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ANO I - Nº 0 MARÇO/ABRIL 2007

O Transcendente • Av. Hercílio Luz, 1079 • Florianópolis • SC • 88020-001 • Fone: (48) 3222-9572 • www.otranscendente.com.br

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á 20 anos, o Jornal Missão Jovem oferece subsídios que ajudam a juventude em sua formação humana e cristã. A nossa equipe, a Equipe Missão Jovem, trabalha com muito idealismo e paixão, sempre acreditando que essas são as condições para que as novas gerações assumam suas responsabilidades tanto na vida social, como no crescimento humano e espiritual. Uma das preocupações da Equipe MJ é com a formação de lideranças. Lideranças estas que sejam audazes, corajosas e bem preparadas, que venham a somar na construção de uma nova sociedade, onde o amor e a paz sejam o fundamento de sua existência. Este trabalho, jornal/subsídio, conseguiu um sucesso editorial inesperado! Hoje, ele está presente em todo o Território Nacional, inclusive em outros países. Com seu estilo dinâmico, este jornal oferece a inúmeros grupos juvenis e escolares, subsídios para a sua formação e informação. A Equipe do Missão Jovem também produziu diversas coleções de livros, a última delas, a “Coleção Educação”, oferece excelentes conteúdos a quem está comprometido com a formação integral dos educandos.

Queremos oferecer muito mais! Mesmo estando constantemente preocupados com a educação, centenas de professores freqüentemente insistiam para que nos abríssemos mais em direção ao Ensino Religioso. De fato, a área da educação religiosa vem mudando rapidamente, se rede-

Segundo o dicionário Aurélio, temos muitos significados para a palavra “transcendente”: muito elevado, superior, sublime, excelso, que transcende do sujeito para algo fora dele, que transcende os limites da experiência possível, que supõe a intervenção de um princípio que lhe é superior. Segundo o PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) do Ensino Religioso, o transcendente é um fenômeno do religioso. Desde que o ser humano começou a adquirir consciência das coisas, a pensar e a refletir, percebeu que há algo que lhe é superior, que está acima de sua existência, algo que lhe foge da compreensão. Tudo isso, interpretado por diversas culturas, recebe nomes e compreensões diferentes, mas a fonte inspiradora é a mesma: o transcendente. Daí o nome “O TRANSCENDENTE” para o nosso jornal. Queremos que o aluno, através do estudo do fenômeno religioso, busque pessoalmente o transcendente. No entanto, não pretendemos com este jornal ficar mirando apenas o plano

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APRESENTAÇÃO

finindo, tomando nova feição e exigindo dos professores mais abertura e mais diálogo com o complexo universo religioso. Não há mais espaço para posições religiosas fechadas e muitas vezes sectárias, que em nada contribuem na construção da fraternidade e da paz no mundo. “Nós queremos um subsídio profundo, mas simples e prático, que a gente logo entende”, diziam-nos alguns professores.

Portanto, aqui estamos, com muita vontade e idealismo, oferecendo a nossa ajuda a todos e todas que estão engajados(as) com o componente curricular do Ensino Religioso nas escolas. Isto adquire ainda maior importância, pois, neste ano, estamos comemorando dez anos da aprovação do art. 33 da lei 9.394, que inclui o Ensino Religioso. Através do novo jornal/subsídio, ao qual demos o nome de “O TRANSCENDENTE”, queremos,

superior, transcendental, apenas conhecendo intelectualmente as diversas culturas e crenças religiosas, mas fazer com que este conhecimento contribua para uma vivência e para um compromisso social e comunitário, pois é na realidade terrena que devem se manifestar os princípios e valores em que acreditamos.

Explicando a Logomarca A logomarca traz os dizeres: “O TRANSCENDENTE” e Jornal Pedagógico para o Ensino Religioso. Como já explicamos, o nome se relaciona com o nosso objeto de estudo e de abordagem e, em seguida, a frase que expressa a intenção deste jornal: ser um subsídio pedagógico para o Ensino Religioso que auxilie os professores e os alunos, tanto em sua formação pessoal, como também para oferecer-lhes conteúdos a serem desenvolvidos em sala de aula. Dessa forma, “O TRANSCENDENTE” quer ser companheiro dos professores e alunos na longa e difícil caminhada para a construção de um mundo melhor, mais humano e, respeitando as diferenças, viver a fraternidade universal.

numa perspectiva inter-religiosa, proporcionar aos professores e educandos uma melhor compreensão do transcendente, como também auxiliá-los na formação de uma nova geração de pessoas que, mesmo acreditando em Deus, ainda não souberam vivenciar aquela harmonia tão desejada por Ele.

O que vamos oferecer? Em nossas páginas, abordaremos o fenômeno religioso e os diversos elementos das religiosidades, em consonância com a legislação em vigor, através de textos, discussões, conteúdos formativos, entrevistas, dinâmicas, jogos, teatros, enfim, sugestões práticas que auxiliem na preparação e no desenvolvimento das aulas de Ensino Religioso e na formação do professor. O nosso desejo é que ele seja cada vez mais aberto à pluralidade e motivador de diálogo, especialmente do diálogo inter-religioso, em vista de uma convivência humana respeitosa, solidária, aberta ao outro e ao transcendente. Professores! Participem na construção deste jornal enviando-nos sugestões de temas, conteúdos, dinâmicas, opiniões, críticas, etc. Com a colaboração de vocês, o “O TRANSCENDENTE” se tornará, a cada edição, um dos melhores subsídios para o Ensino Religioso. Desde já agradeço aos colaboradores que se dispuseram a construir “O TRANSCENDENTE”. Não há dúvida de que Deus estará ao nosso lado.

A nossa primeira capa traz o símbolo de várias religiões. O TRANSCENDENTE tem como propósito estudar o fenômeno religioso e todas as suas riquezas e diversidades.

Jornal bimestral de Ensino Religioso pertencente ao PIME Registrado no Cartório de Registro Civil de Títulos e Documentos de Pessoas Jurídicas de Florianópolis sob o nº 13 Diretor: Pe. Paulo De Coppi - P.I.M.E. Jornalista Resp.: Yriam Fávero - Reg. DRT/SC nº 800 Redator: Sandro Liesch Diagramação: Fábio Furtado Leite

Endereço DO JORNAL “O TRANSCENDENTE”: SEDE: Av. Hercílio Luz, 1079 - Servidão Missão Jovem PARA CORRESPONDÊNCIA: Cx. Postal 3211 / 88010-970 / Florianópolis / SC FONE: (48) 3222-9572 / FAX-automático: (48) 3222-9967

ASSINATURA ANUAL Ano I - Nº 0 - MARÇO/ABRIL - 2007 •Individual: •Assinatura Coletiva (no CUPOM da página 11) •Assinatura de apoio: •Internacional:

R$ 20,00 R$ 35,00 R$ 55,00

Site: www.otranscendente.com.br E-mail: ot@otranscendente.com.br

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cultura adquire formas diversas por meio do tempo e do espaço, que, por sua vez, se manifestam na originalidade e na pluralidade das identidades que caracterizam os grupos e a sociedade que compõem a humanidade. É fonte de intercâmbio, inovação e criatividade. A diversidade cultural é para o gênero humano tão necessário quanto a diversidade biológica, para os organismos vivos. Neste sentido, ambas constituem o patrimônio comum da humanidade e devem ser reconhecidas e consolidadas no benefício das futuras gerações.

