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ANO V - Nº 17 MAI / JUN 2011

O Transcendente • Av. Hercílio Luz, 1079 • Florianópolis • SC • 88020-001 • Fone: (48) 3222.9572 • www.otranscendente.com.br

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“Urge uma educação para a tolerância e o diálogo. Não há alternativas, se realmente queremos viver e con-viver. Esse agir ecumênico é necessário para a salvação da vida humana e do planeta”.

(Elias Wolff)

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vivência da tolerância e do diálogo é uma experiência humana fundamental, pois reconheço o outro em sua dignidade e liberdade. Não quero julgá-lo nem mudá-lo. Quero tão somente compreendê-lo. Infelizmente, ainda perduram, em quase todas as religiões, grupos fundamentalistas que alimentam preconceitos e discriminações em razão de diferenças teológicas, litúrgicas ou históricas, confundindo, por vezes, evangelização com imposição. Intolerância é não suportar a pluralidade de opiniões e posições, crenças e ideias, como se a verdade morasse toda em mim. MESTRE DE TOLERÂNCIA Jesus foi mestre da tolerância religiosa. Ele entra em casas de pagãos e ressalta a fé do Centurião romano a ponto de exclamar: ”Em Israel não achei quem tivesse tamanha fé”. Jesus fez tudo isso sem pedir-lhes que abandonassem suas convicções religiosas. Só os intolerantes se julgam os donos da verdade. A seus olhos o outro é um concorrente, um inimigo. O perfil do tolerante é descrito por Paulo no Hino ao Amor da 1ª Carta aos Coríntios (13,4-7): “O amor é paciente e prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho e nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita e nem guarda rancor. Não se alegra com a injustiça e se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

TOLERÂNCIA E DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO “Tolerância, afirma Frei Beto, não é sinônimo de tolice, pois o tolerante jamais cede quando se trata de defender a justiça, a dignidade e a honra, bem como o direito de cada um ter seus princípios e agir conforme a sua consciência, desde que isso não resulte em opressão ou exclusão, humilhação e morte”. “Das intolerâncias, continua Frei Beto, a mais repugnante é a religiosa, pois divide o que Deus uniu, incentiva disputas e guerras, dissemina ódio em vez do amor. Só o amor torna o coração verdadeiramente tolerante!” Eis a missão que nos desafia neste mundo plural e desigual: cultivar a tolerância e o diálogo inter-religioso; não fazer da diferença, divergência; amar sem pedir atestado de convicção religiosa, fazer com que o pão seja verdadeiramente nosso e não só meu ou seu. Lutar pela paz que jamais virá como resultado da imposição das armas.

DIALOGAR É... Diálogo é comunicação, um partilhar de pontos de vista, fatos e, sobretudo, sentimentos. São exigências do diálogo a humildade, o respeito, a tolerância, o valor da diferença, o querer a verdade, a compaixão... É preciso ir além das palavras para compreender o outro que se revela através delas. As-

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sim, o diálogo é colaboração e não competição. Não há “vencedores” ou “perdedores” num diálogo verdadeiro. Todos ganham quando há igualdade de posições. Todos perdem quando há manifestações de superioridade, de autodefesa e tentativas de “pegar o outro num ponto fraco”. Afirma o Elias Wolff: “É preciso correr o risco de dialogar, na gratuidade e no compromisso. A gratuidade dá espontaneidade e simplicidade ao diálogo. O compromisso dá fidelidade. Correr o risco de dialogar é não ter receio de convidar o outro para um bom papo, transparente. O risco é mostrar minhas necessidades, carências, limites. Mas, ele se dissipa na confiança”.

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ossa capa destaca a imagem de Confúcio (551 a.C.), fundador da religião mais difundida na China e professada pelo povo chinês. Os símbolos míticos do confucionismo, com destaque para o ideograma da água e do fogo, ajudam os adeptos religiosos a encontrarem respostas para as suas vidas e se afirmam no mundo atual como referência cultural de um povo que chega ao século XXI com relevantes sinais de avanço e desenvolvimento. Entre outros ensinamentos, Confúcio preconiza a sábia frase: “O que não queres que façam a ti, não faça os outros”. O tom vermelho se destaca em nossa capa por ser a cor que melhor representa a cultura do povo chinês.

EDUCAÇÃO PARA O DIÁLOGO O diálogo nos humaniza, quem não dialoga se embrutece. O diálogo pacifica, “quem dialoga não atira!”. Urge uma educação para o diálogo como condição para a convivência e a paz entre pessoas, povos, culturas, igrejas e religiões. Somente assim podemos fugir da babel que se constrói quando cada igreja, religião ou indivíduo pensa e age apenas por si. Já se passaram 50 anos desde que, da Itália, vim para trabalhar como sacerdote e educador neste querido Brasil, país dos muitos povos, culturas e religiões. Graças a Deus constato que, apesar de certas resistências e fechamentos de alguns grupos, está sendo desenvolvido um grande esforço para construir uma nação, onde haja mais tolerância e diálogo. A vocês, queridos professores e professoras, e não somente do Ensino Religioso, gostaria de passar essa reflexão. É nas crianças que, desde cedo e numa sociedade muitas vezes fechada e individualista, devemos cultivar os valores da tolerância e do diálogo para construir uma convivência e fraternidade que facilitem a construção de uma nova sociedade, onde reine mais amor e uma paz estável. Damos as boas vindas ao José Francisco Gomes que, após uma experiência de trabalho no Japão e em Nápoles – Itália, vem somar forças conosco na construção de O TRANSCENDENTE.

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cesse o site da webradio Missão Jovem e acompanhe a discussão dos

conteúdos do jornal O TRANSCENDENTE da edição de Março/Abril de 2011.

www.webradiomissaojovem.com.br Jornal bimestral de Ensino Religioso pertencente ao PIME Registrado no Cartório de Registro Civil de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas de Florianópolis sob o nº 13 Diretor: Pe. Paulo De Coppi - P.I.M.E. Jornalista Resp.: Yriam Fávero - Reg. DRT/SC nº 800 Redatora: Roseli Cassias Diagramação: Fábio Furtado Leite / Juliana Lourenço

Endereço DO JORNAL “O TRANSCENDENTE”: SEDE: Av. Hercílio Luz, 1079 - Servidão Missão Jovem PARA CORRESPONDÊNCIA: Cx. Postal 3211 / 88010-970 / Florianópolis / SC FONE: (48) 3222.9572 / FAX-automático: (48) 3222.9967

ASSINATURA ANUAL Ano V - Nº 17 - maio/junho - 2011

•Individual: •Assinatura Coletiva (no CUPOM da página 11) •Assinatura de apoio: •Internacional:

Site: www.otranscendente.com.br E-mail: ot@otranscendente.com.br

R$ 20,00 R$ 35,00 R$ 55,00

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Olá, queridos amigos!

