosks to producing handmade artifacts with leaflets and brooms. Cultivating it is very important to the economy of a lot of cities in Recôncavo Baiano and the south of the State. The raffia fiber was originally a fiber extracted from a palm tree from the west coast of Africa that was used in Candomblé as part of a series of objects to be worn, such as the contra-egum and in the clothes worn by Mariô de Ogum. Currently, raffia fibers are acquired by artisans especially at the fair that takes place in São Joaquim, in Salvador, and can be used as a name for fibers extracted from many kinds of palm trees that exist in the north and the northeast of Brazil, such as the buriti and the jupati (raphia vinifera). The piassava sewn braiding has been spread in handicraft courses not only as an income creator, but also as a therapy, being largely propagated in Salvador to be developed by prisoners of the Lemos de Brito Penitentiary. Marilene Mucugê, an artisan from Salvador and a teacher at the Institute of Artisans Visconde de Mauá, was one of the responsible people for spreading the technique to other areas in the south of the State, where the piassava palm tree fiber became a raw material to create income through handicraft, combining the preservation of the Atlantic Forest and the sustainable exploration of its natural resources by traditional communities such as the Jatimane, a quilombola community of the city of Nilo Peçanha that developed basketry using the sewn braiding technique. Artisans from the quilombola communities Jatimane and São Francisco, in Nilo Peçanha and Lagoa Santa, city of Ituberá, compose the Forest Cultural House (CCF), an initiative from the Sustainable Development Institute of the South of Bahia (IDES). In other cities like Valença, Igrapiuna and Cachoeira, some artisans perform the activity in different ways of productive organization. In the south of the coastline territory, women from the community of Ponto Central, city of Santa Cruz de Cabrália, have also been qualified to manufacture baskets using the sewn braiding technique with piassava and raffia fibers, being challenged to create an identity with a technique that is already seen as a tradition in Salvador, Recôncavo and Baixo Sul. It is expected that new elements will be added to the ones already used in other areas, shaping a new tradition by incorporating, through creativity and labor, the identity of artisans from different regions. Interchanges between communities to take advantage of the creative potential of the populations with the use of local and sustainable raw materials, as well as the renovation of the production in communities that have already been settled, were the paths followed by artisans from Saubara, Iaçu, Ibiquera and Itaberaba, who shared technical knowledge related to sewn braiding using hemstitches with the licuri fiber. Saubara is also a traditional center of production of the twill braiding to manufacture mats, bocapios and hats. It uses the hemstitch as a strategy to renew the production, obtaining good receptivity and increasing the range of options to manufacture new products, combined with the old ones, which are still produced. In the city of Iaçu, with some help from the Palha Viva Association, artisans from Saubara were qualified and managed to develop a production based on the hemstitch, providing a distinguishing aspect to the local market, where the twill braiding was undervalued and produced less income. Its success led the communities of Ibiquera and Itaberaba to use the licuri fiber braiding, developing, each of them, different ways of performing the technique, creating an aesthetic of their own. In Valente, the Artisans of Fibers Local Cooperative of the interior of Bahia (COOPERAFIS) incorporated the sewn braiding technique to a lot of other techniques. Created by the fiber handicraft efforts from the interior of Bahia, COOPERAFIS arose on the scope of activities performed by the Farmers’ Association of the State of Bahia (APAEB), intending to guarantee the permanence of the inhabitants of the interior of Bahia in this area with the statement: “The interior of Bahia has everything one needs. If it lacks something, we create it.” The sisal, main cultivation of the region that names the territory in which its headquarters locate, in the city of Valente, was used in handicraft artifacts that were not recognized as a work capable of bringing incomes. Old workers that used to fight the dry periods, farmers that used to create wells using hoes, started manufacturing handmade products with the sewn braiding, also known as sewn basketry in this area, being sewn with a needle. As well as the licuri and the ariri, the sisal (agave sisalana) needs to be separated. In order to accomplish it, the farracho has been replaced by a diesel engine, which, for many years, has mutilated workers due to the lack of an efficient security system. Courses promoted by the Supportive Handicraft project supported the creation of a group that joined the Institute of Artisans Visconde de Mauá in 2002, aiming the application of natural pigments from the caatinga. It was a pioneer experiment to discuss the sustainable use of natural resources and social technology. Gathering together 103 associates in nine areas, COOPERAFIS is composed by over 35 artisans dedicated to sewn braiding. This group was the precursor of the inclusion of design in the organization of the handicraft manufacturing process and the creation of collections. The cooperative renews regularly its production in order to maintain its identity. COOPERAFIS also plays an important cultural role in the region, suggesting and executing projects to develop and enhance the handicraft activity in the area. 1. Bahia is one of 26 states of Brazil that is located in the eastern part of the country. In this text, Bahia is also referred to as “state” or “state of Bahia” In Portuguese, “Instituto de Artesanato Visconde de Mauá”, is a Brazilian institute that supports local artisans “… each lands has its use, each spindle has its rod” – free translation Cerrado is the name given to the tropical savanna ecoregion of Brazil Free translation of a book excerpt Free translation of a book excerpt Free translation of a book excerpt “From the seed I make Clothes!/I plant the seed and know how to spin and to weave./Then, I sew the clothing pieces,/ and also know how to embroider and make Marambaia” 9. Free translation to the book’s title 10. Free translation of a book excerpt 11. Free translation of a book excerpt 12. ENEM, which means in English “High School National Exam”, is a non-mandatory national exam in Brazil. It is intended to evaluate Brazilian High School students before they start their graduation path 13. Brazilian hinterland settlement founded by African people 14. Brazilian popular dance and musical genre originated in Brazil 15. People of African origin who founded quilombos 16. Desert vegetation area; ecoregion characterized by desert vegetation in the northeastern region of Brazil 17. Starch extracted from cassava root very common in the northern region of Brazil 18. Local names given to samambaias 19. “I am going to samba, I am going to dance samba/ If samba is good, baby/ I will pick you up./ At the fish king’s house/ There is going to be sardine fat/ My friend, mate, knows/ That it is my voice.” Free translation 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