A riqueza está na diversidade

Esta diversidade em nossas sociedades garante uma interação harmoniosa quando impulsionada pela vontade de convivência das pessoas, acolhendo as diferenças de forma dinâmica. Portanto, as políticas que favorecem a inclusão e a participação de todos são vitais para a construção da paz entre as nações e nas nações. O intercâmbio cultural, o “conhecer para compreender”, e as várias formas de leitura do mundo permitem novos olhares no espaço que ocupamos. O crescimento das comunidades não se limita ao econômico, mas também ao acesso a uma vida intelectual, afetiva, moral e espiritual dos grupos que ocupam as mesmas regiões ou áreas vizinhas, pois a Declaração dos Direitos Humanos (1948, artigo 27) garante que: “Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fluir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios”.

Ensino Religioso nas escolas tem sido, nos últimos anos, motivo de acirrado debate, principalmente nas escolas públicas. Será importante a presença de uma disciplina assim no currículo escolar? Se entendermos a religiosidade como uma das dimensões humanas, é evidente a necessidade de inserir também este aspecto na proposta educacional. Toda pessoa, independente de sua idade, é racional, afetiva, social, física, sensível, espiritual e precisa desenvolver-se como uma unidade, relacionandose consigo, com os outros, com o mundo e com o transcendente. Então, como esquecer a dimensão religiosa? A educação pode ser definida das mais diferentes formas, mas, em se tratando de seu objetivo final, todas as definições convergem para o desenvolvimento pleno do ser humano na sociedade. É aqui que o Ensino Religioso fundamenta a sua natureza, pois o ser humano, para adquirir seu estado de realização integral, necessita da dimensão religiosa. Conhecer as situações assumidas pelo homem religioso, compreender seu universo espiritual é, em suma, fazer avançar o conhecimento geral do ser humano.

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O ENSINO RELIGIOSO

O direito à liberdade religiosa Esta liberdade é um imperativo ético, inseparável da dignidade do ser humano. Os direitos culturais marcam a liberdade de expressão e das mais variadas formas, que divulgam as idéias e as particularidades das comunidades manifestadas no teatro, na pintura, nos textos, rituais e em outras formas de comunicação da identidade. Lembremos que toda criação tem suas origens nas tradições culturais, desenvolvidas ao longo da história das comunidades, valorizando o passado e sustentando o futuro das gerações. É o diálogo entre os grupos que catalisam as relações, gerando novas propostas de convivência mundial. Foi nesta perspectiva que ocorreu a homologação da Declaração Universal da Diversidade Cultural. Portanto, a diversidade cultural e a diversidade religiosa andam juntas. Conforme o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper), a religião acontece dentro de um universo cultural, ora influenciando, ora sendo influenciada pela cultura.

E o Ensino Religioso?

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à busca do sentido radical da vida, descobrindo seu comprometimento com a comunidade, consciente de sua participação no todo. Esse processo de despertar e descobrir conduz o educando naturalmente ao encontro com o espiritual, com o Transcendente. A conseqüência desta descoberta afetará as ações, gestos, palavras, significados e valores que farão parte da sua vivência e convivência. O Ensino Religioso pretende ser um serviço ao crescimento global da pessoa, mediante uma cultura atenta também à dimensão religiosa da vida. Nessa perspectiva, os valores sociais são reforçados no “ser” e não no “ter”. As gerações construídas a partir dos valores sociais baseadas no “ser” têm suas ações enfocadas na solidariedade para com o próximo, para com o grupo social. Essa nova mudança comportamental é explicada a partir do contato com o Transcendente. O Ensino Religioso pode tornar-se uma forma de apresentar ao mundo que a Escola contribui para formação de novas gerações que compreendem e convivem neste mundo plural.

É nesse contexto que, o Ensino Religioso, como disciplina, tem a função de despertar, no educando, aspectos transcendentes da existência. Leva-o

O Ensino Religioso, dessa forma, busca valorizar o ser humano e ajuda-o a dar sentido à sua existência a partir da experiência e dos textos sagrados das diversas religiões e expressões religiosas.

HISTÓRIA

O Ensino Religioso nas escolas públicas brasileiras desenvolveu-se em três fases: 1) Confessional: Até meados do século XX predominou um Ensino Religioso católico. Ensinava-se os dogmas e a doutrina da Igreja católica e rezava-se em sala de aula as mesmas orações que se aprendiam na catequese. Os conteúdos eram católicos e os professores indicados pela Igreja católica. Essa fase também era conhecida como “aulas de religião”. 2) Ecumênico: No final da década de 60, motivados pelo espírito ecumênico presente em várias igrejas cristãs, surge um novo estilo de ER, o ecumênico. Ele deixava de ser uma catequese da Igreja católica para ser o conteúdo do Cristianismo. Jesus Cristo passava a ser a referência para as aulas. O ER não acentuava as verdades da fé de uma igreja cristã, mas os valores e a fé comuns às várias igrejas cristãs. 3) Inter-religioso: Nos anos 90 inicia-se um novo jeito de ER que deixa de ser um ensino orientado por igrejas cristãs, para ser assumido por todas as religiões, tradições e organizações religiosas.

DIÁLOGO SAUDÁVEL

Segundo Dora Incontri, as religiões estão presentes em todas as culturas e entre todos os povos de todos os tempos. Assumindo diversas formas de devoção, doutrinas e princípios éticos, elas buscam o sentido da vida e a transcendência em relação à morte. Elas têm suas especificidades, mas têm também um patamar comum de moralidade e busca humana, onde é possível e urgente estabelecer um diálogo respeitoso e solidário. O reconhecimento de uma raiz comum é vital para que o diálogo se projete, além de uma conversa cordialmente superficial, para se tornar uma vivência enriquecedora. O diálogo é a atitude interior que nos predispõe a entrar em contato com a família, com as culturas, com as religiões, com as pessoas. Talvez essa seja uma das maiores conquistas das religiões de hoje. Com o diálogo, aceitamos a diversidade de caminhos, o respeito à cultura, à religiosidade e o jeito de ser de cada pessoa. A Constituição Brasileira garante a liberdade de culto, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação abre espaço para o ensino religioso inter-confessional (Art.33), para assegurar “o respeito à diversidade religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo”. Dessa maneira, é possível conhecer o universo religioso e descobrir que todas as religiões têm valor. Através de um diálogo saudável, entre as diversas tradições religiosas, as pessoas podem situar-se no mundo de forma muito mais segura e fraterna. Prof. Mauri Heerdt

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professora Dolores Henn Fontanive, Coordenadora de Ensino Religioso – GEECT Rio do Sul – SC, nos concedeu esta entrevista abordando sabiamente a questão do Ensino Religioso e a postura do professor frente à diversidade religiosa. O TRANSCENDENTE - Professora Dolores,

qual a importância do Ensino Religioso frente à diversidade religiosa brasileira e para a formação humana? Professora Dolores: O ser humano é um ser de relações, conseqüentemente interage com outros seres, com a natureza e o Transcendente, em diferentes espaços, tempos e ambientes. Nestas inter-relações e interconexões se dá a construção cultural de diferentes grupos e pessoas. Na atualidade, a realidade brasileira nos interpela e desafia diariamente em relação à pluralidade cultural e a diversidade religiosa existente no contexto social e educacional. Neste contexto, o Ensino Religioso é um componente curricular cujas atividades de aprendizagem, desenvolvidas na escola, apresentam como um de seus objetivos, a socialização dos conhecimentos religiosos elaborados historicamente pela humanidade. O TRANSCENDENTE - O respeito pela diver-

sidade cultural e religiosa é de suma importância. Qual deve ser a postura do professor ao abordar esse tema?