Cá estou com um novo companheiro. Como vocês podem ver, ele é chinês e seu nome é Yong que significa “corajoso”. Yong está passando uns dias no Brasil e ficou muito feliz ao saber que nas escolas do nosso país os alunos têm a oportunidade de conhecer e estudar sobre as religiões do mundo inteiro nas aulas de Ensino Religioso. Por isto, Yong achou muito importante falar para nós sobre a sua religião - o Confucionismo, que é professada na China e também no Japão. Vamos aprender?

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isto mesmo, pessoal, estou adorando a visita ao Brasil e muito feliz por estar com vocês e poder falar da minha religião que deriva dos ensinamentos do sábio K’ung Fu’-tzu, conhecido no ocidente como Confúcio, que viveu no século VI, entre 551 e 479 a.C. Confúcio nasceu em uma cidadezinha do estado de Lu, situado na atual província do Shandong. Seu pai morreu quando ele tinha cerca de três anos. Sua família, de origem aristocrática, classe social das pessoas nobres e mais ricas, ficou pobre e Confúcio teve que trabalhar cedo para ajudar no sustento da casa. Também muito cedo se dedicou aos estudos e ao aprendizado, tornando-se sábio. Aos 30 anos de idade, passou a ensinar os outros e, devido seus bons argumentos, atraiu muitos discípulos. Confúcio era reconhecido pelas excelentes e inovadoras interpretações da filosofia antiga e das tradições. Destacou-se também nas interpretações que estavam associadas à ética e à filosofia social.

Livros de Ensinamentos

Confúcio jamais escreveu suas idéias, filosofias e nem as registrou em livros ou anotações para que fossem lidas posteriormente. Somente depois de sua morte é que seus discípulos reuniram e anotaram seus ensinamentos em cinco textos clássicos (em rolos) e quatro livros. Só então as pessoas puderam ter acesso ao que ele ensinou (veja a página 4). A escola fundada por Confúcio chegou a ter três mil alunos, alguns dos quais eram os discípulos mais eruditos e recebiam os ensinamentos do próprio mestre.

A importância dos Relacionamentos

Os cinco relacionamentos foram outro aspecto importante ressaltado por Confúcio, pois eram de vital importância dentro da sociedade chinesa. Para o confucionismo, tais relacionamentos são a base de uma sociedade estável e feliz.

Eis os cinco relacionamentos:

1. Pai e filho. 2. Marido e mulher. 3. Irmão mais velho e mais novo. 4. Imperador e ministro (autoridades). 5. E entre dois amigos.

Escolhido pelo Céu Confúcio, nosso sábio oriental, acreditava que o Céu o escolhera para revitalizar a moralidade e a cultura estabelecida pelos imperadores dos tempos antigos. Ele proferia muitas mensagens de sabedoria. Sua regra moral básica ensina:

“O que não queres que façam a ti, não faças aos outros.” Ele acreditava que o Céu é a fonte do potencial humano para o bem e a conduta correta, mas ensinava que raramente o Céu se comunicava diretamente com as pessoas que, portanto, deveriam olhar o passado para aprofundar sua compreensão de como se comportar.

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maioria dos casais chineses almeja ter filhos em busca de uma unidade familiar plena e segura, por isto, na visão confucionista, a família e os filhos têm importância especial, pois eles são o fundamento de uma sociedade feliz e harmoniosa. Dentro da relação familiar, todos devem se ajudar mutuamente. Para que os filhos se tornem bons cidadãos, é dever dos pais ensiná-los; já os filhos têm o dever de obedecer aos pais, honrá-los e, sempre que possível, ajudá-los. Esta relação é tão forte e respeitada, que os filhos, mesmo depois de casados, devem respeito e obediência a seus pais. Confúcio pregava que o apoio e o respeito mútuos transformam os lares em locais equilibrados e felizes, propiciando, assim, uma sociedade bem governada e também organizada.

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ois bem, amigos, em breve deverei retornar para a China, mas antes quero deixar mais uma informação para vocês: Saibam que Confúcio foi um reformador ético e social em um tempo de desordem crescente na China. Ele era cético ou indiferente a muitas idéias religiosas tradicionais, mas um advogado vigoroso da piedade filial e dos mitos ancestrais como sendo a base para uma sociedade forte. Não é à toa que a China chega aos novos tempos, tão fortalecida. Nosso povo é muito sábio e cultivamos os valores fundamentais para a vida!

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ssim como os adeptos de outras religiões possuem rituais de passagem e cultos próprios, os confucionistas também possuem muitos rituais associados à celebração das fases da vida. Os rituais mais importantes são os da vida familiar: • o casamento, por criar uma nova família, • os funerais, por cultuar os antepassados.

Casamento

Os casamentos chineses são repletos de diferentes preparações simbólicas, muito diferentes dos casamentos ocidentais. A data para o casamento é escolhida pelos noivos de acordo com a astrologia e é comum acontecerem casamentos no mesmo dia do aniversário de um dos noivos e quando os ponteiros do relógio estão no alto, como, por exemplo, à meia hora, em sinal auspicioso de ascensão. A cor vermelha que simboliza o amor predomina a cerimônia – vestido da noiva, arranjos de flores, convites, caixinhas de lembranças e até os lençóis da cama onde os noivos passarão a primeira noite de núpcias, vermelho é a cor preferida dos chineses. No dia do casamento a noiva é levada até a casa da família do noivo em uma carruagem especial, fazendo um tipo de procissão de casamento. Chova ou faça sol, pode-se abrir um guarda-chuva de cor vermelha sobre a noiva, que é um sinal muito auspicioso. No dia seguinte do casamento a noiva oferece ao noivo um pequeno almoço e nos três dias seguintes, os noivos deverão visitar os pais da noiva.

