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07 MAIO / JUNHO - 2008

Transformações e desafios da adolescência Crescer não é tarefa fácil. A adolescência é uma fase da vida permeada por grandes transformações físicas e psíquicas. Em geral, a perda do corpo e dos privilégios infantis, aliada a exigência social de fazer escolhas, cujas repercussões serão sentidas a médio e longo prazo, originam insegurança e sentimento de inadequação para o adolescente. Os principais desafios que delimitam a passagem da adolescência para a vida adulta são: a criação de uma identidade profissional; a conquista da independência financeira e o desenvolvimento de relacionamentos íntimos. As experiências amorosas na adolescência são extremamente marcantes (quem não lembra do seu primeiro namorado ou namorada?) e oferecem inúmeras possibilidades de aprendizagem.

RITOS E VIDA

uma pessoa real significa ter que aprender a administrar as diferenças individuais. Nem sempre o outro aprova aquilo que eu digo ou faço; nem sempre o outro quer fazer o mesmo que eu; nem sempre o que o outro diz ou faz é digno de admiração. Mais importante que perguntar “concordamos em tudo?”, é perguntar “o que fazemos quando discordamos?”.

Qual é o “segredo” para o estabelecimento e manutenção de relações felizes?

Escolhas amorosas na adolescência: pessoa real versus pessoa idealizada As escolhas amorosas na adolescência tendem a ser realizadas não em função de características reais, mas de idealizações a respeito da “pessoa amada”. Sob o efeito da paixão, é comum encontrar dificuldades para identificar comportamentos da outra pessoa que sejam considerados inadequados. Em contrapartida, o adolescente tende a super-dimensionar as qualidades do parceiro ou, mais do que isso, a projetar no outro qualidades que ele não tem. Para desespero daqueles que estão a sua volta, em especial seus pais e amigos, é comum que o adolescente despreze opiniões contrárias as suas em relação às qualidades e defeitos da “pessoa amada”. Escrevo “pessoa amada” entre aspas, porque em processos de idealização o que é “amado” não é a pessoa em si, mas a fantasia criada a respeito dela.

Namoro na adolescência: quais são os benefícios? Passada a fase de idealização, é possível identificar, não apenas as qualidades, mas também os defeitos do parceiro. A capacidade de relacionar-se com uma pessoa real, e não mais com uma pessoa “ideal”, é sinal de maturidade. Relacionar-se com

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recem incentivos em relação aos comportamentos que apresentam, considerados socialmente adequados, e repreensões em relação aos comportamentos considerados inadequados. Em função dessa troca de “juízos”, o adolescente, gradualmente, passa a desenvolver maior capacidade para avaliar que comportamentos são eficazes ou adequados não apenas em função de suas experiências anteriores, mas também em função das experiências do parceiro. É importante ressaltar que, na adolescência, o “feedback” oferecido pelo namorado ou namorada será, provavelmente, melhor aceito e aproveitado pelo adolescente do que o “feedback” oferecido por seus pais. Isso acontece porque as relações de poder entre os namorados são, em geral, mais equilibradas do que as relações de poder entre pais e filhos.

Os comportamentos, apresentados pelos adolescentes nos momentos em que existem conflitos no namoro, dependem, em grande parte, dos modelos de relação oferecidos pelos casais das famílias de origem. Se pai e mãe resolvem, constantemente, seus problemas conjugais aos gritos ou por meio do diálogo respeitoso, é compreensível que o adolescente recorra aos recursos por eles utilizados frente a um problema com seu namorado ou namorada. A riqueza da relação a dois reside no fato de que o outro possui modelos de interação diferentes e oferece ao parceiro, não apenas a possibilidade de avaliar as aprendizagens desenvolvidas na família de origem, mas também de aprender novos tipos de interação. O namoro possibilita ao adolescente ampliar seu repertório comportamental e, conseqüentemente, desenvolver novos recursos para administrar as diferenças individuais. Outro benefício do namoro, para o desenvolvimento dos adolescentes, é a possibilidade de receber e oferecer suporte emocional. Ao compartilhar suas experiências cotidianas, os namorados recebem e ofe-

É fácil para o adolescente exigir que o namorado ou a namorada se comporte de determinada maneira para melhor lhe agradar. Difícil é ser generoso a ponto de, ao se comportar, considerar e respeitar os sentimentos do outro. O tão almejado segredo para o estabelecimento e manutenção de relações felizes, não é encontrar a pessoa certa, mas SER a pessoa certa. A “pessoa certa” é aquela que está disposta a aprender a amar cada vez mais e melhor, cuja felicidade está atrelada ao sorriso e ao bem-estar do outro.

Professores (as), reúnam-se com seus alunos para um momento especial. Leiam o texto acima, discutam e realizem as atividades propostas no Encarte Pedagógico. A turma vai adorar! E mais, busquem na Coleção Educação: “Namoro: um projeto comum” – Livro Educando para a Vida, páginas 97 à 99. “Namoro: qualidade ou quantidade”- Livro Como Educar Hoje? Páginas 111 à 113.

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O Transcendente - No.5  

Edição Maio/Junho 2008

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