CONVERSANDO COM O EDUCADOR

Professora Dolores: É de fundamental importância, dentre outros aspectos, que o educador de Ensino Religioso esteja atento às linguagens e conteúdos que transitam no cotidiano escolar, assim como a linguagem e conteúdos que ele usará no desenvolvimento de suas aulas. Ele deve considerar também a presença da diversidade de culturas, etnias, religiões e/ou movimentos religiosos, faixas etárias, saberes, interesses e concepções presentes no espaço educativo, provocando e encaminhando espaços para diálogos com o outro, respeitando e acolhendo as diferenças, possibilitando assim a construção e reconstrução de conhecimentos a partir de diferentes perspectivas. O TRANSCENDENTE-

Reconhecer e aceitar o outro, o diferente, em sua opinião, é o grande desafio a ser vencido? Professora Dolores: A ética da alteridade denuncia o esquecimento do rosto do outro, denuncia também qualquer forma de preconceito, pré-julgamento, pré-juízos e atitudes excludentes e de indiferença em relação ao outro, aquele que é diferente. A não-compreensão das diferenças ocasiona

conflito e inúmeras formas de violência. Cada um de nós, como diferente, deve acolher-se nas suas inúmeras possibilidades de ser diferente. Os desafios nos instigam a novos olhares, permeados de incertezas, mas de grandes esperanças no rosto do outro, e nos outros rostos, para um permanente avaliar, re-significar e re-elaborar falas, posturas e práticas na direção de uma práxis diferenciada. O TRANSCENDENTE - Diante desses desa-

fios, como proporcionar uma formação mais aberta aos alunos?

Professora Dolores: O ser humano nos interpela, questiona e exige a cada instante, em cada atividade pedagógica que desenvolvemos, em cada encontro que a vida nos oferece e oportuniza, uma postura e linguagem acolhedoras que integrem a todos e todas; conteúdos que contemplem a diversidade em sua riqueza de formas e expressões, um espírito de estudo e pesquisa para com as atividades cotidianas. Com certeza, isso contribui em muito para uma formação diferenciada. É tempo de investir e crer que podemos construir um mundo melhor e possível.

Professores, estamos disponibilizando um espaço em nossas páginas para vocês. Sabemos que muitos de vocês gostariam de expressar suas posições e de partilhar suas reflexões, mas muitas vezes não tem a tão sonhada oportunidade e nem o espaço desejado. Aqui vocês terão esse espaço! E mais, vocês poderão ver circular por esse Brasil afora a opinião de vocês. Não queremos delimitar temáticas, pois fazemos questão de deixar a inspiração de vocês fluir. Certamente, não poderemos publicar todo o material que vocês enviarem, mas, de preferência, os mais significativos. Estimados professores, as suas respostas a esta questão são de fundamental importância para aprimorarmos as próximas edições de “O TRANSCENDENTE”. Dê-nos seu parecer sobre: conteúdos; diagramação; abordagem das temáticas; linguagem empregada; utilização das imagens e desenhos; dinâmicas, propostas de atividades, etc.

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www.missaojovem.com.br www.casadareconciliacao.com.br www.pimenet.org.br www.gper.com.br

Sintam-se livres para fazer outras observações e dar-nos sugestões para melhorar as futuras edições.

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Olá

UNIVERSO RELIGIOSO

amigos! Tudo bem?

Primeiramente quero me apresentar: meu nome é Geninho. Sou um viajante muito curioso e, nessas minhas andanças pelo mundo afora, fiz muitos amigos e conheci muitas culturas. Por isso, eu tenho esse espaço no jornal “O TRANSCENDENTE” para apresentar a vocês os meus amigos e as culturas que conheci. Um fato muito interessante que me ocorreu foi descobrir que em todos os lugares as pessoas tinham um modo de expressar sua crença, sua fé e sua religiosidade, enfim, a sua busca pelo transcendente. E, por ser curioso, AS DESCOBERTAS E fui fazer uma pesquisa para conhecer um pouco AS PRIMEIRAS DÚVIDAS mais sobre as origens desta busca pelo transA vida dos nossos ancestrais estava intimamencendente.

COMO TUDO COMEÇOU Os primeiros homens e mulheres, acredita-se que foram os primeiros habitantes da África, viviam em um mundo cheio de mistérios, sua inteligência limitava-se a criar armas para defender-se. Com a descoberta e a manipulação do fogo, deu-se um grande avanço, pois assim poderia cozer seus alimentos, aquecer-se e afugentar os animais ferozes. Estes homens e mulheres viam nos fenômenos da natureza seres poderosos e os chamavam de deuses, pois eles não conseguiam compreender que fenômenos eram esses. Era algo muito maior que eles, eram forças que eles não podiam controlar. Nossos ancestrais viviam em pequenos grupos e pequenas comunidades, onde partilhavam as tarefas e os alimentos. Vivendo assim, eles se sentiam mais protegidos, mais fortes, mais seguros. E assim nós vivemos até hoje: precisando do outro. Não é mesmo?!

O ser humano, com o passar do tempo, foi acumulando conhecimentos, técnicas, formas de interpretar o mundo e a natureza ao seu redor. Todos esses conhecimentos foram transmitidos para as gerações mais novas e estas, por sua vez, fazendo o mesmo com as futuras. Todo esse processo permitiu ao ser humano uma maior consciência do mundo, da natureza, da importância da comunidade. E gerou mais cultura e, conseqüentemente, a melhora das condições de vida.

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te ligada à natureza. Era daí que eles tiravam o seu sustento, o seu alimento de cada dia. Nela encontravam um abrigo nos dias de chuva e a sombra nos dias de calor. A natureza era essencial para a vida. Nossos ancestrais tinham consciência de que, sem ela, eles não poderiam viver. (Ah, se hoje a humanidade tivesse essa consciência, não é mesmo?!) Surgiram então algumas questões que, por mais que se esforçassem para obter respostas, racionalmente não as encontravam. Quem fez toda essa natureza maravilhosa? De onde viemos? O sol e a lua, as estrelas, o trovão e a chuva, quem são eles e quem os fez? Para complicar ainda mais a situação, após a morte de alguém, se perguntavam: O que é a morte? Para onde vamos depois de morrer? Por que morremos? É... realmente essas questões são difíceis de responder, não é mesmo?!

EM BUSCA DE UM SENTIDO O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cercava, levou o ser humano a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos, muitas vezes centrados na figura de um ser supremo que o ajudava a compreender o significado último de sua própria natureza. As sociedades primitivas, dessa forma, teceram em torno de si uma existência do sobrenatural, inatingível pela razão, e, juntamente, o desejo de comunhão com ele. Eis as primeiras formas de religião, as primeiras idéias do transcendente. Graças a essas idéias, às novas concepções de mundo e dos fenômenos naturais, nossos ancestrais encontraram respostas satisfatórias àquelas perguntas que até então os intrigavam. Cada povo, ou grupo, encontrou diferentes respostas e, dessa forma, nasceram uma grande variedade de mitos. Os mitos são narrações de verdades essenciais para a compreensão da natureza, do universo, do ser humano e da sociedade e constituem a memória de uma soma de valores e de conhecimentos. Deles originaram-se quase todas as religiões da humanidade.