Culto aos antepassados

O culto aos antepassados era estimulado por Confúcio, e essa prática foi mantida na China moderna. O culto, portanto, pode ser feito diante de altares nos templos ou, até mesmo, num santuário em casa. Segundo os confucionistas a reverência pelos ancestrais como expressão de piedade filial é fundamental para uma boa ordem. Os confucionistas prestam culto aos seus antepassados pela veneração e oferendas. Para eles, as oferendas é a forma mais importante de culto.

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Os mortos não se transformam em divindades, mas são venerados como antepassados que ainda pertencem à família ou clã. O culto é presidido pelo chefe da família ou do clã e realizado numa sala-templo ou simplesmente diante do altar, colocado no interior da casa, sobre o qual são expostas as tabuinhas com o nome dos antepassados. Isso alimenta a piedade filial que se prolonga além da morte, não somente como maneira de superar o trauma da dor, mas, sobretudo, como maneira de reintegrar o defunto à unidade familiar: o antepassado continua sobrevivendo e tendo seu lugar nas gerações futuras. Os túmulos têm a forma de lua crescente, o que também é sinal auspicioso, pois representa as qualidades yin e yang em equilíbrio.

I Ching

I Ching ou Livro das Mutações – um dos quatro livros com sabedorias de Confúcio é especial para consultas. Por meio dele realiza-se um trabalho divinatório baseado em rituais que datam provavelmente de 3000 a.C. A arte divinatória é fundamental para a vida chinesa tradicional e é um modo de estabelecer a aprovação do Céu ou de prever a ruptura da ordem humana e natural. Baseado na relação cambiante entre as forças yin e yang no universo, o I Ching depende da leitura de 64 hexagramas feitos com linhas cortadas (yin) e inteiras (yang), que são determinadas por seis hastes tiradas de recipiente.

i nclinação de cabeça era usada para mostrar reverência ao pai do mesmo modo que o imperador. O confucionismo enfatizava a importância da relação correta entre pai e filho, bem como entre governantes e funcionários. Isso está afirmado no texto confucionista - “A Doutrina do Meio”. Esse respeito era fundamental para manter a sociedade unida.

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Feng Shui O Feng Shui é uma corrente de pensamento analítico com tradição de mais de 4000 anos. Os mestres chineses que o estruturaram teriam percebido que cada área natural, terreno ou edificação seria dotada de sua própria vibração, influenciada pela presença do Ch’i - energia vital da terra - e estaria sujeita às várias influências do  ambiente que a circunda. Esta prática ritual tem sido muito adotada no acidente nos tempos atuais pois este conjunto de definições orienta como construir e ocupar casas ou edifícios, da escolha do terreno à disposição dos cômodos e suas funções e objetos, de forma a garantir que o Ch’i possa fluir e garantir saúde, harmonia, paz, prosperidade e felicidade a seus ocupantes.

Os ensinamentos do confucionismo estão reunidos em cinco textos clássicos:

Shu Ching (História) – reúne fatos e decisões dos reis sábios; organização política de cinco dinastias da China; Shih Ching (Poesia) – reúne 305 hinos profanos e religiosos que Confúcio comentava de um ponto de vista ético; Li Ching (Livro dos Ritos) – contém os ritos e cerimônias; Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos) – Narra a história do estado de Lu, onde Confúcio nasceu; I Ching (Livro das Mutações) - aborda os aspectos metafísicos da vida.

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E quatro livros:

Analectos (Lun-Yu - Coleção das má•ximas de Confúcio - princípios éticos); Mêncio (Men-Tze - Obra do grande • expositor de Confúcio);

O Grandre Aprendizado (Ta Hsio - Ensinamento sobre a virtude); Doutrina do significado ou do meio (Chung Yung - Ensinamentos sobre a moderação perfeita).

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prender a viver em harmonia com a Natureza e com o Céu é o objetivo do Confucionismo. A doutrina está baseada na crença da transformação da condição humana como ato comunitário e como resposta à ordem do universo. Tudo isto é resultado da integração das quatro dimensões que compõem o ser humano: o eu, a comunidade, a natureza e o céu, fonte da auto-realização definitiva. O caminho de Confúcio seguia a ética e os ritos de passagem, como nascimento, casamento e morte, buscando criar e praticar a ordem e a harmonia (equilibrando as forças opostas do yin e do yang) na família e na sociedade. O respeito aos mestres e à tradição é um ponto muito importante da doutrina do Confucionismo: “Um jovem, em casa, deve amar os seus pais e, fora de casa, respeitar os velhos. Os sacrifícios prestados aos antepassados fundam-se nos sentimentos da lembrança e da saudade. Eles são a expressão do mais elevado grau de fidelidade, amor e respeito” (Bowker, John. Para atender as religiões, pág. 33).

Ainda no campo da moral, é essencial destacar a atitude de submissão ao Céu, uma das características fundamentais para entender o comportamento confucionista. Confúcio não pregou propriamente uma religião, mas, em vez disso, incorporou valores espirituais elevados num modo de vida. Dentre esses conceitos está o de humanidade, em que, para alcançar a paz neste mundo, é necessário praticar a benevolência para com os outros. Além disso, é necessário fazer o bem sem esperar reconhecimento. A família é o ponto de partida para medir a virtude. Ela é o elemento base da sociedade. A piedade filial é prolongada para além da morte com as honras fúnebres e o culto dos antepassados. Depois vem a sociedade. O bom seguidor do confucionismo observa fielmente as regras estabelecidas para ser um verdadeiro homem gentil.

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A Doutrina Confuciana destaca quatro valores essenciais ao sábio: 1.

O Ren: Relação interpessoal ideal feito de muito respeito, simpatia, reconhecimento dos direitos e responsabilidades de todos. “Não faça aos outros, aquilo que você não quer que eles façam a você”, é a máxima chinesa conhecida como Regra de Ouro do Confucionismo. (Diálogos, XV/23). Como não lembrar as palavras proferidas por Jesus só que no senso positivo: “Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles, porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7, 12).

2.

O Yi: Senso de dever, retidão, honestidade, respeito aos princípios fundados sobre a dignidade pessoal. “O sábio se empenha na justiça (Yi); o medíocre, no proveito (Li)” (Diálogos IV/16).

