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O ENSINO RELIGIOSO

a antigüidade primitiva, as pessoas tinham atitudes religiosas que, para nós, hoje, são inaceitáveis. Na época dos clãs, fazia-se oferta ao espírito e a máxima oferta era o sacrifício humano, às vezes a pessoa mais importante da comunidade, o filho do chefe. Essa pessoa sacrificada passava a ser venerada como um espírito. Por isso reis e deuses pertenciam a uma mesma linhagem. E quanto mais deuses existissem, mais sagrado e inquestionável era o poder da dinastia. Os altares larários, onde os Etruscos cultuavam os antepassados, eram uma forma de resistência das famílias diante do poder religioso das dinastias e famílias reais. Se a linhagem do governo tinha deuses entre os seus antepassados, a família que tivesse antepassados veneráveis podia enfrentar as exigências do rei, sem ter que submeter-se servilmente a ele. Por isso, os larários só existiam nas famílias ricas. O povo que nem possuía nome de família continuava cultuando os espíritos da natureza. Viviam ainda na magia primitiva. Nem questionavam a sua submissão a uma organização imposta, pois escapava aos seus reduzidos conhecimentos.

protetores ou perigosos. Com as civilizações e as famílias reais, surgem os deuses. Eles representam a organização social nelas vigente. Mesmo assim os espíritos da natureza não desapareceram. Pelo contrário: opuseram resistência à institucionalização. Os detentores do poder econômico, político e religioso utilizam-se desta dependência popular para escravizar as massas e evitar os levantes contra a ordem estabelecida.

MAIO / JUNHO - 2008 03

Fatos atestam a escravidão através da religião 1. No Egito, os grandes túmulos dos faraós, que lhes asseguravam imortalidade, eram construídos por multidões de trabalhadores escravizados. A pirâmide de Quéops foi construída com dois milhões de blocos de pedra que pesavam quinze toneladas cada um e que foram arrastadas por grandes distâncias por aproximadamente 10 mil trabalhadores.

2. O rei Ciro, da Pérsia, em suas conquistas, nunca

destruía os templos, inclusive dava permissão para reconstruir os que houvessem sofridos destruição. Assim, honrando os sacerdotes e os deuses nacionais, garantia a submissão das nações conquistadas.

3. Alexandre - o Grande, da Macedônia, quando

conquistava uma cidade, oferecia sacrifícios nos templos às divindades nacionais, e reforçava o poder dos sacerdotes, fortalecendo assim o seu próprio poder.

4. Para conquistar o império Persa, Alexandre en-

OS FORTES USAVAM OS DEUSES PARA ESCRAVISAR OS FRACOS

Na época dos clãs, a magia era a religião primitiva. Não havia deuses, mas espíritos que podiam ser

Era crença comum nas religiões antigas que os deuses haviam criado os homens para os servirem. Ao homem cabia cultivar a terra, produzir alimentos e oferecê-los diariamente. A função do homem era trabalhar para os deuses. Por conseqüência, os soberanos, que eram da linhagem dos deuses, recebiam o mesmo tratamento que era dispensado às divindades.

Religiões de integração

Religiões de libertação

Religiões espiritualistas

São as religiões dos povos primitivos, cuja organização não vai além da forma tribal. O homem vive dos produtos da natureza. Daí a sua tendência para integrar-se nos ritmos da natureza, como meio de assegurar a sua sobrevivência. A vivência religiosa destes homens esgota-se quase que somente nas suas exigências imediatas para sobreviver. Por exemplo: a fecundidade da mulher que gera os filhos, a reprodução da caça e as colheitas, que os alimentam.

Religiões de servidão Nas religiões de servidão, os deuses aparecem como grandes senhores do céu, da terra e das regiões inferiores, aos quais os homens devem serviços e homenagem, em troca de benefícios imediatos. Em geral, são religiões de povos de cultura mais desenvolvida, com uma agricultura mais sistematizada, com princípios de urbanização, centros comerciais e de uma indústria apreciável. O aparato econômico e administrativo imprime nas relações entre o homem e a divindade um caráter burocrático e servil.

frentou com trinta mil homens o exército do rei Dario, superior ao dele. O pavor espalhou-se entre os persas quando viram que Alexandre trazia à frente de seu exército um sacerdote vestido de branco. Era uma garantia absoluta de que os deuses o favoreciam.

O homem encontra-se numa situação de desgraça, de dor e de castigo. A religião serve para libertá-lo. As causas desta situação ruim e as maneiras e os meios para sair dela são apresentados de diversos modos, conforme as idéias que se tem em relação ao mundo e às atitudes que o homem pode e deve tomar para a sua existência e para a sua sobrevivência no além.

No século passado surgiram movimentos religiosos sob a novidade do pensamento original a respeito do problema do espírito, o transe mediúnico e os fenômenos parapsicólogos.

Religiões de salvação

Podemos citar: o Materialismo: tudo é matéria, não há seres, alma, vida eterna; o Marxismo: filosofia de Karl Marx (18818-1883), sobre o qual se baseia o comunismo ateu; o humanismo: o homem é o centro de tudo. O humanismo ateu: nada de objetivo existe; o Teísmo: Deus existe, mas, não se importa conosco; o Agnosticismo: talvez Deus exista, mas não sabemos; a Maçonaria: nasceu na Inglaterra, em 1175, mas se organizou modernamente a partir de 1713; a Seicho-no-iê: fundada no Japão, em 1930, significa “lar do progredir infinito” ou “casa pluralidade”; Yoga: é uma técnica e uma filosofia. O corpo e suas funções fisiológicas condicionam a situação psíquica, facilitando as funções do corpo, o espírito pode raciocinar melhor e ter afetos mais puros.

Os elementos fundamentais destas religiões são: a existência de um Deus único; o homem se encontra numa situação de pecado, que pode ser uma desobediência a preceitos divinos positivos e também uma opção contrária à ordem estabelecida por Deus; a alma do homem é imortal; portanto, cada um terá uma vida no além; uma vida que será feliz ou triste em conseqüência da opção do bem e do mal vivida no aquém; Deus santo e justo é também amoroso e misericordioso, por Ele perdoa e reabilita o pecador que se arrepende. São chamadas religiões de salvação, pois é o próprio Deus que quer a reabilitação e a vida do homem, que se converte de sues pecados. Esta total dependência de deus, porém, não esmaga a dignidade da pessoa humana. Ao contrário, ela valoriza a sua liberdade e consagra uma profunda responsabilidade da pessoa no esforço consciente de colaboração na atitude salvadora.

Atitudes Filosóficas

O Universo Religioso: as grandes religiões e tendências religiosas atuais

Após meses de pesquisa e muito diálogo com pessoas de várias crenças, os autores apresentam este estudo sobre várias manisfestações religiosas tradicionais e as tendências atuais. O objetivo deste livro é oferecer uma compreensão popular das manifestações religiosas presentes em nosso universo. Este livro é indicado para escolas e para aqueles que buscam conhecer mais e melhor o universo religioso e suas manifestações. Esta obra ajudará a conhecer melhor a religião de cada um e também a do outro, tendo como horizonte um diálogo sincero e aberto na busca de um mesmo objetivo: a construção de um mundo melhor. Por fim, poderia-se perguntar: Para que conhecer a nossa e as outras religiões? Para melhor conhecer o Transcendente. Professor, adote o “Universo Religioso”. Certamente este livro ajudará muito em seu trabalho.

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O Transcendente - No.5  
O Transcendente - No.5  

Edição Maio/Junho 2008

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