DIFERENTES POVOS, RESPOSTAS DIFERENTES Apesar da variedade e da universalidade do fenômeno religioso, as religiões têm como característica comum o reconhecimento do sagrado. Para muitos povos, a religião, através dos valores transmitidos por suas crenças e das práticas que realizam em seus rituais, organiza a vida da sociedade. A religião, em todos os seus aspectos, diz respeito ao universo sagrado aquele que ultrapassa os poderes e as virtudes humanas, que as transcende e que contém verdades absolutas. Os homens pretendem relacionar-se com o transcendente da mesma forma, como fazem entre si, através de laços afetivos e de trocas, que se realizam por sacrifícios, preces, oferendas e muitas vezes são realizadas em templos. À medida que o ser humano passou a organizar sua existência numa base racional, o antigo animismo não conseguiu mais satisfazer a necessidade de estabelecer uma relação coerente com as múltiplas forças espirituais. Surgiram, então, as religiões politeístas, panteístas, deístas e monoteístas, expressões das condições sociais e culturais de cada época e das características dos povos em que surgiram. Algumas delas acreditam na intervenção direta da divindade que se deu através da revelação. Então, meus amigos, fiquem comigo que vocês irão conhecer muito mais o universo religioso e não se decepcionarão porque tem muita coisa interessante chegando por aí. Conto com vocês! Um grande abraço e até a próxima!

Em pequenos grupos, os alunos pesquisarão e apresentarão em sala como é visto o mito da criação do mundo pelas diversas culturas. Pode-se, antes delimitar o que cada grupo irá pesquisar. Por exemplo: um grupo poderá pesquisar a compreensão dos antigos gregos para a criação do mundo. Um outro grupo pode pesquisar na cultura egípcia, etc.

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ESPIRITUALIDADES

Neste ano se celebram 800 anos de nascimento de Jalal udDin Rumi (1207-1273), o maior dos místicos islâmicos e extraordinário poeta do amor. Nasceu no Afeganistão, passou pelo Irã e viveu e morreu em Konia, na Turquia.

Era um erudito professor de teologia, zeloso nos exercícios espirituais. Tudo mudou quando se encontrou com a figura misteriosa e fascinante do monge errante Shams de Tabriz. Como se diz na tradição sufi, foi “um encontro entre dois oceanos”. Esse mestre misterioso iniciou Rumi na experiência mística do amor. Seu reconhecimento foi tão grande que lhe dedicou todo um livro com 3.230 versos, o “Divan de Shams de Tabriz”. Divan significa coleção de poemas. A efusão do amor em Rumi é tão avassaladora que abraça tudo, o universo, a natureza, as pessoas e principalmente Deus. No fundo trata-se do único movimento do amor que não conhece divisões, mas que enlaça todas as coisas numa unidade última e radical tão bem expressa no poema Eu sou Tu: “Tu, que conheces Jalal ud-Din (nome de Rumi). Tu, o Um em tudo,

diz quem sou. Diz: eu sou Tu”. Ou o outro: “De mim não resta senão um nome, tudo o resto é Ele”. Essa experiência de união amorosa foi tão inspiradora que fez Rumi produzir uma obra de 4.000 versos. Famosos são o Masnavi (poemas de cunho reflexivo-teológico), Rubai-yat (Canção de amor por Deus) e o já citado Divan de Tabriz. Próprio da experiência místicoamorosa é a embriaguez do amor que faz do místico um “louco de Deus” como eram São Francisco de Assis, Santa Tereza d’Ávila, Santa Xênia da Rússia e também Rumi. Num poema do Rubai’yat diz: “hoje eu não estou ébrio, sou os milhares de ébrios da terra. Eu estou louco e amo todos os loucos, hoje”. Como expressão desta loucura divina inventou a sama, a dança extática. Trata-se de dançar girando em torno de si e ao redor de um eixo que representa o sol. Cada dervixe girante, assim se chamam os dançantes, se sente como um planeta girando ao redor do sol que é Deus. Dificilmente na história da mística universal encontramos poemas de amor com tal imediatez, sensibilidade e paixão como aqueles escritos pelo islâmico Rumi. É como uma fuga de mil motivos que vão e vêm sem cessar. Num poema de Rubai-yat canta: “Tu,

TRÊS JOVENS Diz a lenda que no ouVera, André e Pedro saíram em busca do Paraíso. tro lado do deserto fica o Vera nada sabe sobre o deserto e menos ainda sobre o tal caminho. Paraíso. Tão perto e ao mesmo Pedro garantiu a ela que em algum lugar existe o oásis. Ela confia no tempo tão longe. Mas, como chegar amigo. Juntos partiram para a aventura. até lá? André sabe que muitos partem e poucos chegam. Valoriza a exO segredo está no caminho. periência dos sábios narradas nos livros e espalhada no jeito simples As pessoas partem em busca do Parado povo. Prefere ficar, estudar, conviver e traçar o caminho mais íso. Ao encarar as primeiras dificuldades, a adequado. Os outros dois o chamam de careta e medroso. maioria desiste e volta. Outros morrem no meio do Andando pelo deserto, já cansada e sedenta, sob o sol caminho. Poucos chegam ao destino. de 40 graus, sem água e com fome, o sonho de Vera coMuitos sábios, homens e mulheres, percorreram meça a transformar-se em pesadelo. Somente a ilusão de o deserto inúmeras vezes e registraram suas viagens. Pedro consegue mantê-los caminhando: “Coragem Vera, Mapearam o deserto. Deixaram pistas. Revelaram segre- o oásis está perto...”. O desânimo de Vera foi mais forte que a ilusão dos que permitem aos peregrinos descobrir o sentido da de Pedro. Ela decide esperar pela morte. Pedro abancaminhada e da própria vida. dona Vera e continua a vagar pelo deserto. Muda de Exatamente na metade da viagem, há um oásis. Um ludireção para desviar a montanha, cuja travessia seria gar com abundante vegetação e água fresca. É o único de muito cansativa. todo o deserto. Ninguém chega ao Paraíso sem recuperar A morte, porém, não chega assim rapidamente. as energias neste lugar. Vera esperou um dia, outro... de repente: “Hei, Vera, Eis o grande desafio: encontrar o oásis. desperta!” Vera, imóvel, dá um gemido e resmunga: Estudar páginas e páginas é muito trabalhoso. Pode -“Deve ser a morte que veio me buscar”. levar anos. A maioria prefere aventurar-se no deserto - “Vera, anime-se! Sou eu, André!”. a perder um pouco de tempo para planejar a viagem e Ela hesita um pouco, abre os olhos com esforço. Reconhece o amigo e envolve-o num abraço. traçar o caminho mais seguro.

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único sol, vem! Sem Ti as flores murcham, vem! Sem Ti o mundo não é senão pó e cinza. Este banquete e esta alegria, sem Ti, são totalmente vazios, vem!”. Um dos mais belos poemas, por sua densidade amorosa, me parece ser este, tirado do Rubai’yat: “O teu amor veio até meu coração e partiu feliz. Depois retornou, vestiu a veste do amor, mas mais uma vez foi embora. Timidamente lhe supliquei que ficasse comigo ao menos por alguns dias. Ele se sentou junto a mim e se esqueceu de partir”. A mística desafia a razão analítica. Ela a ultrapassa porque expressa a dimensão do espírito, aquele momento em que o ser humano se descobre a si mesmo como parte de um Todo, como projeto infinito e mistério abissal inexprimível. Bem notava o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein na proposição VI de seu Tractatus logico-philosophicus: “O inexprimível se mostra, é o místico”. E termina na proposição VII com esta frase lapidar: “Sobre o que não podemos falar, devemos calar”. É o que fazem os místicos. Guardam o nobre silêncio ou então cantam como fez Rumi, mas de um modo tal que a palavra nos conduz ao silêncio reverente.