3. O Li: Ordem ritual, cerimonial, conveniências, que asseguram o exercício do Ren em qualquer circunstância. “O mestre diz: se não for regulada pelo ritual, a gentileza torna-se difícil, a prudência temeroso, a audácia rebelde, a honestidade intolerante” (Diálogos, VIII/2). 4. O Xiao: Piedade filial é a estrutura básica das relações humanas sobre o modelo de ordem familiar: obediência dos filhos aos pais, da mulher ao marido, dos filhos menores aos maiores e, por exemplo, dos súditos ao soberano.

O modo de agir taoísta

O Confucionismo é uma via de desenvolvimento do ser humano, fundada sobre a moderação, o bom senso, a harmonia das partes. É um meio de atingir a perfeição pessoal e de assegurar a paz e a prosperidade. O grande sábio chinês exige que as denominações sejam corretas, isto é, as palavras devem estar de acordo com os atos, e vice-versa. Cada pessoa deve agir em função da própria posição social dentro da comunidade humana, cujo ritmo é determinado pelo Tao. O Tao (em chinês: 道) significa, traduzindo literalmente, o Caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O Tao não é só um caminho físico e espiritual. Ele é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos e complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as “dez mil coisas” que existem no universo foram criadas. Para os chineses não se chega à verdade eliminando tudo o que lhe é contrário, mas compondo, com paciência, afirmações que aparentemente se opõem e que, de fato, se completam. Na base disso tudo está o princípio Yin-Yang, fundamentado numa doutrina simples, mas muito importante.

Essa teoria diz que todas as coisas e os acontecimentos são produzidos por dois elementos contrários: o Yang, positivo, ativo, forte, construtivo e o Yin, negativo, passivo, fraco, destruidor. Os seguintes exemplos explicam melhor essa oposição: masculino, luz, calor, dia, verão, amor, atividade são Yang; feminino, sombra, frio, noite, lua, inverno, ódio, repouso são Yin. A justa relação desses dois princípios forma a realidade equilibrada. Se entendermos bem a natureza das coisas e conseguirmos esquecer tudo o que aprendemos que tenta ir contra ela, conseguimos fazer tudo o que é possível, com o mínimo esforço. Porque acabamos por deixar as coisas seguirem o seu curso natural. Na ética confucionista, existem cinco relações fundamentais: do rei para com os súditos, dos pais com os filhos, do marido com a mulher, dos filhos maiores com os menores e a dos amigos entre si. Esta última relação é fundada sobre a igualdade e deve ser vivida em espírito de respeito recíproco. Nos outros relacionamentos, em geral, o acento é colocado na obediência e diferença dos inferiores e benevolência dos superiores. Segundo o Confucionismo, a reverência pelos ancestrais como expressão da piedade filial é fundamental para manter a boa ordem. Entre as várias práticas rituais, privilegia-se o culto aos antepassados. Os mortos não se transformam em divindades, mas são venerados como antepassados que ainda pertencem à família ou ao clã. Para ajudar o ser humano a viver esta ética, Confúcio procurou fazer redescobrir a importância dos ritos, um conjunto de usos e costumes que manifestam exteriormente a verdadeira posição do ser humano no mundo que o circunda. Conformando-se a estes ritos, ele estará vivendo como deve.

1. Quais as características principais da ética confucionista?

2. O que significa viver segundo o ritmo do Tao?

3.

Quais os elementos positivos que o Confucionismo oferece para as relações interpessoais?

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Aproveitando a ocasião, oferecida e proposta pela Igreja

Católica no Brasil, pela Campanha da Fraternidade deste ano, de refletir sobre a vida no Planeta Terra, apresento a temática para ser trabalhada em sala de aula pelo professor de Ensino Religioso.

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ER pretende aperfeiçoar a pessoa do educando, provocando um encontro consigo mesmo, com os outros e com o mundo que

o cerca. Visando a formação da pessoa na sua integralidade, o ER pretende colaborar na formação de uma sã consciência e de um compromisso com o meio ambiente. Por isso, tem tudo a ver com a ecologia e o mundo em que vivemos. É conveniente que os educandos, de todos os credos e raças, discutam e aprofundem o conhecimento da situação da vida no nosso pequeno planeta e tomem atitudes que revertam a situação caótica de destruição em que nos encontramos. Dessa forma, o professor de Ensino Religioso passa a ser um agente defensor da natureza, um denunciador dos abusos e violações da vida, e um cuidador da vida do planeta. Ele faz com que o educando veja a realidade, zele e cuide da natureza, dos animais e de tudo o que existe na terra. Cuidar das coisas implica ter intimidade, senti-las dentro, acolhê-las, respeitá-las. É Leonardo Boff quem diz: “Para cuidar do Planeta Terra precisamos passar por uma alfabetização ecológica e rever nossos hábitos de consumo. Precisamos desenvolver uma ética do cuidado” (in Saber Cuidar, Ed. Vozes, Petrópolis, 1999, pg. 134).

Nosso planeta está doente

O pequeno planeta terra, repleto de energia, é o mais belo do sistema solar. Mas, ultimamente, está sendo motivo de preocupação pelo descuido e exploração de seus recursos. A intervenção do ser humano na natureza é tão intensa que corremos o risco de uma destruição da diversidade existente no planeta. O que encontramos: aquecimento global, guerras, fome e terrorismo, violência e desigualdade social, falta de água, poluição do ar, grande quantidade de lixo doméstico, poluição dos rios e da água, desmatamento, queimadas... Além disso, um grandioso número de terríveis desastres ecológicos causados por chuvas, ventos, furacões, secas, ondas de calor e incêndios.

Muitos se perguntam: O que está acontecendo? Tudo isto é algo natural, uma mudança que nasce da história da terra? O que está provocando essas mudanças? A expressão que mais se usa para responder estes fenômenos é “mudanças climáticas”. Porém, não basta assustar-se com que se vê; é preciso chegar na raiz do que provoca as mudanças climáticas e o aquecimento global.

Por que não foram ouvidas as profecias?