Contatos

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A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Fiação e Tecelagem ARTESÃOS DE FIBRA DE BURITI DOS POVOADOS DO GANGUÇU E PORCOS Centro de Referência de Assistência Social Tel: 77-3489-1918 Av. 7 de Setembro s/n° Cocos ASSOCIAÇÃO ARTE RESGATE DA CULTURA DE CIPÓ Contato: Rogéria Tel: 75-8188-6457 Pça Juracy Magalhães s/n° Centro Cipó ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DE ARTESANATO DE MALHADA GRANDE Contato: Fernandina Tel: 75-3283-6022 Povoado de Malhada Grande Paulo Afonso ASSOCIAÇÃO DE MORADORES E ARTESANATO DO CAIMBÉ Contato: Josefa Morais Souza (Jôsi) Tel: 75-3259-1054 / 75-9901-7037 E-mail: js.morais@yahoo.com.br Povoado do Caimbé Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha Contato: Silmara Tel: 75-9868-9253 Euclides da Cunha ASSOCIAÇÃO DE MULHERES EMPREENDEDORAS DA COMUNIDADE CARITÁ - AMECARITÁ Tel: 75-9946-3901 Povoado de Caritá Jeremoabo ASSOCIAÇÃO DE TECELAGEM DAS MULHERES DO RIO DO SAL Contato: Nininha Tel: 75-9146-3571 / 75-9805-8083 / 75-9810-1866 Povoado do Rio do Sal Paulo Afonso ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DA PITUBA Contato: Maria Zenilza S. Silva (Benta) Tel: 75-8208-4807 Povoado de Pituba Nova Fátima ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE GUANAMBI Contato: Ana Fiuza Caires Tel: 77-9199-0902 Av. Sandoval Moraes N 679 Bairro Sandoval Moraes E-mail: casadoartesaogbi@hotmail.com Guanambí ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE ILHA DO VITOR Contato: Simone de Souza Povoado de Ilha do Vitor s/n Tel: 77 3623-2795 / 77 9986-7324 / 77-3623.2046 São Desiderio ASSOCIAÇÃO UNIÃO DE MULHERES DO MONTE ALEGRE Contato: Luzinete Tel: 75-3203-2509 / 75-8862-2658 / 75-9958-8018 Povoado do Monte Alegre s/n°. Jeremoabo BENDITO MANGARÁ Associação Agropecuária e Artesanal do Município de Abaré - Florimel Tel: 75-3215-1243/ 75-9107-9230 E-mail: jersonabare@hotmail.com