O OáSIS André mostra para a Vera o mapa do caminho que traçou. Logo ali atrás da montanha estava o tão sonhado oásis. Tão perto... E pensar que Vera desistira de tudo. A presença de André ressuscita Vera. Os dois saem à procura de Pedro. Encontram-no desmaiado e o carregam até o oásis. Ali viveram, antecipadamente, a sensação de estarem no Paraíso: água cristalina, sombras, frutos... Após recuperarem as energias, avaliaram a caminhada já feita e planejaram a outra metade da viagem. Passados alguns dias os três amigos partem novamente. As mãos entrelaçadas. O sol quente é o reflexo vivo do fogo ardente que abrasa aqueles corações movidos pela certeza de que não é possível chegar sozinho no Paraíso. O caminho verdadeiro é traçado em mutirão e percorrido de mãos dadas. Caminho construído com os traços de tantos outros abertos com suor, lágrimas e risos por toda a humanidade. Eduardo Góes de Oliveira Lebon Régis-SC

Com o texto “Ninguém chega sozinho”, o professor poderá organizar uma encenação adaptando os diálogos e os personagens. Assim, através da arte cênica, poderá apresentar, à própria escola, uma mensagem de amizade e de partilha.

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s festas religiosas fazem parte da cultura religiosa de todos os povos. “O Transcendente”, no decorrer de suas edições, apresentará para vocês as mais diversas festas religiosas. Para nossa primeira edição, escolhemos a festa da Páscoa porque coincide com a época em que ela é celebrada e o assunto pode auxiliá-los em suas aulas.

Origens da festa Milhares de anos atrás, algumas sociedades entre os povos europeus, festejavam durante o mês de março a passagem do inverno para a primavera. A festa iniciava com a cerimônia das primícias, na qual era oferecido a Deus o primeiro feixe da colheita. Esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antigüidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que dificultava a produção de alimentos.

A Páscoa Judaica Entre os judeus, esta festa assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, país onde foram aprisionados pelos faraós, durantes vários anos. A Páscoa Judaica, portanto, está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, quando, liderados por Moisés, fugiram do Egito. Pessach, (Páscoa) é a palavra hebráica que significa passagem. Já a palavra Passach, faz relação à Pessach, e significa salto, pulo. A décima praga que castigou o Egito foi a morte dos primogênitos. Sob orientação divina, os judeus sacrificaram um carneiro e, com o sangue, pintaram as portas de suas casas. Ao passar, vendo aquele sinal, o anjo “pulava as casas” poupando da morte os primogênitos dos filhos de Israel. Nos oito dias da festa é categoricamente proibido comer pão e outras comidas levedadas, para lembrarse de quando o povo inteiro, conduzido pela vontade de Deus e liderados por Moisés, saiu tão apressadamente do Egito que a massa, preparada para o fabrico do pão, não teve tempo de fermentar. Nas primeiras noites celebram-se o Seder (a palavra significa ordem), durante o qual conta-se a história da festa, bebe-se vinho e uma criança faz perguntas rituais sobre o sentido do Pessach, respondidas pelo chefe da família. Em seguida, come-se a Matzah (pão sem fermento) e o harosset (ervas amargas), que traz a recordação simbólica da escravidão no Egito e da libertação. No dia anterior à celebração, a casa é limpa para que não fique nenhum “hametz”, alimento fermen-

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RITOS E VIDA

tado, proibido no Pessach. O conceito de Hametz é simbólico, pois representa os defeitos e as pessoas devem fazer um exame de consciência de seus atos, de seu comportamento, para se libertarem de suas más qualidades para melhor celebrar a Páscoa. A Páscoa para os judeus é sinônimo de vida e de liberdade.

A Páscoa entre os cristãos A páscoa cristã surgiu no início do segundo século em Roma, com o distanciamento do Judaísmo. O Cristianismo queria festejar sua própria festa, desprendendo-se das tradições judaicas. Um dos pontos principais era o sentido da festa, ou seu conteúdo. A Páscoa tornou-se então o memorial da ressurreição. No Concílio de Nicéia (325 d.C.) fixou-se a data da festa para o primeiro Domingo depois da primeira lua cheia após 21 de Março, fazendo a festa oscilar entre 22 de Março e 25 de Abril. A escolha dessa data se deve a cristianização de uma data pagã muito popular: a festa em homenagem a deusa Eostre, de onde deriva a palavra Easter – Páscoa, em inglês. A deusa Eostre é a deusa saxônica da fertilidade. Ela segura um ovo nas mãos e tem um coelho aos seus pés ou no colo.

O sentido da Páscoa para os cristãos A Páscoa é precedida pela Quaresma, um período de 40 dias que tem início na quartafeira de cinzas e termina no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa. Durante este período, a purificação deve ser alcançada por meio de penitências, como o jejum, que promoveria a libertação dos pecados.

SÍMBOLOS DA PÁSCOA

Como toda festa religiosa tem seus símbolos, a Páscoa não é diferente.

O CORDEIRO

O cordeiro é o mais antigo símbolo da Páscoa. Ele foi o símbolo da primeira Aliança entre Deus e Moisés. O cordeiro foi, por assim dizer, o instrumento da instituição da Páscoa. Para os judeus, o cordeiro, sem ossos quebrados e seu sangue, marca o povo para uma nova realidade de mudanças e libertação em meio a toda opressão. Para os cristãos, Cristo é o cordeiro imolado, sem um osso quebrado, que salva a humanidade com seu sangue.

O CÍRIO PASCAL

Círio é uma vela grande e grossa, que se acende todos os anos, pela primeira vez, no sábado da Vigília Pascal. Essa vela, em geral, permanece nas Igrejas Católicas junto ao altar-mor. O Círio Pascal representa a luz de Cristo. No Círio há duas letras gregas - o alfa e o ômega, respectivamente a primeira e a última letra do alfabeto grego. Significa que Deus é o princípio e o fim de tudo, que tudo provém de Deus e tudo vai para Ele.

O COELHO

A figura do coelho está simbolicamente relacionada a esta festa, pois este animal representa a fertilidade. Ele se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antigüidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e de melhores condições de vida. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova. A figura do coelho da Páscoa foi trazida à América pelos imigrantes alemães no final do século XVII.

A CRUZ

A cruz, instrumento de suplício no qual Jesus morreu, passou a ser um símbolo do cristianismo e também da Páscoa cristã. Redação / redacao@otranscendente.com.br

Para os cristãos, a Páscoa deixa de ser apenas uma esperança de libertação, baseada na experiência do êxodo, e passa a ser uma proclamação da vitória da vida sobre o poder da morte, efetivada na ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa é a festa da esperança aqui e na vida eterna. Páscoa, é a festa maior dos cristãos, pois nisto consiste o fundamento da fé dos cristãos.

Sugerimos que os alunos façam uma pesquisa em livros e na internet, procurando algumas curiosidades sobre a Páscoa. Exemplos:

1. Como a Páscoa é celebrada em outros países, nos rituais e características próprios de cada cultura? 2. Além dos símbolos aqui apresentados, pesquisar quais são os outros símbolos e os seus significados.