Tem gente que quer se desculpar pensando, diante da situação do planeta terra: - ah, se soubesse de tudo isso, teria feito diferente. Muitos que deveriam ter boa informação ficaram na superficialidade, outros, como os cientistas, governantes, universidades... sabem mas preferem acomodar-se à ideia de que o progresso tem seu custo, que não pode parar... por isso, tudo é permitido em nome do progresso, do enriquecimento e do lucro. Em 1854, o cacique Seatle, do povo Sioux, fez sérias advertências ao presidente dos Estados Unidos. O presidente classificou o índio como ignorante, em vez de valorizar a sua sabedoria e acatar a sua profecia.

Disse o cacique: “Não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós? Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. Causar dano à terra é causar dano ao Criador.”

“A criação geme em dores de parto”!

As mudanças climáticas tornam a mensagem de Paulo, aos seguidores de Jesus que viviam em Roma, algo muito atual: toda a criação espera ser libertada do mal, da escravidão, da corrupção para ser livre junto com os filhos de Deus. Na verdade, todo o universo criado espera que os filhos e filhas de Deus se revelem, atuando em favor de sua libertação. “Toda a criação está gemendo como que em dores de parto” (Carta aos Romanos 8, 18-24).

Cada um de nós pode fazer a sua parte, comprometendo-se a tomar algumas atitudes:

1. 2. 3. 4.

jogar lixo no lugar certo.

5.

protejer os peixes e os animais.

6. 7. 8. 9.

fazer coleta seletiva do lixo. poupar água e energia. comprar e adquirir só o necessário.

protejer as árvores e as plantas. evitar a poluição. usar só biodegradáveis. conhecer mais a natureza.

10. participar da luta pela defesa da natureza.

No término do seu discurso, apelando para proteger e cuidar da terra dizia:

“Quando o último rio for poluído, quando a última árvore for cortada, quando o último peixe for pescado... aí sim eles verão que o dinheiro não se come”. A pergunta que nos vem é: amamos a terra de mesmo modo que o Criador a ama?

Criados para cuidar e cultivar a terra

1. Você concorda que o nosso pla-

neta está doente? Justifique a sua

O Criador nos deixou responsáveis posição. por tudo o que é criado. Somos senho2. Lembra alguma profecia em prol res da natureza. Tudo está sob o nosso domínio. Podemos usar para o bem do meio ambiente? e para o mal. Somos co-criadores, continuamos a obra da criação. Estamos 3. O que nós podemos fazer concretamente? transformando e modificando o mundo. Podemos aperfeiçoá-lo ou podemos destruí-lo.

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Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima é uma instituição católica, fundada há 53 anos e administrada pelas Irmãs Salvatorianas. Ao longo dos últimos anos, assim como os demais Colégios da Rede Salvatoriana de Educação, o CSNSF vem empenhando esforços para dinamizar um diferencial no que diz respeito à disciplina de Ensino Religioso. Mesmo sendo de confissão católica, a instituição assegura aos seus educandos, nas aulas de Ensino Religioso, uma análise do Fenômeno Religioso e da Diversidade Religiosa e Cultural, presentes no Brasil e no mundo.

Além dos diversos recursos didáticos e paradidáticos, utilizados para o aprendizado, um dos principais subsídios adotados pelo Colégio é o Jornal O TRANSCENDENTE, disponibilizado na Biblioteca do Colégio

para que as professoras possam usar em seus planejamentos - e aqui vale enfatizar a grande valia do Encarte Pedagógico, que vem em cada edição do Jornal “O TRANSCENDENTE”. As turmas, durante as aulas de Ensino Religioso, também tem contato com o jornal, conforme o tema que está sendo estudado e, a partir deste ano, “O TRANSCENDENTE” passou  a ser adotado também como material didático exclusivo para os estudantes de primeiro e segundo ano do Ensino Médio.

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a história de todos os povos e em todas as culturas é possível identificar uma constante busca por um ser “maior”, “divino”, “transcendente”, no qual podem ser encontradas forças, energias, poderes e, principalmente, respostas às questões existenciais.

Para testemunhar o importante significado que o ER tem na vida  dos estudantes do CSNSF, socializamos com todos os leitores do jornal O TRANSCENDENTE alguns depoimentos dos nossos alunos e seus pais.

A educação tem por finalidade central ajudar o ser humano a entender a sua história, a sentir-se parte dela e, ao mesmo tempo, sujeito de construção e reconstrução do seu próprio conhecimento e identidade.

A NOSSA META A disciplina de ER Escolar, nesse Colégio, contribui, neste processo, com informações, reflexões e aprendizados no sentido de desenvolver, no indivíduo, estruturas sólidas de conhecimento e compreensão da “dimensão religiosa”, desenvolvida e acumulada pela humanidade em suas diversas culturas. Ao proporcionar espaço para uma reflexão mais ampla sobre o “tesouro religioso-cultural” que a humanidade preservou, o ER no CSNSF tem, por finalidade, possibilitar condições para que o educando possa se apropriar do significado dos elementos básicos que compõem o fenômeno religioso, assumindo uma postura de respeito à diversidade religiosa, bem como uma mudança qualitativa nas suas relações interpessoais e com a natureza.

(veja abaixo)

1. Como são trabalhados os conteúdos do ER? 2. Como são os depoimentos dos alunos do ER e de seus pais?

3. Como você avalia os alunos na disciplina de ER?

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Equipe de O TRANSCENDENTE agradece e parabeniza o Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Fátima pela escolha desse subsídio que associa conteúdos teóricos com propostas práticas sobre as culturas, as tradições e a religiosidade dos povos, levando o educando a conhecer e a conviver melhor com sua própria religião e com as religiões do mundo inteiro.