CASA DE BOMI Contato: Simone de Oliveira Santos Tel: 71-8808-9211 / 71- 8299-9045 E-mail: Simonebomi@Hotmail.Com Rua Ary Barroso, n° 73 E Paripe Salvador CASA DO ALAKÁ / Ilê Axé Opô Afonjá Contato: Iraildes Maria Santos Tel: 71-3385-2577 / 71-86244942 Contato: Jucineide Santos Costa Tel: 71-8724-3460 Rua Direta do São Gonçalo, n° 557 E, Cabula Salvador CELIA AMORIM Tel: 73-9963-0639 E-mail: cramorim@bol.com.br Porto Seguro COOPERTEXTIL Contato: Claudenice Santos Gonçalves Tel: 71-9282-3305 Contato: Luiza Miranda De Lima Tel: 71-8608-6193 / 71- 3242-1803 Rua São Francisco s/n° Casa de Santo Antônio Centro Histórico Salvador EUFLOZINA DE JESUS (Nina) Tel: 75-9987-9178 E-mail: artkaimbé.massacara@gmail.com Blog: www.art.kaimbemassacara.blogspot.com.br Povoado de Massacará, s/n° Euclides da Cunha GRUPO DE ARTESANATO DO BRAR Associação Comunitária e Cultural do Bariri, Rio Seco, Alto e Rio Quente de Cima. E-mail: marcinhokarate@bol.com.br Bariri s/n° Ribeira do Amparo GRUPO DE ARTESANATO DO GRAMA Tel: 77-9979-5829 E-mail: art.grama.paramirim@gmail.com Blog: www.artgrama.blogspot.com.br Comunidade do Grama Paramirim GRUPO DE ARTESÃOS DE CURRAL NOVO Contato: Selma Céu Tel: 75-99655832 / 75-9216-0613 / 75-3435-1802 E-mail: selceu@hotmail.com Povoado do Curral Novo Nova Soure LUIS SANTANA Tel: 71-9938-4266 Estrada Velha do Lobato N° 15 Campinas de Pirajá E-mail: lsarteemtecelagem.arte Salvador MARIA MARTA MUNIZ Tel: 71-3321-4728 Rua Joao de Deus. n° 17 Pelourinho Salvador MEIRE CABRAL Tel: 71-9147-3320 / 71- 8189-6248 / 71- 3017-4130 Ladeira do Desterro, n° 17, Nazaré E-mail: mjaneartesa@hotmail.com Facebook Meire Cabral/Ateliemeirecabral Salvador

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

OFICINA ARTESANAL MÃOS DE FADAS DE RODELAS Contato: Dulceleide Souza de Oliveira Silva Tel: 75-8805-3502 Rua Saturnino Rezende s/n°, Centro Rodelas

ARTESANATO EM TALA DE DENDÊ DE ILHA DA AJUDA Contato: Dona Luzia / Ubiraci Portugal Tel: 71-9901-9215 E-mail: biraportugalartes@gmail.com Jaguaripe

TECELÃS DE BARROCAS Contato: Mario Stefano (Diretor de Cultura) Tel: 75-9943-9045 E-mail:mariostefano78@yahoo.com.br Povoado de Barrocas Ribeira do Amparo

ARTESANATO KIRIRI Contato: Lenilda Maria de Jesus (Nininha), Sandra, Sirleia, Jovelino e Clarice Tel: 75-9919-7004 / 75-9986-3665 / 75-9138-9706 E-mail: sirleiarock@hotmail.com Rua da Matriz, 36, Saco dos Morcegos Banzaê

TECELENDO Contato: Andréia Barbosa dos Santos (Coordenadora) Rua Manoel Morais, n°246 Universidade do Recôncavo Baiano - UFRB E-mail:andreiabsantos@gmail.com Facebook:https://pt-br.facebook.com/tecelendo.ufrb Amargosa TRANÇADEIRAS DE AIÓ DE TANQUINHO Tecelagem em Malha de Caroá Contato: Prefeitura Municipal de Macururé /Povoado de São Francisco Tel: 75-3284-2162 / 75-3284-2159 E-mail: ascompmacurure@hotmail.com Fazenda Tanquinho, Povoado do São Francisco Macururé

Trançado ABELITA Trançado em Fibra de Sisal Tel:71-8181-9880 Valente ANTÔNIO CARLOS SANTOS Tel: 71-8894-4792 / 71-8812-3582 Rua Laurindo Rabelo, n°51. Liberdade e-mail:oloxede@hotmail.com Salvador ARTE DE MATA Associação dos Artesãos de Diogo, Areal e Santo Antônio - AADAS Marizete Ferreira Dos Santos Tel: 71-3676-1001 / 71-9926-7404 / 71-9659-4006. Rua Direta do Diogo. Casa do Artesão Mata de São João ARTE NATIVA Contato: Cristina Tel: 75-9855-4634 / 71-9946-1210 Povoado de Baixio Esplanada ARTE PALMARES Trançado em Fibra de Piaçava Tel: 71-3669-5214/ 71-8231-1312 Simões Filho ARTE RÚSTICA Contato: Amilton e Jôse Tel: 73-8171-2017 / 73-9909-3910 Trancoso ARTESANATO EM PIAÇAVA CONTATO: Neuza Rocha Tel: 75-3414-4031 / 71-9911-9679 Povoado de São Francisco do Paraguaçu Cachoeira