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ATUALIDADES

O

s protagonistas dos últimos crimes bárbaros, enquando os fatos são mostrados e explorados pela mídia. volvendo até crianças, não agiram motivados por Precisamos pensar em algo que devolva a capacidade uma orientação humanista, muito menos agiram de sonhar a muitos de nossos jovens, algo que lhes dê em busca de uma sociedade perfeita. Agiram, sim, com o um novo sentido para a vida. A grande maioria de nossas mesmo ímpeto predatório da sociedade competitiva que crianças e jovens é carente. Carentes de atenção, de afeadora o Big Brother Brazil, e que não está nem aí com a to. Carentes também de perspectivas de vida, de alternatidestruição da Amazônia, ou sonhando com uma nova vas, de novos horizontes. sociedade. Eles querem, na marra, o que a socieNós temos em mãos um grande potencial: nossos dade, tal como aí está, não lhes oferece. alunos. Eles são criativos, inovadores e cheios de vida. Jair Alves/www.adital.com.br

Nestes últimos dias, o Brasil ficou chocado e indignado, particularmente com a morte do menino João Hélio, que foi arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro dependurado num carro. Crimes como esse nos tornam mais sensíveis à dura realidade em que vivemos. Nesses momentos, aparecem todos os tipos de soluções para a questão da violência, mas a maioria delas simplistas e paliativas, sobrando sempre para as crianças e os jovens pagarem a conta. De certa forma, não há criminosos nem vítimas, pois todos somos vítimas de um sistema opressor que divide e corrompe a sociedade. Quando se fala em violência, uma das primeiras coisas que vem à mente são exemplos trágicos como esse. Contudo, não podemos esquecer que uma das causas da violência é aquela gerada pelos sistemas de exploração social, isto é, a violência cruel dos salários de fome, da falta de moradia, do desamparo à saúde pública, do descaso pela educação, do preconceito racial, etc. Violências surdas que oprimem milhões de pessoas ainda “sem vez e sem voz”.

Que sociedade humana é essa que pretendemos criar? Precisamos pensar nisso todos os dias e não apenas quando a raça humana mostra seu lado mais selvagem. Acima de tudo, é preciso agir, pois a população brasileira vem sendo socializada a cometer violências ou mesmo aceitálas como normal na vida cotidiana, apenas revoltando-se

A

Com muita dedicação e paciência, temos a oportunidade de modelar uma geração de novos cidadãos. A educação é um processo lento, no entanto, é preciso que eduquemos nossas crianças e jovens, hoje, para não ter que puni-los amanhã.

Procuramos uma solução!

Uma sensação de impotência! Eis o que todo mundo sente quando se dá conta dessa realidade. No entanto, para os que acham que não há como reverter essa história, queremos convencê-los de que as nossas pequenas atitudes do dia-a-dia já podem contribuir para a mudança. Infelizmente, a convicção que se criou diante da violência é mais ou menos esta: - A violência cresceu tanto que somente armamento pesado, pena de morte, diminuição da idade penal... pode resolver a situação. Nós acreditamos que, se quisermos construir uma sociedade mais humana, somos convocados a pensar e agir diferentemente. Quem é o principal responsável para acabar com a violência? O governo? A escola? A família? A resposta a essa questão recai sobre nós. A responsabilidade pela construção da paz é de todos nós e, obrigatoriamente, está relacionada à construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Todos nós esperamos um dia, ao chegar a casa, depois de uma jornada de trabalho, ver um noticiário sem esses sen-

morte do menino João Hélio Fernandes, no Rio de Janeiro, deixou a Sociedade Brasileira em estado de choque, pois este crime conseguiu superar o insuperável, fazendo com que a violência assumisse contornos inimagináveis. No estado de São Paulo, em pesquisa feita pela Secretaria de Segurança Pública em 2003, mostrou-se que 3% dos homicídios dolosos e, menos de 10% de outros crimes, foram cometidos por menores de 18 anos. Segundo dados do IBGE de 2002, o número de crianças e adolescentes assassinados no Brasil, situados na faixa do 0 aos 18 anos, é de 16 homicídios por dia. Os meios de comunicação repercutem os crimes mais graves, principalmente aqueles cometidos por menores de um modo muito mais intenso do que eles acontecem na realidade, contribuindo assim na construção desse discurso do medo, em que os jovens infratores são vistos como ameaças para a sociedade. Diante desta ameaça, o aumento da repressão parece ser para muitos a solução ideal para se resolver o problema. No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Brasil tem um dos melhores instrumentos jurídicos do mundo no que se refere ao tratamento que deve ser dispensado pelo Estado e pela Sociedade para os menores de idade. Falta sim, e esta pode ser a principal causa, uma implementação mais efetiva do Estatuto. O grave desnível social que ainda existe no Brasil, as relações de desigualdade existentes, a sucessão de governos envoltos em escândalos e corrupção, a falta de um controle efetivo por parte do Estado Brasileiro dos meios de segurança, a falta de emprego

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sacionalismos, baseados em tragédias que impressionam, que dão ibope, mas que depois, embora nos entristeçam, a gente “vai se acostumando” e facilmente esquece. Uma coisa é certa: ninguém de nós deseja que casos como o do menino João Hélio venham a se repetir.

O professor organiza um debate. Antes, separa a turma em quatro grupos. De preferência com o mesmo número de componentes. Cada grupo defenderá um ponto de vista, uma alternativa para solucionar a problemática da violência. Ao final, o professor como mediador, procurará traçar metas que levem os alunos a se comprometerem na construção da paz. Sugestões de alternativas para cada grupo:

1. Aumentar as penas, tornar mais dura

a vida nos presídios e a diminuição da idade penal.

2.

Pena de morte. Assim diminuiria a superlotação dos presídios. A justiça brasileira é eficaz e, de ricos a pobres, todos teriam medo de cometer algum crime.

3.

compensa.

É preciso melhorar as condições dos presídios, proporcionar ao condenado meios para a sua re-socialização, formação e alternativas para que não volte ao crime. O crime não

4. Antes de mais nada, é preciso educar as crianças e jovens, hoje, para não ter que puni-los amanhã. Oferecer condições dignas de vida a todos, opções de trabalho, uma ótima formação escolar e acadêmica, etc.

e educação da população, a perda de referencial a ser seguido, dentre outros, são causas para o que vivenciamos hoje no Brasil. Quais os princípios éticos e cristãos que os nossos governantes e as nossas famílias estão repassando para as jovens gerações? Que oportunidades de vida digna lhes oferecemos? O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil conclama a Sociedade Brasileira para uma reflexão profunda sobre a questão da violência no Brasil, que não respeita os limites de idade, gênero, raça ou condição social. Somos todos vítimas de nós mesmos. Que a morte do pequeno João Hélio sirva como um grito de alerta em nossas consciências: “Não derramareis sangue inocente...” (Jr 7, 6b) Não à redução da maioridade penal! Não à violência! Não à impunidade! Sim à Paz! Comissão de Direitos Humanos do CONIC Revd. Luiz Alberto Barbosa Secretário Executivo do CONIC Pr. Carlos Augusto Möller Presidente do CONIC

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NOSSO COMPROMISSO

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“Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida. Esses são imprescindíveis”. Bertold Brecht pós abordarmos a questão da violência em nossa página de atualidades, achamos interessante trazer para vocês algumas reflexões a serem feitas junto aos educandos, a fim de nos conscientizarmos de que podemos e devemos ser construtores da paz. É um compromisso urgente a ser assumido por todos.

