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OUTUBRo 2015

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O uso excessivo da Internet

Sandra Pais

A

tecnologia está irreversivelmente presente na vida cotidiana, seja para consultar informações, falar com amigos e familiares, ou apenas como forma de entretenimento. A internet, os telemóveis, os tablets e os computadores, não saem das mãos e das mentes das pessoas. Por esta razão, é que os especialistas alertam para facto do uso excessivo destas ferramentas poder viciar ou até ser considerado doença, como é caso de dois países do mundo - Coreia e China. Perante três estudos realizados, o “ Net

Children Go Mobile - Risks and opportunities” a nove países da Europa inclusive Portugal, o “ Tic Kids Online 2012” ao Brasil e o “ Net Children Go Mobile - Crianças e meios digitais móveis em Portugal” a

Portugal, foi possível analisar cinco indicadores de adição de dependência da internet. Resultante da comparação destes mesmos estudos, verificou-se que a situação de Portugal e do Brasil é muito semelhante 12,4% e 12,2% dos inquiridos possui pelo menos um dos indicadores, já os países europeus apresentam piores resultados com 15,4%. Porém, o uso excessivo é muito mais do que a dependência da internet, pois deste podem resultar vários problemas ao nível da visão, da audição, muscular, da postura e do sono. Outro estudo realizado pelo ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida) a cerca de 900 adolescentes e jovens portugueses dos 14 aos 25 anos, através de três fases de aplicação de questionários, concluiu que cerca de 70% dos jovens

portugueses possuem sinais de dependência da internet, de entre os quais 13% são de nível considerado grave. Assim sendo, dos jovens que possuem sinais de dependência grave podem resultar em comportamentos violentos, afastamento e até mesmo levar à necessidade de tratamento. Este mesmo estudo revela ainda que os jovens dependentes são sobretudo do sexo masculino, não têm relacionamento amoroso e frequentam o ensino secundário. Além de todos os riscos que o uso excessivo da internet pode trazer, este pode vir a ser considerado uma perturbação mental. A Associação Americana de Psiquiatria que tem a seu cargo a edição do DSM (Manual de Diagnóstico das doenças mentais), que é considerado a “bíblia” para os profissionais da área, está a considerar a hipótese de vir a incluir a “perturbação da internet”, ou seja, o uso excessivo das novas tecnologias, na sua próxima revisão de obra. O que levará então a dependência da Internet integrar o catálogo das perturbações ao nível psiquiatro. A nível nacional, o Plano Nacional dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2013-2020, aceite pelo Conselho de Ministros, pressupõe o alargamento da área de interveniência do SICAD (Serviço de Intervenção  nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências) às dependências sem substância como o jogo ou a Internet. Atualmente, já existe em Portugal um hospital, situado em Lisboa, o Hospital de Santa Maria, que no seu serviço de psiquiatria possui um “Núcleo de utilização problemática da Internet” acerca de um ano, pois é considerando um problema muito alarmante. Este foi criado para responder aos variados pedidos de consulta para problemas de adolescentes e jovens que usam de forma exagerada as novas tecnologias, principalmente os jogos online e para dar apoia a diversas escolas da zona.

Perguntámo-nos: “Quem se encaixará neste tipo de problema?” – A resposta é simples, são todas as pessoas que não fazem mais nada do que estar na internet, estão viciadas, principalmente aquelas que passam a vida a jogar online. Até chegam ao ponto de não cumprirem os seus compromissos ou de faltar às aulas/trabalho. Estes comportamentos estão relacionados com a ansiedade e a depressão que estas pessoas sentem e arranjam a dependência como solução. “Como resolver este tipo de problema?” – Bem, em Portugal ainda não há tratamentos para este tipo de dependência, uma vez que, esta dependência da Internet é apreciada como uma dependência comportamental, sem substância. Pelo que, apenas existem tratamentos para as dependências de/com substâncias, como é caso do álcool e das drogas. Por esta razão, o próximo passo da investigação do ISPA passará pelo desenvolvimento de formas de intervenção e terapêuticas para contrariar o vício online nos jovens em Portugal.

Há muita mais informação sobre este assunto, procure e tente-se informar “Cuide de si e dos seus!”

Sandra Pais Marketing e Comunicação Gestão das Organizações www.bphlassessoria.com

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Isabel Queiroga

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