“Numa época em que todos nos preocupamos com matérias de vestibular, acredito que o ERE ajuda-nos a trabalhar nossos conceitos e a termos uma melhor convivência com o que consideramos ‘diferente’ ” (Estudante: Thayná H. de Almeida – EM) 

  “As aulas de ERE dão um diferencial na vida de nossos filhos e os preparam para o futuro. Aulas que os ensinam que vale a pena apostar no amor, que existe, sim, um mundo diferente e que vale a pena e é nossa função de pais ajudar para que eles acreditem no amanhã, um amanhã centrado no amor.” (Cristiani S. Scarduelli Cechinel, mãe dos estudantes: Riccardo e Mª Fernanda - EM) “Para mim o ER é um dos meios onde posso manter contato com Deus, além de me ajudar a conhecer as outras religiões. Permite-me também estudar e aprofundar mais sobre a Bíblia, que é o Livro Sagrado da minha Religião, bem como sobre os seus principais ensinamentos. (Estudante Thays Fernandes – EF)

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“Percebo a importância e o significado do ER, pois me ajuda a refletir sobre a minha vida e em tudo o que posso melhorar. Penso em ajudar as pessoas na escola e na minha casa. Esta disciplina serve para fazer com que as pessoas se conscientizem de que devemos ajudar ao próximo e, com isso, tornar o mundo melhor.”  (Estudante Djulian Pedroti) “Esta disciplina é importante porque nos mostra e nos leva às religiões. O ER fala das religiões e nós escolhemos a que mais nos identifica. O significado, o objetivo desta disciplina é esclarecer, proporcionar para o estudante reflexões, informações e experiências para ajudar ele a cultivar o sentido da vida.” (Estudante Vinícius A. Belatto) “A disciplina de ER é importante porque nela, não só aprendemos sobre as religiões entre si, mas também assuntos que envolvem nosso cotidiano, tanto em nossa família, quanto no mundo inteiro.” (Estudante Maria Eugênia) “Na disciplina de ER discutimos o que deve ser feito para melhorar o mundo e também respeitamos as religiões e costumes de outros colegas.” ( Estudante Felipe D. Lisbôa)

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Os valores tradicionais da China têm suas raízes no Confucionismo

que era ensinado nas escolas e fazia parte dos exames da administração pública imperial no tempo das Dinastias.

C

om o estabelecimento da República Popular da China, em 1949, os líderes revolucionistas, conscientes da importância cultural adquirida ao longo dos anos, fizeram mudanças em alguns aspectos da vida dos chineses como: a posse da terra e a educação rural, mas conservaram outros elementos relevantes como a estrutura familiar.

A Arte da China

Desde o início da sua história, os artesãos chineses criavam objetos em bronze, jade e osso. Nestas obras, os artistas procuravam revelar o princípio essencial da arte chinesa que é a união entre o espírito criador artístico e a função social e hierárquica a que estavam destinadas as suas criações. As formas, com base em temas decorativos, inspirados na força da natureza e sua ação sobre o espírito humano, tinham um primor especial somado à perfeição na escolha dos materiais utilizados.

Iconografia

escrita por meio de imagens Por meio da iconografia chinesa ou, escrita, que é uma forma de linguagem visual que utiliza imagens para representar determinados temas, os chineses procuravam corresponder os princípios da hierarquia social do período em que viviam, ao ritual que caracterizavam aquelas civilizações. A cada período da China, com as diversas dinastias, o país foi desenhando sua história permeada pela riqueza de sua cultura e por seus valores inestimáveis. Na Dinastia Zhou (século X a.C.), por exemplo, surgiram as escolas de filosofia que aprofundaram a relação do indivíduo em torno de si e a consideração social do mesmo, estabelecendo, deste modo, os fundamentos teóricos que, com o passar dos séculos, deram origem à teoria chinesa da arte.

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Os textos mais antigos da China estão gravados nos Jiaguwen, que são carapaças de tartarugas e ossos de boi, usados para a osteomancia – arte de predizer o futuro pela decifração de escritas simbólicas, no período da Dinastia Chang (1500 e 950 a.C.).

Comida da China

A culinária da China é uma das mais conhecidas e ricas do planeta. A comida chinesa tem como prato principal a proteína da carne e da soja e os carboidratos do arroz e do talharim. Devido à sua natureza, ao longo dos séculos, a China foi marcada por dificuldades, por esta razão sua culinária é apresentada em muitos estilos regionais. Para os antigos chineses, dos meios rurais, habituados a períodos de carência na produção de alimentos, era natural a ingestão de carnes de cachorro e insetos. Mesmo nos dias de hoje, em meio a tantas variedades, é comum fazer parte do cardápio chinês, comidas exóticas ao paladar ocidental como: barbatana de tubarão, carne de cachorro e de gato, cobras, larvas, formigas, escorpiões e gafanhotos.

A Cultura do Chá na China

Quando se fala em chá na China, fala-se sobre uma cultura milenar. Não é o chá, em si mesmo, que se destaca, mas, os métodos de preparação desta bebida, o modo como é consumido e as ocasiões casuais ou formais em que é servido. Desde os tempos da antiga China, o chá era considerado uma das sete necessidades diárias dos chineses como, também, a lenha para o fogo, o arroz, o óleo, o sal, o molho de soja e o vinagre. Além de bebida, ele é frequentemente usado na culinária, como medicamento, e em rituais de cura.

Ópera de Pequim A ópera foi sempre um espetáculo muito popular tanto entre o povo chinês como entre os nobres e os imperadores. Elas se caracterizam pela reunião de elementos trágicos e cômicos, integrados com canto, dança, acrobacias, narrações poéticas e expressões corporais.

São dramatizações de eventos históricos e lendas, que também podem ser apresentados na modalidade de diálogo coloquial, com palavras simples e pantomimas, que são gestos para enganar as pessoas e que satirizam a sociedade com a clara intenção de entreter e instruir a platéia.

A Religião na China

A China, desde o início da sua história, possui uma grande variedade de religiões. Os conceitos destas religiões também são variados, umas enfatizam um mundo sagrado e outros dão conta de enaltecer o mundo espiritual. Tais interpretações implicam, inclusive, na classificação do sistema chinês como religião ou filosofia. O Confucionismo e o Taoísmo são considerados por uns como religiões e, por outros, como filosofias de vida. Astrologia, Feng Shui e geomancia, que é uma técnica de adivinhação baseada na observação de pedras ou terra atirados para contemplar os desenhos formados com isso, também são modos de crer entre o povo chinês. Alguns sistemas de convicção chinesa permitem um sincretismo que leva a escolhas variadas, ou seja, ao professar a fé budista, a pessoa não encontraria dificuldades em reconhecer Jesus como um grande profeta e incorporar conceitos do cristianismo. Atualmente, a República Popular da China tolera algumas liberdades religiosas e a existência de pequenos grupos religiosos ativos. Apesar de serem seriamente supervisionados pelas Associações Patrióticas, de modo discreto o Budismo, o Islamismo e o Cristianismo são professados no país. Sem esta supervisão nenhuma Igreja é permitida.