Precisamos de construtores da paz, que acreditem no valor das pequenas coisas. De gente que faça História e não se deixe arrastar pela corrente. De corações desarmados num mundo cheio de guerra! De almas bondosas numa sociedade interesseira, De espírito fortes e ardentes, num mundo de mediocridade Precisamos de mais gente que diga: “Vamos fazer...” e de menos pessoas que digam: “Isto é impossível!” Precisamos de muitas pessoas que se lancem para resolver os problemas e de menos fatalistas, acomodados nas cadeiras da omissão. Precisamos de mais amigos solidários que arregacem as mangas e de menos demolidores que só sabem apontar defeitos. Precisamos de mais gente animando a esperança e de menos pessoas frustradas, fomentando o desânimo. Precisamos de mais gente que persevere e de menos homens “fogo-de-palha”. Precisamos urgente de mais rostos sorridentes e de menos frontes carrancudas. Precisamos de uma floresta de mãos benfeitoras acendendo luzes na escuridão, fazendo calar o pessimismo da multidão.

Voltará a paz... SE crês que um sorriso é mais forte que uma arma; SE crês que o que une os homens é mais importante que aquilo que os divide; SE crês que a diversidade é riqueza e não prejuízo; SE julgas dever ser tu a dar o primeiro passo antes que o outro; SE és capaz de te alegrar pela alegria do teu vizinho; SE a injustiça que atinge os outros te revolta tanto quanto a que sofres tu; SE sabes dar um pouco do teu tempo por amor; SE sabes aceitar que um outro te faça um serviço; SE sabes partilhar o teu pão acrescentando-lhe um bocadinho do teu coração; SE crês que o perdão chega mais longe que a vingança; SE podes escutar o infeliz que te faz perder tempo mantendo-lhe o teu sorriso; SE sabes aceitar a crítica e valer-te dela sem a recusares e sem te defenderes; SE sabes acolher e valorizar uma opinião diferente da tua; SE recusas bater a tua culpa no peito dos outros; SE para ti o outro é sobretudo um irmão; SE a cólera é para ti fraqueza e não demonstração de força; SE te põe do lado do pobre e do oprimido sem te assumires como herói; SE crês que a paz é possível, ...voltará a paz. Textos retirados do livro “Construindo a Paz”.

Pesquise: Quem são estas personalidades e o que fizeram para estarem em nossa galeria de Construtores da Paz? Reproduza ampliada a “Galeria dos Construtores da Paz” e fixe em lugares importantes de sua comunidade.

O Jornal “O TRANSCENDENTE” quer sua colaboração e criatividade. O desafio é o seguinte: • Escrever uma redação (aproximadamente 20 linhas) abordando o tema: “O mundo em que sonho viver”;

• Através de desenhos, charges, figuras, etc.,

ilustrar o tema: “Conviver com o diferente é legal!”. Os participantes poderão escolher um ou os dois temas. Através de um sorteio, ofereceremos a três

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participantes o livro “Vivendo e aprendendo”. Além disso, os melhores trabalhos serão divulgados no nosso jornal “O TRANSCENDENTE”. Portanto, enviem-nos seus trabalhos. O envio pode ser feito através do E-mail: redacao@otranscendente. com.br, ou através do fax : 48-32229967, ou ainda através da caixa postal 3211 – CEP 88010-970 - Florianópolis-SC.

Participem!

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DINAMIZANDO

Prezado (a) professor (a), Esta sessão tem como objetivo auxiliá-lo na tarefa de ensino-aprendizagem por meio de sugestões e idéias práticas. Vale lembrar que cada atividade aqui exposta necessita de uma certa contextualização e adequação à realidade sócio-cultural dos alunos, bem como das peculiaridades de sua escola. Ficaremos muito felizes se você, a partir das idéias desta sessão, ousar criar outras atividades significativas. Por isso, desde já convidamos professores e professoras a partilharem conosco suas experiências pedagógicas bem sucedidas, enviando-as através do e-mail: redacao@otranscendente.com.br . Será uma enorme riqueza que nós, através de “O TRANSCENDENTE”, partilharemos com todos os professores do Ensino Religioso do Brasil.

Objetivo: Integrar os educandos e despertar atitudes de aceitação e valorização do diferente (Respeito à alteridade). Materiais: Cartões com as cores mencionadas no texto com a respectiva “fala” de cada cor (anexo); Metodologia: • Fazer um grande círculo; • Distribuir os cartões aleatoriamente; • Explicar que, para a dinâmica alcançar sucesso, é necessário atenção e participação de todos; • A dinâmica acontece através da leitura do texto aonde, uma por uma, as cores vão sendo chamadas a desempenhar sua função no grande grupo; • Ao serem chamadas, as pessoas representantes de cada cor, terão que dar um passo à frente; • As frases que constarão no cartão de cada cor estão ao lado; • O texto é o seguinte: NARRADOR: Certa vez, num reino encantado, num dia muito especial, o rei Dourado convocou todas as cores para uma grande festa: REI: Queridos amigos e amigas, neste dia tão especial, vocês estão convocados para uma grande festa. Venham todos, pois o tema desta festa é muito importante: Paz e Solidariedade. Convido-os a ficarem sentados. NARRADOR: E eis que a festa se inicia. O Amarelo foi o primeiro a falar, e, com todo respeito, foi logo dizendo:

Objetivos: descontração, “quebra-gelo”, melhorar a sensibilidade, concentração e socialização do grupo. Materiais: vendas para tapar os olhos. Metodologia: Dois círculos com números iguais de participantes, um dentro e outro fora. O grupo de dentro vira para fora e o de fora vira para dentro. Todos devem dar as mãos, senti-las, tocá-las bem, estudá-las. Os integrantes do grupo interno devem estar com os olhos vendados. O grupo de fora circula em torno deste grupo. Ao sinal, o professor pede que os integrantes do grupo de dentro, ainda de olhos fechados, toquem de mão em mão até descobrir quem lhe deu a mão anteriormente. O grupo de fora é quem deve movimentar-se. Caso ele encontre sua mão correta, deve dizer: é esta! Se for verdade, a dupla sai e, se for mentira, volta a fechar os olhos e tentar novamente.

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AMARELO: viver em paz e ser solidário é saber distribuir apertos de mão a todos que encontramos, pois a discriminação e a exclusão são um grande mal no mundo. (Os amarelos saem distribuindo apertos de mão). NARRADOR: O Azul, muito simpático, logo se levantou dizendo: AZUL: em nossa opinião, viver em paz e ser solidário é saber sorrir, em qualquer situação, é cultivar o bom humor e a alegria, vencer desafios, colocar gosto de aventura em todos os dias. (Azuis saem distribuindo sorrisos). NARRADOR: Não demorou muito e o Verde se levantou, pronunciando-se solenemente: VERDE: meus amigos, viver em paz e ser solidário é abraçar as pessoas, desejando a elas todo bem, com um simples gesto, sem malícia, sem inimizade. (Verdes saem distribuindo abraços). NARRADOR: Cheio de charme, surge o Branco, dizendo que: BRANCO: sem sombra de dúvidas, os olhos são o “espelho da alma”. O mais importante é tratar o outro com respeito e ternura, saber ser positivo, ser amigo, ser pessoa de bem. (Brancos saem fazendo gesto positivo). NARRADOR: Muito tímida e discreta, chegou a cor Preta, que nunca falava em público. Ousou levantarse, pronunciando com muita coragem e firmeza: PRETO: meus amigos, educar para a paz e para a solidariedade é também ver as tristezas ao nosso redor, é saber ouvir, tentar