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ARTESANATO MARTINS Contato: Rosiel, Romildo e Rubenildo Martins dos Santos Tel: 75-8806-7181 / 75-3662-9112 BR 101. s/n°. Entroncamento de Laje. Povoado da Ponte do Jiquiriçá Contato: Fredison dos Santos e Alexsandro Amorim Teixeira Rua Nova Brasílias/n°. Entroncamento de Laje. Ponte do Jiquiriçá Laje ARTESÃOS DE PALHA DE ARIRI DE JACUNÃ Artesãos de Fibra de Caroá da Laje do Flamengo Contato: Prefeitura Municipal de Jaguarari Tel: 74-3619-2121 Jaguarari ARUANÃ PATAXÓ Contato: João Braz Ferreira (Donga) Tel: 73-9982-8049 Rua Beira Rio, N° 19. Coroa Vermelha Santa Cruz Cabrália ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DAS ARTESÃS DE ITIÚBA Contato: Sônia do Nascimento Tel: 74-9140-4237/74-9197-6752 Povoado de Várzea Formosa Itiúba ASSOCIAÇÃO DA JUVENTUDE ESPERANÇOSA PARA O TRABALHO AJENT Contato: Nubia Lima Tel: 75-8803-7138 / 75-3328-2004 Rua 7 de Setembro s/n°, Centro E-mail: nubialima.maktub@hotmail.com Ibiquera ASSOCIAÇÃO DAS ARTESÃS DE MASSARANDUPIÓ - ADAM Contato: Geisa Soares dos Santos Tel: 71-9922-7885 / 71-9600-4213 / 71-9922-7885 Contato: Zilda Tel: 71-9947-7358 E-mail: massarandupio@hotmail.com Massarandupió ASSOCIAÇÃO DAS ARTESÃS DE PORTO SAUIPE - AAPS Contato: Joelma Tel: 71-9914-6837 / 75-3475-1172 E-mail: joelma.portosauipe@hotmail.com Povoado de Porto Sauipe s/n° Mata de São João ASSOCIAÇÃO DAS ARTESÃS DE SUBAÚMA Contato: Meire Tel: 75-3433-1309 / 75-9152-2709 Povoado de Subauma Entre Rios ASSOCIAÇÃO DE ARTESANATO CAMINHO DE SANTANA MARIA JOSÉ Tel: 77-9967-4571 / 77-9954-7848 / 77-3652-1071 E-mail mariajsnovaes@hotmail.com Projeto Assentamento Santana, BR 242. Km 620 Muquém de São Francisco


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE ABELHAS DE LAGOINHA – ACRIAL Trançado em Palha de Milho Contato: Eva Barbosa Tel: 77-9140-4591 E-mail: germinobarbosa@gmail.com Pindaí ASSOCIAÇÃO DE MULHERES DO POVOADO DE BARAUNA Contato: Cristiana Tel: 77-8103-2397 Contato: Aldaci Tel: 77-8146-0988 Rua G N° 116. Povoado Barauna Barreiras ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DE ARTESANATO DE VILA SAUIPE, ESTIVA, CANOAS E AGUAS COMPRIDAS - APAS Contato: Evanira Gonçalves Dos Santos Tel: 71 9932-4022 E-mail: aase1999@gmail.com / evanira072@gmail.com Mata de São João

Blog: www.associacaopalhaviva.bolgspot.com Rua Castro Alves, n° 109 Centro Iaçú ASSOCIAÇÃO UNIART DOS ARTESÃOS DE ITACARÉ Contato: Maria Raimunda De Souza Tel: 73-9996-1142 Contato: Erivaldo Nascimento de Souza (Artesanato do Gute) Tel: 73-9988-7485 Contato: Maria Domingas de Jesus Tel: 73-9802-8254 Contato: Sivanildo Gonzaga Cruz Tel: 73-9990-3727 Loteamento Conchas do Mar - Subida da Concha Itacaré ATELIÊ NOVA LUTA Contato: Pila e Israel Tel: 73-9965-6931 / 73-81333169 / 73-9956-4473 Rua Principal de Trancoso n°285 Trancoso

ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE COCO, DENDÊ E CIPÓ DO MUNICÍPIO DE CAMAÇARI - ACDC Contato: Marinalva Tel: 71-8302-2298 / 71-8123-5683 Estrada do Coco Km 09 Camaçari

AVICA - VLT Contato: Zenildes Silva Tel: 73-3433 6031/ 73 8882-4547 Rua 2 de Julho s/n° Povoado do Valetim E-mail: avicavlt@yahoo.com.br Boa Nova

ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SANTA BRÍGIDA - AASB Povoado de Morada Velha s/n° Tel: 75-8847-9252 / 75-8841-4168 E-mail: arteaasb@hotmail.com Santa Brígida

BANANA ATLÂNTICA Associação Arte Doce Contato: Izaura de Souza Tel: 73-8240-7132 E-mail:Isaurajos47@hotmail.com Contato: Denilson Calixto Tel: 73-9978-4393 E-mail: denilsoncalixto@yahoo.com.br São José da Vitória

ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SANTA RITA DE CASSIA Contato: Manuel Francisco de Souza / Geraldina Tel: 77-9963-8690 Pça Frederico Fidelis s/n° Santa Rita de Cássia ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SAUBARA Contato: Maria do Carmo Tel: 75-3696-1895 E-mail: assoc.artsaubara@hotmail.com Rua Francino Borges dos Reis Saubara ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SERRA BRANCA Contato: Amilton Dantas Tel:75-9955-2969 / 75-3271-4500 E-mail: amiltondantas211@gmail.com Povoado de Serra Branca s/n° Euclides da Cunha ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES GERAIZEIROS DA PONTE DO MATEUS Contato: Maria do Bizeca Povoado de Ponte do Mateus s/n Tel: 77-8841-4145 / 77-3623-2046 São Desdério ASSOCIAÇÃO MÃOS NATIVAS DE VILA SAUIPE Contato: Geisa Dos Santos Borges Tel: 71-9908-3232 Contato: Valeria Cristina Cordeiro Silva Dos Santos Tel: 71-9925-6749 E-mail: maosnativas@hotmail.com ASSOCIAÇÃO MULHERES FORTES DO FORMOSO Contato: Rita Bom Jesus da Lapa ASSOCIAÇÃO PALHA VIVA Contato: Rosangela Aragão Guimarães Tel: 75-3325-2496 / 75-8146 0564 / 75-3325-2873 E-mail: rosaartpalha@hotmail.com

BENEDITA BISPO DOS SANTOS Praça Claudio Cajado s/n Centro Tel: 73-9948-4817 / 73-8134-3576 E-mail: Bia02love@hotmail.com Igrapiúna CALIANDRA DO CERRADO Associação de Artesãos do Cerrado do Oeste da Bahia Contato: Rosa Schanke Tel; 77-9975-9218 Assentamento Rio de Ondas E-mail: caliandra.reformaagraria@hotmail.com Luis Eduardo Magalhães CARLITO SANTOS SILVA Tel: 73-9914-5299 / 73-9142-4985 Travessa da Ladeira da S/N° Arraial d´Ajuda CASA DA CULTURA DA FLORESTA Cooperativa de Produtoras e Produtores Rurais da APA de Pratigi- COPRAP. Contato: Suzana Baiardi Tel: 73-9986-3451 E-mail: comercial@cooprap.com.br CASA DO ARTESÃO DE BREJÕES Contato: Vilma Águido (Coordenadora) Tel: 75-8202-3294 / 75-8124-6386 CIELE - Artesanato em Fibra de Bananeira Tel: 75-8124-6386 Rua Salgado Vaz, s/n°, Centro Brejões