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Q

uem nunca comprou um produto com a etiqueta Made in China?

É isto mesmo, os produtos chineses invadiram o Brasil e o mundo todo, e devido ao seu baixo preço e atraente aparência, tornou-se uma febre para os consumidores globais. Diante disso, há que se perguntar: mas como pode um produto vindo da China, um país tão distante, ser mais barato que os produtos fabricados no Brasil? Acontece que o mundo ocidental inclui nos seus produtos custos de mão de obra, proteção ambiental e impostos, o que não acorre, nas mesmas proporções, com os produtos chineses. Além disso, há outro lado nada exemplar “embutido” em muitos produtos fabricados na China e que são desleais na competição de mercado: produtos subfaturados, falsificados e até pirateados. É muito comum depararmos com casos em que, após adquirir um produto “made in China”, o consumidor tenha se arrependido profundamente pela má qualidade do produto. É o tal... “barato que sai caro!”. Associado a esta questão, outro fator merece relevante preocupação. A mão de obra na China é muito barata, beirando a exploração do trabalhador. É preciso estar atento a esta questão: enquanto no Brasil se adquire produtos chineses por baixo preço, lá na China alguém trabalhou muito e ganhou muito pouco pelo seu trabalho de produção. Além da mão de obra barata, muitos produtos chineses são de baixa qualidade, o que, para quem importa tais produtos pode incorrer em grande prejuízo, como é o caso de um distribuidor de pneus norte-americano que comprou milhares de pneus fabricados da China para abastecer o mercado e, em pouco tempo teve que fazer recall dos seus produtos em 450 mil unidades. Ao final a empresa chinesa não quis se responsabilizar pelos seus produtos e a empresa americana foi à falência.

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Devido sua vasta população e sua história política regida por quatro mil anos de dinastias, ou, monarquias hereditárias, o povo chinês, para sobreviver, Acontece que, a globalização, fenômeno que aprendeu a conviver com muito trabalho, alimenta“abraçou todo o globo terrestre” mais intensamente a ção escassa e poucos direitos sociais. Livre do jugo das dinastias, e após diversos pepartir de 1991, e que tem como foco principal o capiríodos de desunião e guerras civis, em 1911 a China talismo, tem causado um efeito extraordinário na vida passou a ser regida por partidos políticos e, em 1949, das pessoas, deste modo, cá estamos nós, no Brasil, consumindo produtos fabricados do outro lado do foi estabelecida a República Popular da China que perdura até hoje, sob a liderança do Partido Comumundo e vice e versa. nista da China, não tão hortodoxo como no passado. Em meio a tantas hostilidades históricas, desde as antigas civilizações um país em des chinesas, atualmente a China é consideenvolvimento! Por países em dese rada um fenômeno de superação, pois, a nvolvimento se en tende aqueles partir de 1978, com a introdução de reque, embora poss am ter vasto terr itório e grande formas no mercado, tornou-se uma das população, parte do povo vive em situação de economias em mais rápido crescimento pobreza, sem ac esso a condições mínimas de econômico do mundo. Sua rápida indusalimentação, saúd e, educação, mor adia e/ou trialização reduziu extraordinariamente a serviços básicos. A estes indicado res, soma- taxa de pobreza do país caracterizando-a se ainda o fator renda, ou seja, como superpotência emergente.

O lado negativo da globalização

C HI NA:

para o Banco Mundial todos os países com rend a baixa e média são consid erados “em desenv olvimento”, como é o caso da China e também do Brasil.

Isto tudo é muito bom e pode ser positivo, mas também negativo e, portanto, merece uma atenção especial e um apurado senso crítico, uma vez que, em vista do “ter”, países mais ricos e mais desenvolvidos podem explorar países mais pobres e em desenvolvimento.

Entendendo a evolução da China A China é o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes. Ela é governada pelo Partido Comunista da China sob um sistema de partido único, que se confunde com o próprio Estado, não podendo existir outros partidos. Para a democracia, adotada por vários países do mundo, que é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos, o regime unipartidarista da China fere os direitos do povo de participar das decisões do seu país.

O modelo chinês de administração e os direitos humanos

É importante frisar que o modelo chinês de administração encontra-se ainda em construção e, apesar dos problemas de produção e da violação dos direitos humanos por meio da exploração dos serviços de seus trabalhadores e da ditadura imposta pelo Partido Comunista, nas últimas décadas a China vem se abrindo para o mundo e mostrando acelerados resultados de desenvolvimento. Percebe-se mudanças graduais na legislação, um forte estímulo à pesquisa científica com as novas tecnologias e melhoria da sociedade que, progressivamente, atinge padrões de consumo comparados ao ocidente. Por outro lado na medida em que há maior consumo e a população consegue alimentar-se e vestir-se melhor, considerando o número de habitantes do país, aumentam também os problemas, a exemplo dos países desenvolvidos, como: aumento na emissão de gases poluentes e outros problemas ambientais, o que parece.... uma história sem fim!

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A É preciso...

Educação ambiental existe para desenvolver nas pessoas conhecimentos, habilidades e atitudes voltadas para o cuidado com o planeta - nossa casa comum. Ela tem tudo a ver com a escola, pois é por meio dela que podemos preservar o mundo em que vivemos.

Arrumar o quarto

Com certeza você gosta muito de cuidar, arrumar e limpar o seu quarto e também sua casa, não é mesmo? Afinal, se não limparmos o ambiente à nossa volta, em pouco tempo ele se tornará sujo e inabitável, cheio de insetos, pragas e proliferação de bactérias causadoras de doenças e podem, até, levar à morte.

É preciso cuidar do jardim

Cuidar e preservar o nosso planeta Pois bem, esta é uma questão muito importante. Nós dependemos uns dos outros para mantermos nossa casa limpa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade e todo o nosso planeta! Se houver um desmatamento ilegal em uma região, todo o país e até o planeta estará comprometido, portanto, é preciso limpar, cuidar, preservar, reciclar e ter consciência de que precisamos fazer a nossa parte a partir do lugar que habitamos.