Objetivo: Integrar e auxiliar a sintonia do grupo. Passos metodológicos:

Passo 1: Em duplas, um de frente para o outro, formar um círculo (um círculo dentro e outro fora). Passo 2: O orientador deverá explicar aos participantes que não poderão usar a voz, mas somente o olhar para entrarem em sintonia. Explicar os valores que deverão ser usados: • um e um = aperto de mãos; • dois e dois = dar as mãos; • três e três = beijo no rosto; • quatro e quatro = abraço. Passo 3: O orientador explica que todos deverão estar com as mãos para trás, sem que haja comunicação verbal. Quando ele bater palmas, a dupla deverá mostrar com os dedos um dos nú-

escutar a voz daqueles que sofrem. (Saem cumprimentando orelha com orelha). NARRADOR: Delicada e firme ao mesmo tempo, a cor Vermelha levantou-se e, olhando bem no fundo dos olhos das outras cores, afirmou com elegância: VERMELHA: caros amigos, vocês não percebem que viver em paz e ser solidário é ser amigo e companheiro, pois somente assim poderemos viver como irmãos. (Saem convidando a todos a se darem as mãos). NARRADOR: finalmente o Laranja, que já não se agüentava mais quieto, pois sempre queria falar sem ser a sua vez, pôde dizer empolgada e categórica: LARANJA: ora, meus amigos, viver em paz e ser solidário é despertar em cada um a consciência da dignidade. (Sai dizendo a cada um: Você é importante pra mim, para todos, para você mesmo). NARRADOR: De repente... Um vento impetuoso, muito forte, soprou, soprou, causou muitas tragédias. O vento da violência, o vento da discriminação, exploração, analfabetismo... Todos teriam morrido se não tivessem se unido, num grande abraço para resistir àquele vento terrível e devastador. (Todos se unem num grande abraço). NARRADOR: E o vento se foi e todos voltaram a sorrir e a seus lugares. O Rei Dourado exclamou: REI: Amigos, vocês viram o que faz o vento da discriminação, da exclusão, da mentira, da malícia e da inimizade. Vamos lutar contra tudo isso, vamos nos unir a serviço da paz e da solidariedade. “Eu vos envio a serem AQUARELA, para fazer brilhar o sol da esperança e ajudarem a tornar o mundo melhor”.

meros. Se houver sintonia (coincidência), as duas mostrarão só um dedo, então eles apertam as mãos, e assim sucessivamente.

Passo 4: Após alguns momentos, o círculo de dentro deverá dar um passo para a direita, trocando assim a dupla. Continua a dinâmica. Passo 5: O orientador deve ficar atento se o grupo está entendendo a dinâmica, se está havendo sintonia. Deve também motivá-los. Passo 6: Esta dinâmica deverá ser repetida até que todos os participantes entrem em sintonia um com o outro. A dinâmica termina quando todos voltarem com os pares originais.

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Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Gandhi Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico. “Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado perto de Durban, na África do Sul. Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos, por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com a possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema. Certo dia meu pai pediu-me que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas a serem adquiridas.

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ASSINATURAS

Como passaríamos o dia todo na cidade, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes como levar o carro à oficina. Quando me despedi de meu pai ele me disse: “Nos vemos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos”. Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme que esqueci da hora. Quando me dei conta, eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai. Eram quase 18 horas. Ele me perguntou ansioso: “Porque chegou tão tarde?” Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, disse-me: “Algo não está certo no modo como o tenho criado, pois você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso”. Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a cami-

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nhar para casa pela estrada de terra sem iluminação. Não pude deixá-lo sozinho... guiei por 5 horas e meia atrás dele...vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria. Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: “Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?” Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem. “Este é o poder da vida sem violência”. Dr. Arun Gandhi.

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DICAS DE LEITURA

COMO EDUCAR HOJE? O livro “Como Educar Hoje?” busca levar as pessoas a refletirem e a atuarem com mais realismo e otimismo no campo da educação. Esta obra relaciona a educação com as diversas dimensões da vida: cidadania, religião, meio ambiente, sexualidade, trabalho, política... “Como educar Hoje?” é uma fonte preciosa para os professores das diversas áreas. EDUCANDO PARA A VIDA A educação deve estar integrada à vida concreta das pessoas. Portanto, é de grande importância educar através das datas importantes que as famílias e as comunidades celebram ao longo do ano. O “Educando para a Paz”, que apresenta as mais importantes datas do ano, será muito útil para o entendimento e a celebração das mesmas no âmbito escolar.

Após meses de pesquisa e muito diálogo com pessoas de outras crenças, os autores apresentam este estudo sobre as várias manisfestações religiosas tradicionais e as tendências atuais. O objetivo deste livro é oferecer uma compreensão profunda e, ao mesmo tempo popular, das manifestações religiosas dos diversos continentes. O livro “O Universo Religioso” ajudará a conhecer melhor sua própria religião e as religiões dos outros, tendo como horizonte um diálogo sincero e aberto na busca de um mesmo objetivo: a vida em harmonia. Dessa forma, aprenderemos a respeitar a própria fé e a do semelhante. Muitos de nós, quando crianças, dormimos ao sabor de lindas histórias que nossos pais ou avós nos contavam. As 305 histórias contidas nestes três livros vêm de uma grande variedade de países, culturas e religiões, fazendo parte da herança cultural e espiritual de toda a humanidade. As histórias servem para todas as idades e profissões. Principalmente a você, que é um educador que deseja fazer de pequenas histórias um instrumento

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DINÂMICAS O livro “Dinâmicas: propostas inteligentes para escolas e grupos” é um ótimo instrumento para desenvolver a criatividade e a participação. Temos certeza de que você se surpreenderá com a qualidade das dinâmicas aqui apresentadas. Milhares de professores já adquiriram este livro. TEATROS EDUCATIVOS Escrito para os inúmeros grupos de teatro existentes e os educadores que fazem da arte cênica um meio de reflexão. Com linguagem simples, mas ao mesmo tempo técnica, este livro oferece 35 dramatizações para serem usadas em aulas, encontros, shows e até em teatros de rua.

CONSTRUINDO A PAZ Lançado com o propósito de colaborar com a reflexão e a busca pela paz, este livro é indicado para todas as pessoas que estão ligados diretamente àqueles que podem garantir um futuro mais pacífico para a sociedade: as crianças e os jovens. Neste livro, você encontrará também teatros, dinâmicas, mensagens para diversificar e qualificar as formas de trabalhar o tema da paz.

O livro “O Universo Religioso”, lançado recentemente por insistência de muitos professores de Ensino Religioso, foi previamente revisado por representantes autorizados pelas respectivas religiões contidas neste volume. Dessa forma, os professores de Ensino Religioso terão a garantia de que os conteúdos apresentados são confiáveis e aceitos por todos os credos. Experimente! Adote para este ano letivo o livro “O Universo Religioso”, que, juntamente com a atualização do Jornal “O Transcendente”, lhe possibilitará a realização de um ótimo trabalho, capaz de levar os alunos a construírem uma sociedade mais justa e fraterna. pedagógico que provoque inquietação, questionamentos e comprometimento. Essas histórias, além de nos fazerem dormir mais felizes, também nos ajudarão a “viver” mais felizes. As 305 histórias educativas podem ser usadas (narradas ou encenadas) em reuniões, aulas, encontros, palestras, enfim, elas se tornarão um precioso auxílio para ilustrar temas importantes. Todas as histórias são ilustradas.

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