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

CASA DO ARTESÃO DE IRARÁ Contato: Vivaldo dos Santos (Seu Vado) Tel: 75-8114-4283 / 75-8186-2505 / 75-8105-1968 Irará CASA DO ARTESÃO Contato: Lucia Rêgo Tel: 74-8822-0770 Av. Raul Alves, n°01, Centro e-mail: luciaregosilva@yahoo.com.br Juazeiro CESTEIROS DE CANABRAVA DA PRAIA GRANDE Grupo das Rendeiras de Ilha de Maré Contato: D. Conceição Tel: 71-3297-1196 Rua do Chafariz, n°15 Santana Ilha de Maré CIPÓ DA MATA Contato: Genilson Tel: 73-8125-8313/ 73-3668-1066 E-mail:genilsontrancoso@hotmail.com Site: www.cipodamata.com.br Rua Nova s/n° Trancoso CLOVIS BRITO Tel: 75-3653-2037 / 75-9939-8080 Cairú DONA CECÉ Povoado do Kalolé Cachoeira DONA CRISTINA e CREONICE CORDEIRO Tel: 71-9967-5638/71-8859-8327 E-mail: creonice@hotmail.com FIBRA BANANINHA Artesãos da Agricultura Familiar da Cabeceira do Rio - COOPAFCAR Contato: Adriano Tel: 75-9912-8493 Povoado Cabeceira do Rio Utinga, s/n° E-mail: coopafcarsocios@gmail.com Utinga FUNDAÇÃO APAEB Contato: Maria Rita Alves Ferreira de Silvae Silva Tel: 75-3263-2730 / 75-3263-3900 E-mail: fundacaoapaeb@apaeb.com.br / direx@fundacaoapaeb.com.br Rua Duque de Caxias, n°78, Centro Valente GABRIEL MACEDO Tel: 75-8162-1094 E-mail: gmacedojoias@gmail.com Povoado do Igatu Andaraí GRUPO DAS CESTEIRAS DE CAÉN Contato: Rita Rua da Palha, Triangulo e Gravatá Tel: 74-8102-6382 Caén GRUPO DE ARTESANATO ASSENTAMENTO REUNIDA VAZANTE Contato: Valdelice ou Valdelice Tel: 75-3253-7013 / 75-3253-7021 Artesanato Assentamento Reunida Vazante Itaberaba

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GRUPO DE ARTESANATO DO CAMPO GRANDE Associação dos Moradores do Povoado de Campo Grande Contato: Laura Nascimento Nery Tel: 75-8805-7238 Povoado do Campo Grande Santa Terezinha GRUPO DE ARTESANATO GUERREIRAS DO GUIGÓ Contato: Rosa Tel: 77-9839-6097 / 77-9926-3009 Povoado do Guigó s/n° Ituaçu MANOEL CARLOS NASCIMENTO Av.Acm, n° 550 Bairro São Felix MANOEL DOS SANTOS Av. Acm, n° 161/Terreo Bairro São Felix Valença MARILENE MUCUGE MIRANDA Tel:71-3244-6749/71- 9152-2709 Rua Antônio Machado Peçanha N° 05 Baixa de Quintas Salvador MISSÃO DO SAHY Trançado de Cipó Contato: João Batista / Remilcio Hilário (Correios) Tel: 74-9118-4121 / 74-3541-4315/ 74-9994-3819 Senhor do Bonfim PACIÊNCIA ARTE Contato: Manoel Galvão Cunha (Manoel Paciência) Aprendiz: Enoque da Conceição Dias Tel: 73-8809-3595 / 73-88118715 / 73-99285536 Blog: pacienciaarte.blogspot.com.br Rua Vasco Neto s/n Povoado de Barra Grande Maraú PORTO DA PALHA - ARTESANATO EM FIBRA DE CARNAÚBA Gerência de Cultura, Esporte e Lazer / Sec. de Educação Prefeitura Municipal de Barra Tel: 74-3662-3207 Barra SAIB - INSTRUMENTOS DA BAHIA Contato: Reinaldo Santos Tel: 71-3488-1070 / 71-8775-4346 / 71-9680-9220 Rua Ouro Preto. n°198 Térreo Plataforma Salvador TABOARTE Contato: Marlene Campos Santos Tel: 71-9657-7052/ 71-8635-7414 Rua do Cruzeiro s/n° Maracangalha E-mail: mtaboa@yahoo.com São Sebastião do Passé XORAN PATAXÓ Tel: 73-3668-5190 Aldeia Imbiriba s/n Porto Seguro ZÉ ARTES Trançado de Piaçava Contato: José Roque Assunção Tel: 73-8149-6728 / 71-9968-1542 E-mail: zeroque@hotmail.com Loteamento Santo André, Prainha 02 nr.30 Ituberá


A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

Esta publicação foi editada em setembro de 2014 e impressa em papel couchê 150g/m2, pela Gráfica Regente (Maringá, PR). Salvador, Bahia, Brasil

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

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A Fiação, a Tecelagem e o Trançado Artesanal na Bahia

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Fios&Fibras Imbiras, Bitús e Caçuás

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Pesquisa Imbiras, Bitús e Caçoás  

Pesquisa sobre tipologias artesanais no estado da Bahia