Pois bem, se você tem este cuidado com seu quarto e sua casa, com certeza também cuida do jardim da sua casa e da rua em frente à sua casa, certo? Pois, de nada adianta cuidarmos da parte interna da nossa casa se fora dela, na rua, proliferarem baratas, mosquitos e ratos... ui!

5 de junho Dia Mundial do

Meio Ambiente e da Ecologia

Para realizar um trabalho ambiental na escola, vamos começar pela reciclagem de papéis.

É preciso cuidar da nossa rua!

Pensando mais à frente, pouco adianta cuidarmos somente da rua em que moramos. É preciso que nossos vizinhos também cuidem da sua casa, da frente da sua casa e da rua em que moram, pois, somente assim teremos um bairro bom para se viver em comunidade. A Educação ambiental deve ocorrer E daí? Basta termos um bairro bom para vivernos lares, nas escolas, nas empresas, nas unimos? E os outros bairros de nossa cidade também não versidades, nas repartições públicas etc. precisam ser cuidados? Claro, só teremos um lugar Os professores podem desenvolver probom para morar se toda a nossa cidade for bem cuidajetos ambientais e trabalhar com conceitos e da e limpa, e isto depende de toda a comunidade, dos conhecimentos voltados para a preservação cidadãos e cidadãs que moram nela. ambiental e uso sustentável dos recurPorém, ainda assim, isto só ainsos naturais, a partir da realidade da não basta pois, de que adianta No Brasil, da própria comunidade como termos uma boa cidade para existe uma lei o cuidado com a água, por morarmos se o rio que pasespecífica que trata da exemplo e a economia da sa por ela estiver sujo pelo educação ambiental. A lixo que foi jogado nele energia elétrica. por pessoas de outras ciLei número 9.795 de 27 de Vários temas podem dades. É, porque os rios abril de 1999, dispõe sobre ser abordados em sala de não param, correm o temaula relacionados ao meio a educação ambiental, po todo de região em reambiente, como: ecologia, instituindo a política gião e desembocam no mar. reciclagem, poluição amnacional de educação biental, preservação da água, ambiental. efeito estufa, aquecimento global, ecossistemas, carta da terra, entre outros.

Pense bem nisto!

De nossas atitudes e ações ambientais depende a nossa permanência no planeta e de toda a natureza!

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Comemore em sua Escola!

Reciclar papéis é um processo muito simples e poderá mudar o comportamento dos alunos e de toda a comunidade. Eles selecionarão papéis velhos e usados para fazer papéis novos. Isto não é genial? 1º passo: Promover coleta seletiva de lixo junto à comunidade. 2º passo: Escolher os tipos de papéis que podem ser reciclados: papel sulfite, papelão, caixas de embalagens de produtos, papel de presente, folhas de caderno, entre outros. 3º passo: Separar o papel escolhido, recortar em pequenos pedaços e colocar num recipiente com água. Deixar assim durante um dia completo. 4º passo: Bater no liquidificador o papel molhado com água ou mexer bastante até dissolver e virar uma espécie de massa. 5º passo: Espalhar a massa, fazendo uma camada fina, numa peneira, também fina, e cobrir com um peso – pode ser um pedaço de tábua - para prensar e retirar o excesso de água. 6º passo: Depois de 24 horas, retirar o peso e deixar o papel secar, de preferência em ambiente seco ou ao sol.

O resultado é maravilhoso! Podem ser feitos cartões, porta papéis e lindas caixinhas.

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Olá , Professor (a)

Que alegria! O Transcendente traz uma nova oportunidade de interação para você e seus alunos do Ensino Religioso: Concurso OT 2011 - Diversidade Religiosa!

A tarefa é a seguinte:

a última página do álbum, 1. Elaborar um pequeno álbum, com folhas de pa- 2. N deverão escrever uma pequena pel A4, cortadas ao meio, com um símbolo desenhado sobre cada religião já apresentada pelo Jornal O TRANSCENDENTE e, com elas, criar uma bonita frase:

• • Budismo • Candomblé e Umbanda • Judaísmo • Cristianismo • Islamismo • Xintoísmo Hinduísmo

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os participantes

conclusão sobre o trabalho realizado que poderá ser em forma de poesia, texto ou acróstico, contemplando a diversidade religiosa.

3. O trabalho poderá ser realizado individualmente, em dupla ou em equipe com até quatro participantes.

4. Os desenhos deverão

ser coloridos ou pintados em grafite, esclarecendo, abaixo, o nome do símbolo, o seu significado e a religião à qual ele pertence.

5. Na capa do

álbum deverão constar: nome da Escola; nome do professor (a) de Ensino Religioso; nome completo do aluno (a) e/ ou dos componentes da equipe.

6. Os alunos que apresentarem os dez melhores trabalhos serão contemplados com prêmios especiais. 7. Os trabalhos deverão ser entregues (postados no correio) até 29/07 - final do primeiro semestre de 2011.

Participe!

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U

ma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da torrente até a casa, enquanto aquele rachado chegava meio vazio. Por longo tempo a coisa foi em frente, assim, a senhora chegava em casa com somente um vaso e meio de água. Naturalmente, o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer. Depois de dois anos, refletindo sobre a própria amarga derrota de ser “rachado”, o vaso falou com a senhora durante o caminho: - Tenho vergonha de mim mesmo, por-

que esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...

A velhinha sorriu:

- Caro vaso, você reparou que lindas flores têm somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e, portanto, plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas. Por dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa.

• REFLETINDO:

Cada um de nós tem suas próprias características. E são estas diferentes características que fazem com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é, e descobrir o que tem de melhor nele. Autor desconhecido.

U

ma ótima oportunidade para conhecer melhor a África e os afro-brasileiros. Aproveitando essa oportunidade, a Equipe do Missão Jovem e de O TRANSCENDENTE preparou uma bela e interessante coleção de banners (painéis) apresentando a África, suas culturas, religiões, problemáticas... como também para apresentar a história e as problemáticas dos 100 milhões de afro-brasileiros que, durante séculos, muito contribuíram para o progresso do Brasil. Convidamos as escolas, paróquias e movimentos envolvidas com a promoção da cultura afro para adquirirem essa coleção como um ótimo subsídio para uma grande e oportuna campanha cultural/educativa nas escolas e comunidades.

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O Transcendente - No.17